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				<journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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					<subject>DOSSIÊ PATRIMÔNIO CULTURAL IBERO-AMERICANO</subject>
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				<article-title>COMO CONVENTOS DESENHAM CIDADES: DE PORTUGAL AO BRASIL, PERCURSOS DA CASA FRANCISCANA</article-title>
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					<trans-title>HOW FRIARIES DRAW CITIES: FROM PORTUGAL TO BRAZIL, ROUTES OF THE FRANCISCAN HOUSE</trans-title> 
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					<trans-title>COMO CONVENTOS DIBUJAN CIUDADES: DE PORTUGAL A BRASIL, CAMINOS DE LA CASA FRANCISCANA</trans-title>
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 <bold>1</bold>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal de Alagoas | Faculdade de Arquitetura e Urbanismo | Campus A.C. Simões | Av. Lourival Melo Mota, s/n., Tabuleiro do Martins, 57072970, Maceió, AL, Brasil | E-mail:&lt; masilva@fau.ufal.br&gt;</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2017</year>
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			<issue>2</issue>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>A partir de três grandes linhas de força do Franciscanismo - o desapego aos bens materiais, a itinerância e o vínculo com as cidades - serão analisados os casos dos seus conventos e suas relações urbanas em Portugal e Brasil. Acompanhar-se-á o caminho das experiências espaciais dos primórdios do Franciscanismo aos impasses vividos pelos conventos nas suas relações com os lugares urbanos, em especial, na migração do Velho para o Novo Mundo. Ao final, apresenta-se um balanço das possibilidades dos conventos ainda falarem aos lugares urbanos na contemporaneidade. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>Starting from three great lines of the Franciscanism - detachment from material goods, itinerancy and links with the city - it will be analysed the relationship with friaries and urban spaces in Portugal and Brazil. It will be followed the very first spatial experiences of the Franciscanism and the impasse it faced in the insertion of the friaries in the urban places, specially in the process of migration from the Old to the New World. Finally, it is presented a balance of possibilities of the friaries still keep its urban importance in contemporary society.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>A partir de tres grandes líneas de fuerza del Franciscanismo - el desapego de los bienes materiales, la itinerancia y el vínculo con las ciudades - serán analizados sus conventos y las relaciones urbanas en Portugal y Brasil. La ruta de experiencias espaciales desde inicios del Franciscanismo hasta los impasses experimentados por conventos serón evaluados en sus relaciones con los centros urbanos, en particular, la migración del Viejo al Nuevo Mundo. Al final, se concluye sobre las posibilidades de los conventos relacionarense con lugares en la modernidad urbana.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
				<kwd>Conventos franciscanos</kwd>
				<kwd>Diálogos patrimoniais transculturais</kwd>
				<kwd>História urbana</kwd>
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				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>Franciscan friaries</kwd>
				<kwd>Transcultural patrimonial dialogues</kwd>
				<kwd>Urban history</kwd>
				
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				<title>PALABRAS CLAVE:</title>
				<kwd>Conventos franciscanos</kwd>
				<kwd>Diálogos patrimoniales transculturales</kwd>
				<kwd>Historia urbana</kwd>
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					<funding-source>Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico </funding-source>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>INTRODUÇÃO</title>
			<sec>
				<title>A CIDADE E A CRENÇA</title>
				<p>Territórios são desenhados a partir de inúmeras linhas e devires. Uma delas é traçada pela religião. Na cristandade, focando em especial no mundo ibérico, desde os primórdios da fundação de Portugal em 1128 as ordens religiosas tiveram papel fundamental. Portanto, o reino vai se consolidando em torno de núcleos urbanos que por sua vez, demandam as edificações religiosas. Capelas, igrejas, eremitérios, <italic>via crucis</italic>, ermidas, conventos, mosteiros, conformam uma geografia edificada que pontua todo o território.</p>
				<p>Nos tempos atuais, quando muitas destas edificações permanecem na materialidade mas perdem o seu significado mais potente, até que ponto compartilham e reforçam o senso de pertencimento das pessoas aos lugares? Sua arquitetura, iconografia e ambiências ainda tocam a vida urbana? Ainda respondem à sociedade enquanto patrimônio cultural?</p>
				<p>Busca-se observar uma tipologia religiosa especial: os conventos. Estes, em escala, constituem um dos edifícios religiosos de maior força na paisagem urbana e como se verá, no caso dos franciscanos, cumpriam diversas funções na cidade além das estritamente religiosas. Em tempos de poucas vocações, pergunta-se se haverá ainda conteúdos nas edificações conventuais que mereçam ser revisitadas. Este artigo busca acompanhar o processo de itinerância destas casas conventuais, de Portugal ao Novo Mundo, observando como estas se constroem como arquiteturas urbanas, ou seja, obras que realizam, sob diversas formas, a cidade e suas perspectivas de futuro.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>CONVENTOS E CIDADES</title>
				<p>Religião e cidade construíram, por Séculos, no Ocidente, vínculos impossíveis de serem desatados. É a estrutura da cidade que concede força e palco às devoções. No caso da cristandade, a lição evangélica do desapego e da humildade não impediu que o poder se valesse da crença como forma de sedimentar as suas bases. E a cidade, por Séculos, concedeu visibilidade a esta aliança. Dos muros medievais, rumo aos céus, as agulhas das catedrais rompiam o perfil das cidades. E um patrimônio social, religioso, político, artístico, se consolidou sob a sombra da religião.</p>
				<p>Na contemporaneidade, em tempos em que outros valores se estabeleceram para além do sacro e que a verticalidade das cidades é desenhada sob impulso de novas forças, ainda caberá pensar o valor do monumento associado ao religioso?</p>
				<p>O caminhar pelo centro histórico de inúmeras cidades do Brasil acena para outros tempos que se conjugam com o agora. Entendendo que as temporalidades são múltiplas ou seja, que não vivemos uma única possibilidade de duração temporal, as camadas que denominamos “passado”, se não ensinam como lidar com o presente, seguramente o matizam com outras cores. A cultura é uma dessas chaves que compreende a noção deste tempo múltiplo e as possiblidades de nos alimentarmos do mesmo. História e patrimônio conversam nestas frequências onde é cabível ocorrer o desmonte do tempo vetorial.</p>
				<p>Nestes centros onde a pedra manteve os velhos edifícios de pé, o que se buscará mostrar é que as antigas casas conventuais nos oferecem esta possiblidade de acesso a um outro tempo, a uma outra sensação de espaço estabelecida pelos parênteses das grossas paredes. Mais que as igrejas isoladas, guardam mistérios e assombros. Estes também podem ser inseridos, para além da edificação, dos objetos sacros, dos hábitos e costumes, na categoria de patrimônio cultural. Pois o intangível também é composto de várias camadas, de uma variedade de experiências. </p>
				<p>Portanto, quando se abandona a postura do tratamento isolado da preservação dos bens culturais, classificados como históricos ou artísticos e selecionados em gabinetes técnicos de preservação, outros caminhos se abrem. Quando se passa a observar com mais cuidado as dimensões do intangível, que nem sempre é acentuado na formação e prática do arquiteto e urbanista - usualmente voltado para responder às demandas do edificado sem compreender suas qualidades mais subjetivas e mesmo o seu peso ideológico - a leitura espacial se torna mais completa. </p>
				<p>Nos últimos dez anos, aos arquitetos e urbanistas que abraçam a causa do patrimônio, novas chances foram dadas com a possibilidade de atuarem de forma interdisciplinar a partir do reconhecimento oficial do patrimônio imaterial no Brasil. Observando a arquitetura do ponto de vista dos saberes, dos ofícios que a conformam, da dimensão das celebrações e da importância da categoria “lugar”, é possível um aprendizado rico no sentido de perceber o espaço para além da forma, expandindo o tema da função para inúmeras possiblidades para além das exigidas pela medida física e pela ciência da ergonomia tradicional. </p>
				<p>Por outro lado, em tempos onde a arquitetura e o urbanismo já consolidaram seu papel junto às políticas de inclusão social, que se engajam diretamente nas ações rumo à melhora da qualidade de vida e no que contribui imediatamente para diminuir as exclusões sociais, os problemas prementes da sociedade - da oferta de moradias dignas à cidade inclusiva - são enfrentados por diversas frentes. Contudo, quando o alvo das intenções é a mudança ou o estremecimento da ordem socialmente perversa, no bojo do que se denomina “preservação dos bens culturais” e sua conexão com a “melhoria da qualidade de vida da população”, há várias nuances e patamares.</p>
				<p>Existem as contribuições que atuam pela frequência da subjetividade, as que acolhem a dimensão do simbólico, do ideológico e do imaginário. Isso inclui, talvez na contracorrente da velocidade e superficialidade da vida contemporânea, possíveis alianças com mundos serenos, que sem dúvida, a arquitetura conventual oferece. Ou seja, as casas franciscanas, que foram erigidas a princípio na Itália medieval e com a expansão da ordem, ganharam toda a Europa e por ela, as Américas, são elementos que permitem que se leia a questão do patrimônio cultural ibero-americano, na sua relação com a cidade, por chaves nem sempre ativadas.</p>
				<p>De fato, os conventos eles mesmos constituem-se como pequenos núcleos urbanos, lição que Le Corbusier não desperdiçou visitando a casa cartuxa de Emma, também conhecida como mosteiro de Galluzzo, fundada em 1342, e se inspirando nele para idealizar arquiteturas e cidades futuras. O exemplo ajudou-o a pensar espaços com qualidade arquitetônica e que se fizessem coletivamente potentes, pelas possibilidades de compartilhamento e ao mesmo tempo, de isolamento e de sociabilidade, demanda que também os novos navios e aeroplanos do Século XX enfrentaram, mas que conventos e monastérios amadureceram num processo temporalmente muito mais longo. Assim, desenhará seus planos urbanos bem como unidades como a de Marselha. Por outro lado, o arquiteto construiu para uma ordem mendicante - no caso os dominicanos, bem próximos dos franciscanos - o edifício de La Tourette, e com um concreto grosso e placas de vidro, recriou a atmosfera conventual para a modernidade. Com estes dois movimentos, deixou exemplos de possiblidades de dissolver possíveis anacronismos tornando-os potentes ao presente. Conceitualmente, demonstrou que a tabula rasa, atributo usualmente aferido ao Movimento Moderno, permite reavaliações. </p>
				<p>É neste sentido de pensar a história para o presente que as casas conventuais de Portugal e Brasil serão analisadas, buscando observar como este patrimônio cultural se efetivou, focando especialmente as relações criadas com a vida urbana.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O ABANDONO FRANCISCANO DAS ARQUITETURAS DO SOMBRIO</title>
				<p>Em períodos bem remotos, eremitérios, conventos e monastérios foram núcleos fundacionais de lugares urbanos. Embora muitos deles fossem erguidos em territórios que garantissem o apartar da cidade, as comunidades iam aos poucos dissolvendo este isolamento. A ordem franciscana, surgida no bojo da Idade Média, também almejou valer-se da condição de espiritualidade trazida pelos contextos de reclusão. Contudo, seu fundador propôs algo incomum aos seus pares: que não evitassem a cidade. “Francisco busca a alternância entre a ação urbana e o retiro eremítico, a grande respiração entre o apostolado no meio dos homens e a regeneração na e pela solidão” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LE GOFF, 2011</xref>, p.37). </p>
				<p>O santo surpreendeu aos do seu tempo ao adotar como palco de missionação, os lugares onde as multidões estivessem. A ênfase aos espaços urbanos levou seus seguidores a serem reconhecidos, junto com os dominicanos, que conformam com eles a chamada Ordem Mendicante, “frades da cidade”. A importância urbana dos mesmos levará medievalistas como Le Goff (2010, p.143) a considerá-los como um dos êxitos urbanos da Europa do Século XIII, que, consequentemente, sustentou o crescimento populacional, o renascimento comercial e a busca do conhecimento. Estes, pilares da cidade.</p>
				<p>Por outro lado, ao pregar a não adesão aos bens materiais, Francisco colocava aos seus seguidores um desafio ainda maior: deixar todo o aparato que a cristandade havia desenvolvido em termos de monumentos e marcos urbanos e tomar para si a tarefa de realizar a missão espiritual sem o apoio da matéria física. Como abrigo, conclama seus seguidores a usufruírem das pequenas sobras, dos cantos mal vistos, do abrigo simples por vezes apenas provido pela natureza.</p>
				<disp-quote>
					<p>E muitas vezes, fazendo um sermão sobre a pobreza, repetia aos irmãos aquele dito evangélico: As raposas têm suas tocas, e os pássaros do céu seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar sua cabeça. Por causa disto, ensinava os irmãos a construírem casas pobrezinhas à maneira dos pobres, nas quais habitassem como peregrinos e forasteiros, não como se elas fossem próprias, mas alheias. […] Algumas vezes mandava que casas construídas fossem derrubadas ou que os irmãos fossem removidos, se percebesse neles algo que, por motivo de apropriação ou suntuosidade, fosse contrário à pobreza evangélica (<xref ref-type="bibr" rid="B26">TEIXEIRA, 2008</xref>, p.593).</p>
				</disp-quote>
				<p>Contudo, a partir de uma prática voltada para a simplicidade, onde até mesmo o apreço às letras era condenado por Francisco, a Ordem em breve terá que se posicionar frente ao enorme crescimento dos seus seguidores e por outro lado, responder às exigências da igreja institucional. No início, os irmãos se opuseram à clausura e portanto, a habitar em um local que se articulasse em torno de claustro. Desejavam que suas habitações lembrassem o <italic>domu</italic>s, a casa (<xref ref-type="bibr" rid="B23">ROS, 2000</xref>). Mas com o tempo, os pequenos eremitérios tomarão a feição de conventos e se espalharão pelo mundo. </p>
				<p>Em 1220 o noviciado torna-se obrigatório para os franciscanos, demandando sedes estáveis. Consequentemente, o suporte material não pôde ser mais ignorado pela fraternidade primitiva. Na Itália a Ordem atinge uma difusão de consideráveis dimensões. Os frades aos poucos adotam moradias em quase todas as cidades sedes de bispado e nos burgos, grandes e pequenos, num número aproximado de quinhentos, subdivididos territorialmente em quatorze províncias (<xref ref-type="bibr" rid="B20">MERLO, 2005</xref>). </p>
				<p>De forma inicialmente impossível de ser prevista, os irmãos franciscanos serão conclamados a assumir funções clericais bem como encargos e episcopais e papais. Também se envolverão com a erudição e estudo, sendo fundamentais para a fundação das mais importantes universidades da época (<xref ref-type="bibr" rid="B20">MERLO, 2005</xref>). Ao final da Idade Média, haverá praticamente um convento franciscano e dominicano em cada cidade na França, conforme demonstram os estudos pioneiros de Jacques Duby e Georges Le Goff.</p>
				<p>Em 1228, dois anos depois da morte de São Francisco, o número de conventos apenas na Itália, atingia cerca de 23 casas (<xref ref-type="bibr" rid="B6">FALBEL, 1995</xref>). Segundo alguns autores, quarenta anos depois, a Europa acumulava 8 mil conventos e mais de 200 mil frades. Já quase cem anos após da partida do santo, em 1316, considerando apenas as casas masculinas, elas somavam 567 na província da Itália. Na França, no mesmo ano, seriam 247 e na Alemanha, 203 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRAUNFELS, 1993</xref>). O próprio São Boaventura, contemporâneo de São Francisco, irá justificar à sua época a construção de conventos por facilitar a realização de suas práticas tarefas missionárias com mais segurança, inclusive em caso de guerra. Mas sublinha a diferença entre usufruto e propriedade. A discussão destes impasses foi retomada no capítulo de Narbonne de 1260 que buscou enfatizar a questão da simplicidade franciscana, prevendo para os conventos um arranjo simples e construção austera e onde se reconfirma o impedimento de qualquer possessão por parte dos frades (FALBEL, 1995). </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>AS CASAS FRANCISCANAS PORTUGUESAS</title>
				<p>Os conventos vão se espalhando para além dos Alpes e atingem a Península Ibérica ainda com o fundador da ordem vivo. No caso de Portugal, a presença de São Francisco é narrada percorrendo o país em 1214 por ocasião de uma peregrinação a Santiago de Compostela. De sua passagem, surgirão os primeiros conventos Lusos. </p>
				<p>Poucas décadas antes da fundação da primeira casa no Brasil, no contexto do Concílio de Trento, os conventos franciscanos de Portugal já se organizavam em 6 províncias e as casas masculinas alcançavam o número de 111 (<xref ref-type="bibr" rid="B25">SOUSA, 2006</xref>). Tempos depois, o mapa franciscano português comportará novas casas. Em 1739, existiam 177 conventos e 4.449 frades (<xref ref-type="bibr" rid="B8">GONÇALVES, 1996</xref>). No contexto da exclaustração, ou seja, na fase de consolidação do governo liberal que decreta extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares em Portugal em 1834, as províncias chegavam a 8 e as casas permaneciam próximas a 180 (<xref ref-type="bibr" rid="B22">RIBEIRO, 1946</xref>). </p>
				<p>Neste estudo, os conventos de Portugal comparecem como uma forma de contrastar com os conventos construídos no Brasil, no sentido de perceber as migrações que ocorreram na passagem além mar<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>
 <bold>1</bold>
</sup></xref> . Mas, embora as histórias se liguem, suas soluções arquitetônicas e urbanísticas guardarão peculiaridades. Como se viu, a história das casas portuguesa é narrada desde o tempo medieval. Alguns conventos se manterão relativamente inalterados em termos físicos, mas muitas deles cruzarão os Séculos sofrendo mudanças e ao mesmo tempo, alterando e sendo alterados pelo entorno onde se inserem. É o caso dos conventos franciscanos mais antigos que foram erguidos em Portugal, como os de Guimarães, Évora, Lisboa e Santarém. Muitos deles, devido a este longo trajeto, acabaram por desaparecer, muitas vezes por se situarem em áreas que conheceram grandes transformações urbanas ou que sofreram cataclismos.</p>
				<p>No caso de Lisboa, o seu antigo convento de São Francisco, fundado em 1217, passa um grande incêndio em 1741 e tempos depois, em 1755, mesmo antes de se recuperar totalmente da fatalidade, foi atingido pelo famoso terremoto que destruiu grande parte da cidade. Sua edificação acabou sendo aproveitada para usos diversos como hospital, depósito de livros e outros. Hoje é difícil reconhecer o edifício. Devido à sua enorme dimensão, foi retalhado pelo processo de urbanização da área do Chiado. Hoje partes dele servem como dependências da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde há aulas do curso de arquitetura. Mesmo o Museu Nacional de Arte Contemporânea, prédio ligeiramente afastado da Faculdade, faz parte do espólio do convento (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>FIGURA 1</label>
						<caption>
							<title>Maquete eletrônica do acervo do Museu da Cidade de Lisboa e foto aérea marcando a localização da área remanescente do convento São Francisco de Lisboa. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf1.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Fotografia da autora (2006) e intervenção no Google Earth (2017b).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Outros erigidos na Idade Média, chegam com traços bem marcantes deste período, sofrendo poucas alterações arquitetônicas. É o caso do convento de Évora, famoso por sua Capela dos Ossos. Mas quando se observa o edifício na malha urbana, verifica-se que perdeu grandes áreas de cerca a favor do crescimento urbano. Como se sabe, a cerca é a área vegetada de um convento, cuja função é a subsistência da comunidade, mas também local de práticas religiosas contemplativas. Esta perda, aparentemente silenciosa, se tornará frequente em casas franciscanas em muitos países, inclusive no Brasil. </p>
				<p>Quanto ao posicionamento com relação ao núcleo urbano, o convento de Évora (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>) nos permite verificar a confirmação de uma situação bem usual dos conventos de sua época, que, se não estão completamente distantes do núcleo urbano, por outro lado, não se distanciam dele, estando numa discreta periferia. A imagem do foral concedido à cidade de Évora por D. Manuel em 1501 nos permite verificar a situação urbanística do convento, que está entre os muros da cidade, porém não exatamente na área mais central. No caso de Évora, se a igreja prossegue como um bom exemplo de arquitetura medieval, seu convento sofreu perdas espaciais dramáticas. Conforme mostra a tese de Maria Filomena Mourato Monteiro, tanto as áreas quanto as vegetadas foram desmembradas do convento:</p>
				<disp-quote>
					<p>À presente data, na antiga cerca conventual estão localizados parte do Jardim Público, edifícios da Universidade de Évora construídos já no Século XX, parque de estacionamento, mercado municipal e respectivas instalações sanitárias públicas, assim como amplas áreas públicas pedonais e de circulação motorizada. A mancha de construção do antigo convento foi em parte utilizada por via de circulação motorizada, espaço público pedonal, lotes habitacionais erigidos em finais do Século XIX e equipamento privado de apoio à infância. Esta última função foi instalada em parte da antiga construção” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MONTEIRO, 2010</xref>, p.146).</p>
				</disp-quote>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>FIGURA 2</label>
						<caption>
							<title>Desenho gráfico contornando a área ocupada pelo convento de Évora no passado. A igreja corresponde a uma pequena parte da área marcada, situada do lado direito. Fachada atual da igreja. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf2.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Fotografia da autora (2006) e Google Earth (2017c).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Um outro caso a se destacar são as casas franciscanas cujos projetos se vincularam à tradição real. É o caso de Mafra, monumento que aguarda o tombamento pela Unesco e que anos atrás foi alvo do discurso ficcional de José Saramago, no seu romance denominado “Memorial do Convento”. Atrelado a uma majestosa estrutura arquitetônica, foi construído em 1717 por D. João V em cumprimento de uma promessa. Se a rainha, Dona Maria de Áustria, lhe desse um filho varão, mandaria construir um convento dedicado a Santo Antônio. Sendo atendido, inicia a edificação do convento que a princípio abrigaria poucos frades. Mas o ouro que vinha do Brasil animou o rei a realizar uma obra suntuosa que foi sofrendo sucessivos alargamentos, chegando a uma área de cerca de 40.000m<sup>2</sup>. O número de frades, previsto inicialmente para 13 ou no máximo 30, chegou a ultrapassar a casa dos 300 (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>). </p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>FIGURA 3</label>
						<caption>
							<title>Fachada e localização aérea do Palácio de Mafra.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf3.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Fotografia da autora (2012) e Google Earth (2017d).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>No outro extremo da postura adotada pelo rei em Mafra, ocorrerão em Portugal casas cuja arquitetura revela o que está mais próximo de uma Ordem que firmou o pacto com a extrema pobreza. Este será o traço definidor das casas da Arrábida e de Sintra. Nestes conventos o visitante se depara com uma solução arquitetônica de grande simplicidade não só se consideramos as dimensões acanhadas do edifício como um todo, mas também levando em conta o espaço disponível para cada atividade, que se mostra reduzido à menor escala possível, inclusive aquém da denominada “medida humana”. Assim, só se entra nas celas, ou seja, nos dormitórios dos frades, se se curva o corpo. As paredes são revestidas de cortiça, os materiais do lugar e o relevo são aproveitados ao máximo. A vegetação se solidariza ao prédio. Tudo é simples, mas uma observação mais acurada constatará quanto a arquitetura se sofistica do ponto de vista do engenho como foi construída pactuada com o sítio. A inserção do edifício no lugar é ditada, como no famoso caso da Casa da Cascada de Frank Lloyd Wright, pela geografia do lugar. As pedras se impregnam na arquitetura. Dentro, no desenho dos cômodos, moldados pelas rochas. Fora oferecendo nos seus nichos, a possibilidade de cômodos abertos, propícios para a meditação em plena natureza conforme ocorria nos antigos e sombrios eremitérios (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>FIGURA 4</label>
						<caption>
							<title>Fachada lateral e localização do convento na serra de Sintra. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf4.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Foto da autora (2012) e Google Earth (2017e).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>O mesmo processo se dá no convento da Arrábida. Neste, um posicionamento abrupto na encosta da serra sobre as águas lhe permite ser destacado com suas paredes brancas, também talhadas aflorando do que oferecia a natureza. Nestes dois conventos, excepcionalmente, a cidade não é o foco. Eles estão situados em locais reservados, de grande beleza paisagística, e contemplam os núcleos urbanos em considerável distância. </p>
				<p>Destes vários tipos de conventos que foram apresentados, teremos nas casas históricas do Brasil uma situação de familiaridade com os conventos construídos a partir do Século XVI em Portugal. Em apenas um caso, no convento de Vila Velha, teremos uma situação semelhante aos conventos da Arrábida e Sintra, com suas memórias dos velhos eremitérios (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f5">
						<label>FIGURA 5</label>
						<caption>
							<title>Vista do convento e sua localização junto ao núcleo urbano de Vila Velha, Espírito Santo. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf5.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Fotografia da autora e Google Earth (2017f).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Os dois primeiros Séculos da expansão ultramarina, quando se fundam praticamente todos os conventos franciscanos históricos no Brasil, correspondeu também ao momento em que se dá a construção de um grande número de edificações da Ordem em Portugal. O próprio convento de Santo Antônio de Lisboa, que sediava a província do mesmo nome e à qual se filiavam os conventos do Brasil à época, é um bom exemplo.</p>
				<p>Neste tempo, no início do Século XVI, resolve-se uma questão importante para a Ordem: a separação entre conventuais e observantes, divisão que traduz também a polêmica sobre a questão do <italic>claustrum.</italic> Os conventuais, tendo como percussor, frei Elias, responsável pela construção do convento e basílica de Assis, aceitaram a vida estável em conventos, combinando o trabalho apostólico com o estudo. O litígio vem desde os primórdios da Ordem, mas só em 1517 os dois ramos se tornaram independentes. Também em Portugal havia conflito entre estas duas tendências. Os observantes se faziam presentes no país desde 1392, mas a partir de 1517 instituiu-se suas várias províncias. A autonomia alcançada resultará na adoção de certas medidas arquitetônicas para os que optaram pela simplicidade, mas à esta altura, já vinculada ao aceite à casa conventual. À construção de novas casas segue-se a reforma das antigas. Este modo vai também orientar uma conduta não só arquitetônica, mas também urbana.</p>
				<disp-quote>
					<p>Esta tipologia arquitectónica era definida através de regras construtivas específicas, apontadas nos estatutos das várias províncias capuchas, cujas normas eram bastante precisas relativamente à forma como se deviam estruturar. […] Não eram mais os eremitérios solitários de antanho, mas conventos integrados na vivência urbana, com igreja e áreas comunitárias adequadas, desde o refeitório aos dormitórios de celas, ao claustro, às hortas e jardim, cemitério, cerca, etc” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AMORIM, 2011</xref>, p.164).</p>
				</disp-quote>
				<p>O edifício sede da ordem em Lisboa, guarda correspondência arquitetônica com outros edificados em outras cidades portuguesas em termos de elementos de fachada, implantação, jogo de cheios e vazios e outros detalhes.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>AS CASAS FRANCISCANAS NO BRASIL</title>
				<p>No Brasil, o ato colonial de tomar posse significou povoar e povoar, construir vilas e cidades. Estes núcleos urbanos se farão presentes já no Século XVI e funcionarão como pequenos nós, uma teia onde a visibilidade, mesmo ao longe, significava a junção entre eles. Esta era uma condição de segurança, necessária em tempos de precariedade e de possibilidades constantes de conflitos. Por outro lado, envolvidos na densa natureza, funcionavam como portais, que se acessava pelas vias d´água ou pelo escorrer dos caminhos. Os lugares do sagrado, com suas construções em destaque, participavam deste sistema de visibilidade, assegurando proteção física e religiosa. Selam um pacto com a Coroa no sentido de realizarem as tarefas de conquista e povoamento e assim o futuro Brasil desenha-se com o fio da espada e o da religião (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f6">
						<label>FIGURA 6</label>
						<caption>
							<title>Da esquerda para a direita e de cima para baixo: convento de Santo Antônio dos Capuchos (Lisboa), de São José e São Francisco de Órgens em São Pedro do Sul e Santo António de Charnais em Aldeia Galega da Merceana.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf6.jpg"/>
						<attrib><bold>Fonte</bold>: Fotografia da autora (2006).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Dentre as ocupações mais antigas da colônia portuguesa na América, 28 núcleos receberão conventos franciscanos. Portanto, diferente da Europa, aqui o convento está sendo erguido junto com as vilas e cidades. Aqui também estas casas estarão localizadas nas áreas centrais e servirão de incentivo à ocupação do seu entorno. </p>
				<p>Os conventos configuravam em áreas internas dentro da própria cidade. Mesmo buscando o contato frequente com as comunidades, mantinham uma barreira física com relação ao núcleo urbano. Cumpriam papel fundamental na vida das cidades, sendo responsáveis pela fundação de inúmeras delas por todo o mundo. No Brasil colonial, ofereciam apoio nas guerras, refúgio espiritual, consolo na doença e na morte. Eram hospital, botica e cemitério. Lugar dos letrados, ali se recebia aconselhamentos religiosos e políticos. Mas mantinham seus muros, garantindo silêncio e clausura.</p>
				<p>Os conventos iniciam-se simples, cobertas com palha e ramagem, mas rapidamente estruturam-se. De modo geral, nos Séculos XVII já ganham corpo de pedra e cal e não passam incólumes pelo Século XVIII sem adquirir uma fisionomia barroca. Um requinte correspondente à escala do lugar urbano onde se situam. Em igrejas conventuais como a de Salvador, tornam-se proeminentes inclusive no quadro mais amplo das obras que constituem o denominado “patrimônio luso”, sendo no caso em tela, considerada na atualidade uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.</p>
				<p>Há um fio que conduz as experiências da edificação conventual, da Itália, passando por Portugal e chegando ao Brasil. Assim, este patrimônio cultural, para ser considerado em sua plenitude, demandará a inserção numa rede intercontinental. Na itinerância que caracterizou desde o seu início a Ordem, as casas constroem uma rede de edifícios que atravessa mares e continentes, nem sempre considerada por quem acessa os monumentos na sua individualidade. </p>
				<p>Se os conventos figuram como a presença portuguesa nas terras tropicais, por outro lado, estas próprias terras e o contexto da colonização trarão especificidades às casas que se fundam aqui. De fato, considerando apenas os conventos do Nordeste, Germain Bazin, em sua obra “A Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil”, indica que eles formam uma família. Segundo o autor, trataria “uma das criações mais originais da arquitetura religiosa no Brasil” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BAZIN, 1983</xref>, p.137). Sua importância não estaria localizada apenas em um ou outro edifício, mas na existência de uma verdadeira escola, ou seja, <italic>“</italic>o enriquecimento do projeto-matriz que se faz através de uma exploração incessante dos dados contidos na idéia inicial - cada criador continuando a linha de imaginação do seu predecessor<italic>”</italic> (BAZIN, 1983, p.156).</p>
				<p>Hoje os estudos já apontam que esta família nordestina pode acolher os edifícios do Sudeste, ou seja, do Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro, que pertencem hoje à Província da Imaculada. Foram construídos na mesma época e compartilham traços arquitetônicos e urbanísticos com as casas do Nordeste. Neste conjunto será possível realmente encontrar pontos de tangência, como a simplicidade da fachada, a presença do adro com cruzeiro e uma certa “escala humana” no que tange às proporções do edifício. </p>
				<p>Nos conventos examinados, a localização urbana usual é central, mas discreta. A casa franciscana, em geral surge perante o caminhante a partir de um determinado ângulo visual, onde, através da implantação em adro, ou seja, garantindo um amplo espaço aberto para a apreciação da fachada, ele se dá a ver. Por vezes, o caminho permite que se vislumbre a edificação aos poucos, por suas partes mais verticalizadas. Mas subitamente, ele surge. As galilés se fazem presentes constituindo-se como ponto distintivo. O conjunto de arcadas faz-se acompanhar, ao lado, das torres sineiras. </p>
				<p>No caso português, muitos dos conventos da Província de Santo Antônio e construídos à epoca dos brasileiros, instalaram-se em regiões periféricas das cidades e assim, construirão uma outra relação com os núcleos edificados, descuidados em mobilizar fachadas e volumes no jogo de influências entre outras arquiteturas presentes no tecido urbano. Diferentemente, na vila ou cidade brasileira, deduz-se que há um desejo em inserir cenograficamente o edifício, mas sem fazê-lo de forma extremamente óbvia. Não se trata de teatralizar a paisagem mas de conduzir o olhar pela força mansa do edifício.</p>
				<p>Embora o convento se mostre velado, trazendo a público em geral apenas a fachada da igreja e o acesso à portaria, de fato, o edifício discretamente envolto na área murada assume grandes proporções. A sabedoria em jogar com os volumes realiza este intento de esconder sua real medida. O envoltório em muro como também as grandes áreas verdes, as cercas conventuais, dissipam dos olhos dos urbanos as partes cotidianas da vida conventual, propiciando ambientes de introspecção e recolhimento, mas também de mistério. </p>
				<p>Camuflado pelo denso arvoredo, a implantação demanda também que o edifício seja bem servido de águas e que estas, além de acessarem o convento, realizem o melhor percurso dentro do recinto conventual, de forma a serem bem aproveitadas e ao final possam escoar, depois de usadas, de forma inteligente.</p>
				<p>Quanto aos materiais, em vez da extensa presença da pedra portuguesa, aqui domina a madeira. E o ensolarado dos trópicos veste a casa internamente com outras cores e sombreamentos (<xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref> e 8).</p>
				<p>
					<fig id="f7">
						<label>FIGURA 7</label>
						<caption>
							<title>Da esquerda para a direita, fachadas dos conventos de Penedo (AL), Cairu (BA), São Francisco do Conde (BA), Igarassu (PE), Sirinhaém (PE), São Cristóvão (SE), Cachoeira (BA), Marechal Deodoro (AL), Olinda (PE), Igarassu (PE), Salvador (BA. Hospício), Ipojuca (PE), Pau d’Alho (PE), Salvador (BA) e Recife (PE). </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf7.jpg"/>
						<attrib><bold>Fontes</bold>: Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem (2006-2017).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>
					<fig id="f8">
						<label>FIGURA 8</label>
						<caption>
							<title>Da esquerda para a direita, fachadas dos conventos de Cabo Frio (RJ), Angra dos Reis (RJ), São Sebastião (SP), Itu (SP. Só existe o cruzeiro atualmente), São Paulo (SP), Bom Jesus da Coluna (RJ), Penha (ES), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Itanhaém (SP), Vitória (ES), Taubaté (SP) e Itaboraí (RJ). </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf8.jpg"/>
						<attrib><bold>Fonte</bold>: Google (2016a).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Se retomamos o ponto da inserção urbana destas casas no presente, além da situação de arruinamento de algumas delas, verificara-se-á que muitas também perderam a funçao conventual. Além disto, estão sempre a exigir reformas onerosas. Os processos de restauro chegam a ultrapassar uma dezena de anos e na falta de uma política patrimonial amparada em normas simples de manutenção ou de propostas de novos usos, as casas acabam retornando às condições iniciais de degradação em pouco tempo.Seu futuro está em discussão em ambos os lados do oceano. </p>
				<p>Por outro lado, a perda das áreas conventuais, em especial das cercas, ocorre de forma semelhante em Portugal e Brasil. Exemplifica-se com o caso do convento de Salvador, situado no Pelourinho. Os relatos historiográficos narram que a cerca dos franciscanos se limitava com a do convento das clarissas (A), separadas apenas por um curso d´água. Hoje o riacho (B) que passava por dentro da cerca, encontra-se coberto por uma via que segue seu traçado, e a fonte de água (C), que servia ao convento, ainda é visível na cidade (<xref ref-type="fig" rid="f9">Figura 9</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f9">
						<label>FIGURA 9</label>
						<caption>
							<title>Movimentos de perda de área da cerca do Convento de São Francisco de Salvador. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf9.jpg"/>
						<attrib><bold>Fonte</bold>: Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem (2011).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Mesmo casas que se situam em locais menos pressionados pelo crescimento urbano, como é o caso da cidade de Penedo, em Alagoas, assistiram à perda considerável da área de cerca de seu convento que chega nos dias atuais com 20% do original<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> (<xref ref-type="fig" rid="f10">Figura 10</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f10">
						<label>FIGURA 10</label>
						<caption>
							<title>Movimentos de perda de área da cerca e fachada do Convento Franciscano de Penedo (Brasil). </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1519-7727-oce-14-02-00403-gf10.jpg"/>
						<attrib><bold>Fonte</bold>: Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem (2016).</attrib>
					</fig>
				</p>
				
				<p>Variedade na unidade pode ser o fio que enlaça os conventos daqui analisados aos seus sítios urbanos. Este pode ser respaldado na tão alardeada atitude portuguesa de se adequar às geografias e culturas encontradas no contexto da expansão ultramarina. Longe de uma simples assimilação dos modelos ocidentais europeus, a obra franciscana na colônia mostra, entre outros atributos, “a de ser dócil às limitações materiais e de se deixar gerar pelo meio natural e social - integrando-se às condições tropicais e absorvendo as contribuições populares e de outras etnias - e com elas interagindo de maneira direta, singela e sensível” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CAMPELLO, 2001</xref>, p.57). Torna-se importante, de qualquer forma, o exame minucioso do contexto que produziu a obra franciscana no Brasil e ao mesmo tempo, inseri-la no contexto planetário da investida portuguesa.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O OLHAR DO PRESENTE</title>
				<disp-quote>
					<p>“Sob o céu azul profundo do Nordeste, moldado por belas formações de nuvens sempre em movimento, esses conventos brancos, reluzindo ao sol, se destacam no fundo sombrio das florestas ou no verdor saturado dos campos de cana-de-açúcar. Com seus frontispícios monumentais, seus claustros de galerias melodiosas e suas igrejas cujo interior revela ao visitante um universo místico onde o ouro cintila na sombra, esses estabelecimentos dos frades menores estão entre as obras mais poéticas que o espírito religioso inspirou na Colônia de Santa Cruz (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BAZIN, 1983</xref>, p.56).</p>
				</disp-quote>
				<p>Hoje, as casas franciscanas no Brasil conhecem um período de franco declínio. Além da falta de vocações, uma outra postura adotada pelos frades, bastante engajados na missionação, afasta do horizonte dos mesmos, de forma geral, a preocupação com a herança edificada. Por outro lado, ao se tornarem “patrimônio”, sob a investidura oficial, passam a se submeter a um determinado conjunto de regras, nem sempre compatíveis com a conduta cotidiana dos seus habitantes.</p>
				<p>O que se vê são uma série de impasses, que em geral são resolvidos com a entrega da edificação, o abandono, a adoção de novos usos, a perda de área para as demandas das cidades onde se localizam.</p>
				<p>Com seu vocabulário aparentemente simples e por sua afinidade com o meio natural, os conjuntos conventuais “assinalaram o desenvolvimento de uma tipologia inconfundível e de uma morfologia aderente ao ambiente natural e, em todos os sentidos, fruto também do meio social em que foram realizadas. Eram por isso [obras] inéditas no mundo luso-tropical daquela época” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CAMPELLO, 2001</xref>, p.40). Portanto, podemos dizer que no caso em pauta, tratamos de uma experiência arquitetônica e urbanística brasileira, mas que justamente por isto, não esquece, na sua essência e princípio, os laços com a família portuguesa.</p>
				<p>Há ainda vários outros aspectos relacionados aos conventos a serem investigados e que dizem respeito a uma ligação mais profunda e sutil com a paisagem. Quando se fala em Franciscanismo, esta palavra envolve mais do que construir edificações religiosas e promover a vida urbana através das realizações arquitetônicas. Implica em uma disposição religiosa/afetiva de lidar com os espaços, a natureza e os homens (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FRESNEDA, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">DUBY, 1979</xref>). De repensar, adotando as palavras do presente, o consumismo, a ecologia, o lugar da matéria e do intangível.</p>
				<p>Os anos de convívio com estes conventos e seus habitantes levaram-nos a concluir que o espírito da Fraternidade Seráfica se encontra impregnado nos mesmos. Os edifícios foram criados com atributos espaciais e estilísticos necessários para desempenhar determinados papéis, dentre eles, uma condição poética que, mesmo distanciada no tempo, fala ainda ao presente. Por outro lado, a arquitetura em si é aparentemente imóvel, e se não alteram paredes e tetos, os significados podem ser motivadores de novas releituras.</p>
				<p>A mutabilidade é também o caso do próprio Franciscanismo, que, desde os tempos do santo de Assis gerou propostas religiosas e estéticas que vieram falando, com o passar dos Séculos, de diversos modos acerca da doutrina seráfica. Os próprios conventos espalharam-se por todo o mundo, adotando soluções arquitetônicas diversificadas.</p>
				<p>Há certamente, inúmeros aspectos velados no convento. Trata-se de uma edificação marcada pela conduta disciplinar, pela hierarquia entre seus membros. No passado, possuía prisões e senzalas. Os vocábulos cela e disciplina reverberam nos estudos de Foucault. O espaço simples se impregna pelos sinais da dor, pelos sacrifícios, pelo emprego do cilício.</p>
				<p>Portanto, o patrimônio cultural é também ele, fruto de inesperados cruzamentos. No caso dos conventos que falam da existência dos seres no cosmos, que regulam a passagem entre terra e céu, poderão continuar a narrar estes aspectos ao mundo contemporâneo que só aparentemente lhe é tão adverso.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>Como se buscou demonstrar, o estudo das casas conventuais franciscanas constitui um dos casos em que se alia de forma expressiva e contundente a arquitetura e o urbanismo. Apontando-se para além dos vínculos entre Portugal e Brasil e considerando-se a noção de um <italic>orbi</italic> seráfico, a hipótese de cruzar, por exemplo, a rede ibero americana, pode resultar em um estudo ainda mais rico, traçando um quadro amplo e profundo a respeito de como estas casas atuaram em termos de patrimônio cultural no denominado Novo Mundo, perante povos e geografias tão diversas. </p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>AGRADECIMENTOS</title>
			<p>Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Processo nº 310474/2916-7).</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
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				<element-citation publication-type="thesis">
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							<surname>AMORIM</surname>
							<given-names>M.A.F</given-names>
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					<source>A missionação franciscana no Estado do Grão Pará e Maranhão (1622-1750): agentes, estrutura e dinâmica</source>
					<comment content-type="degree">Doutorado</comment>
					<publisher-name>Universidade de Lisboa</publisher-name>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
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				<mixed-citation>MONTEIRO, M.F.M. Sistema monástico conventual e desenvolvimento urbano de Évora na baixa idade média. 2010. Tese (Doutorado em Arquitetura) - Universidade de Évora, Évora, 2010.</mixed-citation>
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					<source>Sistema monástico conventual e desenvolvimento urbano de Évora na baixa idade média.</source>
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				<mixed-citation>RIBEIRO, B. Guia de Portugal Franciscano Continental e Insular. Leixões: Residência de Leixões, 1946. p.26-31.</mixed-citation>
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					<source>Ordens religiosas em Portugal: das origens a trento: guia histórico</source>
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				<mixed-citation>TEIXEIRA, C.M. (Org.). Fontes Franciscanas e Clarianas. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.</mixed-citation>
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			<title>NOTAS</title>
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				<label>1</label>
				<p>. O estudo das casas portuguesas foi fruto de um estágio de pós doutoramento, realizado pela autora junto à Universidade de Évora, circunstância durante a qual foram visitados os seguintes conventos: Santo António de Alcácer do Sal, Santa Maria Madalena de Alcobaça, Santo Antônio e São Francisco de Alenquer, São Francisco de Beja, São Francisco da Ponte e Santo Antônio dos Olivais em Coimbra, São Francisco de Évora, São Francisco da Guarda, São Francisco de Guimarães, Nossa Senhora da Porta do Céu em Lisboa, São Francisco da Cidade de Lisboa, Santo Antônio dos Capuchos em Lisboa, Nossa Senhora e Santo Antônio de Mafra, São Francisco do Porto, São Francisco de Santarém, Nossa Senhora da Serra da Arrábida, Santo Antônio de Serpa, Santa Cruz da Serra de Sintra, São Francisco de Tavira, Nossa Senhora da Anunciada de Tomar, Santo Antônio do Varatojo em Torres Vedras, São Francisco do Monte em Viana do Castelo e São Francisco de Orgens, em Viseu.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>. Estudo realizado por Náiade Alves, durante projeto Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, a quem agradeço a cessão da imagem.</p>
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