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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">pusf</journal-id>
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				<journal-title>Psico-USF</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psico-USF</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1413-8271</issn>
			<issn pub-type="epub">2175-3563</issn>
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				<publisher-name>Universidade de São Francisco, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1413-82712018230112</article-id>
         <article-id pub-id-type="publisher-id">00013</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>Escala de Necessidade de Pertença: Evidências de Qualidade Psicométrica</article-title>
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					<trans-title>Need to Belong Scale: Evidences of Psychometric Quality</trans-title>
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					<trans-title>Necesidad de Pertenecer: Evidencias de Calidad Psicométrica</trans-title>
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						<given-names>Gabriel Lins</given-names>
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						<surname>Gouveia</surname>
						<given-names>Valdiney V.</given-names>
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						<surname>Nunes da Fonsêca</surname>
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						<surname>Vilar</surname>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Cardiff University, País de Gales</institution>
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				<label>2</label>
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				<label>3</label>
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				<email>patynfonseca@gmail.com</email>
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				<label>4</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil</institution>
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				<label>5</label>
				<institution content-type="original">Massey University, Nova Zelândia</institution>
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				<email>roosevelt.vilar@gmail.com</email>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">Contato com os autores: Gabriel Coelho School of Psychology Tower Building. 70 Park Place, Cardiff (United Kingdom). CF10 3AT</corresp>
				<fn fn-type="other" id="fn2">
					<p><bold>Gabriel Lins de Holanda Coelho</bold> é mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é doutorando em Psicologia pela <italic>Cardiff University</italic>, País de Gales. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia social dos valores humanos, relacionamentos interpessoais e construção e adaptação de medidas. <italic>E-mail:</italic> linshc@gmail.com</p>
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				<fn fn-type="other" id="fn3">
					<p><bold>Valdiney V. Gouveia</bold> é professor titular de Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba (http://vvgouveia.net) e pesquisador nível 1A do CNPq, atuando como consultor de agências nacionais e internacionais de fomento à pesquisa. É autor de diversas publicações, como o livro “Teoria Funcionalista dos Valores Humanos: Fundamentos, Aplicações e Perspectivas”, teoria a qual desenvolveu e tem se dedicado em suas pesquisas. <italic>E-mail:</italic> vvgouveia@gmail.com</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn4">
					<p><bold>Patrícia Nunes da Fonsêca</bold> é doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e bacharel em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa (PB). Atualmente, é professora da graduação em Psicopedagogia e pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba. <italic>E-mail:</italic> patynfonseca@gmail.com</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<p><bold>Rafaella de Carvalho Rodrigues Araújo</bold> é doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e doutoranda em Psicologia na mesma instituição. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia social dos valores humanos e personalidade. <italic>E-mail:</italic> rafaellacra@gmail.com </p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<p><bold>Roosevelt Vilar</bold> é mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e, atualmente, é doutorando em Psicologia na <italic>Massey University</italic>, Nova Zelândia. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia social dos valores humanos e relações transculturais. <italic>E-mail:</italic> roosevelt.vilar@gmail.com</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date pub-type="epub">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2018</year>
			</pub-date>
			<volume>23</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>139</fpage>
			<lpage>150</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>29</day>
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					<year>2016</year>
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				<date date-type="accepted">
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					<year>2017</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A necessidade de pertença representa uma motivação do ser humano para estabelecer relacionamentos intensos e duradouros, sendo isso um importante aspecto para a manutenção do bem-estar e saúde mental destes. Considerando a relevância desse construto, busca-se validar a escala de Necessidade de Pertença (ENP) para o contexto brasileiro em três estudos (<italic>N</italic> = 642). O primeiro e segundo estudos objetivaram apresentar a estrutura fatorial da presente medida por meio de análise fatorial exploratória e confirmatória, os quais confirmaram a solução unifatorial esperada (<italic>CFI</italic> = 0,96) com a eliminação de três itens da versão original. Já o terceiro estudo buscou apresentar evidências de validade convergente da ENP, tendo confirmado a significativa associação desse construto com medidas de natureza similar (e.g., solidão emocional). Conclui-se que os objetivos foram alcançados e que a medida apresenta-se psicometricamente adequada para uso no Brasil.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The need to belong represents a motivation of the human being to establish intense and long-term relationships, and it is an important aspect for the maintenance of people’s well-being and mental health. Considering the relevance of this construct, we sought to validate the Need to Belong Scale (NBS) for the Brazilian context in three studies (N = 642). The first and second studies aimed to present the factorial structure of this measure through exploratory and confirmatory factor analysis, which confirmed the expected single-factor solution (CFI = 0.96) with the elimination of three items from the original version. The third study sought to present evidence of convergent validity of the NBS, confirming the significant association of this construct with measures of a similar nature (e. g., emotional loneliness). In conclusion, this measure showed to be psychometrically adequate for use in Brazil.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>La necesidad de pertenencia representa una motivación del ser humano para establecer relaciones intensas y duraderas, siendo esto, fundamental para mantener el bienestar y la salud mental de las personas. Considerando la pertinencia de este constructo, se busca validar la Escala de Necesidad de Pertenencia (ENP) para el contexto brasileño a través de tres estudios (N = 642). El primer y segundo estudio presentan la estructura factorial de esta medida a través de análisis factorial exploratorio y confirmatorio, confirmando la estructura unifactorial esperada (CFI = 0,96), con la eliminación de tres ítems de la versión original. El tercer estudio trató de presentar evidencias de validez convergente de la ENP, confirmando la asociación significativa de este constructo con medidas de naturaleza similar (e.g. soledad emocional). Conclusión, los objetivos fueron alcanzados y la medida ha demostrado ser psicométricamente adecuada para su uso en Brasil.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>necessidade de pertença</kwd>
				<kwd>medida</kwd>
				<kwd>validação</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>need to belong</kwd>
				<kwd>measure</kwd>
				<kwd>validation</kwd>
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				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>necesidad de pertenencia</kwd>
				<kwd>medida</kwd>
				<kwd>validación</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O cotidiano do ser humano é repleto de interações sociais, sendo isso um aspecto essencial para o bem-estar (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Helliwel, Huang, &amp; Wang, 2014</xref>) e saúde mental (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Poortinga, 2012</xref>) das pessoas. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B3">Baumeister e Leary (1995</xref>), essa necessidade de relacionar-se constitui uma motivação fundamental na natureza humana, que visa o estabelecimento de relações profundas e duradouras. Para satisfazer essas necessidades, tais autores sugerem como caminho a interação frequente de círculos de pessoas próximas e um contexto de atenção mútua para o bem-estar do outro. Eles ainda acrescentam que os círculos de convivência precisam ser estáveis, ou seja, se houver trocas frequentes das pessoas que formam o círculo de convivência ou se a frequência das interações for escassa, a necessidade de pertencimento não será satisfeita.</p>
			<p>De maneira geral, a necessidade de pertencimento está estreitamente ligada ao comportamento humano. Como exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pickett, Gardner e Knowles (2004</xref>) encontraram que as pessoas que apresentam alta pontuação em necessidade de pertença tendem a ser mais sensíveis em perceber as emoções das pessoas que estão ao seu redor. Além disso, tais indivíduos também são mais predispostos à colaboração (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Cremer &amp; Leonaedelli, 2003</xref>) e a expressar gratidão (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Mackenzie, 2015</xref>), que são aspectos fundamentais para a vida em sociedade.</p>
			<p>Por outro lado, estudos também têm apontado que a não satisfação de tais necessidades parece estar relacionada a efeitos negativos nos comportamentos, emoções e pensamentos das pessoas. Nessa direção, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Mellor, Stokes, Firth, Hayashi e Cummins (2008</xref>) observaram uma correlação positiva entre a necessidade de pertencer e sentimentos de solidão, e <xref ref-type="bibr" rid="B37">Vanderhorst e McLaren (2005</xref>) encontraram uma associação significativa entre baixo suporte social e maiores níveis de depressão ou ideação suicida. Em pesquisa com indivíduos que apresentavam graves sintomas de depressão, <xref ref-type="bibr" rid="B36">Steger e Kashdan (2009</xref>) também observaram que pessoas depressivas apresentam um maior nível de satisfação e sentido sobre a vida quando suas necessidades de pertença são satisfeitas. Esses achados reforçam a importância das relações afetivas para a saúde mental e o bem-estar das pessoas.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gangadharbatla (2008</xref>), a discussão sobre a necessidade de pertença pode ser ampliada também para o contexto virtual. Segundo esses autores, a necessidade de pertencer apresenta efeitos positivos nas atitudes frente a redes sociais, além de manifestar-se como alternativa para adesão e participação nelas. Tal achado aponta a utilização das redes sociais como caminho alternativo para as pessoas manterem a frequência de contato com os seus círculos de amizade. <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boyd e Ellison (2007</xref>) reforçam esse funcionamento das redes sociais, mostrando que as pessoas tendem a utilizar essa tecnologia, não para ampliar o número de interações que têm, mas principalmente para manter as relações existentes.</p>
			<p>Desse modo, uma vez que estudos têm apontado para uma motivação subjacente para relacionar-se e que a satisfação dessa motivação tem demonstrado ser um fator preponderante para a saúde mental dos indivíduos, mais estudos nessa área são demandados. No Brasil, especificamente, por ser um contexto com medidas escassas para mensurar esse fenômeno psicológico, a adaptação da escala de necessidade de pertença contribuirá para a pesquisa no cenário nacional e, quiçá, para a prática clínica. Para preencher essa lacuna, apresenta-se no presente estudo evidências dos parâmetros psicométricos da Escala de Necessidade de Pertença, que será mais bem detalhada a seguir.</p>
			<sec>
				<title><bold>Escala de Necessidade de Pertença (ENP) (<italic>Need to Belong Scale</italic>)</bold></title>
				<p>Muitos estudos têm sido desenvolvidos ao longo das últimas décadas, visando observar as tendências sociais dos indivíduos. Contudo, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Leary, Kelly, Cottrell, &amp; Schreindorfer (2013</xref>) apontam que essas pesquisas focavam em fenômenos (e.g., extroversão, sociabilidade, afiliação), que não capturavam a verdadeira motivação que leva o indivíduo a vivenciar a necessidade de pertencer, que é o estabelecimento de relacionamentos profundos e duradouros. Desse modo, a Escala de Necessidade de Pertença (ENP) foi desenvolvida, tendo sua primeira versão (23 itens) sido elaborada por Schreindorfer e Leary (1996). Entretanto, por meio de análises exploratória e confirmatória, reduziu-se o número para 10 itens, que buscam avaliar em que medida os indivíduos desejam ser aceitos por outros e pertencer a diferentes grupos. Quanto à confiabilidade do instrumento (alfa de Cronbach, α), diferentes estudos demonstraram resultados próximos ou acima de 0,80 (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Kelly, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Mellor, Stokes, Firth, Hayashi, &amp; Cummins 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pickett, Gardner, &amp; Knowles, 2004</xref>), satisfatórios para objetivos de pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kline, 2013</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Leary, Kelly, Cottrell e Schreindorfer (2013</xref>) também conduziram diversos estudos objetivando fornecer validade de construto para o instrumento. Para tanto, observou-se correlações significativas com diferentes fenômenos, dentre os quais se destacam os resultados com traços de personalidade. A ENP correlacionou-se com três, dos cinco grandes fatores: extroversão (<italic>r</italic> = 0,16, <italic>p</italic> &lt; 0,05), amabilidade (<italic>r</italic> = 0,22, <italic>p</italic> &lt; 0,05) e neuroticismo (<italic>r</italic> = 0,41, <italic>p</italic> &lt; 0,01). Quanto à extroversão e amabilidade, essa relação pode ser explicada devido ao fato de indivíduos com maior necessidade de pertencer tenderem a ser mais amigáveis e abertos, visando uma maior aprovação dos outros e aumentando suas chances de serem aceitos socialmente. No que se refere ao neuroticismo, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Leary, Koch e Hechenbleikner (2001</xref>) pontuam que uma possível explicação para essa relação pode ser atribuída ao fato de que indivíduos com escores elevados em necessidade de pertença muitas vezes se sentem inadequadamente aceitos, experienciando emoções negativas (e.g., solidão, raiva). Pessoas que são mais preocupadas com a aceitação e rejeição social comumente sentem-se mais ansiosas ou agressivas quando suas necessidades de pertença não são satisfeitas (Leary, Twenge, &amp; Quinlivan, 2006).</p>
				<p>Muitas pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos anos utilizando a ENP junto a outros construtos relacionados ao desejo por contato social proveram resultados significativos e importantes para o estudo desse fenômeno (e.g., <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gangadharbatla, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Leary et al., 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Mellor et al., 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pickett et al., 2004</xref>). Além disso, essas pesquisas demonstraram a confiabilidade do instrumento (α &gt; .70, <italic>CFI</italic> &gt; .90) e possibilidade de seu uso em diferentes áreas e contextos. Isso posto, sabendo da importância do estudo da necessidade de pertença, e visando ampliar as possibilidades de pesquisa no que tange aos relacionamentos interpessoais, objetivou-se analisar as propriedades psicométricas do instrumento no contexto brasileiro e seus correlatos, por meio de três estudos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Princípios Éticos</title>
				<p>Os estudos a seguir respeitaram o preconizado pela APA sobre a ética em pesquisas (<xref ref-type="bibr" rid="B1"><italic>American Psychological Association</italic>, 2010</xref>). Os participantes foram instruídos sobre os estudos, garantindo-lhes o anonimato e o seu caráter voluntário, sendo possível desistir sem causar-lhes qualquer prejuízo. Além disso, os participantes tiveram o acompanhamento de pesquisadores devidamente treinados em caso de dúvidas a respeito dos instrumentos ou do estudo. Aos que responderam <italic>on-line</italic>, os correios eletrônicos dos pesquisadores foram disponibilizados para contato. O projeto foi aprovado por um comitê de ética em pesquisa com seres humanos (CAAE: 57408016.0.0000.5188).</p>
				<p>Estudo 1. Estrutura Fatorial da ENP no Brasil</p>
				<p>O primeiro estudo objetivou averiguar a estrutura unifatorial do instrumento no contexto brasileiro, por meio de uma análise fatorial exploratória. Ademais, também, testou-se o instrumento quanto a sua confiabilidade.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Participantes</title>
				<p>Contou-se com uma amostra de conveniência de 225 indivíduos, com média de idade de 23,3 (<italic>DP</italic> = 5,69), sendo a maioria do sexo feminino (65,3%), solteira (84%), com ensino superior incompleto (55,6%) e se autodeclarando da classe média (84,4%).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Instrumentos</title>
				<p>Os participantes responderam a um caderno de pesquisa contendo diferentes instrumentos. Como o propósito deste estudo é fornecer as propriedades psicométricas da ENP, descreve-se unicamente o instrumento e o questionário demográfico, para fins de caracterização da amostra.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title><bold>Escala de Necessidade de Pertença (</bold><xref ref-type="bibr" rid="B21">Leary et al., 2013</xref><bold>;</bold><xref ref-type="bibr" rid="B33">Schreindorfer &amp; Leary, 1996</xref><bold>)</bold></title>
				<p>Instrumento desenvolvido para avaliar a necessidade das pessoas em estabelecerem relacionamentos e pertencerem a determinado grupo. Compreende uma medida unifatorial, reunindo dez itens (e.g., “Não gosto de estar sozinho”, “Quero que outras pessoas me aceitem”<italic>.</italic>), os quais são respondidos em escala de cinco pontos, variando de 1 (<italic>Nada</italic>) a 5 (<italic>Extremamente</italic>). O instrumento foi traduzido para o português por meio do método <italic>backtranslation</italic>, onde um pesquisador bilíngue traduz para o português e o outro retraduz para o inglês.</p>
				<p><italic>Questionário demográfico</italic>. Foram realizadas perguntas com intenção de caracterização da amostra, como sexo, idade, estado civil, escolaridade e classe social.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimento</title>
			</sec>
			<sec>
				<title>Coleta de Dados</title>
				<p>Foram realizadas coletas presenciais e <italic>on-line</italic>. A primeira foi realizada com estudantes universitários, de forma individual, em ambiente de sala de aula. Primeiramente, os participantes receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para atestar a concordância com a pesquisa. Também foram instruídos, por pesquisadores devidamente treinados, a respeito dos objetivos do estudo, da possibilidade de desistir sem acarretar em ônus e todos os aspectos éticos da pesquisa. Na coleta <italic>on-line</italic>, disponibilizou-se um endereço eletrônico por meio de redes sociais, no qual os participantes puderam acessar a pesquisa e respondê-la. No endereço, também havia informações a respeito dos aspectos éticos da pesquisa, bem como <italic>e-mail</italic> para contato com os pesquisadores responsáveis, em caso de dúvidas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Análise de Dados</title>
				<p>Os dados foram tabulados no <italic>software</italic> estatístico SPSS, versão 22, onde também foram calculadas estatísticas descritivas, testes <italic>t</italic> de Student (poder discriminativo dos itens) e alfa de Cronbach (confiabilidade do instrumento). Empregou-se o <italic>software</italic> Factor, versão 10 (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Lorenzo-Seva &amp; Ferrando, 2013</xref>), para definição do número de fatores, utilizando-se o método Hull (Lorenzo-Seva, Timmerman, &amp; Kiers, 2011), e sua extração, usando-se <italic>Minimum Rank Factor Analysis</italic> (MRFA).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Primeiramente, testou-se o poder discriminativo dos itens do instrumento, a fim de observar se estes discriminam participantes com magnitudes próximas ao traço latente. Para isso, retirou-se a mediana da soma de todos os itens (28) e, com base nesta, dividiu-se a amostra em grupo superior e inferior. Logo após, realizaram-se testes <italic>t</italic> de Student para cada um dos itens. Os itens 03 [<italic>t</italic>(219,86) = -0,73; <italic>p</italic> = 0,47] e 07 [<italic>t</italic>(222) = -53; <italic>p</italic> = 0,60] não alcançaram o valor esperado. Entretanto, optou-se pela inclusão desses itens nas análises seguintes, com o intuito de observar como se comportariam em análises mais robustas.</p>
			<p>Satisfeitos os parâmetros necessários para realização de uma análise fatorial exploratória (Kaiser-Meyer-Olkim, KMO = 0,81; Teste de Esfericidade de Bartlett, x<sup>²</sup> (45) = 472,26, <italic>p</italic> &lt; 0,001), procedeu-se com o método Hull, que é reconhecido na literatura como um dos mais confiáveis métodos para retenção do número de fatores (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Lorenzo-Seva et al., 2011</xref>). Sendo assim, obteve-se a estrutura unifatorial esperada. Definindo-se |0,30| como ponto de corte recomendado (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Hair, Black, Babin, &amp; Anderson, 2015</xref>), deu-se procedimento à extração de fatores (MRFA). Os resultados podem ser observados na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title><italic>Estrutura Fatorial do Question</italic>ário de Necessidade de Pertença</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Itens</th>
								<th align="center">Componente</th>
								<th align="center">h²</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">09. Incomoda-me muito não estar incluído nos planos de outras pessoas.</td>
								<td align="center">0,75*</td>
								<td align="center">0,84</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">10. Meus sentimentos são facilmente feridos quando sinto que os outros não me aceitam.</td>
								<td align="center">0,72*</td>
								<td align="center">0,66</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">05. Quero que outras pessoas me aceitem.</td>
								<td align="center">0,72*</td>
								<td align="center">0,75</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">08. Tenho uma forte necessidade de pertencer a algum grupo.</td>
								<td align="center">0,63*</td>
								<td align="center">0,47</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">04. Necessito sentir que têm pessoas com quem eu possa me dirigir em momentos de necessidade.</td>
								<td align="center">0,61*</td>
								<td align="center">0,54</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">06. Não gosto de estar sozinho.</td>
								<td align="center">0,56*</td>
								<td align="center">0,60</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">02. Tento fortemente não fazer coisas que vão fazer outras pessoas me evitarem ou rejeitarem.</td>
								<td align="center">0,49*</td>
								<td align="center">0,32</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">03. Raramente me preocupo se outras pessoas se preocupam comigo. (R)</td>
								<td align="center">-0,13</td>
								<td align="center">0,27</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">07. Ficar longe dos meus amigos por longos períodos de tempo não me incomoda. (R)</td>
								<td align="center">-0,12</td>
								<td align="center">0,25</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">01. Se outras pessoas não me aceitam, não me sinto incomodado. (R)</td>
								<td align="center">0,08</td>
								<td align="center">0,31</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Número de itens</td>
								<td align="center">10</td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Valores próprios</td>
								<td align="center">2,98</td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Variância explicada</td>
								<td align="center">59,43%</td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p><italic>Nota</italic>. h² = comunalidades; * Cargas fatoriais satisfatórias; (R) Itens reversos.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Três dos itens apresentaram saturação abaixo do ponto de corte estabelecido. Desse modo, decidiu-se avaliar como o instrumento se comportaria com a exclusão desses itens em uma nova análise exploratória. Utilizando-se apenas sete itens, observou-se valor próprio de 2,92 e variância de 72,98%. Quanto à confiabilidade do instrumento, o alfa de Cronbach (α) apresentou resultado de 0,81 e a correlação inter-item foi de 0,38.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão Parcial</title>
			<p>O presente estudo buscou conhecer como a Escala de Necessidade de Pertença se comporta no contexto brasileiro. Por meio de uma análise fatorial exploratória, reproduziu-se a estrutura unifatorial desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B33">Schreindorfer e Leary (1996</xref>). Contudo, os achados deste estudo indicaram que os três itens reversos do instrumento apresentaram saturações abaixo do ponto de corte recomendado pela literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Hair et al., 2015</xref>). Pesquisas têm demonstrado que itens que contêm valência oposta têm apresentado parâmetros psicométricos insatisfatórios quando inseridos em instrumentos gerais\unifatoriais (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bond et al., 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Credé, Chernyshenko, Bagraim, &amp; Sully, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Schweizer &amp; Rauch, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Spector, Van Katwyk, Brannicj, &amp; Chen, 1997</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B32">Schmitt e Stults (1985</xref>) ressaltam que o aparecimento de um novo fator já é provável quando apenas 10% dos participantes respondem de forma diferente a itens que apresentam conteúdo negativo. Esses resultados também foram replicados por <xref ref-type="bibr" rid="B39">Woods (2006</xref>), em análises fatoriais confirmatórias. Contudo, em virtude do caráter exploratório das análises realizadas e buscando observar como esses três itens em questão se comportariam em uma análise mais robusta, optou-se pela aplicação da versão completa do instrumento no segundo estudo. Neste, buscou-se acessar as qualidades psicométricas da ENP por meio de análise fatorial confirmatória, que será descrita a seguir.</p>
			<p>Estudo 2. Confirmação da Estrutura da Escala de Necessidade de Pertença</p>
			<p>Decidiu-se submeter o instrumento a análise fatorial confirmatória com o intuito de comprovar a estrutura unifatorial sugerida no estudo anterior, bem como testar a invariância fatorial da medida quanto ao gênero dos participantes. Para este estudo, manteve-se todos os itens da escala original.</p>
			<sec>
				<title>Participantes</title>
				<p>Participaram 185 indivíduos, com idade média de 28,4 (<italic>DP</italic> = 7,06), sendo a maioria do sexo feminino (60,5%), solteira (64,9%), com ensino superior incompleto (45,4%) e autodeclarando-se de classe média (82,2%).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Instrumentos</title>
				<p>Devido ao propósito deste estudo, utilizou-se os mesmos instrumentos previamente descritos no Estudo 1.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimento</title>
			</sec>
			<sec>
				<title>Coleta de Dados</title>
				<p>Tal como o estudo anterior, nesta oportunidade, utilizou-se os recursos digitais e lápis e papel para a coleta de dados.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Análise de Dados</title>
				<p>Utilizou-se o <italic>software</italic> estatístico AMOS, versão 22, onde foi realizada análise fatorial confirmatória (AFC), empregando-se o método <italic>Maximum Likelihood</italic>. Foram considerados os seguintes índices: <italic>χ</italic> 
 <sup>2</sup>
 <italic>/gl Comparative Fit Index</italic> (CFI), <italic>Tucker-Lewis Coefficient</italic> (TLI), <italic>Root Mean Square Error Approximation</italic> (RMSEA) e <italic>Pclose</italic>, com base nos valores recomendados pela literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Byrne, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hair et al., 2015</xref>). Além da AFC, também, realizou-se uma análise fatorial confirmatória multigrupo (AFCMG), para testar a invariância do instrumento quanto ao gênero dos participantes.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Com o objetivo de confirmar a estrutura fatorial encontrada previamente, testou-se a estrutura fatorial dos 10 itens da ENP por meio de análise fatorial confirmatória. Como esperado, os itens de valência oposta não apresentaram peso suficiente no modelo (λ &lt; 0,30). Ademais, esses itens também apresentaram baixa variância (r<sup>2</sup>) explicativa da variável latente (Item 01 = 0,053; Item 03 = 0,003; e Item 07 = 0,001) em comparação aos outros itens da medida (&gt; 0,23), além de alta variância residual (Item 01 = 0,947; Item 03 = 0,997; e Item 07 = 0,999). Sendo assim, optou-se pela exclusão destes do instrumento.</p>
			<p>Dando prosseguimento, os indicadores de ajuste do modelo forneceram os seguintes resultados para a estrutura unifatorial com sete itens: <italic>χ</italic> 
 <sup>2</sup>
 <italic>/df</italic> = 2,28, CFI = 0,96, TLI = 0,93, RMSEA = 0,08 (90% <italic>CI</italic> = 0,028-0,209), Pclose = 0,072. Como observado, todos os índices apresentaram valores satisfatórios. Ademais, todos os lambdas da medida foram estatisticamente diferentes de zero (z ≠ 0; z &gt; 1,96, <italic>p</italic> &lt; 0,05), variando de 0,41 (Item 01) a 0,82 (Item 06). A estrutura final pode ser observada na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Estrutura fatorial da Escala de Necessidade de Pertença.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2175-3563-pusf-23-01-139-gf1.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Em seguida, testou-se a invariância do instrumento quanto ao gênero dos participantes por meio de uma AFCMG. Considerou-se o Δ <italic>χ</italic>
 <sup>2</sup> e ΔRMSEA, os quais devem ser, respectivamente, não significativos e menores que 0,015 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Damásio, 2013</xref>). Os resultados encontrados atestam a invariância do instrumento, como pode ser observado na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title><italic>Invariância Fatorial do Instrumento quanto ao G</italic>ênero</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="t2.jpg"/>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Modelo</th>
								<th align="center">χ²(<italic>gl</italic>) </th>
								<th align="center">Δχ²(<italic>gl</italic>) </th>
								<th align="center">RMSEA</th>
								<th align="center">ΔRMSEA</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Invariância configural</td>
								<td align="center">55,575 (28)</td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center">0,075</td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Invariância métrica</td>
								<td align="center">59,492 (34)</td>
								<td align="center">3,917 (6)</td>
								<td align="center">0,066</td>
								<td align="center">0,009</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Invariância estrutural</td>
								<td align="center">59,507 (35)</td>
								<td align="center">0,015 (1)</td>
								<td align="center">0,064</td>
								<td align="center">0,002</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Invariância residual</td>
								<td align="center">61,591 (52)</td>
								<td align="center">2,084 (17)</td>
								<td align="center">0,052</td>
								<td align="center">0,012</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Por fim, verificou-se novamente a consistência interna do instrumento por meio do alfa de Cronbach. Mais uma vez, os resultados demonstram uma confiabilidade satisfatória para a escala (α = 0,83).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão Parcial</title>
			<p>Este estudo objetivou fornecer evidências mais robustas quanto à estrutura da ENP no contexto brasileiro. Primeiramente, optou-se por testar o instrumento com todos os seus dez itens. Contudo, os resultados apontaram que, assim como na análise fatorial exploratória, os três itens com valência oposta apresentaram resultados insatisfatórios. Estes não apresentaram peso suficiente no modelo, baixo poder de explicação e alta variância residual. Tais resultados demonstram que esses itens não seriam relevantes em uma constituição final do instrumento, sendo pouco informativos para o traço latente mensurado e apresentando alta variação externa ao item. Sendo assim, optou-se por excluí-los das análises posteriores. Repetindo-se a AFC, dessa vez com sete itens, foi possível atestar índices satisfatórios quanto a sua unifatorabilidade, corroborando-se a estrutura sugerida pelos autores do instrumento (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Schreindorfer &amp; Leary, 1996</xref>).</p>
			<p>Uma vez que eventuais diferenças podem fazer com que o instrumento não funcione adequadamente para diferentes grupos, optou-se por averiguar a invariância do instrumento em relação ao gênero dos participantes, com os resultados encontrados confirmando a invariância fatorial em todos os níveis do modelo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Damásio, 2013</xref>), indicando que a qualidade da medida independe do gênero dos respondentes. Ademais, assim como no primeiro estudo, a escala apresentou nível de confiabilidade acima do recomendado pela literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kline, 2013</xref>).</p>
			<p>Tendo a ENP apresentado qualidades psicométricas consistentes por meio de análises fatoriais exploratória e confirmatória, decidiu-se testar também o instrumento quanto a sua validade convergente. Desse modo, em virtude de fornecer evidências robustas, no que se refere à qualidade da presente medida para utilização no contexto brasileiro, delineou-se um terceiro estudo com foco nos seus correlatos.</p>
			<p>Estudo 3. Correlatos da Escala de Necessidade de Pertença</p>
			<p>Nesse último estudo, objetivou-se fornecer evidências quanto a validade convergente do instrumento, correlacionando-o com outros construtos. Para tal, contou-se com itens de personalidade, valores humanos e solidão que, por representarem diferentes níveis de estabilidade temporal, contribuem para um melhor entendimento acerca da ENP.</p>
			<sec>
				<title>Participantes</title>
				<p>Contou-se com uma amostra de conveniência de 232 indivíduos, com idade média de 26,3 (<italic>DP</italic> = 7,06), sendo a maioria do sexo feminino (54,3%), com ensino superior incompleto (40,5%) e autodeclarando-se de classe média (83,5%).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Instrumentos</title>
				<p>Além da versão com sete itens da ENP e do questionário demográfico, considerou-se os seguintes instrumentos:</p>
				<p><italic>Inventário dos Cinco Grandes Fatores</italic> (ICGF). Proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B17">John, Donahue e Kentle (1991</xref>) com 44 itens, foi adaptado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade (2008</xref>) para o Brasil. Entretanto, neste estudo, foi utilizada uma versão com 20 itens, como sugerido por <xref ref-type="bibr" rid="B31">Schmitt, Allik, McCrae e Benet-Martínez (2007</xref>). No instrumento, o indivíduo deve indicar o quão ele se percebe em relação a determinadas sentenças (e.g., “É conversador, comunicativo”, “É sociável, extrovertido”.) em uma escala de cinco pontos, variando de 1 (<italic>Discordo Totalmente</italic>) a 5 (<italic>Concordo totalmente</italic>). Apresentou alfa de 0,81 neste estudo.</p>
				<p><italic>Escala de Solidão de De</italic><xref ref-type="bibr" rid="B18"><italic>Jong Gierveld</italic>. Escala desenvolvida por Jong-Gierveld e Tilburg (2006</xref>) e adaptada ao Brasil por Coelho, Fonseca, Gouveia, Wolf e Vilar (<italic>no prelo</italic>), visando avaliar duas dimensões da solidão: emocional (e.g., “Sinto falta de ter pessoas ao meu redor”, “Sinto-me rejeitado frequentemente”) e social (e.g., “Há pessoas o suficiente a quem me sinto próximo”, “Há muitas pessoas com quem eu posso contar quando tenho problemas”.). É respondida em uma escala de cinco pontos, variando de 1 (<italic>Discordo totalmente)</italic> a 5 (<italic>Concordo totalmente</italic>). Neste estudo, apresentou alfa de 0,72.</p>
				<p><italic>Questionário dos Valores Básicos (QVB).</italic> Desenvolvido por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Gouveia (2003</xref>, 2013), compreende 18 valores com descrições breves (e.g., “Apoio social. Obter ajuda quando a necessite”, “sentir que não está só no mundo”, “Convivência. Conviver diariamente com os vizinhos”, “fazer parte de algum grupo, como social ou esportivo”.), divididos igualmente em seis subfunções valorativas. Dados os fins deste estudo, focou-se apenas na subfunção interativa. O instrumento é respondido em uma escala de 7 pontos, variando de 1 (<italic>Totalmente não importante</italic>) a 7 (<italic>Extremamente importante</italic>). Neste estudo, apresentou alfa de 0,83.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Procedimento</title>
			</sec>
			<sec>
				<title>Coleta de Dados</title>
				<p>Este estudo foi conduzido exclusivamente <italic>on-line</italic>, sendo divulgado por meio das redes sociais. O endereço eletrônico continha todas as informações quanto aos aspectos éticos da pesquisa, bem como um <italic>e-mail</italic> para contato em caso de dúvidas a respeito de como proceder com a pesquisa.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Análise de Dados</title>
				<p>Utilizou-se os <italic>softwares</italic> estatísticos SPSS, versão 22, no qual foram realizadas correlações <italic>r</italic> de Pearson, regressão múltipla e análise de confiabilidade.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Para fornecer evidências quanto à validade convergente do instrumento, correlacionou-se a ENP com diferentes construtos. Quanto aos fatores de personalidade, observou-se correlação positiva e significativa com o fator neuroticismo (<italic>r</italic> = 0,27, <italic>p</italic> &lt; 0,01). Já quanto à solidão, a ENP correlacionou-se positivamente com o fator emocional (<italic>r</italic> = 0,42, <italic>p</italic> &lt; 0,01). Por fim, no que se refere aos valores humanos, a ENP se correlacionou significativamente com a subfunção interativa (<italic>r</italic> = 0,48, <italic>p</italic> &lt; 0,01).</p>
			<p>Posteriormente, para conhecer se os diferentes preditores considerados neste estudo explicam a ENP de maneira conjunta, optou-se pela realização de uma análise de regressão múltipla, método enter, controlando-se o efeito das variáveis que apresentaram correlação significativa com a ENP. As seguintes variáveis apresentaram resultados significativos: interativa (β = 0,46, <italic>p</italic> &lt; 0,01) e solidão emocional (β = 0,40, <italic>p</italic> &lt; 0,01). Esses preditores explicaram conjuntamente 39% da variância total.</p>
			<p>Por fim, optou-se por testar novamente a confiabilidade do instrumento. Assim como nos outros estudos, obteve-se resultado satisfatório (α = 0,84).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão Parcial</title>
			<p>Para fornecer evidências adicionais quanto à validade da ENP, resolveu-se correlacioná-la com outros construtos, como personalidade, valores humanos e solidão, que apesar de apresentarem contribuições prévias para o entendimento de relacionamentos interpessoais, diferenciam-se quanto à estabilidade temporal, à função e à natureza do construto (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gouveia, 2013</xref>). No que tange a personalidade, variável de maior resistência devido à natureza disposicional da medida e de um componente genético mais determinante (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Penke, Denissen, &amp; Miller, 2007</xref>), a única correlação significativa foi com neuroticismo, traço que apresentou maior correlação nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Leary et al. (2013</xref>). Essa relação pode ser explicada pelo fato de indivíduos que experienciam alta necessidade de pertencer por vezes não se sentirem adequadamente aceitos pelos seus pares, desenvolvendo assim comportamentos e sentimentos negativos (e.g., agressividade, ansiedade, solidão; Leary et al., 2006; Leary et al., 2001).</p>
			<p>Dada a incerteza de aceitação dos pares em relação ao indivíduo, pessoas que apresentam altos escores de neuroticismo podem apresentar certo grau de insegurança a respeito dos seus relacionamentos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Leary et al., 2013</xref>). Os autores citam que essa busca por aceitação seria uma forma desses indivíduos lidarem com os seus sentimentos negativos. Apesar do resultado na correlação, é relevante pontuar que o traço não apresentou resultado significativo quando inserido no modelo de regressão junto a outras variáveis.</p>
			<p>Essa possibilidade de desenvolvimento de sentimentos negativos também ajuda a explicar a correlação da ENP com a solidão emocional. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B38">Weiss (1973</xref>), esse tipo de solidão ocorre quando há uma falta de relacionamentos mais íntimos na vida do indivíduo (e.g., melhor amigo, família, parceiro romântico), incidindo comumente após separações ou perdas. Sendo assim, o indivíduo acaba experienciando um forte sentimento de vazio ou abandono, o que ajudaria a explicar a correlação significativa entre as variáveis e a inclusão no modelo explicativo da necessidade de pertencer. Uma vez que estabelecer relacionamentos é uma motivação fundamental na natureza humana (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Baumeister &amp; Leary, 1995</xref>), a falta destes geraria um aumento na necessidade de constituir laços mais íntimos.</p>
			<p>No que se refere aos valores humanos, estes também se apresentaram importantes para a explicação da ENP. Trata-se de um construto que transcende situações específicas, é estável transculturalmente e tem a função de guiar e representar as necessidades dos indivíduos. (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gouveia, 2013</xref>). No presente estudo, observou-se correlação significativa com a subfunção interativa dos valores humanos. Dita subfunção consiste em um construto com forte componente cultural, que representa cognitivamente a maneira como as pessoas se comportam, com foco específico na interação interpessoal (Gouveia, Milfont, Vione, &amp; Santos, 2015). Desse modo, por ter um motivador fundamentado nas necessidades humanitárias, um tipo de orientação social e por representar cognitivamente as necessidades de amor, afeto e afiliação (Gouveia, 2013), essa subfunção pode ser considerada um dos principais explicadores da necessidade de pertença. Nessa direção, os achados do presente estudo justificam a forte correlação dessa subfunção com a ENP e o poder de explicação observado em regressão múltipla.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>O estabelecimento de relacionamentos é fundamental no desenvolvimento dos indivíduos (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Baumeister &amp; Leary, 1995</xref>), sendo um dos indicadores mais importantes do bem-estar pessoal (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Jong-Gierveld &amp; Tilburg, 2006</xref>). Baumeister e Leary (1995) citam que a privação no desenvolvimento e manutenção de relacionamentos pode levar indivíduos a apresentarem alterações nos seus comportamentos, emoções e pensamentos. Consequentemente, essas alterações afetam a qualidade de vida e bem estar deles, levando-os a vivenciar situações prejudiciais, como sentimentos de solidão e insatisfação (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Mellor et al., 2008</xref>), depressão e ideação suicida (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vanderhorst &amp; McLaren, 2005</xref>), entre outros. Sendo assim, sabendo da relevância do construto para o estudo dos relacionamentos interpessoais e sua importância para o bem-estar dos indivíduos, objetivou-se, por meio de três estudos, testar os parâmetros psicométricos da ENP no contexto brasileiro, bem como apresentar evidências de sua confiabilidade e validade convergente.</p>
			<p>O primeiro estudo objetivou averiguar como a medida se comportaria em ambiente brasileiro. Para tanto, realizou-se análise fatorial exploratória, encontrando a mesma estrutura unifatorial proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B33">Schreindorfer e Leary (1996</xref>). Contudo, os três itens que apresenta valência oposta aos demais apresentaram saturações insatisfatórias. Dentre estes, dois também não conseguiram diferenciar participantes com magnitudes próximas no traço latente. Pesquisas têm demostrado que itens negativos têm apresentado limitações quando inseridos em instrumentos gerais\unifatoriais, sendo um problema do ponto de vista psicométrico (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bond et al., 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Credé et al., 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Schweizer &amp; Rauch, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Spector et al., 1997</xref>).</p>
			<p>Para o segundo estudo, optou-se pela manutenção desses itens na realização da análise fatorial confirmatória, uma vez que esta é mais robusta que a análise fatorial exploratória. Com o instrumento completo, entretanto, mais uma vez os itens em questão apresentaram resultados insatisfatórios. Esses não apresentaram peso suficiente no modelo, baixo poder de explicação e alta variância residual em comparação com os outros itens do instrumento. Tais resultados atestam que a exclusão desses itens não acarreta em perda para o instrumento. Sendo assim, confia-se que a estrutura com sete itens é a mais adequada para continuidade das análises. Prosseguindo com essa estrutura, realizou-se uma nova análise fatorial confirmatória com todos os índices apresentando níveis satisfatórios (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Byrne, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hair et a., 2015</xref>), na análise fatorial confirmatória.</p>
			<p>Ainda no segundo estudo, uma vez que houve redução quanto ao número de itens do instrumento, optou-se pela averiguação da sua invariância fatorial quanto ao gênero dos participantes. Tal análise ajuda a constatar se a medida está se comportando de maneira similar quanto a diferentes grupos. Nesse caso, a medida comportou-se de maneira adequada, mostrando que sua robustez independe de gênero.</p>
			<p>Por fim, o terceiro estudo reuniu evidências quanto à convergência da ENP, correlacionando o instrumento significativamente com outros construtos, como personalidade, valores humanos e solidão. Também se observou o poder explicativo das variáveis que apresentaram correlação com a ENP, sendo o fator de solidão emocional e a subfunção interativa dos valores humanos os preditores significativos. Se há falta de relacionamentos mais íntimos na vida de um indivíduo, é plausível imaginar que este apresentaria uma maior necessidade de pertencer, uma vez que os relacionamentos constituem uma motivação humana (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Baumeister &amp; Leary, 1995</xref>). Indo na mesma direção, a subfunção interativa tem foco na interação interpessoal, representando cognitivamente as necessidades de amor, afeto e afiliação (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Gouveia et al., 2015</xref>). Tais definições auxiliam no entendimento do relacionamento das variáveis.</p>
			<p>Nos três estudos, também se procurou testar a confiabilidade do instrumento por meio do alfa de Cronbach, apresentando resultados satisfatórios em todos (α &gt; 0,81). Desse modo, reunindo-se todas as evidências presentes nos três estudos desenvolvidos, atesta-se a possibilidade de utilização da ENP em ambiente brasileiro.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Contudo, apesar dos resultados terem demonstrado a qualidade do instrumento e sua possibilidade de aplicação, faz-se necessário o levantamento de potenciais limitações no desenvolvimento desta pesquisa. Destaca-se que as amostras utilizadas não foram probabilísticas, o que restringe os resultados encontrados. Também se pontua a possibilidade de limitação advinda da desejabilidade social, viés de resposta associado à medida de autorrelato.</p>
			<p>Ademais, sabendo da importância da necessidade de pertença para o estudo dos relacionamentos interpessoais, sugere-se o desenvolvimento de novos estudos, provendo assim mais evidências para o construto e auxiliando no seu entendimento. Tais estudos podem focar nas diferenças culturais existentes quanto à necessidade de pertencer, bem como observar se há diferenças entre diferentes grupos quanto à experiência do fenômeno (e.g., solteiros\casados; jovens\adultos\idosos). Também se considera relevante estudar mais profundamente a relação entre a necessidade e construtos como personalidade e valores humanos, principalmente quanto ao traço neuroticismo e à subfunção interativa.</p>
			<p>Concluindo, confia-se que os objetivos da presente pesquisa tenham sido alcançados, fornecendo evidências quanto à estrutura da medida em ambiente brasileiro, bem como correlatos com diferentes construtos. O instrumento também apresentou evidências satisfatórias quanto a sua confiabilidade. Acredita-se que esta pesquisa possibilite o desenvolvimento de novos estudos no âmbito de relacionamentos intergrupais, bem-estar, personalidade, entre outros.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>American Psychological Association. (2010). Ethical principles of psychologists and code of conduct. Recuperado de <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.apa.org/ethics/code/index.aspx">http://www.apa.org/ethics/code/index.aspx</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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				<p>Agradecimentos: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por bolsas de Doutorado Pleno concedidas ao primeiro e último autor.</p>
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