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<journal-id journal-id-type="publisher-id">Textos&#x26;Contextos</journal-id>
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<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">1677-9509.2018.1.28561</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2018.1.28561</article-id>
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<subject>Pol&#xFA;tica Social e Sa&#xFA;de</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Reflex&#xF5;es Sobre a Sa&#xFA;de Enquanto Leg&#xED;tima Expectativa e Direito do Cidad&#xE3;o, Prioridades e Dever do Estado</article-title>
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<trans-title>Reflections on Health as a Legitimate Expectation and Right of The Citizen, Priorities and State Duty</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Machado</surname><given-names>Alexandre</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib>
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<name><surname>Cruz</surname><given-names>C&#xE9;sar Albenes de Mendon&#xE7;a</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref></contrib></contrib-group>
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<institution content-type="normalized">Escola Superior de Ci&#xEA;ncias da Santa Casa de Miseric&#xF3;rdia de Vit&#xF3;ria</institution>
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<email>alexandresmachado2@gmail.com</email>
<institution content-type="original">Advogado. Mestre em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Desenvolvimento Local pela Escola Superior de Ci&#xEA;ncias da Sa&#xFA;de da Santa Casa de Miseric&#xF3;rdia (EMESCAM), Vit&#xF3;ria &#x2013; ES/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/7551061827978321. E-mail: alexandresmachado2@gmail.com</institution></aff>
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<label>**</label>
<institution content-type="normalized">Escola Superior de Ci&#xEA;ncias da Santa Casa de Miseric&#xF3;rdia de Vit&#xF3;ria</institution>
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<email>cesar.cruz@emescam.br</email>
<institution content-type="original">Doutor em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Coordenador do Mestrado em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Desenvolvimento Local e Professor da Escola Superior de Ci&#xEA;ncias da Santa Casa de Miseric&#xF3;rdia de Vit&#xF3;ria (EMESCAM), Vit&#xF3;ria - ES/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/1459198997238731. E-mail: cesar.cruz@emescam.br</institution></aff>
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<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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<season>Jan-Jul</season>
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<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>RESUMO</title>
<p>Este trabalho, de natureza te&#xF3;rica, tem por objetivo discutir o que perpassa entre a expectativa do cidad&#xE3;o em ter seu direito &#xE0; sa&#xFA;de garantido, e a prioridade em que o Estado posiciona seu dever de cumprir com o que lhe &#xE9; devido; tendo como objeto de estudo o direito &#xE0; sa&#xFA;de como dever do Estado. Realizou-se uma revis&#xE3;o bibliogr&#xE1;fica em documentos e literaturas que abordam as tem&#xE1;ticas de pol&#xED;tica p&#xFA;blica de sa&#xFA;de, Estado e sociedade e direitos sociais. Verificou-se que o direito &#xE0; sa&#xFA;de &#xE9; garantido mediante pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas, conforme preconizado na Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, entretanto, uma pol&#xED;tica social e econ&#xF4;mica adequada n&#xE3;o s&#xE3;o suficientes para sanar a expectativa e real necessidade do cidad&#xE3;o em acessar a pol&#xED;tica de sa&#xFA;de no Estado brasileiro.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>ABSTRACT</title>
<p>This theoretical work aims to discuss what lies between the expectation of citizens to have their right to health guaranteed, and the priority in which the State places its duty to comply with what is due to it; having as object of study the right to health as a State duty. A literature review was carried out in documents and literatures that deal with public health, state and society, and social rights issues. It was verified that the right to health is guaranteed through social and economic policies, as recommended in the Federal Constitution, however, an adequate social and economic policy are not enough to heal the citizen&#x27;s expectation and real need to access health policy in the State Brazilian.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Sa&#xFA;de</kwd>
<kwd>Direito</kwd>
<kwd>Estado</kwd>
<kwd>Pol&#xED;tica P&#xFA;blica</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Health</kwd>
<kwd>Law</kwd>
<kwd>State</kwd>
<kwd>Public Policy</kwd></kwd-group>
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<body>
<p>Corroborando a premissa apontada por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Oliveira (2006</xref>) de que pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas s&#xE3;o diretrizes, s&#xE3;o normatiza&#xE7;&#xF5;es estruturadas de provid&#xEA;ncias, s&#xE3;o dilig&#xEA;ncias concretizadoras dos anseios e direitos coletivos, praticadas pela Administra&#xE7;&#xE3;o de forma direta ou atrav&#xE9;s de interpostos, visando sempre ao bem comum, no af&#xE3; de cumprir as determina&#xE7;&#xF5;es constitucionais, autoriza-se a conclus&#xE3;o de que no contexto p&#xFA;blico, para que leg&#xED;timas pretens&#xF5;es se realizem, diversos fatores dever&#xE3;o concorrer, dentre eles a exist&#xEA;ncia de recursos e de pol&#xED;ticas que possibilitem sua efetiva concretiza&#xE7;&#xE3;o, estabelecendo, a partir da&#xED;, as prioridades na destina&#xE7;&#xE3;o or&#xE7;ament&#xE1;ria, na sua execu&#xE7;&#xE3;o e controle, com ou sem parceria de entes p&#xFA;blicos ou privados, visando assegurar o direito de cidadania, de forma ampla ou de determinado segmento.</p>
<p>O que ocorre &#xE9; que quando as a&#xE7;&#xF5;es planejadas pelo Governo se tornam discrepantes em rela&#xE7;&#xE3;o aos anseios de seus cidad&#xE3;os, ignorando a exist&#xEA;ncia e destina&#xE7;&#xE3;o de recursos e de pol&#xED;tica adequada, deixando de priorizar a satisfa&#xE7;&#xE3;o das necessidades mais elementares, as distor&#xE7;&#xF5;es e torpezas ganham lugar e instala-se o caos, fazendo padecer o cidad&#xE3;o contribuinte.</p>
<p>Ap&#xF3;s promover transforma&#xE7;&#xF5;es de propor&#xE7;&#xF5;es elevadas atrav&#xE9;s de movimentos sociais, culminando em uma reforma de Estado e chegando ao status constitucional, a popula&#xE7;&#xE3;o chegou, de certa forma, a um est&#xE1;gio de cauteriza&#xE7;&#xE3;o no que concerne ao quadro ca&#xF3;tico da sa&#xFA;de em nosso pa&#xED;s. Por&#xE9;m, a despeito de erguida a bandeira da justi&#xE7;a social no campo da sa&#xFA;de, lament&#xE1;vel tem sido a contextualiza&#xE7;&#xE3;o de tais avan&#xE7;os, uma vez n&#xE3;o se podendo ignorar o cen&#xE1;rio noticiado maci&#xE7;amente pelos meios de comunica&#xE7;&#xE3;o, o quadro cr&#xED;tico onde o ide&#xE1;rio se confunde com ilus&#xE3;o, o que se percebe est&#xE1; bem longe do que se emoldura na letra das normas, regulamentos e portarias, bastando observar o desespero de um pai que n&#xE3;o consegue vaga para a transfer&#xEA;ncia para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de seu filho com a sa&#xFA;de debilitada<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, ou ainda, de parturientes dando &#xE0; luz nas cal&#xE7;adas das ruas<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, dentro de &#xF4;nibus ou t&#xE1;xis, tendo se tornado fato corriqueiro num pa&#xED;s de desigualdades sociais onde a exist&#xEA;ncia de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas sociais adequadas se veem ineficazes, e onde, apesar de haver pol&#xED;tica econ&#xF4;mica espec&#xED;fica, o contribuinte continua padecendo quanto ao atendimento integral, igualit&#xE1;rio, equ&#xE2;nime e universal.</p>
<p>Morrer de ataque card&#xED;aco dentro de um &#xF4;nibus em frente a um hospital de refer&#xEA;ncia<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> &#xE9; s&#xF3; mais um notici&#xE1;rio a repercutir por dois ou no m&#xE1;ximo tr&#xEA;s dias, tempo esse j&#xE1; lamentavelmente calculado para efeito de &#x201C;administra&#xE7;&#xE3;o do problema&#x201D; por parte do Poder P&#xFA;blico. Parece inconceb&#xED;vel, mas n&#xE3;o causa mais perplexidade os notici&#xE1;rios alarmantes, visto que j&#xE1; esperados, tal como aguardadas s&#xE3;o as repercuss&#xF5;es de tais fatos como se fizessem parte de uma &#x201C;cota prevista&#x201D; em estat&#xED;stica.</p>
<p>Para nossa vergonha e desventura, o direito &#xE0; vida e &#xE0; sa&#xFA;de, como elementos intr&#xED;nsecos da dignidade preceituada na Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal (CF) de 1988, &#xE9; relegado pelo Poder P&#xFA;blico a menos que um carnaval, menos que uma campanha de Copa do Mundo de Futebol, deixando &#xE0; toda evid&#xEA;ncia a invers&#xE3;o de prioridades, considerando a aplica&#xE7;&#xE3;o vultosa de recursos oriundos de impostos, taxas e contribui&#xE7;&#xF5;es sociais, que <italic>deveriam ser devolvidos &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o na forma de servi&#xE7;os</italic>, por&#xE9;m se fazem escoar na promo&#xE7;&#xE3;o de uma festa cultural tipicamente brasileira e de uma campanha de repercuss&#xE3;o internacional, que n&#xE3;o podem ser comparadas &#xE0; essencialidade da presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;o p&#xFA;blico de sa&#xFA;de.</p>
<sec>
<title>O hiato entre a expectativa e a prioridade, entre a exist&#xEA;ncia e a concretiza&#xE7;&#xE3;o de direitos</title>
<p>Para efeito de comparar as &#x201C;prioridades&#x201D; de uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica comprometida com o bem-estar comum, vale exemplificar o custo do valor m&#xE9;dio pago por assento na Copa do Mundo de Futebol<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> no ano de 2014, qual seja, R$ 12 mil reais. Devendo ressaltar tratar-se de um evento mundial com dura&#xE7;&#xE3;o de apenas 30 (trinta) dias.</p>
<p>Nesse &#x201C;passo&#x201D; ou no &#x201C;balan&#xE7;o&#x201D; do Carnaval<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, o custo para os cofres p&#xFA;blicos em 2013 foi de R$ 172,3 milh&#xF5;es de reais para as 26 capitais e o Distrito Federal, como pode-se observar na tabela a seguir.<xref ref-type="table" rid="t1"/></p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Ranking de gastos com o carnaval entre as capitais</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb1.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">Localidade</th>
<th align="center">Valor em R$</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Rio de Janeiro</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">35 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>S&#xE3;o Paulo</bold></td>
<td align="center">33,9 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Recife<sup>*</sup></bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">32 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Salvador<sup>*</sup></bold></td>
<td align="center">30 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Vit&#xF3;ria</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">10 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Porto Alegre</bold></td>
<td align="center">7 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Distrito Federal</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">6 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Belo Horizonte</bold></td>
<td align="center">3,5 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Fortaleza</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">3,5 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Manaus</bold></td>
<td align="center">3,1 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Jo&#xE3;o Pessoa</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">2,1 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Bel&#xE9;m</bold></td>
<td align="center">2 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Florian&#xF3;polis</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">1,8 milh&#xF5;es</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Curitiba</bold></td>
<td align="center">540 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Campo Grande</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">500 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Natal</bold></td>
<td align="center">500 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Teresina</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">400 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Cuiab&#xE1;</bold></td>
<td align="center">350 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Macap&#xE1;</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">100 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Rio Branco</bold></td>
<td align="center">100 mil</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Goi&#xE2;nia</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">Zero</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Boa Vista</bold></td>
<td align="center">Zero</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Macei&#xF3;</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">Zero</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Palmas</bold></td>
<td align="center">Zero</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000"><bold>Porto Velho</bold></td>
<td align="center" style="background-color: #CCCCCC; border-color: #000000">Zero</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>S&#xE3;o Lu&#xED;s</bold></td>
<td align="center">Zero</td></tr></tbody></table></alternatives></table-wrap>
<p>Em contraposi&#xE7;&#xE3;o aos superlativos &#x201C;investimentos&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> empenhados para realiza&#xE7;&#xE3;o de uma competi&#xE7;&#xE3;o internacional de 30 dias e para a festividade carnavalesca de quatro dias, tem-se a discrepante m&#xE9;dia anual brasileira de custeio <italic>per capita</italic> para a&#xE7;&#xF5;es de aperfei&#xE7;oamento do SUS, qual seja, R$ 3,89 (tr&#xEA;s reais e oitenta e nove centavos) ao dia, ou seja, U$523,00, o que est&#xE1; abaixo da m&#xE9;dia mundial, segundo a Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial da Sa&#xFA;de (OMS), conforme o site da Associa&#xE7;&#xE3;o Brasileira de Sa&#xFA;de Coletiva (ABRASCO). Tal discrep&#xE2;ncia revela a que n&#xED;vel de prioridade o Governo Brasileiro tem tratado o servi&#xE7;o &#x201C;essencial&#x201D; de sa&#xFA;de, deixando clara uma participa&#xE7;&#xE3;o aqu&#xE9;m das necessidades e possibilidades de financiamento. A exemplo disso, do grupo de pa&#xED;ses com modelos p&#xFA;blicos de atendimento de acesso universal, o Brasil era, em 2011, o que tinha a menor participa&#xE7;&#xE3;o do Estado (Uni&#xE3;o, Estados e Munic&#xED;pios) no financiamento da sa&#xFA;de, e, segundo os c&#xE1;lculos da OMS, enquanto no Brasil o gasto p&#xFA;blico em sa&#xFA;de alcan&#xE7;ava US$ 512 por pessoa, na Inglaterra, por exemplo, o investimento p&#xFA;blico em sa&#xFA;de j&#xE1; era cinco vezes maior: US$ 3.031. Em outros pa&#xED;ses de sistema universal de sa&#xFA;de, a regra &#xE9; a mesma: Fran&#xE7;a (US$ 3.813), Alemanha (US$ 3.819), Canad&#xE1; (US$ 3.982), Espanha (US$ 2.175), Austr&#xE1;lia (US$ 4.052) e a Argentina (US$ 576) aplicam mais que o Brasil.</p>
<p>Sintetizando em estat&#xED;stica a percep&#xE7;&#xE3;o do cen&#xE1;rio acima descrito, o Instituto Datafolha realizou pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associa&#xE7;&#xE3;o Paulista de Medicina, na qual foi constatado que, no Brasil, a insatisfa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o quanto &#xE0; presta&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos de sa&#xFA;de &#xE9; de 87%,<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> estando listados o acesso &#xE0; sa&#xFA;de, a espera pelo atendimento, os recursos e a pr&#xF3;pria gest&#xE3;o.</p>
<p>&#xC9; certo que a cr&#xED;tica n&#xE3;o pode ser tida como vis&#xE3;o pessimista da hist&#xF3;ria, por&#xE9;m, ignorar a cr&#xED;tica &#xE9; trilhar por caminhos de utopia, permitindo que a popula&#xE7;&#xE3;o carente de sa&#xFA;de continue nutrindo <italic>expectativas leg&#xED;timas</italic> quanto ao socorro que tanto necessita e espera obter por parte do Poder P&#xFA;blico. A n&#xE3;o aplica&#xE7;&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>, as fraudes e desvios de recursos da sa&#xFA;de<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> s&#xE3;o t&#xE3;o tortuosas e t&#xE3;o danosas quanto a aus&#xEA;ncia de prioridade no trato das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas essenciais, pois roubam, mutilam, destroem as reais expectativas dos cidad&#xE3;os, os quais, desesperan&#xE7;ados e sem ter a quem recorrer, peregrinam rumo &#xE0; morte ou rumo &#xE0;s sequelas de uma atua&#xE7;&#xE3;o inexistente, tardia ou ineficaz. Depender da sa&#xFA;de p&#xFA;blica pode representar condena&#xE7;&#xE3;o ingl&#xF3;ria e injusta, a exemplo de portadores de mol&#xE9;stias graves que at&#xE9; conseguem ser atendidos, contudo, os exames que certificam o diagn&#xF3;stico podem demorar<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> at&#xE9; quatro anos<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> pela via p&#xFA;blica, sem contar o efetivo tratamento.</p>
<p>Segundo relat&#xF3;rio de 2011 do Tribunal de Contas da Uni&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> (TCU), a Pol&#xED;tica Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Oncol&#xF3;gica revela falhas que v&#xE3;o desde a aten&#xE7;&#xE3;o prim&#xE1;ria, fundamental para o diagn&#xF3;stico precoce, ao d&#xE9;ficit de cirurgias, ou seja, para a interven&#xE7;&#xE3;o propriamente dita. Para exemplificar, dados do mesmo relat&#xF3;rio demonstram que no estado de Minas Gerais, apenas 48% da demanda diagnosticada e encaminhada a procedimentos cir&#xFA;rgicos pelo SUS foram atendidos, ou seja, 52% dos cidad&#xE3;os contribuintes necessitados de provid&#xEA;ncia cir&#xFA;rgica foram entregues &#xE0; pr&#xF3;pria sorte.</p>
<p>A Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, tamb&#xE9;m conhecida por Constitui&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3;, consagrou, em 1988, princ&#xED;pios, valores, garantias fundamentais que legitimam o cidad&#xE3;o como titular de direitos, al&#xE9;m disso, tamb&#xE9;m franqueou o acesso ao judici&#xE1;rio, possibilitando a submiss&#xE3;o de seus anseios e pretens&#xF5;es ao crivo da tutela jurisdicional.</p>
<p>Municiando esse cidad&#xE3;o est&#xE3;o diversas leis, contudo, sobrepujando a todas est&#xE1; a CFa, em patamar de supremacia, lavrando verdadeiras cl&#xE1;usulas p&#xE9;treas que preservam, garantem e promovem a dignidade, o direito &#xE0; vida e &#xE0; sa&#xFA;de. Contudo, embora teoricamente revestidos de direitos, os cidad&#xE3;os padecem por n&#xE3;o obter da Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica a contraposi&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os e da assist&#xEA;ncia que lhes s&#xE3;o devidos. Assim, embora seja &#x201C;contribuinte&#x201D; e fomentador de toda arrecada&#xE7;&#xE3;o, o cidad&#xE3;o n&#xE3;o recebe correspond&#xEA;ncia equivalente &#xE0;s suas necessidades mais essenciais &#x2013; qui&#xE7;&#xE1; vitais.</p>
<p>O direito fundamental &#xE0; sa&#xFA;de, no seu aspecto individual e coletivo, est&#xE1; previsto nos artigos 6&#xBA;<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> e 196&#xBA;<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> da CF, bem como o direito &#xE0; vida<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref> (CF. Art. 5&#xBA;) e &#xE0; dignidade da pessoa humana<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> (CF. Art.1&#xBA;, III). Contudo, h&#xE1; um hiato entre a expectativa e a prioridade, entre a exist&#xEA;ncia e a concretiza&#xE7;&#xE3;o desses direitos.</p>
<p>Assim, como resposta &#xE0; altura de uma <italic>pol&#xED;tica social adequada</italic><xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>, surge a Lei Org&#xE2;nica da Sa&#xFA;de (LOS), que trata do conjunto das Leis 8.080/90 e 8.142/90, editadas para dar cumprimento &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 e disciplinar os assuntos no &#xE2;mbito da sa&#xFA;de, sendo que, para alimentar o Sistema, o Governo Federal aprovou or&#xE7;amento em 2014 no valor de 106 bilh&#xF5;es de reais<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>; em 2015, foram previstos 109,2 bilh&#xF5;es de reais<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>; e em 2016, o or&#xE7;amento aprovado foi de 118 bilh&#xF5;es de reais<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref>.</p>
<p>Estabelecidos, portanto o direito, bem como as pol&#xED;ticas garantidoras de sua concretiza&#xE7;&#xE3;o, municiado e legitimado se torna o cidad&#xE3;o a buscar efetiva&#xE7;&#xE3;o de suas expectativas, seus anseios e necessidades junto ao Estado, o qual n&#xE3;o pode esquivar-se da obriga&#xE7;&#xE3;o que lhe &#xE9; inerente.</p>
<p>Contudo, o cidad&#xE3;o se depara com escusas escabrosas por parte da Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica, o que revela sua incompet&#xEA;ncia e m&#xE1; gest&#xE3;o, al&#xE9;m de flagrante falta ou invers&#xE3;o de prioridades, e que ainda assim, n&#xE3;o justifica a n&#xE3;o entrega ou efetiva&#xE7;&#xE3;o das expectativas leg&#xED;timas e essenciais do cidad&#xE3;o, afinal &#xE9; o contribuinte quem paga caro para que o Gestor P&#xFA;blico possa fazer bem o seu papel.</p>
<p>Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tribut&#xE1;rio<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref> (IBPT) avaliou 30 pa&#xED;ses com maior carga tribut&#xE1;ria e relacionou o recolhimento de impostos aos benef&#xED;cios recebidos pela popula&#xE7;&#xE3;o, usando o &#xCD;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH), uma medida da qualidade de vida, sendo destacado em &#xFA;ltimo lugar nesse ranking, o Brasil, ficando atr&#xE1;s dos pa&#xED;ses vizinhos, Argentina e Uruguai. Ainda segundo o IBPT, os tributos federais representam 65,95% da arrecada&#xE7;&#xE3;o, os tributos estaduais equivalem a 28,47%, e os municipais a 5,58%, sendo que, por ordem de grandeza arrecadat&#xF3;ria, o ICMS se destaca, pois representa individualmente 19,96%, seguido da contribui&#xE7;&#xE3;o ao INSS de 19,18%, do Imposto de Renda (IR) 15,62% e da COFINS 10,13%. Sobre isso referem os autores:</p> <disp-quote>
<p>A carga tribut&#xE1;ria brasileira, conceito que envolve todos os entes federativos, encontra-se hoje em torno de 37% do PIB, enquanto em 1994 representava 29%. Contudo, quando verificamos a din&#xE2;mica dessa carga tribut&#xE1;ria, cerca de 68% dela est&#xE3;o centrados na Uni&#xE3;o; 28%, nos Estados e 4% nos Munic&#xED;pios. Ap&#xF3;s as transfer&#xEA;ncias constitucionais, por meio do Fundo de Participa&#xE7;&#xE3;o dos Estados e Munic&#xED;pios e fundos setoriais, essa correla&#xE7;&#xE3;o melhora um pouco, mas ainda assim mais de 60% da carga tribut&#xE1;ria permanece como receita do Governo Federal. Esse aumento foi obtido, basicamente, com tributos cumulativos como o Cofins e a CPMF, al&#xE9;m do aumento n&#xE3;o legislado do Imposto de Renda das Pessoas F&#xED;sicas (IRPF), congelando a tabela e as dedu&#xE7;&#xF5;es do Imposto de Renda (IR) (BOSCHETI; SALVADOR, 2006, <italic>apud</italic> BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p.165).</p></disp-quote>
<p>Ao considerar o esperado e devido retorno que o cidad&#xE3;o brasileiro merece ter em termos de sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o e seguran&#xE7;a, o Brasil possui a maior carga tribut&#xE1;ria dentre os pa&#xED;ses pesquisados, j&#xE1; que ocupa o &#xFA;ltimo lugar no ranking de benef&#xED;cios oferecidos &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o provenientes de tais fontes.</p>
<p>O caos maquiado em que vivemos, assim como as demais repercuss&#xF5;es dos atos em sociedade, tem natureza pol&#xED;tica, e, nesse sentido, h&#xE1; imperiosa necessidade de provoca&#xE7;&#xE3;o, den&#xFA;ncia, investiga&#xE7;&#xE3;o e persecu&#xE7;&#xE3;o dos direitos fundamentais, afinal, n&#xE3;o h&#xE1; como admitir a subvers&#xE3;o dos valores a ponto de consentir na invers&#xE3;o de prioridades absolutas, sob mera alega&#xE7;&#xE3;o de escassez de recursos sem prova, negando sa&#xFA;de ao povo, deixando de cumprir o papel e o dever constitucional que resguarda o que h&#xE1; de mais valioso &#x2013; a vida.</p>
<p>Sob o discurso das limita&#xE7;&#xF5;es or&#xE7;ament&#xE1;rias, tem sido aplicada de forma distorcida em solo p&#xE1;trio, a Teoria da Reserva do Poss&#xED;vel &#x2013; que tem por ber&#xE7;o a Corte Alem&#xE3;<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>.</p>
<p>A Reserva do Poss&#xED;vel, em sua origem, trata da razoabilidade das pretens&#xF5;es do indiv&#xED;duo perante o Estado, sob a an&#xE1;lise do que &#xE9; poss&#xED;vel ou n&#xE3;o exigir da sociedade, ao contr&#xE1;rio do que se trata no Brasil, onde o crit&#xE9;rio de aplica&#xE7;&#xE3;o da Teoria &#xE9; a alegada escassez de recursos econ&#xF4;micos, de que n&#xE3;o h&#xE1; como atender a todos sem que haja uma escolha tr&#xE1;gica.</p>
<p>A exigibilidade de que se fa&#xE7;a cumprir o direito &#xE0; sa&#xFA;de, por parte de qualquer cidad&#xE3;o, ser&#xE1; sempre leg&#xED;tima, visto que precedida de Pol&#xED;ticas Sociais e Econ&#xF4;micas adequadas j&#xE1; existentes, que visam &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o do direito &#xE0; vida e o respeito &#xE0; dignidade da pessoa humana, ao passo que o seu n&#xE3;o atendimento representa afronta aos princ&#xED;pios e valores fundamentais consagrados pela Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988, devendo receber amparo e tutela jur&#xED;dica como presta&#xE7;&#xE3;o estatal positiva, para corre&#xE7;&#xE3;o de distor&#xE7;&#xF5;es e o aviltamento que lesa o direito &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es m&#xED;nimas de exist&#xEA;ncia humana digna, ou, em outras palavras, para ajustar as prioridades, contrapondo-se aos esc&#xE2;ndalos por corrup&#xE7;&#xE3;o e desvio de finalidade nos recursos destinados &#xE0; sa&#xFA;de.</p>
<p>&#xC9; pac&#xED;fica a compreens&#xE3;o de que sa&#xFA;de compreende o bem-estar do indiv&#xED;duo e n&#xE3;o apenas a perfei&#xE7;&#xE3;o morfol&#xF3;gica, a aus&#xEA;ncia de mol&#xE9;stias que o possam afligir, sendo, portanto, determinada pelas condi&#xE7;&#xF5;es de vida, de trabalho, moradia, encampadas pelo contexto social, cultural, pol&#xED;tico e econ&#xF4;mico de determinado pa&#xED;s (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SCLIAR, 2007</xref>), o que logicamente excede, transp&#xF5;e o car&#xE1;ter sol&#xED;cito curativo que se persegue nas pr&#xE1;ticas e nas demandas mais comuns das pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de.</p>
<p>Nesse sentido, a sa&#xFA;de se confunde com o direito &#xE0; pr&#xF3;pria vida, incorporando diversos fatores que interagem na efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais, e, embora a presente an&#xE1;lise n&#xE3;o tenha inten&#xE7;&#xE3;o reducionista, antep&#xF5;e-se &#xE0; cr&#xED;tica que assim a delimita (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CAMARGO, 2007</xref>), pois aborda a aus&#xEA;ncia de bem-estar onde se percebe presente a doen&#xE7;a, tornando exig&#xED;vel uma postura positiva e priorit&#xE1;ria do Estado, em prol da dignidade da pessoa humana, em defesa da vida, promovendo melhores condi&#xE7;&#xF5;es de subsist&#xEA;ncia com redu&#xE7;&#xE3;o de riscos e outros agravos, atrav&#xE9;s de tutela consagrada pela Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988, a qual reconhece, declara, eleva a sa&#xFA;de como direito fundamental, legitimando as reais expectativas do cidad&#xE3;o.</p>
<p>Dessa forma, as defini&#xE7;&#xF5;es de sa&#xFA;de fundamentadas puramente em conhecimento cient&#xED;fico/m&#xE9;dico/biol&#xF3;gico s&#xE3;o de todo insatisfat&#xF3;rias, posto que, atualmente, segundo a Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial de Sa&#xFA;de (OMS) e da VIII Confer&#xEA;ncia Nacional de Sa&#xFA;de (2004), sinteticamente, sa&#xFA;de equivale &#xE0; qualidade de vida, ou seja, a capacidade de resposta do homem &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es do meio em que se encontra (liberdade, ansiedade, educa&#xE7;&#xE3;o, trabalho e emprego, estresse, fome, mis&#xE9;ria, seguran&#xE7;a, incertezas, moradia, doen&#xE7;a, transporte, etc.), implicando uma concep&#xE7;&#xE3;o de bem-estar f&#xED;sico, mental e social, decorrendo da&#xED; a responsabilidade do Estado, no sentido de priorizar e promover, de garantir e de propiciar sa&#xFA;de como direito social, tal como previsto no art. 6&#xBA; da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988.</p>
<p>A preocupa&#xE7;&#xE3;o do Estado em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sa&#xFA;de e &#xE0; sociedade, no que concerne &#xE0; promo&#xE7;&#xE3;o de uma assist&#xEA;ncia integral, universal e igualit&#xE1;ria, &#xE9; relativamente recente &#x2013; cerca de 27 anos. A atua&#xE7;&#xE3;o governamental ainda &#xE9; fr&#xE1;gil e nem sempre revela a sa&#xFA;de como quest&#xE3;o de Estado deixando de prioriz&#xE1;-la, reduzindo sua atua&#xE7;&#xE3;o em medidas sanit&#xE1;rias pontuais, muitas vezes voltadas para o combate de doen&#xE7;as e agravos. O modelo m&#xE9;dico assistencial privatista foi amplamente combatido pelo movimento da Reforma Sanit&#xE1;ria, que se configurou a partir de movimentos sociais integrados pela academia: trabalhadores, sindicatos, associa&#xE7;&#xF5;es de setores populares e de profissionais da sa&#xFA;de subsidiaram os debates das Confer&#xEA;ncias Nacionais de Sa&#xFA;de, que foram determinantes na implanta&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica vigente, elevando, ao patamar constituinte, os anseios por um sistema de sa&#xFA;de brasileiro, resultando na sua consagra&#xE7;&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o no texto constitucional de 1988, seguindo-se a tais conquistas, a institui&#xE7;&#xE3;o do SUS e a promulga&#xE7;&#xE3;o das Leis 8.080/90 e 8.142/90, que surgiram posteriormente para estruturar e regulamentar n&#xE3;o apenas o Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de, mas as a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os de sa&#xFA;de executados de forma isolada ou conjunta, em car&#xE1;ter eventual ou permanente, quer por meio de pessoas f&#xED;sicas ou jur&#xED;dicas (p&#xFA;blicas ou privadas) em todo o territ&#xF3;rio nacional, advindo, posterior a tais legisla&#xE7;&#xF5;es, outras tantas correlatas.</p>
<p>Por&#xE9;m, at&#xE9; que fosse estabelecida a transforma&#xE7;&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o sanit&#xE1;ria, muito se teve que galgar em busca da amplia&#xE7;&#xE3;o do espa&#xE7;o de for&#xE7;as democr&#xE1;ticas, afinal as pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de at&#xE9; ent&#xE3;o vivenciadas remontam diversas conjunturas: Rep&#xFA;blica Velha (1890-1930); &#x201C;Era Vargas&#x201D; (1930-1964); Autoritarismo (1964-1984); Nova Rep&#xFA;blica (1985-1988), e a P&#xF3;s-constituinte (1989-2002) foram sendo constru&#xED;das, desconstru&#xED;das, formadas e transformadas por diversos atores que, inconformados com o <italic>status quo</italic>, denunciavam as omiss&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es do Estado conquanto apenas em resposta &#xE0;s demandas de sa&#xFA;de, mas nem sempre como atitude priorit&#xE1;ria, preventiva, estruturada, capaz de promover de fato o bem-estar (<xref ref-type="bibr" rid="B7">PAIM, 2003</xref>).</p>
<p>O hist&#xF3;rico precedente constitucional apontava para um cen&#xE1;rio de assist&#xEA;ncia m&#xE9;dico-hospitalar voltado apenas para quem podia pagar, al&#xE9;m do car&#xE1;ter beneficente daqueles que eram empregados assegurados pela Previd&#xEA;ncia, sujeitando os desafortunados ao opr&#xF3;bio, dependentes da caridade de institui&#xE7;&#xF5;es como as Santas Casas de Miseric&#xF3;rdia (<xref ref-type="bibr" rid="B7">PAIM, 2003</xref>).</p>
<p>Segundo o mesmo autor, a proposta pol&#xED;tica que assegura a <italic>equidade</italic> no sentido de diminui&#xE7;&#xE3;o das desigualdades, satisfazendo a justi&#xE7;a social, e a <italic>universalidade</italic> no acesso &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os da sa&#xFA;de, tamb&#xE9;m prop&#xF5;e indistinto acesso a todas as pessoas &#xE0; uma aten&#xE7;&#xE3;o <italic>integral</italic> - n&#xE3;o setorial, em todos os n&#xED;veis e complexidades do sistema, em a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os preventivos e curativos de &#xE2;mbito pessoal e coletivo, possibilitando a <italic>participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade</italic> atrav&#xE9;s de entidades representativas, em canal permanente de di&#xE1;logo e a formula&#xE7;&#xE3;o propositiva de diretrizes, prioridades, fiscaliza&#xE7;&#xE3;o, controle e avalia&#xE7;&#xE3;o constantes, enfatizando a <italic>descentraliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-administrativa</italic> e a <italic>regionaliza&#xE7;&#xE3;o e hierarquiza&#xE7;&#xE3;o</italic> da rede de servi&#xE7;os de sa&#xFA;de, ensejando na necess&#xE1;ria integra&#xE7;&#xE3;o de diversas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas intersetoriais nas tr&#xEA;s esferas de governo (Uni&#xE3;o, Estados e Munic&#xED;pios), abrangendo o campo cient&#xED;fico e tecnol&#xF3;gico, de recursos humanos, industrial, de urbaniza&#xE7;&#xE3;o, saneamento e educa&#xE7;&#xE3;o, com o fim de promover a redu&#xE7;&#xE3;o de riscos de doen&#xE7;as e de outros agravos, como j&#xE1; dito.</p>
<p>Dessa forma, a cria&#xE7;&#xE3;o do SUS responde &#xE0; perspectiva de <italic>pol&#xED;tica social</italic>, apresentando estrutura e organiza&#xE7;&#xE3;o definidas por normas legais que suprem a exig&#xEA;ncia constitucional, prevista no art. 196, e serve de paradigma para os entes governamentais. &#xC0; luz dos princ&#xED;pios e diretrizes do SUS, evidenciam-se os direitos do cidad&#xE3;o e os deveres do Estado, decorrendo da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 e da legisla&#xE7;&#xE3;o especializada que instituiu o SUS, outras tantas normas, portarias, regulamentos, instru&#xE7;&#xF5;es normativas, decretos que servem de balizamento para as a&#xE7;&#xF5;es de governo em prol da pol&#xED;tica social de sa&#xFA;de.</p>
<p>O princ&#xED;pio da universalidade no acesso e a igualdade na assist&#xEA;ncia garante ao cidad&#xE3;o a igualdade de todos &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os necess&#xE1;rios para promo&#xE7;&#xE3;o, prote&#xE7;&#xE3;o e recupera&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de, devendo o Estado garantir as a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os necess&#xE1;rios a toda popula&#xE7;&#xE3;o, sem preconceito ou privil&#xE9;gios de qualquer esp&#xE9;cie, independentemente da natureza das a&#xE7;&#xF5;es envolvidas, da complexidade e do custo de atendimento.</p>
<p>A integralidade na assist&#xEA;ncia garante ao cidad&#xE3;o acesso a um conjunto articulado de a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os resolutivos, preventivos e curativos, individuais e coletivos, de diferentes complexidades e custos, que reduzam o risco de doen&#xE7;as e agravos e proporcionem o cuidado &#xE0; sa&#xFA;de. Cabendo ao Estado a garantia de condi&#xE7;&#xF5;es de atendimento adequado ao indiv&#xED;duo e &#xE0; coletividade, de acordo com as necessidades de sa&#xFA;de, tendo em vista a integra&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es de promo&#xE7;&#xE3;o de sa&#xFA;de, a preven&#xE7;&#xE3;o de doen&#xE7;as e agravos, o diagn&#xF3;stico, o tratamento e a reabilita&#xE7;&#xE3;o e a articula&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de sa&#xFA;de com outras pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, como forma de assegurar uma atua&#xE7;&#xE3;o intersetorial entre diferentes &#xE1;reas cujas a&#xE7;&#xF5;es tenham repercuss&#xE3;o na sa&#xFA;de e na qualidade de vida das pessoas.</p>
<p>A participa&#xE7;&#xE3;o da comunidade garante ao cidad&#xE3;o a participa&#xE7;&#xE3;o na formula&#xE7;&#xE3;o, na fiscaliza&#xE7;&#xE3;o e no acompanhamento da implanta&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de nos diferentes n&#xED;veis de governo, cabendo ao Estado a garantia de espa&#xE7;os que permitam a informa&#xE7;&#xE3;o, a forma&#xE7;&#xE3;o e a participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade no processo de formula&#xE7;&#xE3;o e implanta&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;tica de sa&#xFA;de com transpar&#xEA;ncia no planejamento e na presta&#xE7;&#xE3;o de contas das a&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas desenvolvidas.</p>
<p>O princ&#xED;pio da descentraliza&#xE7;&#xE3;o visa garantir ao cidad&#xE3;o o efetivo acesso &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os que devem ser disponibilizados em seu munic&#xED;pio, pr&#xF3;ximos &#xE0; sua resid&#xEA;ncia ou ao seu local de trabalho, a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os esses condizentes com as reais necessidades de promo&#xE7;&#xE3;o, assist&#xEA;ncia, preven&#xE7;&#xE3;o, diagn&#xF3;stico, tratamento e reabilita&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de, al&#xE9;m de propiciar, tamb&#xE9;m, caso seja necess&#xE1;rio, o atendimento nas mais diversas unidades de sa&#xFA;de distribu&#xED;das por outros munic&#xED;pios e estados da Federa&#xE7;&#xE3;o, visando elevar a capacidade de resposta &#xE0;s demandas de sa&#xFA;de, e isso de forma organizada e gerida por diversos atores nos munic&#xED;pios e estados brasileiros.</p>
<p>A regionaliza&#xE7;&#xE3;o e hierarquiza&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os de sa&#xFA;de garantem ao cidad&#xE3;o o acesso a um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os, localizados em seu munic&#xED;pio e pr&#xF3;ximos &#xE0; sua resid&#xEA;ncia ou ao seu trabalho, condizentes com as necessidades de sa&#xFA;de e atendimento em unidades de sa&#xFA;de mais distantes, situadas em outros munic&#xED;pios ou estados, caso isso seja necess&#xE1;rio para o cuidado da sa&#xFA;de, cabendo ao Estado propiciar a articula&#xE7;&#xE3;o e integra&#xE7;&#xE3;o de um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os, de distintas naturezas, complexidades e custos, situados em diferentes territ&#xF3;rios pol&#xED;ticos-administrativos (<xref ref-type="bibr" rid="B5">NORONHA; LIMA; MACHADO, 2008</xref>).</p>
<p>Mas, para atender &#xE0; previs&#xE3;o Constitucional, n&#xE3;o basta haver uma pol&#xED;tica social adequada, pois, para que o Estado possa cumprir seu dever de prestar sa&#xFA;de, deve haver tamb&#xE9;m uma <italic>pol&#xED;tica econ&#xF4;mica adequada</italic>, que compreenda a elabora&#xE7;&#xE3;o e a execu&#xE7;&#xE3;o de or&#xE7;amentos p&#xFA;blicos capazes de responder com efici&#xEA;ncia e efic&#xE1;cia o necess&#xE1;rio financiamento das a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os de sa&#xFA;de em todo o territ&#xF3;rio nacional, enfrentando as complexidades de um pa&#xED;s heterog&#xEA;neo e de vasta dimens&#xE3;o continental, encarando as dificuldades e desafios para o avan&#xE7;o do sistema de sa&#xFA;de, esbarrando nas desigualdades inter-regionais, interestaduais e intermunicipais, no que diz respeito &#xE0; capacidade financeira, de gest&#xE3;o e opera&#xE7;&#xE3;o, al&#xE9;m das distintas disposi&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas dos governantes.</p>
<p>Visando equacionar o financiamento das a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os p&#xFA;blicos de sa&#xFA;de em todo o territ&#xF3;rio nacional, o Legislador buscou uma forma de prover o aporte de recursos financeiros capaz de subsidiar os insumos necess&#xE1;rios para a sa&#xFA;de, visando &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o, instala&#xE7;&#xE3;o, abertura, implementa&#xE7;&#xE3;o, treinamento, capacita&#xE7;&#xE3;o e amplia&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os, combatendo, tratando, controlando e avan&#xE7;ando na assist&#xEA;ncia &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o, propiciando, tamb&#xE9;m, o desenvolvimento cient&#xED;fico e tecnol&#xF3;gico, e, para tanto, definiu a responsabilidade de cada ente da federa&#xE7;&#xE3;o, dispondo sobre os valores m&#xED;nimos a serem aplicados anualmente pela Uni&#xE3;o, pelos Estados, Munic&#xED;pios e Distrito Federal em a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os p&#xFA;blicos de sa&#xFA;de atrav&#xE9;s das Emendas Constitucionais n&#xBA; 29 (EC 29), de 13 de setembro de 2000, e, posteriormente, a de n&#xBA; 86 (EC 86), de 17 de mar&#xE7;o de 2015, e a Lei Complementar n&#xBA;141/2012 que regulamenta o par&#xE1;grafo 3&#xBA;, do artigo 198, da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988. A emenda constitucional n&#xBA; 95, de 15 de dezembro de 2016, &#xE9; a que vigora e disp&#xF5;e sobre o Novo Regime Fiscal institu&#xED;do no &#xE2;mbito do Or&#xE7;amento Fiscal e da Seguridade Social da Uni&#xE3;o, ficando estabelecidos, para cada exerc&#xED;cio, limites individualizados para as despesas prim&#xE1;rias.</p>
<p>Em meio a esse ensejo de atrelamento entre as pol&#xED;ticas social e econ&#xF4;mica, observa-se que os requisitos constitucionais estampados no artigo 196 da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 refor&#xE7;am a quest&#xE3;o constitucional da sa&#xFA;de enquanto direito de todos e dever do Estado, desde que garantido mediante pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas que visem &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o do risco de doen&#xE7;a e de outros agravos e ao acesso universal e igualit&#xE1;rio &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os para sua promo&#xE7;&#xE3;o, prote&#xE7;&#xE3;o e recupera&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B7">PAIM, 2003</xref>), de forma que, n&#xE3;o h&#xE1; espa&#xE7;o ou sentido que justifique a escusa estatal em priorizar e cumprir seu dever.</p>
<p>Ainda conforme Paim, e concordando com seu entendimento, o sistema brasileiro n&#xE3;o deve ser um mero meio de financiamento e de repasse de recursos federais para estados, munic&#xED;pios e distrito federal, hospitais, profissionais e servi&#xE7;os de sa&#xFA;de, nem um sistema de servi&#xE7;os de sa&#xFA;de destinado aos pobres e indigentes. Mesmo porque o SUS ainda &#xE9; um sistema em constru&#xE7;&#xE3;o e, consequentemente, n&#xE3;o basta a exist&#xEA;ncia de leis e normas, na medida em que a &#x201C;engenharia pol&#xED;tica&#x201D; torna-se necess&#xE1;ria para tal constru&#xE7;&#xE3;o o que implica a mobiliza&#xE7;&#xE3;o de vontades, participa&#xE7;&#xE3;o social, capacidade de formula&#xE7;&#xE3;o e de pactua&#xE7;&#xE3;o para assegurar viabilidade e a implementa&#xE7;&#xE3;o de suas a&#xE7;&#xF5;es (<xref ref-type="bibr" rid="B7">PAIM, 2003</xref>).</p>
<p>No Brasil, s&#xF3; haver&#xE1; uma pol&#xED;tica de sa&#xFA;de s&#xE9;ria e comprometida quando todos cidad&#xE3;os tiverem assegurado o seu direito &#xE0; vida, &#xE0; sa&#xFA;de, respaldado por garantia constitucional e alinhado por pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas que lhes garantem a exigibilidade em rela&#xE7;&#xE3;o ao Estado, no tocante &#xE0; efetividade das a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os de sa&#xFA;de, que visam propiciar uma qualidade de vida que corresponda a uma subsist&#xEA;ncia digna, dita assim, que propicie o m&#xED;nimo existencial, o qual, segundo John Rawls:</p> <disp-quote>
<p>Obs&#xE9;rvese que existe, adem&#xE1;s, otra importante distinci&#xF3;n entre los principios de justicia que especifican los derechos y las libertades b&#xE1;sicas em pie de igualdad y los principios que regulan los asuntos b&#xE1;sicos de la de oportunidades, las desigualdades sociales y econ&#xF3;micas y bases sociales del respeto a s&#xED; mismo. Un principio que especifique los derechos y libertades b&#xE1;sicas abarca la Segunda clase de los elementos constitucionales esenciales. Pero, aunque alg&#xFA;n principio de igualdad de oportunidades forma parte seguramente de tales elementos esenciales, por ejemplo, un principio que exija por lo menos la libertad de desplazamiento, la elecci&#xF3;n libre de la ocupaci&#xF3;n y la igualdad de oportunidades (como la he especificado) va m&#xE1;s all&#xE1; de eso, y no ser&#xE1; un elemento constitucional. De manera semejante, si bien un m&#xED;nimo social que provea para las necesidades b&#xE1;sicas de todos los ciudadanos es tambi&#xE9;n un elemento esencial, lo que he llamado &#xE9;l? &#xBF;Principio de diferencia? &#xBF;Exige m&#xE1;s, y no es un elemento constitucional esencial? (RAWLS <italic>apud</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B9">PORTELLA, 2009</xref>, p. 24).</p></disp-quote>
<p>O amparo ao cidad&#xE3;o e &#xE0; garantia de seus direitos &#xE9; uma quest&#xE3;o de dignidade. A Declara&#xE7;&#xE3;o Universal dos Direitos Humanos (DUDH) adotada e proclamada pela resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xFA;mero 217 A (III) da Assembleia Geral das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas, em 10 de dezembro de 1948, no seu artigo 1, alude que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e s&#xE3;o dotados de raz&#xE3;o e consci&#xEA;ncia e devem agir em rela&#xE7;&#xE3;o uns aos outros com esp&#xED;rito de fraternidade.</p>
<p>Nessa mesma linha, o artigo 1&#xBA; da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 estabelece que a Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil &#xE9; formada pela uni&#xE3;o indissol&#xFA;vel dos Estados e Munic&#xED;pios e do Distrito Federal, constituindo-se em Estado Democr&#xE1;tico de Direito e tendo dentre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana. A dignidade n&#xE3;o &#xE9; algo que se possa atribuir ou conceder, ela &#xE9; inerente &#xE0; pessoa, ao ser humano, devendo ser reconhecida, prestigiada, promovida e respeitada pelos semelhantes e pelas representa&#xE7;&#xF5;es de poder constitu&#xED;dos.</p>
<p>Outra defini&#xE7;&#xE3;o na esfera jur&#xED;dica que merece destaque &#xE9; a de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Sarlet (2002</xref>). Para esse autor, dignidade &#xE9;:</p> <disp-quote>
<p>Qualidade intr&#xED;nseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e considera&#xE7;&#xE3;o por parte do Estado e da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe garantir as condi&#xE7;&#xF5;es existenciais m&#xED;nimas para uma vida saud&#xE1;vel, al&#xE9;m de propiciar e promover sua participa&#xE7;&#xE3;o ativa e correspons&#xE1;vel nos destinos da pr&#xF3;pria exist&#xEA;ncia e da vida em comunh&#xE3;o com os demais seres humanos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">SARLET, 2002</xref>, p. 62).</p></disp-quote>
<p>&#xC9;, portanto, a dignidade da pessoa humana o princ&#xED;pio fundante do constitucionalismo contempor&#xE2;neo. &#xC9; a veda&#xE7;&#xE3;o da coisifica&#xE7;&#xE3;o do humano, pela compreens&#xE3;o de que toda pessoa humana &#xE9; digna e, por essa condi&#xE7;&#xE3;o singular, v&#xE1;rios direitos fundamentais s&#xE3;o conquistados e declarados com o objetivo de proteger a pessoa humana de abomin&#xE1;veis formas de domina&#xE7;&#xE3;o e instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o de sua &#xED;nsita condi&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B11">SARLET, 2008</xref>).</p>
<p>Nesse contexto, a despeito da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 elevar a dignidade da pessoa humana ao patamar de princ&#xED;pio fundamental, o cumprimento da destina&#xE7;&#xE3;o apregoada no enunciado preambular da Carta Pol&#xED;tica que instituiu o Estado Democr&#xE1;tico, passa longe da realidade vivenciada no contexto da sa&#xFA;de p&#xFA;blica, pois h&#xE1; den&#xFA;ncias de abuso, de descaso, de desrespeito aos direitos e garantias fundamentais erigidos, revelando n&#xE3;o apenas inefici&#xEA;ncia objetiva, mas desvio de finalidade e aus&#xEA;ncia de prioridade, privilegiando a sa&#xFA;de da economia em detrimento &#xE0; sa&#xFA;de da popula&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Ao olhar &#x2013; <italic>mesmo que desatento</italic> &#x2013; para os notici&#xE1;rios de &#xE2;mbito municipal, estadual, distrital ou federal nota-se a amarga e dolorosa via perseguida por cidad&#xE3;os contribuintes &#xE0;s portas dos hospitais, unidades de pronto atendimento, etc., deparando-se com a obstru&#xE7;&#xE3;o do acesso universal, integral e equ&#xE2;nime, sendo-lhes negada uma simples consulta ou avalia&#xE7;&#xE3;o m&#xE9;dica, uma vaga para interna&#xE7;&#xE3;o hospitalar, ou a realiza&#xE7;&#xE3;o de exames e procedimentos preventivos, diagn&#xF3;sticos, terap&#xEA;uticos e de reabilita&#xE7;&#xE3;o, privando-lhes o fornecimento de medica&#xE7;&#xE3;o, e, com isso, praticando iniquidades absurdas quanto ao cumprimento do dever de prestar servi&#xE7;os de sa&#xFA;de compat&#xED;veis e adequados aos que possuem expectativas leg&#xED;timas, que necessitam e que pagam por tais direitos atrav&#xE9;s dos impostos.</p>
<p>Diz-se absurda, em raz&#xE3;o do que prop&#xF5;em as pr&#xF3;prias diretrizes do SUS e do respaldo social e econ&#xF4;mico previstos na Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988, pois, como j&#xE1; visto, est&#xE1; configurada a satisfa&#xE7;&#xE3;o do plano de exig&#xEA;ncia constitucional, vez que presentes os requisitos do seu artigo 196, que estabelece ser a sa&#xFA;de direito de todos e dever do Estado, devendo assim garantir pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas que visem &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o do risco de doen&#xE7;a e de outros agravos e ao acesso universal e igualit&#xE1;rio &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os para sua promo&#xE7;&#xE3;o, prote&#xE7;&#xE3;o e recupera&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se podendo, portanto, obstar ou limitar as reais e leg&#xED;timas expectativas do cidad&#xE3;o, posto que lhe amparam o m&#xED;nimo existencial, escusando-se o Estado sob o argumento da aus&#xEA;ncia de recursos.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Conclus&#xE3;o</title>
<p>O crivo da limita&#xE7;&#xE3;o de recursos e da interven&#xE7;&#xE3;o abusiva do poder judici&#xE1;rio sofre por diverg&#xEA;ncias doutrin&#xE1;rias, tal como aduz o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Vieira (2008</xref>):</p> <disp-quote>
<p>Nesse ponto, cabe lembrar que, como est&#xE1; expresso no art. 196 da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, o direito &#xE0; sa&#xFA;de ser&#xE1; garantido mediante pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas. Ou seja, a pr&#xF3;pria Constitui&#xE7;&#xE3;o reconhece que para garantir a sa&#xFA;de &#xE9; preciso muito mais que acesso a servi&#xE7;os. (&#x2026;) considere a seguinte situa&#xE7;&#xE3;o hipot&#xE9;tica, cujo c&#xE1;lculo &#xE9; muito simples. A preval&#xEA;ncia de hepatite viral cr&#xF4;nica C no Brasil &#xE9; estimada em 1% da popula&#xE7;&#xE3;o geral. A popula&#xE7;&#xE3;o brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#xED;stica (IBGE), era de 186.770.562 de pessoas em julho de 2006. Portanto, cerca de 1.867.706 delas possuem o v&#xED;rus da hepatite C por esta aproxima&#xE7;&#xE3;o. Supondo-se que o SUS trate 25% (466.927) dessas pessoas com o medicamento interferon peguilhado e, como o tratamento deve ser feito com a aplica&#xE7;&#xE3;o de 180 mcg, uma vez por semana durante 48 semanas e, o pre&#xE7;o da seringa preenchida de 180 mcg &#xE9; de R$ 1.107,49, o custo estimado &#xE9; de 24,8 bilh&#xF5;es de reais. Se esta situa&#xE7;&#xE3;o tivesse acontecido, este valor corresponderia a 64% do gasto total executado pelo Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de em 2006 (38,8 bilh&#xF5;es de reais). Ou seja, dois ter&#xE7;os do or&#xE7;amento federal da sa&#xFA;de seriam gastos para a oferta de um &#xFA;nico produto farmac&#xEA;utico com cobertura de 0,25% da popula&#xE7;&#xE3;o. (&#x2026;) pode-se argumentar que os recursos da sa&#xFA;de n&#xE3;o s&#xE3;o suficientes e que &#xE9; preciso aumentar o aporte financeiro para o setor. Sobre isso n&#xE3;o h&#xE1; d&#xFA;vidas. Entretanto, h&#xE1; sempre um limite. Em 2006 o produto interno bruto (PIB) aumentou, segundo o IBGE, em 3,7%; por&#xE9;m, as despesas com medicamentos do Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de elevaram-se em 26% e as com sa&#xFA;de em 7,5%. Aumentar os recursos para a sa&#xFA;de pode significar ter que gastar menos em outras &#xE1;reas, como educa&#xE7;&#xE3;o, habita&#xE7;&#xE3;o, pol&#xED;ticas de gera&#xE7;&#xE3;o de emprego, de redistribui&#xE7;&#xE3;o da renda, entre outras. (&#x2026;) nesse caso, torna-se evidente que os direitos sociais, e dentre eles o direito &#xE0; sa&#xFA;de, existem do ponto de vista da efic&#xE1;cia social, condicionados &#xE0; reserva do poss&#xED;vel (<xref ref-type="bibr" rid="B15">VIEIRA, 2008</xref>, p. 87).</p></disp-quote>
<p>Ora, dignidade tem limites? A sa&#xFA;de e a vida podem ser limitadas pelo or&#xE7;amento p&#xFA;blico? &#xC9; &#xF3;bvio que n&#xE3;o! N&#xE3;o se pode conceber que, pelo fato de a medida afetar o indiv&#xED;duo, ou apenas uma parte do coletivo, n&#xE3;o se torna merecedora de assist&#xEA;ncia. Afinal, &#x201C;a dimens&#xE3;o individual e coletiva (assim como difusa) coexistem, de tal sorte que a titularidade individual n&#xE3;o resta afastada pelo fato de o exerc&#xED;cio do direito ocorrer na esfera coletiva&#x201D; (LEDUR <italic>apud</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B12">SARLET, 2007</xref>, p. 222).</p>
<p>Dessa forma, a conclus&#xE3;o defendida pela pesquisadora &#xE9; equivocada, e com outro exemplo, o das drogas que comp&#xF5;em o coquetel antirretroviral, refuta-se a tese, pois, em face de uma demanda de tamanha relev&#xE2;ncia e custo, houve interesse pol&#xED;tico em priorizar e prover sa&#xED;da mediante resolu&#xE7;&#xE3;o, utilizando pol&#xED;tica social e econ&#xF4;mica, al&#xE9;m de respaldo jur&#xED;dico para interpretar e considerar que a Lei de Propriedade Industrial Brasileira (Lei n&#xB0; 9.279, de 14 de maio de 1996) atribui o direito de produzir medicamentos localmente em casos de utilidade p&#xFA;blica (relev&#xE2;ncia) ou quando o laborat&#xF3;rio detentor das patentes n&#xE3;o produz o rem&#xE9;dio no pa&#xED;s, conforme est&#xE1; disposto no art. 71, que institui que, nos casos de emerg&#xEA;ncia nacional ou interesse p&#xFA;blico, declarados em ato do Poder Executivo Federal, desde que o titular da patente ou seu licenciado n&#xE3;o atenda a essa necessidade, poder&#xE1; ser concedida, de of&#xED;cio, licen&#xE7;a compuls&#xF3;ria, tempor&#xE1;ria e n&#xE3;o exclusiva, para explora&#xE7;&#xE3;o da patente, sem preju&#xED;zo dos direitos do respectivo titular (<xref ref-type="bibr" rid="B4">FURTADO, 1996</xref>).</p>
<p>Ora, quando o Estado Democr&#xE1;tico, <italic>destinado a assegurar o exerc&#xED;cio dos direitos sociais e individuais</italic> (pre&#xE2;mbulo da <xref ref-type="bibr" rid="B2">Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988</xref>), realmente prioriza e se importa em defender a dignidade da pessoa humana como direito e garantia fundamental, ele n&#xE3;o faz a conta como aqueles que defendem a teoria da reserva do poss&#xED;vel, at&#xE9; porque, razo&#xE1;vel n&#xE3;o &#xE9; que em raz&#xE3;o do &#x2018;custo&#x2019;, seja condenada &#xE0; morte 0,25% da popula&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Sobre o trato das car&#xEA;ncias fundamentais e da prioridade que se devota a tais car&#xEA;ncias, &#xE9; a contribui&#xE7;&#xE3;o de Robert Alexy, na tradu&#xE7;&#xE3;o de Luis Afonso Heck:</p> <disp-quote>
<p>A segunda condi&#xE7;&#xE3;o &#xE9; que o interesse ou a car&#xEA;ncia seja t&#xE3;o fundamental que a necessidade de seu respeito, sua prote&#xE7;&#xE3;o ou seu fomento se deixe fundamentar pelo direito. A fundamentabilidade fundamenta, assim, a prioridade sobre todos os escal&#xF5;es do sistema jur&#xED;dico, portanto tamb&#xE9;m perante o legislador. Um interesse ou uma car&#xEA;ncia &#xE9;, nesse sentido, fundamental quando sua viola&#xE7;&#xE3;o ou n&#xE3;o-satisfa&#xE7;&#xE3;o significa ou a morte ou sofrimento grave ou toca o n&#xFA;cleo essencial da autonomia. Daqui s&#xE3;o compreendidos n&#xE3;o s&#xF3; os direitos de defesa liberais cl&#xE1;ssicos, sen&#xE3;o, por exemplo, tamb&#xE9;m direitos sociais que visam ao asseguramento de um m&#xED;nimo existencial (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALEXY, 1999</xref>, p. 203).</p></disp-quote>
<p>Dessa feita, parafraseando a infer&#xEA;ncia de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Paim (2008</xref>): &#x201C;A aten&#xE7;&#xE3;o digna, &#xE9;tica e com qualidade, muitas vezes referida como humaniza&#xE7;&#xE3;o do cuidado, constitui um dos maiores valores e desafios para o sistema de sa&#xFA;de brasileiro e o SUS, em particular nos pr&#xF3;ximos anos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B8">PAIM, 2008</xref>, p.600).</p>
</sec></body>
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<label>1</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/12/adolescente-morre-apos-esperar-16-horas-por-vaga-de-uti-em-barueri.html">http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/12/adolescente-morre-apos-esperar-16-horas-por-vaga-de-uti-em- barueri.html</ext-link></p></fn>
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<label>2</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://extra.globo.com/noticias/brasil/jovem-da-luz-na-calcada-na-porta-da-maternidade-de-santo-amaro-na- bahia-12232415.html">http://extra.globo.com/noticias/brasil/jovem-da-luz-na-calcada-na-porta-da-maternidade-de-santo-amaro-na- bahia-12232415.html</ext-link></p></fn>
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<label>3</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://oglobo.globo.com/rio/com-dores-no-peito-homem-morre-em-frente-hospital-em-greve-em-laranjeiras-12690105.html">http://oglobo.globo.com/rio/com-dores-no-peito-homem-morre-em-frente-hospital-em-greve-em-laranjeiras-12690105.html</ext-link></p></fn>
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<label>4</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol">http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol</ext-link>, estadios-do-brasil-tem-assentos-mais-caros-das-ultimas-copas-do-mundo,1142704</p></fn>
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<label>5</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/02/08/prefeituras-de-capitais-vao-gastar-r-172- milhoes-com-o-carnaval-o-equivalente-a-3000-casas-populares.htm">http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/02/08/prefeituras-de-capitais-vao-gastar-r-172- milhoes-com-o-carnaval-o-equivalente-a-3000-casas-populares.htm</ext-link></p></fn>
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<label>6</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.abrasco.org.br/site/2016/03/governo-gasta-r-389-ao-dia-na-saude-de-cada-brasileiro">http://www.abrasco.org.br/site/2016/03/governo-gasta-r-389-ao-dia-na-saude-de-cada-brasileiro</ext-link> e <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.perfilnews.com.br/noticias/brasil-mundo/governo-gasta-em-media-r-3-05-por-dia-na-saude-de-cada-brasileiro">http://www.perfilnews.com.br/noticias/brasil-mundo/governo-gasta-em-media-r-3-05-por-dia-na-saude-de-cada-brasileiro</ext-link></p></fn>
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<label>8</label>
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<label>10</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/sus-falha-no-tratamento-de-cancer-ai2 tzszscp7sxhamwfgyl8q4u">http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/sus-falha-no-tratamento-de-cancer-ai2 tzszscp7sxhamwfgyl8q4u</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/02/13/exame-pelo-sus-demora-quatro-anos- para-ser-marcado-na-bahia.htm">http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/02/13/exame-pelo-sus-demora-quatro-anos- para-ser-marcado-na-bahia.htm</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://abp.org.br/2011/medicos/clippingsis/exibClipping/?clipping=16179">http://abp.org.br/2011/medicos/clippingsis/exibClipping/?clipping=16179</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label>
<p>Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal. Art. 6&#xBA;: &#x201C;S&#xE3;o direitos sociais a educa&#xE7;&#xE3;o, A SA&#xDA;DE, a alimenta&#xE7;&#xE3;o, o trabalho, a moradia, o lazer, a seguran&#xE7;a, a previd&#xEA;ncia social, a prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; maternidade e &#xE0; inf&#xE2;ncia, a assist&#xEA;ncia aos desamparados, na forma desta Constitui&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. (Reda&#xE7;&#xE3;o dada pela Emenda Constitucional n&#xBA; 64, de 2010 &#x2013; grifo nosso).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn14">
<label>14</label>
<p>Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal. Art. 196: &#x201C;A SA&#xDA;DE &#xE9; direito de todos e dever do Estado, garantido mediante pol&#xED;ticas sociais e econ&#xF4;micas que visem &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o do risco de doen&#xE7;a e de outros agravos e ao acesso universal e igualit&#xE1;rio &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es e servi&#xE7;os para sua promo&#xE7;&#xE3;o, prote&#xE7;&#xE3;o e recupera&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. (Grifo nosso)</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn15">
<label>15</label>
<p>Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal. Art. 5&#xBA;: &#x201C;Todos s&#xE3;o iguais perante a lei, sem distin&#xE7;&#xE3;o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa&#xED;s a inviolabilidade do direito &#xE0; vida, &#xE0; liberdade, &#xE0; igualdade, &#xE0; seguran&#xE7;a e &#xE0; propriedade, nos termos seguintes&#x2026;&#x201D;. (Grifo nosso)</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn16">
<label>16</label>
<p>Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal. Art. 1&#xBA;: A Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil, formada pela uni&#xE3;o indissol&#xFA;vel dos Estados e Munic&#xED;pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democr&#xE1;tico de Direito e tem como fundamentos: (&#x2026;) III - a dignidade da pessoa humana. (Grifo nosso)</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn17">
<label>17</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://conselho.saude.gov.br/14cns/doc_orientador.html">http://conselho.saude.gov.br/14cns/doc_orientador.html</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn18">
<label>18</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.brasil.gov.br/saude/2014/01/saude-tera-orcamento-de-r-106-bilhoes-em-2014">http://www.brasil.gov.br/saude/2014/01/saude-tera-orcamento-de-r-106-bilhoes-em-2014</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn19">
<label>19</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.brasil.gov.br/governo/2015/03/orcamento-de-2015-e-aprovado-pelo-congresso">http://www.brasil.gov.br/governo/2015/03/orcamento-de-2015-e-aprovado-pelo-congresso</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn20">
<label>20</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/24345-ministro-trabalha-para-recompor-o-orcamento-da-saude">http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/24345-ministro-trabalha-para-recompor-o-orcamento-da-saude</ext-link></p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn21">
<label>21</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ibpt.com.br/noticia/2260/De-30-paises-Brasil-e-o-que-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao">http://www.ibpt.com.br/noticia/2260/De-30-paises-Brasil-e-o-que-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao</ext-link></p></fn>
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<label>22</label>
<p>SARLET, Ingo Wolfgang; FIGUEIREDO, Mariana Filchtiner. Reserva do poss&#xED;vel, m&#xED;nimo existencial e direito &#xE0; sa&#xFA;de: algumas aproxima&#xE7;&#xF5;es. In: SARLET, Ingo Wolfgang; TIMM, Luciano Benetti (Orgs.). <bold>Direitos fundamentais</bold>: or&#xE7;amento e &#x201C;reserva do poss&#xED;vel&#x201D;. 2. ed., rev. e ampl. 2. tir. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 29.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<name><surname>ALEXY</surname><given-names>Robert</given-names></name></person-group>
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<source><bold>Sistema de propriedade industrial no direito brasileiro</bold>: coment&#xE1;rios &#xE0; nova legisla&#xE7;&#xE3;o sobre marcas e patentes, lei n 9.279, de 14 de maio de 1996</source>
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<mixed-citation>FURTADO, Lucas Rocha. <bold>Sistema de propriedade industrial no direito brasileiro</bold>: coment&#xE1;rios &#xE0; nova legisla&#xE7;&#xE3;o sobre marcas e patentes, lei n 9.279, de 14 de maio de 1996. Bras&#xED;lia: Jur&#xED;dica, 1996.</mixed-citation></ref>
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<chapter-title>Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de: SUS</chapter-title>
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<chapter-title>Pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de no Brasil</chapter-title>
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<article-title>Algumas considera&#xE7;&#xF5;es em torno do conte&#xFA;do, efic&#xE1;cia e efetividade do direito &#xE0; sa&#xFA;de na Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988</article-title>
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