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<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name></publisher>
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<subject>Neoliberalismo, Desenvolvimento e Gest&#xE3;o Urbana</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Grandes Projetos Urban&#xED;sticos e Governan&#xE7;a Urbana: an&#xE1;lise do Programa Lagoas do Norte (PLN), em Teresina-PI</article-title>
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<trans-title>Great Urban Projects and Urban Governance: analysis of the Programa Lagoas do Norte (PLN), in Teresina-PI</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Rodrigues</surname><given-names>Edmundo Ximenes</given-names><suffix>Neto</suffix></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib>
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<name><surname>Lima</surname><given-names>Ant&#xF4;nia Jesuita</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref></contrib></contrib-group>
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<email>edmundouespi@hotmail.com</email>
<institution content-type="original">Doutor em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas pela Universidade Federal do Piau&#xED; (UFPI), atualmente &#xE9; professor da Universidade Estadual do Piau&#xED; (UESPI), Teresina - PI/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/7739832437174733. E-mail: edmundouespi@hotmail.com</institution></aff>
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<institution content-type="orgdiv2">Departamento de Servi&#xE7;o Social</institution>
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<email>a.je.l@uol.com.br</email>
<institution content-type="original">Doutora em Ci&#xEA;ncias Sociais pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC/SP), &#xE9; professora titular do Departamento de Servi&#xE7;o Social da Universidade Federal do Piau&#xED; (UFPI), Teresina - PI/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/6361954897566500. E-mail: a.je.l@uol.com.br</institution></aff>
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<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>RESUMO</title>
<p>O presente artigo analisa o padr&#xE3;o de governan&#xE7;a que orienta um grande projeto urbano em Teresina-PI, o Projeto Lagoas do Norte (PLN). Apoia-se em dados documentais (da Prefeitura Municipal de Teresina e da ag&#xEA;ncia financiadora do projeto, o BIRD) e numa discuss&#xE3;o te&#xF3;rica sobre governan&#xE7;a urbana. O estudo constatou que os processos decis&#xF3;rios que consolidaram a estrutura&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o foram relativamente fechados, restritos ao governo municipal e ao BIRD. Constatou, ainda, que o car&#xE1;ter das inst&#xE2;ncias e mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o do programa se aproxima de um padr&#xE3;o gerencial com participa&#xE7;&#xE3;o social, de perfil colaborativo, direcionada para a efic&#xE1;cia, sustenta&#xE7;&#xE3;o e legitima&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o.</p></abstract>
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<title>ABSTRACT</title>
<p>This article analyzes the governance pattern that guides a great urban project in Teresina-PI, Projeto Lagoas do Norte (PLN). It is supported by documentary data (from the Prefecture of Teresina and the project funding agency, BIRD) and a discussion about urban governance. The study verified that the decision-making processes that consolidated a structuring of the intervention were relatively closed, restricted to the municipal government and BIRD. It also verified that the character of the instances and mechanisms of the program coordination approximates a managerial standard with social participation, with a collaborative profile, targeted to effectiveness, support and legitimization of the intervention.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Grandes projetos urbanos</kwd>
<kwd>Governan&#xE7;a e participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Great urban projects</kwd>
<kwd>Governance and political participation</kwd></kwd-group>
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<p>Em um contexto globalizado de fluxos de pessoas, investimentos e informa&#xE7;&#xF5;es, conforme Vainer, Oliveira e Lima J&#xFA;nior (2015), os grandes projetos urbanos constituem a materializa&#xE7;&#xE3;o das concep&#xE7;&#xF5;es competitivas orientadas por estrat&#xE9;gicas de <italic>marketing urbano</italic>. Geralmente promovidas pelos governos (locais e estaduais), tais artif&#xED;cios servem para atrair investimentos do mercado e aux&#xED;lios log&#xED;sticos (recursos financeiros e t&#xE9;cnicos) das ag&#xEA;ncias internacionais, bem como buscam convencer a popula&#xE7;&#xE3;o a aceitar os empreendimentos e a colaborar com eles. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Harvey (2006)</xref> argumenta que tal estrat&#xE9;gia transforma a cidade em mercadoria. Por seu turno, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Castells e Borja (1996)</xref> defendem o modelo como uma ferramenta inovadora para articula&#xE7;&#xE3;o entre agentes p&#xFA;blicos e privados, visando &#xE0; melhoria socioecon&#xF4;mica das cidades e ao consequente interesse coletivo.</p>
<p>Pesquisas emp&#xED;ricas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CASTRO, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">CRUZ, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">SILVA, 2013</xref>) constatam que grandes projetos urban&#xED;sticos no Brasil, sobretudo a partir da d&#xE9;cada de 1990, embora se mostrem como iniciativas de largo alcance social, inclusive contemplando interven&#xE7;&#xF5;es em &#xE1;reas at&#xE9; ent&#xE3;o ignoradas pelo Estado, t&#xEA;m apresentado efeitos contradit&#xF3;rios em rela&#xE7;&#xE3;o aos objetivos propostos, dentre os quais, destaca-se a segrega&#xE7;&#xE3;o socioespacial.</p>
<p>A compreens&#xE3;o dos fatores que estariam levando a esses paradoxos, sobretudo o desenho e modelo de gest&#xE3;o adotados, constitui base importante para o entendimento dos efeitos de interven&#xE7;&#xF5;es desta natureza. Caracterizar, portanto, o padr&#xE3;o de governan&#xE7;a que as sustentam, verificando em que medida incorpora os interesses locais torna-se fator central para compreender as raz&#xF5;es de seus resultados positivos e/ou negativos.</p>
<p>A fim de contribuir com os estudos nesse campo tem&#xE1;tico, o presente artigo pretende refletir sobre a experi&#xEA;ncia do Programa Lagoas do Norte, que vem promovendo, desde 2008, altera&#xE7;&#xF5;es socioespaciais substantivas numa extensa &#xE1;rea da Zona Norte de Teresina, capital do Piau&#xED;. Essa interven&#xE7;&#xE3;o compreende um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es de car&#xE1;ter f&#xED;sico-urban&#xED;stico, ambiental, econ&#xF4;mico e social e se prop&#xF5;e a equacionar os riscos socioambientais existentes nessa regi&#xE3;o, melhorando as condi&#xE7;&#xF5;es urbanas e sociais da popula&#xE7;&#xE3;o mais pobre (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>).</p>
<p>Com o objetivo de entender como foi desenhado o Programa e o car&#xE1;ter de seu produto (desenho propriamente dito), foram analisados tanto os relat&#xF3;rios do Banco Mundial, principal financiador do Programa<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, contendo avalia&#xE7;&#xF5;es da concep&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o e do atendimento por parte da gest&#xE3;o municipal das condicionalidades exigidas para libera&#xE7;&#xE3;o do empr&#xE9;stimo, quanto os documentos produzidos pela Prefeitura de Teresina, durante a fase de concep&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o, sobretudo o Relat&#xF3;rio de Avalia&#xE7;&#xE3;o Ambiental (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>), o Marco Operacional (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>) e o Projeto Socioambiental (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>). Os dois &#xFA;ltimos correspondem, respectivamente, ao marco de refer&#xEA;ncia para execu&#xE7;&#xE3;o do programa e ao trabalho t&#xE9;cnico-social.</p>
<p>Na primeira parte do artigo realizam-se aproxima&#xE7;&#xF5;es conceituais sobre governan&#xE7;a urbana, focalizando o debate em torno do modelo de governan&#xE7;a empreendedorista que orienta grandes projetos urbanos e discute estudos que se apresentam como alternativos.</p>
<p>Na sess&#xE3;o seguinte, analisa-se a fase de prepara&#xE7;&#xE3;o e consolida&#xE7;&#xE3;o do desenho do Programa Lagoas do Norte, seus principais protagonistas e os espa&#xE7;os de discuss&#xE3;o adotados. Nas &#xFA;ltimas se&#xE7;&#xF5;es, examina-se o escopo definitivo do PLN, sobretudo, a estrutura de gest&#xE3;o, os mecanismos de participa&#xE7;&#xE3;o e controle social propostos e consubstanciados no marco de refer&#xEA;ncia, no plano de gest&#xE3;o ambiental e no projeto socioambiental.</p>
<sec>
<title>Governan&#xE7;a urbana: aproxima&#xE7;&#xF5;es conceituais</title>
<p>No in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1990, o Banco Mundial (BIRD) passou a adotar a concep&#xE7;&#xE3;o de governan&#xE7;a para avaliar n&#xE3;o apenas os resultados das pol&#xED;ticas governamentais, mas tamb&#xE9;m a forma como o governo exerce seu poder. Para isso, define governan&#xE7;a como o modo pelo qual o poder &#xE9; exercido na administra&#xE7;&#xE3;o dos recursos sociais e econ&#xF4;micos de um pa&#xED;s, visando ao desenvolvimento econ&#xF4;mico (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MANCINI, 2014</xref>).</p>
<p>Nesse sentido, a abordagem de governan&#xE7;a adotada pelo BIRD aproxima-se da perspectiva normativa de <italic>good governance &#x2013;</italic> bom governo, que enfatiza a regula&#xE7;&#xE3;o social e a governabilidade com vistas ao aumento da efici&#xEA;ncia e efetividade. Tendo em vista uma maior racionalidade do gasto p&#xFA;blico e do rendimento dos recursos aplicados, a ag&#xEA;ncia recomenda pr&#xE1;ticas de gest&#xE3;o que adotem o planejamento estrat&#xE9;gico, a integra&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas, a parceria p&#xFA;blico-privada e a participa&#xE7;&#xE3;o e controle social (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ARANTES, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">MANCINI, 2014</xref>).</p>
<p>Em 2015, justificando a necessidade de abordagens que permitam o melhor entendimento das din&#xE2;micas de governan&#xE7;a para desenvolver pol&#xED;ticas eficazes, o BIRD amplia sua defini&#xE7;&#xE3;o, constru&#xED;da em 1992<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. No documento <italic>The World Development Report 2017: governance and the law,</italic> a institui&#xE7;&#xE3;o passa a conceber a governan&#xE7;a como &#x201C;[&#x2026;] processos atrav&#xE9;s dos quais os atores estatais e n&#xE3;o estatais interagem dentro de um determinado conjunto de regras formais e informais, que moldam e s&#xE3;o moldados por normas e poder&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BIRD, 2015</xref>, p.1).</p>
<p>A despeito de, nesse documento, o BIRD adotar uma concep&#xE7;&#xE3;o de governan&#xE7;a distinguindo-a de governo e se aproximando mais da ideia de tomada de decis&#xF5;es coletivas, com normas e processos relativos ao fornecimento de bens p&#xFA;blicos, a ag&#xEA;ncia continua centrando-se na <italic>good governance,</italic> associando-a &#xE0; capacidade do Estado de exercer determinadas fun&#xE7;&#xF5;es na rela&#xE7;&#xE3;o com os agentes n&#xE3;o estatais.</p>
<p>&#xC0; medida que a discuss&#xE3;o sobre governan&#xE7;a foi introduzida pelas ag&#xEA;ncias multilaterais na Am&#xE9;rica Latina, na d&#xE9;cada de 1990, diferentes atores sociais e pol&#xED;ticos foram se reapropriando do termo e ampliando seu sentido. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B19">Ivo (2001)</xref>, os movimentos sociais, intelectuais e gest&#xF5;es locais passaram tamb&#xE9;m a enfatizar a dimens&#xE3;o pol&#xED;tica e social, colocando em segundo plano as dimens&#xF5;es t&#xE9;cnico-institucional e de ajuste econ&#xF4;mico recomendadas pelas ag&#xEA;ncias.</p>
<p>Assim &#xE9; que, no lugar de uma participa&#xE7;&#xE3;o social restrita, de car&#xE1;ter colaborativo e legitimador das a&#xE7;&#xF5;es governamentais, focada na inclus&#xE3;o econ&#xF4;mica dos pobres no livre mercado, a express&#xE3;o <italic>good governance</italic> &#xE9; ressignificada e associada com a constru&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os p&#xFA;blicos ampliados de participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica promotora da redistribui&#xE7;&#xE3;o de renda e dos direitos sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ARANTES, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">IVO, 2001</xref>). Tal concep&#xE7;&#xE3;o de governan&#xE7;a, orientada para a democratiza&#xE7;&#xE3;o das decis&#xF5;es e de seus resultados, vai ao encontro das abordagens da literatura norte-americana descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Frey (2007)</xref>, entre as quais destacam-se os tipos participativa, negociada e interativa.</p>
<p>No que se refere &#xE0; governan&#xE7;a participativa e &#xE0; negociada, ambas se caracterizam pela abertura de canais inovadores e flex&#xED;veis de participa&#xE7;&#xE3;o para representantes sociais, institucionais e profissionais, possibilitando a redefini&#xE7;&#xE3;o e rearticula&#xE7;&#xE3;o entre Estado e sociedade, produzindo um modelo de gest&#xE3;o local democr&#xE1;tico e dial&#xF3;gico (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FREY, 2007</xref>).</p>
<p>Quanto &#xE0; governan&#xE7;a interativa significa a capacidade de os governos criarem situa&#xE7;&#xF5;es favor&#xE1;veis para interconex&#xE3;o dos diversos atores sociais fundamentais para corresponder &#xE0; diversidade, &#xE0; din&#xE2;mica e &#xE0; complexidade que marcam as transforma&#xE7;&#xF5;es urbanas, admitindo diverg&#xEA;ncias, conflitos, mas construindo consensos nesse processo. Destarte, governar significa gerir uma rede de rela&#xE7;&#xF5;es sociais com vistas tanto a melhorar o desempenho das pol&#xED;ticas quanto a democratizar a sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FREY, 2007</xref>).</p>
<p>Nesse sentido, as abordagens examinadas &#x2013; <italic>good governance</italic>, governan&#xE7;a democr&#xE1;tica, participativa, negociada e interativa &#x2013; associam a governan&#xE7;a a resultados positivos, ou seja, a um governo bom, eficiente, democr&#xE1;tico e horizontal. Contudo, o modo como esses elementos s&#xE3;o definidos, sobretudo os significados dos termos democracia e participa&#xE7;&#xE3;o social, &#xE9; distinto, mas n&#xE3;o necessariamente s&#xE3;o inconcili&#xE1;veis entre estas abordagens.</p>
<p>Desse modo, a abordagem <italic>good governance,</italic> como j&#xE1; visto, considera a efic&#xE1;cia como principal objetivo, pretendendo fazer da participa&#xE7;&#xE3;o social um recurso gerencial, de legitima&#xE7;&#xE3;o e fiscaliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. No &#xE2;mbito gerencial, visa &#xE0; colabora&#xE7;&#xE3;o t&#xE9;cnica (coleta de insumos). Como recurso pol&#xED;tico visa &#xE0; coopera&#xE7;&#xE3;o e mobiliza&#xE7;&#xE3;o dos atores envolvidos para aceita&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o e colabora&#xE7;&#xE3;o mediante controle social, racionalizando e fiscalizando a gest&#xE3;o, buscando superar pr&#xE1;ticas de corrup&#xE7;&#xE3;o e clientelismo. A concep&#xE7;&#xE3;o de desenvolvimento priorizaria o bem-estar individual, atrav&#xE9;s de a&#xE7;&#xF5;es pedag&#xF3;gicas, pontuais e inclusivas dos pobres, introduzindo-os no mercado de trabalho ou transformando-os em empreendedores.</p>
<p>Por outro lado, a governan&#xE7;a democr&#xE1;tico-participativa e/ou interativa d&#xE1; &#xEA;nfase &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o social ampliada, isto &#xE9;, para al&#xE9;m do uso t&#xE9;cnico e de controle social que atenda aos requisitos de efic&#xE1;cia, direcionando-a &#xE0; tomada de decis&#xF5;es em todo o processo pol&#xED;tico (elabora&#xE7;&#xE3;o, execu&#xE7;&#xE3;o, controle e avalia&#xE7;&#xE3;o), tendo em vista o atendimento das necessidades e demandas dos setores desfavorecidos da popula&#xE7;&#xE3;o. Com efeito, a democratiza&#xE7;&#xE3;o estaria voltada para a horizontalidade das rela&#xE7;&#xF5;es entre governo, mercado e sociedade civil, mas sempre buscando a invers&#xE3;o de prioridades e a garantia de direitos sociais. Nessa perspectiva, a concep&#xE7;&#xE3;o de desenvolvimento priorizaria o bem-estar social, atrav&#xE9;s de pol&#xED;ticas sociais com car&#xE1;ter mais universalista e redistributivo.</p>
<p>N&#xE3;o obstante as diferen&#xE7;as (estrat&#xE9;gias e mecanismos) que conduzem a bons resultados (efic&#xE1;cia e/ou democratiza&#xE7;&#xE3;o), <xref ref-type="bibr" rid="B14">Frey (2007)</xref> constata que as gest&#xF5;es (sejam elas mais ideologicamente de esquerda ou de direita), em face dos contextos, rela&#xE7;&#xF5;es, conflitos, press&#xF5;es sociais e/ou econ&#xF4;micas, podem incorporar caracter&#xED;sticas tanto do modelo gerencial, pr&#xF3;ximo do que o BIRD define como governan&#xE7;a, quanto do modelo democr&#xE1;tico-participativo.</p>
<p>Por seu turno, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Marques (2013)</xref> argumenta que n&#xE3;o se deve definir a governan&#xE7;a somente como concep&#xE7;&#xF5;es e processos pol&#xED;ticos que conduzam a bons resultados, seja ele delineado como efici&#xEA;ncia ou participa&#xE7;&#xE3;o social, pois se assim for o foco, se limitam as possibilidades de descobrir como os resultados s&#xE3;o produzidos, sejam eles bons ou maus. Nem entender os efeitos somente se inclu&#xED;dos casos com e sem participa&#xE7;&#xE3;o, pois a previs&#xE3;o e/ou promo&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o social na gest&#xE3;o, n&#xE3;o significa mais democracia. Dependendo do desenho da pol&#xED;tica e dos processos pol&#xED;ticos, a participa&#xE7;&#xE3;o institucionalizada pode levar &#xE0; coopta&#xE7;&#xE3;o de grupos organizados e/ou o arrefecimento das press&#xF5;es por demandas sociais, promovendo distor&#xE7;&#xF5;es, como o atendimento corporativo com base no clientelismo e a reprodu&#xE7;&#xE3;o da desigualdade social.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29">Teixeira (2002)</xref>, a participa&#xE7;&#xE3;o social, vista como um processo que abrange v&#xE1;rias modalidades de ser, tomar e fazer parte de algo como a cidade, pode ser objeto de conflu&#xEA;ncias, mas tamb&#xE9;m de disputas. Analisar essa participa&#xE7;&#xE3;o dentro das dimens&#xF5;es da governan&#xE7;a significa entender seu sentido, seus mecanismos e seu grau de influ&#xEA;ncia no plano-discurso (concep&#xE7;&#xE3;o) e na implementa&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o (execu&#xE7;&#xE3;o, controle e avalia&#xE7;&#xE3;o). Inclusive, sobre esse aspecto discutem v&#xE1;rios autores, entre eles <xref ref-type="bibr" rid="B28">Souza (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B13">Dagnino, Oliveira e Panchifi (2006)</xref>.</p>
<p>Em suma, a an&#xE1;lise de padr&#xE3;o de governan&#xE7;a urbana corresponde n&#xE3;o apenas &#xE0; identifica&#xE7;&#xE3;o ou caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos tipos ou modelos, mas da an&#xE1;lise das din&#xE2;micas, a&#xE7;&#xF5;es e estrat&#xE9;gias pol&#xED;ticas (discursos, pr&#xE1;ticas, articula&#xE7;&#xF5;es) dos atores envolvidos numa dada pol&#xED;tica urbana, sem apriorismos. Nesse sentido, conquistam centralidade os processos decis&#xF3;rios e as formas (organizativas, institucionais e relacionais) pelas quais as estrat&#xE9;gias s&#xE3;o concebidas no plano-discurso e implementadas, sejam elas formais e/ou informais, legais e/ou ilegais.</p>
<p>Com efeito, &#xE9; for&#xE7;oso analisar o desenho pol&#xED;tico, sobretudo, o modelo de gest&#xE3;o proposto, pois este vai importar no direcionamento da interven&#xE7;&#xE3;o. Por outro lado, cabe observar no processo, principalmente no contexto onde acontecem as intera&#xE7;&#xF5;es, os atores e suas estrat&#xE9;gias e recursos usados para influenciar os resultados da pol&#xED;tica, no caso, aqui em an&#xE1;lise, a implanta&#xE7;&#xE3;o de um grande projeto urban&#xED;stico.</p>
</sec>
<sec>
<title>Grandes projetos urbanos e a governan&#xE7;a empreendedorista</title>
<p>O modelo de gest&#xE3;o e planejamento estrat&#xE9;gico e gest&#xE3;o, associado a grandes projetos urbanos, tornou-se objeto de grandes debates. Entre os defensores desse modelo destaca-se Manuel Castells. Segundo Vainer, Oliveira e Lima J&#xFA;nior (2015), a partir da d&#xE9;cada de 1990, Castells se afasta do estruturalismo marxista franc&#xEA;s e passa a reconhecer virtudes no mercado, propondo um modelo de gerir a urbe orientado pela implanta&#xE7;&#xE3;o de uma infraestrutura urbana, com o objetivo de transformar as cidades em centros urbanos de servi&#xE7;os e consumo.</p>
<p>Contraditoriamente, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Harvey (2006)</xref> argumenta serem as melhorias e a infraestrutura urbana derivada dessas interven&#xE7;&#xF5;es, muitas delas definidas como renova&#xE7;&#xE3;o urbana, promotoras de exclus&#xE3;o e despossess&#xE3;o das classes populares. Nesse sentido, a forma como as interven&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o definidas e executadas e sua posi&#xE7;&#xE3;o diante dos problemas urbanos (enfrentamento ou reitera&#xE7;&#xE3;o) s&#xE3;o aspectos que constituem a base da discuss&#xE3;o entre perspectivas diferentes sobre tal fen&#xF4;meno.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B8">Castells e Borja (1996)</xref> recomendam que as cidades devem promover mudan&#xE7;as institucionais, de infraestrutura, assim como empreender grandes projetos, megaeventos de imagem positiva, adequando-se &#xE0;s novas demandas da economia global e da competitividade internacional. Desse modo, os cidad&#xE3;os poder&#xE3;o se firmar como atores capazes de superar crises, mantendo sua autonomia pol&#xED;tica, preservando e valorizando particularidades locais.</p>
<p>A estrat&#xE9;gia urbana do BIRD<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> para o per&#xED;odo 2010-2020, continua recomendando &#xE0;s cidades o modelo de gest&#xE3;o gerencial ou empresarial urbano<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>, incorporado pela ag&#xEA;ncia desde a d&#xE9;cada de 1980. Seu foco est&#xE1; no desenvolvimento institucional da gest&#xE3;o urbana para tornar a cidade competitiva. O <xref ref-type="bibr" rid="B5">BIRD (2009</xref>, p.12), ao recomendar o incentivo ao crescimento econ&#xF4;mico para reduzir a pobreza, refor&#xE7;a a &#x201C;velha&#x201D; concep&#xE7;&#xE3;o da cidade como &#x201C;[&#x2026;] motor do crescimento&#x201D;, como lugar para produ&#xE7;&#xE3;o de riquezas e poder, sendo esta a l&#xF3;gica que preside os projetos urbanos orientados para isso.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B16">Harvey (2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">2012</xref>), cr&#xED;tico desse modelo de governan&#xE7;a, levanta elementos que o configuram: a coaliz&#xE3;o de interesses privados que a sustenta, o car&#xE1;ter competitivo e privatista da coisa p&#xFA;blica, bem como o car&#xE1;ter especulativo, empresarial e territorialmente focalizado da interven&#xE7;&#xE3;o urbana visando &#xE0; acumula&#xE7;&#xE3;o do capital. Com efeito, o crescimento da desigualdade urbana seria seu principal impacto.</p>
<p>Sob tais pressupostos, a cidade se transforma numa mercadoria, e a pol&#xED;tica urbana passa a assumir o papel de promotora de nichos de mercado (<xref ref-type="bibr" rid="B17">HARVEY, 2012</xref>), incorporando e transformando em produtos e servi&#xE7;os, por exemplo, os valores e tradi&#xE7;&#xF5;es culturais locais, o meio-ambiente e os megaeventos esportivos.</p>
<p>Nesse contexto, o direito &#xE0; cidade passa a ser concebido apenas como direito individual. A lei e as parcerias p&#xFA;blico-privadas se realizam sem transpar&#xEA;ncia. A din&#xE2;mica de um mercado sem controle substitui as capacidades deliberativas fundamentadas em solidariedades sociais. Culturas oposicionistas t&#xEA;m se adequado ao empreendedorismo urbano, inserindo-se nas estruturas de sua governan&#xE7;a e encontrando alternativas para desafiar a hegemonia da ordem vigente (<xref ref-type="bibr" rid="B18">HARVEY, 2013</xref>).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B18">Harvey (2013</xref>, p. 29) ressalta ainda que o direito &#xE0; cidade &#xE9; &#x201C;[&#x2026;] um direito ativo de fazer a cidade diferente&#x201D;, de moldar o processo de urbaniza&#xE7;&#xE3;o, e isso n&#xE3;o se d&#xE1; sem conflito. Tal argumenta&#xE7;&#xE3;o vai ao encontro do pensamento de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lefebvre (2006)</xref>, quando destaca o direito de apropria&#xE7;&#xE3;o da centralidade urbana como valor de uso em detrimento do valor de troca, exigindo, assim, a ruptura com a l&#xF3;gica capitalista de produ&#xE7;&#xE3;o do espa&#xE7;o.</p>
<p>Assim, sob o ponto de vista de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Harvey (2013)</xref>, a radicalidade da participa&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica &#xE9; caracterizada pelo reconhecimento dos conflitos e das diferen&#xE7;as, de modo que desprivatiza a cidade, criando espa&#xE7;os p&#xFA;blicos de car&#xE1;ter deliberativo e voltado &#xE0;s necessidades coletivas.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B37">Vainer (2002)</xref>, o empreendedorismo urbano (ou empresariamento das cidades) ocorridos nos pa&#xED;ses desenvolvidos tem se difundido no Brasil e na Am&#xE9;rica Latina pela a&#xE7;&#xE3;o combinada de diferentes ag&#xEA;ncias multilaterais, a partir da divulga&#xE7;&#xE3;o aparentemente &#x201C;bem-sucedida&#x201D; da experi&#xEA;ncia do denominado planejamento estrat&#xE9;gico de Barcelona. Este modelo, conforme seus defensores, substituiria o tradicional padr&#xE3;o tecnocr&#xE1;tico-centralizado-autorit&#xE1;rio.</p>
<p>Entretanto, o que ocorre em termos de transforma&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a passagem de uma gest&#xE3;o urbana desp&#xF3;tica e tecnoburocr&#xE1;tica, com pretens&#xF5;es racionalistas, para a ditadura gerencial com pretens&#xF5;es a mercantilizar a cidade e os cidad&#xE3;os. Tal padr&#xE3;o de governan&#xE7;a empreendedorista faz das interven&#xE7;&#xF5;es urbanas, sobretudo as definidas como grandes opera&#xE7;&#xF5;es de renova&#xE7;&#xE3;o e requalifica&#xE7;&#xE3;o urbana, instrumentos de adequa&#xE7;&#xE3;o das cidades &#xE0;s demandas do capital para sua reprodu&#xE7;&#xE3;o, sendo a gentrifica&#xE7;&#xE3;o e a segrega&#xE7;&#xE3;o socioespacial seus principais efeitos (<xref ref-type="bibr" rid="B37">VAINER, 2002</xref>).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B15">Glagliardi (2011)</xref>, por sua vez, parte da ideia de que n&#xE3;o h&#xE1; um modelo prefixado ou predeterminado de grandes projetos urbanos, pois se constituem num produto da a&#xE7;&#xE3;o social em contextos temporais e espaciais diversos.</p>
<p>Ademais, conforme constatou em sua pesquisa, essas interven&#xE7;&#xF5;es podem n&#xE3;o responder unicamente aos interesses do mercado, mas atender &#xE0;s necessidades locais, conforme a peculiaridade de como &#xE9; constru&#xED;da cada experi&#xEA;ncia, dependendo do grau e qualidade de envolvimento da popula&#xE7;&#xE3;o, da dimens&#xE3;o hist&#xF3;rica de cada cidade, das pr&#xE1;ticas pol&#xED;ticas pr&#xF3;prias de cada administra&#xE7;&#xE3;o, dos conflitos em torno do sentido de como s&#xE3;o implementadas as pr&#xF3;prias interven&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Paiva (2013)</xref>, sobre o legado urbano das Olimp&#xED;adas, tamb&#xE9;m constatou que existem experi&#xEA;ncias com efeitos negativos e positivos. Defende, portanto, que, entre outras vari&#xE1;veis, o processo de planejamento e implementa&#xE7;&#xE3;o, com foco nos impactos, e o grau e qualidade democr&#xE1;tica do di&#xE1;logo entre gestores e popula&#xE7;&#xE3;o beneficiada e/ou atingida, constituem elementos relevantes para o alcance de bons ou maus resultados.</p>
<p>O embate entre os defensores do padr&#xE3;o de governan&#xE7;a urbana voltado &#xE0; mercantiliza&#xE7;&#xE3;o da cidade e os cr&#xED;ticos que a rejeitam, afirmando ser ela promotora de desigualdades, aponta, na verdade, para diferentes projetos pol&#xED;ticos que atravessam os campos social e estatal. Tal embate fundamenta e influencia o modo pelo qual os grandes projetos urbanos s&#xE3;o implementados e seus impactos s&#xE3;o sentidos.</p>
<p>Destarte, para compreender a l&#xF3;gica que preside grandes projetos urban&#xED;sticos, &#xE9; fundamental o conhecimento da natureza e da din&#xE2;mica das intera&#xE7;&#xF5;es entre diversos atores com distintos projetos pol&#xED;ticos mediatizados pela sua concretiza&#xE7;&#xE3;o (processo de formula&#xE7;&#xE3;o e condu&#xE7;&#xE3;o).</p>
<p>O desenho desses grandes projetos, ao tornar-se assim produto destas intera&#xE7;&#xF5;es, influencia o padr&#xE3;o de gest&#xE3;o e os resultados. Com base nessas discuss&#xF5;es, verificar-se-&#xE1; a perspectiva de governan&#xE7;a que orientou a consolida&#xE7;&#xE3;o do desenho do Programa Lagoas do Norte em Teresina-PI na sua fase de conceptualiza&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>A formula&#xE7;&#xE3;o do programa e a participa&#xE7;&#xE3;o dos atores: o protagonismo da ag&#xEA;ncia multilateral</title>
<p>O Programa Lagoas do Norte foi idealizado, especificamente, no Plano de Governo do Prefeito Firmino Filho (1997-2000), compondo o eixo &#x201C;A&#xE7;&#xF5;es Integradas, Planejamento e Coordena&#xE7;&#xE3;o Geral&#x201D;, com as quais a administra&#xE7;&#xE3;o municipal pretendia promover mudan&#xE7;as significativas na estrutura socioecon&#xF4;mica e urban&#xED;stica da cidade.</p>
<p>No texto original, apresentava-se como instrumento de recupera&#xE7;&#xE3;o das &#xE1;reas de lagoas existentes em bairros na Zona Norte da cidade<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> e previa o desenvolvimento de a&#xE7;&#xF5;es de preserva&#xE7;&#xE3;o do meio ambiente, urbaniza&#xE7;&#xE3;o equilibrada (sistema vi&#xE1;rio e transportes, drenagem e saneamento), habita&#xE7;&#xE3;o e gera&#xE7;&#xE3;o de emprego e renda (<xref ref-type="bibr" rid="B30">TERESINA, 1997</xref>).</p>
<p>Contudo, essa meta n&#xE3;o se concretizou na primeira gest&#xE3;o, sendo mantida para o segundo mandato (2000-2004). Em 2003, a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) recebeu autoriza&#xE7;&#xE3;o do governo federal para contrair financiamento junto ao Banco Mundial (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>). Foi quando se iniciaram as negocia&#xE7;&#xF5;es para obten&#xE7;&#xE3;o do apoio t&#xE9;cnico e financeiro da ag&#xEA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>).</p>
<p>Para fins de libera&#xE7;&#xE3;o do empr&#xE9;stimo, o BIRD define v&#xE1;rias condicionalidades,<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> que o munic&#xED;pio deve incorporar ao planejamento, desenho e execu&#xE7;&#xE3;o do programa, dentre as quais destacam-se: I) concep&#xE7;&#xE3;o adaptada &#xE0; estrat&#xE9;gia da ag&#xEA;ncia para as cidades; II) atendimento &#xE0; pol&#xED;tica de salvaguardas da ag&#xEA;ncia (conjunto de medidas para identificar, evitar, minimizar e mitigar impactos adversos); III) realiza&#xE7;&#xE3;o de consultas com interessados e afetados, informando e levantando insumos para o desenho; IV) elabora&#xE7;&#xE3;o de um plano de a&#xE7;&#xE3;o e mitiga&#xE7;&#xE3;o em caso de reassentamento involunt&#xE1;rio; V) descri&#xE7;&#xE3;o dos arranjos institucionais (responsabilidades, or&#xE7;amentos, avalia&#xE7;&#xE3;o das capacidades, estrutura de gest&#xE3;o e controle, dentre outras dimens&#xF5;es); e VI) alinhamento dos documentos do Banco com os do mutu&#xE1;rio.</p>
<p>Ao estudar a pol&#xED;tica das ag&#xEA;ncias multilaterais para as cidades, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Arantes (2006</xref>, p.69) afirma que, como o car&#xE1;ter do empr&#xE9;stimo n&#xE3;o &#xE9; &#x201C;[&#x2026;] stricto sensu&#x201D;, mas inclui exig&#xEA;ncias e restri&#xE7;&#xF5;es a serem aceitas e consideradas pelo tomador, evidencia-se a pretens&#xE3;o do credor em influenciar substancialmente o uso do recurso p&#xFA;blico e da organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica estatal. Em outros termos, h&#xE1; o interesse da ag&#xEA;ncia no sentido de implantar sua agenda afirmativa impactando a governan&#xE7;a, com o objetivo de tornar a gest&#xE3;o municipal empreendedorista.</p>
<p>Nesse contexto, uma an&#xE1;lise do documento de <italic>Appraisal</italic> do projeto, que re&#xFA;ne avalia&#xE7;&#xF5;es, informa&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas e orienta&#xE7;&#xF5;es do BIRD sobre o Programa (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>), permitiu verificar, dentre v&#xE1;rios aspectos, as motiva&#xE7;&#xF5;es, condicionalidades e avalia&#xE7;&#xF5;es da ag&#xEA;ncia que financiaria a interven&#xE7;&#xE3;o, assim como o papel deste agente externo durante a fase de elabora&#xE7;&#xE3;o do desenho definitivo que orientaria a interven&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>No referido documento constatou-se que, inicialmente, o projeto foi apresentado apenas com o objetivo de melhoria da qualidade de vida da popula&#xE7;&#xE3;o residente em bairros da regi&#xE3;o norte, vulner&#xE1;vel a riscos socioambientais, restringindo-se a interven&#xE7;&#xF5;es f&#xED;sicas e sociais na &#xE1;rea espec&#xED;fica. Entretanto, da &#x201C;[&#x2026;] intera&#xE7;&#xE3;o entre uma equipe multissetorial do Banco e seus pares da PMT [&#x2026;]&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>, p.16) resultou a inclus&#xE3;o do objetivo e dos componentes, que tratam da moderniza&#xE7;&#xE3;o da gest&#xE3;o municipal e da estrat&#xE9;gia para o desenvolvimento econ&#xF4;mico da cidade.</p>
<p>Desse modo, o Documento Conceitual do Programa (<italic>Project Concept Notes</italic>) foi aprovado pela ag&#xEA;ncia em 2004, contemplando a estrat&#xE9;gia do BIRD para as cidades brasileiras (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>), a qual &#xE9; sustentada na moderniza&#xE7;&#xE3;o do aparelho estatal. Tal estrat&#xE9;gia prev&#xEA; a transforma&#xE7;&#xE3;o das cidades sob os seguintes aspectos: I) competitivas (capazes de promover ambientes de neg&#xF3;cios e atrair capitais); II) solventes (financeiramente ajustadas e capazes de obter cr&#xE9;ditos); III) parceiras (capazes de articular outros entes federativos e a iniciativa privada para desenvolver pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas); e IV) eficazes (capazes de melhorar a gest&#xE3;o e presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os b&#xE1;sicos).</p>
<p>De acordo com an&#xE1;lise do <xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD (2008)</xref>, a proposta enviada pela prefeitura enquadrou-se na Categoria &#x201C;A&#x201D;, refletindo o mais elevado potencial de risco ambiental. Diante disso, foram exigidas cinco salvaguardas que deveriam estar conformes &#xE0;s seguintes normas operacionais da ag&#xEA;ncia: Avalia&#xE7;&#xE3;o Ambiental (OP/BP 4.01); Habitats Naturais (OP/ BP 4.04); Recursos Culturais F&#xED;sicos (OP/BP 4.11); Reassentamento Involunt&#xE1;rio (OP/BP 4.12); e Seguran&#xE7;a das Barragens (OP/ BP 4.37).</p>
<p>Para verificar o atendimento das normas, os representantes da ag&#xEA;ncia, como &#xE9; praxe, realizaram miss&#xF5;es<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, apresentando recomenda&#xE7;&#xF5;es e restri&#xE7;&#xF5;es ao tomador (munic&#xED;pio). Al&#xE9;m disso, o governo municipal precisou contratar consultorias com a finalidade de prestar assist&#xEA;ncia aos gestores e t&#xE9;cnicos, atrav&#xE9;s de treinamentos (oficinas, palestras e reuni&#xF5;es), bem como elaborar diagn&#xF3;sticos e projetos (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">BIRD, 2008</xref>). No conjunto de medidas requisitadas pelo BIRD, destaca-se, aqui, a participa&#xE7;&#xE3;o social, pois segundo a Norma Operacional OP/BP 4.01, a an&#xE1;lise da ag&#xEA;ncia &#x201C;[&#x2026;] presta uma aten&#xE7;&#xE3;o especial, entre outras coisas, &#xE0; natureza das consultas com os grupos afetados e com as ONGs locais e &#xE0; medida em que as opini&#xF5;es de tais grupos foram levadas em considera&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BIRD, 1999</xref>, p.3).</p>
<p>Visando atender tal exig&#xEA;ncia, a PMT realizou, entre 2005 e 2006, quatorze reuni&#xF5;es, denominadas no Relat&#xF3;rio de Avalia&#xE7;&#xE3;o Ambiental de consultas p&#xFA;blicas (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>).</p> <disp-quote>
<p>A Prefeitura Municipal de Teresina, num esfor&#xE7;o para dar visibilidade ao Programa Lagoas do Norte, organizou uma s&#xE9;rie de eventos de divulga&#xE7;&#xE3;o do conjunto de obras e a&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;em o PLN. Visando atingir o p&#xFA;blico mais diverso, foram realizadas diversas reuni&#xF5;es na etapa de prepara&#xE7;&#xE3;o do Programa [&#x2026;] (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>, p.111).</p></disp-quote>
<p>O formato dessas reuni&#xF5;es constava da exibi&#xE7;&#xE3;o de um v&#xED;deo que descrevia a &#xE1;rea de abrang&#xEA;ncia e os componentes do PLN, al&#xE9;m de pormenorizar obras e atividades a serem implementadas, seguindo-se de uma exposi&#xE7;&#xE3;o das d&#xFA;vidas, demandas e proposi&#xE7;&#xF5;es das pessoas presentes (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>). Dessa forma, a Prefeitura permitia o acesso &#xE0;s informa&#xE7;&#xF5;es que considerava relevantes ao p&#xFA;blico-alvo, entretanto as demandas e proposi&#xE7;&#xF5;es surgidas poderiam ser incorporadas ou n&#xE3;o ao projeto.</p>
<p>As consultas p&#xFA;blicas tiveram, assim, um papel de recurso t&#xE9;cnico de natureza colaborativa e legitimadora das a&#xE7;&#xF5;es j&#xE1; executadas pela PMT com aux&#xED;lio e anu&#xEA;ncia do BIRD. A comunica&#xE7;&#xE3;o tem papel central nesse formato de consulta, &#xE0; medida que incentiva os indiv&#xED;duos a contribuir com as a&#xE7;&#xF5;es, evitando e/ou limitando comportamentos que inviabilizem ou prejudiquem o desempenho do programa. Essa atitude estaria, portanto, pr&#xF3;xima do modelo gerencial colaborativo (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FREY, 2007</xref>).</p>
<p>O <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref> detalha os eventos realizados e revela tanto a diversidade de seus perfis quanto do p&#xFA;blico-alvo atingido, contudo, o que chama mais aten&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; que a consulta direcionada aos diretamente afetados e/ou benefici&#xE1;rios resumiu-se a uma &#xFA;nica reuni&#xE3;o com a presen&#xE7;a de 26 lideran&#xE7;as. Assinale-se, ainda, a aus&#xEA;ncia de reuni&#xF5;es com os empreendedores locais e/ou seus representantes (formais e informais).</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Quadro 1</label>
<caption>
<title>Consultas p&#xFA;blicas realizadas entre 2005 e 2006. Programa Lagoas do Norte</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb1.png"/>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="25%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000" colspan="2">DATA</th>
<th align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">P&#xDA;BLICO-ALVO</th>
<th align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">PARTICIPANTES</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center">1</td>
<td align="center">02.12.05</td>
<td align="left">Lideran&#xE7;as comunit&#xE1;rias Lagoas do Norte</td>
<td align="center">26</td></tr>
<tr>
<td align="center">2</td>
<td align="center">15.02.05</td>
<td align="left">Conselho de Economia e Professores da Universidade Federal do Piau&#xED; &#x2013; UFPI</td>
<td align="center">90</td></tr>
<tr>
<td align="center">3</td>
<td align="center">16.12.05</td>
<td align="left">Institui&#xE7;&#xF5;es intervenientes no Programa Lagoas do Norte</td>
<td align="center">14</td></tr>
<tr>
<td align="center">4</td>
<td align="center">19.12.05</td>
<td align="left">Representantes pol&#xED;ticos do Estado</td>
<td align="center">15</td></tr>
<tr>
<td align="center">5</td>
<td align="center">19.01.06</td>
<td align="left">Conselho Estadual de Cultura</td>
<td align="center">09</td></tr>
<tr>
<td align="center">6</td>
<td align="center">30.01.06</td>
<td align="left">Curadoria do Meio Ambiente</td>
<td align="center">03</td></tr>
<tr>
<td align="center">7</td>
<td align="center">02.01.06</td>
<td align="left">Encontro de Contadores</td>
<td align="center">68</td></tr>
<tr>
<td align="center">8</td>
<td align="center">08.01.06</td>
<td align="left">Representantes de N&#xFA;cleos Financeiros da Prefeitura de Teresina</td>
<td align="center">26</td></tr>
<tr>
<td align="center">9</td>
<td align="center">09.02.06</td>
<td align="left">Semin&#xE1;rio do Projeto Vila-Bairro</td>
<td align="center">66</td></tr>
<tr>
<td align="center">10</td>
<td align="center">10.02.06</td>
<td align="left">Reuni&#xE3;o para funcion&#xE1;rios do Governo do Estado</td>
<td align="center">30</td></tr>
<tr>
<td align="center">11</td>
<td align="center">15.02.06</td>
<td align="left">Evento no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia &#x2013; CREA &#x2013; Dia da &#xE1;gua e prote&#xE7;&#xE3;o de recursos h&#xED;dricos</td>
<td align="center">Sem informa&#xE7;&#xE3;o precisa</td></tr>
<tr>
<td align="center">12</td>
<td align="center">10.04.06</td>
<td align="left">Reuni&#xE3;o para &#xF3;rg&#xE3;os federais</td>
<td align="center">15</td></tr>
<tr>
<td align="center">13</td>
<td align="center">11.04.06</td>
<td align="left">Reuni&#xE3;o extraordin&#xE1;ria do Conselho Municipal do Meio Ambiente &#x2013; CONDEMA, aberta ao p&#xFA;blico</td>
<td align="center">80</td></tr>
<tr>
<td align="center">14</td>
<td align="center">12.04.06</td>
<td align="left">Palestra sobre Impactos do Programa na UFPI, Mestrado de Ci&#xEA;ncias Ambientais</td>
<td align="center">14</td></tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3"><bold>Total de Participantes</bold></td>
<td align="center"><bold>456</bold></td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Teresina (2007a)</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Nesse sentido, h&#xE1; que se refletir sobre o alcance dos referidos eventos, sobretudo em face da diversidade de organiza&#xE7;&#xF5;es e segmentos sociais existentes na regi&#xE3;o (associa&#xE7;&#xF5;es de bairros; associa&#xE7;&#xF5;es profissionais: carroceiros, artes&#xE3;os, vazanteiros, oleiros, feirantes, etc.; grupos de mulheres, de idosos, de jovens; e institui&#xE7;&#xF5;es religiosas).</p>
<p>Quanto &#x201C;[&#x2026;] &#xE0;s quest&#xF5;es mais frequentes observadas durante a discuss&#xE3;o do Programa [&#x2026;]&#x201D; nessas consultas, segundo a prefeitura (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>, p.114), corresponderam a:</p> <disp-quote>
<p>(I) o tempo demandado para que os benef&#xED;cios propostos sejam efetivamente colocados &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o afetada (gera&#xE7;&#xE3;o de renda, equipamentos de sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o e lazer); (II) a expectativa de mudan&#xE7;a da popula&#xE7;&#xE3;o reassentada, quanto &#xE0;s alternativas de reloca&#xE7;&#xE3;o, compensa&#xE7;&#xE3;o esperada, localiza&#xE7;&#xE3;o e padr&#xE3;o das moradias a serem oferecidas; (III) cobertura efetiva dos novos sistemas de infraestrutura oferecidos &#x2013; &#xE1;gua e esgoto; e (IV) efetividade do controle de enchentes a partir das propostas de drenagem contidas no PLN.</p></disp-quote>
<p>Conforme o exposto, a manifesta&#xE7;&#xE3;o dos presentes nesses eventos concentrou-se nas expectativas e d&#xFA;vidas sobre o cronograma, qualidade e efetividade do programa, sinalizando certo interesse em discutir quando, como e que tipo de benef&#xED;cios e servi&#xE7;os seriam ofertados &#xE0; comunidade. Por seu lado, os gestores elegeram como principal crit&#xE9;rio a dimens&#xE3;o t&#xE9;cnica, definindo o que seria feito, prioritariamente, e por onde come&#xE7;aria a ser feito.</p>
<p>Tal processo lembra a advert&#xEA;ncia de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Souza (2013)</xref>, ao afirmar que o planejamento urbano tecnicista, historicamente hegem&#xF4;nico no pa&#xED;s, ao minimizar a dimens&#xE3;o pol&#xED;tica da participa&#xE7;&#xE3;o dos afetados e/ou supostamente benefici&#xE1;rios, tratando-os como meros pacientes, tende a n&#xE3;o promover a justi&#xE7;a social.</p>
<p>A respeito das &#x201C;[&#x2026;] quest&#xF5;es incorporadas [&#x2026;]&#x201D; ao desenho do programa (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>, p.114), a Prefeitura citou apenas as suscitadas pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente, destacando a preocupa&#xE7;&#xE3;o desse colegiado com: I) o monitoramento permanente da &#xE1;gua das lagoas; II) a regulamenta&#xE7;&#xE3;o e gest&#xE3;o de servi&#xE7;os nos parques ambientais; e III) as medidas para compensar a desativa&#xE7;&#xE3;o de atividades oleiras nas lagoas da regi&#xE3;o. N&#xE3;o obstante o cuidado da gest&#xE3;o municipal em registrar que foram consideradas tais observa&#xE7;&#xF5;es, isso se deu com base em solu&#xE7;&#xF5;es j&#xE1; prescritas, pois, como visto, as consultas tinham como objetivo divulgar as a&#xE7;&#xF5;es j&#xE1; planejadas.</p>
<p>Com a finalidade de responder &#x201C;[&#x2026;] aos impactos identificados e &#xE0;s demandas decorrentes do processo de consulta p&#xFA;blica [&#x2026;], (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>, p.114), a PMT apresentou um Plano de Gest&#xE3;o Ambiental contendo oito programas, a saber: I) Sistema de Gest&#xE3;o Ambiental &#x2013; SGA; II) Programa de Comunica&#xE7;&#xE3;o Social; III) Programa de Educa&#xE7;&#xE3;o Ambiental; IV) Programa de Controle Ambiental de Obras; V) Programa de Capacita&#xE7;&#xE3;o e Fortalecimento Institucional em Meio Ambiente; VI) Programa de Monitoramento da Qualidade das &#xC1;guas das Lagoas, da ETE Norte e do Rio Parna&#xED;ba; VII) Programa de Reassentamento e Compensa&#xE7;&#xE3;o da Popula&#xE7;&#xE3;o Afetada; e VIII) Programa de Monitoramento e Avalia&#xE7;&#xE3;o Ambiental.</p>
<p>A elabora&#xE7;&#xE3;o de tal Plano de Gest&#xE3;o, como parte integrante do Relat&#xF3;rio de Avalia&#xE7;&#xE3;o Ambiental e do escopo definitivo do programa, foi objeto de decis&#xE3;o t&#xE9;cnica e pol&#xED;tica, principalmente com o BIRD, conforme descreve o pr&#xF3;prio documento da Prefeitura:</p> <disp-quote>
<p>A identifica&#xE7;&#xE3;o das interven&#xE7;&#xF5;es do Projeto, enquanto baseada nos objetivos e descri&#xE7;&#xF5;es fornecidas na Carta Consulta da PMT aprovada pelo governo federal, foram refinadas como resultado de discuss&#xF5;es detalhadas entre a PMT e o Banco que avan&#xE7;aram durante a prepara&#xE7;&#xE3;o do Projeto (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>, p.11).</p></disp-quote>
<p>Destarte, ficou evidente o protagonismo da ag&#xEA;ncia multilateral nos processos de defini&#xE7;&#xE3;o do desenho do programa, afirmando sua agenda e verificando se o conte&#xFA;do estava coerente com as restri&#xE7;&#xF5;es recomendadas e garantias exigidas. Desse modo, foram objeto de parecer desde os objetivos do Programa, passando pelas fases, componentes, indicadores, cronograma, planos e mecanismos de gest&#xE3;o e participa&#xE7;&#xE3;o social, at&#xE9; as recomenda&#xE7;&#xF5;es atendidas pela PMT.</p>
<p>Com base na aprova&#xE7;&#xE3;o das salvaguardas exigidas pela ag&#xEA;ncia em 2007, ocorreu a libera&#xE7;&#xE3;o do empr&#xE9;stimo em 2008, ganhando o PLN seu formato definitivo, com a aprova&#xE7;&#xE3;o de um documento intitulado Manual Operacional, considerado &#x201C;marco referencial para a implementa&#xE7;&#xE3;o do programa&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>, p. 6).</p>
<p>Constatou-se, portanto, que essa fase inicial de discuss&#xF5;es e decis&#xF5;es sobre o desenho do Programa Lagoas do Norte ficou concentrado no di&#xE1;logo entre a Prefeitura e a Ag&#xEA;ncia, resultando da&#xED; uma s&#xE9;rie de estudos e avalia&#xE7;&#xF5;es socioambientais que consubstanciaram os componentes (a&#xE7;&#xF5;es), e a elabora&#xE7;&#xE3;o do plano de gest&#xE3;o com programas que direcionaram os projetos executivos e socioambientais.</p>
<p>Nesse processo, as consultas p&#xFA;blicas revestiram-se de valor gerencial e colaborativo, visto que serviram, de um lado, para divulgar e legitimar o programa junto ao p&#xFA;blico-alvo convidado, e, do outro, atuaram como insumos para subsidiar a&#xE7;&#xF5;es j&#xE1; prescritas e/ou acrescentar outras conforme entendimento e anu&#xEA;ncia de gestores, t&#xE9;cnicos e consultores. A libera&#xE7;&#xE3;o gradual do empr&#xE9;stimo, condicionado &#xE0; efetiva&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica da ag&#xEA;ncia vinculada ao desenho e desempenho do programa, contribuiu para a mesma conquistar centralidade na rela&#xE7;&#xE3;o com a Prefeitura.</p>
</sec>
<sec>
<title>O plano-discurso do Programa Lagoas do Norte</title>
<sec>
<title>A concep&#xE7;&#xE3;o emergencial-modernizadora e empreendedorista do programa</title>
<p>O Programa Lagoas do Norte se apresenta como uma estrat&#xE9;gia para enfrentar v&#xE1;rios problemas relativos &#xE0; degrada&#xE7;&#xE3;o sanit&#xE1;ria e ambiental de &#xE1;reas pr&#xF3;ximas &#xE0; conflu&#xEA;ncia dos rios Parna&#xED;ba e Poti, no entorno de 12 lagoas existentes na regi&#xE3;o Norte, onde se localiza grande n&#xFA;mero de habita&#xE7;&#xF5;es em situa&#xE7;&#xF5;es de risco. Como expectativas de resultados, espera-se promover</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] melhoria da qualidade de vida da popula&#xE7;&#xE3;o, resgate da autoestima das pessoas, redu&#xE7;&#xE3;o dos casos de doen&#xE7;as e interna&#xE7;&#xF5;es, valoriza&#xE7;&#xE3;o dos bairros da regi&#xE3;o de Lagoas do Norte, dinamiza&#xE7;&#xE3;o da economia local, inser&#xE7;&#xE3;o das pessoas no mercado de trabalho, recupera&#xE7;&#xE3;o ambiental, aumento da governan&#xE7;a local, dentre outros (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>, p.8).</p></disp-quote>
<p>Seguindo o modelo de outras interven&#xE7;&#xF5;es (financiadas pelo BIRD) que fazem uso de abordagens integradas e multissetoriais para lidar com problemas relacionados &#xE0; urbaniza&#xE7;&#xE3;o, servi&#xE7;os b&#xE1;sicos e recupera&#xE7;&#xE3;o ambiental, o Programa traz, no seu desenho, um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es agrupadas em tr&#xEA;s componentes, resumidas no <xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref>: a) moderniza&#xE7;&#xE3;o da gest&#xE3;o municipal, desenvolvimento da cidade e gerenciamento do projeto; b) desenvolvimento urbano-ambiental; e c) desenvolvimento econ&#xF4;mico e social.</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Quadro 2</label>
<caption>
<title>Componentes e a&#xE7;&#xF5;es previstas no PLN. Teresina-PI</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb2a.png"/>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">COMPONENTES</th>
<th align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">A&#xC7;&#xD5;ES</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center"><bold>Moderniza&#xE7;&#xE3;o da gest&#xE3;o municipal, desenvolvimento da cidade e gerenciamento do projeto</bold></td>
<td align="left">Moderniza&#xE7;&#xE3;o de setores da administra&#xE7;&#xE3;o or&#xE7;ament&#xE1;ria e financeira, de educa&#xE7;&#xE3;o e de meio ambiente da Prefeitura de Teresina; elabora&#xE7;&#xE3;o de Planos Diretores (transporte, drenagem urbana e res&#xED;duos s&#xF3;lidos); atualiza&#xE7;&#xE3;o da legisla&#xE7;&#xE3;o urbana e assist&#xEA;ncia t&#xE9;cnica para regulariza&#xE7;&#xE3;o de assentamentos prec&#xE1;rios; gerenciamento do Programa, incluindo monitoria, avalia&#xE7;&#xE3;o e auditoria externa do mesmo.</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Desenvolvimento urbano-ambiental integrado nas Lagoas do Norte</bold></td>
<td align="left">Saneamento e urbaniza&#xE7;&#xE3;o das margens das lagoas nos 13 bairros que formam a &#xE1;rea de interven&#xE7;&#xE3;o do PLN; complementa&#xE7;&#xE3;o de rede de distribui&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;gua e liga&#xE7;&#xE3;o domiciliar; a&#xE7;&#xF5;es de tratamento de esgoto; interven&#xE7;&#xF5;es paisag&#xED;sticas e de recupera&#xE7;&#xE3;o e constru&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;reas verdes, parques e espa&#xE7;os p&#xFA;blicos de lazer; reassentamento, melhoria habitacional e aquisi&#xE7;&#xE3;o de terras. Obras de macrodrenagem (interliga&#xE7;&#xE3;o de lagoas, comportas e bombeamento), prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s enchentes, refor&#xE7;o do sistema de abastecimento de &#xE1;gua, sistema vi&#xE1;rio, que dar&#xE3;o suporte &#xE0;s infraestruturas locais e atividades de reassentamento para remo&#xE7;&#xE3;o de moradores da regi&#xE3;o que estejam em risco de inunda&#xE7;&#xF5;es e outros riscos.</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Desenvolvimento econ&#xF4;mico e social nas Lagoas do Norte</bold></td>
<td align="left">Projeto social (acompanhamento social, apoio ao reassentamento, etc.); educa&#xE7;&#xE3;o sanit&#xE1;ria e ambiental. Treinamento/capacita&#xE7;&#xE3;o (habilidades espec&#xED;ficas; gest&#xE3;o, <italic>marketing</italic>, associativismo); forma&#xE7;&#xE3;o de empreendedores; assist&#xEA;ncia continuada; reconvers&#xE3;o da atividade de olaria (Lagoa dos Oleiros); implanta&#xE7;&#xE3;o e revitaliza&#xE7;&#xE3;o de hortas comunit&#xE1;rias; fortalecimento do Banco Popular (aporte ao capital, assessoria). Reforma, amplia&#xE7;&#xE3;o e constru&#xE7;&#xE3;o de centros de sa&#xFA;de; reforma, amplia&#xE7;&#xE3;o e constru&#xE7;&#xE3;o de escola de ensino infantil; aquisi&#xE7;&#xE3;o de sala multim&#xED;dia, reforma do CRAS e do Teatro do Boi; reforma do mercado p&#xFA;blico do bairro S&#xE3;o Joaquim.</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Adaptado a partir do Manual Operacional do PLN (TERESINA, 2008)</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>
	<table-wrap id="t2b">
<label>Quadro 2 (Cont.)</label>
<caption>
<title>Componentes e a&#xE7;&#xF5;es previstas no PLN. Teresina-PI</title></caption>
	<graphic xlink:href="tb2b.png"/>
</table-wrap>
</p>
<p>Conforme o exposto no referido quadro, essas s&#xE3;o a&#xE7;&#xF5;es de car&#xE1;ter emergencial porque buscam eliminar o risco socioambiental, mas sinalizam, ao mesmo tempo, para um padr&#xE3;o de car&#xE1;ter redistributivo. A natureza e o conte&#xFA;do das a&#xE7;&#xF5;es tamb&#xE9;m refletem um car&#xE1;ter modernizador, haja vista a busca de mudan&#xE7;as na gest&#xE3;o da cidade (administrativa, or&#xE7;ament&#xE1;ria e financeira) e altera&#xE7;&#xF5;es na institucionalidade, com o objetivo de tornar a m&#xE1;quina ajustada &#xE0; capacidade de atrair mais investimentos e melhorar os servi&#xE7;os. A elabora&#xE7;&#xE3;o de Planos Diretores, por exemplo, al&#xE9;m de ser exig&#xEA;ncia da legisla&#xE7;&#xE3;o urbana brasileira vigente, torna-se cada vez mais crit&#xE9;rio para obten&#xE7;&#xE3;o de recursos junto &#xE0; esfera federal.</p>
<p>Do ponto de vista da interven&#xE7;&#xE3;o, o perfil modernizador do programa pode ser visualizado nas a&#xE7;&#xF5;es de requalifica&#xE7;&#xE3;o da paisagem urbana; de incentivo &#xE0; ado&#xE7;&#xE3;o de novos comportamentos pelos citadinos, em rela&#xE7;&#xE3;o ao conv&#xED;vio com o meio ambiente; nas capacita&#xE7;&#xF5;es de reconvers&#xE3;o laboral de membros de fam&#xED;lias para outras formas de sobreviv&#xEA;ncia; e no incentivo ao empreendedorismo. As medidas de gera&#xE7;&#xE3;o de emprego e renda s&#xE3;o voltadas a p&#xFA;blicos espec&#xED;ficos, buscando inclu&#xED;-los em meios aquisitivos considerados mais sustent&#xE1;veis e atuais. Entretanto, o impacto mais complexo corresponde aos reassentamentos involunt&#xE1;rios, pois estes produzem mudan&#xE7;as nos modos de vida de fam&#xED;lias.</p>
<p>No plano-discurso do Programa Lagoas do Norte, o uso de matrizes de refer&#xEA;ncia relativas &#xE0; sustentabilidade ambiental e requalifica&#xE7;&#xE3;o se alinha com o aproveitamento da potencialidade dos valores culturais locais, numa perspectiva empreendedorista. Por exemplo, o artesanato e a tradi&#xE7;&#xE3;o oral e discursiva (de que a &#xE1;rea de abrang&#xEA;ncia do PLN, sobretudo, o bairro Poti Velho, &#xE9; o lugar de origem da capital)<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> tornam-se ativos (em termos de bens materiais e imateriais dispon&#xED;veis) para estimular o turismo e a gera&#xE7;&#xE3;o de renda.</p>
<p>Guardando as particularidades de seu desenho e din&#xE2;mica de implementa&#xE7;&#xE3;o, o PLN segue a l&#xF3;gica de muitos projetos urban&#xED;sticos que fazem uso da dimens&#xE3;o ambiental e cultural (<xref ref-type="bibr" rid="B16">HARVEY, 2006</xref>) para refuncionalizar lugares e transform&#xE1;-los em atrativos tur&#xED;sticos e de lazer, seguros e rent&#xE1;veis, contemplando, assim, as diretrizes que o <xref ref-type="bibr" rid="B3">BIRD (2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">2009</xref>) considera estrat&#xE9;gicas para o desenvolvimento das cidades no Brasil e no mundo.</p>
<p>O discurso da moderniza&#xE7;&#xE3;o &#x2013; enquanto express&#xE3;o de interven&#xE7;&#xF5;es t&#xE9;cnicas e gerenciais inovadoras de (re) organiza&#xE7;&#xE3;o espacial historicamente presente nas a&#xE7;&#xF5;es estatais sobre as cidades brasileiras (<xref ref-type="bibr" rid="B10">CHALHOUB, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">SHCWARTZ, 2007</xref>) &#x2013; se reatualiza no PLN, numa perspectiva protetiva, preservacionista e empreendedorista, o que implica desdobramentos na vida socioecon&#xF4;mica e cultural da popula&#xE7;&#xE3;o local.</p>
</sec>
<sec>
<title>O car&#xE1;ter gerencial e a participa&#xE7;&#xE3;o colaborativa</title>
<p>Seguindo a orienta&#xE7;&#xE3;o do BIRD para as cidades brasileiras<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>, do ponto de vista de gest&#xE3;o, o Programa Lagoas do Norte se fundamenta em conceitos como capacidade gerencial de efici&#xEA;ncia, controle social, transpar&#xEA;ncia, valoriza&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blico-privada e da colabora&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>No &#xE2;mbito da ger&#xEA;ncia, a execu&#xE7;&#xE3;o &#xE9; da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordena&#xE7;&#xE3;o &#x2013; SEMPLAN, que instituiu, em conformidade com o BIRD, atrav&#xE9;s do Decreto n&#xBA; 6.028, ainda em 2004, uma Unidade de Gerenciamento do Programa &#x2013; UGP, com a tarefa de planejar e coordenar a execu&#xE7;&#xE3;o, o controle e o acompanhamento das interven&#xE7;&#xF5;es. Com efeito, a estrutura de gerenciamento do PLN foi organizada em tr&#xEA;s n&#xED;veis:</p> <disp-quote>
<list list-type="bullet">
<list-item>
<p>De decis&#xE3;o e de gerenciamento estrat&#xE9;gico a cargo do Prefeito Municipal de Teresina e do Secret&#xE1;rio da SEMPLAN;</p></list-item>
<list-item>
<p>De coordena&#xE7;&#xE3;o e de gerenciamento operacional &#x2013; a cargo do Coordenador da UGP;</p></list-item>
<list-item>
<p>De execu&#xE7;&#xE3;o a cargo do Secret&#xE1;rio da SEMPLAN, com o suporte dos respons&#xE1;veis pelos &#xF3;rg&#xE3;os coexecutores discriminados na matriz de &#xF3;rg&#xE3;os envolvidos (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>, p. 22).</p></list-item></list></disp-quote>
<p>Articuladas a esse gerenciamento, foram previstas inst&#xE2;ncias de coordena&#xE7;&#xE3;o (o Conselho de Acompanhamento do PLN) e de participa&#xE7;&#xE3;o e controle social (o F&#xF3;rum Comunit&#xE1;rio). O Conselho &#xE9; composto pelo prefeito, secret&#xE1;rios e coordena&#xE7;&#xE3;o da UGP e tem como principais objetivos: acompanhar a execu&#xE7;&#xE3;o do Plano Operativo Anual (POA); aprovar os Relat&#xF3;rios de Execu&#xE7;&#xE3;o e os Relat&#xF3;rios de Supervis&#xE3;o Financeira (IFR), a serem enviados ao BIRD; tomar decis&#xF5;es estrat&#xE9;gicas referentes &#xE0; condu&#xE7;&#xE3;o do PLN; e liberar recursos do or&#xE7;amento municipal (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>).</p>
<p>J&#xE1; o F&#xF3;rum Comunit&#xE1;rio, composto por representantes do governo e das comunidades, tem o objetivo de&#x201C;[&#x2026;] facilitar a corresponsabilidade dos part&#xED;cipes necess&#xE1;ria ao &#xEA;xito do Programa e permitir&#xE1; o efetivo controle social sobre a atua&#xE7;&#xE3;o da administra&#xE7;&#xE3;o local&#x201D;. No &#xE2;mbito do F&#xF3;rum, foram antevistos &#x201C;[&#x2026;] eventos de monitoria participativa&#x201D; para subsidiar a elabora&#xE7;&#xE3;o do Plano Operativo Anual (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>, p. 22).</p>
<p>A partir da descri&#xE7;&#xE3;o acima, observa-se que o Programa apresenta uma estrutura verticalizada, com inst&#xE2;ncias de decis&#xE3;o e execu&#xE7;&#xE3;o hierarquizadas, cujo poder decis&#xF3;rio est&#xE1; centralizado na Secretaria de Planejamento e no Gabinete do Prefeito. Quanto ao F&#xF3;rum, sua intencionalidade n&#xE3;o inclui, a rigor, o poder decis&#xF3;rio na (re)formula&#xE7;&#xE3;o e (re)condu&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o, pois n&#xE3;o h&#xE1; regra legalmente formalizada e/ou compromisso expl&#xED;cito de que as opini&#xF5;es da popula&#xE7;&#xE3;o ser&#xE3;o, de fato, incorporadas. Tal instancia t&#xEA;m como principal fun&#xE7;&#xE3;o auxiliar a supervis&#xE3;o das obras, servi&#xE7;os e cronograma j&#xE1; definidos.</p>
<p>Em 2008, diante das expectativas quanto ao in&#xED;cio das obras e incertezas sobre seus prov&#xE1;veis impactos, um grupo de lideran&#xE7;as comunit&#xE1;rias da regi&#xE3;o se articulou e organizou o Comit&#xEA; Lagoas do Norte<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>, com o objetivo de mobilizar os moradores das &#xE1;reas afetadas, defender seus direitos e exigir participa&#xE7;&#xE3;o durante a implementa&#xE7;&#xE3;o do Programa.</p>
<p>Dentre as v&#xE1;rias demandas e reivindica&#xE7;&#xF5;es apresentadas pelo Comit&#xEA; estava a cria&#xE7;&#xE3;o do F&#xF3;rum Lagoas do Norte, que, embora previsto no escopo do programa, s&#xF3; foi criado ap&#xF3;s press&#xE3;o e den&#xFA;ncia das lideran&#xE7;as comunit&#xE1;rias aos consultores do BIRD, o que se deu apenas em 2011 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">TERESINA, 2011</xref>), isto &#xE9;, ap&#xF3;s tr&#xEA;s anos de execu&#xE7;&#xE3;o das obras. O Decreto, ao explicitar o objetivo do F&#xF3;rum, refor&#xE7;a o car&#xE1;ter do mecanismo, estritamente relativo ao controle da execu&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es, ou seja,</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] acompanhar a execu&#xE7;&#xE3;o do Programa Lagoas do Norte (PLN), em cumprimento &#xE0;s diretrizes do Acordo de Empr&#xE9;stimo 7523-BR, firmado entre a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) e o Banco Internacional de Reconstru&#xE7;&#xE3;o e Desenvolvimento (Banco Mundial) (<xref ref-type="bibr" rid="B35">TERESINA, 2011</xref>).</p></disp-quote>
<p>Isso remete a estudos sobre governan&#xE7;a urbana (<xref ref-type="bibr" rid="B19">IVO, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">MARQUES, 2013</xref>) que apontam ser o resultado e/ou alcance de determinada pol&#xED;tica contingente &#xE0;s rela&#xE7;&#xF5;es e correla&#xE7;&#xF5;es de poder entre v&#xE1;rios atores, seus interesses, ideias e recursos (pol&#xED;ticos, t&#xE9;cnicos, jur&#xED;dicos, financeiros, dentre outros). Essas intera&#xE7;&#xF5;es podem assumir, inclusive ao mesmo tempo, um car&#xE1;ter cooperativo, de partilha, mais horizontal, at&#xE9; vertical de coopta&#xE7;&#xE3;o, submiss&#xE3;o e clientelismo. Tamb&#xE9;m podem tomar os rumos de uma dimens&#xE3;o conflituosa gerada por alguns grupos insatisfeitos com o processo de interven&#xE7;&#xE3;o. O grau de autonomia e/ou depend&#xEA;ncia dos munic&#xED;pios em rela&#xE7;&#xE3;o a outros entes e atores, no caso em an&#xE1;lise, a ag&#xEA;ncia, tamb&#xE9;m importa.</p>
<p>Oportunamente, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Frey (2007)</xref> lembra que as press&#xF5;es sofridas pelos gestores por parte das comunidades representam mais um dos desafios da gest&#xE3;o local, pois estas s&#xE3;o sujeitas aos efeitos nocivos do crescimento econ&#xF4;mico e da globaliza&#xE7;&#xE3;o, tais como desemprego, viol&#xEA;ncia urbana, degrada&#xE7;&#xE3;o ambiental e do padr&#xE3;o de subsist&#xEA;ncia em geral.</p>
<p>O Programa Lagoas do Norte, ao ser elaborado como instrumento para dar conta desses desafios em uma regi&#xE3;o social e ambientalmente vulner&#xE1;vel em Teresina, como visto, re&#xFA;ne programas e projetos que, dentre v&#xE1;rios objetivos, pretendem enfrentar tanto os efeitos colaterais da apropria&#xE7;&#xE3;o desigual do espa&#xE7;o urbano, quanto os da pr&#xF3;pria interven&#xE7;&#xE3;o, contemplados no Plano de Gest&#xE3;o Ambiental (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>) e no Projeto Socioambiental (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>).</p>
</sec>
<sec>
<title>Participa&#xE7;&#xE3;o social no Plano de Gest&#xE3;o Ambiental e no Projeto Socioambiental: a legitima&#xE7;&#xE3;o e a efic&#xE1;cia da interven&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Uma an&#xE1;lise dos oito programas (<xref ref-type="bibr" rid="B31">TERESINA, 2007a</xref>), integrantes do Plano de Gest&#xE3;o Ambiental, revela que tr&#xEA;s deles envolvem diretamente as fam&#xED;lias: o Programa de Comunica&#xE7;&#xE3;o Social, o Programa de Educa&#xE7;&#xE3;o Ambiental e o Programa de Reassentamento e Compensa&#xE7;&#xE3;o da Popula&#xE7;&#xE3;o Afetada. Os objetivos previstos no escopo destes programas refor&#xE7;am a l&#xF3;gica de mobilizar a popula&#xE7;&#xE3;o para faz&#xEA;-la reconhecer a relev&#xE2;ncia da interven&#xE7;&#xE3;o, envolvendo-a para cooperar com as a&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Com efeito, o Programa de Comunica&#xE7;&#xE3;o Social desenvolveria estrat&#xE9;gias e/ou mecanismos de participa&#xE7;&#xE3;o para informar a comunidade sobre o Projeto, sendo que o envolvimento no processo de interven&#xE7;&#xE3;o teria como foco administrar e reduzir conflitos para evitar constrangimentos ao empreendimento. A parceria, no Programa de Educa&#xE7;&#xE3;o Ambiental, tem rela&#xE7;&#xE3;o com a preserva&#xE7;&#xE3;o e a recupera&#xE7;&#xE3;o do meio ambiente. E a livre escolha no &#xE2;mbito do Programa de Reassentamento Involunt&#xE1;rio, estaria limitada a crit&#xE9;rios definidos pelos t&#xE9;cnicos, gestores e consultores contratados como resultado de diagn&#xF3;stico socioecon&#xF4;mico e habitacional produzido para esse fim. Ainda sobre o reassentamento, a participa&#xE7;&#xE3;o das fam&#xED;lias possivelmente removidas restringe-se a alternativas apresentadas pela Prefeitura, estando condicionada aos recursos pr&#xF3;prios, captados e/ou disponibilizados junto ao governo federal e ao BIRD.</p>
<p>Seguindo as diretrizes previstas no Programa de Comunica&#xE7;&#xE3;o Social, Programa de Educa&#xE7;&#xE3;o Ambiental e Programa de Reassentamento Involunt&#xE1;rio, para apoiar e viabilizar as a&#xE7;&#xF5;es relativas aos componentes 2 (Desenvolvimento urbano-ambiental) e 3 (Desenvolvimento Econ&#xF4;mico e Social), foi instalado, em 2009, um escrit&#xF3;rio de campo denominado de Unidade de Projeto Socioambiental &#x2013; UPS<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>).</p>
<p>No mesmo ano foi elaborado pelos t&#xE9;cnicos desta unidade o &#x201C;Projeto Socioambiental: Participa&#xE7;&#xE3;o Popular e Controle Social&#x201D;, no qual a equipe se prop&#xF4;s a &#x201C;[&#x2026;] contribuir para uma interven&#xE7;&#xE3;o de forma eficaz e sustent&#xE1;vel das a&#xE7;&#xF5;es, atrav&#xE9;s da execu&#xE7;&#xE3;o de um conjunto de atividades de cunho socioambiental&#x201D;. Para tanto, foram previstas a&#xE7;&#xF5;es de: &#x201C;[&#x2026;] mobiliza&#xE7;&#xE3;o e divulga&#xE7;&#xE3;o do programa com vistas &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o da comunidade &#x2013; MOC; a&#xE7;&#xF5;es referentes &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o sanit&#xE1;ria e ambiental &#x2013; ESA; e a&#xE7;&#xF5;es de apoio &#xE0; gera&#xE7;&#xE3;o de trabalho e renda &#x2013; ATR&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>, p.4).</p>
<p>A participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; definida como</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] um mecanismo onde diversos instrumentos s&#xE3;o colocados para os cidad&#xE3;os, para que, atrav&#xE9;s deles, possam propor ou redirecionar solu&#xE7;&#xF5;es, conhecer e discutir solu&#xE7;&#xF5;es propostas, participar e fiscalizar a implanta&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es, fazer valer seus direitos e se informar quanto aos seus deveres. O conceito de participa&#xE7;&#xE3;o relaciona-se, estreitamente, com a ideia de cidadania, ao enfatizar a reivindica&#xE7;&#xE3;o, a democratiza&#xE7;&#xE3;o e a socializa&#xE7;&#xE3;o da informa&#xE7;&#xE3;o, das decis&#xF5;es e dos planejamentos das a&#xE7;&#xF5;es (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>, p.10).</p></disp-quote>
<p>Percebe-se, assim, um deslocamento do conceito de participa&#xE7;&#xE3;o de um car&#xE1;ter mormente fiscalizador (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>) para um de a&#xE7;&#xE3;o partilhada entre governo e comunidade, sobretudo, ao sinalizar para o perfil deliberativo. Contudo, em outro trecho do Projeto, constata-se uma contradi&#xE7;&#xE3;o no discurso ao se utilizar a participa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o como instrumento para mobilizar a ades&#xE3;o, evidenciando, assim, uma ambiguidade quanto &#xE0; referida concep&#xE7;&#xE3;o:</p> <disp-quote>
<p>A participa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o &#xE9; fundamental para o &#xEA;xito do projeto de interven&#xE7;&#xE3;o. Um trabalho realizado de forma coordenada, que provoque o comprometimento da comunidade, auxilia a popula&#xE7;&#xE3;o a perceber melhor os resultados, traz credibilidade ao Programa e ajuda a garantir a sustentabilidade das obras implantadas. A participa&#xE7;&#xE3;o da comunidade, tamb&#xE9;m, &#xE9; importante para diminui&#xE7;&#xE3;o da ansiedade e apreens&#xE3;o gerada pelo reassentamento (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>, p.10).</p></disp-quote>
<p>Uma an&#xE1;lise das atividades previstas no Projeto Socioambiental para os bairros Matadouro, Acarape, S&#xE3;o Joaquim e Olarias permite constatar, de certa forma, a supera&#xE7;&#xE3;o dessa ambiguidade no entendimento do significado de participa&#xE7;&#xE3;o social, sobretudo, ao refor&#xE7;ar o car&#xE1;ter de participa&#xE7;&#xE3;o colaborativa e de sustenta&#xE7;&#xE3;o do programa, pr&#xF3;xima do padr&#xE3;o gerencial.</p>
<p>Al&#xE9;m da fun&#xE7;&#xE3;o fiscalizadora das a&#xE7;&#xF5;es previstas (obras e servi&#xE7;os), a participa&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria se resume a atividades de cunho social, cultural e pedag&#xF3;gica, em formato de eventos, cursos, oficinas e trilhas. Possuem car&#xE1;ter informativo, formativo, de mobiliza&#xE7;&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria, visando &#xE0; legitimidade da concep&#xE7;&#xE3;o do programa junto &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o envolvida e sua respectiva contribui&#xE7;&#xE3;o. Pretendem, ainda, potencializar grupos espec&#xED;ficos, resolvendo, ao mesmo tempo, problemas de natureza material e de integra&#xE7;&#xE3;o social e sustent&#xE1;vel com o meio ambiente.</p>
<p>Tal car&#xE1;ter de participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; pr&#xF3;prio da concep&#xE7;&#xE3;o produzida pelo <xref ref-type="bibr" rid="B5">BIRD (2009)</xref> sobre o envolvimento dos pobres nos programas sociais. De acordo com a ag&#xEA;ncia, a participa&#xE7;&#xE3;o deve centrar-se, ao mesmo tempo, na otimiza&#xE7;&#xE3;o dos recursos do Estado (evitando desperd&#xED;cios e desvios causados pelo clientelismo, corrup&#xE7;&#xE3;o e/ou inefici&#xEA;ncia) e na pr&#xE1;tica de incentivo ao empresariamento.</p>
<p>Como advertiu Ivo (2007), a centralidade nas a&#xE7;&#xF5;es privadas, como o empresariamento, tende a imputar a responsabilidade da pobreza aos pr&#xF3;prios pobres, desenhando pol&#xED;ticas restritas a comunidades e/ou grupos espec&#xED;ficos, refor&#xE7;ando a segrega&#xE7;&#xE3;o (devido &#xE0; competitividade) e a segmenta&#xE7;&#xE3;o (restri&#xE7;&#xE3;o espacial e social do atendimento). Tais medidas podem desimpedir o Estado na amplia&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais e numa responsabiliza&#xE7;&#xE3;o social redistributiva, n&#xE3;o atingindo, assim, um dos objetivos centrais do programa que &#xE9; melhorar a qualidade de vida da popula&#xE7;&#xE3;o local.</p>
<p>Com efeito, se de um lado, o plano-discurso do PLN reconhece as fam&#xED;lias afetadas e/ou beneficiadas pela interven&#xE7;&#xE3;o como sujeitos capazes de reconverter sua capacidade de resist&#xEA;ncia e a potencialidade do lugar em que vivem em bens para resolver a sua pr&#xF3;pria condi&#xE7;&#xE3;o de vulnerabilidade social, do outro, h&#xE1; o risco de despolitiza&#xE7;&#xE3;o dos processos de participa&#xE7;&#xE3;o social e de desresponsabiliza&#xE7;&#xE3;o do Estado na amplia&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais.</p>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Conclus&#xE3;o</title>
<p>As reflex&#xF5;es realizadas permitem concluir que o padr&#xE3;o de governan&#xE7;a que vem orientando o Programa Lagoas do Norte &#xE9; de car&#xE1;ter gerencial. As decis&#xF5;es estruturantes que consolidaram seu desenho resultaram principalmente das rela&#xE7;&#xF5;es entre governo municipal e BIRD. A Ag&#xEA;ncia, ao exercer um papel de principal provedor das a&#xE7;&#xF5;es, exerce tamb&#xE9;m uma fun&#xE7;&#xE3;o reguladora, &#xE0; medida que acompanha e interfere sistematicamente na condu&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o (cronograma, gastos programados, contrata&#xE7;&#xE3;o, execu&#xE7;&#xE3;o e supervis&#xE3;o), a qual deve submeter-se &#xE0;s suas normativas, relativizando, dessa forma, a autonomia do munic&#xED;pio nesse processo.</p>
<p>A rela&#xE7;&#xE3;o do governo municipal com a popula&#xE7;&#xE3;o se caracteriza por um perfil verticalizado resultante de a&#xE7;&#xF5;es j&#xE1; planejadas, n&#xE3;o implicando, assim, partilha das decis&#xF5;es. As consultas p&#xFA;blicas apontam nessa dire&#xE7;&#xE3;o, contribuindo para dar mais transpar&#xEA;ncia ao processo, tornando p&#xFA;blico o que foi planejado em termos de a&#xE7;&#xF5;es, metas, recursos e mecanismos de gest&#xE3;o. Por outro lado, entretanto, desempenham o papel de valida&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o com pouco espa&#xE7;o para discutir a possibilidade de seu (re) direcionamento.</p>
<p>Destarte, o programa segue uma l&#xF3;gica emergencial, modernizadora, empreendedorista, com foco na sustentabilidade ambiental. Seus componentes apresentam um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es com destaque para as de saneamento b&#xE1;sico (abastecimento de &#xE1;gua, esgotamento sanit&#xE1;rio, limpeza urbana e manejo de res&#xED;duos s&#xF3;lidos, drenagem e manejo das &#xE1;guas), paisagismo (embelezamento urbano), habita&#xE7;&#xE3;o (melhoria e reassentamento), mobilidade urbana, moderniza&#xE7;&#xE3;o da gest&#xE3;o e apoio &#xE0; economia popular para a regi&#xE3;o. O plano-discurso presente no conte&#xFA;do do Programa atribui grande relev&#xE2;ncia &#xE0; supera&#xE7;&#xE3;o da pobreza, reconhecendo-a como parte do processo e da estrat&#xE9;gia de desenvolvimento, mas com foco na melhoria do bem-estar individual, na competitividade e na valoriza&#xE7;&#xE3;o da &#xE1;rea.</p>
<p>Os mecanismos e a&#xE7;&#xF5;es de participa&#xE7;&#xE3;o e mobiliza&#xE7;&#xE3;o social previstos no desenho do programa pretendem otimizar a rentabilidade da interven&#xE7;&#xE3;o, ou seja, maximizar os resultados, com menores custos, inclusive de natureza pol&#xED;tica. Merecem especial aten&#xE7;&#xE3;o os efeitos dos mecanismos, regras e metodologias escolhidos pela Prefeitura para dialogar com a popula&#xE7;&#xE3;o, no sentido de legitimar as a&#xE7;&#xF5;es a fim de execut&#xE1;-las de forma colaborativa, r&#xE1;pida e eficiente. Sob uma outra perspectiva, o uso desses mecanismos pode incorrer no risco de arrefecimento da politiza&#xE7;&#xE3;o do processo local.</p>
<p>N&#xE3;o obstante o formato concebido no desenho apresentar car&#xE1;ter relativamente fechado, quando busca a minimiza&#xE7;&#xE3;o de custos pol&#xED;ticos, isso n&#xE3;o &#xE9; impeditivo da insurg&#xEA;ncia de diverg&#xEA;ncias e conflitos no curso da interven&#xE7;&#xE3;o. Inclusive, poder&#xE1; suscitar acirramentos e impasses, com vistas a abrir canais de di&#xE1;logos para que se atendam demandas espec&#xED;ficas n&#xE3;o previstas no desenho.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Trata-se da primeira experi&#xEA;ncia da Prefeitura de Teresina com financiamento externo do Banco Mundial, atrav&#xE9;s de duas opera&#xE7;&#xF5;es consecutivas: 1) Empr&#xE9;stimo 7523 &#x2013; BR, no valor de US$ 31,13 milh&#xF5;es, aprovado no final de 2008, para financiar a primeira etapa do Programa, j&#xE1; conclu&#xED;da; e 2) Empr&#xE9;stimo Adicional 8586-BR, no valor de US$88,00 milh&#xF5;es, aprovado em outubro de 2016, para o financiamento da segunda etapa, em fase inicial de execu&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>O conceito tradicional de governan&#xE7;a a que se refere o documento corresponde &#xE0; defini&#xE7;&#xE3;o contida no relat&#xF3;rio de 1992, que significava &#x201C;a forma pela qual o poder e autoridade s&#xE3;o derivados e exercidos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BIRD, 2015</xref>, p.1).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Relat&#xF3;rio da ag&#xEA;ncia contendo uma agenda de aux&#xED;lio com recomenda&#xE7;&#xF5;es &#xE0;s cidades (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BIRD, 2009</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label>
<p>Esse modelo foi inspirado em conceitos e t&#xE9;cnicas oriundos do planejamento empresarial, o planejamento estrat&#xE9;gico, que, segundo seus defensores, deve ser adotado pelos governos locais em raz&#xE3;o de estarem as cidades submetidas as mesmas condi&#xE7;&#xF5;es e desafios que as empresas (<xref ref-type="bibr" rid="B37">VAINER, 2002</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label>
<p>Atualmente a zona norte &#xE9; composta de 25 bairros (TERESINA, 2013), dos quais 13 s&#xE3;o &#xE1;reas de abrang&#xEA;ncia do Programa Lagoas do Norte (<xref ref-type="bibr" rid="B33">TERESINA, 2008</xref>), reunindo o total de 92.016 habitantes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2010</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label>
<p>Mais sobre o assunto, consultar: website de salvaguardas: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.worldbank.org/safeguard">www.worldbank.org/safeguard</ext-link>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label>
<p>Visitas dos representantes do BIRD para reuni&#xF5;es com gestores, consultores contratados e t&#xE9;cnicos. Foram tamb&#xE9;m realizadas incurs&#xF5;es na &#xE1;rea de abrang&#xEA;ncia da interven&#xE7;&#xE3;o, onde tiveram oportunidade de conhecer as comunidades, mesmo que seletiva e superficialmente, e contatar com suas lideran&#xE7;as. Do ponto de vista da ag&#xEA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BIRD, 1999</xref>), s&#xE3;o reuni&#xF5;es e incurs&#xF5;es que possuem um car&#xE1;ter de alinhamento t&#xE9;cnico com os mutu&#xE1;rios (no caso em an&#xE1;lise, o governo municipal) e supervis&#xE3;o das atividades (planejamento), servi&#xE7;os e obras programadas.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label>
<p>Referente &#xE0; mem&#xF3;ria e &#xE0;s discursividades sobre o bairro Poti Velho, ver <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pereira e Moraes (2014)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label>
<p>Para o <xref ref-type="bibr" rid="B3">BIRD (2006</xref>, p. 22), democracia e participa&#xE7;&#xE3;o compreendem a capacidade das cidades brasileiras para &#x201C;[&#x2026;] melhorar sua presta&#xE7;&#xE3;o de contas substantiva e responsiva (n&#xE3;o apenas no sentido cont&#xE1;bil) e sua transpar&#xEA;ncia perante os cidad&#xE3;os, a fim de obter a confian&#xE7;a e o compromisso de toda a cidade&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label>
<p>O Comit&#xEA; Lagoas do Norte foi formalizado em 2011 com a aprova&#xE7;&#xE3;o de um regimento interno, no qual destacam-se os seguintes objetivos: mobilizar, informar, estimular, aperfei&#xE7;oar a participa&#xE7;&#xE3;o efetiva da popula&#xE7;&#xE3;o afetada para defender seus interesses, monitorando e exigindo efici&#xEA;ncia do Programa e reivindicando prioridades (<xref ref-type="bibr" rid="B11">COMIT&#xCA; LAGOAS DO NORTE, 2011</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>&#xC9; uma equipe interdisciplinar composta por 12 t&#xE9;cnicos, quais sejam: 03 assistentes sociais; 01 engenheiro; 01 arquiteto; 01 advogado; 01 educador ambiental; 04 instrutores sociais; 02 t&#xE9;cnicos de n&#xED;vel m&#xE9;dio com conhecimento em inform&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TERESINA, 2009</xref>).</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<article-title>O ajuste urbano: as pol&#xED;ticas do Banco Mundial e do BID para as cidades</article-title>
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<month>01</month>
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<mixed-citation>TERESINA. <bold>Decreto n&#xBA; 11.300</bold>, de 9 junho de 2011: cria o F&#xF3;rum Lagoas do Norte. Di&#xE1;rio Oficial do Munic&#xED;pio, Teresina, 2011.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>TERESINA. <bold>Lei n&#xBA; 4.423</bold>, de 16 de julho de 2013. Fixa as denomina&#xE7;&#xF5;es e delimita os per&#xED;metros dos bairros de Teresina e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias. Teresina, PMT, 2013. Dispon&#xED;vel em: http://www.teresina.pi.gov.br/sistemas/portalpmt/admin/upload/documentos/ac11d14e98.pdf. Acesso em: 26 abr. 2014.</mixed-citation></ref>
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