Artigo
“Quando o Cerrado morre, é um pouco da gente que está morrendo” As Mulheres Indígenas Xakriabá e seu papel na Proteção do Cerrado
"When the Cerrado dies, it's a bit of us that's dying": Xakriabá Indigenous Women and Their Role in Protecting the Cerrado
"Cuando la Sabana muere, muere un poco de nosotros”: Las Mujeres Indígenas Xakriabá y su Papel en la Protección de la Sabana Brasileña
“Quando o Cerrado morre, é um pouco da gente que está morrendo” As Mulheres Indígenas Xakriabá e seu papel na Proteção do Cerrado
Administração Pública e Gestão Social, vol. 17, núm. 2, 18598, 2025
Universidade Federal de Viçosa

Recepción: 04 Abril 2024
Aprobación: 13 Marzo 2025
Publicación: 30 Junio 2025
Resumo:
Objetivo da pesquisa: Compreender como as mulheres indígenas Xakriabá atuam na proteção do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas.
Enquadramento teórico: Localizamos o estudo dentro da literatura apresentando a relação do povo Xakriabá com o Cerrado, seguido da apresentação teórica sobre o trabalho, bem como um panorama geral sobre o trabalho das mulheres Xakriabá na proteção de seu território.
Metodologia: Adotou-se abordagem descritiva qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas e diário de campo para coleta de dados. A análise dos dados foi realizada com base na Análise de Conteúdo de Bardin (2016).
Resultados: As mulheres indígenas Xakriabá desempenham um papel fundamental como guardiãs de seu povo e do Cerrado, principalmente por meio de suas atividades laborais cotidianas na escola indígena, na Associação Comunitária e no ativismo político, alinhando suas atividades aos princípios da agroecologia feminista.
Originalidade: A temática aborda uma lacuna significativa na literatura, uma vez que há poucos estudos específicos sobre o papel das mulheres indígenas no campo da Administração, especialmente no que diz respeito à interseção entre trabalho, agroecologia, preservação cultural e conscientização ambiental.
Contribuições teóricas e práticas: Introdução do conceito de agroecologia feminista nas discussões relativas a atividades laborais. O impacto prático reside na valorização do papel das mulheres indígenas e na orientação de políticas públicas mais eficazes para proteção dos povos indígenas, guardiões dos recursos naturais brasileiros.
Palavras-chave: Mulheres Indígenas Xakriabá, Cerrado, Práticas Laborais, Agroecologia Feminista.
Abstract:
Research objective: To understand how Indigenous Xakriabá women work to protect the Cerrado through their daily labor practices.
Theoretical framework: The study is located within the literature, presenting the relationship between the Xakriabá people and the Cerrado, followed by a theoretical presentation on work as well as an overview of the work of Xakriabá women in protecting their territory.
Methodology: A qualitative descriptive approach using semi-structured interviews and a field diary for data collection was adopted. Data analysis was conducted based on Bardin’s content analysis (2016).
Results: Xakriabá Indigenous women play a fundamental role as guardians of their people and the Cerrado, mainly through their daily work activities in the indigenous school, the Community Association and political activism, aligning their activities with the principles of feminist agroecology.
Originality: The topic addresses a substantial gap in the literature as the specific studies on the role of Indigenous women in the field of Administration are few, especially regarding the intersection between work, agroecology, cultural preservation, and environmental awareness.
Theoretical and practical contributions: Introduction of the concept of feminist agroecology into discussions on work activities. The practical impact lies in valuing the role of Indigenous women and guiding public policy.
Keywords: Xakriabá Indigenous Women, Cerrado, Labor Practices, Feminist Agroecology.
Resumen:
Objetivo de la investigación: Comprender cómo las mujeres indígenas Xakriabá trabajan para proteger el Cerrado a través de sus prácticas laborales cotidianas.
Marco teórico: Ubicamos el estudio dentro de la literatura presentando la relación entre el pueblo Xakriabá y el Cerrado, seguido de una presentación teórica sobre el trabajo, así como una visión general del trabajo de las mujeres Xakriabá en la protección de su territorio.
Metodología: Se adoptó un enfoque cualitativo descriptivo, utilizando entrevistas semiestructuradas y un diario de campo para la recogida de datos. Los datos se analizaron mediante el Análisis de Contenido de Bardin (2016).
Resultados: Las mujeres indígenas Xakriabá desempeñan un papel fundamental como guardianas de su pueblo y del Cerrado, principalmente a través de sus actividades laborales diarias en la escuela indígena, en la Asociación Comunitaria y en el activismo político, alineando sus actividades con los principios de la agroecología feminista.
Originalidad: El tema aborda un vacío significativo en la literatura, ya que hay pocos estudios específicos sobre el papel de las mujeres indígenas en el campo de la Administración, especialmente en lo que respecta a la intersección entre el trabajo, la agroecología, la preservación cultural y la conciencia ambiental.
Aportes teóricos y prácticos: Introducción del concepto de agroecología feminista en las discusiones sobre las actividades laborales. El impacto práctico está en la valorización del papel de las mujeres indígenas y en la orientación de las políticas públicas.
Palabras clave: Mujeres Indígenas Xakriabá, Cerrado, Prácticas Laborales, Agroecología Feminista..
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa objetiva compreender como as mulheres indígenas Xakriabá atuam na proteção do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas. Trabalhos anteriores que endereçam temáticas indígenas, têm focado em discussões relativas à universidade e acesso de minorias ao ensino superior; terra e conflitos; organizações, gestão e sustentabilidade; e organização sociopolítica indígena, Estado e políticas públicas (Cunha & Sousa, 2022). Identificamos que ao longo dos últimos 20 anos, foram publicados 73 artigos que discutem essas temáticas no campo das áreas de Administração Pública e de Empresas, Contabilidade e Turismo, conforme consulta realizada em novembro de 2023 no repositório de artigos Spell – Scientific Periodicals Electronic Library.
Contudo, permanece uma lacuna de pesquisa que aborde essas e outras temáticas indígenas a partir do olhar e das vivências das mulheres indígenas principalmente no que tange ao trabalho. Nesse sentido, esta pesquisa se une a pesquisas como os realizados por Kempf et al (2022) e Maguirre et al (2016), que buscam compreender as consequências do modelo colonial-capitalista-patriarcal estrutural a partir do ponto de vista de quem vivencia diariamente a desigualdade entre os gêneros: as mulheres. Ainda, este trabalho é relevante do ponto de vista social e acadêmico, uma vez que o crescimento dos movimentos feministas exige que as questões sociais sejam revistas à luz de uma perspectiva feminista. Este trabalho surge como um desdobramento dessa luta pelo reconhecimento da igualdade entre gêneros especialmente no campo laboral.
Diante do exposto, desenhamos a pergunta norteadora desta pesquisa: “Como as mulheres indígenas Xakriabá atuam na proteção do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas?” Esta pergunta convida à reflexão sobre a relevância das atividades laborais desenvolvidas pelas mulheres Xakriabá, que desempenham um papel fundamental não apenas na subsistência de sua comunidade, mas também na preservação do Cerrado. Esta pesquisa é necessária considerando a atual relação do ser humano com a natureza e a iminente crise ambiental vivenciada pela humanidade no Antropoceno (Figueiredo & Marquesan, 2020). Abordar temáticas como essa representa um esforço para fazer ressoar as vozes e os saberes dos povos indígenas, historicamente negligenciados e silenciados.
O povo Indígena Xakriabá (PIX), um dos muitos grupos indígenas do Brasil, habita uma região localizada no bioma Cerrado e tem forte conexão com a terra e a natureza, elementos que desempenham papel central em sua cosmovisão e práticas cotidianas. O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, possuindo relevante biodiversidade, abrigando mais de 12 mil espécies de plantas e animais, 35% delas endêmicas, ou seja, que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo (Forzza et al., 2012).
O Cerrado enfrenta vários desafios, principalmente devido à expansão da exploração de recursos nas áreas cobertas pelo bioma. A monocultura da soja, a pecuária, e a mineração têm provocado desmatamento em larga escala no Cerrado (Santos et al, 2009). Isso, juntamente com a mudanças climáticas, tem colocado muitas espécies em risco de extinção e perturbado os ecossistemas locais (Alho, 2012). A contaminação da água e do solo devido ao uso excessivo de agrotóxicos é outra preocupação significativa (Ribeiro, 2019). A degradação ambiental gerada no Cerrado impacta intensamente a vida dos indígenas, que dependem de seus recursos para subsistência.
A contribuição desta pesquisa para o campo da Administração vai além da resposta à pergunta norteadora deste estudo. Foi possível compreender o papel vital do PIX na preservação do Cerrado e na promoção de justiça social e ambiental. Confirmou-se a importância da atividade laboral desenvolvida pelas mulheres Xakriabá, responsáveis pelas tarefas diárias da comunidade, para além do trabalho reprodutivo (Melo & Castilho, 2009). Essas mulheres têm ocupado, cada vez mais, cargos formais de trabalho, principalmente nas escolas indígenas e em áreas voltadas à saúde.
As entrevistas revelaram que as Xakriabá têm exercido papel de liderança em suas aldeias e guiado os rumos da comunidade. Além disso, as Xakriabá também estão na dianteira dos esforços agroecológicos, ou seja, das práticas agrícolas sustentáveis (EMBRAPA, 2006). Por meio de seu trabalho, elas desenvolvem técnicas ecologicamente corretas e socialmente justas, enfatizando a importância da biodiversidade, do uso sustentável dos recursos e da equidade de gênero. Outro espaço laboral que se revelou nas falas das Xakriabá, é a presença no ativismo político. Elas têm avançado para a linha de frente dessa atividade, sobretudo nos últimos anos, atuando defendendo os direitos de seu povo e do meio ambiente. Aliadas a seus parentes – expressão usada por povos indígenas brasileiros para se referirem uns aos outros (Reis, 2015) –, as mulheres têm sido vozes poderosas contra o desmatamento, a mineração ilegal e outras ameaças às suas terras e cultura.
Este artigo se estrutura da seguinte forma: primeiro, localizamos nosso estudo dentro da literatura apresentando a relação do povo Xakriabá com o Cerrado, seguido de um panorama geral sobre o trabalho das mulheres Xakriabá na proteção de seu território. Subsequentemente, apresentamos os caminhos metodológicos adotados e, a partir dos dados, analisamos como as Xakriabá atuam na proteção do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas. Realizamos uma discussão sobre os efeitos dessa atuação e concluímos sugerindo caminhos pelos quais essas práticas devem ser disseminadas visando à preservação dos recursos naturais do Brasil bem como à subsistência e preservação dos modos de vida desses povos.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS
O Povo Indígena Xakriabá e Sua Relação com o Cerrado
A compreensão da relação entre os Xakriabá e o Cerrado exige a distinção entre terra, território e territorialidade. Terra refere-se ao espaço de ocupação e produção, enquanto território incorpora aspectos identitários e de autonomia (Guedes, 2016; Little, 2002). Para os Xakriabá, a territorialidade expressa sua conexão ancestral com o espaço, visto como corpo e espírito (Correa Xakriabá, 2018).
O Território Indígena Xakriabá (TIX), no norte de Minas Gerais, possui 43.357 hectares e abriga cerca de 11 mil indígenas em 35 aldeias. Para o PIX, a terra e seus recursos naturais pertencem à comunidade, sendo fundamentais para sua identidade e cultura. O Cerrado, onde o TIX está inserido, contém árvores como pequi, aroeira e juá, essenciais para a subsistência indígena (Xakriabá, 2006). Esse bioma cobre 21% do Brasil e abriga 30% da biodiversidade nacional (Klink & Machado, 2005). Além disso, é vital para o abastecimento hídrico, sendo chamado de "berço das águas do Brasil" (EMBRAPA, n.d.), pois oito das doze bacias hidrográficas brasileiras têm nascentes no Cerrado (Belonia, 2018).
Nas décadas de 1960 e 1970, políticas de modernização agrícola, minerária e industrial intensificaram a ocupação do Cerrado, gerando impactos ambientais severos, como contaminação da água e erosão do solo (Santos et al., 2009). Os Xakriabá enfrentam dificuldades para obter recursos naturais devido à seca prolongada na região norte de Minas Gerais (Cruz et al., 2019). O plantio tornou-se impraticável devido à escassez hídrica, agravada pela invasão de terras indígenas e exploração dos cursos d’água, como o rio Itacarambi, prejudicando diretamente a vida dos Xakriabá. A perda do acesso ao Rio São Francisco também fragmentou sua cultura (Correa Xakriabá, 2018).
A disputa territorial entre indígenas e ruralistas é chamada de guerra ecológica (Sauer & Almeida, 2011 apud Guedes, 2013), na qual os Xakriabá são vistos como adversários do agronegócio. A resistência indígena se manifesta na luta pela demarcação de terras, iniciada em 1978 com a atuação da FUNAI. Em 1987, após a Chacina de 1987, o primeiro território Xakriabá foi homologado (Correa Xakriabá, 2018). Em 2003, a TIX de Rancharia foi homologada, mas a reivindicação pela totalidade do território e pelo acesso ao Rio São Francisco persiste.
A luta dos Xakriabá vai além da demarcação de terras, envolvendo resistência às mudanças sociais impostas pelo capitalismo, cujo consumo excessivo e exploração desenfreada resultam na degradação do Cerrado. Diante desse cenário, os Xakriabá desenvolvem estratégias de resistência focadas na preservação da cultura, identidade e recuperação territorial. Nesse contexto, as mulheres Xakriabá desempenham um papel essencial na manutenção do Cerrado e na defesa de seu território.
O Trabalho das Mulheres Xakriabá na Proteção do Território
O debate em torno do termo trabalho é extenso na esfera acadêmica, revelando interpretações variadas sobre sua relevância na sociedade contemporânea. Essas visões comumente são enraizadas em uma abordagem centrada no emprego e no assalariamento, limitando a compreensão do trabalho em sua plenitude. Analisar o trabalho para além de sua manifestação formal torna-se imperativo.
No contexto das atividades laborais de mulheres indígenas, é crucial distinguir trabalho e emprego. Conforme Lhuillier (2013), em termos amplos, o trabalho abrange atividades baseadas na relação humana com a natureza e relações sociais, incluindo tarefas não estritamente econômicas. Já o emprego é uma forma específica, historicamente moldada, com contratos formais e remuneração. Assim, o trabalho não se limita ao emprego, incluindo atividades não economicamente sancionadas, como as domésticas, beneficentes e políticas, que têm valor e significado para indivíduos e sociedade (Lhuillier, 2013).
Até meados do século XX, o domínio público foi restrito aos homens e o privado às mulheres, sendo o trabalho feminino nunca considerado como produtivo, apenas o do homem (Kanan, 2010). No entanto, ressalta-se que a divisão sexual do trabalho e a opressão à mulher não são inerentes ao surgimento da espécie humana. Afirmar que a mulher sempre foi subordinada ao homem, é atribuir à natureza o surgimento da opressão, ou naturalizar um fenômeno que não é natural, bem como admitir que a subordinação é própria da sociabilidade humana (Saffioti, 2001). Sendo assim, é importante destacar que estas diferenças são construções sociais de base material/capitalista/patriarcal que se fundamentam em uma relação hierárquica/de poder/de classe entre os sexos (Kergoat, 2002).
Dentro do TIX, as mulheres desempenham uma multiplicidade de atividades laborais e, frequentemente, assumem um perfil multitarefa. Desde a retomada do TIX em 1987, as mulheres indígenas Xakriabá se destacaram como responsáveis por manter os saberes de sua cultura e a organização do território, além de serem guardiãs de sementes e desenvolverem trabalhos agroecológicos, cruciais para a nutrição comunitária e conservação ambiental. No âmbito formal, as Xakriabá têm cada vez mais encontrado espaço de atuação, principalmente na área da educação. Nas escolas Xakriabá, “o quadro de funcionários é composto por pessoas indicadas pela própria comunidade, com o aval de caciques e lideranças” (Neves & Silva, 2020, p. 35).
Nota-se que as mulheres têm desempenhado um papel central em atividades relacionadas ao letramento, como reuniões, assembleias e participação em associações comunitárias. Nas escolas indígenas, as mulheres Xakriabá assumem posições de auxiliares, professoras, diretoras e secretárias (Teixeira & Gomes, 2012). Elas são vistas como lideranças e são grandes responsáveis por transmitir os conhecimentos tradicionais, além dos conhecimentos previstos na estrutura curricular. A escola é um ambiente onde, a partir do convívio diário, da observação, da imitação e da oralidade, são repassados elementos culturais que se perpetuam ao serem passados de geração em geração.
A crescente participação das mulheres nesse espaço se deve, em grande parte, a políticas públicas, como a política de cotas, adotada em 2012, e a iniciativas como as do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) que contribuem para o crescimento do número de indígenas ingressantes no ensino superior. O Prolind busca capacitar professores indígenas em instituições públicas federais e estaduais (Ministério da Educação, n.d.). A mobilização coletiva dos indígenas também desempenha um papel crucial nesse acesso às Instituições de Ensino Superior (IES).
A presença de indígenas em IES cresceu de 9.756 (2011) para 47.267 (2020), refletindo a importância dessa inclusão acadêmica (INEP, 2011; INEP, 2020). Para as mulheres indígenas, a educação superior transcende a obtenção de um diploma; é uma ferramenta transformadora e de empoderamento. Além de ampliar horizontes pessoais e profissionais, o ensino superior as destaca como defensoras e porta-vozes de suas comunidades. Ao ingressar nesse espaço, as mulheres indígenas promovem uma perspectiva renovada sobre questões indígenas, valorizando sua cultura e tradições (Prsybyciem et al., 2018).
A formação acadêmica prepara as indígenas para enfrentar desafios contemporâneos, tornando-as líderes capazes de influenciar mudanças positivas, além de proporcionar oportunidades de criação de redes de apoio, fortalecendo a capacidade de colaboração e defesa. Ao se formarem, as indígenas normalmente retornam às suas comunidades para aplicar, aperfeiçoar e repassar aos demais técnicas aprendidas. Em contrapartida, a educação superior torna-se uma plataforma para compartilhar e valorizar a rica cultura indígena e suas tradições, promovendo assim um maior entendimento e respeito por parte da sociedade (Prsybyciem et al., 2018).
Assim, além da formação de professoras indígenas, a busca por conhecimento formal permite que essas mulheres aprimorem técnicas ancestrais e busquem alternativas diante das dificuldades causadas pela seca em seu território. No TIX, a prática da agrofloresta, alinhada à Agroecologia, é essencial. A Agroecologia, enquanto ciência interdisciplinar, reconhece a legitimidade do saber indígena e busca a harmonia entre agricultura e meio ambiente, valorizando o conhecimento prático popular. As Xakriabá desenvolvem práticas agroecológicas restaurando a diversidade e equilíbrio ecológico no território. A noção de "Aguafloresta" (Correa Xakriabá, 2018, p. 81), cunhada por João Xakriabá, destaca a importância do saber indígena na discussão sobre agrofloresta, adaptando conceitos à realidade do cerrado.
Além de promover a sustentabilidade, a Agroecologia é um pilar para a igualdade de gênero, desafiando a divisão sexual do trabalho (Jancz et al., 2018, p. 46). A partir da ótica agroecológica feminista, ela permite a autonomia das mulheres na agricultura, garantindo às mulheres o direito de decidir sobre seu tempo e corpo, colocando-as em pé de igualdade com os homens (Bruil et al., 2020). A autonomia feminina resulta em benefícios econômicos, bem-estar familiar e comunitário, uma vez que as mulheres assumem voz ativa em debates e decisões internas e externas, reconhecendo sua relevância nas retomadas territoriais e na captação de recursos para investimentos no TIX.
A participação crescente das mulheres em discussões políticas destaca seu papel vital nas questões territoriais e na construção de um futuro sustentável para sua comunidade. O engajamento político das mulheres indígenas desafia narrativas dominantes, reivindicando direitos e rompendo normas de gênero e etnia. Esse engajamento fortalece a coesão comunitária, consolidando laços e solidariedade. Ainda, a presença feminina em espaços antes dominados por homens e não-indígenas inspira outras jovens e promove equidade (Dutra & Mayorga, 2019).
As Associações Indígenas, espaços políticos internos no TIX, desempenham papel crucial representando e promovendo os direitos, interesses e tradições das aldeias. Essas associações elegem representantes que lideram projetos para aprimorar a qualidade de vida nas aldeias, sendo pilares na articulação política, social e cultural dos povos indígenas. As Associações dependem de financiamentos governamentais e parcerias com organizações sensíveis às questões indígenas para garantir a sustentabilidade financeira. As Associações também buscam receitas através da comercialização de produtos, organização de eventos e venda de produtos agrícolas, valorizando sua rica herança cultural e ambiental.
Políticas Públicas por e para Indígenas: Marcos Legais e a Atuação Transformadora de Mulheres Indígenas
Para discutir a participação política de mulheres indígenas, é fundamental compreender a definição de políticas públicas. Este campo de estudo vem tornando-se cada vez mais plural. Nos anos 50, Harold Laswell definiu políticas públicas (polices) como materialização do ato de governar (governing), associando-as, portanto, à ação do Estado (Andion et al, 2017). Desde então, a visão estadocêntrica desta versão tem sido questionada, uma vez que não leva em consideração os múltiplos atores e fatores necessários na formulação de políticas públicas. Assim, emergiram outras formas de estruturação e possibilidades de ações públicas, como apresentado por Boullosa et al (2021).
O termo ação pública tem apresentado uma interpretação diferente de política pública. Enquanto esta ainda está amplamente associada à ação governamental, vinculada aos agentes do Estado ou de sua estrutura administrativa, em resposta a problemas públicos, a ação pública amplia essa perspectiva. Ela engloba iniciativas promovidas por diversos agentes, tanto do setor público quanto do privado, que atuam em diferentes níveis e esferas de decisão, refletindo a complexidade e a colaboração que caracterizam os desafios contemporâneos (Andion et al, 2017).
Dessa forma, essa perspectiva permite compreender a política pública como um fluxo dinâmico que envolve uma pluralidade de atores, possibilitando a inclusão de saberes, práticas e racionalidades, ampliando a diversidade do debate. No Brasil, isso se manifesta na ampla presença da governança participativa (Araujo, 2022). Um exemplo disso é a conquista dos principais marcos legais para os direitos indígenas, resultado da ascensão da organização do movimento indígena na década de 1970. Adotou-se o termo movimento indígena, no singular, para se referir à articulação de comunidades, povos e organizações na defesa de direitos e interesses comuns, embora existam diversos movimentos indígenas no Brasil (Araujo, 2022).
A partir deste período, os povos indígenas se aliaram a organizações não-governamentais, universidades e instituições religiosas para desenvolver estratégias de reivindicação de seus direitos. Foi criada em 1980 a União das Nações Indígenas (UNI), cuja luta, em conjunto com outras entidades sociais, contribuiu para a consolidação e inclusão dos direitos indígenas na Constituição Federal Brasileira (CFB), de 1988, e a implementação de políticas públicas específicas para esses povos (Deparis, 2007). A CFB reconhece a organização social, os costumes, línguas, crenças e tradições indígenas, bem como os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam (Brasil, 1988). No Quadro 1, estão listados os principais instrumentos jurídicos das políticas públicas voltadas aos direitos indígenas.

A FUNAI desempenha um papel central na execução de políticas públicas voltadas para a promoção e proteção dos direitos indígenas. Um destaque significativo é sua “Carteira de Políticas Públicas”, que organiza e detalha iniciativas estratégicas destinadas a atender às demandas desses povos, promovendo seu desenvolvimento sustentável e respeitando suas especificidades culturais e sociais (FUNAI, 2020).
As mulheres sempre estiveram presentes no movimento indígena, mas sua atuação tem se tornado mais expressiva nas últimas décadas, em especial, em posições de liderança. Segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA), foram mapeadas 92 organizações de mulheres indígenas em 2020, a maioria delas criadas a partir dos anos 2000 (Chaves, 2023). No cenário político a participação feminina também tem avançado. O número de mulheres indígenas eleitas para cargos municipais dobrou entre as eleições de 2016 e 2020. No entanto, essa presença representa apenas 13% dos indígenas eleitos no país, considerando eleições municipais (Câmara dos Deputados, 2022).
A partir da década de 2000, o Acampamento Terra Livre (ATL) se destaca como a maior mobilização indígena do país. Organizado anualmente desde 2004 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o ATL reúne milhares de indígenas de diversas etnias para reivindicar a garantia de seus direitos, com ênfase na demarcação de terras e na implementação de políticas públicas que assegurem a proteção ambiental e o acesso a serviços essenciais (APIB, n.d.). Embora as mulheres indígenas tenham marcado presença desde os primeiros Acampamentos, nos últimos anos elas têm desempenhado um papel de destaque dentro do movimento.
Iniciada no ATL de 2019, a Marcha das Mulheres Indígenas é uma importante mobilização organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). O encontro fortalece a luta por políticas públicas específicas que atendam às necessidades das mulheres e meninas indígenas, abordando questões como saúde, educação, segurança e participação política. Além disso, este é um evento onde as mulheres trazem à tona temas que permeiam a proteção de seus territórios e o meio ambiente, discutindo, por exemplo, sobre a necessidade de proteger os biomas nacionais, a crise climática global, a violência contra povos indígenas e o marco temporal (ONU Mulheres, 2023).
A APIB e a ANMIGA são exemplos de instituições que promovem a governança participativa e a formulação de políticas públicas por meio da reivindicação e da participação ativa na política. A presença das mulheres indígenas em movimentos como estes é essencial para fortalecê-las e fazê-las ocuparem espaços de liderança, inclusive cargos políticos. Um marco nesse processo foi a III Marcha das Mulheres Indígenas, realizada em Brasília em 2023, que resultou em avanços concretos. Durante a mobilização, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, assinou acordos significativos para fortalecer a participação das mulheres indígenas em políticas públicas (FUNAI, 2023).
Um destaque foi o acordo de cooperação técnica entre o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério das Mulheres, visando desenvolver estratégias para prevenir a violência contra mulheres indígenas (FUNAI, 2023). Outro momento importante foi a ocupação do Congresso Nacional por mais de 500 mulheres indígenas para acompanhar a deputada Célia Xakriabá protocolar um projeto de lei que estabelece uma política de combate à violência contra mulheres indígenas. Este foi o primeiro Projeto de Lei traduzido em língua indígena na história do parlamento brasileiro (ONU Mulheres, 2023).
A proteção do meio ambiente é sempre um dos temas centrais das discussões levantadas pelas mulheres indígenas, refletindo a conexão entre os povos originários e a preservação da biodiversidade. Busca-se debater, dentre outros assuntos, as consequências socioambientais e os desafios relacionados à mineração, ao garimpo ilegal e ao desmatamento. A troca de experiências entre mulheres indígenas de diferentes povos e lideranças internacionais durante mobilizações como o ATL e a Marcha das Mulheres Indígenas fortalece a luta global contra as ameaças ambientais, evidenciando a importância da participação feminina na defesa dos territórios e na formulação de políticas ambientais (APIB, 2023).
Nesse contexto, o ativismo político das mulheres indígenas é uma poderosa ferramenta para dialogar com instâncias governamentais, influenciar políticas públicas e assegurar o respeito aos direitos indígenas. Além disso, possibilita alianças estratégicas com outros movimentos sociais, amplificando reivindicações e atraindo apoio e financiamento às associações, seja a partir de entidades nacionais ou internacionais (Dutra & Mayorga, 2019). Assim, esse envolvimento não apenas compartilha experiências e influencia políticas, mas também impulsiona a conscientização sobre a igualdade de gênero nas comunidades indígenas, reconhecendo sua importância para o desenvolvimento sustentável e a resiliência comunitária.
METODOLOGIA
A estratégia metodológica utilizada nesta pesquisa é de natureza descritiva e qualitativa. O objetivo é compreender como as mulheres indígenas Xakriabá atuam na proteção do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas. Para alcançar este objetivo, utilizou-se de entrevistas semiestruturadas que permitem que o entrevistado discorra sobre suas experiências de forma espontânea (Lima et al, 1999). Os sujeitos participantes são oriundos do povo indígena Xakriabá e, devido a critérios de acessibilidade, especificamente da aldeia Riacho dos Buritis.
Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas semiestruturadas e diário de campo, de forma complementar. Antes da realização das entrevistas, foi conduzido um estudo investigativo preliminar para contextualizar as autoras sobre o cenário estudado e compreender a história e os modos de vida do PIX. Foram considerados textos, redes sociais e vídeos sobre o tema (Anexo 1).
A coleta dos dados foi dividida em duas fases. Na fase inicial, que durou cerca de um mês (janeiro/2022), adotou-se a técnica de Snowball Sampling, em que as pesquisadoras estabeleceram contato com um pequeno grupo de indivíduos (seeds) que atendiam aos critérios da pesquisa e se tornaram os participantes iniciais (Parker et al., 2019). O contato inicial foi realizado por meio de redes sociais e o aplicativo WhatsApp. Nessa etapa, o contato foi facilitado por um indígena Xakriabá, o que permitiu a integração com a comunidade indígena.
Após este estabelecimento de contato, procedeu-se com a visita de uma das autoras ao município de São João das Missões, onde foram realizadas as entrevistas. Foram entrevistadas três mulheres e um homem residentes no TIX, na aldeia Riacho dos Buritis. Utilizou-se a técnica de entrevista semiestruturada, com um roteiro temático para guiar a conversa e permitir a expressão espontânea das vivências e percepções dos participantes. Construir confiança mútua foi crucial para garantir a autenticidade nos discursos e alcançar os objetivos da pesquisa. A técnica de rapport foi aplicada para estabelecer uma comunicação próxima e empática entre a entrevistadora e os entrevistados (Soares et al., 2017).
Todas os entrevistados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em que se apresentou a pesquisa para os participantes. As entrevistas foram gravadas com consentimento prévio, e anotações foram feitas em um diário de campo após a conclusão ou imediatamente após cada entrevista, com o objetivo de captar os primeiros insights sobre as práticas, crenças e valores do grupo. O aplicativo Telegram foi utilizado para transcrever as entrevistas. O uso de gravadores, conforme Gil (2008), se mostrou essencial para garantir a fidedignidade das respostas e evitar distorções causadas pela memória.
A análise dos dados conduzida por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (2016), composta por três fases: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados com interpretação. A pré-análise incluiu a organização e sistematização do material, definindo indicadores para interpretação. Iniciou-se com uma leitura inicial das entrevistas para obter uma visão preliminar. Em seguida, o corpus da pesquisa foi definido e composto pelos relatos das três mulheres entrevistadas. Um relato de um homem, foi incluído para complementar a perspectiva masculina, enriquecendo a pesquisa. O Quadro 2 resume os participantes das entrevistas. Além das entrevistas, o diário de campo foi considerado na análise. Esses documentos selecionados oferecem uma base essencial para a exploração do material e condução das etapas de tratamento, inferência e interpretação.

Na fase de exploração e categorização, foram aplicadas operações de codificação (Bardin, 2016). A codificação envolveu a transformação dos dados brutos, identificando repetições de palavras para formar categorias iniciais. Essas categorias foram agrupadas em subgrupos e, posteriormente, em categorias intermediárias, culminando em categorias finais que forneceram uma estrutura clara para o tratamento e interpretação dos dados após esse processo de análise. As categorias finais encontradas são 1) Relações laborais empreendidas no Cerrado; 2) Práticas Laborais Cotidianas de Proteção ao Cerrado e 3) Atividades Agroecológicas Feministas. Para mais detalhes das etapas adotadas na codificação vide Anexo 2.
Na fase final, de tratamento e interpretação, ocorre a análise dos conteúdos explícitos e implícitos dos relatos. É realizada uma análise comparativa entre as categorias de cada entrevista, identificando semelhanças e diferenças nos discursos (Silva & Fossá, 2015). Nesse estágio, são feitas comparações e interpretações dos dados categorizados. Na seção a seguir, serão apresentadas as análises derivadas das categorizações e interpretações dos dados.
ANÁLISE E DISCUSSÕES
A compreensão dos resultados apresentados nesta seção requer relembrar que o Cerrado desempenha um papel crucial nessa teia complexa da vida no planeta, que conhecemos como biosfera. É essencial compreender que perturbações em qualquer elemento do Cerrado podem desencadear efeitos em cascata, influenciando ecossistemas distantes. Nesse sentido, para alcançar esse equilíbrio, é preciso harmonizar as necessidades humanas com a preservação ambiental, garantindo a sustentabilidade dos recursos para as gerações futuras. O povo indígena Xakriabá exemplifica essa compreensão em ação.
Relações Laborais Empreendidas no Cerrado
As interações do povo Xakriabá com o Cerrado mostram um profundo respeito por esse bioma. As mulheres Xakriabá personificam a cultura do povo, reconhecendo que o desenvolvimento autêntico não pode prescindir da preservação cultural e ambiental. O Cerrado, rico em recursos, é explorado pelos Xakriabá de maneira sustentável para seu desenvolvimento econômico. Ao contrário das práticas não indígenas, a utilização dos recursos do Cerrado pelos Xakriabá não é uma simples extração; é uma narrativa, uma história de sua terra, cultura e identidade.
A coleta de frutos, sementes e raízes, essenciais para a alimentação, bem como o uso de plantas medicinais, transmitidas de geração em geração, refletem um conhecimento profundo da biodiversidade local. Cada elemento do Cerrado, incluindo sementes, solos e folhas, é transformado pelos Xakriabá em artefatos, joias e utensílios que transcendem sua utilidade prática. Essas criações não são apenas expressões artísticas, mas meios de transmitir histórias, tradições e conhecimentos, garantindo a continuidade da cultura Xakriabá de geração em geração. Além disso, práticas artesanais envolvendo materiais diretamente extraídos do Cerrado resultam na criação de artefatos, joias e utensílios que não só atendem às necessidades cotidianas da comunidade, mas também são comercializados, gerando renda e contribuindo para o desenvolvimento econômico dos Xakriabá, conforme ilustrado na fala de Alvina
Eu acho que tinha que ter esse trabalho aonde que a gente produzisse o próprio alimento porque né meio de sobrevivência. Aí acaba ajudando as duas coisas, ajuda o psicológico né? Ajuda o meio de sobrevivência mesmo, o desenvolver das famílias dentro da comunidade (Alvina).
A relação dos Xakriabá com o Cerrado é um modelo de coexistência harmônica, onde a utilização dos recursos naturais é feita de maneira que garanta a preservação do ecossistema para as gerações vindouras. Para esses indígenas, essa relação transcende os benefícios econômicos, transformando-se em um vínculo sagrado que une suas almas à terra (Correa Xakriabá, 2018). O Cerrado é uma extensão de suas casas e a valorização do Cerrado vem a partir do entendimento de que destruir o bioma é destruir a si próprio, como mencionado por Alvina: “é um pouco da gente que está morrendo”. O testemunho de Alvina destaca a profundidade desse laço, evidenciando que a destruição do Cerrado equivale à perda de uma parte de sua própria essência.
A água é um recurso vital do Cerrado, reverenciada pelos Xakriabá não apenas como essencial para a sobrevivência, mas como a fonte da vida e uma ligação intrínseca com sua cosmovisão. Rios, lagoas e nascentes são consideradas sagrados, espaços de conexão com o divino e os antepassados. A água representa um elo que conecta passado, presente e futuro, tornando a preservação desse recurso uma responsabilidade coletiva na comunidade. A compreensão da água transcende sua importância física; ela é um símbolo da continuidade da vida e da cultura Xakriabá. Os cursos d'água do Cerrado formam um pilar central da identidade e espiritualidade do povo, transformando o bioma em um espaço sagrado, onde corpo e alma coexistem e se alimentam mutuamente. A utilização dos recursos do Cerrado pelos Xakriabá é um testemunho de como cultura e natureza estão entrelaçadas, com cada planta, semente e pedra carregando significados culturais e espirituais (Correa Xakriabá, 2018).
O Cerrado ele se torna uma coisa muito sagrada pra nós, sagrada mesmo. Aí a gente tem aquele amor, a gente não quer ver destruição. Quando [...] você entra no mato e você vê uma erva medicinal morrendo, que você vê uma planta que ela é uma alimentação morrendo, a gente fica muito triste. [...] então isso é um pouco da gente que está morrendo. [...] a gente bate muito na tecla, não destrói, [...] não desmata pelo amor de Deus, né? As mulheres as vezes elas preocupa bastante com essa parte, a preocupação da gente é que as gerações futuras elas não vão conhecer muito assim uma vegetação que seja uma vegetação saudável né? Primária (Alvina).
A relação dos Xakriabá com o Cerrado enfatiza a importância do equilíbrio, respeito e coexistência sustentável. Nesse contexto, as mulheres Xakriabá desempenham um papel de vanguarda na preservação do Cerrado, participando ativamente de iniciativas de proteção. Seu trabalho artesanal, derivado dos elementos do próprio Cerrado, serve como uma ponte entre tradição e modernidade, entre ser humano e natureza. Essas práticas laborais cotidianas refletem um profundo respeito pelo Cerrado e contribuem para a preservação desse bioma essencial, integrando desenvolvimento, cultura e meio ambiente de maneira equilibrada e sustentável.
Práticas Laborais Cotidianas de Proteção ao Cerrado
Dentre os achados da pesquisa, evidencia-se que dentro do território Xakriabá, dois espaços destacam-se como ambientes centrais para o desenvolvimento das atividades das mulheres, especialmente relacionadas à preservação do Cerrado: a Associação Comunitária e a escola indígena. A participação ativa e relevante das mulheres em ambas as esferas reflete o reconhecimento e a valorização de seus papéis na liderança, gestão e execução de iniciativas no território.
A Associação Indígena Xakriabá Aldeia Riacho dos Buritis e Adjacências (AIXARBA), alinhada às necessidades das aldeias representadas e à preservação ambiental, desenvolve projetos financiados por editais governamentais e outros apoios disponíveis. Os projetos abrangem diversas atividades orientadas pela diretoria da Associação, que gerencia e executa os projetos, com cada membro desempenhando seu papel. Os associados participam conforme seu interesse, seja convidado pela diretoria ou engajando-se em mutirões promovidos pela associação, com ênfase da presença feminina.
Só que as atividades que a gente mais realiza aqui é voltado pro meio ambiente, na questão da recuperação do Cerrado. [...] e geralmente é as mulher que também faz esse trabalho. (Marinete).
As mulheres desempenham papéis essenciais nos projetos da Associação, ocupando posições na diretoria, participando de mutirões e contribuindo para a produção de alimentos destinados àqueles envolvidos nas ações da AIXARBA. O foco da Associação reside na resolução de questões ambientais que impactam as aldeias locais, com ênfase especial na recuperação do Cerrado e no enfrentamento da escassez de água, conforme relatado por Marinete: “foi realizado vários mutirões pra fazer o plantio de mudas nas nascentes que foram cercadas, e foi um ganho muito grande pra nossa comunidade”. Dessa forma, a participação ativa e as atividades realizadas pelas mulheres Xakriabá na Associação destacam seu papel vital na preservação do meio ambiente.
Entre estas atividades destacam-se a recuperação de cursos d'água e aquíferos por meio de cercamentos de áreas sensíveis e construção de “barraginhas”, bem como a recuperação de áreas degradadas no território por meio do plantio de mudas e manutenção de viveiros. O cercamento visa isolar a mata ciliar e o entorno das nascentes, protegendo essas áreas da intervenção humana e da presença de gado, preservando a vegetação protetora dos recursos hídricos contra erosão e degradação.
O tema principal que a gente sempre discutia [...] era a questão da água e das nascentes que estavam secando no território [...] A gente teve também a construção de barragem subterrâneas em uma vereda [...] que é pra tentar subir o lençol freático e acumular água pra tentar voltar o brejo (Fabriciane).
A construção de “barraginhas”, por sua vez, consiste na implementação de barragens que captam parte da água da chuva, permitindo sua infiltração lenta no solo e elevando o lençol freático. Esse projeto contribui para a recarga hídrica do solo e auxilia na manutenção dos níveis das cisternas. Segundo os Xakriabás, esse foi um projeto que já deu ótimos resultados, como destaca Marinete “o resultado já está também à nossa vista também. Com a chuva, a água está voltando, inclusive a cisterna já está no nível máximo que ela pode”. Além disso, a Associação desenvolveu um Viveiro de Mudas para o plantio e cultivo de árvores frutíferas e hortaliças nativas do Cerrado, com as mulheres desempenhando um papel direto no cuidado e manutenção do viveiro.
Todos os trabalhos que a gente tem realizado aqui na associação as mulheres está sendo presente. [...] sempre tem alguém da comunidade pra contribuir também nesse plantio e também na continuidade de molhar as mudas e geralmente é as mulher que também faz esse trabalho. [...] Está sempre presente também nos preparos de alimentos, nos mutirão que acontece aqui na comunidade (Marinete).
A educação é outro pilar fundamental nessa luta. A escola torna-se um espaço de conscientização, onde os jovens aprendem sobre a relevância dos elementos naturais e a necessidade urgente de proteger o bioma. Para além das disciplinas convencionais, os alunos são imersos na rica cultura Xakriabá e na importância do Cerrado em seu modo de vida. A estrutura curricular da escola indígena integra também disciplinas que destacam a cultura e reforçam práticas tradicionais, como Língua Akwê Xakriabá, Cultura Indígena e Gestão Ambiental.
As mulheres desempenham papéis predominantes, ocupando tanto cargos de professoras quanto demais posições (diretoria, supervisão, serviços gerais e outros). Elas não apenas transmitem conhecimentos curriculares, mas também se destacam como líderes e guardiãs dos saberes tradicionais, tornando a escola um espaço vital para essa transmissão cultural de geração em geração (Teixeira & Gomes, 2012). As mulheres atuam de forma a interseccionar os projetos da Associação com os trabalhos desenvolvidos nas escolas, conforme relatado por João “[...] a gente sempre trabalhou plantas medicinais, a questão do desmatamento, a questão do uso dos agrotóxicos, cercamentos de nascente, reflorestamento, a gente já levou alunos, pras áreas de plantio, né?”
A educação na escola indígena reforça a relação sagrada com o Cerrado, instruindo os jovens sobre a importância desse bioma e como viver em harmonia com ele. Elas também ensinam sobre a história do povo, suas lutas e resistências, como a reivindicação de terras e o acesso ao Rio São Francisco. Essa educação histórica serve como base para as futuras gerações compreenderem suas raízes e continuarem a luta de seus antepassados (Prsybyciem et al., 2018). Os Xakriabá são educados sobre a conservação ambiental e práticas sustentáveis, garantindo a preservação desse importante ecossistema. Em resumo, o trabalho desempenhado pelas mulheres na escola indígena Xakriabá assume um papel crucial na formação da juventude Xakriabá, capacitando-os com o conhecimento e as habilidades necessárias para proteger e preservar o Cerrado.
Atividades Agroecológicas Feministas
Na Aldeia Riacho dos Buritis, ocorreu uma grande transformação nos últimos anos, e pelos achados identificou-se que isso se deve a três pontos importantes: a crescente presença feminina na academia (ensino superior), o empoderamento das mulheres e sua participação ativa na política.
O acesso à educação superior emerge como um instrumento vital para que as mulheres participem formalmente nas escolas indígenas, trazendo práticas e tecnologias aprendidas nas universidades de volta para suas aldeias. Proporciona às mulheres Xakriabá conhecimento formal, técnico e acadêmico, mas também serve como um espaço para o desenvolvimento pessoal e profissional (Teixeira & Gomes, 2012). Destaca-se, no entanto, que as indígenas portam uma rica herança de conhecimentos transmitidos por seus antepassados, e o conhecimento técnico complementa o saber tradicional indígena, permitindo sua adaptação para o desenvolvimento do território. Por esse motivo, elas veem na educação formal uma ferramenta poderosa para complementar seus saberes tradicionais, buscando estratégias e soluções para promover melhorias em seus territórios.
Era o meu sonho, né? Formar. Quando eu tava estudando eu ficava pensando assim: eu quero formar e voltar lá pro meu território. Só que aí assim, quando a gente forma a gente fica inseguro né? ‘Ah eu não sei nada, será que eu vou saber trabalhar?’ E esse projeto [da Associação] foi uma oportunidade de eu aprender na prática, com os mais velhos, porque a gente sabe que o pessoal mais velho tem mais experiência, já conhece ali no dia a dia e de conhecimento mesmo do Cerrado (Fabriciane).
Elas atuam, assim, na preservação de sua cultura e do meio ambiente para as futuras gerações. Essa fusão entre o tradicional e o moderno não só enriquece o cenário educacional, mas também fortalece a luta das comunidades indígenas por seus direitos e pela proteção de suas terras. Em contrapartida, a integração dos saberes tradicionais indígenas e a educação superior é essencial para preservar culturas ancestrais, promover abordagens sustentáveis e enriquecer o currículo acadêmico.
Ela [a mulher] foi responsável por muita coisa, né? O desenvolvimento de muita questão aqui dentro ela foi vindo através da educação. O que a gente estudava lá fora a gente vinha e passava pras lideranças e organizava junto das lideranças pra tomar decisões, pra reivindicar necessidade, demandas. E boa parte desse pessoal que estudava lá fora era mulheres. Então desde quando elas começaram entrar na educação, [...] se profissionalizar e voltar pra atender as demandas aqui [...] a partir disso elas também foi ganhando seus espaços (João).
Esses saberes tradicionais abrangem áreas como ecologia, medicina e agricultura. A inserção das mulheres indígenas nos espaços universitários desafia narrativas dominantes, incentivando uma educação mais holística, crítica e interdisciplinar. Além disso, as IES tornam-se locais onde as mulheres indígenas formam redes de apoio, de troca de experiências e onde podem refletir sobre normas tradicionais.
O empoderamento, neste contexto, não se refere apenas à capacidade de tomar decisões, mas também à autonomia, autoestima e reconhecimento (Bruil et al., 2020). O ensino superior oferece às Xakriabá ferramentas para questionar e desafiar estruturas estabelecidas. Elas se tornam mais conscientes de seus direitos, mais confiantes em suas habilidades e mais preparadas para enfrentar desigualdades e discriminações.
Isso pra mim é gratidão e mostra que eu tenho força, que as mulheres da minha comunidade também tem força pra estar buscando uma qualidade de vida melhor pro nosso povo. Esse papel não é só dos homens, mas também temos a nossa importância e o nosso papel e a gente está conseguindo se sobressair em todos os projetos tanto na comunidade quanto na escola todas as atividades dentro do território (Marinete).
Para além do ensino universitário, as Xakriabá estão se reconectando com as tradições agrícolas de seus ancestrais. Um importante lema dos indígenas é o “um pé na aldeia e um pé no mundo” que transmite justamente a ideia de que a busca pelo conhecimento fora da TIX não anula, exclui ou modifica as raízes culturais dos Xakriabá. Ao revisitar as práticas agrícolas de seus antepassados, através das histórias contadas pelas mulheres mais velhas da aldeia, descobriu-se que as mulheres sempre tiveram um papel ativo na agricultura. Além do trabalho reprodutivo, elas também compartilhavam responsabilidades no campo.
E antes as mulheres ela ficava mais no seu cantinho, né? Mais em casa. Hoje eu como mulher eu sinto que hoje eu represento meu povo comunidade e que as coisas estão desenvolvendo bastante com a participação das mulheres nas atividades da comunidade, na busca dessas parcerias pra dar continuidade no trabalho da associação (Marinete).
Essa abordagem integrada é agora reconhecida como uma manifestação da agroecologia com perspectiva feminista. As Xakriabá exercem os princípios da Agroecologia Feminista de maneira muito natural, pois para elas esses princípios foram enraizados em cada uma por sua cultura. Elas reconhecem a necessidade de preservar a biodiversidade e fazer manejo ambiental para equilibrar elementos do Cerrado, incluindo solo, água e vegetação. A Casa de Polpas é um exemplo de atividade agroecológica desenvolvida pelas mulheres. Marinete destaca o trabalho realizado: mulheres coletam frutos do Cerrado, produzem polpas e organizam mutirões para colheita nos quintais e áreas de mata durante a época propícia para cada fruto.
Os esforços dessas mulheres têm se voltado ao cuidado com a terra e com os recursos hídricos do território. Um dos trabalhos agroecológicos atualmente desenvolvidos é o plantio de mudas de frutas típicas para plantio nos quintais dos associados da AIXARBA, visando aumentar a produção de frutos a longo prazo. Por esse motivo, elas buscam incentivar a comunidade a contribuir com a proteção das áreas de mata, contribuindo, assim, para a manutenção do Cerrado.
As indígenas almejam aumentar a quantidade de frutos colhidos no território para a produção de polpas no intuito de gerar renda para a Associação, iniciativa para fortalecer economicamente a AIXARBA, contribuindo para a continuidade de seus projetos. Dessa forma, o trabalho de produção de polpas impulsiona a economia local e é uma prática que exemplifica a integração entre preservação ambiental e sustentabilidade econômica na visão da comunidade Xakriabá. A intenção das mulheres é, cada vez mais, retomar a cultura ancestral de plantio para subsistência e, se possível, realizar a troca de produtos entre as aldeias do território. Além disso, elas esperam continuar o costume de armazenar e trocar sementes produzidas na TIX.
Por meio da mobilização comunitária, as mulheres conseguiram chamar a atenção, angariar recursos e obter apoio para seus projetos. Esse ativismo não é apenas reativo, mas proativo, buscando soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios ambientais enfrentados pelo Cerrado. Destaca-se assim o ativismo político, frequentemente liderado por essas mulheres, como uma ferramenta poderosa na defesa do território Xakriabá e, por conseguinte, do Cerrado.
Eu já fui secretária, já fui fiscal. Aí chegou a vez de ser presidente. [...] E depois que eu virei presidente [...] a [minha] rede de contato com a comunidade aumentou, a rede contato também com outras entidades de fora [da TIX] [...] dispostos a contribuir com nossa associação. [...] Até a entidade de Belo Horizonte eu consegui contato, consegui cestas básicas de BH [...] essa rede de contato ela aumentou e eu estou vendo muita mudança assim na associação [...] a gente vê que a gente está conseguindo mais benefícios pra comunidade (Marinete).
A liderança feminina impulsiona conexões entre comunidades e entidades externas, aumentando o acesso a recursos. Isso fortalece investimentos em preservação do Cerrado, gerando apoio e obtendo benefícios para a comunidade, promovendo mudanças significativas e sustentáveis no território, além de impulsionar ações colaborativas em prol do meio ambiente.
[Na Associação] a gente conhece vários órgãos que trazem os recursos, a gente tem que ter articulação dentro e fora da aldeia. Foi muito positivo [...] traz muita gratidão, a gente fica feliz em saber que tá podendo contribuir pro crescimento da aldeia e trazendo vários recursos pras comunidades e pro território em geral (Fabriciane).
Os dados indicam que a comunidade reconhece o papel central das mulheres em seu território, com esse reconhecimento ampliando-se à medida que elas conquistam novas esferas de atuação. Para as mulheres Xakriabá, o feminismo é uma ferramenta prática para desafiar e transformar as estruturas de poder estabelecidas. Através de suas atividades agroecológicas, elas buscam não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a harmonia social e cultural em sua comunidade. Seja na revitalização de práticas agrícolas ancestrais ou na preparação de alimentos tradicionais, as mulheres estão no epicentro da inovação e da sustentabilidade na Aldeia Riacho dos Buritis.
CONCLUSÃO
A pesquisa teve como objetivo central compreender como as mulheres indígenas Xakriabá atuam na preservação do Cerrado por meio de suas práticas laborais cotidianas. Os resultados revelaram que essas mulheres desempenham um papel fundamental como guardiãs de seu povo e do ambiente, principalmente por meio de suas atividades na escola indígena, na Associação Indígena e no ativismo político, alinhando suas atividades laborais aos princípios da agroecologia feminista.
A pesquisa destacou a importância das práticas diárias das Xakriabá na recuperação e preservação do Cerrado, evidenciando uma relação mediada por uma práxis simbólica e cultural específica. As Xakriabá integraram naturalmente a agroecologia feminista à sua cosmovisão, ressaltando a necessidade de políticas públicas que apoiem financeiramente essas atividades e valorizem os saberes tradicionais. As mulheres Xakriabá desempenham um papel central na transmissão de costumes e liderança de projetos impactantes em suas comunidades, contribuindo para a restauração dos corpos hídricos na região da TIX e influenciando, assim positivamente, toda a biosfera brasileira.
Observou-se que é vital reconsiderar os papéis tradicionais das mulheres diante das mudanças na comunidade, particularmente em termos de acesso à educação superior e ocupações formais, para promover a equidade de gênero. A autonomia conquistada pelas mulheres Xakriabá fortaleceu seu papel na preservação da cultura e na subsistência por meio do plantio. No entanto, é crucial repensar os papéis de gênero de maneira mais ampla e garantir a valorização do trabalho feminino, distribuindo responsabilidades de maneira equitativa para impulsionar o progresso da comunidade.
Há também que se pensar em incentivos públicos voltados à valorização dos saberes tradicionais, como os relacionados às ervas medicinais do Cerrado, são cruciais para guiar a ciência. Políticas eficazes devem abranger empreendedorismo, capacitação profissional, saúde reprodutiva e prevenção da violência de gênero. Ao garantir a participação ativa das mulheres indígenas em decisões comunitárias, proporcionando acesso justo à terra e recursos naturais, tais políticas promovem autonomia econômica e preservam conhecimentos tradicionais. Iniciativas de inclusão digital e apoio à identidade cultural reforçam o papel vital das mulheres indígenas na construção de uma sociedade inclusiva e sustentável, contribuindo para um futuro igualitário.
O estudo enfrentou algumas limitações, como a pandemia de COVID-19, dificuldades de contato com os indígenas e restrições financeiras. Não foi possível o acesso à Terra Indígena Xakriabá, e por isso as entrevistas forma feitas virtualmente. A dificuldade de contato inicialmente por redes sociais atrasou o desenvolvimento da pesquisa, que foi agravado pela falta de recursos financeiros para contatos presenciais abrangentes.
Para futuras pesquisas, sugere-se mapear os contatos em diversas aldeias do TIX, buscando compreender as diferenças e semelhanças, capturando nuances culturais e obtendo uma visão mais abrangente do PIX. Além disso, é recomendado explorar iniciativas de inclusão digital e apoio à manutenção da identidade cultural para fortalecer o papel das mulheres indígenas na construção de um futuro sustentável e igualitário.
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