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Jair Bolsonaro, líderes evangélicos negacionistas e a politização da pandemia do novo coronavírus no Brasil*
Jair Bolsonaro, negationist Evangelical leaders and politization of the new Coronavirus pandemic in Brazil
Jair Bolsonaro, líderes evangélicos negacionistas e a politização da pandemia do novo coronavírus no Brasil*
Sociedad y Religión: Sociología, Antropología e Historia de la Religión en el Cono Sur, vol. 30, núm. 54, pp. 121-147, 2020
Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas

Recepción: 31 Julio 2020
Aprobación: 05 Octubre 2020
Resumo: Este artigo versa sobre o alinhamento, ou a aliança informal, existente entre o atual presidente brasileiro Jair Messias Bolsonaro e alguns líderes evangélicos pentecostais que resistem a argumentos científicos relacionados à pandemia do coronavírus no Brasil e, consequentemente, relativizam ou negam as precauções práticas relacionadas a ela. Inicialmente, mostra que essa aliança foi estrategicamente construída, tendo ela sido importante para a eleição do atual presidente. Na sequência, discorre sobre as percepções semelhantes e mesmo coincidentes compartilhadas pelo presidente e os líderes evangélicos negacionistas acerca da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Ao fim, o artigo discorre sobre algumas lógicas simbólicas e práticas que asseguram tal aliança.
Palavras-chave: Bolsonaro, evangélicos, aliança, coronavírus.
Abstract: This article deals with the alignment, or informal alliance, between the current Brazilian president Jair Messias Bolsonaro and some Evangelical Pentecostal leaders those resist to scientific arguments concerning the coronavirus (COVID-19) pandemic, and consequently relativize or deny the practical cautions related to it. Initially, it shows this alliance was strategically built for the election of the current president. The article then discusses the similar and even coincidental perceptions shared by the president and those negationist evangelical leaders about the coronavirus pandemic in Brazil. Finally, it explores some symbolic and practical logics that ensure such alliance.
Keywords: Bolsonaro, Evangelicals, alliance, coronavirus.
No dia 28 de outubro de 2018 Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil com 57,8 milhões de votos (55,13%), e assumiu o poder em 1 de janeiro de 2019, para um mandato de quatro anos. Os analistas reconhecem que Bolsonaro foi beneficiado pela convergência de várias situações que na época vigoravam no país, tais como: “a crise econômica, a demanda por um ‘novo’ e uma ‘nova política’, o antipetismo cujas raízes antecedem a crise e a insegurança diante da crescente violência” (Almeida, 2019: 206). Diante deste quadro, Bolsonaro conseguiu construir um discurso que atendia “a demanda securitária; a moralidade dos costumes; a desqualificação do Estado por ser corrupto e paternalista; e a intolerância interpessoal” (Almeida, 2019: 210).
Os analistas também apontam que o apoio dos evangélicos - que hoje somam 30% da população brasileira - foi decisivo para a eleição de Bolsonaro (Almeida, 2019; Mariano e Gerardi, 2019; Prandi, Santos e Bonato, 2019, Pinezi, 2019). Porém, neste caso, trata-se especialmente dos evangélicos que se abrigam debaixo do grande guarda-chuva do pentecostalismo, que reúne igrejas pentecostais, neopentecostais e renovadas, que juntas somam entre 70% e 80% do total dos evangélicos no Brasil. Levando em consideração a variável religiosa, assinalamos que também foi muito importante para a eleição de Bolsonaro os votos provenientes dos católicos, sobretudo dos simpatizantes da Renovação Carismática Católica, da Opus Dei, da Tradição Família e Propriedade e de outros movimentos conservadores de orientação “pró-vida” e “pró-família” (Mariano e Gerardi, 2019).
Iniciamos este texto com uma apresentação sumária da aliança entre Bolsonaro e setores evangélicos durante a campanha eleitoral de 2018 e nos quase dois anos de governo. Mostramos, neste tópico, que o voto evangélico foi importante para a eleição presidencial e que o presidente faz questão de manter a boa relação com este segmento religioso, especialmente com a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, para assegurar a sua governabilidade. Na sequência, analisamos mais demoradamente a aliança referida no momento crítico da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Mostramos que há uma convergência de percepções, análises e atitudes acerca da pandemia entre o presidente e parcela dos evangélicos. Enfim, sem termos a pretensão teórica de produzir uma explicação analítica, avançamos algumas lógicas significativas e práticas que nos parecem sobressair na aliança entre os atores sociais referidos.
Do ponto de vista metodológico informamos que além de utilizar a produção acadêmica sobre o tema que nos ocupa, acompanhamos e repertoriamos sistematicamente desde o segundo semestre de 2019 todas as notícias veiculadas nos principais jornais do país e em portais de internet que apresentaram matérias que relacionavam Bolsonaro, evangélicos e a atual pandemia. As referências às fontes são apresentadas ao longo do texto.
O ALINHAMENTO, OU ALIANÇA, ENTRE BOLSONARO E LÍDERES EVANGÉLICOS NEGACIONISTAS
Jair Bolsonaro é um capitão do exército reformado que foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro durante sete legislaturas, desde 1991. É descendente de uma família do norte da Itália, cujos antepassados chegaram para trabalhar no interior de São Paulo no final do século XIX. Em sua trajetória política fez inúmeras declarações polêmicas, sobretudo na defesa da ditadura militar (1964-1985), na condenação da ideologia de gênero e de tudo o que é tido como “politicamente correto”. Sempre se considerou um político de direita, defensor da família e dos valores tradicionais.
Quanto ao aspecto religioso, Jair Bolsonaro externou em vários momentos de sua trajetória política o seu vínculo identitário ao catolicismo. No entanto, nos últimos anos tem se aproximado do campo evangélico, por dois motivos principais: por ter casado, em 2013, em suas últimas núpcias, com Michelle, que é evangélica, e para fortificar os laços com esse segmento religioso diante das suas novas pretensões políticas.
O primeiro gesto importante de aproximação de Bolsonaro com os evangélicos ocorreu em 12/5/2016, com o seu batismo no rio Jordão, em Israel, realizado pelo pastor da Assembleia de Deus Everaldo Dias Pereira, candidato a presidente do Brasil nas eleições de 2014 e presidente do Partido Social Cristão (PSC)1. Mas, foi durante a campanha eleitoral de 2018 que Bolsonaro estreitou relações com parcela do segmento evangélico. Naquele período, o então candidato conseguiu a façanha de obter o apoio explícito dos líderes das maiores igrejas pentecostais e neo-pentecostais brasileiras, a saber: Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus; Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo; Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra; José Wellington Costa Júnior, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB); Samuel Câmara, presidente da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil; Estevam e Sonia Hernandes, fundadores e líderes da Igreja Renascer em Cristo; Romildo Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus; Waldemiro Santiago, fundador e líder da Igreja Mundial do Poder de Deus; além do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil – organização que agrega aproximadamente 8 mil pastores de denominações evangélicas variadas – e da Confederação do Conselho de Pastores do Brasil.
O presente artigo contempla justamente discursos e ações dos líderes evangélicos pentecostais referidos, os quais se situam no campo de apoio político ao presidente em nível nacional, defendem pautas conservadoras em termos morais e refutaram, ou criticaram expressamente, as recomendações científicas a respeito da pandemia, especialmente no seu início. É o que denominamos, para resumir a ideia, de líderes evangélicos negacionistas. E é crucial sublinhar que a posição deles não representa a do conjunto dos evangélicos no Brasil.
A articulação desses líderes religiosos oferece uma expressão de anseios coletivos que vem sendo cada vez mais levada em conta nos cálculos dos agentes políticos, especialmente nas eleições. Eles se apresentam constantemente como porta-vozes do segmento “evangélico” na política nacional. Contudo, dado o número absoluto de evangélicos no Brasil, é necessário destacar que existe nesse grande coletivo pessoas de origens sociais e culturais muito diferentes, e posicionamentos políticos mais divergentes do que a suposta homogeneidade enunciada pelos discursos de alguns dos seus líderes. Numa estimativa conservadora, mantida a proporção do censo de 2010 (22%; Brasil, 2012), a população evangélica estaria em torno de 22%, ou seja, 46 milhões de pessoas no Brasil, considerando uma população nacional em 210 milhões, segundo o IBGE, em agosto do mesmo ano. Porém, aplicando uma estimativa do instituto de pesquisa Datafolha em 2019 (31%) (Redação G1, 2020), estima-se que a população que se identifica evangélica deve ter passado de 60 milhões.
Retornando à campanha presidencial de 2018, é necessário sublinhar que não houve unanimidade em favor de Bolsonaro nem entre os pastores das igrejas acima referidas, nem entre as múltiplas igrejas do segmento pentecostal e muito menos entre as igrejas do amplo campo evangélico, que inclui a ala histórica e de missão. Prova disto é que durante a campanha também surgiu um movimento no meio evangélico, inclusive pentecostal, contra Bolsonaro e em favor do voto em Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores ao segundo turno das eleições presidenciais, sob o argumento de que “o discurso de Bolsonaro incita a violência e é diretamente oposto ao que é pregado pelo evangelho”.
No entanto, é importante esclarecer que a aproximação de Bolsonaro com os evangélicos não significou a sua conversão a este segmento religioso. Ou seja, Bolsonaro nunca rompeu com o catolicismo. Consequentemente, antes e durante a campanha eleitoral a sua identidade religiosa permaneceu propositadamente ambígua, para agradar a todos os lados cristãos.
Essa estratégia de dubiedade acerca do autopertencimento religioso deu resultado, pois na reta final das eleições presidenciais Bolsonaro, como dissemos, havia recebido o apoio explícito dos líderes das maiores igrejas evangélicas brasileiras, mas, também, de algumas autoridades isoladas da hierarquia católica, como o arcebispo Orani Tempesta, do Rio de Janeiro, e de líderes de comunidades carismáticas, especialmente da Canção Nova, de Cachoeira Paulista, maior reduto da Renovação Carismática Católica no Brasil.
Bolsonaro concorreu no segundo turno das eleições presidenciais contra Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, e, como foi dito, venceu as eleições com 57.796.074 votos (55,13%) enquanto Haddad obteve 47.080.987 votos (44,87%). A diferença foi de 10.715.087 votos.
Os analistas tendem a considerar que os votos evangélicos foram muito importantes, ou mesmo decisivos, para a eleição de Bolsonaro. José Eustáquio Diniz Alves, por exemplo, mostra que enquanto os votos católicos foram muito próximos para os dois candidatos – Bolsonaro tendo recebido 29.795.232 votos e Haddad 29.630.786 votos – os votos evangélicos foram bem desiguais. Bolsonaro recebeu 21.595.284, ou seja, 38% do total dos seus votos, enquanto Haddad recebeu 10.042.504 votos, ou seja, 21% do total. Assim sendo, considerando que a diferença final entre os dois candidatos foi de 10.715.087 votos, os 11.552.780 votos evangélicos que Bolsonaro recebeu a mais do que Haddad asseguraram a sua vitória final2. O deputado federal e pastor Marco Feliciano, da Assembleia de Deus, expressou a vontade de hegemonia dos líderes pentecostais sobre o voto de evangélicos da seguinte forma: “nós temos público. Você traz os pastores e as ovelhas vão atrás” (Redação O Sul, 2019).
Portanto, se, por um lado, é uma obviedade afirmar que os votos evangélicos sozinhos jamais poderiam eleger Bolsonaro – uma vez que o número de eleitores evangélicos estão próximos, mas não chegam a um terço do eleitorado brasileiro – por outro lado, é plausível afirmar que sem os votos evangélicos Bolsonaro não teria sido eleito.
Após ter assumido o poder, em 1/1/2019, a aliança entre Bolsonaro e os evangélicos foi ainda mais fortalecida. Neste sentido, é significativo que no dia de sua posse, em 1/1/2019, Bolsonaro anunciou para os mais altos escalões da república três ministros de estado evangélicos. Foram eles: Damares Alves, pastora da Igreja Quadrangular e da Igreja Batista Lagoinha, como Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil; Onyx Lorenzoni, luterano declarado, como Ministro Chefe da Casa Civil e Marcelo Alvaro Antônio, membro da Igreja Cristã Maranata há quase 20 anos, como Ministro do Turismo. Além deles, o pastor da Igreja Presbiteriana, em Brasília, André Luiz de Almeida Mendonça, foi escolhido inicialmente como Advogado Geral da União, e a partir de 28 de abril de 2020 foi nomeado Ministro da Justiça, em substituição ao ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro3, o qual renunciou ao cargo, em 24/4/2020, alegando pressão do presidente em sua pasta e especialmente na Polícia Federal. E no dia 16/7/2020 tomou posse no governo Bolsonaro o quinto ministro evangélico. Trata-se do pastor Milton Ribeiro, também da Igreja Presbiteriana, que assumiu como Ministro da Educação.
Nestes quase dois anos de mandato, há muitos outros eventos reveladores da proximidade entre o presidente e os evangélicos. Mencionamos somente alguns deles: o “Encontro de Intercessão pela Nação”, realizado em Brasília, em duas oportunidades, em dezembro de 2018 e em abril de 2019, que contou com a presença de Bolsonaro, dos ministros evangélicos e de mais de uma centena de líderes evangélicos de todo o Brasil; o comparecimento de Bolsonaro em São Paulo, em 20/6/2019, na tradicional Marcha para Jesus; a presença no dia 7 de setembro de 2019, no feriado da Independência Nacional, de vários líderes evangélicos no palanque oficial, em Brasília, ao lado do presidente, durante o desfile cívico-militar;4 o comparecimento do presidente, em 8/2/2020, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no evento chamado The Send, que reuniu dezenas de milhares de jovens, e uma semana mais tarde o comparecimento de Bolsonaro no Rio de Janeiro, na celebração dos 40 anos de existência da Igreja Internacional da Graça de Deus; o encontro promovido por Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no dia 5/6/2020, em Brasília, no Palácio do Planalto, intitulado “Oração em favor do Brasil”, ocasião em que ele e outros pastores oraram sobretudo pelo presidente e o seu governo, que estava passando por uma severa crise política, associada à pandemia do coronavírus; a menção, feita em várias oportunidades, pelo presidente, de indicar no final de 2020 para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF) alguém “terrivelmente evangélico”, descrevendo tal intenção como “um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica”5.
Vamos agora nos ater ao alinhamento que também passou a existir entre o presidente e os líderes evangélicos negacionistas acerca da pandemia do novo coronavírus.
O ALINHAMENTO BOLSONARO E EVANGÉLICOS EM RELAÇÃO AO NOVO CORONAVÍRUS
No Brasil, o primeiro óbito oficial causado pelo novo coronavírus foi notificado no dia 26/2/2020. A partir de março instalou-se uma crise sanitária, política e econômica que está aumentando na medida em que o tempo passa. Nosso interesse é destacar que a pandemia reforçou o alinhamento entre o presidente e os principais líderes evangélicos de tendência conservadora do país. Adiantamos, numa frase, que todos eles tendem a subestimar a pandemia, apesar dos milhares de óbitos, e, por conseguinte, se inclinam também a desconsiderar as orientações e protocolos promovidos pelas autoridades sanitárias mundiais e nacionais6.
De fato, o presidente Bolsonaro tem subestimado, e mesmo assumido uma posição negacionista, quanto à pandemia do novo coronavírus desde o seu aparecimento no Brasil. Além disso, nesses sete meses de pandemia tem feito várias manifestações que revelam a sua insensibilidade pelas vidas perdidas e mesmo o seu desprezo pela ciência. Registro aqui, neste sentido, algumas de suas frases: “Não há motivo para pânico” (6/3/2020); “Estão superdimensionado o pode destruidor deste vírus” (9/3/2020); “Outras gripes mataram mais do que essa” (11/3/2020); “Depois da facada não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar” (20/3/2020); “infelizmente algumas mortes terão. Paciência” (27/3/2020); “É a vida. Todos nós iremos morrer um dia” (29/3/2020); “E daí? Eu sou messias, mas não faço milagre” (28/4/2020); “Vai morrer muitos (em razão do vírus) mas muito mais se a economia continuar destroçada por essas medidas (de isolamento social)” (14/5/2020).
Em 2/6/2020, quando a enfermidade relacionada ao coronavírus (COVID-19) já havia matado mais de 31 mil e infectado mais de meio milhão de brasileiros, convidado por uma apoiadora, na saída do Palácio do Planalto, em Brasília, para enviar uma mensagem de conforto aos brasileiros, o presidente simplesmente se contentou em dizer que “a gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo” (Redação UOL Notícias, 2020b). E no dia 20/6/2020, quando o Brasil chegou ao espantoso número de 50 mil mortos pela COVID-19 e mais de um milhão de infectados, o presidente manteve o silêncio de sempre, não dirigindo nenhuma palavra de conforto ou pesar aos milhões de brasileiros que sofreram com a doença até aquele momento.
A postura do presidente e suas declarações evidenciam a falta de tratamento sanitário adequado do governo federal para lidar com a pandemia. Além disso, o comitê de crise da pandemia é formado exclusivamente por militares, nenhum deles sendo da área médica. Nota-se uma carência de diretrizes claras para enfrentar a pandemia7. Após forte pressão social, e por iniciativa do Congresso Nacional, foi implementado um auxílio emergencial, também chamado de “vale-coronavírus”, para os desempregados, os trabalhadores informais e as pessoas sem renda. O auxílio foi previsto por três meses, a partir de 6 de abril de 2020 e o seu valor foi de R$600 reais mensais, cerca de 110 dólares norte-americanos. Após muitas discussões, com resistências de parte do governo, no final de junho foi anunciada a continuação do auxílio para até agosto. Este auxílio beneficiou 64 milhões de brasileiros nos primeiros meses da pandemia. Recentemente houve mais uma extensão do benefício, no valor de 300 reais mensais, até o final do ano de 2020.
Porém, essa situação favorável aos pobres e miseráveis do país encontra no Ministério da Saúde entraves e dificuldades de várias ordens, uma vez que desde o início da pandemia Bolsonaro demitiu dois ministros da saúde, ambos médicos, que estavam, de alguma forma, tentando gerenciar o drama sanitário com orientações científicas. Consequentemente, desde o dia 16/5/2020 o Brasil está enfrentando a pandemia sem um titular no Ministério da Saúde. Ocupa interinamente o cargo mais um general da ativa8, Eduardo Pazzuelo, especialista em logística, mas fora da área da saúde, o qual muito pouco tem se comunicado com a nação9.
Por sua vez, líderes evangélicos negacionistas e midiáticos como Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, além de congressistas da Frente Parlamentar Evangélica, nos primeiros meses da pandemia subestimaram e desqualificaram a pandemia a partir de chaves desconexas da realidade, mas conexas com crenças religiosas que a população reconhece. Assim, a Frente Parlamentar Evangélica, em nota emitida em 18/3/2020, se contentou em chamar a COVID-19 de "pandemia maligna". Por sua vez, Edir Macedo, a propósito do coronavírus, afirmou numa rede social: "Meu amigo e minha amiga, não se preocupe com o coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás"10. E Silas Malafaia, no evento por ele promovido no Palácio do Planalto, em 5/6/2020, acima referido, que contou com a presença do presidente, chamou o coronavírus de “espírito de morte”. Em outra postagem no Twiter, em 2/4/2020, deletada dias depois pelo próprio Twiter, Malafaia subestimou a pandemia. Sem apresentar nenhuma base científica escreveu: “Não vai ter catástrofe no Brasil (...) o próprio DNA do brasileiro protege a população contra o coronavírus”. Além deles, o pastor César Augusto, da Associação Fé Perfeita, de João Pessoa, profetizou, via internet, em 17/3/2020, o fim da pandemia do novo coronavírus. Disse ele: "O que eu vejo é que daqui para frente pessoas que estavam sendo analisadas como suspeitas (de ter COVID-19) vão começar a dar negativo". E acrescentou: "O diabo pode colocar a viola no saco"11.
Assim sendo, enquanto o maior mandatário do país, como vimos, procede à naturalização da morte pela COVID-19 (“todos nós iremos morrer um dia”), os líderes evangélicos negacionistas, por sua vez, fizeram uma leitura da doença a partir da ótica religiosa, entendendo-a como uma manifestação de satanás que eles e suas igrejas teriam condições de remediar. Neste sentido, é anedótico saber que R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça, prometia a cura da COVID-19 a quem bebesse de sua “água consagrada”12 e que Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, divulgou num vídeo no Youtube, em 7/5/2020, uma campanha de cura do coronavírus no qual oferecia uma semente de feijão, por ele abençoado, plantado num pequeno vaso, que curaria as pessoas. O custo unitário da semente era de um mil reais, em torno de USD 190 dólares13.
Outro tema comum ao presidente e aos evangélicos em questão reside na oposição ao distanciamento social no período da pandemia. Como sabemos, não havendo recursos terapêuticos disponíveis para enfrentar a pandemia, desde o início a OMS e os especialistas de todo o mundo preconizam insistentemente aos governos a necessidade de distanciamento social como condição para a não disseminação do vírus. Mas, o presidente brasileiro, seguindo a conduta de outros líderes mundiais, tais como Donald Trump e Boris Johnson, sobretudo no início da pandemia em seus países, se colocou contra o isolamento social. Mas, em 16/4/2020, foi impedido de impor a sua vontade para o país inteiro por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que deu autonomia aos governadores e prefeitos para poderem regulamentar medidas de isolamento social. Bolsonaro, porém, em medidos gestos de rebeldia, nos primeiros meses da pandemia compareceu em público quase todos os finais de semana junto a apoiadores diante do palácio presidencial, em Brasília, ou em suas cidades satélites, provocando aglomerações passíveis de produzirem a disseminação do vírus. Nessas situações, tanto apoiadores do presidente quanto ele próprio geralmente não usavam máscaras e permaneciam próximos uns dos outros, num gesto claro de politização da pandemia.
Esta situação levou a Justiça Federal, em 23/6/2020, a tomar a decisão de obrigar o presidente a usar máscara em espaços públicos no Distrito Federal, em Brasília, sob pena de receber uma multa diária de R$2 mil reais, ou seja, cerca de 380 dólares (Ortiz & Luiz, 2020). A rebeldia do presidente contra o isolamento social e em favor da flexibilização reside num argumento, por ele defendido inúmeras vezes, sem nenhuma comprovação científica, de que o isolamento irá produzir uma crise econômica no país que irá matar mais pessoas do que a própria pandemia.
Por sua vez, nos primeiros meses da pandemia no Brasil, os líderes evangélicos conservadores que apoiam Bolsonaro no campo político também se opuseram ao distanciamento social. Para eles, a quarentena significava o não comparecimento dos fieis nos cultos e, mais ainda, a possibilidade de serem obrigados a fechar as portas das igrejas para evitar a aglomeração de pessoas. Por isso mesmo, tanto o presidente como os evangélicos tentaram justificar que os serviços das igrejas se inscrevem entre as atividades essenciais. Assim, em 23/3/2020 o presidente emitiu um decreto que colocava as igrejas e as casas lotéricas na lista de serviços essenciais, podendo, assim, funcionar durante a quarentena. Por seu turno, o pastor Silas Malafaia afirmou que “A Igreja é um hospital espiritual e emocional”. Na mesma direção, a Frente Parlamentar Evangélica, na nota, já referida, emitida em 18/3/2020, afirmou que "a fé ajuda a superar angústias e é fator de equilíbrio psicoemocional".
No Brasil, o desencontro de posições entre, de um lado, o presidente e alguns líderes evangélicos, e, de outro lado, as autoridades governamentais e municipais, conduziu a uma judicialização da questão, com muitas idas e vindas, tanto a nível nacional, quanto estadual e municipal. O resultado disso é que devido as dimensões territoriais do país, e em razão da heterogeneidade das políticas adotadas pelas autoridades durante a pandemia, estão ocorrendo no Brasil condutas desiguais sobre o tema da abertura de templos e igrejas.
É importante frisar que desde o início da pandemia no Brasil e até o presente momento, Bolsonaro se mantém intransigente e irredutível em suas posições. Em 2/7/2020 vetou importantes pontos da lei nº 13.97914, desobrigando o “uso da máscara de proteção individual em órgãos e entidades públicas e em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, instituições de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas” (Agência Senado Notícias, 2020). Três dias mais tarde, ampliou o veto desobrigando o uso de máscaras em presídios (Mazui, 2020). Além disso, no dia 7/7/2020, quando anunciou que havia contraído a COVID-19, ao invés de expressar a sua compaixão diante de mais de 66 mil vidas perdidas e de mais de 1 milhão e seiscentos mil brasileiros então contaminados, preferiu vangloriar-se, dizendo que estava se sentindo “muito bem” e, sempre coerente com a sua insistência em minimizar a doença, comparou-a com uma chuva que “vai atingir você” (Mazui, 2020). O presidente aproveitou o momento para dizer que estava tomando cloroquina contra a COVID-19, um medicamento cuja eficácia foi negada pela Organização Mundial da Saúde e por várias pesquisas científicas, mas que ele insistia que devia ser receitada aos acometidos da doença15. No início de junho de 2020, em pleno momento de disparada das mortes pela doença, o Ministério da Saúde refez a metodologia de contagem que tornava nebuloso o verdadeiro número de mortes pela COVID-19, o que provocou uma reação contundente da imprensa e da sociedade. O Supremo Tribunal Federal obrigou o Ministério da Saúde a apresentar diariamente os dados da COVID-19, com a inclusão de todos os óbitos e de todos os infectados confirmados no dia. Enfim, cinco meses após o aparecimento da nova doença no Brasil – que já havia ceifado a vida de mais de 83 mil pessoas - o governo havia investido no combate à pandemia menos de um terço (29%) do orçamento aprovado pelo Congresso Nacional e disponível para ser utilizado (G1 & TV Globo, 2020). Por tudo isto, em 8/8/2020, o Brasil superou a marca de 100.000 mortos pela COVID-19 e de três milhões de infectados.16
Porém, diferentemente de Bolsonaro, a partir do mês de maio a maioria dos líderes evangélicos negacionistas mudou as suas atitudes e passou a realizar cultos online e não mais presenciais. Mesmo assim, mantém as portas das igrejas abertas, e as pessoas que ali chegam seguem as orientações de proteção pessoal. No entanto, destacamos que os responsáveis das igrejas assim procedem menos por convicção pessoal da necessidade do distanciamento social e mais por imposições legais advindas das autoridades estaduais e municipais que proíbem a aglomeração de pessoas em locais fechados.
É importante assinalar que em 19/7/2020 o pastor Malafaia, um dos mais aguerridos defensores de Bolsonaro, concedeu uma entrevista na qual reconheceu erros de Bolsonaro na condução da pandemia do novo coronavírus, especialmente a sua descrença em relação à ciência. Além disso, criticou a insensibilidade do presidente. Segundo as suas palavras: “Acho que, como presidente, em algumas dessas vezes, poderia trazer palavra de ânimo, de otimismo, sem levar para o viés de 'não tem nada'” (Valfré, 2020b).
Porém, no mesmo dia em que Malafaia fazia a crítica ao presidente, um grupo de cerca de 500 evangélicos se concentrou em Brasília, diante do Palácio da Alvorada, para apoiar Bolsonaro. Ergueram cartazes contra a quarentena decretada pelos governos estaduais e o seu não apoio ao uso da cloroquina no tratamento da COVID-19. Segundo o Correio Brasiliense, “muitos manifestantes ignoram a recomendação básica de uso de máscaras, como orienta o Ministério da Saúde” (Agência Estado, 2020).
Isto significa que se, por um lado, percebe-se a manutenção da convergência de posições entre Bolsonaro e os seus aliados evangélicos também acerca da pandemia, por outro lado, nota-se que com o passar dos meses a pandemia está se constituindo no tema que mais tem distanciado o presidente dos líderes evangélicos que não são negacionistas. Por exemplo, o pastor Henrique Vieira, da Igreja Batista do Caminho de Niterói, Rio de Janeiro, em entrevista recente disse: “Bolsonaro usa o nome de Jesus para fazer tudo aquilo que Jesus jamais faria (...). Igrejas que apoiam este governo estão apoiando um projeto de morte” (Pichonelli, 2020). Na mesma direção crítica a Bolsonaro e à Frente Parlamentar Evangélica, também chamada Bancada da Bíblia, está surgindo no Brasil a Bancada Evangélica Popular, que reúne evangélicos de esquerda, a qual está impulsionando candidaturas progressistas nas eleições municipais deste ano de 2020, tendo como bandeira a defesa de políticas públicas contra a desigualdade social e pela paz (Brandino, 2020).
No entanto, é significativo que quando o Brasil chegou a 100 mil mortos pela COVID-19, nem Malafaia nem nenhum dos pastores midiáticos negacionistas acima mencionados, se manifestaram diante do doloroso momento em que o país atravessava. Ou seja, nenhum deles, que se dizem “defensores da vida” e “defensores da família tradicional”, “supreendentemente (...) fizeram qualquer pronunciamento de luto, condolências e solidariedade às famílias dos 100 mil mortos” (Pacheco, 2020). Neste caso, como veremos a seguir, a aliança mantida com Bolsonaro falou mais alto do que qualquer senso de solidariedade com as vítimas da doença17.
AS LÓGICAS QUE NORTEIAM A ALIANÇA BOLSONARO E EVANGÉLICOS
Inspirados em Marshall Sahlins (1979) sustentamos que a aliança Bolsonaro-evangélicos obedece a uma lógica significativa e a uma lógica prática, aqui assumidas não como opostas, mas complementares.
A lógica significativa, ou simbólica, que aproximou Bolsonaro e os evangélicos é, evidentemente, plural. Ela iniciou, como vimos, com o seu batismo no rio Jordão e foi aprofundada com a divulgação do slogan de campanha eleitoral de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, acrescido da frase bíblica “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8:32). Com efeito, embora não haja uma pesquisa comprobatória, podemos levantar a hipótese de que a referência a Deus e o versículo bíblico utilizado no slogan de campanha pode ter produzido um efeito positivo no meio evangélico, corroborado pela construção de narrativas por parte de Bolsonaro para as quais os evangélicos também se mostram bastante sensíveis, como a defesa da família tradicional, dos valores morais, da pauta dos costumes, da condenação da corrupção e da sua contrariedade “a praticamente todas as mudanças concernentes à sexualidade, gênero e reprodução das últimas décadas” (Almeida, 2019: 205).
Outra lógica simbólica que aproximou os evangélicos, mas também católicos, a Bolsonaro foi, como referem Pinesi e Chesnut (2018), a inscrição da sua figura na chave do messianismo. Ou seja, ao longo da campanha eleitoral de 2018 foi sendo construída a associação de Bolsonaro com o “messias”, algo, aliás, presente no seu próprio nome, tal como uma predestinação. Duas linhas de força convergiram para tanto. De um lado, um antipetismo, ou antiesquerdismo, crescente, associado à ideia de corrupção, como resultado da operação Lava Jato, além de outros perigos atribuídos aos governos petistas, tais como: “implantar o comunismo, perseguir os cristãos, abolir o direito dos pais de educar os filhos, reorientar a sexualidade das crianças, destruir a família” (Mariano e Gerardi, 2019: 69). Por outro lado, e em oposição a essas mazelas, emergiu o discurso produzido por Bolsonaro que aciona os valores cristãos, a importância da família tradicional, que cuida das crianças contra a ideologia de gênero. É neste ambiente, ao que tudo indica, que foi gestada a figura do “libertador”, do “guerreiro” revestido de poder divino, capaz de vencer todos os males (a iniciar pela corrupção) e impor uma “nova política”, baseada nos valores cristãos. O episódio da facada, ocorrida em Juiz de Fora, em 6/7/2018, ajudou a moldar a figura do mártir que doa a sua vida pela pátria, se preciso for. A sua recuperação fortaleceu ainda mais a sua “missão” de “libertar” o país do “socialismo”, da degradação moral, das mazelas sociais, de restaurar uma ordem perdida e de inaugurar um novo tempo para a “nação”. É possível que muitos eleitores de Bolsonaro tenham interpretado nesta chave a sua constante narrativa de inaugurar uma “nova politica”.
Assim, no qualificativo “mito”, como foi e continua Bolsonaro a ser chamado pelos seus seguidores, estaria embutida a noção de “mártir”, de “herói invencível”, de “libertador”, de “salvador da Pátria”, em suma, do “messias”, capaz de inaugurar uma “nova” sociedade, a partir da moral e dos valores cristãos.
À lógica significativa se junta, porém, a lógica utilitarista na aliança entre Bolsonaro e líderes evangélicos negacionistas. Para o presidente, trata-se, fundamentalmente, de continuar a obter o apoio deste segmento religioso, e também de católicos, para dar sustentabilidade ao seu atual governo e, sobretudo, para ajudá-lo a obter um novo mandato na Presidência da República18. De fato, Bolsonaro agrada os evangélicos porque tem consciência de que não somente a sua eleição se deveu ao apoio desse segmento religioso - junto ao qual, como vimos, amealhou mais de 21 milhões de votos, contra seu adversário que obteve pouco mais de 10 milhões de votos - como também a sua reeleição depende, até certo ponto, do apoio evangélico. Ele verbalizou isto claramente em 3 de setembro de 2019: “qualquer político que tenha juízo sabe que a política de 2022 passa pelo movimento evangélico” (Uribe & Coletta, 2020).
Façamos aqui um parêntesis para dizer que neste ponto, como em muitos outros, Bolsonaro emula Donald Trump, uma vez que a eleição do presidente norte-americano, em 2016 também dependeu do apoio dos evangélicos conservadores. Atualmente está realizando articulações com líderes e organizações evangélicas para assegurar a sua reeleição (Fang, 2020).19 Mas, diferentemente de Trump, antes de pensar na sua reeleição em 2022, Bolsonaro sabe que precisa garantir a sua governabilidade no presente, que está se mostrando cada vez mais difícil diante de sucessivas crises que enfrenta, algumas delas criadas por ele mesmo e outras envolvendo os seus três filhos, todos políticos que exercem cargos eletivos20. Para se manter no poder, por um lado, Bolsonaro mostra-se atento à Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, pois, como veiculou a Folha de São Paulo (Uribe & Coletta, 2020), a Frente Evangélica constitui o “principal anteparo do presidente (Bolsonaro) no Poder Legislativo, diante do fato dele não ter montado uma base de apoio”. A partir de meados de 2020, Bolsonaro aproximou-se na Câmara dos Deputados do chamado “Centrão” – um conjunto de partidos sabidamente fisiologistas de centro e centro-direita – para obter uma base aliada capaz de frear um possível impeachment21. O “centrão” configura-se como uma fração parlamentar identificável, mas bastante movediça, que assegura há várias legislaturas apoio ao presidente em troca de cargos na administração federal, o que constantemente conduz a esquemas de corrupção. Cabe lembrar que Jair Bolsonaro foi eleito presidente pelo Partido Social Liberal (PSL) – do qual se desfiliou em 19/11/2019, estando atualmente sem partido – e que a aliança com o bloco de partidos do “centrão” sinaliza no mínimo complacência com a “velha política” que ele prometera combater durante a campanha eleitoral em 2018.
Desta forma, o presidente conta na Câmara Federal com o apoio do “Centrão”, da Frente Evangélica e de deputados católicos conservadores, e precisará contar com as igrejas evangélicas, tal como está neste momento empenhado o seu “aliado” norte-americano. Algumas dessas igrejas atuam, conforme Prandi, Santos e Bonato (2019, p. 53-54), como verdadeiras “máquinas eleitorais”, pois os obreiros e voluntários cumprem papel semelhante aos cabos eleitorais, e as igrejas mobilizam toda uma rede de contatos importantes durante a campanha eleitoral, como gráficas, advogados, carros de som, e “irmãos” que trabalham em cartórios eleitorais, correios e outros, além de canalizarem recursos financeiros para as campanhas eleitorais.
Os líderes evangélicos negacionistas, por sua vez, apoiam e mantém aliança com Bolsonaro baseados também na lógica prática, associada aos interesses institucionais de suas organizações religiosas. Isto não é novidade, pois, como afirma Ricardo Mariano, é comum aos evangélicos “instrumentalizar seu poder político partidário, eleitoral e parlamentar para defender seus interesses institucionais e corporativos, obter recursos públicos para suas obras sociais, isenção do pagamento de taxas e cargos públicos” (Mariano, 2017; Mariano e Oro, 2011).
O segmento evangélico já conseguiu várias benesses do governo Bolsonaro, a começar por verbas destinadas às emissoras televisivas. Segundo o portal Terra (Frazão, 2020), em 2019 os veículos televisivos evangélicos receberam 2,1 milhões de reais de verba para propaganda oficial - cerca de 390 mil dólares norte-americanos - e neste ano de 2020 já receberam da Secretaria de Comunicação da Presidência da República 179 mil reais, ou seja, cerca de 35 mil dólares22.
Outra frente de apoio governamental para as igrejas consiste no alívio das obrigações fiscais. Segundo matéria do Jornal Folha de São Paulo, de 17/12/2019 (Fonseca, 2019), as igrejas evangélicas devem à União mais de 500 milhões de reais, ou seja, quase 100 milhões de dólares. A maior parte da dívida resulta “de valores não pagos sobre a folha de pagamento dos seus funcionários”. Com 127 milhões de reais, a Internacional da Graça de Deus, de R. R. Soares, é a igreja que está mais em débito com a União, seguida da Igreja Mundial, do Apóstolo Valdemiro Santiago, que deve 83 milhões de reais à Receita Federal, da Assembleia de Deus de Santa Catarina e sudoeste do Paraná, cuja dívida é de 45 milhões e da Renascer em Cristo, da dupla Hernandes, que deve 36 milhões23.
Neste sentido, é revelador dos interesses das igrejas evangélicas em sua relação com o presidente – conforme matéria publicada pela revista Exame, em 30/4/2020 – o fato de “Bolsonaro mandar a Receita perdoar dívidas milionárias de igrejas evangélicas”. Se, por um lado, até o momento, a área econômica do governo tem relutado em atender a demanda de Bolsonaro, por tratar-se de “uma tentativa de interferência do presidente em assuntos internos de um órgão para atender o seu eleitorado” (Redação da Revista Exame & Estadão Conteúdo, 2020), por outro lado, não há esforço governamental nenhum para que as igrejas paguem as suas dívidas. Respondendo à resistência do corpo técnico do Estado, em agosto de 2020, o Congresso Nacional brasileiro aprovou o projeto parlamentar de autoria do deputado David Soares, filho de R. R. Soares, que anistia as instituições religiosas da cobrança da Contribuição Social sobre Lucro Líquido, uma taxa devida à Receita Federal. Estima-se o valor total atual das dívidas das instituições religiosas em um bilhão de reais (coisa como 185 milhões de dólares) (Tomazelli, 2020). Bolsonaro, por sua vez, em 13/9/2020, tomou uma atitude inusitada sobre o referido projeto: atendendo as orientações do ministério da Economia vetou a anistia da cobrança acima referida, mas sugeriu aos deputados que derrubassem o seu próprio veto (Paraguassu, 2020).
Importa também assinalar que embora o alinhamento de parcela dos evangélicos e Bolsonaro mantido em tempos de pandemia seja verbalizado como instância simbólica de proteção e de apoio espiritual aos fieis, guarda também interesses de ordem econômica, tal como ocorre com empresários e comerciantes em geral. Ou seja, eles sabem que fechar as igrejas e realizar somente cultos online é a certeza da redução do ingresso financeiro mediante dízimos e ofertas. Por isso mesmo, são recorrentes e insistentes nos sites das igrejas evangélicas as chamadas solicitando doações e informando detalhadamente os fieis como proceder para realizá-las.
Enfim, embora se saiba que não há uma relação direta entre apoio ao governo expresso pelas lideranças evangélicas e a acolhida do apoio por parte dos fieis, as pesquisas de opinião mostram que, mesmo assim, a aliança entre Bolsonaro e os líderes evangélicos negacionistas tem tido um efeito positivo para o presidente. Os levantamentos estatísticos mostram que os evangélicos constituem o segmento social que mais o apoia. Assim, por exemplo, a Folha de São Paulo, em reportagem de 6/9/2019 (Uribe & Coletta, 2019), mostrou a heterogeneidade dos índices de reprovação do presidente entre os diferentes grupos religiosos, com destaque para os evangélicos. Ou seja, enquanto 56% dos umbandistas, 46% dos espíritas e 42% dos católicos reprovam o presidente, a porcentagem baixa para somente 27% entre os evangélicos.
Outro efeito do alinhamento do presidente com os evangélicos pode ser visto no atual momento da pandemia pelo qual o Brasil está passando. Um levantamento feito pelo Instituto DataFolha, entre os dias 1 e 3 de abril 2020, mostrou que esse segmento religioso é o que mais aprova a atuação do presidente diante da pandemia do coronavírus. Enquanto 33% do conjunto da população considerava ótima ou boa a política do presidente em relação à pandemia, a porcentagem de aprovação subia para 41% entre os evangélicos. Por outro lado, enquanto 37% do conjunto da população era contrária ao isolamento social em tempos de pandemia (posição esta, como vimos, defendida abertamente pelo presidente Bolsonaro), a porcentagem subia para 44% de contrariedade entre os evangélicos (Bächtold, 2020).
Portanto, até o presente momento Bolsonaro desfruta do apoio pessoal e do seu governo junto aos líderes evangélicos negacionistas bem como junto à Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional. Fica em aberto a questão de saber se o apoio evangélico irá continuar até o fim do seu governo, em dezembro de 2022.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que precede nos conduz a sublinhar dois pontos. O primeiro destaca que a aliança entre Bolsonaro e os líderes evangélicos pentecostais negacionistas repousa tanto na lógica simbólica quanto na lógica prática. Ou seja, por um lado, esses atores sociais juntam-se na defesa dos valores e princípios cristãos para, supostamente, restaurar a sociedade brasileira degradada moral e politicamente pelos governos anteriores. Mas, por outro lado, todos detêm interesses particulares na aliança, a saber: ao presidente interessa assegurar, junto com outros atores sociais, sobretudo parlamentares, a sua governabilidade atual e a sua reeleição em 2022; aos líderes evangélicos negacionistas, por sua vez, trata-se de auferir benefícios de várias ordens, especialmente econômicos e fiscais, para as suas igrejas.
O segundo ponto a destacar é que tanto Bolsonaro quanto alguns líderes de igrejas evangélicas negacionistas parecem se colocar numa realidade paralela em relação à pandemia que assola o país, uma vez que tendem a menosprezá-la e a naturalizar, ou considerar como uma fatalidade, as mortes provocadas pela COVID-19. Por mais que a crítica de muitos formadores de opinião direcionada ao negacionismo seja inescapável no campo dos discursos sobre a pandemia, existe algo de estratégia na negação.
O presidente e os líderes religiosos negacionistas, estes sobretudo no início da pandemia, pareciam afinar entre si um “revisionismo do presente” que toma a ciência como pessimismo, a mídia como motor do pânico coletivo, o cuidado como desnecessário e a doença como algo “de fora”. Pode parecer perverso, mas o discurso funciona de alguma maneira. Primeiramente, faz com que quem não pactua com essa estratégia se sinta na obrigação de se posicionar de alguma forma, tensionando os discursos nas redes, mantendo o ambiente do debate público cerceado e a plausibilidade do absurdo. Segundo, proporciona uma pressão pela saída do distanciamento social que vai aumentando conforme a pandemia avança ao longo dos meses. E, tautologicamente, se alimenta do ressentimento coletivo que a necessidade do distanciamento social vai acumulando na população. Mesmo assim, o governo poderia ser acusado de omissão, e por isso erigiu em certo ponto da pandemia duas “soluções”, a cloroquina ou a hidroxicloroquina. Até o presente momento a comunidade científica não recomenda esses remédios derivados do quinino para a COVID-19, por conta da sua ineficácia e de reações adversas que poderiam piorar o quadro de pacientes em terapia intensiva. Isso não impede que o presidente recomende o remédio, menos pela solução de saúde que ele proporciona do que pela necessidade discursiva de se colocar na proa de uma solução, não importando se ela é racional ou imaginária. O presidente certamente espera insistir, quando a pandemia perder força, que as mortes foram numerosas no Brasil por conta do medicamento que recomendou ter sido descartado nos tratamentos médicos. Assim procedendo, o presidente produz uma racionalização para esconder a negligência governamental e a ausência de uma política pública nacional e unificada de enfrentamento da pandemia.
Enfim, o Brasil é provavelmente o único país do mundo em que a pandemia provocada pelo novo coronavírus chegou a esse grau de politização. Os bolsonaristas tendem a discordar das regras de distanciamento social e a não usar máscaras de proteção facial nas vias e espaços públicos, enquanto que os não-bolsonaristas tendem a agir de forma contrária. Desta maneira, as normas recomendadas pelo campo médico foram engolfadas por dicotomias da ordem do discurso político. Além disso, a judicialização da pandemia tem produzido incertezas de conduta em muitos cidadãos, resultantes de decisões e dos conflitos de orientações dos decretos e normatizações emanadas dos poderes executivos da União, dos estados e dos municípios24. O resultado de tudo isto é o número crescente de pessoas e famílias atingidas diariamente pela doença, que, se continuar neste ritmo, sem união nacional e sem mudanças significativas na política governamental de combate à pandemia, poderá, segundo modelos matemáticos, tornar o Brasil o país com o maior número de mortos pela COVID-19 em todo o mundo (BBC News Brasil, 2020).
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Notas
Información adicional
*: Este texto quer ser uma modesta homenagem à memória do nosso colega e amigo Airton Luiz Jungblut, que nos deixou no dia 29/6/2020.