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            <journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
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				<article-title>Patrimônio cultural: memória e intervenções urbanas</article-title>
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					<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas | Instituto de Filosofia e Ciências Humanas | Programa de Pós-Graduação em História | R. Cora Coralina, 100, Cidade Universitária, 13083-896, Campinas, SP, Brasil | E-mail: &lt;barbara@vansebroeck.com&gt;.</institution>
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				<source>PATRIMÔNIO CULTURAL: MEMÓRIA E INTERVENÇÕES URBANAS</source>
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		<p>Constituído por um grupo de pesquisadores das Faculdades de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), o “Núcleo de Apoio em Pesquisa São Paulo: cidade, espaço e memória” funcionou durante os anos de 2012 a 2016. Com a proposta de abordar um tema que é multidisciplinar por natureza, o patrimônio, esse núcleo foi coordenado pela professora Anna Lucia Duarte Lanna (FAU-USP). Em agosto de 2013, o grupo organizou a Conferência Internacional Patrimônio cultural, memória e intervenções urbanas que procurou debater temas relativos ao patrimônio, à memória e à construção do tecido urbano que resultou nesta publicação.</p>
		<p>O livro conta com duas seções principais: “Posicionamentos e Ressonâncias”<italic>.</italic> A primeira - que aqui será analisada em recortes temáticos -, destina-se às contribuições de palestrantes estrangeiros, com textos traduzidos em português ou originais em espanhol, enquanto a segunda, apresenta contribuições dos pesquisadores do núcleo de estudos.</p>
		<p>Tali Hatuka comenta sobre a “obsessão com a memória” presente no início de século XXI e os seus desdobramentos no espaço urbano. A arquiteta e planejadora propõe o termo “ausência urbana”, forma pela qual cidades clamam por espaços perdidos em situações de trauma e cujo retorno à unidade de lugar acaba por “suspender o presente”. Para a autora, o mais importante estaria em pensar os lugares de maneiras inovadoras, sem tomar como base o apagamento. O texto merece destaque por inserir uma nota sobre a experiência de Hatuka em São Paulo: a “paisagem elástica” da cidade e sua “imagem diferenciadora”. Essa paisagem ressoa, na segunda seção do livro, com a perda dos substratos materiais, que Sarah Feldman aponta como o “binômio paulistano demolição/reconstrução” e a dificuldade em se trabalhar a memória urbana em uma cidade cuja marca mais forte é sua constante transformação.</p>
		<p>A historiadora Gabi Dolff-Bonekämper retoma a noção de construção social do patrimônio e os lugares de memória ao descrever suas trajetórias, sendo uma delas durante período de reunificação da Alemanha em sua vivência como especialista oficial de edifícios adjacentes ao Muro de Berlim. Ainda sobre o Muro e a questão turística, o texto da socióloga Sybille Frank é muito intrigante por apontar questões relativas à “indústria do patrimônio” ao estudar o Checkpoint Charlie, local de verificação e trânsito entre as duas faces de Berlim durante a Guerra Fria. Frank caracteriza o local como um “patrimônio típico” - por proporcionar valor turístico e experiência -, mas também como um “patrimônio excepcional” por ter sido um lugar de memória difícil pelas vítimas que tentaram cruzar a barreira. O Muro se ergue como um tema marcado por controvérsias e a forma como foi escolhido como instrumento de memória retoma o acalorado debate sobre autenticidade.</p>
		<p>A segunda trajetória descrita por Dolff-Bonekämper relaciona as formas de apreciação do patrimônio pelos imigrantes turcos em Berlim. A memória do imigrante e a relação com o tecido urbano são aprofundadas pelo historiador David Favaloro ao comentar sobre o <italic>Tenement Museum</italic>, em Nova Iorque. O Museu se estabeleceu no final dos anos 1980 em <italic>Lower East Side</italic>, à época um bairro pobre, violento e com muitos edifícios abandonados. Foi escolhido para sede um prédio que teria abrigado cerca de 7 mil pessoas das mais diversas origens ao longo de 50 anos. O mote é celebrar as pessoas comuns e utilizar o passado como constitutivo da identidade nacional forjada pelas gerações de imigrantes. A despeito da “gentrificação” observada na região nos últimos 25 anos, o bairro permanece com a característica de acolher os recém-chegados, sendo o museu um importante esforço de integração ao propor o debate da imigração ontem e hoje.</p>
		<p>A questão das memórias difíceis é representada pela chave das vítimas do terrorismo de Estado e a memória da violência política. A “geografia da violência” percorrida pela socióloga Carolina Aguilera demonstra espacialmente o caráter heterogêneo das expressões de mais de 50 memoriais em Santiago do Chile. O paralelo argentino é descrito pelo arquiteto Gonzalo Conte que relata o Programa “<italic>Memoria Abierta”</italic> com a proposta de uma nova abordagem e análise de Centros Clandestinos de Detenção por meio de representações espaciais e audiovisuais do território, com uso de programas de computador.</p>
		<p>A segunda seção, “Ressonâncias”, é contribuição de quatro membros do grupo de estudos, sendo três deles organizadores da publicação. Beatriz Kühl comenta as escalas do edifício e da cidade e suas relações com a preservação do patrimônio ao tomar como ponto de partida a autenticidade que, para a autora especialista em restauro, é de extrema importância. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Renato Cymbalista</xref> propõe o debate sobre lugares de memórias difíceis, tema amplamente trabalhado por ele no Brasil em eventos como Jornada de Lugares de Memória e Consciência em 2014 e em disciplinas da Graduação e Pós-Graduação na FAU-USP. A antropóloga Fraya Frehse aponta a prevalência da memória imaterial na capital paulistana, graças à constante transformação de seu tecido urbano. Curiosamente, é o único texto que questiona o instrumento hegemônico do patrimônio material no Brasil: o tombamento.</p>
		<p>Com efeito, aparece em mais de um texto a questão da forma como a memória e os lugares podem ser discutidos, quais atores sociais podem entrar em cena e, não menos importante, o papel da intervenção arquitetônica. Ao considerar a abordagem da “experiência da história”, a arquitetura possibilita reconstruções dos espaços e de seus significados. As dimensões da produção e consumo de espaços históricos se mostram, hoje, alinhados ao presentismo: “como interpretar e apresentar o passado para torná-lo parte ativa do presente” (p.216).</p>
		<p>O livro é uma grata contribuição dos palestrantes que debateram durante o evento para aprimorar os estudos no campo patrimonial e traz representantes da antropologia, sociologia, história, arquitetura e planejamento territorial. É uma pena que um trabalho tão importante apresente erros gráficos, de digitação e revisão - até mesmo o título do livro e sobrenome de uma das autoras estão grafados incorretamente na ficha catalográfica -, ainda mais se considerarmos a atualidade do conteúdo apresentado e a envergadura dos temas.</p>
		<p>O esforço em trazer ao debate novos “Posicionamentos” não foi equiparado nas “Ressonâncias”, as quais procuraram apenas fazer uma acupuntura muito sutil, sendo ausente o aprofundamento sobre a questão paulistana. Fica, pois, a expectativa por novas contribuições sobre o caso brasileiro que deem ao trabalho iniciado uma desejável continuidade.</p>
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			<title>REFERÊNCIA</title>
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				<mixed-citation>CYMBALISTA, R. et al. (Org.). Patrimônio cultural: memória e intervenções urbanas. São Paulo: Annablume, 2017.</mixed-citation>
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				<p>. Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Processo nº 138388/2017-2).</p>
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