Artigos

Matriz Estratégica de Inteligência Competitiva

Strategic Matrix of Competitive Intelligence

Matriz Estratégica de Inteligência Competitiva

Mario Teixeira Reis Neto
Universidade FUMEC , Brasil
Márcio de Lima Dusi
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ, Brasil
Ricardo de Faria Leopoldo
Centro Universitário UNA, Brasil
Luiz Rodrigo Cunha Moura
Centro Universitário UNA, Brasil

Matriz Estratégica de Inteligência Competitiva

Revista Ibero Americana de Estratégia, vol. 17, núm. 2, pp. 32-49, 2018

Universidade Nove de Julho

Recepção: 28 Setembro 2017

Aprovação: 11 Fevereiro 2018

Resumo: O objetivo des te trabalho é propor uma matriz de relacionamento entre os conceitos de Acionabilidade – do modelo FAROUT de (Fleis her & Bens ous s an, 2003) – e Integridade –(Marcial, Cos ta, & Curvelo, 2002) na Inteligência Competitiva (IC). Como metodologia, foi realizada uma pes quis a des critiva com um corte trans vers al único e aplicado a oito organizações es colhidas por conveniência do modelo, de s etores divers os . Trata -s e de um es tudo qualitat ivo, s etorial, exploratório de cas os múltiplos . O Es tudo produziu um modelo de anális e as s ociando acionabilidade e integridade de forma única. Como contribuição, foi elaborado uma propos ta de matriz de relacionamento para verificar s e as empres as pos s uem efetivamente uma área de IC e não de es pionagem, es peculação ou armazenagem; na matriz, os elementos cons titutivos dos atributos da Acionabiliade e Integridade s ão medidos e clas s ificados . Dentre as empres as pes quis adas , s omente três delas demons traram capa cidade plena de cons trução de uma área de IC. A principal contribuição des s e trabalho foi guardar s imilaridade com as ferramentas es tratégicas tradicionais e as s ociar dois conceitos es s enciais à verificação da capacidade competitiva da empresa.

Palavras-chave: Inteligência Competitiva, Acionabilidade, Integridade.

Abstract: The objective of this work is to propos e a matrix of relations hip between the concepts of Actionability - the FAROUT model of (Fleis her & Bens ous s an, 2003) - and Integrity - (Marcial, Cos ta, & Curvelo, 2002) in Competitive Intelligence (CI). As a methodology, a des criptive res earch was carried out with a s ingle cros s -s ection and applied to eight organizations chos en for convenience of the model, from different s ectors . This is a qualitative, s ectoral, exploratory s tudy of multiple cas es . The s tudy produced a model of analys is combining actionability and integrity in a unique way. As a contribution, a propos al of a relations hip matrix was prepared to verify if the companies effectively have a CI area and not es pionage, s peculation or s torage; in the matrix, the cons tituent elements of the attributes of Action and Integrity are meas ured and clas s ified. Among the companies s urveyed, only t hree of them demons trated full capacity to cons truct a CI area. The main contribution of this work was to keep s imilarity with the traditional s trategic tools and to as s ociate two es s ential concepts to the verification of the competitive capacity of the co mpany.

Keywords: Competitive Intelligence, Actionable, Integrity.

Resumen: El objetivo de es te trabajo es proponer una matriz de relación entre los conceptos de Accionabilidad - del modelo FAROUT de (Fleis her & Bens ous s an, 2003) - e Integridad - (Marcial, Cos ta, & Curvelo, 2002) en la Inteligencia Competitiva (IC). Como metodología, s e realizó una inves tigación des criptiva con un corte trans vers al único y aplicado a ocho organizaciones elegidas por conve niencia del modelo, de s ectores divers os . Se trata de un es tudio cualitativo, s ectorial, exploratorio de cas os múltiples . El es tudio produjo un modelo de anális is as ociando accionabilidad e integridad de forma única. Como contribución, s e elaboró una propues ta de matriz de relación para verificar s i las empres as pos een efectivamente un área de IC y no de es pionaje, es peculación o almacenamiento; en la matriz, los elementos cons titutivos de los atributos de la Accionabilidad y la Integridad s e miden y s e c las ifican. Entre las empres as encues tadas , s ólo tres de ellas demos traron capacidad plena de cons trucción de un área de IC. La principal contribución de es te trabajo fue guardar s imilitud con las herramientas es tratégicas tradicionales y as ociar dos concep tos es enciales a la verificación de la capacidad competitiva de la empresa.

Palabras clave: Inteligencia Competitiva, Proces able, Integridad.

1 INTRODUÇÃO

Os cenários atuais , pelos quais pas s am as organizações , es tão s ujeitos a mudanças cons tantes , que as afetam direta e indiretamente, podendo s ugerir alterações nos procedimentos operacionais e es tratégicos , s egundo Liu (2013) a competitividade das operações de fabricação em s ituações de negócios dinâmicos e complexos depende de es tratégias com vis ão de futuro. As reces s ões econômicas que afetam as empres as , independentemente da localização, o aumento da concorrência e mudanças nas expectativas dos clientes , todos contribuem para as que as empres as s ejam res ilientes . Os des afios pelos quais as organizações pas s am ao longo de s ua his tória s ão proporcionados por as pectos como ambiente econômico, político, tributário, concorrência, clientes , infraes trutura, etc. O s uces s o ou fracas s o é res ultado direto da capacidade de s e adaptar es trategicamente a es s as variáveis ; s egundo Pereira e Hanas hiro (2010), a ges tão deve as s egurar o cumprimento da mis s ão, des ta forma, o autor s ugere que as empres as devam dar foco ao pens amento es tratégico, devem começar por direcionamento geral que oriente as ações e os res ultados es perados .

Nes s e contexto, as organizações tendem a des envolver modelos es tratégicos que bus quem a eficiência, como condição para s e adaptar a es te ambiente competitivo. Segundo Søderberg (2015), a es tratégia não é algo que uma organização tem; é algo que s eus membros fazem através de várias ações , interações e negociações com ambiente interno e como externo, s ob es s a ótica, uma alternativa de implementação es tratégica é a Inteligência Competitiva (IC), cujo objetivo é promover ações que conduzam a empres a à conquis ta de vantagem mens urável e s us tentável ante s eus concorrentes (Barclay & Kaye, 2000). Nes s e cenário, a Inteligência Competitiva ganha importância e projeção, pois é capaz de produzir s ingularidade ao conhecimento extraído de informações (Fuld, 2007). Conforme Miller (2002), ao internalizar dados e notícias , analis á-los e correlacioná- los à realidade da empres a, s urge u m conhecimento único, diferente daqueles dis poníveis aos concorrentes.

A Inteligência Competitiva municia os ges tores com informações capazes de aprimorar s uas res oluções (Miller, 2002). Segundo Fleis her, Wright, e Trindade (2010), os tomadores de decis ão equipados com a vis ão de IC melhoram o des empenho dos s eus julgamentos . Os produtos também geram benefícios às demais atividades organizacionais : potencializam a competitividade da empres a, permitem a criação de vantagem competitiva e elevam a s egurança n a tomada de decis ão, além de reduzir ris cos operacionais (Degent, 1986; Marcial, Cos ta & Curvello, 2002; Gilad, 2011). Nes s e proces s o de criação de conhecimentos exclus ivos e cons trutivos , Fuld (2007) e Ramos e Moreti (2008) s ugerem que es s es s ejam produzidos com clareza, velocidade e precis ão. Torná - los acionáveis é uma realidade (Fleis her & Bens ous s an, 2003; Juhari & Stephens , 2006).

A IC apoia as decis ões nas empres as , ao cons truir conhecimentos acionáveis , las treados em padrões e tendências , identificados na coleta e tratamento das informações e contextualizados a s ua realidade s ingular (Clerc, 1997). As s im, s egundo Fleis her e Bens ous s an (2003), a Acionabilidade reflete a dimens ão da Inteligência Competitiva que permite aos produtos e s erviços des envolv idos pela função s erem acionados pelos tomadores de decis ão e criarem efetivo valor ao negócio.

Todavia, de pouco adianta a Acionabilidade da IC, s e a função não for contínua e s us tentável. Devido a s ua as s ociação às atividades de es pionagem, ela apres enta dificuldade de legitimar-s e no s etor privado (Sawka, 2000). Portanto, a Integridade - capacidade da IC de s uportar as demandas de informações e de inferências de uma ins tituição de forma ética, trans parente e em conformidade com as leis – que dis tingue a Inteligência de práticas duvidos as.

Portanto, a IC deve adotar práticas as s ociadas à ética, à legalidade e à trans parência para s obreviver e cons olidar s ua pos ição e s ua efetividade no mundo de negócios (Gomes & Braga, 2004; Crane, 2005). Afirmam Marcial, Cos ta e Curvelo (2002): “s omente por meio de atitudes concretas é que a atividade de IC forjará uma identidade as s ociada à ética e à trans parência”. A aus ência des s es valores torna o aces s o às fontes de informação ins us tentável, as s im como expõe a empres a a elevados ris cos de imagem e de negócio.

Fleis her, Wright e Tindale (2007) afirmam que o tema es tá em expans ão mediante a proliferação de programas de ens ino da Inteligência e o aumento das publicações s obre o as s unto. Além dis s o, s ão o s uces s o e as contribuições únicas do campo que têm cons olidado a IC como uma dis tinta dis ciplina da Adminis tração (Juhari & Stephens , 2006).

Es s e es tudo s e jus tifica porque, para execução plena das atividades de IC nas organizações , nota -s e que o campo de es tudo ainda prec is a de conhecimento próprio. As organizações neces s itam melhorar o entendimento s obre como cons truir s uas áreas de IC.

Es te artigo trabalha com a premis s a que as áreas e IC, neces s itam da Integridade e da Acionabilidade, para identificar a aplicação adequ ada dos procedimentos de ges tão da inteligência competitiva, pos s ibilitando as organizações trans itarem ou evitarem áreas s imilares , conforme quadro abaixo:

Síntes e de anális e áreas de IC e s imilares
Quadro 1
Síntes e de anális e áreas de IC e s imilares
Elaborado pelo autor

Ao garantir a Integridade e a Acionabilidade, a IC cria um ambiente favorável à ininterrupta criação de valor para o negócio. Nes s e contexto, s urge a s eguinte ques tão: como s e as s ociam, Integridade e Acionabilidade, na utilização da Inteligência Competitiva? Des s a forma, o objetivo des s e trabalho é propor uma matriz de relacionamento entre os conceitos de Acionabilidade e Integridade que permita verificar a capacidade da empres a na área de IC.

2 ACIONABILIDADE

A Acionabilidade é um conceito des envolvido por Fleis her e Bens ous s an (2003) que s ugere que os produtos elaborados pela IC devem s er acionáveis pela organização, garantindo des ta forma utilidade a eles . Para a devida aplicação da Acionabilidade, os autores , des envolveram o s is tema FAROUT (s igla, em inglês , compos ta pelas iniciais dos atributos Future Orientation, Accuracy, Resource Efficiency, Objectivity, Usefulness e Timeliness) que organiza as produções da IC s egundo os s eguintes atributos : vis ão orientada para o futuro, precis ão, eficiência de recurs os , objetividade, utilidade e oportunidade. O objetivo do s is tema é s us tentar a es colha das técnicas analíticas mais adequadas para cada neces s idade de informação crítica da empres a (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003).

É importante s alientar que a Inteligência Competitiva permite a recons trução de dados des vinculados em informações acionáveis (Tarapanoff, 2001). Ela deve orientar s eus us uários s obre as ações a s erem tomadas e ainda prover indicadores s obre es tas decis ões recomendadas (Cleland & King, 1975). Se ela não produz conhecimentos que pos s ibilitem a ação oportuna, s ua utilidade s e limita em alto grau. Portanto, a Acionabilidade é o que permite que a Inteligência Competitiva s eja efetivamente utilizada pelos tomadores de decis ão. Para des envolver tal caracterís tica, é precis o que os produtos de IC atendam a certos fatores determinantes de s eu s uces s o. Um dos modelos que podem avaliar es ta caracterís tica é o s is tema FAROUT.

Segundo Fleisher e Bens oussan (2003), o s istema FAROUT bas eia-s e na premis s a de que, para trans formar a anális e em Inteligência Acionável e útil aos tomadores de decis ão, é precis o que os produtos tenham os s eguintes atributos : vis ão orientada para o futuro, precis ão, eficiência de recurs os, objetividade, utilidade e oportunidade. O objetivo do s is tema é s us tentar a es colha das técnicas analíticas mais adequadas para cada neces s idade d a informação crítica da empres a (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003).

A vis ão orientada para o futuro ens ina que o pas s ado pode s er um indicador imprecis o e perigos o n a cons trução de inferências , ou s eja, a IC deve s er pros pectiva: analis ar ampla e profundamente o futuro – indeterminado e incerto – e s e dis por a correr ris cos por s er preditiva e inventiva (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Metho ds and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003).

Fleis her e Bens ous s an (2003) explicam que a precis ão deve des envolver anális es que vis em elevado grau de as s ertividade. Para Ramos e Moreti (2008), garantir a veracidade e qualidade das informa ções impacta diretamente na eficácia do proces s o de IC. Níveis elevados de precis ão s ão difíceis de alcançar, quando os dados vêm de apenas uma fonte; as informações não s ão validadas ; os dados precis am s er convertidos de um modo pelo qual não foram originalmente concebidos ; e as informações partem de fontes repletas de viés (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003).

A oportunidade refere-s e ao ris co exis tente no tempo gas to pelo o analis ta para realização de uma demanda (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003) . Fleis her e Bens ous s an (2003) explicam que grande parte dos dados tem uma vida út il limitada, es pecialmente quando a tomada de decis ão ocorre em ambientes dinâmicos , hipercompetitivos , e turbulentos . “Es perar é dar aos outros a chance de realizar a mes ma oportunidade” (Fuld, 2007). Fleis her e Bens ous s an (2003) concluem que a anális e valios a é aquela que dá o prazo s uficiente para a empres a implementar o curs o de ação recomendado pela análise.

Outro fator é a eficiência dos recursos Segundo Fleis her e Bens ous s an (2003) para que a anális e s eja feita de forma eficiente, os dados precis a m vir de fontes mais baratas do que o valor neces s ário para produzir s eus res ultados e não devem demorar muito tempo para s erem coletados , a fim de que não s e tornem obs oletos . Ramos e Moreti (2008) s ugerem a adoção de três ações cujos impactos afetam diretamente a eficácia do proces s o de IC: utilizar redes humanas , aces s ar intens amente fontes primárias e adotar s oluções de Tecnologia da Informação para aproximar as pes s oas e as unidades de negócio.

A objetividade refere-s e à presença de vieses no perfil dos analis tas ou das organizações (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003). Muitas anális es s ão cons tantemente influenciadas por vies es cognitivos ou s ociais , des de a cons trução das premis s as até o pens amento predominante de um grupo na abordagem dos ris cos ou incertezas . Para minimizar a natureza destrutiva dos vieses , (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003) propõem analis ar os dados ou informações s ob uma abordagem racional e s is temática.

Sobre a utilidade, Fleis her e Bens ous s an (2003) ens inam que os produtos de IC cons iderados valios os s ão aqueles que atendem as neces s idades de inteligência do us uário no contexto do proces s o decis ório. A anális e ou inferência efetiva deve s er adequada às res pons abilidades do ges tor, à realidade da empres a e ao es tilo de comunicação (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003). Portanto, é precis o que o analis ta des envolva produtos "es s enciais de s aber" e não os "interes s antes de s aber" para que atendam ou s uperem às neces s idades do us uário -final (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003).

Para a aplicação do s is tema FAROUT, cada atributo é avaliado mediante uma es cala que varia de 1 a 5, onde 1 indica baixo nível de orientação e 5 quando é altamente focado.

A prerrogativa de aplicar o s is tema FAROUT para avaliar a Acionabilidade da IC na pers pectiva de s eus us uários e des vendar a percepção de valor das atividades abre a pos s ibilidade de encontrar um mecanis mo aderente, capaz de examinar e es timula r a produção de Inteligência, cada vez mais útil e acionável para as empres as . Todavia, não bas ta a IC s er acionável, ela precis a s er íntegra para afas tar definitivamente ações de práticas não recomendadas no ambiente corporativo.

O conceito de Acionabilidade contribuiu para a construção da IC, mas não é o único pilar; outro aspecto relevante é a Integridade, cujo objetivo é de oferecer cons is tência ética e legal aos produtos de Inteligência Competitiva.

3 INTEGRIDADE

A Integridade é um conceito s ugerido por Marcial, Cos ta e Curvelo (2002), que propõem o us o de práticas legais e éticas para bus car informações que irão s us tentar os produtos des envolvidos pela IC. Importante res s altar, s egundo a As s ociação Bras ileira dos Analis tas de Inteligência Competitiv a (As s ociação Bras ileira dos Analis tas de Inteligência Competitiva, 2011), é tênue a linha divis ória entre IC e es pionagem. Ens ina Rodrigues , Miranda e Cres po (2010) “que há a neces s idade de que os profis s ionais mantenham atitudes éticas , pos tando -s e ao lado da pes quis a de informações legítima e legal, alijando a es pionagem indus trial”. As s im, o que dis tingue a função de IC da es pionagem s ão as práticas legais e éticas de bus car informações (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002).

Para afas tar-s e da influência de es peculações e da es pionagem, atributo tão impres cindível que à IC que a Society of Competitive Intelligence Professionals (SCIP) criou diretrizes , em s eu código de ética, para nortear a ação dos profis s ionais de inteligência e dis tanciá-la da es pionagem indus trial (ou econômica) e dos métodos ilegais de coleta de informações (SCIP, 2012). Ela cons is te na capacidade da inteligência de apoiar plenamente – de forma ética, trans parente e em conformidade com as leis – as demandas de informações da empres a. Ela torna o ciclo de IC s us tentável e o dis tancia de práticas não recomendáveis.

Kalb (2000) define a conduta antiética como “aquela que não s e enquadra nos padrões da própria profis s ão, dos colegas , do empregador ou de outro grupo regulamentador”. A ética pode s er definida como o grupo de valores , princípios e virtudes que conduzem as relações humanas (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002). Ela e a legalidade devem permear s empre o proces s o de coleta de dados (Cleland & King, 1975; Clerc, 1997; Gomes & Braga, 2004). Para Kalb (2000), a ilegalidade reflete “a conduta que configura uma violação da lei”. Não res peitar tais limites s ignifica infringir as leis que regem as relações de mercado e is s o pode des encadear cons equências civis ou criminais para os profis s ionais e expor a empres a a ris cos (Kalb, 2000).

Crane (2005) cons idera a bus ca de informações de caráter particular ou confidencial como um dos principais problemas à ética e a legalidade. Clerc (1997) completa que a Inteligência deve explorar s omente as fontes publicáveis . Com o intuito de evitar problemas s obre o us o ético e legal das metodologias de IC, Gomes e Braga (2004) s ugerem às organizações a criação de um código de ética. De acordo com Marcial, Cos ta e Curvelo (2002), “código de ética para a Inteligência Competitiva tem como objetivo nortear o trabalho do profis s ional de IC, principalmente nas etapas de coleta de dados e pedaços de informação, fas e em que há dúvidas quanto ao que é certo ou errado”.

Sobre a Trans parência Fuld (2007) indica a falta dela como o problema mais s ignificante ao avaliar a preparação das empres as para a competição, ou s eja, quanto mais vis ível a área de IC for e quanto mais interação ela es tabelecer com as demais áreas , melhor (Sawka, 2000). As s im, o trabalho em rede s e torna uma de s uas principais ferramentas (Ramos & Moreti, Inteligência Competitiva: As pectos Críticos na Empres a Bras ileira, 2008). Ela não s ó ganha em interação com as demais áreas como também cons olida o proces s o de legitimação da função de IC dentro das organizações (Sawka, 2000).

Portanto, tornou-s e primordial defender a Integridade em todas as etapas do s eu ciclo, pautadas s empre na Ética, na Legalidade e na Trans parência. Somente as s im, s erá pos s ível criar conhecimento acionável, de forma íntegra e s us tentável.

Os pilares Acionabilidade e Integridade formam o arcabouço de s us tentação para cons trução de modelos de Inteligência Competitiva eficientes , trans parentes e éticos em relação ao mercado. Es tes cons tructos oferecem à IC a oportunidade de s e diferenciar dos conceitos de es pionagem, armazenagem e es peculação apres entados no tópico seguinte.

4 INTELIGÊNCIA COMPETITVA E ESTRATÉGIA

Segundo Miller (2002), a IC refere-s e ao proces s o de monitoramento ambiental do mercado, focado nos principais concorrentes e s uas pos s íveis ações . Adicionalmente, Herring (1996) afirma que: “Inteligência é o conhecimento do ambiente competitivo da organização e de s eu macroambiente, aplicado a proces s os de tomada de decis ão, nos níveis es tratégico e tático”. Segundo Yap e Ras hid (2011) a IC é a bus ca por informações dis t ribuídas de forma des ordenada nas organizações e a trans formação em conhecimento acionável para decis ões es tratégicas . A Inteligência Competitiva ainda é um conceito em trans formação, não há um s ignificado geral e abrangente (Combs & Moorhead, 1992; Fleisher &Bens ous s an, 2007). Ela ainda é o proces s o de trans formação de informações des agregadas em conhecimento s ens ível s obre a movimentação, as capacidades , os propós itos e o des empenho dos concorrentes (Sammon, Kurland & Splitalnic, 1984; Combs & Moorhead, 1992).

Assim com a IC o proces s o formação de es tratégia integra os níveis hierárquicos num proces s o de troca de conhecimentos , geração de ideias , trabalho em equipe, integrando anális e, formulação e experiências práticas para que es te proces s o pos s a gerar aprendizagens e, as aprendizagens gerarem inovações de forma contínua e progres s iva (Gonzalez & Campos, 2015).

Os conceitos de IC e es tratégica trans itam entre linhas tênues de distinção entre os mesmos possivelmente com mais pontos de intercessão do que diferenciação. Do ponto de vis ta his tórico, a Inteligência Competitiva des tacou -s e como opção es tratégica organizacional a partir da década de 1980 (Fleis her & Bens ous s an, 2003; Gilad, 2011). Porém, vários es pecialis tas atribuem s ua origem no ambiente de negócio às décadas de 1960 e 1970 (Martinet & Marti, 1995; Pres cott, 1999; Toledo & Toledo, 2007). Clerc (1997) explica que, nes te período, foram criados os primeiros departamentos de Inteligência em organizações privadas . A atividade s urgiu s ob forte influência da es pionagem governamental e da inteligência militar (Kelley, 1968; Gomes & Braga, 2004).

Um as pecto relevante para a cons trução da IC é a coleta de dados , para Pres cott (1999), a bus ca de informações – no princípio, informal e tática – foi a primeira atividade de IC. Logo, a bus ca por conhecer as inovações e novidades dos concorrentes tornou -s e uma atividade comum entre as grandes empres as (Degent, 1986). O us o e a relevância da prática cres cem à medida que o impacto potencial das informações acionáveis nos fatores cruciais do negócio é reconhecido (Juhari & Stephens , 2006).

Para Juhari e Stephens (2006), a explos ão de novas Tecnologias de Informação e de Comunicação (TICs ) provavelmente atribuíram a noção de IC como algo novo e até revolucionário. Dia nte de tamanha evolução, a Inteligência Competitiva migrou de uma atividade informal e tática para um proces s o formal e es tratégico (Pres cott, 1999).

Devido à relação intens a com as demais atividades da empres a, a IC pas s a a s er valorizada como uma função crítica na execução de melhores decis ões (Zangoueinezhad & Mos habaki, 2008). As s im, ela pas s a a s er entendida como um ins trumento interno de execução do planejamento e da es tratégia corporativa (Fernandez & Lana, 2008). Ela também é definida como fonte de informação para s uportar o proces s o decis ório (Tarapanoff, 2001). Por s ua vez, Combs e Moorhead (1992) afirmam que “a chave para o s uces s o da Inteligência Competitiva é fornecer ao ges tor, as informações que ele ou ela realmente neces s itam”. Para Fuld (2007), “Inteligência é tomar decis ões críticas com conhecimento imperfeito, mas razoável, e com um grau de risco.”

Gilad (2004) defende que o ris co é o ponto central da Inteligência Competitiva, Les ca, Freitas , e Cunha (1996) informam que a IC bus ca reduzir os ris cos ligados à incerteza, por meio da es cuta antecipativa dos s inais fracos do ambiente s ocioeconômico. Ela é “um proces s o [...] que vis a des cobrir as forças que regem os negócios , reduzir o ris co e conduzir o tomador de decis ão a agir proativamente, bem como para proteger o conhecimento s ens ível produzido” (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002). Fernandez e Lana (2008) reforçam que a IC é um proces s o d e vigília cons tante que identifica oportunidades de negócio e os riscos .

Hodges (2005) adiciona que a IC é o proces s o de coleta, organização e dis s eminação das informações geradas a partir da identificação e da avaliação s is temática dos objetivos , das forças , das fraquezas e das linhas de produtos dos rivais . Fuld (2007) ainda completa que a verdadeira Inteligência Competitiva reflete a habilidade para antecipar o próximo movimento dos concorrentes . Fleis her e Bens ous s an (2003) finalizam que ela “é um proces s o, ético e legal, compos to de variáveis que, finalmente, podem fazer de uma organização o jogador dominante ou quebrá -la”. Por is s o, Fleis her, Wright, e Tindale (2007) concluem que “o campo de IC e a s ua ges tão s ofrem da variedade s emântica e da predomin ância da ambiguidade que permanece s em s olução após várias décadas de trabalho de inves tigação”. Portanto, embora exis tam divers as tentativas de dar s ignificado à Inteligência Competitiva, o conceito ainda pode s er demas iado vago (Gilad, 2004).

Segundo Pereira, Mafra, e Ricardo (2016), a IC pode aumentar a capacidade competitiva das empres as , pois tornam inteligente o us o da informação, contribuindo com a redução de incertezas nas decis ões es tratégicas . A IC é des envolvida com a definição dos objetivos e em cronologia s egundo s eus ciclos operacionais , conforme des crito nas etapas s ubs equentes .

5 CICLO DA INTELIG ÊNCIA COMPETITIVA

O ciclo de IC é um dos modelos mentais bás icos para a atividade (Ganes h, Miree, & Pres cott, 2003). A definição clás s ica do ciclo de IC enumera quatro etapas s equenciais e cons ecutivas : a identificação das neces s idades de Inteligência, a coleta de informações , a anális e dos dados e a dis s eminação dos produtos para os us uários (Miller, 2002). Dentre as variações des te modelo, Gomes e Braga (2004) incluem uma fas e de avaliação após a difus ão dos produtos de Inteligência aos decis ores . Gilad (2004) define as cinco etapas de IC como coleta, avaliação, armazenamento, anális e e dis s eminação. Bouthillier e Shearer (2003) detalham o proces s o nas s eguintes etapas : identificação de neces s idades , aquis ição, organização, armazenamento e recuperação, anális e, produção de relatórios e divulgação. Comai e Millán (2006) incluem ainda o proces s o de avaliação – feedback – como uma etapa-chave da atividade de IC que interage diretamente com todas as demais fases .

Ao cons iderar a definição clás s ica compos ta por quatro etapas dis tintas e cons ecutivas , torna -s e neces s ário entender as particularidades de cada fas e. A identificação de neces s idades s eleciona as principais variáveis que demandam monitoramento e anális e dos profis s ionais de Inteligência (Miller, 2002). Explicam Gomes e Braga (2004), “a partir des s a identificação é pos s ível determinar as informações que deverão ser coletadas e analis adas s ob a ót ica da es tratégia da empres a, de modo a auxiliar a tomada de decisão”.

A coleta de informações cons is te na obtenção e dados junto às fontes de informação, conforme as demandas e os proces s os definidos , trans formando dados brutos em informações viáveis , co m o cuidado de balancear o tempo e recurs os gas tos na obtenção de informações externas impres s as e de fontes individuais internas e externas (Degent, 1986; Fuld 1995; Hohhofd 2002).

Na anális e de dados é onde s e pretende converter e correlacionar informaçõ es aparentemente dis tintas e des conexas em conhecimentos s ignificativos e úteis aos tomadores de decis ão (Combs & Moorhead, 1992; Fuld, 1995; Clerc, 1997). Afirmam Combs e Moorhead (1992): “A informação não tem vida, a menos que ela s ignifique alguma cois a ”. As s im, os profis s ionais de IC procuram interpretar os dados , os padrões e as tendências exis tentes até s e obterem insights exclus ivos e relações ainda não obs ervadas entre os dados (Miller, 2002).

Na etapa de dis s eminação, os produtos de Inteligência Competitiva s ão dis ponibilizados aos us uários . Seu formato e s ua utilidade variam conforme as neces s idades dos us uários e o grau de informação e anális e contido em cada material (Ramos & Moreti, Inteligência Competitiva: As pectos Críticos na Empres a Bras ileira, 2008). Para Combs e Moorhead (1992), o timing é fundamental. “Não importa quão boa s eja a anális e [...], s alvo s e o as s unto é comunicado àqueles que precis am s aber, a tarefa é inútil” (Combs & Moorhead, 1992). Degent (1986) recomenda três diretrizes bás icas na dis s eminação: a canalização das informações neces s árias para cada tomador de decis ão; a racionalização das informações (eliminação de tudo que não for relevante); e a coleta e trans mis s ão das informações em momento oportuno, de acordo com s ua urgência.

As s im, quando as quatro etapas do ciclo ocorrem de forma adequada, é que os produtos de Inteligência alcançarão alto valor agregado para s eus us uários e es tarão aptos a s erem des envolvidos conforme o modelo apres entado nos tópicos seguintes.

6 METODOLO GIA

Es s e artigo foi es truturado por uma pes quis a qualitativa des critiva que, s egundo Malhorta (2011), vis a interpretar as funções ou caracterís ticas do objeto es tudado. Nes te es tudo foi us ado o corte trans vers al único, no qual s e coletam os dados da amos tra uma única vez. O proces s o permite uma compreens ão inicial do as s unto e proporciona insights e a contextualização do problema (Malhorta, 2011).

O artigo trabalha o tema através da modelagem que é uma tentativa de reduzir a complexidade da realidade em um es tudo, de modo a torná-la tangível à racionalidade humana (Lapponi, 2003). O modelo propos to tem o intuito de explicar a as s ociação das dimens ões – Acionabilidade e Integridade – para geração plena e efetiva da atividade de IC nas organizações .

As dimens ões acionabilidade e integridade são compostas por atributos caus ais . Os omatório da contribuição individual de cada um destes fatores cria a percepção de Acionabilidade (vis ão de futuro, objetividade, eficiência dos recursos , utilidade, precisão e oportunidade) e de Integridade (ética, a legalidade e a trans parência) da IC (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003). Os resultados da as s ociação das dimens ões s ão repres entados em quatro s etores que refletem a intens idade das dimens ões , cuja variação os cila de ‘Baixa’ a ‘Alta’. Cada s etor foi nomeado de acordo com a as s ociação da intens idade das dimens ões em es tudo: Es peculação (baixa integridade, baixa acionabilidade), A rmazenagem (alta integridade, baixa acionabilidade), Es pionagem (baixa integridade, alta acionabilidade) e Inteligência (alta integridade, alta acionabilidade) (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002).

O s etor Es peculação é caracterizado por res ultados baixos nas duas dimens ões ; informações não s ão cons truídas da forma recomendada e não são trans formadas em ações . No cas o de alta Acionabilidade e baixa Integridade, s etor Es pionagem, a atividade pos s ui orientação para a ação, mas durante a cons trução do conhecimento não exis te tanto cuidado com a ética, a legalidade e a trans parência. Os produtos s ão capazes de influenciar as decis ões , porém s eu proces s o não é s us tentável e pode implicar ris cos de imagem e negócio. No s etor Armazenagem, quando a Acionabilidade é baixa e a Integridade alta, as empres as pos s uem proces s os es truturados (da coleta à dis s eminação), mas eles não s ão executáveis . A atividade as s emelha-se a uma biblioteca: ocupa-s e mais em armazenar os conhecimentos do que em torná -los efetivamente acionáveis . Quando os valores da Acionabilidade e da Integridade s ão altos , s etor Inteligência, as organizações criam produtos de forma ética e s us tentável, e ainda os fazem acionáveis , o que gera elevado valor ao negócio. A empres a antecipa s eus movimentos , acompanha s eu mercado e age quando neces s ário. As s im, ela cria proces s os s us tentáveis e trans parentes que não implicam em ris cos legais e de negócio.

Propos to o modelo, ele s erviu de base conceitual para as s ociação das variáveis pes quis adas na efetiva criação de valor nos produtos de IC a partir da percepção de s eus usuários .

A aplicação do modelo s egue o seguinte comportamento para as médias alcançadas pelas organizações , segundo a metodologia de pesquisa:

Síntes e de anális e do modelo de as s ociação entre Acionabilidade x Integridade
Quadro 2
Síntes e de anális e do modelo de as s ociação entre Acionabilidade x Integridade
Elaborado pelo autor.

O ins trumento de coleta de dados foi cons tituído por um ques tionário es truturado que s e encontra trans crito abaixo Para Malhorta (2011), a cons trução do ques tionário cons is te na s érie de perguntas que um entrevis tado deve res ponder, por es crito ou oralmente. Ele cumpre três funções es s enciais : traduzir a informação des ejada em um conjunto de ques tões es pecíficas ; es timular o entrevis tado a s e deixar envolver pelo as s unto; e minimizar o erro na res pos ta (Malhorta, 2011).

Questionário de Pesquisa:

PARTE 1 – PERCEPÇÃO DOS ATRIBUTOS DE ACIONABILIDADE

1. Roteiro de aces s o exclus ivo do pes quis ador. Leia cada uma das afirmações a s eguir e res ponda de acordo com a es cala. Cons idere 1 para NUNCA s e aplica e 5 para SEMPRE s e aplica.


Quaddro


Quadro

A unidade de anális e foi cons tituída de organizações com atividade econômica no Es tado de Minas Gerais , com a função de Inteligência Competitiva em s ua es trutura funcional. Apes ar das limitações da amos tragem não -probabilís tica, que impediu fazer inferências à população, Triviños (1987) defende o procedimento porque nele o pes quis ador es colhe intencionalmente os entrevis tados e para is s o cons idera uma s érie de condições tais como: os s ujeitos es s enciais para es clarecer o as s unto; a facilidade para encontrar as pes s oas e o tempo dos pes quis ados para a entrevis ta. Optou-s e por empregar a amos tragem por conveniência e por julgamento. Malhorta (2011) explica que o pes quis ador “exercendo s eu julgamento ou aplicando s ua experiência, es colhe os elementos a s erem incluídos na amos tra, pois os cons ideram repres entativos da população de interes s e, ou apropriados por algum outro motivo”

Trata-s e de um es tudo qualitativo, s etorial, exploratório e de cas os múltiplos , a comparação de dados é elaborada por um s is tema racional. Foram es colhidas propos italmente empres as com caracterís ticas que pudes s em s er enquadradas nos divers os quadrantes propos tos por es te artigo.

Para Malhotra (2001), ainda exis tem duas clas s ificações nas pes quis as des critivas : a trans vers al e a longitudinal. Enquanto os estudos longitudinais envolvem uma amos tra fixa de elementos da população que é medida repetidamente, o corte trans versal emprega a coleta de informações de elementos da população uma única vez. As pes quis as trans vers ais s ão tipificadas em corte único ou múltiplo (Malhotra, 2001). O corte trans vers al múltiplo envolve duas ou mais amos tras de entrevis tados . Por s ua vez, o corte trans vers al único extraí da população uma única amostra de entrevistados.

Nes ta pes quis a empregou -s e o corte trans vers al único, uma vez que foi extraída s omente uma amos tra das organizações com a função de Inteligência ins tituída, não s endo objetivo do es tudo, analis ar as mudanças ao longo do tempo nas caracterís ticas dos indivíduos . Portanto, os dados foram coletados de uma amos tra, por conveniência, da população de empres as com função de IC cons tituídas , s omente uma vez.

Os dados foram coletados por meio de oito entrevis tas pres enciais , uma por empres a, com um us uário de produtos de IC. Todos os entrevis tados ocupavam cargos decis órios (as s es s or de diretoria, gerentes de departamento, diretores executivos e vice- pres idente). Para Cruz e Ribeiro (2003), a técnica cons is te numa “convers a orientada para um fim es pecífico, ou s eja, recolher dados e informações ”.

Cada um dos atributos que compõem as dimensões Acionabilidade e Integridade (Fleis her & Bens ous s an, 2003; Marcial, Cos ta & Curvello, 2002) tiveram quatro ques tões para avaliá -los . Foi utilizada uma es cala de cinco pontos para medir a intens idade de cada variável pes quis ada. Os itens que possuem baixa

Acionabilidade ou Integridade s ão clas s ificados com o valor 1 e os itens que pos s uem alta Acionabilidade ou Integridade receberam o valor 5. Es s es itens s ão avaliados s eparadamente. Como todo método científico, o procedimento es colhido pos s ui vantagens e des vantagens . Malhorta (2011) evidencia a capacidade de aprofundamento como um dos principais diferenciais des ta modalidade. Outra é a facilidade de atribuição das res pos tas a cada entrevis tado. Quanto às des vantagens des tacam-s e: os cus tos e a potencial dificuldade de analis ar e interpretar os dados obtidos (Malhorta, 2011).

Quanto à amos tra, devido à confidencialidade dos dados , as ins tituições pes quis adas foram nominadas em empres as A, B, C, D, E, F, G e H. Quanto às caraterís ticas da amos tra, foram es colhidas por conveniência da pes quis a. Elas integram os s eguintes s etores : Adminis tração Pública, Apoio ao Des envolvimento Econômico, Comércio Atacadis ta, Ins tituições Financeiras , Órgãos e As s ociações de Clas s e e Petróleo e Gás . O detalhamento s obre a es trutura de IC em cada uma das empres as pode s er verificado no Quadro2.

Estrutura de Inteligência Competitiva nas empresas pesquisadas
Quadro 3
Estrutura de Inteligência Competitiva nas empresas pesquisadas
Elaborado pelo autor.

7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

A pres ente pes quis a analis o u a percepção dos us uários s obre o us o da IC, a Acionabilidade e a Integridade. Cada bloco de informação foi analis ado s eparadamente, com o intuito de que fos s e entendida a es pecificidade do fenômeno em cada um dos atributos es tudados .

7.1 Acionabilaide

Visão orientada para o futuro – As organizações devem es tar dis pos tas a correr ris cos bus cando s e antecipar ao indeterminado pelo futuro (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003), por es ta pers pectiva apenas as empres as A e C tiveram avaliação alta nes te atributo (acima de 3). As demais apres entaram valores baixos (1 e 2), fato que aponta uma ins uficiência de foco no futuro dos produtos de IC. Nas entrevis tas , cons tatou-s e o foco predominante em monitorar o cenário pres ente. Na percepção dos entrevis tados , apenas as empres as A e C incluem cons tantemente uma vis ão de médio e longo prazo em s eus produtos . As outras organizações concentram s eus es forços na anális e do ambiente p res ente e, no máximo, recomendações de curto prazo. À exceção das organizações C e H, todas as demais cons troem s uas anális es com bas e em s éries his tóricas e dados quantitativos . Nelas , ainda predomina do us o de fontes s ecundárias oriundas de empres as confiáveis e de fontes governamentais para fundamentar s eus produtos. Ens ina que o pas s ado pode s er um indicador imprecis o e perigos o na cons trução de inferências.

Precisão - Segundo Ramos & Moreti, Inteligência Competitiva: As pectos Críticos na Empres a Bras ileira (2008), para devida aplicação dos conceitos de IC, a informação deve s er gerada com qualidade e veracidade, s ob o ponto de vis ta des te cons tructo; com exceção da empres a B, os entrevis tados cons ideram os produtos de Inteligência Competitiva cons tantemente precis os . Na vis ão dos ges tores , es s a avaliação torna o conteúdo das anális es mais confiáveis . O res ultado reforça a ideia de que o us o de dados s ecundários de fontes confiáveis concede maior credibilidade aos documentos de IC. Em geral, as empres as aces s am as mes mas fontes externas . Elas correlacionam es s as informações aos próprios dados internos . No cas o das empres as A, B e D, é comum comprar bas es de dados privados para atender a uma demanda es pecífica. Para os entrevis tados da empres a A e D, a precis ão induz os us uários a utilizarem os produtos nas decis ões organizacionais , principalmente em s ituações que envolvam a anális e da realidade atual, em que os dados s ecundários s ão capazes de traçar o perfil do ambiente vigente.

Eficiência dos Recurs os – Para Fleis her e Bens ous s an (2003), a eficiência é uma relação de cus to e benefício, o cus to de obtenção e anális e dos dados não deve exceder os benefícios gerados . Nas empres as pes quis adas , exceto as empres as C e H, cuja coleta de dados foi focada em fontes humanas , as outras organizações cos tumam empregar informações quantitativas . No que s e refere ao us o de ferramentas ou s is temas para s uporte à Inteligência Competitiva, a percepção dos us uários é que os ins trumentos dis poníveis s ão ins uficientes (com exceção da empres a A). A falta de ferramentas é um des afio, pois elas tendem a gerar ganhos de velocidade e de capacidade analítica nas áreas de Inteligência. A maioria dos negócios pes quis ados aces sa s etores internos e interage com os fornecedores e clientes . Quanto à falta de recurs os para a atividade, s omente as empres as A, C e G entendem tê-los de forma plena. Porém, mes mo que eles pareçam es cas s os , os us uários pes quis ados entendem que parte da res pons abilidade de s ens ibilizar a empres a quanto à neces s idad e de mais recurs os na atividade deve partir, exatamente, do s etor que a promove.

Objetividade – Para Fleis her e Bens ous s an (2003) as informações devem s er analis adas com objetividade s is têmica e com bas e na lógica racional, como mecanis mo para evitar o viés cognitivo ou s ocial predominante nas culturas organizacionais . A pes quis a aponta que em todas as empres as foi cons tatada a influência da cultura organizacional nos produtos de Inteligência. Porém, na percepção dos us uários , es s a caracterís tica não é negativa e tende a gerar alinhamento da função à forma de fazer negócios da companhia. Quanto aos vies es dos analis tas , os pes quis ados não os notam nas anális es de IC, exceto na empres a E, cujo pos icionamento e recomendações es tão pres entes nos materiais . Em g eral, quando os produtos s ão compos tos es s encialmente por dados , eles s ão mais informativos e imparciais . Sobre a racionalidade, de acordo com os us uários , a área de Inteligência emprega proces s os lógicos na elaboração dos s eus produtos . A lógica de racioc ínio e o us o de dados norteiam tal percepção. Todavia, as empres as B e H utilizam a experiência de es pecialis tas para s edimentar s uas anális es . O us o da intuição é bas tante valorizado nes tas empres as . Como as informações não - es truturadas tendem a s er mais exclus ivas , elas tendem a criar uma vantagem comparativa ante os demais agentes econômicos .

Utilidade – É precis o que o analis ta des envolva produtos "es s enciais de s aber" e não os "interes s antes de s aber" para que atendam ou s uperem as neces s idades do us uário-final (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Competition., 2003) e nes te cons tructo s omente a empres a C s e des taca. A dificuldade de trans formar as anális es em ações corrobora es s a vis ão e, novamente, apenas a empres a C atende o ques ito. As demais enfrentam intens a dificuldade de fazer com que s uas orientações s e tornem ações da companhia. Nas entrevis tas , a falta de vis ão de futuro jus tificou es ta realidade. Além dis s o, as anális es feitas por outros s etores da empres a ganham es paço nas decis ões , o que reduz a neces s idade de us o da Inteligência quando s eus produtos s ão s imples mente informativos . Na vis ão dos us uários , as unidades de IC es tão mais focadas em s eus materiais fáceis de entend er do que em torná-los acionáveis . Quanto à Aderência, todos os us uários cons ideram que os relatórios de Inteligência Competitiva es tão em conformidade com o que a empres a neces s ita. Mas , nas empres as C, D, G e H, os entrevis tados indicam haver oportunidad e de melhoria: os produtos de IC, mes mo que aderentes à realidade organizacional, não trans cendem as informações explícitas nos dados e oferecem poucas inferências que criem valor ao negócio.

Oportunidade - As informações devem s er utilizadas no momento op ortuno, s ob ris co de perder a utilidade para outros (Fleis her; Bens ous s an, 2003; Fuld, 2007). Nas organizações analis adas , os entrevis tados avaliam que os produtos de IC atendem o tempo neces s ário para a tomada de decis ão e fornecem prazo s uficiente para implantar o curs o de ação recomendada. Contudo, o us o dos materiais no proces s o decis ório ainda é limitado. Segundo os us uários das empres as B, E e F, as empres as , mes mo aces s ando um material objetivo, oportuno e precis o, ainda não es tão preparadas para emp regar es s as anális es de forma efetiva na tomada de decis ão. Nas entrevis tas , a percepção dos us uários é de que os produtos de Inteligência pos s uem um potencial analítico elevado, todavia s ão mais us ados para jus tificar uma ação já realizada do que para direcionar novas decis ões . Além dis s o, a atualidade das informações contidas nos produtos de IC foi avaliada como plenamente atendida por cinco das oito empres as entrevis tadas (A, C, D, F e H).

7.2 Integridade

Ética - A ética é cons truída por um conjunto de valores , princípios e virtudes e devem orientar a coleta de dados em conjunto com a legalidade (Marcial, Costa & Curvello, 2002; Cleland & King, 1975; Clerc, 1997; Gomes ; Braga, 2004). Nas organizações objeto da pes quis a foi apontando que o código de étic a, es truturado e formalizado, não é cons iderado es s encial para a dis s eminação da Ética na empres a. Os entrevis tados o percebem como algo burocrático e que a divulgação dos princípios éticos é feita na companhia como um todo. Quanto ao s igilo dos dados , ain da que a maioria das organizações utilizem apenas informações publicáveis , os dados internos s ão confidenciais e, cas o s ejam divulgados , podem gerar danos à imagem e ao negócio. Es ta percepção es tá pres ente na res pos ta dos us uários s obre a preocupação das empres as quanto aos ris cos de uma pos s ível conduta antiética de s eus profis s ionais . Praticamente todas elas cons ideram a aus ência de ética na conduta de s eus colaboradores , uma falta grave que pode ocas ionar des dobramentos negativos para a organização. Alé m dis s o, a maior parte das organizações pes quis adas us a de bas es de dados pagas e lícitas , além de empregarem dados não es truturados de fornecedores e clientes . Tais informações tendem a criar maior valor agregado, pois s ão exclus ivas e as s imétricas.

Legalidade – A manutenção de atitude ética e legal dis tingue as organizações do comportamento de es pionagem indus trial (Marcial, Cos ta & Curvello, 2002; Rodrigues , Miranda & Cres po, 2010). A pes quis a aponta que o país ainda pos s ui uma legis lação de aces s o e us o da informação diminuta. Devido à pequena projeção des s as normas , as empres as não s e preocupam tanto com o domínio e a dis s eminação da legis lação que rege a atividade de IC. As únicas empres as que apres entaram e atenção plena às regras foram a B e F. O us uário da empres a B enfatizou que a organização divulga cons tantemente aos s eus profis s ionais , o modo como os dados devem s er obtidos e tratados . A maioria das companhias pes quis adas , exceto a empres a F, tem áreas jurídicas que fornecem o apoio para que s uas informações não caus em dano ao negócio. Devido à existência dos departamentos jurídicos para os us uários , a temática da legalidade es tá mais vinculada a es tas unidades do que a IC. Além dis s o, apenas as empres as A, F e G avaliam que, caso seus produtos de IC fos s em aces s ados por outros agentes econômicos , eles não criariam qualquer dificuldade. A jus tificativa pauta-s e no us o de informações publicáveis . As outras pos s uem algum receio s obre o aces s o aos dados das empres as , em especial quando empregam dados internos nas anális es.

Trans parência - As empres as devem priorizar a clareza e trans parência das informações geradas pelas áreas de IC, quanto maior a vis ibilidade da área de IC melhor as interações com as outras áreas da organização, a prática da trans parência proporciona a pos s ibilidade do trabalho em rede (Sawka, 2000; Ramos & Moretti, 2008). Es ta pes quis a apontou que nas empres as A, D, E e H, os produtos de IC s ão elaborados quas e que exclus ivamente dentro das equipes de Inteligência, nas empres as B, C, F e G, a interação com outros s etores é intens a. Em geral, as áreas que contam com uma equipe menor tendem a bus car mais o apoio de outros s etores . A aces s ibilidade aos profis s ionais de Inteligência foi cons iderada s atis fatória por todos os entrevis tados . Ela torna mais fácil a criação de redes internas e externas e a obtenção de informações em outros departamentos , o que reforça a tendência de que as unidades de IC precis am s er vis íveis e trans parentes . Quanto à comunicação, os us uários das empres as A, B, C e F a entendem como pos itiva. Para as empres as G e H, há potencial de melhorá-la. Para os us uários , os produtos de IC cumprem, em grande parte, uma função informacional e não decis ória, is to é, embora eles trans mitam alinhamento com o us o es tratégico d as informações , internas e externas , não é tão claro o que es tes produtos devem encerrar dentro da organização.

7.3 As sociação da Acionabilidade com a Integridade

Diante do res ultado de cada atributo, foram cons truídos , para cada empres a, os valores refe rentes à Acionabilidade e à Integridade (Figura 1). Eles foram obtidos por meio da média s imples dos fatores que compõem cada uma das dimens ões . Além da pos ição das empres as em cada s etor, a Matriz permite entender a direção que as áreas de IC precis am trilhar para tornar a Inteligência, de fato, efetiva. Para entender as caracterís ticas e comportamento em cada um dos s etores do modelo, eles s erão analis ados , s eparadamente, nos tópicos a s eguir.

Matriz Acionabilidade x Integridade
Figura 1
Matriz Acionabilidade x Integridade
Elaborado pelo autor.

A classificação das organizações nos quadrantes da matriz é proveniente da média s imples apurada pela avaliação do conjunto de atributos que compõem as dimens ões Acionabilidade e Integridade; os valores es tão apurados pelo questionário estruturado que s e encontra no apêndice I. A cada conjunto de quatro perguntas do ques tionário, s ão definidos os critérios de avaliação dos atributos que compõem a Acionabilidade e a Integridade. Desta forma, pelos resultados de cada um dos atributos , foram cons truídos os valores referentes às dimens ões Acionabilidade e Integridade, conforme apres entado no quadro 2.

Médias do conjunto de atributos que compõem a Acionabiliade e Integridade
Quadro 4
Médias do conjunto de atributos que compõem a Acionabiliade e Integridade
Elaborado pelo autor

As empres as que apres entam média inferior a 3 nas dimens ões Acionabiliade e Integridade, não cons eguiram demons trar pleno des envolvimento no conjunto de atributos cons titutivos das referidas dimens ões , caracterizando por uma natureza mais informativa.

A matriz demons tra que a organizações A, C e G mantiveram média alta para Acionabilidade e integridade. As organizações demons traram capacidade plena de cons trução da área de Inteligência Competitiva. As organizações que obtiveram média alta para Acionabilidade e baixa para Integridade tiveram s uas áreas de inteligência clas s ificadas como de es pionagem, o que pode s er obs ervado para a empres a D. As organizações que não alcançaram média s atis fatória para nenhum dos pilares tiveram s uas áreas de inteligência clas s ificadas como es peculação, padrão percebido nas empres as E e H. As companhias que tiveram média alta para Integridade e baixa para acionabilidade tiveram s uas áreas de inteligência clas s ificadas como de armazenagem, comportamento apres entado na matriz para as empres as B e F.

Setor Armazenagem (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito versus Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem p ara a Boa Imagem Corporativa, 2002) - As empresas B e F es tão nes s e s etor. Elas têm a dificuldade de utilizar os produtos de IC nas decis ões . Para s eus us uários , as informações contidas nos documentos s ão importantes , mas raramente s e trans formam em ação. O conteúdo dos materiais é ‘interes s ante de s aber’ ao invés de ‘útil de s aber’. Na vis ão dos entrevis tados , os conhecimentos s e limitam a analis ar o ambiente atual e a informar s obre s éries his tóricas . Em ambos os cas os , exis te a percepção de Integridade d os processos , em es pecial na empres a B, cuja avaliação foi a mais positiva neste quesito. Nela, os usuários utilizam as análises para justificar projetos atuais . No cas o da empres a F, as diretrizes internas enges s am a função de IC, o que a torna muito parecida com uma biblioteca de dados . Foi apontada a exis tência de uma alta demanda por dados , mas eles s ão us ados de forma s uperficial e às vezes ilus trativas .

Setor Es peculação (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002) – Compos to pelas empres as E e H, s eus produtos de IC não trans mite a confiabilidade e a s egurança neces s árias . Como nem s empre as anális es es tão fundamentadas em informações cons is tentes, eles tendem a emitir opiniões s em grande embas amento. Os materiais não garantem aos ges tores a s egurança de que eles precis am no proces s o decis ório. Segundo o us uário da empres a E, parte da dificuldade de fazer a Inteligência acionável es tá no caráter generalis ta d os produtos . Eles não es tão aderentes à neces s idade dos ges tores . Além dis s o, foi obs ervado que a pres ença das empres as no s etor deve-s e à des atenção aos proces s os de cons trução das informações . Por exemplo, a empres a E não tem um Código de Ética que orien te s obre as normas em torno do aces s o e tratamento das informações . No cas o das duas companhias , não foi percebido, por s eus us uários , o foco na divulgação das regulamentações tampouco na atualização das equipes de Inteligência Competitiva. Por fim, não fo ram identificadas atividades ilegais nas áreas de IC, o que reforça o porquê as empres as es tão nes s e s etor, ou s eja, por des cuido com a Integridade e não devido a proces s os inadequados .

Setor Es pionagem (Marcial, Cos ta, & Curvelo, Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa, 2002) - A empres a D é a única nes te s etor. Ela des taca-s e pela capacidade de s eus produtos de IC s erem utilizados pelos ges tores em ações da empres a. Eles dis põem de anális es , inferências e anális es focadas no curto prazo, e orientam s obre o ambiente atual de negócios . Na percepção do us uário, ainda exis te oportunidade de melhorar a vis ão de médio e longo prazo. Porém, como os recurs os na atividade s ão reduzidos , os profis s ionais de Inteligência precis am focar em determinados as pectos para fazerem a atividade acontecer. Es te proces s o faz com que a equipe não tenha tempo s uficiente para ocupar-s e com tarefas vis tas como burocráticas , como a es truturação de um Código de Ética ou u m es tudo s obre a legis lação vigente. A unidade s uporta tais deficiências com auxílio de outras áreas , como o jurídico. Embora o nome da categoria pos s a carregar uma conotação negativa, a companhia realiza s uas atividades de modo legal e ético. O nível baixo de Integridade s e deve à expos ição ao ris co de imagem e negócio, ocas ionado pela falta de conhecimento e dis s eminação res trita s obre as normas e diretrizes que devem reger a atividade de IC.

Setor Inteligência (Fleis her & Bens ous s an, 2003; Marcial, Cos ta & Curvello, 2002) - Na vis ão dos us uários , as empres as A, C e G s ão capazes de efetivamente apoiarem as decis ões . Suas áreas de IC s ão conhecidas como parte es s encial do fornecimento de dados atuais e relevantes para o negócio. Na empres a C, foi enfatizad o que os relatórios de Inteligência apoiam as decis ões , mas não s ão o único ins trumento, e que, junto com as demais ferramentas , fornecem uma ação mais s egura da empres a. Para o entrevis tado da empres a G, há es paço para maior adoção dos materiais de IC no s eu negócio. Nos três cas os , a principal deficiência es tá na falta de conhecimento acerca das leis de us o da informação. Embora elas não tenham Códigos de Ética es pecíficos , elas têm princípios que norteiam o comportamento dos s eus profis s ionais . As empres as C e G s e des tacam pela vis ibilidade e pela cons trução coletiva dos produtos de Inteligência. Na vis ão dos us uários , dois des afios de s uas empres as s ão o us o de fontes não -es truturadas e o des envolvimento de ferramentas de s uporte a IC. Na empres a A, a cons trução de dados , racional e lógica, reflete o us o intens o de s éries his tóricas e informações quantitativas . Nota-s e que os dados qualitativos de fontes humanas tendem a trazer conhecimentos únicos e as s imétricos , que geram maior diferencial para o negócio.

7.4 Limitações

Este es tudo, de natureza qualitativa, refere -s e a uma etapa preliminar para validação e qualificação do modelo propos to para anális e da as s ociação da Acionabilidade e da Integridade em produtos de Inteligência Competitiva. Todavia, pa ra generalizar o conhecimento nele obtido, s eria neces s ário realizar outras etapas de pes quis as pos teriores , de natureza qualitativa e também quantitativa, para a efetiva validação da matriz como uma s olução científica de anális e da Inteligência. Em nenhum momento da pes quis a s e pretendeu expandir os conhecimentos aqui adquiridos para todo o univers o de empres as com funções formais de IC. Ao contrário, os conhecimentos apres entados nos Res ultados do Es tudo s ão fundamentos para s edimentar o des envolvimento d e um novo cabedal de conhecimentos originais e orientados para o campo da Inteligência Competitiva no país.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Matriz Acionabilidade x Integridade (Fleis her; Bens ous s an, 2003; Marcial; Cos ta; Curvello, 2002) indica a pos ição da fun ção de IC ante as dimens ões pes quis adas . O ideal é que cada empres a que s e pos icione nes ta matriz bus que quais s ão as caus as que fazem com que a função de Inteligência Competitiva ocupe determinado es paço e quais atributos precis am para que ocupe a pos ição almejada dentro do modelo.

Dentro das organizações pes quis adas , foi obs ervado que os produtos de IC não s ão us ados como fonte principal para a tomada de decis ão, mas como ins trumento complementar às demais ferramentas . Es s a ideia retira da Inteligência a pres unção de s er cons iderada a melhor alternativa para a empres a e a coloca no patamar de outras iniciativas que norteiam o proces s o de decis ão. Além dis s o, os produtos de IC s ão us ados como um informativo, cons ultados para defender uma ação já tomada. Na vis ão dos us uários , a Integridade ainda é percebida como uma neces s idade da função enquanto a Acionabilidade é um es tímulo que movimenta a Inteligência Competitiva rumo à criação de vantagem competitiva.

Uma contribuição des s e trabalho, tanto em termos teóricos quanto em termos gerenciais , s e refere à as s ociação entre os pilares acionabilidade e integridade na cons trução de modelos de inteligência competitiva. Ele permite uma nova abordagem s obre os dois pilares da IC – Acionalibilidade e Integridade – bem como pode s er útil aos ges tores para o acompanhamento das atividades e projetos de IC des envolvidos dentro das organizações .

Nes s e trabalho, é pos s ível obs ervar que a IC pode contribuir para a cons trução das es tratégias organizacionais ; os conceitos de Acionabilidade e Integridade demons traram s imilaridades conceituais com os modelos es tratégicos tradicionais . A orientação dada pelo s is tema FAROUT (Fleis her & Bens ous s an, Strategic and Competitive Analays is :Methods and Techniques for Analyzing Bus ines s Compe tition., 2003)de vis ão orientada para o futuro, precis ão, eficiência de recurs os , objetividade, utilidade e oportunidade s ão também apres entados pelos modelos es tratégicos , com denominações dis tintas , mas muitas caracterís ticas conceituais s imilares .

É importante res s altar que, como todo es tudo, es s a pes quis a tem limitações . Por exemplo, os res ultados aqui des critos não s ão generalizáveis para todo o univers o de empres as com IC. O aces s o a um único ges tor por organização res tringe o alcance do es tudo. Se ele é a favor ou contra a atividade de Inteligência em s ua empres a, provavelmente es s a tendência pode ter s urgido numa ou noutra res pos ta. Quando s e entrevis ta mais de um us uário, a tendência é que tais vies es s ejam mais difíceis de acontecerem. A s ubjetividade do método afeta o es tudo à medida que o pes quis ador é quem determina o grau de cada variável. É s ob s eu ponto de vis ta que s ão pos icionadas as res pos tas s obre a percepção do us uário. Embora todo pes quis ador científico bus que s empre a is enção e a imparcialidade, é praticamente impos s ível retirar da anális e s ua herança cultural, s eus vícios de entendimento e s ua vis ão s is têmica.

Não obstante, sugere-s e a s eguir alguns próximos pas s os . Um es tudo de mes ma natureza pode s er realizado dentro de s egmentos econ ômicos es pecíficos , pois cada s etor tende a apres entar dinâmicas diferentes . As s im, o recorte por atividade econômica pode res ultar numa informação mais precis a s obre a atividade de IC. Da mes ma forma, recomenda - s e a categorização regional. Sugere-s e ainda que s eja cons truído um ins trumento quantitativo para avaliação des s as dimens ões , forma complementar de tornar mais as s ertiva e precis a a avaliação da função de IC nas organizações . A cons trução des s e produto tende a tornar a avaliação mais s imples , generalizável e menos s ubjetiva, amenizando algumas limitações que o es tudo qualitativo não foi capaz de abs orver por completo.

Recorda-s e que a iniciativa de s e es tudar um campo tão pouco explorado na realidade organizacional bras ileira bus que es timular a criação de um novo cabedal de conhecimentos s obre a Inteligência Competitiva no país . Es pera-s e que es tudos como es s e pos s am catalis ar a função de IC nas empres as nacionais e, as s im, torná-la uma atividade relevante para tomada de decis ões mais as s ertivas , para a redução da expos ição aos ris cos por parte das empres as e para expandir exponencialmente a competitividade do negócio.

Referências

As s ociação Bras ileira dos Analis tas de Inteligência Competitiva, A. (11 de 2011). http://www.abraic.org.br/v2/glossario.

Barclay, R., & Kaye, S. (2000). Millennium Intelligence: Unders tanding and Conducting Competitive Intelligence in the Digital Age. New Jers ey: Cyberage Books , 81-195.

Bouthillier, F., & Shearer, K. (2003). As s es sing Competitive Intelligence Sofware: A Guide to Evaluating CI Tecnology. Ney Jersey: Information Today, 187.

Cleland, D., & King, W. (1975). Competitive Bus ines s Intelligence Sys tem. Business Horizons, 19-28.

Clerc, P. (1997). World Information Report. Paris : UNESCO.

Clerc, P. (1997). World Information Report. Paris : UNESCO.

Comai, A., & Millán, J. (2006). Mapping and Anticipating the Competitive Lans cape. Barcelona: EMECON Ediciones, 145.

Combs , R., & Moorhead, J. (1992). The Competitive Intelligence Handbook. Metuchen: Scarecrow Press, 197.

Crane, A. (2005). In The Company of Spies : When Competitive Intelligence Gathering Becomes Indus trial Es pionage. Business Horizons, 233-240.

Cruz, C., & Ribeiro, U. (2003). Metodologia Científica: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Axcel Books .

Degent, R. (1986). A Importância da Es tratégia e o Funciomamento do Serviço de Inteligência Empres arial. Revista de Administração de Empresas, 77-83.

Fernandez, M., & Lana, R. (2008). Inteligência Competitiva: Uma Nova Ferramenta para o Empreendedoris mo. Revista de Administração, Contabilidade e Economia Unoesc., 149-

Fleis her, C., & Bens ous s an, B. (2003). Strategic and Competitive Analaysis:Methods and Techniques for Analyzing Business Competition. New Jers ey: Prenctice Hall.

Fleis her, C., & Bens ous s an, B. (2007). Business and Competitive Analysis: Effevtive Applic ation of New and Classic Methods . New Jers ey: Prentice Hall.

Fleis her, C., Wright, S., & Tindale, R. (2007). Bibliography and As s es s ment of Key Competitive Inteligence Scholars hip: Part 4 . Jornal of Competitive Intelligence and Management , 32-92.

Fleis her, C., Wright, S., & Trindade, R. (2010). Competitive Intelligence Analys is Failure: Diagnos ing Individual Level Caus es and Implementing Organizational Level Remedies . Journal of Strategic Mak eting, 553-572.

Fuld, L. (1995). The New Competitor Intelligence. New York: Wiley.

Fuld, L. (2007). Inteligência Competitiva: Como se Manter à frente dos movimentos da Concorrência e do Mercado. Rio de Janeiro: Els evier.

Ganes h, U., Miree, C., & Pres cott, J. (2003). Competitive Intelligence Field Res earch: Moving the Field Forward by Stting a Res earch Agenda. Journal of Competitive Intelligence and Management , 1-12.

Gilad, B. (2004). Early Warning: Us ing Competitive Intelligence to Antecipate Market Shifts , Control Ris k, and Create a Powerful Strategies . AMACON, 268.

Gilad, B. (2011). Strategy Without Intelligence, Intelligence Without Strategy. Business Strategy, 4-11.

Gomes , E., & Braga, F. (2004). Inteligência Competitiva: Como Transformar Informação em um Negócio Lucrativo. Rio de Janeiro: Els evier.

Gonzalez, I. V., & Campos , F. C. (2015). Propos ta de Modelo Conceitual de Formação de Es tratégia de Negócio a partir da Integração da Aprendizagem Organizacional e a Ges tão da Inovação. UNIFASC, 473-493.

Herring, J. (1996). Meas uring the Effectivenes s of Competitive Intelligence. SCIP.

Hodges , C. (2005). Competitive Intelligence: Overview Feeding the Competitive Analys is Proces s . ASQ World Conference on Quality and Improvement Proceedings.

Hohhof, B. (2002). O Mercado da Tecnologia da Informação. In: MILLER, Jerry. O Milênio da Inteligência Competitiva . Porto Alegre: Bookman, 157- 179.

Juhari, A., & Stephens , D. (2006). Tracing the Origins of Competitive Intelligence Throughout His tory. Journal of Competitive Intelligence and Mangement , 61-81.

Kelley, W. (1968). Mark eting Intelligence: The Management of Marketing Information. London: Staples Press , 248.

Lapponi, J. (2003). Modelagem Financeira com Excel. Rio de Janeiro: Elsevier.

Les ca, H., Freitas , H., & Cunha, M. (1996). Como Dar um Sens o Útil às informações Dis pers as para Facilitar a Decis ão e Ações dos Dirigentes : O Problema Crucial da Inteligência Competitiva Através da Cons trução de um "Puzzle". . Séries Documentos para Estudos, PPGA/UFRGS, 1-12.

Liu, Y. (2013). Sus tainable competitive advantage in turbulent bus ines s environments . International Journal of Production Research , 2821-2841.

Malhorta, N. (2011). Pesquisa de Mark eting: Uma Orientação Aplicada. Porto Alegre: Bookman.

Marcial, E., Cos ta, A., & Curvelo, J. (2002). Lícito vers us Ético: Como as Ferramentas da Inteligência Competitiva Podem para a Boa Imagem Corporativa. Iteligência Empresarial, 23-29.

Martinet, B., & Marti, Y. (1995). L`Intelligence Économique: Les Yeuxetles Oreilles de I´entreprise. Paris .

Miller, J. (2002). O Milênio da Inteligência Competitiva. Porto Alegre: Bookman.

Pereira, F., Mafra, R. d., & Ricardo, V. D. (2016). Anális e do Ciclo da Inteligência Competitiva em Arranjos Produtivos Locais : Es tuturação do Bureau de Inteligência do APL de Software de Belo Horizonte. Revista de Inteligêcia Competitiva , 139-164.

Pereira, J., & Hanas hiro, D. (2010). Ser ou não ser favorável às práticas de diversidade? Eis a questão. Fonte: http://dx.doi.org/10.1590/S1415- 65552010000400007.

Pres cott, J. (1999). The Evolution of Competitive Intelligence. . Association of Proposal Management Profissional (APMP) , 37-52.

Ramos , D., & Moreti, C. (2008). Inteligência Competitiva: Aspectos Críticos na Empres a Bras ileira. Integração, 6-16.

Rodrigues , A., Miranda, C., & Cres po, I. (2010). Inteligência Competitiva em Unidades e Informação: Ética e Ges tão. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação , 53-71.

Sammon, W., Kurland, M., & Splitalnic, R. (1984). Business Competitor Intelligence: Methods for Collecting, Organizing and Using Information. New York: John Wiley & Sons .

Sawka, K. (2000). Millennium Intelligence: Unders tanding and Conducting Competitive Intelligence in the Digital Age. New Jes ey : Cyberage Books .

SCIP, S. a. (05 de 06 de 2012). http//www.scip.org/resources/content.cfm?/itemnumber =601& navItemnumber=533d.

Søderberg, A.-M. (2015). Recontextualis ing a s trategic concept within a globalis ing company:. The International Journal of Human Resource Managemen , 231-257.

Tarapanoff, K. (2001). Inteligência Organizacional Competitiva. Brasilia: UNB.

Toledo, L.; Toledo, L. (2007). Sis tema de Inteligência Competitiva: Um Es tudo de Cas o no Setor de Telecomunicações . Revista FAE, 1-18.

Triviños , A. (1987). Intordução à Pesquisa em Ciências Sociais: A Pesquisa Qualitativa em Educação. São Paulo: Atlas.

Yap, C., & Ras hid, M. (2 de April de 2011). Acquis itio and Strategic us e of competitive intelligence. Journal of Library & Information Science, pp. 125-136.

Zangoueinezhad, A., & Mos habaki, A. (2008). The Role of Structural Capital on Competitive Intelligence. Industrial Management & Data Systems, 262-280.

HMTL gerado a partir de XML JATS4R por