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Le Spleen de Paris: 150 anos
Andrea Schellino; Aurélia Cervoni; Eduardo Veras;
Andrea Schellino; Aurélia Cervoni; Eduardo Veras; Gilles Abes
Le Spleen de Paris: 150 anos
Paris Spleen: 150 years
Alea: Estudos Neolatinos, vol. 21, núm. 2, pp. 15-18, 2019
Programa de Pos-Graduação em Letras Neolatinas, Faculdade de Letras -UFRJ
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Dossiê

Le Spleen de Paris: 150 anos

Paris Spleen: 150 years

Andrea Schellino
Institut Catholique de Paris, France
Institut des Textes et Manuscrits Modernes, France
Sorbonne Université, France
Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Aurélia Cervoni
Institut Catholique de Paris, France
Institut des Textes et Manuscrits Modernes, France
Sorbonne Université, France
Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Eduardo Veras
Institut Catholique de Paris, France
Institut des Textes et Manuscrits Modernes, France
Sorbonne Université, France
Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Gilles Abes
Institut Catholique de Paris, France
Institut des Textes et Manuscrits Modernes, France
Sorbonne Université, France
Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Brasil
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Alea: Estudos Neolatinos, vol. 21, núm. 2, pp. 15-18, 2019
Programa de Pos-Graduação em Letras Neolatinas, Faculdade de Letras -UFRJ

Recepção: 15 Março 2019

Aprovação: 01 Abril 2019

Os poemas em prosa de Baudelaire, reunidos postumamente em junho de 1869, publicados com o título Petits poèmes en prose (Le Spleen de Paris), no quarto volume das Obras completas (1869) do poeta, organizadas por Théodore de Banville e Charles Asselineau, teriam marcado um “começo absoluto”, segundo a apreciação de Georges Blin. São inovadores na intenção do poeta de aplicar “à descrição da vida moderna, ou sobretudo de uma vida moderna e mais abstrata” o procedimento aplicado anteriormente por Aloysius Bertrand à “pintura da vida antiga”, em seu Gaspard de la Nuit (1842). A esse interesse inédito pelo transitório, que caracteriza a modernidade, associa-se ainda a descoberta de uma nova forma: “uma prosa poética, musical sem ritmo e sem rima”, conforme se lê na carta endereçada ao editor Arsène Houssaye, que encabeça a primeira série de poemas em prosa publicada no jornal La Presse em 26 de agosto de 1862. Por um lado, é possível reconhecer também, nos poemas em prosa, linhas de continuidade em relação à tradição romântica, a manutenção de um eu biográfico, sempre em tensão com o plano da ficção. Por outro lado, Le Spleen de Paris coloca em xeque a própria noção de poesia lírica, o que nos permite enxergá-lo como ponto de partida de uma tradição antilírica ou antipoética que se consolidaria anos mais tarde. Concebidas para a publicação em jornais, muitos dos quais de grande circulação e voltados para um público tradicionalmente avesso à poesia, as “bagatelas laboriosas” de Baudelaire, para retomar uma expressão usada por ele em uma carta a Sainte-Beuve datada de 4 de maio de 1865, destacam-se também pela ambivalência em relação às “coisas modernas”, constituindo mais um desafio para a recepção leiga e especializada. Não por acaso, esta última demorou tanto tempo para se afirmar. Até o final da década 1950, os trabalhos críticos dedicados aos poemas em prosa de Baudelaire eram significativamente menos numerosos que aqueles consagrados aos poemas em verso, conforme a apreciação de Claude Pichois (1958). Nas últimas décadas, contudo, o livro e sua complicada história editorial têm despertado o interesse de diversos críticos, como Edward Kaplan (2015), Steve Murphy (2000), Patrick Labarthe (2000) e Antoine Compagnon (2014), para citar apenas algumas referências.

Este dossiê comemorativo dos 150 anos de publicação de Le Spleen de Paris que ora entregamos ao público apresenta-se como um testemunho da diversidade de questões colocadas pelos poemas em prosa e, em especial, como uma amostra privilegiada do vasto leque de abordagens críticas que a obra tem sido capaz de suscitar. O conjunto se abre com uma contribuição de Jean-Luc Steinmetz sobre a relação de Baudelaire com a tradição selenita. O crítico procura mostrar, sempre em diálogo com outros poetas lunares, de que maneira a imagem da lua se configura na obra do poeta de Le Spleen de Paris como um signo maldito, de melancolia e soturnidade. Em seguida, Marcos Siscar propõe um debate com dois importantes leitores de Baudelaire: Jean Starobinski e Walter Benjamin. Analisando a figura do bufão nos pequenos poemas em prosa e questionando a associação direta dessa figura com elementos biográficos (Starobinski) e históricos (Benjamin), o crítico propõe uma outra maneira de ler a presença do personagem na prosa baudelairiana e sua relação com o tópico do declínio do gênero poético. Henri Scepi analisa as contribuições de Baudelaire para o pensamento sobre a arte moderna, destacando dentre elas a proposição de uma “teoria do presente”, em suas implicações sobre as relações do poeta com o tempo, a história, a tradição e a memória. Andrea Schellino propõe uma análise da concepção de história de Baudelaire, em diálogo com a crítica do poeta à doutrina do progresso e com sua afirmação da universalidade do pecado original. Partindo de uma breve revisão da fortuna crítica do Spleen de Paris, Inês Oseki-Dépré revisita um dos temas centrais daquele conjunto, a metrópole moderna. Seu trabalho aborda ainda as relações dos poemas em prosa com os poemas em verso, inscrevendo-se na linguagem de Barbara Johnson, para quem a prosa baudelairiana se configura como um exercício de descontrução da poesia em verso. Eduardo Veras e Gilles Abes assinam juntos um artigo sobre as referências aos poemas em prosa nas cartas de Baudelaire. O trabalho procura evidenciar a importância da correspondência do poeta para a compreensão de sua poética, especialmente no que concerne ao projeto de composição de um livro que reuniria aquela produção. Aurélia Cervoni, destrinchando uma frase pinçada em “Anywhere out of the world”, revisita a questão da primazia do artifício e do universo mineral, em detrimento do vegetal, na poética de Baudelaire, dialogando em especial com a tradição romântica. Dois outros poemas que ocupam lugar central no conjunto em prosa merecem atenção detalhada no dossiê: “Le Gâteau” é relido por Jeanne Dorn, que procura relativizar a leitura corrente que vê no poema uma crítica de Baudelaire a Rousseau e sua teoria do bom selvagem. A pesquisadora mostra, ao contrário, que o poema segue em diversos aspectos os rastros do autor do Discours sur l’origine de l’inégalité parmi les hommes. Já Rita Loiola focaliza as ambivalências da relação entre o poeta e o público em Le Spleen de Paris, a partir de uma leitura cuidadosa de “Le Chien et le flacon”. O endereçamento ao leitor é discutido pela pesquisadora em sua relação com a agressividade e a ironia. O dossiê se encerra com a contribuição de Maria Alice Gabriel, que analisa a experiência baudelairiana da memória em diálogo com uma linhagem de escritores que passa por Marcel Proust e pelo memorialista mineiro Pedro Nava.

Os organizadores deste dossiê, apresentado em duas línguas e concebido desde o princípio sob o signo da polifonia crítica, agradecem pelas contribuições dos dois hemisférios, que ratificam a importância de Baudelaire e de seus poemas em prosa para a literatura moderna e testemunham do vigor dos estudos baudelairianos no Brasil como na França.

Aos leitores, o convite à viagem, à leitura, ao debate.

Material suplementar
Referências Bibliográficas:
BAUDELAIRE, Charles. Oeuvres complètes de Charles Baudelaire. Tome IV. Paris: Michel Lévy, 1869.
BAUDELAIRE, Charles. Œuvres complètes. Texte établi, présenté et annoté par Claude Pichois. Paris: Gallimard, 1975, vol.1; 1976 vol.2. Coll. Bibliothèque de la Pléiade.
BERTRAND, Aloysius. Gaspard de la Nuit. Paris: Angers, 1842.
COMPAGNON, Antoine. Baudelaire l’irréductible. Paris: Flammarion, 2014.
KAPLAN, Edward. Baudelaire et le Spleen de Paris. L’esthétique, l’éthique et le religieux. Traduction d’Élise Trogrlic. Paris: Classiques Garnier, 2015.
LABARTHE, Patrick. Patrick Labarthe commente les “Petits poèmes en prose” de Baudelaire. Paris: Gallimard, 2000.
MURPHY, Steve. Logiques du dernier Baudelaire: lectures du Spleen de Paris. Paris: Honoré Champion, 2003.
PICHOIS, Claude. “Esquisse d’un état présent des études baudelairiennes”, L’Information littéraire. Jan-fev 1958.
Notas
Autor notes
Andrea Schellino. Doutor pela Universidade Paris-Sorbonne. É responsável do « Groupe Baudelaire » do Instituto de textos e manuscritos modernos - CNRS-ÉNS (Institut des textes et manuscrits modernes). Colabora com a edição das obras de Huysmans pela Bibliothèque de la Pléiade. Autor de uma bibliografia analítica dos poemas em prosa de Baudelaire (Classiques Garnier, 2015). Publicou em 2017, com Aurélia Cervoni, uma edição do Spleen de Paris na editora GF-Flammarion e coordenou em 2018, com Jacques Dupont, um número da revista L’Année Baudelaire em homenagem a Claude Pichois.
Aurélia Cervoni: Doutora pela universidade de Paris-Sorbonne, onde ocupa um posto de pesquisadora. Autora de um livro sobre Théophile Gautier (Théophile Gautier devant la critique, 1830-1872, Classiques Garnier, 2016). Colaborou com a edição das Œuvres complètes de Rimbaud publicadas na Pléiade (2009), dirigida por André Guyaux, e editou, com Andrea Schellino, Le Spleen de Paris de Baudelaire (GF-Flammarion, 2017).
Eduardo Horta Nassif Veras. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor adjunto da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). É tradutor e poeta.
Gilles Jean Abes. Doutor em Estudos da Tradução pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC- Florianópolis). Professor adjunto na mesma universidade. É tradutor.

E-mail:andrea.schellino@yahoo.itE-mail:aurelia.cervoni@sorbonne-universite.frE-mail:eduardohnveras@gmail.comE-mail:gillesufsc@gmail.com

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