EMPREENDEDORISMO RESILIENTE: RELATOS DE MULHERES DE BAIXA RENDA

Liliane Mendes Castro Carvalho
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - Vitória da Conquista/Bahia, Brasil, Brasil
Anderson Dias Brito
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia / Universidade de São Paulo (USP), Brasil, Brasil

EMPREENDEDORISMO RESILIENTE: RELATOS DE MULHERES DE BAIXA RENDA

Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, vol. 18, núm. 1, pp. 25-40, 2024

Universidade Federal Fluminense

Recepción: 28 Diciembre 2023

Aprobación: 05 Enero 2024

Resumo: O objetivo do presente artigo é analisar os desafios e as motivações do empreendedorismo feminino de baixa renda. Realizou-se um estudo qualitativo, a partir de cinco entrevistas com roteiro semiestruturado. As empresárias enfrentam desafios como baixo capital e dificuldades no acesso a programas de financiamento. A conciliação de múltiplas atividades devido à herança cultural dificulta a permanência no mercado. As motivações incluem a necessidade de melhorar a condição financeira, conciliar trabalho e família, além da afinidade com o produto ou serviço. Os resultados destacam a urgência em rever políticas, reduzir disparidades de gênero, promover inclusão e apoiá-las de maneira mais concreta.

Palavras-chave: Empreendedorismo Feminino Baixa Renda. Dificuldades. Motivações. Barreiras Culturais..

Abstract: The aim of the present article is to analyze the challenges and motivations of low-income female entrepreneurship. A qualitative study was conducted, consisting of five interviews with a semi-structured script. Entrepreneurs face challenges such as low capital and difficulties in accessing financing programs. Juggling multiple activities due to cultural heritage hinders their sustainability in the market. Motivations include the need to improve income, balance work and family, and a connection with the product or service. The results underscores the urgency to review policies, reduce gender disparities, promote inclusion, and provide more tangible support for these entrepreneurs.

Keywords: Female Entrepreneurship Low-Income. Challenges. Motivations. Cultural Barriers..

Introdução

As pequenas e médias empresas, de modo geral, e o empreendedorismo, em particular, são um pilar indispensável do desenvolvimento econômico sustentável (Feng, Ahmad & Zheng, 2023). No contexto brasileiro, somente a partir da década de 90 que foi possível observar uma intensificação de práticas e políticas governamentais voltadas para o surgimento de novos negócios, em resposta a um movimento global (Natividade, 2009). No entanto, as ações implementadas, por vezes, ignoram que é necessário criar mudanças nas circunstâncias estruturais em que muitas pessoas com vulnerabilidade se encontram, a exemplo de pobres e mulheres (Castro, Pontelli, Nunes, Kneipp & Costa, 2023; Feng et al., 2023).

A jornada do gênero feminino para conquistar seus direitos foi e ainda é bastante extensa. Ao longo da história, o mercado tem favorecido os homens, enquanto exige das mulheres maior dedicação para poder alcançar o mesmo objetivo do gênero oposto (Lucas & Ancelmo, 2022). Com efeito, a atividade empresarial delas começou tarde, devido à exclusão de muitas esferas da economia, como, por exemplo, a falta de oportunidades educacionais e a imagem estereotipada como donas de casa e cuidadoras primárias (Majumdar, Mittal, & Bhardwaj, 2023).

O processo histórico revela os desafios enfrentados pelo gênero feminino que são atrelados aos processos culturais e às práticas sociais (Santos & Haubrich, 2018), configurando uma luta contínua por emancipação. Nas últimas duas décadas, empresas de grande sucesso, fundadas por mulheres, atraíram a atenção de acadêmicos e profissionais (Mahajan & Bandyopadhyay, 2021). Embora a literatura disponível tenha-se concentrado em examinar as razões pelas quais elas se tornaram empreendedoras (Cineglaglia, Miranda, Friede & Cavalcanti, 2021; Ojong, Simba & Dana, 2021), poucos estudos tiveram como foco as mulheres de baixa renda, que se motivam por necessidade.

O fator necessidade pode ser considerado um grande condicionador na motivação do empreendedorismo feminino, pois a materialidade discursiva sugere questões econômicas e financeiras (Santos & Haubrich, 2018; Kuratko, Fisher & Audretsch, 2021). Dessa forma, criar um próprio negócio é considerada uma possível solução para a pobreza, pois permite que as empresárias envolvidas atendam às suas necessidades básicas e as das suas famílias (Sutter, Bruton & Chen, 2019; Atarah, Finotto, Nolan & Stel, 2023). Nesse viés, este estudo tem como objetivo analisar os desafios e as motivações do empreendedorismo feminino de baixa renda.

Ao discutir a figura feminina como agente empresarial, é inevitável abordar a desigualdade de gênero, os padrões impostos pela sociedade e as barreiras encontradas no mercado (Castiblanco, 2018). Embora esses desafios ainda persistam, atualmente, há uma crescente participação delas em posições de liderança (Savone & Rodrigues, 2022), impactando positivamente na evolução da economia do país. No entanto, crises econômicas e o desemprego têm levado muitas mulheres a buscarem novas perspectivas de vida e outras maneiras de obter renda e sustento (Castro et al., 2023). Isso tem criado oportunidades para que elas assumam o comando de seus próprios negócios, tornando o empreendedorismo uma saída promissora.

O tema possui relevância dado o número crescente de mulheres empresárias, sendo que dois a cada cinco negócios são criados por elas (Gem, 2022). No entanto, ainda há muito o que avançar, pois, segundo o mesmo estudo, a taxa de empreendedorismo estabelecido pelo gênero feminino foi de 6,8%, enquanto o do masculino foi de 14,2%. O índice menor de permanência pode estar relacionado a maiores desafios e obstáculos enfrentados, à motivação com base na necessidade de melhorar a renda familiar e, sobretudo, ao aspecto sociocultural e ao envolvimento das mulheres em atividades domésticas (Gem, 2019).

O locus da pesquisa foi em Vitória da Conquista - BA, sendo, de acordo com o IBGE (2023), a segunda maior cidade do interior e a 5ª maior economia do Estado, centrada no comércio de bens e serviços. Possui uma população aproximada de 371 mil habitantes e está a mais de 500 km da capital, Salvador. O fato de empreender em cidade do interior pode ser mais desafiador do que na capital do estado, considerando o tamanho do mercado, a infraestrutura, o acesso a recursos, conservadorismo, dentre outros.

Nesse sentido, este estudo tenta contribuir para as discussões sobre empreendedorismo feminino de baixa renda, buscando estabelecer uma relevância teórica para a compreensão do contexto abordado. Além disso, percebe-se a necessidade de um debate mais aprofundado e de maneira sistemática sobre o tema, o qual ainda é escasso na literatura, sobretudo em países em desenvolvimento e em cidades distantes das capitais.

Esta pesquisa poderá contribuir com a prática, tendo em vista que o tema tem relação direta com os reflexos da história feminina perante a sociedade e a imagem de inferioridade que foi imposta. O fato de a mulher liderar seu próprio negócio não apenas ajuda na criação de mais empregos, mas também impulsiona a inovação e a criação de novos serviços e produtos. Isso contribui significativamente tanto para a sociedade em geral quanto para o mercado e a economia do país.

Desta forma, compreender de maneira mais abrangente as necessidades enfrentadas acerca dessa temática também pode contribuir com informações para os formuladores de políticas públicas, a fim de que possam elaborar projetos e realizar ações que possibilitem a inserção, a permanência e o crescimento do empreendedorismo feminino.

Contexto histórico do gênero feminino como agente empreendedor

Historicamente, a sociedade tem sido marcada pela divisão de gênero no trabalho, com as mulheres sendo encarregadas dos serviços domésticos e dos cuidados com o lar, filhos e esposo, enquanto os homens eram responsáveis pela parte financeira, trabalhando fora de casa ou liderando os negócios da família (Souza, 2020). A Revolução Industrial trouxe mudanças significativas nos meios de produção e permitiu a inserção delas no mercado de trabalho, possibilitando que assumissem tarefas antes exclusivas dos homens (Lubina et al., 2020). No entanto, esse processo foi marcado por exploração, com as mulheres trabalhando por longas horas, recebendo baixos salários e sendo relegadas a trabalhos considerados de pouca qualificação (Neumann, Angnes & Andrade 2022).

Somente na segunda metade do século XX é que as oportunidades para assumir outras funções profissionais começaram a surgir, embora em condições adversas, e as mulheres passaram a ocupar mais espaços e ampliar sua atuação. Apesar disso, sua presença ainda era considerada irrelevante em cargos de liderança na esfera econômica, social e política (Gomes, 2010). Movimentos feministas pós-modernos, que buscavam a igualdade de direitos e tratamento em relação aos homens, trouxeram um novo dinamismo às organizações (Neumann et al., 2022). As mulheres passaram a ocupar cargos mais técnicos, embora ainda enfrentassem disparidades salariais (Lubina et al., 2020). O empreendedorismo abriu novas portas para elas.

Apesar das mudanças ao longo dos anos, ainda se observam vestígios da divisão de gênero no trabalho e das dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao tentar estabelecer seus próprios negócios, desafios que persistem até os dias mais recentes (Savone & Rodrigues, 2022). Isso reflete nas transformações políticas, sociais e econômicas que têm ocorrido em todo o mundo. No entanto, o gênero feminino ainda enfrenta condições diferenciadas que dificultam o pleno desempenho da multiplicidade de funções que lhes são atribuídas.

A inserção, a manutenção e, principalmente, o crescimento profissional das mulheres em espaços antes predominantemente masculinos é um fenômeno recente (Santos et al., 2018). O empreendedorismo reforçou a presença das mulheres no primeiro, no segundo e no terceiro setor da economia (Santos, Gomes & Barcelar, 2018). Todavia, as responsabilidades e os cuidados sobre a família, que historicamente afetam elas em relação às atividades laborais, fazem com que sua atuação no mercado seja sensível ao tipo de família pertencente (Vaz; Santos & Leichsenring, 2019). Os entraves de conciliar trabalhos domésticos e a jornada de trabalho podem problematizar a permanência ou desencadear na sua saída do mercado (Vaz et al., 2019).

Desafios a serem enfrentados pelo empreendedorismo feminino

A sociedade disciplina as meninas para apresentarem um comportamento divergente daquele que costumeiramente os meninos manifestam. A explicação para isso pode estar na estrutura social, na cultura ou nos costumes de um país (Alperstedt, Ferreira & Serafim, 2014; Mahajan & Bandyopadhyay, 2021). Esse fenômeno não se diferencia nas organizações, tendo em vista que o ambiente de trabalho ainda é predominantemente composto por homens (Seggiaro, 2017).

Ser mulher e decidir dar início a um negócio se traduz em enfrentar muitas responsabilidades, as quais vão muito além dos enfrentados pelo gênero masculino. O empreendedorismo feminino traz consigo desafios característicos aos processos das gestões dos âmbitos empresarial e familiar (Oliveira, Veríssimo & Ramos 2022). A dupla jornada de trabalho proporciona impactos no tempo que elas têm disponível para práticas de atividades remuneradas, o que acarreta restrição da disponibilidade para horários integrais (Vaz et al., 2019; Barbosa et al., 2021).

O empreendedorismo é um meio pelo qual a mulher pode procurar espaço e destaque na sociedade, promovendo seu empoderamento e ganhando visibilidade nas causas feministas. Esse cenário se reflete principalmente no mercado de trabalho, em que é possível vê-las exercendo funções iguais aos homens e sendo remuneradas de forma desigual (Cineglaglia et al., 2021). Contudo, existem evidências de que elas encontram desvantagens no mercado em função do gênero, deparando-se com estereótipos de inferioridade em relação aos homens, especialmente no acesso aos recursos financeiros, o que limita seu desempenho como empreendedoras (Silveira & Gouvêa, 2008; Khalid, Raza, Sawangchai & Somtawinpongsai, 2022). De acordo com o Instituto Rede Mulher Empreendedora - IRME (2021), no Brasil, 72% das empresárias dizem ser parcialmente ou totalmente independentes financeiramente; no entanto, quando necessitaram de crédito para suas atividades, 42% tiveram suas solicitações negadas.

Há uma barreira presente no processo de obtenção de crédito, relacionada às exigências de garantias feitas pelas instituições financeiras. Esse entrave está diretamente ligado à imagem comum de que as mulheres são dependentes de terceiros, especialmente de uma figura masculina, e, por isso, necessitam da aprovação deles para obter financiamento (Alperstedt et al., 2014). Com base nisso, elas sofrem interferências do ambiente de forma subjetiva e muito mais acentuada do que os homens (Silveira & Gouvêa, 2008).

As empreendedoras que desejam ou são mães enfrentam desafios adicionais, uma vez que a criação e os cuidados com os filhos ainda são, em grande parte, atribuídos a elas. Algumas organizações julgam os afastamentos e a licença maternidade como prejuízos, o que dificulta a conciliação entre a função de mãe e a gestão da empresa (Oliveira et al., 2022). Nesse sentido, de acordo com o IRME (2019), no Brasil, 59% delas são casadas e 52% com filhos, sendo que 38% têm o próprio negócio como sua principal fonte de renda familiar.

Para conciliar os conflitos entre a vida profissional e a familiar, muitas mulheres necessitariam recorrer a serviços privados, incumbindo as atividades domésticas e cuidados dos filhos a terceiros de forma remunerada (Lucas & Ancelmo, 2022). No entanto, essa conciliação torna-se inviável para aquelas de baixa renda, que possuem limitações financeiras, o que as força a acumular suas funções entre o âmbito doméstico e organizacional (Vaz et al., 2019).

Devido ao machismo por parte dos clientes, fornecedores e colaboradores, surgem inseguranças na gestão de empreendedoras (Oliveira et al., 2022). Algumas dificuldades são intensificadas por serem do gênero feminino, principalmente em empresas em que as atividades são consideradas práticas masculinas (Alperstedt et al., 2014). A falta de credibilidade sofrida por parte de mulheres está relacionada com as raízes históricas que privilegiam as iniciativas dos homens (Cineglaglia et al., 2021).

O processo de empreender demanda o enfrentamento de várias dificuldades e barreiras. No entanto, tratando-se da figura feminina, essas adversidades são acentuadas. As mulheres precisam dispor de mais tempo, desdobrando-se em duplas jornadas entre família e negócio, além de lidar com problemas financeiros e enfrentar uma sociedade ainda permeada por valores machistas. A presença e as contribuições como criadoras de empresas não desafiam apenas estereótipos, mas trazem consigo a diversidade e uma nova dinâmica no mundo dos negócios. Contudo, para maior entendimento e propor ações que promovam o surgimento e a manutenção do empreendedorismo feminino, é preciso abordar os seus desafios relacionados, sendo mais bem discutidos na próxima seção.

Empreendedorismo de baixa renda

O empreendedorismo de baixa renda surge como uma resposta à necessidade, alavancado pelos desafios econômicos atuais, como, por exemplo, as incertezas no mercado, a escassez de empregos, a inflação alta e as rendas insuficientes para a manutenção familiar (Degen, 2008; Sutter et al., 2019; Kuratko et al., 2021). O fator pobreza pode ser tanto a causa como consequência de elevados níveis de atividade empreendedora nos países, pois geralmente são criados negócios informais, com baixo crescimento, apenas com o objetivo do autoemprego (Castiblanco, 2018).

No Brasil, em 2019, aproximadamente 88% dos empresários iniciais, abrangendo tanto os nascentes quanto os recém-estabelecidos, relataram que a motivação para empreender decorreu do desejo de "ganhar a vida", devido à escassez de empregos (Gem, 2019). Dois anos após, em 2021, o país registrou um número recorde de aberturas de pequenos negócios, com mais de 3,9 milhões, representando um aumento de 19,8% em relação ao ano de 2020 (Sebrae, 2021). Paradoxalmente, durante o mesmo período, o índice de pobreza foi elevado, com cerca de 62,5 milhões de pessoas, ou seja, 29,4% da população brasileira (Ibge, 2022). Assim, a atividade empreendedora por necessidade geralmente está relacionada a uma situação de crise econômica vivenciada pelo país, com a redução ou falta de trabalho, levando os indivíduos a criarem suas próprias empresas para garantir sua sobrevivência (Degen, 2008; Castiblanco, 2018; Castro et al., 2023; Atarah et al., 2023).

O instinto de garantir o sustento próprio e o da família, por vezes, faz com que as mulheres adentrem no empreendedorismo de maneira abrupta, sem o devido planejamento e acesso limitado às informações (Feng et al., 2023). Nessas circunstâncias, a ausência de suporte a elas inviabiliza a transição da informalidade para a formalidade nos negócios, tornando a atividade empresarial menos favorável à economia (Gem, 2019; Hu, Xu, Zhao & Chen, 2022). Com efeito, a informalidade é considerada um último recurso, não uma escolha (Melo, Vale & Corrêa, 2018).

A criação do programa Micro Empreendedor Individual (MEI) em 2008, por meio da Lei Complementar nº 128/2008, contribuiu para que muitos desses empresários pudessem sair da informalidade e formalizar suas atividades. O MEI é uma política pública que busca promover a inclusão social e previdenciária. Apesar dos avanços nos incentivos e benefícios que auxiliam os gestores de baixa renda, ainda existem desafios relevantes que afetam a permanência e o desenvolvimento de seus negócios, incluindo a responsabilidade financeira da família, o baixo conhecimento em gestão e a falta de apoio governamental (Melo et al., 2018; Anwar & Li, 2021; Mahajan & Bandyopadhyay, 2021; Feng et al., 2023).

O empreendedorismo praticado pelas mulheres de baixa renda é importante, uma vez que um negócio criado para a sobrevivência pode ajudar as pessoas a saírem da situação de pobreza e desemprego, atendendo às necessidades econômicas básicas (Morris, Neumeyer & Kuratko, 2015; Leyton-Román, La Vega & Jiménez-Castuera, 2021). Além disso, ele é um veículo primordial para a mudança dos cenários econômicos, possibilitando o crescimento das classes menos favorecidas (Sutter et al., 2019).

As políticas públicas voltadas para os problemas enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho são insuficientes para combater as desigualdades de gênero no Brasil. Conciliar atividades laborais e responsabilidades familiares é um problema ainda mais evidente em famílias de baixa renda, em que a divisão sexual do trabalho é mais acentuada (Vaz et al., 2019). Diante do exposto, é evidente que a inserção e permanência de mulheres pobres no mercado, por meio de ações empresariais, dependem de diversos fatores, sendo fundamental a participação do governo. Em um país em que há escassez de empregos e o empreendedorismo se torna uma válvula de escape para a população em situação de vulnerabilidade financeira, incentivar e financiar novas empresas é primordial.

Procedimentos metodológicos

Este artigo se caracteriza como descritivo, uma vez que busca descrever e compreender os desafios e as motivações do empreendedorismo feminino de baixa renda. Quanto à natureza, este se caracteriza como teórico-empírico. Em relação ao tipo de pesquisa quanto ao procedimento, é caracterizado como estudo de caso múltiplo. Quanto à dimensão temporal, é classificado como transversal, buscando dados em um momento estabelecido. No que diz respeito à direcionalidade temporal, o estudo possui um viés retrospectivo, baseado em informações do passado com sequência até o presente.

O universo da pesquisa foi composto por mulheres empreendedoras de baixa renda que possuem empresas na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Devido à dificuldade de alcançar toda a população desejada, utilizou-se uma amostragem não probabilística por conveniência, delimitada ao público que tivesse disponibilidade e interesse em contribuir.

Quanto aos critérios de qualidade da amostra, os critérios de inclusão exigiram que as participantes fossem mulheres empreendedoras com negócios em Vitória da Conquista. Os critérios de exclusão consideraram gestoras com renda superior a dois salários mínimos ou aquelas que fossem formalizadas há menos de um ano. Além disso, também foi aplicado o critério de saturação, ou seja, após um número suficiente de entrevistas, quando as respostas começam a se repetir e não trazerem novos insights, a coleta de dados foi encerrada. A saturação foi alcançada com cinco entrevistas, sendo as participantes denominadas de empresárias ‘A’, ‘B’, ‘C’, ‘D’ e ‘E’ como forma de garantir o anonimato.

Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas em profundidade, com roteiro semiestruturado em setembro de 2023. As perguntas foram divididas em blocos temáticos (eixos), agrupando aquelas que tivessem relação entre si para manter uma linha de raciocínio. O primeiro eixo buscou identificar características pessoais e contextuais das empresárias. O segundo eixo foi referente aos principais desafios enfrentados. O terceiro tratou das principais motivações. Por fim, o quarto buscou compreender o reflexo do contexto histórico-cultural na contemporaneidade.

As entrevistas receberam tratamento qualitativo, sendo gravadas e posteriormente transcritas. A primeira entrevista teve 21 minutos, resultando em 2.789 palavras. A segunda, com 13 minutos e 54 segundos, gerou 1.684 palavras. A terceira, de 13 minutos e 26 segundos, produziu 1.625 palavras. A quarta, com 25 minutos e 50 segundos, resultou em 2.625 palavras. A quinta, de 17 minutos e 5 segundos, gerou 2.549 palavras.

Após as transcrições, foram realizadas as etapas de pré-análise, que consistem na organização e releitura de todo o material encontrado. Depois, a busca por temas-chave e, por fim, foram feitas as análises e interpretações dos resultados.

Apresentação e análise dos resultados

Mulheres estudadas

Para melhor entendimento da situação das empreendedoras de baixa renda analisadas, é relevante evidenciar as características da amostra. Para isso, foi pertinente analisar dados como idade, estado civil, existência de filhos, tempo de empresa e segmento de atuação.

A Empresária 'A' declarou ter 56 anos, ser casada, possuir uma filha e atua no comércio de variedades há sete anos.

A Empresária 'B' tem 29 anos, é casada, possui uma filha e atua no setor de confecções femininas há quatro anos.

A Empresária 'C' tem 32 anos, é casada, possui um filho e tem uma loja de artigos infantis há três anos.

A Empresária 'D' tem 42 anos, é solteira, possui uma filha, a empresa é no ramo alimentício e existe há 18 anos.

A Empresária 'E' declarou ter 24 anos, ser casada, sem filhos e possui uma empresa no setor de confecções há sete anos.

Relato dos principais desafios enfrentados

O empreendedorismo feminino, embora tenha crescido nas últimas décadas, ainda se depara com obstáculos que vão além de questões de gênero. Do estigma social até a abertura da empresa, surgem impasses para obter fontes de capital (Khalid et al., 2022). As dificuldades em relação à obtenção de crédito bancário são barreiras para as mulheres, sobretudo aqueles que derivam da baixa renda.

Com a negativa das instituições financeiras, as mulheres optam por empreender em segmentos que não necessitam de capital financeiro elevado. Elas utilizam recursos próprios, provenientes de poupança e de direitos trabalhistas do emprego anterior ou até mesmo a venda de algo de maior valor que possuíam. Além disso, também podem obter apoio de terceiros, a partir de empréstimos de pouco dinheiro com familiares ou amigos:

Minhas “economiazinhas” (Entrevistada A).

No início, o pouco capital foi a questão mais difícil, e eu tive que trabalhar em dois lugares para conseguir o capital para ir investindo na loja [...] aí no início do meu negócio, em 2019, eu juntei um dinheirinho das minhas férias, na época do meu estágio e peguei esse dinheiro e investi. Na época, R$ 800, e fui, fiz a primeira compra e daí, por diante, começamos (Entrevistada B).

Difícil conseguir capital, um capital maior também, é uma dificuldade imensa porque a gente não tem meios de conseguir capitais para pequenas empresas [...] eu mesma não tive acesso a esses financiamentos que dizem que tem para mulheres [...] Foi utilizado o valor que eu ganhei na empresa que eu trabalhava antes. Rescisão (Empresária C).

Foi uma máquina que eu vendi, de costura (Entrevistada D).

Foi emprestado da minha mãe 165 reais, que foram 15 camisas (Empresária E).

As declarações das entrevistadas refletem uma consonância com as descobertas de Atarah et al. (2021), uma vez que destacam que empreendedoras muitas vezes se veem compelidas a utilizar recursos financeiros oriundos de economias pessoais ou empréstimos imediatos de familiares e amigos. Isso demonstra a ausência de instituições financeiras para fornecer meios a este nicho. O fato é que o acesso ao financiamento continua a ser um grande desafio para elas (Khalid et al., 2022).

Por serem de baixa renda, é possível que as mulheres não tenham garantias suficientes para oferecer às instituições financeiras, e consequentemente, quando os bancos não negam o crédito, se traduzem em taxas de juros mais elevadas devido ao risco. O fato de pagar juros mais elevados também pode impactar a saúde financeira da empresa. Além disso, a restrição no acesso ao capital desestimula o desenvolvimento de negócios liderados por elas e limita novamente a renda, configurando-se como reprodução do ciclo da pobreza.

Nesse sentido, é evidenciada a necessidade e a importância de ações de inclusão ao sistema de financiamentos, com o objetivo de melhorar o acesso a recursos para mulheres de baixa renda. Essas iniciativas podem desempenhar um papel significativo na promoção de um ambiente econômico e social mais equitativo, além de estimular o desenvolvimento de novos negócios.

A ausência de apoio de bancos e governos gera impactos consideráveis no empreendedorismo feminino (Melo et al., 2018; Vaz et al., 2019; Anwar & Li, 2021; Mahajan & Bandyopadhyay, 2021). No entanto, para além das questões financeiras, também é importante considerar outros entraves que afetam elas, como, por exemplo, carência de acesso à informação, falta de conhecimento em gestão e oportunidades de capacitação para desenvolver habilidades (Feng et al., 2023):

"Falta de explicação! De ter alguém para me ajudar, que me responda algumas perguntas. Que, inclusive, eu tive que pagar um imposto, fui a vários lugares para tentar parcelar, não consegui [...] Não sei se pode ser vinda do governo, da sociedade, enfim. Eu espero que surja isso aí, que alguém crie alguma coisa para ajudar as mulheres nessa área (Empresária A).

[...] Principalmente quando você vai iniciar [...] lhe falta, eu acho que no início [...] o recurso financeiro, ou até mesmo uma orientação, uma consultoria [...] para que lá na frente à gente não tenha tantos prejuízos financeiros (Empresária B).

[...] Eu acho que deve ter mais projetos com aulas gratuitas [...] ensinando como administrar [...] sobre marketing. Também mais financiamento [...] os bancos oferecerem juros menores [...] Falam que tem um projeto para mulheres empreendedoras com juros menores, mas até então, eu não tive benefício nenhum quanto a isso. A gente vai ao banco e não tem esse tipo de resposta, porque eu fui e não tive (Empresária C).

Pior que eu acho pra mim [...] não tem assim um lugar que você pode ir lá e aprender sem poder pagar, tudo você tem de pagar [...] sabe sua renda é pouca, você não tem esse dinheiro pra você poder pagar um curso pra você aprender a fazer. Às vezes você não sabe nem ler, não sabe nem escrever, como é que você vai fazer uma coisa assim? Então é muito difícil. (Empresária D).

Bem complicado, quando você começa a parte mais difícil de tudo, porque o capital tá baixo, você tem poucos clientes, você tem pouco apoio, né? (Empresária E)

Com base nas falas, são necessárias abordagens mais inclusivas e acessíveis ao gênero feminino para que possam auxiliá-las tanto na abertura quanto na manutenção dos negócios (Hu et al., 2022), abrangendo gestão, inovação e acesso a diversos recursos. Isso pode reduzir os riscos, auxiliar na avaliação de pontos fortes, fracos, ameaças externas e oportunidades decorrentes do ambiente interno e externo (Feng et al., 2023). Com efeito, os empreendimentos têm maior probabilidade de se manter, crescer e promover a geração de emprego, contribuindo para o desenvolvimento econômico e a ressignificação da imagem feminina enquanto agente empresarial.

Embora existam programas disponíveis, as políticas públicas voltadas para empresárias de baixa renda mostraram-se limitadas ou sem efeito concreto. O apoio governamental deveria desempenhar um papel crucial no funcionamento eficaz do empreendedorismo (Hu et al., 2022). Esses elementos são fundamentais para atingir um crescimento sustentável e um desempenho duradouro, particularmente diante das desigualdades e discriminações enfrentadas (Morris et al., 2015; Castiblanco, 2018; Anwar & Li, 2021).

A escassez de políticas públicas relacionadas ao empreendedorismo pode ser reflexo da natureza patriarcal do ambiente (Sikweyiya et al., 2020; Anwar & Li, 2021). Normas culturais criam percepções de gênero, desenvolvendo limitações que são aumentadas pela ausência de programas governamentais eficazes que possam sanar essas barreiras específicas. Dessa forma, fomentar o empresariado feminino pode ser emancipatório e ajudar a superar as restrições impostas às mulheres (Atarah et al., 2023).

Relato das principais motivações

As mulheres enfrentam barreiras significativas como desemprego, demasiada pressão e expectativas do empregador anterior, circunstâncias familiares que exigem que elas cuidem da família e a necessidade de horários de trabalho flexível (Gomes, 2010; Leyton-Román et al., 2021; Lucas & Ancelmo, 2022). No entanto, é justamente essa luta contra as adversidades que confere um caráter inspirador às suas iniciativas. O empreendedorismo para a classe menos favorecida torna-se não somente uma saída para melhoria dos ganhos financeiros e de gestão de tempo, mas, em alguns, casos pode ser considerada a única via:

Meu pai infartou. A minha mãe infartou também. E o meu patrão não queria que eu saísse para ir cuidar da minha mãe, eu fui e pedi demissão do trabalho. Tentar onde tirar o que comer, porque não tinha depois que ele morreu, não tinha. (Entrevistada D).

O empreendedorismo feminino de baixa renda surge como expressão de resiliência e determinação em meio aos desafios familiares e econômicos. As motivações que impulsionam as mulheres nesse contexto são multifacetadas e refletem não apenas a busca pela independência, mas também a vontade de superar obstáculos e mudar sua condição. A atividade empresarial se apresenta como a saída e um sonho para indivíduos em situação financeira precária, sendo que sem alternativa viável, assume um papel preponderante:

Meu sonho é crescer. Eu quero crescer mais, porque aí é só o começo. Quando eu ficar já idosa, quero ter um lugar e dinheiro reservado. Se ela (a empreendedora) quiser, ela sonha, ela pode voar alto. Acho que cheguei aqui sonhando, assim, como uma dessas mulheres que também pode estar pensando assim, que pensou igual a mim, né? Agora mesmo, estou abrindo outro comércio (Empresária A).

A realização de muitos sonhos, quando iniciei, não tinha nem dimensão do que poderia fazer, do que poderia ser. Ainda há muito a crescer, mas já consigo me manter. De quatro anos até aqui é um avanço (Empresária B).

Se hoje não vendi, amanhã vou vender, ter perseverança e confiar em Deus. Está difícil, mas vou conseguir, meu sonho vou realizar. Tenho o sonho de comprar uma máquina e fazer coxinha. Vou conseguir crescer (Entrevistada D).

As falas das gestoras evidenciam o sonho de mudar de vida e de prosperar financeiramente. Do mesmo modo, sinalizam as suas capacidades de resiliência e perseverança. O ambiente patriarcal cria uma série de incertezas e obstáculos adicionais para as mulheres, sendo que a força de vontade delas torna-se uma ferramenta crucial para superar adversidades. Inclusive, a entrevistada 'A' não apenas inaugurou seu primeiro negócio, mas está no processo de abrir o segundo, sinalizando que suas atividades estão crescendo. Isso indica uma jornada de dedicação, além de uma abordagem proativa e ambiciosa em direção ao desenvolvimento profissional.

Nesse sentido, as mulheres envolvem-se em atividades empresariais para se libertarem das amarras da pobreza e da miséria, além do fato de viverem em uma sociedade impregnada pelo patriarcado (Sikweyiya et al., 2020; Atarah et al., 2023). A partir das necessidades e dos sonhos elencados, destacam-se também os fatores motivadores para a seleção do produto das empresárias. Constata-se que a afinidade e habilidade são tidas como decisivos na escolha. Ademais, as qualidades pessoais captam aspectos relacionados com os sentimentos de outras pessoas (Anwar & Li, 2021):

Eu gosto muito de criança, eu sonho muito ainda em ajudar a criança. E por eu ver as crianças, assim, sabe? Aí eu tenho vontade de vender alguma coisa [...] eu faço um desconto [...] dou uma balinha (Entrevistada A).

Trabalhar com roupas, eu me encontrei de verdade. Porque eu sempre gostei, sempre gostei de andar arrumadinha, sempre gostei de ajudar as pessoas [...] de ajudar minhas primas, a gente trocar essas figurinhas de looks. É um universo que já participa na minha vida desde sempre, então eu gosto (Entrevista B).

Mas eu sempre gostei muito de criança, sempre tive muito essa questão de gostar de crianças mesmo, do público. Aí eu fui para o lado infantil por conta dessa questão de gostar mais (Entrevistada C).

Eu trabalho com salgado [...] e sempre que passa uma pessoa, várias vezes com fome, eu sempre dou um café com uma coxinha. Eu não posso ajudar muito, mas do meu jeito eu ajudo. Então, assim, se Deus me colocou aqui, eu acho porque eu tenho [...] de ajudar as outras pessoas [...] porque um dia você já passou por aquilo, você chegar num lugar e não ter o dinheiro de tomar um café (Entrevistada D).

As empresárias demonstram com clareza que a escolha do produto ou serviço está diretamente relacionada à sua paixão, afinidade e interesse. Essas constatações revelam que quando um indivíduo se identifica com um determinado segmento, ele se depara com uma fonte de inspiração para investir tempo, esforço e recursos. Do mesmo modo, a motivação na seleção da mercadoria pode variar de acordo com o perfil de cada mulher, suas vivências e suas afinidades.

Destaca-se que a afinidade vai além da questão profissional; ela reflete uma ligação emocional e pessoal, em sua maioria, oriunda de vivências pessoais anteriores. Isso está de acordo com Kuratko et al. (2021) e Atarah et al. (2023), em que descobriram que as emoções e a paixão influenciam a tomada de decisão. Ao atuar em uma área alinhada com suas convicções, a empreendedora não apenas investe no êxito de sua empresa, mas encontra também uma sensação de realização. Indivíduos que possuem interesse, experiência e competências podem fazer com que a inovação se torne o principal motor para operar a organização e superar desafios, tornando-as empresárias de sucesso (Feng et al., 2023).

O empreendedorismo feminino de baixa renda se revela, por vezes, como uma única alternativa viável e um fenômeno impulsionado pela resiliência e determinação, delineando um caminho de superação diante das barreiras sociais, familiares e econômicas. Além das necessidades básicas destacadas, as mulheres escolhem o produto ou serviço pela afinidade e habilidade, demonstrando que a paixão e o interesse pessoal desempenham um papel facilitador na manutenção do negócio, tornando a trajetória menos árdua.

Relato das percepções culturais no empreendedorismo feminino de baixa renda

s relações histórico-culturais desempenham um papel significativo tanto nas dificuldades como nas motivações do empreendedorismo feminino. Os padrões moldados pela sociedade e impostos às mulheres tê

As relações histórico-culturais desempenham um papel significativo tanto nas dificuldades como nas motivações do empreendedorismo feminino. Os padrões moldados pela sociedade e impostos às mulheres têm impacto nos obstáculos enfrentados por elas ao longo dos anos (Seggiaro, 2017; Ojong et al., 2021; Lucas & Ancelmo, 2022). Dessa forma, os estereótipos de gênero exercem uma influência significativa e refletem nas desigualdades que estão enraizadas em várias esferas da sociedade (Alperstedt et al., 2014; Castiblanco, 2018; Oliveira et al., 2022).

Dentre os estereótipos, existe aquele em que a figura masculina deve prover o lar com recursos financeiros, enquanto as mulheres devem se dedicar as atividades domiciliares. A promoção da igualdade de gênero envolve reconhecer que ambos têm o direito de escolher seus caminhos e sonhos. Para isso, o empreendedorismo feminino abre o diálogo:

A mulher que procura independência financeira não está assumindo um papel de rebeldia, na verdade, está apenas somando, somando seus valores, realizando seus sonhos, vivendo seu propósito também com seu trabalho (Entrevistada B).

A fala da entrevistada ‘B’ representa uma forma de empoderamento, uma contraposição ao estigma de rebeldia, na qual as mulheres deveriam depender financeiramente da figura masculina. Esta perspectiva, que contrasta com a tradicional expectativa de dependência, destaca-se como uma forma de desafio e redefinição dos papéis de gênero. Este ato não apenas reforça a decisão de buscar objetivos e realizações pessoais, mas também sublinha a valoração do próprio trabalho como um meio legítimo de contribuição para a vida e o sustento.

Embora haja esforços das mulheres para conseguir maior autonomia financeira e pessoal, ainda existem barreiras culturais e estereótipos que prejudicam a atuação e permanência do empreendedorismo feminino. A persistência dessas barreiras destaca a necessidade de abordar e superar desafios sistêmicos que impactam não somente suas práticas, mas como as empresárias são percebidas pela sociedade:

Porque olham para você diferente, porque você é mulher, então, olha para você como se você não fosse capaz [...] Como se você não fosse conseguir. Mas eu acho que é o preconceito, né? Que existe hoje (Empresária A).

No início, a gente encontra essa dificuldade, de ser aceita. [...] como empresa [...] como negócio sério, que não é uma oba-oba. [...] no mercado de trabalho, por ser mulher e empreender, às vezes as pessoas acham que é uma coisa mais amadora. É a credibilidade e eu acredito que é por ser mulher [...] se fosse um homem, dá mais aquela questão de credibilidade ou tem mais força. Às vezes, a gente vê que é algo mesmo, de eras [...] a gente já tem vencido muito essas barreiras, mas querendo ou não [...] Tem quebrado um pouco essas barreiras, mas a gente ainda vê resquícios [...] existem resquícios de um machismo, de uma sociedade culturalmente machista (Empresária B).

A gente fala muito de igualdade, mas ainda não somos iguais no mercado [...] Quando fala que por trás de uma administração tá uma mulher [...] Você é tão novinha [...] Mas se fosse um homem da mesma idade, não falavam nada. Mas porque se é mulher [...] tem muitas pessoas machistas (Empresária D).

Mesmo assim, sempre tem aquelas pessoas que julgam, ah, fulana tá grávida, tá com barrigão e tá indo trabalhar, mas ali ela quer dar o melhor pro filho dela quando o filho dela nascer, as pessoas não entendem, né? Só a gente que entende. Só quem passa que entende. Mas a sociedade é muito complicada em relação a isso. A imagem fala, ah, fulana de tal tem loja, deixa o menino no berçário pra ir trabalhar, né? Mas o homem em si pode deixar o filho com a mãe, né? (Empresária E).

As transformações sociais em relação a questões de gênero ocorrem de maneira pontual e não constituem uma total ruptura das desigualdades que historicamente marcam a trajetória feminina. Nesse sentido, desafios estruturais demandam esforços contínuos para promover uma verdadeira equidade entre os gêneros (Roy, Mohapatra & Banerjee, 2022)

A imagem socialmente aceita de um agente empreendedor era a de um homem, e as mulheres que se aventuravam no mundo dos negócios são frequentemente confrontadas com ceticismo e discriminação (Majumdar et al., 2023). A associação tradicional de características com o universo masculino, como, por exemplo, liderança, competência, habilidade de negociação, dentre outras, cria obstáculos que prejudicam o crescimento e o sucesso das empresas lideradas por elas, especialmente para as de baixa renda.

A falta de credibilidade sofrida por parte de mulheres está relacionada com as raízes históricas que privilegiam as iniciativas empreendedoras masculinas. Tais imposições sociais têm origem em princípios históricos que as associam com as responsabilidades das atividades domésticas (Barbosa et al., 2021). Do ponto de vista emancipatório, a procura por autonomia ocorre quando os indivíduos anseiam por escapar ou remover restrições percebidas no seu ambiente, buscando ultrapassar um ou mais constrangimentos que limitam o seu potencial (Atarah et al., 2023). Dessa forma, o empreendedorismo pode ser um instrumento de emancipação para além de questões econômicas (Sutter et al., 2019; Cineglaglia et al., 2021).

É relevante frisar que a influência cultural da aversão do mercado de trabalho em relação às atividades maternas exerce uma função motivadora para as mulheres optarem por montar seu próprio negócio, pois as organizações consideram esses afastamentos como prejuízos, o que impacta a articulação entre as funções. A escolha pelo empreendedorismo é impulsionada pela necessidade de conseguir espaços no mercado de trabalho e busca pela emancipação, seja na independência, seja na equidade de ganhos salariais (Cineglaglia et al., 2021; Roy et al., 2022).

Destaca-se também que esse contexto está diretamente relacionado à vivência da dupla jornada, na qual historicamente as mulheres assumiam as responsabilidades nas atividades domésticas, gestão familiar e cuidados com os filhos. Essa realidade evidencia um obstáculo adicional para aquelas que necessitam conciliar não apenas as demandas financeiras de seus negócios, mas também as demandas pessoais e familiares (Leyton-Román et al., 2021; Atarah et al., 2023):

A gente concilia tudo, a gente tem casa, tem filho, então é uma forma que a gente encontra também de poder estar perto da família e proporcionar uma renda extra (Empresária B).

Deixava ele (filho) com pessoas desconhecidas e o que eu ganhava não era suficiente também para nos mantermos [...] eu precisava de algo em que eu pudesse cuidar dele e que eu tivesse uma renda financeira maior para poder nos manter [...]. É uma oportunidade de trabalhar, cuidar do filho e ganhar melhor porque ainda tem muita essa necessidade [...] Nós mulheres recebemos um salário menor e, na maioria das vezes, a gente tem uma responsabilidade maior, principalmente quando tem filhos ou quando é mãe solo [...] então existe uma necessidade de ganhar mais [...] Então quando você começa a empreender, você quebra essa barreira de ganhar menos do que o homem [...] Porque a partir do momento que você tem filho [...] não querem admitir você. Então, tem um impacto extremamente grande para a sociedade inteira, porque a pessoa passa a viver na pobreza mesmo, na necessidade, na miséria (Empresária C).

Ah, minha filha, tem que “rebolar”, eu levanto quatro e meia da manhã, faço o café, ajeito a minha mãe, que é idosa e eu tomo conta [...] venho pro meu trabalho seis horas da manhã, chega que eu limpo tudo, adianto, sai daqui, vou comprar as coisas [...] E vou fazer o salgado, outra hora eu faço salgado à noite, lavo roupa também à noite, e costuro também de noite, porque durante o dia eu tenho de tomar conta daqui, então é puxado, é difícil, é muito difícil. (Entrevistada D)

As afirmações das empresárias ‘B’, ‘C’ e ‘D’ se alinham com Feng et al. (2023) e Oliveira et al. (2022) em que aquelas que desejam ou são mães passam por desafios adicionais, pois as responsabilidades de gestão familiar são, em sua maioria, atribuídas a elas. Com efeito, é preciso levar em consideração que não é uma tarefa simples, mas, por vezes, exaustiva. A dupla jornada de trabalho gera impactos no tempo disponível para as atividades profissionais e familiares das mulheres. Este fato sofre um agravo quando se trata de mulheres de baixa renda que, por vezes, não possuem condições de custear despesas adicionais relacionadas ao monitoramento dos filhos ou de pessoas sob sua responsabilidade, além das necessidades básicas.

Portanto, destaca-se que a influência cultural pode atuar como impulsionador para mulheres, mães e que pertencem ao grupo de baixa renda a se tornarem empreendedoras. No entanto, esse fato não deve ser romantizado, mas como um símbolo de luta e resistência por direitos. Compreende-se que para a classe, criar uma empresa consiste na possibilidade de espaço no mercado, melhoria de ganhos salariais e sanar suas necessidades relacionadas às dificuldades na gestão familiar e profissional. Entende-se que esse contexto aumenta a propensão no empreendedorismo como uma opção para minimizar a pobreza e as necessidades individuais.

Considerações finais

A análise realizada sobre o empreendedorismo feminino de baixa renda em Vitória da Conquista revela desafios significativos enfrentados por essas mulheres. A falta de capital emerge como uma barreira fundamental, limitando não apenas o início dos negócios, mas também sua manutenção e expansão. A dificuldade em acessar programas de financiamento agrava essa situação, evidenciando lacunas nos sistemas de suporte financeiro disponíveis para elas. Além das questões econômicas, a falta de conhecimento em gestão é destacada como um desafio relevante.

A motivação para o empreendedorismo entre as mulheres de baixa renda está fortemente ligada à necessidade de melhorar os ganhos financeiros, equilibrando a gestão do negócio com as responsabilidades domésticas e maternais. A afinidade e a ligação emocional com o produto ou serviço também emergem como fatores motivadores significativos, demonstrando a importância de escolher atuar em áreas alinhadas com interesses e paixões.

O impacto da cultura machista na sociedade é evidente nos relatos das empreendedoras, que apontam para preconceitos persistentes em relação ao gênero. A falta de credibilidade nos negócios reflete estereótipos arraigados que ainda influenciam a percepção da sociedade. A sobrecarga da dupla jornada e a imposição cultural contribui para a desigualdade de oportunidades e dificulta a inserção e a permanência das mulheres no mercado.

O estudo destaca implicações significativas, pois enfatiza a urgente necessidade de medidas que facilitem o acesso a crédito e programas de financiamento para mulheres de baixa renda. Além de fornecer recursos, é crucial que o governo ofereça programas de capacitação, visando fortalecer as práticas de gestão. Isso não apenas contribuirá para a criação, a manutenção e o crescimento das organizações, mas também promoverá a geração de emprego e renda, impulsionando o desenvolvimento econômico local, regional e nacional.

É importante proporcionar estruturas que permitam às mulheres conciliar a dupla jornada tanto empresarial quanto familiar. A realidade de muitas empreendedoras inclui a gestão das responsabilidades domésticas e familiares, ao mesmo tempo em que buscam o crescimento de seus negócios. Portanto, é imperativo desenvolver políticas e programas que reconheçam e apoiem essa realidade multifacetada, resultando em implementação de programas de apoio à parentalidade e a criação de redes de suporte que compartilhem experiências e soluções eficazes.

Outra implicação fundamental reside na necessidade de desconstruir estereótipos de gênero associados às mulheres empresárias. Reconhecer a diversidade de habilidades, talentos e perspectivas é crucial para romper com as barreiras sociais que podem limitar oportunidades. Promover a igualdade e apoiar o empreendedorismo feminino de baixa renda contribui para construção de uma sociedade mais equitativa e inclusiva. Isso fornece insights valiosos sobre as motivações, desafios e influências culturais enfrentadas por essas mulheres.

Quanto às limitações do estudo, a amostra reduzida de mulheres e a ausência de procedimentos estatísticos podem impactar a generalização dos resultados. A dificuldade na identificação de uma amostra formalizada também destaca a complexidade do cenário do empreendedorismo feminino de baixa renda, muitas vezes marcado pela informalidade. Outro ponto é o viés retrospectivo, que faz com que as participantes relembrassem suas memórias, mas, é possível que não lembrem em sua totalidade, afetando a disponibilidade e análise de dados.

Para trabalhos futuros, sugere-se a continuidade das pesquisas, com foco em estratégias específicas que ofereçam suporte eficaz para a inserção e manutenção do gênero feminino no mercado. Além disso, a ampliação do escopo da pesquisa para incluir mulheres negras e LGBTQIA+ proporcionaria uma compreensão mais abrangente das dinâmicas empresariais, contribuindo para a construção de um ambiente empreendedor mais justo, diversificado e inclusivo.

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