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                <journal-title>Economia e Sociedade</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Economia e
                    Sociedade</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">1982-3533</issn>
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                <publisher-name>Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas;
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					<subject>Artigo original</subject>
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				<article-title>São Paulo no contexto da industrialização do vestuário, durante a
						<italic>belle époque</italic> tropical - 1870 a 1922</article-title>
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					<trans-title>The state of São Paulo in the Brazilian context of clothing
						industrialization, during the tropical belle époque - 1870 -
						1922</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0900-6455</contrib-id>
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						<surname>Prado</surname>
						<given-names>Luis André do</given-names>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Economia e
					Administração</institution>
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					<named-content content-type="city">São Paulo</named-content>
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				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>laprado@pyxisnet.com.br</email>
				<email> laprado1955@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Pós-doutorando na Faculdade de Economia e
					Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), São Paulo, SP, Brasil.
					E-mails:</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="edited-by">
					<label>EDITOR RESPONSÁVEL PELA AVALIAÇÃO</label>
					<p><italic>Fábio Antonio de Campos</italic></p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A indústria de vestuário no Brasil segue carente de pesquisas históricas, em
					particular sobre sua fase inicial. Contribui para este quadro a escassez de
					fontes que permitam esclarecer sobre seu período mais remoto, questões como:
					número de empreendimentos e da mão de obra empregada; maquinários, capitais,
					volumes produzidos etc. Este artigo se propõe a compor um curto painel sobre o
					período da <italic>belle époque</italic> tropical (dos anos 1870 até a 1922)
					quando o segmento ganhou impulso no Estado de São Paulo, que passava a alavancar
					a industrialização do segmento no país, ainda voltado a peças de modelagens
					simples e estáveis. Para tanto, tomamos por suporte pesquisa realizada por
					Francisco Bandeira Junior em 1909, tempo em que a mecanização (máquinas de
					costura, de corte etc.) já permitia reduzir custos de produção, simultaneamente
					ao incremento do comércio urbano, que ampliava o acesso a bens vestíveis,
					socialmente diferenciados pela qualidade e estética das peças; ou seja, pelo
					valor simbólico da moda.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The clothing industry in Brazil continues to lack historical research,
					particularly about its initial phase. Contributing to this situation is the
					scarcity of economic sources, in the most remote period, that allow for better
					clarification of issues such as: number of existing enterprises and the
					workforce used; available machinery, invested capital, produced volumes etc.
					This article comprises a panel on clothing serial manufacturing in the
					tropical's belle époque period - from the 1870s to 1922, the beginning of
					modernism - a time when the segment gained momentum in the country, especially
					after the First World War (1914-1918), still focused on simple and stable
					pieces, which was not the case with most women's clothing, which was more
					complex and influenced by changes in fashion. We highlight, in this context, the
					significant growth recorded by São Paulo, supported by research published in
					1909 by Francisco Bandeira Junior, with rare data on São Paulo factories at the
					time. Mechanization - made possible by sewing machines, cutting machines etc. -
					lowered production costs, simultaneously with the increase in urban commerce,
					which expanded access to wearable goods that, however, remained socially
					differentiated by the quality and aesthetics of the pieces; that is, for the
					symbolic value of fashion.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Indústria do vestuário</kwd>
				<kwd>História econômica</kwd>
				<kwd>Consumo</kwd>
				<kwd>Moda</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Clothing industry</kwd>
				<kwd>Economic history</kwd>
				<kwd>Fashion</kwd>
			</kwd-group>
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		</article-meta>
	</front>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Karl Marx ressaltou em <italic>O Capital</italic> a importância que teve para a
				Inglaterra o escoamento de produtos industrializados têxteis e de vestuário para “o
				mercado colonial, onde, além de tudo, predominam os hábitos e gostos ingleses”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B24">Marx, 1867/2011</xref>, p. 361). Hábitos e
				gostos são valores culturais imbuídos de significações sociais, subentendendo, no
				caso, que os produtos ingleses e franceses chegavam aos países periféricos embalados
				pelas referências estéticas da moda (com predominância francesa para mulheres e
				inglesa para homens), transmitindo aos consumidores de camadas médias e altas
				brasileiras o sentimento de adquirir, por meio das vestes, verossimilhança com as
				formas de vestir dos grandes centros europeus e, portanto, de modernidade e
				civilidade. Nos faltam, todavia, fontes sobre dados econômicos, assim como pesquisas
				e estudos mais aprofundados sobre os eventos da fabricação de roupas seriada no
				Brasil, no século XIX e primeira metade no século XIX, seguimento que se insere no
				conjunto da indústria de transformação (manufatura) ou indústria de bens de consumo.
				Uma fonte disponível é o relatório “O Brasil - Suas riquezas naturais, suas
				indústrias”, publicado em 1909 pelo Centro Industrial do Brasil (RJ), que se definia
				como “instituição particular”, contendo dados estatístico de pesquisa efetivada em
				1907, por encomenda do governo Rodrigues Alves (1902-1906), no qual se lê seguinte a
				advertência:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Em vez de dissertar acerca do desenvolvimento da indústria fabril, achamos mais
					acertado promover a organização da respectiva estatística. Nesse sentido não
					havia nada formado. Bem sabíamos que os hábitos do paiz são de algum modo
					infensos a semelhante tarefa. [...] Do comércio inter-estadual nada se sabe. Por
					isso se torna impossível fazer uma idéa precisa das permutas commerciais do
					paiz. [...] A nossa tentativa é apenas um esboço do que tem de ser desenvolvido
						(<xref ref-type="bibr" rid="B13">Centro Industrial do Brasil, 1909</xref>,
					v. III. p. 255).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Ainda que escassas, as informações disponíveis nesta e outras fontes sobre a
				indústria têxtil e de vestuário confirmam a citação de <italic>O Capital</italic>
				quanto ao fato de que países periféricos, como o Brasil, foram fartamente
				abastecidos de produtos ingleses e franceses, no segmento, o que se manteve até pelo
				menos a metade do século XX, a despeito de a industrialização de roupas ter se
				ampliado expressivamente por aqui, já desde o período aqui analisado. Em tempos de
				“imperialismo informal”, reforçando expressão usada por Jobson Arruda, o Brasil
				caminhava para alterar, ainda que parcimoniosamente, a condição de exportador de
				matérias-primas e consumidor de produtos transformados, seguindo os “mecanismos
				clássicos do neocolonialismo que preponderaria nas relações metrópole-colônia no
				decurso do século XIX, certamente benéfico para os britânicos” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Arruda; 2016</xref>, p. 95). Assim, desde os seus
				primórdios, a indústria brasileira foi condicionada a essa posição ocupada pelo país
				no concerto da economia internacional como, ademais, ocorre até a
				contemporaneidade.</p>
			<p>Especialmente no caso do vestuário, ainda que fábricas nacionais tivessem alcançado
				relevância no mercado interno, nas primeiras décadas do século XX, este segmento da
				indústria esteve atrelado a condições orquestradas pelos centros hegemônicos. Fica
				evidente, por exemplo, a relação que as fábricas da primeira metade do século XIX
				mantiveram com a economia de exportação, caso, por exemplo, das manufaturas peças
				simples usadas para vestir a mão-de-obra escravizada, confeccionadas em algodão
				grosseiro que também se destinavam “à produção de sacarias para produtos agrícolas
				de exportação (açúcar, algodão, cacau)” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Suzigan,
					1986</xref>, p. 117). A produção deste tecido rústico experimentou crescimento
				na virada para o século XX, chegando ao final da primeira Grande Guerra à condição
				de termos o “mercado nacional atendido predominantemente pela produção interna”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B16">Fishlow, 1972</xref>, p. 7).</p>
			<p>Especificamente sobre vestuário, a parca pesquisa historiográfica nacional sobre o
				tema tem, muitas vezes, resultado em datações equivocadas que situam seu início no
				“entre guerras” ou em meados do século XX (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kontic,
					2007</xref>, p. 41). Desde as primeiras décadas do século XIX, contudo, tivemos
				as citadas manufaturas de roupas feitas para escravizados, confirmando que também
				aqui, como na Europa, as indústrias pioneiras de vestuário tiveram sua gênese em de
				peças para trabalhadores; mas constatamos, ainda, em especial a partir da segunda
				metade daquele século, um incremento na produção de peças destinadas às camadas
				médias dos maiores centros urbanos - como no Distrito Federal (que abrangia o
				município do Rio de Janeiro)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup> e em
				São Paulo Capital. Um pouco mais à frente, no período da chamada <italic>belle
					epóque</italic> tropical<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>, este
				incremento foi ainda mais expressivo, sempre acompanhando o crescimento dos
				mercados, que importavam também as novas formas de comercio surgidas na Europa, como
				os magazines e lojas de departamento. A seriação do vestuário feminino ocorreu no
				período para peças íntimas e roupas de modelagens estáveis, como casacos, coletes,
				espartilhos etc.). Vestidos, blusas e demais peças exteriores mantiveram-se em
				confecção sob medida, por serem de confecção complexa e por sofrerem influência das
				modas sazonais, centralizadas em Paris. Apesar de a chamada <italic>haute
					couture</italic> francesa se dedicar exclusivamente a peças femininas
				sofisticadas, destinadas às camadas mais altas, seus lançamentos já ganhavam farta
				divulgação da imprensa, influenciando as demais camadas sociais. Assim sendo,
				predominava, no período analisado, a roupa feita sob medida por alfaiates e modistas
				(no caso das camadas mais altas), ou ainda por costureiras e donas de casa (no caso
				das camadas mais baixas), já com o apoio das máquinas de costura, que se tornavam um
				acessório doméstico popular.</p>
			<p>A penetração da roupa pronta no mercado nacional se deu, portanto, ao longo de
				décadas, num processo gradual em que foi relevante, como já dito, o papel das lojas
				de departamento e magazines, que operaram, muitas vezes, de forma interligada ou
				paralela com a indústria. A maior valorização do produto importado, considerado
				superior pelas elites e camadas médias, fez com que nossas confecções se
				especializassem na copiagem de <italic>designs</italic> e modelagens de peças
				importadas em particular da França, Inglaterra e dos EUA - que também eram
				copiadores. Este comportamento é confirmado pelo pesquisador autodidata Antonio
				Francisco Bandeira Junior, no levantamento que publicou ainda em 1901 sobre a
				indústria no Estado de São Paulo, do qual é possível extrair dados detalhados sobre
				pelo menos sete fábricas de roupas feitas, amostragem pequena, mas preciosas, por
				sua raridade num tempo de emergência da própria Capital paulista como metrópole
				industrial de relevância no país.</p>
			<p>Iniciativa particular, o levantamento de Bandeira Júnior tem sido usado por
				historiadores, a despeito da pouca informação disponível sobre o autor: o site da
				Biblioteca Mário de Andrade, da Capital paulista, disponibiliza o original
				digitalizado na entrada “Obras Raras sobre São Paulo, 1736-1934”, informando
				tratar-se do “primeiro trabalho de vulto publicado sobre a indústria paulista, que
				teve seu início no final do século XIX, a partir da grande imigração
						italiana”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup>. O prefácio é
				assinado por Antônio de Toledo Piza, então diretor da Repartição de Estatística do
				Estado de São Paulo, que o enaltece como sendo o “estudo mais completo, mais
				comprehensivo, que até hoje se tem feito desse assumpto entre nós” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior, 1901</xref>). Como já apontado por
				outros autores, o levantamento de Bandeira Júnior não é completo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B23">Marson, 2012</xref>, p. 481-511) e teve por base o
				recenseamento geral das indústrias paulistas elaborado justamente pela Repartição de
				Estatística do Estado, a partir do qual o autor listou 145 empreendimentos, os quais
				visitou e coletou os seguintes dados: data de fundação, número de máquinas e de
				funcionários, se brasileiros ou estrangeiros e a produção realizada no ano da
				pesquisa, entre outros dados. Entre elas, estão as citadas fábricas de roupas
				prontas, todas situadas na capital do estado, fundadas num período de emergência do
				segmento.</p>
			<p>Em pesquisa referencial sobre industrialização no Brasil, Suzigan confirma a escassez
				de dados sobre o desenvolvimento da indústria do vestuário, para além dos existentes
				sobre importações de máquinas de costura industriais, com base nos quais supôs que o
				segmento teria dado seus primeiros passos entre fins da década de 1860 e início de
				1870; e, mais fortemente, a partir de 1882, ponderando: “No entanto, deve-se notar
				que outras indústrias estavam introduzindo máquinas de costura no seu processo
				produtivo para a fabricação de chapéus, calçados, tapeçaria e artigos de decoração
				etc.” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Suzigan, 1986</xref>, p. 110)<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup>.</p>
			<p>Daí a importância dos registros legados por Bandeira Junior, reconhecida também por
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Maleronka (2007</xref>, p. 38), pelo fato de ele
				ter percorrido pessoalmente os estabelecimentos de sua amostragem, já que seu
				propósito era compor um painel abrangendo “todas as faces da indústria” paulista, de
				modo a atestar o “elevado gráu de desenvolvimento que ella tem attingido neste
				Estado”, único do país (sic) que “mantém estabelecimentos fabris em todos os ramos”
				e que já seria mais industrializado que a própria Distrito Federal: “[...]depois de
				S. Paulo, a localidade mais industrial da República” (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Bandeira Junior, 1901</xref>).</p>
			<p>Na introdução, informa ter enfrentado dificuldades na obtenção dos dados - queixa que
				também seria compartilhada por pesquisadores da própria “Repartição de Estatistica”
				do Estado (idem). Ele enfatiza a importância da “immigração italiana” para o arrojo
				industrial paulista, estado que contaria então com cerca de 50 mil operários, “entre
				homens, mulheres e crianças” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior,
					1901</xref>, p. XIII). Vale salientar, neste ponto, a forma naturalizada e
				justificada com que menciona o uso da mão de obra infantil:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>É consideravel o numero de menores, a contar de 5 annos, que se ocupam em
					serviços fabris, percebendo salarios que começam por duzentos réis diarios; mas,
					mais do que isso, tem esses menores a vantagem, de adquirir hábitos de trabalho,
					apprendendo um officio que lhes garante o futuro, ao passo que não augmentam a
					falange dos menores vagabundos que infestam esta Cidade (idem).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Adentrando o “assumpto de tecidos e fiação”, o autor descreve dezenove fábricas
				localizadas no território paulistano, muitas equipadas com máquinas ainda a vapor
					(<xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>) - até porque, vale realçar, a
				implantação de redes elétricas não havia sido iniciada na Capital
						paulista.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup></p>
			<p><table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Fábrica de tecidos no Estado de São Paulo; 1901</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#f9cba9;" valign="top"/>
							<th style="background-color:#f9cba9;" valign="top">Razâo social</th>
							<th style="background-color:#f9cba9;" valign="top">Localizacao</th>
							<th style="background-color:#f9cba9;" valign="top">Fundacao</th>
							<th style="background-color:#f9cba9;" valign="top">Produçâo</th>
							<th style="background-color:#f9cba9;" valign="top">Trabalhadores</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecidos de Algodào Sta.
								Maria</td>
							<td align="center" valign="top">Sorocaba, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1865</td>
							<td align="center" valign="top">650 mil metros/ano</td>
							<td align="center" valign="bottom">&quot;Nacional: 39 homens, 46
								mulheres, 19 meninos. Estrangeiros: 9 homens, 11 mulheres, 9
								meninos&quot;.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>2</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecidos a Vapor Sào Luiz</td>
							<td align="center" valign="top">Itu, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1873</td>
							<td align="center" valign="top">400 mil metros/algodáo grosso, 360 mil
								metros/fazendas finas, 20 mil metros/brim xadrez, 40 mil
								metros/enfestado, 40 il/toalhas</td>
							<td align="center" valign="top">&quot;Nacional: 28 homens, 36 mulheres,
								26 meninos. Estrangeiros: 6 homens, 2 mulheres, 1 menino”</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>3</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fiaçào e Tecidos da Cia. Industrial
								de Sào Paulo</td>
							<td align="center" valign="bottom">Sào Paulo, Capital, Centro</td>
							<td align="center" valign="top">1877</td>
							<td align="center" valign="top">12 mil metros/dia</td>
							<td align="center" valign="top">300 operários</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>4</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Fiaçào e Tecidos Nossa Sra.
								da Ponte</td>
							<td align="center" valign="top">Sorocaba. SP</td>
							<td align="center" valign="top">1881</td>
							<td align="center" valign="top">150 mil metros de tecido grosso/ano</td>
							<td align="center" valign="top">Superior a 200 operários</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>5</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Fiaçào e<break/>Tccidos Sào
								Martinho</td>
							<td align="center" valign="top">Tatui, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1881</td>
							<td align="center" valign="bottom">nao informado; (obs: “AlgodÓes
								brancos, grossos e finos: Cassinctas, oxfords casemiras, riscados,
								toalhas, etc, sendo o maior consumo neste estado&quot;)</td>
							<td align="center" valign="top">300 operários</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>6</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Grande Fábrica de<break/>Tecidos
								Mont-Serrat</td>
							<td align="center" valign="top">Salto de Ytu (atual Salto). SP</td>
							<td align="center" valign="top">1882</td>
							<td align="center" valign="top">1 milhâo e 350 mil metros/ano</td>
							<td align="center" valign="bottom">&quot;Nacional: 22 homens, 36
								mulheres, 19 menores. Estrangeiros: 19 homens, 25 mulheres, 20
								menores&quot;</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>7</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecidos e Fiaçào Anhaia</td>
							<td align="center" valign="top">Sào Paulo, Capital, Bairro Boni
								Retiro</td>
							<td align="center" valign="top">1886</td>
							<td align="center" valign="top">mais de 3 milhóes de metros/ano</td>
							<td align="center" valign="bottom">“11 nacionais: 6 homens, 2 mulheres,
								1 menor; 301 estrangeiros: 58 homens, 168 mulheres e 75
								menores&quot;</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>8</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica E. Dell'Acqua &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="bottom">Sao Roque, SP (obs.: filial em Osasco
								fabrica tecidos de algodao e la (cobertores e tapetes)</td>
							<td align="center" valign="top">1891</td>
							<td align="center" valign="top">media de 10 mil metros/dia</td>
							<td align="center" valign="top">400 operários “na maioria
								estrangeiros”.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>9</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica a Vapor de Fiaçào e Tecelagem
								Taubaté Industrial</td>
							<td align="center" valign="top">Taubate, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1891</td>
							<td align="center" valign="bottom">150 quilos de fios/ano; 36 mil dúzias
								de camisas, 3 mil dúzias de meias; (obs:<break/>&quot;Tecidos de
								meia em geral”)</td>
							<td align="center" valign="bottom">&quot;Nacional: 27 homens, 39
								mulheres, 119 menores. Estrangeiros: 4 homens, 10 mulheres, 9
								menores”</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>10</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Votorantin Estamparía e
								Alvejaria</td>
							<td align="center" valign="top">Sorocaba, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1894</td>
							<td align="center" valign="top">450 mil metros/més</td>
							<td align="center" valign="top">150 operários (“de ambos os sexos”)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>11</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecido de Seda de Guilherme
								Polletti &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Sao Paulo, Capital, Bairro Vila
								Prudente</td>
							<td align="center" valign="top">1895</td>
							<td align="center" valign="bottom">cita em valores: “de oitenta a cem
								contos, atualmente” (obs.: “fitas, cordóes, gregas, franjas, botóes,
								bordas, pompons, tapetes, cobertores, cortinas, galóes e tecidos
								para roupas de senhoras”)</td>
							<td align="center" valign="top">150 operários</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>12</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica a Vapor de Tccidos “Sao
								Paulo&quot;/Ranzini</td>
							<td align="center" valign="bottom">Sao Paulo, Capital,
								Bairro<break/>Belenzinho/Braz</td>
							<td align="center" valign="top">1897</td>
							<td align="center" valign="top">&quot;15.000 metros de cascmira, 3.000
								chales, 2.000 palas”</td>
							<td align="center" valign="bottom">“Nacionaes: 1 homem, 6 mulheres, 1
								menor; estrangeiros: 12 homens, 10 mulhres, 2 menores”</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>13</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecidos
								Sta.<break/>Rosalia</td>
							<td align="center" valign="top">Sorocaba, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1900</td>
							<td align="center" valign="top">10 mil metros/dia (“algodao
								nacional”)</td>
							<td align="center" valign="top">350 operários (“de ambos os sexos”)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>14</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica de Tecidos e Fiaçâo Silva,
								Seabra &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Sao Bernardo do<break/>Campo, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1900</td>
							<td align="center" valign="bottom">6 mil metros/dia; (obs.: “Toalhas de
								linho. Charles. Brim S. Bernardo. Riscado Vencedor. Aostra
								etc.”)</td>
							<td align="center" valign="top">náo informado</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>15</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica de Tecidos<break/>Bergnan,
								Kowarick &amp;<break/>Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Sao Bernardo do<break/>Campo, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1900</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.400 metros/dia (obs.: &quot;O Brim
								Alhambra so pelo tacto se distingue da boa casemira, tal seu
								aspecto”)</td>
							<td align="center" valign="top">náo informado</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>16</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica de Tecidos a<break/>Vapor
								Jupiter e Fortuna</td>
							<td align="center" valign="bottom">Salto de Ytu (atual Salto), SP</td>
							<td align="center" valign="bottom">1&quot; 1880,
								2&quot;<break/>1883</td>
							<td align="center" valign="bottom">5 milhôes e 400 mil metros/ano;
								(obs.: &quot;Algodäozinho, riscado, zefhir, brins&quot;)</td>
							<td align="center" valign="bottom">400 operários &quot;sendo dois terços
								estrangeiros&quot;</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>17</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Fábrica de Tecidos de<break/>Antonio
								Alvares Penteado</td>
							<td align="center" valign="top">Sao Paulo, Capital, Bairro do Brás; duas
								unidades, de aniagem e la</td>
							<td align="center" valign="top">aniagem, 1889; la, 1898</td>
							<td align="center" valign="top">aniagem: 20 milhôes de metros/ano; la:
								800 metros/dia</td>
							<td align="center" valign="bottom">aniagem: 800 operários &quot;entre
								homens, mulheres e creanlas (mocas e rapazes), quasi todos
								italianos&quot;; unidade de 13, 130 a 150 operários “de ambos os
								sexos”</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>18</bold></td>
							<td align="center" valign="top">Regoli, Crespi &amp; Comp. Fábrica de
								Tecidos de La, Algodao e Meia</td>
							<td align="center" valign="top">Sáo Paulo, Capital, Bairro da Moóca</td>
							<td align="center" valign="top">náo<break/>informa</td>
							<td align="center" valign="bottom">nao informado (obs.: “brins de
								algodao; riscados superiores; chalés de la; colchas; faxas para
								crianzas, camisas de meia de la e algodao, brancas pretas c de
								cores; bem como camisas para ciclistas; cache nez de la; saias de
								la, toalhas felpudas, meias, fio de escossia e de 13, sem
								costura”)</td>
							<td align="center" valign="top">280 a 300 operários (&quot;conforme a
								urgencia”)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#f9cba9;" valign="top"><bold>19</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">Fábrica de Tecidos de Meia Jacarchy
								Ferraz, Fortes e Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Jacareí, SP</td>
							<td align="center" valign="top">nao infomado</td>
							<td align="center" valign="top">40 mil dúzias de meias e camisas de
								meia</td>
							<td align="center" valign="top">“36 homens, 27 mulheres, 17 menores,
								todos nacionacs”</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior (1901)</xref>.
						Adaptado pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>O segmento têxtil só alcançou expressão no Brasil na segunda metade do século XIX, a
				despeito de estudos terem apontado que uma manufatura têxtil caseira teria se
				disseminado no país já desde fins do século XVIII, o que permite equiparações
				temporais, ainda que não em extensão e volume, com as “fases iniciais da chamada
				protoindustrialização têxtil europeia” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Libby,
					1997</xref>, p. 97-125). De acordo com Stain, Salvador (BA) e seus arredores
				tomaram a dianteira chegando a abrigar, em 1866, cinco das nove fábricas existentes
				no país, todas produzindo tecidos grossos de algodão. Na mesma época, a Inglaterra,
				à frente no contexto europeu, já possuía “mais de 3 mil fábricas de tecidos,
				contando com 11.250.000 fusos e empregando cerca de 600 mil operários” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B34">Stein, 1979</xref>, p. 50). Em 1882, havia, em todo o
				Brasil, 48 têxteis, 33 das quais localizadas no Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e
				Minas Gerais) (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Prado et al., 2012</xref>, p.
				37).</p>
			<p>Em relação aos têxteis fabricados, confirma-se a predominância do algodão grosso, mas
				também há referências a “fazendas finas”, “brins”, ¨cassinetas” [tecido de lã fino],
				“Oxfords” [tecido de algodão usado em uniformes], “casemiras” [ou casimiras, tecidos
				de lã com trama em sarja usados para ternos, saias etc.], “zefhir” [ou zefhyr/zefir,
				tecido leve e transparente em algodão) etc. Há referências, também, a produtos
				finais, como: toalhas, cobertores, chales, <italic>cache nez</italic> (cachecóis),
				tapetes, fitas, cordões, gregas, franjas, bordas, pompons, cortinas, palas, galões
				etc.; duas fábricas indicaram produzir peças vestíveis como: “camisas de meia de lã”
				[ou seja, camisetas de malha ], uma delas também produzindo “saias de lã” e “meias”,
				denotando que adentravam o segmento da roupa pronta.</p>
			<p>No quesito máquinas e equipamentos, o setor dependia inteiramente “das indústrias de
				máquinas da Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, assim como de técnicos para
				supervisionar instalação e fazer manutenções” (<xref ref-type="bibr" rid="B34"
					>Stein, 1979</xref>, p. 50). Vários autores demonstraram que as têxteis
				algodoeiras registraram aumento expressivo de capital “quase uma quadruplicação”
				(Versiani et al., 1975, p. 37), com o surgimento de novas grandes fábricas no
				período do chamado Encilhamento [1889 a 1892, início da República], movimento
				especulativo cujos efeitos benéficos teriam se restringido ao Rio, sem alcançar
				Minas Gerais (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira, 2012</xref>, p. 65) ou São
				Paulo. Na primeira década do século XX, ainda se produziam no Brasil principalmente
				tecidos de algodão, cujas fábricas já se espalharam por quase todos os estados,
				seguidos pelos de juta - voltados ao setor agrícolas - e por tecidos de lã,
				especialmente no Sul, seda e linho, nestes casos poucas fábricas.</p>
			<p>Retornando a Bandeira Júnior, seu ufanismo regionalista sugere que São Paulo estaria
				à frente no país no setor têxtil, em 1901, o que não é corroborado pelo relatório
				“Brasil e suas riquezas naturais”, publicado oito anos depois e ainda indicando à
				frente, em número de estabelecimentos de fiação e tecelagem, o Distrito Federal, com
				670 estabelecimentos fabris, e, no segundo posto, o Estado de Minas Gerais, com 531;
				São Paulo figurava àquela data em terceiro lugar, com 326 fábricas, mantendo-se bem
				à frente de Minas, no entanto, em indicadores como capitais investidos, valores de
				produção e número de operários (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela
					1</xref><bold>),</bold> o que indicava uma pulverização das fábricas mineiras em
				manufaturas menores, sem capacidade de produzir grandes volumes. Ainda segundo o
				relatório do Centro Industrial do Brasil (CDI), o setor têxtil seria a principal
				indústria do país, perfazendo 40,32% do capital industrial investido, 23,07% da
				produção geral e empregando 34,24% da mão de obra operária (<xref ref-type="bibr"
					rid="B13">Centro Industrial do Brasil, 1909</xref>, v. III. p. 268).</p>
			<p><table-wrap id="t2">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Indústrias têxteis por estado de acordo com número de estabelecimentos,
						capital, produção (em contos de réis)<sup>*</sup> e número de operários;
						Brasil, 1909 <sup>**</sup></title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#d6dce4;">Estados</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;"
								>Estabelecimentos</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;"
								>Capital<sup>*</sup></th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Valor da
									producção<sup>*</sup></th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Operarios</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left">Districto Federal</td>
							<td align="center">670</td>
							<td align="center">169.989:045$</td>
							<td align="center">223.928:542$</td>
							<td align="center">35.243</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">São Paulo</td>
							<td align="center">326</td>
							<td align="center">127.702:191$</td>
							<td align="center">118.087:091$</td>
							<td align="center">24.186</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Rio Grande do Sul</td>
							<td align="center">314</td>
							<td align="center">49.205.919$</td>
							<td align="center">99.778:820$</td>
							<td align="center">15.426</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Rio de Janeiro</td>
							<td align="center">207</td>
							<td align="center">86.195.457$</td>
							<td align="center">56.001:868$</td>
							<td align="center">13.632</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Pernambuco</td>
							<td align="center">118</td>
							<td align="center">58.724:355$</td>
							<td align="center">55.206:293$</td>
							<td align="center">12.042</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Paraná</td>
							<td align="center">297</td>
							<td align="center">20.841:000$</td>
							<td align="center">33.085:200$</td>
							<td align="center">4.724</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Minas Geraes</td>
							<td align="center">531</td>
							<td align="center">27.750:342$</td>
							<td align="center">32.919:649$</td>
							<td align="center">9.555</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Bahia</td>
							<td align="center">78</td>
							<td align="center">27.643:200$</td>
							<td align="center">25.077.962$</td>
							<td align="center">9.964</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Pará</td>
							<td align="center">54</td>
							<td align="center">11.483:000$</td>
							<td align="center">18.203:000$</td>
							<td align="center">2.539</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Sergipe</td>
							<td align="center">103</td>
							<td align="center">14.172:858$</td>
							<td align="center">14.811:105$</td>
							<td align="center">3.027</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Santa Catharina</td>
							<td align="center">173</td>
							<td align="center">9.674:000$</td>
							<td align="center">14.144:410$</td>
							<td align="center">2.102</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Amazonas</td>
							<td align="center">92</td>
							<td align="center">5.484:000$</td>
							<td align="center">13.962:000$</td>
							<td align="center">1.168</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Alagôas</td>
							<td align="center">45</td>
							<td align="center">10.787:887$</td>
							<td align="center">10.366:310$</td>
							<td align="center">3.775</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Maranhão</td>
							<td align="center">18</td>
							<td align="center">13.245:250$</td>
							<td align="center">6.840:332$</td>
							<td align="center">4.545</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Matto Grosso</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">13.650:000$</td>
							<td align="center">4.450:000$</td>
							<td align="center">3.870</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Parahyba</td>
							<td align="center">42</td>
							<td align="center">5.367:751$</td>
							<td align="center">4.387:912$</td>
							<td align="center">1.461</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Rio Grande do Norte</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">6.913:000$</td>
							<td align="center">3.086:485$</td>
							<td align="center">2.062</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Cerará</td>
							<td align="center">18</td>
							<td align="center">3.521:000$</td>
							<td align="center">2.915:100$</td>
							<td align="center">1.207</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Goyaz</td>
							<td align="center">135</td>
							<td align="center">1.617:000$</td>
							<td align="center">2.476:500$</td>
							<td align="center">868</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Piauhy</td>
							<td align="center">3</td>
							<td align="center">1.310:878$</td>
							<td align="center">1.192:975$</td>
							<td align="center">355</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Espírito Santo</td>
							<td align="center">4</td>
							<td align="center">298:000$</td>
							<td align="center">578:500</td>
							<td align="center">90</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#d6dce4;">Total</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">3.258</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">665.576:663$</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">741.536:108$</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">151.841</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B13">Centro Industrial do Brasil
							(1909</xref>, v. III. p. 268). Adaptada pelo autor.</attrib>
					<attrib>(<sup>*</sup>) O real (réis, no plural) foi a unidade monetária
						utilizada do período colonial até 5 de outubro de 1942, quando foi
						substituído pelo cruzeiro. Como não era fracionável em centavos, predominou
						o uso do termo réis. Na longa temporalidade em que a moeda real circulou a
						inflação corroeu, lentamente, seu valor, de modo que no início do século XX
						o uso dos “mil-réis” (ou mirréis) era comum, seguido pelo “conto” de réis
						(derivado do latim <italic>computus</italic>), indicando um milhão de réis
						(Rs 1:000$000), ou seja, um conto de réis correspondia a mil vezes um
						mil-réis (Rs 1$000) (nota do autor).</attrib>
					<attrib>(<sup>**</sup>) Os autores da Tabela relatam dificuldades na obtenção
						dos dados que a compõem junto às empresas e estimam que “a producção
						apparece diminuída na nossa estatística” (p. 256).</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Os dados da <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 1</xref> referentes a São Paulo
				ressaltam, por outro lado, a incompletude do levantamento de Bandeira Júnior, que
				não deve ser tratado como levantamento estatístico completo, já que menciona apenas
				19 estabelecimentos, contra os 326 registrados pelo CDI - apenas oito anos depois. É
				notória a ausência na relação de têxteis com trajetórias relevantes, em atividade em
				1901, caso da Fábrica Carioba, de Americana, SP, iniciada ainda em 1875 (<xref
					ref-type="bibr" rid="B28">Neves, 2019</xref>, p. 61), entre outras do Vale do
				Paraíba (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Ricci, 2002</xref>, p. 9), como a Fábrica
				Sto. Antônio, fundada em 1875, em São Luiz do Paraitinga (panos grossos) ou a CTI,
				de 1891, em Taubaté (morins, cretones e riscados).<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6"
						>6</xref></sup> Novamente, vale enfatizar, tais discrepâncias não invalidam
				o interesse pelo estudo, que deve ser analisado criticamente, compreendendo-se as
				dificuldades logísticas, metodológicas e conceituais enfrentadas pelos pesquisadores
				da época, quando a atividade estava em formação. Lembrando que o trabalho de
				Bandeira Junior foi referendado pelo próprio diretor da Repartição de Estatística de
				São Paulo. Em particular, são de valia as anotações gerais e detalhes legados pela
				obra acerca das fábricas visitadas.</p>
			<p>Sobre acessórios, são relacionadas apenas cinco fábricas de calçados e sete de
				chapéus, igualmente pioneiras e importantes no contexto da indústria de
				transformação, todas com fundações anteriores ao final da década de 1860. Pelo
				levantamento do Centro Industrial do Brasil (CDI), de 1909, produtos como gravatas
				de seda, calçados, luvas, chapéus e bolsas estavam entre as 30 “principaes
				mercadorias do mais largo consumo, produzidas pela indústria nacional” (O Brasil...,
				1909, p. 261). Segundo Suzigan: “O calçado era quase inteiramente feito à mão.
				[...]. Considerável progresso parece haver sido alcançado [...] no final do século
				XIX. [...] No final da década de 1920, [...] estava em uma condição florescente”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B35">Suzigan, 1986</xref>, p. 176-190). Ou seja,
				parte expressiva do consumo interno de acessórios já era atendida pela indústria
				nacional, como veremos, mas com esta procedência “quasi sempre occultada”, como
				ocorria também com vários tecidos:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Com certeza a quase totalidade da população está convencida que só usa chapéos
					inglezes e francezes, quando eles só entram no paiz, como os demais
					extrangeiros, no valor de 1.900 contos, emquanto os nacionais são produzidos no
					valor de mais de 15.000 contos; muita gente acredita que em geral só calça
					sapatos e botinas extrangeiras, quando os que entram no paiz [...] não
					ultrapassam o valor dos 980 contos e o calçado nacional é produzido em mais de
					26.000 contos<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Por sua vez, as fábricas de roupas prontas existentes em São Paulo (<xref
					ref-type="table" rid="t3">Quadro 2</xref>), apesar de em número reduzido,
				surpreendem pelas datas de fundação, confirmando a antiguidade do segmento no estado
				e no país. A mais antiga seria a <italic>Grande Oficina de Paramentos</italic>,
				iniciada em 1877, seguida por <italic>Au Bon Diable</italic>, de 1878 e <italic>J.
					M. Carvalho &amp; Comp</italic>, de 1896.</p>
			<p><table-wrap id="t3">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Fábrica de vestuário pioneiras, na Capital de São Paulo</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Inicio</th>
							<th align="center" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Nome
								comercial</th>
							<th align="center" style="background-color:#fbe3d7;" valign="top"
								>Fundador/ socios 1901</th>
							<th align="center" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Razäo
								social</th>
							<th style="background-color:#fbe3d7;" valign="top">Produtos</th>
							<th style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Endereço</th>
							<th align="center" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>Oficinas e máquinas</th>
							<th style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Importaçâo</th>
							<th style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top">Trabalhado res</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1877</td>
							<td align="center" valign="top">Grande oficina de paramentos</td>
							<td align="center" valign="top">José Augusto da Silveira /o mesmo</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">Hábitos ecclesiásticos. Roupas de
								anjos. Fardas e uniformes. Paramentos e ornamentacoes para templos e
								capel las.</td>
							<td align="center" valign="top">nào especificado</td>
							<td align="center" valign="top">Officinas de bordados a ouro, prata,
								seda, etc. De dourar, pratcar e nickelar objetos de metal</td>
							<td align="center" valign="top">[...] Paramentos em geral c fazendas
								proprias para suas confecçôes</td>
							<td align="center" valign="top">Operarios - 20, homens e mulheres
								nacionaes</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1878</td>
							<td align="center" valign="top">Au Bon Diable</td>
							<td align="center" valign="top">Julio Block / Julio Block, Felix Block,
								Gastäo Alvarez, Joao Tapier</td>
							<td align="center" valign="top">Block<break/>Frères &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">[...] cortam sob medida e fazem roupas
								para homens e meninos</td>
							<td align="center" valign="top">Rúa José Bonifacio, 34 e Rua Direita,
								47, 49, Centro, SP.</td>
							<td align="center" valign="top">[...] diversas machinas dos mais
								afamados auctores</td>
							<td align="center" valign="top">[...] importam tecidos de todas as
								qualidades além dos que consomem fabricados no Estado</td>
							<td align="center" valign="top">[...] em número variado</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1885</td>
							<td align="center" valign="top">Augusto Rodrigues &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Boaventura de Sá / Augusto Rodrigues
								&amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Augusto Rodrigu es &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="top">Rua de S.<break/>Bento, 17 e 19, Centro,
								SP</td>
							<td align="center" valign="bottom">1 motor do systema - Otto. 1 machina
								de cortar mil peças de roupa por hora</td>
							<td align="center" valign="top">Secçào de importaçâo de fazendas de
								todas as prodcdencias</td>
							<td align="center" valign="top">Superior a 200 pessoas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1888</td>
							<td align="center" valign="top">Braga &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="bottom">José Fernandes Braga Junior / o mesmo
								e Osorio Braga</td>
							<td align="center" valign="top">Braga &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="bottom">Rua do Commercio, 21, Centro, SP</td>
							<td align="center" valign="top">Machinismo necessario</td>
							<td align="center" valign="bottom">Fazendas e artigos necessarios as
								confecçôes</td>
							<td align="center" valign="top">200 pessoas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1888</td>
							<td align="center" valign="top">Herminio Ferreira
								&amp;<break/>Comp.</td>
							<td align="center" valign="bottom">Herminio Ferreira e Martinho Bouchard
								/ Herminio Ferreira, Joäo A. Ferreira e Alfreto Duprat</td>
							<td align="center" valign="bottom">Hermini 0 Ferreira &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="top">Rua S. Bento, 63, Centro, SP</td>
							<td align="center" valign="top">1 motor. 1 machina de cortar</td>
							<td align="center" valign="top">De fazendas em grande escala</td>
							<td align="center" valign="top">250 e às vezes mais operarios</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1893</td>
							<td align="center" valign="top">Samartino<break/>&amp; Marrano</td>
							<td align="center" valign="bottom">Conde Marrano &amp; Comp. / Samartino
								&amp; Marrano</td>
							<td align="center" valign="bottom">Samarti no &amp; Marrano</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="bottom">Largo de S. Bento, n. 1, Centro,
								SP</td>
							<td align="center" valign="top">Machinismo necessario</td>
							<td align="center" valign="bottom">Importaçâo de fazendas em grande
								escala</td>
							<td align="center" valign="top">200 pessoas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#fbe3d7;;" valign="top"
								>1896</td>
							<td align="center" valign="top">J. M.<break/>Carvalho &amp; Comp.</td>
							<td align="center" valign="bottom">Carvalho, Irmàos e Comp. / José Maria
								de Carvalho, José S. Moreira</td>
							<td align="center" valign="bottom">J. M.<break/>Carvalh o &amp;
								Comp.</td>
							<td align="center" valign="top">Roupas grossas para homens, em grande
								quantidade</td>
							<td align="center" valign="top">Rua Florencio de Abreu, 36, Centro,
								SP</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
							<td align="center" valign="top">-</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior (1901)</xref>.
						Adaptado pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Hobsbawm situou o período de maior incremento desta indústria, nos EUA, por volta de
				1850 e, no Reino Unido, perto de 1890, então já para atender às camadas médias
					(<xref ref-type="bibr" rid="B19">Hobsbawm, 1978</xref>, p. 87). Não deixa de ser
				relevante, portanto, constatar a existência de fábricas de vestuário no Brasil em um
				período em que tais negócios ainda firmavam mesmo nos maiores centros industriais do
				mundo; e quando a própria indústria têxtil era ainda iniciante por aqui. Os dados
				oferecem detalhes curiosos sobre estes empreendimentos pioneiros, pelos quais se
				constata, não sem razão, seu porte tímido, comparados aos congêneres de países
				centrais. Por exemplo, a citada Grande Officina de Paramentos era, apesar do nome,
				um negócio privado de José Augusto da Silveira dedicado à produção de artigos
				religiosos, como vestes e acessórios eclesiásticos; mas também fazia “fardas e
				uniformes”. Com apenas 20 operários, “homens e mulheres nacionais”, é dentre as
				empresas citadas a que mais se aproxima das antigas oficinas artesanais, aspecto,
				ademais, comum às protoindústrias do período, que operavam entre a manufatura e a
				fábrica semimecanizada, ainda que as demais apresentassem maior porte, com destaque,
				em contingente da mão de obra, para a Herminio Ferreira &amp; Comp., com “250 e às
				vezes mais operários” (Bandeira Júnior, 1901, p. 200). Em média, tinham cerca de 200
				trabalhadores, número bem distante dos contingentes das grandes confecções inglesas
				de então, a exemplo da fábrica de John Barran, em Leeds, Inglaterra, que empregava,
				em 1904, três mil pessoas. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Godley, 2006</xref>, p.
				46-63).</p>
			<p>No que diz respeito às relações trabalhistas, vigoravam as disposições do mercado:
				“De fato, o que se viu na indústria de confecção foi um renascimento do trabalho em
				domicílio, largamente disseminado na virada do século” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B22">Maleronka, 2007</xref>, p. 141). Ainda que houvesse maiores ou menores
				agravantes de acordo com os contextos regionais, a legislação sobre direitos do
				trabalhador foi precária no Brasil da implantação da República até a Revolução de
						1930<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup>, expondo a mão de obra
				a relações aviltantes, em prejuízo também das pesquisas históricas sobre o tema,
				devido à ausência ou incompletude dos registros sobre a relação capital-trabalho no
				país. Uma das poucas leis trabalhistas então em vigor era o Decreto n. 1.313, de
				1891, que não proibia, mas regulamentava o trabalho para jovens entre 12 a 18
						anos<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B26">Nascimento, 2011</xref>, p. 50).</p>
			<p>Nas referências de Bandeira Junior a “machinarios” disponíveis nas fábricas, estranha
				não haver menção a quantidades e marcas de máquinas de costura, subentendidas em
				expressões como “diversas machinas” e “machinismo necessário”, em referência a pelo
				menos três delas. Tomando, ainda, o Reino Unido como referência, após a introdução
				das máquinas de costura, por volta de 1890, o <italic>ready-to-wear</italic> cresceu
				substancialmente naquele país (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Godley, 2006</xref>,
				p. 46-63). No caso paulista, há pelo menos duas referências de Bandeira Júnior ao
				uso de uma máquina de cortar tecido, caso da Hermínio Ferreira &amp; Comp., que
				dispunha de “1 motor, 1 machina de cortar” e da Augusto Rodrigues &amp; Comp., com
				“uma machina de cortar mil peças de roupas por hora”. O maquinário usado tanto pelas
				têxteis quanto pelas fábricas de vestuário era importado já que a indústria nacional
				de máquinas e equipamentos (metal-mecânica) existente se voltava ao setor
				agroexportador. Especificamente na província de São Paulo, a partir de 1870, o
				segmento cresceu acoplado ao desenvolvimento agrícola, já que...</p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] os principais produtos fabricados neste período foram máquinas para
					processar e beneficiar café e arroz, moinhos de farinha e máquinas para a
					fabricação de açúcar. Algumas das empresas da indústria metal-mecânica se
					tornaram, no final do século XIX, grandes fabricantes de máquinas agrícolas,
					motores a vapor, caldeiras e turbinas, como a Mac Hardy, Lidgerwood e Arens
						(<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marson, 2012</xref>).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Também no caso das matérias-primas utilizadas pelas fábricas de vestuário, o próprio
				Bandeira Júnior indica a importações de tecidos “em grande escala” ou “de todas as
				qualidades, além dos que consomem fabricados no Estado”, sugerindo que as têxteis
				locais não conseguiam suprir a demanda, especialmente no tocante aos tecidos mais
				sofisticados, a despeito de, na introdução da obra, o autor jactar-se da boa
				qualidade dos tecidos paulistas, afirmando que só “parte” da matéria prima era
				importada, sem especificar quantidades:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Desde o tecido grosseiro denominado riscado de algodão, ao mais delicado brim,
					imitação casemira, aqui se fabrica. [...] O producto nacional, dia a dia, vai
					afastando o produto extrangeiro. Quarenta por cento do consumo de bordas,
					pon-pons, cordões, franjas, gregas, alamares, reposteiros, colchas, etc., etc.,
					etc., é (sic) de artigos paulistas. [...] As fabricas de espartilhos para
					senhoras foram premiadas na ultima exposição internacional de Paris. Ninguem usa
					luvas de pelica, que não sejam aqui manufacturadas (Bandeira Júnior, 1901, p.
					XXVII).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Os exemplos citados se restringem a acessórios e aviamentos; ainda a despeito da
				incompletude dos dados levantados por Bandeira Júnior, chama atenção o fato de as
				fábricas de vestuário elencadas situarem-se todas na região central da Capital, duas
				delas na rua São Bento e uma na rua Direita, vias que formavam, com a XV de
				Novembro, o célebre “Triângulo Comercial” elegante de São Paulo na <italic>belle
					époque</italic>, onde se podiam contar 37 empreendimentos dedicados ao
				vestuário, entre alfaiatarias, modistas, casas de tecidos a metro, de roupas prontas
				e de acessórios:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Nada se igualou, no Triângulo, à quantidade de oficinas e lojas voltadas para o
					ramo do vestuário. O tecido foi o produto que primeiro se desenvolveu na
					indústria da província, embora a fabricação local de tecidos tenha-se
					restringido, por muito tempo, a panos de algodão destinados à sacaria para
					produtos agrícolas e a roupas de trabalhadores (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
						>Barbuy, 2006</xref>, p. 172).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Os tecidos e as roupas prontas importados provinham, principalmente, da Inglaterra e
				da França. Houve diversas casas voltadas exclusivamente à venda de tecidos - ou de
				“fazendas”, como se dizia -; mas, também, estabelecimentos que abrangiam uma
				diversificada gama de artigos de vestuário e acessórios, geralmente subdivididas por
				gênero, incluindo a roupa pronta e, também, sob medida.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A ascensão da roupa feita</title>
			<p>Apesar de várias dentre as fábricas de vestuário pioneiras - a exemplo das citadas
				por Bandeira Júnior - terem se dedicado à produção de roupas de trabalho seriadas,
				ao longo da <italic>belle époque</italic> tropical, uma parte expressiva das
				confecções e comércio de roupas se dedicava a produtos endereçados às camadas médias
				e altas e, portanto, de preços mais elevados. Os dados disponíveis não permitem,
				infelizmente, que se possa estimar volumes e retornos financeiros relacionados aos
				negócios focadas em cada camada social, mas é de razão óbvia que os produtos mais
				sofisticados envolviam custos assim como preços finais mais altos, com ganho maior
				por peça, assim como os produtos populares impunham preços unitários menores e ganho
				por volume de vendas. Neste segundo caso, predominavam as peças de trabalho, assim
				como também peças masculinas já de produção massiva (camisas principalmente),
				enquanto que as roupas femininas, devido à mencionada complexidade das peças, eram,
				em maior parte, feitas sob medida por costureiras ou modistas, estas últimas com
				frequência estrangeiras<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>.</p>
			<p>O esboço da cena industrial aqui traçado busca vislumbrar a emergência de um segmento
				orientado por demandas desiguais, refletindo as distâncias entre classes as camadas
				sociais características de uma economia periférico, em que o...</p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] consumo aparece como instrumento legitimador das posições sociais atingidas
					e sua fonte é principalmente externa porque é daí que vêm os artigos de luxo,
					fonte da diferenciação. [...] Se, por um lado, os artigos internos [nacionais]
					são menosprezados pela elite, por outro lado, eles são a fonte de um princípio
					de massificação (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira, 2012</xref>, p.
					15).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Em se tratando de uma elite que aspirava sentir-se europeia, as lojas voltadas a tal
				fatia de mercado eram batizadas com nomes similares ou idênticos aos de casas
				parisienses, ainda que sem vínculo com as mesmas. Tivemos, por exemplo, na capital
				paulista, casas que se denominavam <italic>Louvre, Au Printemps, À Pygmalion, Au
					Paradis des Enfats, Au Bon Diable, À la Ville de Paris, Au Bon Marché, A la
					Belle Jardinère</italic> etc., muitas com lojas também no DF. Não apenas os
				nomes eram copiados da França, como também as peças nelas vendidas eram importadas
				ou copiadas de originais franceses, estabelecendo uma prática que retardou o
				desenvolvimento da criação de moda local que perdurou por décadas e ainda vigora em
				muitas confecções brasileiras. Também era comum o uso de termos e mesmo de diálogos
				em francês nos recintos das lojas. Um comentário de Bandeira Junior, na introdução,
				mostra que o preconceito com o produto nacional era tal que se tornara comum
				disfarçá-los “com etiquetas em inglez e francez”, para serem “vendidos como
				productos dessas nações!”</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Muita gente, prefere pagar duas vezes mais do que pagaria, só porque a etiqueta
					diz falsamente, que o chapéo é extrangeiro! [...] Se o comprador souber que o
					chapéo é nacional, embora lhe custe 60% menos, não o quererá! (Bandeira Júnior,
					1901, p. X).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Confirma este comportamento um trecho das crônicas de Jorge Americano compiladas em
					<italic>São Paulo Naquele Tempo,</italic> sobre uma senhora fazendo compras, em
				1908, no Centro de São Paulo:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Entraram na Casa Allemã: - Deixa ver aquela fazenda ali em cima, faz o favor.
					Não! Não é essa, a outra... Desceu o caixeiro com a peça da fazenda. Desenrolou,
					amassou com a mão e esticou para mostrar que não vincava. - É estrangeira? -
					Não, é nacional. - Ah, não serve. O senhor acha que vou comprar fazenda
					nacional? - Temos estrangeira. - Ah, isso sim. - É que a senhora não tinha
					avisado. - Mas não era preciso avisar; eu não estou fazendo compras para as
					criadas. - A senhora me desculpe (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Americano,
						1957</xref>, p. 80).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>O próprio “Triângulo” comercial que se instalou no Centro da capital paulista foi
				constituído à imagem e semelhança do comércio europeu, guardadas as devidas
				proporções, sendo possível deduzir que as fábricas de roupas pioneiras ali situadas
				estavam voltadas, ao menos em parte, a este público. Num contexto de incremento da
				publicidade e do sistema da moda sediado em Paris, a confecção seriada de roupas
				cresceu e se expandiu, viabilizando a cada etapa preços mais acessíveis às camadas
				médias, processo que na Europa ocorreu já na segunda metade do século XIX, Paris à
				frente: ainda em 1848, antes mesmo da entrada no mercado das máquinas de costura, a
				Cidade Luz já contava com 109 confeccionistas realizando 30 milhões em negócios,
				contra 45 milhões para os alfaiates (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Boucher,
					2010</xref>, p. 83). A mecanização que se seguiu viabilizou impulso ainda maior
				ao segmento. Todavia, “[...] esse tipo de mercadoria [- a roupa pronta -], de
				início, não era aceito pelas classes ricas [na Europa] e era malvisto também pelas
				próprias corporações de alfaiates, como concorrente grosseiro, que competia pela
				rapidez das máquinas de costura recém-inventadas, mas não pela qualidade” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy, 2006</xref>, p. 179).</p>
			<p>Já por volta de 1880, este quadro se alterava e as confecções europeias passaram a
				investir em produtos de maior qualidade, estendendo seu mercado às camadas médias e
				parcialmente às altas, também pela praticidade da compra imediata. No Brasil, a
				industrialização seguiu temporalidades e sentidos diversos: “Embora tenha havido,
				também, o comércio de roupas feitas para consumo popular [...], a <italic>Bon
					Diable</italic> [como a Casa Allemã] alinhou-se logo entre as casas mais
					<italic>chics</italic> da cidade, exatamente por oferecer, à disposição do
				público masculino, roupa feita... francesa” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy,
					2006</xref>, p. 179). <italic>Au Bon Diable</italic> também possuía sua própria
				fábrica de roupas, descrita por Bandeira Junior:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Em diversas machinas dos mais afamados auctores, cortam sob medida e fazem roupas
					para homens e meninos, para o que importam tecidos de todas as qualidades alem
					dos que consomem, fabricados no Estado. Alem dos operarios que, em numero
					variado, trabalham nas oficinas, esta fabrica fornece trabalho a domicilio, a um
					numero consideravel de famílias (Bandeira Júnior, 1901, p. 171).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Fundada em 1878<sup><xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup> - segunda mais
				antiga entre as pesquisadas pelo autor - <italic>Au bon diable</italic> tinha suas
				instalações fabris na rua José Bonifácio, 34, e loja na rua Direita, 47/49, a duas
				quadras uma da outra. Não era um magazine, mas desfrutava de bom prestígio; o
				fundador, Julio Block, patriarca do clã Bloch-Frères, judeus franceses provenientes
				da região da Alsácia-Lorena<sup><xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref></sup>,
				tornara-a uma referência elegante aos paulistanos, “casa única no seu gênero no
				império do Brasil”, mantendo sua própria “casa de compras em Pariz, na Rue Joubert,
				45” - informa anúncio de 1884, publicado no Almanaque para 1884. A desenvoltura de
					<italic>Au Bon Diable</italic> nacional pode ser medida pela variedade de
				“reclames” em veículos do período, como o Estado de S. Paulo e o Correio Paulistano,
				que forneciam detalhes sobre seus produtos e estratégias de venda, como o corte “sob
				medida” e “trabalho a domicilio”, importando parte dos produtos comercializados
				“directamente da Europa”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref></sup>, tais
				como “<italic>rayon</italic> especial para artigos de banhos de mar”,<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn14">14</xref></sup> então, uma novidade. A marca da
				loja trazia a figura de um diabo alado<sup><xref ref-type="fn" rid="fn15"
					>15</xref></sup> despejando roupas masculinas por uma cornucópia, a sugerir
				fartura, como a que aparece em versão colorida na edição da Revista Industrial para
				a Exposição Universal de Paris de 1900: “Humanizado como aqui se apresenta, porém,
				está longe de levar à condenação da concupiscência, sendo tratado, ao contrário, de
				forma positiva através do humor” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy,
				2006</xref>, p. 177). A figura do bom diabo vinculada à loja já parecia em anúncio
				de 1887, publicado no jornal “A Redempção, Folha abolicionista comercial e
				noticiosa”, acompanhado de texto similar ao que constava em folheto volante da loja,
				reforçando a produção de roupa pronta íntima e masculina:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Au Bon Diable. Casa especial de roupa feita franceza e nacional para homens,
					rapazes e creanças. Neste estabelecimento encontrar-se-á tudo o que é preciso em
					roupa feita sendo: Costumes completos, Sobretados [sic], Rondes, Sobrecasacas,
					Fracs, Casacas, Jaquetas, <italic>Chambres</italic>; Sobretudos e
						<italic>Cavours i</italic>mpermeáveis de borracha e Guarda-po. Como também
					um grande e variado sortimento de roupa branca, senão: Camisas de linho, de
					meia, de flanella; Ceroullas de Cretone trançada e linho; meias brancas e de
					cores; Gravatas de Seda da ultima moda<sup><xref ref-type="fn" rid="fn16"
							>16</xref></sup>.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Outro anúncio destaca que a loja fornecia produtos para o “Seminário Episcopal e dos
				princiapaes collegios da província”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn17"
					>17</xref></sup>: A marca Au Bon Diable ficou na memória de muitos paulistanos
				ao longo de décadas como signo de roupa masculina:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>No inverno, um menino de qualquer idade, abaixo de 12 anos, usaria meias
					compridas e <italic>cavour</italic>, ou capote com capuz. Ou blusa à marinheiro,
					de lã branca ou vermelha e calças compridas, azuis. Aos 12 ou 13 anos, no Natal,
					ou aniversário, ganhava a primeira roupa de homem, do Bon Diable ou de Ville de
					Paris (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Americano, 1957</xref>, p. 283).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>A relação direta entre fabricação e comércio foi estratégica para o sucesso de muitos
				empreendimentos voltados à roupa pronta; também na Europa, muitas confecções estavam
				vinculadas a magazines. A loja de Au Bon Diable tinha estrutura física acanhada se
				comparada a magazines franceses<sup><xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref></sup>,
				mas atraía atenção com suas inovações na divulgação. Por volta de 1889, confundiu a
				clientela com a novidade dos m</p>
			<p>anequins que expôs perfilados e vestidos com peças de roupas variadas, aos quais os
				fregueses, “com toda cortesia iam dando bons dias ou boas tardes!” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Cavalcanti et al, 2004</xref>, p. 124). Sua trajetória
				assemelhava-se a congêneres dos maiores centros brasileiros que, desde metade do
				século XIX, ofertavam tecidos, aviamentos e roupas prontas importados e de confecção
				nacional, além de utilidades para o lar; a exemplo também, no Distrito Federal, da
				Notre Dame de Paris, A Brazileira, O Barateiro, Casa Colombo, Casa Raunier e Parc
				Royal e, na Capital paulista, da Casa Allemã e Mappin Stores, entre outras. (<xref
					ref-type="bibr" rid="B31">Prado et al, 2012</xref>, p. 50):</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Foram muitas as casas de ‘roupas feitas’ (<italic>tout fait</italic> ou
						<italic>prêt-à-porter</italic>) voltadas para o público masculino, sendo que
					as alfaiatarias diversas existentes até o final do século XIX foram cedendo
					lugar, aos poucos e parcialmente, a estes estabelecimentos mais complexos, entre
					os quais lojas-oficinas de confecção de roupas brancas (roupas de baixo) e
							camisarias<sup><xref ref-type="fn" rid="fn19">19</xref></sup> (<xref
						ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy, 2006</xref>, p. 174).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Outra casa de vestuário pronto paulistana de sucesso foi a alfaiataria Aux 100.000
				Paletots, que assim se denominava em 1887, ampliando seu nome para Aux 600.000
				Paletots alguns anos mais tarde; foram ainda bem-sucedidas a Belle Jardinère, Casa
				Tallon, Camisaria Colombo, Casa Berge, Camisaria Modelo (depois Mascote), Casa
				Carlos, Casa Kosmos, Casa Carnicelli, Ao Preço Fixo, Camisaria Especial e Companhia
				Augusto Rodrigues. Esta última consta na relação de Bandeira Junior, sendo também
				mencionada por Barbuy: “[...]a partir de 1909, passou a ocupar quatro lotes
				contíguos (n. 13 a 19 [da rua São Bento]), com proporções de estabelecimento
				manufatureiro e armazéns de tecidos importados” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Barbuy, 2006</xref>, p. 174, 183). Em resumo, fica esclarecido que, quanto ao
				modelo de negócio, duas dentre as sete fábricas de vestuário paulistas pioneiras
				voltavam-se a produtos para as camadas altas; dentre as demais, uma produzia vestes
				eclesiásticas e a J. M. Carvalho &amp; Comp., localizada na rua Florêncio de Abreu,
				36, fabricava “roupas grossas para homens, em grande quantidade” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior, 1901</xref>, p. 149) - ou seja,
				dedicava-se a vestuário para trabalhadores. Para as três restantes, não foram
				explicitados produtos e/ou clientela, sendo provável que se voltassem a roupas
				masculinas, de trabalho e/ou uniformes, de maior demanda no período. Os uniformes
				profissionais eram uma novidade, a exemplo dos trajes para cozinheiros, cocheiros,
				enfermeiros, faxineiros, padeiros, foguistas (que cuidavam das fornalhas) etc.
				Trata-se de um vestuário de trabalho mais elaborados, com o propósito de identificar
				ou hierarquizar serviçais em suas posições devidas ou vestir profissionais
				autônomos, expressando higiene, racionalidade e modernidade. Não devem ser,
				portanto, enquadrados no segmento das roupas de trabalho rústicas voltadas a
				trabalhadores das indústrias e lavouras.</p>
			<p>Como indicam vários autores, o motor da indústria paulista, como da brasileira em
				geral, foi o agronegócio primário-exportador, caso do economista Wilson Cano, que
				desenvolveu pesquisas sobre as assimetrias entre as economias regionais do país,
				destacando que a importância que a “reprodução diferenciada do capital cafeeiro
				paulista” teve no processo de acumulação nacional, até os anos 1930. (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Cano, 1975</xref>, p. 9). A cafeicultura de exportação
				teria, segundo este autor, movimentado os demais segmentos da economia e a indústria
				nacional, em particular a de base (máquinas e equipamentos, com foco no
				beneficiamento de café) e a manufatureira em geral, com destaque para a têxtil:
				“[...] antes da Crise de 1929, em São Paulo já se concentrava grande parte (37,5%)
				da indústria brasileira com estrutura diversificada [...]” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Cano, 1981</xref>, p. 43).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O contexto nacional</title>
			<p>Segundo o Censo de 1901, o Brasil era majoritariamente rural, habitado por cerca de
				11 milhões de pessoas, ante uma população total de 17.801.245, da qual apenas uma
				pequena parcela compunha a elite formada majoritariamente por latifundiários
				agroexportadores, seguidos de empresários do comércio, serviços, setor financeiro e
				industriais emergentes; a camada intermediária acomodava os funcionários públicos,
				pequenos produtores e comerciantes, profissionais liberais etc.; a ampla base desta
				pirâmide social era ocupada por trabalhadores igualmente locados em atividades
				rurais, seguidos pelo operariado, serviçais de toda ordem e por aqueles que Karl
				Marx chamou de <italic>lumpem</italic>, subproletariado ou exército de reserva,
				grupo expressivamente formado por negros. A despeito da urbanização crescente em
				curso no período e décadas seguintes, até 1940 entre 60% e 76% da população nacional
				habitava áreas rurais, contra pouco mais que 30% em áreas urbanas, situação que só
				começaria a se inverter na década de 1950 (Censo Demográfico/IBGE, 1940).</p>
			<p>Também industrialização do país se dava, em termos regionais, de forma bastante
				desigual, com maior concentração na região Sudeste, como já era possível constatar
				pelo “Mapa Geral das Indústrias do Brasil”, incluído em “O Brasil, suas riquezas
				naturaes, suas industrias”, v. III, de 1909. Ele elencou 97 produtos fabricados
				industrialmente no país, entre os quais selecionamos 25 relacionados a vestuário,
				sendo que apenas dois de forma direta: roupas brancas e espartilhos (<xref
					ref-type="table" rid="t4">Tabela 2</xref>). Os demais, além dos têxteis, eram
				acessórios ou produtos usados na elaboração de roupas, como alfinetes, passamanaria
				etc. Observa-se ainda que, do total de 592 fábricas operando no Brasil, a maior
				parte se concentrava no Distrito Federal (233), seguindo por São Paulo (63), Rio
				Grande do Sul (54), Minas Gerais (41), Rio de Janeiro (31), Goiás (25) e Bahia (23);
				os demais estados contavam menos que duas dezenas de fábricas.</p>
			<p><table-wrap id="t4">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>Mapa das Indústrias do Brasil - produtos têxteis, de vestuário e
						acessórios, 1907/1909</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">Industrias</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">AL</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">AM</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">BA</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">CE</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">DF</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">ES</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">GO</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">MA</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">MG</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">MT</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">PB</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">PE</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">PI</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">PR</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">RJ</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea; ">RN</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">RS</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">SC</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">SP</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;">SE</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>Total BR</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Alfinetes</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>2</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Bonés</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Botôes</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Calçados</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>7</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">57</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">11</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">7</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>9</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">9</td>
							<td align="center" valign="bottom">8</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>119</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Chapéus de là. lebre etc.</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">15</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">13</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">12</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>46</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Chapéus-de-sol</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>I</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">15</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>24</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Chapéus para senhoras</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">37</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>37</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Espartilhos</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">7</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>11</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Flores artificiáis</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">21</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>32</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Formas para calçados</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>3</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Grampos e cólchetes</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>2</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Gravatas</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">8</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
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							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>11</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Jôias</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>6</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>20</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Luvas</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>9</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Malas e bolsas etc.</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>9</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">8</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>27</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Passamanarias</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Pentes de chifre</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>3</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Roupas brancas</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">9</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>31</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de algodào</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>5</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">12</td>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="bottom">15</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">12</td>
							<td align="center" valign="bottom">36</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="bottom">19</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="bottom">12</td>
							<td align="center" valign="bottom">23</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>161</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de armina<sup>*</sup></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de juta</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>10</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de là</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>15</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de linho</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>2</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tecidos de seda</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">2</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="bottom">1</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>5</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom">Tamancarias</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">15</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>18</bold></td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"><bold>Total
									geral</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>13</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>17</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>23</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>7</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>233</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>25</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>13</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>41</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>0</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>11</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>13</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>4</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>13</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>31</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>3</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>54</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>18</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>63</td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>9</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>592</bold></td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B13">Centro Industrial do Brasil
							(1909)</xref>, v. III - Industria de transportes, indústria fabril;
						Subvolume Mapas Estatisticos da Industria Fabril (p. 150). Adaptada pelo
						autor.</attrib>
					<attrib>(<sup>*</sup>) Aramina é o nome popular de uma planta da família das
						Malváceas, cujas fibras são utilizadas na confecção de tecidos grosseiros,
						cordas e tapetes.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Neste cenário de fábricas pioneiras, chama atenção a relevância do Rio Grande do Sul,
				que historicamente sempre se destacou no segmento, com 23 têxteis de algodão, 12
				fábricas de chapéus, 9 de calçados e cinco de roupas brancas, entre as quais estava
				a Rafael Guaspari e Irmãos Ltda., que marcou a história do Estado, surgida em 1896
				por iniciativa de imigrantes italianos como uma alfaiataria sob medida,
				expandindo-se, a partir dos anos 1910 para se tornar uma confecção de roupas prontas
				masculinas com distribuição nacional, tendo aberto mais tarde um grande magazine
				“que marcou a identidade porto-alegrense nas décadas de 1950 a 1970” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Gomes, 2011</xref>). Também iniciada na belle époque
				tropical e ainda dominante no segmento de vestuário nacional, a A. J. Renner &amp;
				Cia. foi criada em 1912 pelo descendente de alemães Antônio Jacob Renner,
				inicialmente produzindo capas de chuva em pura lã da marca Ideal. Já em fins da
				década de 1920, tornou-se a maior indústria de fiação e tecelagem do Rio Grande do
				Sul, também fabricando vestuário masculino sob o <italic>slogan:</italic> “Roupas
				Renner: a boa roupa, ponto por ponto” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Renner,
					1952/2000</xref>, p. 26 a 31)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn20"
				>20</xref></sup>. Ainda no Sul do país, em Santa Catarina, outra pioneira do
				vestuário nacional foi fundada em 1880, em Blumenau (SC): a Hering, que em seu
				início se dedicou exclusivamente às peças em malha de algodão, tais como camisetas,
				ceroulas e meias<sup><xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref></sup>.</p>
			<p>Ainda dentre as marcas nacionais pioneiras longevas, cabe citar a Fábrica Brasileira
				de Alpargatas e Calçados, criada em 1907 pelo escocês Robert Fraser em sociedade com
				empresa de capital inglês, que antes teve unidades implantadas na Argentina e no
				Uruguai, sempre objetivando a fabricação de lonas enceradas da marca Locomotiva,
				além de calçados rústicos em lona com sola de juta, destinados a camponeses - as
				Alpargatas Roda<sup><xref ref-type="fn" rid="fn22">22</xref></sup>. Ou seja,
				produtos industriais voltados à vasta população rural do Brasil. Somente depois de
				finda a Segunda Guerra Mundial é que a Alpargatas lançaria seu primeiro produto de
				vestuário: as calças rústicas da marca Rodeio, com poucas variações de modelos
				confeccionados em lona de algodão tipo <italic>denin</italic>, similares às das
				calças rurais norte-americanas.</p>
			<p>Por meio de anúncios publicados em revistas do início do século XX é possível
				identificar, a grosso modo, diversas outras marcas de confecções de vestuário e
				acessórios que tiveram importância no mercado interno apenas por algumas décadas, a
				exemplo das camisarias Ypiranga e Progresso; da confecção de coletes JPJ, dos
				colarinhos Marvelle, das meias Mousseline e Visettim, dos sapatos Clark e Fox, além
				de diversas marcas de chapéus, com destaque para a Ramenzoni - que teve considerável
				fama naquele período em que o item era de uso disseminado (<xref ref-type="bibr"
					rid="B31">Prado et al., 2012</xref>, p. 53).</p>
			<p>Avançando na análise dos dados estatístico nacionais disponíveis, a <xref
					ref-type="table" rid="t5">Tabela 3</xref>, a seguir, apresenta a mesma relação
				de produtos da tabela anterior, mas de acordo com a mão de obra, capital empregado e
				valor de produção. Nela, podemos observar o registro de uma solitária fábrica de
				botões (DF), no vasto território nacional, além de duas de alfinetes (DF), onze de
				gravatas, nove de luvas etc.; a única classificação elencada que tem direta relação
				a vestuário é “Roupas brancas”, que somava, no país, 31 unidades, sendo 9
				localizadas no DF, 6 em Goiás, 5 em São Paulo, 4 na Bahia e 3 no Rio Grande do Sul -
				confirmando, de todo modo, o pioneirismo e, mesmo, a expressão que este segmento
				específico já alcançava, então.</p>
			<p><table-wrap id="t5">
				<label>Tabela 3</label>
				<caption>
					<title>Resultados gerais do inquérito industrial, segundo produtos; Brasil,
						1907</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#d6dce4;">Produtos
								industriais</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;"
								>Estabelecimentos</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Operários</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Capital empregado
								em contos de réis</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Valor da produção
								em contos de réis</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left">Total para 97 produtos</td>
							<td align="center">3.258</td>
							<td align="center">151.841</td>
							<td align="center">665.977</td>
							<td align="center">741.536</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Alfinetes</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">35</td>
							<td align="center">188</td>
							<td align="center">161</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Bonés</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">12</td>
							<td align="center">6</td>
							<td align="center">15</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Botões</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">150</td>
							<td align="center">160</td>
							<td align="center">250</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Calçados</td>
							<td align="center">119</td>
							<td align="center">7.379</td>
							<td align="center">10.117</td>
							<td align="center">26.727</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Chapeus de lã, lebre etc.</td>
							<td align="center">46</td>
							<td align="center">3.105</td>
							<td align="center">10.417</td>
							<td align="center">15.384</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Chapéus-de-sol</td>
							<td align="center">24</td>
							<td align="center">195</td>
							<td align="center">3.221</td>
							<td align="center">3.729</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Chapéus para senhores</td>
							<td align="center">37</td>
							<td align="center">163</td>
							<td align="center">1.398</td>
							<td align="center">1.727</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de algodão</td>
							<td align="center">161</td>
							<td align="center">45.942</td>
							<td align="center">234.428</td>
							<td align="center">135.026</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de aramina</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">200</td>
							<td align="center">1.500</td>
							<td align="center">630</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de juta</td>
							<td align="center">10</td>
							<td align="center">3.489</td>
							<td align="center">15.799</td>
							<td align="center">22.390</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de lã</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">1.957</td>
							<td align="center">14.848</td>
							<td align="center">11.375</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de linho</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">160</td>
							<td align="center">1.230</td>
							<td align="center">648</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Fiação e tecelagem de seda</td>
							<td align="center">5</td>
							<td align="center">244</td>
							<td align="center">965</td>
							<td align="center">1.042</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Flores artificiais</td>
							<td align="center">32</td>
							<td align="center">432</td>
							<td align="center">694</td>
							<td align="center">1.338</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Formas para calçados</td>
							<td align="center">3</td>
							<td align="center">46</td>
							<td align="center">75</td>
							<td align="center">220</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Grampos e colchetes</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">74</td>
							<td align="center">80</td>
							<td align="center">190</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Gravatas</td>
							<td align="center">11</td>
							<td align="center">689</td>
							<td align="center">1.003</td>
							<td align="center">2.320</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Luvas</td>
							<td align="center">9</td>
							<td align="center">89</td>
							<td align="center">288</td>
							<td align="center">468</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Passamanaria</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">28</td>
							<td align="center">45</td>
							<td align="center">96</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Pentes de chifre</td>
							<td align="center">3</td>
							<td align="center">93</td>
							<td align="center">210</td>
							<td align="center">484</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Perfumarias</td>
							<td align="center">17</td>
							<td align="center">382</td>
							<td align="center">1.460</td>
							<td align="center">2.082</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Roupas brancas</td>
							<td align="center">31</td>
							<td align="center">2.218</td>
							<td align="center">3.151</td>
							<td align="center">6.299</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#d6dce4;">Subtotal (itens
								selecionados)</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">533</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">67.082</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">301.283</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">232.601</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Estatísticas Históricas do Brasil: séries econômicas,
						demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. edição revista e atualizada do v.
						3 de Séries Estatísticas Retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE, 1990, p. 381.
						Obs.: Adaptada pelo autor a partir da <xref ref-type="table" rid="t9">Tabela
							7</xref>.1 composta por 97 produtos, dentre os quais foram selecionados
						os relacionados a vestuário, acessórios itens outros relacionados à
						confecção de roupas.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>A própria caracterização do que eram “fábricas de roupas prontas” constituía um
				obstáculo, pelo fato de os empreendimentos serem, em grande parte, de pequeno porte,
				familiares, ou por estarem vinculadas a comércios, produzindo em seriação, muitas
				vezes, simultaneamente a peças sob medida, comportamento que perdurou por décadas.
				Ainda do volume III de <italic>O Brasil e suas riquezas natuaraes, suas
					industrias</italic> extraímos a <xref ref-type="table" rid="t6">Tabela 4</xref>,
				que apresenta dados mais detalhados apenas sobre o Distrito Federal e São Paulo, as
				duas regiões então mais industrializadas do pais, de modo a compará-los, confirmando
				a dominância do DF, mas já indicando o avanço paulista, em produtos relativos à
				tecelagem, vestuário e acessórios.</p>
			<p><table-wrap id="t6">
				<label>Tabela 4</label>
				<caption>
					<title>Indústrias têxteis, de vestuário e acessórios; Brasil 1907/1909</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#d6dce4;">Indústrias</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">DF</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">SP</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Brasil</th>
							<th align="center" style="background-color:#d6dce4;">Operários</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left">Calçados</td>
							<td align="center">57</td>
							<td align="center">8</td>
							<td align="center">119</td>
							<td align="center">7379</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Chapéus de lã, lebre etc.</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">12</td>
							<td align="center">46</td>
							<td align="center">3105</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Chapéus para senhoras</td>
							<td align="center">37</td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">37</td>
							<td align="center">163</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Espartilhos</td>
							<td align="center">7</td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">11</td>
							<td align="center">148</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Gravatas</td>
							<td align="center">8</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">11</td>
							<td align="center">680</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Joias</td>
							<td align="center"/>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">20</td>
							<td align="center">167</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Luvas</td>
							<td align="center"/>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">9</td>
							<td align="center">80</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Passamanaria</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">28</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Roupas brancas</td>
							<td align="center">9</td>
							<td align="center">5</td>
							<td align="center">31</td>
							<td align="center">218</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de algodão</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">23</td>
							<td align="center">161</td>
							<td align="center">45942</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de aramina<sup>*</sup></td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">200</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de juta</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">10</td>
							<td align="center">3489</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de lã</td>
							<td align="center">5</td>
							<td align="center">3</td>
							<td align="center">15</td>
							<td align="center">1957</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de linho</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">160</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Tecidos de seda</td>
							<td align="center">0</td>
							<td align="center">1</td>
							<td align="center">5</td>
							<td align="center">244</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#d6dce4;">Subtotal (itens
								selecionados)</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">156</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">58</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">474</td>
							<td align="center" style="background-color:#d6dce4;">63960</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B13">Centro Industrial do Brasil
							(1909)</xref>, v. III - Industria de transportes, indústria fabril;
						Subvolume Mappas Estatisticos da Industria Fabril. Dados coletados em 1907,
						publicados em 1909, p. 150 Adaptada pelo autor.</attrib>
					<attrib>(<sup>*</sup>) Aramina é nome popular de planta da família das
						Malváceas, cujas fibras são utilizadas na confecção de tecidos grosseiros,
						cordas e tapetes.</attrib>
					<fn id="TFN1">
						<label>**</label>
						<p> O total apurado pela pesquisa, realizada em 1907, para todo o país foi
							de 3.258 estabelecimentos industriais.</p>
					</fn>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Especificamente em estabelecimentos têxteis, São Paulo somava 30 fábricas, superando
				o Distrito Federal, com 22; em ambos os casos, com destaque para os tecidos de
				algodão. Sobre vestuário, constam 5 fábricas de roupas brancas, para SP, contra 9 no
				DF. No segundo caso, vale notar que o levantamento fica um pouco abaixo do realizado
				por Bandeira Junior, para vestuário, seis anos antes. Não deixa de ser curioso o
				registro de 7 fábricas de espartilhos ativas no Distrito Federal, contra um total de
				11 no país, por se tratar de um produto de moda voltado, principalmente, às senhoras
				das camadas mais altas e que já entra em desuso naquela década - não é por acaso que
				sua fabricação se concentrava no principal o centro político e financeiro de uma
				Nação que seguia os modismos de vestir europeus com atraso. Seguindo a mesma lógica,
				chapéus e tecidos de lã, luvas, gravatas e outros produtos sofisticados tinham
				fabricação mais expressiva na região Sudeste.</p>
			<p>Outra fonte disponível de dados sobre o período é o inquérito realizado pela
				Directoria Geral de Estatistica do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio,
				em 1912, resgatado pela publicação Séries estatísticas retrospectivas do
						IBGE<sup><xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref></sup>, que contém tabela
				que com dados retrospectivos da indústria têxtil e de vestuário no país a partir de
				1848, somando um total de 4.654 fábricas relacionadas a produtos do vestuário (<xref
					ref-type="table" rid="t7">Tabela 5</xref>), ante um total de 9.475
				estabelecimentos industriais existentes no país - ou seja, 49,21% do total seria
				vestuário. Observa-se, no entanto, que os produtos elencados nesta classificação são
				acessórios e não roupas prontas, novamente colocando em questão os conceitos usados
				por estas pesquisas mais remotas, seja quanto ao gênero como em relação ao porte dos
				negócios. Usando esta fonte, os elaboradores da compilação Estatísticas históricas
				do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de 1550 a 1988. v. 3,<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn24">24</xref></sup> da qual a tabela a seguir foi
				extraída, alertam para a dificuldade, constatada já desde os primórdios dos estudos
				estatísticos no país:</p>
			<p><table-wrap id="t7">
				<label>Tabela 5</label>
				<caption>
					<title>Resultados gerais de inquérito industrial, segundo os gêneros de
						indústria - 1912 (parcial)</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" valign="bottom">Géneros de indústrias</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="top">Subgéneros</th>
							<th align="center" valign="top">Até<break/>1848</th>
							<th align="center" valign="bottom">1850 a<break/>1869</th>
							<th align="center" valign="bottom">1870 a<break/>1889</th>
							<th align="center" valign="bottom">1890 a<break/>1909</th>
							<th align="center" valign="bottom">1910 a<break/>1913</th>
							<th align="center" valign="top">Sem data</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>Total fábricas /1912</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"
								>Capital/ 1912</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>Força motriz (HP)/1912</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"
								>Empregados/1912</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"
									><bold>Indústrias</bold><break/><bold>Têxteis</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"
									><bold>Industrias</bold><break/><bold>Têxteis</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"><bold>Tecidos
									(1)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom">46</td>
							<td align="center" valign="bottom">92</td>
							<td align="center" valign="bottom">51</td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>198</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">295.503</td>
							<td align="center" valign="bottom">76.558,80</td>
							<td align="center" valign="bottom">73.179</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"
									><bold>Ind.</bold><break/><bold>Vestuario</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top"/>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"/>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>Chapéus (4)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>0</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom">14</td>
							<td align="center" valign="bottom">133</td>
							<td align="center" valign="bottom">192</td>
							<td align="center" valign="bottom">0</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>343</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">13.382</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.885,30</td>
							<td align="center" valign="bottom">4.843</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"/>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>Bengalas/ chapéus-desol</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom">7</td>
							<td align="center" valign="bottom">73</td>
							<td align="center" valign="bottom">43</td>
							<td align="center" valign="bottom">0</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>128</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">4.072</td>
							<td align="center" valign="bottom">6,00</td>
							<td align="center" valign="bottom">650</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"/>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"
								><bold>Calçados</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="bottom">84</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.94<break/>2</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.11<break/>7</td>
							<td align="center" valign="bottom">36</td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>4.183</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">26.049</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.957,00</td>
							<td align="center" valign="bottom">20.372</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Total geral</bold></td>
							<td align="center" valign="top"/>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>3</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>15</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>151</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>2240</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>2403</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>40</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>4852</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>339.006</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>80.407,1</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom"><bold>99.044</bold></td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas,
						demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. ed. rev. e atual do v. 3 de Séries
						estatísticas retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. (1) Fiação e
						tecelagem de algodão, de lã, de linho, de juta e obras de passamanaria
						(fitas, cadarços, tranças, rendas e bordados). (4) Chapéus de feltro, de lã
						e de palha, bonés, chapéus para senhoras. Adaptada pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p><disp-quote>
				<p>Reconhecia-se que “nem sempre foi fácil aos agentes recenseadores adotarem a
					mesma norma para inclusão ou exclusão de certas empresas no arrolamento
					censitário” [Diretoria Geral de Estatística (1927, p. IV)]. Esse problema
					conceitual provocou, aliás, uma grande discrepância entre os números referentes
					à mão-de-obra industrial nos Censos Industrial e Demográfico de 1920: enquanto o
					levantamento demográfico indicava cerca de 980 000 pessoas envolvidas na
					produção de manufaturas, no Censo Industrial o total correspondente era de
					apenas 350 000. Tudo indica que a razão da diferença foi a contagem de alfaiates
					e costureiras na mão-de-obra industrial, no Censo Demográfico (<xref
						ref-type="bibr" rid="B16">Fishlow, 1972</xref>, p. 325)<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn25">25</xref></sup>.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Somente a partir de 1920 as atividades fabris passaram a ser abrangidas pelos censos
				nacionais, denotando nosso atraso industrial<sup><xref ref-type="fn" rid="fn26"
						>26</xref></sup>; dados anteriores provêm dos inquéritos industriais
				realizados ocasionalmente, como os de 1907 (publicado em 1909) e este de 1912.</p>
			<p>A <xref ref-type="table" rid="t8">Tabela 6</xref>, a seguir, contém dados
				interessantes do primeiro Censo Industrial completo, realizado em 1920, sobre as
				“Industrias do vestuário e toucador”;<sup><xref ref-type="fn" rid="fn27"
					>27</xref></sup> estabelecendo um paralelo com estatísticas do Censo de 1907.
				Por sua vez, a <xref ref-type="table" rid="t9">Tabela 7</xref> é especifica sobre
				itens não incluídos no Censo de 1907 e contempla o número de estabelecimentos
				existentes, assim como o valor da produção para a classificação “Roupas para
				homens”, produtos de fato caracterizáveis com vestuário e que começavam a ganhar
				expressão no contexto da indústria manufatureira do país.</p>
			<p><table-wrap id="t8">
				<label>Tabela 6</label>
				<caption>
					<title>Indústrias do vestuário e toucador arroladas nos inquéritos censitórios;
						Brasil, 1907 e 1920</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" valign="top">Industrias</th>
							<th align="center" colspan="2" valign="top">Unidades</th>
							<th colspan="2" valign="top">Capital</th>
							<th align="center" colspan="2" valign="top">Operarios</th>
							<th align="center" valign="top">Valor da</th>
							<th align="center" valign="top">produçâo</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"/>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1907</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1920</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1907</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1920</bold></th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>1907</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1920</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1907</bold></th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1920</bold></th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Chapéus e bonés</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">47</td>
							<td align="center" valign="bottom">114</td>
							<td align="center" valign="bottom">10.423:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">25.649:743$</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.117</td>
							<td align="center" valign="bottom">4.269</td>
							<td align="center" valign="bottom">15.399:200$</td>
							<td align="center" valign="bottom">41.895:000$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Chapéus para senhoras</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">37</td>
							<td align="center" valign="bottom">109</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.398:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.563:579$</td>
							<td align="center" valign="bottom">163</td>
							<td align="center" valign="bottom">608</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.727:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.703:352$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Roupas brancas</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">31</td>
							<td align="center" valign="bottom">134</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.151:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">11.771:118$</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.218</td>
							<td align="center" valign="bottom">5.138</td>
							<td align="center" valign="bottom">6.298:500$</td>
							<td align="center" valign="bottom">27.602:3 72$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Coletes para senhoras</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">11</td>
							<td align="center" valign="bottom">26</td>
							<td align="center" valign="bottom">458:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">398:519$</td>
							<td align="center" valign="bottom">148</td>
							<td align="center" valign="bottom">111</td>
							<td align="center" valign="bottom">879:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.053:916$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Gravatas</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">11</td>
							<td align="center" valign="bottom">16</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.003:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.744:100$</td>
							<td align="center" valign="bottom">689</td>
							<td align="center" valign="bottom">208</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.320:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.383:264$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Flores artificiáis</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">32</td>
							<td align="center" valign="bottom">25</td>
							<td align="center" valign="bottom">694:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">501:025$</td>
							<td align="center" valign="bottom">432</td>
							<td align="center" valign="bottom">417</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.337:500$</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.420:267$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Luvas</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">9</td>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="bottom">288:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">396:100$</td>
							<td align="center" valign="bottom">89</td>
							<td align="center" valign="bottom">66</td>
							<td align="center" valign="bottom">468:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">796:209$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Pentes e botóes</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">4</td>
							<td align="center" valign="bottom">8</td>
							<td align="center" valign="bottom">370:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.231:899$</td>
							<td align="center" valign="bottom">243</td>
							<td align="center" valign="bottom">483</td>
							<td align="center" valign="bottom">734:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.803:527$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Chapéus de sol e
								bengalas</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">24</td>
							<td align="center" valign="bottom">66</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.221:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.986:853$</td>
							<td align="center" valign="bottom">195</td>
							<td align="center" valign="bottom">224</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.729:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">8.414:054$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Calçados (1)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">119</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.319</td>
							<td align="center" valign="bottom">10.117:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">49.247:477$</td>
							<td align="center" valign="bottom">7.379</td>
							<td align="center" valign="bottom">14.814</td>
							<td align="center" valign="bottom">26.726:900$</td>
							<td align="center" valign="bottom">140.512.310$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Tamancos</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">18</td>
							<td align="center" valign="bottom">99</td>
							<td align="center" valign="bottom">273:000$</td>
							<td align="center" valign="bottom">903:961$</td>
							<td align="center" valign="bottom">134</td>
							<td align="center" valign="bottom">483</td>
							<td align="center" valign="bottom">679:400$</td>
							<td align="center" valign="bottom">2.589:010$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>Total</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>343</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1921</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>31.396:000$</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>96.394:374$</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>14807</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>25.821</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>60.298:500$</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>234.173:281$</bold></td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <italic>Recenceamento do Brazil</italic>, Directoria Geral de
						Estatística, Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio; Rio de
						Janeiro, Typ. da Estatística, 1927, p. XXVI. Adaptada pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p><table-wrap id="t9">
				<label>Tabela 7</label>
				<caption>
					<title>Indústrias do vestuário e toucador recenseadas em 1920 e não arroladas em
						1907; Brasil, 1927</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color:#d4e0ea;;" valign="bottom">Indústrias</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom">Unidades</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom">Capital</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>Força motriz/HP</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom">Operarios</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>Valor produçâo/ano</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Roupas para homens</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">38</td>
							<td align="center" valign="bottom">3.037:164$</td>
							<td align="center" valign="bottom">126</td>
							<td align="center" valign="bottom">909</td>
							<td align="center" valign="bottom">8.426:849$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Cintas, polainas, pastas,
									carteiras, bolsas e perneiras</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">20</td>
							<td align="center" valign="bottom">561:820$</td>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="bottom">138</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.222:983$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Tecidos elásticos (suspensorios,
									ligas etc.)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">6</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.478:330$</td>
							<td align="center" valign="bottom">231</td>
							<td align="center" valign="bottom">333</td>
							<td align="center" valign="bottom">1.846:093$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="bottom"><bold>Capas de borracha</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">3</td>
							<td align="center" valign="bottom">172:181$</td>
							<td align="center" valign="bottom">0</td>
							<td align="center" valign="bottom">47</td>
							<td align="center" valign="bottom">532:354$</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>Total</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>67</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>5.285:495$</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>362</bold></td>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								><bold>1427</bold></td>
							<td align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>12.028:279$</bold></td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: <italic>Recenceamento do Brazil</italic>, Directoria Geral de
						Estatística, Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio; Rio de
						Janeiro, Typ. da Estatística, 1927, p. XXVI. Adaptada pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Não apenas em reação a vestuário pronto, mas também em relação à indústria têxtil, a
				fabricação nacional foi tardia - especialmente em diversidade e qualificação dos
				produtos -, apesar da farta disponibilidade domestica do algodão matéria prima, como
				enfatiza Fishlow:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Embora já houvesse algumas fabricas desde 1850, a produção brasileira de tecidos
					de algodão, em 1885, estava limitada a cerca de 50 fabricas, com uma produção
					ligeiramente superior a 26 milhões de metros, a maioria dos tipos mais brutos.
					Esta produção representava pouco mais que 10 por cento do consumo nacional.
					Vinte anos mais tarde, a produção tinha aumentado dez vezes, tornando-se mais
					diversificada, e representava 60 por cento do consumo (<xref ref-type="bibr"
						rid="B16">Fishlow, 1972</xref>, p. 9).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>A carência de têxteis nacionais a custos mais acessíveis certamente contribuiu para o
				atraso da indústria do vestuário, já que são partes da mesma cadeia. As têxteis
				nacionais teriam alcançado “dominação nacional” apenas por volta de 1919, conforme
				registrou o censo de 1920, em decorrência de “um processo em fases de substituição
				de importações e crescimento da renda” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Fishlow,
					1972</xref>, p. 7). O chamado “choque adverso”, ou seja, a crise de
				desabastecimento no mercado internacional provocada pela Grande Guerra teria,
				conforme tese defendida, de primeira hora, pelo economista Roberto Simonsen,
				contribuído para estruturar uma indústria de tecidos de longo prazo, no país,
				particularmente a de algodão mais rústico voltado às roupas de trabalho e sacarias,
				para uso dos latifúndios agroexportadores:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>A produção de tecidos de algodão em 1918 excedeu à de 1914 em 57%; mesmo
					calculando-se sobre a base mais elevada - 1911-1913 -, pois 1914 foi um ano de
					depressão, o aumento foi superior a um quarto. Não há dúvidas quanto a base da
					expansão. Ela se deveu quase inteiramente à substituição de importações que
					aumento a produção dos tecidos fornecidos internamento de menos de dois terços
					para 85% ao final da guerra. De maior importância imediata para os proprietários
					das fábricas foi o lucro decorrente dos grandes aumentos dos preços, que só foi
					possível devido à inflação dos tempos da guerra. [...] Grandes lucros em 1916 e
					1917 foram uma consequência; acumulação de reservas para posterior compra de
					equipamento de capital foi outra (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Fishlow,
						1972</xref>, p. 19).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Como consequência possível do crescimento das têxteis, teria havido também um aumento
				na produção local de vestuário, também em substituição a produtos antes importados,
				tendo em vista que as manufaturas têxteis e de vestuário tiveram, no Brasil, seu
				maior mercado nas monoculturas agrícolas. Tanto que, ainda em meados do século
				XVIII, chegaram a incomodar a coroa portuguesa, motivando o alvará de 1785, que
				restringiu a protoindustria têxtil na colônia, de modo a evitar concorrência com
				produtos da corte, limitando-a ao fabrico de “de panos grossos de algodão que
				serviam de vestimentas para escravos ou se empregavam nas sacarias” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B30">Prado Junior, 2015</xref>, p. 237).</p>
			<p>Assim sendo, entende-se por que motivo, já iniciando o século XX, a indústria têxtil
				nacional ainda se caracterizava pela rusticidade da maior parte dos seus produtos,
				sem capacidade de competir com as afamadas “fazendas” dos países europeus que, no
				entanto, “a despeito de sua bela aparência, deterioravam-se com facilidade” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B34">Stein, 1979</xref>, p. 71). A ausência de planejamento
				e estratégias de incentivos governamentais às fábricas, carentes de maquinários e
				técnica para produzir fios e tramas mais sofisticados, alimentou a importação e
				entardeceu o florescimento de nossas têxtis e, mais ainda, da indústria de
				vestuário. Ambas só alcançaram volumes e qualificação por aqui após a Grande Guerra,
				quando se verificou um “surto industrial” no setor, concentradamente em São Paulo,
				conforme demonstra a <xref ref-type="table" rid="t10">Tabela 8</xref> que permite
				observar a evolução nominal e porcentual no número de estabelecimentos, a cada
				década, em relação ao total da indústria de bens de consumo, até os anos 1980 (na
				década de 1930 o Cens não foi realizado)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn28"
						>28</xref></sup>.</p>
			<p><table-wrap id="t10">
				<label>Tabela 8</label>
				<caption>
					<title>Números absolutos e participação % do segmento “Vestuário, calçados e
						artefatos de tecidos” em relação ao total da indústria de bens de consumo;
						Brasil, 1920 a 1980</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom">Item/ano</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>1920</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>1940</th>
							<th style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom">1950</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>1960</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>1970</th>
							<th align="center" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
								>1980</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>Estabelecimentos / N° absoluto</bold></td>
							<td align="center">1.988</td>
							<td align="center">3.218</td>
							<td align="center">5.076</td>
							<td align="center">7.637</td>
							<td align="center">8.613</td>
							<td align="center">15.338</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"
									><bold>Estabelecimentos (%)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">14,9</td>
							<td align="center" valign="bottom">6,5</td>
							<td align="center" valign="bottom">5,5</td>
							<td align="center" valign="bottom">6,9</td>
							<td align="center" valign="bottom">5,2</td>
							<td align="center" valign="bottom">7,2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="bottom"><bold>Pessoal
									ocupado (%)</bold></td>
							<td align="center" valign="bottom">10,7</td>
							<td align="center" valign="bottom">5,1</td>
							<td align="center" valign="bottom">5</td>
							<td align="center" valign="bottom">5,4</td>
							<td align="center" valign="bottom">6,1</td>
							<td align="center" valign="bottom">9,2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d4e0ea;" valign="top"><bold>Valor da
									produçào (%)</bold></td>
							<td align="center" valign="top">8,2</td>
							<td align="center" valign="top">4,2</td>
							<td align="center" valign="top">3,9</td>
							<td align="center" valign="top">3,4</td>
							<td align="center" valign="top">3,3</td>
							<td align="center" valign="top">3,8</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Brasil, IBGE. Censos industriais de 1920, 1940, 1950, 1960, 1970,
						1980. Obs.: Como já observado, em 1930 não houve censo industrial. Apud
						Abreu. Brasil, <xref ref-type="bibr" rid="B1">1986</xref>, p. 104-105.
						Adaptada pelo autor.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap></p>
			<p>Se, em relação aos números absolutos de estabelecimentos, a <xref ref-type="table"
					rid="t10">Tabela 8</xref> demonstra ter havido um crescimento contínuo do
				segmento, a cada década, pela análise da evolução porcentual observa-se que o maior
				avanço se concentrou justamente na década de 1920, impulsionado pelo “choque
				adverso” da 1ª Grande Guerra, sendo mantido nas décadas seguintes, até os anos 1980,
				sempre em relação ao total da indústria de bens de consumo (ou indústria de
				transformação). Considere-se, ainda, que os estabelecimentos do setor “Vestuário,
				calçados e artefatos de tecidos”, nas primeiras décadas do século XX, abrangiam em
				maior parte unidades de pequeno porte, pouco mecanizadas e operando em nível
				domiciliar ou semidomiciliar. Fábricas de maior porte naquele período eram em menor
				número e estavam, em geral, vinculadas a lojas ou redes de comércio que matriciavam
				subcontratadas, capitalizando os lucros. Maleronka chama a atenção para a
				dificuldade enfrentada pelos recenseadores para diferenciar a produção industrial de
				pequenas oficinas de alfaiates e costureiras no Censo de 1920, o que teria
				acarretado discrepâncias nos resultados finais, devido ao que: “Reconheceu-se,
				então, em 1927, [...] a adoção de uma definição mais precisa do que fosse produção
				de pequenas oficinas para os censos seguintes” (<xref ref-type="bibr" rid="B22"
					>Maleronka, 2007</xref>, p. 145). Dimensionar tais “discrepâncias” é tarefa,
				todavia, inviável, pela ausência de outras fontes que servissem de base comparativa,
				e também já de pouca relevância.</p>
			<p>Mais pertinente é ter em consideração que a indústria do vestuário e acessórios
				sempre esteve atrelada ao segmento têxtil por integrarem uma mesma cadeia de
				produção, cuja ponta extrema é o comércio que disponibiliza seus produtos finais
				vestíveis aos consumidores, crescentemente alicerçado, ao longo do século passado,
				por estratégias de sedução por meio da publicidade e propaganda, orientada pelo
				valor simbólico da “moda” então lançada a partir de Paris. Também no período, esta
				indústria vivenciou diversas inovações tecnológicas e gerenciais, visando sempre
				ampliar sua capacidade produtiva com atingir a maior gama possível de consumidores,
				com unidades fabris e produtos voltados a camadas sociais específicas.</p>
			<p>Em termos regionais, quisemos enfocar aqui o período formativo deste segmento
				industrial no Estado de São Paulo, numa época em que o próprio segmento fabril se
				firmava no país, contribuindo para sua concentração no Sudeste, com o Distrito
				Federal à frente, ainda que tenha alcançado alguma expressão também no Sul do país.
				Em relação às características dos produtos fabricados, sempre com vistas a atender o
				mercado interno, em boa parte eles se voltavam às camadas altas e médias - caso de
				roupas intimas, peças masculinas, uniformes etc. -, mas também tiveram importâncias
				as vestes rústicas utilitárias, voltadas a trabalhadores rurais. Num tempo de
				predomínio da roupa feita sob medida, os produtos vestíveis factíveis de ser
				produzidos de forma seriada foram aqueles que ofereciam maior facilidade de
				padronização, tais como as já citadas. Por exemplo, diversas camisarias masculinas
				se firmaram com produção seriada no período, voltadas ao público urbano, caso da
				Fábrica Paulista de Roupas Brancas, da capital paulista, que alardeava em suas
				campanhas uma verdadeira “revolução comercial” nos preços, viabilizada pela roupa
				pronta, conforme anúncio de 1929 na revista Cine Modearte:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] teve lugar no dia 28, às 16 horas, a inauguração oficial da Exposição de
					produtos da Fábrica Paulista de Roupas Brancas. Essa exposição demonstra que São
					Paulo possui, no gênero, a mais importante fábrica da América do Sul. Um
						<italic>stock</italic> superior a 5 mil contos de réis constituía a
					grandiosa exposição [...] Atualmente, está sendo realizada a sua ‘Quinzena do
					Povo’ na qual, para um exemplo dos preços em vigor, diremos: Veem-se lá
					excelentes camisas finas de tricoline por 9$000. Ouvimos estrangeiros que nos
					visitam exclamarem: ‘Não existe no mundo uma fábrica que ofereça essas vantagens
					ao povo, e que realize, assim tão verdadeiramente, o princípio da fábrica
					diretamente ao consumidor (Apud <xref ref-type="bibr" rid="B22">Maleronka,
						2007</xref>, p. 44)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn29">29</xref></sup>.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Campanhas similares foram promovidas nas décadas posteriores, sempre enfatizando “A
				marcha triumphal da revolução comercial” propiciada pela roupa pronta, com baixos
				preços:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Victoriosa em São Paulo, a revolução commercial da Fabrica Paulista de Roupas
					Brancas installou a sua Filial provisoria [...] a fim de que o distincto Povo
					Santista participe da victoria da superioridade dos artigos e da esmagadora
					vantagem dos preços<sup><xref ref-type="fn" rid="fn30">30</xref></sup>.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Na época, colarinhos e punhos eram vendidos à parte, conforme destacava a Fabrica
				Confiança do Brasil, que produzia “colarinhos, camisas, roupas brancas, artigos de
				cama e mesa pelo menor preço”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn31">31</xref></sup>.
				Mesmo com o menor custo da roupa industrial, manteve-se, durante toda a primeira
				metade do século XX, entre as camadas médias, o costume de “manter uma costureira
				que trabalhava por dia, geralmente uma vez por semana, que supria a família de roupa
				caseira”. (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Nacif, 2000</xref>, p. 169).</p>
			<p>A popularização das roupas prontas voltadas às camadas médias e altas urbanas,
				principalmente, teve como principal propulsor, como já dito, o crescimento dos
				centros comerciais urbanos, compostos por lojas, magazines e, tardiamente no Brasil,
				pelas lojas de departamento, que passaram a ofertar, gradualmente, maior variedade
				de modelos a preços mais acessíveis, disseminando os sistemas de crediário, com
				técnicas de abordagem ao consumidor de acordo com o gênero; no caso das vestes
				femininas, calcadas nas novas tendência da moda; nas masculinas, a ênfase recaia na
				boa confecção, durabilidade ou praticidade das peça. Assim, já nas primeiras décadas
				do século XX, a classe média urbana entrou “[…] para a dinâmica do consumo de uma
				forma bastante original. Embora seus limites fossem ainda bastante fluidos,
				identificava-se pelo consumo de artigos de fantasia que imitavam os artigos de
				consumo de luxo” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira, 2012</xref>, p. 79). Ou
				seja, tivemos aqui uma imitação por camadas, em que as elites nacionais imitavam as
				elites europeias e as classes medias imitavam as elites locais.</p>
			<p>O resultado foi a crescente popularização do vestuário pronto, sempre seguindo os
				processos de urbanização das capitais e cidades médias, que só se fortaleceu nas
				décadas seguintes aos anos 1920. Nos anos 1930, a oferta de roupas prontas cresceu
				expressivamente no mercado interno:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Em meados da década de 1920, não só aumenta de forma significativa a variedade de
					roupas prontas, como sua confecção ganha novo <italic>status</italic> com a
					expansão das lojas de departamentos, que apresentam um maior número de
					novidades, em especial no que diz respeito a peças de vestuário e aos acessórios
					de moda (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bonadio, 2007</xref>, p. 39-40).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Voltadas então às elites, as pioneiras Casa Allemã e Mappin Stores<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn32">32</xref></sup>, com sedes em São Paulo e Distrito
				Federal, eram especializadas na importação da moda feminina e peças de vestuário da
				Europa. As chamadas publicitárias destas casas para produtos voltados ao público
				feminino, enfatizavam, já nas primeiras décadas do século XX, o valor simbólico de
				moda. Não por outro motivo, foi no Mappin paulistano que se realizaram, em seu
				“salão de chá”, os primeiros desfiles de moda (ou “paradas de <italic>modéles
					vivants</italic>) de que se tem registro no Brasil, a partir de 1926, ocasiões
				em que foram apresentados à sua distinta clientela modelos trazidos de Londres e
				Paris de casas de alta moda, como Pateau, Drecoll, Lucien, Gaston etc., conforme
				anúncio daquele ano:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>Insinuantes modelos de Pariz - Synthetisando o que há de mais bello, gracioso e
					notavelmente original para a risonha estação que se annuncia, fazemos por alguns
					dias - a começar de hoje - na sobreloja, uma interessantíssima exposição de
						<italic>toilettes</italic> de passeio, de baile e <italic>soirée.</italic>
					Nesta maravilhosa e selecta collecção, escolhida pessoalmente pela nossa eximia
						<italic>premiére</italic>, quando de sua recente excursão à Europa, figuram,
					com singular relevo, os mais famosos exemplares dos grandes costureiros de Pariz
					e certas criações de assegurado êxito de casas londrinas de prestígio (Idem, p.
					89).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>O magazine divulgava seu catálogo de moda também pelos Correios, indicando que, além
				de peças únicas de alta costura, comercializava peças prontas seriadas com a marca
				da casa, provavelmente material importado, em parte, assim como réplicas produzidas
				em suas oficinas, com preços mais acessíveis. Também a comunicação de massa se
				consolidava, no período, com ampliação das formas de veiculação, acrescida do cinema
				e do rádio, além dos meios impressos como jornais, revistas, cartazes, folhetos
				etc.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Nas primeiras décadas do século XX, a expansão da vida urbana, da industrialização em
				geral e as tecnologias de comunicação impuseram novas estruturas organizacionais e
				hábitos às sociedades ocidentais, alterando as formas de viver e de vestir. Neste
				último caso, os excessos de peças sobrepostas, de recortes e de detalhes foi sendo,
				gradativamente, substituído por modelagens de <italic>design</italic> mais simples,
				especialmente nas vestes femininas, facilitando sua confecção e o uso. Neste
				processo, as modas de vestir foram também deixando de ser prerrogativas das elites
				(e do gênero feminino) para se “democratizarem”, por meio da roupa pronta e dos
				sistemas massivos de comércio, caso dos magazines, lojas de departamento etc. As
				capitais dos estados brasileiros tiveram papel relevante neste processo, com
				destaque para a Capital paulista, que passou a concentrar o maior núcleo de lojas,
				magazines e fábricas de roupas prontas no país, estas últimas localizadas em bairros
				como Bom Retiro, Brás e Mooca, o que justifica o destaque dado a ela na
				temporalidade pioneira enfocada neste artigo.</p>
			<p>As roupas seriadas voltadas às elites eram aqui fabricadas a partir de réplicas ou
				imitações de peças estrangeiras, muitas vezes com o uso de etiquetas falsas, como
				estratégia para atender demandas de uma camada que buscava se vincular à cultura
				europeia pelo valor simbólico da moda. O crescimento da roupa pronta viabilizou, de
				fato, maior acesso a todas as camadas sociais a itens de vestuário, toda via como um
				processo lento e consequente da ampliação dos negócios e deste mercado, havendo
				sempre distinção, estética ou pelas marcas do fabricante, entre os segmentos sociais
				atendidos. Não há registro, no período analisado, de políticas de governo voltadas
				especificamente para a indústria do vestuário, ou que valorizassem estéticas ou uma
				criação de moda nacional.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>(1)</label>
				<p><bold>Distrito Federal</bold> é uma unidade federativa do país, que correpondia
					então ao território do atual município do Rio de Janeiro, derivando do antigo
					Município Neutro, sede da monarquia brasileira entre 1834 e 1891, ano em que a
					primeira constituição nacional ali instrituiu o também primeiro DF da República
					brasileira, que vigorou até 1960, quando foi tranferido para área de 5 779,784
						km<sup>2</sup> no estado de Goiás, divisa com Minas Gerais, onde se localiza
					a cidade de Brasília, Distrito Federal e sede do governo do DF (nota do
					autor).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>(2)</label>
				<p>Obs.: A expressão <italic>Belle époque</italic> tropical refere-se ao período
					vivenciado, no Brasil e/ou América do Sul, uma série de movimentos artísticos e
					comportamentais cosmopolitas sob influência da França, de onde o movimento
						<italic>art nouveau</italic> se espraiou, após o fim da guerra
					Franco-Prussiana em 1870, gerando outros movimentos nas artes, como o
					impressionismo, o fauvismo, expressionismo; na moda, a <italic>haute
						couture</italic> etc., simultaneamente a um período de industrialização,
					desenvolvimento da vida urbana, dos transportes públicos (bondes, trens,
					automóveis), da eletricidade e tecnologias de comunicação, fotografia, cinema, o
					disco, o rádio, a impressão a cores etc., ciclo encerrado, na Europa, com a
					Grande Guerra, em 1914. O início da tardia <italic>belle époque</italic> no
					Brasil em geral tem como marco a queda do 2º Império, em 1889, e seu fim tardio
					em 1922, com a Semana de Arte Moderna, que deu início ao período modernista
					(Nota do autor; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Needell, 1993</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B14">Feijão, 2011</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>(3)</label>
				<p>Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bandeira Junior (1901)</xref>. Obs.: Do autor,
					ver o panfleto republicano assinado com o pseudônimo Flag Junior:
						<italic>Considerações sobre a crise financeira e o elemento servil.</italic>
					Rio de Janeiro: Typ. União de A. M. Coelho da Rocha &amp; C., <xref
						ref-type="bibr" rid="B5">1884</xref>. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/221753"
						>http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/221753</ext-link>. Acesso em: 10
					mar. 2023. Ver ainda: Decreto de n. 8.710, de 17 de outubro de 1882, do governo
					federal, que lhe o concede privilegio de uma linha de carris de ferro entre
					Santa Cruz e o Porto de Sapetiba; e Decreto n. 1.240, de 3 de janeiro de 1891,
					que autoriza a pedido de Bandeira Junior a “Cooperativa Suburbana”, de
					“commercio de generos alimentícios”, com sede na capital federal. Disponível em:
						<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-8710-17-outubro-1882-545935-publicacaooriginal-59420-pe.html"
						>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-8710-17-outubro-1882-545935-publicacaooriginal-59420-pe.html</ext-link>.
					Acesso em: 10 mar. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>(4)</label>
				<p>O autor indica na página 75 que as estimativas sobre exportações de máquinas e
					equipamentos industriais para o Brasil basearam-se em dados dos principais
					supridores desses equipamentos ao país, a saber: Grã-Bretanha, EUA, Alemanha e
					França.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>(5)</label>
				<p>Em 1905 foram instaladas as primeiras lâmpadas elétricas da Capital paulista, na
					rua Barão de Itapetininga, contratadas com a <italic>The São Paulo Tramway,
						Light and Power Company Ltda</italic>.; dois anos depois, foram iluminadas
					as ruas do “triângulo” formado pelas ruas Direita, 15 de Novembro e São Bento,
					com 50 lâmpadas de arco fechado. História da Iluminação, <italic>Prefeitura
						Municipal de SP</italic>. (Nota do autor). Dados disponíveis em: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/obras/ilume/historia/index.php?p=312"
						>http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/obras/ilume/historia/index.php?p=312</ext-link>.
					Acesso em: 7 mar. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>(6)</label>
				<p>Para mais informações, ver: Primórdios das têxteis (<xref ref-type="bibr"
						rid="B31">Prado et al., 2012</xref>, p. 37-46).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>(7)</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">Centro Industrial do Brasil (1909</xref>, v.
					III. p. 263). </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>(8)</label>
				<p>A Constituição de 1934 foi a primeira a estabelecer leis trabalhistas de âmbito
					nacional referentes a questões como liberdade sindical, salário mínimo, jornada
					diária de oito horas, repouso semanal, férias anuais remuneradas, proteção ao
					trabalho feminino e infantil, isonomia salarial etc. (Nota do autor).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>(9)</label>
				<p>Em 1912, foi fundada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), no 4º Congresso
					Operário Brasileiro, dando início à luta operária; em 1919, foi criada a
					Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo Tratado de Versailles, tendo o
					Brasil como signatário; o salário mínimo, todavia, só foi estabelecido no país
					pela Lei n. 185, de janeiro de 1936, regulamentado pelo Decreto Lei n. 399, de
					abril de 1938.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>(10)</label>
				<p>Entre as casas voltadas à moda feminina sob medida, havia na região do Triângulo:
						<italic>Casa Henrique Bamberg, Grande Maison de Couture</italic> (de
						<italic>Mme. A. Oppenheim</italic>, que já fora <italic>A la Ville de Paris
						e Casa J. Tallon); Casa Paiva, As Duas Cidades, Casa Hamburguesa, Casa
						Lemke, A Favorita, Ao Mundo Elegante, Casa Bonilha, Palais Royal, Hubmayer,
						Casa Sloper, Casa Enxoval,</italic> além da <italic>Casa Alemã</italic>, e
					das casas de diversas modistas (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy,
						2006</xref>, p. 189).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>(11)</label>
				<p>Aparecem como sócios da razão social Block Frères &amp; Comp. Julio Block
					(fundador), Felix Block, Gastão Alvarez e João Tapier (<xref ref-type="bibr"
						rid="B4">Bandeira Junior, 1901</xref> p. 202).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>(12)</label>
				<p>Vários dentre os comerciantes que atuavam no Triângulo Comercial paulistano (como
					os Levy, Hertz, Frères, Cohen e Dreyfus) eram, como os Block judeus provenientes
					da “onda imigratória judaica conhecida como “imigração alsaciana, que chegou ao
					Brasil no rastro das revoluções de caráter democrático e nacionalista que
					varreram a Europa central e oriental, em 1848 - a Primavera dos Povos - e a
					Guerra Franco-prussiana, 1870-1871, que resultou na anexação da Alsácia-Lorena
					pela Alemanha” (Falbel, 2012, p. 34-36).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>(13)</label>
				<p><italic>A Redempção, Folha abolicionista, comercial e noticiosa</italic>, anno I,
					n. 2, São Paulo; redactor-chefe Dr. Antonio Bento, São Paulo, 6 de jan. 1887, p.
					4.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>(14)</label>
				<p><italic>Rayon</italic>, palavra francesa, significa raio ou seção de
					loja/biblioteca, sentido em que a está empregada na frase, sem relação,
					portanto, com o nome genérico <italic>rayon</italic> dado também à primeira
					fibra sintética usada para a fabricação de seda artificial, desenvolvida a
					partir de celulose vegetal no final do século XIX, mas tendo ganhado esta
					denominação em 1824. Entre 1884 e 1885, a fibra <italic>rayon</italic> foi
					criada a partir da nitrocelulose pelo químico britânico Joseph Wilson Swan. Um
					produto de emprego efetivamente comercial só foi efetivado em 1889 pela
					indústria francesa Hilaire Bernigaud, com início de fabricação em 1891, ainda
					envolvendo processos caros e perigosos. Simultaneamente, em 1890, o francês
					Louis-Henri Despeissis patenteou outro método para fabricar fibra sintética a
					partir do cupramônio; em 1908, a empresa têxtil alemã J. P. Bemberg produziu
					industrialmente esta fibra, com o nome de seda Bemberg. Um terceiro método
					surgiu ainda em 1891, inventado por químicos britânicos, permitindo formar
					fibras de alta tenacidade industrializadas, após 1905, pela Samuel Courtauld
					&amp; Company, com o nome de Viscose. O sucesso da fibra de celulose se deve às
					propriedades elásticas e textura da fibra, que se assemelha às do algodão ou da
					seda. Ganhou emprego na fabricação de tecidos usados pela indústria do vestuário
					e, também, de borrachas, feltros, cordões e celofane. Encyclopaedia Britannica /
						<italic>Article History</italic>. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.britannica.com/technology/"
						>https://www.britannica.com/technology/</ext-link><italic><underline>rayon</underline></italic><underline>-textile-fibre</underline>.
					Acesso em: 14 maio 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>(15)</label>
				<p>Houve casas com nomes similares, em Paris, originários de romances populares como
						<italic>Le Bon Diable</italic> (sob Napoleão), <italic>Le Diable
						Boïteux</italic> e mesmo <italic>Au bon diable</italic> - esta última uma
					rede com lojas em Paris e diversas cidades francesas, igualmente voltada a
					vestuário masculino, tendo sido fundada em 1896 (posterior, portanto, à homônima
					brasileira) e encerrada em 2017 (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Boudet,
						2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbuy, 2006</xref>, p.
					221).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>(16)</label>
				<p>Folheto volante <italic>Au Bon Diable</italic>; sem origem; c/d 1900 Disponível
					em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://lista.mercadolivre.com.br/julio-bloch-so-paulo-propaganda-antiga_NoIndex_True"
						>https://lista.mercadolivre.com.br/julio-bloch-so-paulo-propaganda-antiga_NoIndex_True</ext-link>.
					Acesso em: 9 maio 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>(17)</label>
				<p>Correio Paulistano, editor-gerente: Joaquim Roberto de Azevedo Marques;
					escriptorio e typographia, Rua do Imperador, n. 10, São Paulo, 19 de nov. 1889,
					p. 4. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://memoria.bn.br/pdf/090972/per090972_1900_13093.pdf"
						>http://memoria.bn.br/pdf/090972/per090972_1900_13093.pdf</ext-link>. Acesso
					em: 15 maio 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>(18)</label>
				<p>Lojas que imitavam magazines europeus, no Brasil: Notre Dame de Paris, A
					Brazileira, O Barateiro, Casa Colombo, Casa Raunier e Parc Royal, no Rio de
					Janeiro; Casa Allemã e Mappin Stores, em São Paulo. Ofertavam tecidos,
					aviamentos e roupas prontas importadas, além de terem seções para casa e
					utilidades (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Prado et al., 2012</xref>, p.
					50).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>(19)</label>
				<p>Sobre Ao Preço Fixo, o nome “fazia referência ao moderno sistema de vendas por
					valores pré-fixados, inventado pelas grandes lojas estrangeiras da segunda
					metade do século XIX. Antes delas, nas pequenas butiques, tudo era extremamente
					personalizado: a entrada tinha que ser consentida pelo proprietário, sempre
					presente, e os preços eram convencionados entre as partes no momento das
					tratativas. Entrada livre e preço fixo representaram uma revolução nos métodos
					comerciais e foram associados à modernidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
						>Barbuy, 2006</xref>, p. 181).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>(20)</label>
				<p>Ver: Lojas Renner S.A. <italic>Histórico</italic>. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.lojasrennersa.com.br/pt_br/institucional/historico"
						>https://www.lojasrennersa.com.br/pt_br/institucional/historico</ext-link>.
					Acesso em: 4 abr. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>(21)</label>
				<p><italic>Hering - História.</italic> Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.ciahering.com.br/novo/pt/empresa/historia"
						>http://www.ciahering.com.br/novo/pt/empresa/historia</ext-link>. Acesso em:
					19 maio 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>(22)</label>
				<p>Alpargatas ou alpercatas são um tipo de sapato de origem árabe que chegou à
					Europa com a invasão da Península Ibérica e se tornaram conhecidas como sapato
					espanhol, feita originalmente com solado de crina de cavalos ou fibras vegetais,
					como o cânhamo (Cannabis sativa), o que predominou até por volta de 1830, quando
					foi introduzido o sisal, fibra originária do México, e a juta, originária do
					Japão (Alpargatas, 1987, p. 12, 13).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>(23)</label>
				<p>Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de
					1550 a 1988. 2. ed. rev. e atual do v. 3 de Séries estatísticas retrospectivas.
					Rio de Janeiro: IBGE, 1990. Os organizadores observam que: “A Diretoria Geral de
					Estatística [...] fez distribuir, em 1912, por intermédio de seus agentes
					fiscais, um questionário a todos os fabricantes de produtos tributados pelo
					Imposto de Consumo. Obtiveram-se dados relativos a 9.475 estabelecimentos
					distribuídos em todas as unidades da Federação” (idem, p. 327).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>(24)</label>
				<p>Obs.: São eles: Flávio Rabelo Versiani (Departamento de Economia/ Universidade de
					Brasília (UnB); Claudio Monteiro Considera (Diretoria de Pesquisas e Inquéritos
					(DPI/IBGE) e José Guilherme Almeida dos Reis (DPI/IBGE).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>(25)</label>
				<p><italic>Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e
						sociais de 1550 a 1988.</italic> 2. ed. rev. e atual do v. 3; Séries
					Estatísticas Retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE, 1990, p. 325.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>(26)</label>
				<p>Obs.: Antes tivemos o Censo Geral do Império (1872), primeiro da história do
					Brasil, que registrou 10 milhões de habitantes no país (15,24% dos quais
					escravizados); o de 1890, primeiro da República; seguido pelo de 1900 e o citado
					Censo de 1920 (Nota do autor). </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>(27)</label>
				<p>Cabe esclarecer o termo “toucador” utilizado na classificação do Censo de 1920: o
					dicionarista Caldas Aulete define “produtos de toucador” como sendo: “Pomadas,
					águas aromáticas, sabonetes perfumados e outros ingredientes próprios de
					toucador e usados com o fim de conservar a frescura e beleza da pele, a cor dos
					cabelos, dos dentes etc.” Atualmente, o IBGE mantém uma classificação abrangendo
					justamente os produtos da indústria cosmética e de perfumaria. Todavia, não foi
					com este significado que o termo foi utilizado no Censo de 1920 (e,
					posteriormente, no de 1940), mas em sua antiga acepção derivada de “touca” e
					“toucado”, que pode ser encontrada em dicionários do século XVIII e XIX, como em
					Bluteau, no qual toucador quer dizer: “Receptáculo dos instrumentos &amp;
					ornamentos com que se enfeita a mulher”; ou Moraes Silva: “Banca com os
					aparelhos de toucar a cabeça; a casa onde alguém touca a cabeça. Panno de atar a
					cabeça para conservar os cabelos com algum concerto quando se dorme”. Assim,
					entendemos “produtos de toucador”, neste caso, como sendo “acessórios de
					toalete”. É o que se depreende com a leitura do rol de subitens incluídos na
					classificação, explicitado no volume do Censo 1920: “VIII - Industrias do
					vestuario e toucador: 1 - Fabricação de chapéos de feltro; 2 - » » » panno e
					bonés; 3 - Fabricação de chapéos para senhoras; 4 - Fabricação de roupas para
					homens; 5 - Fabricação de camisas • roupas brancas; 6 - » » » colletes para
					senhoras; 7 - Fabricação de cintas, polainas, perneiras, pastas, bolsas e
					carteiras; 8 - Fabricação de gravatas; 9 - » » » flôres artificiaes e corôas; 10
					- Fabricação de chapéos de so1 e bengalas; 11 - Fabricação de calçados de couro;
					12 - » » » chine1los de trança; 13 - Fabricação de tamancos; 14 - » » » tecidos
					elásticos; 15 - » » » luvas; 16 - » » » pentes e botões; 17 -» » » de capas de
					borracha” (Aulete, 1995, p. 466; Bluteau, 1712/1728. p. 223; Silva, 1813, p.
					79).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>(28)</label>
				<p>Obs.: O IBGE informa sobre o Censo de 1930, ano da revolução que pôs fim à
					Primeira República e deu início à Era Vargas: “Dentro da periodicidade decenal
					dos censos brasileiros, prevista em lei, deveria realizar-se em 1930, por força
					do Decreto-lei n. 5.730, de 15 de outubro de 1929, o V Recenseamento Geral da
					população. Não obstante essa previsão, motivos, principalmente de ordem
					política, determinaram a sua não realização nesse ano”. Memória IBGE/Censos
					Demográficos. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/historico-dos-censos/censos-demograficos.html"
						>https://memoria.ibge.gov.br/historia-do-ibge/historico-dos-censos/censos-demograficos.html</ext-link>.
					Acesso em: 23 maio 2024.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>(29)</label>
				<p>A Fábrica Paulista de Roupas. Cine Modearte, n. 34, São Paulo, jan. 1929.
					Maleronka indica como endereço da fábrica a Rua 25 de março, em 1929; anúncio já
					de 1940 indica outros dois endereços: Av. São João, 243 e Rua XV de Novembro,
					184.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn30">
				<label>(30)</label>
				<p>Fábrica Paulista de Roupas Brancas; jornal <italic>A Tribuna</italic>, 12 abr.
					1931, p. 3. Disponível em Jornal Eletrônico Novo Milênio: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0350a1931.htm"
						>http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0350a1931.htm</ext-link>. Acesso em:
					3 de out. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn31">
				<label>(31)</label>
				<p>Jornal Tal escopo de produtos reflete um país marcado pela desigualdade social
					extrema, estruturado numa economia primário-exportadora, periférica e
					subordinada ao capitalismo europeu hegemônico. Não por outro motivo, as roupas
					seriadas voltadas à população mais abastada eram feitas com base em réplicas ou
					imitação de peças estrangeiras, inclusive com o uso de etiquetas falsas, de modo
					a satisfazer consumidores que se sentiam vinculados à cultura europeia. Não há
					registro, no período analisado, de políticas de governo que tivessem por
					objetivo estimular este segmento industrial específico, ou a valorização de
					estéticas nacionais nas vestimentas. Dom Quixote, n. 226, anno 5, Rio de
					Janeiro, 7 set. 1921, p. 6.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn32">
				<label>(32)</label>
				<p>Teve origem na Mappin&amp;Webb, loja voltada a cristais, prataria e artigos finos
					instalada em Sheffield, Inglaterra, em 1774, pelas famílias homônimas. Em fins
					do século XIX, o Mappin&amp;Webb abriu filial em Buenos Aires, Argentina; em
					1911, inaugurou loja na Rua do Ouvidor, 100, Rio de Janeiro, que resistiu até
					1960; no ano seguinte, 1912, abriu filial paulistana, na Rua 15 de Novembro, 26,
					sempre focando os produtos finos. A associação entre os ingleses da
					Mappin&amp;Webb com seus conterrâneos Henry Portlock e John Kitching levou à
					criação, em novembro de 1913, da Mappin Stores, primeira loja de departamentos
					do grupo, situada no mesmo endereço da Rua 15 de Novembro. Em 1919, se
					transferiu para prédio de três andares na confluência das ruas Direita, São
					Bento e Quitanda. Desde de o início teve seções de roupas prontas e chapéus
					femininos - importados da Europa -, além de oficina para ajuste de peças prontas
					vindas de Londres e Paris. Naquele prédio, foram realizados os primeiros
					desfiles de moda “com modelos vivos”, em 1926. Em 1929, o Mappin passou a vender
					pelo “crédito automático” e, em 1939, já com novos proprietários brasileiros, se
					transferiu para o edifício <italic>art déco</italic> de cinco andares que se
					tornou icônico da marca, na Praça Ramos de Azevedo, inaugurado com um desfile de
					moda no salão de chá do 4º andar, onde se manteve até o final, em 1999, quando
					fechou as portas já como uma loja popular conhecida pelas grandes liquidações
					(Nota do autor). </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other">
				<p><bold>JEL:</bold> L11, L67, N66, O14.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABREU, Alice R. de Paiva. <italic>O avesso da moda</italic> -
					Trabalho a domicílio na indústria de confecção. São Paulo: Hucitec,
					1986.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABREU</surname>
							<given-names>Alice R. de Paiva</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>O avesso da moda</italic> - Trabalho a domicílio na indústria de
						confecção</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Hucitec</publisher-name>
					<year>1986</year>
				</element-citation>
			</ref>
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				<mixed-citation>AMERICANO, Jorge. <italic>São Paulo naquele tempo:</italic>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMERICANO</surname>
							<given-names>Jorge.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>São Paulo naquele tempo:</italic> 1895-1915</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Edição Saraiva</publisher-name>
					<year>1957</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B3">
				<mixed-citation>ARRUDA, José Jobson de Andrade. O algodão brasileiro na época da
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				<element-citation publication-type="journal">
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					<volume>23</volume>
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					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>BANDEIRA</surname>
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					<source>Considerações sobre a crise financeira e o elemento servil</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
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					Acesso em: 19 maio 2023.</mixed-citation>
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