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				<journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Oculum Ens.</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v16n3a4262</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>O RETORNO NO IMAGINÁRIO DA CIDADE DE IBARRA (EQUADOR)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref></article-title>
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					<trans-title>THE RETURN IN THE IMAGINARY OF THE IBARRA CITY (ECUADOR)</trans-title>
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						<surname>ORBES</surname>
						<given-names>GABRIELA RUALES</given-names>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal de Goiás | Instituto de Estudos Sócio-Ambientais | Programa de Pós-Graduação em Geografia | Av. Esperança, s/n., Campus Samambaia, 74690-900, Goiânia, GO, Brasil | E-mail: &lt;gabyruales87@gmail.com&gt;.</institution>
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			<fpage>467</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>A cidade de <italic>Ibarra</italic> no Equador sofreu uma grande catástrofe em 1868, quando um terremoto a devastou por completo. O evento obrigou os habitantes que sobreviveram a fugirem e se estabelecerem aos pés do vulcão <italic>Imbabura</italic>. Foram necessários 4 anos para a reconstrução de parte da cidade, em especial os dos prédios públicos e vias principais, o que promoveu “O Retorno” dos habitantes a <italic>Ibarra</italic>. Através de algumas representações simbólicas - tanto na história escrita, como em vestígios arquitetônicos, em monumentos e nas festas populares -, o presente trabalho busca identificar como “O Retorno” dos moradores ainda é presente e reproduzido no imaginário da cidade <italic>Ibarra</italic>. Identifica-se O Retorno presente no imaginário, porém, ainda existem alguns diferencias entre os vestígios antigos, em comparação as representações mais atuais. As ruinas da antiga igreja, os materiais que foram utilizados na reconstrução dos prédios públicos ou algumas das casas que ficaram em pé após a catástrofe, foram deixadas para trás. Sendo mais valorizados os elementos simbólicos após o evento, como representações plásticas, quadros, monumentos e murais contemporâneos. Marcando assim, uma maior importância ao fato de voltar e reconstruir a cidade, do que uma nostalgia da cidade antiga. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>Ibarra, a city in Ecuador, suffered a big catastrophe, the 1868 earthquake, that destroyed the entire city. This event forced people who survived to leave the city and find refuge in the lower parts of the Imbabura volcano. Four years later, the city was rebuilt, especially the public buildings and the main streets, allowing the return of its inhabitants. Through some symbolic representations - such as written history, vestiges of architecture, monuments raised and popular festivities - this study endeavors to identify how “O Retorno” (The return) of the inhabitants to the city is still present and reproduced in the imagination of Ibarra. The Return is identified in the imaginary of the city, however there are some differences between the ancient vestiges when compared with the most current representations. The ruins of the old church, the materials used for the reconstruction of public buildings, or the few houses standing after the catastrophe have long been forgotten. The most important symbolic elements after the event, such as plastic representations, paintings, monuments and contemporary murals, are the most valuable. The far most important aspect was to return and rebuild the city than the nostalgia for the old city.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
				<kwd>Cidade</kwd>
				<kwd>Ibarra</kwd>
				<kwd>Imaginário</kwd>
				<kwd>Retorno</kwd>
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				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>City</kwd>
				<kwd>Ibarra</kwd>
				<kwd>Imagination</kwd>
				<kwd>The Return</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>INTRODUÇÃO</title>
			<p>Ao ingressar a cidade de <italic>Ibarra</italic>, no Equador, depara-se com um grande cartaz com o lema “<italic>Ibarra</italic>, <italic>ciudad a la que siempre se vuelve</italic>”. O lema se deve ao retorno dos habitantes à cidade após um trágico evento que marcou a história desse local: o terremoto de 1868, que deixou a cidade totalmente devastada. Naquele momento, <italic>Ibarra</italic> talvez recapitulava a cidade de <italic>Argia</italic>, descrita por Ítalo Calvino na obra “As cidades invisíveis”.</p>
			<disp-quote>
				<p>O que distingue Argia das outras cidades é que no lugar de ar existe, terra. As ruas são completamente aterradas, os quartos são cheios de argila até o teto, sobre as escadas pousam outras escadas em negativo, sobre os telhados das casas premem camadas de terreno rochoso como céus enevoados. Não sabemos se os habitantes podem andar pela cidade alargando as galerias das minhocas e as fendas em que se insinuam raízes: a umidade abate os corpos e tira toda sua força; convém permanecerem parados e deitados, de tão escuro.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>De Argia, daqui de cima, não se vê nada; há quem diga: ‘Está lá embaixo’ e é preciso acreditar; os lugares são desertos. À noite, encostado o ouvido no solo, às vezes se ouve uma parta que bate (<xref ref-type="bibr" rid="B2">CALVINO, 1990</xref>, p.116).</p>
			</disp-quote>
			<p>O presente trabalho busca verificar na atual <italic>Ibarra</italic> - que já deixou para trás os escombros e a terra -, os elementos que vieram desse “lado de baixo”, os vestígios e lembranças dessa outra cidade. Busca ouvir os sons criados pelo deserto deixado por esse terremoto, procurando ouvir o que ainda bate as lembranças. Diferentes autores trabalharam nos relatos históricos do terremoto e da reconstrução da cidade. No entanto, poucos estudos foram feitos acerca da presença desse evento histórico tanto trágico pelo acontecimento, mas em especial o retornar no imaginário da cidade. De modo que cabe se perguntar: Quais são os elementos atuais e que representações relembram esse fato? Por que certos vestígios, monumentos e representações tornaram-se mais relevantes do que outros? </p>
			<p>Para responder aos questionamentos, é necessário verificar alguns estudos acerca do imaginário da cidade, autores como Walter Benjamin, Sandra Pesavento e Cristiane Freire são trazidos para este estudo. Assim, parte-se ao presente objeto de estudo, <italic>Ibarra</italic>, verificando nos diferentes relatos históricos os dados sobre o terremoto e como foi a reconstrução da cidade. Dados que serviram de base para percorrer a cidade na procura dos elementos arquitetônicos e simbólicos que ainda perduram, assim como encontrar os monumentos pós-terremoto criados para relembrar este fato. Elaborando, assim, um registro fotográfico dessas representações. No final, descreve-se como surgiram as festas cívicas de <italic>El Retorno</italic> e como são as comemorações atuais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O IMAGINÁRIO DA CIDADE</title>
			<p>A cidade é palco de diferentes campos de estudo, no caso deste trabalho o enfoque é o imaginário. Entende-se o imaginário da cidade como “um sistema de ideias e imagens de representação coletiva, teria a capacidade de criar o real” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">PESAVENTO, 2002</xref>, p.8). No caso de estudo de <italic>Ibarra</italic>, procura-se entender os elementos que fazem “O Retorno” um elemento crucial, ou seja, as imagens individuais e coletivas que fortalecem esse imaginário, durante mais de um século.</p>
			<p>Um dos autores mais representativos acerca do imaginário é Walter Benjamin, que procura na literatura as imagens necessárias para reconstruir a cidade. No seu texto “Paris do Segundo Império”, encontra o <italic>flâneur</italic> na obra de Baudelaire, personagem que no seu percurso pela cidade é capaz de identificar as rápidas mudanças da época dentro das inovadoras galerias em Paris; nas inusitadas lâmpadas de gás; na multidão que era melhor apreciada de longe (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BENJAMIN, 1989</xref>). </p>
			<p>Para o presente trabalho, recorre-se a cidade de <italic>Ibarra</italic> a partir do passado, nos relatos históricos na procura dos personagens que revelaram os acontecimentos e imagens da época do desastre e da reconstrução. Os relatos históricos estão marcados pelas crenças, as personagens mais influentes, os valores e os registros que, para os autores, eram importantes manter e descrever. Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Pesavento (2002</xref>, p.8) “o discurso histórico é também uma espécie de ficção, quando levamos em conta a dimensão do imaginário, os critérios da escolha e seleção de montagem e desmontagem do enredo ou sua condição de ser uma representação do passado”. Procura-se identificar nesses relatos acerca do terremoto e reconstrução de <italic>Ibarra</italic>, as pistas para percorrer a cidade em procura das imagens, entre os vestígios arquitetônicos, nos elementos recriados e na representação das festas. </p>
			<p>Dentro dos elementos recriados do acontecimento, se encontram os monumentos, para Freire, esses:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] longe de se referirem a traçados urbanos abstratos, carregam-na de sentido simbólico; testemunham sistemas mentais da época em que foram criados e solicitam, não raro, uma relação não apenas perceptiva mas também fabuladora, que mistura os tempos presente e passado, as histórias individuais e as coletivas [...]. Os monumentos estão, muitas vezes presentes e oferecem à percepção, ou estão ausentes e rementem às elaborações de memória, através dos seus vestígios (<xref ref-type="bibr" rid="B3">FREIRE, 1997</xref>, p.55).</p>
			</disp-quote>
			<p>E nessa mistura de tempos, que no trabalho de campo ao caminhar pela cidade de <italic>Ibarra</italic>, procurou-se registrar não apenas esses monumentos visíveis que simbolizam a volta para cidade, mas também, ir à procura dos vestígios dessa <italic>Ibarra</italic> de escombros, verificar o que permaneceu, assim como o esquecido. Fez-se assim, uma espécie de montagem entre o deixado, os vestígios, e os monumentos criados posteriormente, que configuram a memória do “Retorno” a cidade.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>O TERREMOTO E A RECONSTRUÇÃO DA CIDADE DE <italic>IBARRA</italic>
</bold></title>
			<p>A cidade foi fundada como “<italic>Villa San Miguel de Ibarra</italic>” pela Coroa Espanhola, em 1606. Está localizada nos vales do povo Carange, onde ficavam terrenos que pertenciam a Ana Atabalipa, neta do último Inca Atahualpa. A fundação da vila teve como intuito criar um local de pousada para os que viajavam de Pasto à cidade de <italic>Quito</italic>, assim como um local de moradia para os colonizadores espanhóis e crioulos. </p>
			<p>Depois de mais de dois séculos de fundação, já na época Republicana, a cidade de <italic>Ibarra</italic> foi uma das cidades mais pujantes do país. Segundo relatos da visita de Wolf, em 1831, havia na cidade templos com diferentes estilos: gótico, barroco e renascentista. Esse fato evidenciaria a existência de gostos arquitetônicos de sabor europeu na cidade, isso sem mencionar o templo da Companhia de Jesus, um dos mais belos da América (<xref ref-type="bibr" rid="B10">VILLACÍS, 2006</xref>). Após a catástrofe, desses templos ficaram apenas os relatos e as fotografias; como pode-se ver na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, que retrata as ruinas da Companhia de Jesus.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>FIGURA 1</label>
					<caption>
						<title>Fotografia Ruinas da Igreja Companhia de Jesus, <italic>Ibarra</italic>, 1870. Foto tirada da fotografia antiga da Prefeitura de <italic>Ibarra</italic>.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O trágico acontecimento que devastou a cidade foi na madrugada de 16 de agosto de 1868, depois de um dia de festas em homenagem à Virgem do Trânsito, a população já tinha experimentado alguns sismos, mesmo assim continuou com o festejo. O terremoto foi de uma magnitude aproximada de 7,8 na escala Richter, a possível causa foi a atividade do Vulcão <italic>Cotacachi</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">ESPINOZA, 1992</xref>). </p>
			<disp-quote>
				<p>Nos inescrutáveis destinos da Província Divina tinha chego o instante de uma grande tribulação; o Anjo de dor estendeu suas asas, e <italic>Imababura</italic>, a apreciada esmeralda da coroa da Pátria, jacente entre escombros: à uma da madrugada desse dia de infausta lembrança, formidável comoção do solo derrubou quase todos os prédios de <italic>Ibarra</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">TOBAR, 1985</xref> p.144, grifos nossos, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>Havia um total de 16 mil habitantes na cidade dos quais, no terremoto, 6.300 morreram de imediato. Nos dias posteriores, faleceram em média 700 pessoas por dia esperando ajuda médica da capital. A estimativa é de que morreram em torno de 12 mil (<xref ref-type="bibr" rid="B10">VILLACÍS, 2006</xref>). No total, estima-se que em torno de 20 mil pessoas morreram por causa do terremoto; moradores não só de <italic>Ibarra</italic>, mas também das localidades vizinhas de <italic>Otavalo</italic>, <italic>Atuntaqui</italic>, <italic>Cotacahi</italic> e <italic>Ambuqui</italic> foram afetadas. A ajuda médica da capital chegou alguns dias mais tarde, impossibilitando salvar as vidas das pessoas carentes de auxílios e soterradas nos escombros:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] um dia voltaram para ver que a atmosfera tomava uma cor sinistra e experimentaram angústia em seus corações e se retiraram profundamente dentro de si mesmos e em silêncio ficaram esperando o que ia acontecer. Mas como gostaria que ninguém presumisse de profeta, o motivo do fim de suas sobrenaturais sensações estava oculto para todos. E em uma noite ganharam seus leitos como de costume: quando rompeu a aurora, as cidades eram sepulcros, cadáveres de seus donos, como impelidos por bocas de fogo, saíram disparados e se colocaram sobre os tetos (<xref ref-type="bibr" rid="B11">VILLEGAS, 1988</xref>, p.186, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. </p>
			</disp-quote>
			<p>Epidemias ocasionadas pelo amontoado de cadáveres soterrados iam, cada vez mais, deteriorando a situação. O representante do governo nomeado para administrar o estado caótico em que se encontrava aquela região, foi o ex-presidente Gabriel Garcia Moreno, designado como Chefe Civil e Militar da Província; personagem que aparece como icônico nos diferentes relatos, responsável por restabelecer a ordem nas áreas afetadas e pela reconstrução da cidade. No seu primeiro pronunciamento, Gabriel Garcia Moreno declara:</p>
			<disp-quote>
				<p>Confiando em Deus, sempre paternal e misericordioso, mesmo nos momentos em que com justiça nos castiga e ajuda a cumprir em vosso proveito os nobres desejos de nosso benefício o Governo Os malvados que tremam! Caso continuem cometendo crimes, serão exterminados (RIVADENENEIRA, 1945, p.38, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>Gabriel Garcia Moreno é a personagem marcante desse evento. É o benfeitor mão-de-ferro, que organiza a cidade desolada pela dor e pelos violentos acontecimentos. Dentro da história do Equador, o ex-presidente é conhecido como um dos mais influentes políticos conservadores e por sua ligação e devoção à Igreja Católica. </p>
			<p>Entre os moradores que sobreviveram, alguns se trasladaram a outras cidades do país. Os que decidiram ficar se instalaram num terreno denominado como “Santa Maria da Esperança”, com a esperança de algum dia reconstruir a cidade após os problemas das epidemias e dos escombros serem resolvidos. Um dos moradores define a sua estadia no local:</p>
			<disp-quote>
				<p>Três anos e mais nossos pais passaram as manhas e as tardes contemplando daqui o destroçado vale de Ibarra, onde foi sua florescente cidade. Ocultavam a vezes as suas ruinas, cortinas imensas de pó, ou brancas e densas nuvens: era um mar de lembranças de poderes atrativos, de onde suas mães chamavam a gritos os seus queridos filhos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">RIVADENEIRA, 1945</xref>, p.38, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>O processo de reconstrução da cidade começou no mesmo ano de 1868, com o enterro dos mortos e a retiradas dos escombros. No começo, o traçado das ruas da cidade teve como ícone uma palmeira que resistiu ao terremoto, localizada na atual <italic>Esquina del Coco</italic>. A construção de novos edifícios públicos e eclesiásticos demoraram mais de três anos. As obras de traçado e de reconstrução das ruas foram feitas com a colaboração dos proprietários. A partir do mês de abril de 1872 o Governador da época, Juan M. España, firma os decretos para que os escritórios da prefeitura, do poder judiciário e do exército militar, voltem para a cidade de <italic>Ibarra</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">TOBAR, 1985</xref>). Esse evento marca então o início do retorno dos habitantes para sua cidade reconstruída, o que foi comemorado através da festa de “<italic>El Retorno</italic>” que se celebra o 28 de abril de 1872, agora comemorada cada ano.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>A PROCURA DE “<italic>EL RETORNO</italic>” NA CIDADE ATUAL</bold></title>
			<p>A cidade atual de <italic>Ibarra</italic>, é considerada uma cidade média dentro do contexto nacional, abriga a mais de 144.994 habitantes (<xref ref-type="bibr" rid="B4">INSTITUTO NACIONAL DE ESTADÍSTICAS Y CENSOS, 2010</xref>), e um ponto de articulação da região norte do país. O perímetro urbano está localizado no vale <italic>Caranqui</italic>, a 2.200 metros acima do nível do mar, o relvo aumenta ao sul com vulcão <italic>Imbabura</italic> que tem uma altura de 4.630 metros acima do nível do mar, esse forma parte Cordilheira Andina.</p>
			<p>Nos primeiros traços da reconstrução de <italic>Ibarra</italic> na Época Republicana do Equador, se mantiveram alguns elementos antigos, como o traçado de tabuleiro de xadrez, mais desta vez ampliando a largura das vias, na medida que a cidade foi crescendo dita morfologia se modifica como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>. No mapa se encontram localizados os distintos pontos que foram visitados em busca das representações simbólicas entre os vestígios antigos e os mais atuais.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>FIGURA 2</label>
					<caption>
						<title>Mapa Localização. </title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Elaborada pela autora (2016). </attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O percurso da cidade começa na esquina que serviu como parâmetro para o traçado da atual cidade de <italic>Ibarra</italic>, <italic>La Esquina del Coco</italic>. Como foi descrito anteriormente, é a palmeira que resistiu ao terremoto que acabou sendo escolhida para ser o marco zero do novo traçado, que previa amplas ruas para a cidade. A <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> contém duas fotos do mesmo local. A foto antiga data de quatro décadas após a reconstrução da cidade, percebe-se a palmeira embutida no edifício pertencente ao então prédio do Colégio Teodoro Gomez. </p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>FIGURA 3</label>
					<caption>
						<title>Fotografias Esquina do Coco, 1910 (esquerda); e 2016 (direita). Fotografia tirada da foto antiga na Prefeitura da cidade (esquerda), fotografia tirada na Esquina do Coco (direita), em <italic>Ibarra</italic>. Ponto 1.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf3.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Na atualidade, existe uma pequena praça revitalizada denominada como Praça da Esquina do Coco, projeto que foi desenvolvido em 2006. Este pequeno espaço público é bastante utilizado por pessoas de todas as idades, é ponto referencial da cidade, onde se encontra tanto a palmeira como o monumento do Dr. Gabriel García Moreno (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>FIGURA 4</label>
					<caption>
						<title>Monumento e placa do Dr. Gabriel Garcia Moreno. Fotografia tirada na praça da Esquina do Coco, <italic>Ibarra</italic>. Ponto 1.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf4.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Este monumento de escala humana representa o principal personagem deste evento, o ex-presidente que com um compasso simula o traçado da cidade. No mapa se encontram representados o centro da cidade com as principais praças e avenidas mantendo o estilo tabuleiro de xadrez da cidade antiga, porém com ruas mais largas que marcam a malha atual da cidade.</p>
			<p>Outro importante símbolo de resistência ao terremoto de 1868 é a Igreja da Companhia de Jesus, de estilo barroco, como se verifica na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>; igreja que ficou bastante afetada. Foi possível recuperar apenas alguns elementos da fachada, como as colunas e o pórtico principal do templo. Parte da estrutura da igreja que resistiu ao terremoto foi destruída no ano de 1928 com dinamite (<xref ref-type="bibr" rid="B10">VILLACÍS, 2006</xref>).</p>
			<p>A moldura talhada em pedra de estilo barroco, que fazia parte do pórtico da igreja dos jesuítas, encontra-se atualmente na capela do Colégio <italic>El Oviedo,</italic> como mostra a fotografia à direita da <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>, localizado em uma rua por onde todos os dias passam centenas de estudantes. As colunas e as pedras que também compunham o pórtico, se encontram na entrada da capela do Colégio Diocesano Bilíngue, fotografia esquerda da <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>. Antigamente, com essas colunas, também estava a porta de madeira pertencente à igreja original. No entanto, com o passar do tempo a porta ficou deteriorada e foi retirada - o seu paradeiro atualmente é desconhecido. Observa-se também na fachada que as pedras para a construção foram retiradas dos prédios caídos durante o terremoto. </p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>FIGURA 5</label>
					<caption>
						<title>Fachada da Capela Colégio Bilíngue, Ibarra. Ponto 2 (esquerda) e Fachada da Capela Colégio Oviedo, <italic>Ibarra</italic>. Ponto 3 (direita).</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf5.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Todos os dias passam por estas ruas centenas de pedestres, pois os dois colégios localizam-se no centro da cidade. Lamentavelmente, não existe nenhum tipo de sinalização ou placa indicativa que descreva, para o público em geral, a presença desses elementos que outrora fizeram parte da cidade antiga.</p>
			<p>No processo de encontrar esses vestígios procurou-se também as ruínas da Companhia de Jesus, localizadas no interior do Colégio Bilíngue. Essa estrutura que algum dia foi uma significativa representação de um estilo barroco, agora está abandonada no fundo do pátio do colégio, atrás de uma construção recente, mas totalmente abandonada e deteriorada, também está adoçado ao Banco Pichincha (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>FIGURA 6</label>
					<caption>
						<title>Fotografia das ruínas da Igreja Companhia de Jesus, no atual Colégio Bilíngue, <italic>Ibarra</italic>. Ponto 2.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf6.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Enquanto os alunos brincam no pátio do colégio, esta ruína encontra-se esquecida e descaracterizada nos fundos. Relembra-se, assim, as palavras de Ruskin:</p>
			<disp-quote>
				<p>A maior glória de um edifício não está em suas pedras, ou em seu ouro. Sua gloria está em sua Idade, e naquela profunda sensação de ressonância de vigilância severa, de misteriosa de compaixão, até mesmo de aprovação ou condenação, que sentimos em paredes que há tempos são banhadas pelas ondas passageiras da humanidade (<xref ref-type="bibr" rid="B9">RUSKIN, 2008</xref>, p.68).</p>
			</disp-quote>
			<p>A glória histórica que esta ruína possui não conseguiu ser admirada, ou pelo menos reconhecida, porque foi apagada pelas construções vizinhas, cercada por prédios que não a deixam aparecer com as lembranças que veicula. Talvez sejam justamente estas as ondas passageiras da humanidade que escondem os vestígios originais do que aconteceu e enaltece os monumentos recriados.</p>
			<p>As casas que resistiram ao terremoto também compõem a seleção dos locais que são as lembranças materiais da cidade anterior. Essas casas localizam-se na rua <italic>El Alpargate</italic>. Algumas destas moradias ainda estão de pé e formam parte da morfologia urbana atual. Como se pode observar na <xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref>, a casa do fundo na curva com a varanda marrom é a moradia que menos sofreu com o terremoto.</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>FIGURA 7</label>
					<caption>
						<title>Fotografia da casa que ficou em pé após o Terremoto, no <italic>Alpargate</italic>, <italic>Ibarra</italic>. Ponto 4.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf7.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Seguindo pela rua a virar a esquina também existem duas pequenas casas com suas simples características que também conseguem ser lembranças do terremoto. Pelo fato dessas casas terem resistido à terrível força da natureza, esse pequeno canto da cidade ainda possui o traçado urbano do século XIX, perceptível pela estreita rua que ainda se faz presente.</p>
			<p>Dentre as representações plásticas sobre o terremoto está o quadro elaborado por um dos principais expoentes de pintura republicana do país: Rafael de Troya (1845-1920). O quadro sobre o terremoto data do ano de 1895 e faz parte da coleção do autor que se encontra no <italic>Centro Cultural El Cuartel de Ibarra</italic>, com exposição permanente <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>FIGURA 8</label>
					<caption>
						<title>Fotografias do quadro Terremoto de <italic>Ibarra</italic>, autor Rafael Troya (1895) no Centro Cultural <italic>El Quartel</italic> de <italic>Ibarra</italic>. Ponto 5.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf8.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>No dia da visita, se deparou com uma excursão de crianças, a fotografia mostra os estudantes aprendendo a História da cidade através da arte. Na mesma <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref> está a foto aproximada do dito quadro. A obra representa entre ruínas e escombros aos moradores socorrendo as pessoas soterradas, crianças levantadas dos escombros, expressões de dor pelos falecidos.</p>
			<p>Existem também aqueles elemen­tos plásticos mais recentes acerca do retorno à cidade, como se observa no mural localizado na fachada da Prefeitura de <italic>Ibarra</italic>, na frente da praça principal como mostra <xref ref-type="fig" rid="f9">Figura 9</xref>. O mural foi elaborado por diferentes artistas. Podem ser reconhecidos pela assinatura: Suarez e Lumuico. </p>
			<p>
				<fig id="f9">
					<label>FIGURA 9</label>
					<caption>
						<title>Fotografia do Mural sobre o Terremoto (2006) na Prefeitura de <italic>Ibarra</italic>. Ponto 6.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2318-0919-oculum-16-03-467-gf9.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Acervo pessoal da autora (2016).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>No mural são representados vá­­rios símbolos da cidade como o vul­cão de <italic>Imbabura</italic>, algumas das principais edificações de <italic>Ibarra</italic> e a comunidade andando com os seus pertences, sem rostos que os iden­tifiquem; enquanto se vê Gabriel Garcia Moreno representado no alto, como representante da re­construção da cidade. Chama atenção também que as representações ar­quitetônicas no mural são da cidade nova, não foram representados os prédios antigos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>AS FESTAS DO RETORNO</title>
			<p>Na cidade de <italic>Ibarra</italic> existem duas datas festivas por ano que podem ser consideradas as mais representativas. A primeira é a Fundação de <italic>Ibarra</italic>, comemorada no dia 28 de setembro. A segunda é a deno­minada <italic>Fiesta del Retorno</italic> comemorada no dia 28 de abril. </p>
			<p>Entre os diferentes decretos que existem do Governador Juan M. España, existe um que marca a data de 22 de abril de 1872 como o restabelecimento da cidade, designando-a como data festiva a ser comemorada pelos servidores públicos do exército, do poder judicial e da fazenda. São previstas também no ato as cerimonias religiosas, como as missas e a iluminação das igrejas da cidade (<xref ref-type="bibr" rid="B8">TOBAR, 1985</xref>) para elaboração de comemoração. No dia 28 de abril de 1872 se celebrou a benção da cidade na Igreja de <italic>La Merced</italic>, com uma festa marcada por uma peregrinação em direção ao parque central da cidade.</p>
			<p>Na atualidade, as festas são marcadas pelo desfile cívico que parte da Av. <italic>El Retorno</italic> - continuação da estrada que vem desde os pés do Vulcão <italic>Imbabura</italic> -, que passa pelo centro da cidade, até chegar à Prefeitura de <italic>Ibarra</italic>, mostrando assim, o percurso de volta à cidade dos antigos refugiados do terremoto de 1868. As principais características do desfile são a parada militar, as bandas de guerra e as <italic>bastoneras</italic> e os <italic>abanderados</italic> dos colégios e escolas, símbolos que representam a disciplina e a ordem presentes na educação. Além do desfile, outros eventos culturais, esportivos e religiosos tomam conta da cidade.</p>
			<p>Esta comemoração que ocorre a mais de um século e é de responsabilidade da Prefeitura de <italic>Ibarra</italic> tem caráter institucional, o que a princípio foi levado como uma obrigação apenas para os servidores públicos e forças armadas, contudo, agora também é dos estudantes de ensino básico e médio. Os participantes do evento percorrem o caminho que os antigos morados recorreram para voltar à sua cidade. Na atualidade, foram implementados novos eventos culturais e também esportivos, mas as características religiosas também se mantiveram, em específico da Igreja Católica, com as missas realizadas nas principais igrejas do centro da cidade como a Igreja de <italic>La Merced</italic> e a Catedral.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>Verificou-se que “O Retorno” faz parte do imaginário da cidade de <italic>Ibarra</italic> através da sua história escrita, dos diversos vestígios, monumentos presentes na cidade. A celebração anual reservada ao evento histórico completa esse conjunto de imagens ainda muito presentes na memória, coletiva e individual, dos habitantes de <italic>Ibarra</italic>. </p>
			<p>Através do campo elaborado, percebe-se que determinadas imagens são mais valorizadas do que outras. Os vestígios arquitetônicos e as ruínas que deixaram este terrível evento, têm pouca relevância. Como o caso das ruínas da Igreja Companhia de Jesus ou seus portais relocados nos colégios católicas da cidade, não contém nenhuma informação acerca do seu significado histórico permanecendo oculto. O contraste pode ser constatado com os monumentos elaborados pós-retorno em locais específicos, que oferecem placas informativas sobre o seu significado para a população da cidade, os murais enaltecendo o personagem marcante e caravana das pessoas.</p>
			<p>A festa do retorno mantém algumas das celebrações culturais valorizadas na antiga cidade. É o caso das missas religiosas e do destaque da disciplina e do espírito coletivo presente no desfile cívico, onde crianças e jovens marcham em fileiras para tocar em bandas de guerra. Também se adaptando a atualidades fazendo <italic>shows</italic> culturais na cidade e eventos esportivos.</p>
			<p>O estudo de campo foi uma grande oportunidade para aprofundar a análise acerca do imaginário da cidade, caminhar de novo pelas ruas de <italic>Ibarra</italic>, desta vez com o objetivo de buscar o que fico da cidade antiga encontrando taipa, pedras, e algumas das casas, torno evidente a necessidade de um projeto que além de reforçar este imaginário com esculturas ou murais atuais, também valoriza o que ficou da cidade antiga. </p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>AGRADECIMENTOS</title>
			<p>À Profa. Valeria Cristina Pereira da Silva pela lição, motivação e inspiração dentro das aulas da disciplina “O Imaginário da Cidade”, que repercutiram no presente trabalho.</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BENJAMIN, W. Paris do segundo Império: a boêmia; Flâuner; a modernidade. São Paulo: Brasiliense, 1989.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BENJAMIN</surname>
							<given-names>W</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Paris do segundo Império: a boêmia; Flâuner; a modernidade</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Brasiliense</publisher-name>
					<year>1989</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>CALVINO, I. As cidades invisíveis. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p.116.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CALVINO</surname>
							<given-names>I</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>As cidades invisíveis.</source>
					<edition>2</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>1990</year>
					<fpage>116</fpage>
					<lpage>116</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>FREIRE, C. Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo. São Paulo: SESC, 1997. p.23-155.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>FREIRE</surname>
							<given-names>C</given-names>
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					<source>Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>SESC</publisher-name>
					<year>1997</year>
					<fpage>23</fpage>
					<lpage>155</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>INSTITUTO NACIONAL DE ESTADÍSTICAS Y CENSOS. Censo Nacional del Ecuador. Quito: SNI, 2010. Disponible en: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://sni.gob.ec/proyecciones-y-estudios-demograficos">http://sni.gob.ec/proyecciones-y-estudios-demograficos</ext-link>&gt;. Acceso en: 20 sept. 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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						<collab>INSTITUTO NACIONAL DE ESTADÍSTICAS Y CENSOS</collab>
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					<source>Censo Nacional del Ecuador</source>
					<publisher-loc>Quito</publisher-loc>
					<publisher-name>SNI</publisher-name>
					<year>2010</year>
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			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>ESPINOZA, J. Terremotos tsunamigenicos en el Ecuador. Acta Oceanográfica del Pacífico, v.7, n.1, p.21-28,1992. Disponible en: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.inocar.mil.ec/web/phocadownloadpap/ actasocea">https://www.inocar.mil.ec/web/phocadownloadpap/ actasocea</ext-link>nograficas/acta7/OCE701_3.pdf&gt;. Acceso en: 20 sept. 2017.</mixed-citation>
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					<article-title>Terremotos tsunamigenicos en el Ecuador</article-title>
					<source>Acta Oceanográfica del Pacífico</source>
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					<year>1992</year>
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				</element-citation>
			</ref>
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				<mixed-citation>PESAVENTO, S. Visões literárias do urbano: Paris, Rio de Janeiro: o imaginário da cidade. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2002. p.8.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>PESAVENTO</surname>
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					<source>Visões literárias do urbano: Paris, Rio de Janeiro: o imaginário da cidade</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora UFRGS</publisher-name>
					<year>2002</year>
					<fpage>8</fpage>
					<lpage>8</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>RIVADENEIRA, C. Breves apuntes históricos sobre el terremoto de Ibarra del 16 de agosto de 1868. In: Gaceta Municipal. Ibarra: Archivo Histórico-Ibarra, 1945. p.33-46.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>RIVADENEIRA</surname>
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					<chapter-title>Breves apuntes históricos sobre el terremoto de Ibarra del 16 de agosto de 1868</chapter-title>
					<source>Gaceta Municipal</source>
					<publisher-loc>Ibarra</publisher-loc>
					<publisher-name>Archivo Histórico-Ibarra</publisher-name>
					<year>1945</year>
					<fpage>33</fpage>
					<lpage>46</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>TOBAR, C. El Terremoto de Ibarra: restauración de la ciudad. In: Centro de Ediciones Culturales Imbabura. Monografía de Ibarra. Ibarra: Centro de Ediciones Culturales Imbabura, 1985. v.2, p.144-180.</mixed-citation>
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					<chapter-title>El Terremoto de Ibarra: restauración de la ciudad</chapter-title>
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						<collab>Centro de Ediciones Culturales Imbabura</collab>
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					<source>Monografía de Ibarra</source>
					<publisher-loc>Ibarra</publisher-loc>
					<publisher-name>Centro de Ediciones Culturales Imbabura</publisher-name>
					<year>1985</year>
					<volume>2</volume>
					<fpage>144</fpage>
					<lpage>180</lpage>
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				<mixed-citation>RUSKIN, J. A lâmpada da memória. Cotia: Ateliê Editorial, 2008. p.68.</mixed-citation>
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						</name>
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					<source>A lâmpada da memória</source>
					<publisher-loc>Cotia</publisher-loc>
					<publisher-name>Ateliê Editorial</publisher-name>
					<year>2008</year>
					<fpage>68</fpage>
					<lpage>68</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>VILLACÍS, F. El terremoto de Ibarra 1868 y el Retorno de sus habitantes 1872. 6. ed. Ibarra: Grafin, 2006.</mixed-citation>
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							<surname>VILLACÍS</surname>
							<given-names>F</given-names>
						</name>
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					<source>El terremoto de Ibarra 1868 y el Retorno de sus habitantes 1872</source>
					<edition>6</edition>
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					<publisher-name>Grafin</publisher-name>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>VILLEGAS, R. Terremoto de Ibarra: reconstrucción de la ciudad. In: Centro de Ediciones Culturales Imbabura. Historia de la Provincia de Imbabura. Ibarra: Centro de Ediciones Culturales Imbabura, 1988. p.185-220.</mixed-citation>
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						<name>
							<surname>VILLEGAS</surname>
							<given-names>R</given-names>
						</name>
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					<chapter-title>Terremoto de Ibarra: reconstrucción de la ciudad</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>Centro de Ediciones Culturales Imbabura</collab>
					</person-group>
					<source>Historia de la Provincia de Imbabura</source>
					<publisher-loc>Ibarra</publisher-loc>
					<publisher-name>Centro de Ediciones Culturales Imbabura</publisher-name>
					<year>1988</year>
					<fpage>185</fpage>
					<lpage>220</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<title>NOTAS </title>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>. Artigo elaborado a partir do trabalho final de disciplina “O Imaginário da Cidade”. Universidade Federal de Goiás, 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>. No original: “<italic>En los inescrutables destinos de la Provincia Divina había llegado el instante de una gran tribulación; el Ángel de dolor extendió sus alas, e Imbabura la hermosa esmeralda de la corana de la Patria, cubierta entre escombros: la una de la madrugada de ese día de infausto recuerdo, indomable conmoción de suelo derrumbo casi todos los predios de Ibarra</italic>”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>. No original: “<italic>Un día volverán para ver la atmosfera tomada por el color siniestro y probaran angustia en sus corazones y profundamente se retirarán dentro de sí y en silencio quedaran esperando lo que iba a pasar. Pero como me gustaría que nadie pretendiese de profeta, el motivo del fin de sus sobrenaturales sensaciones estaba oculto para todos. Y en una noche ganaron sus lechos como de costumbre: cuando rompió la aurora, las ciudades eran sepulcros, cadáveres de sus dueños, como empilados por bocas de fuego, salieron disparados y se colocaron en los techos</italic>”. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>. No original: “<italic>Confiando en Dios, siempre paternal y misericordioso, aunque en los momentos en que con justicia nos castiga y ayuda a cumplir en vuestro provecho los nobles deseos de nuestro benefactor Gobierno ¡Los malvados que tiemblen! En el caso que continúen cometiendo crímenes serán exterminados</italic>”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>. No original: “<italic>Tres años y más nuestros padres pasaron las mañanas y la tardes contemplando desde aquí el destrozado valle de Ibarra, donde estuvo su floreciente ciudad. A veces ocultaban sus ruinas, cortinas inmensas de polvo, o blancas y densas nubes: era un mar de recuerdos atrevidos de cuando sus madres los llamaban a gritos a sus queridos hijos</italic>”. </p>
			</fn>
		</fn-group>
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