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ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL NOS ESPAÇOS PÚBLICOS: OS CASOS DA PRAÇA VICTOR CIVITA E DO PARQUE LINEAR CANTINHO DO CÉU EM SÃO PAULO (BRASIL)1
ACTIVE AND HEALTHY AGING IN PUBLIC SPACES: THE CASES OF VICTOR CIVITA SQUARE AND CANTINHO DO CÉU LINEAR PARK IN SÃO PAULO (BRAZIL)
ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL NOS ESPAÇOS PÚBLICOS: OS CASOS DA PRAÇA VICTOR CIVITA E DO PARQUE LINEAR CANTINHO DO CÉU EM SÃO PAULO (BRASIL)1
Oculum Ensaios, vol. 16, núm. 3, pp. 543-561, 2019
Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo
Recepção: 11 Maio 2018
Aprovação: 12 Outubro 2018
Financiamento
Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Número do contrato: 1575873
Descrição completa: Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior no Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (Processo nº1575873). A coautora é bolsista produtividade CNPq nível 2.
RESUMO: O artigo discute a inserção do idoso na perspectiva do envelhecimento ativo e saudável nos espaços públicos da cidade contemporânea. Apresenta a avaliação do uso dos espaços públicos por pessoas com 60 anos ou mais em duas áreas públicas que foram objeto de intervenção urbanística recente na cidade de São Paulo: Praça Victor Civita, região oeste, com predominância de população de média e alta rendas; e Parque Linear Cantinho do Céu, região sul, com predominância de população de renda baixa. A metodologia de avaliação envolve a aplicação de um questionário fechado para o universo de 35 pessoas acima de 60 anos, em cada área, que aborda os seguintes aspectos: (1) Acessibilidade Física; (2) Estrutura para Permanência; (3) Atividades; (4) Interação Social; (5) Espaço e Bem-estar. Os resultados apontam que os espaços públicos analisados produzem uma percepção pessoal positiva perante o envelhecimento dentre os entrevistados, com ênfase nos aspectos de: saúde, independência e autonomia. Contudo, alguns aspectos negativos, como poucas atividades planejadas para pessoas com 60 anos ou mais e baixa manutenção destas localidades, indicam a necessidade de maior atenção de políticas públicas voltadas para o envelhecimento da população.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento ativo, Envelhecimento saudável, Espaços-públicos, Idosos, Urbanismo.
ABSTRACT: The aim of the article is to discuss the inclusion of the elderly from an active and healthy aging perspective in the public spaces of a contemporary city. It assesses the use of public spaces by people the age of 60 years or more in two public areas that had recently been revitalized in the city of São Paulo (Brazil): Praça Victor Civita, in the western region with a predominance of middle- and high-income population; and Cantinho do Céu Linear Park, in the southern region, with a predominance of low-income population. The assessment methodology consisted of the application of a closed questionnaire to 35 people the age of 60 years ore more in each area, which addresses the following aspects: (1) Physical accessibility, (2) Structure for permanence, (3) Activities, (4) Social Interaction, (5) Space and Well-being. The results showed that the analyzed public spaces produce a positive personal perception regarding aging among the interviewees, with an emphasis on health, independence and autonomy. However, some negative aspects, such as few planned activities for people the age of 60 years ore more in each area and low maintenance of these sites, indicate the need for greater attention to public policies focused on the aging population.
KEYWORDS: Active aging, Healthy aging, Public spaces, Elderly, Urbanism.
INTRODUÇÃO
Este artigo discute a inserção do idoso na perspectiva do envelhecimento ativo e saudável nos espaços públicos da cidade contemporânea. Fruto de pesquisa acadêmica, o artigo apresenta a avaliação, por pessoas de 60 anos ou mais, do uso dos espaços públicos de duas áreas públicas que foram objeto de intervenção urbanística recente na cidade de São Paulo: a Praça Victor Civita e o Parque Linear Cantinho do Céu.
O envelhecimento populacional é um fenômeno que vem ocorrendo em todo o mundo de maneira gradual, principalmente nos países desenvolvidos e, durante os últimos anos, bastante acelerada nos países em desenvolvimento, entre eles, o Brasil.
Os números absolutos da população idosa são bastante alarmantes, correspondendo, no mundo, no ano de 2014, a aproximadamente 901 milhões de pessoas, 12,0% da população total (UNITED NATIONS, 2015). No Brasil, em 2015 a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2016) apontou um aumento de 16,0% do número de pessoas de 60 anos ou mais de idade em relação a 2012: 29,6 milhões de pessoas, representando 14,3% da população total brasileira, estavam nesta faixa etária. Uma projeção de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prevê que em 2050, o Brasil terá 66,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2013). No Município de São Paulo, entre os anos 2000 e 2010, houve um acréscimo no percentual de idosos. O número saltou de 9,32% para 11,89%. Em 2014, chegou a 12,0%, ou seja, 1.350.710 de pessoas com 60 anos ou mais (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014) e segundo a projeção da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, em 2015 foi atingida a marca de 1,4 milhão de idosos.
Segundo a World Health Organization (2002) ser “idoso” corresponde a uma classificação cronológica etária daquele que possui 60 anos em diante, nos países em desenvolvimento, e 65 anos ou mais nos países desenvolvidos. Contudo, a idade cronológica está associada a uma divisão formal e simbólica e que não leva em consideração os aspectos biológicos. Cada ser humano apresenta variações distintas relacionadas ao seu estado físico, ao seu estado de saúde e a sua participação na sociedade. Alguns autores defendem outras terminologias que classificam distintas faixas etárias das fases da vida, como por exemplo, jovens idosos, aqueles entre 65-75 anos; idosos-idosos, os acima de 75 anos e idosos mais idosos, aqueles acima de 85 anos (DEBERT, 2004).
Netto (2007) aponta que o envelhecimento é evidenciado por um processo dinâmico e progressivo ao longo de toda a vida, que não apresenta um demarcador específico, em que as funções do corpo humano tendem a diminuir. Além disso, os fatores extrínsecos, como estilo de vida, a cultura, os fatores psicossociais e ambientais também influenciam no processo de envelhecimento.
A Organização Mundial da Saúde, desde a década de 1990, vem desenvolvendo políticas públicas que visam a qualidade da saúde das pessoas mais velhas e da sociedade em geral. Defende que as principais doenças que afetam este segmento da população (doenças crônicas) podem ser solucionadas mediante mudança de estilo de vida e de comportamento social (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2016). Em 2005 lançou o Programa “Cidade Amiga do Idoso” (Age-friendly Cities), um guia global voltado à difusão de ambientes urbanos acessíveis e receptíveis à população idosa, respeitando as diferentes capacidades e necessidades individuais.
No âmbito das políticas desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde, destacam-se os conceitos de Envelhecimento Ativo e de Envelhecimento Saudável. O Envelhecimento Ativo, conceito difundido pela Organização Mundial da Saúde inicialmente no final da década de 1990, é o “processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas” (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2005, p.13). Já o Envelhecimento Saudável, difundido a partir de 2015 e, de forma complementar, é o “[...] processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite o bem-estar em idade avançada” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2015, p.13). Relaciona-se com a capacidade intrínseca, ou seja, os fatores físicos e mentais pertencentes ao indivíduo; e o ambiente físico, que é o local em que as interações interpessoais e vivências pessoais ocorrem. A relação entre a capacidade intrínseca e o ambiente físico caracteriza-se pela capacidade funcional do sujeito, definida pelo conceito.
No âmbito desta importante discussão, emerge a importância dos espaços públicos em interface com a promoção de um melhor envelhecimento. Paquot (2009) afirma que os espaços públicos, frequentados por diferentes grupos sociais e de distintas faixas etárias, proporcionam a troca, a circulação de bens de consumo, de informação e de comunicação e criam dinâmicas de convívio social nas cidades. Desta forma, os espaços públicos podem ser considerados instrumentos fundamentais que colaboram para a mudança positiva do estilo de vida das pessoas, incluindo a dos idosos.
Quanto melhores forem as condições dos espaços públicos, melhor serão os benefícios para as pessoas e para seu envelhecimento. Os ambientes urbanos, principalmente os espaços públicos das cidades, deveriam estimular e favorecer o envelhecimento ativo e saudável (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2005; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2015) gerando condições de participação, segurança e saúde, além de também serem inclusivos e acessíveis às diferentes necessidades e condições pessoais.
Resumidamente, a existência de espaços públicos qualificados permite o exercício de importantes habilidades como a autonomia e a independência que o idoso tanto necessita para manter sua vida com qualidade por mais tempo. Por isso, tornam-se reflexos inclusive de como o envelhecimento é encarado pelo contexto atual político e pela sociedade civil.
Neste artigo busca-se contribuir com a discussão sobre o tema, apresentando a avaliação do uso de dois importantes espaços públicos implantados recentemente na cidade de São Paulo a partir da visão de usuários que possuem 60 anos ou mais. Verifica-se se os mesmos vêm contribuindo ao envelhecimento ativo e saudável destes usuários, e principalmente se estes espaços públicos vêm contribuindo para a construção de uma cidade justa e equitativa em relação às pessoas desta faixa etária.
Os espaços públicos escolhidos, decorrentes de projetos elaborados na última década e considerados importantes referências na cidade de São Paulo, inserem-se em regiões com características e público alvo distintos. São eles: (1) a Praça Victor Civita; (2) o Parque Linear Cantinho do Céu.
A Praça Victor Civita, projetada pelas arquitetas Anna Julia Dietzsch e Adriana Blay Levisky entre 2006 e 2008, localiza-se no distrito de Pinheiros, região sudoeste da cidade com predominância de população de média e alta rendas e sólida infraestrutura urbana. O projeto deste importante espaço público foi concebido com o propósito de recuperar uma área contaminada por um antigo depósito de lixo; em sua concepção, foram estipulados equipamentos e áreas especificas para os idosos.
O Parque Linear do Cantinho do Céu, projeto de autoria do escritório do arquiteto Marcos Boldarini, desenvolvido entre 2008 e 2012 (em seu trecho avaliado), é parte de uma importante intervenção urbana em espaços públicos da periferia. Embora, na concepção do projeto não houve a intenção de propor equipamentos específicos para os idosos, os equipamentos públicos e mobiliários urbanos implementados vêm estimulando a convivência e a dinâmica social de diversas faixas etárias, com destaque para pessoas com 60 anos ou mais.
Ambos os casos se inserem no contexto de instituição de importantes marcos legais no Brasil e em São Paulo, voltados às políticas públicas urbanas e a esta faixa etária da população2; seus princípios não só buscaram a conservação e a preservação ambiental, mas tiveram como propósito a implantação de espaços públicos de referência para a população local.
METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS: CASOS DE ESTUDO
A metodologia de pesquisa para avaliação do uso dos espaços públicos pelos idosos envolveu a aplicação de um questionário fechado para pessoas com 60 anos ou mais. Foi utilizado como referência o critério estatístico da Teoria do Limite Central que defende que se uma amostra se constituir numericamente maior ou igual a 30, independente da forma da população, a amostra já se mostra como satisfatória (MONTGOMERY & RUNGER, 2012). Nas duas áreas de estudo foram entrevistadas 35 pessoas com 60 anos ou mais, escolhidas aleatoriamente sem distinção de gênero.
O questionário3 foi dividido em duas partes: (1) perfil dos entrevistados e estilo de vida; (2) questões relacionadas ao uso do espaço público considerando cinco categorias de análise identificadas como fundamentais para avaliar a qualidade do espaço público para populações da referida faixa etária, descritas a seguir: (1) Acessibilidade Física; (2) Estrutura para permanência; (3) Atividades; (4) Interação Social; (5) Espaços e Bem-estar.
As categorias foram concebidas levando em consideração os conceitos, as abrangências e alguns critérios específicos do Envelhecimento Ativo/Active Ageing da World Health Organization (2002) e Organização Pan-americana da Saúde (2005), do Envelhecimento Saudável (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2015) e do Programa Cidade Amiga do Idoso (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2008). O Quadro 1 resume os principais aspectos extraídos de cada abordagem, definindo a sequência lógica da construção do questionário.
Em seguida, foram estabelecidos 24 itens distribuídos entre as cinco categorias em função de sua correspondência. A medida em que os entrevistados concordassem ou discordassem dos itens questionados estabeleceu-se uma escala numérica baseada na Escala de Likert (VIEIRA, 2009), que corresponde ao somatório de scores atribuídos aos itens analisados.
Para a análise dessas categorias foi utilizado como base o pentágono do “Desafio das Cidades” (MARTINS, 2013), referência portuguesa de avaliação urbano-sustentável de um território na cidade, que utiliza um modelo de gráfico radial. Este modelo de gráfico foi utilizado pela fácil compreensão para quem lê o trabalho ou para quem deseja aplicá-lo, seja numa pequena ou grande instituição ou informalmente (Figura 1).

O Quadro 2 sintetiza cada uma das cinco categorias de análise, suas principais características e contribuições.

A apuração dos resultados ocorreu por meio da somatória de pontos que cada item recebeu dos 35 participantes, totalizados posteriormente. A escala numérica de pontuação variou de 0 a 5 pontos, portanto, cada item poderia somar no máximo 175 pontos. Deste modo, foram desenvolvidos gráficos com os resultados de cada categoria no modelo radial pentagonal para cada caso de estudo, que refletem o grau de satisfação dos entrevistados para cada categoria analisada.
CARACTERÍSTICAS DOS CASOS ESTUDADOS
Os casos estudados caracterizam-se principalmente por suas particularidades. Os espaços públicos estão localizados em realidades socioeconômicas distintas e antagônicas: o Distrito de Pinheiros em uma área consolidada e o Distrito do Grajaú em uma área precária da cidade de São Paulo. As diferenças abrangem desde a qualidade e a oferta de infraestruturas variadas, rendimento da população residente e porcentagem de população idosa residente, bem como a idade média das pessoas vivem nestes distritos. A quantidade de idosos em cada distrito não representou um impedimento ou uma dificuldade, ainda que ambos os distritos possuam quantidade significativa de idosos. No distrito de Pinheiros, em relação a sua população total, a porcentagem de idosos é bastante expressiva, correspondendo a 21% de idosos, ou seja, 13.875 pessoas com 60 anos ou mais. No distrito do Grajaú, embora 6% de sua população seja de idosos, o distrito é o oitavo da capital paulista mais populoso em idosos, correspondendo a 22.636 idosos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014).
A Praça Victor Civita localiza-se em uma área que, entre 1949 e 1989, funcionou o incinerador de Pinheiros, que queimava lixo domiciliar, mas que por alguns anos chegou a receber lixo hospitalar, contribuindo assim, para a contaminação de seu solo. Após seu fechamento, o local abrigou três cooperativas de reciclagem de lixo que funcionaram até o ínicio das obras da praça.
A intervenção urbanística no local ocorreu após a Editora Abril se instalar no terreno vizinho alavancando a iniciativa de transformar a área, homenageando também seu fundador, Victor Civita. A iniciativa foi objeto de uma parceria público-privada entre a editora, a Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e a Subprefeitura de Pinheiros. Neste âmbito foi contratato o escritório de arquitetura Levisky Associados para realizar os primeiros estudos para o local e, consecutivamente o projeto do novo espaço público.
O projeto tinha como diretriz evidenciar “a importância do questionamento sobre a degradação com a implementação de soluções sustentáveis sob a ótica socioeconômica, ambiental, cultural e urbana” (CASTELLAN; PAIVA; BRESSANIN, 2011, p.8). Além disso, em seu programa haviam características próprias de uma praça, permitindo a reunião e o encontro de pessoas em um local concebido para realização de shows e apresentações; o prédio do antigo incinerador recebeu o Museu Aberto da Sustentabilidade e foram instalados o Núcleo de Informação e Estudos Ambientais e o Centro de Informação e Preparação para o Envelhecimento, que já funcionava no local e ali se manteve a pedido da Editora Abril. A praça conta ainda com equipamentos de ginástica e uma horta circular. A característica mais marcante desse espaço público são os decks de madeira certificada elevados do solo (em decorrência da contaminação do solo) e sustentados por material metálico reciclado que em continuidade criam planos horizontais e de cobertura curva. O distanciamento obrigatório das pessoas com o terreno permitiu, ao mesmo tempo, criar uma ferramenta de conscientização a respeito dos problemas ambientais e sua importância.
O Parque Linear Cantinho do Céu localiza-se no Distrito do Grajaú, a 30km do centro de São Paulo, às margens da Represa Billings, em área de proteção dos mananciais. Insere-se no complexo de loteamentos irregulares denominado Cantinho do Céu, formado pelos loteamentos Jardim Gaivotas, Cantinho do Céu e Residencial dos Lagos. O Cantinho do Céu surgiu na década de 1970. Os loteamentos da região são considerados irregulares, pois, desde a origem, estão em desconformidade com as legislações vigentes4, principalmente aquelas voltadas para a proteção aos mananciais de água para abastecimento público (ALVIM, 2011).
A partir de 2007 com a inclusão da área no Programa Mananciais foram previstos melhoramentos viários, implantação de infraestrutura de saneamento e um parque linear. No ano seguinte o escritório Boldarini Arquitetura e Urbanismo realizou o projeto executivo que visava “suprir o conjunto de déficits de infraestrutura, qualificar e integrar o assentamento à cidade, conjugando as diversas disciplinas envolvidas, as questões fundiárias e de pós-ocupação, bem como a forma de organização de sua população” (BOLDARINI, 2012, p.26).
Alvim (2011) enfatiza que a intervenção urbanística no Cantinho do Céu é considerada importante referência de projeto urbano-ambiental no Brasil. Além de reconhecer a ocupação existente e a necessidade de implementação de melhorias urbanas, como infraestrutura e equipamentos públicos para a população carente, definiu um sistema de espaços público como elemento central para a recuperação urbano e ambiental da região.
Os percursos do parque foram todos projetados de maneira acessível e sinuosos pois respeitaram a preexistência das árvores e plantas existentes. O trecho possui decks de madeira - sendo um deles flutuante -, pista de skate, quadras poliesportivas, equipamentos de ginástica para a terceira idade, mesas de concreto para jogos, estrutura para tela de cinema e arquibancada, espaço para crianças com brinquedos em madeira.
O local foi oficialmente transformado em parque linear em 2012, passando a ser administrado consequentemente pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Até 2017, apenas o primeiro trecho de 2,1km do Residencial dos Lagos havia sido executado.
A seguir, sintetizam-se os principais resultados obtidos com a metodologia de avaliação desenvolvida para análise da visão dos idosos sobre os espaços públicos nas áreas escolhidas.
RESULTADOS
SÍNTESE DO PERFIL DOS USUÁRIOS
O universo total de entrevistados foi de 70 pessoas (35 em cada área), todas com 60 anos ou mais. Enquanto na Praça Victor Civita, 60% dos entrevistados eram homens e 40% eram mulheres, no Parque Linear, 80% dos pesquisados eram mulheres e 20% eram homens. Em ambos os casos, a maioria dos entrevistados tinham entre 60 e 65 anos: 40% na Praça Victor Civita e 80% no Cantinho do Céu; porém, na Praça Victor Civita, foram identificadas pessoas nas diversas faixas etárias, inclusive acima de 85 anos, enquanto que no Parque Linear Cantinho do Céu a idade máxima encontrada foi de 75 anos.
Em relação ao grau de instrução, 94% dos entrevistados da Praça declararam-se alfabetizados; já no Parque, os alfabetizados corresponderam a 89%. Um importante fator revelado foi a desigualdade salarial entre os entrevistados nos dois espaços públicos pesquisados. Enquanto na Praça 46% dos entrevistados declararam receber mais de cinco salários mínimos; no Parque, 94% disseram receber menos de três salários mínimos.
A pesquisa identificou também a origem dos entrevistados e o modo de transporte por qual estes acessaram o espaço público: na Praça Victor Civita, 46% vinham de bairros distantes, 40% moravam no próprio bairro e 14% moravam em bairros vizinhos; em relação aos modos de transporte, 37% dos entrevistados se deslocaram a pé; 31% de carro e 23% por transporte público (sendo 17% de ônibus e 6% de metrô). No Parque Linear Cantinho do Céu, 60% dos entrevistados eram do próprio bairro, seguido por 37% dos que viviam em bairros vizinhos. Destes, 94% declararam que iam a pé ao parque; 3% de carro e 3% de outra maneira.
O modo como as pessoas se deslocam coincide também com a oferta de infraestrutura de transportes em que os espaços públicos estão inseridos. A Praça Victor Civita está em uma região consolidada, com uma ampla rede de transportes interligados. Já o Parque Linear Cantinho do Céu localiza-se em uma região de difícil acesso e infraestrutura de transportes restrita. Estas constatações podem ser visualizadas nas Figuras 2 e 3.
A frequência com que os entrevistados usufruem dos espaços públicos pesquisados é um dado importante que revela a atratividade do local. Na Praça, 68% dos entrevistados disseram frequentá-la apenas uma vez por semana, seguido por 24% dos que disseram frequentar mais de quatro vezes por semana. Por outro lado, no Parque, 40% disseram frequentar mais de quatro vezes por semana, seguido pelos que visitam uma vez (20%), duas vezes (20%) e três vezes por semana (20%).
Destaca-se que 80% dos entrevistados do Parque declararam que usam o espaço para atividades opcionais como o lazer, a prática de atividades físicas ou mesmo apreciar o dia tomando sol. Já na Praça, essas atividades correspondem a razão de 63% dos entrevistados. Segundo Gehl (2013) essas atividades podem indicar um potencial a um ambiente físico de alta qualidade, que estimula a utilização das pessoas.
Complementarmente, 11% dos entrevistados declararam que frequentam o Cantinho do Céu para encontrar conhecidos; já na Praça Victor Civita, 17% dos entrevistados usam a área porque esta encontra-se no caminho de suas atividades diárias.
Por fim, 91% dos entrevistados do Parque Cantinho do Céu vão ao local acompanhados; enquanto na Praça 57% vão sozinhos. Ao que parece, estes dados reforçam as respostas anteriores: no Parque Linear Cantinho do Céu as pessoas entrevistadas frequentam o lugar principalmente para o convívio social, já na Praça Victor Civita este aspecto não foi identificado como essencial.
SÍNTESE DAS CATEGORIAS DE ANÁLISE
A segunda fase centrou-se na avaliação das cinco categorias de análise que visam identificar o quanto o espaço público vem contribuindo para o envelhecimento ativo e saudável na visão dos entrevistados. São elas:
Categoria 1 - Acessibilidade Física: cinco perguntas foram feitas aos sujeitos da pesquisa, visando perceber o quão satisfatório ou não é o acesso ao local e como é feita a circulação interna neste espaço público. A média de pontuação dessa primeira categoria foi de 126,20 pontos para a Praça Victor Civita e 124,8 pontos para o Parque Linear Cantinho do Céu. Entre as cinco categorias avaliadas a Acessibilidade Física foi a melhor avaliada pelos usuários da Praça Victor Civita, sendo a pergunta com maior pontuação, que recebeu 139 pontos dos 175 pontos máximos, foi com relação ao conforto das larguras dos caminhos internos da praça. A circulação interna da Praça permite que ela seja feita de maneira confortável e espaçosa. As piores avaliações feitas foram com relação aos obstáculos existentes internamente na praça, que obteve 109 pontos, e externamente nas calçadas, com 119 pontos. Como essa pergunta era uma questão avaliativa e classificatória através de uma pontuação estabelecida, não foi possível identificar especificadamente quais seriam esses obstáculos. Porém, no diálogo com os entrevistados durante a avaliação e pela observação no local, foi possível apreender que as maiores dificuldades se encontram em tábuas de madeira que estão desencaixadas e em desnível (Figura 4), bem como se apresentam bastante escorregadias e acumulando água em dias de chuva. Tudo isso representa um grande risco de quedas e acidentes graves aos idosos. Outra questão comentada e observada são os portões de acesso à praça. Os únicos portões abertos são os que se localizam em frente à praça de paralelepípedo, dificultando a locomoção das pessoas. Já para o Parque Linear esta categoria apresentou no geral condições satisfatórias, sendo a segunda categoria melhor avaliada. As piores avaliações foram feitas com relação as condições das calçadas de acesso e a presença de alguns obstáculos no local (Figura 5).
Categoria 2 - Estrutura para Permanência: esta foi a pior categoria avaliada tanto pelos usuários da Praça Victor Civita (99 pontos) quanto pelos usuários do Cantinho do Céu (106 pontos). Na Praça, o pior quesito avaliado foi o da iluminação (54 pontos) seguido pela manutenção do espaço público (65 pontos). Atualmente, a manutenção da Praça pertence integralmente à subprefeitura de Pinheiros, soma-se o fato de que a manutenção dessa praça é de elevado custo, o que dificulta os cuidados e a zeladoria, acarretando assim uma manutenção escassa e falha. Foram muitas as reclamações dos usuários sobre a queda nos serviços de manutenção desde a saída das empresas parceiras: faltam materiais de higiene nos sanitários, que frequentemente exalam forte odor, há peças quebradas e os bebedouros fornecem água quente. Para as outras questões foram encontradas respostas parcialmente satisfatórias, sendo o melhor aspecto com relação as áreas verdes (133 pontos).
No Parque, foram classificados como insatisfatórios principalmente os aspectos relacionados à manutenção (51 pontos dos 175 pontos totais permitidos), seguido pela iluminação (80 pontos), e áreas verdes (99 pontos). A existência de áreas com bancos recebeu a melhor avaliação (131 pontos).
Categoria 3 - Atividades: quatro perguntas visaram o entendimento referente às atividades programadas existentes naquele local, bem como se os espaços promoviam condições e incentivos para as pessoas os utilizarem. Diferentemente da motivação (o porquê frequenta o espaço público) esta categoria teve por objetivo, independente da pessoa fazer parte ou não dos grupos de atividades programadas regulares, perceber se o espaço público induzia ou promovia o uso entre intergeracionalidades e diferentes interesses.
Essa foi a pior categoria avaliada pelos entrevistados na Praça, recebendo 96,75 pontos. Os entrevistados declararam que as atividades programadas têm pouca divulgação e muitas ocorrem sem o apoio da prefeitura e dos antigos patrocinadores5. Ainda assim, aqueles que já participavam das atividades e demais frequentadores declararam-se incentivados a frequentar o local. No Parque o resultado foi de 119,30 pontos. Apesar de demonstrar condições satisfatórias ficou evidente a baixa oportunidade de atividades para a população mais envelhecida, em função da baixa classificação sobre as atividades que atendem aos interesses desses. Porém, o local se mostrou aberto para a utilização por pessoas com diferentes interesses.
Categoria 4 - Interação Social: o Parque obteve 144 pontos, destacando-se como a categoria melhor avaliada entre as pesquisadas; já na Praça o resultado somou 114 pontos. É interessante notar que a maioria dos entrevistados da Praça declararam que frequentam o local sozinhas e que não buscam fazer novas amizades. Já no Parque, as respostas evidenciaram a potencialidade do local para a troca de relações, convivência e pertencimento ao lugar. O contato e a relação entre as pessoas no parque são bastante acentuados, pois, as pessoas ali buscam novas relações pessoais e convívio com amigos.
Categoria 5 - Espaço e Bem-estar: a percepção pessoal dos idosos pesquisados após utilizar e frequentar ambos os espaços públicos dos casos de estudo, resultou em respostas bastante positivas e inspiradoras. A Praça obteve sua segunda melhor avaliação com 125 pontos totais, enquanto o Parque alcançou 123 pontos. Em ambos foram obtidas altas pontuações em relação à melhora na autonomia, 135 pontos na praça e 136 pontos no parque; independência, 134 pontos na praça e 139 pontos no parque; saúde, 137 pontos em ambos os casos e maior disposição das pessoas após frequentarem os locais com 124 pontos na praça e 134 pontos no parque. É necessário por outro lado, investir em segurança, combatendo principalmente o tráfico de drogas muito presente, por exemplo, no parque linear. Na praça, a segurança torna-se estremecida em consequência da falta de manutenção, pois as pessoas associam o abandono a um lugar que não transmite segurança.
A Figura 6 evidencia a situação pretendida e a situação real conforme a avaliação dos sujeitos da pesquisa em ambos os casos de estudo.
O gráfico radial da Praça Victor Civita apresenta uma configuração equilibrada, sendo evidente a forma pentagonal, sem nenhuma deformação grave, porém com pontuações não tão altas quanto o desejado. Nota-se que as categorias de Acessibilidade Física e Espaço e Bem-estar são aquelas que melhor se apresentaram durante a avaliação dos idosos. A categoria de Atividades, seguida da categoria de Estrutura para Permanência, receberam as piores avaliações, resultados que provavelmente associam-se ao fato que a maioria dos entrevistados frequentam o local apenas uma vez por semana.
O gráfico do Parque Linear Cantinho do Céu conquistou a melhor avaliação entre os dois estudos por parte de seus usuários idosos, resultando em um pentágono mais regular e sem deformações graves, além de pontuações mais altas e próximas das desejadas. Porém podem ser percebidos os pontos mais críticos como na categoria de “Estrutura para Permanência” e “Atividades”. Destacam-se com excelentes resultados as categorias de “Interação Social”, “Acessibilidade Física” e “Espaço e Bem-estar”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo abordou a temática dos espaços públicos com o olhar voltado para os idosos. O envelhecimento humano é decorrente de um processo, ao longo da vida, que passa por diversas mudanças influenciadas por fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo, como mudanças quantitativas (perda de visão, mobilidade, dentre outras), mudanças qualitativas (organização de atividades, adaptações ambientais, uso de órtese) incluindo as mudanças psíquicas, sociais e econômicas. Ao contextualizar os indivíduos que passam pelo envelhecimento e chegam à velhice em um ambiente urbano, foi observado que este ambiente possui aspectos limitadores que influenciam a vida do idoso, sendo assim, de grande importância, repensar e avaliar a qualidade desses espaços públicos.
Para as organizações internacionais como Organização das Nações Unidas e Organização Mundial da Saúde é fundamental a integração entre políticas públicas e sociedade, ademais, defendem que a sociedade e os gestores públicos devem assumir a realidade do envelhecimento populacional como um grande avanço e não como um problema.
Os dois casos de estudo, a Praça Victor Civita e o Parque Linear Cantinho do Céu, são decorrentes de políticas públicas aliadas a dois bons projetos arquitetônicos e urbanísticos, indicando a concretização de diferentes tipos de recuperação ambiental (o primeiro caso, uma área contaminada em razão de um antigo lixão e no segundo caso, a ocupação de uma área ambientalmente protegida às margens de uma represa) e a recuperação social de uma comunidade em área degradada, como no Cantinho do Céu, que valoriza e evidencia uma comunidade antes deixada à precariedade.
Contudo, no caso da Praça, após a saída das entidades patrocinadoras advindas da parceria público-privada, há sujeição à ação do tempo e à ausência de administração pública que tenha condições de perpetuar as atividades que podem ocorrer ali. No caso do Parque, as intervenções foram interrompidas e mais da metade da área que deveria receber o parque linear aguarda a continuidade das obras, gerando descontentamento da população e, principalmente, o sentimento de esquecimento.
Apesar da condição inicial deste estudo, a pesquisa de campo conseguiu traduzir alguns aspectos importantes para o tema. Foi evidenciado que apesar das fragilidades políticas, os espaços públicos vêm cumprindo com suas funções básicas de reunião, troca de relações e livre circulação de pessoas sem distinção.
Também foram observadas a desigualdade social e as condições às quais os idosos na cidade de São Paulo estão suscetíveis. Se por um lado, aqueles que vivem e frequentam as áreas consolidadas, próximas a Praça Victor Civita, têm maiores disponibilidades de equipamentos urbanos e infraestruturas, possuem maior renda e vivem por mais tempo, por outro, as pessoas que vivem no contexto de áreas de assentamentos precários apresentam menores oportunidades de equipamentos públicos e infraestruturas, além de possuírem uma renda muito baixa e expectativa de vida menor.
Durante a pesquisa foram abordadas as pessoas que possuíam 60 anos ou mais, dividindo-as posteriormente em subgrupos etários. Interessante notar que em ambos os casos, o maior público entrevistado foi aquele entre 60 e 65 anos, que fora do país, ainda nem estariam classificados como idosos. Embora em um percentual baixo, na Praça, foram abordadas pessoas acima dessa faixa etária, chegando inclusive a pessoas com mais de 85 anos. No Parque, porém, uma porcentagem extremamente baixa apontou pessoas com no máximo 75 anos. Evidenciou-se aqui, além da desigualdade etária entre as diferentes localidades, o questionamento perante o uso, ou melhor, o não uso dos espaços públicos pelos idosos com idades mais avançadas.
Nas cinco categorias avaliadas, pôde-se observar aspectos comuns às duas realidades distintas dos espaços públicos pesquisados, que surgiram independente das condições socioeconômicas e culturais. Primeiramente a questão da acessibilidade, apesar de o espaço, seja a praça, seja o parque, estarem de acordo e permitirem a circulação das pessoas sem dificuldades, o entorno pode comprometer a frequência e a utilização dos espaços públicos. A infraestrutura existente ao redor dos espaços públicos influencia e pode definir as características do como e do porquê as pessoas utilizam ou não os espaços públicos. A Praça assumiu um caráter “cosmopolita”, global, apresentando usuários heterogêneos, em decorrência de sua localização com oferta de mobilidade urbana privilegiada, facilitando o seu acesso. Já o Parque assumiu um caráter local de bairro, com um perfil de usuários homogêneo, que preza inclusive pelas relações sociais de proximidade. Assim, a praça adquire um perfil de seus usuários diferente ao do parque, fazendo com que a caracterização e diferenciação tipológica entre praça e parque não prevaleça.
A gestão dos espaços públicos deve ser aliada às atividades e aos usuários que assumem uma força perante as reivindicações. Como consequência, a frequência desses usuários interfere na manutenção e gestão desses espaços públicos. Observou-se que as atividades que aos poucos se enfraquecem, contribuem para a degradação e deterioração dos ambientes físicos. Esse problema é encontrado em ambos os espaços públicos, e como consequência reduzem a sua utilização, prejudicando as pessoas e negando um direito próprio do indivíduo. Fica claro que o problema que ambos os espaços públicos enfrentam são de falta de manutenção e gestão, aspectos que se relacionam com as atividades e a homogeneidade/heterogeneidade da população que lá frequentam.
Ainda assim, os casos de estudo revelaram-se importantes contribuições na melhoria da percepção da saúde, na independência e na autonomia dos idosos que frequentam os espaços públicos, mostrando inclusive o estímulo de assim o fazerem. Através dessa pesquisa não houve condições para constatar esses fatos, entretanto, foi possível identificar a opinião dos idosos que participaram da pesquisa e mostrar a influência que os espaços públicos exercem em suas vidas.
Também ficou evidente a baixa oportunidade de atividades regulares para os idosos que frequentam o Parque, em contraposição aos que frequentam a Praça, ainda que nesta as atividades tenham sido diminuídas ou não estejam recebendo o merecido destaque. Além disso, foi identificada a vocação e uma maior aproximação nas relações sociais no Cantinho do Céu do que na Praça Victor Civita, que ocorrem independentemente da conformação dos espaços, pois foi verificado que tanto a praça quanto o parque permitem os encontros e as relações de convívio social e amizade.
Sem pretender esgotar o tema, a pesquisa que dá origem a este artigo teve como propósito estimular reflexões acerca de futuras políticas públicas urbanas que incorporem o idoso como agente participativo da sociedade. Arquitetos, urbanistas e profissionais de áreas afins devem projetar espaços públicos de qualidade e inclusivos à diversidade dos usuários e suas respectivas faixas etárias, de modo que estes contribuam para a reconfiguração física e social da cidade. A implementação de políticas públicas contínuas e inclusivas, parte de um processo permanente de planejamento dos espaços públicos da cidade contemporânea, deve ter como propósito contribuir para que toda população, independentemente de sua faixa etária, envelheça de forma ativa, saudável e, principalmente, digna.
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NOTAS
Autor notes
Correspondência para/Correspondence to: A.T.B. ALVIM. | E-mail: <angelica.alvim@mackenzie.br>.