QUALIDADE DE VIDA EM ATLETAS DE FUTEBOL

Quality of life in soccer players

Ana Moisão
Universidade de Aveiro, Portugal
Sónia Brito-Costa
Universidade de Aveiro, Portugal
Florencio Vicente Castro
Universidade da Extremadura, España
Simone Amorim
Universidade Tiradentes, Brasil
Hugo de Almeida
Universidade de Aveiro, Portugal
Mª Isabel Ruiz Fernández
University of Extremadura, España

QUALIDADE DE VIDA EM ATLETAS DE FUTEBOL

International Journal of Developmental and Educational Psychology, vol. 2, núm. 1, pp. 401-411, 2016

Asociación Nacional de Psicología Evolutiva y Educativa de la Infancia, Adolescencia y Mayores

Recepção: 18 Janeiro 2016

Aprovação: 15 Fevereiro 2016

Resumo: O objetivo geral deste estudo foi estabelecer as relações entre os aspetos psicossociais que favorecem e/ou inibem a performance desportiva, sendo a qualidade de vida do atleta, um aspeto relevante no ambiente desportivo, que pode afetar o desempenho e influenciar os resultados.

O estudo revelou que os atletas profissionais de futebol têm uma perceção razoável da sua qualidade de vida, e que diferentes estratégias como número de treinos, período de treino, posição de jogo, escalão competitivo e tempo gasto em deslocações para o treino, podem aumentar a perceção da qualidade de vida, onde a identificação de estratégias positivas, permitirá delinear programas preventivos e de intervenção durante as fases de pré-competição e competição.

Palavras-chave: Qualidade de Vida, Bem-estar, Desempenho, Atletas.

Abstract: The aim of this study was to establish the relationship between psychosocial aspects that favor or inhibit the sports performance, and the athlete’s quality of life one important aspect in the sports environment, which can affect performance and influence the results.

The study revealed than professional soccer players have a reasonable perception of their quality of life, and different strategies as the number of workouts, training period, playing position, competitive level and the time spent on travel for training, can increase perception of quality of life, where positive identification strategies can draw programs preventive and the intervention during the pha- ses of pre-competition and competion.

Keywords: Quality of Life, Wellbeing, Performance, Athlete’s.

INTRODUÇÃO

A Qualidade de Vida (QV) é um conceito que está em constante mudança na sociedade, uma vez que os fatores que influenciam o dia-a-dia dos indivíduos são multideterminados. O conceito encontra-se intimamente relacionado com a satisfação do indivíduo nos vários domínios, físico, psicológico e social (Cheik, Reis, Heredia, Ventura, Tufik, Antunes, & Mello, 2003; Marques, 2007). Consiste na perceção geral da vida do indivíduo, contempla a interação das caraterísticas individuais (necessidades, valores, crenças e expetativas) e organizacionais (estrutura, tecnologia, recompensas), e interfere com aspetos importantes para o desenvolvimento psicológico e socioprofissional do indivíduo (Ribeiro, 2004).

A definição de QV tem vindo ao longo dos tempos a ser fortemente influenciada pela definição de saúde. A saúde envolve as dimensões físicas, mentais e sociais enquanto a QV, para além destas, inclui mais quatro domínios, o estado de doença e sintomatologia física, o estado funcional, e o funcionamento psicológico e social (Amorim & Coelho, 1999; Duarte, 2002; Neves, 2000). No sistema de cuidados de saúde estes termos usam-se de forma sobreposta, no entanto são conceitos diferentes, sendo a saúde um indicador para medir a QV (Bergner, 1989; Guyatt, Feeny, & Patrick, 1993; Hermann, 1993; Malagris, 2000).

Na literatura não encontramos uma definição clara nem consensual. A Organização Mundial de Saúde (OMS), através do grupo WHOQOL (1998, p. 01) define-a como “a perceção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expetativas, padrões e preocupações” (Fleck, Leal, Louzada, Xavier, Chachamovich, Vieira, Santos, & Pinzon, 1999).

Gonçalves e Vilarta (2004) dividem a QV na esfera objetiva e subjetiva. A esfera objetiva (garan- tia de sobrevivência) inclui a condição e modo de vida do indivíduo, envolve a alimentação, habitação, acesso à saúde, transportes, educação, saneamento básico, entre outros. A esfera subjetiva (perceção da própria vida) diz respeito ao estilo de vida do indivíduo, engloba as variáveis históricas, culturais e sociais, aspetos emocionais, expetativas e possibilidades em relação à vida. Afirmam que a QV deve contemplar aspetos culturais, históricos e de classes sociais, condições materiais e nãomateriais, diferenças de idade e condições de saúde.

Reconhece-se que para uma boa QV é imprescindível a satisfação das condições mínimas relacionadas com valores materiais e não materiais (Gonçalves & Vilarta, 2004; Minayo, Hartz, & Buss, 2000).

O futebol mobiliza um grande número de pessoas, materiais, instalações e recursos financeiros. A preparação do atleta para aumentar o seu rendimento desportivo passa por longos e precisos processos de treino físicos, técnicos, táticos e psicológicos. O futebol exige do atleta um desempenho perfeito direcionado para a performance desportiva, onde a QV e saúde não são a prioridade (Marques & Oliveira, 2001; Pastre, Carvalho, Monteiro, Júnior, & Padovani, 2005; Samulski, 2009). Existem agentes stressores internos e externos que podem afetar a QVdo atleta (Samulski, 2009).

Diversos estudos revelam que prática de atividades físicas e desportivas mediante uma orientação adequada, podem proporcionar muitos benefícios físicos, psicológicos e sociais (Annesi, 2004; Costa, Cunha, & Samulski, 2006; Legrand & Heuze, 2007; Matsudo, Matsudo, Araújo, Andrade, Andrade, Oliveira, & Braggion, 2002; Samulski, 2009; Mello, Boscolo, Esteves, & Tufik., 2005; Rosenbloom & Bahns, 2005). Porém aspectos do exercício físico podem melhorar ou prejudicar a QV. Fatores que prejudiciais incluem a longa duração, alta intensidade e frequência de cargas de exercício físico, associadas a períodos inadequados de recuperação, dependência do exercício, lesões, desordens alimentares e competitividade exacerbada (Berger, Pargman, & Weinberg, 2007; O’Connor & Puetz, 2005). Fatores que promovem a melhoria da QV, envolvem momentos de desempenho máximo, experiência máxima, fluidez e sublimação do praticante, incluem estados psicológicos favoráveis, esporádicos e altamente significativos, proporcionam memórias e dão sentido à vida (Berger, Pargman, & Weinberg, 2007).

Na competição desportiva, os atletas envolvem-se em esforço, preparo, entrega e sacrifício, a fim de manter um nível de excelência, favorável para alcançar o objetivo e o sucesso. Quanto maior for o nível em que o atleta se encontra, maior será o sacrifício e a necessidade de melhorar a performance. Todos os fatores de superação, juntamente com as situações de vida diária, podem desequilibrar a QV do desportista (Samulski, 2004).

A teoria da ação em relação à QV do atleta profissional inclui a perceção subjetiva do indivíduo, em relação ao ambiente (local de treino ou competição), à tarefa a desempenhar (atuação desportiva) e à autoperceção (a capacidade para desempenhar a sua tarefa). Segundo Samulski (2004) o processo da ação consiste na interrelação de fatores pessoais, ambientais e as componentes da tarefa, onde agir consiste no alcance de otimização e estabilização das interrelações entre os fatores pessoais e situacionais.

Hoje em dia existe cada vez mais necessidade de adquirir hábitos saudáveis, que promovam o bem-estar e melhorem a QV, pelo que importa detetar quais os fatores que a influenciam nos ambientes de treino e competição, de forma a adotar medidas preventivas e consequentemente um maior desempenho desportivo.

MÉTODOS

Instrumentos:

Utilizou-se um questionário sociodemográfico construído e desenvolvido com o intuito de recolher informações pessoais e profissionais e o Brief version of World Health Organization Quality of Life questionnaire (Instrumento para avaliação subjetiva da qualidade de vida) (WHOQOL-BREF) versão Portuguesa (Canavarro, Serra, Simões, Pereira, Gameiro, Quartilho, Rijo, Carona, & Paredes, 2006). Trata-se de uma versão breve reduzida do WHOQOL-100, que foi desenvolvido pela OMS, e surgiu da necessidade de criar um instrumento que avaliasse a QV, numa visão holística de saúde e numa perpetiva transcultural. O WHOQOL-BREF é composto por 26 itens respondidos numa escala tipo Likert, com cinco opções de resposta, que integram quatro domínios da QV: 1) físico, 2) psicológico, 3) relações sociais, 4) ambiente. Este instrumento é usado como medida genérica, multidimensional e multicultural, para uma avaliação subjetiva da QV, e os resultados representam a perceção individual em cada domínio em particular. Este instrumento revela confiabilidade, validade e responsividade a níveis aceitáveis para a aplicação. Quanto à consistência interna os valores de alfa de Cronbach são para todos os itens, superiores a 0,70.

Procedimentos:

Após autorização do autor do instrumento psicométrico, foi selecionada a amostra, seguida da colheita dos dados, com pedido de autorização aos clubes de futebol e consentimento informado aos atletas explicando os objetivos e finalidade do estudo, e posterior análise estatística efectuada através do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0 para Windows.

Participantes:

A amostra foi constituída por 302 atletas seniores masculinos profissionais de futebol em Portugal com idades compreendidas entre os 18 e os 38 anos de idade, 41,7% da III divisão, 21,5% da II divisão e 36,8% da 1ª Liga. Maioritariamente solteiros, sem filhos e com o 3º ciclo do ensino secundário. 9,9% guarda-redes, 14,9% defesas centrais, 16,9% defesas laterais, 17,9% médios defensivos, 15,2% médios ofensivos, 11,3% médios ala, 7% pontas de lança e 7% avançados. Fazem em média 5 treinos semanais maioritariamente no período noturno, demoram em média 36 minutos nas deslocações de ida e volta para o treino. A maioria refere não sofrer de doenças ou lesões atuais e não dormir a sesta.

RESULTADOS

Consistência Interna:

Os valores de alfa de Cronbach encontrados para os domínios da QV de vida variam entre um mínimo de 0,714 (razoável) nas relações sociais e um máximo de 0,801 (bom) no ambiente, corroborando os dados obtidos pelos autores da escala (Canavarro, Serra, Simões, Pereira, Gameiro, Quartilho, Rijo, Carona, & Paredes, 2006), que revelam ter confiabilidade, validade e responsividade para a sua aplicação (cfr. tabela 1).

Tabela 1
– Consistência interna: Qualidade de Vida (WHOQOL-Bref)
– Consistência interna: Qualidade de Vida (WHOQOL-Bref)

O estado civil influencia a perceção da QV (p<0,05). No Domínio Físico t(285)=2,173, .=0,031, os atletas profissionais de futebol casados apresentam valores significativamente mais elevados do que os solteiros (81,30 vs 77,80), assim como no Domínio Ambiente (76,26 vs 73,07) (tabela 2).

Tabela 2
– Significância das diferenças: estado civil
– Significância das diferenças: estado civil

O escalão competitivo influencia a perceção da QV (p<0,05) (tabela 3). No domínio Fisico F(2,299)=3,549, .=0,030, as diferenças encontram-se entre os séniores da III divisão e os séniores da II divisão, sendo que estes obtêm valores mais elevados nesta dimensão (81,64 vs 76,89), (tabela 4).

Tabela 3
– Significância das diferenças: escalão competitivo
– Significância das diferenças: escalão competitivo

Tabela 4
– Teste de Tukey: escalão competitivo vs domínio fisico
– Teste de Tukey: escalão competitivo vs domínio fisico

O período de treino habitual influencia a perceção da QV (p<0,05) (tabela 5). No Domínio Físico, F(2,299)=3,384, .=0,035, as diferenças encontramse entre os sujeitos que treinam à noite e à tarde, sendo que estes obtêm valores mais elevados nesta dimensão (81,58 vs 77,15) (tabela 6). No Domínio Psicológico, F(2,299)=3,232, .=0,041, as diferenças encontram-se entre os sujeitos que treinam à noite e à tarde, sendo que estes obtêm valores mais elevados nesta dimensão (82,91 vs 78,94) (tabela 7).

Tabela 5
– Significância das diferenças: período de treino
– Significância das diferenças: período de treino

Tabela 6
– Teste de Tukey: período de treino vs domínio fisico
– Teste de Tukey: período de treino vs domínio fisico

Tabela 7
– Teste de Tukey: período de treino vs domínio psicológico
– Teste de Tukey: período de treino vs domínio psicológico

O tempo gasto em deslocações para o treino influencia a perceção da QV (p<0,05). No domínio Psicológico, F(2,109,280)=3,346, .=0,039, as diferenças encontram-se entre os sujeitos que gastam mais e menos tempo em deslocação para o treino (tabela 8), sendo que estes obtêm valores mais baixos nesta dimensão (83,33 vs 78,23) (tabela 9).

Tabela 8
– Significância das diferenças: tempo gasto na deslocação para o treino
– Significância das diferenças: tempo gasto na deslocação para o treino

Tabela 9
– Teste de Tukey: tempo de deslocação para o treino vs domínio psicologico
– Teste de Tukey: tempo de deslocação para o treino vs domínio psicologico

A posição de jogo influencia na perceção da QV (p<0,05). No domínio Psicológico, F(7,294)=2,514, .=0,016, as diferenças encontramse entre os guarda-redes e os médio-ofensivos (tabela 10), sendo que estes obtêm valores mais elevados nesta dimensão (83,51 vs 75,27) (tabela 11).

Tabela 10
– Significância das diferenças: posição de jogo
– Significância das diferenças: posição de jogo

Tabela 11
– Teste de Tukey: posição de jogo vs domínio psicológico
– Teste de Tukey: posição de jogo vs domínio psicológico

DISCUSSÕES E CONCLUSÕES

Verificámos que os atletas inquiridos possuem uma perceção adequada da sua QV. Estudos revelam, que os atletas de modalidades desportivas coletivas apresentam melhor perceção de qualidade de vida quando comparados com atletas de modalidades individuais (Modolo, Mello, Gimenéz, Tufit, & Antunes, 2009). Embora os resultados não se revelem estatisticamente significativos, a perceção da QV parece aumentar com a aquisição de habilitações literárias, corroboram outros estudos que revelam tornar-se cada vez mais difícil conciliar os estudos com os treinos e competições, sendo esta uma dificuldade constante encontrada por jovens talentos, tendo por vezes que optar pela continuação curricular e a carreira atlética (Wyllemann, Alfermann, & Lavalle, 2004; Wyllemann & Lavalle, 2004). A profissionalização ocorre em idade precoce, reduzindo as oportunidades para desenvolver outras habilidades vocacionais, em função das horas de treinos, dedicação à performance e às competições (Gorely, Lavalle, Bruce, Teale, & Lavalle, 2001). Outros estudos revelam que atletas estudantes do ensino médio mostram relacionamentos sociais limitados e falta de habilidades académicas (Wyllemann & Lavalle, 2004). A dificuldade de compatibilizar os estudos com a modalidade desportiva tem consequências futuras limitadoras, quando os atletas terminam a sua carreira desportiva. Donnelly (1993) constatou que os atletas que interromperam os estudos para se dedicarem à carreira desportiva, após o término da sua carreira, se arrependem desta opção. Atletas casados têm maior percepção da QV ao nível do domínio físico e ambiente corroborando estudos de Andrade, Souza, Leite, Figueiró, e Cunha (2011). Fleck (2008) considera que o domínio físico da QV está intimamente relacionado com o nível de independência para realizar tarefas básicas relativamente a atividades de vida diárias e aos cuidados pessoais, capacidade de movimentar-se para buscar o lazer ou realizar o trabalho, bem como autonomia para executar a medicação ou aplicar tratamentos exigidos, para a recuperação das funções atingidas pela doença, e também são consideradas as perceções sobre a intensidade de sentir-se sozinho e a independência para assistência médica.

As lesões ou doenças atuais não influenciaram a perceção da QV dos atletas profissionais de futebol dado a maioria não sofrer destes, não corroborando outros estudos que referem ter implicações na diminuição do rendimento desportivo, e contribuir para uma diminuição acentuada da QV (Marques & Oliveira, 2001; McAllister, Motamedi, Hame, Shapiro, & Dorey, 2001; McLeod, Bay, Parsons, Sauers, & Snyder, 2009; Pastre, Carvalho, Monteiro, Júnior, & Padovani, 2005). A ocorrência de lesões no futebol, situa-se entre 10 e 35 por 1000 horas de jogo (Dvorak & Astrid, 2000). Apesar da diferença não se revelar estatisticamente significativa constatamos que os atletas que sofrem de lesões ou doenças atuais pontuam menos na perceção da QV, comparativamente aos que referem não sofrer de lesões ou doenças atuais.

O escalão competitivo em que os atletas se encontram inseridos influencia a perceção da QV, sendo os atletas da II divisão competitiva os que sentem uma melhor perceção ao nível do domínio físico, comparativamente aos da III divisão, sendo esta diferença estatisticamente significativa, corroborando estudos de Marques e Oliveira (2001), onde os atletas da III divisão competitiva são submetidos a cargas de treino elevadas, sem uma recuperação adequada, bem como a competições simultâneas e a exigência de superação de resultados, provocando desequilíbrios de ordem física, psicológica e social, com consequências negativas na QV dos atletas e consequente baixo desempenho desportivo. Santos e Shigunov (2001) revelam que a performance individual do atleta depende do equilíbrio emocional alcançado, podendo afetar o seu bem-estar físico, dependendo de uma harmonia entre o talento, a tática e a técnica, capacidade física e mental, sendo que esta última, influencia as restantes.

Apesar das diferenças não serem estatisticamente significativas para as outras dimensões da QV, o estudo revela que os atletas de III divisão sentem uma menor perceção comparativamente aos atletas da II divisão e 1ª liga, de forma significativamente para o domínio físico.

O número de treinos semanais não influencia a perceção da QV considerando que a média dos 5 treinos semanais que fazem, se ajustam às necessidades físicas, psíquicas e sociais dos atletas. Dias e Teixeira (2007) afirmando que quanto maior for o número de horas semanais de treino, menor o desejo de abandonar o desporto. Estudos revelam, que uma prática regular e bem orientada das atividades desportivas, contribuem para uma melhor perceção da imagem corporal e uma autoestima mais elevada, além de melhorar o bem-estar psicológico, através da redução dos níveis de stress, de ansiedade e de depressão (Mello, Boscolo, Esteves, & Tufik, 2005; Pires, Santiago, Samulski, & Costa, 2012; Samulski, Costa, Amaparo, & Silva, 2009).

O período de treino influência a perceção da QV nos atletas profissionais de futebol, nas dimensões física e psicológica, sentido os atletas que treinam à tarde uma melhor perceção nestes domínios comparativamente aos que treinam no período noturno. Assim o período de treino adequado a uma boa perceção da QV é à tarde em detrimento do período nocturno que reduz esta perceção. A melhor perceção da QV proporciona benefícios físicos como, melhor qualidade de sono, redução dos níveis de hipertensão, melhor funcionamento orgânico geral e maior disposição física para realizar as tarefas (Samulski, Costa, Amaparo, & Silva, 2009).

Contrariamente ao que seria de esperar os atletas que demoram mais tempo em deslocações sentem maior perceção da QV no domínio psicológico comparativamnet aos que demoram menos tempo, tendo sentimentos positivos, mais otimismo em relação ao futuro, menor preocupação com condições de doença ou a ausência dela.

Existem diferenças estatisticamente significativas no domínio psicológico da QV em função da posição de jogo. Os médios ofensivos sentem uma melhor perceção deste domínio psicológico, comparativamente aos guarda-redes, sendo esta diferença estatisticamente significativa. O jogador médio é o que trabalha mais durante o jogo, é fonte de energia e o cérebro da equipa, a atacar e a defender, logo envolvem-se mais na concentração, sentimentos positivos, auto-estima, imagem corporal, obtendo maior perceção no domínio psicológico da QV. Já o guarda-redes é menos interventivo e tem papel mais passivo e de orientação da equipa, relativamente à sua posição de jogo.

Conclusão

Hoje em dia existe cada vez mais a necessidade de adquirir hábitos saudáveis, que promovam o bem-estar e melhorem a QV, a fim de promover um melhor desempenho desportivo. Identificámos algumas condicionantes que podem prejudicar a QV de um atleta, tais como falha na satisfação no suporte social, a longa duração e cargas excessivas de treino, associados a inadequados períodos para recuperação, a ocorrência de lesões, escalão competitivo, períodos e números de treino, posição de jogo e uma competitividade exacerbada.

Verificamos que a identificação de estratégias positivas, permite delinear programas preventivos e de intervenção durante as fases de pré-competição e competição de forma a melhorar a QV do atleta profissional de futebol.

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