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CONHECIMENTO, USO ALIMENTAR E CONSERVAÇÃO DA AVIFAUNA CINEGÉTICA: ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE PATOS, PARAÍBA, BRASIL
KNOWLEDGE, FOOD USE AND CONSERVATION OF CINEGETIC AVIFAUNA: CASE STUDY IN PATOS MUNICIPALITY, PARAÍBA, BRASIL
CONOCIMIENTO, USO ALIMENTAR Y CONSERVACIÓN DE LA AVIFAUNA CINEGÉTICA: ESTUDIO DE CASO EN EL MUNICIPIO DE PATOS, PARAÍBA, BRASIL
CONHECIMENTO, USO ALIMENTAR E CONSERVAÇÃO DA AVIFAUNA CINEGÉTICA: ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE PATOS, PARAÍBA, BRASIL
Interciencia, vol. 43, núm. 7, pp. 491-497, 2018
Asociación Interciencia
Recepção: 26/07/2017
Corrected: 11/06/2018
Aprovação: 15/06/2018
Resumo: O uso de aves silvestres faz parte da rotina de diversas comunidades rurais no semiárido brasileiro e está enraizada em sua cultura desde épocas remotas. O objetivo deste estudo foi registrar as espécies de aves utilizadas como recurso alimentar, as técnicas de captura utilizadas pelos caçadores locais e difundir um método mais eficaz para evidenciar quais espécies são mais valorizadas localmente. Foi registrado o conhecimento de 21 moradores que utilizavam ou interagiam com as aves, no Município de Patos, Estado da Paraíba, Brasil. Registrou-se um total de 27 espécies distribuídas em 21 gêneros, 10 famílias e nove ordens, as quais são caçadas principalmente pelo sabor da carne. Foi calculado o valor de uso (VU) para cada espécie, em três formas diferentes: geral (VUg), atual (VUa) e potencial (VUp), onde estes variaram de 0 e 1 (VUg), 0,05 e 1 (VUa) e 0 e 0,66 (VUp). A família com maior número de espécies citadas foi Columbidae (9 espécies) seguida de Tinamidae (5) e Anatidae (3 espécies). Com relação à captura das aves, foram registradas seis técnicas de captura (‘arapuca’, ‘arremedo’, ‘espera’, ‘manual’, ‘sangra’, ‘espingarda’). Estudos adicionais sobre essas práticas de caça serão úteis para contribuir com propostas para elaboração de planos de manejo com base nas espécies efetivamente utilizadas na região com o objetivo de alcançar uma utilização sustentável de recursos avifaunais de grande importância para as comunidades humanas.
Palavras-chave: Atividade Cinegética , Etnoornitologia , Semiárido Paraibano.
Abstract: The use of wild birds is part of the routine of several rural communities in the Brazilian semiarid region and is rooted in their culture since ancient times. The objective of this study was to record the species of birds used as food resources, the capture techniques used by local hunters, and to disseminate a more effective method to show which species are most valued locally. The knowledge of 21 residents who used or interacted with birds was recorded in the municipality of Patos, Paraiba state, Brazil. A total of 27 species distributed in 21 genera, 10 families and 9 orders, which are hunted mainly for the flavor of the meat. The value of use (VU) for each species was calculated in three different forms: general VU (VUg), present VU (VUa) and potential VU (VUa); these varied from 0 and 1 (VUg), 0.05 and 1 (VUa) and 0 and 0.66 (VUp). The family with the highest number of species was Columbidae (9 species) followed by Tinamidae (5) and Anatidae (3 species). Concerning the birds capture, six techniques were recorded under the local names of arapuca, arremedo, espera, manual, sangra and espingarda. Further studies on these hunting practices will be useful in contributing to proposals for the development of management plans based on the species actually used in the region with the objective of achieving a sustainable use of avifauna resources of great importance for communities.
Resumen: El uso de aves silvestres forma parte de la rutina de diversas comunidades rurales en el semiárido brasileño y está enraizado en su cultura desde épocas remotas. El objetivo de este estudio fue registrar las especies de aves utilizadas como recurso alimentario, las técnicas de captura utilizadas por los cazadores locales y difundir un método más eficaz para evidenciar qué especies son más valoradas localmente. Se registró el conocimiento de 21 residentes que utilizaban o interactuaban con las aves, en el municipio de Patos, Estado de Paraíba, Basil. Se registró un total de 27 especies distribuidas en 21 géneros, 10 familias y nueve órdenes que son cazadas principalmente debido al sabor de su carne. Se calculó el valor de uso (VU) para cada especie, en tres formas diferentes: general (VUg), actual (VUa), y potencial (VUp), donde estos variaron de 0 y 1 (VUg), 0,05 y 1 (VUa) y 0 y 0,66 (VUp). La familia con mayor número de especies citadas fue la Columbidae (9 especies), seguida de Tinamidae (5) y Anatidae (3 especies). Con respecto a la captura de las aves, se registraron seis técnicas de captura, conocidas bajo los nombres locales de arapuca, arremedo, espera, manual, sangra y espingarda. Estudios adicionales sobre esas prácticas de caza serán útiles para contribuir con propuestas para la elaboración de planes de manejo basados en las especies efectivamente utilizadas en la región con el objetivo de alcanzar una utilización sostenible de recursos avifaunales de gran importancia para las comunidades humanas.
Introdução
As aves estão presentes em todos os planos culturais da vida dos seres humanos, desde a pré-história até os tempos atuais (Alves et al., 2013). O estudo desses vínculos e relações entre as pessoas e as aves é abordado pelos princípios da etno-ornitologia que estuda o conhecimento, simbolismo, significado e atributos das aves pelas comunidades humanas (Tiedman e Gosler, 2010; Alves et al., 2013).
O uso de aves silvestres faz parte da rotina de diversas comunidades rurais no semiárido brasileiro estando enraizada em sua cultura (Alves et al., 2012; Fernandes-Ferreira et al., 2012). Os altos índices de diversidade, abundância em números de indivíduos e o alto valor proteico, tornam as aves um importante recuso alimentar para a população do semiárido nordestino (Bezerra et al., 2011; Alves et al., 2012; Mendonça et al., 2016) e do mundo (Grande-Veja et al., 2012).
Uma vez que as aves são utilizadas de diversas formas (alimentação, mágico-religioso, animais de estimação) pelas sociedades contemporâneas (Sick, 1997; Alves et al., 2010; Bezerra et al., 2012; Fernandes-Ferreira et al., 2012), a captura destes animais para suprir o tráfico de animais silvestres (pets) aliada a caça predatória, correspondem aos principais fatores responsáveis pelos declínios populacionais de várias espécies (Bezerra et al., 2011, 2012; Mendonça et al., 2016).
Diversos estudos tem evidenciado a importância do conhecimento e utilização das aves silvestres no âmbito da Caatinga, a fim de compreender a dinâmica do uso e conhecimento das aves pelas populações humanas (Bezerra et al., 2011, 2012; Alves et al., 2012, 2013; Fernandes-Ferreira et al., 2012). Nestas perspectivas algumas técnicas de análise de dados vêm sendo testadas na atualidade, com destaque para o ‘valor de uso’ (VU), técnica amplamente utilizada para inferir a importância em escala regional/local das espécies na visão dos interlocutores locais (Rossato et al., 1999; Albuquerque et al., 2014; Fernandes-Ferreira et al., 2012). No entanto por não fazer distinção entre uso atual (efetivo) e uso potencial (conhecimento sem uso efetivo) pode apresentar dados confusos dando ênfase a espécies que não são necessariamente as mais utilizadas/valorizadas (La Torres Quadros e Islebe, 2003). Com base em tais premissas, Lucena et al., (2012) propõem uma forma alternativa para análise do VU, que considera três formas diferentes de coleta e interpretação dos dados das entrevistas. Sendo assim, tem-se: o valor de uso atual (VUa), baseado nas citações reais/efetivas de uso; o valor de uso em potencial (VUp), baseado nos usos que as pessoas citaram conhecer, porém não utilizam; e o valor de uso geral (VUg), forma comumente usada na literatura.
Nestas condições, visto que a utilização de aves silvestres afeta negativamente os ecossistemas causando declínio populacional de várias espécies (Alvard, 1999; Alves et al., 2012), presente pesquisa objetivou avaliar as aves silvestres utilizadas como recurso alimentar, bem como as técnicas utilizadas na captura e abate, de modo a compreender a dinâmica da caça no município de Patos, onde predomina o bioma Caatinga. Partimos do pressuposto de que o elenco das espécies mais importante localmente varia em função dos diferentes valores de uso. Além disso, buscou-se identificar as relações socioculturais e os aspectos que envolvem as atividades cinegéticas, bem como suas implicações para conservação.
Métodos
Área de estudo
O município de Patos (07º01’32’’S e 37º16’40”O) está localizado na mesorregião do Sertão, no semiárido da Paraíba, nordeste do Brasil (Figura 1). Dista 307km de João Pessoa. Apresenta uma população total de 106.314 habitantes, área de 473,056km² e altitude de 242m, com densidade de 212,82 hab/km², PIB per capita de R$ 11.067,51 e IDH de 0,701 (IBGE, 2015). A vegetação da região em sua maioria é formada por espécies caducifólias espinhosas com ocorrência de cactáceas. O clima é do tipo BShSemi-Árido quente e seco (Köppen: Aw), com poucas chuvas. A precipitação média anual é de 600mm. Sua economia baseia-se na cultura no algodão e do feijão; as principais indústrias são de calçados, extração de óleos vegetais e beneficiamento de algodão e cereais. É considerada a 3º cidade polo do Estado com base em sua importância socioeconômica (IBGE, 2015).

Procedimentos
A coleta de dados foi realizada mensalmente, entre maio e outubro 2015. Foram entrevistadas 21 pessoas do sexo masculino, com média de idade de 54 (22-70) anos e exercem as seguintes profissões: agricultor (4), aposentado (6), autônomo (6), mecânico (2), policial (1) e segurança (2). Com relação à escolaridade dos informantes, quatro possuem ensino fundamental completo, 12 possuem o ensino fundamental incompleto, quatro possuem ensino médio completo e um não apresenta grau de escolaridade. Catorze informantes residem na zona urbana e sete na Zona Rural.
Para cada informante foi explicado o objetivo da presente pesquisa, e em seguida foram convidados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e o termo de autorização de imagem que é solicitado pelo Conselho Nacional de Saúde por meio do Comitê de Ética em Pesquisa (Resolução 466/12). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba (Protocolo CAAE44488915.6.0 000.5187).
A primeira etapa do trabalho envolveu contatos iniciais para estabelecer uma relação de confiança com os entrevistados. Logo após os primeiros contatos nos permitiu desenvolver a utilização da técnica de bola de neve (snowball), como observado em outros estudos (Bailey, 1994; Albuquerque et al., 2014), possibilitando a identificação dos ‘especialistas locais’, pessoas que se auto reconhecem e que são indicados pela própria comunidade como culturalmente competentes (Hays, 1976). Foram realizadas entrevistas com formulários semiestruturados, abordando questões a respeito do conhecimento e uso local das espécies de aves, perguntas sobre os detalhes envolvidos na atividade de caça, como local de captura, técnica utilizada e diversidade de aves capturadas.
A avifauna cinegética foi identificada através de: 1) o auxílio de guias de campo (Sigrist, 2009; Neves e Telino-Júnior, 2010); 2) através de espécimes ou partes doados por entrevistados; 3) através dos registros e fotografias realizados durante as entrevistas; 4) através de álbuns seriados contendo fotos das espécies que ocorrem na região; e 5) baseados em estudos zoológicos e realizados previamente na área da pesquisa (Neves e Telino-Júnior, 2010). A nomenclatura científica utilizada no presente estudo segue a taxonomia do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (Piacentini et al. 2015).
Análise dos dados
A fim de quantificar a importância local de cada espécie, na visão dos entrevistados foi calculado o valor de uso (VU), adotando-se a proposta de Lucena et al. (2012) que considera três formas diferentes de coleta e interpretação dos dados das entrevistas. Sendo assim, tem-se: o valor de uso atual (VUa), baseado nas citações de uso que as pessoas informaram efetivamente utilizar; o valor de uso em potencial (VUp), baseado nos usos que as pessoas citaram conhecer, porém não utilizam; e o valor de uso geral (VUg), forma comumente usada na literatura, a qual não faz distinção entre uso e conhecimento.
onde VUg: valor de uso da espécie, Ui: número de citações de uso da espécie mencionada por cada informante, n: número total de informantes.
onde VUa: valor de uso atual da espécie, Uia: número de citações de uso atual da espécie mencionada por cada informante, n: número total de informantes.
onde VUp: valor de uso potencial da espécie, Uip: número de citações de uso potencial da espécie mencionada por cada informante, n: número total de informantes.
Foi utilizado o teste de Wilcoxon (Sokal e Rholf, 1995) para comparar os valores de usos gerais, atuais e potenciais e o teste de correlação de Spearman para averiguar a correlação entre valor de uso atual e potencial. Ambas as aferições foram realizadas através do Software R (R Core Team, 2014).
Resultados
Os entrevistados citaram um total de 27 espécies distribuídas em 23 gêneros, nove famílias e nove ordens (Tabela 1) as quais são caçadas principalmente pelo sabor da carne (269 citações), disponibilidade/facilidade de captura (5 citações) e controle (4 citações). A família com maior número de espécies citadas foi Columbidae (9 espécies) seguida de Tinamidae (5) e Anatidae (3 espécies).
Os valores de uso (Tabela I) variaram respectivamente de 0 e 1 (VUg), 0,05 e 1 (VUa) e 0 e 0,66 (VUp). As espécies que se destacaram nos valores de uso geral (uso e conhecimento; VUg) foram respectivamente Nothura boraquira (Spix, 1825); N. maculosa (Temminck, 1815) e Zenaida auriculata (Des Murs, 1847) ambas com (VUg= 1). Nos valores de uso atual (uso efetivo; UVa) as espécies que se destacaram foram respectivamente Z. auriculata (VUa= 1), N. maculosa (0,81) e N. boraquira (0,76) e Netta erythrophthalma (Wied, 1832) com valor de uso potencial (conhecimento sem uso efetivo; VUp= 0,66); Columbina talpacoti (Temminck, 1811) (VUp= 0,62); e Patagioenas picazuro (Temminck, 1813) (VUp= 0,48). Houve uma diferença altamente significativa entre VUg e VUa (w= 276, p-value= 0,000028) e entre VUg e VUp (w= 378, p-value= 0,000006). Não houve diferença significativa entre VUa e VUp (w= 181, p-value= 0,6281) bem como não houve correlação entre VUa e VUp (r= 0,2430, p-value= 0,6281), evidenciando que as espécies mais conhecidas não necessariamente são as mais utilizadas.

Com relação à captura das aves, foram registradas seis técnicas de captura (arapuca, arremedo, espera, espingarda, manual, sangra) e são divididas em ativas (arremedo, espingarda, espera e manual) no qual se faz necessário a presença do caçador, e passivas (arapuca e sangra) vinculadas a utilização de armadilhas, necessita do caçador apenas no momento da coleta. As técnicas mais citadas foram respectivamente espingarda (223 citações), arremedo (22) e arapuca (18). Para mais detalhes sobre as descrições das técnicas ver (Alves et al., 2009; Bezerra et al., 2012).
A ‘arapuca’ é direcionada a captura de cinco espécies P. martinica (7 citações), G. galeata (4), J. jacana (4), Z. auriculata (2) e D. viduata (1). A ‘sangra’ é utilizada para captura de Z. auriculata (1). O ‘arremedo’ é direcionada a atração de L. varreauxi (11), C. parvirostris (5), Z. auriculata (4) e C. tataupa (2). A técnica ‘espera’ é utilizada para captura de P. jacucaca (3), D. viduata (1) e as espécies da família Falconidae (4).
A ‘espingarda’, na visão dos caçadores locais, é o método mais eficaz de captura de aves quando a finalidade é a alimentação, pois resulta numa maior captura em menor quantidade de tempo e direciona-se de maneira geral a praticamente todas as espécies registradas no presente estudo. A técnica ‘manual’ é utilizada para captura de C. squammata e C. pretiosa (2 citações).
As espécies são capturadas em ‘serras’ (regiões montanhosas; 71 citações / 6 espécies envolvidas), locais de ‘mata fechada’ (regiões com vegetação preservada; 129/16; zonas de ‘tabuleiro’ (locais com mata pouco densa com incidência de insilbergs e áreas abertas; 30/11) e corpos alagados (açude, rio; 61/10). Segundo os entrevistados (14) poucas espécies são encontradas na região estudada (C. talpacoti, C. picui, C. minuta, A. guarauna, J. jacana) e outras a exemplo de C. cristata, P. jacucaca, C. pretiosa e C. squammata só são capturadas nas ‘serras’ e em locais de ‘mata fechada’ que conforme os entrevistados geralmente excedem o município de Patos e abrangem as regiões circunvizinhas como Teixeira e Pico do Jabre, regiões a 27 e 44km, respectivamente, que apresentam áreas pouco perturbadas ou com baixa interferência antrópica. Na visão dos informantes as áreas propícias para coleta das aves têm de possuir além do difícil acesso, recursos disponíveis para que o caçador possa camuflar-se ou procurá-las de maneira a não ser percebido pelas mesmas.
Com relação às épocas de captura, é de consenso comum de todos os entrevistados, o reconhecimento de dois períodos antagônicos no ano: chuvoso e seco. O primeiro ocorre geralmente entre os meses de janeiro a meados de maio enquanto que o segundo corresponde aos períodos com ausência de chuvas e compreende os meses de maio à dezembro. Seis entrevistados restringem as atividades de caça apenas ao período chuvoso, e afirmam que nestes períodos o abate das espécies torna-se mais fácil devido a grande disponibilidade. Todas as aves são capturadas com maior frequência durante o período chuvoso com exceção de P. picazuro e Z. auriculata, que segundo os entrevistados são espécies que migram em maio e junho e iniciam o processo reprodutivo no período seco, nas quais são capturadas em maiores quantidades. Espécies encontradas em corpos alagados como S. silvicola e D. viduata são capturadas durante todo o ano, todavia com preferência nos períodos chuvosos. É de consenso comum dos informantes que as atividades de caça não ocorrem nos limites municipais da área estudada, pois o crescimento da cidade, juntamente com o desmatamento e a caça, são os fatores responsáveis pela ausência de muitas espécies na área pesquisada.
Os modos de preparo das espécies abatidas variam e dependem de fatores como tamanho da ave, idade e locais de coleta (espécies de Anatidae ficam em torno de 10 a 15 dias recebendo alimentação a base de milho e farelo com leite para engorda e limpeza). Outro fator relevante é que na visão de todos os entrevistados, 24 espécies (Tabela I), são consideradas ‘carregadas’ (alergênicas) e não se aconselha o consumo da carne destas por pessoas com problemas de saúde tais como, dengue, feridas, infecção, dores nos dentes e mulheres em estado gestacional ou menstruadas.
Discussão
As aves constituem o grupo zoológico que mais sofre pressão antrópica do ponto de vista nutricional, uma vez que representam uma importante e saborosa fonte de proteína (Bezerra et al., 2011; Fernandes-Ferreira et al., 2012; Loss et al., 2014). A principal ameaça à avifauna brasileira é a captura excessiva (Alves et al., 2012; Bezerra et al., 2012; Alves et al., 2013) que muitas vezes excedem o caráter de subsistência e apresenta-se como atividade esportiva (Alves et al., 2009; Grande-Veja et al., 2012) e quando praticadas de maneira indiscriminadas leva à diminuição das populações das espécies envolvidas, tornando-se uma atividade não sustentável (Alvard et al., 1997). Os informantes em sua maioria moram na zona urbana (n= 14), e caçam nas regiões circunvizinhas, evidenciando que os valores culturais e simbólicos bem como os fatores relacionados ao sabor da caça fazem com que tais atividades extrapolem o âmbito tradicional/rural e permanece fortemente atrelado nas sociedades urbanas, fato também relatado em outros estudos (Barboza et al., 2016; Dounias, 2016).
Todas as espécies registradas no estudo ocorrem no Brasil (Sick, 1997; Piacentini et al. 2015) sendo Penelope jacucaca endêmica da Caatinga (Sick, 1997; Sigrist, 2009) além de estar presente em listas de aves ameaçadas, como vulnerável com suas populações em declínio, causadas principalmente pela sobre-caça, sendo considerada extinta nos estados da Paraíba e Alagoas (Silveira e Straube, 2008; Bird Life International, 2016; IUCN, 2016). De acordo com Silveira e Straube (2008) no âmbito da Caatinga a caça predatória e indiscriminada é a principal responsável pela redução populacional das espécies da família Cracidae, como o Mutum de Alagoas (Mitu mitu) atualmente extinto na natureza e P. jacucaca com status de vulnerável com suas populações em declínio. Embora maior parte das espécies listadas não constarem e listas de animais ameaçados, a sobre exploração pode causar a extinção no âmbito local das espécies envolvidas. Muitas espécies são consumidas durante as atividades cinegéticas, e entregues como presente; este fato indica que o número de indivíduos e espécies abatidas deve ser bem maior do que o relatado (Bezerra et al., 2011; 2012; Mendonça et al., 2016). A exploração excessiva das aves silvestres gera desequilíbrios nas cadeias alimentares que abrange outros grupos e promovem sérias consequências ambientais, logo a caça de aves silvestres na Caatinga tem sérias implicações conservacionistas (Bezerra et al., 2012; Fernandes-Ferreira et al., 2012; Mendonça et al., 2016).
As espécies pertencentes às famílias Columbidae, Tinamidae e Anatidae que foram mais citadas no presente estudo para fins alimentares, são frequentemente caçadas por diversas populações locais do Brasil (Bezerra et al., 2012; Fernandes-Ferreira et al., 2012; Loss et al., 2014; Teixeira et al., 2014; Mendonça et al., 2016). Tais autores afirmam que espécies de tinamideos e anatideos apresentam em geral grande massa corporal quando comparado aos columbideos, contudo a disponibilidade e abundância destes tornam as espécies desta família bastante valorizadas, quando a finalidade é a alimentação (Bezerra et al., 2011; Teixeira et al., 2014). Macdonald et al. (2011) apontam que o tamanho corporal é o principal fator analisado quando a finalidade da caça é a alimentação, pois proporciona ao caçador uma maior quantidade de proteína a ser consumida. Contudo, um fato observado no presente estudo, que na ausência de espécies de grande porte tais como as da família Tinamidae, os informantes afirmam que espécies típicas e de fácil disponibilidade geralmente são mais utilizadas, como relatado em outros estudos (Mendonça et al., 2016; Barboza et al., 2016).
As espécies que receberam altos valores de uso (VUg, VUa e VUp) no presente trabalho, como Z. auriculata, N. boraquira, N. maculosa, C. talpacoti, e P. picazuro, são constatadas em diversos estudos com uso e conhecimento de aves silvestres por populações locais em todo o Nordeste (Fernandes-Ferreira et al., 2012; Alves et al., 2013; Loss et al., 2014; Teixeira et al., 2014). Percebem-se com os dados (Tabela I) que as espécies mais conhecidas (VUp) necessariamente não são as mais utilizadas (VUa). Apesar do VU ser uma ferramenta de análise de dados amplamente utilizadas em pesquisas etnobiológicas, ainda não existe um padrão de coleta e análise das informações sobre uso fornecidas pelos interlocutores locais. Nestas condições nossos resultados evidenciam a importância da utilização do VU diferenciado (VUa e VUp) nas análises de dados em etnozoologia, uma vez que pode se explicar melhor a utilização efetiva dos recursos naturais e é significativamente distinto do valor de uso geral (VUg) segundo o teste de Wilcoxon.
Outro fator importante é que as espécies com alto VUp (conhecimento sem uso efetivo) podem estar ausentes na região, o que remete a necessidade de estudos futuros a fim de analisar se tal diminuição está atrelada a utilização humana e/ou sobre-exploração dessas espécies ou a outros fatores, como por exemplo, alterações de hábitats, espécies migratórias, sazonalidade entre outros, direcionando assim as estratégias de conservação.
Técnicas como ‘sangra’, ‘arapuca’ e ‘manual’ são direcionadas a algumas espécies como Z. auriculata, C. parvirostris e espécies do gênero Columbina. Alves et al. (2009) aponta que no semiárido a utilização da sangra e arapuca de maneira geral está associado a captura de Z. auriculata e conforme o tamanho da armadilha, podem capturar um elevado número de indivíduos. Bezerra et al. (2012) mostram que a técnica ‘manual’ é bastante utilizada na captura de espécimes do gênero Columbina para criação em cativeiro; os autores apontam que tal técnica permite a captura de filhotes ainda no ninho, fato que também foi registrado no presente trabalho. A utilização de armas de fogo (‘espingarda’), em destaque na presente pesquisa, corrobora com diversos estudos de caça no Mundo (Alvard, 1997; Fernandes-Ferreira et al., 2012; Dounias, 2016). Alves et al. (2009) e Bezerra et al. (2012) apontam que além de servir como ferramenta para o abate das espécies, as armas de fogo também servem para defesa pessoal do caçador.
Segundo os entrevistados as técnicas de ‘arremedo’ e ‘espera’, atribuídas ao abate de C. parvirostris, C. tataupa, L. verreauxi e P. jacucaca, estão relacionadas aos locais de captura e conhecimento sobre o canto e hábitos das espécies, corroborando com Bezerra et al. (2012) e Fernandes-Ferreira et al. (2012). Para tais autores, as técnicas ‘arremedo’ e ‘espera’ requer grande conhecimento dos caçadores sobre os cantos entre espécies e entre gênero e locais e hábitos de maior atividades das espécies, uma vez que para serem atraídas deve-se escutar o canto e ‘arremedar’ (imitar/retrucar) com o canto do sexo oposto para que sejam abatidas, com a utilização de armas de fogo.
Os entrevistados relataram que o uso simultâneo de algumas técnicas, entre elas arremedo e espingarda, geram uma maior eficiência no abate das espécies escolhidas para o uso alimentar. Alvard (1997) e Dounias (2016) evidenciam o potencial de associação entre diversas técnicas, que quando destinadas a alimentação visam à eficiência no abate das espécies desejadas. Bezerra et al. (2012) e Fernandes-Ferreira et al. (2012) apontam que no semiárido do Rio Grande do Norte e Ceará, respectivamente, a associação entre técnicas de captura potencializa o número de indivíduos capturados bem como das espécies envolvidas. Para Alves et al. (2009) e Bezerra et al. (2012) na região da Caatinga, onde a disponibilidade dos recursos naturais, bem como as espécies envolvidas em atividades cinegéticas, tem forte influência sazonal, é de grande valia para o caçador que utilize de técnicas adequadas e eficientes para que ocorra o sucesso na captura.
A utilização de armas de fogo no abate de animais silvestres são registradas em diversos estudos (Bezerra et al., 2012; Fernandes-Ferreira et al., 2012; Dounias, 2016) e evidencia o potencial destrutivo das armas de fogo, uma vez que se pode obter uma melhor relação tempo/quantidade na captura das espécies envolvidas. Outro fator evidente é que quando utiliza-se armas de fogo a diversidade de espécies envolvidas também aumenta, a na maioria dos casos diminui drasticamente as populações de aves silvestres envolvidas e torna as atividades cinegéticas insustentáveis. Kumpel et al. (2009) apontam que a utilização de armas de fogo tornam-se custosas além do ponto de vista econômico, quando a legislação pertinente proíbe a utilização de armas de fogo, bem como as atividades cinegéticas, como é o caso do Brasil, no qual conforme o artigo 29 da Lei 9. 605/98 matar, perseguir, caçar, apanhar e/ou utilizar espécies de fauna silvestre ou em rota migratória sem devida autorização, torna-se crime ambiental com detenção de seis meses a um ano, e multa.
As mudanças nas técnicas evidencia o processo evolutivo que ocorre nas atividades cinegéticas, aumentando o número de presas e consequentemente o sucesso da caça. Contudo, implica também nas perspectivas de caça, incluindo além da finalidade de subsistência, a caça para esporte e comércio, estas com maior impacto para espécies (Alvard, 1997; Dounias, 2016). Alves et al. (2009) apontam que as técnicas de caça ativas (arremedo, espera, manual) e associadas a armas de fogo causam mais impactos sobre a avifauna local, uma vez que o número de indivíduos abatidos aumenta. Dounias (2016) evidencia que outro passo inovador em relação às armas de fogo é que a distância de disparo proporciona uma vantagem definitiva sobre outras técnicas, encorajando o abandono de armadilhas e técnicas tradicionais.
Conforme Alves et al. (2009) e Bezerra et al. (2012) a captura de aves silvestres no semiárido muitas vezes estão associados à fatores sazonais e em grande maioria são mais abundantes nos períodos chuvosos. Contudo Mendonça et al. (2016) apontam que no Município de Pocinhos, situado também no semiárido da Paraíba, as atividades cinegéticas, bem como espécies envolvidas e o consumo de carne não sofrem influências sazonais. Todavia os entrevistados do presente estudo apontam que Z. auriculata é abundante no período seco, com as atividades de captura iniciando entre maio e junho. Sick (1997) aponta que tal espécie migra para os estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte entre os meses de abril e junho para iniciar seu processo reprodutivo.
As escolhas dos locais de caça, segundo os entrevistados, variam conforme preferência, disponibilidade dos recursos, sucesso na captura em experiências anteriores, bem como outros valores culturais atribuídos pelo caçador. Para Barboza et al. (2016) apesar das áreas preservadas ou poucos perturbadas fornecerem mais recursos, a escolha por áreas abertas (com vegetação pouco densa) está relacionada com a melhor visibilidade e performance do caçador, bem como à pouca disponibilidade ou ausência de áreas preservadas. Kumpel et al. (2009) afirmam que as escolhas das técnicas bem como dos locais de caça são importantes fatores que interferem no esforço e sucesso de captura/abate. Estudos recentes (Barboza et al., 2016; Dounias, 2016) apontam que muitos caçadores extrapolam as áreas adjacentes e deslocam-se para outras localidades com a utilização de veículos motorizados; tal fato foi registrado no presente trabalho e deve-se justamente pela disponibilidade das espécies.
Vale ressaltar que 20% de toda a Caatinga está sobre processo de desertificação (Albuquerque et al., 2014), sendo a área de pesquisa do presente estudo (Patos) considerada um núcleo de desertificação (Vendruscolo et al., 2017), o que pode justificar a ausência de muitas espécies na visão dos caçadores, evidenciando a necessidade de estudos futuros que busquem investigar quais fatores são responsáveis pelo desparecimento local das espécies. Somado a isto, Patos é reconhecida como uma área de comércio ilegal de aves. Nestas condições, estudos como o realizado é importante, pois contribuem na elaboração de planos de conservação da avifauna da região semiárida da Paraíba com base em perspectivas reais de uso.
No presente trabalho os aspectos que envolvem a escolha e comensalidade das aves silvestres estão intimamente ligados ao sabor atrelado à carne destes animais, o que é documentado em diversos estudos (Alves et al., 2012; Bezerra et al., 2012; Barboza et al., 2016). Mendonça et al. (2016) apontam que consumo de aves bem como outros animais silvestres está fortemente atrelados também a fatores culturais, e segundo os entrevistados, muitas vezes é servida para visitantes e pessoas queridas pela família, geralmente servidas em ocasiões especiais. Macdonald et al. (2011) afirmam que a carne de animais selvagens é considerada uma iguaria de alto valor comercial em áreas urbanas. Barboza et al. (2016) afirmam que no semiárido do Brasil a carne de animais silvestres é considerada nobre e saudável, sendo preparada de diversas formas, inclusive com bebidas alcóolicas; tais autores ainda apontam que seus entrevistados preferem o sabor da carne de caça ao de criações domésticas.
Uma vez que o consumo de aves silvestres está intrinsecamente associado a diversos fatores biológicos, socioeconômicos e culturais (LeBreton et al., 2006; Grande-Veja et al., 2012; Barboza et al., 2016; Mendonça et al., 2016), torna-se evidente o quão complexo são as atividades cinegéticas bem como o aspectos que envolvem o consumo de aves silvestres no semiárido da Paraíba e em diversas partes do mundo. Nestas perspectivas, os resultados do presente estudo não só corroboram os estudos anteriores (Bezerra et al., 2012; Loss et al., 2014; Mendonça et al., 2016), mas evidencia a necessidade de levantamentos e estudos que avaliem as peculiaridades da caça bem como seus impactos nas populações das espécies envolvidas, uma vez que as atividades cinegéticas representam um importante meio tradicional de gestão e manejo da vida silvestre.
Considerações Finais
A diversidade de informações registradas no presente estudo permite identificar que as atividades cinegéticas bem como o consumo da carne de aves silvestres apesar de ilegais, são atividades bem difundidas na área pesquisada tanto no perímetro rural quanto no urbano. Os dados obtidos sugerem um novo padrão de análise de dados utilizando o valor de uso atual como ferramenta estratégica para identificação e conservação das espécies mais importantes. Apesar da maioria das espécies não constarem em listas de animais ameaçados, nossos dados evidenciam a presença de espécies migratórias como Z. auriculatae também que há seleção consciente de espécies. A utilização de armas de fogo é o método considerado mais difundido e eficaz de abate e captura de aves silvestres entre os entrevistados. Nestas perspectivas tornam-se evidentes a necessidade de estudos sobre as atividades cinegéticas bem como de seus praticantes, uma vez que são atividades culturais e causam grandes impactos nas populações das espécies envolvidas na medida em que são praticadas de maneira insustentável.
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