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DE LA POLIS A LA METRÓPOLIS: CIuDAD Y ESPACIO POLÍTICO
Oculum Ensaios, vol. 14, núm. 3, pp. 613-615, 2017
Pontifícia Universidade Católica de Campinas

RESENHA

Alzamora Manuel Menéndez, Aznar Hugo. DE LA POLIS A LA METRÓPOLIS: CIuDAD Y ESPACIO POLÍTICO. 2015. Madrid. Adaba

Recepção: 10 Janeiro 2017

Aprovação: 18 Janeiro 2017

DOI: 10.24220/2318-0919v14n3a3816




A expectativa rasa pelo estudo panorâmico cronológico se desfaz. O livro sequer presume uma teleologia da história no alcance derradeiro da metrópole atual a partir das origens. Trata-se da compilação de dez ensaios cuja liberdade nos coloca de imediato perfilados em compromisso com o presente. Em simultâneo, ilumina, com intensidade, fundamentos ancestrais e o passado recente: método em busca de constantes que façam sentido na possibilidade de permanência da matriz espaço de cidadania urbana como continente da ordem política democrática na metrópole contemporânea.

Quem organiza a costura está com agulha e linha nas mãos. Assim se inicia o percurso na ordem da publicação. Compete a cada tema estabelecer vínculos de interesse específico que dizem respeito a investigadores, percebendo a clareza de cada ponto solidamente alinhavado ao todo, em uma leitura de ir e vir e orientada para o vir a ser - da qual não há como se escapar. Confirma-se o papel da história como sedimentação de conhecimento e práticas, sempre fonte, sem nostalgias. Se é exposto às dificuldades da atualidade, desafio cujas respostas têm que se dar no risco do presente ao qual estamos condenados, quiçá com vislumbres de uma utopia futura atingível.

Abre-se o pano com origens míticas da cidade, quando história e mito não tinham delimitações estanques; rememora-se a missão de filhos de Noé em reabitar a terra: Set - origem semita comum de hebreus e árabes, anelo de civilizações pós-dilúvio irmãs e irmanadas; e Ibero, pai dos ibéricos. Evoca-se aqui nas Américas um ancestral longínquo mas, imediatamente, nos inquieta a incumbência urgente de celebrar mitos de origem das civilizações pré-colombianas. Modelos resplandecentes de arquitetura e cidade, na ideia narrada vislumbrável como forma do profeta Tomás - origem mítica do projeto - se mesclam às sombras do labirinto de Dédalo, também magnífico. Entre céus e infernos, espaços inalcançáveis, se tornam claras as delimitações do mundo real habitável.

Aristóteles, segundo tema do decálogo, é conclamado a emergir presentificando pressupostos da pólis, amplitude qualificada em nível superior ao da família e da aldeia - fundada na autonomia e convivência no território; é um espaço social e político cujo fundamento deve ser a associação face a face dos habitantes, onde todos se conheçam e atuem mediante ideais compartilhados e cujos problemas comuns sejam abordados em assembleia. Defronta-se com as recomendações da pólis democrática, cuja finalidade se assenta na delimitação: número máximo de indivíduos, território onde todos se vejam sinopticamente, sendo visíveis também os limites da cidade, fortificada para proteção, próxima ao porto marítimo. A pólis contém também centros religiosos-políticos, de comércio e indústria, de formação e entretenimento, feitos em traçado hipodâmico combinado com diagonais, articulando segurança e beleza. Pairando sobre a pólis, a acrópole - centro de poder e de culto - de onde adveio. Fica em suspensão a linha teórica que separa a pólis da metrópole, cabendo se estabelecer os laços possíveis no presente.

Sobre a dimensão espacial do foro e do mercado, se é convidado à submersão. Tenciona-se sem esgarçar a relação natureza e cultura como epifania, fazendo-se, por meio da transparência da trama, olhar horizontes além. A trabalhosa constituição da consciência humana se daria no mesmo instante em que os utensílios. E, com eles, tornar-se-iam homólogos a linguagem e o tecido, ou seja, o textual e o têxtil. Aproximam-se as tarefas da sobrevivência, desde o primeiro silo à urna mortuária - manipulação do tempo da degradação biológica e o menir, sinal fundador originário, sem interioridade, da noção do lugar: a razão de ser genuína da arquitetura em construir o mundo como um lugar feito de lugares. O homem irrompe vencendo um duplo: a intempérie moral pela orientação espaço-temporal e a intempérie física pelos instrumentos da pura sobrevivência. A paisagem, onde se está incluso, seria fruto desta oposição complementar. A conservação homeostática da vida corresponderia ao mercado, ao passo que a ideia complexa de orientação conclamaria o foro, espaço qualitativo baseado no vazio. Ambos estariam articulados às formalidades da vida e à conduta ritualizada dos sujeitos. A partir dessa perspectiva de espaços antagônicos em convivência, o autor critica ações urbanísticas recentes em Barcelona e conclama pela recuperação dos vazios ativos e seu significado.

Chega-se ao Brasil, entre os Séculos XVI e XVIII. Minucioso inventário dos modelos de povoamento coloniais, a região tem como pano de fundo os desígnios de poder perante a vastidão do território, as correspondências e distensões com a América Espanhola, as conquistas francesas, holandesas e jesuíticas. A trama histórica se estende, revelando associações dos fatos prosaicos, do comércio, da proteção, da morfologia, simultaneamente indica a gênese dos espaços simbólicos, como a praça, as igrejas e as representações de poder. Magnetizada pela ligação com a metrópole imperial, subjaz a tensão interior profunda e o mar, talvez única constante nesses inícios: ambos horizontes sem fim, amedrontadoramente abertos a todas as possibilidades do porvir. Possibilidades essas que até hoje não conseguem se constituir com plenitude.

Segue-se com um preciso e delicioso manifesto sobre o nascimento da civilização metropolitana no Século XIX e as fundações dos grandes magazines são sacudidas. Expõem-se as dobras ocultas da liberdade burguesa como cultura do simulacro, comercial e consumista e, sob a lente de Zola, desnuda-se a mulher moderna como protagonista. A metodologia da Escola de Chicago, de dissecação e dos elementos da cidade, leva adiante o raciocínio de entendimento do indivíduo moderno no novo laboratório social: a metrópole, onde dinheiro, moda e divisão do trabalho jogam seu papel em simbiose, cujas distintas formas de existência fluem da segregação, integração e encapsulamento à solidão. Balzac, a seguir, passeia pela Paris pré-hausmaniana. Convite ao entendimento do papel profícuo da literatura como documento urbano. A trama de personagens no embate dos papéis sociais conduz à visão de uma metáfora urbana, na qual a morte espreita a frivolidade.

A cidade como espetáculo da política: situacionismo e sonho urbano buscam rea­lizar um alinhavo articulador da questão do ponto de vista conceitual. Aqui, decide-se convidar o futuro leitor à visão direta sem as preconcepções desta resenha.

A monumentalidade é então questionada desde Gideon ou Kahn, como representação de cada época ou significado espiritual coletivo, e acaba por nos colocar com violência diante do pseudomonumentalismo, dos estertores do mass media e da novíssima monumentalidade (narcísica?) recente, como debate em aberto.

O percurso se finaliza com uma visão panorâmica das utopias: das cidades ideais renascentistas às vanguardas de exaltação tecnológica, sublinhando o papel dos arranha-céus, aos fantasmas neotecnológicos em claro-escuro com as propostas de paraíso perdido bucólico onde nem Wright escapa à crítica. Mantendo sob judice, as fantasias pós-modernas como revelação das verdadeiras condições da sociedade e cultura arquitetônica donde surgem, reivindica-se o realismo: a evidenciação clara dos mecanismos e interesses a que servem como única postura na luta contra eles. Um anúncio de vanguarda possível nos tempos que correm.

REFERÊNCIA

ALZAMORA, M.M.; AZNAR, H. De la polis a la metrópolis: ciudad y espacio político. Madrid: Adaba, 2015.



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