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MONUMENTAL E DOMÉSTICO: UMA LEITURA DO SETOR CENTRAL DE GOIÂNIA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA1
MONUMENTAL AND DOMESTIC: A PERUSAL OF GOIÂNIA’S NEIGHBOURHOOD OF SETOR CENTRAL THROUGH PHOTOGRAPHY
MONUMENTAL E DOMÉSTICO: UMA LEITURA DO SETOR CENTRAL DE GOIÂNIA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA1
Oculum Ensaios, vol. 16, núm. 3, pp. 623-640, 2019
Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo
Recepção: 19 Março 2018
Revised document received: 10 Junho 2018
Aprovação: 25 Junho 2018
RESUMO: Esse artigo objetiva analisar algumas fotografias históricas da cidade de Goiânia, que demonstram o contraste entre a almejada escala monumental, sublinhada em seu plano original, e a configuração doméstica decorrente da implantação dos edifícios. A partir do uso da imagem fotográfica como instrumento metodológico de análise historiográfica, serão levantados alguns aspectos morfológicos, paisagísticos e históricos, que se referem à dicotomia entre a escala monumental e doméstica, presente em seu núcleo inicial. Busca-se também, compreender como as fotografias utilizadas para divulgar a imagem da cidade, nos primeiros anos de sua existência, representam essa relação. As imagens escolhidas foram pensadas tendo por temas: a formação, a construção e a consolidação do espaço urbano e o início da transformação do Setor Central. Foram selecionadas sete figuras, que perpassam registros da Praça Cívica e das principais avenidas que compõem o traçado urbano de Goiânia, enfocando as primeiras edificações e espaços urbanos da capital. O referencial teórico utilizado para a leitura das imagens abarca as reflexões desenvolvidas por Ana Maria Mauad, Lígia Maria Tavares da Silva e Letícia Castilhos Coelho, acerca das interfaces entre fotografia, história e memória urbana.
PALAVRAS-CHAVE: Arquitetura, Fotografia, História, Imagem, Memória.
ABSTRACT: This article aims at analyzing historical photographs of Goiânia, Brazil, to demonstrate the contrast between the desired monumental scale, underlined in its original plan, and the domestic configuration resulting from the implementation of the buildings. From the use of photographic image as a methodological instrument of historiographical analysis, some morphological, landscape, and historical aspects are going to be evaluated here, referring to the dichotomy between the monumental and domestic scales present in its initial nucleus. This work also seeks to understand how the photographs used to disseminate the image of the city, in the first years of its existence, represent this relationship. The chosen images were selected based on the following themes: formation, construction and consolidation of the urban space, and the beginning of the transformation of Setor Central. Seven images were selected, ranging from records of Praça Cívica and the main avenues that make up the urban plan of Goiânia, focusing on the first buildings and urban spaces of the capital. The theoretical reference used to analyze the images includes the reflections developed by Ana Maria Mauad, Lígia Maria Tavares da Silva, and Letícia Castilhos Coelho on the interfaces between photography, history, and urban memory.
KEYWORDS: Architecture, Photography, History, Image, Memory.
INTRODUÇÃO
Planejada pelo arquiteto e urbanista Attílio Corrêa Lima entre 1933 e 1935, Goiânia teve seu projeto inspirado na escola francesa de urbanismo do início do século XX. O Setor Central, partido de seu projeto urbano, tinha a Praça Cívica como centro fundacional e irradiador do crescimento da cidade, elemento simbólico e ao mesmo tempo estrutural de seu desenho urbano. Em sua proposta, buscava monumentalidade, e afirmava “Guardando as devidas proporções, o efeito monumental procurado é o princípio clássico adotado em ‘Versailles’, ‘Corlsruho’ (Karlsruhe) e ‘Washington’” (LIMA, 1942, p.48). Tirando proveito da topografia da cidade, o arquiteto privilegia as grandes perspectivas: o traçado das três principais avenidas (Araguaia, Goiás e Tocantins) converge até o centro administrativo, que poderia ser observado de todos os pontos da cidade. Ao estudar a concepção do partido urbano da cidade, fica clara a intenção de poder vislumbrá-la de um extremo ao outro.
Em relação as vias públicas, praças e espaços livres, Corrêa Lima propõe um desenho urbano de “referência barroca” com “critérios modernos”, em prol de atingir um caráter artístico e ao mesmo tempo monumental, segundo Metran (1996). A cidade projetada teria espaços livres distribuídos em parques, parkways, jardins, playgrounds, estacionamentos arborizados, praças ajardinadas, áreas para esportes e vias públicas. Essas áreas, conforme a autora, totalizariam 375 hectares dentro de uma área projetada de 1082 hectares. As praças e cruzamentos deveriam funcionar em circulação giratória, todas as ruas deveriam ser arborizadas para uma melhor climatização da cidade e as principais avenidas deveriam dispor de jardins, “enfatizando o caráter artístico e monumental, já evidenciado por sua largura superior às outras vias” (METRAN, 1996, p.45).
O caráter paisagístico monumental de centro urbano, presente em seu desenho, pode ser percebido, portanto, em outros pontos de atração urbana além da Praça Cívica e a Avenida Goiás, como: a Praça do Bandeirante, localizada no cruzamento da Avenida Goiás com a Avenida Anhanguera; o largo da Estação Ferroviária (atual Praça do Trabalhador) situada no final da Avenida Goiás, contrapondo-se à Praça Cívica no seu polo oposto, e a Avenida Paranaíba, projetada como um boulevard em forma de um grande arco ligando as três principais avenidas da cidade, evidenciada na Figura 1.

Apesar do caráter monumental do traçado urbano e projeto paisagístico, os edifícios públicos e outras edificações, construídas nas primeiras décadas, não possuíam o mesmo caráter. Conforme observa Frota e Caixeta (2012), o ritmo e a volumetria das primeiras edificações erigidas em Goiânia, entremeados por uma significativa massa de vegetação nas avenidas, ruas, praças e parques, configuram uma “escala doméstica” para os espaços urbanos da cidade, mais próxima à tradição das Cidades-Jardins, expressa pela Figura 2. Essa escala, revela-se na configuração do tecido urbano, uma vez que Goiânia foi pensada e construída para um gabarito de altura que não passasse de três pavimentos, incluindo os edifícios institucionais, o que “não contribui para que se estabeleça uma hierarquia formal entre os espaços urbanos tidos como representativos e o tecido urbano da cidade” (FROTA & CAIXETA, 2012, p.8).
![Praça do Bandeirante. Perspectiva da Avenida Goiás nos primeiros anos da década 1950, com a praça Cívica ao fundo. A fotografia revela a escala doméstica do conjunto, em que pese tratar-se do eixo principal da composição urbana. Ano: [195-]. Foto: Autor desconhecido.](../2318-0919-oculum-16-03-623-gf2.jpg)
Entende-se por escala doméstica, aquela que está relacionada à pequena escala do caminhar, do indivíduo e da casa como célula mínima do tecido urbano. Aquela que historicamente relaciona-se com a cidade tradicional, composta basicamente por residências unifamiliares diretamente ligadas à rua, segundo Martí Aris (2000), em contraposição à escala monumental da cidade industrial oitocentista, que incorpora novos sistemas de transportes, edifícios de habitação coletiva e já apresenta o embrião de “um sistema viário autônomo, como operação prévia à instalação dos edifícios” (MARTÍ ARÍS, 2000, p.14). O conceito de Cidade Jardim, por sua vez presente na concepção de Goiânia, retoma a escala da cidade tradicional, de baixa densidade e uma relação equilibrada entre os espaços edificado e livre2.
Outras questões que comprometem a monumentalidade desses espaços (avenidas, ruas e praças) na realidade atual do Setor Central, segundo Frota e Caixeta (2012), é a falta de concretização de pontos focais claramente delineados e que finalizem adequadamente as perspectivas criadas:
A Avenida Goiás, o principal eixo articulador na busca de uma cenografia, tem por base uma perspectiva ampla, com dois pontos focais contrapostos, a Praça Cívica e o largo da Estação Ferroviária. No entanto, a escala acanhada de suas edificações e a extensão da avenida, são incompatíveis no sentido de alcançar a monumentalidade sugerida nos planos apresentados. Nas demais avenidas, a Araguaia e a Tocantins, as perspectivas criadas carecem de pontos focais claramente delineados, pois encontram a Avenida Paranaíba, sem nenhum tipo de artifício formal que monumentalize sua terminação. A Avenida Paranaíba apresenta-se, neste caso, como limite que não favorece a perspectiva. Trata-se de um importante elemento organizador do espaço urbano, que não apresenta pontos focais que finalizem a contento as perspectivas criadas, não contribuindo para gerar a monumentalidade pretendida. Pode-se afirmar que, de um modo geral, as perspectivas originadas pelas principais avenidas do plano são generosas, seus pontos focais, no entanto, são pouco ou nada expressivos. Mesmo na Praça Cívica, os edifícios não possuem uma escala apropriada no sentido de estabelecer dimensões adequadas para ‘monumentalizar’ o espaço da praça (FROTA & CAIXETA, 2012, p.7).
No presente artigo procura-se aprofundar essa análise, buscando explorar esses e outros aspectos, contidos em algumas imagens fotográficas do Setor Central de Goiânia.
FOTOGRAFIA ENQUANTO RECURSO METODOLÓGICO E SUBSÍDIO À PESQUISA
O estudo da paisagem da cidade através do uso da fotografia, enquanto recurso metodológico, vem sendo amplamente debatido, uma vez que a natureza plástica e subjetiva da linguagem fotográfica permite que ela tenha uma vasta utilização no campo das ciências humanas, tornando-se essencial em uma abordagem interdisciplinar (SILVA, 1996).
Isto posto, compreende-se que a fotografia, para ser analisada e utilizada enquanto instrumento metodológico, precisa de um contexto para a sua interpretação. Silva (1996) destaca que esse contexto possui diversas naturezas (histórica, geográfica, sociológica, política, antropológica e estética) que denotam a riqueza do texto fotográfico na apreensão transdisciplinar de uma determinada realidade. Segundo Coelho (2009, p.11), é por meio do uso de fotografias de diferentes períodos, que se pode realizar um percurso no tempo, em busca dos traços que revelem as dinâmicas de “(trans)formação” da paisagem.
Silva (1996) aponta também para a fotografia, que possui uma “constituição interna”, devendo ser resgatada no sentido de subsidiar a pesquisa, seja enquanto elemento isolado de seu contexto, fragmento de uma realidade, ou enquanto fenômeno fotográfico. Acerca dessa contextualização, Mauad (1996) destaca que a fotografia pode se configurar como uma “textualidade” de uma determinada época, juntamente com outros tipos de textos de caráter verbal e não-verbal. Essa concepção implica uma noção de intertextualidade para que se possa compreender amplamente as maneiras de ser e agir de um determinado contexto histórico:
[...] à medida que os textos históricos não são autônomos, necessitam de outros para sua interpretação. Da mesma forma, a fotografia - para ser utilizada como fonte histórica, ultrapassando seu mero aspecto ilustrativo -, deve compor uma série extensa e homogênea no sentido de dar conta das semelhanças e diferenças próprias ao conjunto de imagens que se escolheu analisar (MAUAD, 1996, p.10).
Deste modo, ao trabalhar com imagens históricas, depara-se com as variáveis técnicas e estéticas do contexto em que foram produzidas e com as diferentes visões de mundo em torno das relações sociais envolvidas. Assim, segundo Coelho (2009), as fotografias são suportes que abrigam as marcas do passado. No momento de sua produção, segundo Mauad (1996, p.10), eles foram memória presente e ao “entrar em contato com este presente/passado os investimos de sentido, um sentido diverso daquele dado pelos contemporâneos da imagem, mas próprio à problemática ser estudada”. Nesse sentido, Coelho (2009, p.14) ressalta que: “Aquele que analisa imagens do passado precisa desenvolver habilidades para, a partir do problema proposto e da construção do objeto de estudo, fazer a imagem falar [...]”. Desse modo, para ler uma imagem, deve-se ter em mente objetivos, principalmente sobre o que se busca ver/ler.
No presente artigo o que se busca ver/ler são os contrastes da configuração do espaço urbano das primeiras décadas de construção da cidade de Goiânia. Mais especificamente no primeiro bairro da cidade, o Setor Central, onde surge o partido urbano e paisagístico que almeja a escala monumental, porém é onde a configuração do espaço construído desenvolve-se com características de uma escala doméstica. Nesse caso, utilizar-se-à a fotografia como fragmento de uma realidade e não como fenômeno fotográfico, buscando identificar as intertextualidades com textos históricos e historiográficos acerca do objeto de estudo.
INTERPRETANDO IMAGENS FOTOGRÁFICAS: SETOR CENTRAL DE GOIÂNIA
O procedimento metodológico aqui apresentado propõe a leitura de imagens como forma de compreensão da paisagem das primeiras décadas da formação da cidade de Goiânia. Essa leitura, realizada da perspectiva do pesquisador-intérprete, acontece por meio de um processo de observação, descrição e análise das imagens fotográficas. Nesse caso, serão utilizadas imagens provenientes do acervo da biblioteca digital do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do acervo do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS/GO). A escolha desses acervos como fonte ocorreu por tratar-se de instituições que disponibilizam ao público a maior variedade e quantidade de imagens da formação e construção da cidade de Goiânia.
Foram selecionadas cinco fotografias do acervo MIS/GO, situadas entre as décadas de 1930 e 1940, com o objetivo de analisar a formação espacial da cidade. As fotografias foram escolhidas tendo por tema os primeiros registros da Praça Cívica e as primeiras edificações existentes nas principais avenidas que compõe o traçado urbano de Goiânia; elementos considerados como parte essencial no âmago de sua formação e de identidade. Das cinco fotografias selecionadas, quatro foram disponibilizadas em um agrupamento, formando a Figura 3, e serão analisadas a seguir.

A Figura 3 apresenta quatro fotografias, feitas em perspectiva, das três principais avenidas que compunham o projeto do arquiteto e urbanista Attílio Corrêa Lima, datadas entre 1935 e 1945. Por se tratarem dos primeiros registros da construção da cidade, fica claro a intenção dos fotógrafos em captar o máximo de edifícios em perspectiva. Inicialmente, nessas quatro fotografias, pode-se perceber a horizontalidade da paisagem, ainda em construção, que destaca a amplitude das avenidas em contraposição à escala dos edifícios.
Na Foto 3A o registro foi feito do alto do Palácio do Governo, o que possibilitou um ângulo em que se destaca o desenho e a configuração das três avenidas: Avenida Goiás, ao centro, Avenida Araguaia, a direita, e Avenida Tocantins, a esquerda. Fica evidente também, nessa imagem, o amplo canteiro central da Avenida Goiás - posteriormente composto por uma grande alameda de árvores -, e que diferencia seu desenho das outras duas avenidas. Nesta mesma fotografia fica explícito o que foi apontado anteriormente: a horizontalidade da paisagem e a proporção entre a altura dos edifícios em relação à largura das avenidas, de modo a representar a demarcação do início da construção da cidade.
A Foto 3B, registro de 1945, enfoca o projeto urbano e paisagístico dado à Avenida Goiás. Nessa imagem, sacada 10 anos após a primeira, destaca-se a predominância do verde nos espaços públicos representativos da cidade e a presença de monumentos simbólicos de uma modernidade que tem hora e tempo, como o Relógio localizado nas imediações da Praça Cívica e criado a partir da estética déco, que na época traduz-se como “moderno”. Já na Foto 3C, que mostra a Avenida Tocantins em 1935, pode-se vislumbrar, ao fundo, alguns dos edifícios institucionais localizados na Praça Cívica, que revelam o foco da implantação da cidade, voltado para seu núcleo e depois para as vias. As fotografias 3C e 3D, apesar de registrarem, em sua composição formal, perspectivas e ângulos diferentes, possuem um mesmo “foco temático”, onde as primeiras casas construídas, nesta região da cidade, ficam em primeiro plano. Essas casas também tinham a conotação de modernidade. Elas “patenteavam” um novo modo de morar em relação à antiga capital, modo esse representado pela racionalização dos espaços e dos materiais construtivos - e sua relação com os então “novos espaços urbanos” -, bem como pelos recursos estéticos, ecléticos e déco, em geral utilizados por uma burguesia ascendente, no caso composta por profissionais liberais e funcionários técnicos/administrativos do, naquele momento, Estado Novo, que vieram ajudar a construir a cidade. Percebe-se também, em ambas imagens, a relação entre as dimensões exíguas dos edifícios administrativos, ao fundo, em relação estas residências, a poucos metros de distância.
Para as análises seguintes foram selecionadas sete imagens das quais seis fotografias são do acervo digital do IBGE e uma do acervo MIS/GO. Entretanto, as imagens disponibilizadas pelo IBGE não possuem informação autoral ou cronológica. Por este motivo, as imagens desse acervo serão balizadas por informações históricas do processo evolutivo da cidade, no que diz respeito ao início da verticalização do Setor Central, o desenvolvimento de sua vegetação e o surgimento de alguns edifícios representativos. Buscou-se, na escolha das imagens, visões em diferentes escalas da configuração espacial de Goiânia, do ponto de vista do pesquisador-intérprete. Deste modo, quatro dessas fotografias são de perspectivas aéreas, enquanto as outras três imagens são registros realizados ao nível do pedestre.
Em algumas das fotografias foram apontados elementos de referência, uma vez que a perspectiva do ponto do registro fotográfico se alterna (norte-sul ou sul-norte). Essas imagens foram escolhidas de modo a complementar as análises da Figura 3, uma vez que mostram um panorama macro da relação entre os edifícios e o traçado urbano e paisagístico do Setor Central, incluindo os principais elementos expostos previamente.
As duas primeiras imagens apresentadas a seguir são perspectivas aéreas, Fotos 4A e 4B, que retratam a Avenida Goiás, a Avenida Anhanguera e a Avenida Paranaíba em primeiro plano, com a Praça do Trabalhador e a Praça Cívica em segundo plano3, juntamente com os edifícios que compõem essa paisagem:
Em ambas fotografias pode-se observar alguns elementos morfológicos que caracterizam as imagens como sendo de um mesmo período cronológico, destacados de modo esquemático pela Figura 4. O gabarito das edificações, a quantidade (densidade) das mesmas e a vegetação são alguns destes elementos. Destaca-se também que a qualidade visual de ambas imagens é diferente, a Foto 4B apresenta uma qualidade inferior a Foto 4A no que diz respeito a seu foco e nitidez, o que interfere na análise das imagens.
![4A) Vista aérea da cidade: Avenida Goiás: Goiânia, GO, Brasil. Ano: [19--]. Foto: Autor Desconhecido. 4B) Vista aérea da cidade Avenida Goiás. Goiânia, GO, Brasil. Ano: [19--]. Foto: Sílvio Berto.](../2318-0919-oculum-16-03-623-gf4.jpg)
Sabe-se que o Estádio Pedro Ludovico Teixeira foi inaugurado no ano de 1941, portanto, a fotografia 4A foi registrada antes deste ano. Dito isso, há também um fator que aponta que a diferença temporal entre as duas imagens não é tão distante, uma vez que o edifício destacado em roxo aparece em construção nas duas imagens. Por estes motivos acredita-se que as imagens são registros da mesma década. Ademais, a fotografia 4B foi registrada e assinada por Sílvio Berto, fotógrafo pioneiro da capital, que produziu diversas vistas urbanas da cidade de 1936 a 1973 (SILVA, 2012). Portanto, pode-se concluir que a fotografia 4B foi realizada após 1936.
Tendo isso em vista, ao analisar a arborização urbana em ambas as imagens, percebe-se que ela ainda não está inteiramente desenvolvida. Na perspectiva de análise das imagens, observa-se também que o gabarito dos edifícios visíveis nas fotografias não apresenta mais do que quatro pavimentos. Outro fato importante é a existência de edifícios ainda em construção e de diversos terrenos não ocupados ao longo da Avenida Goiás, o que leva a crer que essas fotos foram sacadas nos primeiros anos de construção da cidade. Levando em consideração a data de construção do Estádio Pedro Ludovico e a restrição do período da fotografia assinada por Sílvio Berto, conclui-se que as imagens são provavelmente do final da década de 1930 ou do início da década de 1940.
Em relação aos aspectos morfológicos e a configuração espacial, em ambas imagens, fica destacada a largura da Avenida Goiás em relação ao gabarito dos edifícios localizados em sua imediação. Os edifícios, no entorno imediato da Praça do Bandeirante também apresentam baixo gabarito, ressaltando o monumento e a praça que o abriga. Pode-se observar também as características do conjunto de residências unifamiliares construídas na época, em lotes com edícula ao fundo, jardim frontal e muros baixos, fato que confere uma escala doméstica à região que ocupam. Por outro lado, comparando a largura das principais avenidas, com canteiro central e arborização mais volumosa, com as ruas adjacentes onde localizam-se as residências unifamiliares e edifícios de no máximo dois pavimentos, verifica-se um contraste de escalas entre diferentes regiões do bairro que reforça a ideia de uma relação de “coexistência”, mas que de “confronto”, entre a monumentalidade4 e a domesticidade apontadas anteriormente.
As fotografias a seguir, 5A e 5B, agrupadas pela Figura 5 também são fotografias aéreas, onde a Foto 5A retrata a Avenida Goiás em primeiro plano, a Praça do Bandeirante no centro da imagem e o Estádio Olímpico - que fica nas confluências da Avenida Paranaíba -, ao fundo. Já a foto 5B retrata em primeiro plano o cruzamento de Avenida Goiás com a Paranaíba, com a Praça do Bandeirante ao meio e a Praça Cívica, ao fundo. Vale ressaltar que, na época da foto, a Avenida Paranaíba fazia a divisa entre o Setor Central e o Norte Ferroviário, que compreendia a zona industrial e operária da cidade e uma zona destinada ao comércio pesado. O atual Setor Central é composto por esses dois setores, que compõem o núcleo inicial da cidade.
![(5A) Vista aérea da cidade: Avenida Goiás: Goiânia, GO, Brasil. Ano: [19--]. Foto: Autor Desconhecido. (5B) Vista aérea da cidade: Goiânia, GO, Brasil. Ano: [19--]. Foto: Autor Desconhecido.](../2318-0919-oculum-16-03-623-gf5.jpg)
A Figura 5 já revela duas fotografias sacadas com temas e pontos de vista semelhantes aos da Figura 4, mas que registram um período mais avançado no tempo. Essa constatação baseia-se em algumas características morfológicas que, em um primeiro momento, encontram-se distintas nas imagens, como: o gabarito maior em altura de alguns edifícios localizados ao longo da Avenida Goiás e no entorno da Praça do Bandeirante, principalmente, assim como nas ruas que cruzam a avenida, como as ruas 3 e 4. Na Foto 5A observa-se o já edificado Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, construído em 1941.
Novamente ambas imagens apresentam características que demonstram que pertencem a um período cronológico próximo. Nessas imagens, percebe-se que a vegetação urbana se apresenta maior (em altura) e mais densa, em comparação as da Figura 4. Nota-se também um aumento na verticalização do setor, com alguns edifícios de até dez pavimentos.
A verticalização do Setor Central teve um início relativamente rápido e ordenado na década de 1960 e ocorreu com maior intensidade até 1975. De acordo com a cronologia de ocupação, publicada no Diário Oficial do Município de Goiânia (GOIÂNIA, 1994), esse período se caracteriza por ser uma fase de “concentração de lugares no espaço”, entre 1964 e 1975, que ocorreu logo após a fase de “ampliação do espaço”, entre as décadas de 1950 e 1964, onde vários fatores políticos, sociais e econômicos contribuíram para um aumento populacional e para expansão da cidade. O processo de verticalização inicial de Goiânia ocorreu principalmente nos setores Central e Oeste e em bairros próximos à região central da cidade.
A Foto 5B revela o Centro Administrativo do Estado de Goiás, elaborado para ser a nova sede do poder administrativo, já edificado. A construção desse edifício ocorreu em meados da década de 19605, entretanto, pela fotografia, não é possível afirmar se sua construção havia sido concluída ou não. Essa foi uma obra que demandou cerca de uma década para ser construída completamente, evidenciando o período de “modernização do estado” - iniciado em 1960 e intensificado em 1970 -, onde a verticalização e o surgimento de novas instituições foram algumas de suas principais características. Esse processo de verticalização ocorre por uma “pressão pela urbanização”, que passa a transformar a paisagem de Goiânia, onde “os espaços consolidados e com infraestrutura urbana instalada passam por uma verticalização intensiva ainda não vista na cidade [...]” (OLIVEIRA et al., 2015, p.118). Tendo como base estes fatores, há indícios que apontam que as imagens são registros realizados entre meados da década de 1960 e o início da década de 1970. Essa afirmação é ratificada pelo fato de ser possível visualizar uma certa verticalização do Setor Central, mas que aparece apenas em sua fase inicial, com poucos edifícios mais altos, comparando-os aos que foram construídos posteriormente e existem até os dias de hoje.
Na Figura 5, a disparidade entre as largas avenidas e os edifícios é amenizada pela altura das novas edificações que aparecem na Avenida Goiás. Porém, o contraste entre as escalas ainda é perceptível ao observar as quadras nas vias com predominância de residências unifamiliares, adjacentes à Avenida Goiás, em relação as quadras onde edifícios de maior porte começam a se desenvolver. Nesse contexto, o novo edifício do poder administrativo, Centro Administrativo do Estado, instaura-se como um marco na quebra da morfologia proposta por Attílio para a região, que privilegiava as grandes perspectivas, tendo a Praça Cívica, e as principais avenidas que dela saem, como espaços monumentais. O edifício institucional, sede do Governo do Estado, não estabelece diálogo com a escala da Praça e dos demais edifícios do seu entorno, além de fechar a perspectiva para a Avenida 84, continuação da Avenida Goiás, após a Praça Cívica, que faz a ligação com o Setor Sul6.
Comparando-se os conjuntos de imagens 4 e 5 - com uma distância aproximada de cerca de 20 anos entre si -, observa-se que, apesar do surgimento de edifícios de maior altura na Avenida Goiás, a partir da década de 1960, nesse período ainda se mantem uma forte característica da implantação original da cidade: a existência de vias com predominância de residências unifamiliares e de comércios vicinais nas esquinas, onde, apenas no encontro entre as principais avenidas e ruas da região, pode-se observar um gabarito de maior altura.
As imagens analisadas nas Figuras 3, 4 e 5 demonstram três momentos diferentes: o de formação e construção da cidade, o do início da consolidação de seu tecido urbano e o início da transformação da morfologia do setor, a partir da verticalização do tecido urbano. Todas elas, no entanto, apresentam como tema a divulgação da construção e do desenvolvimento de uma cidade nova e moderna, em constante transformação. Essa transformação, no entanto, não modifica a relação dicotômica entre as escalas monumental e doméstica, presente nos primeiros anos de construção da cidade. Isso ocorre devido a uma verticalização ainda pontual e ao comparecimento marcante da arborização na conformação espacial das ruas e avenidas e na relação paisagística estabelecida entre esses espaços urbanos com os edifícios e as residências unifamiliares.
As próximas três fotografias mostram uma visão da cidade a partir da perspectiva do pedestre. Torna-se relevante a análise da escala urbana sob dois pontos de vista diferentes - do avião e do pedestre -, na medida em que permitem uma investigação mais ampla e honesta do objeto de estudo.
A Figura 6, é um registro da década de 1930 que mostra algumas residências unifamiliares existentes na Avenida Araguaia. Essa fotografia exibe uma visão mais próxima das quadras destacadas anteriormente nas Figuras 4 e 5. As residências da Figura 6 apresentam características de implantação similares, como recuos laterais e frontais, jardins e muros baixos, que destacam as tipologias edilícias conformadoras da identidade da maior parte do tecido urbano de Goiânia, durante as duas primeiras décadas de sua existência.

O conjunto de casas construídas no Setor Central, caracteriza-se por uma multiplicidade de linguagens e tipos, que foram tendência nas demais urbanizações da época. Essa arquitetura nasce no ecletismo e no racionalismo pragmático de projetistas anônimos ou pouco conhecidos. Eventualmente ela aproxima-se da estética Déco e Modernista, em um contexto em que as casas unifamiliares assumem diversas expressões: casas-tipo, construídas pelo Estado para abrigar os funcionários de alto e baixo escalão, e casas particulares, compostas por edifícios assobradados neocoloniais, chalés suíços ou normandos; casas térreas no estilo missões e casas populares ligadas aos modelos e padrões construtivos de casas construídas pelo Estado (CAIXETA et al., 2016).
As casas-tipo possuíam como características gerais: o recuo frontal com jardim, muro baixo, edícula ao fundo e afastamentos laterais no lote; volumetria compacta e presença de alpendres delimitando o acesso principal da residência. Geralmente, apresentam linguagem sem ornamentos nas fachadas e poucos elementos decorativos, que, quando empregados, eram utilizados para marcar os vãos, decorar varandas e frontões (MOURA, 2011).
Dessa forma, entende-se que implantação das casas no lote e as tipologias edilícias presentes nas residências unifamiliares da época, contribuíram para percepção visual e concepção da escala doméstica da cidade. Ao analisar a Figura 6, nota-se uma certa falta da vegetação e da arborização, que também contribuiriam para a ambiência da escala doméstica-residencial, mas que podem ser visualizadas em fotos sacadas posteriormente.
As últimas fotografias a serem analisadas são duas fotografias da Avenida Goiás, ambas sem informação cronológica ou de autoria:
A partir da análise da vegetação, identificada nos registros fotográficos acima -aparentemente do mesmo porte -, dos modelos de veículos importados, característicos da década de 19507, da altura e do aparente estado de preservação dos edifícios, conclui-se que ambas fotografias pertencem a década de 1950.
A Figura 7 exibe a Avenida Goiás com dois pontos focais: um na foto 7A, voltado para canteiro central da Avenida, a partir do qual se pode ver a imagem do relógio da cidade, com o Palácio das Esmeraldas ao fundo; e outro, na fotografia 7B, voltado para a pista de rolamento da Avenida e edificações do seu entorno, a partir do qual se encontram alguns edifícios de caráter comercial ou misto com sua linguagem simples e austera e os automóveis em primeiro plano. Ambas fotografias registram o mesmo trecho da avenida, localizado na primeira quadra, próxima à Praça Cívica, porém nos seus extremos opostos. A perspectiva e olhar utilizado para extraí-las e, por consequência, para analisá-las, é completamente diferente.
![7A) Avenida Goiás: [Torre do Relógio]: Goiânia, GO, Brasil. Ano: [19--]](../2318-0919-oculum-16-03-623-gf7.jpg)
A fotografia 7A pode muito bem ter sido um cartão postal da cidade - há inclusive um cartão postal da década de 1940, de uma fotografia feita por Sílvio Berto, sob um ângulo similar e com os mesmos elementos englobados: o Relógio e o Palácio do Governo. Ela resume, em uma única imagem, a proposta monumental do plano urbano de Goiânia. Tudo o que se enquadra nesse registro é a Avenida Goiás e seu canteiro central, que a marca, de forma exuberante, onde o observador é direcionado até o centro da Praça Cívica, ao fundo da imagem. Nela, observa-se o Relógio, monumento art déco que, por sua vez, apresenta-se em sua plenitude, icônico nessa imagem; enquanto o Palácio, sede do poder administrativo, fica quase invisível aos olhos do observador, ao fundo do cenário. Ao mesmo tempo, notam-se as luminárias, ao longo do canteiro central, delimitando-o junto as árvores, conferindo um ar modesto e aprazível à imagem. Percebe-se também alguns pedestres transitando pela avenida, vivenciando o espaço, reforçando a escala monumental do contexto apresentado na foto. Ela apresenta a amplitude do espaço do canteiro central e uma cenografia, característica de um espaço monumental: uma sequência de elementos que culminam em um ponto de fuga central, que tem como ponto focal dois marcos: o Relógio e o Palácio.
Em contrapartida, a Foto 7B, descentralizada, revela um distanciamento do olhar voltado para o monumental e registra um trecho cotidiano onde vislumbra-se o fluxo dos veículos, os pedestres e sua relação com os edifícios. Na fotografia, essa relação revela um contraste com a largura da avenida, seu canteiro central e sua vegetação. Os mesmos elementos que se destacam, quase que exclusivamente, na fotografia anterior, aparecem em segundo plano nessa imagem.
Existem, portanto, duas diferenças básicas entre as fotos: a Foto 7A é registrada do ponto de vista do observador, imerso no espaço do canteiro central e a segunda Foto (7B) é tirada um pouco acima desse ponto, onde há certo distanciamento que não permite visualizar sua espacialidade. A primeira imagem está centralizada no eixo de composição do espaço, a segunda está descentralizada, aparecendo mais em destaque os edifícios que conformam os limites da Avenida. O tema das imagens é, portanto, diferente. Na primeira (7A) é o jardim, a vegetação, o monumento; na segunda imagem (7B) é a rua, os elementos de convívio urbano, as pessoas, os veículos e os edifícios.
Percebe-se então, nessas imagens fotográficas, a relação de contraste existente, entre a escala monumental (Avenida Goiás, com destaque para o paisagismo) e a escala doméstica (edifícios, veículos e pedestres, em primeiro plano). Compreende-se que o contraste apreendido nas fotos, é fruto dos elementos morfológicos da cidade e da das imagens históricas, algumas vezes sem dados, que se revelam com diversas influências passíveis de interpretação pelo pesquisador-observador: o tema da fotografia, a razão do ângulo utilizado para registrar o momento, o estilo do fotógrafo e o propósito que se tinha quando a foto foi tirada.
Devido a essas influências, buscou-se comparar dois pontos de vista diferentes dessa região da cidade, o das fotos aéreas e das fotos sacadas sob o olhar do pedestre, em prol de uma mais justa análise do contraste investigado: o monumental e o doméstico, considerando a escala urbana.
As fotografias em perspectiva aérea buscam mostrar o desenvolvimento de uma cidade moderna, aqui representada pela amplitude de seus espaços. Elas exibem de modo geral a monumentalidade do projeto urbano proposto para o centro da cidade, cerne de sua fundação. Já as fotografias feitas da perspectiva do pedestre exibem essa escala de modo aproximado, enfocando nos detalhes que poderiam representar essa modernidade, a ambiência da vida moderna e a fundamental presença do automóvel. Essas imagens revelam uma cidade planejada, cheia de expectativas de ser uma capital promissora. As fotografias mostram exatamente isso: uma intenção.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste artigo foi analisar o contraste entre a escala monumental e doméstica presentes nas primeiras décadas de existência de Goiânia, através de fotografias antigas. Esse objetivo foi motivado, uma vez que, constatou-se a existência de um vasto acervo fotográfico desse período, que oferece diversas informações acerca de sua temporalidade, espacialidade e as temáticas presentes no contexto urbano e histórico de implantação da cidade.
Este fato permite que um pesquisador-investigador, ao observar essas fotografias, questione-se acerca do discurso presente nessas imagens e até que ponto ele se relaciona com projeto de modernidade no qual estava inserido Goiânia. Instiga-o a perguntar quais foram as diversas formas de expressar essa modernidade e qual era a imagem almejada para a cidade, pois muito além de um desenho urbano, Goiânia vislumbrava uma vida moderna com novas referências de espaços urbanos e prática sociais.
O que se percebe nas imagens é a relação entre o ócio e o lazer na cidade moderna, a imagem de bem-estar e de conforto, a proximidade e harmonia com a natureza e o automóvel como símbolo de modernidade. Nesse contexto, a ideia de monumentalidade que expressa o espaço do poder do Estado, dilui-se em função do espaço de bem-estar do cidadão, onde convivem o bucólico e o citadino, o monumental e o doméstico, presentes na vida cotidiana.
As representações visuais contidas nas fotografias desse período têm um poder simbólico muito forte na construção da imagem de Goiânia. Assim sendo, o contraste entre o “monumental” e o “doméstico”, existente na escala e na ambiência retratada entre os anos 1930 e 1960 - e sua coexistência até os dias de hoje -, certamente faz parte do seu imaginário urbano - e sua história -, e está profundamente relacionado com a identidade urbana da cidade.
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NOTAS
Autor notes
Correspondência para/Correspondence to: J.M. MONTEIRO | E-mail: <arqjuliam@gmail.com>.