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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">estpsi</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Estudos de Psicologia (Campinas)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. psicol. (Campinas)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1982-0275</issn>
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				<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1982-02752017000100006</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00006</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>APRESENTAÇÃO</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Sentidos de tempo livre para trabalhadores <italic>offshore</italic></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Meanings of free time for offshore workers</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>MADERS</surname>
						<given-names>Tielly Rosado</given-names>
					</name>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>COUTINHO</surname>
						<given-names>Maria Chalfin</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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				<aff id="aff1">
					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. R. dos Laranjais, 249, Bairro Morro das Pedras, 88066-067, Florianópolis, SC, Brasil. </institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Psicologia</institution>
					<institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Psicologia</institution>
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						<named-content content-type="city">Florianópolis</named-content>
						<named-content content-type="state">SC</named-content>
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					<country country="BR">Brazil</country>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">Correspondência para/<italic>Correspondence to</italic>: T.R. MADERS. <italic>E-mail</italic>: &lt;<email>tiellypsi@gmail.com</email>&gt;.</corresp>
				<fn fn-type="con" id="fn1">
					<p>Colaboradores Em todas as etapas da construção do artigo, des-de a concepção e desenho, análise e interpretação dos dados e revisão do mesmo, houve contribuição de ambas as autoras.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2017</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>53</fpage>
			<lpage>62</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>10</day>
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					<year>2015</year>
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				<date date-type="rev-recd">
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				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>31</day>
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					<year>2016</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo apresenta resultados parciais da pesquisa que objetivou compreender quais os sentidos sobre tempo livre produzidos por trabalhadores <italic>offshore</italic> em seu cotidiano de trabalho. A pesquisa utilizou abordagem qualitativa, tendo como principal fonte de informação entrevistas compreensivas realizadas com trabalhadores de ambos os gêneros da Bacia de Campos/Rio de Janeiro. Foi possível consolidar dois eixos de análise: os tempos lá, relativos à vida dos trabalhadores quando estão embarcados nas plataformas de petróleo, e os tempos cá, referentes à sua vida em terra. Foram discutidos elementos substanciais acerca da vida cotidiana dos trabalhadores no período do embarque e as relações temporais concebidas em seu cotidiano de trabalho. Concluiu-se que as experiências temporais vivenciadas pelos trabalhadores <italic>offshore</italic> são intensas e pautadas na produção, enquanto os sentidos de tempo livre são de descanso e recuperação da força de trabalho.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p><italic>This article reports the partial results of a research that was aimed at understanding the meanings of free time attributed by offshore workers in their daily work. The qualitative approach was adopted for the research, which was carried out based on comprehensive interviews conducted with workers of</italic> Bacia de Campos <italic>(a coastal sedimentary basin of the Northern region of the state of</italic> Rio de Janeiro, <italic>Brazil). Two major aspects were analyzed: the time there, referring to the lives of workers while on board of offshore oil platforms and the time here, referring to their lives while on land. Substantial elements of the daily life of workers during their time on the platform and the temporal relationships established in their daily work were discussed. It was concluded that the temporal experiences of offshore workers are based on production, whereas free time means rest period and time to recover from the efforts and restore energy to continue the work.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Espaço e tempo</kwd>
				<kwd>Percepção do tempo</kwd>
				<kwd>Produção de sentidos</kwd>
				<kwd>Trabalho confinado</kwd>
				<kwd>Trabalho <italic>offshore</italic></kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title><bold>
 <italic>Keywords</italic>
</bold>: </title>
				<kwd>Space and time</kwd>
				<kwd>Time perception</kwd>
				<kwd>Production of meanings</kwd>
				<kwd>Confined work system</kwd>
				<kwd>Offshore work</kwd>
			</kwd-group>
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		</article-meta>
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	<body>
		<p>Este artigo apresenta resultados parciais da pesquisa de mestrado, a qual teve como objetivo compreender quais os sentidos sobre tempo livre produzidos por trabalhadores <italic>offshore</italic>, de ambos os gêneros, em seu cotidiano de trabalho. A pes-quisa situa-se no campo da Psicologia Social do Trabalho e discorre sobre a temática da produção de sentidos a partir do Construcionismo Social. Em tal abordagem, a realidade é compreendida como uma construção social, vivenciada por meio do inter-câmbio entre as pessoas que cotidianamente, ao conversarem, processam narrativas e produzem sentidos como forma de se situarem no mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Gergen, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pinheiro, 2004</xref>). </p>
		<p>Em acordo com a posição epistemológica construcionista, tanto o sujeito como o objeto são concebidos como &quot;construções sócio-históricas&quot; que precisam ser problematizadas e desnatura-lizadas (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Spink, 2010</xref>, p.55). A realidade não existe desanexada da maneira como as pessoas a com-preendem, pois as ações produzidas no cotidiano, no espaço/tempo do aqui e agora, constituem rela-ções sociais que são sempre historicamente datadas e culturalmente localizadas (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Berger &amp; Luckman, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Spink, 2010</xref>).</p>
		<p>A seguir, pontuam-se algumas configurações do trabalho <italic>offshore</italic> e expõem-se considerações sobre os tempos sociais na contemporaneidade. Após, apresentam-se o método e os resultados par-ciais da pesquisa, com enfoque nas temporalidades vividas pelos trabalhadores durante o período do embarque, os &quot;tempos lá&quot;.</p>
		<sec>
			<title>Trabalho <bold>
 <italic>offshore</italic>
</bold></title>
			<p>A expressão <italic>offshore</italic> é aplicada, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo (2012</xref>, p.19) &quot;às atividades de exploração e produção de petróleo em alto-mar&quot;. A exploração do petróleo, &quot;principal fonte de energia do século XX&quot;, ganhou destaque e relevância mundial à pro-porção que avançou a industrialização (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>, p.41). Atualmente o petróleo encontra-se difundido na sociedade devido ao alto consumo de seus derivados (óleo combustível, óleo diesel, asfalto, plástico, produtos de limpeza, entre outros), e sua indústria mobiliza um enorme contingente de trabalhadores ao redor do mundo. </p>
			<p>No contexto brasileiro, durante as décadas de 1980 e 1990, com a reestruturação produtiva e a introdução das tecnologias nas fábricas (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Antunes, 2013</xref>), observa-se o cenário da reestruturação pro-dutiva, marcado pelas políticas de ajuste neoliberal, com diversas mudanças: colocou o mercado como regulador da sociedade, desestruturou o Estado de Bem-Estar Social, abriu os mercados nacionais a fim de acirrar a competitividade entre as empresas, pri-vatizou as empresas estatais e flexibilizou a legis-lação trabalhista (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Antunes, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lapis, 2011</xref>). A Petrobras, após aprovação da Lei nº 9.478, abriu o mercado para o investimento do capital privado (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Barbosa, Borges, Cavalcanti, &amp; Portela, 2007</xref>), que-brando o monopólio sobre as atividades de &quot;explo-ração, produção, refino e transporte de petróleo, derivados e gás natural, possibilitando que empresas operadoras e prestadoras de serviços, sejam elas nacionais ou estrangeiras, viessem a competir com a empresa estatal em todos esses segmentos de atividades&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Furtado, 2003</xref>, p.8).</p>
			<p>Nesse cenário, ao longo dos anos 1990, a terceirização e precarização acentuaram-se no setor <italic>offshore</italic>, com destaque para a Bacia de Campos, RJ, principal região produtora do petróleo no Brasil, a qual contempla uma área em torno de 100 mil km², de Vitória/ES a Arraial do Cabo/RJ (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Clemente, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Ribeiro &amp; Sales, 2011</xref>). </p>
			<p>O regime de trabalho <italic>offshore</italic> é distinto do da maior parte da população, compreendendo um período de 14 dias em confinamento nas plata-formas marítimas e 21 dias em folga na terra para os trabalhadores concursados da Petrobras (chama-dos &quot;próprios&quot;), e 14 para os terceirizados (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Leite, 2009</xref>). Devido ao grande contingente de terceiri-zados, a jornada 14x14 é predominante, porém, há muitas variações; dependendo da empresa e/ou da função de cada trabalhador, &quot;um mergulhador chega a passar 28 dias confinado&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Maia, Gon-çalves, Celestino, &amp; Figueiredo, 2003</xref>, p.3).</p>
			<p>O ambiente de trabalho em uma unidade <italic>offshore</italic> implica alta periculosidade e insalubridade, pois há produtos químicos inflamáveis, riscos de incêndios, explosões, altos ruídos, calor extremo, ventilação inadequada, vazamentos de gases e vapores tóxicos (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">Maia et al., 2003</xref>). </p>
			<p>Durante os 14 dias seguidos de embarque, ao término da jornada de trabalho, os trabalhadores permanecem em seu local de trabalho, em confi-namento. Ao longo das 24 horas diárias, o trabalho se desenrola em dois turnos de revezamento. Os trabalhadores passam sete dias no turno da noite e os outros sete no turno do dia, revezando-se conti-nuamente (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alvarez, Figueiredo, &amp; Rotenberg, 2010</xref>). Ainda, &quot;a adaptação ao regime de turnos é sempre interrompida bruscamente pelo retorno ao ritmo doméstico e vice-versa&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Maia et al., 2003</xref>, p.3). No período de folga, os trabalhadores encontram--se de sobreaviso e ficam limitados aos espaços ofe-recidos pelas plataformas, os quais variam muito de uma para outra e podem contemplar camarotes, refeitório, sala de recreação, academia, etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Maia et al., 2003</xref>).</p>
			<p>Desse modo, pode-se afirmar que o regime de embarque desorganiza a vida social dos trabalha-dores, ao exacerbar a separação entre tempo/espa-ço de trabalho e vida privada/doméstica, fazendo com que ocorra uma interrupção/suspensão cons-tante entre os períodos de embarque e a vida em terra (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Barbosa et al., 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Sampaio, Borsoi, &amp; Ruiz, 1998</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Temporalidades contemporâneas</title>
			<p>A compreensão acerca do tempo é funda-mental para a organização do mundo social, já que é a partir da vivência temporal que é possível po-sicionar-se &quot;perante a vida e a finitude desta&quot;, en-quanto sujeito histórico e datado (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo &amp; Duque, 2012</xref>, p.7). </p>
			<p>Desde as épocas remotas a sociedade mediu o tempo para estabelecer suas mais diversas ativi-dades, os períodos ideais de colheita e plantio, assim como os períodos de celebração e festas (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>). Cada momento era dispendido para uma atividade específica. A compreensão do tempo era orientada por essas tarefas e era utilizada como uma importante ferramenta de organização social (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Cherman &amp; Vieira, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Le Goff, 1979</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>). Ao lon-go da história da sociedade capitalista, a construção do tempo afastou-se &quot;dos códigos estabelecidos na agricultura familiar&quot; e dos ritmos regidos pelo tempo da natureza, de modo que a compreensão acerca do tempo ganhou complexidade, pois o tem-po passou a imperar - nessas novas sociedades -, em um sentido de uso econômico (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>, p.100). </p>
			<p>O acesso geral às mais diversas tecnologias juntamente com as transformações em curso no mundo do trabalho (tecnológicas, gerenciais e in-formacionais) apresentam novas configurações nas formas de gerir o tempo de trabalho, podendo o tempo assumir diversos sentidos e envolver mais dimensões do que aquelas propostas &quot;no âmbito estrito do uso de instrumentos de medição, como relógio ou calendário&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo, 2012</xref>, p.10).</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo e Duque (2012</xref>), as configura-ções do tempo na contemporaneidade sinalizam disparidades entre as temporalidades exigidas no cotidiano e as temporalidades determinadas pelos vários sistemas sociais existentes. Isto é, a noção de um &quot;tempo mecânico, o tempo abstrato do relógio e outros instrumentos e formas de medição&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo &amp; Duque, 2012</xref>, p.7), utilizada pelas sociedades oci-dentais, entra em colapso quando as pessoas são, instantânea e simultaneamente, solicitadas para a resolução das mais diversas tarefas que perpassam a vida cotidiana, em que a própria separação entre o tempo/espaço de trabalho e o tempo/espaço de não trabalho, antes definidos e separados com cla-reza, se confundem (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo &amp; Duque, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Car-doso, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>).</p>
			<p>A partir dessas interações vivenciadas e/ou instituídas socialmente, as pessoas produzem uma pluralidade de sentidos de tempo, conforme os contextos culturais e sociopolíticos em que vivem, com implicações em todas as esferas da vida social, revelando a atualidade da presente investigação (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Araújo &amp; Duque, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>). </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B25">Morin, Ciurana e Motta (2007</xref>, p.19), &quot;ninguém pode basear um projeto de aprendizagem e conhecimento num saber defi-nitivamente verificado e edificado sobre a certeza&quot;. Sendo assim, o método foi compreendido como um caminho, no qual foi possível (re)aprender, refletir e criar a cada passo do percurso.</p>
			<p>O principal instrumento utilizado para le-vantar as informações foi a entrevista compreensiva, entendida como parte do processo de construção do objeto de estudo, e não apenas como uma técni-ca (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Zago, 2003</xref>). A entrevista compreensiva é um processo que necessita da proximidade entre o pes-quisador e o informante e, por não ter uma estrutura rígida, possibilita uma fala livre ao pesquisado, am-pliando vários aspectos não abordados no roteiro (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Zago, 2003</xref>).</p>
			<p>As primeiras aproximações com o campo da pesquisa iniciaram ainda na etapa de construção do projeto, em que foram realizadas viagens fre-quentes ao Rio de Janeiro, região que comporta grande número de operações <italic>offshore</italic>. Ao longo da fase exploratória foram realizadas sete entrevistas com funcionários de empresas do ramo <italic>offshore</italic>, dirigentes sindicais e trabalhadores, com intuito de ampliar a compressão dessa realidade e aprimorar as perspectivas do campo de pesquisa; tais entre-vistas foram consideradas complementares. A partir dos contatos e indicações levantadas, Macaé (cidade onde embarcam os trabalhadores da Bacia de Cam-pos) revelou-se como um campo possível para a realização da pesquisa, de forma que todas as entre-vistas da pesquisa foram realizadas em diferentes locais desta cidade.</p>
			<p>Na cidade de Macaé, a pesquisadora entrou em contato com trabalhadores que, no momento das observações de campo, se encontravam no Sin-dicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, no Sindicato dos Trabalhadores <italic>Offshore</italic> do Brasil ou no aeroporto da cidade, onde aguardavam o próxi-mo embarque. Após os esclarecimentos sobre os objetivos da pesquisa e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foram realizadas as entrevistas, gravadas em áudio e com duração entre 35min e 1h40min. Nos Sindicatos foi cedida uma sala para a realização das mesmas, e no aero-porto as entrevistas foram realizadas nas salas de embarque.</p>
			<p>Foi realizado um total de dez entrevistas. Para efetivar a análise em profundidade foram utili-zados os seguintes critérios de diversidade: terceiri-zados e concursados da Petrobras; homens e mulhe-res; menor e maior tempo de embarque; e variedade de funções (cargos). </p>
			<p>A partir de tais critérios, foram selecionadas seis entrevistas para serem analisadas em profun-didade. Três dos entrevistados eram terceirizados: Walter (bombeiro, torrista, plataformista e auxiliar de plataforma, com 17 anos de embarque), Gustavo (engenheiro mecânico coordenador de equipes, com 2 anos de embarque) e Marília (nutricionista e comissária de bordo, com 3 anos de embarque); e outros três eram concursados da Petrobras: Patrícia (operadora de produção, com 10 anos de embar-que), Tiago (auxiliar administrativo, com 10 anos de embarque) e Rafael (inspetor de ultrassom, com 33 anos de embarque). As demais entrevistas tam-bém foram consideradas complementares. Cabe ressaltar que todos os nomes dos entrevistados são fictícios.</p>
			<p>O procedimento de análise do material ini-ciou-se com uma imersão no conjunto de infor-mações levantadas, &quot;procurando deixar aflorar os sentidos, sem encapsular os dados em categorias, classificações ou tematizações definidas <italic>a priori</italic>&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Spink &amp; Lima, 2004</xref>, p.83). A organização e a aná-lise do material foram baseadas na análise temática de narrativas, a qual busca investigar principalmente qual conteúdo a narrativa comunica (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Riessman, 2008</xref>). As narrativas foram organizadas em temá-ticas e articuladas com as proposições teóricas, refle-tindo o problema de pesquisa e os objetivos espe-cíficos, conforme apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Riessman (2008)</xref>. </p>
			<p>Foi possível consolidar dois eixos de análise, os quais abarcaram os &quot;tempos lá&quot;, os aspectos que compreendem a vida dos trabalhadores quando estão embarcados nas plataformas de petróleo, e &quot;os tempos cá&quot;, os aspectos que compreendem suas vidas em terra. A seguir, apresentam-se alguns resultados e discussões referentes ao período em que os trabalhadores estão embarcados, os &quot;tem-pos lá&quot;. </p>
			<p>O projeto de pesquisa foi submetido e apro-vado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade na qual se inserem as autoras, respeitando os parâmetros éticos vigentes na época, de acordo com a Resolução nº 196/96, a qual:</p>
			<disp-quote>
				<p>Incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, referenciais da bioética, tais como, autonomia, não maleficência, benefi-cência, justiça e equidade, dentre outros, e visa a assegurar os direitos e deveres que dizem respeito aos participantes da pesquisa, à comunidade científica e ao Estado (Brasil, 2012, p.1).</p>
			</disp-quote>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<p>Para compreender as percepções dos tra-balhadores sobre o tempo, é necessário conhecer o cotidiano de trabalho <italic>offshore</italic>, uma vez que o cotidiano é o lugar/base material onde as pessoas constroem suas experiências sociais e produzem sentidos (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Berger &amp; Luckman, 2004</xref>).</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B22">Leite (2009</xref>), estar confinado é estar <italic>off</italic> da vida social. A condição de isolamento social e confinamento durante os 14 dias ininterruptos de trabalho, no mesmo local, ocasiona uma não divisão entre o espaço/tempo laboral e o pessoal/privado (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lociser (1995</xref>), em es-tudo com trabalhadores confinados, pondera que o efeito totalizante pode acontecer em condições de confinamento e periculosidade, em que o tra-balhador é submetido por um longo período a um regime de trabalho em que há grande controle, normatização e pressão da gerência. Para <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lociser (1995</xref>, p.79), &quot;este efeito provocava uma forte tendência a 'instituir o total' no sentido de interferir na totalidade da vida do trabalhador (inclusive no período de folga)&quot;. Uma maneira encontrada para enfrentar o confinamento, conforme relatam as en-trevistas, foi tentar separar os momentos do tra-balho embarcado da vida pessoal em terra, como evidenciado na fala de um trabalhador: </p>
			<disp-quote>
				<p><italic>A pessoa vai embarcar e tem que focar no trabalho, se não você fica doido, só quer descer</italic> [da plataforma], <italic>tudo te irrita. Foi uma forma que eu achei, assim</italic>: <italic>embarcou, você muda o botão, né? Como se pudesse fazer</italic> [risos]. <italic>Trabalho, só trabalho. Quando desce, troca de novo o botão, em terra é em terra, desliga do trabalho, é família</italic> (Tiago).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo (2012</xref>), a maioria dos tra-balhadores atua em regime de doze horas de tra-balho e doze horas de folga, sendo que, na primeira semana, cumprem-se as horas no turno diurno e, na segunda, no turno noturno, gerando mais um fator de estresse apontado pela entrevistada Marília: &quot;... <italic>pior pra mim por causa da cama, travesseiro diferente, e balanço, balança bastante, ficava enjoada no começo, depois o labirinto acostuma, né? Mas aí você troca de turno e aí, ah, já viu, né? Tudo de novo</italic>&quot;. Alguns trabalhadores ainda estão submetidos ao sobreaviso, e suas jornadas podem exceder o período de 12 horas &quot;por conta das de-mandas vinculadas à sua atividade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>, p.182).</p>
			<p>Os horários e as atividades variam de acordo com as atividades/funções específicas de cada cargo e, ainda, de empresa para empresa. No caso dos trabalhadores entrevistados, pôde-se constatar que quatro apresentaram uma escala de turnos fixa, cada uma com suas especificidades, relacionadas às funções exercidas, conforme ilustrado a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Meu turno é de doze horas de trabalho, é das sete da manhã às dezenove e das sete da noite às sete da manhã. E tem alguém que me substitui a bordo, né? Meu back</italic> [expressão do entrevistado] ... (Gustavo).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p><italic>Eu acho assim, eu trabalho das seis às dezoito, mas lá tem vários turnos, tem de seis às dezoito, dezoito às seis, de meio-dia a meia-noite, de meia-noite a meio-dia, são quatro turnos diferentes. Mas por eu ser comissária eu não tenho back, né?... . Então acaba se estendendo minha jornada, eu trabalho demais, eu não tenho nem tempo de pensar muita coisa. Ah, e eu estou presa lá, é muito trabalho, muito trabalho</italic> (Marília).</p>
			</disp-quote>
			<p>Em relação à expressão &quot;<italic>back</italic>&quot; utilizada por Marília e Gustavo, esta designa os colegas que substituem seu posto de trabalho no outro turno, no mesmo embarque.</p>
			<p>Já em relação aos outros dois entrevistados, eles atuam em regime diverso do estipulado em seus contratos de trabalho - no caso de Rafael, o regime de 14x14 e, no caso de Tiago, 14x21:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Hoje minha jornada não é mais 14x21, mas pra empresa eu continuo 14x21, mas nem sempre é assim, é meio que, vamos dizer assim, não é formalizado. Às vezes eu fico fazendo coisas no escritório e não embarco tanto</italic> (Tiago).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p><italic>Lá, às vezes, dependendo da necessidade da plataforma, sua jornada de trabalho co-meça normalmente seis, sete da manhã, né? Precisou, eu vou. Dois, três dias, cinco dias. É difícil ficar porque a diária do inspetor é muito alta. Então eu sou a pessoa mal vista financeiramente</italic> [risos]. <italic>Apesar de ser 14x21, na realidade não é assim não</italic> (Rafael).</p>
			</disp-quote>
			<p>Apesar de os trabalhadores atuarem nos seus regimes formais de trabalho, observa-se que todos os entrevistados relataram já terem sido chamados pela empresa, muitas vezes, em caráter &quot;emergen-cial&quot;, logo após terem desembarcado, o que confi-gura o regime de sobreaviso. A ilustração a seguir expressa o que acontece com muitos trabalhadores <italic>offshore</italic>. Rafael foi entrevistado no aeroporto, algu-mas horas antes de embarcar novamente:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Tanto em terra quanto no trabalho, você passa a ser dono só do seu corpo, sabe? Você não pode estar doente, tem que estar cumprindo horário, tem limitações, fica dependendo sempre do serviço, você nunca pode fazer o que quer. Eu vejo os colegas aí, às vezes, querendo fazer curso e tudo mais, um projeto de vida. Mas como? Tem que se afastar, ficar sempre de sobreaviso. Eu mesmo desembarquei anteontem, foi an-teontem? É, eu tive que fazer um treina-mento na empresa, e nesse mesmo dia, foi ontem, eu vim pra cá, me chamaram e vou embarcar de novo. Sempre assim, precisou, eu vou</italic> (Rafael).</p>
			</disp-quote>
			<p>O &quot;efeito totalizante&quot; é acentuado pelos longos turnos, pelo descanso insuficiente e inter-rompido, pela troca de turnos e, ainda, pelos em-barques sucessivos e pelo regime de sobreaviso (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>):</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Ah, bem estressante, é bem estressante, é muito diferente o</italic> estresse <italic>que a gente tem quando sabe que a gente tá confinado... . Tudo é muito intenso. Assim, todo mundo fala que quem embarca fica doido, porque as sensações lá</italic> [na plataforma] <italic>que a gente tem são tudo mais a flor da pele... se eu tivesse em terra é uma coisa, lá é gravíssimo, é uma ofensa, mas eu acho que é pela jornada de trabalho, né? É pelo estresse de estar confinado, de não ter lazer, de não ter nada</italic> (Marília).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo (2012</xref>), cria-se um deslo-camento social com repercussões nas relações com a família, amigos, vizinhos, parentes, o que afeta o convívio social e a vida afetiva dos embarcados, fazendo com que compreendam suas vidas de maneira dicotômica e exacerbada (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Leite, 2009</xref>). Tais fatores são acentuados quando se trata dos terceiri-zados, pois seu tempo de folga é significativamente menor quando comparado aos trabalhadores pró-prios, fazendo com que sintam com maior frequên-cia e intensidade os aspectos dos embarques suces-sivos e do regime do confinamento, como se obser-va no relato de Gustavo:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Ou curte muito esse regime de trabalho, ou detesta, não quer mais trabalhar dessa for-ma, se sente preso lá. Porque o trabalho</italic> offshore<italic>, você tem duas formas gritantes de trabalhar. Ou você se vê como preso, numa prisão durante seis meses do ano; ou você se vê livre durante seis meses do ano. Você pode enxergar de duas formas, é muito oito ou oitenta, né? ... .</italic></p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse cenário, o trabalho <italic>offshore</italic> se confi-gura como um contexto de trabalho produtor de sofrimento e, em decorrência, os trabalhadores atribuem ao tempo um sentido de perdido, e ao trabalho o sentido de penosidade. O trabalho pe-noso &quot;diz respeito aos contextos de trabalho gera-dores de incômodo, esforço e sofrimento físico e mental, sentido como demasiados, sobre os quais o trabalhador não tem controle&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Sato, 1993</xref>, p.197). </p>
			<p>Mesmo no tempo livre do trabalho, as ações nas plataformas são realizadas dentro de regras de conduta específicas e em espaços compartilhados e vigiados pela gerência (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>). Para <xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco (2012</xref>), o capitalismo, enquanto um sistema de controle de tempo, &quot;se empenha em imprimir maior velocidade aos ritmos de trabalho, conco-mitantemente ao desenvolvimento das tecnologias&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>, p.101). Em seu processo de trabalho, os trabalhadores <italic>offshore</italic> vivenciam um tempo calcado na rotatividade, orientado pela normali-zação de regras e procedimentos, pelo controle a partir de normas de disciplina, pelas máquinas e pela tecnologia, sendo muito veloz o tempo que marca as tarefas (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro &amp; Vinagre, 2009</xref>). </p>
			<p>Assim, para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro e Vinagre (2009</xref>), os tra-balhadores <italic>offshore</italic> concebem o tempo de forma paralela, pois, além da condição de confinamento e do acelerado processo de produção, todo o tempo de embarque é percebido com uma intensidade &quot;avassaladora&quot;, de maneira &quot;pesada&quot;, ou seja, os trabalhadores atribuem ao tempo em que se encon-tram embarcados um sentido dedicado totalmente ao trabalho, desvinculados que se sentem do tempo da família, do tempo dos amigos, do tempo do lazer e de quaisquer outros tempos e atividades sociais externas às plataformas marítimas (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro &amp; Vina-gre, 2009</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro e Vinagre (2009</xref>) apontam que o sen-tido do tempo se apresenta como um elemento estressante para os trabalhadores embarcados. As horas no embarque são marcadas &quot;como um peso, um fardo... o tempo não é newtoniano, objetivo e constante&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro e Vinagre, 2009</xref>, p.5), não se encontra nos ponteiros do relógio. Essa questão foi apontada pelos autores em uma pesquisa realizada com trabalhadores <italic>offshore</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p>O petroleiro sabe que seu tempo de trabalho efetivo, seu descanso, a quantidade de tra-balhos realizados e o tempo de duração de cada atividade são criteriosamente aferidos. Assim sendo, é interessante perceber em sua fala que, quando ele se refere ao &quot;tempo real&quot; indica, na mesma frase, um outro tem-po, percebido em termos bem coercitivos - &quot;o tempo todo&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Castro &amp; Vinagre, 2009</xref>, p.6).</p>
			</disp-quote>
			<p>Dessa forma, todo o período de embarque é marcado por sentimentos de ansiedade, estresse, cansaço, peso e prisão, e o tempo livre é um tempo destinado à reposição de forças para o trabalho. Todos os entrevistados apontaram um sentido co-mum: um tempo destinado à reposição física e ao descanso, como se pode observar no relato de Walter: &quot;<italic>Meu tempo livre é o quê? Você tem que descansar. Tem que dormir, né? Pra recuperar o que você perdeu</italic>&quot;. Ou também no relato de Tiago: &quot;<italic>São doze horas, né? Que você tem folga. Não tem muita opção</italic>... . <italic>E aí você toma banho, descansa e já dorme</italic>&quot;. Ou ainda, como vemos na fala de Marília: &quot;<italic>Não tem muito lazer não, a gente sempre tá can-sado, é mais pra descansar mesmo</italic>&quot;.</p>
			<p>Apesar de alguns entrevistados utilizarem alguns espaços das plataformas no tempo liberado do trabalho, a maioria utiliza esse tempo para descansar. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B4">Aquino e Martins (2007</xref>, p.485), o tempo livre do trabalho configura-se como &quot;um tempo voltado para atividades de reposição física e mental&quot;, ou seja, de recuperação para voltar ao trabalho.</p>
			<p>Em geral, os espaços oferecidos nas plata-formas fora do expediente do trabalho são se-melhantes para a maioria das pessoas entrevistadas, a saber: sala de televisão e/ou cinema, sala de jo-gos, academia, piscina, salas de computadores com internet Wi-Fi e sala de leitura. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo (2012</xref>), a maioria das plataformas oferece esses espaços. Algumas apresentam, ainda, uma estrutura diferenciada, com quadra de futebol, sala de jogos - incluindo videogames, mesas de pingue-pongue e sauna (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo, 2012</xref>, p.203). Porém, como visto acima, a maioria dos trabalhadores entre-vistados não ocupa esses espaços, pois ao final da jornada estão sempre exaustos.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">Coelho e Paparelli (2010</xref>) observam que as vivências dos trabalhadores <italic>offshore</italic> são muito peculiares, assim como sua compreensão acerca do tempo. É uma relação espaço-tempo diferente da-quela que é compartilhada socialmente, ou seja, a intensidade e o ciclo de embarques geram uma noção temporal singular, como se observa no relato de Gustavo: </p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Essa segunda etapa embarcado [referindo--se à segunda semana do embarque], de 15, 15, 15, 15, me dá muita ansiedade, me deixa muito acelerado, eu estou sempre contando tempo, estou sempre, sempre, sempre con-tando. Quando eu estou a bordo, eu estou contando tempo pra descer, quando eu che-go aqui [em terra] eu estou contando meu tempo... de folga pra aproveitar. Então, eu fico muito ansioso, muito agitado, muito, pra mim é ruim, eu estou sempre, sempre contando tempo, sabe?</italic></p>
			</disp-quote>
			<p>Considerando a assimetria de tempos de tra-balho e folga, acentuada no caso dos trabalhadores terceirizados, que se desenvolvem com velocidades distintas, considera-se por fim que os trabalhadores <italic>offshore</italic> vivem outro tempo - um tempo regres-sivo -, conforme apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Figueiredo (2012</xref>, p.195) como o &quot;tempo da ampulheta&quot;:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>O tempo a bordo é regressivo, né?</italic> [risos]. <italic>A gente conta assim, o tempo a bordo fun-ciona de trás pra frente em vez de frente pra trás</italic> [risos]. <italic>Geralmente a gente se encontra no navio e fala</italic>: <italic>&quot;E aí, faltam quan-tos dias?&quot; &quot;E aí, tá há quanto tempo aí?&quot; &quot;Ah, faltam cinco pra desembarcar&quot; &quot;Ah, desembarco amanhã&quot; &quot;Pô, beleza, tá bem hein, vai desembarcar amanhã, não sei o que&quot;</italic> [risos] <italic>rola até uma zoação</italic> [risos]<italic>. Tá pra desembarcar, o outro tá lá gorando &quot;Iiiih, o voo não vem&quot; &quot;Iiiih esse mau tempo aí, né?&quot; &quot;Vi a previsão do tempo, vai chover pra cacete&quot;</italic> [risos] <italic>&quot;Não vai ter voo&quot;. Geral-mente é falado direto com quem vai desem-barcar, então, por isso que eu falo assim: o tempo é regressivo. A gente tá sempre contando pra descer</italic> (Gustavo).</p>
			</disp-quote>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Neste artigo foram apresentados recortes de uma pesquisa que objetivou compreender e analisar as narrativas produzidas sobre o tempo livre no coti-diano de trabalho de petroleiros <italic>offshore</italic> da Bacia de Campos, RJ. Por meio da análise das narrativas dos sujeitos, foi possível compreender diversos aspectos que compõem suas vidas cotidianas nas plataformas de petróleo em alto-mar. </p>
			<p>A configuração do regime <italic>offshore</italic> revelou--se como um contexto de trabalho adoecedor, caracterizado por um expediente de 12 horas exaus-tivas de trabalho, com turnos de revezamento e estado de sobreaviso, distância da família e da vida em terra como um todo, convívio prolongado com os colegas de trabalho, falta de privacidade e difi-culdades de adaptação ao trabalho noturno e ao sono, sentimentos de ansiedade e estresse extre-mos e constantes, acentuados pelo confinamento e pelos sucessivos embarques/desembarques, os quais rompem bruscamente os vínculos sociais e desorganizam os pensamentos, sentimentos e a vida cotidiana dos trabalhadores.</p>
			<p>Tais aspectos reiteram a necessidade de se problematizarem as condições em que se desenrola o trabalho <italic>offshore</italic>, em busca de &quot;mudanças estru-turais e organizacionais do mercado de trabalho e das empresas&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Seligmann, Bernardo, Maeno, &amp; Kato, 2010</xref>, p.189), como a equiparação dos di-reitos, remuneração, jornada e benefícios dos tra-balhadores terceirizados aos dos trabalhadores próprios. </p>
			<p>As narrativas dos entrevistados em relação ao tempo dedicado ao trabalho revelam sentidos associados ao trabalho pesado e penoso. O desgaste decorrente da permanência num ambiente de alto risco, em regime de turnos e sobreaviso, somado à intensificação da velocidade da produção, é acen-tuado pela vivência do confinamento e implica &quot;des-gaste para sua saúde física, podendo também le-var a um desgaste mental&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Coutinho, Diogo, &amp; Joaquim, 2011</xref>, p.232).</p>
			<p>Em relação às atividades realizadas nas plata-formas, foi possível identificar similaridades nas narrativas. Todos os trabalhadores disseram utilizar as horas livres para reposição e descanso, com ativi-dades de alimentação, higiene e repouso. Todos também argumentaram que o tempo liberado do trabalho é muito curto. Assim, estar embarcado é estar todo tempo focado no trabalho. Tempo livre embarcado é tempo de descanso.</p>
			<p>Os discursos dos trabalhadores entrevistados revelam o quanto o tempo de trabalho se estende e invade os tempos liberados do trabalho na plata-forma. Essas experiências temporais pautadas na produção reiteram o quanto os tempos sociais con-temporâneos se configuram como &quot;objetivação econômica e como forma social de dominação&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cardoso, 2007</xref>, p.29), fazendo com que o trabalha-dor, cada vez mais, se esvazie do seu próprio tempo. A cultura temporal contemporânea é caracterizada pelo ritmo acelerado de relações que as pessoas constroem entre si, com as coisas e com os lugares. A existência de uma pluralidade de tempos sociais, acentuada pela inovação tecnológica, acaba por invadir e sobre determinar todo e qualquer tempo social (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Venco, 2012</xref>).</p>
			<p>Num momento em que há um grande aumento do contingente de trabalhadores <italic>offshore</italic> no Brasil e no mundo, principalmente com a desco-berta recente do pré-sal em territórios brasileiros, ressalta-se a necessidade de pesquisas que inves-tiguem esse contexto de trabalho e ofereçam resul-tados consistentes para a melhora efetiva das con-dições laborais e para uma possível reestruturação da jornada 14x14, uma vez que a terceirização, caracterizada pela precariedade e pelos acidentes de trabalho, cresce demasiadamente nesse setor. </p>
			<p>Por fim, a pesquisa em Psicologia com base no Construcionismo Social pode utilizar a narrativa como forma de dar conta de uma realidade tomada como uma construção social (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bruschi &amp; Guareschi, 2007</xref>). Assim, a narrativa foi uma alternativa utili-zada para, por meio de palavras, re-narrar a reali-dade dos trabalhadores <italic>offshore</italic> e realçar que as experiências vividas cotidianamente nas plataformas são construções sociais específicas contemporâneas, próprias de uma sociedade capitalista voltada para o trabalho.</p>
		</sec>
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	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
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				<p>Artigo elaborado a partir da dissertação de T.R. MADERS, intitulada &quot;Trabalho e temporalidades: sentidos produzidos por petroleiros <italic>offshore</italic>&quot;. Universidade Federal de Santa Catarina, 2014.</p>
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