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Incompetências em informação: o caso da conveniência na busca por informação

Information Illiteracy: The Case Of Convenience In Information Seeking

Lucas Almeida Serafim 1
Universidade Federal do Cariri (UFCA), Brasil
Gustavo Henrique de Araújo Freire 2
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil

Incompetências em informação: o caso da conveniência na busca por informação

Em Questão, vol. 22, núm. 2, pp. 36-59, 2016

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Recepção: 17 Fevereiro 2016

Aprovação: 09 Maio 2016

Resumo: Este estudo analisa comportamentos de informação baseados em conveniência e suas implicações nas competências em informação de um grupo de professores do Ensino Superior. Mediante pesquisa participante, investiga-se as competências em informação por meio da coleta de dados de percepção e desempenho em atividade prática de busca de informação científica. Dentre as constatações, destaca-se o fato de a maior parte dos participantes fundamentar suas escolhas pelo uso das fontes mais por critérios baseados em conveniência (agilidade, acessibilidade etc.) do que aspectos relacionados a credibilidade e precisão do conteúdo veiculado. Transpondo ponto de vista instrumental e cognitivo – foco majoritário da pesquisa corrente em competências em informação, cujo produto principal é a geração de modelos de boas práticas – esse artigo discute a conveniência com base em abordagens sociocultural e positiva da informação. Conclui-se que a conveniência, ainda que potencialmente danosa para a qualidade da produção de conhecimento dos professores, chama atenção para a dimensão positiva da informação, ainda pouco explorada pelos cientistas da informação, cujos interesses investigativos estão centrados mais nos aspectos problemáticos e nas barreiras de acesso à informação, negligenciando o estudo de como as experiências prazerosas e profundas determinam a busca e uso da informação.

Palavras-chave: Competências em Informação, Conveniência, Comportamentos de Informação, Prática de Informação, Ciência da Informação.

Abstract: This article analyzes information behavior related to convenience in information seeking and its implications for information literacy in a faculty community of Higher Education. Through participatory research, the information literacy is investigated using the perception and evidence-based data in a practical information searching activity. Among the findings, it’s highlighted the fact that most participants make their choices about the use of information resources based on convenience criteria (e.g. agility, accessibility etc.) rather than considering the credibility and the accuracy of the contents. Furthermore, the instrumental and cognitive perspectives are the major focus of the current research on information literacy, whose main product is the generation of information literacy standards. This article discusses the convenience by the lens of sociocultural and positive information approaches This study concludes that convenience, even potentially damaging to the quality of academic knowledge production, highlights the positive dimension of information, an issue that’s still little explored by information scientists, whose interests of research are more centered on problematic aspects and barriers of information, neglecting the study of how pleasurable and profound experiences determines the information seeking and use.

Keywords: Information Literacy, Convenience, Information Behavior, Information Practice, Information Science.

1 Introdução

Há algum tempo, as habilidades de informação são objeto de interesse dos bibliotecários, preocupados em orientar os usuários quanto ao uso eficiente das fontes de informação bibliográficas. Na atual conjuntura informacional, os canais de informação científica diversificam-se, e isso exige da função educacional das bibliotecas - tradicionalmente reconhecida como “educação de usuários”- ações sistemáticas que possibilitem às pessoas o desenvolvimento de capacidades, a fim de, assim, percorrerem os caminhos cada vez mais volumosos, de múltiplas possibilidades, ainda que, por vezes, obscuros do mundo digital.

Na Ciência da Informação, o assunto é discutido em torno do tópico competências em informação[1], que comporta investigações sobre o conjunto de aptidões das pessoas para avaliar e assimilar as informações de modo efetivo e ético. Em decorrência deste interesse de pesquisa, multiplicam-se as proposições de guias, parâmetros, modelos e/ou padrões de boas práticas da pessoa competente em informação (information literate).

No 21st Century Standards for Information Literacy (FARMER, 2010), descreve-se um modelo por meio do qual se promova a cidadania digital das crianças em idade escolar. Já o estudo de Stern e Kaur (2010) é orientado em torno de competências em informação para adultos. De modo mais abrangente, o trabalho de Ponjuan (2010) traz um guia de planejamento, de um programa nacional, para competências em informação, semelhante ao estudo de Ghasemi (2012), que sintetiza um modelo para o desenvolvimento de competências em informação para o Ministério da Ciência, Pesquisa e Tecnologia iraniano, estruturando-o em três perspectivas: formulação de leis e regulações, produção de conteúdo e comunicação entre ativistas.

No contexto internacional, destaca-se o modelo pioneiro (e mais conhecido), originado no âmbito do Ensino Superior – o estadunidense Information Literacy Competency Standards for Higher Education, da Association College Of Research Libraries (2000).

Consoante com esta tendência, o estudo sob relatório revela resultado de estudo empírico sobre as competências em informação de uma comunidade de docentes do Ensino Superior, sob a óptica de um dos modelos disponíveis na literatura corrente. Considerando-se a realidade atual da informação científica brasileira, foi avaliado, especificamente, o uso do Portal de Periódicos (Ministério da Educação/CAPES) – reconhecidamente, a principal plataforma de acesso às informações acadêmicas. Dentre os principais achados, foram observadas práticas de informação não recomendadas pelas atuais diretrizes das competências em informação. Deveríamos considerar os pesquisados, baseados na sua desatenção aos preceitos das competências em informação, incompetentes em informação (information illiterates)? (ZURKOWSKI, 1974).

Neste artigo, é proposta uma análise mais aprofundada dessas “deficiências”, resultante do entendimento das competências em informação em ultrapasse à concepção tradicional – de caráter instrumental e cognitivo dos padrões em curso – mediante a atenção para a complexa realidade sociocultural na qual ocorre a busca de informação.

2 Metodologia

Para o estudo da “prática de informação”[2], foram utilizadas abordagens metodológicas de cunho qualitativo, inspiradas em atuais e inovadores estudos dedicados a explorar a dimensão sociocognitiva/sociocultural da informação[3], os quais são fundamentados na noção de que a informação e o conhecimento são estabelecidos em um contexto sociocultural (COX, 2012; FULTON; HENEFER, 2010; YU, 2011). Realizamos uma pesquisa participante, ou seja, baseada “[...] numa metodologia de observação participante, na qual os pesquisadores estabelecem relações comunicativas com pessoas ou grupos da situação investigada.” (THIOLLENT, 2007, p. 17).

A população do estudo foi composta pelos professores do curso de Agronomia, da Universidade Federal do Ceará, Campus Cariri (atualmente Universidade Federal do Cariri). Entre os 18 convidados, sete aceitaram participar do estudo (identificados a seguir como “Pesquisado 1”, “Pesquisado 2”, e, assim, sucessivamente).

Foram realizados encontros individuais, previamente agendados, com o pesquisador (o primeiro autor deste escrito, que também era docente da mesma Universidade, porém de curso diferente), para serem realizados nas salas de cada professor/pesquisado. Nos encontros, foram informados os objetivos e demais procedimentos da pesquisa, a qual envolvia dois momentos distintos, orientados pelo preenchimento de dois questionários que coletavam dados de opinião e desempenho em atividade prática de busca de informação sobre competências em informação. Ambos requeriam a realização da atividade de coleta de dois artigos no Portal de Periódicos – um em língua portuguesa e outro em código estrangeiro. A diferença do primeiro para o segundo momento era que, no segundo, seria oferecido um treinamento de uso, sobretudo, com instruções acerca de eventuais dificuldades expressas na primeira fase.

A atividade exigiu o uso de um computador conectado à internet, para o acesso ao Portal de Periódicos. À disposição da pesquisa, havia os equipamentos como o Desktop, montados em cada ambiente dos docentes, além de laptops do pesquisador e, eventualmente, do próprio pesquisado, previamente configurados com o Proxy institucional, para acesso aos conteúdos restritos via senha pessoal.

Nessa área de pesquisa, Abdullah (2010, p. 104) reforça a ideia de que é preciso distinguir dois tipos de dados, ao se avaliarem competências em informação: percepção e desempenho. Para o autor, considerar apenas os dados de percepção é insuficiente, já que questões como “Você considera úteis as técnicas de pesquisa ensinadas pelos bibliotecários?” não possibilita avaliar se a pessoa sabe ou não aplicar essas técnicas. Já os dados de percepção, no ponto de vista de DaCosta (2010), podem ser úteis para demonstrar a disposição dos agentes de informação envolvidos – bibliotecários e docentes – em futuros trabalhos colaborativos.

Como guia para sistematizar as competências em informação abordadas neste estudo, utilizamos o The SCONUL Seven Pillars of Information Literacy: Core Model For Higher Education. (SOCIETY OF COLLEGE, NATIONAL AND UNIVERSITY LIBRARIES, 2011). No primeiro questionário, investigamos:

No segundo questionário, abordamos:

Especificamente, para análise da atividade prática, os dados coletados foram transformados em narrativas (tales) inspiradas nas abordagens sociológicas e etnográficas[4] de Van Maanen (1988), a fim de descrever e investigar a prática de informação científica dos docentes. Ocorre que, em vez de descrever e teorizar a negociação e os enlaces das relações de poder de variados mundos sociais – papel dos cientistas sociais – interessou-nos descrever e teorizar as relações entre os fluxos de informação e o contexto social.

Na visão de Hartel (2007), professora canadense da disciplina Etnografia da Informação, da Faculdade de Informação, na Universidade de Toronto, esse é um modo mais dinâmico e contemporâneo de compreender o “comportamento de informação”, a “prática de informação” ou, ainda, de modo mais específico, a “prática diária de informação” (SAVOLAINEN, 1995), na qual a vida social está refletida, e o desempenho dessa prática está no que é dito (falado ou gesticulado) e realizado (COX, 2012; BUDD; LLOYD, 2014).

Pelas histórias das práticas de informação, tem-se maior entendimento da experiência humana com a informação (HARTEL, 2007), decorrente de uma análise de cunho interpretativo:

No coração de uma estrutura interpretativa está a necessidade de entender como as pessoas constroem, interpretam, sustentam e fazem sentido do mundo social em que estão inseridas. Nesta estrutura, uma ênfase é colocada numa rica descrição contextual e no entendimento do contexto local em que ocorre a ação. Um paradigma interpretativo também legitima a instância participatória da parte do pesquisador. (LEE; TRACE, 2009, p. 624, tradução nossa).

Além disso, as narrativas facilitam a compreensão das competências em informação por uma gama bem maior de públicos, tanto acadêmicos quanto em geral. A partir delas, é traçado o “fio vermelho” da informação que permeia a vida das pessoas (BATES, 1999, p. 1048, tradução nossa), o qual é destacado neste estudo nos trechos que ilustram a discussão sobre os aspectos da conveniência da busca por informação.

3 Resultados e discussão

Do universo de dados coletados na pesquisa com os docentes – a maioria doutores (apenas um mestre) – ativemo-nos, para os fins deste relatório de pesquisa, aos relacionados ao momento da atividade prática de busca de informação científica. Nesta atividade, foi observado que a maior parte dos participantes fundamenta suas escolhas - em relação ao uso de fontes - mais por critérios baseados em conveniência (agilidade, praticidade etc.) do que por aspectos vinculados à credibilidade e precisão do conteúdo veiculado. Entende-se por conveniência:

[...] um critério situacional nas escolhas e ações das pessoas durante o processo de busca de informação. O conceito pode incluir as escolhas por uma fonte de informação, a sua satisfação com a fonte e o fácil uso, e o horizonte de tempo na busca por informação. (CONNAWAY; DICKEY; RADFORD, 2011, p. 180, tradução nossa, grifo nosso).

Os novos meios de acesso à informação incentivam, frequentemente, comportamentos baseados em conveniência, devido ao fato de:

[...] os estudantes e docentes serem pessoas muito ocupadas nas suas ciências, que necessitam de conveniência e preferem trabalhar nos seus escritórios e laboratórios, mais do que ir a biblioteca, a não ser que seja extremamente necessário [...] a realidade é que os acadêmicos escolhem conveniência no acesso à informação mais do que qualidade das fontes. (KURUPPU; GRUPER, 2006, p. 613, tradução nossa).

Na base da ideia da conveniência, está o princípio do menor esforço (principle of least effort) (ZIPF, 1949; MANN, 1993), que explica o fato de as pessoas preferirem o que lhes exige menos esforço para recuperar a informação necessitada, e que elas “[...] tendem a estar mais interessadas em minimizar perdas, em vez de maximizar ganhos” (KIM; SIN, 2011, p. 179, tradução nossa). Na intelecção de Connaway, Dickey e Radford (2011, p. 187, tradução nossa), um modo de se perceber a conveniência é “[...] quando as pessoas perdem a paciência e o tempo para vagar pelas listas e grupos separados dos conteúdos das bibliotecas e diferentes índices e resumos das bases de dados”, aspecto expressado pelos Pesquisados 2, 3 e 7 (Quadro 1).

Quadro 1
Conveniência: agilidade na busca pela informação
Conveniência: agilidade na busca pela informação
Dados da pesquisa.

O uso de meios públicos de informação é uma prática bastante comum em comportamentos convenientes (KINGSLEY et al., 2011), como observamos no caso dos Pesquisados 3 (Quadro 1) – que prefere o Google Acadêmico – e do Pesquisado 1 (Quadro 2):

Quadro 2
Conveniência: o uso de motores públicos de informação
Conveniência: o uso de motores públicos de informação
Dados da pesquisa.

Optar pelo uso de motores públicos de acesso à informação pode ser uma decisão potencialmente perigosa, em decorrência da falta de regulação e de avaliação, do anonimato na autoria, da rápida disponibilização, da edição das informações, da inexistência de filtros de refinamento de busca (VAND DE VORD, 2010; KIM; SIN, 2011; KINSGLEY et al., 2011) ou, ainda, em razão da existência de informações imprecisas e até mesmo falsas (ORIHUELA, 2007; BURKE, 2010, p. 248) dos novos ambientes informacionais. Para Van de Vord (2010), encontrar informações de modo mais fácil e conveniente pode comprometer a qualidade pela eficiência e estimular os usuários a atribuírem a qualidade da informação à agilidade do motor de busca.

Como alvitram Biddix, Chung e Park (2011, p. 181, tradução nossa), as pessoas até valorizam a credibilidade das fontes formais de informação, porém, preferem eficiência:

O uso dos catálogos e bases de dados das bibliotecas exige mais tempo, pois não possuem uma interface amigável. [...] As bases de dados das bibliotecas adotam sequências de busca especializada para localizar a informação [...] Elas precisam ser simplificadas. A necessidade de operadores booleanos, o uso de tesauros e outras opções de busca avançadas é problemática em um mundo cada vez mais acostumado com a informação na mão [...] um portal simplificado, que pareça com um motor público de busca, parece ser a solução mais apropriada [...].

Kuruppu e Gruber (2006, p. 620, tradução nossa), em seu estudo com graduandos e docentes de Ciências Agrárias e Biológicas da Universidade do Estado de Iowa (EUA), observam:

Claramente, alguns acadêmicos escolhem a conveniência acima da qualidade das fontes de informação. Alguns dos estudantes expressaram frustração sobre encontrar exatamente o que eles precisavam entre as milhares de fontes disponíveis; eles não possuíam habilidades avançadas que poderiam capacitá-los para melhorar suas pesquisas e a precisão dos seus resultados. Foi óbvio que quase todos os participantes usaram motores de busca da web para encontrar suas fontes de informação acadêmicas. O fácil uso do Google foi a principal causa da sua popularidade entre os acadêmicos de ciências, embora alguns indivíduos estiveram claramente desapercebidos do acesso limitado desses motores de busca às publicações da literatura acadêmica.

No estudo sob relatório, o uso frequente de instrumentos públicos de informação (não institucionais) foi também percebido na falta de conhecimento ou de interesse dos pesquisados - com exceção do Pesquisado 6 - em relação às opções de busca avançada. Van Dijck (2010) afirma que é preciso alertar os usuários deste tipo de meio que os métodos de busca são fundamentados em critérios de popularidade do sítio, e não, necessariamente, em relevância e confiabilidade das informações.

No caso do Google Acadêmico, Van Dijck (2010) destaca algumas características desse mecanismo:

Na inteligência de Kingsley et al. (2011, p. 2, tradução nossa), o contexto acadêmico exige do usuário “[...] balancear continuamente a necessidade por informações de fácil acesso, prontamente disponíveis e confiáveis, e evitar informações online questionáveis, imprecisas, incompletas e enganadoras.” Walsh (2010, p. 499), demonstra-nos dois tipos de imprecisão de informações: a informação errada (misinformation), isto é, sem elemento intencional, produzida por erros honestos; e a desinformação (disinformation), criada para induzir o usuário ao erro.

De origem militar, nas batalhas entre a antiga China e os ianques, assim como, na II Guerra Mundial, a palavra desinformação (disinformation) pode ser aplicada em texturas sociais distintas, como na política, nas vendas, no marketing, na televisão e, mais recentemente, na internet, espaço onde é incentivada pela falta de mecanismos de controle do conteúdo digital. Bem mais difíceis de serem percebidos, os erros intencionais impulsionam uma atitude cética por parte dos usuários da internet às mídias digitais (VAN DE VORD, 2010, 2010; WALSH, 2010).

No meio acadêmico, Van Dijck (2010, p. 588, tradução nossa) considera que a manipulação não é o único problema, uma vez que há falta de transparência nos métodos de busca, devido a questões econômicas, políticas e socioculturais. Assim, “[...] a produção do conhecimento científico é muito importante para que se deixe nas mãos de companhias e máquinas inteligentes.” Kingsley et al. (2011) acentuam que a preferência por usar o Google, no contexto acadêmico, aumenta os riscos de acesso a informações incorretas, e o seu uso massivo indica falta de treinamento em relação ao emprego das fontes de informação online.

No caso dos docentes, observamos que a aplicação da conveniência fere, diretamente, os preceitos do pilar Avaliar (Evaluate), e, pelo fato de este estar inter-relacionado aos demais, influencia as demais aptidões. Por exemplo, em relação ao pilar Planejar (Plan), é possível observar que comportamentos baseados em conveniência - decorrentes do emprego constante de motores de busca que não exigem o refinamento de busca - ensejam imperícia nos ambientes de informação especializada. Isso se dá mediante a inabilidade de parte dos docentes em estabelecer estratégias, para localizar informações pretendidas de modo efetivo.

Na atividade, apenas o Pesquisado 6 possuía senha para acesso restrito ao conteúdo do portal e foi o único a utilizar a opção de busca avançada; realizando, efetivamente, combinações booleanas com os termos “evapotranspiração” e “sensoriamento remoto”, na grande área do conhecimento “Ciências Agrárias”. Os demais participantes utilizaram apenas a opção de busca simples, prática mais comum daqueles que se louvam nos motores de busca do público em geral - comportamento que limita as possibilidades de uso pleno dos conteúdos disponíveis.

Houve ainda o caso do Pesquisado 7 (Quadro 3), que exemplifica imperícia deste no emprego das opções de pesquisa disponíveis.

Quadro 3
Conveniência: a preferência pela opção de busca simples
Conveniência: a preferência pela opção de busca simples
Dados da pesquisa.

3.1 Conveniência sob a perspectiva sociocultural das competências em informação

O fenômeno das competências em informação, seja como processo ou como produto, carece de teorização (BUDD; LLOYD, 2014). Dentre as possibilidades de estruturação teórica, é expressa a perspectiva sociocultural (ou sociocognitiva), atuante nos espaços deixados pela pesquisa tradicional, cujo foco é, majoritariamente, o processo cognitivo da informação.

Nesta abordagem, assinalamos o fato de ser imprescindível a análise do contexto em que as competências em informação ocorrem, pois a: “Informação é social” e “[...] todas as habilidades informacionais dependem fortemente do entendimento claro do contexto no qual um indivíduo atua.” (HOYER, 2011, p. 13-14, tradução nossa). A informação “[...] necessita de um contexto para ser compreendida.” (FREIRE, G.; FREIRE, I., 2009, p. 101), o que pode ser exemplificado pelo fato de as competências relacionadas à informação sempre adquirirem novas roupagens terminológicas, como por exemplo, competência em computadores (computer literacy), competência em mídias (media literacy), entre outras.

A informação é contextual ou “relacional”, por isso sua definição depende do contexto (GONZALEZ DE GOMEZ, 2003, p. 34). Além disso, na Ciência da Informação, “ou qualquer coisa que este campo seja chamado”, não haverá uma teoria, mas uma estrutura de conceitos ou modelos científicos amplos e opiniões comuns reformuladas, entrelaçadas com suporte em dois aspectos: como foram desenvolvidos e de que modo podem ser relacionados com amparo em novos contextos caracterizadores da aplicação do conhecimento (WERSIG, 1993).

Na proposta de transpor a análise e a sistematização dos aspectos internos da atividade cerebral, a abordagem sociocognitiva valoriza os aspectos externos e sociais da informação, nos quais o corpo, o local e as demais dimensões socioculturais potencializam ou restringem as práticas sociais de informação.

No Século vinte e um, as competências em informação deveriam ser vistas como uma prática de informação crítica e central que constrói a capacidade das pessoas de negociar com os, cada vez mais, complexos ambientes sociais e tecnológicos, e como modo que facilitar o entendimento das modalidades de informação, dentro de um ambiente, e como essas modalidades são construídas. Todavia, no campo da Ciência da Informação e Biblioteconomia, a complexidade dessa prática é frequentemente reduzida, por demais simplificada e direcionada em descrever habilidades de informação em vez de considerar as características socioculturais que possibilitam a prática emergir. (LLOYD, 2010, p. 45, tradução nossa).

Se fundamentadas no ponto de vista instrumental, as competências em informação expressam apenas um meio de legitimar o papel das bibliotecas em retificar uma deficiência do usuário, negligenciando o fato de que elas estão associadas aos amplos aspectos da “[...] educação, práticas, perspectivas e objetivos relacionados ao acesso, à avaliação, ao gerenciamento e ao uso de fontes de informação em todas as situações da vida.” (LIN, 2010, p. 552, tradução nossa, grifo nosso). Nesta proposta de evolução teórica, Julien e Williamson (2010) propõem associação entre as áreas de pesquisa das “competências em informação” e “busca de informação” que, apesar de parecerem estar associadas, se desenvolveram na Ciência da Informação, de modos distintos.

A busca de informação (information seeking) está vinculada aos estudos sobre “comportamento de informação[5]” (information behavior), ou, como prefere Wilson (1997), “comportamentos de busca de informação” (information-seeking behavior), e, mais recentemente, aos estudos sobre “práticas de informação” (information practice). O emprego da expressão “prática de informação” fundamenta-se na tentativa de fugir da ideia meramente behavorista, cognitivista e psicológica em torno da palavra “comportamento”, assim como, da desvalorização do fato de que a informação e o conhecimento são constituídos com base em contexto sociocultural (FULTON; HENEFER, 2010). A “prática de informação” representa o viés social da informação, estabelecida mediante as interações humanas em comunidade (YU, 2011, p. 7).

Assim, as “competências de informação”, sob a óptica da “prática de informação”, estendem-se para transpor a noção de habilidades no trato da informação, ao associá-las ao processo mais amplo de busca e uso de informação, que inclui “[...] como as pessoas buscam e fazem uso de informação, os canais que eles empregam para ter acesso à informação, os fatores que inibem e motivam o uso de informação.” (WILSON, 1997, p. 551, tradução nossa), ou, ainda, “[...] como as pessoas necessitam, buscam, fornecem e usam informação em diferentes contextos, incluindo o local de trabalho e o da vida cotidiana.” (PETTIGREW; FIDEL; BRUCE, 2001, p. 44, tradução nossa).

Esta aproximação entre os tópicos de pesquisa, na concepção de Julien e Williamson (2010), enseja uma reaproximação entre acadêmicos e práticos (profissionais), que, respectivamente, polarizam duas vertentes das competências em informação. De um lado, estão as implicações teóricas da “busca de informação” e, de outro, a operacionalização e/ou instrumentalização das “competências em informação”.

Por essa perspectiva, consideramos que, se a conveniência pode afetar a qualidade da produção de conhecimento, ela revela que os métodos de organização e disponibilização dos conteúdos especializados precisam estar atentos para outras dimensões (ou realidades) da informação, como a positiva, que aponta para a necessidade do desenvolvimento de veículos mais amigáveis e descomplicados, para que, por exemplo, se possa atender variados tipos e gerações de usuários (Quadro 4).

Quadro 4
Conveniência: preferência por ferramentas descomplicadas
Conveniência: preferência por ferramentas descomplicadas
Dados da pesquisa.

O argumento da abordagem positiva da informação é nutrido por um movimento teórico recente, crescente e inovador, em torno de pesquisas que retratam as praticas de informação como positivas e fontes de vida (BATES et al., 2009; COX et al., 2016; HARTEL, 2003, 2007). Na inteligência de Bates et al. (2009), a necessidade de refletir sobre uma Ciência da Informação positiva - a exemplo de outras disciplinas acadêmicas, como a sociologia positiva, a psicologia positiva e o lazer - justifica-se pela observância da mudança cultural centrada na informação, na qual as próximas gerações de usuários precisam conhecer o fenômeno informacional - a internet e as redes sociais - como algo divertido e de fonte amigável, que pode ser utilizado para o melhoramento de todos os aspectos da vida, dos relacionamentos ao lazer. Neste entendimento, observamos que o desenvolvimento de cultura de pesquisa em ambientes institucionais, formais e com aferida credibilidade, como o Portal de Periódicos, não pode, todavia, estar associado à criação de uma fobia entre os usuários, sobre o uso dos emergentes e informais meios de informação.

O agir de modo conveniente ressalta, aos olhos dos bibliotecários mais ortodoxos a lado positivo da experiência do usuário com a informação, cujas práticas são fortemente guiadas pela busca de experiência conveniente, prazerosa, agradável etc. É relevante ressaltar que esses aspectos ainda não suficientemente estudados pela Ciência da Informação, já que prevalecem como ponto central de pesquisa os contextos formais (acadêmico e profissional), nas conjunções de problemas (ou barreiras) que envolvem o acesso à informação (HARTEL, 2003).

A praticidade e a agilidade, tanto em meios formais como nos informais, são almejadas pelos que atuam no novo “ecossistema de informação” (MACE, 2007 apud MÊGNIGBÊTO, 2010, tradução nossa), no qual os “[...] usuários e cidadãos não estão esperando a permissão para assumir o controle no sentido de encontrar e organizar informações” (WEINBERGER, 2007, p. 133). Por exemplo,

A Wikipédia não tem editores oficiais, nenhum processo editorial bem regulamentado, nenhum controle sobre os parâmetros que determinam quando um artigo é considerado pronto para publicação. Seus autores não precisam ter nenhum tipo de credencial. Na verdade, os autores não precisam nem mesmo ter um nome. A aceitação pela Wikipedia de artigos diversos, de autores anônimos, provoca resistência tão ferrenha que às vezes interfere na compreensão. (WEINBERGER, 2007, p. 135).

Corroborando, Orihuela (2007, p. 10) assevera que:

[...] a blogosfera faz parte do novo cenário midiático e complementa as funções dos meios de comunicação tradicionais ao trazer uma textura e ponto de vista pessoal ao modo como os temas da atualidade são abordados, uma vez que gera agendas paramidiáticas (que extrapolam a comunicação) de grande interesse para as comunidades especializadas.

Esta nova realidade é observada no caso do Pesquisado 1 (Quadro 5).

Quadro 5
Conveniência: o uso de canais informais de informação
Conveniência: o uso de canais informais de informação
Dados da pesquisa.

Assim, os novos caminhos de informação precisam ser reconhecidos e ter seu uso incentivado, uma vez que dão suporte e potencializam uma constelação de práticas, incluindo as de informação científica. Pelo fato das variadas práticas sociais estarem inter-relacionadas (COX, 2012), reforça-se a constatação de que é invariável o desejo das pessoas por experiências positivas com a informação, em quaisquer circunstâncias. Consequentemente, é exigido que serviços de informação especializados estejam sempre atentos à necessidade de desenvolvimento de meios mais amigáveis e intuitivos de acesso à informação. Neste sentido, Connaway, Dickey e Radford (2011) sugerem que, para atrair usuários e mudar a imagem das bibliotecas – um lugar quieto para acesso a livros – as instituições deveriam promover práticas semelhantes aos serviços disponibilizados na Web, tais como Google, Amazon e Itunes.

O viés educacional das competências em informação, todavia, continua fundamental e constitui-se como reconhecida ação de responsabilidade social da Ciência da Informação (SERAFIM; FREIRE, 2012). Nesta perspectiva, Van de Vord (2010, p. 172) defende a promoção de competências nas mídias (media literacy), que, pela óptica das competências em informação, instrui e motiva as pessoas a analisarem criticamente as mensagens veiculadas.

Corroborando, Walsh (2010) apresta sugestões para os indicadores avaliativos das competências em informação. O autor nota que, em muitas situações, avalia-se a informação com base na teoria epistemológica do fundacionalismo (foundationalism), na qual as decisões do indivíduo são fundamentadas em suas crenças básicas ou pessoais, havidas como certas e seguras. Walsh (2010) exprime que as convicções internas da pessoa dificultam o pensamento crítico perante informações duvidosas.

Em complementação, o autor considera mais oportuna a ideia do fiabilismo ou confiabilismo (reliablism), em que fatores externos justificam a decisão das pessoas por buscarem informação (Quadro 6).

Quadro 6
Indicadores de confiabilidade de informação
Indicadores de confiabilidade de informação
Adaptado de Kapoun (1998 apud WALSH, 2010, p. 507).

O uso desses indicadores decorre do desenvolvimento de múltiplas competências (multi-literacy), incluindo o ceticismo ante as informações online. Dentre eles: copyright (direitos autorais), inlinks (número de sites que fazem link com um site) e PageRank (método classificatório de busca do Google que avalia sites pela quantidade de vezes que foi acessado).

4 Considerações finais

As competências em informação, no contexto das práticas de informação científica, decorrem da interação de pessoas, tecnologias e outras práticas. Portanto, as competências em informação não podem ser compreendidas, plenamente, pela mera verificação de certas habilidades cognitivas. A identificação dos aspectos potencialmente negativos do agir de modo conveniente, das barreiras no acesso à informação, e a busca por sua retificação, dissociadas do contexto sociocultural, é tarefa improdutiva ante a complexidade da natureza do pensamento, de conhecer ou estar informado.

Os comportamentos baseados em conveniência são relevantes, porquanto dão pistas, especialmente para os educadores, das competências em informação; sobre como a prática de informação científica ocorre, como esta interage com outras práticas sociais de informação, bem como, de que modo as pessoas desempenham elas e como são moldadas e influenciadas por fatores socioculturais - políticos, econômicos, culturais e emocionais, bem como, a influência dos aspectos ambientais ou físicos (estruturais e tecnológicos) - que, por sua vez, impulsionam a busca por experiências positivas com a informação. O interesse por essas variáveis é essencial para a efetividade de ações instrucionais para a comunidade docente, sobretudo, da contextura local.

REFERÊNCIAS

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Notas

[1] Expressão empregada neste estudo para traduzir “information literacy” (ZURKOWSKI, 1974). A ideia de “competências em informação” segue, de certo modo, alguns estudos em Língua Portuguesa que preferem a palavra “competências” em vez de “alfabetização”, para traduzir o vocábulo literacy. Compreende-se que o termo “competências” é mais apropriado para descrever habilidades informacionais específicas que transpõem os métodos de alfabetização tradicionais (SERAFIM, 2011). A escolha da dicção mais apropriada é discussão corrente dos teóricos da área, sobretudo com fins de torná-lo mais entendível pela comunidade científica e pelo grande público. Lin (2010) esclarece haver os que o interpretam de modo restrito, quando o utilizam apenas para legitimar o papel das bibliotecas de retificar uma “deficiência” do usuário. Por este viés, “ambos ‘alfabetização’ e ‘competência’ poderiam criar indesejáveis fobias: ‘as pessoas podem simplesmente se tornar tão envergonhadas de não serem alfabetadas [letradas, capacitadas, competentes, eficientes] em informação do mesmo modo que ficam quando iletradas em outras circunstâncias. Muitas pessoas já são fóbicas à tecnologia. Nós, certamente, não queremos torná-los igualmente temerosos da informação [...] Em relação à ‘competência’, algumas pessoas ainda irão se arrepiar pela implicação de que são incompetentes em informação.’” (ISAACSON, 2003 apud LIN, 2010, p. 552, tradução nossa).
[2] Dicção relativamente nova e pouco explorada pelos cientistas da informação (COX, 2012; FULTON; HENEFER, 2010; YU, 2011), originária da perspectiva social da informação.
[3] Acompanhamos a evolução teórica em torno dos “ismos” da Ciência da Informação abordada por Talja, Tuominen e Savolainen (2005), que representam as proposições metateóricas mais proeminentes para os estudos de informação atuais, a saber, cognitivismo/construtivismo, sociocognitivismo/socioconstrutivismo/coletivismo e construcionismo.
[4] Para fins desde estudo, consideramos a observação participante como método (THIOLLENT, 2007) de natureza semelhante ao etnográfico, que se utiliza da técnica de observação participante, porém de modo mais aprofundado, sobretudo, por dedicar maior período à pesquisa de campo.
[5] É largo emprego, na literatura corrente, da dicção comportamento de informação, apesar de que esse construto possa estar “[...] gramaticalmente incorreto, já que a informação não se comporta; somente as pessoas.” (PETTIGREW; FIDEL; BRUCE, 2001, p. 44, tradução nossa).

Autor notes

1 Doutorando; Universidade Federal do Cariri (UFCA), Juazeiro do Norte, CE, Brasil;

lucas@cariri.ufc.br

2 Doutor; Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB, Brasil;

ghafreire@gmail.com

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