ESTUDO DA VINCULAÇÃO E DA EMPATIA EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
STUDY OF ATTACHMENT AND EMPATHY IN UNIVERSITY STUDENTS
ESTUDO DA VINCULAÇÃO E DA EMPATIA EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
International Journal of Developmental and Educational Psychology, vol. 1, núm. 1, pp. 283-295, 2019
Asociación Nacional de Psicología Evolutiva y Educativa de la Infancia, Adolescencia y Mayores

Recepção: 03 Abril 2019
Aprovação: 30 Abril 2019
Resumo: Este estudo teve por finalidade analisar a vinculação e a empatia em estudantes universitários. A metodologia utilizada foi quantitativa e foram administrados três instrumentos de avaliação, já aferidos em investigações anteriores para a população portuguesa, e um questionário sociodemográfico. A amostra foi constituída por 183 estudantes de licenciatura, cujos estavam distribuídos por três áreas de formação, nomeadamente ciências, engenharias e tecnologias, do direito e das ciências políticas e da psicologia, da educação e do desporto. A análise estatística efetuada permitiu estabelecer correlações entre a empatia e a perceção do relacionamento com as mães, mas não com os pais. Encontramos um nível mais baixo de empatia nos estudantes que relataram uma ocorrência de doença no último ano, através do Índice de Reatividade Interpessoal, Davis - IRI, e, por outro lado, encontramos uma correlação positiva entre a vinculação segura e a auto perceção de um nível elevado de saúde física. Na vinculação insegura de tipo preocupado, os estudantes que tiveram uma doença no último ano, tinham uma correlação negativa em relação ao nível de saúde avaliado no questionário sociodemográfico.Os estudantes das áreas de psicologia, educação e desporto apresentavam valores mais elevados e estatisticamente significativos de empatia do que os estudantes da área de ciências, engenharia e tecnologias, e, para além disso, apresentavam um valor médio maior de empatia no 1º ano curricular do curso, que os estudantes do 3º ano curricular. Encontramos também correlação estatisticamente significativa entre a empatia e os diferentes tipos de vinculação insegura, segundo a tipologia de Bartholomew identificada com a Escala de Vinculação de Adultos (EVA) utilizada.
Palavras-chave: vinculação, empatia, estudantes universitários.
Abstract:
The purpose of this study was to analyze attachment and empathy in university students. The methodology used was quantitative and three evaluation instruments, already checked in previous researches for the Portuguese population, were used, and a sociodemographic questionnaire was also administered. The sample consisted of 183 1st degree students, who were divided into three areas of training, namely engineering, technology and sciences, law and political science, and psychology, education and sport. Statistical analysis in the test of Drawing circles representatives of familiar relationships made it possible to establish correlations between empathy and the perception of the relationship in childhood with the mothers, but not with the fathers. We found a lower level of empathy and personal discomfort in students who reported a disease occurrence in the last year, through the Interpersonal Reactivity Index, Davis - IRI, and, on the other hand, we found a positive relationship between Secure attachment and the auto perception of the level of perception of a good health. In insecure attachment type preoccupied, the students that had in the last year a disease, had a negative relation with the perception of the level of health in the questionnaire. Students from the field of psychology, education and sport courses had higher and statistically significant empathy values than students in the field of science, engineering and technology, in addition, had a higher average value of empathy in the 1st year of the course, than in the 3rd year of the curriculum. We also found a statistically significant correlation between empathy and different types of insecure attachment, according to the Bartholomew typology identified in the Adult Attachment Scale (EVA) used.
Keywords: attachment, empathy, university students.
INTRODUÇÃO A VINCULAÇÃO
Entre as décadas de 70 e 80 Bowlby centrou-se na temática da vinculação na infância, porém outros estudos focaram-se na adolescência e idade adulta, nomeadamente George, Kaplan e Main, 1984, tendo surgido a criação do instrumento Adult Attachment Interview (in Canavarro, Dias & Lima, 2006).
Bowlby dedicou-se inicialmente ao estudo da vinculação nas crianças estendendo mais tarde aos adultos, tendo sido considerado o responsável da agregação desta temática em várias áreas do conhecimento (Silva, 2014).
O processo de apego e segundo Bowlby desenvolve-se nos primeiros meses de vida e esta desenvolve-se através da relação entre a criança e os seus cuidadores, que lhe garantem a segurança e proteção, desencadeando laços afetivos (Simões, Farate, Soares & Duarte, 2013). Esta teoria demonstra que quando uma criança cresce num ambiente afetuoso empático e ajustado no ambiente, isso leva à construção de estruturas neurobiológicas que permitem baixar o limiar da res- posta e leva a uma melhoria na ansiedade e na resposta ao stresse. Esta capacidade de regulação emocional leva uma melhoria para conseguir um nível ótimo de funcionamento emocional e cognitivo. Estas competências emocionais alteram em função da experiência e do comportamento do Eu e dos outros (Campos et al., 1994; Haviland-Jones & Kahlbaugh, 2000; Izard & Ackerman, 2000, in Cole, Martin & Dennis, 2004). Os estados do pensamento que determinam as respostas e as vivên-cias como as de separação ameaça ou perda, são expressas sob a forma de estilos de vinculação, construídos segundo dimensões positivas ou negativas em relação a si mesmo (Self) ou ao outro, e medem sentimentos internos de autovalorização e as expectativas de comportamento dos outros, a disponibilidade para com eles e a tendência para procurar ou evitar relações íntimas procurando ajuda. As duas dimensões combinam para produzirem quatro estados de vinculação e que neste trabalho são inscritas como quatro variáveis (Bartholomew e Horowitz, 1991; Mohammed Reza Kohadbokhsh, 2012).
O Teste Projetivo dos Círculos representativos das relações familiares de Pipp, Shaver, Jennings, Lamborn e Fischer (1985), na versão portuguesa de Canavarro (1995), tem merecido particular atenção em trabalhos nossos anteriores (Ferronha, Teixeira & Souto, 2008), aplicado a adolescentes com problemas de comportamento e nomeadamente a toxicodependência, em que a perceção dos ciclos representativos das relações com as mães na primeira infância revelavam valores significativos e muito elevados de distância e separação entre os ciclos, que, para eles, representam a relação que os jovens e suas mães e os seus pais tiveram na primeira infância, na segunda infância, pré adolescência e adolescência e, bem assim, no momento atual.
A EVA ou Escala de Vinculação do Adulto (Canavarro, 1995, versão Portuguesa da Adult Attachment Scale-R; Collins & Read, 1990), que amavelmente a cedeu para este estudo, tem sido um instrumento muito utilizado na investigação e permite estabelecer uma tipologia de vinculação segura e insegura de acordo com o modelo de Bartholomew. O modelo de vinculação tem sido asso- ciado à construção precoce do modelo de reatividade ao Stress mostrando a fragilidade da vinculação insegura quer nas relações humanas quer nas relações com a doença. A empatia também nos remete o nível da empatia para a fragilidade física e psíquica como nos mostram diferentes trabalhos, nomeadamente da relação dos terapeutas com mais alto nível de empatia, não só ao nível das psicoterapias, como ao nível da evolução das doenças físicas, tal como é referido nos trabalhos de Rakel, Hoeft, Barrett, Chewing, Craig e Niu (2009), da School of Medicine and Public Health da Universidade de Wisconsin, em que foi possível provar a associação da empatia dos clínicos à duração e severidade da gripe.
A vinculação é um conceito psicológico que nos ajuda a perceber a matriz das relações humanas, que se constrói muito precocemente na primeira infância e que se revela com uma regular estabilidade ao longo da vida, mas que mesmo na idade adulta, pode ser modificada por acontecimentos traumáticos ou em certas condições pela educação especializada ou uma psicoterapia.
A empatia é um dos componentes principais nos cuidados de saúde e também psicológicos e que assegura uma boa comunicação com os doentes tal como nos mostraram os trabalhos de Rakel e outros (2009), Glaser (2007) e Hojat (1995). A correlação entre os tipos de vinculação e o nível de empatia não tem sido muito referida na literatura embora ambos os conceitos estejam associados à construção dos modelos mentais (working models) na infância.
Cada estilo de vinculação representa um esquema de confiança ou desconfiança, de dependência ou de autossuficiência. Os estilos de vinculação oferecem uma explicação para a forma como um indivíduo reage às necessidades do outro e as reações durante um período de stresse. Entendemos, pois, que o estudo da vinculação é muito importante quando se estuda a empatia. Os estudos de Mohammed Reza Kohadbokhsh (2012) mostraram ser consistentes com estudos anteriores de Hojat (1995) e Kestenbaum, Farber e Sroufe (1989), e podem ser interpretados de acordo com o esquema de Bartholomew, conforme Figura 1.

Assim, segundo Bartholomew e Horowitz (1991), os adultos que desenvolvem um modelo positivo das outras pessoas, que se lhe revelam como potencialmente disponíveis e securizantes, sendo elas disponíveis para serem aceites e fornecerem segurança podem ser rotuladas como tendo uma vinculação segura. Os indivíduos com uma vinculação segura desenvolvem em relação aos cuidadores um sentimento de segurança os quais lhe correspondem empaticamente e que dessa maneira desenvolvem uma capacidade de corresponderem emocionalmente e empaticamente em relação a outras pessoas e em relações posteriores. As investigações têm demonstrado que a falta de uma vinculação segura com a mãe pode resultar em agressividade e na adoção de comportamentos desafiadores e rebeldes que não são conducentes posteriormente a uma relação empática (Hojat, 1995). Os resultados obtidos no estudo de Mohammed Reza Kohadbokhsh (2012) mostraram que a vinculação insegura tem uma relação negativa com a empatia. Estes resultados são consistentes com resultados obtidos por outros Hojat (1995) e Kestenbaum e outros (1989).
O ambiente familiar nos primeiros anos de vida não só molda a qualidade das relações interpessoais e futuras (Fonagy, 2001), mas também lança as sementes do crescimento da capacidade de empatizar. A vinculação insegura engloba pelo menos um working model negativo (quer seja do self ou do outro). Os indivíduos com vinculação insegura tendem a vivenciar mais perturbação e apreensão acerca de relacionamentos potencialmente de suporte e mostrarem evitamento auto protetor. Indivíduos com vinculação insegura de tipo medroso desenvolvem uma desconfiança dosoutros e uma visão do próprio como não sendo amados (receosos) da intimidade não merecendo cuidados (Bartholomew & Horowitz,1991; Tan, Zimmerman & Rodin, 2005). Este modelo de trabalho mental negativo do mundo, como sendo hostil e indiferente emocionalmente, torna-se numa propriedade influente da estrutura cognitiva da criança servindo primariamente como uma força inconsciente motivadora que influencia significativamente as relações interpessoais e a capacidade para uma relação empática (Ainsworth, 1985). O estilo de vinculação preocupada pode ser definido como sendo resultante do sentimento negativo no modelo do self e positivo no modelo do outro. O estilo de vinculação evitante é uma mistura de autovalorização do self com elevada autoestima e uma atitude negativa para com os outros. As pessoas com uma vinculação evitante dão uma grande importância à autonomia e negam defensivamente a necessidade dos outros e de relações de intimidade (Tan, Zimmerman & Rodin, 2005). Os indivíduos com estilos de vinculação insegura terão dificuldades em procurar ajuda e assim reduzir o potencial social de suporte em situação de Stresse. A teoria de vinculação aponta para eventuais problemas futuros nos relacionamentos e em outros domínios da vida. Estes estudos necessitam, porém, ser amplamente reproduzidos em largas populações e em múltiplos estudos, e até lá teremos que ter cuidado com a interpretação dos resultados. A vinculação sendo um constructo psíquico já amplamente utilizado e que tem a ver com a relação precoce aos cuidados maternos, nomeadamente a mãe, tal como o demonstraram os trabalhos de Allan Schore e que vem confirmar, mais uma vez, a importância do tipo de vinculação na robustez física e que é fruto da construção de um eu (self) neurofisiológico muito precocemente adquirido e que preside ao equilíbrio neurovegetativo (Schore, 2003).
A EMPATIA
A empatia é a capacidade que o ser humano tem de reconhecer as emoções que estão a ser vivenciadas por outra pessoa (Davis,1980). O vocábulo empatia tem origem grega e significa afeção física (Ferronha, Almeida, Oliveira, Teixeira de Sousa & Sousa, 2014). A empatia tem muitas definições que compreendem uma série de estados emocionais, tais como o desejo de cuidar de outras pessoas e de as ajudar, compreendendo o que a outra pessoa sente ou pensa. A capacidade de reconhecer as emoções dos outros é inata, mas pode, no entanto, ser treinada (Falcone, 1999).
A habilidade do ser humano em identificar as sensações corporais de outra pessoa está relacionada com a aptidão imitativa e parece estar articulada à capacidade inata de agregar os movimentos e expressões faciais que se observam num outro indivíduo com as sensações propriocetivas que emergem dos correspondentes movimentos corporais no próprio (Ferronha, Almeida, Oliveira, Teixeira de Sousa & Sousa, 2014). Os seres humanos relacionam o tom de voz, a prosódia do discurso com os sentimentos interiores. A empatia é uma condição basilar para compreender o processo terapêutico, em que um ser humano compreende o estado emocional de outro, e tem a capacidade em transmitir a mensagem e assumir os estados emocionais do outro, e, por este reconhecimento, pode ajudar a ultrapassar o sofrimento (Ferronha, Almeida, Oliveira, Teixeira de Sousa& Sousa, 2014).
A compreensão empática alicerça-se muito para além da atitude e esta estabelece-se numa relação terapêutica, em que o terapeuta propicia um ambiente seguro e de confiança. Segundo Carl Rogers, a compreensão empática pressupõe que um individuo tenha a capacidade de sentir a dor/prazer do outro como o outro a sente (Fontgalland, Moreira & Melo, 2018). Nesta perspetiva, encontramos dois componentes no processo empático, o afetivo e o cognitivo (Ferronha, Almeida, Oliveira, Teixeira de Sousa & Sousa, 2014).
Numa situação de empatia, as interações observadas entre dois seres humanos geram múltiplas respostas de quem observa, sendo internas ou externas, à qual Davis (1996, 2006) faz referênciapela abertura a quatro comportamentos resultantes dessa interação: antecedentes (as características do observador ou situação), processos (formas de atuar e que podem ser não cognitivos, e tomamos o exemplo da motricidade mímica, cognitivos simples, tal como os que existem no condicionamento clássico, e cognitivos avançados, os que se registam na tomada de perspetiva), consequências intrapessoais e interpessoais (reações comportamentais). Davis particularizou que cada comportamento interlaçam entre si, isto é o comportamento que antecedente interfere no subsequente, nomeadamente nos processos cognitivos, afetivos e motivacionais, e que por sua vez geram respostas interiores ou intrapessoais e que se manifestam nas relações interpessoais (Limpo, Alves& Castro, 2010).
Estes processos vão gerar respostas ao nível do pensamento, o qual desencadeia respostas interpessoais e que se revelam pelo comportamento do observador, face ao alvo e à situação. Este modelo proposto por Davis, e que tem desenvolvido diferentes trabalhos, traduz-se no modelo multidimensional da empatia. Davis desenvolveu assim uma medida capaz de avaliar a dimensão afetiva e cognitiva, que se traduziu numa das medidas mais frequentemente utilizada: o Índice de Reatividade Interpessoal, usado em diferentes trabalhos de investigação em Psicologia Social, Psicologia Criminal, em Psicoterapia, em Psicopatologia e em Neuropsicologia. Existem diferentes versões de escalas adaptadas em diferentes culturas na Europa e no Mundo, havendo mesmo uma versão utilizada na China (Siu & Shek, 2005) (in Limpo, Alves & Castro, 2010).
O Índice de Reatividade Interpessoal (IRI), na versão portuguesa de Limpo, Alves e Castro (2010) e utilizada nesta investigação, identifica quatro fatores que avaliam: a Tomada de Perspetiva (ir de encontro à visão de outro indivíduo); a Preocupação Empática (manifestação de emoções de caridade e de inquietação pelo outro); o Desconforto Pessoal (sentimentos, tensões interpessoais) e, por fim, a Fantasia (tendência do indivíduo em se dispor em situações não reais). A Tomada de Perspetiva pode-se definir através da dimensão cognitiva empática e a dimensão afetiva define-se pelos restantes sub-fatores. Vários estudos e em outras línguas corroboram a consistência das subescalas supramencionadas (Limpo, Alves & Castro, 2010).
METODOLOGIA DO ESTUDO
Participantes
A amostra foi constituída por 183 estudantes universitários, em que a média de idade dos participantes é de 21,8 anos. Pertenciam ao sexo feminino 106 e 71 ao sexo masculino, dos quais 56 estudantes inscritos nas áreas das ciências, engenharias e tecnologias, 16 estudantes nas áreas do direito e ciências políticas; e 106 estudantes nas áreas da Psicologia, Educação e Desporto (Tabela 1).
Procedimento
A todos os estudantes, depois de lerem e aceitarem o consentimento informado e de lhes ter sido esclarecido o propósito do estudo para responder aos instrumentos, foramlhes fornecidos os quatro instrumentos desta investigação, em formato papel, tendo alguns dos estudantes atribuído um código, na eventualidade de quererem conhecer os resultados obtidos ou poderem retirar a sua participação na investigação.
Metodologia
A metodologia utilizada neste estudo foi a metodologia quantitativa.
Instrumentos
O instrumento utilizado para avaliar a perceção inconsciente que os estudantes deste estudo têm em relação ao tipo de relação que eles imaginaram ter tido foi o Teste Projetivo dos Círculos representativos das relações familiares de Pipp, Shaver, Jennings, Lamborn e Fischer (1985), na versão portuguesa de Canavarro (1995). Propusemos que desenhassem como um circulo o pai e a mãe como um outro circulo, dentro de polígonos em branco que lhes é proposto, inscritos numa folha de observação para desenharem, como teria sido a primeira infância, segunda infância, pré adolescência e adolescência e no momento atual a sua relação com o circulo representativo da mãe e a seguir a sua relação com o círculo representativo do pai.
Foram igualmente administrados mais dois instrumentos, a escala de empatia - Índice de Reatividade Interpessoal de Davis (IRI), versão portuguesa de «Interpersonal Reactivity Index, IRI» testada em estudantes universitários por Limpo, Alves & Castro (2010), e a Escala de Vinculação (EVA), versão portuguesa de «Attachment of adults of Collins & Reed (1990)» e aferida por Canavarro (1995).
Neste estudo também incluímos um questionário sociodemográfico com perguntas que representam variáveis que poderão dar pistas sobre as escolhas do curso, o tipo de relações familiares, a perceção que têm do nível da sua saúde, desde muito saudável até pouco saudável ou adoecerem facilmente, numa escala de tipo Likert, com opções de resposta de 1 a 4.
RESULTADOS
A análise estatística efetuada no SPSS 21 permitiu verificar que a amostra deste estudo, constituída por 183 participantes, tem uma média de idade de 21,8 anos, sendo 38,8% do sexo masculino e 57,9% do sexo feminino.
A amostra está distribuída por três grupos de áreas científicas, sendo que 28,4% está a frequentar as áreas das Ciências, Engenharias e Tecnologias, 8,7% a frequentar as áreas do Direito e Ciência Política e 57,9% a frequentar as áreas da Psicologia, Educação e Desporto (Tabela 1).

Na tabela 2 verificamos que a média de empatia é francamente mais elevada nas áreas da Psicologia, Educação e Desporto e nos 1º anos curriculares em relação às outras áreas, e que nos 3º anos curriculares todas as médias baixam, acentuam-se mais nas áreas do Direito e Ciência Política e das Engenharias.

A Tabela 3 demonstra que nos estilos Seguro e Inseguro a média mais elevada é nas áreas do Direito e Ciência Política, sendo que nestas áreas o estilo Desligado apresenta uma média muito elevada.

Quanto ao Índice de Reatividade Interpessoal (IRI) dos 183 estudantes participantes, a Tabela 4 identifica médias das variáveis Tomada de Perspetiva, Preocupação Empática, Desconforto Pessoal, Fantasia e Empatia muito diferentes, como baixas ou moderadas.

A Tabela 5 atesta que há relação significativa entre os diversos subfatores da empatia e a perceção imaginada da relação com as mães na primeira, na segunda e na terceira infâncias.

A Tabela 6 apresenta que há uma correlação altamente positiva entre os estudantes das áreas do Direito e Ciência Política e o modelo de vinculação Desligado.

Verifica-se na Tabela 7 que o estudo da correlação entre os resultados obtidos nos estudantes que tiveram uma doença no último ano revelou que a presença de doença tem uma relação negativa e muito significativa entre a doença e a perceção do grau geral de “saúde” e, por outro lado, a correlação foi muito significativa e negativa em relação ao subfator “Fantasia” e, também, se revelou negativa em relação ao subfactor “Desconforto pessoal”.

CONCLUSÃO
Este estudo teve por finalidade analisar a vinculação e a empatia em estudantes universitários. A análise estatística efetuada permitiu estabelecer correlações entre a empatia e a perceção do relacionamento com as mães, mas não com os pais. Encontramos valores mais baixos de empatia nos estudantes que relataram uma ocorrência de doença no último ano.
Os estudantes das áreas da psicologia, educação e desporto apresentavam valores mais elevados e estatisticamente significativos de empatia do que os estudantes das áreas das ciências, engenharias e tecnologias, para além disso, apresentavam um valor médio maior de empatia nos 1º anos curriculares dos cursos que os estudantes dos 3º anos curriculares, o que vem chamar a atenção o que outros autores já referiram relativamente a uma diminuição significativa dos valores da média de empatia nos anos subsequentes ao primeiro ano de entrada no curso.
Encontramos também correlação estatisticamente significativa entre a empatia e os diferentes tipos de vinculação insegura, segundo a tipologia de Bartholomew identificada com a Escala de Vinculação de Adultos utilizada.
Face aos resultados, e apesar da amostra ser muito reduzida, os valores que encontramos apontam para a necessidade de estudos na área das ciências sociais, criando assim a oportunidade de aumentar intervenções em técnicas de promoção da empatia e de melhorar a justiça dos adultos e da saúde, tanto mais que, no caso Português, existem problemas na formação de juristas, e na aplicação do Direito, como é do conhecimento público.
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