Artículos de Estudios Empíricos y Estudios de Casos
Percepções sobre o demonstrativo do fluxo de caixa na óptica dos empresários da cidade de Jundiai, Brasil
Percepciones sobre la demostración del flujo de caja en la vision de los empresarios de la ciudad de Jundiai, Brasil
Perceptions about the demonstration of cash flow in the view of entrepreneurs of the city of Jundiai, Brazil
Percepções sobre o demonstrativo do fluxo de caixa na óptica dos empresários da cidade de Jundiai, Brasil
Visión Gerencial, núm. 1, pp. 60-72, 2019
Universidad de los Andes

Recepción: 28 Septiembre 2017
Aprobación: 12 Febrero 2018
Resumo: Este artigo objetiva identificar a percepção de empresários sobre o uso do demonstrativo do fluxo de caixa (DFC) como instrumento de apoio à gestão financeira das pequenas e médias empresas. Para tanto, a pesquisa buscou 210 empresários por meio de questionário com 15 assertivas envolvendo questões sobre o objeto da pesquisa. Os resultados obtidos demonstram que mais de 51% dos empresários conhecem o DFC (Demonstrativo de Fluxo de Caixa). Identificou-se, também, que os empresários fazem uso diário dessa ferramenta e que a utilizam como instrumento de decisão. No entanto, os empresários não sabem diferenciar o método direto e o indireto, consequentemente não sabem os benefícios de cada método. A pesquisa contribuiu para o conhecimento das PME, especialmente no uso das ferramentas de Gestão Financeira.
Palavras-chave: fluxo de Caixa, controle gerencia, tomada de decisão. .
Resumen: Este artículo tiene como objetivo identificar la percepción de los empresarios sobre el uso de la demostración de flujo de caja (DFC) como instrumento de apoyo a la gestión financiera de las pequeñas y medianas empresas. Para ello, la investigación buscó a 210 empresarios a través de un cuestionario con 15 asertivas que involucra cuestiones sobre el objeto de la investigación. Los resultados obtenidos demuestran que más del 51% de los empresarios conocen el DFC; de igual forma se descubrió que los empresarios hacen uso diario de esa herramienta y que la utilizan como instrumento de decisión. Sin embargo, los empresarios no saben diferenciar los métodos para la preparación del flujo de caja -directo e indirecto-, por lo que no conocen los beneficios de cada método. La investigación contribuyó al conocimiento de las PYME, especialmente en el uso de las herramientas de Gestión Financiera.
Palabras clave: flujo de caja, control gerencial, toma de decisiones..
Abstract: This article aims to identify the perception of entrepreneurs about the use of cash flow statement (CFS) as an instrument to support the financial management of small and medium enterprises. For this purpose, 210 entrepreneurs responded a questionnaire with 15 assertive sentences about the object of the research. The results show that more than 51% of entrepreneurs are familiar with the CFS. It was also found that entrepreneurs make daily use of this tool and use it as a decision tool. However, entrepreneurs do not know how to differentiate the direct and indirect method; therefore do not know the benefits of each method. The research contributed to the knowledge of SMEs, especially in the Financial Management tools.
Keywords: cashfFlow, management control, decision making. .
1. Introdução
Costa e Leandro (2016), estudaram a evolução das pequenas e médias empresas de acordo com dados do SEBRAE. A pesquisa destaca que existem cerca de 14.812.460 (catorze milhões, oitocentos e doze mil, quatrocentos e sessenta) pequenos negócios no Brasil, incluindo o microempreendedor (pessoa física), microempresa e microempresa. Esta população representa 98,2% dos estabelecimentos privados existentes no Brasil e estas são as razões pelas quais as PMEs capturam a atenção deste estudo.
Silva e Santos (2016) analisaram a correlação entre o crescimento das micro e pequenas empresas, a evolução do PIB nacional e o desemprego. Os resultados da pesquisa apontam para o crescimento do PIB acompanhado pelo crescimento de micro e pequenas empresas no período analisado. Enquanto isso, a taxa de desemprego diminuiu. Este estudo corrobora as posições de Costa e Leandro (2016), afirmando que as PMEs são responsáveis por 51,2% da remuneração dos empregos formais brasileiros.
No contexto geral do mercado, a competitividade está se tornando cada vez mais um fator que limita a sobrevivência dos empreendedores por meio de pequenas e médias empresas. Uma dessas razões desafiadoras é a gestão financeira dessas organizações que se torna estratégica para a existência da organização.
O objetivo da função financeira é fornecer à empresa recursos suficientes para cumprir os compromissos assumidos e promover a maximização da riqueza. Nesse contexto, o DFC se destaca como um instrumento que possibilita o planejamento e controle dos recursos financeiros de uma empresa.
O DFC indica as saídas e entradas de dinheiro de caixa durante o período e o resultado desse fluxo.
Além da Demonstração dos Resultados do Exercício, a DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa) é uma demonstração dinâmica e deve ser incluída nos instrumentos obrigatórios de pequenas e médias empresas no Brasil, de acordo com a NBC T-G 1000 (Norma Brasileira de Contábilidade-Técnica-Geral – 1000).
A investigação não enfocou o orçamento de caixa, que está na previsão para um certo período de fluxo futuro de entradas e saídas de caixa na empresa.
Em relação ao fluxo de caixa, objeto deste artigo, Matías (2007) define como um instrumento que reflete o resultado entre o ingresso e a saída de moeda em um determinado período de tempo.
De acordo com Ross, Westerfield e Jaffe (2002), o elemento mais importante que pode ser extraído das demonstrações financeiras é o fluxo de caixa efetivo da empresa, uma vez que, em finanças, o valor da empresa é dado por sua capacidade de gerar fluxo de caixa financeiro.
Portanto, a questão identificada para esta pesquisa é: Qual é a percepção dos empresários sobre o fluxo de caixa como ferramenta de gestão para pequenas e médias empresas (PMEs)? O objetivo geral da pesquisa consiste em identificar a percepção de empresários no DFC para pequenas e médias empresas.
Portanto, o objeto de estudo deste trabalho é a percepção em relação ao DFC. Um primeiro questionamento dos autores é identificar se os empreendedores conhecem o conceito de fluxo de caixa. Dentro desse objetivo, os autores elaboraram as seguintes hipóteses: H1- A maioria dos empreendedores estudados conhece o conceito de DFC. Acreditando que o H1 será verdadeiro, a segunda hipótese do H2 é realizada consiste em: os empresários fazem uso do DFC no cotidiano. Assim, o segundo objetivo específico é identificar se os empresários usam ou não o DFC.
Uma terceira preocupação dos pesquisadores é saber qual é o método de DFC que os empregadores usam. Para este cenário, a hipótese H3 é lançada como o método direto sendo o mais preferido pelos empreendedores.
A literatura acadêmica relata inúmeros benefícios do DFC. Assim, pode-se inferir que as DFCs fazem parte do processo de controle financeiro dessas organizações. O objetivo, portanto, consiste em identificar a percepção do DFC como um controle financeiro. A hipótese H4 é de que a aceitação do DFC é positiva, pois considera que é uma ferramenta de controle financeira aceita pela maioria.
Acreditando ser a ferramenta importante na gestão de PMEs, o último objetivo proposto é verificar a percepção dos empresários em relação ao DFC para a tomada de decisão. Desta forma, a hipótese H5 considera que o DFC é usado na tomada de decisão desses empreendedores.
A justificativa para a realização deste trabalho pode contribuir como referência para empresas que estão analisando a possibilidade de utilizar, ou já utilizam, o DFC como ferramenta de apoio ao gerenciamento.
No campo acadêmico, este estudo pode ser útil por meio da coleta de novas pesquisas sobre o fluxo de caixa e sistematização de conhecimento sobre o assunto.
Embora exista uma ampla literatura sobre a demonstração de fluxo de caixa (com características basicamente técnicas) e informações suficientes na imprensa especializada sobre o assunto, existem poucas análises mais aprofundadas que continuam com pesquisas com empresários de PMEs. Este trabalho será capaz de identificar alguns desses aspectos detalhados, servindo de base para futuras pesquisas.
Este artigo está organizado em introdução, referencial, metodologia de pesquisa, discussão de resultados e, finalmente, considerações finais.
2. Referencial teórico
Segundo Silva (2005) o fluxo de caixa consiste no principal instrumento de gestão financeira, pois possibilita planejar, controlar e analisar receitas, despesas e investimentos em determinado período projetado. Portanto, é possível, a partir da elaboração do fluxo de caixa, verificar e planejar eventuais excedentes e escassez de caixa, o que causará medidas que virão para sanar tais situações ou melhorar desempenho.
Madeira (2008) descreve que o fluxo de caixa é importante ferramenta de gestão, pois permite à empresa identificar o volume de capital necessário para planejar seus compromissos diários, bem como disciplinar a alocação de capital. recursos para o fornecimento de dinheiro e / ou investimentos. O autor, observa, porém, que ao defini-lo caixa como ferramenta de gestão de uma instituição, é importante perceber como e em que momento pode ser relevante.
Esse instrumento, também, deve ser usado como uma ferramenta para fazer previsões financeiras de médio prazo e para ajudar a tomar decisões importantes, como aplicações financeiras de custo mais alto que precisam de um período mais longo.
Siena, Licório, Lima e Oliveira (2015) em seus estudos mostraram uma empresa em que foi identificada a ausência de gerenciamento de fluxo de caixa. Os autores relatam que a falta de gerenciamento do DFC proporcionou despesas excessivas e desnecessárias, uma vez que também carecem de planejamento quanto a entradas e saídas financeiras. A falta de planejamento também compromete a expansão dos negócios, a ampliação do segmento de desempenho, a rentabilidade e outros fatores internos e externos que prejudicam a saúde financeira da empresa. Portanto, nesse aspecto, o orçamento de caixa, como parte do orçamento principal, representa uma ferramenta de gerenciamento muito útil.
Segundo Frezatti (1997), uma máquina gerencial adequada é aquela que possibilita sustentar o processo decisório da organização, uma vez que a falta dela provoca posições administrativas irreais, o que muitas vezes resulta em resultados insatisfatórios.
Madeira (2008) descreve que a adequada utilização do fluxo de caixa também informa o grau de independência financeira das organizações, com base na avaliação do seu potencial para:
1) geração de recursos no futuro;
2) liquidar os seus compromissos;
3) pagar a remuneração dos seus empresários.
Vieira e Batistoti (2015) estudam o DFC e afirmam que mesmo usando essa demonstração contábil não reduz o risco financeiro. No entanto, a visão de insumos e produtos de recursos, pode influenciar o empreendedor a tomar decisões mais acuradas; Por exemplo, o gestor financeiro pode provar que investir a longo prazo na aquisição de um imóvel trará um impacto negativo no equilíbrio de dinheiro ou mesmo que, com essa atitude é incapaz de cancelar seus compromissos.
De acordo com Rodrigues, Lustosa e Primo (2004), as informações fornecidas pelo DFC pode ser um instrumento auxiliar para estas projeções, uma vez que tem como objetivo principal a informação, sobre recebimentos e pagamentos de uma empresa durante um determinado período.
Em seguida, os mesmos autores destacam que o Fluxo de Caixa fornece ao usuário as informações necessárias sobre os investimentos e atividades financeiras da empresa. Especificamente, o DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa) visa ajudar investidores e credores a avaliar a capacidade da empresa de gerar fluxo de caixa positivo, liquidar obrigações e a pagar dividendos (DELANEY, NACH, EPSTEIN y BUDAK, 2002).
Segundo Silva (2005) há fatores internos e externos que impactam no fluxo de caixa, proporcionando significativas diferenças entre o que foi planejado e o que foi feito, comprometendo a eficiência do sistema, bem como sua liquidez.
Os fatores internos são:
1. Aumento do prazo das vendas concedidas como forma de aumentar a competitividade ou a participação de mercado;
2. Compras que não estão alinhadas com as projeções de vendas;
3. Diferenças representativas nos prazos médios de recebimento e pagamento de mercadoria;
4. Ciclos de produção muito longos que não estão alinhados com o prazo médio dado pelos fornecedores;
5. Política salarial incompatível com a receita e outras despesas operacionais;
6. Pequena ocupação de ativos fixos;
7. Distribuição de benefícios incompatíveis com a capacidade de geração de caixa;
8. Elevados custos financeiros originados do nível de endividamento.
Os fatores externos, por sua vez, são:
1. Diminuição das vendas em decorrência da retração do mercado;
2. Novos concorrentes;
3. Alterações na taxa de imposto;
4. Aumento do nível de inadimplência.
Silva (2005) descreve que, para que esses fatores não ocorram e comprometam o fluxo de caixa, é necessário que haja um acordo entre os setores e as decisões a serem tomadas devem ser discutidas e analisadas de antemão. O administrador financeiro deve, como um todo, verificar os possíveis impactos de fluxo de caixa, tornando-os conhecidos, preservando assim os interesses da empresa sobre o orçamento de caixa.
Frezatti (1997) descreve sete componentes cuja função é estruturar a atividade:
1. Princípios;
2. fluxo de informação;
3. Relações bancárias;
4. Estrutura de capital;
5. Análise das entradas e saídas operacionais;
6. Concentração de fundos; e
7. Investimentos e aquisições.
Segundo Campos Filho (1999) a estrutura do DFC é composta por quatro grandes grupos, que são apresentados no quadro N° 1:
| Disponibilidades | O conceito de disponibilidades é o mesmo que a maioria das pessoas geralmente tem. Abrange o dinheiro em caixa, o saldo das contas correntes nos bancos e as aplicações financeiras em CDBs, fundos de investimentos, cadernetas de poupança e outras aplicações financeiras assemelhadas, com prazo de vencimento em até três meses da data da aplicação. Aplicações financeiras com prazo de vencimento maior serão classificadas no grupo investimentos. | |
| Atividades de Operacionais | As Atividades Operacionais contemplam as receitas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Portanto, possuem relação com o capital circulante líquido da empresa. O conceito de operacional é basicamente o mesmo que a maioria dos profissionais possui. Em geral, corresponde às contas que afetam os resultados. Precisa ser adaptado para cada tipo de empresa, para a correta demonstração dos principais pagamentos e recebimentos operacionais. O detalhe pode ser feito com o que geralmente é chamado de centros de custo, resultados ou atividades. | |
| Atividades de Investimentos | As Atividades de Investimento são gastos efetuados no Realizável em Longo Prazo, em Investimentos, no Imobilizado ou no Intangível, bem como as entradas por venda dos ativos registrados nos referidos subgrupos de contas. | |
| Atividades de Financiamento | As Atividades de Financiamento são recursos obtidos no Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido. Devem ser incluídos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem as amortizações das dívidas e dos valores pagos aos acionistas a título de dividendos e distribuição de lucros. O conceito de financiamento utilizado é diferente do conceito predominante no mercado. Quando se fala de financiamento, no contexto de uma empresa, geralmente envolve a aquisição de um bem financiado por recursos de terceiros. Aqui, o financiamento é um conceito mais amplo. Inclui os recursos de terceiros e os recursos próprios recebidos. Neste conceito, quando os parceiros colocam dinheiro na empresa, o financiamento. Outra novidade é o posicionamento dos dividendos pagos dentro do grupo de financiamento, como uma conta retificadora dos recursos próprios. | |
Existem dois métodos para determinar o fluxo de caixa: o modo direto e o indireto.
Segundo Iudícibus (2002), o conceito de fluxo de caixa pelo método direto também é chamado de fluxo de caixa no sentido restrito. Muitos se referem a ele como o "True Cash Flow", pois, ao contrário do verificado no modelo indireto, ele mostra todos os recebimentos e pagamentos que realmente coincidem para a variação das disponibilidades no período.
Ainda, de acordo com Iudícibus (2002), entradas e saídas da caixa são evidentes a partir vendas- por valores efetivamente transportados (recebido), em vez da rede, tal como no método indireto. A partir daí, todos os recebimentos e pagamentos das operações ocorridas no período são considerados.
Este autor descreve que: é possível verificar que este modelo possui um poder de informação muito superior ao do Método Indireto, sendo melhor tanto para usuários externos quanto para o planejamento financeiro do empreendedor.
Iudícibus (2002, p.223) destaca suas vantagens e desvantagens. Destaca as seguintes vantagens:
1. Criar condições favoráveis para a classificação de rendimentos e pagamentos para seguir critérios técnicos e não fiscais;
2. Permite que a cultura de administração de caixa seja introduzida mais rapidamente nas empresas;
3. Informações em dinheiro podem estar disponíveis diariamente.
Em relação às desvantagens, o autor destaca:
1. O custo adicional para classificar os rendimentos e pagamentos;
2. A falta de experiência de profissionais das áreas contábil e financeira no uso de itens dobrados para classificar renda e pagamentos.
Além disso, segundo Iudícibus (2002, p.223), o conceito de DFC pelo método indireto é chamado de fluxo de caixa no sentido amplo. Isso é explicado a partir da análise dos fundamentos de sua elaboração.
Este autor descreve que o método indireto é estruturado e realizado por meio de um procedimento semelhante ao do DOAR (Demonstração de Origens e Aplicação de Recursos), chegando mesmo a ser considerado como uma aplicação do mesmo. Entender a análise de itens não-circulantes, típicos desse relatório, as mudanças nos itens (ativos e passivos) circulantes, excluindo, é claro, a disponibilidade, cuja variação está procurando demonstrar. Dessa forma, são efetuados ajustes ao lucro líquido pelo valor das operações consideradas como receita ou despesa, mas que não afetaram as disponibilidades, para demonstrar a variação no período. Analogamente ao DOAR, apenas nesse caso, com foco no item de caixa, são considerados como aplicações (saídas) do caixa, o aumento no Ativo Circulante e as diminuições no Passivo Circulante. Por outro lado, as diminuições no Ativo Circulante e os aumentos nas contas de Passivo Circulante correspondem a origens de caixa (entradas).
Iudícibus (2002) descreve que: este modelo é preferido por aqueles que se preparam o fluxo, precisamente por causa das semelhanças de caixa em relação ao método de montagem da DOAR, com o qual eles são mais frequentemente utilizados. No entanto, deixa importantes lacunas na evidência da informação.
Iudícibus (2002), também, destaca vantagens e desvantagens desse método. As vantagens são por este método são:
1. Apresenta baixo custo. Basta usar dois balanços (o início e o fim do período), a demonstração de resultados e algumas informações adicionais obtidas em Contabilidade; e os outros.
2. Lucro contábil conciliado com fluxo de caixa operacional líquido, mostrando como a diferença é compensada.
O autor destaca as seguintes desvantagens:
1. O tempo necessário para gerar as informações pelo regime de concorrência e só então convertê-lo em regime de caixa. Se isso é feito uma vez por ano, por exemplo, você pode ter surpresas desagradáveis e tardias.
2. Se houver interferência da legislação tributária na Contabilidade Oficial, e geralmente existe, o método indireto eliminará apenas parte dessas distorções.
Segundo Madeira (2008), a análise do DFC permite examinar a origem e aplicação do dinheiro que transita pela empresa, favorecendo a identificação de seu processo de circulação. No mundo moderno, a maioria das transações das empresas não envolve dinheiro, já que os pagamentos podem ser feitos com cheques, cartões de crédito, serviços bancários, eletrônicos, entre outras opções, sem a necessidade de transitar pelo caixa.
Frezatti (1997) explica a divisão da análise de fluxo de caixa em três partes: análise de consistência, análise comparativa e análise de otimização. O quadro N° 2 explica esta divisão:
| Análise | Conceitos |
| De consistência | Análise direcionada basicamente para conteúdo, garantindo que as informações sejam todas modeladas e apropriadas. A entrada de dados ocorre de maneira desejada. Pretende-se colocar questões, aprofundar a análise e assim verificar erros ou imprecisões. |
| Comparativa | Seu objetivo é saber se o fluxo de caixa está melhor ou pior. Quais as mudanças ocorridas e com que velocidade. As conferições neste caso são sumarizadas e destacam comparações com o mês anterior, o ano anterior e com o plano de negócios. |
| De otimização | Segundo Madeira (2008, p.7), depois de feitas as análises anteriores, busca-se a otimização dos efeitos, ou seja, significa dizer que se pretende obter os melhores resultados em termos de geração de caixa, tanto no fluxo operacional como no de acionistas, no fluxo permanente e no financeiro. Simulações de resultados podem e devem ser efetuadas para se avaliar o potencial e mesmo a importância dos resultados, face a novos riscos que sejam corridos. |
Según Liz (2011), o tempo mínimo ideal para análise de Fluxo de Caixa é um ano. Assim, é possível analisar os indicadores como lucratividade, rentabilidade, prazo de retorno de investimento e ponto de equilíbrio.
3. Metodologia da pesquisa
A tipificação (ou taxionomia) da pesquisa científica tornou-se relevante, à medida que indica as circunstâncias de estudo, eventuais restrições e/ou ressalvas, conduta para a coleta e tratamento dos dados e caráter dos resultados (TELES, 2001). A tipificação manifesta e justifica o caráter da pesquisa, além de fornecer os elementos para a interpretação e leitura da investigação em questão. Apresenta-se no Quadro N° 3, a metodologia utilizada para esta pesquisa.
| Propósito | Pesquisa aplicada. Segundo Roesch (1996, p.78) “é feita para que seus resultados tenham utilização imediata na solução de problemas concretos; é a obtenção do conhecimento para transformação da realidade” e “a pesquisa aplicada refere-se à discussão de problemas, utilizando o referencial teórico de determinada disciplina, e à apresentação de soluções alternativas”. Essas características vão em direção aos objetivos do estudo. |
| Método de intervenção | Descritivo, pois tem o objetivo de exibir o cenário dos empresários da região estudada. |
| Procedimentos qualitativos ou quantitativos | Procedimentos quantitativos. |
| Natureza dos dados | Primários. |
| A pesquisa ao longo do tempo | Cross-sectíonal foi realizado apenas uma vez no segundo semestre de 2016. |
| Extensão do campo de estudo | Pesquisas de levantamento. |
| Relação entre pesquisador e a pesquisa | Não participante. |
| População alvo | Empresários ou administradores de pequenas e médias empresas da cidade de Jundiaí - São Paulo - Brasil. |
| Amostragem | 210 empresas. |
| Método de coleta | Formulário do tipo survey com 15 assertivas. |
| Coleta dos dados | Primeiro semestre de 2016. |
| Descrição dos métodos de análise dos dados | Estatística Descritiva. |
A população participanteda pesquisa são os proprietários de empresas ou administradores de empresas cujo o porte venha ser classificado como pequena e média empresa geograficamente localizada na cidade de Jundiaí – Estado de São Paulo – Brasil. A amostra é do tipo não-probabilística (por conveniência). Nenhum formulário foi desprezado por falta de preenchimento.
Geograficamente a cidade de Jundiaí é um município do estado de São Paulo/Brasil. Localiza-se sob as coordenadas 23º11'11" de latitude Sul e 46º53'03" de longitude Oeste e a uma altitude de 761 metros. Tomando como referência a cidade de São Paulo, Jundiaí está a 57,7 quilômetros da capital do estado.
Jundiaí conta com 405.740 habitantes, segundo o IBGE (2016), e é, o 15° município mais populoso, no estado e o sétimo maior fora da Grande São Paulo. Também é o 59° maior do Brasil, sendo maior que quatro capitais estaduais. Seu nome é uma referência ao Rio Jundiaí, cujo nome é proveniente da língua tupi, significando "rio dos jundiás" (NAVARRO, 2005).
Apresentou, em 2013, um produto interno bruto de mais de R$ 36,6 bilhões (considerando o dólar a R$ 3,30 tem-se US$ 11,09 bilhões), colocando o município na 18ª posição em todo o país, à frente de dez capitais, sendo o sétimo município mais rico estado de São Paulo (IBGE, 2016b).
O procedimento para coleta de dados teve as seguintes fases:
Fase 1: Duas associações comerciais foram procuradas, que se recusaram a participar da investigação.
Fase 2: Empresas de consultoria foram pesquisadas na área contábil que concordaram em participar e fornecer e-mails de empresas clientes.
Fase 3: E-mails foram enviados para as empresas.
Fase 4: As empresas concordam em participar e são enviadas com o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).
Fase 5: Para as empresas que aceitaram, foi feito contato telefônico para agendar a aplicação do questionário pessoalmente. O instrumento utilizado para a avaliação do empreendedor consistiu em 15 itens que avaliaram cinco construtos relacionados à percepção do DFC em suas atividades profissionais. O Quadro N° 4 mostra os construtos com as assertivas. Este instrumento está no anexo único do artigo.
O plano de análise dos dados foi a Estatística Descritiva.
Para o cumprimento do objetivo proposto utilizou-se a técnica da triangulação para a discussão dos dados. Esta técnica visa aumentar a confiabilidade dos dados. Martins e Theophilo (2009) afirmam que a convergência de resultados advindos de fontes distintas oferece um bom grau de confiabilidade ao estudo, muito além da pesquisa orientada por outras estratégias.
| Constructo | Qtd | Assertivas | |
| Conceito | 3 | 1- O fluxo de caixa é um esquema que representa as entradas e saídas de caixa ao longo do tempo. | |
| 2- Eu elaboro o fluxo de caixa com base nas: entradas e saídas de, neste caso, os valores realizados para um determinado período de atividade. | |||
| 3- Na minha empresa o fluxo de caixa mostra a diferença entre as entradas e as saídas de dinheiro provenientes das vendas e consumidas nas operações. | |||
| Uso | 3 | 4- O fluxo de caixa é um instrumento que ajuda o empreendedor na tomada de decisões? | |
| 5- Na minha empresa o fluxo de caixa mostra que é um instrumento de controle que auxilia na previsão, visualização e controle das movimentações financeiras de cada período. | |||
| 6- Na minha empresa o fluxo de caixa constitui-se em instrumento essencial para que a empresa possa ter agilidade e segurança em suas atividades financeiras. | |||
| Escolhas no método | 3 | 7- As diferenças entre os dois métodos de elaboração do fluxo de caixa referem-se apenas à forma de evidenciação dos fluxos das atividades operacionais. | |
| 8- Eu uso o método direto por que é elaborada a partir da movimentação diretamente ocorrida nas disponibilidades. | |||
| 9- Eu uso o método indireto pelo fato de ser elaborado a partir do resultado, ou seja do lucro ou prejuízo do exercício. | |||
| Controle Financeiro | 3 | 10- O fluxo de caixa facilita a identificação daqueles créditos (normalmente fornecedores), viáveis ou não, em função de seus custos. | |
| 11- Na minha empresa o fluxo de caixa mostra se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. | |||
| 12- Na minha empresa o fluxo de caixa mostra se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período avaliado. | |||
| Tomada de Decisão | 3 | 13- Na minha empresa o fluxo de caixa proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos. | |
| 14- Para eu fazer o fluxo de caixa necessito de uma visão geral sobre todas as funções da empresa, como: pagamentos, recebimentos, compras de matéria-prima, compras de materiais secundários, salários e outros, por que é necessário prever o que se poderá gastar no futuro dependendo do que se consome hoje. | |||
| 15- É através do fluxo de caixa que os custos fixos e variáveis ficam evidentes, permitindo-se desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais. | |||
4. Análise e discussão
Este tópico objetiva comentar os dados apresentados, relacionando-os ao referencial teórico e às possíveis inferências.
As assertivas 1,2 e 3 presentes no Quadro 5 revelam os dados do objetivo específico desse estudo em identificar o conceito que os empresários possuem sobre o DFC .
| Assertiva | Concordo plenamente | Concordo | Não sei | Discordo | Discordo plenamente |
| 1- Eu elaboro o fluxo de caixa com base nas: entradas e saídas de caixa, neste caso os valores para um determinado período de atividade. | 14% | 86% | 0% | 0% | 0% |
| 2- O fluxo de caixa é um esquema que representa as entradas e saídas de caixa ao longo do tempo. | 57% | 43% | 0% | 0% | 0% |
| 3- Na minha empresa o fluxo de caixa mostra a diferença entre as entradas e as saídas de dinheiro provenientes das vendas e consumidas nas operações. | 24% | 76% | 0% | 0% | 0% |
A análise da assertiva número 1 mostra que 86% elaboram o fluxo de caixa, porém somente 14% são mais categóricos com a assertiva.
A assertiva número 2 revela que 57% dos entrevistados possuem a total convicção da plena representação do DFC. Em igual sentido, porém menos afirmativo, vem 43% que também entendem a representação dos dados no DFC .
Observa-se que o número 3 que 76% dos respondentes concordam que o DFC mostra a diferença entre as entradas e saídas de dinheiro nas atividades, sejam elas de disponibilidade, operacionais, de investimento ou de financiamento. Estes números conferem as proposições de Cruz (2003). Os resultados deste grupo assertivo são positivos, porque o DFC é uma ferramenta conhecida de empreendedores.
Outro objetivo proposto por esse estudo foi identificar uso do DFC como ferramenta de gestão. Nesse caso as respostas estão nas assertivas 4,5 e 6 no Quadro N° 6.
| Assertiva | Concordo plenamente | Concordo | Não sei | Discordo | Discordo plenamente |
| O fluxo de caixa é um instrumento que ajuda o empreendedor na tomada de decisões. | 48% | 52% | 0% | 0% | 0% |
| Na minha empresa o fluxo de caixa mostra que é um instrumento de controle que auxilia na previsão, visualização e controle das movimentações financeiras de cada período. | 57% | 33% | 0% | 10% | 0% |
| Na minha empresa o fluxo de caixa constitui-se em instrumento essencial para que a empresa possa ter agilidade e segurança em suas atividades financeiras. | 10% | 52% | 0% | 38% | 0% |
A análise da assertiva número 4 mostra que 52% concordam que o DFC é um instrumento que ajuda o empreendedor. No entanto, somente 48% possui uma maior convicção. Essas respostas indicam que os entrevistados entendem que o Fluxo de Caixa ajuda o empreendedor na tomada de decisão. Este percentual confirma a posição de Silva (2005, p.12) ao afirmar o objetivo do Fluxo de Caixa.
Na análise da assertiva número 5 verifica-se que 57% dos entrevistados concordam plenamente que o DFC auxilia na previsão, visualização e controle das movimentações financeiras de cada período. O interessante é que 10% não concordam que o DFC possui essas propriedades. Contrastando essa assertiva com a primeira pode-se sugerir que 10% não sabem exatamente o que seria DFC.
A assertiva número 6 revela que 52% dos entrevistados utilizam o Fluxo de Caixa como instrumento essencial para que a empresa possa ter agilidade e segurança em suas atividades financeiras. No entanto, 38% não entende essa “essencialidade” do DFC. Provavelmente esse percentual utiliza além do DFC outras ferramentas para ter agilidade e segurança. Conforme Friedrich (2005), o Fluxo de Caixa constitui-se em instrumento essencial para que a empresa venha a ter agilidade e segurança em suas atividades.
Desta forma, a contribuição deste estudo no quesito “uso” permite identificar que o DFC faz parte do dia a dia dos empresários estudados. Em seguida o estudo buscou identificar qual o método que o empresário utiliza. O Quadro N° 7 mostra os resultados das assertivas 7,8 e 9.
| Assertiva | Concordo plenamente | Concordo | Não sei | Discordo | Discordo plenamente |
| As diferenças entre os dois métodos de elaboração do fluxo de caixa referem-se apenas à forma de evidenciação dos fluxos das atividades operacionais. | 38% | 62% | 00 % | 0% | 0% |
| Eu uso o método direto por que é elaborado a partir da movimentação diretamente ocorrida nas disponibilidades. | 14% | 86% | 00 % | 0% | 0% |
| Eu uso o método indireto pelo fato de ser elaborado a partir do resultado, ou seja do lucro ou prejuízo do exercício. | 43% | 57% | 00 % | 0% | 0% |
A análise da assertiva 7 revela que os entrevistados entendem que as diferenças entre os dois métodos de elaboração do Fluxo de Caixa refere-se apenas à forma de evidenciação dos fluxos das atividades. Essa afirmação confirma as informações de Filardi (2006) ao afirmar que as diferenças entre os dois métodos de elaboração do Fluxo de Caixa referem-se apenas à forma de evidenciação dos fluxos das atividades operacionais.
Observa-se que as assertivas 8 e 9 buscam saber qual o método que o empresário utiliza em sua organização. A assertiva 8 mostra que grande parte dos entrevistados usa o método direto. Já a assertiva número 9 revela quem discordou na assertiva 8. Porém, ao ver as respostas verifica-se que os sujeitos também responderam positivamente na alternativa 9.
Existe um contrassenso, pois os sujeitos que responderam a assertiva 8 positivamente deveriam ter assinalado na alternativa 9 o contrário. Dessa forma, essas assertivas permitem registrar que os empresários não sabem a diferença entre os métodos de realização do fluxo de caixa. Assim, não sabem os benefícios e as vantagens que cada método pode proporcionar no momento de tomada de decisão.
Em seguida o estudo buscou identificar qual a contribuição do DFC como um controle financeiro para o empresário. O Quadro N° 8 apresenta os resultados das assertivas 10,11 e 12.
A assertiva número 10 mostra que 57% dos entrevistados entendem que o Fluxo de Caixa facilita a identificação de certos créditos, porém 24% desconhecem esse benefício. De acordo com Barreto (2008) o Fluxo de caixa facilita sobremaneira a identificação daqueles créditos (normalmente de fornecedores), viáveis ou não, em função de seus custos.
A assertiva número 11 revela que 76% têm a consciência de que o Fluxo de Caixa mostra se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. Essa opinião é ratificada por Javorski (2010).
Observa-se na assertiva número 12 que 52% dos entrevistados têm a consciência de que o Fluxo de Caixa exibe se a empresa está trabalhando com aperto ou folga, porém existem 14% que teoricamente não concordam. Esse resultado confirma a posição de Javorski (2010) ao afirmar que o Fluxo de Caixa verifica se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período avaliado.
| Assertiva | Concordo plenamente | Concordo | Não sei | Discordo | Discordo plenamente |
| O fluxo de caixa facilita a identificação daqueles créditos (normalmente fornecedores viáveis ou não, em função de seus custos). | 5% | 57% | 14% | 24% | 0% |
| Na minha empresa o fluxo de caixa mostra se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. | 76% | 14% | 0% | 10% | 0% |
| Na minha empresa o fluxo de caixa mostra se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período avaliado. | 52% | 33% | 0% | 15% | 0% |
Em seguida, o estudo buscou identificar qual a contribuição do DFC no processo de tomada de decisão. O quadro N° 9 demonstra os resultados das assertivas 13,14 e 15.
Na assertiva número 13 observa-se que 57% dos entrevistados tem a percepção de que o Fluxo de Caixa proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos.
A assertiva número 14, 24% dos entrevistados concordam que é necessário ter uma visão geral sobre todas as funções da empresa, como por exemplo: pagamentos e recebimentos. No entanto, 10% não concordam ser necessário ter uma visão geral da empresa.
| Assertiva | Concordo plenamente | Concordo | Não sei | Discordo | Discordo plenamente |
| Na minha empresa o fluxo de caixa proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos. | 57% | 33% | 0% | 0% | 0% |
| Para eu fazer o fluxo de caixa necessito de uma visão geral sobre todas as funções da empresa, como: pagamentos, recebimentos, compras de matéria-prima, compras de materiais secundários, salários e outros, por que é necessário prever o que se poderá gastar no futuro dependendo do que se consome hoje. | 24% | 67% | 0% | 10% | 0% |
| Através do fluxo de caixa os custos fixos e variáveis ficam evidentes, permitindo-se desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais. | 67% | 33% | 0% | 0% | 0% |
Esse resultado vai de encontro com Weston (2000) ao afirmar que o controlador de Fluxo de Caixa precisa de uma visão geral sobre todas as funções da empresa.
Observa-se que 67% dos entrevistados percebem que os custos fixos e variáveis ficam evidentes através do Fluxo de Caixa, na assertiva número 15, permitindo assim, um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais. Essa resposta vai de encontro a posição de Shapiro (2008) ao afirmar que o DFC é um "mapa" onde os custos fixos e variáveis ficam evidentes, permitindo-se desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais.
5. Conclusões
O trabalho apresentado buscou resposta para a seguinte questão de pesquisa: Qual a percepção dos empresários sobre o DFC como ferramenta de gestão para as pequenas e médias empresas (PME)? Os autores acreditam ter conseguido resposta diante dos empresários entrevistados.
Avaliando-se as hipóteses sugeridas e avaliadas, observa-se um quadro geral muito significativo para entender a percepção desses Empreendedores Jundiaienses sobre a importância e uso do DFC. Das cinco hipóteses apresentadas e investigadas sobre: conceito, uso, método, controle financeiro e tomada de decisão, pode-se observar como se dá a relação destes empreendedores com o DFC.
O cenário levantado demonstra que aceitou-se a H1 pois mais de 51% dos empresários estudados conhecem o conceito de DFC. A pesquisa sobre a H2, por sua vez, que questionou o uso diário do DFC, também mostrou-se positiva, por sua ampla utilização por parte dos pesquisados. Assim, aceita-se também a H2 como premissa válida.
Já a H3, tratou de uma inquietude dos pesquisadores por identificar qual o método de DFC é utilizado pelos empresários. Os resultados da pesquisa recusam a hipótese H3 (O método direto é o mais preferido pelos empresários). O que se pode identificar é que os empresários não sabem as diferenças entre os métodos. Sendo assim, também não conseguem perceber seus benefícios. Pode se inferir que exista um DFC, porém o mesmo não sabe diferenciar um método do outro.
Com relação à quarta hipótese investigada, a pesquisa buscou identificar se o DFC faz parte do processo de controle financeiro. A resposta foi positiva com percentuais acima de 51% nas assertivas. Desta maneira, aceita-se também a H4, na qual a aceitação do DFC é positiva como ferramenta de controle financeiro em mais de 51% das respostas.
E por fim, ao investigar sobre a tomada de decisão, formulada na H5, a pesquisa pode identificar que o DFC é utilizado na tomada de decisão com as assertivas sinalizando mais que 51%, aceitando-se assim essa hipótese.
O assunto Fluxo de Caixa como ferramenta de apoio à gestão financeira das PME é um fenômeno importante, que ainda necessita de mais estudos no que se refere ao seu uso, conceito e aceitação. Assim, as questões pesquisadas neste trabalho contribuem como referência para as pequenas e médias empresas. Isto porque não existem estudos como este aqui proposto, especialmente na região de Jundiaí.
Este trabalho representa um ponto na extensa estrada do conhecimento científico sobre o DFC nas PME. Observa-se a necessidade de mais estudos em outras regiões do país, visando identificar eventuais desafios a serem superados.
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Información adicional
redalyc-journal-id: 4655
Enlace alternativo
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