Artículos originales

Avaliação do conhecimento sobre câncer bucal de alunos de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil

Evaluación del conocimiento sobre cáncer bucal en estudiantes de Odontología de la Universidad Federal de Pernambuco, Brasil

Evaluation of oral cancer knowledge among dental students at the Federal University of Pernambuco, Brazil

Augusto César Pereira de Oliveira
Universidade Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
Allan Francisco Costa Jaques
Universidade Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
Augusto César Leal da Silva Leonel
Universidade Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
Jennifer Kivya Pereira da Silva
Universidad Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
Thércia Mayara Olivia Feitoza
Universidade Federal de Pernambuco, Refice-PE, Brasil
Érika Caroline Steinle
Universidad Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
Elaine Judite de Amorim Carvalho
Universidad Federal de Pernambuco, Recife-PE, Brasil

Avaliação do conhecimento sobre câncer bucal de alunos de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil

Revista Estomatológica Herediana, vol. 35, núm. 1, pp. 37-46, 2025

Universidad Peruana Cayetano Heredia

Recepción: 28 Mayo 2024

Aprobación: 28 Noviembre 2024

Resumo: Objetivo: Avaliar o conhecimento dos alunos do curso de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sobre o câncer bucal.

Materiais e métodos: Trata-se de um estudo transversal, em que foi construído, validado e aplicado um questionário de avaliação aos estudantes através de convite para a entrevista disponibilizado nas salas virtuais. Os dados foram analisados descritivamente e com estatística inferencial, com significância de 5%.

Resultados: Um total de 212 estudantes responderam o questionário, sendo 70 do 1º período, 71 do 5º período e 71 do 10º período. A maioria era do sexo feminino (71,7%), com média de idade de 22,8 anos.

Conclusões: Observou-se que os estudantes, sobretudo os do 5º e 10º período, apesar de terem bom conhecimento teórico a respeito do câncer bucal e seus principais fatores de risco, demonstrando habilidade para detecção da doença no exame clínico dos pacientes, não se sentem confiantes em realizar procedimentos de diagnóstico, como biópsia, encaminhando para outro profissional.

Palavras-chave: estudantes de Odontologia, câncer bucal, conhecimento.

Resumen: Objetivo: Evaluar el conocimiento de los estudiantes de Odontología de la Universidad Federal de Pernambuco sobre el cáncer bucal.

Materiales y métodos: Estudio transversal, en el que se construyó, validó y aplicó un cuestionario de evaluación a los estudiantes a través de una invitación a entrevista disponible en las salas virtuales. Los datos fueron analizados de forma descriptiva y con estadística inferencial, con una significancia del 5 %.

Resultados: Respondieron al cuestionario un total de 212 estudiantes, 70 del primer período, 71 del quinto período y 71 del décimo período. La mayoría eran mujeres (71,7 %), con una edad media de 22,8 años.

Conclusiones: Se observó que los estudiantes, especialmente los de quinto y décimo período, a pesar de tener un buen conocimiento teórico sobre el cáncer bucal y sus principales factores de riesgo, y de demostrar habilidades para la detección de la enfermedad en el examen clínico, no se sienten seguros para realizar procedimientos de diagnóstico, como la biopsia, por lo que derivan al paciente a otro profesional.

Palabras clave: estudiantes de Odontología, neoplasias de la boca, conocimiento.

Abstract: Objective: Objective: To evaluate the knowledge of oral cancer among dental students at the Federal University of Pernambuco, Brazil.

Materials and methods: A cross-sectional study, in which a validated evaluation questionnaire was developed and administered to students via an interview invitation shared in virtual classrooms. Data were analyzed descriptively using inferential statistics, with a significance level of 5%.

Results: A total of 212 students responded to the questionnaire: 70 from the first semester, 71 from the fifth semester, and 71 from the tenth semester. The majority were women (71.7%), with a mean age of 22.8 years.

Conclusions: It was observed that students, especially those from the fifth and tenth semesters, despite having good theoretical knowledge of oral cancer and its main risk factors plus the ability to detect the disease during the clinical examination of patients, do not feel confident to perform diagnostic procedures such as biopsies. As a result, they refer patients to another professional.

Keywords: dentistry students, oral neoplasms, knowledge.

INTRODUÇÃO

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (1) apontam que em cada ano do triênio 2023-2025 ocorrerão no Brasil, 15.100 casos novos de câncer bucal, dos quais 10.900 casos em homens e de 4.200 em mulheres, ocupando a 5° posição entre os tumores malignos mais frequente nos homens e o 13° nas mulheres. No nordeste do Brasil, no sexo feminino, passa a ocupar a 11° posição, revelando uma variação na magnitude entre as diferentes regiões do Brasil.

A despeito dos avanços em diagnóstico e tratamento desta doença, sua taxa de sobrevida global é em torno de 50%, reflexo do estadiamento avançado do tumor (III e IV) no momento do diagnóstico, apresentando muitas vezes envolvimento dos gânglios linfáticos e metástases à distância (2). Esse intervalo prolongado entre o surgimento e o diagnóstico da lesão deve- se tanto a barreiras no acesso ao sistema de saúde quanto ao despreparo dos cirurgiões- dentistas em realizar procedimentos de rotina, como o exame minucioso da cavidade oral em

busca de lesões assintomáticas, que já é uma maneira simples e prática de identificar e diagnosticar precocemente o tumor (3, 4).

Tendo ciência que os estudantes de Odontologia são os futuros profissionais de saúde bucal, algumas pesquisas realizadas no Brasil avaliaram o desempenho dos futuros cirurgiões- dentistas em diagnosticar o câncer bucal. Os resultados demonstram situações de baixa confiança para realizar procedimentos de diagnóstico (5-8), embora possam se sentir aptos para identificar lesões com potencial de malignização (6).

Tendo em conta a importância da formação dos dentistas e o papel da universidade durante esta etapa, este estudo propõe investigar o conhecimento dos estudantes de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sobre aspectos epidemiológicos, fatores de risco, características clínicas que envolvem as lesões com potencial de malignidade e o câncer bucal.

MATERIAIS E MÉTODOS

Este é uma pesquisa de coorte transversal com amostra de conveniência que foi submetida ao comitê de ética em pesquisa em seres humanos da UFPE e aprovada sob o número de parecer 4.766.485 e CAAE: 44924521.4.0000.5208.

A referida pesquisa foi desenvolvida em duas etapas:

1ª Etapa: Construção e validação de conteúdo do questionário: Para a construção do questionário, foram utilizados os trabalhos desenvolvidos por Dib (8) e Carter e Ogden (9) que elaboraram instrumentos com este objetivo. Para a validação de conteúdo, foi utilizada a metodologia proposta por Rose Júnior (10), na qual participaram da validação 6 cirurgiões- dentistas, dos quais 4 docentes especialistas em uma das seguintes áreas: patologia e radiologia oral, biossegurança, dentística, e 2 que atuam na Atenção Primária à Saúde; após o período de 7 dias, o questionário foi reenviado aos mesmos profissionais para constatação e avaliação das modificações propostas, sendo construída então sua versão final.

2ª Etapa: Tendo sido definido o novo instrumento, este foi apresentado para estudantes do turno integral e noturno do curso de Odontologia da UFPE, os quais estavam matriculados em disciplinas pertencentes ao 1º, 5º e 10º períodos do curso. Em cada um destes períodos, há

um total de 55 alunos no turno integral e 22 alunos no noturno, o que perfaz o total de 77 estudantes por período, com a perspectiva de uma amostra final máxima de 231 entrevistados. Cada participante era alocado em um dos três grupos (A, B e C) de acordo com o período cursado. O grupo A foi composto de alunos iniciantes do 1° período; o grupo B foi constituído de alunos que se encontravam na metade do curso no 5° período e, por último, o grupo C foi composto pelos alunos concluintes do curso do 10° período.

A escolha dos períodos citados se deu por tentar estabelecer uma comparação do conhecimento entre os estudantes recém ingressos no curso (1º período), sem nenhum acúmulo ou aprendizado científico da carreira com os do 5º período que estão cronologicamente situados na metade da carreira acadêmica e coincide com o momento em que têm maior contato com componentes curriculares relacionados ao diagnóstico de doenças bucais e por fim, os alunos do 10º período que estão em fase de conclusão do curso com um vasto acúmulo de conhecimentos na área.

Foram incluídos na pesquisa todos os estudantes regularmente matriculados no curso de graduação em Odontologia da UFPE, devidamente matriculados em pelo menos uma das disciplinas correspondentes aos períodos citados em cada grupo. Foram excluídos da pesquisa os estudantes que solicitaram trancamento de vínculo de matrícula com o curso e/ou menores de 18 anos. O convite para participar da pesquisa foi feito com o envio de convite e/ou disponibilização do link no mural das classroom ou salas de aula virtuais. Cada estudante convidado e que concordasse em participar da pesquisa voluntariamente, assinava o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para a análise dos dados coletados foi utilizada a estatística descritiva com estabelecimento de médias, medianas e desvio padrão. Para o estudo de associações entre as variáveis estudadas, os períodos letivos do curso, utilizou-se a estatística inferencial, através do teste qui-quadrado de Pearson ou o teste Exato de Fisher. com significância de 5%. Foi utilizada a versão 23 do programa SPSS.

RESULTADOS

Um total de 212 estudantes do curso de Odontologia da UFPE respondeu ao questionário, dos quais 70 do 1° período, 71 do 5° período e 71 do 10° período. Com análise dos resultados,

observa-se que, dentre os alunos entrevistados, a maioria deles é do sexo feminino (n=152; 71,7%), com média de idade de 22,8 anos e desvio padrão de 3,44.

Sobre as correlações entre o período do curso dos entrevistados e sua atitude frente ao diagnóstico do câncer bucal, o grupo A respondeu majoritariamente de forma nula, com respostas que incluíam “não se aplica”, “não” ou “insuficiente” para as questões. Em termos de autoavaliação do conhecimento sobre o câncer bucal, 7(9,9%) dos estudantes do grupo C responderam como “insuficiente” a esta pergunta. A respeito da identificação de fatores de risco e realização de exame clínico com objetivo de rastreio do câncer bucal na primeira consulta dos seus pacientes bem como as razões para não realizar este exame, houve discrepância estatisticamente significativas entre os grupos B e C, com maior número de estudantes admitindo não identificar fatores de risco e realizar tal exame no grupo C e alegando como justificativas principais a falta de tempo (5,0-7,4%) e não saber fazer este exame direcionado (9,0-5,9%) (Tabela 1). A maioria dos estudantes do grupo B (49,0–69,0%) e grupo C (36,0-50,7%) não orienta os pacientes sobre como identificar anormalidades na boca. Ao serem indagados sobre sua aptidão em identificar lesões malignas no paciente, 38 (53,5%) do grupo B e 14 (19,7%) do grupo C (p<0,05) responderam não se sentir apto para esta habilidade e que encaminhariam o caso para o especialista em estomatologia ou Faculdade de Odontologia ou hospital de referência para o tratamento do câncer (Tabela 1).

Tabela 1. Correlação entre fatores relacionados a atitudes frente ao diagnóstico de câncer bucal e períodos entrevistados.


O conhecimento teórico a respeito do câncer bucal foi avaliado através de perguntas que versavam sobre o tipo histológico mais comum de câncer bucal; região anatômica mais frequentemente acometida; lesão fundamental mais frequentemente vista; faixa etária mais afetada, característica dos gânglios linfáticos metastáticos; estadiamento clínico dos pacientes brasileiros no momento do diagnóstico e ainda, a lesão com potencial de malignização mais frequente. Como esperado, o grupo A apresentou resultados discrepantes e estatisticamente distintos dos grupos B e C (Tabela 2).

Em relação ao câncer mais comum da cavidade oral, 65 (91,5%) dos discentes do grupo B e 61 (85,9%) dos alunos do grupo C identificaram o carcinoma espinocelular como o tipo de câncer mais frequente. Quanto à localização anatômica mais frequentemente acometida, tanto o grupo B como o grupo C identificaram corretamente com escores superiores a 80% a língua e assoalho de boca, assim como o aspecto mais comum da lesão fundamental (escores superiores a 70% em ambos os grupos em úlcera indolor) e a faixa etária mais prevalente, com mais de 80% de acertos nestes dois grupos (Tabela 2).

Quanto ao aspecto clínico dos gânglios linfáticos afetados por metástase, observou-se uma diminuição na porcentagem de acertos; 48 (68,6%) e 54 (76,1%) para o grupo B e C, respectivamente. Os estudantes dos grupos B e C demonstraram, em sua maioria,

conhecimento sobre o estadiamento clínico avançado dos pacientes com câncer bucal no momento do diagnóstico, embora entre estes grupos os resultados tenham tido diferenças estatisticamente significativas em favor do grupo C. Com relação à lesão com potencial de malignização mais comumente encontrada, novamente, a maioria dos entrevistados acertaram, sem diferença estatística entre os alunos do grupos B e C (Tabela 2).

Tabela 2. Correlação entre conhecimento de câncer bucal e períodos entrevistados.


Quanto a correlação entre os grupos entrevistados e o conhecimento sobre os fatores de risco do câncer bucal, de forma geral, os discentes demonstraram conhecimento em relação aos principais fatores de riscos apresentados, sobretudo quanto ao uso de álcool e tabaco. Os sujeitos do grupos B e C confirmaram a importância do tabagismo e alcoolismo na gênese do câncer bucal em 100% das respostas, além de boa parte desses participantes (escores maiores que 90%) acertarem que a exposição solar também é um fator de risco. Os dentes em mau estado de conservação e a higiene bucal deficiente foram apontadas, sobretudo pelo grupo

C, como fatores de risco a serem considerados. Estes resultados foram diferentes com significância estatística entre os grupos (Tabela 3).

Tabela 3. Correlação entre fatores de risco para o desenvolvimento de câncer bucal e períodos entrevistados.


É possível observar algumas correlações entre os grupos entrevistados e a percepção, aprendizado, interesse e autoconfiança do estudante sobre os pacientes atendidos e no diagnóstico do câncer bucal. Sobre os conhecimentos adquiridos no curso de graduação, 40 (56,3%) dos grupos B e C afirmam que é satisfatório. Quanto ao treinamento ou aulas práticas para detecção de câncer bucal, houve uma maior divergência nas respostas. No grupo B apenas 25 (35,2%) dos entrevistados considerou satisfatório e no grupo C, 28 (39,4%). Quanto ao nível de autoconfiança para realizar procedimentos de diagnóstico, 48 (67,6%) dos sujeitos do grupo B e 37 (52,1%) dos discentes do grupo C consideram ter baixa autoconfiança. A grande maioria dos alunos entrevistados consideram que o cirurgiões-dentistas tem um papel de alta relevância na prevenção do câncer bucal (Tabela 4).

Tabela 4. fatores de risco para o desenvolvimento de câncer bucal de interesse sobre o conhecimento de câncer bucal.


DISCUSSÃO

Quase 10% dos alunos concluintes do curso (grupo C) relataram conhecimento insuficiente sobre o câncer bucal, o que pode refletir falhas no processo de aprendizagem, tais como a tendência ao tecnicismo odontológico e a falta de transversalidade dos conteúdos com as outras disciplinas cursadas. Outros estudos realizados com o mesmo público em diversas regiões brasileiras e na Turquia encontram resultados similares (4, 5, 11, 12).

Outro fator importante é o pouco tempo dedicado à busca ativa do câncer bucal durante as práticas clínicas, especialmente quando há ênfase na produção de procedimentos em um período limitado, o que pode ter tido relação com o fato de alguns alunos relatarem “falta de tempo” para identificar fatores de risco e realização de exame clínico com objetivo de rastreio do câncer bucal na primeira consulta dos seus pacientes (6, 9, 11). Deve ser responsabilidade dos cursos de Odontologia reforçarem a abordagem do tema no período de formação e incentivo da prática de educação continuada durante a jornada profissional, a fim de moldar um profissional com perfil generalista que tenha condições de diagnosticar, tratar e prevenir as diversas alterações da boca. (4, 11, 13, 14).

Alguns estudos buscaram avaliar o conhecimento e habilidades de estudantes quanto ao diagnóstico do câncer bucal. O resultado obtido por esses pesquisadores coincide com os resultados encontrados neste estudo quanto ao nível elevado de respostas corretas em relação ao conhecimento sobre o tema, mas diverge na proporção de acertos entre

estudantes de diferentes períodos. O resultado apresentado pelos pesquisadores foi mais assertivo nos estudantes do último período (15-17).

As principais localizações do câncer bucal são língua e assoalho de boca e a faixa etária mais prevalente é a terceira e quarta década de vida (9, 14, 15). A maior parte dos entrevistados acertaram essas respostas, assim como em estudos anteriores na literatura (9, 15) com metodologia semelhante com discentes em Odontologia.

Infelizmente, a maior percentagem de diagnóstico do câncer bucal no Brasil ocorre na fase avançada da doença, o que reduz as possibilidades de sobrevivência e confere pior prognóstico, isso pode estar relacionado a alguns fatores, como a má formação profissional (18, 19). No presente estudo, a maioria dos entrevistados acertaram que a fase avançada é a mais comum de ser identificado esse tipo de neoplasia. Além disso, os graduandos acertaram que a lesão com potencial de malignização mais frequente é a leucoplasia, corroborando com outros autores (15, 20).

Os principais fatores de risco envolvidos no câncer bucal são: uso de álcool e tabaco e a exposição solar. Os estudantes avaliados nesta pesquisa demonstraram bons conhecimentos em relação aos principais riscos, corroborando com demais estudos na literatura (7, 11, 20, 21). Entretanto, há pesquisas que observaram que a maioria dos estudantes não sabiam sobre o consumo de álcool e exposição solar como fatores potenciais para o desenvolvimento deste câncer (12, 22). Ainda persistem teorias e ideias sobre a associação direta entre o câncer bucal e fatores como antecedentes familiares, estresse emocional, baixo consumo de frutas e vegetais, dentes em mau estado de conservação, comidas condimentadas, má higiene oral e obesidade.

Os discentes entrevistados consideraram inadequado o treinamento prático que receberam durante os anos de graduação para se ter confiança no diagnóstico de lesões malignas. No entanto, quase a metade se sente satisfeita com os conhecimentos teóricos adquiridos. Dessa forma, vale ressaltar a necessidade de medidas de educação continuada ao longo do curso de Odontologia acerca do assunto (5-7, 12, 22).

Estudos realizados com discentes de Odontologia em países com altos índices de câncer bucal como Índia, Yêmen, Jordânia, Turquia, Malásia, Espanha e Brasil trazem resultados semelhantes quando afirmam que uma parte considerável deste público não se sente

confiante em realizar os procedimentos de diagnóstico do câncer bucal, como a biópsia (5-7, 12, 14, 17, 23, 24), havendo assim, necessidade de que os espaços de prática clínica dos cursos de Odontologia incorporem procedimentos de diagnóstico do câncer bucal em suas rotinas.

Os resultados apresentados traduzem a realidade de uma única instituição de ensino superior federal do nordeste do Brasil, se refletindo em uma fragilidade deste estudo, bem como o fato da amostra ter sido de conveniência, o que pode acarretar em uma pouca representatividade dos estudantes, gerando risco de generalizações de resultados e criação de vieses. Seria importante uma pesquisa multicêntrica envolvendo cursos de Odontologia públicos e privados, a fim de encontrarmos resultados mais fidedignos sobre este assunto.

CONCLUSÕES

Os alunos entrevistados do curso de Odontologia da UFPE, sobretudo os do 5º e 10º período, têm um bom conhecimento acerca do câncer bucal e dos seus principais fatores de risco. Os estudantes de Odontologia são a futura força de trabalho e são responsáveis por diagnosticar o câncer bucal e disseminar a educação dos pacientes sobre o assunto. Por esse motivo, é de vital importância a realização de pesquisas que avaliem o conhecimento dos estudantes de Odontologia, verificando seu preparo e qualificação.

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Notas

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Financiamento: Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Aprovação ética: Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CCS-UFPE, de acordo com a resolução Nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, CAAE: 44924521.4.0000.5208, em 10 de Junho de 2021.
Contribuição de autoria: ACPO, AFCJ: coleta, análise e interpretação dos dados. ACLSL: análise estatística. JKPS, TMOF, ECS: elaboração ou revisão do manuscrito. EJAC: concepção e planejamento do estudo, coleta, análise e interpretação dos dados, elaboração ou revisão do manuscrito, aprovação da versão final, responsabilidade pública pelo conteúdo do artigo.

Notas de autor

Correspondência: Elaine Judite de Amorim Carvalho E-mail: elaine.carvalho@ufpe.br

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