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Editorial
Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, vol. 12, núm. 3, pp. I-II, 2018
Universidade Federal Fluminense



EDITORIAL

Em 2018, comemoramos os 50 anos de publicação do livro “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire (1921-1997). Autor com uma obra vasta e, ainda, pouco aproveitada nos estudos organizacionais. Buscando contribuir para a maior divulgação dos trabalhos daqueles que adotam a obra de Paulo Freire nos estudos das organizações, a Revista Pensamento Contemporâneo em Administração abriu uma chamada específica com este fim. Foram poucos os trabalhos submetidos e somente quatro aprovados. Começamos por eles.

O primeiro, uma pesquisa sobre as Práticas organizacionais do Movimiento de Trabajadores Desocupados de La Matanza à luz do pensamento de Paulo Freire, desenvolvido pela editora desta Revista, Joysi Moraes, em parceria com Maria Ceci Araujo Misoczky. Destacamos que, na perspectiva freireana, a prática organizativa e o processo de ensino-aprendizagem são inseparáveis. Assim, a prática pedagógica acontece como um exercício de auto-organização entre aqueles que a utilizam e somente é consolidada durante o próprio processo de auto-organização dos sujeitos.

Em seguida, Carolina Machado Saraiva, Lilian Cristina Gonzaga e Amanda Maria Gonçalves propõem o uso das diretrizes de formação crítica de Paulo Freire sobre a educação popular para as pesquisas críticas em Administração. Para compreender a potência da formação crítica, no texto Economia solidária como Ação Cultural para a Liberdade, se verifica, através da técnica de bricolagem, com o uso dos preceitos críticos de Freire, como as artesãs se empoderam, percebendo-se como sujeitos ativos no processo de construção de suas associações, tomando para si as questões referentes aos dilemas por elas enfrentados no dia-a-dia da gestão.

Jacir Leonir Casagrande, Nei Antonio Nunes, Juliana Pereira Michels e Paula Clarissa de Souza partiram do constructo do empoderamento cunhado por Paulo Freire (1969), como um movimento com o propósito de desenvolver a consciência crítica dos sujeitos, de modo a promover a maior liberdade e o poder de participação na sociedade. Assim, os resultados apresentados no texto Empoderamento no Programa “Mulheres SIM” do IFSC, evidencia que o Programa facilitou o desenvolvimento da autonomia, bem como a postura crítica e ativa das participantes do projeto, verificadas no processo paulatino individual e coletivo de empoderamento.

No ensaio Paulo Freire, ergologia e os discursos do empreendedorismo, Luana Jéssica Oliveira Carmo, Admardo Bonifácio Gomes Júnior, Patrícia Albuquerque Gomes e Lilian Bambirra de Assis buscam estabelecer diálogos entre conceitos abordados por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido e a ergologia, tomando como objeto de análise crítica os discursos sobre o empreendedorismo. Para os autores, os discursos sobre o empreendedorismo se apresentam como imperativos aos empreendedores, descolados da realidade e da variabilidade dos contextos socioeconômicos e desconsiderando a atividade industriosa de empreender.

Logo após os textos de pesquisadores brasileiros que buscam resgatar a potencialidade dos construtos de Paulo Freire, Monique Nascimento, Marina Coelho e Eloise Helena Livramento Dellagnelo apontam que o trabalho artístico não passa incólume ao processo de homogeneização social, uma vez que a arte se insere na mesma lógica dos demais objetos e é apropriada enquanto bem de consumo. Em Reconhecimento do trabalho artístico na sociedade de consumo, as autoras assinalam que há que se reconhecer que a obra e o fazer artístico guardam, contudo, especificidades que fazem sua inserção na sociedade do consumo produzir consequências nocivas ao artista como trabalhador.

Mirian Miranda Cohen, Chayana Leocádio da Silva e Marcelino José Jorge, por sua vez, no texto Cocriação em saúde: um levantamento sistemático da literatura, apresentam os resultados de uma investigação acerca das características da produção científica do tema Cocriação de Valor em saúde nas bases de dados de periódicos ISI Web of Science, Scopus e através da CAFe (Comunidade Acadêmica Federada) no período de 2012 a 2017.

Na mesma direção, Andréia Maria Kremer e Rafael Todescato Cavalheiro, no texto Confiança e redes: evidências teóricas sob o prisma do capital social, apresentam os resultados de uma pesquisa na buscaram identificar, através da análise integrativa da produção científica internacional, como os componentes do capital social têm sido aplicados a solução dos problemas de uso dos bens comuns.

Em seguida, no ensaio A institucionalização (ou banalização) da sustentabilidade organizacional à luz da teoria crítica, o argumento central é que as práticas voltadas às questões socioambientais se tornaram questões institucionalizadas nas organizações, visto que possuem legitimidade perante a sociedade. No entanto, Aline Eggres de Castro, Simone Alves Pacheco de Campos e Marcelo Trevisan apontam que as ações realizadas pelas grandes corporações tendem a apresentar um mínimo impacto socioambiental, sendo efetuadas apenas para manter a legitimidade, mas evitando investimentos de maior vulto. Em outros termos, são ações meramente remediadoras ou de impacto irrisório.

Evangelina da Silva Sousa e Cláudia Buhamra Abreu Romero, por sua vez, apresentam os resultados de uma pesquisa com 308 estudantes, cujos dados foram analisados via análise fatorial exploratória e regressão linear, no texto Valores materiais e de consumo ecológico: quais influenciam a intenção de compra? Os resultados evidenciaram que apenas os valores ecológicos influenciam de forma positiva a intenção de compra de produtos ecológicos. Provavelmente, os consumidores, estimulados por valores ambientais, desenvolvam uma consciência ambiental que influencie sua intenção de compra, resgatando o caráter utilitário do consumo.

A seguir, Marco Antonio Coutinho, José Marcos Carvalho de Mesquita e Cristiana Fernandes de Muylder, apresentam o texto Lealdade suprema: estudo de caso com clientes Harley-Davidson (Ultimate Loyalty: a Case Study of Harley-Davidson Clients). Segundo os autores, os construtos produto único, produto adorável, produto desejável por um segmento de mercado definido e fortitude individual são construtos que geram a lealdade suprema, ao passo que pertencer a uma rede social não é importante preditor de lealdade suprema.

Boa leitura!



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