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<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name></publisher>
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<subject>Pol&#xFA;tica Social e Sa&#xFA;de</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Pol&#xED;tica Social no Brasil: entre a l&#xF3;gica do direito e do personalismo</article-title>
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<trans-title>Social Policy in Brazil: between the right and personalism logic</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Schappo</surname><given-names>Sirl&#xE2;ndia</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib></contrib-group>
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<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
<institution content-type="orgdiv2">Departamento de Servi&#xE7;o Social</institution>
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<country country="BR">Brasil</country>
<email>s.schappo@ufsc.br</email>
<institution content-type="original">Doutora em Sociologia pela UNICAMP; Docente do Departamento de Servi&#xE7;o Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florian&#xF3;polis &#x2013; Santa Catarina &#x2013; SC/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/9019642190838417. E-mail: s.schappo@ufsc.br</institution></aff>
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<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>A compreens&#xE3;o da pol&#xED;tica social p&#xFA;blica, como uma pol&#xED;tica de todos que concretiza direitos, representa um contraponto aos interesses individuais ou de grupos particulares. No entanto, a reprodu&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas como a l&#xF3;gica do favor e/ou do personalismo ainda persiste na realidade brasileira, dificultando a efetiva&#xE7;&#xE3;o da cidadania. Esta tem&#xE1;tica instiga diferentes profissionais ao questionamento das pr&#xE1;ticas de um passado que ainda se faz presente em um contexto de intensifica&#xE7;&#xE3;o do neoliberalismo. Assim, este artigo analisa, por meio de levantamento bibliogr&#xE1;fico e de an&#xE1;lise de discurso, o legado e a continuidade de pr&#xE1;ticas regidas pela l&#xF3;gica do favor e do personalismo no atual contexto de restri&#xE7;&#xE3;o de direitos. Evidenciam-se aspectos da forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica brasileira, revitalizados nas rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>The understanding of public social policy as a politics for all and that concretizes rights represents a counterpoint to the interests of particular groups or individuals. However, the reproduction of practices inside the logic of favor and/or personalism still persist in Brazilian reality, and that makes it difficult to concretize the citizenship. This thematic instigates different professionals to question the past practices that is present in a neoliberalism intensification context. This article analyzes, through a bibliographical research and discourse analysis, the legacy and continuity of practices based in the favor and personalism logics in the current restriction of rights context. Brazilian socio-historical formation aspects revitalized in the public-private relationships are evidenced.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Pol&#xED;tica Social</kwd>
<kwd>Cidadania</kwd>
<kwd>Personalismo</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords:</title>
<kwd>Social Policy</kwd>
<kwd>Citizenship</kwd>
<kwd>Personalism</kwd></kwd-group>
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<p>Apesar dos avan&#xE7;os institu&#xED;dos ap&#xF3;s a Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, no que se refere &#xE0; pol&#xED;tica social enquanto concretiza&#xE7;&#xE3;o de direitos, diversos profissionais e cidad&#xE3;os, entre eles os Assistentes Sociais, ainda convivem com atores que reproduzem pr&#xE1;ticas como a l&#xF3;gica do favor e/ou do personalismo em diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais. Entre estas pr&#xE1;ticas, &#xE9; poss&#xED;vel destacar o primeiro-damismo &#x2013; retomado recentemente em n&#xED;vel nacional em um contexto de intensifica&#xE7;&#xE3;o do neoliberalismo, quando a primeira-dama do Brasil se torna embaixadora do Programa Crian&#xE7;a Feliz em 2016; o clientelismo &#x2013; troca de favores entre pol&#xED;ticos e eleitores; a conquista de recursos por parlamentares individuais &#x2013; como a perman&#xEA;ncia das emendas individuais ao or&#xE7;amento, entre outras. Tais pr&#xE1;ticas contribuem para perpetuar a intermedia&#xE7;&#xE3;o entre interesses p&#xFA;blicos e privados, na qual o pol&#xED;tico se apresenta como &#x201C;o benfeitor&#x201D; ou &#x201C;o protetor&#x201D;, enquanto o atendimento &#xE0;s necessidades da popula&#xE7;&#xE3;o configura-se como &#x201C;ajuda&#x201D; e n&#xE3;o como direito de cidadania.</p>
<p>Esta problem&#xE1;tica &#x2013; que instiga diferentes profissionais a questionar pr&#xE1;ticas de um passado que se faz ainda presente &#x2013; dificulta a compreens&#xE3;o da pol&#xED;tica social enquanto concretiza&#xE7;&#xE3;o de direitos, contribuindo para a continuidade de aspectos da forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica brasileira, revitalizados nas rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas e na forma de se fazer pol&#xED;tica no pa&#xED;s. Nesse sentido, a problem&#xE1;tica se faz presente no cotidiano profissional de parte significativa dos Assistentes Sociais, pois, conforme pesquisa realizada pelo <xref ref-type="bibr" rid="B10">CFESS (2005)</xref>, a ampla maioria desses profissionais atua na esfera p&#xFA;blica estatal (totalizando 78,16%), com destaque para as pol&#xED;ticas sociais, especialmente nas &#xE1;reas de Sa&#xFA;de e Assist&#xEA;ncia Social.</p>
<p>No Brasil, o personalismo e a l&#xF3;gica do favor representam tra&#xE7;os das particularidades da forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica de um processo de coloniza&#xE7;&#xE3;o marcado por desigualdades, concentra&#xE7;&#xE3;o de terras e de riquezas, escravid&#xE3;o, submiss&#xE3;o e obedi&#xEA;ncia, bem como pela d&#xE1;diva e pelo favor, pelo patrimonialismo, pelo coronelismo e pelo clientelismo, entre outras caracter&#xED;sticas discutidas por cl&#xE1;ssicos do pensamento social brasileiro. O ide&#xE1;rio liberal incorporado na Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1824 chegou a um pa&#xED;s ainda marcado pela escravid&#xE3;o e pela ideologia do mando e do favor &#x2013; com rela&#xE7;&#xF5;es pessoais e de subordina&#xE7;&#xE3;o. O liberalismo no Brasil, desta forma, n&#xE3;o se constr&#xF3;i sobre a universalidade da figura de cidad&#xE3;o, sendo preservados os interesses dos grandes propriet&#xE1;rios (<xref ref-type="bibr" rid="B15">IAMAMOTO, 2007</xref>, p. 137-139).</p>
<p>Nessas condi&#xE7;&#xF5;es, h&#xE1; uma tend&#xEA;ncia &#xE0; lealdade e &#xE0; obedi&#xEA;ncia &#xE0; &#x201C;pessoa&#x201D; e uma dificuldade no estabelecimento de pol&#xED;ticas sociais e de outras pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, por meio de profissionais habilitados e qualificados de forma imparcial, ou mesmo uma dificuldade de considerar aspectos legais e formais inerentes a determinados cargos ou fun&#xE7;&#xF5;es. Assim, existe uma tend&#xEA;ncia maior ao personalismo em sociedades marcadas pela debilidade institucional, nas quais se verifica a fragilidade das institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas para exercer suas fun&#xE7;&#xF5;es. Nessas sociedades, portanto, est&#xE3;o presentes rea&#xE7;&#xF5;es coercitivas e autorit&#xE1;rias contra qualquer tentativa de autonomia pol&#xED;tico-administrativa; incompet&#xEA;ncia do Estado para gerir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas; inoper&#xE2;ncia dos ve&#xED;culos de media&#xE7;&#xE3;o da competi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica (normas, procedimentos, institui&#xE7;&#xF5;es); vulnerabilidade da pol&#xED;tica ao clientelismo; institucionalidade prec&#xE1;ria da estrutura partid&#xE1;ria (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SEIBEL, 2001</xref>).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B31">Seibel (2001)</xref> tamb&#xE9;m identifica as raz&#xF5;es hist&#xF3;ricas da debilidade institucional no Brasil, analisando o papel das formas tradicionais de autoridade, cuja origem remonta ao perfil do coronel ou do caudilho, estabelecendo redes de poder &#x2013; fun&#xE7;&#xF5;es de media&#xE7;&#xE3;o e canaliza&#xE7;&#xE3;o de demandas sociais &#x2013; marcadas por rela&#xE7;&#xF5;es pessoais ou de parentesco.</p>
<p>A l&#xF3;gica do favor e do personalismo n&#xE3;o condiz com os princ&#xED;pios contidos no C&#xF3;digo de &#xC9;tica dos Assistentes Sociais, que congrega o compromisso da profiss&#xE3;o com o sentido <italic>p&#xFA;blico</italic> das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Entre os princ&#xED;pios, destacam-se: a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arb&#xED;trio e do autoritarismo; a amplia&#xE7;&#xE3;o e a consolida&#xE7;&#xE3;o da cidadania, com vistas &#xE0; garantia dos direitos civis sociais e pol&#xED;ticos das classes trabalhadoras; a defesa do aprofundamento da democracia; o posicionamento em favor da equidade e da justi&#xE7;a social, que assegure universalidade de acesso aos bens e servi&#xE7;os relativos aos programas e pol&#xED;ticas sociais, bem como sua gest&#xE3;o democr&#xE1;tica.</p>
<p>Ao compreender a pol&#xED;tica social <italic>como esp&#xE9;cie do g&#xEA;nero da pol&#xED;tica p&#xFA;blica</italic>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pereira (2008)</xref> ressalta a import&#xE2;ncia de um bom entendimento daquilo que vem a ser <italic>pol&#xED;tica p&#xFA;blica</italic>. Para isso, recorre &#xE0; etimologia da palavra:</p>
<p><italic>P&#xFA;blica</italic> &#x2013; sua maior identifica&#xE7;&#xE3;o &#xE9; com o que em latim se denomina de <italic>res publica</italic>, isto &#xE9;, <italic>res</italic> (coisa), <italic>publica</italic> (de todos), e, por isso, constitui algo que compromete tanto o Estado quanto a sociedade. Trata-se, portanto, de uma a&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica na qual, al&#xE9;m do Estado, a sociedade tamb&#xE9;m se faz presente, ganhando representatividade, poder de decis&#xE3;o e condi&#xE7;&#xF5;es de exercer o controle sobre a sua pr&#xF3;pria reprodu&#xE7;&#xE3;o e sobre os atos e decis&#xF5;es do governo. <italic>Res publica</italic>, assim, &#xE9; uma organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica que se pauta pelo interesse comum da comunidade, da soberania popular, e n&#xE3;o da soberania dos que governam. Pol&#xED;tica p&#xFA;blica &#xE9; p&#xFA;blica, de todos, e n&#xE3;o porque &#xE9; estatal (do Estado) ou coletiva (de grupos particulares da sociedade) <underline>e muito menos individual.</underline> Significa, desta forma, um conjunto de decis&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es que resulta ao mesmo tempo de inger&#xEA;ncias do Estado e da sociedade, apresentando as seguintes caracter&#xED;sticas:</p>
<list list-type="alpha-lower">
<list-item>
<p>Representa um marco ou linha de orienta&#xE7;&#xE3;o para a a&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica, sob responsabilidade de uma autoridade tamb&#xE9;m p&#xFA;blica (organismo que aloca e administra bens p&#xFA;blicos, como sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o, assist&#xEA;ncia, entre outros), sob o controle da sociedade.</p></list-item>
<list-item>
<p>Visa concretizar direitos sociais conquistados pela sociedade e incorporados em leis &#x2013; os quais s&#xF3; t&#xEA;m aplicabilidade por meio das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, que s&#xE3;o operacionalizadas por meio de programas, projetos e servi&#xE7;os. S&#xE3;o especialmente os servi&#xE7;os sociais que tornam evidente uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica.</p></list-item>
<list-item>
<p>Guia-se pelo princ&#xED;pio do interesse comum ou p&#xFA;blico e da soberania popular, e n&#xE3;o do interesse particular e da soberania dos governantes.</p></list-item>
<list-item>
<p>Deve visar &#xE0; satisfa&#xE7;&#xE3;o das necessidades sociais e n&#xE3;o da rentabilidade econ&#xF4;mica privada ou das necessidades do capital (<xref ref-type="bibr" rid="B26">PEREIRA, 2008</xref>, p. 94-96).</p></list-item></list>
<p>A partir dessa compreens&#xE3;o, a interven&#xE7;&#xE3;o profissional dos Assistentes Sociais, no &#xE2;mbito das pol&#xED;ticas sociais e de outras pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, &#xE9; guiada pela l&#xF3;gica dos direitos, do atendimento de todos, das leg&#xED;timas demandas e necessidades sociais, e n&#xE3;o pela l&#xF3;gica do favor e do personalismo, estes regidos por interesses individuais particulares ou eleitorais. A partir deste entendimento, ressalta-se a import&#xE2;ncia de estudos que identifiquem ambas as l&#xF3;gicas, a fim de possibilitar o aprimoramento das reflex&#xF5;es e da interven&#xE7;&#xE3;o profissional com vistas &#xE0; concretiza&#xE7;&#xE3;o de direitos e de pol&#xED;ticas realmente <italic>p&#xFA;blicas</italic>.</p>
<sec>
<title>A l&#xF3;gica do direito e do personalismo: aspectos hist&#xF3;ricos e te&#xF3;ricos</title>
<p>No Brasil, h&#xE1; diversos registros hist&#xF3;ricos e an&#xE1;lises te&#xF3;ricas que revelam a presen&#xE7;a da benemer&#xEA;ncia, do personalismo ou do favor no atendimento &#xE0;s necessidades b&#xE1;sicas da popula&#xE7;&#xE3;o, especialmente no &#xE2;mbito da Assist&#xEA;ncia Social, como se verifica com o primeiro-damismo, com o clientelismo e com as emendas individuais ao or&#xE7;amento. Na &#xE1;rea de Servi&#xE7;o Social, destaca-se como tema o primeiro-damismo entre os estudos e reflex&#xF5;es que apontam pr&#xE1;ticas tradicionais, enfocando-se desde os pioneiros trabalhos de Darcy Vargas at&#xE9; o revigoramento de algumas dessas pr&#xE1;ticas no p&#xF3;s-Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, mesmo quando a Assist&#xEA;ncia Social passou a ser institu&#xED;da como direito social, com a atua&#xE7;&#xE3;o das primeiras-damas Rosane Collor, Ruth Cardoso e Marcela Temer.</p>
<p>Recentemente, o <xref ref-type="bibr" rid="B11">CFESS (2016)</xref> lan&#xE7;ou uma nota a respeito do an&#xFA;ncio da primeira-dama Marcela Temer como embaixadora do Programa Crian&#xE7;a Feliz, reafirmando a for&#xE7;a de elementos hist&#xF3;ricos como: a nega&#xE7;&#xE3;o do direito social, a desprofissionaliza&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas sociais e a condi&#xE7;&#xE3;o subalterna da mulher. Conforme a referida nota, o epis&#xF3;dio &#x201C;resgata com for&#xE7;a elementos hist&#xF3;ricos que, neste momento, fortalecem ondas conservadoras que atingem visceralmente a classe trabalhadora: a nega&#xE7;&#xE3;o do direito social, a desprofissionaliza&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas sociais e a condi&#xE7;&#xE3;o subalterna da mulher&#x201D;.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B34">Torres (2002)</xref>, em seu livro intitulado <italic>As primeiras-damas e a assist&#xEA;ncia social</italic>, demonstra o papel da mulher primeira-dama na personifica&#xE7;&#xE3;o do poder dos governantes por meio da benemer&#xEA;ncia e das rela&#xE7;&#xF5;es de favor. Esta rela&#xE7;&#xE3;o subverte a l&#xF3;gica do direito e a condi&#xE7;&#xE3;o de cidadania, uma vez que destaca os atributos pessoais e a legitimidade dos governantes (especialmente junto &#xE0;s popula&#xE7;&#xF5;es mais pobres) em detrimento do car&#xE1;ter p&#xFA;blico no atendimento &#xE0;s necessidades sociais.</p>
<p>O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Silva (2009)</xref> observa que, com a implementa&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social enquanto pol&#xED;tica p&#xFA;blica, ocorrem algumas mudan&#xE7;as na forma de atua&#xE7;&#xE3;o do primeiro-damismo, especialmente com as novas determina&#xE7;&#xF5;es exigidas pela implementa&#xE7;&#xE3;o da NOB/SUAS, ap&#xF3;s 2004. Neste novo contexto, as primeiras-damas diferem-se em termos de trajet&#xF3;ria acad&#xEA;mica e maior visibilidade no espa&#xE7;o p&#xFA;blico, assumindo o que a autora denomina de &#x201C;novas roupagens&#x201D; com pap&#xE9;is de car&#xE1;ter mais t&#xE9;cnico.</p> <disp-quote>
<p>Atualmente, as primeiras-damas, que est&#xE3;o &#xE0; frente da gest&#xE3;o da assist&#xEA;ncia, devem ter o entendimento de que existe uma lei regulamentada, a qual deve ser colocada em pr&#xE1;tica. Para isto tamb&#xE9;m &#xE9; importante o seu total conhecimento, assim como a capacita&#xE7;&#xE3;o e qualifica&#xE7;&#xE3;o destas gestoras. Na verdade, este entendimento sobre a pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia coloca-se como condi&#xE7;&#xE3;o <italic>sine qua non</italic> para o acesso, o uso e a amplia&#xE7;&#xE3;o dos recursos financeiros. [&#x2026;] Essa &#xE9;, portanto, uma das primeiras novas roupagens identificadas: as atuais primeiras-damas apresentaram-se mais t&#xE9;cnicas, profissionalizadas e, parte delas, tamb&#xE9;m militantes pol&#xED;ticas. Estas dimens&#xF5;es s&#xE3;o do ponto de vista delas, o que lhes garante legitimidade de acesso aos atuais cargos p&#xFA;blicos que passam a ocupar ap&#xF3;s a posse de seus maridos (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SILVA, 2009</xref>, p. 135-136).</p></disp-quote>
<p>Apesar das novas roupagens do primeiro-damismo, a personifica&#xE7;&#xE3;o e as rela&#xE7;&#xF5;es de favor interferem diretamente na interven&#xE7;&#xE3;o profissional dos Assistentes Sociais, esta orientada pelo C&#xF3;digo de &#xC9;tica (1993) a partir da l&#xF3;gica do direito e do aprimoramento da cidadania. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Raichelis (2010)</xref>, ao analisar a interven&#xE7;&#xE3;o desses profissionais e as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho no Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social (SUAS), destaca que a quest&#xE3;o do trabalho e dos trabalhadores no SUAS &#xE9; um dos grandes desafios a ser enfrentado se o objetivo for a implementa&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social, voltada para o atendimento de necessidades sociais e comprometida com a amplia&#xE7;&#xE3;o e com a consolida&#xE7;&#xE3;o de direitos das classes subalternas.</p> <disp-quote>
<p>Se este &#xE9; um desafio para toda a administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica brasileira, em fun&#xE7;&#xE3;o das quest&#xF5;es que atingem o mundo do trabalho, o Estado e as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, na contemporaneidade, inegavelmente assume caracter&#xED;sticas espec&#xED;ficas na assist&#xEA;ncia social, pelo seu hist&#xF3;rico de desprofissionaliza&#xE7;&#xE3;o e de atua&#xE7;&#xE3;o com base em estruturas improvisadas e descont&#xED;nuas, das quais s&#xE3;o express&#xF5;es emblem&#xE1;ticas a cultura autorit&#xE1;ria, patrimonialista e clientelista e o primeiro-damismo persistente e (<italic>re</italic>)<italic>atualizado</italic> nesta &#xE1;rea, indicando possivelmente a ado&#xE7;&#xE3;o de novas estrat&#xE9;gias de (<italic>re</italic>)<italic>legitima&#xE7;&#xE3;o</italic> desse instituto. Acrescente-se a isso a realidade da maioria dos munic&#xED;pios brasileiros que, sendo de pequeno porte, contam com fr&#xE1;geis estruturas institucionais de gest&#xE3;o, rotinas t&#xE9;cnicas e administrativas incipientes e recursos humanos reduzidos e pouco qualificados (<xref ref-type="bibr" rid="B30">RAICHELIS, 2010</xref>, p. 760).</p></disp-quote>
<p>Observa-se que diversos s&#xE3;o os desafios ainda presentes nas pol&#xED;ticas sociais enquanto concretizadoras de direitos, especialmente no &#xE2;mbito da Assist&#xEA;ncia Social, no sentido de superar as pr&#xE1;ticas clientelistas e personalistas, mesmo com a implementa&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social (SUAS). Ainda assim, destacam-se os evidentes avan&#xE7;os na cria&#xE7;&#xE3;o e na expans&#xE3;o de equipamentos, recursos, servi&#xE7;os e benef&#xED;cios de aten&#xE7;&#xF5;es e prote&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais, essenciais para a amplia&#xE7;&#xE3;o da cidadania.</p>
<p>A partir de pesquisa bibliogr&#xE1;fica e documental, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Fiuza e Costa (2015)</xref> desenvolvem reflex&#xF5;es acerca da persist&#xEA;ncia ou n&#xE3;o de pr&#xE1;ticas clientelistas na condu&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social no Brasil. As autoras apontam avan&#xE7;os significativos nessa &#xE1;rea, tanto em n&#xED;vel nacional quanto no estado do Paran&#xE1;, principalmente no &#xE2;mbito burocr&#xE1;tico-formal. No entanto, ainda s&#xE3;o evidenciados aspectos das pr&#xE1;ticas clientelistas na operacionaliza&#xE7;&#xE3;o desta pol&#xED;tica. O estudo das referidas autoras destaca tamb&#xE9;m que, apesar dos avan&#xE7;os normativos da pol&#xED;tica p&#xFA;blica, ainda existe resist&#xEA;ncia para a consolida&#xE7;&#xE3;o do SUAS, o que expressa a persist&#xEA;ncia de valores e pr&#xE1;ticas clientelistas na &#xE1;rea da assist&#xEA;ncia social. Segundo elas, a implementa&#xE7;&#xE3;o do SUAS efetivamente tem ampliado as bases operativas da pol&#xED;tica, o que se verifica na cria&#xE7;&#xE3;o e na expans&#xE3;o dos equipamentos, recursos, servi&#xE7;os e benef&#xED;cios de aten&#xE7;&#xF5;es e prote&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais. Ainda persiste, entretanto, a presen&#xE7;a de uma cultura pol&#xED;tica conservadora, com pr&#xE1;ticas como a do primeiro-damismo na pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social.</p>
<p>O tradicional uso de verbas p&#xFA;blicas por parlamentares tamb&#xE9;m &#xE9; destacado como &#x201C;forma de reprodu&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas benemerentes, guiadas pela l&#xF3;gica do favor e da personifica&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, conforme aponta <xref ref-type="bibr" rid="B33">Sposati (2002</xref>, p. 11). Atualmente, as emendas individuais ao Or&#xE7;amento s&#xE3;o tamb&#xE9;m um recurso para a forma&#xE7;&#xE3;o do capital pol&#xED;tico dos deputados e senadores, atendendo diretamente &#xE0;s bases eleitorais e contribuindo, assim, para o desempenho eleitoral dos parlamentares. Entende-se que essa pr&#xE1;tica reproduz uma conex&#xE3;o eleitoral direta entre o representante e o eleitor, em detrimento da import&#xE2;ncia do partido e de seu conte&#xFA;do program&#xE1;tico.</p>
<p>Algumas an&#xE1;lises aferem que, quanto maior o valor das emendas executadas de um Congressista, maiores s&#xE3;o suas chances de reelei&#xE7;&#xE3;o. <xref ref-type="bibr" rid="B27">Pereira e Renn&#xF3; (2001)</xref> apontam que a execu&#xE7;&#xE3;o de emendas e de projetos locais para bases eleitorais espec&#xED;ficas tem grande influ&#xEA;ncia nos resultados da reelei&#xE7;&#xE3;o. Para os autores, a distribui&#xE7;&#xE3;o de benef&#xED;cios locais proporciona mais retornos eleitorais do que as atividades legislativas dentro da C&#xE2;mara ou as posi&#xE7;&#xF5;es de voto assumidas em rela&#xE7;&#xE3;o a uma determinada pol&#xED;tica.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B27">Pereira e Renn&#xF3; (2001)</xref> tamb&#xE9;m afirmam haver uma esp&#xE9;cie de desconex&#xE3;o entre a atua&#xE7;&#xE3;o do deputado no &#xE2;mbito da C&#xE2;mara e os resultados eleitorais, com exce&#xE7;&#xE3;o do que este faz diretamente para beneficiar a sua base eleitoral. No entanto, ocupar posi&#xE7;&#xF5;es hier&#xE1;rquicas nas comiss&#xF5;es e nos partidos pol&#xED;ticos igualmente influencia no sucesso eleitoral. Desta forma, a atua&#xE7;&#xE3;o nacional do parlamentar &#xE9; direcionada para as a&#xE7;&#xF5;es que o habilitam a ter mais acesso a recursos que possam ser utilizados na esfera local, com o objetivo de ser reeleito.</p>
<p>Assim, entende-se que a proposi&#xE7;&#xE3;o de emendas individuais ao or&#xE7;amento representa um importante instrumento para a reelei&#xE7;&#xE3;o ou para a manuten&#xE7;&#xE3;o da carreira pol&#xED;tica de deputados e senadores que, em troca, receberiam votos e prest&#xED;gio, em especial aqueles que dependem quase exclusivamente de suas bases eleitorais espec&#xED;ficas ou de seus atributos pessoais. Nesse sentido, as emendas individuais ao or&#xE7;amento representam uma forma de fazer pol&#xED;tica que reproduz a l&#xF3;gica do favor e do personalismo, a qual &#xE9; regida pela troca de interesses legada por uma heran&#xE7;a patrimonialista, onde o eleitor e/ou as institui&#xE7;&#xF5;es locais tornam-se meros recebedores de benef&#xED;cios concedidos por parlamentares.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B23">Nogueira (2006</xref>, p. 171) busca explicar as determina&#xE7;&#xF5;es e as dificuldades que se tem no Brasil para governar de modo republicano e democr&#xE1;tico, ou seja, fazendo com que os interesses p&#xFA;blicos prevale&#xE7;am sobre os interesses privados. Para o autor, a aus&#xEA;ncia de uma virtude p&#xFA;blica constitu&#xED;da e sedimentada na sociedade e na cultura pol&#xED;tica seria um dos fatores primordiais. Tal virtude constitui requisito essencial da comunidade que se organiza e governa com institui&#xE7;&#xF5;es e h&#xE1;bitos p&#xFA;blicos fortes, isto &#xE9;, compreendidos e aceitos pelos cidad&#xE3;os.</p>
<p>Na argumenta&#xE7;&#xE3;o do autor, o passado do Brasil seria a chave para compreender o porqu&#xEA; de a elite pol&#xED;tica ter dificuldade de governar de modo republicano. Trata-se de um pa&#xED;s cuja hist&#xF3;ria &#xE9; permeada por rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas, pelo coronelismo, pelo clientelismo, pela corrup&#xE7;&#xE3;o, pela falta de inst&#xE2;ncias capazes de agregar e de organizar em n&#xED;vel pol&#xED;tico-estatal os m&#xFA;ltiplos interesses e as reivindica&#xE7;&#xF5;es populares, entre outros aspectos. Para Nogueira, portanto, a democratiza&#xE7;&#xE3;o contempor&#xE2;nea ressente-se com um s&#xFA;bito decl&#xED;nio do esp&#xED;rito republicano, avan&#xE7;ando a confus&#xE3;o entre o interesse p&#xFA;blico e o privado. As concretas condi&#xE7;&#xF5;es brasileiras n&#xE3;o s&#xE3;o apenas as da modernidade tardia, mas s&#xE3;o tamb&#xE9;m as da periferia do sistema capitalista. &#x201C;O Brasil atual caminha entre mis&#xE9;ria colonial e mis&#xE9;ria neoliberal, entre o subemprego tradicional e o desemprego estrutural. Ainda n&#xE3;o resolveu a quest&#xE3;o da terra, mas apresenta altos &#xED;ndices de agricultura capitalizada e de agrobusiness&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B23">NOGUEIRA, 2006</xref>, p. 184).</p>
<p>As rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas e a l&#xF3;gica do favor e do personalismo foram discutidas por cl&#xE1;ssicos do Pensamento Social Brasileiro. S&#xE3;o exemplos o livro <italic>Coronelismo, enxada e voto</italic>, de Vitor Nunes Leal; <italic>Ra&#xED;zes do Brasil</italic>, de Sergio Buarque de Holanda; e <italic>Os donos do poder</italic>, de Raymundo Faoro. Os referidos autores discutem aspectos fundamentais da hist&#xF3;ria e da cultura pol&#xED;tica brasileira no debate de temas como o clientelismo, o favor, o personalismo, o patrimonialismo, entre outros.</p>
<p>A Primeira Rep&#xFA;blica e o coronelismo nela presente representaram uma estrat&#xE9;gia pol&#xED;tica regionalista, olig&#xE1;rquica e excludente, permeada por rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Leal (1975)</xref>, ao analisar esse contexto, argumenta que o coronelismo &#xE9;, sobretudo, um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder p&#xFA;blico, progressivamente fortalecido, e a decadente influ&#xEA;ncia social dos chefes locais, notadamente dos senhores de terras. O coronel incorpora fun&#xE7;&#xF5;es de v&#xED;nculo e media&#xE7;&#xE3;o nas rela&#xE7;&#xF5;es entre Estado e sociedade que, em sociedades politicamente amadurecidas, foram prerrogativas dos partidos pol&#xED;ticos. Trata-se de uma din&#xE2;mica que impede a forma&#xE7;&#xE3;o de institui&#xE7;&#xF5;es no seu significado p&#xFA;blico e estabelece redes de lealdade a partir de rela&#xE7;&#xF5;es pessoais ou de parentesco, sobrepondo-se aos conte&#xFA;dos ideol&#xF3;gicos das institui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas (Estado e partidos) (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SEIBEL, 2001</xref>, p. 27).</p>
<p>As rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas s&#xE3;o tamb&#xE9;m destacadas por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Holanda (2006)</xref> quando analisa a cordialidade, a ordem familiar, a ordem privada e sua dificuldade em se adequar &#xE0; esfera p&#xFA;blica, &#xE0; racionaliza&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; despersonaliza&#xE7;&#xE3;o. Segundo o autor, a transforma&#xE7;&#xE3;o dessa ordem privada e familiar seria essencial para a forma&#xE7;&#xE3;o de um Estado racional e impessoal, onde o p&#xFA;blico prevalecesse sobre o privado. Para ele, o Estado n&#xE3;o deveria ser uma continuidade ou uma amplia&#xE7;&#xE3;o do c&#xED;rculo familiar, por&#xE9;m, nas rela&#xE7;&#xF5;es estabelecidas pelo homem cordial, haveria uma extens&#xE3;o do plano familiar e privado no espa&#xE7;o p&#xFA;blico-estatal, sendo esta marcada por rela&#xE7;&#xF5;es de paternalismo e compadrio.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Faoro (1995)</xref> analisa a estrutura de poder patrimonialista presente no Estado brasileiro advinda do Estado portugu&#xEA;s no s&#xE9;culo XIX. De acordo com sua an&#xE1;lise, o Estado patrimonial n&#xE3;o &#xE9; uma ordem impessoal e universal, mas visa atender aos interesses particulares dos grupos que o controlam (o estamento) a partir de uma racionalidade personalista. Essa sociedade do tipo estamental, portanto, privilegia a desigualdade e o particularismo, uma vez que o instrumento de poder do estamento &#xE9; justamente o controle patrimonialista do Estado, que &#xE9; centralizador e administrado em prol de determinada camada pol&#xED;tico-social.</p>
<p>Assim, orientado por uma racionalidade pr&#xE9;-moderna, o patrimonialismo &#xE9; personalista, tendendo a desprezar a distin&#xE7;&#xE3;o entre as esferas p&#xFA;blica e privada. Nesse tipo de sociedade, onde o particularismo e o poder pessoal reinam, o favoritismo &#xE9;, por excel&#xEA;ncia, o meio de ascens&#xE3;o social. E o sistema jur&#xED;dico, <italic>lato sensu</italic>, englobando o direito expresso e o direito aplicado, costuma exprimir e veicular o poder particular e o privil&#xE9;gio em detrimento da universalidade e da igualdade formal-legal. O distanciamento do Estado dos interesses da na&#xE7;&#xE3;o, desta forma, reflete o distanciamento do estamento dos interesses do restante da sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B7">CAMPANTE, 2003</xref>, p. 154-155).</p>
<p>Os diversos instrumentos, as pr&#xE1;ticas e a cultura pol&#xED;tica que contribuem para a reprodu&#xE7;&#xE3;o da l&#xF3;gica do favor e do personalismo no &#xE2;mbito das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, na destina&#xE7;&#xE3;o de recursos p&#xFA;blicos e no atendimento &#xE0;s necessidades da popula&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o condizem com o que se entende por pol&#xED;tica <italic>p&#xFA;blica</italic> e cidadania em sentido pleno, a qual envolve dimens&#xF5;es como participa&#xE7;&#xE3;o, igualdade e liberdade, conforme demonstram as reflex&#xF5;es de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Carvalho (2007)</xref>.</p>
<p>Para o autor, cidadania engloba direitos civis (direito &#xE0; liberdade, &#xE0; propriedade e &#xE0; igualdade perante &#xE0; lei); direitos pol&#xED;ticos (direito &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o do cidad&#xE3;o no governo da sociedade &#x2013; voto) e direitos sociais (direito &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o, ao trabalho, ao sal&#xE1;rio justo, &#xE0; sa&#xFA;de e &#xE0; aposentadoria). Por&#xE9;m, na constru&#xE7;&#xE3;o da cidadania no Brasil, essas dimens&#xF5;es n&#xE3;o estiveram interligadas, ou seja, a garantia de alguns desses direitos n&#xE3;o assegurou o acesso aos demais, sendo que a nega&#xE7;&#xE3;o de diversos direitos situa a popula&#xE7;&#xE3;o brasileira numa categoria que o autor denomina de cidad&#xE3;os incompletos.</p>
<p>A cidadania incompleta, oriunda das adversidades e das desigualdades de uma forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica marcada pela concentra&#xE7;&#xE3;o de terras e de riquezas, &#xE9; agravada pela l&#xF3;gica perversa das estrat&#xE9;gias atuais de ac&#xFA;mulo do capital. Essas estrat&#xE9;gias restringem e obstruem direitos historicamente conquistados pela popula&#xE7;&#xE3;o em nome das necessidades da economia de atrair investimentos e retomar o crescimento econ&#xF4;mico. &#xC9; neste contexto que a &#x201C;ajuda&#x201D; e o personalismo por meio do primeiro-damismo s&#xE3;o retomados na ret&#xF3;rica do governo, quest&#xF5;es estas que ser&#xE3;o analisadas no pr&#xF3;ximo subitem deste estudo.</p>
</sec>
<sec>
<title>Avan&#xE7;os do personalismo em um contexto de regress&#xE3;o de direitos</title>
<p>Os instrumentos, as pr&#xE1;ticas e a cultura pol&#xED;tica envolta na l&#xF3;gica do favor e do personalismo s&#xE3;o incoerentes com os avan&#xE7;os no &#xE2;mbito da pol&#xED;tica social institu&#xED;dos pela Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988. No entanto, condizem com a restri&#xE7;&#xE3;o de direitos, sob um contexto neoliberal de corte de gastos p&#xFA;blicos e de retomada de pr&#xE1;ticas conservadoras, como o apelo ao primeiro-damismo, expressando aspectos da forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica do Brasil.</p>
<p>A Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 institui, no art. 194, a Seguridade Social, composta pelo trip&#xE9;: Sa&#xFA;de, Previd&#xEA;ncia e Assist&#xEA;ncia Social. Nela, a Seguridade Social compreende um conjunto integrado de a&#xE7;&#xF5;es de iniciativa dos Poderes P&#xFA;blicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos &#xE0; sa&#xFA;de, &#xE0; previd&#xEA;ncia e &#xE0; assist&#xEA;ncia social. Os princ&#xED;pios constitucionais da Seguridade Social, por sua vez, compreendem: universalidade da cobertura e do atendimento; uniformidade e equival&#xEA;ncia dos benef&#xED;cios e servi&#xE7;os &#xE0;s popula&#xE7;&#xF5;es urbanas e rurais; seletividade e distributividade na presta&#xE7;&#xE3;o dos benef&#xED;cios e servi&#xE7;os; irredutibilidade do valor dos benef&#xED;cios; equidade na forma de participa&#xE7;&#xE3;o no custeio; diversidade da base de financiamento; car&#xE1;ter democr&#xE1;tico e descentralizado na gest&#xE3;o administrativa (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRASIL, 1988</xref>).</p>
<p>A Assist&#xEA;ncia Social encontra-se presente na Constitui&#xE7;&#xE3;o <xref ref-type="bibr" rid="B2">Federal de 1988</xref>, nos artigos 203 e 204 (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRASIL, 1988</xref>), e na Lei Org&#xE2;nica da Assist&#xEA;ncia Social LOAS (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 1993b</xref>), sendo definida como uma pol&#xED;tica social n&#xE3;o contributiva, provedora dos m&#xED;nimos sociais, atrav&#xE9;s de um conjunto integrado de iniciativas p&#xFA;blicas e da sociedade para garantir o atendimento &#xE0;s necessidades b&#xE1;sicas. A CF de 1988 inova ao incluir a prote&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o contributiva, os espa&#xE7;os participativos, a amplia&#xE7;&#xE3;o da responsabilidade do Estado e da sociedade frente &#xE0; cidadania da popula&#xE7;&#xE3;o, quest&#xF5;es fundamentais para haver um rompimento com a benemer&#xEA;ncia, o favor, o clientelismo, o primeiro-damismo e o personalismo historicamente presentes no &#xE2;mbito da assist&#xEA;ncia no Brasil.</p>
<p>Por&#xE9;m, no contexto da d&#xE9;cada de 1990, o governo brasileiro colocou em curso elementos fundamentais do neoliberalismo, quais sejam: privatiza&#xE7;&#xE3;o, focaliza&#xE7;&#xE3;o e descentraliza&#xE7;&#xE3;o, os quais dificultaram a efetiva&#xE7;&#xE3;o de direitos institu&#xED;dos na Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988. O apelo &#xE0; fam&#xED;lia, ao voluntariado e &#xE0; refilantropiza&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o algumas das estrat&#xE9;gias adotadas para o enfrentamento &#xE0;s express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, em detrimento dos recursos e das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, especialmente no &#xE2;mbito da seguridade social. J&#xE1; a crise do capital que se instaurou a partir da d&#xE9;cada de 1970 em diferentes pa&#xED;ses exerceu press&#xE3;o para uma reconfigura&#xE7;&#xE3;o do papel do Estado nas d&#xE9;cadas subsequentes.</p> <disp-quote>
<p>A ofensiva iniciada nos anos setenta teve uma finalidade central: fazer do mercado o &#xFA;nico regulador societ&#xE1;rio. A ret&#xF3;rica do grande capital (vocalizada na ideologia neoliberal), acerca da necessidade de redu&#xE7;&#xE3;o das fun&#xE7;&#xF5;es estatais, &#xE9; falsa e mistificadora porque oculta o seu objetivo real: o Estado m&#xED;nimo que defende equivale a um Estado m&#xE1;ximo para o capital. [&#x2026;] n&#xE3;o se trata de &#x201C;diminuir&#x201D; o Estado, mas de amputar as fun&#xE7;&#xF5;es democr&#xE1;tico-reguladoras (<xref ref-type="bibr" rid="B21">NETTO, 2007</xref>, p. 146).</p></disp-quote>
<p>Os direitos sociais e a Seguridade Social, que ganhou espa&#xE7;o espec&#xED;fico na Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, representaram avan&#xE7;os em termos de conquista de cidadania. No entanto, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nogueira (2001)</xref>, carregam marcas de uma hist&#xF3;ria, demonstrando como o pa&#xED;s se modernizou, o caminho que seguiu rumo ao capitalismo, suas lutas sociais, a maneira como foi resolvendo as tens&#xF5;es e as diferencia&#xE7;&#xF5;es inerentes a este processo. Entre as caracter&#xED;sticas da forma&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica brasileira, encontram-se: heterogeneidade, dualidade social, reformismo inconcluso, Estado burocratizado e impregnado por interesses particulares, clientelismo, dificuldade de incorporar as massas na reparti&#xE7;&#xE3;o da renda e nos frutos do desenvolvimento. Uma revolu&#xE7;&#xE3;o burguesa de tipo &#x201C;restauradora&#x201D;, que Gramsci costumava chamar de &#x201C;revolu&#xE7;&#xE3;o sem revolu&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">NOGUEIRA, 2001</xref>, p. 14).</p>
<p>Apesar do lento processo de institui&#xE7;&#xE3;o e de concretiza&#xE7;&#xE3;o de direitos e de pol&#xED;ticas sociais no Brasil, especialmente no &#xE2;mbito da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social, alguns avan&#xE7;os foram observados neste campo na &#xFA;ltima d&#xE9;cada. Entre eles, destacam-se a Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (2004) e a implanta&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social &#x2013; SUAS (2005), que contribu&#xED;ram para a amplia&#xE7;&#xE3;o do atendimento impessoal, profissional e sob a l&#xF3;gica dos direitos frente &#xE0;s demandas da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2005</xref>).</p>
<p>A partir disso, foram realizados investimentos p&#xFA;blicos em contrata&#xE7;&#xE3;o de profissionais, bem como em qualifica&#xE7;&#xE3;o, compra de equipamentos e amplia&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os f&#xED;sicos. Tamb&#xE9;m foi realizada a implementa&#xE7;&#xE3;o da Rede SUAS e a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma rede de servi&#xE7;os socioassistenciais articulada.</p>
<p>Tudo isso remete a uma nova concep&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica nesta &#xE1;rea, a da compreens&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social enquanto um direito do cidad&#xE3;o, aclamando a responsabilidade do Estado na sua concretiza&#xE7;&#xE3;o por meio de profissionais e institui&#xE7;&#xF5;es habilitadas e qualificadas, o que subverte as pr&#xE1;ticas regidas por interesses pessoais, pela <italic>boa vontade</italic> ou por a&#xE7;&#xF5;es pontuais, assistencialistas e emergenciais.</p>
<p>Alguns avan&#xE7;os no sentido de amplia&#xE7;&#xE3;o no n&#xFA;mero de profissionais atuando na Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social s&#xE3;o observados ap&#xF3;s a implanta&#xE7;&#xE3;o do SUAS (2005), conforme demonstram os dados do <xref ref-type="bibr" rid="B16">IBGE (2005</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B17">2009</xref>) apresentados na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>. Destaca-se o aumento no n&#xFA;mero de profissionais Psic&#xF3;logos (74,8%) e no n&#xFA;mero de Assistentes Sociais (51,5%). J&#xE1; o percentual de Advogados apresentou um aumento de 45,3% e, o de Pedagogos, 42,4%.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Pessoal ocupado na Assist&#xEA;ncia Social (2005 e 2009)</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb1.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="33%">
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">Profissionais</th>
<th align="center">2005</th>
<th align="center">2009</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Assistente Social</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>12543</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>19006</bold></td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Psic&#xF3;logo</bold></td>
<td align="center"><bold>4481</bold></td>
<td align="center"><bold>7834</bold></td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Pedagogo</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>4553</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>6487</bold></td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Advogado</bold></td>
<td align="center"><bold>977</bold></td>
<td align="center"><bold>1420</bold></td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria a partir de dados do IBGE/Perfil dos Munic&#xED;pios Brasileiros &#x2013; Assist&#xEA;ncia Social 2005 e 2009.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Os dados do <xref ref-type="bibr" rid="B17">IBGE (2009</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">2013</xref>) revelam ainda uma redu&#xE7;&#xE3;o no n&#xFA;mero das primeiras-damas como gestoras da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social. Por&#xE9;m, apesar da redu&#xE7;&#xE3;o ocorrida ap&#xF3;s a implanta&#xE7;&#xE3;o do SUAS (2005), observa-se que esse n&#xFA;mero ainda &#xE9; significativo, representando um dos grandes desafios para a supera&#xE7;&#xE3;o da l&#xF3;gica do personalismo. Em 2009, conforme <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, dentre os munic&#xED;pios que declararam ter &#xF3;rg&#xE3;o gestor da Assist&#xEA;ncia Social (5561), 1.352 deles responderam que sua pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social era conduzida pela primeira-dama, observando-se essa atua&#xE7;&#xE3;o em 24,3% dos munic&#xED;pios brasileiros. J&#xE1; em 2013, este n&#xFA;mero cai para 1.305 munic&#xED;pios, correspondendo a 23,4%.</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Tabela 2</label>
<caption>
<title>Munic&#xED;pios com estrutura na Assist&#xEA;ncia Social e com a primeira-dama como gestora da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social (2009-2013)</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb2.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="33%">
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center"/>
<th align="center">Total de munic&#xED;pios com estrutura na Assist&#xEA;ncia Social</th>
<th align="center">Munic&#xED;pios com a primeira-dama como gestora da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>2009</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">5561</td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">1352</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>2013</bold></td>
<td align="center">5567</td>
<td align="center">1305</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria a partir de dados do IBGE/Perfil dos Munic&#xED;pios Brasileiros &#x2013; Assist&#xEA;ncia Social, 2009 e 2013.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Da an&#xE1;lise de dados, observa-se que o n&#xFA;mero de primeiras-damas como gestoras da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social ainda &#xE9; grande, o que dificulta o desenvolvimento de rela&#xE7;&#xF5;es regidas pela impessoalidade e pelo atendimento de &#x201C;todos&#x201D; &#x2013; independente de atributos pessoais, filia&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias, religiosas, entre outras diversidades que se apresentam nos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos. Reverter esse quadro &#xE9; quest&#xE3;o fundamental para evitar que interesses envoltos em rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas possam prevalecer sobre as demandas e os direitos da popula&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3; e usu&#xE1;ria dessa pol&#xED;tica.</p>
<p>A supera&#xE7;&#xE3;o do primeiro-damismo, do voluntarismo, do personalismo e do favor nesta &#xE1;rea &#xE9; dificultada pela retomada do incentivo por parte do governo de algumas dessas pr&#xE1;ticas, como a cria&#xE7;&#xE3;o do Programa Nacional de Voluntariado &#x2013; Viva Volunt&#xE1;rio, lan&#xE7;ado em 28 de agosto de 2017. Os limites de tal supera&#xE7;&#xE3;o ampliam-se ainda pela tend&#xEA;ncia &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o ou &#xE0; restri&#xE7;&#xE3;o da garantia de direitos, especialmente na d&#xE9;cada de 1990 e, recentemente, com o aprimoramento de v&#xE1;rios pressupostos e pol&#xED;ticas neoliberais: cortes de gastos p&#xFA;blicos, como a PEC do Teto dos Gastos P&#xFA;blicos (55/241) aprovada pelo Senado em 13 de dezembro de 2016; a Reforma da Previd&#xEA;ncia; a amplia&#xE7;&#xE3;o do prazo para ter acesso ao seguro desemprego; a reforma trabalhista que altera a CLT; o projeto que regulamenta a terceiriza&#xE7;&#xE3;o, entre outras medidas.</p>
<p>Esse quadro representa um agravamento da condi&#xE7;&#xE3;o de vida e de trabalho da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira, sendo que, historicamente, parte significativa desta encontra dificuldades de acesso ou permanece fora do mercado formal de trabalho e, portanto, sem acesso aos direitos dele decorrentes. A atual conjuntura de redu&#xE7;&#xE3;o de direitos &#xE9; ainda agravada por outros fatores, como, por exemplo, os obst&#xE1;culos pol&#xED;ticos e econ&#xF4;micos impostos frente &#xE0;s proposi&#xE7;&#xF5;es e possibilidades preventivas e redistributivas das pol&#xED;ticas sociais e da riqueza socialmente produzida.</p>
<p>Como se observa nas reflex&#xF5;es de <xref ref-type="bibr" rid="B29">Prates (2016)</xref> ao analisar o Plano &#x201C;A ponte para o futuro&#x201D;, do atual governo Michel Temer, &#xE9; importante que esse conjunto de medidas que envolvem o avan&#xE7;o das pol&#xED;ticas de recorte neoliberal e do crescimento do conservadorismo seja analisado de modo articulado ao contexto internacional, que vem expressando as &#x201C;refra&#xE7;&#xF5;es de uma crise econ&#xF4;mica de grande vulto e cujos impactos mais significativos rebatem na produ&#xE7;&#xE3;o, no consumo e no emprego, enquanto o capital fict&#xED;cio continua evidenciando sua supremacia no processo de acumula&#xE7;&#xE3;o sobre todas as demais inst&#xE2;ncias&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PRATES, 2016</xref>, p.227).</p>
<p>As medidas priorit&#xE1;rias do atual governo s&#xE3;o o controle da infla&#xE7;&#xE3;o, o controle dos gastos p&#xFA;blicos, a reforma da Previd&#xEA;ncia e um conjunto de medidas para atrair investimentos e impulsionar a economia, destravando amarras regulat&#xF3;rias em troca de investimentos da iniciativa privada &#x2013; sendo um exemplo a regulamenta&#xE7;&#xE3;o da venda de terras estrangeiras &#x2013; PL 4059/2012. Essa regulamenta&#xE7;&#xE3;o atinge diretamente a soberania nacional, pois retira do Estado a prerrogativa de monitoramento e de controle sobre aquisi&#xE7;&#xF5;es indiretas de terras por estrangeiros. A proposta tamb&#xE9;m perverte a perspectiva da fun&#xE7;&#xE3;o social da terra, institu&#xED;da desde a d&#xE9;cada de 1940, ampliando as possibilidades de a terra se tornar uma mercadoria, amea&#xE7;ando diversos agricultores familiares, popula&#xE7;&#xF5;es tradicionais, ind&#xED;genas, quilombolas e a compreens&#xE3;o da terra enquanto um bem intergeracional para usufruto das necessidades humanas b&#xE1;sicas, como a alimenta&#xE7;&#xE3;o.</p> <disp-quote>
<p>Os aspectos antidemocr&#xE1;ticos e a perspectiva de redu&#xE7;&#xE3;o do estado social j&#xE1; s&#xE3;o claramente explicitados no Plano, evidenciando o seu car&#xE1;ter e o projeto pol&#xED;tico ao qual se filia, direcionado ao fortalecimento mais contundente das pol&#xED;ticas de recorte neoliberal que t&#xEA;m na minimiza&#xE7;&#xE3;o do estado social, flexibiliza&#xE7;&#xE3;o de direitos e privatiza&#xE7;&#xE3;o dos setores mais estrat&#xE9;gicos suas pedras angulares e ainda n&#xE3;o hesitam em estabelecer rela&#xE7;&#xF5;es internacionais subalternizadas, desde que beneficiem aos grupos que det&#xEA;m o poder, cujos capitais precisam ampliar sua mobilidade internacional de modo mais livre [&#x2026;] (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PRATES, 2016</xref>, p. 229).</p></disp-quote>
<p>Um processo como esse acarreta restri&#xE7;&#xE3;o de direitos e precariza&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es de vida da classe trabalhadora, enquanto o setor financeiro continua a manter privil&#xE9;gios. Os impactos da crise que se aprofunda em diversos pa&#xED;ses, a partir de 2008, foram postergados no Brasil por medidas neodesenvolvimentistas adotadas especialmente nos governos de Luiz In&#xE1;cio Lula da Silva e no in&#xED;cio do governo de Dilma Rousseff. Sobre o neodesenvolvimentismo e as pol&#xED;ticas desenvolvidas no per&#xED;odo, cabe destacar os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pfeifer (2014)</xref> e de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mota et al. (2012)</xref>. Por&#xE9;m, a partir de 2013, esses impactos afetaram mais significativamente o pa&#xED;s aliado a um contexto pol&#xED;tico que potencializou a crise.</p>
<p>O resultado das &#xFA;ltimas elei&#xE7;&#xF5;es expressam um pequeno &#xED;ndice de vantagem do governo Dilma e um Congresso extremamente conservador, as constantes den&#xFA;ncias e manifesta&#xE7;&#xF5;es, mobiliza&#xE7;&#xE3;o por parte da m&#xED;dia nacional no sentido de desestabilizar o governo eleito (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PRATES, 2016</xref>). Tal contexto resultou no que <xref ref-type="bibr" rid="B24">Paiva e Hillesheim (2016)</xref> chamam de um processo de ruptura da institucionalidade democr&#xE1;tica no pa&#xED;s, a partir do avan&#xE7;o de for&#xE7;as conservadoras e reacion&#xE1;rias, com desmonte de direitos sociais da program&#xE1;tica neodesenvolvimentista, impactando sobre a classe trabalhadora e recuperando fundamentos mais claramente alinhados ao jogo do mercado e aos interesses do grande capital.</p>
<p>Neste cen&#xE1;rio, os conflitos, as conquistas de direitos e a insatisfa&#xE7;&#xE3;o de grande parte da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira encontram-se expostos &#xE0; repress&#xE3;o e &#xE0; viol&#xEA;ncia. Trata-se, portanto, de um contexto marcado pelo crescimento do conservadorismo, no qual se incluem propostas de redu&#xE7;&#xE3;o de direitos e de criminaliza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o pobre. Exemplos disso s&#xE3;o as propostas, os discursos e o apoio de parte significativa da popula&#xE7;&#xE3;o &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o da maioridade penal, bem como as rea&#xE7;&#xF5;es frente ao reconhecimento do direito dos mais pobres, as cr&#xED;ticas ao programa Bolsa Fam&#xED;lia, o aumento da intoler&#xE2;ncia e da criminaliza&#xE7;&#xE3;o de movimentos sociais, entre tantas outras express&#xF5;es.</p>
<p>Somando-se a isso, as medidas apresentadas como solu&#xE7;&#xE3;o para a &#x201C;crise financeira do pa&#xED;s&#x201D; atingem diretamente as pol&#xED;ticas sociais e a cidadania, uma vez que se configuram de forma injusta, vindo a penalizar os mais pobres. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho (2016)</xref> reflete sobre a tradi&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;hierarquia e de desigualdade&#x201D; presente no Brasil e, ao se referir aos cortes de gastos p&#xFA;blicos propostos no Congresso (como a PEC do Teto de gastos P&#xFA;blicos e a reforma da Previd&#xEA;ncia apontada como solu&#xE7;&#xE3;o para a crise financeira do pa&#xED;s, por exemplo), o historiador afirma haver neles uma divis&#xE3;o injusta e que acaba por penalizar a parcela mais pobre da popula&#xE7;&#xE3;o.</p> <disp-quote>
<p>Uma distribui&#xE7;&#xE3;o mais justa, mais socialmente orientada, poderia ser feita. H&#xE1; muitos mecanismos que se podem introduzir em rela&#xE7;&#xE3;o a isso. H&#xE1; maneiras, por exemplo, de se aumentar impostos de mais ricos, e n&#xE3;o dos mais pobres. [&#x2026;] O Congresso n&#xE3;o vota quando prejudica certos setores. A quest&#xE3;o de imposto sobre riquezas, sobre heran&#xE7;as, isso n&#xE3;o passa [no Congresso]. Esse &#xE9; um ponto que j&#xE1; foi tentado v&#xE1;rias vezes e n&#xE3;o passa. Impostos maiores sobre produtos de luxo. Ou o aumento progressivo do imposto de renda, em contraposi&#xE7;&#xE3;o aos impostos indiretos. Isso deveria pegar muito mais fortemente quem tem mais dinheiro. A mesma coisa a quest&#xE3;o de heran&#xE7;a. J&#xE1; o imposto indireto, que &#xE9; o imposto sobre venda, poderia ser reduzido em benef&#xED;cio de boa parte das pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CARVALHO, 2016</xref>, [s.p.]).</p></disp-quote>
<p>&#xC9; neste contexto que se retomam pr&#xE1;ticas e vozes que clamam pela &#x201C;ajuda&#x201D; aos mais pobres com car&#xE1;ter personalista e volunt&#xE1;rio, legitimando a pol&#xED;tica neoliberal atual e os legados hist&#xF3;ricos que mant&#xEA;m as imbricadas rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas, o que pode ser observado em alguns dos discursos envolvidos no lan&#xE7;amento do Programa <xref ref-type="bibr" rid="B6">Crian&#xE7;a Feliz (2016)</xref>.</p>
<p>Na sequ&#xEA;ncia, ser&#xE3;o apresentadas algumas falas que possibilitam reflex&#xF5;es sobre os fundamentos que orientam o programa, como a da primeira-dama, Marcela Temer, e a do Presidente Michel Temer.</p>
<p>O Programa Crian&#xE7;a Feliz, lan&#xE7;ado pelo Governo Federal em outubro de 2016, &#xE9; coordenado pelo Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social e Agr&#xE1;rio (MDSA) e prioriza gestantes e crian&#xE7;as de at&#xE9; tr&#xEA;s anos benefici&#xE1;rias do Bolsa Fam&#xED;lia e as de at&#xE9; seis anos que recebem o Benef&#xED;cio de Presta&#xE7;&#xE3;o Continuada (BPC) (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BRASIL, 2016</xref>). As fam&#xED;lias s&#xE3;o acompanhadas por meio de visitas domiciliares peri&#xF3;dicas, e o referido programa prop&#xF5;e integrar a&#xE7;&#xF5;es em &#xE1;reas como sa&#xFA;de, assist&#xEA;ncia social, educa&#xE7;&#xE3;o, justi&#xE7;a e cultura, prevendo tamb&#xE9;m a capacita&#xE7;&#xE3;o de multiplicadores respons&#xE1;veis por repassar a metodologia e os protocolos do programa aos visitadores nos munic&#xED;pios.</p>
<p>J&#xE1; os visitadores domiciliares s&#xE3;o respons&#xE1;veis por atender diretamente &#xE0;s fam&#xED;lias selecionadas para o programa. Profissional de n&#xED;vel m&#xE9;dio, o visitador ir&#xE1; aplicar as metodologias repassadas pelos multiplicadores durante a capacita&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B28">PORTAL BRASIL, 2017</xref>).</p>
<p>As fam&#xED;lias s&#xE3;o orientadas sobre como estimular e educar para o desenvolvimento integral dos filhos na primeira inf&#xE2;ncia, com foco em sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o, cultura e garantia de direitos. No entanto, cabe destacar a import&#xE2;ncia de profissionais como os Assistentes Sociais no atendimento &#xE0;s demandas sociais da popula&#xE7;&#xE3;o frente &#xE0; complexidade que estas apresentam, exigindo um amplo conhecimento das pol&#xED;ticas sociais, da rede de servi&#xE7;os, da realidade social brasileira, das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social e de outras quest&#xF5;es fundamentais que possibilitam superar a l&#xF3;gica de responsabiliza&#xE7;&#xE3;o ou culpabiliza&#xE7;&#xE3;o das fam&#xED;lias.</p>
<p>Neste caso, estar&#xED;amos mais pr&#xF3;ximos de um processo de profissionaliza&#xE7;&#xE3;o nesta &#xE1;rea, conforme demonstram as compet&#xEA;ncias profissionais dos Assistentes Sociais<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
<p>O discurso da primeira-dama Marcela Temer, no lan&#xE7;amento do Programa Crian&#xE7;a Feliz, em outubro de 2016, no Pal&#xE1;cio do Planalto, revela alguns aspectos de uma ret&#xF3;rica que exalta a &#x201C;ajuda aos outros&#x201D;.</p> <disp-quote>
<p>Na ocasi&#xE3;o, a primeira-dama afirma estar feliz em &#x201C;colaborar com causas sociais&#x201D;, ao torna-se embaixadora em car&#xE1;ter volunt&#xE1;rio do referido Programa. &#x22;Quem ajuda os outros, muda hist&#xF3;rias de vida. Por isso, fico feliz por colaborar com causas sociais do nosso pa&#xED;s&#x22;, afirmou Marcela, ao iniciar sua fala (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AMORIM, 2016</xref>).</p></disp-quote>
<p>A ideia de ajuda, voluntarismo e primeiro-damismo, no &#xE2;mbito da assist&#xEA;ncia, n&#xE3;o condiz com alguns dos avan&#xE7;os institu&#xED;dos ap&#xF3;s a implanta&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (2004). Esta propiciou a busca pela supera&#xE7;&#xE3;o do personalismo e do favor, contribuindo para o profissionalismo, a qualifica&#xE7;&#xE3;o nesta &#xE1;rea e a compreens&#xE3;o da assist&#xEA;ncia enquanto um direito dos cidad&#xE3;os, exigindo a responsabilidade do Estado na sua efetiva&#xE7;&#xE3;o. J&#xE1; a l&#xF3;gica que orienta o clamor pelo primeiro-damismo e pelo voluntarismo, este reafirmado com a cria&#xE7;&#xE3;o do Programa Nacional de Voluntariado &#x2013; Viva Volunt&#xE1;rio (2017), conserva elementos de uma forma de fazer pol&#xED;tica marcada por tra&#xE7;os personalistas de poder e de rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas, oriundas de um legado hist&#xF3;rico que se expressa como atual necessidade de legitima&#xE7;&#xE3;o do poder em um contexto neoliberal.</p>
<p>O incentivo ao primeiro-damismo, assim, &#xE9; ressaltado em uma das falas do Presidente Michel Temer, que tamb&#xE9;m participou do lan&#xE7;amento do Programa Crian&#xE7;a Feliz, em outubro de 2016:</p> <disp-quote>
<p>Na cerim&#xF4;nia, Temer afirmou que a escolha de Marcela como embaixadora visa &#x22;incentivar&#x22; as mulheres do pa&#xED;s a aderir ao programa. &#x22;Devo dizer que a presen&#xE7;a da Marcela como embaixadora visa exatamente incentivar as senhoras mulheres do pa&#xED;s, autoridades. Seguramente, Marcela um dia vai convidar as senhoras primeiras-damas e as senhoras prefeitas municipais para estarem todas aqui em Bras&#xED;lia. Para que n&#xE3;o fique apenas como um programa da Uni&#xE3;o, mas que seja de toda a Federa&#xE7;&#xE3;o, portanto, da Uni&#xE3;o e igualmente de todos os Estados&#x22;, disse o presidente (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AMORIM, 2016</xref>).</p></disp-quote>
<p>Conforme se observa, a ret&#xF3;rica presidencial carrega legados hist&#xF3;ricos que se reafirmam e coadunam com o atual contexto neoliberal de corte e restri&#xE7;&#xE3;o de direitos. O reconhecimento e a efetiva&#xE7;&#xE3;o de direitos tornam-se inst&#xE1;veis e fr&#xE1;geis quando submetidos &#xE0; vontade e ao desejo de determinados sujeitos, ao voluntarismo e ao pontualismo de a&#xE7;&#xF5;es ou programas. Nessa perspectiva, os espa&#xE7;os para a participa&#xE7;&#xE3;o popular e a efetiva&#xE7;&#xE3;o de uma cidadania num sentido mais amplo, conquistados especialmente a partir da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, n&#xE3;o s&#xE3;o incentivados.</p>
<p>Na an&#xE1;lise do Plano &#x201C;A ponte para o futuro&#x201D;, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Prates (2016)</xref> chama a aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que:</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] em nenhum momento o Plano cont&#xE9;m qualquer men&#xE7;&#xE3;o aos espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o popular, previstos constitucionalmente na gest&#xE3;o conjunta governo-sociedade, nas pol&#xED;ticas que conformam a seguridade social, via f&#xF3;runs, conselhos e confer&#xEA;ncias, como se esses importantes avan&#xE7;os conquistados pela democracia n&#xE3;o existissem, e mais, atribuir a uma comiss&#xE3;o de &#x201C;not&#xE1;veis&#x201D; a decis&#xE3;o sobre a continuidade ou interrup&#xE7;&#xE3;o de projetos sociais nacionais. Na verdade, segue o exemplo do que ocorreu no Governo FHC, de mesmo tipo, quando o ent&#xE3;o presidente criou o &#x201C;Comunidade Solid&#xE1;ria&#x201D; e, desrespeitando o institu&#xED;do pela Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988, se sobrep&#xF4;s &#xE0;s inst&#xE2;ncias democr&#xE1;ticas de decis&#xE3;o popular, protelando a materializa&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social como Pol&#xED;tica de Direito (<xref ref-type="bibr" rid="B29">PRATES, 2016</xref>, p. 228).</p></disp-quote>
<p>Assim, tem-se que o primeiro-damismo e outras pr&#xE1;ticas orientadas por uma l&#xF3;gica personalista remetem &#xE0; concep&#xE7;&#xE3;o de direito em sentido fraco. Com base nos estudos de Norberto Bobbio, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nogueira (2001</xref>, p. 23) sintetiza ser este um direito cujo reconhecimento e cuja efetiva prote&#xE7;&#xE3;o podem ser adiados ou confiados &#xE0; vontade de sujeitos que possuem apenas uma obriga&#xE7;&#xE3;o moral ou, no m&#xE1;ximo, pol&#xED;tica de executar o Programa. &#x201C;Nossos direitos talvez devam ser chamados, aceitando a sugest&#xE3;o de Bobbio, de &#x2018;direitos em sentido fraco&#x2019;, em contrapartida a um &#x2018;direito em sentido forte&#x2019;, isto &#xE9;, a exig&#xEA;ncias ou pretens&#xF5;es efetivamente protegidas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">NOGUEIRA, 2001</xref>, p. 23).</p>
<p>Conforme o autor, n&#xE3;o h&#xE1; mal em chamar de &#x201C;direitos&#x201D; todas essas pretens&#xF5;es ou exig&#xEA;ncias de direitos, o importante &#xE9; evitar que a confus&#xE3;o entre os dois planos acabe tirando o foco do fato de que direitos n&#xE3;o protegidos ou mal protegidos requerem um outro tipo de postura por parte do movimento pol&#xED;tico e social. A estrat&#xE9;gia precisa ser democr&#xE1;tica, pol&#xED;tica: como fazer para transformar expectativas de direitos em direitos efetivos e para impedir que direitos efetivos regridam a condi&#xE7;&#xE3;o de expectativas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">NOGUEIRA, 2001</xref>, p. 23-24).</p>
<p>Nesse sentido, a supera&#xE7;&#xE3;o da l&#xF3;gica do favor e do personalismo exige a constru&#xE7;&#xE3;o de novas rela&#xE7;&#xF5;es &#xE9;tico-pol&#xED;ticas e de institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas em dire&#xE7;&#xE3;o &#xE0; amplia&#xE7;&#xE3;o da cidadania e da democratiza&#xE7;&#xE3;o da riqueza socialmente constru&#xED;da. As possibilidades para tanto se ampliam na medida em que a popula&#xE7;&#xE3;o tenha garantidos os seus espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o nas decis&#xF5;es que dizem respeito &#xE0;s suas demandas, assim como a partir do momento em que sejam garantidas pol&#xED;ticas e profissionais habilitados e qualificados para um atendimento direcionado &#xE0; garantia dos direitos dos cidad&#xE3;os. Tais possibilidades exigem o comprometimento do governo frente &#xE0;s suas responsabilidades p&#xFA;blicas e a mobiliza&#xE7;&#xE3;o, a participa&#xE7;&#xE3;o e o controle social da popula&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;, com o intuito de fazer com que os interesses e as necessidades humanas b&#xE1;sicas prevale&#xE7;am sobre os interesses e a l&#xF3;gica do capital e dos investimentos privados.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>O contexto de restri&#xE7;&#xE3;o e de regress&#xE3;o de direitos e de crescimento do conservadorismo coloca desafios profissionais no sentido de reafirma&#xE7;&#xE3;o dos princ&#xED;pios &#xE9;ticos, condizentes com proposi&#xE7;&#xF5;es e possibilidades participativas e redistributivas das pol&#xED;ticas sociais e da riqueza socialmente produzida. Ampliar a compreens&#xE3;o e a concretiza&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica social p&#xFA;blica, como uma pol&#xED;tica de todos que concretiza direitos enquanto um contraponto aos interesses individuais ou de grupos particulares, &#xE9; fundamental nesse processo.</p>
<p>Reverter as atuais &#x201C;exig&#xEA;ncias&#x201D; e sacrif&#xED;cios de direitos e de recursos p&#xFA;blicos que envolvem a ret&#xF3;rica em prol do crescimento econ&#xF4;mico do pa&#xED;s &#xE9; fundamental para a constru&#xE7;&#xE3;o de novas rela&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas. Como superar a l&#xF3;gica do favor e do personalismo em um contexto de regress&#xE3;o de direitos, que amplia as l&#xF3;gicas privadas em detrimento das p&#xFA;blicas ou que possibilita a sua interconex&#xE3;o? Tal contexto se expressa pelo clamor ao primeiro-damismo, pela amplia&#xE7;&#xE3;o das possibilidades de investimentos privados estrangeiros e de planos privados no &#xE2;mbito da previd&#xEA;ncia, entre outras estrat&#xE9;gias atuais que subvertem interesses p&#xFA;blicos em benef&#xED;cio de interesses privados.</p>
<p>A reprodu&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas como a l&#xF3;gica do favor e/ou do personalismo ainda persiste como um dos desafios a serem superados na realidade brasileira. Esse legado marca a hist&#xF3;ria e segue impregnado na pol&#xED;tica neoliberal do pa&#xED;s, em discursos e pr&#xE1;ticas agregadas &#xE0; restri&#xE7;&#xE3;o de direitos e &#xE0; desmobiliza&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o popular nos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos.</p>
<p>Este persistente legado acaba revitalizando as rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas que n&#xE3;o condizem com a cidadania em um sentido mais amplo, mas contribuem para &#x201C;sustentar&#x201D; as insustent&#xE1;veis crises nacionais e internacionais, adensando as exig&#xEA;ncias e estrat&#xE9;gias que orientam as pol&#xED;ticas neoliberais. A compreens&#xE3;o da l&#xF3;gica do favor e do personalismo a partir dessa realidade mais ampla contribui para instigar resist&#xEA;ncias em prol da garantia e da institui&#xE7;&#xE3;o de uma no&#xE7;&#xE3;o de cidadania social com direitos ampliados, universais e equ&#xE2;nimes. Um dos grandes desafios atuais, por&#xE9;m um dos grandes acalentos, &#xE9; a luta por uma maior socializa&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica e da riqueza socialmente produzida.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Art. 4&#xBA; Constituem compet&#xEA;ncias do Assistente Social:</p>
<p>
<list list-type="roman-upper">
<list-item>
<p>elaborar, implementar, executar e avaliar pol&#xED;ticas sociais junto a &#xF3;rg&#xE3;os administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica, direta ou indireta, empresas, entidades e organiza&#xE7;&#xF5;es populares;</p></list-item>
<list-item>
<p>elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam &#xE2;mbito de atua&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social com participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil;</p></list-item>
<list-item>
<p>encaminhar provid&#xEA;ncias, e prestar orienta&#xE7;&#xE3;o social a indiv&#xED;duos, grupos e popula&#xE7;&#xE3;o;</p></list-item>
<list-item>
<p>(Vetado);</p></list-item>
<list-item>
<p>orientar indiv&#xED;duos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;</p></list-item>
<list-item>
<p>planejar, organizar e administrar benef&#xED;cios e Servi&#xE7;os Sociais;</p></list-item>
<list-item>
<p>planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a an&#xE1;lise realidade social e para subsidiar a&#xE7;&#xF5;es profissionais;</p></list-item>
<list-item>
<p>prestar assessoria e consultoria a &#xF3;rg&#xE3;os da administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s mat&#xE9;rias relacionadas no inciso deste artigo;</p></list-item>
<list-item>
<p>prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em mat&#xE9;ria relacionada a pol&#xED;ticas sociais, no exerc&#xED;cio e na defesa dos direitos civis, pol&#xED;ticos e sociais da coletividade;</p></list-item>
<list-item>
<p>planejamento, organiza&#xE7;&#xE3;o e administra&#xE7;&#xE3;o de Servi&#xE7;os Sociais e de Unidade Servi&#xE7;o Social;</p></list-item>
<list-item>
<p>realizar estudos socioecon&#xF4;micos com os usu&#xE1;rios para fins de benef&#xED;cios e servi&#xE7;os sociais junto a &#xF3;rg&#xE3;os da administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica direta e indireta, empresas privadas outras entidades (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 1993a</xref>).</p></list-item></list></p></fn></fn-group>
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