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Negociando com os homens e entregando a Deus: notas sobre as mulheres pescadoras de Quissamã/RJ

Luceni Hellebrandt
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

Negociando com os homens e entregando a Deus: notas sobre as mulheres pescadoras de Quissamã/RJ

Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, vol. 23, núm. 2, pp. 277-295, 2021

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Recepção: 01 Maio 2020

Aprovação: 01 Julho 2021

Resumo: Este texto aborda aspectos do cotidiano de mulheres pescadoras de Quissamã, no norte fluminense, a partir de entrevistas com 10 mulheres envolvidas com a atividade pesqueira artesanal do município. As entrevistas foram realizadas no âmbito do projeto “Mulheres na pesca: mapa de conflitos socioambientais em municípios do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas” e apontam elementos que caracterizam a atividade de pequena escala desse município pela ótica das mulheres que dela participam. Negociações com fazendeiros para o acesso aos ambientes de pesca e enfrentamentos de violências simbólicas provocadas por pescadores homens se cruzam com a fé em Deus para sobreviver aos ventos fortes e à insegurança alimentar. As notas aqui apresentadas refletem também sobre os impactos no território pesqueiro advindos de diferentes interesses econômicos de exploração da região e a consequente escassez de pescado

Palavras-chave: Gênero e pesca, Mulheres na atividade pesqueira artesanal, Pesca artesanal de Quissamã.

Abstract: The text addresses aspects of the daily lives of fisherwomen of Quissamã, in the north of the State of Rio de Janeiro, based on 10 interviews with women who are involved with the artisanal fishery activity in that town. The interviews were during the development of the research project "Women in the fishing: map of socio-environmental conflicts in cities from the North Fluminense and Baixadas Litorânea" highlighting the elements of characterization of the small-scale fishery activity of Quissamã, through the lens of the women who participate in it. Negotiations with owners of agribusiness to access the fishery environment and the coping with the symbolic violence caused by the fishermen intersect with the faith in God to survive strong winds and the food insecurity. These notes reflect the impacts on the fishing territory due to the different economic interests in exploring the area and the consequent scarcity of fish.

Keywords: Gender and fishery, Women in the artisanal fishery activity, Artisanal fishery in Quissamã.

Introdução

O presente artigo é uma versão revisada após discussões com colegas do Grupo de Trabalho “Antropologia Marítimo-Costeira: enfoques teóricos-metodológicos em contextos Sul-Americanos”, ocorrido durante a XIII Reunião de Antropologia do Mercosul, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, entre os dias 22 e 25 de julho de 2019.  Na ocasião, discutíamos, entre as contribuições, o crescente espaço que perspectivas teóricas, considerando abordagens de gênero, passam a constituir dentro dos estudos de comunidades haliêuticas. Junto a outros daquela sessão, este texto é um exemplar de reparação aos anos em que insistimos em fazer pesquisa sobre pesca, considerando apenas metade das pessoas envolvidas nesse universo. Ellen Woortmann já atentava a essa falácia, lá nos idos de mil novecentos e noventa e poucos. Dizia ela que “o próprio discurso acadêmico relata ao silêncio o ponto de vista feminino, mesmo quando as atividades das mulheres são cruciais para a reprodução social do grupo como um todo” (WOORTMANN, 1992, p. 44), corroborada por Edna Alencar, sua orientanda à época, descrevendo que ”muito da ‘invisibilidade’ da mulher em atividade de pesca decorre da ótica do pesquisador na construção etnográfica e interpretativa do seu objeto de estudo” (ALENCAR, 1993, p. 66). Algumas décadas passadas, a questão da invisibilidade das mulheres no universo pesqueiro permanece uma pauta para quem pesquisa as relações entre gênero e pesca. Por exemplo, em 2016, a rede global para promoção e revitalização da pesca de pequena escala denominada Too Big To Ignore (TBTI) publicou um relatório2 em que analisou pesquisas, projetos e publicações sobre pesca de pequena escala e constatou que mesmo os textos com abordagens socioculturais sobre essa atividade raramente tratam temas relacionados à identidade e gênero.

Muitos fatores podem ser elencados para contribuir com a discussão sobre a invisibilidade das mulheres no universo da pesca, e alguns deles já abordei em um texto anterior3, tais como a gestão pesqueira dispender pouca importância à etapa de beneficiamento de pescados e a grande deficiência em dados reais sobre a estatística pesqueira brasileira. Ademais, muitas atividades pesqueiras desenvolvidas por mulheres são realizadas próximo ou no âmbito doméstico, no espaço da casa, uma vez que, na maioria das vezes, as mulheres estão conciliando atividades produtivas oriundas da pesca com trabalhos domésticos, obedecendo à lógica da divisão sexual do trabalho em que nossa sociedade patriarcalmente orientada opera, nos quais papéis de gênero designam o cuidado da casa e das pessoas às mulheres (KERGOAT, 2009). Se observada com pouca atenção, a forma de organização operacional das comunidades pesqueiras apresenta um modelo bipolar e dualista, opondo ambientes de domínio dos homens – o mar –, e das mulheres – a terra (ALENCAR, 1993; MOTTA-MAUÉS, 1999), bem como situando-os como ambientes produtivos e reprodutivos, respectivamente, mas qualquer observação interessada e mais atenta ao cotidiano das comunidades pesqueiras logo constata que essas linhas não são tão demarcadas e excludentes4. Contudo, neste sentido, Maneschy (2013) observa que “o fato de elas combinarem atividades produtivas e reprodutivas, muitas vezes no mesmo tempo e lugar, também contribui para obscurecer essa condição de trabalhadora” (p. 42).

Destacam-se, ainda, as dificuldades de reconhecimento legal dessas mulheres junto ao Estado, implicando, sobretudo, na precariedade de acesso à previdência social. Neste sentido, vale relembrar o processo tardio de reconhecimento de direitos às mulheres, pois, como descreve Maneschy (2013), trata-se de uma “herança histórica da legislação social pré-Constituição de 1988”. Essa autora cita Brumer (2002) para assinalar a influência da cultura patriarcal sobre a divisão sexual do trabalho no meio rural, pois “a trabalhadora rural, incluindo a pescadora, era definida como dependente do cônjuge, a quem cabia o pleno gozo dos direitos sociais e previdenciários” (MANESCHY, 2013, p. 42). Soma-se a esse cenário a relação histórica com as Colônias de Pesca – entidades representativas da pesca artesanal. Conforme Leitão (2010), as Colônias de Pesca, até recentemente, eram tuteladas pela Marinha de Guerra, instituição que não admitia mulheres em seu quadro, impossibilitando-as de se cadastrarem nas Colônias. Segundo a autora, “o primeiro estatuto das colônias de pescadores data de 1º de janeiro de 1923, assinado sob a forma de aviso, proveniente da Marinha. A instituição não aceitava em seu quadro as mulheres e consequentemente não aceitava que as pescadoras oficializassem sua atividade em instituições por ela tuteladas.” (LEITÃO, 2010, p. 3 - nota 8).

Para essas linhas a proposta é a de desconstruir um pouco da postura acadêmica que invisibiliza a importância das mulheres no universo pesqueiro, quando produz pesquisas gender-blind (BENNET, 2005), que simplesmente ignoram a presença e importância delas nas/para as atividades pesqueiras artesanais. Assim, este texto aborda aspectos do cotidiano de mulheres pescadoras de Quissamã, no norte fluminense, como contribuição aos estudos sobre gênero e pesca. Esses aspectos serão apresentados a partir de reflexões sobre observações do campo de pesquisa, dialogando com dados quantitativos e literatura sobre a região de estudo. Essa conversa entre campo, dados prévios e bibliografia desenha um caminho explicativo do cotidiano de mulheres que têm como modo de vida a pesca artesanal, mais do que isso, propondo indicativos da permanência delas nessa atividade.

A caracterização da pesca artesanal no município de Quissamã, RJ, é um bom ponto de partida para esse desenho. Contudo, a caracterização que proponho aqui vai além da descrição das artes de pesca e espécies capturadas. A proposta é de caracterizar a atividade pesqueira em Quissamã a partir de algumas relações, como os conflitos socioambientais advindos de diferentes atividades econômicas e as relações de gênero no universo pesqueiro. Para isso, a primeira parte do texto traz breves linhas sobre o projeto “Mulheres na pesca”, que possibilitou essas reflexões, seguida da descrição dos conflitos socioambientais identificados em Quissamã pelo projeto.

A próxima parte do texto apresenta as interlocutoras da pesquisa, e a parte final do texto traz dois caminhos explicativos para a permanência dessas mulheres na pesca: por um lado, aborda as negociações que permeiam as relações de gênero no universo pesqueiro de Quissamã, por outro, alguns apontamentos sobre a fé e a relação com Deus para sobreviver em meio a condições adversas.

1. Caracterização da pesca artesanal de Quissamã a partir do projeto “Mulheres na Pesca”

O projeto de pesquisa “Mulheres na pesca: mapa de conflitos socioambientais em municípios do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas”5 foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (PPGPS/UENF), abrangendo sete municípios da região: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Macaé, Campos dos Goytacazes, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e Quissamã. Atuei no projeto enquanto pesquisadora de pós-doutorado, conduzindo, entre outras atividades, os trabalhos de campo em São Francisco de Itabapoana e Quissamã.

A pesquisa foi iniciada em abril de 2017, com recursos financeiros oriundos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a empresa Chevron Brasil e o Ministério Público Federal, Agência Nacional de Petróleo e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, com gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO, 2017). O TAC, por sua vez, remonta aos vazamentos de petróleo no Campo de Frade, Bacia de Campos/RJ, ocorridos em novembro de 2011 e março de 2012. A Chevron Brasil foi uma das empresas responsáveis pelo derramamento, impactando o ambiente e, consequentemente, as populações que dele dependem para sobrevivência. Como observa Herculano (2012), as populações cujo modo de vida é atrelado à atividade pesqueira artesanal são as mais vulneráveis aos impactos produzidos pela indústria de petróleo e gás natural.

Dado o contexto de pesquisa do projeto “Mulheres na pesca”, as investigações em Quissamã buscaram identificar como os conflitos socioambientais afetam as atividades pesqueiras nesse município, observando esses conflitos através de lentes de gênero. Identificamos dois principais conflitos, nas comunidades de Barra do Furado e Beira de Lagoa (Figura 1).

Localização das comunidades pesqueiras Barra do Furado e Beira de Lagoa, em Quissamã, RJ.
Figura 1
Localização das comunidades pesqueiras Barra do Furado e Beira de Lagoa, em Quissamã, RJ.
Fonte: Projeto "Mulheres na Pesca".

1.1. A atividade pesqueira artesanal em Barra do Furado

A comunidade de Barra do Furado dista 38 km do centro de Quissamã, à beira do Oceano Atlântico. As pescarias acontecem tanto em ambiente marítimo como em águas interiores de rio e manguezais. Em estudo realizado em 2015, foram identificados 238 moradores da comunidade envolvidos na atividade pesqueira (PESCARTE, 2016).

No trabalho de campo realizado pelo projeto “Mulheres na pesca”, identificamos que a participação de mulheres na captura se dá somente nas águas interiores, mas elas atuam no processamento de pescados, tanto de água salgada quanto de água doce. São diversas espécies citadas nas entrevistas: Camarão sete barbas (mar); Pescadinha; Robalo; Camarão pitu; Xerelet; Salema; Tainha – tainha paraty; Anchova; Sarda; Cação; Peroá; Pargo; Peixe batata; Olho de cão; Tilápia; Traíra; Corvina, Acará; Linguado; Carateba; Bagre-Urutur; Lagosta; Manjuba (tinha e não se encontra mais). As artes de pesca relatadas pelas interlocutoras também são diversas: Tarrafa (desembarcada e dentro da canoa); Linha; Gaiola; Arrasto; Puçá; Cata de caranguejo com a mão; e Pesca de buraco.

Durante as entrevistas, o fato de a Manjuba “não se encontrar mais” e o relato da pesca de buraco despertaram minha atenção, pois guardam relação com o que identificamos, no projeto “Mulheres na pesca”, como um conflito ao qual nomeamos de “Mudanças no território pesqueiro de Barra do Furado” (HELLEBRANDT, 2019a)6.

Esse conflito está atrelado aos ciclos de desenvolvimento econômico da região, inicialmente motivado pela indústria sucroalcooleira e, a partir da década de 1980, com o descobrimento de petróleo na Bacia de Campos (CRIBB, A.; CRIBB, S., 2008). Ambas as atividades econômicas motivaram diversas alterações nos ambientes aquáticos dos quais a população pesqueira depende. À época auge das fazendas de cana de açúcar, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) – atualmente extinto – realizou várias obras de mudança de curso de corpos hídricos, incluindo a instalação de comportas para o controle das trocas de água doce e água salgada, favorecendo, sobretudo, os donos das fazendas em detrimento da atividade pesqueira (VALPASSOS, 2003; CARNEIRO, 2004; SOFFIATI, 2005). Depois, em função da Indústria de Petróleo, iniciou-se o projeto de construção de um estaleiro naval em Barra do Furado, denominado Complexo Logístico Naval Farol-Barra do Furado. As obras iniciaram em 2010, prometendo gerar em torno de 15 mil empregos para a região, o que não aconteceu (RODRIGUES; LEMOS, 2011). Ao invés dos empregos, a população de Barra do Furado teve como saldo da movimentação constante de caminhões e das etapas de perfuração da obra rachaduras nas casas, que nunca foram indenizadas pelas empresas responsáveis (HELLEBRANDT, 2019a).

Assim, a pesca artesanal em Barra do Furado pode ser caracterizada a partir da relação conflituosa com as indústrias sucroalcooleira e do petróleo, atividades econômicas privilegiadas pelo poder público local, que levaram à alteração do território pesqueiro da comunidade. Algumas consequências dessas alterações:

- Diminuição da pesca em geral, dificultando o acesso a antigos pesqueiros e assoreando canais;

- Os empreendimentos que se instalaram (frigorífico, cais, estaleiro) modificaram a paisagem ao fazerem dragagens sem planejamento, arrancando a vegetação e aterrando pesqueiros;

- Fim da “pesca de buraco” (os buracos foram aterrados) - atividade que era desenvolvida por crianças, de forma recreativa, mas marcava uma forma de transmissão de conhecimento e valorização da cultura pesqueira artesanal (HELLEBRANDT, 2019a).

1.2. A atividade pesqueira artesanal em Beira de Lagoa

A comunidade de Beira de Lagoa dista 15km do centro de Quissamã, à beira da Lagoa Feia, a segunda maior lagoa de água doce do Brasil. Lagoa Feia é localizada parte no município de Campos dos Goytacazes e parte no município de Quissamã, com diversas comunidades pesqueiras em seu entorno, em ambos os municípios. Na comunidade de Beira de Lagoa, em 2015, foram identificados 51 moradores envolvidos na atividade pesqueira (PESCARTE, 2016).

As mulheres que pescam nessa comunidade, interlocutoras no projeto “Mulheres na pesca”, relataram que as artes de pesca da região são Rede de espera e Anzol de boia, utilizando barcos a remo e com motor, para capturar Bagre; Traíra; Cumatan; Piaba; Corvina; Robalo; Traíra; Acará e Tilápia. O conflito identificado no trabalho de campo do projeto foi denominado “Cercamento da Lagoa”, o qual descrevo brevemente:

A comunidade pesqueira de Beira da Lagoa, assim como a de Barra do Furado, sofreu consequências das obras empreendidas pelo DNOS:

Com o início da atuação do DNOS na região, o ecossistema da Lagoa Feia sofreu as maiores alterações de sua história. Pântanos foram aterrados, lagoas drenadas e rios retificados. A abertura do Canal das Flechas “rebaixou o valor médio das cotas máximas dos níveis de água da lagoa em cerca de 80 cm e também o das cotas médias mínimas em torno de 90 cm”. A diminuição destes valores representou uma enorme perda da área lacustre, pois, com a redução de seu volume as águas recuaram, deixando secas grandes extensões de terra. A desobstrução de rios e canais, além de afetar a fauna e flora, teve outra importante consequência: o assoreamento da Lagoa, pois o material retirado dos rios acabava por ser depositado em seu interior. (VALPASSOS, 2003).

Essas obras favoreciam os fazendeiros do entrono da Lagoa Feia, que iam ampliando a extensão de suas propriedades ao construir diques para impedir o alagamento de suas plantações e aterrando outras áreas alagadiças (VALPASSOS, 2003). Para além da diminuição do espelho d’água e o consequente impacto na atividade pesqueira, o controle sobre o território da Lagoa Feia por parte de fazendeiros atinge as pessoas da comunidade também através da forma de barreira física. As fazendas no entorno da Lagoa possuem cercas com fios de alta tensão, impedindo o acesso da população pesqueira à Lagoa (HELLEBRANDT, 2019b), conforme pode ser visto na Figura 2.

Propriedade rural cercando e impedindo o acesso à lagoa em Beira de Lagoa
Figura 2
Propriedade rural cercando e impedindo o acesso à lagoa em Beira de Lagoa
Fonte: Acervo pessoal.

Desta forma, a pesca artesanal em Beira de Lagoa pode ser caracterizada a partir da relação conflituosa entre pessoas que desenvolvem a atividade pesqueira e proprietários rurais, por diversas formas de controle do território, inclusive a de uma barreira física com risco (de choque ou “bala”) para quem a ultrapassa sem permissão.

2. As interlocutoras e as relações de gênero no universo da atividade pesqueira artesanal em Quissamã

Nesta parte, apresento as mulheres entrevistadas pelo projeto “Mulheres na pesca” em Quissamã, trazendo breves reflexões sobre a relação entre pesca e gênero7.

Foram 10 mulheres entrevistadas em Quissamã: uma delas desenvolve pesquisa voltada à atividade pesqueira no município, atuando num projeto de educação ambiental e como pesquisadora vinculada ao projeto “Mulheres na pesca”. Ela foi nossa informante-chave para acessar as comunidades e apresentar o contexto da pesca em Quissamã. A partir dessa interlocutora, conhecemos e entrevistamos a presidente da Colônia de Pescadores Z-27 e 8 mulheres pescadoras e trabalhadoras da pesca de Quissamã.

As pescadoras e trabalhadoras da pesca, como a FAO vem denominando a partir do lançamento das “Diretrizes Voluntárias para Garantir a Pesca de Pequena Escala Sustentável no Contexto da Segurança Alimentar e Erradicação da Pobreza” (FAO, 2015) são Luciana, Tia Lu, Rosânia, Zélia, Marília, Roseni, Leia e Dona Geralda. Com exceção de Luciana, todas as outras 7 atuam na captura.

Luciana trabalha somente com o processamento de pescado do núcleo familiar, seguido da ida ao centro da cidade em carro próprio, para vender o pescado. Começou na atividade pesqueira em 1996, quando passou pela “necessidade de visualizar no peixe uma renda, uma oportunidade de sair e vender”, ao ser mãe pela segunda vez, então com 19 anos. Saía de Barra do Furado “no ônibus de 7 horas da manhã e voltava no ônibus de 4 horas da tarde [pois] só tinha esses dois horários”, para ir “entregar a mercadoria” a compradores residentes no centro de Quissamã.

Tia Lu (Figura 3) e Rosânia (Figura 4) são irmãs em uma família de 7, sendo 6 mulheres e um homem. A maioria de mulheres fez com que o pai as levasse para o acompanhar na atividade pesqueira, quando estavam por volta dos 10 anos de idade. A rotina de pesca na infância foi assim descrita por elas: “não tinha hora para pescar, era a hora da maré. Tipo assim, 2 horas da manhã era a hora de dar o lance. Às vezes, era de madrugada, às vezes era de tarde, às vezes era muito tarde da noite. Não tinha assim, um horário pra gente sair“. Independentemente das condições climáticas, pois “chovendo ou não a gente tinha que ir pescar, não tinha esse negócio de tá chovendo a gente não vai. Tinha que ir”. Também relembram o esforço de trabalho realizado: “como na época não existia motor, era mais sacrificado porque era muito peso, era muita rede e a gente tinha que fazer o sacrifício de puxar a canoa com o pai da gente quando a correnteza tava contra”.

Tia Lu demonstrando parte de sua pescaria do dia
Figura 3
Tia Lu demonstrando parte de sua pescaria do dia
Fonte: Projeto "Mulheres na Pesca".

Rosânia com suas redes de pesca
Figura 4
Rosânia com suas redes de pesca
Fonte: Projeto "Mulheres na Pesca".

Zélia pesca com o filho: “nós começamos juntos, eu e meu filho. Meu filho era até de menor. Ele estudava e depois na parte da tarde, nós ia pro brejo, pra lagoa” e comenta a divisão de tarefas no barco: "eu pegava no chumbo e meu filho na cortiça, entendeu? Que ele ficava mais na parte do remo, do motor” de suas rotinas de pesca, assim descrita: “nós soltava a rede, aí no outro dia ia colher. Tirava tudo de novo. Limpava as redes, de tarde colocava de novo. Porque se não limpasse a rede, como é que pegava o peixe? E era assim todo dia”.

Marília, Roseni e Leia (Figura 5) pescam com os companheiros. Nas palavras de Marília: “meu marido começou a pescar, eu sempre gostei de pescar de vara, com pai e mãe, desde criança. Aí ele me chamou: vamo, filha, vamo pescar de vara? Eu falei: bora! Chegou lá botamo rede. E eu já gostava da bagunça. Então entrei nessa. Já tem mais de oito anos.” Já Roseni e Leia pescavam juntas antes de passar a pescar com os companheiros, como explica Roseni: ”eu e Leia, a gente pescava sozinha, a gente pescava os brejo... ela tinha um barquinho pequeno, a gente pescava. Quando esse pessoal aí começou a pescar a gente já pescava há muito tempo”. Hoje, com o companheiro Cidinho, Roseni reforça a importância da atividade para o sustento da família: “a gente vive do peixe, tipo eu e ele, o trabalho que a gente tem é só do peixe, se pegar cê vai ter dinheiro, se não pegar cê não tem o dinheiro, é o único meio que a gente tem”. E Leia, que hoje pesca com o companheiro, também prepara o pescado capturado pelo casal para vender no restaurante que montaram em Beira de Lagoa. Assim descreve a rotina de pesca e restaurante, junto ao companheiro: “Se for de ir sozinha eu vou mesmo mas só que ele gosta também de pescar. Vai nós dois, a gente pesca de segunda a quinta. A gente trabalha aqui também, às vezes chega alguém para almoçar na hora do almoço aí não tem como a gente ir”.

Leia em seu restaurante, com o cardápio oferecido descrito no quadro
Figura 5
Leia em seu restaurante, com o cardápio oferecido descrito no quadro
Fonte: Projeto "Mulheres na Pesca".

Dona Geralda saiu do Ceará com três filhos pequenos, atrás do marido que tinha ido tentar uma vida melhor no Rio de Janeiro. Descreveu assim as desilusões que levaram à separação e a sua entrada na pesca: “ele ia para os forró tudo quando recebia o dinheiro dele, quando era no outro dia, ria falando que tinha tomado duas caixas de cerveja com mais fulano, mais fulano. Quando saía eu, ele e as crianças, a criança pede uma garrafa de água ele disse que não tem dinheiro, para comprar a garrafa de água para a criança. Aí eu digo: um dia eu vou sair dessa vida um dia eu vou ser pescadora, vou dar as coisas para o meus filhos”. Então começou a pescar, descrevendo assim sua rotina: “eu pescava de domingo a domingo, era de domingo a domingo, não tinha esse negócio de hoje eu não vou na lagoa não. Era com chuva, trovoada, com relâmpago, de qualquer jeito eu tinha que está lá dentro, porque se o dia que eu não fosse acontecia de ter o peixe e estragar ou carregarem as minhas redes, entendeu?”.

Essas breves linhas de apresentação das interlocutoras do projeto “Mulheres na pesca” em Quissamã destacam a relevância de marcar os lugares das mulheres na atividade pesqueira. Como discuti em Hellebrandt (2018), o universo pesqueiro é socialmente e legalmente percebido como um ambiente masculino8, no qual as mulheres são invisíveis. Nesse contexto de ambiente masculino, ser mulher pescadora e trabalhadora da pesca exige uma constante negociação das relações. No trecho abaixo, Tia Lu descreve mais sobre sua rotina de pesca e sobre o que significa ser mulher num ambiente masculino e lidar, inclusive, com violências simbólicas:

Às vezes a gente chegava assim 4 horas da manhã em casa, 3 horas da manhã em casa e quando fosse pra lá tinha que ir pra lá 3 horas da tarde, 4 horas da tarde pra que ninguém tomasse o nosso lugar. Pra mulher isso não era nada fácil. Ficar num lugar que só tem homens de madrugada tem que ter muita coragem também! Não só disposição, mais muita coragem também e não temer a nada! A gente pescava no meio de homens, homens que vinham sei lá de onde! E eles achavam que, como por a gente ser mulher, de repente era mais fácil tomar alguma coisa da gente. Ficava jogando conversa fiada, ficava fazendo xixi na frente da gente, aquelas coisas todas.

3. Permanecendo na pesca em Quissamã

Além de negociações permeadas por relações de gênero para permanecerem na pesca, são constantes também as negociações nas relações conflituosas com outras atividades econômicas (descritas no item 2). Permanecer na pesca em Quissamã implica negociar com os fazendeiros para poder pescar e ter fé de que Deus irá garantir a pesca e o retorno seguro à casa.

3.1. Negociando com os homens - ultrapassando cercas para pescar

Para acessar a Lagoa Feia e poder pescar, as interlocutoras do projeto “Mulheres na pesca” precisam negociar com o fazendeiro “dono” da propriedade que margeia a Lagoa. Precisam pedir passagem para não correrem o risco de choque elétrico nos arames eletrificados. Reproduzo trechos de algumas entrevistas que descrevem as negociações:

Para entrar nessa lagoa ninguém tem entrado nela, para passar dentro do que é dos fazendeiros que eles tomaram conta de tudo que aí pra gente não poder passar eles botam cadeado nas cercas, cerca elétrica. É maior sufoco para a gente poder entrar de madrugada na lagoa se quando panhava o peixe, tinha que levar aquelas coisas toda na cabeça, o maior sufoco pra a gente tirar um peixinho da lagoa Os fazendeiros não deixam entrada para ninguém, depois fica acusando todo mundo de ladrão, não querem dar a chave para ninguém. (Dona Geralda)

Chegou na cancela passou […] o pessoal já está acostumado já conhece os pescadores, já deixa passar né ai alguém de fora tem pedir né, não conhece vai chegando vai entrar assim né, vai ter que pedir […] eles só pedem para não deixar a cancela aberta porque tem animal né pode ir para a rua dá problema mas a maioria do pessoal passa ali. (Leia)

O dono, se ele quiser trancar, ele pode. […] A gente entra, assim... Só que a gente avisa, né? Antes. Primeiro, a gente... primeiro, avisa. Que aí eles já ficam sabendo que a gente entrou. E sai. Cê não chega entrando a primeira vez. […]Tem que chamar o rapaz pra poder pedir autorização pra entrar. Eles deixam entrar, mas tem que chamar, lá é fechado. (Roseni)

3.2. Entregando a Deus – os ventos e a insegurança alimentar

As observações a partir do trabalho de campo e das entrevistas realizadas me levam a refletir que a negociação não é somente com os homens. Colaço (2019) reflete sobre um “eixo divino”, orientador dos pontos de vista dos pescadores de Ponta Grossa dos Fidalgos, sobre “sua própria condição de ‘estar no mundo’”. (COLAÇO, 2019, p. 239). Ponta Grossa dos Fidalgos fica em Campos dos Goytacazes e é outra comunidade pesqueira no entorno da Lagoa Feia, portanto, com contexto pesqueiro guardando semelhanças ao de Beira de Lagoa. O autor reflete sobre o “eixo divino” para pensar este como um dos eixos que os pescadores de Ponta Grossa dos Fidalgos utilizam para negociar com o perigo. No caso de Colaço, o perigo descrito é o do embate com os órgãos de fiscalização, mas o “eixo divino” pode ser aplicado também à relação com os perigos advindos das “condições ambientais, impostas por Deus”, como o autor descreve a partir de sua pesquisa.

Peixoto e Belo (2016) analisam o grau de confiança de populações pesqueiras em diversas instituições. A área de análise dos autores corresponde aos mesmos municípios em que o projeto “Mulheres na pesca” desenvolveu a pesquisa. Os resultados apresentados pelos autores apontam que a confiança de pescadores na igreja é superior a outras instituições, inclusive aquelas diretamente relacionadas à pesca, como Colônias e Associações de pescadores, ou Capitania dos Portos.

Dados de confiança sobre a igreja não são necessariamente dados de confiança em Deus, mas apontam uma direção para a compreensão da presença de Deus nos discursos relacionados aos perigos e à permanência das interlocutoras do projeto “Mulheres na pesca” na atividade pesqueira de Quissamã. É Deus que está presente nos enfrentamentos de condições ambientais adversas, assim como é Deus quem garante a boa pesca, livrando do perigo da insegurança alimentar:

[relato sobre a morte de um pescador e pergunta sobre a causa da morte] Por causa do vento. Aquele tempo que da ventania que arrancou um cado de coisa aí e matou o rapaz lá de Ponta Grossa, disse que o remo caiu dentro da água, ele foi tenta, estava ele e a mulher dele pescando, ele foi tenta tirar não conseguiu, ele caiu dentro e a mulher dele deitou dentro do barco, acharam a mulher e depois acharam ele morto. [E a senhora nunca teve medo assim dessas coisas?] Tinha medo mas entrego a Deus. [A senhora sabe nadar?] Sei não. Deus toma conta da gente, eu tô falando que aquelas marola altona, você pensa que está aqui, quando você vê tá em cima da água, você já tá voada por cima do calão, menina é muito sofrimento. […] a vida de pescador é muito sofrida. É só Deus mesmo, tem que botar Deus na frente e acompanhar Deus, pra poder ele livrar a gente.

[Q]uando estava menstruada, sentia mas tinha de ir, ou quando chegasse o final de semana não ia ter dinheiro para comprar o arroz e o feijão as coisa pra comer em casa com os filhos, não tinha esse negócio de lengalenga não, tinha que chegar. E a ventania, você se gruda aqui na beirada do barco, senta aqui e Deus leva. E quando assim que não tinha motor tinha que ir no remo, só marcava o rumo e tinha vez que estava muito escuro e você não enxergava.

Teve um tempo aí, eu não sei se era preocupação, muita coisa na cabeça. Aí parece que a gente entra em depressão sei lá o que é. Aí você sente dor até no lugar que não existe. Agora, graças a Deus que eu não sinto mais dor de nada. Eu acho que é preocupação, a gente deve, preocupação com comida para as crianças, e não sei o que, mas agora, graças a Deus que passou tudo. (Dona Geralda).

Os trechos relatados por Dona Geralda sintetizam a relação com a fé em Deus para lidar com as incertezas da atividade pesqueira, seja pelos ventos fortes e a fé no retorno seguro à sua casa, seja com a fé em uma boa pescaria, para garantir que o retorno seguro seja também com pescado para venda e alimentação dos filhos.

Considerações finais

As informações apresentadas neste texto se originam das reflexões do trabalho de uma pesquisa realizada com mulheres da atividade pesqueira artesanal. A análise de gênero, aplicada aos estudos sobre pesca, intenciona expressar como esta, dentre tantas outras relações de poder, se dá.  Através das narrativas das mulheres de Quissamã que fizeram parte desta pesquisa, engrossamos o coro que afirma com evidências que mulher pesca sim, além de desenvolver outras atividades produtivas no universo pesqueiro, como diversos outros estudos sobre gênero e pesca vêm demonstrando.

Nas narrativas também foi possível perceber como os impactos sofridos pela pesca artesanal nas relações conflituosas com outras atividades econômicas afetam essas mulheres, bem como algumas formas de lidar com eles e permanecer na atividade pesqueira. Negociam com homens pescadores pelo direito de estar no mesmo espaço, tendo que arcar com violências simbólicas constantes, como o caso relatado por Tia Lu dos pescadores que urinavam próximo a ela, na intenção de intimidá-la. Negociam com os fazendeiros que se apropriam de um bem da União colocando cercas e impedindo essas mulheres nos seus direitos de ir e vir com vida, para realizarem suas atividades de pesca. Negociam com Deus para assegurar suas vidas enquanto pescam, bem como para uma garantia de segurança alimentar para sua família.

Assim permanecem na atividade pesqueira de Quissamã, num constante jogo de negociar, seja com homens, seja com Deus. Permanecem, mulheres pescadoras e trabalhadoras da pesca de Quissamã.

Referências

ALENCAR, Edna F. (1993) Gênero e trabalho nas sociedades pesqueiras. In: FURTADO, Lourdes Gonçalves; LEITÃO, Wilma; FIÚZA DE MELO, Alex (Org.). Povos das águas: realidades e perspectivas na Amazônia. Belém: MPEG, 1993. p. 63-81.

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Notas

2 O relatório referido pode ser encontrado em <<http://toobigtoignore.net/state-of-the-art-in-small-scale-fisheries-new-volume/>> Acesso em: 16 nov. 2016. 
3 Fiz parte desta discussão em um texto denominado “O que torna as mulheres invisíveis na pesca?” (HELLEBRANDT, 2019) a partir da revisão bibliográfica sobre o tema que utilizei como suporte à minha pesquisa de doutoramento.
4 Alguns exemplos são relatados nas etnografias de Rose Mary Gerber com pescadoras embarcadas de Governador Celso Ramos/SC (GERBER, 2015) e de Liza Bilhalva Martins da Silva, com pescadoras embarcadas da Lagoa dos Patos/RS (MARTINS DA SILVA; ADOMILLI, 2020).
5 A realização do projeto Mulheres na Pesca é uma medida compensatória pelo Termo de Ajustamento de Conduta de responsabilidade da empresa Chevron, conduzido pelo Ministério Público Federal – MPF / RJ, com implementação do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio.
6 O projeto “Mulheres na pesca” propõe um mapeamento de conflitos socioambientais e, para cada conflito identificado, é gerada uma ficha de caracterização. A ficha do conflito “Mudanças no território pesqueiro de Barra do Furado” bem como as fichas dos outros conflitos podem ser conferidas na íntegra na página do projeto: <http://mulheresnapesca.uenf.br>
7 As reflexões expostas aqui serão breves, pois já foram abordadas em outros momentos, tanto por mim como por outras autoras, como exemplos: Alencar (1993); Maneschy et al. (2012); Leitão (2013); Hellebrandt et al. (2016); Hellebrandt (2017).
8 Confira nota de rodapé n.6 para referências que abordam esta questão.
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