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            <journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
            <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Oculum ens.</abbrev-journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v16n1a4155</article-id>
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					<subject>RESENHA</subject>
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				<article-title>101 REGRAS BÁSICAS PARA UMA ARQUITETURA DE BAIXO CONSUMO ENERGÉTICO</article-title>
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						<surname>MIRANDA DE SOUZA</surname>
						<given-names>SANDRA HELENA</given-names>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal da Bahia | Núcleo de Tecnologia, Projeto e Planejamento | Faculdade de Arquitetura | R. Caetano Moura, 121, Federação, 40210-905, Salvador, BA, Brasil | E-mail: &lt;sandra.miranda@ufba.br&gt;.</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>16</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>179</fpage>
			<lpage>182</lpage>
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				<source>Huw Heywood</source>. <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>: <publisher-name>Gustavo Gili</publisher-name>, <year>2015</year>
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					<day>02</day>
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					<year>2018</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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		</p>
		<p>O livro é dividido em cinco capítulos que sugerem alternativas a serem consideradas na arquitetura, a fim de melhorar o desempenho térmico e energético da edificação. Denominadas de “regras”, o livro pretende colaborar passivamente: </p>
		<p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>1) no aquecimento de ambientes internos de edificações (para localidades de clima frio); e </p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>2) no resfriamento de ambientes internos de edificações (para localidades de clima quente). </p>
				</list-item>
			</list>
		</p>
		<p>Para ambas as situações, a versão em português do livro procura orientar o projetista para acertar na adaptação da edificação para o clima local, sugerindo alternativas importantes de projeto que favorecem conforto aos usuários. As alternativas de projeto são propostas por meio de regras, apresentadas sucintamente e acompanhadas de ilustrações que exprimem os sentidos das regras correspondentes. Vale ressaltar que nem todas as regras esclarecem para qual característica climática está indicada: se para climas predominantemente frios ou predominantemente quentes.</p>
		<p>Desde há algumas décadas que livros de autores originários de países nórdicos e predominantemente frios são traduzidos para o português brasileiro sem que haja o esclarecimento de que “parede de trombe” é uma técnica de bioclimatismo inadequada para ser adotada em edifícios inseridos em localidades de clima quente e úmido. Muito menos, a referida “parede de trombe” estar por trás de uma pele de vidro.</p>
		<p>O livro aborda com propriedade uma sequência de técnicas construtivas para alcançar, tanto a calefação gratuita como a refrigeração gratuita em seu capítulo 4. O capítulo se detém em demonstrar como as reações termodinâmicas ocorrem entre meios e materiais com diferentes temperaturas, explicando com clareza a transferência de energia térmica por entre o ambiente interno edificado. Dentre as técnicas construtivas, sugere a parede de trombe com a pele de vidro adicionada e outras técnicas termoacumuladoras de calor, porém sem o devido esclarecimento para qual característica climática essa técnica e algumas outras estão recomendadas. </p>
		<p>Pela a adequação de recomendações projetuais e construtivas em “regras”, sem os devidos esclarecimentos em todas as regras para qual característica climática está recomendada, a obra pode fragilizar a contribuição para uma arquitetura adaptada ao clima. Como, por exemplo: a Regra n° 8 - “Evite o superaquecimento no verão”, do Capítulo 1 “Trabalhar a situação e a localização”. A versão em português do livro compara as alturas máximas que o sol alcança no verão em algumas cidades: Londres, Pequim, Nova Iorque e Cairo, para o hemisfério norte; e, Sydney, para o hemisfério sul, e estima a profundidade de elementos de proteção solar. A partir da estimativa da latitude da localidade, conclui que: para localidades de latitudes intermediárias, a profundidade de uma “projeção instalada perto da verga da janela” medirá de 60 a 90cm; e, “pelo menos, 120cm nas latitudes perto da linha do equador, nas quais deveria ser empregada uma combinação entre projeções verticais e horizontais” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">HEYWOOD, 2015</xref>, p.24).</p>
		<p>Livros que trazem uma colaboração técnica na arquitetura, especialmente com uma abordagem voltada para o conforto térmico, por meio da otimização do desempenho térmico dos edifícios, precisam explicar as técnicas a serem adotadas pelos projetistas e relacionar a técnica ao clima local. A impressão que denota é que, nesse momento da leitura, acontece uma perda incalculável para a área do ensino e para o processo criativo de projetação em arquitetura. Além de fragilizar o empenho de professores e pesquisadores da área, em tornar o projetista conhecedor da técnica de projetar conscientemente com o sol, a fim de favorecer a melhor condição de desempenho térmico e energético de edifícios, por meio da modelagem da geometria da incidência solar em partes do edifício. O empenho de tornar a técnica difundida no meio acadêmico, também contempla o entendimento da interação termofísica que existe entre a intensidade de radiação solar incidente nos materiais construtivos especificados para as superfícies externas do edifício, mediante as especificidades de orientações dessas superfícies e características físicas e volumétricas da adjacência imediata ao mesmo.</p>
		<p>Basicamente, os assuntos que permeiam a problemática abordada envolvem ângulos solares compatibilizados aos ângulos norteadores do projeto arquitetônico. Esse estudo se faz a partir do uso de três instrumentos, considerados simultaneamente no ato de projetar em arquitetura: (1) a carta solar da localidade; (2) o transferidor de ângulos solares; e (3) o transferidor de ângulos do projeto arquitetônico.</p>
		<p>O Sistema Mongeano, adotado no projeto arquitetônico, considera três dimensões projetadas em três planos de projeção: o plano vertical, o plano horizontal e o plano de perfil. A partir da combinação desses três planos, o projeto pode ser definido e se desenvolve a técnica de se projetar em arquitetura.</p>
		<p>Da mesma forma, um elemento de proteção solar também precisa conter três dimensões para existir: altura, largura e profundidade. Apenas com a recomendação de medida da profundidade, o elemento de proteção solar pode até nem funcionar adequadamente para atingir o objetivo pretendido.</p>
		<p>Tratando-se de projeto de elementos arquitetônicos de fachada, para a promoção de sombreamento, é preciso analisar a abóbada celeste real para o local do projeto. Sem o conhecimento da técnica, os elementos de proteção solar podem gerar gasto de material construtivo e dinheiro.</p>
		<p>Inclusive, a forma das superfícies externas de um edifício também pode resultar em melhorias no desempenho térmico do mesmo, sem que seja necessário o uso de elementos externos de fachada. Ou, uma sequência de elementos de proteção solar com medidas menores também pode proporcionar o mesmo desempenho térmico que um único elemento de proteção solar com medidas maiores proporcionaria, e ainda tornar o edifício esteticamente mais harmonioso.</p>
		<p>Os momentos em que o sol se encontra com alturas máximas nos dias de verão nem sempre são os momentos de maiores ganhos térmicos solares e superaquecimentos dos ambientes internos de uma edificação. Essa condição varia em função da característica climática, imprescindível ser considerada no contexto de uma publicação que se destine a assuntos relacionados com a arquitetura e com o conforto térmico.</p>
		<p>Por se tratar de um livro publicado por uma editora de alta credibilidade, inclusive no meio acadêmico, é bem provável que existam professores de projeto arquitetônico que já estejam replicando essa “regra rápida” para os seus alunos, futuros arquitetos. É inegável o poder de repercussão que uma publicação pode gerar no meio acadêmico e profissional.</p>
		<p>O desdobramento da escolha de uma leitura pode significar a colaboração involuntária do empobrecimento do ensino e, consequentemente, da área profissional à qual se destina à publicação. Para a área da arquitetura, é preciso se atentar para os detalhes e pensar de forma integrada com o clima. Compreender as características atmosféricas no decorrer do ano e perceber quais potencialidades que colaboram para o conforto térmico. Em seguida, modelar o edifício a fim de que sejam preservadas as potencialidades positivas ao conforto térmico, bloqueando de forma seletiva e consciente as potencialidades que provocam o desconforto.</p>
		<p>Para o desenvolvimento dessa habilidade, o arquiteto precisa ser perspicaz em técnica de projeto e trabalhar de forma integrada com a tecnologia dos materiais construtivos e suas capacidades de respostas de desempenho térmico quando estimulados pela radiação solar direta. O conhecimento técnico bem orientado não só evita o superaquecimento nos ambientes internos às edificações, como também repercute para as áreas externas da cidade.</p>
		<p>O livro é bem escrito, com uma excelente qualidade gráfica e apresenta excelentes sugestões para a aplicabildade de elementos arquitetônicos para a melhoria da eficiência energética, porém, justifica-se que sua adequação aos projetos arquitetônicos para regiões de clima quente e úmido seja criteriosamente avaliadas, sem que sejam usadas de forma indiscriminada.</p>
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			<title>REFERÊNCIA</title>
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				<mixed-citation>HEYWOOD, H. 101 regras básicas para uma arquitetura de baixo consumo energético. São Paulo: Gustavo Gili, 2015.</mixed-citation>
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