Resumo: O objetivo desta pesquisa é analisar o uso de ferramentas Web pelos periódicos científicos dos países ibero-americanos a fim de identificar quais recursos foram utilizados. Os procedimentos metodológicos utilizados são exploratórios, documentais e quanti--qualitativos. O universo da pesquisa foi composto pelos 883 periódicos ibero-americanos indexados no Institute for Scientific Information, Web of Knowledge e no Scopus, do ano de 2011. A análise das ferramentas Web adotadas pelos periódicos permitiu a identificação de um número maciço de periódicos científicos eletrônicos: 99,21%. Ferramentas Web 2.0 foram identificados em 9,27% das publicações, dentre as quais se destaca o uso de sites de redes sociais, microblogs, blogs e compartilhadores de vídeos e de imagens. A análise das relações entre as características dos periódicos que utilizam recursos 2.0 mostrou a existência de indicadores de impacto maiores nessas publicações em relação às revistas que não utilizam Web 2.0 em alguns países. Conclui-se que os títulos priorizam o artigo tradicional com opção de impressão e a disseminação dos artigos utilizando plataformas Web, além do uso ainda limitado da Web 2.0.
Palavras chave: Acesso abertoAcesso aberto,Bases de dadosBases de dados,Periódicos científicosPeriódicos científicos,Recursos Web 2.0Recursos Web 2.0.
Abstract: The purpose of this research was to analyze the use of Web tools by scientific journals in Ibero-American countries. The methodological procedures are descriptive, exploratory, documental, quantitative and qualitative. The corpus included 883 Ibero-American journals indexed in 2011 list by the Institute of Scientific Information, Web of Knowledge and Scopus. By analyzing the Web resources used by the journals, we identified a massive number of electronic journals, 99.21%, the Web 2.0 features were identified in 9.27% of the publications, among which the use of social networking sites, microblogs, blogs, video and photo sharing platforms are the highlight outstanding. The analysis of the relationships between the characteristics of the journals that use the 2.0 tools showed higher impact indicators than those in countries that do not use the Web 2.0. It may be concluded that journals disseminate articles using the web platforms and Web 2.0 and prefer keeps traditional articles that can be printed.
Keywords: Open access, Databases, Scientific journals, Web 2.0 Resources.
Articles
Uso de ferramentas Web 2.0 pelos periódicos ibero-americanos indexados no Web of Science e Scopus1
Use of Web 2.0 tools by Ibero-American journals indexed by Web of Science and Scopus
Recepção: 26 Setembro 2013
Revised document received: 22 Maio 2015
Aprovação: 24 Junho 2015
A ciência se constitui como um sistema social no qual a comunicação tem papel central no fazer científico (Targino, 2000; Mueller, 2007). A comunicação é considerada, segundo Meadows (1999, p.vii) "[...] o coração da ciência [...]", consistindo na "[...] forma de estabelecer o diálogo com o público da comunidade científica [...]" (Valério & Pinheiro, 2008, p.161) e, portanto, "[...] parte inerente do desenvolvimento da ciência [...]" (Oliveira & Noronha, 2005, p.76). O contato entre os membros da comunidade científica para produção, avaliação e publicação é essencial para o avanço das pesquisas.
A publicação com a certificação e legitimidade do conhecimento produzido pela avaliação cega dos pares, nos periódicos científicos de qualidade, são elementos fundamentais do processo de comunicação formal da ciência, conforme apontado por Mueller (2007). Além disso, viabiliza o registro da evolução do conhecimento científico.
O uso da Internet nas rotinas científicas tem proporcionado novos meios de formalização da comunicação científica, como também novos recursos da comunicação informal, que são utilizados para publicações em canais formais. A comunicação eletrônica no modo informal é feita por correio eletrônico, listas de discussão e bate-papos e, no modo formal, principalmente com a publicação de artigos em periódicos, livros, obras de referência, com os recursos do formato eletrônico (Oliveira & Noronha, 2005).
A Web, com suas múltiplas possibilidades de acesso, compartilhamento e comunicação, potencializa de forma exponencial a circulação da comunicação formal e viabiliza novos meios, inclusive de registro, para a circulação das comunicações informais.
O meio de comunicação formal de maior prestígio são os periódicos científicos, que desempenham funções essenciais ao desenvolvimento da ciência: (a) publicação de resultados de pesquisas; (b) registro da autoria de descobertas científicas; (c) certificação do conhecimento científico, por meio da revisão pelos pares; (d) disseminação e recuperação da informação científica; (e) constituição da memória científica; (f) atribuição de visibilidade às pesquisas realizadas pelos autores; (g) integração entre os membros da comunidade científica; (h) registro da produção dos autores para fins de progressão de carreira; (i) registro da produção científica de uma instituição; e (j) registro da produção de determinada área do conhecimento (Barbalho, 2005; Fachin & Hillesheim, 2006; Mueller, 2007; Carvalho, 2011; Silva et al., 2011).
As publicações ibero-americanas, que se caracterizam pela ausência de tradição editorial comercial, encontraram na Web e no movimento Open Access (OA) oportunidade de expandir e consolidar seus canais formais de comunicação científica, mais do que uma reação ao modelo de acesso imposto pelas editoras comerciais (Terra-Figari, 2008; Guédon, 2010). Entre as implicações do uso da Web nos canais de comunicação da ciência, há os avanços na edição eletrônica dos periódicos, com a instantaneidade da publicação, a melhoria da qualidade das edições (Souza et al., 2003; Vieira, 2006) e o crescimento dos periódicos em formato eletrônico e em OA (Oliveira & Noronha, 2005).
O objetivo geral desta pesquisa foi investigar o uso da Web 2.0 pelos periódicos científicos dos países ibero-americanos, tendo como objetivos específicos: (a) identificar os recursos Web utilizados; (b) descrever as características dos títulos que usam ferramentas da Web 2.0; e (c) relacionar essas características com o uso das ferramentas Web 2.0.
No âmbito da comunicação científica, o desenvolvimento da Web nas últimas décadas e o surgimento de ideias novas sobre as práticas de comunicação científica - impulsionadas pela passagem do periódico impresso ao eletrônico e pela crise dos preços -, conduzem a novas formas de se pensar o fazer científico. "Web 2.0 traz a promessa de permitir aos pesquisadores criar, anotar, revisar, reutilizar e representar a informação de novas maneiras, e de promover inovações práticas na comunicação científica [...]"3 (Procter et al., 2010, p.4039, tradução nossa).
Ainda segundo Procter et al. (2010):
[...] a adoção da Web 2.0 é fortemente influenciada pela extensão do envolvimento dos pesquisadores em atividades de pesquisa colaborativa. Aqueles que trabalham em colaboração com diferentes instituições são significativamente mais propensos a ser usuários frequentes ou ocasionais de Web 2.0 (p.4044, tradução nossa)4.
Dado o aspecto social da atividade científica e a necessidade constante de se comunicarem, os pesquisadores deveriam considerar o uso da Web 2.0 perfeitamente natural e produtivo (Waldrop, 2008; Nikam & Babu, 2009). No entanto, a grande maioria desses recursos são desconhecidos e/ou pouco usados pela maior parte dos pesquisadores, nas visões de Torres-Salinas e Del-gado-López-Cózar (2009) e de Waldrop (2008), quando afirmam que se trata, principalmente, da falta de reconhecimento pela própria comunidade.
Torres-Salinas e Delgado-López-Cózar (2009) discorrem, ainda, sobre o aproveitamento que se pode dar às ferramentas Web 2.0 em interação com o uso de repositórios para a difusão dos resultados das pesquisas científicas, de modo a alcançar maior visibilidade, onde cada serviço tem uma função nesse processo. Os autores elencam três usos: (a) aplicações para depósito (tanto podem ser repositórios, como podem ser ferramentas para compartilhamento de apresentações, vídeos e documentos); (b) um Canal Central (representado por um blog no qual serão relacionados os depósitos com o uso de redes sociais); e (c) os canais de difusão (baseados no uso de sites de redes sociais e microblogs). Há que se levar em conta a interrelação destes usos que formam o que os autores chamam de ciclo estratégico de difusão, onde
Depois de depositar o trabalho, se escreverá uma entrada no blog com a finalidade de informar a comunidade da livre disposição do mesmo. Esta entrada deve ter um título descritivo, e o conteúdo deve conter pelo menos a descrição bibliográfica completa (incluído o resumo) e, se desejado e com tempo para isso, alguns comentários do autor em um tom mais informativo, explicando aspectos de destaque dos resultados. Não devemos esquecer de incluir um link direto ao local de depósito do documento. Além disso, se se trata de apresentações depositadas em Slideshare, podemos incorporar a apresentação na postagem através do código-fonte oferecido por esta aplicação.
Por último, redigiremos uma mensagem curta em Twitter e Facebook para anunciar a publicação a nossos contatos oferecendo nesta ocasião um link que remeta aos leitores diretamente a postagem do blog (Torres-Salinas & Delgado--López-Cózar, 2009, p.537, tradução nossa)5.
Um dos objetivos principais da difusão dos resultados de pesquisas por meio de ferramentas Web 2.0 é, segundo Torres-Salinas e Delgado-López-Cózar (2009), melhorar a visibilidade desses resultados no aumento da utilização dos materiais e conteúdos compartilhados, que pode ser medido pelos indicadores oferecidos pelos seguintes recursos: indicadores de influência social (número de contatos e comentários), indicadores de utilização (número de visitas, reproduções e downloads) e indicadores de reconhecimento (número de enlaces e citações). Os indicadores "alternativos" são chamados de Altermetrics, por Priem et al. (2012), e de Scientometrics 2.0, por Priem e Hemminger (2010).
Segundo Priem e Hemminger (2010), Eysenbach (2011) e Priem et al. (2012), o surgimento da Web 2.0 abre uma janela para novas métricas do impacto e influência da produção científica que até o momento haviam escapado à medição. Priem e Hemminger (2010) argumentam que há artigos que não são citados, mas são lidos, comentados e compartilhados em blogs, microblogs e redes sociais, prática que muitas vezes oferece acesso em tempo real a dados estruturados.
Ambinder e Marcondes (2012), em estudo sobre novos formatos de artigos científicos que exploram as possibilidades digitais, identificaram 16 experiências classificadas em três categorias: (a) aplicações em XML: Chemical Markup Language (CML), System Biology Markup Language (SBML) e Mathematical Markup Language (MathML); (b) uso de ontologias: Scientific Publishing Task Force Ontology for Self-Publishing e Ontology for Experiment Self-Publishing; e (c) sistemas inovadores: Projeto Arkeotek, Sistema Hypothesis Browser (HyBrow), MachineProse, Semantic Web Application in Neuromedicine (SWAN), Article of the future, Sistema Information Hyperlinked over Proteins (iHOP), Sistema Textpresso, Public Library of Science (PLoS), Sistema Utopia Document, Hypotheses, Evidence and Relationships (Projeto HypER) e Modelo semântico de publicações científicas digitais, dentre os quais pelo menos seis iniciativas utilizam ferramentas 2.0.
Os principais recursos e ferramentas utilizadas para a comunicação, compartilhamento e organização de conteúdos na Web são blogs, microblogs e sites de redes sociais, apresentados na sequência.
Blog
Um blog é um site que contém entradas de publicações em ordem cronológica inversa, de modo a apresentar em primeiro lugar as postagens mais recentes, funcionando como uma espécie de diário eletrônico (Silva, 2008; Torres-Salinas & Delgado-López-Cózar, 2009; Oliveira, 2010; Araya & Vidotti, 2011; Babu & Gopalaswamy, 2011). Nesse sentido ainda, Araya e Vidotti (2011) discorrem que "desde 1994, os blogs representam uma evolução dos diários pessoais (que eram privados) para o ambiente Web (onde tornam-se públicos)" (Araya & Vidotti, 2009, p.40), migrando do formato impresso para o digital.
Caregnato e Sousa (2010, p.58) identificam as características fundamentais dos blogs:
[...] atualização constante; posts em ordem cronológica inversa; presença de links nos posts e nos blogrolls; possibilidade de interação por meio dos comentários aos posts. Sua estrutura, portanto, baseia-se em posts, comentários, tags, blogrolls e Rich Site Summary (RSS) [...].
Além disso, para Almeida (2010) e Caregnato e Sousa (2010), os blogs incorporam a geração automática de feedsReally Simple Syndication (RSS), possibilitando a difusão das atualizações no momento em que novos conteúdos são publicados. É possível também incorporar à postagem áudios, vídeos, imagens e até documentos compartilhados em outros serviços Web.
Os blogs se popularizaram por permitirem a criação de páginas Web de maneira rápida e simples, a publicação (postagem) e organização de conteúdos (pela atribuição de tags) de acordo com o interesse e os critérios do autor e, ainda, por permitirem a interação com os leitores por meio de comentários (Rosa, 2008; Almeida, 2010; Oliveira, 2010).
Dadas as múltiplas possibilidades de publicação e comunicação, segundo Maness (2007), os blogs permitem a produção e consumo rápido de informações e tornaram-se importantes espaços de conversação online (Primo & Smaniotto, 2006), além de funcionarem como fontes de informação, distribuindo conteúdo de maneira informal sobre ciência, tecnologia, literatura, entre outros.
Segundo Wilkins (2008), a maior parte das postagens refere-se a anúncios recentes da ciência e, entre as razões para manter um blog científico, o autor cita ainda a preocupação óbvia de comunicação da ciência e também o ato de "blogar" como uma forma de desmitificar a ciência. Babu e Gopalaswamy (2011) colocam os blogs como mecanismos catalisadores na atividade de pesquisa, por conta do exercício da escrita, pelas discussões e pelo compartilhamento de informações.
Além disso, de acordo com Almeida (2010, p.291), "Há algum tempo, as editoras científicas internacionais vêm percebendo os benefícios das tecnologias de compartilhamento de informação, incentivando até mesmo o uso de blogs, [...]", ou seja, periódicos científicos, inclusive renomados, têm mantido blogs como forma de divulgação dos artigos publicados e como canal de discussão dessas publicações, conforme propõem Ambinder e Marcondes (2012, p.5).
Periódicos renomados como o BMJ e o Nature adotam nos seus websites o blog como meio formal para disseminar e promover discussões sobre trabalhos publicados pelas comunidades de leitores. Os periódicos científicos que utilizam a Web 2.0 aceleram o processo de produção do conhecimento e, consequentemente, o processo de comunicação científica.
O papel central dos blogs no processo de difusão das publicações científicas por meio das ferramentas Web 2.0 é salientado por Torres-Salinas e Delgado-López-Cózar (2009), pois eles conectam as aplicações de depósitos - quer sejam documentos Web, repositórios ou mesmo periódicos eletrônicos - às redes sociais utilizadas pelo pesquisador e demonstram "nossa imagem na Internet recuperável de qualquer buscador e no qual podemos anunciar todas nossas atividades ou resultados" (p.536). Os autores mencionam, ainda, a utilização pelos diversos atores do processo científico, sugerindo a integração de redes pessoais, institucionais e editoriais.
Segundo Oliveira (2010), microblogs funcionam como uma junção do blog, com os mensageiros instantâneos, pois as postagens são acompanhadas em tempo real e os usuários podem trocar mensagem privadas entre si e/ou mencionar outros usuários publicamente em suas atualizações.
Comparado ao blog comum, o microblogging satisfaz uma necessidade de um modo de comunicação ainda mais rápido. Encorajando posts menores, ele diminui o gasto de tempo e o pensamento investido para a geração de conteúdo. [...] a segunda diferença importante é a frequência de atualização (Oliveira, 2010, p.54).
Enquanto em blogs as postagens são mais longas e espaçadas, com intervalos mensais, semanais ou diários, em microblogs as atualizações acontecem várias vezes ao dia, permitindo que as informações publicadas circulem em tempo real e mais velozmente (Oliveira, 2010; Rufino et al., 2010). Além disso, muitas dessas ferramentas permitem o compartilhamento de documentos, como fotos, vídeos, áudios e links.
O serviço de microblog mais popular é o pioneiro Twitter (Priem & Hemminger, 2010; Rufino et al., 2010; Santarem Segundo, 2010; Ambinder & Marcondes, 2011). Nesse serviço, as postagens são limitadas a 140 caracteres, definidos pelo tamanho das mensagens, enviadas pelo Short Message Service (SMS) de celulares, sendo ainda permitido postar atualizações diretamente no site, por Internet móvel, pelo mensageiro instantâneo e por SMS (Marcos, 2009; Oliveira, 2010; Santarem Segundo, 2010).
Priem e Costello (2010) identificaram que pesquisadores usam Twitter para citar artigos, dentre os quais pelo menos 40% das citações ocorrem no prazo de até uma semana de publicação do texto. De acordo com o estudo de Eysenbach (2011), a maioria dos artigos é citada em tweets no mesmo dia em que o artigo foi publicado ou no dia seguinte à publicação.
Priem e Costello (2010) também verificaram que metade dessas citações está relacionada a um link direto para o texto, considerado tweet de primeira ordem, enquanto a outra metade é constituída por citações para websites intermediários, grande parte notícias ou postagens de blogs que citam um artigo científico. Esse processo de compartilhamento e citação, por meio de microblogs, tem como característica a velocidade e atualização das informações compartilhadas.
As redes podem ser constituídas a partir de redes sociais existentes no ambiente offline ou a partir do estabelecimento de novas redes unicamente na Web e, segundo Recuero (2007, p.2), "[...] possuem conexões constituídas através de diferentes formas de interação e trocas sociais". De acordo com Boyd e Ellison (2007, p.211), sites de redes sociais (SRS) são:
[...] serviços baseados na Web que permitem aos indivíduos (1) construir um perfil público ou semi-público dentro de um sistema limitado, (2) articular uma lista de outros usuários com quem eles compartilham uma conexão, e (3) ver e percorrer suas listas de conexões e aquelas feitas por outras pessoas dentro do sistema6.
Além disso, o desenvolvimento de SRS dá novo fôlego aos estudos sobre redes sociais, conforme salienta Recuero (2009), pois, por meio dessas ferramentas, é possível identificar os rastros da comunicação e estudar como as redes sociais se estabelecem e se comunicam.
O valor das redes sociais se manifesta de várias maneiras. Por exemplo, os usuários podem tirar vantagem de suas interações com outros usuários e encontrar informações relevantes para eles ou podem explorar as conexões existentes em uma rede social para entrar em contato com outros usuários com quem podem contribuir e interagir [...] (Aroyo et al., 2010, p.2, tradução nossa)7.
Outra aplicação das redes sociais na Web, que, segundo Gewin (2010), vem crescendo, é a criação de SRS especializados para a comunidade acadêmica e científica como: Academia.edu, Epernicus, ResearcherID, ResearchGate e SciSpace, que, além dos perfis e recursos de comunicação comuns aos SRS para fins pessoais e/ou profissionais, oferecem recursos para criação de grupos de discussão, ferramentas de colaboração, divulgação de publicações, eventos e vagas de emprego, conforme os estudos de Bittner e Müller (2011).
Ainda de acordo com Gewin (2010), nenhuma desses recursos tem alcançado número de usuários significativo e, entre os motivos citados para a resistência dos pesquisadores estão: a falta de confiança na ferramenta, a preocupação com o roubo de dados e a ausência de opções realmente úteis ao pesquisador. Já para Bittner e Müller (2011), os usos destas ferramentas são múltiplos, permitindo desde a promoção de pesquisas e publicações até a aproximação de pesquisadores com interesses comuns.
A literatura aponta a importância na disseminação da informação e na expansão dos contatos por meio de diversas alternativas. Pode-se observar a prioridade em estratégias que gerem aumento dos índices de citação dos artigos, enquanto o formato dos artigos e a avaliação do conteúdo permanecem praticamente inalterados.
Esta pesquisa caracteriza-se, quanto aos objetivos, como descritiva e exploratória; quanto aos procedimentos técnicos, como uma pesquisa documental; e, quanto à forma de abordagem, como quanti-qualitativa (Creswell, 2010; Mascarenhas, 2012).
O universo da pesquisa foram os títulos publicados (883) pelos países ibero-americanos, indexados no Institute for Scientific Information (ISI) e Scopus, nos quais a representatividade dessa região em relação ao total mundial de títulos nas bases não ultrapassa os 5% (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, 2010), mas garante a qualidade dos títulos e a presença em várias áreas do conhecimento, discussão essa que está fora do escopo deste trabalho.
A coleta de dados foi finalizada em julho de 2012, usando formulário específico pré-testado. O formulário de coleta de dados contemplou quatro blocos de informações: (a) Identificação: título, International Standard Serial Number (ISSN), Uniform Resorce Locator (URL), país e tipo de instituição publicadora; (b) Características: área do conhecimento, plataforma utilizada e Índices de citação: Fator de Impacto (FI), índice H e SCImago Journal & Country Rank (SJR); e (c) Recursos Web 2.0: blog, microblog, canal de vídeos, compartilhador de imagens, links e apresentações e redes sociais.
As fontes utilizadas para a coleta dos dados foram: (a) Journal Citation Reports; (b) Scimago Journal & Country Ranking; (c) Ulrich's Web; (d) Latindex; (e) Google; (f) SciELO; (g) Redalyc; e (h) Página web dos periódicos que compõem o universo da pesquisa. Em caso de diferença nas informações, foram considerados para a pesquisa os dados do SciELO e da página do periódico.
A discussão dos resultados faz a análise descritiva dos dados, realizada por meio da representação em tabelas das frequências observadas.
A Tabela 1 apresenta os macrorresultados obtidos, detalhando o universo desta pesquisa.
Identificaram-se 883 periódicos, dos quais 876 foram categorizados com Recursos Web, compostos pelas plataformas de publicação, formatos de arquivo, uso de RSS, identificador persistente, licenças Creative Commons (CC), Canal de Notícias, Comentários e Tags. Já os periódicos categorizados como Ferramentas Web 2.0 somam 82, compostos por blogs, microblogs, redes sociais e compartilhadores de conteúdo. Ainda, 667 periódicos apresentaram relações entre os recursos Web e Web 2.0, apresentando a sobreposição de recursos.
A investigação sobre as características dos periódicos que usam a Web 2.0 (plugins sociais, compartilhamento de links, microblogs e redes sociais) identificou em torno de 75% dos 876 títulos tabulados (Tabela 2), que usam algum recurso que permite o compartilhamento, pelos usuários, das informações publicadas.
Dentre os recursos para compartilhamento, o item mais frequente nos periódicos científicos são os ícones para indicação de conteúdo por e-mail (73,72%), no qual o leitor pode, a partir do link, adicionar um endereço de e-mail, escrever uma mensagem (opcional) e encaminhar o link da publicação ao contato. O elevado índice de uso do ícone para e-mail, especialmente se comparado aos recursos Web 2.0, tem relação com o fato apontado por Rosa (2008) de que os pesquisadores consideram essa forma de utilização da Internet útil e produtiva.


Segundo Oliveira e Noronha (2005), o uso do correio eletrônico é corriqueiro na vida dos pesquisadores e, para Neubert et al. (2012), a preferência é pelo uso do e-mail na comunicação entre pesquisadores, em relação às demais alternativas, especialmente para o compartilhamento de referências bibliográficas, representando o tipo de contato um para um, altamente direcionado e personalizado.
O segundo item mais comum nos periódicos (Tabela 2) são os ícones para plugins sociais (58,66%), acrescidos aos sites como um widget e funcionando como uma plataforma para compartilhamento de conteúdo, o que possibilita o compartilhamento da publicação em diversos serviços Web, conforme a escolha do usuário. Essa ferramenta é agregada à plataforma de publicação do periódico e permite a seleção de inúmeras ferramentas Web 2.0 para compartilhar o link da publicação.
Dentre as plataformas de compartilhamento, a mais utilizada é o AddThis, com 59,79% dos títulos, e, em algumas publicações, usado conjuntamente com o ShareThis, o Lockerz e o Netvibes.
Dentre os ícones para ferramentas 2.0, citadas na Tabela 2, os mais comuns são os de SRS com 13,98% e microblog, nesse caso o Twitter, com 13,36%. Já as redes sociais mais encontradas são: Facebook (120 periódicos); GooglePlus (28 periódicos), LinkedIn (3 periódicos) e MySpace (2 periódicos).
Em relação à existência de ícones para os compartilhadores de links e referências, identifica-se o ícone para Delicious (22 periódicos), Citeulike (18 periódicos), Conotea (18 periódicos), Digg (3 periódicos), Reddit (3 periódicos), StumbleUpon (3 periódicos) e 2Collab (1 periódico).
Os recursos Web 2.0 são minoria nas publicações ibero-americanas e estão em conformidade com o apontado na literatura por Waldrop (2008), Torres-Salinas e Delgado-López-Cózar (2009) e Procter et al. (2010), no sentido de que a resistência da adoção da Web 2.0 pela comunidade científica deve-se, em parte, ao desconhecimento e limitada compreensão sobre seu uso (Research Information Network, 2010).
Os índices relativos à existência de recursos de compartilhamento de conteúdo pelos usuários (destacado o uso de e-mail e plugins sociais) são indicativos do reconhecimento do valor desses recursos para a circulação da informação científica pelos canais informais.
A análise dos dados sobre o uso de blogs, microblogs, SRS e compartilhadores de vídeos e imagens pelos periódicos indica reduzido número de publicações que possuem blogs: dos 876 títulos que possuem plataformas Web, apenas 13 fazem uso desse recurso, o que repercute na visibilidade das publicações científicas, segundo Torres-Salinas e Delgado-López-Cozar (2009) e Sanches-Cuadrado e Morato (2011), quando argumentam sobre as aplicações e recursos Web 2.0.
Dentre os periódicos que possuem blogs, seis o possuem em plataforma própria e sete em serviços gratuitos de publicação e, destes, cinco utilizam Blogspot e dois utilizam Wordpress. Os resultados observados corroboram o apontamento de Waldrop (2008) em relação ao crescimento marcadamente lento da adoção dessa ferramenta por pesquisadores.
O uso de microblogs, do mesmo modo que o uso de blogs, apresentou que 34 periódicos possuem contas no Twitter (único microblog utilizado). No entanto, ainda que baixo, o índice de uso do Twitter é quase três vezes maior que o de blogs. Possivelmente, o uso do Twitter pelos periódicos científicos esteja relacionado ao crescimento de sua utilização acadêmica e científica, além de seu uso pelos pesquisadores como meio de citar artigos (Grosseck & Holotescu, 2008; Priem & Costello, 2010).
Dentre as ferramentas Web 2.0 utilizadas pelos periódicos, há uma clara preferência pelo uso de SRS, que aparece em 67 das publicações identificadas. Esses resultados, especialmente se comparados aos demais recursos Web 2.0, estão de acordo com a afirmação de Gewin (2010) sobre o uso de SRS com finalidades científicas e acadêmicas estar se tornando cada vez mais comum.
Com relação às redes sociais utilizadas, a preferência recai sobre o Facebook, com 63 publicações, sendo que sessenta periódicos utilizam apenas o Facebook e três incorporam outros recursos.
Quanto ao uso de canais de vídeos, identificou--se que apenas três periódicos os utilizam, sendo: um brasileiro, a revista Clinics, e dois espanhóis, as revistas Artnodes e Comunicar. A revista Comunicar é a única dentre os títulos estudados a utilizar o Flickr como compartilhador de imagens.
Com relação aos periódicos que utilizam Ferramentas Web 2.0, constituídas por blogs, microblogs, redes sociais e compartilhadores de conteúdo (Tabela 1), foram identificados 82, o que representa 9,27% do universo da pesquisa (883 periódicos), levando em consideração os tipos de instituições e os países. As instituições de maior destaque são as Universidades, que publicaram 36 dos 82 periódicos, seguidas pelas Associações Científicas e/ou Profissionais, que publicaram 25.
A participação das editoras comerciais acontece principalmente na Espanha, onde publicaram sozinhas quatro títulos de periódicos, além de mais cinco em parceria com outras instituições. Essa distribuição é condizente com o observado no cenário latino-americano, no qual universidades e associações são as instituições responsáveis pela publicação da maioria dos títulos de periódicos (Rodrigues & Oliveira, 2012).
Além disso, foi possível observar a descentralização das instituições que editam os periódicos: para os 82 títulos que adotam recursos Web 2.0, foram identificadas 84 instituições editoras, das quais apenas sete se repetem (seis editam dois títulos, e uma edita três). A alta capilaridade de editoras indica a inexistência de uma instituição responsável por alavancar os usos da Web 2.0 nos periódicos, conforme identificado por Packer (2011) ao analisar os títulos do Scielo.
Existe a sobreposição de múltiplas plataformas nas publicações ibero-americanas. Dos 82 periódicos com recursos Web 2.0, 57 utilizam plataforma própria, seguidas de 41 que usam o SciELO, 31 que usam a Redalyc, 20 que estão no OJS e 10 em outras. Não é possível estabelecer uma relação significativa entre o uso dos recursos Web 2.0 e a plataforma adotada pelo periódico, vista a distribuição das frequências observadas, mas é perceptível que as plataformas próprias se sobressaem.
Foram observadas as áreas do conhecimento dos periódicos que registram o uso de ferramentas Web 2.0 a fim de identificar a possível existência de uma tendência. Para fins de análise foi adotada a categorização de SCImago, pelo fato de essa base indexar o maior número de títulos e o menor número de áreas, e os títulos indexados apenas em ISI foram categorizados conforme as áreas estabelecidas em Scopus. Dentre as 27 áreas presentes nos periódicos, foram identificadas 22 com utilização recursos Web 2.0, conforme se apresenta a seguir na Tabela 3.
É possível a classificação dos periódicos em mais de uma área pela base de dados. Dos 82 periódicos com recursos 2.0, 62 periódicos são classificados em apenas uma área, 15 periódicos em duas áreas, três periódicos em quatro áreas e dois periódicos em três áreas. A área que concentra mais títulos é Medicina, cujo maior número de publicações são espanholas. Além disso, é possível identificar a distribuição uniforme dos periódicos nas demais áreas, inclusive proporcionalmente ao total de títulos indexados em cada área.
A análise das relações entre as características dos periódicos que utilizam recursos 2.0 permitiu a constatação da existência de indicadores de impacto maiores nessas publicações em relação às demais revistas estudadas em alguns países. Também permitiu a identificação das instituições mantenedoras desses títulos, confirmando os apontamentos de Rodrigues e Oliveira (2012) e Mueller (2011) sobre o papel das universidades e associações para manutenção dos periódicos na América Latina.
A distribuição dos dados em relação às plataformas de publicação utilizadas não permite a identificação de uma plataforma de destaque do uso da Web 2.0, uma vez que seus índices são proporcionais aos totais de uso de cada plataforma pelos títulos ibero-americanos. Do mesmo modo, não é possível identificar uma relação entre a área do conhecimento e o uso de recursos 2.0, uma vez que a distribuição dos dados é equivalente à quantidade de títulos indexados pela base.
O presente estudo comparou as médias e medianas dos indicadores de impacto produzidos pela Scimago, quais sejam:
a) o índice H, criado em 2005 como meio de avaliar o impacto da produção de um pesquisador, mas também utilizado como forma de medir o impacto dos periódicos científicos (Arencibia-Jorge & Carvajal-Espino, 2008; Rau, 2008; Erdmann et al., 2009). Seu cálculo é baseado tanto no número de artigos publicados quanto no número de citações recebidas, integrando essas duas medidas (Rau, 2008). Para o cálculo, o H é o número atribuído a um pesquisador que possui H trabalhos, citados pelo menos H vezes (Arencibia-Jorge & Carvajal-Espino, 2008);

b) o SJR, baseado no Page Rank, algoritmo de ranking dos resultados do Google, que se baseia na quantidade de links para cada item, atribuindo os pesos para as citações de acordo com a importância dos periódicos que as fazem (González-Pereira et al., 2009), dentre os periódicos que utilizam recursos Web 2.0 e os que não os utilizam. Os periódicos que utilizam algum recurso Web 2.0 possuem indicadores maiores em relação aos periódicos que não o utilizam.
O Índice H é, em média, 21,87% maior nos periódicos que utilizam ferramentas Web 2.0 do que naqueles que não fazem uso delas, embora no detalhamento essa relação não seja válida para os periódicos de todos os países ibero-americanos, como Argentina, Colômbia, México e Peru, cujo Índice H é menor em periódicos com Web 2.0. No Brasil, há aumento de 13,80% em média no valor do Índice H. Na Espanha, o aumento é de 14,53%. Os maiores aumentos da média ocorrem nos títulos publicados em Portugal e Chile, nos quais o valor dos indicadores aumenta 177,78% e 178,60%, respectivamente.
A mediana do Índice H dos periódicos que possuem recursos Web 2.0 é 33,33% maior em relação aos que não os utilizam. Ou seja, entre os títulos que não utilizam recursos 2.0, metade dos valores do índice H situa-se abaixo de três, e metade acima. Entre os títulos que utilizam Web 2.0 o valor do meio é quatro, portanto, os valores desses indicadores são maiores nessas publicações. No entanto, assim como a média, essa relação não é válida em todos os países.
Nos países cujas médias nos periódicos que utilizam recursos 2.0 foram maiores dos que naqueles que não os utilizam, o cálculo da mediana também comprovou a existência desse aumento. Os maiores aumentos da mediana nos periódicos que utilizam Web 2.0, em relação aos que não fazem uso desses recursos, são de 42,85% nos periódicos espanhóis, 63,75% nos brasileiros, chegando a 183,33% nos títulos chilenos.
Em relação ao SJR, os periódicos que utilizam Web 2.0 possuem indicadores em média 13,85% maiores que os demais, com exceção de Argentina e Portugal, países nos quais a média desse indicador é menor. O aumento mais significativo ocorre nos periódicos mexicanos e chilenos, nos quais aqueles que utilizam Web 2.0 possuem, respectivamente, SJR 46,35% e 32,21% maior que os demais (Tabela 4).
Comparados os valores de média e mediana do conjunto (Tabela 4), a mediana é menor em relação à média, tanto nos periódicos que utilizam a Web 2.0, quanto nos que não fazem uso dela. Do mesmo modo que a média, a mediana do SJR é maior nos periódicos que usam a Web 2.0, registrando-se aumento de 3,7%. Nos periódicos colombianos e espanhóis, a mediana é igual nos títulos que utilizam Web 2.0 e nos que não utilizam, embora em ambos os casos as médias tenham sido maiores nos títulos que utilizam recursos 2.0. Essa comparação permite a identificação da existência de discrepância nos valores do SJR no conjunto de títulos que fazem uso da Web 2.0, puxando o valor da média para cima. No entanto, na maior parte dos títulos, acompanhando o cálculo da média, a mediana é maior naqueles que utilizam algum recurso 2.0. Nos títulos mexicanos, a mediana é 1,92% maior, nos brasileiros 5,17%, nos peruanos 6,9%, nos portugueses 10,71%, e nos chilenos 26,92% maior. Observa-se essa mesma característica nos periódicos indexados em ISI WoK, conforme os dados da Tabela 5, apresentada a seguir.


Observa-se que os periódicos com ferramentas Web 2.0 possuem o FI em média 31,34% maior do que as publicações que não fazem uso dessas ferramentas.
Embora menos de 11,00% dos periódicos indexados no ISI façam uso de recursos Web 2.0, o FI é maior nessas publicações (com exceção dos periódicos argentinos e portugueses em que é menor, e dos colombianos em que é igual), chegando a ser 89,65% maior nos periódicos brasileiros, 153,16% nos mexicanos e 56,14% nos chilenos.
No total, a mediana do FI é 30,59% maior nos periódicos que utilizam Web 2.0. Os aumentos são de 11,7% nos chilenos, 12,35% nos argentinos, 23,53% nos colombianos, 41,08% nos espanhóis, 102,4% nos mexicanos e 104,65% nos brasileiros. A comparação entre as medidas de média e mediana permite afirmar a existência de indicadores maiores nos periódicos que utilizam recursos 2.0, em alguns países.
Os dados das Tabelas 4 e 5 demonstram indícios que corroboram os apontamentos de Torres-Salinas e Delgado-López-Cozar (2009) e Sanches-Cuadrado e Morato (2011) de que o uso de recursos da Web 2.0 contribui para aumentar a visibilidade das publicações científicas.
Os dados referentes às relações entre o uso ou não da Web 2.0, as instituições editoras, as plataformas de publicação e as áreas do conhecimento dos periódicos, apresentados nas Tabelas 1 a 5, não permitem estabelecer relação significativa entre essas variáveis e o uso de recursos 2.0, uma vez que tais dados são proporcionalmente equivalentes aos totais observados para todo o universo da pesquisa. Desse modo, a única relação identificada é entre o indicador de citação e o uso de ferramentas Web 2.0 em alguns países. Isso representa a interferência das comunidades científicas de cada país, independentemente da área do conhecimento ou do tipo de instituição editora.
A análise dos recursos Web 2.0 adotados pelos periódicos permitiu a identificação de um maciço número de periódicos científicos eletrônicos e, portanto, de pelo menos um recurso Web associado ao título.
O primeiro recurso a ser considerado em uma publicação eletrônica - e também o de maior destaque, essencial ao processo de editoração e importante para a visibilidade e a implantação de outros recursos -, são as plataformas de publicação adotadas.
Na Ibero-América foi identificado o elevado uso de múltiplas plataformas de publicação simultaneamente, propiciando assim várias interfaces e pontos de acesso aos conteúdos publicados pelas revistas. Dentre as plataformas utilizadas pelos periódicos, as que possuem maior destaque no cenário ibero-americano são Redalyc e SciELO, por propiciarem a formação de coleções de periódicos e terem importante papel no aumento da sua visibilidade. Os resultados desta pesquisa demonstram o papel dessas iniciativas como meio de proporcionar espaço de visibilidade aos periódicos científicos ibero--americanos e como ambientes propícios à vinculação de outros recursos Web 2.0 à publicação, de modo a auxiliar sua circulação e disseminação.
Além das plataformas de publicação foram observados: o frequente uso de RSS como meio de disseminação seletiva da informação, bem como os baixos índices de adesão a comentários, nuvens de tags e mensageiros instantâneos. A baixa adesão a outros recursos disponíveis no ambiente Web e a predominância do formato PDF em detrimento de outros formatos possíveis, corroboram o observado por outros pesquisadores em relação aos periódicos científicos eletrônicos: são, antes, um produto digitalização do periódico impresso, sem amplo aproveitamento dos recursos e funcionalidades audiovisuais disponíveis na Web.
Foi observado que, embora exista crescimento do número de aplicações Web 2.0 para fins científicos e acadêmicos, a compatibilidade entre a Web 2.0 e a atividade científica, especialmente com relação aos recursos que auxiliam a disseminação da comunicação científica formal, propicia o incremento da visibilidade das publicações científicas. Sua aplicação ainda é limitada, e esses recursos são utilizados por menos de 10% dos títulos que compõem o universo da pesquisa.
Diante desse contexto, estudos ainda se fazem necessários, dando maior destaque e avaliando a adoção de recursos interativos que ofereçam serviços mais sofisticados aos usuários dos periódicos, acompanhando a rápida evolução da tecnologia.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior a concessão de bolsa que permitiu a dedicação ao trabalho.




