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A CAPACIDADE ABSORTIVA INDIVIDUAL É PREDITORA DA INTENÇÃO EMPREENDEDORA NA SUCESSÃO FAMILIAR DE PROPRIEDADES RURAIS?

¿ES LA CAPACIDAD DE ABSORCIÓN INDIVIDUAL UN PREDICTOR DE LA INTENCIÓN EMPRESARIAL EN LA SUCESIÓN FAMILIAR DE PROPIEDADES RURALES?

IS THE INDIVIDUAL ABSORPTION CAPACITY A PREDICTOR OF ENTREPRENEURIAL INTENTION IN FAMILY SUCCESSION OF RURAL PROPERTIES?

Claudete Correa Dos Santos.
Senac, Brasil
Denise Adriana Johann
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Luis Felipe Dias Lopes
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Sirlene Aparecida Takeda Bresciani
Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil
Valéria Wisniewski Padilha
Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil
André Munzlinger
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense, Brasil
Erick William Pereira
Faculdade Senac Rio do Sul, Brasil
Marina Adriano de Andrade
Faculdade IELUS, Brasil
Ricardo Alberti
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil

A CAPACIDADE ABSORTIVA INDIVIDUAL É PREDITORA DA INTENÇÃO EMPREENDEDORA NA SUCESSÃO FAMILIAR DE PROPRIEDADES RURAIS?

Interciencia, vol. 46, núm. 2, pp. 65-71, 2021

Asociación Interciencia

Recepção: 07 Agosto 2020

Corrected: 08 Fevereiro 2021

Aprovação: 16 Fevereiro 2021

Resumo: O objetivo é avaliar a influência da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora de jovens pertencentes às propriedades rurais associadas à uma cooperativa de agronegócio. Caracteriza-se como quantitativa, utilizou-se o método survey e aplicação de um questionário com dois instrumentos através de dois dimensões de 2ª ordem. A amostra foi composta de 84 jovens potenciais sucessores de propriedades rurais; utilizou-se a técnica de modelagem de equações estruturais (MEE). O modelo atendeu os critérios de validade; observou-se um relacionamento entre as dimensões de 2ª ordem, ou seja, pode-se inferir a influência significativa, direta e positiva da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora no que se refere a sucessão familiar de proprietários ruais.

Palavras-chave: Capacidade Absortiva, Empreendedorismo, Intenção Empreendedora, Sucessão Rural.

Resumen: El objetivo es evaluar la influencia de la capacidad de absorción individual en la intención emprendedora de los jóvenes pertenecientes a propiedades rurales asociadas a una cooperativa agroindustrial. Se caracteriza por ser cuantitativo, utilizando el método de encuesta y aplicando un cuestionario con dos instrumentos a través de dos dimensiones de segundo orden. La muestra estuvo compuesta por 84 jóvenes potenciales sucesores de propiedades rurales. Se utilizó la técnica de modelado de ecuaciones estructurales (MEE). El modelo cumplió con los criterios de validez; se observó una relación entre las dimensiones de 2º orden, es decir, se puede inferir la influencia significativa, directa y positiva de la capacidad de absorción individual en la intención emprendedora respecto a la sucesión familiar de los propietarios actuales.

Abstract: The objective is to assess the influence of individual absorptive capacity on the entrepreneurial intention of young people belonging to rural properties associated with an agribusiness cooperative. It is characterized as quantitative, using the survey method and applying a questionnaire with two instruments through two 2nd order dimensions. The sample was composed of 84 young potential successors to rural properties. Structural equation modeling (MEE) technique was used. The model met the validity criteria; a relationship was observed between the 2nd order dimensions, that is, it is possible to infer the significant, direct and positive influence of the individual absorptive capacity in the entrepreneurial intention with regard to the family succession of current owners.

Introdução

A capacidade absortiva ganhou destaque como um dos principais pilares das capacidades dinâmicas de uma organização, possibilitando a criação e sustentabilidade de estratégias e ações que geram resultados positivos, maximizando a competitividade, perante o mercado no qual está inserida e caracterizada como concorrente (Wales et al., 2013; Teixeira et al., 2016).

Conforme Sciascia et al. (2014) a capacidade absortiva relaciona-se como uma ferramenta determinante no empreendedorismo em nível corporativo, e isso ocorre devido a melhoria nos processos de reconhecimento e exploração do conhecimento externo, proporcionando a criação e desenvolvimento de habilidades dos indivíduos e, consequentemente, na organização.

Neste sentido, a capacidade do indivíduo envolve a absorção, assimilação, transformação e aplicação do conhecimento, o qual interfere e depende diretamente de seu perfil, comportamento e, antes disso, da sua intenção empreendedora.

A maior parte das pesquisas sobre capacidade absortiva organizacional concentram-se no nível organizacional; portanto, percebe-se a necessidade das pesquisas com foco a nível individual, visto que ela antecede o nível organizacional (Volberda et al., 2010). Dentre os mais variados conceitos sobre capacidade absortiva, Silva et al. (2016) destacam que esta é resultante dos indivíduos em particular, devido a serem eles os responsáveis por resolver os problemas, desenvolvendo as rotinas da organização e empreendedorismo.

Os modelos de intenção empreendedora são essenciais para a compreensão do processo de empreender dos indivíduos. As intenções empreendedoras, estruturada nas dimensões que a compõem, auxiliam os indivíduos a empreenderem e ao conhecimento de características pessoais e percepção de controle para se tornar um empreendedor. Aqueles indivíduos que conhecem a sua intenção empreendedora possuem a facilidade de trabalhar as capacidades dinâmicas inseridas no contexto organizacional (Silveira et al., 2017).

Sendo assim, neste estudo, a intenção empreendedora destaca-se, pois é resultante das competências, habilidades e do desejo do indivíduo para empreender, sendo que a capacidade absortiva individual vem agregar neste processo.

Para elucidar os conceitos de capacidade absortiva e intenção empreendedora, surge a seguinte pergunta de pesquisa: Os jovens potenciais sucessores de propriedades rurais apresentam capacidade absortiva individual antecedente à intenção empreendedora? Portanto, o objetivo geral deste estudo é avaliar a relação da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora dos potenciais jovens sucessores de propriedades rurais.

Considerando-se em âmbito geral, o processo de sucessão familiar era considerado natural, mas atualmente os jovens que residem em propriedades rurais estão optando pela migração para os centros urbanos, não sucedendo seus pais na gestão dos negócios (Stuanil et al., 2016). Nesse sentido, estudos com jovens potenciais sucessores, contribui para a realização de uma projeção de formação profissional e pessoal, de ações e metas futuras a serem implementadas para desenvolverem o próprio negócio ou, a continuidade do negócio familiar.

Na perspectiva da abordagem da capacidade absortiva individual e da intenção empreendedora e suas relações, verificou-se a existência de lacunas teóricas, sendo que esta pesquisa contribui teoricamente no desenvolvimento do tema nas áreas do empreendedorismo e das capacidades dinâmicas, com foco na sucessão familiar e gestão de propriedades rurais, o que poderá ser aplicada também em outros contextos.

Revisão Teórica

Considerando que a revisão teórica é a etapa que oferece suporte para a análise de dados da pesquisa, neste capítulo apresenta-se os subtítulos de capacidade dinâmica (CD), capacidade absortiva (CA), capacidade absortiva individual (CAI) e intenção empreendedora (IE), sintetizando os principais estudos de autores das temáticas.

Capacidade dinâmica, capacidade absortiva e capacidade absortiva individual

As capacidades dinâmicas apresentam-se como um conceito que permite às organizações constituir, compor e readaptar os recursos, renovando suas competências, para que consigam manter o desempenho frente ao ambiente, sendo considerado instável e de rápida mudança tecnológica (Teece et al., 1997). Assim, possui diversas abordagens, destacando-se duas linhas de definições: conjunto de habilidades, comportamento e capacidades da organização e também, o conjunto de rotinas e processos (Meirelles e Camargo, 2014). Com isso, a mais utilizada é a capacidade absortiva (CA).

Dentre vários estudos existentes na literatura, destacam-se três que contribuíram essencialmente para o desenvolvimento da teoria da capacidade absortiva. O primeiro, Cohen e Levinthal (1990), definem a CA como um processo linear que possibilita reconhecer valor no conhecimento externo, assimilação e exploração deste, objetivando maximizar o desempenho inovador. Já, o segundo, Zahra e George (2002) ressaltam ser a CA rotinas e processos, no qual a mesma adquire, assimila, transforma e explora o conhecimento visando uma capacidade dinâmica na organização.

Dessa maneira, tendo como base o modelo de Zahra e George (2002), este compõe-se de quatro dimensões: a) aquisição; b) assimilação; c) transformação e d) exploração. Todas as dimensões, com suas particularidades, desempenham uma função importante para explicar a capacidade absortiva, além de possuírem influências significativas no desempenho da organização (Zahra e George, 2002;Camisón e Forés, 2010).

A capacidade absortiva pode ser abordada tanto em nível organizacional como em nível individual. Quando se refere ao nível individual, considera-se que a memória é associativa e isso aperfeiçoa o processo de aprendizagem quando já possui algum conhecimento. Este processo denomina-se como caráter cumulativo (Cohen e Levinthal, 1990, Verga-Jurado et al., 2008).

Assim, a capacidade absortiva da organização é dependente das habilidades e conhecimentos dos indivíduos que a compõem, e necessita investir nos seus recursos humanos para que desenvolvam sua capacidade absortiva individual (CAI), sendo primordial no processo de absorção e exploração do conhecimento externo.

Outros estudos que defendem ser a capacidade absortiva em nível individual relacionada ao âmbito organizacional foram realizados por Silva et al. (2016) e Fuchs et al. (2016). Esses, corroboram com Cohen e Levinthal (1990) em relação a compreensão e interpretação do conhecimento adquirido do ambiente externo ser dependente da assimilação de cada indivíduo inserido na organização.

Wang et al. (2015) reforçaram e desenvolveram a capacidade absortiva individual com foco na identificação dos novos conhecimentos, assimilação e transformação, não só do conhecimento, mas também do comportamento dos indivíduos possibilitando a assimilação para o desempenho.

Intenção empreendedora

Já, a intenção empreendedora, conforme Ajzen (1991) é responsável por cativar os fatores de motivação que interferem no comportamento do indivíduo e, também, indicar o nível de esforço a ser destinado para que o comportamento seja posto em prática. A intenção empreendedora pode se destacar como a consequência da percepção de controle sobre o comportamento; atitude acerca do comportamento e normas subjetivas e sociais. Quando o indivíduo opta por empreender, mesmo que essa decisão seja própria, o seu potencial e a intenção empreendedora que possui passam a desempenhar uma importante função oportunizando o empreendedorismo (Koe et al., 2012).

Com base no modelo inicial de Ajzen (1991), Liñán e Chen (2009) criaram um instrumento que passou a permitir a mensuração da intenção empreendedora, buscando perceber o comportamento do indivíduo conforme dadas situações, por meio de um questionário, InterpreneurialIntention Questionnaire (QIE). Assim, no QIE as dimensões de intenção empreendedora são as seguintes: atitude em relação ao comportamento (ARC) refere-se ao grau que o indivíduo detém uma avaliação pessoal positiva ou negativa sobre ser um empreendedor; norma subjetiva (NS) refere-se ao grau de medida de pressão social percebida de realizar ou não o comportamento empreendedor; e controle comportamento percebido (CCP) refere-se a percepção da facilidade ou dificuldade de se tornar um empreendedor.

Metodologia e Hipóteses

Esta pesquisa apresenta uma abordagem quantitativa, caracteriza-se como descritiva e correlacional (Hair et al., 2009; Hernández Sampieri et al., 2013). Os dados foram coletados de fontes primárias, por meio de survey, sendo os questionários aplicados em 84 jovens potenciais sucessores de propriedades rurais 84 jovens potenciais sucessores de propriedades rurais associadas à cooperativa Cooperalfa, Brasil que estavam participantes de um Programa de Desenvolvi-mento de Competências com o intuito de que assumissem/permaneces-sem na gestão das propriedades. Utilizou-se os modelos de Zahra e George (2002) e Liñán e Chen (2009).

Inicialmente, os dados foram organizados, codificados e processados utilizando-se planilha Excel. e analisados pelo software SmarthPLS. versão 3.3.2. utilizando equações estruturais com mínimos quadrados parciais (PLS-SEM).

Dessa maneira, o instrumento foi composto de dois modelos, na primeira parte, de Tian e Soo (2014), composto por quatro dimensões, com 20 itens e ainda, mais quatro itens, um em cada dimensão, reforçando o último item, direcionado ao contexto da organização a qual o indivíduo é associado. O segundo modelo, de Liñán e Chen (2009), foi composto de quatro dimensões, com 18 itens. A Figura 1 demonstra o modelo conceitual inicial.

Modelo de caminho. Fonte: Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).
Figura 1
Modelo de caminho. Fonte: Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).

Os dados dos questionários foram quantificados e tabulados. Em seguida, foi realizado o tratamento estatístico fundamentado na modelagem de equações estruturais (MEE). O modelo inicial de mensuração composto pelos construtos aquisição (AQ); assimilação (AS); transformação (TR) e aplicação (AP); intenção empreendedora (EI); atitudes relação comportamento (ARC); controle comportamento percebido (CCP) e normas subjetivas (NS) composto por quarenta e dois (42) indicadores.

O diagrama de caminhos apresenta as medidas e suas relações entre variáveis latentes e suas respectivas variáveis observadas. A hipótese construída para este estudo através da contextualização do tema: H.: A capacidade absortiva individual de 2ª ordem influencia direta e positivamente a na intenção empreendedora de 2ª ordem.

A partir dessa etapa, os dados coletados foram organizados, codificados e processados utilizando-se planilha Excel® e analisados pelo software SmarthPLS. versão 3.3.2. utilizando equações estruturais com mínimos quadrados parciais (PLS-SEM), conforme demonstra a Figura 2.

Caminho metodológico
Figura 2
Caminho metodológico

Resultados

A seguir será apresentado um diagrama de caminhos que ilustra a hipótese da pesquisa e que exibe a relação entre as variáveis latentes de 2ª ordem (VLs) que conectam indiretamente as quatro dimensões da capacidade absortiva individual com as quatro dimensões de atitude empreendedora (variáveis latentes) e essas com suas variáveis observadas (VOs), ou seja, seus indicadores. De acordo com Bido e Silva (2019) uma VL de segunda ordem é mensurada por duas ou mais VLs de primeira ordem e a relação entre as VLs de 2ª ordem é modelada por mínimos quadrados parciais, no caso do PLS-SEM. Este diagrama conecta as dimensões a partir de uma lógica com base na teoria desenvolvida na pesquisa (Hair et al., 2017). Dessa forma, o modelo de caminho especificado encontra-se na equação

IE= β.·CAI + εIE

Conforme Bido e Silva (2019) as relações entre as VLs de segunda ordem e suas VLs de primeira ordem devem ser interpretadas e usadas como cargas fatoriais, e as mesmas não devem ser consideradas como hipóteses. Neste modelo, a única hipótese (relação estrutural) está entre a capacidade absortiva individual e a intenção empreendedora (Figura 1).

O algoritmo do SmartPLS. foi configurado para sete critérios de finalização. A ponderação com base no caminho foi o sistema parametrizado, proporcionando um valor de R² e f² mais elevado relativo a VL endógenas. O número de iterações foi definido como 300, e os pesos iniciais para os indicadores externos foram definidos como 1,0. Após processar o modelo estabilizou após 10 interações.

Nas primeiras rodadas foram excluídos 11 indicadores (VOs) em função do não cumprimento do critério da validade convergente, que segundo Ringle et al. (2014) a variância média extraída das VLs de 1ª e 2ª ordem devem ser >0,5, portanto a critério de exclusão das VPs foi as com cargas fatoriais menores e que geralmente são <0,6. Outros dois critérios de consistência interna do modelo foram verificados, ou seja, o α de cronbach e confiabilidade composta (0,7<α e ρ.<0,95). A Figura 1 apresenta o modelo de caminho, com as cargas fatoriais, o coeficiente de caminho e os valores das VMEs >0,5 e a Tabela I apresenta os valores de α e confiabilidade composta após realizado o ajuste.

TABELA I
VALORES DE α DE CRONBACH E CONFIABILIDADE COMPOSTA PARA AS VLs DE 2ª ORDEM
VALORES DE α DE CRONBACH E CONFIABILIDADE COMPOSTA PARA AS VLs DE 2ª ORDEM
Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).Fonte Fonte: Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).

Quanto aos valores do α de Cronbach e da confiabilidade compostas (ρ.), ambos atendem aos critérios da consistência interna, segundo Hair et al. (2014) valores >0,95 não são desejáveis, indicando que os respondentes possam ter redundância ou duplicidade nas suas respostas, enquanto valores <0,7 indicam a falta de confiabilidade.

A Tabela II apresenta as cargas fatoriais cruzadas relacionada à validade convergente do modelo de mensuração e na Tabela III apresenta-se os critérios de Fornell-Larker comparando a raiz quadrada da VME (primeira coluna) com as correlações de Pearson entre as dimensões de primeira e segunda ordem.

TABELA II
VALORES DAS CARGAS FATORIAIS CRUZADAS DAS VARIÁVEIS OBSERVADAS DAS DIMENSÕES DE SEGUNDA ORDEM
VALORES DAS CARGAS FATORIAIS CRUZADAS DAS VARIÁVEIS OBSERVADAS DAS DIMENSÕES DE SEGUNDA ORDEM
Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).Fonte: Fonte: Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).

Observa-se que o critério das cargas fatoriais cruzadas foi contemplado, ou seja, todos os valores grifados possuem a carga fatorial maior que o seu par comparativo. Além do critério de Fornell-Larcker, será calculado o critério HTMT (heterotrait-monotraitratio). Esse critério é considerado mais eficiente, visto que os critérios de carga fatorial cruzada e de Fornell-Larcker podem não ser consistentes para a identificação de validade discriminante (Henseler et al., 2015; Hair et al., 2017). Os resultados para o HTMT >0,9 indicam falta de validade discriminante, portanto Henseler et al. (2015) sugerem que valores <0,9 indicam que o modelo apresenta validade discriminante e pelo método de boostrapping, utilizando 5.000 subamostras, o limite superior (LS) para 97,5% de confiança seja <1,0. As Tabelas III e IV apresentam os resultados para as análises pelo critério Fornell-Larcker.

TABELA III
MATRIZ DE CORRELAÇÃO DAS VLs E A √VME DAS DIMENSÕES DE 1ª ORDEM
MATRIZ DE CORRELAÇÃO DAS VLs E A √VME DAS DIMENSÕES DE 1ª ORDEM
Fonte: Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).Fonte Software Smart PLS® v. 3.3.2 (Ringle et al., 2015).

TABELA IV
MATRIZ DE CORRELAÇÃO E √VME DAS DIMENSÕES DE 2ª ORDEM
MATRIZ DE CORRELAÇÃO E √VME DAS DIMENSÕES DE 2ª ORDEM
Fonte: Software Smart PLS® v. 3.0 (Ringle et al., 2015).Fonte: Fonte: Software Smart PLS® v. 3.0 (Ringle et al., 2015).

Observa-se que nenhuma correlação é superior à √VME tanto nas linhas como nas colunas, portanto essa pressuposição de validade discriminante foi confirmada. A Tabela V apresenta a terceira pressuposição, que vem a ser o critério HTMT.

TABELA V
ANÁLISE DA VALIDADE DISCRIMINANTE PELO CRITÉRIO LS(HTMT)97,5% PARA O MODELO
ANÁLISE DA VALIDADE DISCRIMINANTE PELO CRITÉRIO LS(HTMT)97,5% PARA O MODELO
Fonte: Software Smart PLS® v. 3.2.9 (Ringle et al., 2015).Fonte Fonte: Software Smart PLS® v. 3.2.9 (Ringle et al., 2015).

Conforme pontuam Henseler et al. (2015) os valores para 97,5% do HTMT ficaram <1,0; atestando a validade discriminante, ou seja, os valores das VLs do modelo não se correlacionam com outras VLs dos quais se supõe que o modelo deva divergir.

A seguir apresenta-se a avaliação do modelo estrutural, inicialmente avalia-se a variance inflation factor (VIF) que indica se há problemas de colinearidade no modelo, dessa forma, o valor de VIF deverá ser <5. Os valores de f², R², teste do coeficiente estrutural (β) para 5.000 subamostras pelo método boostrapping e o valor de Q² pelo método blindfolding são apresentados na Tabela VI.

TABELA VI
RESULTADOS DO MODELO ESTRUTURAL
RESULTADOS DO MODELO ESTRUTURAL
Fonte: Software Smart PLS® v. 3.2.9 (Ringle et al., 2015).Fonte Fonte: Software Smart PLS® v. 3.2.9 (Ringle et al., 2015).

Observa-se na Tabela VI que a relação estrutural apresenta um grande efeito (f²) porem não significativo, quanto ao R², apresenta um efeito forte e significativo e quanto ao valor do coeficiente estrutural (β= 0,481) o valor é significativo (p<0,005), logo a hipótese apresentada foi confirmada; ou seja, apresenta uma relação positiva e significativa entre a capacidade absortiva individual de 2ª ordem com a intenção empreendedora de 2ª ordem, e pelo valor de Q² o modelo apresenta uma relevância preditiva de grau fraco, ou seja, pois Q<0,075 (Cohen, 1988;Chin, 2010; Hair et al., 2017).

Ao final dos estágios propostos por Hair et al. (2017) pode-se considerar que o modelo de mensuração apresentou medidas de consistência interna satisfatórias, com coeficientes do α de Cronbach e confiabilidade composta >0,70 para todos as dimensões do modelo. A validade convergente (AVEs), indicaram a convergência do modelo com todos as dimensões apresentando AVE >0,50.

Quanto ao modelo estrutural, o VIF apresentou valor <5, indicando que a colinearidade não atinge níveis críticos. Para a avaliação do coeficiente do modelo estrutural observou-se que o valor de β é significativo.

Por fim, através do procedimento blindfolding calculou-se a medida de validade preditiva Q² que avalia a acurácia do modelo ajustado, obtendo-se valores >0 com identificação da relevância do modelo estrutural preditivo. O diagrama de caminhos de 2ª ordem para as equações estruturais ficou assim definido:

IE= 0,481·CAI + εIE

Analisando a Tabela VI observa-se que a capacidade absortiva individual influencia positivamente a intenção empreendedora dos cooperados. Dessa forma, um comportamento apropriado aos empreendimentos pessoais ajudaria estes jovens potenciais sucessores a tomarem decisões acertadas em relação ao seu negócio. Autores como Lana et al. (2011) e Verdinelli et al. (2015) já apontavam que a falta de uma adequada educação financeira e até a formação acadêmica pode refletir no insucesso de alguns negócios.

Cabe ressaltar que a variável TR reforça as pesquisas de que educação e formação, empreendedorismo corporativo, processo de criação de novos empreendimentos, empreendedorismo familiar, de oportunidades e necessidades de educação e formação do indivíduo (Fayolle et al., 2014). Logo, não cabe somente adquirir, assimilar e aplicar o conhecimento, pois, o processo de transformação possui um significativo papel na intenção empreendedora.

Assim como apontado por Lima et al. (2014), quando explicam que um empreendedor potencial não implica ter intenção de empreender, em outras palavras, que há indivíduos preparados para empreender mas não têm a intenção, assim como alguns têm a intenção, contudo, não estão preparados, sendo a variável transformação essencial para o empreendedorismo.

Assim, entende-se que a capacidade absortiva individual faz com que as pessoas busquem a inovação dentro dos processos organizacionais, por meio da assimilação e transformação do conhecimento capazes de impulsionar o crescimento e a performance da instituição (Lane et al., 2006). A evolução da capacidade absortiva individual acompanha o desenvolvimento do mercado, afim de a organizaçãobuscar e integrar recursos para gerar novas estratégias de criação de valor (Barney et al., 2011).

Os resultados obtidos demonstram que os jovens potenciais sucessores das propriedades rurais embora tenham pontuado com valores menores sua intenção empreendedora, apresentam capacidade absortiva individual relacionada com a intenção em empreender. Isto é, aqueles que pontuam com valores baixos o fazem para ambos os construtos e os que dão valores altos a um também o fazem com o outro. Dessa maneira o relacionamento entre os construtos torna-se significativo, ressaltando a influência da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora.

Considerações Finais

O objetivo da pesquisa foi atingido ao analisar a relação da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora em jovens sucessores de propriedades rurais. Cabe ressaltar que não foram localizados estudos na literatura relacionando a capacidade absortiva individual e a intenção empreendedora, o que possibilita promover pesquisas no assunto. Em contrapartida, a ausência desses estudos dificulta a discussão dos resultados atingidos nesta pesquisa.

Com base nos resultados obtidos neste trabalho pode-se afirmar que a capacidade dinâmica de absorção de conhecimento se relaciona de forma direta e positiva com a intenção empreendedora na amostra estudada. Ainda, a partir dos resultados alcançados pode-se afirmar que a relação entre as teorias condiz com as lacunas teóricas encontradas, principalmente nos trabalhos de Silveira et al. (2017).

Nos resultados encontrados, a capacidade dinâmica de absorção de conhecimento se relaciona de forma direta e positiva com a intenção empreendedora, na amostra estudada. Com isso, ressalta-se que a relação entre as teorias condiz com as lacunas teóricas encontradas, conforme apontam Silveira et al. (2017).

Em relação à capacidade absortiva individual, confirmou-se que os respondentes possuem capacidade absortiva e que conhecem a importância para a sustentabilidade das propriedades rurais na atualidade econômica. Porém, cabe destacar que embora busquem adquirir conhecimento, assimilá-lo, transformá-lo e aplicá-lo acabam por não se utilizarem de uma importante fonte de conhecimento.

Assim, observou-se um relacionamento entre as dimensões de 2ª ordem, ou seja, pode-se inferir a influência significativa, direta e positiva da capacidade absortiva individual na intenção empreendedora no que se refere a sucessão familiar de proprietários rurais.

Analisando as respostas de acordo com as variáveis, percebe-se que aquelas que apresentam as maiores médias relacionadas a sua capacidade absortiva individual, também o fazem para a sua intenção emprendedora. É importante ressaltar que a amostra é composta por 84 jovens potenciais sucessores de propriedades rurais associadas à cooperativa Cooperalfa, localizada no Estado de Santa Catarina/Brasil que estavam participantes de um Programa de Desenvolvimento de Competências com o intuito de que assumissem/permanecessem na gestão das propriedades, o que também, resulta na continuidade da propriedade como associada da cooperativa.

Sendo assim, aqueles que pontuam com valores baixos o fazem para ambos os construtos e os que dão valores altos a um também o fazem com o outro. A capacidade absortiva individual está relacionada a aquisição (AQ), assimilação (AS), transformação (TR) e aplicação (AP) do conhecimento adquirido por esses jovens nos momentos de capacitação e, como isso viria a influenciar na sua intenção empreendedora, sendo aqui direcionada ao seu desejo de assumirem a gestão das propriedades rurais de suas famílias; consequentemente, sua intenção de empreender na sucessão familiar. Logo, aqueles que tiveram uma capacidade absortiva individual baixa, também continuam com baixa intenção empreendedora. Ou seja, quanto maior a sua capacidade absortiva (de conhecimento) maior será o seu desejo de empreender.

Quanto as dimensões de intenção empreendedora mais relevantes para compreender os resultados desta pesquisa, ressalta-se que a IE é refletida pelo CCP e ARC, em contrapartida, as NS não influenciam na IE. Essa informação demonstra que muitas vezes essa influência pode ocorrer por parte dos próprios familiares, o que justifica essa variável não ter influencia na IE desses jovens potenciais sucessores.

Os resultados obtidos demonstram que os jovens potenciais sucessores das propriedades rurais, embora tenham pontuado com valores menores, sua intenção empreendedora e sua capacidade absortiva individual mantem coerência nas suas respostas. Isto é, aqueles que pontuam com valores baixos o fazem para ambos os constructos e os que dão valores altos a um, também o fazem com o outro. Dessa maneira o relacionamento entre os construtos torna-se significativo.

Conclui-se que o processo de sucessão familiar é importante nas propriedades rurais, porém, a maior parte das famílias não possuem recursos financeiros e estrutura física nas propriedades para investir na formação profissional dos filhos, com o objetivo de considerem o agronegócio como uma fonte de renda e sem a necessidade de buscarem carreiras profissionais em outros lugares. Dessa forma, entende-se que investimentos na capacidade absortiva de jovens pode gerar maiores resultados na gestão das propriedades.

Uma das limitações da pesquisa ainda se encontra no tamanho da amostra com um número ainda não expressivo. Do ponto de vista acadêmico, recomenda-se estudos posteriores ampliando o tamanho da amostra e a aplicação da mesma em outras regiões.

A CAPACIDADE ABSORTIVA INDIVIDUAL É PREDITORA DA INTENÇÃO EMPREENDEDORA NA SUCESSÃO FAMILIAR DE PROPRIEDADES RURAIS?

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Autor notes

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