Artigo

CONEXÃO ENTRE PESSOAS E AMBIENTE: UMA REVISÃO DE LITERATURA SOBRE TOPOFILIA

CONNECTION BETWEEN PEOPLE AND ENVIRONMENT: A LITERATURE REVIEW ON TOPOPHILIA

DAIANE ROMIO DUARTE
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
JAQUELINE ANDRADE
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
JULIANA CASTRO SOUZA
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
ALINA GONÇALVES SANTIAGO
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

CONEXÃO ENTRE PESSOAS E AMBIENTE: UMA REVISÃO DE LITERATURA SOBRE TOPOFILIA

Revista Oculum Ensaios, vol. 18, e214706, 2021

Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Recepção: 15 Agosto 2019

Revised document received: 09 Junho 2020

Aprovação: 20 Outubro 2020

RESUMO: O presente trabalho é uma revisão integrativa da literatura sobre o conceito de topofilia, entendendo que a percepção ambiental é um fator influenciador da vida humana através do comportamento, da sociabilidade e do bem-estar. O estudo teve o objetivo de compreender como o conceito tem sido abordado nos estudos de paisagem cultural, natural e urbana. Foram selecionados 30 artigos que investigam a relação humana com o ambiente ou com a paisagem, que discutem o senso de lugar, apego ou a conexão com o lugar. Como resultado foram identificadas diferentes abordagens que puderam ser agregadas em três grupos de análise: o indivíduo, a coletividade e o ambiente. Além disso, foram avaliados quantitativamente dados que apontam direções para um futuro aprofundamento do estudo acerca do tema.

PALAVRAS-CHAVE: Apego ao lugar, Senso de lugar, Topofilia.

ABSTRACT: The present work is an integrative literature review on the topophilia concept within the understanding that the environmental perception is a human life influencing factor through behavior, sociability and wellbeing. The study aimed to understand the way this concept has been approached in the studies of cultural, natural and urban landscape. A total of 30 articles was selected; they investigate the human relationship with the environment or the landscape, discussing the sense of place, attachment or connection with the place. As a result, different approaches were identified that could be aggregated into three groups of analysis: the individual, the community and the environment. In addition, data that indicate directions for further study on the subject were quantitatively evaluated.

KEYWORDS: Place attachment, Sense of place, Topophilia.

INTRODUÇÃO

O CONCEITO DE topofilia foi criado pelo geógrafo sino-americano Yi-Fu Tuan em 1974, buscando compreender como os seres humanos se relacionam com o meio ambiente para, assim, encontrar soluções para problemas ambientais, sejam eles de ordem econômica, política ou social. Tuan foi precursor da Geografia Humanista, definida como uma geografia que busca entender melhor o homem, suas condições e como ele se conecta com o mundo ao qual pertence. Topofilia, segundo Tuan (1980, p. 4), é “[...] o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico. Difuso como conceito, vívido e concreto como experiência pessoal”. O autor estrutura a conexão entre as pessoas e o mundo ao seu redor a partir do desencadeamento entre a percepção do ambiente, seguida por atitudes, valores ambientais e visão de mundo. Tuan explora a percepção com base nos atributos do aparelho perceptivo humano e sua potencialidade física, assim como as determinações do contexto mental e social de cada indivíduo, e que o fazem perceber, registrar ou descartar determinadas informações. A partir do que é processado pelo complexo sistema perceptivo, há uma postura cultural formada por uma longa sucessão de percepções; isso é, de experiências. Essa postura denota as atitudes e os valores humanos acerca do ambiente e a visão de mundo deriva da contextualização das experiências. Segundo o autor, isso se dá parcialmente em uma dimensão pessoal e, em grande parte, social. A visão de mundo inclui o sistema de crenças proveniente do acúmulo cultural somadas às experiências pessoais.

A Geografia Humanista teve ainda, na década de 1970, outros expoentes que se ocuparam do estudo das relações humanas com os lugares. Relph (1976), geógrafo canadense, contribuiu para o tema com uma compreensão clara da profundidade e complexidade do lugar sob uma abordagem fenomenológica que inclui o grau de pertencimento, o quanto uma pessoa está inserida ou fora de um contexto e seu grau de identidade com o lugar. Ele define por meio do conceito, a partir do pertencimento, o grau de apego, envolvimento e preocupação que uma pessoa ou grupo tem com um determinado lugar.

Autores mais recentes, como Jorgensen e Stedman (2001), definem senso de lugar como um constructo multidimensional que compreende as crenças sobre a relação entre si e o lugar, os sentimentos em relação ao lugar e a exclusividade comportamental do lugar em relação às alternativas. Durante suas pesquisas, os autores identificaram que as percepções das características ambientais são os maiores preditores das dimensões dos locais. Os autores sugerem modelos de mensuração baseados na estrutura de atitudes, gerando escalas de constructo para a dimensão do senso de lugar. A escala de senso de lugar (Sense of Place, SOP) mede uma dimensão relacionada com a identidade, a vinculação e a dependência do lugar.

O trabalho de Williams (2014) oferece uma estrutura metodológica abrangente composta por quatro partes (fenomenologia, semiótica, cognitiva/processamento de informação e social/discursiva) para compreender o lugar objetivando o gerenciamento da paisagem. O autor defende a visão de lugar como bios, ethnos e demos, que seriam os ideais normativos para prescrever o que constitui um bom lugar, e ressalta o desafio de julgar através de diferentes concepções de lugares sensíveis. Nesse contexto, a pesquisa e a prática se beneficiam da perspectiva pluralista, com maior conscientização das diversas posições ocupadas por observadores e atores da paisagem.

Desde a criação do conceito de topofilia até os dias de hoje, a relação dos seres humanos com o ambiente se transformou significativamente a partir do processo de globalização da informação e da mobilidade, facilitados pelas novas tecnologias. As barreiras culturais derivadas de isolamento estão cada vez menores. Como o “[...] elo afetivo entre a pessoa e o lugar” estudado por Tuan (1980, p. 4) é afetado pelas transformações das últimas décadas?

Lewicka (2011) fez uma extensa revisão de literatura e encontrou quase 400 trabalhos científicos que tratam do apego ao lugar ou identidade com o lugar, termos que seriam relacionados à topofilia. A partir do portfólio bibliográfico analisado, a autora faz críticas aos estudos em andamento sobre apego ao lugar pela fragilidade das bases teóricas e coloca que referências como a de Tuan são tão populares agora como eram há duas ou mais décadas atrás, indicando a pouca evolução no campo teórico do tema. Nesse sentido, Hidalgo (2013) apresenta uma revisão de literatura motivada pela variedade de termos aplicados ao apego ao lugar, desde a criação do conceito de topofilia até a atualidade. A autora coloca que, apesar da grande quantidade de artigos publicados nos últimos anos, o campo de estudos relacionados à topofilia ou ao apego ao lugar não avançou de forma significativa por não haver um consenso sobre a terminologia aplicada pelos pesquisadores. Mesmo com uma variedade de termos relacionados ao tema topofilia, Lewicka (2011) coloca que há uma perspectiva otimista contida nos resultados de centenas de pesquisas elaboradas nos últimos anos, pois os estudos mostram que, apesar das transformações sociais globais, o lugar ainda provoca elos afetivos importantes.

Como contribuição aos estudos do tema, o objetivo deste artigo é compreender como a topofilia tem sido abordada nos estudos de paisagem cultural, natural e urbana nos últimos anos. Para tanto, foi realizada uma revisão de literatura de forma integrativa e, como critério para sistematização da pesquisa, as informações de natureza teórica coletadas dos artigos foram organizadas em três escalas de abrangência: o indivíduo, a coletividade e o ambiente.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Revisão integrativa é um método de estudo utilizado para identificação e análise de um determinado tema, buscando sua compreensão a partir de abordagens contemporâneas. Esse tipo de revisão é um modelo que coleta referências científicas que se enquadram em uma caracterização pré-definida; nesse caso, estudos que abrangem o indivíduo, a coletividade e o ambiente, dando como resultado dados confiáveis a respeito dos quais são feitas as análises e conclusões. Assim, é possível contribuir para o aprofundamento do conhecimento do tema.

Este artigo é fruto da revisão de literatura realizada por pesquisadoras do campo da arquitetura e urbanismo com diferentes enfoques de pesquisa: paisagem natural, paisagem cultural e paisagem urbana. Esse método preza pela coleta e sistematização de resultados de pesquisa acerca de um determinado tema de modo sistemático e abrangente. Difere da revisão exploratória baseada na busca livre por informação e se assemelha à revisão sistemática, pois também é feita com planejamento e reunião de estudos originais, sintetizando os resultados de múltiplas investigações (FERENHOF; FERNANDES, 2016).

Para realização da busca de literatura e ordenação dos dados foi adotado o método Systematic Search Flow (SSF). O método, criado pelos pesquisadores Ferenhof e Fernandes (2016), está organizado em quatro etapas: protocolo de pesquisa, análise, síntese e escrita a partir dos resultados obtidos.

Para a delimitação dessa revisão foi definida uma palavra para ser utilizada na busca em repositório eletrônico de trabalhos científicos que contém estudos do contexto trabalhado, assim como foi feita a delimitação temporal da pesquisa. A palavra-chave utilizada na busca foi topophilia, versão em inglês da palavra topofilia, já que se buscava originalmente artigos escritos em inglês. A procura focou na produção científica dos últimos cinco anos, disponíveis no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Como resultado da busca, 116 artigos foram listados, dos quais 31 foram selecionados através da leitura dos títulos, palavras-chave e resumos, definindo como critério escolha os textos que discutiam os conceitos de “senso de lugar”, “apego ao lugar” ou “conexão com o lugar”. A partir da leitura dos textos, um dos artigos foi excluído por não contemplar o conteúdo em análise. A leitura dos 30 artigos restantes permitiu a construção de uma matriz de sistematização de dados.

Iniciou-se a montagem de uma matriz sistematizando o portfólio bibliográfico pelas seguintes categorias: autor, ano da publicação, revista onde foi publicado, título do artigo, nacionalidade da pesquisa, instituição, palavras-chave, tema, disciplinas, objetivo, métodos de pesquisa, resultados e referências. Parte das informações inseridas na matriz foi transferida para planilhas específicas para ser avaliada mais detalhadamente.

Os dados obtidos no estudo foram analisados e interpretados de forma a delinear as discussões atualizadas sobre topofilia. A partir da identificação dos principais temas abordados nos artigos componentes do portfólio bibliográfico, foi delineado o quadro teórico básico do estudo, com a delimitação de três focos de abrangência: o indivíduo, a coletividade e o ambiente. Além disso, foram avaliados quantitativamente dados que apontam direções para um futuro aprofundamento do estudo acerca do tema. Esses dados estão apresentados no item “Análises quantitativas” e focam nas análises das palavras-chave mais utilizadas pelos autores pesquisados, assim como os pesquisadores mais citados e os métodos empregados nos estudos analisados. Para a análise das bibliografias citadas nos artigos estudados foram considerados os autores individualmente, contando o número de artigos que os utilizou como referência. Como forma de não distorcer a análise, nos casos onde mais que uma bibliografia de um autor foi citada em um mesmo artigo, apenas uma citação foi considerada. Os autores só foram considerados conjuntamente (no caso de publicação de mais de um autor) quando todas as referências eram de trabalhos em conjunto dos mesmos autores.

ESTRUTURA TEÓRICA

O apego ao lugar está relacionado às experiências pessoais. Pessoas podem ter apego ao lugar porque estão habituadas a ele e a todos os aspectos da realidade conectada a esse lugar, pessoas, traços físicos e aspectos culturais (ORTEGA VILLA et al., 2013). O contexto ambiental é composto de características físicas, culturais e relações humanas (ROSTAMI et al., 2016; AVEST; BAKKER, 2017) e percebido de forma multissensorial.

As características físicas de um lugar, especialmente aqueles constituídos de paisagem notável ou ambientalmente ricos, promovem a relação de apego (BREHM; EISENHAUER; STEDMAN, 2013). Além dos recursos naturais, o contexto físico pode promover o apego ao lugar por refletir um esforço de trabalho sobre o meio ambiente, evidenciando a capacidade humana de realização (ORTEGA VILLA et al., 2013; ROSTAMI et al., 2016).

Como forma de contraponto, alguns estudos afirmam que, em relação ao apego ao lugar, nem sempre as características físicas importam. O estudo realizado por Avest e Bakker (2017) em uma escola primária mostrou que a presença dos professores era determinante para o apego das crianças ao contexto escolar como um todo, sendo mais significativo do que qualquer outra característica física do lugar. Nesse caso, as relações humanas se sobrepõem às características físicas.

Neste sentido, Rossi et al. (2015) estudaram como os valores pessoais sobre o ambiente afetam os padrões de visitação de um parque. Para tanto, se utilizaram da estrutura conceitual “hierarquia de valores comportamentais” e identificaram que os valores ambientais dos visitantes moldam a forma como percebem os outros usuários do parque e a adequação de suas atividades. No trabalho, valores são definidos como “[...] princípios profundos e duradouros que informam e influenciam o comportamento das pessoas” (ROSSI et al., 2015, p. 42). Nesse contexto, os encontros dos visitantes com outros usuários podem afetar significativamente a experiência, refletindo em expectativas e julgamentos relacionados aos valores.

Kljenak et al. (2013) abordam o conceito de identidade de paisagem considerado a partir de outro ponto de vista – uma perspectiva de cinco sentidos humanos (visão, audição, olfato, tato e paladar), considerando que o ambiente humano é um meio multissensorial, rico em informações de todos os campos da percepção. Para os autores, a identificação humana com os lugares não vem apenas da interação com o visual, mas também dos demais sentidos, o que torna indispensável entender a identidade da paisagem como um fenômeno multidimensional sensorial abrindo novas questões e possibilidades no campo da teoria e prática da paisagem.

Ortega Villa et al. (2013, p. 87, tradução nossa)1 colocam que:

quando se trata de preferência ou identificação por um lugar, os aspectos visuais não são os mais importantes, já que os elementos que aludem à interação humana, aos elos estabelecidos com o lugar através das relações com outras pessoas, são aqueles que adquirem predominância. Assim, um lugar é preferido por um indivíduo ou é ‘seu’ lugar (com o qual ele se identifica, onde se encontra) porque ali tem suas experiências, suas interações com seus ‘outros’, aqueles que permitem que ele esteja e se localize no mundo em oposição ao seu próprio ser, e são esses resultados que demonstram características consideradas como topofilia, a afeição a um lugar, constituído pela interações com outros seres humanos que coabitam em um mesmo espaço físico.

Ao estudar a participação de pessoas em um projeto de jardinagem comunitário, Dunlap, Harmon e Kyle (2014) concluíram que o apego a um lugar pode se dar por dois processos paralelos: através do produto resultante da transformação física do sítio ou da sensação de conexão e identificação com a comunidade participante do mesmo projeto. Assim os motivos do apego ao lugar variam de acordo com o contexto e as experiências pessoais dependem de múltiplos fatores ligados ao indivíduo, à coletividade e ao ambiente.

INDIVÍDUO: COMO A RELAÇÃO DAS PESSOAS COM O LUGAR INFLUENCIA SEU BEM-ESTAR

Indivíduos e grupos têm fortes conexões com lugares específicos. Relações positivas com os lugares potencializam o bem-estar e o desenvolvimento humano. Essa conexão atribui significados e relações que influenciam no comportamento, no desempenho de atividades (BREHM; EISENHAUER; STEDMAN, 2013; CHOUDHRY et al., 2015; AKESSON; BURNS; HORDYK, 2017) e ainda no desenvolvimento de habilidades (AVEST; BAKKER, 2017).

A construção da cultura (conhecimento, habilidade, significado e valores) é um processo constante na vida do indivíduo, e o lugar é um aspecto a ser considerado nesse processo. Ao crescer num lugar, o desenvolvimento do indivíduo ocorre de forma gradual, diferente de quando se vem de outro lugar onde são acrescidos aspectos de socialização com o ambiente individual e grupal ao processo de aculturação. Isso porque cada cultura e sociedade se relaciona com o ambiente natural de forma diferente e o apego e a identidade com o lugar são vínculos distintos (CASAKIN; RUIZ; HERNÁNDEZ, 2013). Casakin, Ruiz e Hernández (2013), ao estudarem o apego e a identidade com o lugar em residentes nativos no estado de Israel e na ilha de Tenerife, na Espanha, verificaram que a identidade depende do apego e por isso se desenvolve de forma mais lenta. No entanto, nem sempre é assim.

Em uma ampla revisão de literatura, Choudhry et al. (2015) colocam que as pessoas desenvolvem atitudes particulares em espaços naturais, paisagens selvagens e áreas com vegetação. Pessoas que têm contato frequente com a natureza melhoram a acuidade cognitiva e são mais estimuladas a sair ao ar livre e praticar atividades físicas, melhorando a saúde mental e física (IVES; KELLY, 2015).

O conceito de lugar oferece uma perspectiva para entender melhor o que ajuda ou impede o bem-estar, o conforto e a segurança das populações marginalizadas com as quais os assistentes sociais interagiram em duas pesquisas aqui mapeadas (IVES; KELLY, 2015; AKESSON; BURNS; HORDYK, 2017). Nesses estudos há apontamentos teóricos sobre vínculo com o lugar, identidade do lugar e territorialidade que indicam que mudanças nos ambientes podem ter um impacto no funcionamento social, emocional e físico de uma maneira que é igual ou maior às mudanças no ambiente social. Nesses casos os estudos evidenciam a importância dos traços físicos em relação às relações humanas pertencentes ao lugar.

Pessoas em situação de tensão e fragilidade social, como desastres ambientais, crises econômicas severas ou sítios em guerras, têm sua relação com o lugar abalada, o que pode levar a migrações forçadas e perda da identidade pessoal em função da mudança de lugar ou mesmo da desconfiguração de um lugar (SHAMAI, 2018). Processos de gentrificação derivados do desenvolvimento de uma atividade econômica também abalam a identificação das pessoas com um lugar, muitas vezes em função de mudanças forçadas (SHEIKH DAWOOD, 2018).

COLETIVIDADE: COMO O SENSO DE LUGAR IMPACTA NA VIDA EM CONJUNTO

No contexto moderno do desenvolvimento econômico, a sustentabilidade cultural (mudança em sintonia com a continuidade cultural) pode parecer irrelevante e até indesejável, mas Pavlis e Terkenli (2017) indicam que a educação cultural e a conscientização da paisagem desempenham um papel significativo na compreensão e no melhor tratamento das questões da paisagem contemporânea. É o caminho mais adequado para avançar na gestão da paisagem, uma vez que apoia a manutenção da cultura através da educação e governança participativa ao mesmo tempo em que envolve valores e conhecimentos locais.

Devido ao desenvolvimento, certos lugares passam por processos de transformação e os traços culturais correm o risco de desaparecer gradativamente. A atividade turística baseada nas características locais, seja pelas riquezas culturais ou naturais do lugar, pode alterar positivamente o efeito sobre as experiências vividas pelos turistas. Sheikh Dawood (2018) expõem o caso de Dodol Village, em Penang, Malásia, defendendo a necessidade de uma abordagem integrada para o desenvolvimento, onde a visão sobre a herança cultural é crucial e valiosa.

No contexto do turismo, Jepson e Sharpley (2014) buscaram confirmar o entendimento de que a participação no turismo rural é sustentada por um senso de lugar rural ou “ruralidade”, investigando se há uma relação entre sentido do lugar e experiências emocionais. Os pesquisadores entrevistaram turistas na região rural de Lake District, Inglaterra. Os entrevistados relataram experiências emocionais positivas ao contemplar as qualidades cênicas da paisagem e o envolvimento ativo do visitante com a paisagem adicionou qualidade à experiência emocional obtida. Notou-se que a combinação da contemplação do cenário com o envolvimento ativo com o ambiente físico é um fator-chave no complexo processo afetivo e cognitivo da experiência do local. Stylidis (2018) corrobora com essa afirmação ao utilizar um modelo que integra o apego ao lugar e a percepção de lugar e examina seus efeitos percebidos no turismo e o apoio dos moradores para o seu desenvolvimento. O autor indica que o apego ao lugar precede a percepção do lugar e que isso impacta positivamente na visão sobre o turismo, estimulando o apoio ao desenvolvimento dessa atividade.

Nos estudos de Schilar e Keskitalo (2017) a relação dos atores do turismo com o local de seu envolvimento é abordada em busca de uma compreensão mais profunda da ligação entre o apego ao lugar e o empreendedorismo. Como resultado, entendeu-se que os empreendedores entrevistados têm fortes laços com o ambiente, sugerindo ser esse um motivador essencial para o engajamento profissional deles com o turismo.

A ligação emocional ao ambiente permite que as pessoas percebam os lugares como ideais para suas atividades, sendo que todos os atores têm forte apreciação pelo ambiente natural e desejam compartilhar seu estilo de vida com os turistas, além de realizar atividades relacionadas ao trabalho da mesma forma e nos mesmos lugares que suas atividades cotidianas. Os autores propõem que as percepções positivas do ambiente natural e, particularmente, o entusiasmo por diferentes atividades ao ar livre, estimulam e promovem a atividade turística mais do que outros fatores. Assim, é entendido que o apego ao lugar pode promover a atividade turística de diferentes maneiras e que a própria atividade turística pode ser vista como uma expressão do apego ao lugar.

Wynveen et al. (2017), em pesquisa realizada em três parques naturais (dois nos Estados Unidos e um na Alemanha), também identificaram que as diferenças culturais e as diferentes formas de interação com o ambiente resultam em diferentes conceituações de lugar. No estudo, a variação no tipo de atividade e o envolvimento com a atividade podem ter influenciado como as pessoas interpretam e respondem aos itens da escala de apego ao lugar. Isso reafirma o entendimento de Tuan (1977), que descreve o lugar como algo formado por meio de experiências vividas.

Vê-se que o engajamento cívico tem um potencial de dar significado a lugares (DUNLAP; HARMON; KYLE, 2014; FRANTZESKAK; VAN STEENBERGEN; STEDMAN, 2018). Outro exemplo é dado por Dunlap, Harmon e Kyle (2014) que, a partir de um projeto de agricultura urbana na região central do Texas, demonstraram que além do tempo e energia que são investidos no cultivo, a agricultura local propiciou aprofundar as conexões com a terra em várias escalas. É através dessa atividade humana, tratando tanto mental como fisicamente, que o lugar é conhecido e valorizado pela população, sendo um importante elemento de identidade pessoal e comunitária.

Em seu ambiente cotidiano, as pessoas produzem continuamente o patrimônio à medida que experimentam e selecionam, atribuindo significados e atendendo as características da paisagem histórica local. Braaksma, Jacobs e Van Der Zande (2016) investigaram a construção de patrimônio em várias práticas de paisagem local nos Países Baixos, que refletem padrões distintos de atividades rotineiras. Essas práticas podem produzir artefatos históricos na paisagem que são considerados valiosos e têm significados atribuídos. Através dessas práticas foram identificados diferentes modos de produzir significados patrimoniais: estética da paisagem, ameaças espaciais (risco de perda de algo significativo como a paisagem, uma construção ou parte da natureza), raízes familiares e desejo de pertencer à comunidade. Notou-se que a produção de patrimônio pode variar muito, mesmo dentro de uma cultura local relativamente homogênea.

AMBIENTE: TOPOFILIA, RECURSOS NATURAIS E PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL

A relação de senso de lugar com o ambiente permeia a compreensão dos serviços ecossistêmicos, que são aqueles oferecidos à atividade humana; ou seja, benefícios que o homem tem através do ecossistema (BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015; HAUSMANN et al., 2016). Em geral são classificados em quatro grupos: serviços de fornecimento ou provisão (ex.: água, comida), serviços de regulação (ex.: erosão e inundação ao controle), serviços de apoio ou suporte (ex.: ciclagem de nutrientes) e serviços culturais (ex.: recreação, senso de lugar) (WARTMANN; PURVES, 2018).

Recorrentes são as ameaças sofridas pelo ambiente natural, o que tem impactado nesses serviços (BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015; HAUSMANN et al., 2016). Esses impactos não podem ser compreendidos “[...] sem considerar a influência dominante dos seres humanos” (BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015, p. 8838). Mitigar as ameaças e promover o desenvolvimento em direção à sustentabilidade são esforços internacionais frente a crise ambiental. Contudo, a sociedade da informação acaba tendo um conhecimento mais crítico sobre questões ambientais em outras partes do mundo, mas não tem conhecimento da natureza ao seu redor.

Além disso, os discursos científicos ainda separam o natural e o cultural, colocando a humanidade fora da natureza em mentalidade e comportamento, sendo inadequado estudar ecossistemas sem reconhecer a influência humana (BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015). Essa visão de que a humanidade está separada e, por vezes, acima da natureza, é consequência do antropocentrismo, resultado da revolução científica ocorrida entre os séculos XVI e XVII. Além disso, mesmo sendo estimado que a humanidade é mais urbana, causando uma desconexão ainda maior com a natureza, a presença da natureza no espaço urbano oferece oportunidades de reconexão (LUMBER; RICHARDSON; SHEFFIELD, 2017). Para isso, Beery, Jonsson e Elmberg (2015, p. 8839) sugerem o termo “natureza não humana” apoiando-se no entendimento de natureza como inclusiva do humano, considerando “[...] entidades vivas de referência em várias escalas, de espécies individuais a ecossistemas, entidades físicas não-vivas, como formações geológicas e água”. Tanto Beery, Jonsson e Elmberg (2015) quanto Garrido Peña (2014) mencionam que explicações evolutivas para o comportamento humano são constantemente apresentadas como elemento fundamental na construção da perspectiva da conexão humana com o ambiente. A topofilia não propõe uma teoria evolutiva propriamente dita. No entanto, considera explicações evolutivas para o senso de lugar, fornecendo clareza de definição para a ideia de relação humana com os não humanos, no sentido de formar laços afetivos com o lugar; não apenas uma tendência a apreciação do ambiente (GARRIDO PEÑA, 2014; BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015; IVES; KELLY, 2015), fornecendo uma abordagem multidisciplinar nos serviços ecossistêmicos, na psicologia e sociologia ambiental, na geografia humana, na ciência da saúde, na gestão ambiental e no turismo e lazer (HAUSMANN et al., 2016).

A perda das experiências naturais reforça que o mundo industrializado tem tornado as pessoas mais desconectadas do ambiente natural (BEERY; JONSSON; ELMBERG, 2015). Esse processo de afastamento tem sido discutido globalmente frente a um futuro sustentável. Beery, Jonsson e Elmberg (2015), a partir da topofilia, alegam que aumentar a relação com o ambiente natural é um método importante para desenvolver políticas ambientais mais sustentáveis. O fortalecimento do vínculo entre as pessoas e o território também é levantado por Garrido Peña (2014) como uma estratégia global de resiliência socioecológica. Esse fortalecimento está baseado em duas funções evolutivas: a população se fixa ao território e, a partir disso, estabelece relações de solidariedade tanto com as gerações futuras quanto com a comunidade biótica. Assim, o desejo de proteger o ambiente natural torna-se um facilitador para sua própria conexão pessoal com a natureza. Além disso, “[...] uma identificação próxima com a diversidade e interconexão da vida humana é um caminho para a sensibilidade humana e uma ética e senso de direção duradouros para a humanidade como parte da natureza” (LUMBER; RICHARDSON; SHEFFIELD, 2017, p. 4).

Uma forma de estreitar essas relações é entendendo que os serviços ecossistêmicos são essenciais para o bem-estar humano, capazes de proporcionar benefícios à saúde e à economia. Avaliar os serviços ecossistêmicos pode trazer informações importantes para o planejamento ambiental, auxiliando os gestores na tomada de decisão. No entanto, os serviços culturais de “senso de lugar” têm sido negligenciados nesse processo (HAUSMANN et al., 2016; WARTMANN; PURVES, 2018). O senso de lugar representa todas as dimensões da percepção humana e interpretação do ambiente de forma emocional, espiritual e cognitiva. Na gestão do ecossistema, refere-se à relação da pessoa com o meio ambiente e de que forma ela o gere, tendo um papel fundamental na previsão e fomento do apoio público à conservação em várias atividades socioecológicas (GARRIDO PEÑA, 2014; IVES; KELLY, 2015; HAUSMANN et al., 2016; LUMBER; RICHARDSON, SHEFFIELD, 2017). No entanto, Lumber, Richardson e Sheffield (2017) ressaltam que a proteção da natureza não pode ser apenas o resultado da conexão pessoal, servindo como caminho.

A exemplo dessa relação, Brehm, Eisenhauer e Stedman (2013) exploram as relações entre o significado do lugar, fixação no lugar e preocupação ambiental dentro de uma bacia hidrográfica rural de valor paisagístico notável, que passa por crescimento populacional e mudanças relacionadas ao uso da terra. Expõem a relação entre os significados do lugar, o apego ao lugar e a preocupação ambiental. As pessoas estão mais motivadas a proteger ambientalmente lugares que são mais significativos para elas.

Hausmann et al. (2016) apontam a importância das ações coletivas e dos comportamentos pró-ambientais que o senso de lugar, tanto na escala local quanto na global, provoca nas pessoas. Puren, Roos e Coetzee (2018) exploram a interação entre as pessoas e uma localidade rural, classificada como patrimônio mundial, com a intenção de definir diretrizes de planejamento espacial. As diretrizes desenvolvidas incluem as bidimensionais de planejamento e as tridimensionais de projeto, propondo uma abordagem integrada, contextual e participativa de um possível caminho a seguir para tornar explícitos os sentidos do lugar, integrando-os nas diretrizes de planejamento espacial.

A abordagem integrada se enquadra no entendimento de Menatti e Casado da Rocha (2016) de que a paisagem não pode ser distinguida do ambiente ecológico. Na medida em que a saúde é muito afetada pela paisagem, essa relação representa algo mais do que apenas herança ou um lugar a ser preservado pelo prazer estético que proporciona. Pelo contrário, é possível falar sobre o direito à paisagem como algo intrinsecamente ligado ao bem-estar das gerações presentes e futuras. Buscando entender como a construção cultural e natural da paisagem afeta o bem-estar e a saúde humana, os autores propõe um novo arcabouço teórico denominado “paisagem processual”, observando a paisagem como resultado da interação contínua e co-criacional entre o agente cultural, o agente biológico e os recursos oferecidos ao observador.

Brown e Donovan (2014) apresentam o valor da paisagem como forma de operacionalizar o senso de lugar usado para os recursos naturais e para o planejamento ambiental, sendo o valor da paisagem melhor descrito como um tipo de valor de “relacionamento”, fazendo a conexão entre reter e atribuir valores. Assim “[...] no processo de associar significados a lugar o que é pessoalmente importante para um indivíduo (valor mantido) se funde com concepções do que parece importante para o indivíduo na paisagem física (valor atribuído)” (BROWN; DONOVAN, 2014, p. 38).

ANÁLISES QUANTITATIVAS

A análise do portfólio bibliográfico permitiu delinear aspectos comuns e divergentes entre os autores, que podem nortear estudos futuros. Entre os dados resultantes do cruzamento entre os artigos, os mais significativos foram: os autores mais citados, os métodos empregados nos estudos e o conjunto de palavras-chave.

Como resultados, o autor citado com maior frequência é Yi-Fu Tuan, com publicações desde a década de 1970 que serviram de base na utilização do conceito de topofilia. Suas referências mais citadas são dois livros: “Topofilia” de 1974 e “Espaço e Lugar” de 1977. Richard. C. Stedman aparece em segundo lugar, sendo mencionado principalmente por causa de dois artigos publicados entre 2002 e 2003 e alguns trabalhos realizados em conjunto com outros autores. Já as pesquisas de Bradley S. Jorgensen produzidas em associação com Stedman sobre senso de lugar foram mencionadas em 10 dos artigos estudados. O autor Edward Relph (RELPH, 1976) tem seu livro “Place and placelessness” como trabalho mais citado, onde mostra a evolução dos conceitos de lugar ao longo do tempo e sua importância. Daniel R. Williams tem seus estudos mencionados em 14 diferentes trabalhos e trata com frequência sobre a manutenção de ecossistema relacionada ao senso de lugar. Maria Lewicka é discutida em decorrência de quatro de suas publicações entre 2005 e 2011 e sugere que as teorias de apego ao lugar deveriam se utilizar das teorias do capital social, da estética ambiental, das leis fenomenológicas da ordem, das teorias de apego e das teorias dos processos de criação de significado. A Figura 1 mostra a frequência com que foram mencionados os autores mais citados (tendo sido considerados os que foram mencionados em, no mínimo, cinco artigos).

Autores referenciados com maior frequência nos artigos estudados.
FIGURA 1
Autores referenciados com maior frequência nos artigos estudados.
Fonte: Elaborada pelas autoras (2019).

Os artigos mostram que os métodos mais empregados têm caráter qualitativo, uma vez que o tema está profundamente ligado à percepção humana. Dentre os artigos analisados, 43% apresentam estudos de caso por ser um método que supõe obter conhecimento a partir de um único caso: o do fenômeno que está sendo estudado. Com isso, além da área médica e psicologia (áreas de origem do método), as ciências sociais e humanas, como arquitetura, geografia e sociologia, também o tem utilizado como um dos principais métodos de pesquisa qualitativa.

A revisão bibliográfica e as entrevistas estão entre os três métodos mais utilizados. Mas, se forem consideradas as entrevistas, grupos focais e questionários em um olhar conjunto, já que ambos apresentam a interação com os indivíduos, é possível notar que esse tipo de interação é o mais utilizado como método de coleta de dados. O Quadro 1 mostra todos os métodos utilizados e a frequência com que foram utilizados entre os artigos avaliados.

QUADRO 1
Métodos mais utilizados nos estudos pesquisados.
Métodos mais utilizados nos estudos pesquisados.
Fonte: Elaborado pelas autoras (2019).

Sobre as palavras-chave foram encontradas 123 distintas, sendo que sense of place foi a mais citada (em 8 dos 30 artigos), seguida de place attachment e landscape. Nesse aspecto encontrou-se maior dificuldade de consenso entre os autores. O Quadro 2 apresenta as palavras-chaves mais utilizadas nos artigos estudados e o número de ocorrência de cada uma delas.

QUADRO 2
Palavras-chaves encontradas nos artigos pesquisados e sua frequência de uso.
Palavras-chaves encontradas nos artigos pesquisados e sua frequência de uso.
Fonte: Elaborado pelas autoras (2019).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao avaliar os artigos neste estudo, identificou-se uma larga variedade de abordagens e diferentes focos de entendimento do conceito de topofilia. Entende-se que essa abertura faz parte de um aprofundamento e, ao mesmo tempo, de um amadurecimento dos estudos das relações homem-lugar acontecido ao longo das décadas, desde a primeira definição do conceito. A ligação com o lugar representa um contexto complexo e repleto de variáveis, incluindo as características físicas, envolvimento cultural e social, particularidades individuais, além do tipo de interação realizada entre o ambiente e o homem, assim como inter-relações humanas no ambiente e até mesmo o processo evolutivo da conectividade ambiental.

Sobre as metodologias utilizadas, a maior parte dos estudos focou em uma interação com os indivíduos (visitantes, moradores, empreendedores) para estabelecer uma relação homem-paisagem através de questionários, entrevistas e grupos focais. Estudos de caso e revisão de literatura também foram métodos frequentemente utilizados para estudos de topofilia.

O artigo também identificou três diferentes abordagens referentes ao senso de lugar: o indivíduo, a coletividade e o ambiente. Indivíduos e grupos têm forte conexões com lugares específicos e as relações positivas potencializam o bem-estar e o desenvolvimento humano. Essas conexões atribuem significados e as relações influenciam no comportamento, desempenho de atividades e no desenvolvimento de habilidades. No entanto as pessoas desenvolvem atitudes particulares ao ambiente. Mudanças desses ambientes diante do vínculo que é criado com o lugar podem ter um impacto no funcionamento social, emocional e físico de uma maneira que é igual ou maior às mudanças no ambiente social.

A globalização desafia a preservação das culturas tradicionais e a atividade turística baseada nas riquezas culturais ou naturais de um lugar podem transformá-lo, criando um efeito sobre as experiências vividas em detrimento do desenvolvimento econômico. As atividades turísticas podem proporcionar experiências altamente emotivas aos visitantes e recompensadoras para os residentes, assim como estimular a economia de modo a preservar o bem cultural e natural.

O caminho mais adequado para avançar na gestão da paisagem é a conscientização acerca dos valores da paisagem natural e cultural, uma vez que apoia a mudança cultural através da educação e governança participativa, ao mesmo tempo em que envolve valores e conhecimentos locais. Elas desempenham um papel significativo na compreensão e no melhor tratamento das questões da paisagem urbana contemporânea.

Os ambientes ecológicos apresentam serviços ecossistêmicos essenciais para o bem-estar humano. O senso de lugar como serviço cultural dos ecossistemas tem papel fundamental na previsão e fomento do apoio público à conservação em várias atividades socioecológicas. A partir das experiências naturais o lugar é conhecido e valorizado pela população, sendo um importante elemento de identidade pessoal e comunitária. Diante disso, aumentar a relação com o ambiente natural ou natureza não humana é uma maneira importante de desenvolver políticas ambientais mais sustentáveis, porque as pessoas estão mais motivadas a proteger os ambientes que são significativos para elas. Essa motivação à proteção e à natureza estabelece relações de responsabilidade tanto com as gerações futuras quanto com a comunidade biótica. A proteção à natureza não pode ser apenas o resultado da conexão pessoal, porém serve como caminho para sua preservação.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos o apoio da professora Vanessa Casarin na elaboração deste artigo.

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Nota

1 No original: “No obstante, al tratarse de preferencia o identificación por un lugar los aspectos visuales no presentan importancia, ya que los elementos que aluden a la interacción humana, a los vínculos establecidos con el lugar a través de las relaciones con otras personas, son los que adquieren predominio. Así, un lugar es preferido por un individuo o es “su” lugar (con el cual se identifica, donde se encuentra a sí mismo) porque ahí tiene sus vivencias, sus interacciones con sus “otros”, los que le permiten ser y ubicarse en el mundo por oposición a su ser él mismo, y son precisamente estos resultados los que manifiestan rasgos considerados parte de lo que Yory (2006) entiende como topofilia, que no se agota en el afecto a un lugar, sino que se constituye mediante las interacciones con otros seres humanos que cohabitan en un espacio”.
COMO CITAR ESTE ARTIGO/HOW TO CITE THIS ARTICLE DUARTE, D.R. et al. Conexão entre pessoas e ambiente: uma revisão de literatura sobre topofilia. Oculum Ensaios, v.18, e214706, 2021. https://doi.org/10.24220/2318-0919v18e2021a4706

Autor notes

COLABORAÇÃO D.R. DUARTE, J.A. ANDRADE e J.C. SOUZA colaboraram na análise e interpretação dos dados. A.G. SANTIAGO foi responsável pela revisão e aprovação da versão final do artigo.

Correspondência para/Correspondence to: A.G. SANTIAGO | E-mail: alinagsantiago@hotmail.com

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