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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">ecos</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Economia e Sociedade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Economia e
					Sociedade</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0104-0618</issn>
			<issn pub-type="epub">1982-3533</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas;
					Publicações</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1982-3533.2025v34n1.263759</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
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					<subject>Artigo original</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Alguns aspectos quantitativos da escravidão urbana no Recife
					(1827-1837): preço, ganho e juros<sup>*</sup></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Some quantitative aspects of urban slavery in Recife (1827-1837):
						price, earnings, and interest rates</trans-title>
				</trans-title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0121-7773</contrib-id>
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						<surname>Andrada</surname>
						<given-names>Alexandre Flávio Silva</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">**</xref>
					<bio>
						<p>Professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília </p>
					</bio>
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			<aff id="aff1">
				<label>**</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade de Brasília</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Economia</institution>
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					<named-content content-type="city">Brasília</named-content>
                        <named-content content-type="state">DF</named-content>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>afsa@unb.br</email>
				<institution content-type="original">Departamento de Economia da Universidade de
					Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil</institution>
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			<author-notes>
				<fn fn-type="edited-by">
					<label>EDITOR RESPONSÁVEL PELA AVALIAÇÃO</label>
					<p>Fabio Antonio de Campos</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>03</day>
				<month>12</month>
				<year>2024</year>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Abr</season>
				<year>2025</year>
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			<volume>34</volume>
			<issue>1</issue>
			<elocation-id>e263759</elocation-id>
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					<day>07</day>
					<month>05</month>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A partir da coleta de dados existentes em diversos textos e anúncios publicados
					pelo <italic>Diário de Pernambuco</italic> entre 1827 e 1837, este artigo busca
					compreender alguns aspectos econômicos da escravidão urbana na região do Recife,
					notadamente aqueles relativos ao preço dos cativos, o valor bruto e líquido de
					seus ganhos, bem como a taxa de juros dos empréstimos que os ofereciam como
					garantia. Ao apresentar os dados ao nível individual, um primeiro resultado que
					emerge é a complexidade das relações naquela sociedade, a qual se reflete numa
					grande variância de preços e ganhos obtidos pelos cativos, algo que muitas vezes
					se perde nas abordagens com foco mais ampliado. Em termos de valores médios, um
					resultado encontrado é que um escravo de ganho em uma ocupação ordinária, era
					capaz de produzir um fluxo de renda igual ao seu preço de aquisição em um
					intervalo de 4 a 6 anos de labor.</p>
				<p><bold>JEL:</bold> N26, N36.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Drawing on data extracted from various texts and advertisements published by the
					Diário de Pernambuco between 1827 and 1837, this article aims to elucidate
					certain economic aspects of urban slavery in the Recife region. It particularly
					focuses on the price of captives, the gross and net value of their earnings, and
					the interest rates on loans that used enslaved individuals as collateral. By
					presenting data at an individual level, the study reveals the significant
					complexity of societal relationships during this period, as evidenced by the
					substantial variation in the prices and earnings of captives. This complexity is
					often obscured in studies with a broader focus. The findings indicate that, on
					average, a slave hired out for ordinary labor could generate an income stream
					equivalent to their purchase price within a span of 4 to 6 years of work.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Escravidão</kwd>
				<kwd>Escravidão urbana</kwd>
				<kwd>Escravos de ganho</kwd>
				<kwd>Pernambuco</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Slavery</kwd>
				<kwd>Urban slavery</kwd>
				<kwd>Pernambuco</kwd>
			</kwd-group>
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				<table-count count="5"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="35"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Nogueról, Versiani e Vergolino (2016</xref>, p. 263)
				afirmam que o “preço máximo que os compradores estariam dispostos a pagar por um
				escravo” era determinado pelo “somatório dos rendimentos esperados da atividade
				produtiva” do indivíduo, “levando em conta sua expectativa de vida e uma determinada
				taxa de desconto no tempo”. Ou seja, o preço de aquisição de um trabalhador cativo
				havia de ser igual ou menor que o valor presente do fluxo de renda esperado de seu
				labor, sendo que tal rendimento era determinado por uma série de variáveis
				específicas ao indivíduo, como sua expectativa de vida economicamente ativa - algo
				que se relacionava com sua idade, estado de saúde, inclinações às fugas<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup> e ao álcool<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn2">2</xref></sup> -, suas habilidades, o setor em que seria
				empregado, entre tantas outras.</p>
			<p>Neste artigo, buscamos jogar luz nessas grandezas e variáveis, a partir de um
				exaustivo levantamento de informações relativas aos aspectos econômicos e
				financeiros da escravidão publicadas entre 1827 e 1837 no jornal <italic>Diário de
					Pernambuco.</italic> Tais informações, obtidas em textos e anúncios diversos,
				dizem respeito usualmente aos escravizados urbanos da região próxima à então comarca
				do Recife, cidade esta que foi até avançado no século XIX, a terceira maior do país,
				atrás apenas de Rio de Janeiro e Salvador (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Brasil,
					1898</xref>), tendo, junto com aquelas, uma das maiores proporções de
				trabalhadores cativos do Império em meados dos 1800 (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Alencastro, 2006</xref>, p. 368). Seu porto também figurava entre os principais
				do Império naqueles tempos, tanto no que diz respeito ao comércio exterior, como no
				de cabotagem (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dourado, 2019</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B22">Marcondes, 2012</xref>). Ou seja, trata-se de um
				microcosmo relevante para entender o escravismo brasileiro.</p>
			<p>O período em questão se justifica por dois motivos. Primeiro, é a partir de 1827 que
				se passa a ter edições ininterruptas do <italic>Diário</italic>. Ainda que o jornal
				tenha sido fundado em 1825, tem-se apenas três edições para aquele ano e uma para
				1826. Ademais, trata-se de um período de grandes choques sobre o instituto da
				escravidão no país. Em março de 1827, o Congresso brasileiro ratificou um acordo
				feito com a Grã-Bretanha no ano anterior. O documento era sucinto, seu artigo
				primeiro dizia que “acabados três anos depois da troca das ratificações”, não seria
				mais “lícito aos súditos do Império do Brasil fazer o comércio de escravos na costa
				da África” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Garcia, 2008</xref>, p. 155-156).
				Adiante, em finais de 1831, o Congresso brasileiro aprovou uma lei de iniciativa
				própria, conhecida como Feijó-Barbacena, declarando “livres todos os escravos vindos
				de fora do Império” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil, 1831</xref>). Haviam,
				pois, razões externas e domésticas que apontavam para o fim, de fato, do tráfico.
				Isto fez com que houvesse certo <italic>rush</italic> dos traficantes de forma a
				aproveitar a janela temporal de fim da legalidade daquele comércio. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Chalhoub (2012</xref>, p. 49, 51), entre 1829 e 1831,
				os desembarques no Império caíram 92%, passando de 73 mil para “pouco mais de 6 mil”
				no ano. No caso de Pernambuco, segundo dados disponíveis no projeto <italic>slave
					voyage,</italic> das embarcações que tiveram como ponto de partida e de chegada
				os portos da província, 10,5 mil pessoas escravizadas foram desembarcadas entre 1827
				e 1830, ao passo que entre 1831 e 1835 foram apenas 39, e todas elas naquele
				primeiro ano. Os dois últimos anos da nossa amostra, porém, são do início de uma
				forte retomada do tráfico transatlântico, a qual perduraria até o inicio da década
				de 1850. Essa retomada, segundo a literatura, deveu-se a dois motivos principais; de
				um lado, a força econômica derivada da grande expansão do café, de outro, da ampla
				aceitação social do instituto da escravidão no Brasil.</p>
			<p>Os resultados obtidos mostram que havia uma grande variância no preço dos
				escravizados, indo de um mínimo de 20$000 para uma idosa de 90 anos, até um máximo
				de 700$000 réis para um jovem oficial de sapateiro de 18 anos. Em relação ao preço
				mediano - que em termos de réis nominais é de 345$000 - nota-se um tremendo aumento
				entre 1827 e 1835, passando de £20,8 para £78,42. Nos dois último anos há um recuo,
				com o preço em 1837 sendo de £54,3. Estes são resultados algo intuitivos, sabendo-se
				da dinâmica do tráfico neste período.</p>
			<p>Havia também uma tremenda variância no valor do ganho diário obtido ou ofertado pelo
				trabalho dos escravizados, indo de um mínimo de 66 réis oferecidos para um mulher em
				troca de trabalhos domésticos na casa de um homem solteiro, até um pico de 800 réis,
				pagos a um carpinteiro empregado na Marinha local. O ganho diário mediano encontrado
				foi de 320 réis, enquanto a subsistência diária dos cativos, segundo fonte oficial
				da época, era da ordem de 120 réis, o que implicaria em um ganho líquido médio de
				200 réis por dia. Supondo-se 252 dias de trabalho por ano, esses indivíduos
				produziam um ganho líquido igual ao seu preço de aquisição em 6,8 anos. Se
				supusermos 300 dias de trabalho ao ano, o que implica excluir os domingos e alguns
				dias santos, esse intervalo cairia para 5,7 anos.</p>
			<p>Em relação à taxa de desconto, realizamos um levantamento dos empréstimos demandados
				e ofertados entre particulares, em que os escravizados eram oferecidos como
				garantia, e para os quais havia informação sobre o prazo e os juros. Nesses acertos
				os escravizados eram dados em garantia contra valores menores que seus custos de
				aquisição, os prazos eram usualmente curtos, entre seis meses e um anos, e a taxa de
				juros usual era de 2% ao mês, o que implica em algo entre 24% e 26,8% ao ano. Em
				alguns desses, os ganhos do cativo eram oferecidos a título de juros até o pagamento
				do principal.</p>
			<p>Todos esses resultados sugerem que o trabalho escravo, mesmo em atividades urbanas,
				fora da agricultura de exportação, era extremamente rentável, sendo um
				“investimento” que se pagava em poucos anos. Não é por acaso que o instituto dos
				escravos de ganho tenha sido tão vulgar no Brasil daqueles tempos.</p>
			<sec>
				<title>1 Preço de compra, venda e arremate</title>
				<p>A historiografia nacional responde de modo satisfatório a questão do preço médio
					dos escravizados. Tem-se dados das mais diversas fontes, para diferentes regiões
					do país e variados instantes do tempo.</p>
				<p>No caso de Pernambuco, Louis-François <xref ref-type="bibr" rid="B32">Tollenare
						(1906</xref>, p. 73), que viveu no Recife entre 1816 e 1818, relata que,
					àquela época, um “bom negro” era avaliado entre 650 e 900 francos. Usando a taxa
					de câmbio do autor<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup>, tem-se que
					um escravizado jovem e saudável custava algo entre 100$000 e 150$000 réis.
					Usando uma massiva amostra de inventários de toda a província, Marcondes,
					Versiani, Nogueról &amp; Vergolino (<xref ref-type="bibr" rid="B23">2016</xref>,
					p. 89) mostram que o preço médio dos escravizados do sexo masculino, saudáveis e
					com idade entre 15 e 40 anos, ficou abaixo dos 200$000 entre 1800 e 1830, em
					linhas com os dados do memorialista francês. A partir de 1830, porém, os preços
					passam a subir de forma mais rápida, ultrapassando os 400$000 em 1840. No caso
					das mulheres o resultado é análogo, mas o preço médio delas era sistematicamente
					inferior ao dos homens.</p>
				<p>Em Pernambuco e na comarca do Recife, no final da década de 1820, por volta de
					30% das pessoas ainda estavam na condição de escravizados (v. Figueira de Mello,
						<xref ref-type="bibr" rid="B17">1979</xref>[1852]). Ainda que não fossem
					mais a maioria da população, os escravizados seguiam sendo a espinha dorsal
					daquela sociedade e de seu modo de produção. Eles eram parte crucial da mão de
					obra dos engenhos (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Eisenberg 1974</xref>, p.
					580), dos produtores de algodão da zona da mata e agreste (Mello 2006, p. 59),
					dos criadores de gado pelos sertões (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Versiani;
						Vergolino, 2003</xref>). E eles trabalhavam não apenas nestas atividades de
					maior vulto, estavam também pelas oficinas, pelas ruas, dentro das casas das
					famílias ricas, remediadas, até de algumas classificadas como pobres (<xref
						ref-type="bibr" rid="B33">Versiani, 2016</xref>, p. 22). Esses homens e
					mulheres eram carregadores no porto, vendedores de frutas, doces, fazendas, eram
					alfaiates, sapateiros, pedreiros, carpinas, canoeiros, pescadores, cozinheiras,
					mariscadeiras, amas-de-leite. Enfim, eram “os braços e as pernas” daquela
					sociedade.</p>
				<p>A maioria dos anúncios publicados no <italic>Diário</italic> que envolviam
					escravizados, infelizmente, não fazia qualquer referência a valores monetários.
					Os textos eram vagos, falava-se em “preço cômodo” e coisas do tipo. A <xref
						ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> apresenta os poucos casos que
					encontramos que fugiam dessa regra.</p>
				<p><table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Anúncios de oferta e demanda por escravizados, 1827-1833</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Ano</th>
								<th align="center">Edição</th>
								<th align="center">Operação</th>
								<th align="center">Sexo</th>
								<th align="center">Idade </th>
								<th align="center">Ocupação</th>
								<th align="center">Preço (réis)</th>
								<th align="center">Preço (Libras esterlinas de 1837)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">1827</td>
								<td align="center">39</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Moça</td>
								<td align="center">Lavadeira</td>
								<td align="center">40$000</td>
								<td align="center">5.55</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">72</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">140$000</td>
								<td align="center">19.43</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">114</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="center">Carreiro</td>
								<td align="center">150$000</td>
								<td align="center">20.82</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">116</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">Sapateiro</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">41.64</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">136</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">41.64</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">136</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">150$000</td>
								<td align="center">20.82</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1829</td>
								<td align="center">47</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">17-18</td>
								<td align="center">“Cose, engoma liso e mui boa rendeira” </td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">30.03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">47</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">17-18</td>
								<td align="center">“Com princípios de costureira e cozinha o
									ordinário” </td>
								<td align="center">230$000</td>
								<td align="center">23.23</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">47</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">15-17</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">330$000</td>
								<td align="center">33.33</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">274</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="center">“Da costa, com pouco tempo de terra” </td>
								<td align="center">180$000</td>
								<td align="center">18.18</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1839</td>
								<td align="center">282</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">“Própria para rua ou campo” </td>
								<td align="center">180$000</td>
								<td align="center">10.70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">282</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">180$000</td>
								<td align="center">17.50</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">282</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Serviços do campo</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">9.72</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">418</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">30</td>
								<td align="center">Marceneiro</td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">34.03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">418</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">290$00</td>
								<td align="center">28.20</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">418</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">30</td>
								<td align="center">Carniceiro e canoeiro</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">29.17</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">489</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Canoeiro</td>
								<td align="center">450$000</td>
								<td align="center">43.76</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1831</td>
								<td align="center">58</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">25</td>
								<td align="center">“Cozinha, lava e engoma” </td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">28.90</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">170</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">22</td>
								<td align="center">Oficial de sapateiro</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">28.90</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">284</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">Costureira, engomadeira</td>
								<td align="center">250$000</td>
								<td align="center">24.08</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1833</td>
								<td align="center">110</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">15-16</td>
								<td align="center">“Não sendo ladra, nem bêbada e que saiba
									vender”</td>
								<td align="center">220$000</td>
								<td align="center">36.43</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">258</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Moço</td>
								<td align="center">“Ganhador de rua e hábil para enxada” </td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">57.96</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1834</td>
								<td align="center">373</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">M ou F</td>
								<td align="center">14-18</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">340$000</td>
								<td align="center">62.55</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">384</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Moleque</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">330$000</td>
								<td align="center">60.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">401</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Moço</td>
								<td align="center">Vaqueiro, cargueiro, feitor, vendedor,
									trabalhador de engenho</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">73.59</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">406</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Cozinheira</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">73.59</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">411</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">26</td>
								<td align="center">Cozinheiro</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">73.59</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">467</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">55.19</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">467</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Moça</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">73.59</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">469</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">“Para todo o serviço”</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">36.80</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">539</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Moço</td>
								<td align="center">“Para todo o serviço”</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">55.19</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1835</td>
								<td align="center">43</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="center">Pajem e “pequenas luzes de cozinha” </td>
								<td align="center" rowspan="2">800$000<sup>*</sup></td>
								<td align="center">73.80</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">43</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">Pajem e “pequenas luzes de cozinha” </td>
								<td align="center">73.80</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">86</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">Cozinheira e costureira</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">73.80</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">158</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Moça</td>
								<td align="center">“Que seja boa engomadeira e que coza
									sofrivelmente” </td>
								<td align="center">500$000</td>
								<td align="center">91.95</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">167</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">“50$000 réis para fora da praça, se sendo para a
									praça o preço será mais alto” </td>
								<td align="center">50$000</td>
								<td align="center">9.22</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">571</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">F </td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">Costureira/Engomadeira</td>
								<td align="center">500$000</td>
								<td align="center">91.95</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">571</td>
								<td align="center">Demanda</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12-20</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">450$000</td>
								<td align="center">83.03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">576</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">c. 25</td>
								<td align="center">Cozinha e engoma</td>
								<td align="center">500$000</td>
								<td align="center">91.95</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1836</td>
								<td align="center">164</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">45</td>
								<td align="center">“Dá-se por este preço, p’q (sic) tem uma chaga na
									perna”. </td>
								<td align="center">180$000</td>
								<td align="center">29.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">263</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">26-28</td>
								<td align="center">“Para todo o serviço de um homem”</td>
								<td align="center">600$000</td>
								<td align="center">99.05</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">269</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">50</td>
								<td align="center">Com “algumas habilidades, sabe rezar a doutrina
									cristã” </td>
								<td align="center">260$000</td>
								<td align="center">42.91</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">271</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">66.02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">275</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">18-20</td>
								<td align="center">Para todo serviço </td>
								<td align="center">420$000</td>
								<td align="center">68.41</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1837</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">Costureira e rendeira</td>
								<td align="center">500$000</td>
								<td align="center">69.64</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">Oficial de sapateiro</td>
								<td align="center">700$000</td>
								<td align="center">97.49</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">39</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">24-26</td>
								<td align="center">Serviço doméstico, “tanto para fora como de
									portas a dentro”.</td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">48.75</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">44</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">“Com todas habilidades”</td>
								<td align="center">380$000</td>
								<td align="center">52.92</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">47</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">Para todo serviço </td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">55.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">80</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">30-35</td>
								<td align="center">“Serve para o serviço de campo, sabe vender na
									rua e também lava… e cozinha” </td>
								<td align="center">360$000</td>
								<td align="center">50.14</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">148</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Moça</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">55.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">164</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">“Vendedeira de rua” </td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">48.75</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">165</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Para qualquer serviço</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">55.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">166</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">13-14</td>
								<td align="center">Princípios de costura</td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">48.75</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">186</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">“Com muitas habilidades” </td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">55.71</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">261</td>
								<td align="center">Oferta</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">Pajem</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">41.78</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Diário de Pernambuco, diversas edições. Sexo M = masculino, F
							= feminino. [<sup>*</sup>] O preço de 800$000 diz respeito aos dois
							jovens. Por simplificação, dividimos o valor total por dois.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap></p>
				<p><table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title>Preços dos escravizados em libras esterlinas de 1837</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Ano</th>
								<th align="center">Observações</th>
								<th align="center">Preço Mínimo</th>
								<th align="center">Preço Máximo</th>
								<th align="center">Preço Médio</th>
								<th align="center">Preço Mediano</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">1827</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">5.55</td>
								<td align="center">41.64</td>
								<td align="center">24.98</td>
								<td align="center">20.82</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1828</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1829</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">18.18</td>
								<td align="center">33.33</td>
								<td align="center">26.19</td>
								<td align="center">26.63</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1830</td>
								<td align="center">7</td>
								<td align="center">9.72</td>
								<td align="center">34.04</td>
								<td align="center">24.73</td>
								<td align="center">28.20</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1831</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">24.08</td>
								<td align="center">28.90</td>
								<td align="center">27.29</td>
								<td align="center">28.90</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1832</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1833</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">36.43</td>
								<td align="center">57.96</td>
								<td align="center">47.20</td>
								<td align="center">47.20</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1834</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">55.19</td>
								<td align="center">73.59</td>
								<td align="center">63.70</td>
								<td align="center">68.07</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1835</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">9.22</td>
								<td align="center">91.95</td>
								<td align="center">73.68</td>
								<td align="center">78.42</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1836</td>
								<td align="center">5</td>
								<td align="center">29.71</td>
								<td align="center">68.41</td>
								<td align="center">61.22</td>
								<td align="center">66.02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1837</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">41.78</td>
								<td align="center">97.49</td>
								<td align="center">56.76</td>
								<td align="center">54.32</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Diário de
							Pernambuco.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap></p>
				<p>Os preços em réis estão em termos nominais, sem nenhuma correção, tal como
					apareciam nos anúncios. Seria um erro, porém, assumir que o poder de compra da
					moeda nacional permaneceu ao longo do período da amostra. O valor da assinatura
					mensal do <italic>Diário de Pernambuco</italic>, por exemplo, que era de 640
					réis entre 1828 e 1835, salta para 1$000 réis nos anos restantes; um aumento de
					56%. Já o índice do custo de vida para a praça do Rio de Janeiro - ainda que bem
					mais instável que o valor da assinatura do periódico recifense - registrou um
					aumento de 58% entre 1827 e 1837.</p>
				<p>Além da carestia, houve importantes mudanças no mercado cambial brasileiro. A lei
					59 de 8 de outubro de 1833, estabeleceu, entre outras medidas, uma nova taxa de
					câmbio oficial para a moeda nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil
						1833</xref>). Até então a paridade era de uma oitava de ouro e 1$600,
					passando a ser de uma oitava para 2$500. Uma depreciação de 56%. Também o câmbio
					de mercado entre o réis e a libra esterlina flutuou de modo não desprezível no
					período. Para a praça do Rio de Janeiro, o poder de compra da moeda nacional
					caiu 16% em relação à britânica<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4"
					>4</xref></sup>.</p>
				<p>Desta forma, para tentar controlar uma parte desses efeitos, realizamos as
					seguintes transformações. Primeiro, convertemos os valores em réis para libras,
					usando o câmbio de longo prazo entre as duas moedas apresentado por Moura Filho
					(2007, p. 15). Em seguida, esses valores foram transformados em libras de 1837,
					usando a ferramenta de cálculo para a inflação naquele país, disponibilizada
					pelo <italic>Bank of England</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn5"
						>5</xref></sup>.</p>
				<p>Há em nossa amostra um anúncio de 1827 no qual uma moça dita lavadeira é
					oferecida por 40$000, valor muito abaixo do praticado à época. O texto diz:
					“Quem quiser comprar uma nega crioula, moçam boa lavadeira, a qual o seu sr.
					deixou cortada (sic.) em 40$000 rs, fale no aterro da Boa Vista […] onde fará o
							ajuste”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup>. Este preço
					reduzido pode se dever tanto ao estado de saúde da mulher, ainda que não
					informado no anúncio, ou a um simples erro de impressão do jornal. Algumas
					edições adiante aparece uma mulher ofertada a 140$000 - preço mais condizente
					com a média da época - mas tanto o texto do anúncio como o endereço apresentado
					para o acerto não sugerem se tratar da mesma pessoa.</p>
				<p>Incluindo-se esse outlier, o preço de oferta dos trabalhadores cativos vai de um
					piso de 40$000 a um teto de 700$000, enquanto o de demanda vai de 200$000 a
					500$000. O preço médio no período é de 328$750, o mediano é de 345$000 e o valor
					mais recorrente é de 400$000. Tudo isto em termos de réis nominais. Uma das
					razões para esta variância está no fato de os indivíduos não serem “mercadorias
					homogêneas”. Ainda que possamos calcular os preços médios, medianos, e que tais
					grandezas dependam das condições gerais de oferta e demanda no mercado, o preço
					de cada indivíduo era função também de uma série de fatores específicos a eles.
					Outro ponto, os preços anunciados são aquilo que na literatura microeconômica
					chamamos de notional, isto é, trata-se do preço desejado pelo ofertante, o tal
					não é necessariamente igual ao preço a ser efetivado na transação. Porém, por
					questões de simplificação, bem como para evitar o sudo de hipóteses ainda mais
					arbitrárias, assumiremos que tais preços são iguais aos realizados.</p>
				<p>Uma característica notável da amostra é que ela tratam em especial, da escravidão
					urbana e doméstica. Há apenas um anúncio em que o indivíduo é apresentado como
					“vaqueiro, feitor” e “trabalhador de engenho”; e outros três citados como aptos
					para os serviços do campo. Ainda que consideremos os carreiros, os ditos “com
					pouco tempo de terra” e até os “aptos para todo o serviço” no subconjunto dos
					trabalhadores exclusivamente rurais, sua participação continuaria pequena.</p>
				<p>Entre os homens, as ocupações mais citadas são as de sapateiro, carniceiro,
					canoeiro, ganhador de rua e pajem. Entre as mulheres, predominam as
					trabalhadoras domésticas, havendo também as que são costureiras, rendeiras e
					vendedoras de rua. Outro ponto a se notar é que os indivíduos são quase todos
					jovens. Muitos são classificados como “moços/moças”, que era um termo utilizado
					para indivíduos a partir do fim daquilo que hoje chama-se de adolescência, até o
					início da vida adulta. Se usarmos o limite inferior das idades apresentadas
					pelos anunciantes, a idade média das mulheres era de 21,8 anos, enquanto a
					mediana era de 18,5. Entre os homens, as idades encontradas são ainda mais
					baixas; com média de 19,7 e mediana de 18 anos. Este resultado está em linha com
					o censo realizado na comarca do Recife em 1827, que mostrava que o coorte etário
					mais numero entre os homens era entre 21 e 30 anos de idade, com quase 30% do
					total da população cativa (Figueira de Mello, 1971[1852]).</p>
				<p>Já as pessoas mais velhas da amostra são duas mulheres. Uma de 45 anos, anunciada
					em 1836 por 180$000 réis, um preço baixo para a época, mas que era dita ser
					portadora de “uma chaga na perna”, algo que, no melhor cenário, limitava suas
					capacidades de trabalho, e, no pior, que sua morte fosse um evento relativamente
					próximo e provável. A outra mulher tinha 50 anos, idade avançada para um cativo,
					sendo dita portadora de “algumas habilidades”. Os dados censitários de 1827,
					mostram que 2/3 dos cativos da comarca do Recife tinham menos de 40 anos.</p>
				<p>Outra observação interessante. Em um anúncio de 1835, o vendedor oferece uma
					mulher de 20 anos para a venda por apenas 50$000 réis, valor muito abaixo do
					preço ordinário. A escravizada seria vendida por esse valor, porém, apenas sob a
					condição de ser “para fora da província”. Alertava-se que caso ela permanecesse
					na praça do Recife, seu “preço será mais alto”. Este anúncio revela uma operação
					que vai além dos cálculos estritamente econômicos. Como alertava John Stuart
						<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mill (1844</xref>, p. 139), em todas as
					decisões humanas, inclusive naquelas mais estritamente econômica, fatores
					não-econômicos também estão presentes, em maior ou menor grau. No caso deste
					anúncio, parece claro haver o predomínio do desejo de vingança, de punir a
					cativa, enviando-a para uma espécie de desterro em terras estranhas. Este era um
					expediente muito usado para punir escravizados com histórico de fugas.</p>
				<p>Na amostra, o preço médio das mulheres equivalia a 79% dos homens, usando a
					mediana, essa cifra passa para 77%. Este é um resultado esperado, em linha com o
					apresentado por <xref ref-type="bibr" rid="B27">Nogueról, Versiani e Vergolino
						(2016</xref>, p. 266). Traficantes e compradores preferiam os cativos
					homens, sendo uma das razões é o fato deles terem, em média, maior força
					muscular, especialmente nos membros superiores, do que as mulheres (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Janssen et al., 2000</xref>), o que é bastante
					conveniente para grande parte dos labores desempenhados pelos escravizados,
					inclusive nos engenhos de açúcar. Outro fator, este cultural, deve-se ao fato de
					que a gama de ofícios realizados por eles, inclusive nas atividades de ganho,
					era mais ampla e melhor remunerada, em média, do que as mulheres. Causa alguma
					surpresa o fato de não encontrarmos nenhuma mulher, mesmo nos anúncios que não
					compões a amostra deste estudo, dita alfaiate ou sapateira.</p>
				<p>Em termos de libras esterlinas de 1837, o preço dos cativos variou entre um piso
					de £5.55 e um teto de £99.05. O preço médio registrado foi de £48,91, enquanto o
					mediano foi de £48.75. O comportamento dos preços médios e medianos ao longo da
					amostra são intuitivos, sabendo-se da dinâmica dos desembarques de escravizados
					no período. Entre 1830 e 1835, período de eficácia da proibição, o preço mediano
					subiu 178%, recuando, então, 30,7% até 1837.</p>
				<p>Ainda que os desembarques tenho voltado a crescer a partir de 1835-1836, a maior
					parte desses novos escravizados ilegais se diria agora para a região do café,
					como atestariam, por exemplo, os dados do censo de 1872. Havendo inclusive uma
					grande drenagem de escravizados existentes em locais como Pernambuco, em direção
					àquela região de economia mais dinâmica.</p>
				<p>A <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref> apresenta os anúncios relativos
					à chamada “arrematação” de escravos, que era uma venda determinada por ordem
					judicial, com o objetivo de cobrir débitos do proprietário junto a outrem, sendo
					a avaliação feita pelas autoridades. Em nossa amostra são sete mulheres e onze
					homens. Uma observação particularmente chocante é a de um escravizada chamada
					Roza (sic), de 90 anos de idade, avaliada em 20$000. Trata-se de um valor
					ultrajante, uma indignidade ímpar no mar de absurdos que era a escravidão. Para
					se ter uma ideia, em um anúncio de 1820, um proprietário oferecia um prêmio de
					iguais 20$000 para alguém que lhe desse informações sobre um cavalo
							furtado<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>. Ou ainda, esse
					valor equivalia ao preço de 2,5 arrobas de batatas ao preço vigente naquela
					praça em 1831<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup>. Outras duas
					mulheres idosas - para os padrões da época -, uma de 50 e outra de 57 anos, eram
					precificadas em 50$000 e 80$000, respectivamente. Sendo este último valor o
					mesmo pedido por uma criança de três anos de idade. De fato, o preço médio de
					venda dos escravizados crescia à medida que estes envelheciam, atingindo um pico
					por volta dos 20 anos, época em que os indivíduos, via de regra, estão no auge
					de sua força física. A partir daí, os preços passavam a declinar, de modo que
					adultos com mais de 40 anos - idade avançada para um cativo - custavam o mesmo
					que crianças de 10 ou 11 anos de idade (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
						>Nogueról; Versiani; Vergolino, 2016</xref>, p. 273).</p>
				<p><table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>Anúncios de arrematações de escravizados</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Ano</th>
								<th align="center">Edição</th>
								<th align="center">Sexo</th>
								<th align="center">Idade</th>
								<th align="center">Ocupação</th>
								<th align="center">Preço Avaliado (réis)</th>
								<th align="center">Preço (£ de 1837)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">1829</td>
								<td align="center">134</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">50$000</td>
								<td align="center">6.94</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1830</td>
								<td align="center">508</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Carreiro e pajem</td>
								<td align="center">120$000</td>
								<td align="center">11.67</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1831</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">25</td>
								<td align="center">Carreiro</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">28.90</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="center">Princípios de carreiro</td>
								<td align="center">250$000</td>
								<td align="center">24.08</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">35</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">150$000</td>
								<td align="center">14.45</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">150$000</td>
								<td align="center">14.45</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">160$000</td>
								<td align="center">15.41</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">130$000</td>
								<td align="center">12.52</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">180$000</td>
								<td align="center">17.34</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">5</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">9.63</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">80$000</td>
								<td align="center">7.70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">90</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">20$000</td>
								<td align="center">1.92</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">44</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">57</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">80$000</td>
								<td align="center">7.70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">44</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">50</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">50$000</td>
								<td align="center">4.81</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1832</td>
								<td align="center">327</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">150$000</td>
								<td align="center">13.39</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1833</td>
								<td align="center">94</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">250$000</td>
								<td align="center">41.35</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1834</td>
								<td align="center">407</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">40</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">160$000</td>
								<td align="center">29.44</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">448</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">Marinheiro</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">36.80</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: <italic>Diário de Pernambuco</italic>, diversas
							edições.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap></p>
				<p>A amostra, apesar de diminuta, é interessante pois os preços apresentados não são
					os desejados pelos ofertantes ou demandantes, mas sim os fixados pelo Estado.
					Certo que eles não são livres de problemas, sabendo-se do elevado nível de
					corrupção e ausência de impessoalidade nos negócios públicos na província.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2 Sobre a rentabilidade, a subsistência e o ganho dos escravizados</title>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Schwartz (2008</xref>, p. 438) diz que no auge
					do açúcar brasileiro na primeira metade do século XVII, um escravo podia
					produzir valor suficiente para recuperar seu custo inicial de aquisição em
					apenas 13 ou 16 meses. E que em 1700, apesar do aumento no preço dos cativos,
					este intervalo ainda era curto, de apenas 30 meses. Ou seja, sequer era preciso
					uma vida produtiva longa para que o “investimento” se pagasse. <xref
						ref-type="bibr" rid="B18">Furtado (2005</xref>[1959], p. 33) diz que no
					século XVI, o tempo médio de trabalho de um cativo no Brasil “era de apenas três
					anos”. Karl <xref ref-type="bibr" rid="B24">Marx (2015</xref>[1867], p. 164), ao
					falar dos trabalhadores da cotonicultura dos Estados Unidos do passado próximo,
					afirma que eles estes se esgotavam em sete anos de labor. Luna e Klein (2009, p.
					171), apontam uma expectativa de vida mais alta que esta para os escravizados
					nascidos tanto nos Estados Unidos, como no Brasil por volta de 1870. Segundo os
					autores, os cativos nascidos no Brasil e que sobreviviam aos primeiros cinco
					anos - período crítico da mortalidade infantil - tinham expectativa de vida de
					38,4 anos. No caso das mulheres a expectativa era marginalmente maior; 39 anos.
					Estes valores, segundo os autores, não eram significativamente menores que
					aqueles verificados na população livre. Assim, não era raro que a vida
					economicamente ativa de um escravizado se prolongasse por duas décadas, por
					exemplo, especialmente para aqueles ocupados em atividades comparativamente
					menos insalubres, como era o caso de muitas das de ganho. Assim, ainda que o
					retorno anual desses trabalhadores fosse menor que aqueles empregados nos
					engenhos, isto poderia ser compensado pelo fato de eles terem um horizonte
					produtivo provavelmente mais longo.</p>
				<p>Falando do Recife na segunda década do século XIX, Tollenare diz o seguinte;</p>
				<p><disp-quote>
					<p>O aluguel de um negro ordinário, que não tem ofício, e só pode oferecer a
						força dos seus braços, é de 25 soldos por dia; o seu preço de compra é de
						650 a 700 francos, de sorte que produz para o senhor de 36 a 40%, por ano,
						do dinheiro que custou. […] Há escravos canoeiros no Beberibe e no
						Capibaribe os quais vi ganhar até 5 fracos num dia. (<xref ref-type="bibr"
							rid="B32">Tollenare, 1906</xref>, p. 143)</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Essa seria uma taxa de retorno espantosa. Luna e Klein (2009, p. 14) - fazendo
					referência ao trabalho de Carvalho de Mello (1972) - afirmam que os escravizados
					alugados, fossem os que trabalhavam nas cidades ou nas plantations, gerariam um
					rendimento líquido anual de 10% a 20%, relativamente a seus custos de aquisição,
					aos seus proprietários. Ainda que a taxa de retorno aqui seja menor que a
					sugerida por Tollenare, ela era bastante atraente. Por isso mesmo, dizem aqueles
					autores, apesar de algumas reclamações das autoridades relativamente às
					consequências sociais dos escravos “de ganho”, “they proved so lucrative an
					investiment for their masters that the practice was never abolished” (ibid., p.
					202).</p>
				<p>Segundo Campello (2021), quando o aluguel do trabalhador cativo previa um acerto
					de curta duração temporal, os contratos eram geralmente celebrados verbalmente.
					Ao passo que naqueles mais longos, havia um procedimento formal, a assinatura de
					um ajuste perante um tabelião. Segundo este mesmo autor, havia algumas
					diferenças típicas entre os escravizados ditos “de ganho” e os “alugados”. Os
					“de ganho” tinham por obrigação entregar aos seus proprietários, em intervalos
					regulares, uma determinada quantia pré-determinada de dinheiro, de modo que tudo
					que ultrapassasse esse montante, poderia ficar para si. Este era um dos
					mecanismos utilizados para estimular a produtividade do cativo. No caso dos
					escravo “alugados” a situação era mais desfavorável, pois este instituto
					implicava apenas na sua transferência temporária para o jugo de um outro senhor,
					de modo que o escravizado não tinha qualquer autonomia sobre seu ofício ou
					comando sobre qualquer fração do valor que produzia. No universo dos anúncios
					que recolhemos, a linha divisória entre essas duas categorias de escravizados
					nem sempre é clara. Assim, trataremos todos eles como “de ganho”.</p>
				<p>A <xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref> traz dados coletados sobre a
					oferta e a demanda por mão de obra escravizada. Os anúncios fazem referência
					tanto ao valor pago pelo dia de trabalho - o chamado “jornal” -, como também
					para intervalos mais longos, como pelo mês a até mesmo o ano. Os arranjos
					previam tanto a remuneração monetária fixa, como também por produção. Eram
					comuns as referências ao pagamento do chamado “sustento”, isto é, a subsistência
					para os cativos contratados.</p>
				<p><table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 4</label>
					<caption>
						<title>Sexo, ocupação e ganho dos escravizados, 1827-1837</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Ano</th>
								<th align="center">Sexo</th>
								<th align="center">Ocupação</th>
								<th align="center">Vencimentos<break/>Diários (réis)</th>
								<th align="center">Vencimentos<break/>Mensais (réis)</th>
								<th align="center">Extra</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="2">1827</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Ama de leite na Casa dos Expostos</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">9$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Ama de leite na Casa dos Expostos</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">6$000</td>
								<td align="center">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1829</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Cortas e carregar capim</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">3$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1830</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Tanoeiro</td>
								<td align="center">640</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="2">1831</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">“Que saiba mogir leite e pastorar vacas” podendo
									ser preto/pardo livre ou escravo</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">6$000</td>
								<td align="center">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Canoeiro</td>
								<td align="center">580</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="2">1832</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">“Para o serviço da ponte do Recife, 6 a 8 negros” </td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Ama de leite (preta escrava e sem cria)</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">8$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="11">1833</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">“Pretos possantes”</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Almoço e janta</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para “servirem em um sítio”</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para vender azeite</td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Para vender azeite</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender azeite de carrapato</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para serviço de olaria </td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">5$000<sup>*</sup></td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para todos os serviços</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender azeite de carrapato</td>
								<td align="center">400</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">Para todo serviço</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender azeite de carrapato todas as
									tardes</td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Que saiba lavar e engomar</td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="4">1834</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Ama para serviço doméstico</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">2$560</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Serviços domésticos</td>
								<td align="center">200</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Ajudante de botica do hospital </td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Ajudante do ajudante da botica do hospital </td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="16">1834</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Servente de pedreiro </td>
								<td align="center">360</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Alimentação</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Serviços domésticos (casa de homem solteiro)</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">2$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender azeite de carrapato todas as
									tardes</td>
								<td align="center">360</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender bolinhos na rua</td>
								<td align="center">80</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por pataca (320 réis)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender na rua</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Para vender azeite de carrapato</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Canoeiro</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">7$000</td>
								<td align="center">Três refeições por dia</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Para vender na rua</td>
								<td align="center">200</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Alimentação</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Moleque para vender azeite de carrapato</td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Cozinheiro </td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">12$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Trabalho de enxada</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">6$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Canoeiro, carniceiro e socador de acúcar</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center">8$000</td>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Vendedor de rua</td>
								<td align="center">240</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Servente de pedreiro </td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Carpinteiro </td>
								<td align="center">320</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="8">1835</td>
								<td align="center" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Servente de pedreiro</td>
								<td align="center" valign="top">400</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Ajudante de botequim (mesmo sendo
									moleque)</td>
								<td align="center" valign="top">240</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Serventes (livres ou
									escravizados)</td>
								<td align="center" valign="top">400</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">F/M</td>
								<td align="center" valign="top">Para vender louça</td>
								<td align="center" valign="top">240</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">F</td>
								<td align="center" valign="top">Serviços domésticos </td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Jantar</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Servente de pedreiro</td>
								<td align="center" valign="top">400</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Servente de pedreiro</td>
								<td align="center" valign="top">200</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">F</td>
								<td align="center" valign="top">Serviços domésticos </td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="13">1835</td>
								<td align="center" valign="top">F</td>
								<td align="center" valign="top">Vender azeite de carrapata todas as
									tardes</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Por canada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Serviço de campo (“negros ou
									moleques”)</td>
								<td align="center" valign="top">200</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">M</td>
								<td align="center" valign="top">Servente de obras públicas</td>
								<td align="center" valign="top">400</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Serviços domésticos </td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">6$000</td>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Servente de pedreiro</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Jantar</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">Vender pão “na praça ou no mato”</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Serviços domésticos </td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Servente de botequim</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">8$000</td>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Serviços domésticos </td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">8$000</td>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para carregar um tabuleiro de miudezas</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Servente de pedreiro</td>
								<td align="center" valign="top">480</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F</td>
								<td align="center">Para vender na rua</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">F/M</td>
								<td align="center">“Para mandado e comprar na rua” (forra ou
									escrava)</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">6$000</td>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1836</td>
								<td align="center">M</td>
								<td align="center">Para servirem em um armazém (até meio dia)</td>
								<td align="center" valign="top">320</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Sustento</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="3">1837</td>
								<td align="center">N.I.</td>
								<td align="center">Vender pão</td>
								<td align="center" valign="top">480<sup>***</sup></td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para andar com fazenda na rua</td>
								<td align="center" valign="top">480</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top">Alimentação</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">M</td>
								<td align="center">Para o serviço diário de uma casa de família</td>
								<td align="center" valign="top">480</td>
								<td align="center" valign="top"/>
								<td align="center" valign="top"/>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: <italic>Diário de Pernambuco</italic>, diversas
							edições.</attrib>
						<attrib>(<sup>*</sup>) O anúncio oferece 60$000 por ano; (<sup>**</sup>) O
							anúncio fala em 640 réis por semana; (<sup>***</sup>) Para trabalhar até
							o meio-dia.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap></p>
				<p>Há quinze anúncios em que se oferece uma remuneração mensal e uma que oferece
					para um ano de trabalho. Os salários mais elevados são o de 9$000 para um
					ama-de-leite na Casa dos Expostos no caso das mulheres, e 12$000 para um
					cozinheiro homem. São remunerações algo razoáveis. A título de comparação, em
					balanço do Hospital da cidade publicado em 1839, lê-se que os salários do
					cirurgião-mor e do cirurgião-ajudante eram de 50$000 e 30$000 mensais,
					respectivamente.</p>
				<p>Se esses trabalhadores fossem livres, tal monta de rendimentos permitia a eles
					uma vida “razoável”. Isto é, seriam “remediados”, termo muito comumente usado na
					historiografia nacional sobre este período sem que haja muitas vezes qualquer
					rigor em sua definição. Aqui deixamos claro que é preciso não perder de
					perspectiva o fato de estarmos falando de uma região pobre e desigual, de um
					país pobre e desigual, da periferia do capitalismo. Segundo Tollenare (1907 p.
					95-96), “o verdadeiro povo (plebe) brasileiro” era uma gente “paupérrima”.
					Formado, em geral, por “mestiços de mulatos, negros livres e índios”. Segundo o
					autor, os “mulatos e negros livres” que habitavam as cabanas fincadas nos
					mangues do Recife e seus arredores, tinham uma dieta bastante restrita : “o
					marido vai apanhar alguns caranguejos […], compra um punhado de farinha de
					mandioca […] e com isto sustenta toda a família” (ibid., p. 42). Ao descrever as
					posses desses indivíduos, diz que “uma esteira, uma linha ou cabaça, e às vezes
					alguns potes de barros”, junto com “alguns andrajos”, formavam “toda a mobilia
					do lar de um casal negro” (ibid., p. 80). Assim, entendemos “remediados” como
					aqueles que viviam pouco acima da miséria reinante, a qual se manteria por
					décadas. Josué de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Castro (1984</xref>[1946], p.
					142), escrevendo mais de um século após a passagem do memorialista francês,
					identificou que na região do recôncavo da Bahia, ao menos 98% dos indivíduos
					tinham uma alimentação deficitária em termos calóricos, com uma dieta baseada em
					uns poucos produtos. No documento oficial do plano SALTE, datado de 1950,
					registrava-se: “sub-alimentado, atingido por enfermidade que o aniquilam e o
					arruinam, o brasileiro considerado em geral, particularmente o das zonas rurais,
					[…] nem mesmo pode utilizar aquelas 2.000 calorias, de registro médio
					individual, que nos povos primitivos se atribuem à energia humana” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B8">Brasil 1950</xref>, p. 37).</p>
				<p>Em seu clássico estudo sobre a economia açucareira de Pernambuco, <xref
						ref-type="bibr" rid="B16">Eisenberg (1974</xref>, p. 597) afirma que o
					salário mínimo diário de um trabalhador naquela província em 1802-1829 era de
					160 réis. No conjunto de nossa amostra, sem associar qualquer valor aos extras
					oferecidos, o valor diário médio dos ganhos é de 300 réis, enquanto 320 réis é o
					valor mediano e o mais frequente. O jornal mais alto oferecido é 640 réis a um
					tanoeiro, enquanto o mais baixo era de algo próximo a 66,7 réis, relativos aos
					2$000 réis mensais oferecidos a um mulher pelos serviços domésticos na casa de
					um homem solteiro. Trata-se de uma discrepância enorme. Aliás, havia cativos que
					ganhavam jornais ainda maiores.</p>
				<p>Em junho de 1831, um decreto passou a proibir “a admissão de escravos como
					trabalhadores ou oficiais das artes necessárias nas Estações públicas do
					Império” enquanto houvessem “ingênuos ou libertos que nelas se queiram empregar”
					(v. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Chaia; Lisanti, 1974</xref>). Por conta
					disso, foram publicados no Diário editais em que se elencavam o número e o
					jornal dos cativos empregados na Armada da província, para que estes fossem
					substituídos por trabalhadores livres. Naquela instituição havia um carpinteiro
					cujo jornal era 800 réis, enquanto o de um aprendiz era de apenas 100
							réis<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup>.</p>
				<p>Em nossa amostra, há onze anúncios nos quais se é indiferentes quanto ao sexo dos
					trabalhadores. Destes, dez dizem respeito à atividades de venda de produtos nas
					ruas. Nestes casos, o valor médio da remuneração é de 294,5 réis. Já os anúncios
					direcionados para mulheres somam dezesseis, dos quais cinco oferecem alguma
					forma de “sustento”. No caso delas, a remuneração média geral era de 249,1 réis.
					Nos anúncios que ofereciam “sustento”, este valor passa para 272 réis, enquanto
					nos que não o ofereciam a média é de 238,7 réis. Resultado pouco intuitivo, que
					sugere cautela nas conclusões. No caso delas, é possível que alguns trabalhos,
					notadamente os domésticos, o fornecimento de alguma refeição estivesse já
					implícito naquele labor.</p>
				<p>Por fim, Tem-se trinta e quatro anúncios direcionado apenas aos homens. As
					remunerações mais elevadas são de 640 réis para um tanoeiro e 580 réis para um
					canoeiro. Já o menor jornal seria de 100 réis (3$000 por mês) oferecido pelo
					trabalho de cortar e carregar capim. A media global das remuneração oferecida
					pelo trabalho dos homens era de 323,8 rs. No conjunto das ofertas que ofereciam
					“sustento”, essa cifra era de 305 rs, enquanto a média dos que não ofereciam
					qualquer extra era de 334,5 rs. Isto poderia sugerir que o valor diário do
					“sustento” de um cativo fosse de algo em torno de 30 réis. Outras evidências
					sugerem um valor maior, como é o caso de um anúncio publicado em 1833, o qual
					reproduzimos ipsis litteris;</p>
				<p><disp-quote>
					<p>O abaixo assignada faz sciente ao respeitavel Publico que por resolução do
						Exm. Cosenlho do Governo se matriculão escravos a razão de 240 reis diarios
						e o sustento que existe (sic), em almoço, angú de milho, jantar meia libra
						de carne seca, feijão, e um decimo de farinha, (que iguala a 120 reis por
						dia a vista da carestia dos mantimentos) para trabalharem na factura das
						Estradas Publicas. Aquelles Cidadãos que pretenderem matricular seos
						escravos, devem apresentar os seos nomes, e o tempo que pretendem empregar
						os seos escravos neste trabalho. Os pagamentos serão seamaes ou mençaes como
						melhor convier as partes (<italic>Diário de Pernambuco</italic>, ed. 171, p.
						4, 8 ago. 1833).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>A título de comparação, em um anúncio de 1827, um restaurante apresentava seu
					menu; um almoço composto de galinha de cabidela, pão e vinho, saía por 240 réis.
					Em outro, também em 1827, oferecia-se “almoço de mão de vaca à portuguesa, paio,
					pão, vinho e caldo de substâncias por 160 rs”. Já em 1836, Manoel Alves Lima
					anunciava que em seu botequim, pelo preço de 12$000 por mês, o cliente teria
					almoço, jantar e ceia. Nestes casos, com quase uma década de distância entre os
					anúncios, vê-se que mesmo o ganho bruto diário de um cativo era insuficiente
					para permitir o acesso a três refeições diárias mais substanciosas.</p>
				<p>Richard <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cantillon (2010</xref>[1755], p. 61),
					analisando outro tempo e espaço, afirmou que “the daily labor of the lowest
					slave corresponds in value to double the produce of the land required to
					maintain him”. Adam <xref ref-type="bibr" rid="B31">Smith (1896</xref>[1776], p.
					69) repetiu esse raciocínio em sua obra, dizendo que <italic>“[t]he labour of an
						able-bodied slave […] is computed to be worth double his
						maintenance</italic>”. No caso de Pernambuco, se o ganho mediano era de 320,
					enquanto a subsistência era de 120, a taxa de exploração usual sobre os escravos
					de ganho seria de algo como 166%.</p>
				<p>O “sustento” oferecido aos escravizados, em um cenário otimista, estava próximo
					ao da subsistência orgânica do indivíduo. E subsistência como sinômino de
					manter-se vivo, ainda que subnutrido. A ração oferecida aos cativos nos
					engenhos, um dos trabalhos mais pesados possíveis, se restringia à uma espécie
					de angu de milho e um pouco de carne seca (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
						>Tollenare 1906</xref>, p. 75). Uma realidade que pouco mudaria em décadas,
					como atesta o relatório do presidente da província José Bento da Cunha
					Figueiredo;</p>
				<p><disp-quote>
					<p>A alimentação dos escravos continua má, e o tratamento que se lhes dão não
						tem melhorado… Proprietários há que, quando está cara a carne de charque, só
						escolhem a mais barata, comprando por vezes a que já se acha corrompido; e
						como se não bastasse a alimentação, sujeitam seus escravos a trabalhos em
						que se consomem todas as horas do dia e grande parte da noite… Esses
						infelizes, mal nutridos, mal vestidos e obrigados a trabalhos que excedem
						suas forças, não podem viver por muito tempo, e por isto é grande a
						mortandade entre os escravos de engenhos; sem contar que muitos sucumbem aos
						bárbaros castigos que sofre. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Cunha;
							Figueiredo, 1855</xref>, p. 14).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Uma das categorias teóricas mais famosas da Economia Política clássica era o
					“salário de subsistência”. David <xref ref-type="bibr" rid="B29">Ricardo
						(2001</xref>[1817, p. 58) assim o definia: “<italic>The natural price of
						labour is that price which is necessary to enable the labourers, one with
						another, to subsist and perpetuate their race, without either increase or
						diminution</italic>”. Sabendo-se das condições de alimentação, abrigo,
					vestimento, bem como da taxa de reprodução da população escravizada, podemos
					afirmar que sua remuneração ficava abaixo daquele mínimo.</p>
				<p>Por fim, cabe destacar a complexidade das relações de exploração do trabalho
					escravizado na sociedade brasileira do período analisado. Enquanto os
					trabalhadores das <italic>plantations</italic> estavam sujeitos a um sistema de
					vigilância direto de seus trabalhos, os escravos de ganho estavam usualmente sob
					um controle mais frágil, de modo que era preciso desenvolver arranjos diferentes
					para obtenção do máximo de excedente. Um interessante era o comumente oferecido
					aos vendedores, notadamente do que se chamava de “azeite de carrapato”
						(<italic>castor oil</italic> em inglês), que aquele obtido a partir das
					sementes da mamona. Os anúncios falavam, por exemplo, em remuneração de 320 réis
					por canada. Em outro anúncio, buscavam-se mulheres ou moleques para vender bolos
					pela rua, oferecendo-se o pagamento de quatro vintém (80 réis) pra cada pataca
					(320 réis) vendidos. Esse tipo de arranjo buscava desestimular o comportamento
					displicente que poderia emergir da parte do trabalhador.</p>
				<p>Apesar do aumento do preço médio dos cativos, o valor dos ganhos não parece ter
					apresentado comportamento análogo até 1835. Já as poucas observações para os
					anos 1836 e 1837 também não nos permite concluir se os ganhos cresceram, em
					linhas com a carestia do período.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3 Sobre a hipoteca de escravos</title>
				<p>Na ausência de um mercado de crédito desenvolvido no início do século XIX, muitos
					pernambucanos viam-se na contingência de apelar para os empréstimos algo
					informais. Marcondes (2002) aponta que esta dependência do crédito entre
					particulares só seria superada com o avanço das instituições capitalistas entre
					nós, inclusive as transformações jurídicas implementadas pelo Código Comercial
					de 1850 e a nova legislação hipotecária de meados da década de 1860. Ou seja,
					tais mudanças na infraestrutura e na superestrutura da economia brasileira
					estavam guardadas para um futuro algo distante do nosso período de análise.</p>
				<p>Na praça do Recife, parte dessas transações de oferta e demanda por fundos
					emprestáveis era anunciada na seção “Avisos Particulares” do Diário de
					Pernambuco. Tais arranjos, usualmente de prazo inferior a um ano, tinham como
					colateral mais comuns as propriedades imóveis urbanas e ruais, ouro, prata,
					joias e também escravizados.</p>
				<p>Nos acordos que envolviam escravos, não era incomum que o demandante de crédito
					arrendasse o cativo para o credor. Qual seja, o emprestador dos recursos ficava
					com a posse temporária do escravizado, fazendo jus aos vencimentos do seu
					trabalho, que serviam inclusive como pagamentos dos juros, até que o principal
					fosse devolvido ao final do contrato. Feitos os acertos, o escravizado retornava
					às mãos do seu proprietário original. Em um anúncio de 1836, por exemplo, lê-se:
					“Dá-se 100$000 réis a juros sobre hipoteca de uma escrava de meia idade […]
					ficando o serviço da mesma escrava pelo juro do dinheiro”<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>. Em outro, a mensagem era
					similar: “Dão-se 200$000 réis a juros sobre hipoteca de um escravo, sendo este
					canoeiro e ficando o serviço do mesmo pelos juros do dinheiro”<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup>.</p>
				<p>A <xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 5</xref> apresenta as informações sobre
					os anúncios nos quais há menção explícita ao valor desejado, ao prazo, a taxa de
					juros e o número de escravizados dados como garantia. Há, pois, muitos anúncios
					em que falta ao menos uma dessas informações.</p>
				<p><table-wrap id="t5">
					<label>Tabela 5</label>
					<caption>
						<title>Empréstimos com escravizados usados como garantia</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Ano</th>
								<th align="center">Edição</th>
								<th align="center">Valor Desejado</th>
								<th align="center">Prazo (meses)</th>
								<th align="center">Garantia (número de escravizados)</th>
								<th align="center">Sexo do Escravizado</th>
								<th align="center">Idade do Escravizado (em anos)</th>
								<th align="center">Juros (% a.m.)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">1831</td>
								<td align="center">180</td>
								<td align="center">20$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">256</td>
								<td align="center">350$000</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1832</td>
								<td align="center">306</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">24</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">M e F</td>
								<td align="center">F de 12-14; M n.i.</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">307</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">323</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">M </td>
								<td align="center">12-14</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1833</td>
								<td align="center">70</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">112</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">118</td>
								<td align="center">40$000 - 50$00</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">121</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">5</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">152</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2,5</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">181</td>
								<td align="center">100$000 - 150$000</td>
								<td align="center">6 - 9</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">227</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">248</td>
								<td align="center">90$000</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2,5</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1834</td>
								<td align="center">309</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">319</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">319</td>
								<td align="center">100$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">M </td>
								<td align="center">Moço</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1835</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">1:100$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">10</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">10</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">22</td>
								<td align="center">250$000</td>
								<td align="center">8 - 10</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1836</td>
								<td align="center">88</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">Moça</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">110</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">130</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">131</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">141</td>
								<td align="center">300$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">F</td>
								<td align="center">13</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"/>
								<td align="center">160</td>
								<td align="center">200$000</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1837</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">1:000$000</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">4<sup>*</sup></td>
								<td align="center"/>
								<td align="center"/>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">191</td>
								<td align="center">400$000</td>
								<td align="center">6 - 12</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">-</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Diário de Pernambuco, diversas edições.</attrib>
						<attrib>(<sup>*</sup>) as quatro escravizadas são as seguintes: uma
							“crioula” cozinheira de 35 anos, sua filha de 17 anos que estava
							“próxima de parir” e uma menina de 11 anos.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap></p>
				<p>A operação mais comum segundo nossa amostra era o empréstimo de 300$000 réis,
					pelo prazo de seis meses, com juros de 2% ao mês, tendo um escravizado -
					provavelmente um homem<sup><xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref></sup> - como
					garantia. O montante não era irrelevante, sendo suficiente, por exemplo, para
					cobrir grande parte do custo de aquisição de um cativo. A taxa de juros usual,
					que implica em 24% ao ano no caso de juros simples, ou 26.8% ao ano em caso de
					juros compostos, parece ser um indicativo não apenas da relativa escassez de
					crédito naquela praça, como também da rentabilidade satisfatória do trabalho
					escravo à época. Aliás, a escassez de moeda e crédito será um dos grandes temas
					econômicos do Brasil no Dezenove.</p>
				<p>Por fim, como eram comuns os empréstimos nos quais que o ganho do escravizado
					ficava como juros, tem-se aí que estes deveriam ser de pelo menos 6$000 réis ao
					mês, ou 230 por dia (excluindo-se os domingos).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>O artigo buscou jogar luz sobre alguns aspectos econômicos da escravidão a partir de
				uma perspectiva próxima daquilo que se conhece como micro-história; com foco
				restrito em termos de espaço e tempo, bem como apresentando as informações ao nível
				dos indivíduos. Apesar das fontes serem anúncios, usualmente curtos e escritos por
				apenas uma das partes, fica evidente que a dinâmica das relações sociais e
				econômicas daquela sociedade era bastante complexa. Esta é uma dimensão que por
				vezes acaba se perdendo nas investigações mais amplas, mais generalistas.</p>
			<p>Havia uma grande variância no preço e nos ganhos dos cativos, dada a grande
				heterogeneidade dos indivíduos. Porém, vimos que os preços médios também respondiam
				aos movimentos globais da oferta e da demanda agregada por cativos. De fato, os
				preços médios dos cativos não eram iguais em todas as praças do Império, mas há
				evidências de que estes se moviam em paralelo, dada a existência de arbitragem por
				parte dos traficantes (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Nogueról; Versiani;
					Vergolino, 2016</xref>, p. 269-271).</p>
			<p>Sobre os escravos de ganho, vimos que mesmo em ocupações ordinárias, esse era um
				“investimento” que se pagava, em termos líquidos, em relativamente pouco tempo. No
				cenário mais pessimista - do ponto de vista do proprietário, obviamente - supondo-se
				um “sustento” diário de 120 réis e 252 dias de trabalho ao ano, o trabalhador médio
				demoraria 6,8 anos para pagar-se. Já no cenário mais otimista, com um “sustento” de
				30 réis e 312 dias de trabalho por anos, o intervalo cairia para 3,8 anos. Ou seja,
				é razoável supor que um escravo de ganho ordinário, pagava-se àquela época entre
				algo como 4 e 7 anos de labor. Como não era incomum para aqueles que escapavam da
				fase crítica da mortalidade infantil, atingirem os 40 anos de vida, vê-se que havia
				tempo suficiente para produzir excedente.</p>
			<p>A taxa de juros dos empréstimos que usavam cativos como garantia também sugerem uma
				alta rentabilidade média daqueles trabalhadores.</p>
			<p>Estes dados parecem estar em conformidade com a evidência histórica fundamental: a
				grande vulgarização dessa relação econômica não apenas na praça do Recife. Era
				negócio tão rentável, que o Marquês de Queluz, em documento oficial de 1827,
				defendia a criação de um novo “imposto sobre a imensa escravatura chamada de ganho”,
				pois, segundo ele, “muita gente ociosa” fugia “das artes fabris”, vivendo “na mais
				completa inutilidade e nos vícios, uma vez que obtenha dois ou três escravos de
				ganho” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Maciel da Costa 1827</xref>, p. 480).</p>
			<p>Esperamos que as informações aqui apresentadas possam ser checadas e complementadas
				por outros pesquisadores, já que, por mais exaustivo que tenha sido o levantamento,
				há sempre a possibilidade de que algo tenha nos escapado. Ademais, trabalhos
				futuros, nossos e de outros autores, poderão se centrar na coleta de informações
				para além de 1837, bem como comparar estes resultados com os de outros centros
				urbanos, como Rio de Janeiro e Salvador, as duas cidades mais importantes do Império
				àquela altura. O que nos ajudaria a entender melhor os aspectos macro e micro da
				escravidão no Brasil.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>(1)</label>
				<p>As fugas eram uma das formas mais comuns de revolta dos cativos e aconteciam em
					um fluxo contínuo. Ainda que a fuga fosse um ato relativamente fácil de ser
					empreendido, as chances de sucesso, isto é, de passar a viver em liberdade, eram
					muito baixas. Em todo caso, as fugas mesmo breves e mal-sucedidas, impunham um
					custo financeiro não irrelevante aos proprietários, notadamente em termos de
					recompensa paga a capitães do mato. Para uma análise desse fenômeno na região do
					Recife, ver <xref ref-type="bibr" rid="B3">Andrada (2022)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>(2)</label>
				<p>A ausência de liberdade, o trabalho extenuante, as humilhações cotidianas, os
					castigos físicos, provocavam frequentes problemas psicológicos entre os
					trabalhadores cativos, como o famoso “banzo”. Sabe-se que, em termos
					bioquímicos, pequenas quantidades de álcool têm efeitos similares aos
					anti-depressivos e ansiolíticos. Mas que neste processo busca por algum alívio,
					não é raro que o indivíduo torne-se dependente (<xref ref-type="bibr" rid="B35"
						>Wolfe et al., 2016</xref>). Daí uma das razões de o abuso do álcool ser uma
					comorbidade ordinária da depressão. Em suas memórias, Mahommah <xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Baquaqua (1988</xref>[1854], p. 275), que chegou ao
					Recife como escravizado, diz que seus “companheiros de cativeiro” eram “muito
					dados à bebida e, por isso, eram menos rentáveis para” o seu “senhor”. Diante da
					crueldade do proprietário, ele mesmo sucumbiria à bebida em pouco tempo. Um
					outro detalhe ainda mais lúgubre da depressão entre os cativos eram os suicídios
					tentados e consumados. Em levantamento para a comarca de Piratini no Rio Grande
					do Sul, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Nunes (2017</xref>, p. 42) mostra que
					entre 1850 e 1870, o suicídio era o crime mais comum entre os cativos. Para mais
					detalhes sobre o tema ver <xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrada
					(2023)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>(3)</label>
				<p>Que é a de 1 franco igual a 166,6 réis.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>(4)</label>
				<p>Série “Taxa de câmbio média mensal da libra esterlina (réis por pence) na praça
					do Rio de Janeiro, frequência anual, de 1809 até 1939. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ipeadata.gov.br"
						>www.ipeadata.gov.br</ext-link>. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>(5)</label>
				<p>Bank of England. Inflation Calculator. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.bankofengland.co.uk/monetary-policy/inflation/inflation-calculator"
						>https://www.bankofengland.co.uk/monetary-policy/inflation/inflation-calculator</ext-link>.
					Último acesso em: junho de 2024. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>(6)</label>
				<p><italic>Diário de Pernambuco</italic>, Recife, ed. 39, p. 4, 19 fev. 1827.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>(7)</label>
				<p>Furtou-se. <italic>Diário de Pernambuco,</italic> Recife, ed. 24, p. 4, 30 jan.
					1829. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>(8)</label>
				<p>Preços dos gêneros de importação em grosso. <italic>Diário de
					Pernambuco</italic>. Recife: 30 de maio de 1831, ed. 117, p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>(9)</label>
				<p>Editaes. <italic>Diário de Pernambuco</italic>, Recife, ed. 322, p. 1, 28 fev.
					1832. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>(10)</label>
				<p><italic>Diário de Pernambuco</italic>, ed.154, p. 4, 19 jul. 1836. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>(11)</label>
				<p><italic>Diário de Pernambuco</italic>, ed. 75, p. 3, 6 abr. 1837. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>(12)</label>
				<p>Os anúncios usualmente usavam o termo genérico como “escravo”, sendo que em oito
					deles fala-se em mulheres/meninas e apenas três a homens/meninos, o que nos leva
					a supor que, em regra, o “ganhador” ofertado era um homem. O que parece
					razoável, já que os ganhos obtidos por eles eram, em média, maiores, bem como
					eram mais amplas suas possibilidades de ocupação.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
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					University Press, v. 61, n. 2, 2006.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALENCASTRO</surname>
							<given-names>Luiz. F. de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Le versant brésilien de l’Atlantique-Sud:
						1550-1850</article-title>
					<source>Annales. Histoire, Sciences Sociales</source>
					<publisher-name>Cambridge University Press</publisher-name>
					<volume>61</volume>
					<issue>2</issue>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
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				<mixed-citation>ANDRADA, Alexandre F. S. Deaths of despair. Brief notes on suicide
					and alcohol consumption among Brazilian slaves in the 19th century. In: ENCONTRO
					NACIONAL DE ECONOMIA POLÍTICA (ENEP), 28, Maceió, AL, 2023.
						<italic>Anais...</italic></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANDRADA</surname>
							<given-names>Alexandre F. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Deaths of despair. Brief notes on suicide and alcohol consumption
						among Brazilian slaves in the 19th century</chapter-title>
					<source>In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA POLÍTICA (ENEP), 28</source>
					<publisher-loc>Maceió, AL</publisher-loc>
					<year>2023</year>
					<comment>Anais...</comment>
				</element-citation>
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					da escravidão a partir dos anúncios de fuga publicados no Diário de Pernambuco
					(1827-1837). In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA (ANPEC), 50, Fortaleza, CE, 2022.
						<italic>Anais...</italic></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>ANDRADA</surname>
							<given-names>Alexandre F. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Fujões, furtados e seduzidos. Uma análise da escravidão a partir
						dos anúncios de fuga publicados no Diário de Pernambuco
						(1827-1837)</chapter-title>
					<source>In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA (ANPEC), 50</source>
					<publisher-loc>Fortaleza, CE</publisher-loc>
					<year>2022</year>
					<comment>Anais...</comment>
				</element-citation>
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>BAQUAQUA</surname>
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					<article-title>Biografia de Mohamed G. Baquaqua</article-title>
					<source>Revista Brasileira de História</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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						<collab>BRASIL</collab>
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					<chapter-title>Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990</chapter-title>
					<source>Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências</source>
					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
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					<year>1990</year>
				</element-citation>
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				<mixed-citation>BRASIL. <italic>Lei n. 59 de 8 de outubro de 1833</italic>. Fixa o
					novo padrão monetario; estabelece um Banco de Circulação e deposito; autoriza o
					Governo; a celebrar com particulares ou Companhias contractos para a mineração
					dos terrenos da Nação; altera o imposto do sello; e crêa a taxa annual dos
					escravos, 1833.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<article-title>Lei n. 59 de 8 de outubro de 1833</article-title>
					<source>Fixa o novo padrão monetario; estabelece um Banco de Circulação e
						deposito; autoriza o Governo; a celebrar com particulares ou Companhias
						contractos para a mineração dos terrenos da Nação; altera o imposto do
						sello; e crêa a taxa annual dos escravos</source>
					<year>1833</year>
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				<mixed-citation>BRASIL. Lei s/n de 7 de novembro de 1831. Declara livres todos os
					escravos vindos de fôra do Imperio, e impõe penas aos importadores dos mesmos
					escravos, 1831.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<article-title>Lei s/n de 7 de novembro de 1831</article-title>
					<source>Declara livres todos os escravos vindos de fôra do Imperio, e impõe
						penas aos importadores dos mesmos escravos</source>
					<year>1831</year>
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					de Imprensa Nacional, 1950.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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					<source>O Plano SALTE</source>
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					<source>Synopse do recenseamento de 31 de Dezembro de 1890</source>
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					<source>An essay on economic theory</source>
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							<surname>CASTRO</surname>
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					<source>O dilema brasileiro: pão ou aço</source>
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					<fpage>241</fpage>
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