GOVERNANÇA CORPORATIVA: UMA ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DIVULGADA NOS PERIÓDICOS CIENTÍFICOS NACIONAIS INDEXADOS NA SPELL

Henrique César Melo Ribeiro
Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Brasil

GOVERNANÇA CORPORATIVA: UMA ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DIVULGADA NOS PERIÓDICOS CIENTÍFICOS NACIONAIS INDEXADOS NA SPELL

Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, vol. 17, núm. 2, pp. 177-197, 2023

Universidade Federal Fluminense

Recepción: 06 Mayo 2023

Aprobación: 11 Agosto 2023

Resumo: O objetivo desta pesquisa foi investigar o comportamento e a tendência da formação das redes sociais e da produção científica do tema Governança Corporativa, divulgada nos periódicos científicos indexados na biblioteca eletrônica SPELL, desde o escândalo da Enron em 2001. Utilizaram-se as técnicas bibliométricas e sociométricas em 1.121 artigos. Constatou-se que as redes das palavras-chave evidenciam os seguintes temas: auditoria, bibliometria, BM&Fbovespa, Brasil, conselho de administração, desempenho, disclosure, divulgação, empresas brasileiras, empresas familiares, estratégia, estrutura de propriedade, evidenciação, gerenciamento de resultados, governança, mercado de capitais, responsabilidade social corporativa, risco, sustentabilidade, teoria da agência, transparência e valor de mercado.

Palavras-chave: Governança corporativa, Produção científica, Periódicos científicos, SPELL.

Abstract: The purpose of this research was to investigate the behavior and tendency of the formation of social networks and the scientific production of the theme Corporate Governance published in scientific journals indexed in the electronic library SPELL, since the Enron scandal in 2001. Bibliometric and sociometric techniques were used. in 1,121 articles. It was found: The keywords networks highlight the following themes: audit, bibliometrics, BM&Fbovespa, Brazil, board of directors, performance, disclosure, dissemination, Brazilian companies, family businesses, strategy, ownership structure, evidencing, earnings management, governance, market capital, corporate social responsibility, risk, sustainability, agency theory, transparency and market value.

Keywords: Corporate governance, Scientific production, Scientific journals, SPELL.

Introdução

A discussão a respeito da Governança Corporativa (GC) no Brasil ainda é recente, pois o interesse mais proeminente pelo referido tema surgiu com a abertura econômica do Brasil no início dos anos 1990, por meio da entrada de novos investidores, em decorrência das privatizações das empresas estatais, em razão da inserção de companhias brasileiras no mercado internacional, dentre outros fatores, levando as empresas a organizar suas estruturas de GC (Bolton & Zhao, 2022), em prol de responder às novas demandas do mercado competitivo (Parente & Machado Filho, 2020), porém só após os grandes escândalos corporativos mundiais, particularmente da Enron Corporation, ocorrido em 2001 (Dornelles & Sauerbronn, 2019), é que a GC tornou-se um dos principais aspectos da administração corporativa atual (Tunger & Eulerich, 2018).

Conceitua-se a GC como um campo da gestão que trata das relações entre conselhos de administração, administração da empresa, acionistas e stakeholders (Kermanian, Rafiei, Keyvanfar & Sadi-Nezhad, 2019; Kushkowski, Shrader, Anderson & White, 2020), e, que por meio de suas boas práticas, e, mecanismos, buscam maximizar a geração de valor (Ferreira, Lima, Gomes & Mello, 2019), e, concomitantemente, elevar a performance empresarial (Dissanayake, Dam, Potharla & Bhayani, 2022). Por conseguinte, a GC é vista por muitos estudiosos da administração como uma área de nicho, pois o referido campo do conhecimento contém uma riqueza de interdisciplinaridade e diversidade, e o saber dessa distinção pode resultar em maior fertilização cruzada entre acadêmicos de GC em diferentes componentes disciplinares (Kushkowski et al., 2020), tornando-se assim um dos temas mais discutidos no mundo dos negócios com grande impacto acadêmico e prático (Kreuzberg & Vicente, 2019).

Apesar de ter sido encontrado diversos estudos científicos, em estado da arte (Ribeiro, 2020), na literatura acadêmica, que investigaram a produção científica com foco no tema GC (Ferreira et al., 2019; Kermanian et al., 2019; Kreuzberg & Vicente, 2019; Kushkowski et al., 2020; Simões & Souza, 2020; Ararat, Claessens & Yurtoglu, 2021; Yan & Yifan, 2021; Di Vito & Trottier, 2022; Dissanayake et al., 2022; Effah, Asiedu & Otchere, 2022; Ribeiro & Souza, 2022; Pandey, Andres & Kumar, 2023), não foram achados trabalhos científicos publicados que versavam em investigar o comportamento e a tendência da formação das redes sociais e da produção científica do tema Governança Corporativa divulgada nos periódicos científicos indexados na biblioteca eletrônica SPELL, desde o escândalo da Enron em 2001. Este objetivo tem o propósito de consolidar o conhecimento neste campo do saber, examinando sua evolução e propondo caminhos para pesquisas futuras (Di Vito & Trottier, 2022).

Logo, este artigo enfoca as pesquisas científicas de GC que surgiram após o escândalo da Enron, cerca de 20 anos atrás (Ribeiro, 2022), que desencadeou o aumento do interesse de investidores, reguladores e da sociedade em geral nas várias dimensões da GC (Pandey, Andres & Kumar, 2023). Por conseguinte, a questão de pesquisa que alicerçou e norteou este estudo foi: Qual é o comportamento e a tendência da formação das redes sociais e da produção científica do tema Governança Corporativa divulgada nos periódicos científicos indexados na biblioteca eletrônica SPELL? Metodologicamente, foram utilizadas as técnicas bibliométricas, e, de ARS ou sociometria (Pessoa Araújo, Mendes, Gomes, Coelho, Vinícius & Brito, 2017; Tunger & Eulerich, 2018), sendo está última, de maneira predominante, nesta pesquisa por explorar e descrever características estruturais (Backes, Serra, Scafuto & Lima, 2020), dos atores nas redes sociais (Pauli, Basso, Gobi & Bilhar, 2019).

Acresce-se aqui o estudo dos autores Ribeiro e Santos (2015) que analisou o perfil e a evolução do tema GC nos periódicos nacionais Qualis Capes A1 a B2 (triênio 2010-2012), durante o período de 1999 a 2013, em 319 artigos por meio das técnicas da bibliometria e da ARS, consubstanciando as mencionadas técnicas para este tipo de pesquisa. Por conseguinte, o atual estudo complementará a pesquisa dos citados autores, além de enfatizar a SPELL como base de dados nacional brasileira para busca de estudos sobre o tema GC, alargando e robustecendo o mapeamento da produção científica brasileira relativamente ao tema ora investigado.

Sendo assim, apesar dos estudiosos brasileiros estarem publicando pesquisas sobre GC em revistas internacionais, esta pesquisa estabeleceu o foco nos periódicos nacionais brasileiros indexados na SPELL. Esta iniciativa e opção possibilitam aplicar, por exemplo, a Lei de Bradford, que é uma das leis que embasa a bibliometria, e, com isso, identificar as revistas nacionais brasileiras que mais publicaram estudos em GC, como também as instituições mais prolíferas (Machado Junior, Souza, Parisotto & Palmisano, 2016). Deste modo, este trabalho acadêmico contribui e possibilita melhor entendimento e compreensão de todo o panorama que envolve as publicações de pesquisas científicas em GC no Brasil à luz das técnicas da bibliometria (Machado Junior, Palmisano, Mazzali & Campanário, 2015) e, da ARS (Ribeiro & Santos, 2015).

Justifica-se o uso da bibliometria nesta pesquisa, pois a referida técnica, nos últimos anos, capturou o interesse de pesquisadores em todo o mundo, permitindo ter dados sobre um determinado campo ou tema de pesquisa científica, e, as métricas de ARS são baseadas essencialmente na teoria de grafos e permitem investigar a estrutura e as relações da rede como um todo, subgrupos de atores e atores individualmente dentro da rede de colaboração, e, neste estudo, tentou-se capturar insights sobre o estudo da GC, na produção científica nacional brasileira, utilizando-se, para isso, da bibliometria e, notadamente, da ARS, por meio da Scientific Periodicals Electronic Library – SPELL (Bordin; Gonçalves & Todesco, 2014; Dissanayake et al., 2022; Ribeiro & Corrêa, 2022).

Aqui se faz um adendo ao informar que as pesquisas (Ferreira et al., 2019; Kermanian et al., 2019; Kreuzberg & Vicente, 2019; Kushkowski et al., 2020; Simões & Souza, 2020; Ararat, Claessens & Yurtoglu, 2021; Yan & Yifan, 2021; Di Vito & Trottier, 2022; Dissanayake et al., 2022; Effah, Asiedu & Otchere, 2022; Ribeiro & Souza, 2022; Pandey, Andres & Kumar, 2023) usaram várias bases de dados nacionais e com particular referência aos indexadores internacionais, tais como Periódico Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), SPELL, EBSCO, Emerald Group Publishing, ISI Web of Knowledge, ProQuest, Science Direct, Scopus e Wiley Online Library, para o encontro de artigos sobre GC (Santos, Crispim, Oliva & Dornelles, 2020). Contudo, nenhuma destas pesquisas científicas enfocou de maneira integral, e proeminente, a biblioteca eletrônica SPELL durante uma temporalidade maior que 20 anos, nem tão pouco enfatizou, de forma mais alargada e robusta, a ARS colocando em relevo as análises de redes (Ribeiro & Souza, 2022), contribuindo para investigar os atributos individuais dos atores que compõem as citadas redes (Welter, Souza, Trajano e Behr, 2021).

Alega-se a escolha da SPELL pela relevância desta biblioteca na difusão, disseminação e socialização de artigos científicos, em especial nas áreas de Administração, Contabilidade e Turismo (Atamanczuk & Siatkowski, 2019), sendo, com isso, responsável pelo aumento da visibilidade da produção científica nacional brasileira, e, consequentemente, por influenciar no crescimento das citações dos periódicos científicos indexados na SPELL (Rossoni, 2018). Nesta data, a SPELL tem indexados 116 periódicos científicos (SPELL, 2023), influenciando, em sua proeminência, estudos relacionados a bibliometria e a ARS (Ribeiro & Corrêa, 2022). Por fim, a SPELL está vinculada à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração – ANPAD (Guimarães, Motta, Farias, Kimura, Quintella & Carneiro, 2018; Fagundes & Schreiber, 2020).

Reforça-se que a continuidade pela discussão sobre o tema GC deve ser estimulada (Ferreira et al., 2019). Deste modo, acredita-se que o desenvolvimento de novos estudos sobre a GC seja o fruto do surgimento de novas pesquisas longitudinais publicadas e socializadas na literatura investigada, caracterizando a relevância desta pesquisa. Logo, este estudo contribui para a literatura científica na área do conhecimento Administração e afins ao apresentar as fundações das pesquisas acadêmicas sobre a GC mediante indicadores bibliométricos, e, sobretudo, os sociométricos influenciando no surgimento de futuras pesquisas ao investigar o comportamento e as tendências de pesquisa do referido tema o escândalo da Enron em 2001 (Simões & Souza, 2020; Pandey, Andres & Kumar, 2023).

Essa pesquisa pode contribuir para a academia, pois abrirá oportunidades de colaboração entre pesquisadores de GC que anteriormente tinham pouco ou nenhum conhecimento um do outro. Logo, à medida que o campo do saber da GC amadurece e se expande em subdisciplinas, os estudiosos estarão inclinados a rastrear histórias intelectuais e indicar fontes de longo prazo, e, esta pesquisa pode colaborar e fornecer essa perspectiva para futuros pesquisadores (Kushkowski et al., 2020), oportunizando o o surgimento da publicação de novas pesquisas científicas sobre GC (Maulana, 2022).

Governança Corporativa

A GC pode ser definida como o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, Conselho de Administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais stakeholders (IBGC, 2023), porém, o estímulo da discussão sobre a GC é, em grande parte, cominado ao advento dos escândalos financeiros e corporativos dos anos 2000, sobretudo da empresa Enron (Kreuzberg & Vicente, 2019), que finalmente levou à aprovação da Lei Sarbanes-Oxley em 2002 nos EUA com o objetivo de mitigar a possibilidade de os administradores e auditores fraudarem os resultados das empresas (Santos et al., 2020), e, para proteger melhor os investidores contra possíveis fraudes e fortalecer a GC.

No entanto, o tema GC tornou-se ainda mais popular após a crise financeira de 2008, na qual a falta de boa GC no setor financeiro chamou a atenção do público (Zheng & Kouwenberg, 2019), denotando uma interseção forte entre finanças corporativas e a GC (Sanvicente, Kayo, Armada & Nakamura, 2020). Dessarte, a GC cruza as fronteiras disciplinares, incluindo as contribuições para as áreas do conhecimento da administração, contabilidade, direito, economia, estratégia, finanças dentre outras, colocando assim em relevo a interdisciplinaridade e a própria característica colaborativa das pesquisas científicas sobre a GC (Kushkowski et al., 2020; Ribeiro, 2021). E outra área do conhecimento que se conecta diretamente com a GC é a contabilidade (Porte, Saur-Amaral & Pinho, 2018), especialmente levando em consideração a transparência das informações (Ribeiro, 2020).

Posto isto, entende-se que a GC enfatiza a transparência das informações, que é o princípio balizador da própria GC mais influente, pois ajuda as empresas, com o tempo, a mitigar os conflitos de interesse, reduzindo as assimetrias de informação entre os stakeholders (Kermanian et al., 2019; Martins & Ventura Júnior, 2020). De maneira geral, as boas práticas de GC convertem princípios básicos, ou seja, por meio de seus pilares: a transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa, em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da empresa, viabilizando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão empresarial, sua continuidade e o bem comum (Sousa, Passos, Dallagnol, Duarte Junior & Costa, 2021; IBGC, 2023).

Em busca de atender os pilares que balizam a GC, as empresas se utilizam de diferentes mecanismos como, por exemplo: o Conselho de Administração, a estrutura de propriedade, comitês específicos (Costa, Sampaio & Flores, 2019; Bolton & Zhao, 2022). Destarte, realça-se o Conselho de Administração, pois é um dos temas mais estudados dentro do sistema de GC (Parente & Machado Filho, 2020), e, portanto, chama a atenção dos pesquisadores (Sanvicente et al., 2020), podendo ser explicado pelo seu desempenho, e pelo seu papel crucial na GC das empresas, pois monitora a performance dos altos executivos em nome dos acionistas, ajudando assim a definir o norte estratégico geral da empresa (Zheng & Kouwenberg, 2019). Em linhas gerais, o Conselho de Administração é um mecanismo de GC principal capaz de minimizar o conflito de agência (Jensen & Meckling, 1976).

No que é referente aos conflitos de interesse, é o principal aspecto abordado na Teoria da Agência (Kreuzberg & Vicente, 2019) implicando para a empresa custos decorrentes da relação principal-agente em implicação da racionalidade dos agentes econômicos (Massa, Partyka & Lana, 2020). A Teoria da Agência, “[...]em suma, refere-se ao relacionamento existente entre principal e agente, no qual uma pessoa (principal) contrata outra (agente) para executar algo que envolva a delegação de tomada de decisão e autoridade” (Lacruz, 2020, p. 476). Nesse sentido, identificou-se na literatura acadêmica nacional e, de maneira especial na internacional, uma predominância de aspectos relacionados à Teoria da Agência (Kreuzberg & Vicente, 2019) em trabalhos acadêmicos que formam o mainstream dos estudos em GC, mostrando a consolidação e legitimação da referida teoria como principal lente teórica das pesquisas científicas em GC no mundo (Parente & Machado Filho, 2020).

Procedimentos metodológicos

O objetivo deste estudo foi investigar o comportamento e a tendência da formação das redes sociais e da produção científica do tema Governança Corporativa divulgados nos periódicos científicos indexados na biblioteca eletrônica SPELL, desde o escândalo da Enron em 2001. Para isto, utilizaram-se as técnicas de investigação bibliométrica, mediante a análise documental (Medeiros Araújo, Azevedo, Vieira & Nascimento, 2014), e, de ARS (Tunger & Eulerich, 2018), sendo que está última, de forma mais dominante neste estudo.

Em relação a bibliometria, este estudo alicerçou-se das leis clássicas dos estudos bibliométricos, que são: (i) Lei de Lotka, que está conexa à produtividade dos pesquisadores (Moretti & Campanario, 2009); (ii) Lei de Bradford, que está anexa à dispersão e importância dos periódicos científicos (Machado Junior et al., 2016); e (iii) Lei de Zipf, que é relacionada às temáticas do campo do conhecimento e ou tema ora investigado (Cuenca, Tomei & Mello, 2022). Ainda cabe mencionar e enfocar a Lei de Price que pondera sobre o elitismo dos pesquisadores e ou dos periódicos científicos (Pessoa Araújo et al., 2017; Ribeiro & Corrêa, 2022).

Realça-se, assim, a bibliometria como sendo uma forma de avaliação do conhecimento científico e de mensuração dos fluxos de informação, e, ARS é uma das metodologias usadas pela própria bibliometria para isso, para aferir, assim, as redes de colaboração do saber acadêmico e, concomitantemente, de sua fluidez do conhecimento, por meio de seus atores que são responsáveis pela construção, divulgação e socialização dos saberes científicos (Francisco, 2011; Favaretto & Francisco, 2017; Ribeiro & Corrêa, 2022). Desta forma, constata-se que a bibliometria e a ARS são práticas legitimadas, consolidadas e institucionalizadas na literatura científica para investigar a produção científica de temas e ou áreas do saber (Pessoa Araújo et al., 2017).

A ARS possui elementos importantes para melhor entendê-la e compreendê-la, ou seja, formas de verificar a estrutura e as interações de uma rede social, entre as quais ficam em relevo as seguintes: díade, tríade, laço forte, laço fraco, nós, lacuna estrutural, densidade e centralidade. A díade é uma conexão entre dois atores. Já a tríade é um conjunto de três atores e dos possíveis laços de relacionamento entre eles. Os laços, que são situados pelos atores em um determinado panorama, definem, assim, padrões de relação e dinâmica de interação. Laço forte, versa sobre a cooperação entre atores que já se conhecem, influenciando no fortalecimento das cooperações, e, das informações e dos conhecimentos compartilhados. Laço fraco representa os laços indiretos, operacionalizados mediante a interação entre um pesquisador que publica com outros autores (Nascimento & Beuren, 2011; Bach, Domingues & Walter, 2013). Aqui se faz um adendo ao mencionar os small-world ou pequenos mundos, que são as conexões entre os atores de forma esparsa (Rossoni, Hocayen-da-Silva & Ferreira Júnior, 2008; Mendes-da-Silva, Onusic & Giglio, 2013).

Os nós, que são as posições que definem as localizações relativas dos atores na estrutura da rede. Lacuna estrutural enfoca os contatos não-vinculados em uma determinada rede social. A existência dessas lacunas, fornece uma vantagem competitiva para o ator que realiza a interação entre as diferentes redes de colaboração, haja vista que os atores não-conectados não possuem acesso antecipado, amplo e privilegiado às informações do outro grupo de estudiosos. O grau de densidade da rede que é compreendido como o conjunto de conexões dos atores. E as centralidades, que são propriedades de redes mais utilizadas, as quais fazem emergir as características pertinentes à relevância ou visibilidade de um determinado ator em uma rede de colaboração (Mello, Crubellate & Rossoni, 2010; Bach, Domingues & Walter, 2013; Williams dos Santos & Farias Filho, 2016; Allegretti, Moysés, Werneck, Quandt & Moysés, 2018; Farias & Carmo, 2021; Severiano Junior, Cunha, Zouain & Gonçalves, 2021; Ribeiro, 2022).

Dentre estas centralidades, se faz distinção à centralidade de grau que é a propriedade que vislumbra a atividade relacional de um ator (Balestrin, Verschoore & Reyes Junior, 2010), ao mensurar o número de interações de cada um destes atores em um grafo (Alves, Pavanelli & Oliveira, 2014), isto é, o número de parcerias na criação e publicação do estudo científico (Favaretto & Francisco, 2017; Pessoa Araújo et al., 2017). E a centralidade de intermediação que é a propriedade que enfatiza o potencial de intermediação dos atores, ao aferir quanto um determinado ator age como norte, colaborando assim para alargar as ligações dos múltiplos atores da rede social (Bataglin, Semprebon, Carvalho & Porsse, 2021). Aqui cabe vislumbrar que, neste estudo, optou-se por realçar as centralidades de grau e de intermediação, tal escolha se apresenta por estas conexões estruturais serem a mais comuns e mais diretas medidas de centralidade (Cunha & Piccoli, 2017; Favaretto & Francisco, 2017).

O universo de investigação colocou em relevo todos os artigos das revistas científicas disponibilizadas na base de dados SPELL. Reforça-se que a escolha do banco de dados SPELL deve-se pela aderência à proposta desta pesquisa, tendo em vista que a SPELL é uma base de dados com grande volume de revistas científicas indexadas e pesquisas acadêmicas produzidas no Brasil, no que tange as Ciências Sociais Aplicadas e, em especial, as produções acadêmicas do campo do saber da Administração (Anjo, Brito & Brito, 2022). Estudos publicados recentemente usaram a SPELL como base de dados para pesquisas bibliométricas e ou sociométricas (Ribeiro, 2020; Albuquerque, Campos, Sousa, Moura & Sousa, 2022; Ribeiro, 2022), autenticando e deixando consistente o referido banco de dados para estes tipos de investigação no contexto nacional brasileiro. O estudo de Ribeiro e Corrêa (2022) ratifica tal informação ao evidenciar em seus achados que, a SPELL está entre as TOP Five de banco de dados que os autores utilizam para realizar pesquisas com foco bibliométrico e ou sociométrico no Brasil.

O processo de seleção da amostra dos artigos se deu da seguinte forma: a) escolha das palavras-chave aplicadas no filtro de procura da base de dados; b) coleta dos dados na base SPELL; c) busca pelas palavras-chave nos títulos, resumos e palavras-chave dos artigos; d) definição da amostra, por meio da leitura dos títulos e/ou resumos de cada artigo. Na base de dados SPELL, colocou-se um filtro com as palavras-chave “governança corporativa”, “corporate governance”, “gobierno corporativo”. Essa palavras-chave foram procuradas no título, resumo e palavras-chave de cada artigo, de forma não simultânea, consentindo, assim, que todos os artigos sobre o tema objeto de investigação desta pesquisa fossem identificados e relacionados.

Com isso, a amostra ficou composta por 1.121 artigos, em um recorte temporal dos anos de 2002 a 2022. As análises destes 1.121 trabalhos acadêmicos foram realizadas mediante os indicadores bibliométricos e de ARS: (i) períodos e o número de artigos; (ii) periódicos científicos; (iii) redes de coautoria; (iv) redes de colaboração das instituições; e (v) redes sociais das palavras-chave. Os referidos dados e informações foram retirados dos respectivos artigos, e, a posteriori, iniciados os procedimentos de mensuração das matrizes simétricas, e, em seguida, a visualização gráfica das redes colaboração dos tocantes atores. A Figura 1 vislumbra as datas de início e término de cada iniciativa. Os dados bibliométricos foram aferidos por meio dos softwares Bibexcel e Microsoft Excel 2007; e os indicadores de ARS foram mensurados mediante os softwares UCINET e NetDraw.

Etapas da pesquisa
Figura 1:
Etapas da pesquisa
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Apresentação e análise dos resultados

Esta seção enfocará a análise e a discussão dos resultados dos 1.121 estudos identificados nesta pesquisa, por meio dos seguintes indicadores bibliométricos e sociométricos: (i) períodos e o número de artigos; (ii) periódicos científicos; (iii) redes de coautoria; (iv) redes de colaboração das instituições; e (v) redes sociais das palavras-chave. A Figura 2 evidencia os períodos de publicação dos artigos sobre o tema GC indexados nas revistas científicas indexadas na SPELL.

Períodos de publicação dos artigos
Figura 2:
Períodos de publicação dos artigos
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Analisando a Figura 2, constata-se que a pesquisa sobre GC cresceu significativamente na última década, em especial a partir de 2002 (Ribeiro & Santos, 2015), mostrando e, corroborando sua importância e reconhecimento na área acadêmica (Maulana, 2022) sob a ótica dos estudos científicos publicados nas revistas acadêmicas indexadas na SPELL. Tal fato pode estar atrelado a abrangência destas pesquisas a vários aspectos da administração e disclosure das informações nos negócios, como relatórios financeiros, Responsabilidade Social Corporativa (RSC), sustentabilidade e muitas outras externalidades no processo de construção do saber GC (Effah, Asiedu & Otchere, 2022).

Assim sendo, a GC e sua evolução têm uma forte interseção e apelo nas tendências econômicas e sociopolíticas em andamento no mundo, influenciando de maneira cabal e, natural, em seu desenvolvimento empresarial e acadêmico (Ararat, Claessens & Yurtoglu, 2021; Bolton & Zhao, 2022), confirmando e mostrando que a pesquisa científica em GC tem raízes ricas e multidisciplinares e, a colaboração interdisciplinar entre pesquisadores da área de GC (Kushkowski et al., 2020), faz estimular, legitimar e consolidar ainda mais o citado tema no âmbito cientifico nacional brasileiro por meio de seus achados e contribuições publicadas em periódicos científicos (Rossoni, 2018).

Em suma, a Figura 2 demonstra que os artigos no campo da GC costumam ser um tópico de nicho desde o início da década de 2000, enfatizando diferentes aspectos da GC, se tornando assim onipresentes em revistas acadêmicas. E a Figura 2 mostra o desenvolvimento do número de publicações por ano na SPELL desde 2001, constatando que a pesquisa sobre GC cresceu significativamente desde o escândalo corporativo da Enron (Pandey, Andres & Kumar, 2023). Sobre os últimos 21 anos (2002 a 2022), o número de trabalhos de pesquisa publicados em GC por ano aumentou de oito em 2002 para um pico de 102 em 2019, equivalendo a um aumento percentual de 1.175% das publicações.

De acordo com a Lei de Bradford, o nível de relevância dos periódicos científicos pode ser mensurado a partir de um conjunto de três zonas, sendo cada zona com aproximadamente 1/3 do total dos estudos. Contempla-se que a zona 1 contém um pequeno número de revistas científicas que são altamente produtivas; a segunda zona, realça um número maior de periódicos acadêmicos menos produtivos; enquanto a zona 3 vislumbra um volume ainda maior de periódicos acadêmicos com reduzida produtividade sobre um determinado assunto, que nesta pesquisa enfoca a GC (Machado Junior et al., 2016). Então, a Figura 3.1 vislumbra os 32 periódicos científicos que compõem conjuntamente as Zonas 1 e 2. Realça-se que a referida figura ainda contempla o novo Qualis CAPES quadriênio 2017-2020, e, a quantidade de estudos publicados sobre GC por cada revista acadêmica.

Periódicos científicos que compõem as zonas 1 e 2
Figura 3.1:
Periódicos científicos que compõem as zonas 1 e 2
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Verificando a Figura 3.1, a Contabilidade, Gestão e Governança foi a revista científica mais profícua no que concerne a divulgação de estudos sobre GC, com 46 publicações. Aqui se faz um suplemento ao enfocar que o citado resultado é confirmado integralmente no estudo de Ribeiro e Souza (2022), no que se entende ser o periódico científico mais fecundo para publicações sobre GC no âmbito acadêmico nacional brasileiro. A seguir, destaca-se o periódico Revista Contemporânea de Contabilidade que divulgou 42 estudos; e pela Revista de Governança Corporativa com 37 pesquisas evidenciadas, sendo tais revistas científicas podendo ser consideradas o núcleo de periódicos que aborda o assunto, GC, de maneira mais extensiva (Machado Junior et al., 2016). Das três revistas científicas colocadas nas primeiras colocações na zona 1, citam-se duas que são periódicos acadêmicos especializados ao tema GC, levando a considerar que os pesquisadores que enveredam para o tema GC, costumam publicar seus respectivos estudos em revistas científicas especializadas (Medeiros Araújo et al., 2014).

Ainda cabe enfatizar as revistas acadêmicas: Enfoque Reflexão Contábil e RAUSP Management Journal, ambas com 35 estudos divulgados; Revista BASE da UNISINOS (com 34 publicações), Revista Universo Contábil (31 divulgações), Revista Contabilidade & Finanças da USP (29), Revista Metropolitana de Governança Corporativa (28) e Contabilidade Vista & Revista (com 27 pesquisas divulgadas). Tais resultados vão ao encontro das pesquisas dos autores Machado Junior et al. (2015) e Ribeiro e Santos (2015). Constata-se, de acordo com a Lei de Bradford, a existência de periódicos científicos centrais estáveis para divulgação de estudos sobre GC (Yan & Yifan, 2021).

Já a Figura 3.2 coloca em evidência as 81 revistas acadêmicas que publicaram sobre o tema GC neste estudo, as quais estão na Zona 3 desta pesquisa. Salienta-se que, entre parênteses, em cada revista estão o número de divulgações de pesquisas sobre GC.

Periódicos científicos que compõem a zona 3
Figura 3.2:
Periódicos científicos que compõem a zona 3
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

As Figuras 3.1 e 3.2 fornecem uma espécie de orientação para pesquisadores sobre os periódicos científicos que se adequam ou se relacionam com o foco da GC, por meio de seus relativos escopos, criando a possibilidade de posterior publicação de seus achados e contribuições. Isso é particularmente útil para novos estudiosos que pesquisam este campo do saber, apresentando-lhes as principais revistas científicas que estão sendo exploradas para avançar no tema GC (Pandey, Andres & Kumar, 2023).

A Figura 4 visualiza as redes de coautoria as quais são compostas por 6.598 laços e 1.979 nós. Ainda na Figura 4, foi mensurada uma densidade de 0,0019 com um desvio-padrão de 0,0527. Tal achado enfoca que somente 0,19% das interações entre os pesquisadores são efetivamente realizadas, estando aquém do esperado (Williams dos Santos & Farias Filho, 2016), impactando e evidenciando em uma rede de colaboração entre os acadêmicos esparsa e, com laços fracos (Bach, Domingues & Walter, 2013), no que concerne a publicação de estudos sobre GC no Brasil (Ribeiro & Santos, 2015).

Redes de coautoria
Figura 4:
Redes de coautoria
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

A Figura 5 realça uma rede de coautoria similar vista na Figura 4, contudo, colocando em relevo a centralidade de grau.

Redes de coautoria (degree)
Figura 5:
Redes de coautoria (degree)
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Os autores com maior centralidade de grau são: Márcia Martins Mendes De Luca, Marcelle Colares Oliveira, Vera Maria Rodrigues Ponte, Alessandra Carvalho de Vasconcelos, Paulo Roberto da Cunha, Fernanda Maciel Peixoto, Roberto Carlos Klann, Geovanne Dias de Moura, Rosilene Marcon e Ernesto Fernando Rodrigues Vicente. De maneira geral, os citados e destacados estudiosos são os que contêm um maior número de publicações de pesquisas científicas em GC por meio de parcerias, colocando em relevo sua centralidade de grau (Favaretto & Francisco, 2017). Pode-se compreender, também, que as características individuais de pesquisa científica de cada estudioso influenciam seus potenciais atinentes de contribuição para fomento de novas parcerias, tanto entre autores quanto entre PPGs (Welter et al., 2021).

De maneira geral, pode-se constatar que estes estudiosos têm uma ampla conexão (parceria) com outros autores, deixando contundente a atividade relacional das informações e dos conhecimentos divulgados, disseminados e socializados acerca do tema GC no painel literário científico nacional brasileiro, e, assim, pode-se enfatizar que os citados pesquisadores em relevo estão entre os mais profícuos no que tange a produção acadêmica, e, com isso, podem ser considerados os mais influentes nas pesquisas científicas sobre a GC no Brasil à luz dos periódicos indexados na SPELL (Pessoa Araújo et al., 2017; Ribeiro & Corrêa, 2022). Aqui se faz necessário também enfatizar os autores: Henrique César Melo Ribeiro, Hudson Fernandes Amaral, Kárem Cristina de Sousa Ribeiro e Orleans Silva Martins, pois, mesmo não ficando em grifo na Figura 5, são proeminentes no que toca a produção científica em GC.

Em referência as parcerias entre os acadêmicos em saliência na Figura 5, têm-se as mais proeminentes: Márcia Alessandra Carvalho de Vasconcelos e Martins Mendes De Luca (publicaram 18 vezes em parceria); Marcelle Colares Oliveira e Vera Maria Rodrigues Ponte (oito publicações em parceria); e Márcia Martins Mendes De Luca e Vera Maria Rodrigues Ponte (seis publicações em parceria). Ainda cabe mencionar as parcerias entre os acadêmicos: Hudson Fernandes Amaral e Laise Ferraz Correia (divulgaram 10 vezes em conjunto). Com sete publicações em parceria aparecem as duplas de estudiosos: Patrícia Vasconcelos Rocha Mapurunga e Vera Maria Rodrigues Ponte; Patricia Morilha Muritiba e Sérgio Nunes Muritiba; e Alexandre Di Miceli da Silveira e Lucas Ayres Barreira de Campos Barros.

Com seis artigos divulgados em conjunto surgem os acadêmicos: Geovanne Dias de Moura e Sady Mazzioni; Augusto Cézar de Aquino Cabral e Sandra Maria dos Santos; Paula Carolina Ciampaglia Nardi e Ricardo Luiz Menezes Silva; e Andre Luiz Carvalhal da Silva e Ricardo Pereira Câmara Leal. Com cinco publicações em parceria têm-se os pesquisadores: Geovanne Dias de Moura e Silvana Dalmutt Kruger; Edilson Paulo e Orleans Silva Martins; Kárem Cristina de Sousa Ribeiro e Pablo Rogers; Henrique César Melo Ribeiro e Benny Kramer Costa; Ademir Clemente e Ricardo Adriano Antonelli; e Joséte Florencio dos Santos e Moisés Araújo Almeida.

Aqui se observam laços fortes entre estes estudiosos, corroborando sobre a densa colaboração entre eles. E isto é explicado em decorrência destes autores já se conhecerem na academia, impactando, de maneira alargada e robusta, no fortalecimento de suas interações, e, simultaneamente, no aprimoramento das informações e dos conhecimentos compartilhados (Bach, Domingues & Walter, 2013) sobre GC no âmbito acadêmico nacional brasileiro (Machado Junior et al., 2015; Ribeiro & Santos, 2015), influenciando, também, na produção científica dos Programas de Pós-Graduação (PPGs) do Brasil (Nascimento & Beuren, 2011), que é um importante indicador de qualidade para estes (Pauli et al., 2019), particularmente no Stricto Sensu (Backes et al., 2020).

A Figura 6 enfatiza novamente a rede de coautoria, porém, neste caso, colocando em evidência a centralidade de intermediação que aflora o estabelecimento de ligações entre outros grupos de autores (Favaretto & Francisco, 2017), contribuindo, assim, para robustecer o fluxo de informações e conhecimentos sobre um determinado tema (Bataglin et al., 2021), que, nesta pesquisa, realça a GC.

Redes de coautoria (betweenness)
Figura 6:
Redes de coautoria (betweenness)
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Desta maneira, os autores que obtiveram um maior destaque na centralidade de intermediação neste estudo foram: Marcelle Colares Oliveira, Ernesto Fernando Rodrigues Vicente, Donizete Reina, Fernando Dal-Ri Múrcia, Rosilene Marcon, Márcia Martins Mendes De Luca, Maísa de Souza Ribeiro, Patrícia Maria Bortolon, José Alonso Borba e Ilse Maria Beuren. Destes estudiosos, Márcia Martins Mendes De Luca, Marcelle Colares Oliveira, Ernesto Fernando Rodrigues Vicente e Rosilene Marcon também ficaram em relevo como autores mais centrais no que trata ao degree, como, também, estão entre os mais produtivos em pesquisas científicas no âmbito nacional brasileiro sobre a GC.

Tais achados são corroborados de maneira similar nas pesquisas de: Machado Junior et al. (2015), Ribeiro e Santos (2015), Ferreira et al. (2019) e Ribeiro e Souza (2022), dando ênfase aos produtivismo acadêmico (Severiano Junior et al., 2021), e, concomitantemente, a produtividade dos autores, indo ao encontro do que versa a Lei de Lotka, ou seja, menos autores costumam publicar mais estudos, e, são mais citados, e, mais acadêmicos divulgam menos pesquisas (Moretti & Campanario, 2009; Machado Junior et al., 2016; Ribeiro & Corrêa, 2022).

Neste estudo, aproximadamente, 80% dos acadêmicos publicaram apenas um artigo sobre o tema GC, indo ao encontro, de maneira similar, do que fora observado nos resultados das investigações dos autores Ribeiro e Santos (2015) e Ribeiro e Souza (2022), sendo superior àquela recomendada pela Lei de Lotka, isto é, 60% (Machado Junior et al., 2016). De maneira geral, os pesquisadores com maior regularidade de pesquisas científicas publicadas, e, particularmente, aqueles com notório relevo nas Figuras 5 e 6, podem ser vistos e considerados como a elite dos autores (Pessoa Araújo et al., 2017), que proliferam as investigações sobre a GC na literatura científica nacional brasileira.

Deste modo, é possível, salutar e compreensível afirmar, sob a ótica das revistas científicas indexadas na SPELL, que os citados autores são os mais importantes, proeminentes, relevantes e, de certa forma, necessários para a publicação, propagação, disseminação e socialização das informações e dos saberes acerca do tema ora em investigação na academia, pois, além de serem os mais influentes (Balestrin, Verschoore & Reyes Junior, 2010), também servem de norte e pontes (Pessoa Araújo et al., 2017), para a construção e divulgação dos conhecimentos acadêmicos em GC no Brasil (Machado Junior et al., 2015; Ribeiro & Santos, 2015), influenciando diretamente na consolidação e legitimação das pesquisas acadêmicas nos PPGs e, de suas Instituições de Ensino Superior (IES) peculiares (Mello, Crubellate & Rossoni, 2010).

A Figura 7 faz emergir as redes de colaboração das instituições, sendo composta por 1.174 laços e 311 nós, e, com uma densidade de 0.0168 assemelhando-se a 1,68% das conexões efetivamente realizadas entre as instituições identificadas nesta pesquisa.

Redes de colaboração das instituições
Figura 7:
Redes de colaboração das instituições
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Tal sondagem vai ao encontro do que é dito sobre os laços fracos de atores em redes sociais, ou seja, a pouca interação, faz surgir lacunas estruturais, inviabilizando uma maior troca de informações e conhecimentos entre os atores desta rede de cooperação, influenciando na baixa densidade desta suposta rede (Bach, Domingues & Walter, 2013), como é o caso do tema GC, sendo que tal afirmação e achado foram corroborados, de maneira análoga, na pesquisa dos autores Ribeiro e Santos (2015), os quais encontraram uma densidade de 0.0226, aproximando-se da encontrada no atual estudo.

O que faz instigar a pensar e compreender que, as redes de colaboração das instituições nacionais brasileiras, ainda continuam abaixo do satisfatório em vínculos de relacionamento entre atores em redes sociais (Williams dos Santos & Farias Filho, 2016), podendo ser em razão da maior troca de informações e saberes entre autores que já se conhecem (Bach, Domingues & Walter, 2013), e, também, pelo baixo número de estudiosos que servem de caminho e alicerce para outros acadêmicos, sendo que quanto mais “pontes” e “nortes” a rede social tivermaior será sua densidade, e, consequentemente, as redes de cooperação entre as instituições e seus específicos PPGs serão impactadas (Mello, Crubellate & Rossoni, 2010), isto é, o estabelecimento de redes com um alto grau de densidade influencia em uma alta coesão interna entre os atores, podendo aumentar o desempenho dos PPGs no que se refere a produção científica (Pauli et al., 2019).

Posto isto, é salutar harmonizar a troca de saberes científicos, no caso sobre o tema GC, com outros grupos de pesquisa, clusters, mediante, congressos científicos, alavancando assim um maior network e, novas e futuras parcerias com acadêmicos, em especial, os iniciantes que desejam fortalecer o conhecimento acerca da GC. Logo, o câmbio novo de informações, entre autores mais centrais, no que concerne ao degree ou ao betweenness, com pesquisadores juniores, faz surgir novos vínculos de interesse mútuo, contribuindo para avançar e evoluir a permuta, colaborando para aprofundar laços, fomentando-os e, concomitantemente, aumentando a densidade das redes de coautoria, e, sobretudo, das redes de colaboração entre as instituições e, de seus respectivos PPGs (Nascimento & Beuren, 2011). Em outras palavras, a densidade de cada rede social, colocando em realce as redes de coautoria, pode influenciar, de maneiras diferentes, na performance dos PPGs, e, concomitantemente das IESs (Pauli et al., 2019).

A Figura 7 ainda coloca em relevo um cluster de instituições que se destacam, sendo aferida por 262 nós e 1.136 laços, correspondendo a cerca de 84% do montante das instituições identificadas nesta pesquisa, que foram 311. A referida rede de colaboração, que ficou em relevo mediante a Figura 7, é mais bem visualizada por meio da Figura 8, destacando a centralidade de grau.

Redes de colaboração das instituições (degree)
Figura 8:
Redes de colaboração das instituições (degree)
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Atentando a Figura 8, captam-se as IESs com maior centralidade de grau, para esta pesquisa, são: USP, UFMG, FURB, UNINOVE, UFRGS, UFPR, FGV (SP), UFC, UFPB, UFSC, PUC (SP), FMU, PUC (PR), FECAP, UFU e UNIVALI. Tais achados são bem similares à pesquisa de Ribeiro e Santos (2015), mostrando a importância, influência e relevância destas IESs para a construção do conhecimento científico sobre o tema GC, e, simultaneamente, agregando valor acadêmico para os seus pertencentes PPGs das áreas de Administração e Contabilidade (Backes et al., 2020; Welter et al., 2021), ajudando e contribuindo, a posteriori, em suas concernentes consolidações e legitimidades no cenário literário nacional brasileiro.

Uma informação que chama a atenção quando se atenta à Figura 8 são as conexões de colaboração entre as IESs, sobretudo àquelas que ficaram em saliência na citada figura. É importante ressalvar que as interações de relacionamentos de pesquisa são realizadas entre os autores (Nascimento & Beuren, 2011), contudo, como estes são nativos de suas respectivas IESs, e, tais interseções de informações e conhecimentos ficam mais afloradas, em especial àqueles vínculos mais proeminentes, como podem ser verificados perante a Figura 9.Então, seguem as parcerias mais fortes, deflagrando laços fortes (Bach, Domingues & Walter, 2013), entre estas instituições: FURB e Unochapecó (com 10 estudos publicados em colaboração).

Com oito divulgações realizadas em cooperação estão as parcerias: USP e FECAP; UFMG e CEFEF. Com sete publicações em conjunto têm as IES: USP e UFU; UFMG e PUC (MG). Com seis, surgem os vínculos entre as instituições: USP e UFSC; USP e UPM; USP e FMU; USP e FGV (SP); USP e FUCAPE; UFC e UNIFOR; FURB e UFPR. Com cinco estudos publicados em parceria surgem as duplas de IES: UNIVALI e FGV (SP); IFES e UFES; UFS e UFPE. Com quatro pesquisas divulgadas em par, destacam as IESs: USP e UFC; USP e USCS; USP e UFV; UFU e UFMG; UFU e IFTM; FURB e UFSC; FURB e UNIOESTE; UFPR e UNICENTRO; UFPR e PUC (PR); UFPB e UFPE; CEFET e Universidade Pierre-Mendes; FMU e PUC (SP); FMU e UNIP; UNINOVE e CEETEPS; UFES e IFTO.

Essas robustas parcerias demonstram que os pesquisadores oriundos destas IESs devem ter vínculos fortes de fraternidade acadêmica, influenciando diretamente na proeminência destas parcerias entre suas IESs, respectivas, impactando, consequentemente, na prolificidade de estudos publicados sobre o tema ora investigado. Sendo assim, tais resultados corroboram os achados dos estudiosos Ribeiro e Santos (2015) e Ribeiro e Souza (2022).

Já a Figura 9 é análoga à Figura 8, contudo, agora trazendo em enfoque a centralidade de intermediação.

Redes de colaboração das instituições (betweenness)
Figura 9:
Redes de colaboração das instituições (betweenness)
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Deste jeito, as IESs que servem de “ponte” e “caminho”, intercedendo para o crescimento do fluxo de informações e, posteriormente, para agregar conhecimento (Favaretto & Francisco, 2017; Bataglin et al., 2021; Ribeiro, 2022) ao tema GC no enquadramento da literatura nacional brasileira são: USP, UFMG, UFRGS, UFC, UFPB, FURB e UFPR. Este resultado vai incondicionalmente ao encontro, sob a ótica das revistas acadêmicas indexadas na SPELL, do que é visto por meio da visualização da Figura 8 deste estudo, mostrando, ratificando, reiterando e corroborando de maneira alargada, enfática e robusta que as citadas IESs em relevo nas Figuras 8 e 9, são as mais importantes, influentes, proeminentes e relevantes no que se refere a produção científica de pesquisas sobre GC no Brasil (Machado Junior et al., 2015; Ribeiro & Santos, 2015; Ribeiro & Souza, 2022), sob a égide dos vários e heterogêneos assuntos que alicerçam e embasam a construção de conhecimento e a criação de valor acadêmico do tema GC no âmbito acadêmico global (Pandey, Andres & Kumar, 2023).

Versa-se que uma revista científica para aprovar a publicação de um estudo exige que o autor apresente um resumo (abstract), bem como as palavras-chave que correspondam ao conteúdo temático da pesquisa, ou ao nível conceitual do estudo, ou ao grau de relacionamento do campo do saber em investigação da pesquisa do(s) autor(es). Com isso, as palavras-chave em determinada divulgação são usadas para externalizar temas centrais de pesquisas. Logo, enfatiza-se que a “análise de copalavras”, mediante as palavras-chave de um determinado texto científico, tem-se tornado um dos focos de investigação da bibliometria, e, concomitantemente, da ARS contemporânea (Urbizagástegui-Alvarado, 2022; Pandey, Andres & Kumar, 2023).

Salienta-se que os nós são as palavras-chave e seus tamanhos respectivos são adequados à sua assiduidade no conjunto de dados investigados e os laços simulam as conexões entre as palavras-chave (Guimarães et al., 2018). Ressalva-se, também, que as 1.742 ocorrências de palavras-chave são únicas, pois foram apoiadas unicamente no critério de não distinguir letras maiúsculas e minúsculas, sendo as palavras tanto no singular quanto no plural conservadas diferentes (Favaretto & Francisco, 2017; Ribeiro, 2022). Posto isto, a Figura 10 visualiza as redes sociais das palavras-chave deste estudo, enfocando 9.774 laços e 1.742 nós.

Rede social das palavras-chave
Figura 10:
Rede social das palavras-chave
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Já a Figura 11, visualiza a rede social das palavras-chave destacada em círculo na Figura 10, que é composta por 9.468 laços e, 1.625 nós, equivalendo a, aproximadamente, 93% do total das palavras-chave identificadas nesta pesquisa, ou seja, 1.742.

Reforça-se que, com base na técnica de co-ocorrência de palavras-chave, é possível uma análise mais refinada dos subtópicos na literatura, permitindo inferir prováveis linhas de pesquisa existentes, consolidadas ou emergentes, em um determinado campo do saber, possibilitando, também, a elaboração de “grupos” dessas palavras (Urbizagástegui-Alvarado, 2022). Dessarte, as palavras-chave mais relevantes que surgiram nos últimos 20 anos de acordo com a Figura 11 foram: auditoria, bibliometria, BM&Fbovespa, Brasil, Conselho de Administração, desempenho, disclosure, divulgação, empresas brasileiras, empresas familiares, estratégia, estrutura de propriedade, evidenciação, gerenciamento de resultados, governança, mercado de capitais, responsabilidade social corporativa, risco, sustentabilidade, teoria da agência, transparência e valor de mercado.

Rede social das palavras-chave (degree)
Figura 11:
Rede social das palavras-chave (degree)
Fonte: Dados da pesquisa (2023)

Além de identificar as palavras-chave mais centrais, a Figura 11 documenta tendências de temas de interesse que são atualmente populares na pesquisa de GC. Ao fazê-lo, fornece-se uma visão geral do campo do conhecimento em GC que pode ajudar a navegar rapidamente e expandir as pesquisas científicas em GC desde o escândalo da Enron (Pandey, Andres & Kumar, 2023). Em suma, estas palavras-chave que ficaram em relevo podem ser consideradas as que ocupam posições de relevância e destaque centrais no fluxo de conhecimento temático e teórico do tema ora investigado nesta pesquisa (Favaretto & Francisco, 2017; Ribeiro, 2022), ajudando assim a identificar tópicos de estudos acadêmicos em GC mais específicos (Pandey, Andres & Kumar, 2023).

Do total das 1.742 diferentes palavras-chave utilizadas pelos pesquisadores, por meio dos 1.121 estudos publicados nos periódicos acadêmicos indexados na SPELL, é admissível verificar que as referidas palavras conjecturam, de maneira adequada, o tema GC, indo ao encontro do que é sancionado pela Lei de Zipf (Cuenca, Tomei & Mello, 2022). Por conseguinte, constatou-se que as mencionadas e destacadas palavras contemplam assuntos transversais e elementos subjacentes ao tema GC que foram abordados e publicados mediante os 1.121 artigos, abrindo oportunidades de direcionamentos para estudos futuros.

Considerações finais

O objetivo deste estudo foi investigar o comportamento e a tendência da formação das redes sociais e da produção científica do tema Governança Corporativa divulgada nos periódicos científicos indexados na biblioteca eletrônica SPELL, desde o escândalo da Enron em 2001. Empregam-se, para isso, as técnicas de investigação bibliométrica e de ARS em 1.121 artigos identificados neste estudo. Dessarte, este estudo traz duas contribuições centrais para os campos do saber da Administração e Contabilidade: a primeira, relacionada ao tema GC; e a segunda, referente aos indicadores métricos da ARS.

O tema GC aumentou quase 13 vezes desde 2002 até seu ápice, que, nesta pesquisa, foi em 2019, com artigos de pesquisa sendo divulgados em uma ampla diversidade de revistas científicas de interesse geral, bem como em periódicos acadêmicos especializados na área de GC, como é o caso do veículo de comunicação Contabilidade, Gestão e Governança vinculada à Universidade de Brasília, que ficou em primeiro lugar neste estudo, seguido da Revista Contemporânea de Contabilidade oriunda da Universidade Federal de Santa Catarina e pela Revista de Governança Corporativa.

Os autores que ficaram em realce neste estudo foram: Márcia Martins Mendes De Luca, Marcelle Colares Oliveira, Ernesto Fernando Rodrigues Vicente e Rosilene Marcon, em relação aos seus respectivos relevos nas centralidades de grau e, de intermediação, como também, na prolificidade de investigações publicadas sobre GC no painel literário acadêmico nacional brasileiro. Em relação as IESs, que ficaram em evidência neste texto acadêmico, foram: USP, UFMG, UFRGS, UFC, UFPB, FURB e UFPR, todas ficando em saliência no que se refere a proficuidade de artigos em GC, como também, em seus relativos degrees e betweenness.

Contudo, é salutar enfocar que ambas as redes de atores (pesquisadores e instituições), ficaram com baixa densidade, e, simultaneamente, exteriorizando laços fracos, revelando que, apesar do tema GC ter evoluído na última década (Ribeiro & Santos, 2015; Ribeiro & Souza, 2022), é considerado um assunto consolidado e legitimado na academia no âmbito internacional, a GC ainda é recente no panorama acadêmico nacional brasileiro (Bolton & Zhao, 2022), sendo, assim necessário uma maior conexão entre os atores que constroem o saber científico do referido tema na academia no Brasil, alargando e robustecendo seus laços de relacionamento, influenciando, a posteriori, no maior amadurecimento do mencionado tema, e, concomitantemente, aflorando uma maior densidade e fortalecimento dos laços conectivos de informações e conhecimentos acerca da GC na literatura científica nacional brasileira.

Ainda no que concebe as redes de coautoria, constata-se a existência dos small-world ou mundos pequenos, onde os estudiosos estão conectados localmente de maneira mais coesa, entretanto, eles (os autores) apresentam laços fora desses grupos de pesquisa, interligando globalmente outros autores, o que possibilita a rápida conectividade desses diversos grupos de estudos locais (Rossoni, Hocayen-da-Silva & Ferreira Júnior, 2008), influenciando no fluxo de informações e conhecimentos. De maneira geral, os mundos pequenos são muito influenciados pelo volume de artigos publicados pelos acadêmicos (Mendes-da-Silva, Onusic & Giglio, 2013), que, no caso, são sobre o tema GC nesta pesquisa.

De maneira geral, as redes de colaboração das palavras-chave manifestadas, mediante a Figura 11, sobretudo, as palavras que ficaram em relevo, podem situar e ou aperfeiçoar tendências de pesquisas que foram estabelecidas, ao longo dos últimos 20 anos de história da GC, no cenário acadêmico nacional brasileiro à luz das publicações vislumbradas pelas revistas científicas indexadas na SPELL, delineando assim direções frutíferas para estudos futuros na área de Administração, enfocando em especial a GC (Pandey, Andres & Kumar, 2023). Constata-se também que há algumas oportunidades de pesquisas identificadas a partir das temáticas mais centrais observadas por meio da visualização gráfica da Figura 11, contribuindo assim para o avanço científico do assunto GC no âmbito acadêmico brasileiro.

Diante deste painel, esta pesquisa manifesta implicações acadêmicas e práticas, pois foi investigada a produção científica e a formação das redes de colaboração dos atores na literatura nacional brasileira sobre GC, estruturando, por exemplo, contribuições acadêmicas por clusters de palavras-chave. Vínculos entre as palavras-chave, bem como as áreas de pesquisa mais dinâmicas, foram verificados fornecendo orientações para estudiosos identificarem oportunidades de pesquisas científicas sobre o tema GC. De maneira geral, o atual estudo fornece uma visão geral da produção científica e, das redes sociais dos atores envolvidos no processo de construção e agregação do saber científico sobre a GC, contribuindo para solidificar sua maturação e legitimidade no cenário acadêmico no Brasil. Compreende-se também que a identificação das palavras-chave, e, consequentemente, as abordagens conceituais mais proeminentes sobre o assunto GC podem vir a ser cruciais, pois serão conhecidas, de forma mais alargada e robusta, na administração e na tomada de decisões para gestores de organizações empresariais e formuladores de políticas públicas.

Como limitação, o referido estudo se reportou ao levantamento dos artigos em uma base de dados, a SPELL. Posto isto, sugere-se para pesquisas futuras: (i) estudos de mesma natureza, ampliando a busca para outras bases de dados, tais como Web of Science, Scopus, EBSCO, Science Direct, Proquest, dentre outras; (ii) fazer uma Revisão Sistemática da Literatura sobre as palavras-chave que ficaram em realce nesta pesquisa; e (iii) aperfeiçoar as análises dos indicadores bibliométricos e de ARS.

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