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Adequação do funcionamento de bibliotecas fluminenses: desafios e oportunidades no contexto da pandemia de covid-19
Jaqueline Santos Barradas; Stefanie Cavalcanti Freire; Vinicius de Souza Tolentino
Jaqueline Santos Barradas; Stefanie Cavalcanti Freire; Vinicius de Souza Tolentino
Adequação do funcionamento de bibliotecas fluminenses: desafios e oportunidades no contexto da pandemia de covid-19
Management of libraries in Rio de Janeiro: challenges and opportunities in the context of the covid-19 pandemic
Em Questão, vol. 30, e-138807, 2024
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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Resumo: Analisa a adequação do funcionamento de bibliotecas fluminenses no contexto da pandemia de covid-19. Objetivo: Investigar o planejamento e a coordenação de ações de gestores públicos e privados para adequação do funcionamento das bibliotecas durante a pandemia e suas consequências. Metodologia: Pesquisa exploratória, ocorrida em três etapas: a primeira, pesquisa bibliográfica; a segunda, o mapeamento com a coleta de dados cadastrais das bibliotecas, cujo recorte geográfico é a região metropolitana do Rio de Janeiro; a última etapa consiste na coleta dos dados primários, realizada diretamente com os gestores das bibliotecas, de forma anônima, por meio da aplicação de um questionário online, composto de 38 perguntas abertas e fechadas. Dos 411 e-mails enviados, foram compilados 95 respondentes, cuja análise de dados foi tratada por meio de Estatística descritiva, sustentados pela literatura da área. Resultados: Sobre a caracterização das bibliotecas, observou-se que os respondentes da pesquisa estão em sua maioria localizados na capital, com 76,8%. Sobre a tipologia de bibliotecas, a maioria se caracteriza como bibliotecas universitárias (44,3%), seguidas pelas especializadas (38,9%) e as bibliotecas públicas 16,8%. Nota-se a restrição do uso do espaço físico e dos suportes materiais, contudo colocou em prática projetos por vezes adiados, como a digitalização e virtualização dos serviços, promovendo uma ressignificação das ações que as bibliotecas já exerciam no presencial. Conclusões: Ressaltam-se boas práticas e otimização dos recursos empregados para o seu funcionamento e manutenção. É possível afirmar que as bibliotecas, sobretudo aquelas aqui analisadas, nunca mais serão as mesmas.

Palavras-chave: Bibliotecas, pandemia de covid-19, Rio de Janeiro (Estado), funcionamento.

Abstract: The article analyses the adequacy of the functioning of libraries in Rio de Janeiro in the context of the covid-19 pandemic. Objective: To investigate the planning and coordination of actions by public and private managers to adapt the functioning of libraries during the pandemic and its consequences. Methodology: Exploratory research, carried out in three stages: i) bibliographical research; ii) mapping with the collection of library registration data, whose geographical area is the metropolitan region of Rio de Janeiro; iii) collecting primary data, carried out directly with library managers, anonymously, through the application of an online questionnaire, consisting of 38 open and closed questions. Of the 411 emails sent, we compiled 95 respondents and analyzed these data using descriptive statistics, supported by the literature in the area. Results: Regarding the characterization of libraries, we observed that 76.8% of survey respondents are in the capital. Regarding the typology of libraries, 44.3% are university libraries, 38.9% are specialized libraries, and 16.8% are public libraries. We also noted restrictions on the use of physical space and material supports. However, some postponed projects were realized, such as the digitalization and virtualization of services, promoting a new meaning to libraries' actions already carried out in person. Conclusions: We noted good practices and optimization of resources used for library operation and maintenance. Libraries, especially those analyzed here, will never be the same again.

Keywords: Libraries, covid 19 pandemic, Rio de Janeiro (State), functioning.

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Artigo

Adequação do funcionamento de bibliotecas fluminenses: desafios e oportunidades no contexto da pandemia de covid-19

Management of libraries in Rio de Janeiro: challenges and opportunities in the context of the covid-19 pandemic

Jaqueline Santos Barradas
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Stefanie Cavalcanti Freire
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Vinicius de Souza Tolentino
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Em Questão, vol. 30, e-138807, 2024
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Received: 26 February 2024

Accepted: 02 July 2024

1 Introdução

Equipamentos culturais e educacionais como bibliotecas, museus, teatros, casas de espetáculos e escolas, em todas as tipologias e segmentos, tiveram que repensar sua forma de atuação a partir da instalação da pandemia da covid-19 eclodida em 20201 no mundo. Figuraram entre os primeiros equipamentos a serem fechados no contexto das cidades e das organizações e os últimos a funcionar nos planos de reabertura ao final da fase de isolamento e restrições instaurados. Bibliotecas têm por finalidade suprir as mais diversas necessidades informacionais de pessoas e de organizações. São, por natureza, gregárias. Precisam de pessoas vivas, presentes.

Não se tem notícias, nos últimos 20 anos, da Ciência ter sido tão demandada como na pandemia de covid-19, em escala global, independente de culturas ou crenças. A importância e o dever de manter, com responsabilidade, a continuidade de oferta do acesso aos serviços e acervos de bibliotecas para as atividades de educação, pesquisa e cultura, com segurança aos funcionários e aos usuários, evitando que as atividades ofereçam risco de saúde pública evidencia a necessidade de estudos e pesquisas científicas continuadas.

A pesquisa em tela buscou refletir acerca da adequação de funcionamento de bibliotecas fluminenses no contexto da pandemia de covid-19. Assim, as perguntas que orientaram a pesquisa foram: o que foi preciso fazer para manter as bibliotecas funcionando em contexto de pandemia? Que aspectos precisaram ser revistos para que pudessem atuar com segurança? Quais iniciativas conduziram as ações dos gestores de bibliotecas para se adaptar ao contexto da pandemia?

Para tanto, a pesquisa teve por objetivo investigar o planejamento e a coordenação de ações de gestores públicos e privados para adequação do funcionamento das bibliotecas durante a pandemia e suas consequências.

O campo empírico da pesquisa é composto pelas bibliotecas públicas, as de caráter público, especializadas, as universitárias e as bibliotecas/centro de referência. Quanto ao recorte geográfico, limitou-se à cidade do Rio de Janeiro, segundo município mais populoso do Brasil de acordo com o último censo (IBGE, c2023), e sua região metropolitana: Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis, Queimados, Rio Bonito, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá (Rio de Janeiro, 2018).

O referencial teórico sustenta-se no conceito das bibliotecas e suas tipologias; nas formas de planejamento propostas para mitigar e minimizar as situações relacionadas aos riscos da pandemia de covid-19: plano de contingência e plano de ação; e pela compreensão das iniciativas adotadas por bibliotecas e por órgãos aos quais estão subordinadas, como recomendações e protocolos, tendo em vista a segurança epidemiológica.

Cabe salientar que a pesquisa foi realizada durante o curso da pandemia (2020-2022). Neste sentido, a literatura nacional produzida no contexto da covid-19 encontrava-se em plena construção. De igual forma, a elaboração de recomendações, protocolos e planos de ação para o manejo e atividades dos diversos acervos de bibliotecas e prestação de serviços no contexto da pandemia e pós-pandemia, quer no contexto das políticas públicas ou da iniciativa privada, tornava-se cada dia mais premente. Havia, naquele momento, muita discussão em curso, potencializada pelas facilidades promovidas pelas redes e mídias sociais, em forma de lives, webinares, reuniões online, mas pouca publicação a respeito.

No contexto internacional, alguns países que passaram pela pandemia um pouco antes do Brasil tiveram o processo de reabertura de seus equipamentos culturais, e tornaram públicas algumas soluções a partir dos supracitados documentos de planejamento.

2 Pressupostos teóricos

Inicialmente é necessário definir o conceito das bibliotecas alvo da pesquisa de acordo com suas tipologias. Em seguida serão apresentadas as formas de planejamento propostas para mitigar e minimizar as situações relacionadas aos riscos da pandemia covid-19: plano de contingência e plano de ação. Por último, serão observadas algumas iniciativas adotadas por bibliotecas e por órgãos aos quais estão subordinadas, como recomendações e protocolos, tendo em vista a segurança epidemiológica em questão.

2.1 Tipologias de bibliotecas

Para o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o tipo de biblioteca é determinado pelas funções e serviços que oferecem, pela comunidade que atende, e pelo seu vínculo institucional (Brasil, 2022b). Neste sentido, no âmbito desta pesquisa, as tipologias de interesse restringem-se bibliotecas públicas, as de caráter público, bibliotecas especializadas, bibliotecas universitárias e as bibliotecas/ centro de referência.

2.1.1 Biblioteca pública

Tem por objetivo atender diferentes interesses de leitura e informação da comunidade em que está localizada, colaborando para ampliar o acesso à informação, à leitura e ao livro, de forma gratuita. Quanto ao público a que se destina, atende crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Segue os preceitos internacionais estabelecidos no Manifesto da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) sobre Bibliotecas Públicas (Brasil, 2022b). É considerada equipamento cultural e, portanto, nacionalmente, é atendida pelas políticas públicas oriundas da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB), da Secretaria de Formação, Livro e Leitura (SEFLI) do Ministério da Cultura (MinC). É criada e mantida pelo Estado (vínculo municipal, estadual ou federal). O SNBP destaca outra categoria denominada bibliotecas públicas temáticas, que se caracterizam como bibliotecas especializadas em uma determinada área/assunto. O ambiente configura-se de maneira a representar a área/assunto em foco, assim como as coleções que compõem o seu acervo, os serviços que oferecem e a programação cultural.

2.1.2 Biblioteca de caráter público

No âmbito desta pesquisa será adotada a tipologia biblioteca de caráter público, entendida como aquela mantida por organizações, com recursos públicos ou privados, que disponibilizam produtos e serviços, total ou parcialmente, que estão disponíveis ao público em geral, ou seja, abertas e atendendo aos mais diversos sujeitos na sociedade, sem distinção. Enquadram-se nesta tipologia bibliotecas especializadas, particulares e associativas. Consideram-se associativas aquelas mantidas por sócios colaboradores (Schapochnik, 1999). Como exemplo podemos citar a biblioteca da Academia Brasileira de Letras e o Real Gabinete Português de Leitura, ambas localizadas na cidade do Rio de Janeiro.

2.1.3 Biblioteca universitária

Tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da unidade de ensino superior pública ou privada ao qual se vincula. Atende alunos, professores, pesquisadores e comunidade acadêmica em geral, por meio do acervo e serviços ofertados. Segundo o SNBP (Brasil, 2022b), a Biblioteca Universitária dá continuidade ao trabalho iniciado pela Biblioteca Escolar.

2.1.4 Biblioteca especializada

É voltada a um campo específico do conhecimento. Assim, o acervo e os serviços atendem às necessidades de informação e pesquisa de usuários interessados em uma ou mais áreas específicas de pesquisa. É vinculada a uma instituição pública, ou privada podendo também se caracterizar como uma biblioteca universitária, quando vinculada a uma unidade de ensino superior (Brasil, 2022b).

2.1.5 Biblioteca/ centro de referência

Segundo o SNBP (Brasil, 2022b) são consideradas bibliotecas especializadas que atuam com o foco no acesso, disseminação, produção e utilização da informação para um determinado público. Também denominadas como Centro de Informação e Referência. Muitas delas não possuem acervo próprio e trabalham exclusivamente com a referenciação de documentos sobre determinado assunto (resumos e resenhas).

A segunda parte do referencial teórico abordará as formas de planejamento.

2.2 Formas de planejamento

Para dar conta das inconstâncias, riscos e inseguranças do ambiente, as organizações devem ter entre seus documentos de planejamento um que os contemple, visto que a dinâmica de mudanças é certa. Enquanto se planeja, o mundo muda.

Não há na literatura da área uma definição da nomenclatura que seja consensual: plano de contingência, plano de recuperação, plano de gerenciamento de incidentes, plano de continuidade de negócios, são algumas das denominações. Nesta pesquisa adotaremos plano de contingência como o documento de planejamento que descreve de forma clara, objetiva, concisa e completa as respostas ou ações a serem desencadeadas diante de adversidades, riscos, perdas ou danos, de ordem pessoal ou patrimonial. É desenvolvido no intuito de propor ações necessárias, orientar, avaliar situações e dar respostas de controle às adversidades ambientais (Marcondes, 2017).

Dada uma determinada situação controversa e inesperada, como a que vivemos desencadeada pela pandemia, o plano de contingência busca responder: quais são os riscos e quais efeitos que o problema instalado pode causar? A intenção é eliminar, mitigar ou transferir o risco. Quando (e se) esse risco ocorrer, o que podemos fazer para minimizar seus efeitos? Nesse momento, é preciso antever situações, para identificar tudo o que pode ser feito para diminuir os impactos da ocorrência. O que é preciso fazer antes da possível incidência para nos preparar? Posteriormente é preciso pensar, então, no que pode ser feito depois que o evento acontecer.

Nesse ponto, faremos o plano de ação, instrumento que vai detalhar etapas, processos e recursos necessários para o plano de contingência. Desta forma, pode-se afirmar que o efetivo planejamento se divide em dois momentos: criar um plano para executar quando evento incidir, e preparar antecipadamente a organização para ser capaz de executar esse plano depois da incidência.

No contexto da Biblioteconomia brasileira o documento que nos inspira é Biblioteca Nacional. Plano de gerenciamento de riscos: salvaguarda & emergência, produzido por Jayme Spinelli e José Luiz Pedersoli Jr. em 2010. Como citado pelo diretor da instituição à época, Galeno Amorim, na Apresentação da obra, trata-se de:

[...] um trabalho inovador e com grande nível de abrangência, que introduz o caráter de sustentabilidade, ou seja, a utilização de recursos próprios e permanentes que propiciem ações de uso cuidadoso e preventivo do acervo. Como sinistros podem acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar, a prevenção permite que a instituição pense e se prepare antes do acontecimento, além de funcionar como um contra-ataque ao desastre (Spinelli; Pedersoli Junior, 2010, p. 9).

Entretanto, apesar da abrangência temática da obra, que define dez agentes de deterioração e discorre sobre os riscos genéricos para o patrimônio da Biblioteca Nacional (BN) segundo os agentes de deterioração, além do monitoramento e revisão do tratamento de riscos, os problemas advindos pela pandemia são tão novos e desafiadores para nossa cultura que sequer são contemplados nos documentos de planejamento, até mesmo nos mais completos como este supracitado. Para dar conta de tal situação foram criados documentos suplementares como os a seguir apresentados.

2.3 Recomendações e protocolos para segurança epidemiológica em bibliotecas

No contexto da pandemia, surgem as recomendações técnicas e protocolos, assim chamados os procedimentos necessários e essenciais para garantir a segurança epidemiológica de uma dada comunidade afetada. Ambos são pensados por especialistas de forma genérica e devem ser compreendidos e aplicados à realidade local de cada organização. Tratam-se documentos pelos quais as bibliotecas se orientaram para planejar seu processo de reabertura. Embora não sejam foco da pesquisa, o interesse reside em analisar sua adoção, customização ou elaboração pelas organizações investigadas (Associação [...], [2020]).

No Brasil, entidades representativas da área da Biblioteconomia como o SNBP, a Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) e comissões especiais de bibliotecas publicaram documentos, muitos deles baseados em experiências adotadas por organizações internacionais, já que muitas delas iniciaram o processo de reabertura de suas bibliotecas antes das nossas.

No portal do SNBP denominam-se Recomendações Técnicas e está dividido, além das recomendações gerais, em mais quatro níveis. Ainda no âmbito das bibliotecas públicas, uma Comissão Especial de Bibliotecas Públicas Municipais, criada pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Espírito Santo, editou a Recomendação Técnica 001/2020, a qual se autodenomina um plano de ação com 11 passos, a ser seguido para avaliação da reabertura do espaço pelo bibliotecário em parceria com seus gestores, prefeitos e secretários municipais. O documento, além de bem elucidativo, traz uma seção de apêndices ilustrados que podem ser utilizados pelas bibliotecas no seu dia a dia (Espírito Santo, 2020).

Com efeito, a CBBU editou Recomendações para elaboração de planejamento de reabertura das bibliotecas universitárias, declaradamente orientadas por organismos internacionais da área de Biblioteconomia e da Saúde como a Organização Mundial de Saúde (OMS) (Comissão [...], 2020).

Após análise observa-se que, embora os documentos se apresentem com formas e estruturas diferentes, foram elaborados dando atenção às pessoas, aos processos, às edificações e aos acervos e a comunicação e informação com o público, sistematizados pelos autores a partir das categorias/pontos de atenção a seguir.

2.3.1 Recomendação no que se refere às pessoas

Recomendação no que se refere às pessoas:

  • distanciamento sanitário;

  • uso intensivo de máscaras e em alguns casos de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como luvas, óculos, toucas, avental, jaleco ou guarda-pó;

  • higienização das mãos com água e sabão; uso de álcool 70º;

  • revezamento ou turnos alternados de trabalho entre os colaboradores para atendimento emergencial nas organizações;

  • afastamento dos colaboradores idosos e algum tipo de comorbidade do ambiente físico de trabalho;

  • estabelecimento do trabalho online e remoto.

2.3.2 Recomendação no que se refere aos processos

Recomendação no que se refere aos processos:

revisão dos processos de circulação:

  • empréstimo previamente agendados,

  • devoluções em caixas coletoras localizadas ou próximo às bibliotecas,

  • entregas e devoluções por sistema drive-thru,

  • suspensão de empréstimos entre bibliotecas,

  • planejamento de serviços de extensão bibliotecária, de acordo com as necessidades e recursos da biblioteca, como bibliotecas itinerantes, obedecendo os protocolos predefinidos;

orientação e atendimento aos usuários:

  • maior atenção à presença e recursos digitais,

  • oferta de novos serviços que garantam o acesso à informação,

  • adaptação para atendimento remoto,

  • incentivo ao uso de documentos digitais, e-books, e pesquisas online,

  • treinamento de usuários de forma online,

  • e atividades culturais para promoção de leitura adaptadas para formato online: contação de histórias, realização de oficinas, lives, palestras, webinar, entre outros;

processos de gestão:

  • proposição de protocolos e recomendações para enfrentamento à pandemia,

  • negociação com editores e autores para ofertas de novos produtos e serviços,

  • digitalização de materiais, respeitados os direitos autorais e a segurança da biblioteca,

  • estabelecimento de alianças estratégicas com outras bibliotecas com conteúdo de interesse,

  • e realização de reuniões online em detrimento das presenciais.

2.3.3 Recomendação no que se refere às edificações

Recomendação no que se refere às edificações:

  • fechamento imediato dos espaços ao público;

  • a reabertura após adequações de prédios e instalações: limpeza, desinfecção e incorporação de todas as medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e dos usuários;

  • layout que garanta o afastamento de mobiliário: estantes, mesas e balcões;

  • sinalização alertando para o distanciamento adesivado em pisos, paredes e murais;

  • e disposição do serviço de wi-fi aberto para ampliar a cobertura em nível interno e externo.

2.3.4 Recomendação no tocante aos acervos

Recomendação no tocante aos acervos:

  • estabelecer orientações sobre a manipulação de livros e objetos em papel e demais suportes;

  • definir local para a quarentena de livros físicos;

  • estabelecer prazos para quarentena dos diversos suportes; e

  • monitorar acervos enclausurados por muito tempo para evitar a proliferação de outros microrganismos danosos ao papel e ao ambiente.

2.3.5 Recomendação no tocante à comunicação e a informação com/ para o público

Recomendação no tocante à comunicação e a informação com/ para o público:

  • elaborar plano de comunicação para informar sobre as condições de operação e prestação de serviço, público-alvo, frequência das comunidades e mídias a serem utilizadas;

  • uso intensivo de mídias sociais para manter o público atualizado quanto aos serviços da biblioteca;

  • combate às fake news a partir do fortalecimento das capacitações sobre o acesso e uso de fontes confiáveis de informação.

A sistematização apresentada foi necessária para o estabelecimento do instrumento de coleta de dados a partir da aplicação do questionário às bibliotecas participantes da pesquisa. Cabe salientar que os protocolos e recomendações são diretrizes que podem ser seguidas ou não, de acordo com a realidade organizacional de cada biblioteca, ou seja, adaptável individualmente.

3 Metodologia e procedimentos metodológicos

A pesquisa foi realizada entre os anos de 2020 e 2022, obedecendo a um cronograma com etapas e prazos definidos. Trata-se de uma pesquisa exploratória, ocorrida em três etapas: a primeira, pesquisa bibliográfica e documental; a segunda, o mapeamento com a coleta de dados cadastrais das bibliotecas, cujo recorte geográfico é a região metropolitana do Rio de Janeiro; a última etapa consiste na coleta dos dados primários, realizada diretamente com os gestores das bibliotecas, de forma anônima, por meio da aplicação de um questionário online, composto com perguntas abertas e fechadas. A apresentação e discussão dos resultados será tratada na seção quatro.

3.1 Caracterização da pesquisa

Segundo os objetivos, a pesquisa se qualifica por ser exploratória, uma vez que busca elementos ainda não conhecidos de uma população. No que se refere às fontes, caracteriza-se como pesquisa de campo, este compreendido como o lugar natural onde acontecem os fatos, fenômenos e processos. Quanto aos procedimentos de coleta de dados, utilizou-se pesquisa bibliográfica, documental e aplicação de questionário. Santos (2002) considera-os como os métodos práticos utilizados para reunir informações necessárias à construção dos raciocínios em torno de um fato, fenômeno ou processo.

3.2 Planejamento da pesquisa

A investigação foi iniciada a partir da pesquisa bibliográfica e documental e continuada com a coleta de dados e, posteriormente, com a aplicação de questionário.

3.2.1 Pesquisa bibliográfica e documental

Foi realizada a partir de revisão bibliográfica na base de dados Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI) para identificar a temática durante todo o percurso da pesquisa; e em portais de instituições nacionais e internacionais representativas das áreas temáticas de conhecimento. Na BRAPCI, foi utilizado a expressão de busca: ‘bibliotec*’ AND ‘pandemia’ no campo TODOS, com o recorte temporal 2020 a 2022. A busca retornou 75 resultados, dos quais se analisaram os títulos, palavras-chave e resumos. Na ocasião excluíram-se aqueles não aderentes à pesquisa (biblioteca escolar, leitura, bibliotecário clínico, representação descritiva, estágio, histórico). Os demais foram lidos na íntegra.

A pesquisa documental revelou o acesso aos protocolos e às recomendações citados na seção anterior. Destaca-se que foram localizados por meio de pesquisas regulares espontaneamente na internet. Constituíram a espinha dorsal e um dos pontos de partida para a pesquisa; após análise e sistematização da documentação elaborou-se o conjunto de categorias/pontos de atenção (pessoas, processos; edificações; acervos; comunicação e a informação com/ para o público) que serviram de insumo para a elaboração do questionário.

Houve também o acompanhamento e a participação em lives, webinares em plataformas virtuais para obter informações sobre atividades em andamento durante a pandemia.

3.2.2 Coleta de dados

A coleta de dados sobre as bibliotecas ocorreu em duas etapas: na primeira, buscaram-se as fontes de dados por tipologia de bibliotecas. Para a seleção das bibliotecas públicas, públicas temáticas e centro de referência foi acessado o portal do SNBP pelo recorte geográfico referente às cidades supracitadas e, em alguns casos, o Mapa Cultural disponível no mesmo portal; para as bibliotecas universitárias, a CBBU, complementada pelo Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior - Cadastro e-MEC, no portal do Ministério da Educação (MEC), onde estão disponibilizadas informações sobre as instituições de ensino superior, filtradas pelo recorte geográfico da pesquisa. Para localizar as bibliotecas especializadas, foi necessário consultar documentos referenciais, como guias de museus (Instituto [...], 2021) e redes de bibliotecas (Rede [...], 2018).

Cabe evidenciar que dentre os principais fatores negativos da pesquisa, um deles foi localizar dados cadastrais prontos sobre as bibliotecas. Ao acessar o portal do SNBP, os dados relativos ao recorte geográfico (RJ) estavam incompletos ou desatualizados. No portal da CBBU não foi localizado listagem ou algo semelhante que pudesse ser imediatamente usado. Uma alternativa foi contactar a presidência do Conselho Regional de Biblioteconomia - 7ª região (CRB-7), que gentilmente disponibilizou uma lista de e-mails das bibliotecas de interesse desta pesquisa, porém com dados em fase de atualização.

Na fase seguinte a equipe dedicou-se a cadastrar bibliotecas buscando o e-mail delas e posteriormente enviando mensagem solicitando o cadastramento. Cerca de ¼ dos e-mails enviados retornaram, informando caixa postal lotada ou endereço inexistente, o que remete ao entendimento que tais endereços de e-mail não tenham sido frequentemente acessados. A alternativa foi iniciar um contato paralelo, a partir do acompanhamento junto aos perfis e páginas das bibliotecas investigadas nas redes sociotécnicas como Facebook, Instagram e Twitter (nome da rede social à época).

Com o advento da pandemia muitas bibliotecas encontravam-se fechadas, atendendo online, por meio de redes sociais e por e-mail. Telefonar para os locais não surtiu efeito, já que as pessoas não estavam atuando presencialmente. Desta forma, a equipe foi em busca de outros caminhos para localizar dados cadastrais das bibliotecas na cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana para estabelecer contato.

Simultaneamente foi criada uma planilha Excel para reunir o diretório de cadastro das bibliotecas fluminenses que compõem o universo da pesquisa. Ao final, foram localizadas 411 bibliotecas, assim distribuídas: 67 públicas, 21 de caráter público, 176 universitárias, 146 especializadas e uma biblioteca nacional que povoaram o referido diretório, criado visando possibilitar a aplicação da pesquisa. Vale ressaltar que o diretório de cadastro contemplou bibliotecas localizadas em todos os municípios.

Foi atribuído um e-mail oficial da instituição para o grupo de pesquisa, no qual passou a se comunicar, cadastrar e enviar mensagens a fim de confirmar dados do perfil para obter respostas mais assertivas na fase de aplicação dos questionários da pesquisa.

Vale salientar que a dinâmica definida para localizar dados cadastrais sobre as bibliotecas foi determinante para o desenvolvimento da investigação. Sem o contato das bibliotecas constantes no universo da pesquisa, não seria possível aplicar o instrumento. É importante evidenciar que a construção do diretório de cadastro das bibliotecas fluminenses pavimentou o caminho para que a pesquisa pudesse ocorrer.

Para buscar adesão das bibliotecas a este cadastramento inicial foi realizada uma campanha, por meio de um vídeo gravado, para conclamar as bibliotecas a participarem. O vídeo foi postado em 31 de março de 2021, na comunidade Facebook @bibliotecarios do Rio de janeiro, seguido por 2708 pessoas e no grupo Facebook @bibliotecas do Rio de Janeiro e seus bibliotecários, seguido por 1049 pessoas. O mesmo material foi compartilhado em grupos de bibliotecários no aplicativo WhatsApp.

3.3 Aplicação do questionário

A aplicação se deu por meio de um questionário elaborado no Google Forms, enviado por e-mail às bibliotecas previamente identificadas na fase anterior da pesquisa, com orientação para ser respondido pelos gestores. Tal instrumento compôs-se por perguntas abertas e fechadas, de forma a capturar dados e informações desejados para identificar mudanças em curso nas bibliotecas. Para tanto, realizou-se um pré-teste com 15 organizações, a fim de aferir o instrumento de coleta (Gil, 2002, p. 119). Posteriormente, os dados quali-quantitativos colhidos foram reunidos em planilha Excel e tratados utilizando-se recursos da Estatística Descritiva, e analisados confrontando a literatura da área.

O questionário constava de oito seções distribuídas em 38 questões, a saber: Caracterização das bibliotecas; Funcionamento da biblioteca; Pessoas - Funcionários; Pessoas - Usuários; Produtos e Serviços; Espaço Físico; Mídias digitais; Pós-Pandemia e Considerações finais, tendo por base os pontos de atenção/categorias citados anteriormente em 2.3.1.

Dos 411 e-mails enviados, obteve-se 97 respostas; destas duas foram descartadas por terem sido respondidas indevidamente por pessoas não qualificadas pelo perfil desejado (gestores), restando 95 respostas válidas. Obteve-se cerca de 23% de respostas, o que possibilitou uma análise dos resultados.

3.4 Análise dos dados

O processo de análise dos dados envolve diversos procedimentos: codificação das respostas, tabulação dos dados e cálculos estatísticos (Gil, 2002, p. 126). Os dados quantitativos coletados na etapa anterior foram reunidos em planilha Excel, e tabulados, pergunta a pergunta, utilizando-se os recursos disponíveis no software. No que se refere às perguntas abertas, que permitiam uma resposta livre, reuniu-se respostas semelhantes, excluindo-se os termos sinônimos e redundantes. Vale destacar que, para a análise dos dados obtidos a partir das respostas utilizou-se de recursos da Estatística Descritiva, a fim de objetivar os resultados.

Em uma das perguntas abertas (pergunta 38) houve a necessidade de categorização, cujos resultados foram analisados de acordo com as categorias criadas e expostos em forma de nuvem de palavras.

A última etapa da pesquisa será apresentada na próxima seção.

4 Apresentação e discussão dos resultados

A primeira parte do questionário buscou caracterizar as bibliotecas respondentes. Observou-se que as bibliotecas participantes da pesquisa estão em sua maioria localizadas na capital, com 76,8% do total. Em seguida, aparece o município de Niterói, com 12,6%, e depois Petrópolis, com 5,3%. Os demais municípios fluminenses ficaram com menos de 3%, ou seja, Itaboraí, Itaguaí e Seropédica com 1,1%.

Os seguintes municípios não responderam o questionário: Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio Bonito, São Gonçalo, São João de Meriti e Tanguá. Os dados mostram uma não representatividade de municípios que estão em regiões mais distantes da capital.

Sobre a tipologia de bibliotecas, as perguntas foram baseadas segundo a definição do SNBP, e as respostas revelaram que a maioria se caracteriza como bibliotecas universitárias (44,3%), seguidas pelas especializadas (38,9%). As bibliotecas públicas representam apenas 16,8% do total.

As respostas das bibliotecas universitárias e especializadas revelam uma preocupação dessa tipologia de biblioteca em responder os questionários, em participar das pesquisas e na manutenção do cadastro ativo. Em contrapartida, o somatório da tipologia de bibliotecas públicas teve 16,8% de participação na pesquisa, o que demonstra um dado preocupante em relação a essa tipologia. A baixa estatística de respostas pode evidenciar problemas estruturais na participação da pesquisa, como falta de contato, telefones fixos desligados e falta de internet.

Sobre o vínculo, a maioria das bibliotecas respondentes da pesquisa são ligadas ao governo federal (63,2%), enquanto 14,7% são privadas, 12,6% estaduais e 9,5% municipais. O resultado aponta que o vínculo da biblioteca influencia na participação das pesquisas, dos serviços prestados e o acesso dos usuários a tais bibliotecas.

4.1 Sobre o funcionamento das bibliotecas

A segunda parte do questionário buscou compreender o funcionamento das bibliotecas durante a primeira e segunda fase da pandemia. Para efeitos desta pesquisa, considera-se como 1ª fase da pandemia o período de março de 2020 a março de 2021 e como 2ª fase da pandemia - abril a dezembro de 2021, ambas relacionadas ao início da aplicação das vacinas no Brasil2.

Perguntados se a biblioteca se manteve fechada durante a 1ª fase da pandemia aos usuários, 53% responderam que se mantiveram fechadas, 37,9% continuou atendendo remotamente; 3,2% responderam que não funcionaram. Outros (5,9%) alegaram que retornaram após três meses, uma vez por semana e no 2º semestre presencial com restrições.

Sobre o funcionamento durante a 2ª fase da pandemia - abril a dezembro de 2021, 32,6% se mantiveram fechadas, 37,9% continuaram atendendo remotamente e 23,2% abertas; Outras (6,3%) funcionaram de forma híbrida, ou seja, apenas para devolução e empréstimo, com horário reduzido e em alguns dias presenciais para empréstimo mediante agendamento.

Os dados acima apontam que na 2ª fase houve um aumento na reabertura dos espaços e uma diminuição dos espaços fechados. O que nos chamou a atenção é que o atendimento remoto permaneceu na mesma porcentagem em ambas as fases. Registra-se ainda que na 2ª fase da pandemia surgiu o trabalho híbrido.

A pergunta três (aberta) sobre protocolo/ diretriz para o funcionamento durante as duas fases da pandemia pode verificar aqueles utilizados durante o processo. Neste sentido obtiveram-se as seguintes respostas: 22,2% seguiram o Protocolo do Conselho Regional de Biblioteconomia - 7ª Região; 14,2% protocolo da própria Instituição; 13,7% não seguiu nenhum protocolo; 9,5% adotou o Protocolo da IFLA; 7,4% do SNBP; 6,6% da UFRJ; 6,3% Protocolo ICOM BRASIL; 5,5% utilizou uma combinação de protocolos e outros 14,6% não anunciaram o protocolo seguido.

Cabe ressaltar que grande parte das bibliotecas (45,4%) seguiram os protocolos/diretrizes constituídos por algum órgão da Biblioteconomia, o que demonstra uma afiliação com as organizações reguladoras, evidenciando um sentimento de pertencimento e aderência a elas.

No que se refere à pergunta quatro do questionário, sobre o que foi considerado para o planejamento da retomada das atividades presenciais e cuja resposta poderia ter mais de uma opção, foi respondido o seguinte: 68,4% seguiu a diretriz da instituição mantenedora; 41% avaliou o risco sanitário; 40% a linha do tempo e fases, como flexibilização do bloqueio, reabertura parcial e reabertura total da cidade; e 38,9% índices oficiais de taxa de contaminação (internações, vacinação e mortalidade). Os resultados evidenciaram que as bibliotecas além de seguir as diretrizes das suas organizações, guiaram-se pelo contexto da evolução da pandemia e da cidade.

A questão cinco referia-se à destinação de recursos/investimento para biblioteca em face à pandemia e o respondente poderia marcar mais de uma opção. Observou-se que 63,2% responderam que não houve destinação de recursos para biblioteca. Fato este que pode ser constatado com a seguinte alegação do respondente 86 que afirmou “[...] pelo contrário, tivemos redução de pessoal que não foi recolocado desde então, mesmo com a reabertura dos espaços”. Sobre os investimentos 14,5% adquiriram e-books e bases de dados, 9,5% sofreram mudança de layout, 4,2% contratou serviços especializados.

A pesquisa revelou que, lamentavelmente, a maior parte das bibliotecas não teve aporte de recursos nem em uma situação de extrema necessidade como a pandemia. Cabe registrar que as bibliotecas são lugares nos quais as pesquisas se desenvolvem, inclusive seus acervos oferecem subsídios para investigar a doença e acolher as pessoas durante o período, como acesso a internet. Sobre os investimentos realizados, ressalta-se que a pandemia impulsionou as instituições a disponibilizarem seu catálogo online e pensar na aquisição de livros digitais. Em alguns casos, houve a mudança do layout para manter o funcionamento da instituição, e a contratação de serviços especializados, embora não especificados pelos respondentes.

A pergunta seis buscou saber se as atividades nas bibliotecas foram orientadas por algum planejamento. Trata-se de uma pergunta, cuja resposta poderia ser assinalada mais de uma opção. 70,5% orientaram-se por um plano de contingência em face da pandemia; 17,9% seguiu um planejamento estratégico; e 7,4% planejamento de ação anual. Esses números revelam que a maior parte das bibliotecas se orientou por um planejamento formal adaptando-se para atender a emergência da covid 19.

4.2 Sobre as pessoas: funcionários

As próximas seções (três e quatro) referem-se às pessoas: funcionários e usuários, analisados separadamente, porém, em algumas delas as respostas foram relacionadas.

No que diz respeito ao uso de máscara (pergunta oito), houve obrigatoriedade para os funcionários, seguindo protocolos internacionais, porém quanto à vacinação obrigatória, 73,7% responderam afirmativamente e 26,3% não. Cabe ressaltar que no momento da aplicação da pesquisa (1º trimestre de 2022), o processo de vacinação em nível nacional já havia sido iniciado desde março de 2021, respeitadas as prioridades (idosos, pessoas com comorbidade, profissionais da área de risco, posteriormente os da educação, entre outros).

Na questão nove, sobre a garantia do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos funcionários, além do álcool em gel a 70%, 69,5% responderam que sim e outros 30,5% disseram que não. Entretanto, vale destacar que as ferramentas de proteção individual devem ser disponibilizadas aos funcionários pelas organizações, inclusive é uma exigência estabelecida pelo Ministério do Trabalho desde 1978, bem anterior à pandemia, o que demonstra um descumprimento ou desconhecimento por parte das organizações (Brasil, 1978).

Questionados sobre se os funcionários da biblioteca receberam algum treinamento/capacitação, 58% afirmaram terem recebido algum treinamento/capacitação, com destaque para as medidas de distanciamento e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Além de instruções sobre o uso de ferramentas digitais para facilitar o trabalho remoto ou híbrido e também tiveram acesso a cursos sobre o uso de mídias sociais para divulgar os serviços e recursos da biblioteca. Ressalta-se ainda que 1% respondeu que treinamento/capacitações fazem parte da rotina da organização, independente da pandemia. Outros 41% revelaram que não receberam nenhum treinamento ou capacitação específica para lidar com a pandemia de covid-19.

As perguntas 11 e 13 referem-se à 1ª fase da pandemia e embora tenham sido questionadas separadamente as respostas foram analisadas em conjunto. A pergunta 11 sobre como os funcionários da biblioteca trabalharam, permitia que houvesse mais de uma resposta. Os funcionários da biblioteca informaram que tiveram que se adaptar a diferentes formas de trabalho para garantir o atendimento aos usuários. A maioria deles (88,4%) trabalhou home-office. Uma parcela menor (18,9%) adotou um sistema de revezamento, alternando entre dias de trabalho presencial e remoto. Apenas uma minoria (7,4%) permaneceu trabalhando presencialmente na biblioteca, seguindo os protocolos de segurança sanitária.

Um aspecto interessante do estudo foi a situação das bibliotecas que permaneceram fechadas durante a 1ª fase da pandemia (três especializadas federais e uma pública estadual). Cabe ainda observar que, provavelmente, o fechamento das bibliotecas pode ter sido ocasionado pela suspensão de contrato de empregados terceirizados, conforme estabelecido na legislação trabalhista com o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que apresentou medidas complementares para o enfrentamento das consequências da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19) no âmbito das relações de trabalho (Brasil, 2021).

A pergunta 13 - Com qual regularidade os funcionários foram à biblioteca durante a 1ª fase da pandemia? - revelou que 50,5% não foram à biblioteca nesse período, o que reforça os 88,4% da resposta anterior que afirmam terem trabalhado em home-office. No que tange a adoção do sistema de revezamento, 12,6% dos funcionários compareceram à biblioteca uma vez por semana, enquanto 11,6% estiveram presentes mais de uma vez por semana. A pesquisa revelou (1,1%) que parte deles trabalhou presencialmente com menor frequência, variando de uma vez por mês a esporadicamente. Também foi mencionado (1,1%) que alguns compareceram à biblioteca por demanda, em ocasiões agendadas previamente ou quando solicitado pela direção.

As perguntas 12 e 14 referem-se à 2ª fase da pandemia e, da mesma forma que as questões anteriores, foram analisadas em conjunto. O respondente poderia assinalar mais de uma resposta. A pergunta 12, semelhante a anterior, questionava sobre como os funcionários da biblioteca trabalharam durante a 2ª fase da pandemia: 50,5% responderam que fizeram home-office, e 21,1% atuaram presencialmente, enquanto 61,1% atuaram em sistema de revezamento, trabalhando tanto em home-office, quanto presencialmente, caracterizando uma sobreposição de situação. Comparado com a pergunta 11 observa-se que aumentou o número de pessoas trabalhando presencialmente e mais ainda, em sistema de revezamento, e por outro lado diminuiu a quantidade de trabalho em home-office. À medida que a pandemia avançava, as organizações foram se adaptando e aprendendo a conviver com as peculiaridades daquele momento.

Sobre a frequência dos funcionários à biblioteca durante a 2ª fase da pandemia, perguntada na questão 14, 40% atuaram mais de uma vez por semana, seguido por 24,2% que compareceram apenas uma vez por semana. 6,3% dos funcionários estiveram quinzenalmente à biblioteca e igual percentual não atuaram na organização nesse período. A pesquisa revelou frequências variadas (23,2%), desde uma vez por mês até todos os dias da semana, dependendo da demanda e do sistema de revezamento. Também foi mencionado idas à biblioteca para atender casos específicos ou pontuais, como recuperar documentos não digitalizados ou prestar atendimento presencial.

4.3 Sobre as pessoas: usuários

A seção quatro reúne quatro perguntas sobre pessoas usuários, considerando aqueles que frequentam bibliotecas com interesses próprios, seja para pesquisa, leitura ou uso de algum serviço específico.

No que diz respeito ao uso de máscara para os usuários, 100% respondeu que o uso do equipamento de proteção individual era obrigatório. Perguntados se para utilizar as dependências da biblioteca os usuários precisariam apresentar comprovante de vacinação, 53,7% responderam que sim e 46,3% que não. Comparando com a mesma pergunta em relação aos funcionários (pergunta oito), em que 26,3% afirmaram não terem sido obrigados a apresentar o comprovante de vacinação, percebe-se que houve uma flexibilização para os usuários das bibliotecas.

Quanto à garantia aos usuários sobre o fornecimento de equipamentos de proteção individual, além do álcool em gel, 29,5% das organizações disponibilizaram EPIs. 56,8% somente forneciam álcool em gel, já 13,7% não guarneciam os usuários em nada. Comparando com a questão nove, sobre a garantia do uso dos mesmos equipamentos aos funcionários, 69,5% responderam que receberam EPIs além do álcool em gel, e outros 30,5% não receberam nada.

Um dos desafios enfrentados pelas bibliotecas durante a pandemia foi garantir a segurança dos usuários e dos funcionários. Para isso, foram adotadas medidas de distanciamento e o uso de EPIs. No entanto, nem todos os usuários da biblioteca receberam treinamento adequado sobre essas medidas. De acordo com a pesquisa, apenas 20% dos usuários afirmaram ter recebido orientações sobre o distanciamento e o uso de EPIs, enquanto 80% disseram não ter recebido nenhum treinamento. Isso mostra que as bibliotecas ficaram devendo investimentos na educação e na conscientização dos usuários sobre as normas sanitárias. Sem dúvida esse critério é condição sine qua non para proteção do patrimônio documental das organizações. Número bem inferior comparando-se aos funcionários, em que 59% receberam algum treinamento/capacitação no mesmo período.

4.4 Sobre os produtos e serviços

A próxima seção cinco destina-se a investigar produtos e serviços realizados pela biblioteca durante a pandemia e compõe-se de cinco perguntas abertas. Na questão 19, sobre quais produtos e serviços a biblioteca disponibilizou durante a pandemia, o respondente poderia marcar mais de uma opção. Entre as ações realizadas, destacam-se:

Tabela 1-
Produtos e serviços

Fonte: Dados da pesquisa.

Quando as organizações são expostas a qualquer intempérie, sejam climáticas ou situacionais, como a pandemia de covid-19, são levadas a avaliar seus produtos e serviços. A elaboração da ficha catalográfica e do “nada consta”, por exemplo, que representaram 64,2% e 41,1%, respectivamente, já poderia ser oferecido de forma remota, por meio de plataforma de serviços. Isso inclusive, otimiza o trabalho dos funcionários, pois é sabido que as organizações que custodiam acervos muitas vezes sofrem com a falta de recursos humanos.

Um dos desafios enfrentados pelas bibliotecas foi a realização de empréstimos e devoluções de livros. De acordo com as respostas da questão 20, evidenciou-se que as formas mais comuns de realizar esses serviços foram por agendamento (41,2%), pessoalmente (40%) e uma parcela não realizou essa ação (35,8%). Outras formas menos utilizadas foram caixa coletora (7,4%), delivery de livros (3,2%) e drive thru (2,1%). Esses dados mostram a diversidade de estratégias adotadas pelas bibliotecas para atender às demandas dos usuários e às medidas sanitárias impostas pela situação. Entretanto, cabe salientar a quantidade e variedade de novos serviços online oferecidos, algo impensável antes da pandemia, em que as organizações foram instadas a usar de criatividade para continuar atendendo seus usuários com regularidade e se mostrar presente e relevante para a sociedade.

Perguntados se houve aumento no número de empréstimos em decorrência da previsão de fechamento da biblioteca (pergunta 21) a pesquisa revelou que não (88,4%) e apenas 1,1% respondeu afirmativamente. Além disso, 2,1% afirmaram que “não se aplicam à questão”. Destaca-se que houve um aumento na solicitação de digitalização de pequenos trechos de livros para usuários externos, enquanto o número de empréstimos para funcionários se manteve igual. Os resultados também apresentaram algumas justificativas dos usuários que não realizaram empréstimos, tais como: a biblioteca não efetua empréstimos, a biblioteca fechou de forma abrupta, a biblioteca tem um acervo raro e especial, as normas de biossegurança suspenderam os empréstimos, e ainda não houve empréstimos. A pesquisa mostrou que a maioria dos usuários não se sentiu motivada a solicitar empréstimos durante o período. Diferente de outras situações usuais que aconteceram durante o mesmo período, como o surto de compra de papel higiênico4.

Muitas organizações (57,9%) mantiveram o serviço de doação (pergunta 22) e 42,1% das optaram por não as receber durante o período como forma de prevenir a propagação do vírus. No que tange às medidas tomadas para resguardar o acervo, 38,9% disseram que o material passou pela quarentena, já 19% não adotou nenhuma medida.

Na questão referente a como a biblioteca realizou o serviço de referência virtual (pergunta 23), a resposta permitiu múltiplas marcações. A maioria (84,2%) realizou o serviço por e-mail; 35,8% por aplicativo como WhatsApp e Telegram; 32,6% por meio de redes sociais (Facebook, Instagram, YouTube, entre outros); 30,6% por videoconferência (Meet, Zoom, entre outros); e 26,3% por telefone, e por fim 1,1% por sistema de pesquisa próprio. Destaca-se que 11,6% afirmaram que não foi realizado serviço de referência virtual. Observa-se mais uma vez um esforço das bibliotecas em continuarem a atender seus usuários, inicialmente pela forma já usualmente estabelecida como o e-mail e, posteriormente, com a adoção de novas ferramentas como os aplicativos de mensagens, de reunião e redes sociais.

4.5 Sobre o espaço físico

O próximo bloco é composto por sete perguntas referentes ao espaço físico das bibliotecas. A primeira delas (questão 24) questiona como e com qual frequência foi realizada a limpeza do espaço físico. Os números revelam que 36% afirmou que a limpeza era realizada diariamente, seguida por 29% que a faziam semanalmente. Outros 10% disseram que a limpeza era esporádica, enquanto outros 10% que ela ocorria duas vezes ao dia. Apenas 5% informaram que a limpeza era mensal e outros 5% declararam que ela não era sequer feita. Os demais se dividiram entre não saber (2%), quinzenalmente (2%) e bimensal (1%).

Importante destacar a forma como algumas bibliotecas realizaram a limpeza do espaço. Enquanto umas se empenharam em mantê-las e foram realizadas de forma contínua ao longo da pandemia, outras revelaram que a limpeza foi reduzida, por conta da empresa contratada. Houve ainda quem a realizasse ocasionalmente em forma de mutirão com a equipe da biblioteca.

Quanto às medidas de diminuição de risco sanitário (pergunta 25), os respondentes podiam assinalar mais de uma resposta. 71,6% imprimiram avisos sobre precauções e medidas de prevenção e distanciamento para evitar a disseminação do vírus. 60% das bibliotecas fecharam os espaços de uso coletivo como salas de estudo em grupo, laboratórios de informática e auditórios. 53,7% climatizou o espaço abrindo janelas e portas e apenas 1,1% puseram telas mosquiteiras nas janelas de modo a preservar o espaço da ação de agentes biológicos (insetos). 51,6% das bibliotecas se preocuparam em mitigar a insegurança sanitária com a reorganização do mobiliário e das estações de trabalho de maneira a garantir o distanciamento físico recomendado pela OMS. 23,2% sinalizaram o espaço através de avisos verticais e horizontais e 2,2% instalaram painel acrílico nos balcões de referência e nas mesas da sala de leitura. Algumas bibliotecas (4,4%) tentaram minorar a propagação através de agendamento. O que chama atenção é que algumas bibliotecas realizaram seus serviços na sua área externa (7,4%), conforme citado pelo pesquisador português Boaventura de Souza Santos como uma sugestão para a manutenção dos serviços face ao enfrentamento da pandemia (Santos, 2020).

Quanto às medidas de conservação preventiva durante o período de fechamento da biblioteca (pergunta 26), a maioria dos bibliotecários (77,9%) não realizou nenhuma medida com livros e documentos. Apenas 22,1% afirmaram ter adotado alguma ação para proteger o acervo. Os fatores de deterioração podem ter sido acelerados com a falta de supervisão durante o período pandêmico. Esses dados estatísticos nos levam a refletir se existem nessas bibliotecas alguma política de conservação documental ou há um desconhecimento sobre a importância da conservação para estabilização do suporte, por exemplo a higienização, tido como uma “conservação preventiva por excelência” (Cassares, 2000, p. 26).

Já a pergunta 27 desdobrou a resposta anterior e se ocupou em saber quais foram as medidas de conservação adotadas. Foram obtidas 22 respostas abertas, que após interpretadas resultaram em 59,1% de ações de monitoramento como controle de umidade, temperatura e infestação de agentes bibliófagos; 27,3% de higienização do acervo; 4,5% de ação curativa; e 9,1% ações de aceleração da degradação que demonstraram desconhecimento das ações de conservação preventiva ao afirmar que estabeleceram o distanciamento do acervo e a utilizaram álcool em gel. Tal ação corresponde ao aumento da intensidade das reações químicas que afetam os bens culturais. A partir das respostas supracitadas observa-se que mesmo declarando haver medidas de conservação adotadas, percebe-se que não há clareza conceitual sobre o termo conservação preventiva.

Na pergunta 28, sobre quais medidas foram tomadas quanto aos livros que foram consultados e devolvidos, 71,5% das bibliotecas colocaram os livros em quarentena por um período de tempo antes de disponibilizá-los novamente para o público. Outras medidas menos comuns foram a higienização dos livros para uso imediato (5,3%), embora não se saiba como esse procedimento foi realizado. A pesquisa também mostrou que 14,7% das bibliotecas não tomaram nenhuma medida em relação aos livros e que 7,3% não realizaram empréstimos durante a pandemia. Os resultados reforçam a falta de consenso na literatura sobre o tempo - recurso mais sustentável para evitar a proliferação do vírus, dado que não sobrevive por longos períodos fora do corpo humano.

Perguntados sobre qual a periodicidade adotada para a quarentena dos itens consultados e devolvidos, a pesquisa revelou que a maioria das bibliotecas (43,3%) adotou um período de 15 dias para isolar os itens antes de disponibilizá-los novamente para o público, indo ao encontro dos protocolos anunciados. Desta vez o consenso da literatura prevaleceu. Outras bibliotecas optaram por períodos menores, como 5 dias (17,9%) ou sete dias (6,4%). Uma parcela significativa (17,9%) afirmou que não adotou quarentena para os itens, enquanto outras (4,4%) nem realizaram empréstimos. Apenas uma minoria das bibliotecas (3,3%) adotou um período de 20 dias e 6% outras periodicidades.

Questionados se enquanto fechadas houve a medição da umidade relativa e da temperatura da biblioteca, a maioria (81,1%) afirmou que não houve, reforçando o que havia sido perguntado na questão anterior (26), em que a maioria dos bibliotecários (77,9%) não realizou nenhuma medida de conservação preventiva nos livros e documentos. Apenas 18,9% informaram ter realizado medição.

Os números da pesquisa revelam que não houve atenção adequada, embora as recomendações (item 2.3.4) tenham sido anunciadas e documentadas exaustivamente nos protocolos/diretrizes. Livros enclausurados promovem a proliferação de microrganismos, como o mofo, causando danos à saúde física das pessoas e do acervo, cujas causas nos livros podem levar ao enfraquecimento do material, manchas e desfigurações. Independentemente da pandemia, é necessário o monitoramento constante do ambiente, tendo em vista a saúde tanto das coleções quanto das pessoas.

4.6 Sobre as mídias sociais

O próximo bloco refere-se a identificar a presença digital das bibliotecas no momento da pandemia, e aquelas que as possuíam continuaram a responder o questionário; as demais passaram para a última fase, constante de duas perguntas abertas.

Na questão 31 foi perguntado se as bibliotecas possuíam redes sociais. Mais da metade (51,6%) delas não aderiu a essa tendência, seja por falta de recursos, de pessoal qualificado ou de interesse. O resultado revelou que quase metade (48,4%) mantinham algum tipo de presença nas redes, tornando-se um canal de comunicação, divulgação e interação entre as bibliotecas e o público. Sobre quais mídias digitais utilizava para divulgar seus serviços e produtos, a mais popular é o Instagram, com 82,6%, seguido pelo Facebook, com 73,9%. O YouTube também tem uma boa audiência, com 23,9% de participação. O antigo Twitter e o blog são outras formas de comunicação da biblioteca, com 19,6% e 52,2% respectivamente. O TikTok e o WhatsApp são as mídias menos utilizadas, com 0% e 2,2% de uso.

Segundo a pesquisa, 95,7% das bibliotecas brasileiras afirmaram que estiveram com as redes sociais ativas durante a pandemia, enquanto apenas 4,3% disseram o contrário. Isso mostra que as bibliotecas reconhecem a importância das redes sociais como ferramentas para promover a leitura, a cultura e a informação em tempos de isolamento social.

Quanto à frequência de postagens nas redes sociais (pergunta 34), os resultados mostraram que a maioria dos participantes (56,6%) realizaram mais de uma publicação por semana, o que indica um bom engajamento com o conteúdo. Em seguida, 13% dos respondentes disseram que fizeram uma publicação por semana, enquanto 8,8% relataram a elaboração de publicações esporadicamente. Apenas 6,6% fizeram publicações diariamente, quinzenalmente ou três vezes por mês. Por fim, 2% publicaram apenas uma vez por mês.

Questionados se a biblioteca possui planejamento de marketing para mídias sociais (pergunta 35), a maioria (56,5%) respondeu afirmativamente. Isso mostra que ainda há um espaço para melhorar a presença e o engajamento das bibliotecas nas mídias sociais.

Aqueles que responderam afirmativamente na questão anterior informaram quais ações estavam previstas. A questão permitia assinalar mais de uma resposta. Os resultados concentraram-se em serviços e produtos da biblioteca (92,3%), seguidos de cursos, lives, palestras (69,2%), orientações sobre elaboração de TCC, teses, currículos (42,3%), combate às fake news (26,9%), conteúdo sobre estágio, dicas de emprego (11,5%), e 3,8% para atividades como orientações sobre metodologia, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), busca bibliográfica, divulgação de eventos, campanhas de solidariedade (ações sociais), assim como prevenção e promoção da saúde; distanciamento social; campanha pró vacinação; campanha pró uso de máscara; campanha sobre conscientização da importância da ciência, divulgação de estudos/pesquisas sobre as áreas que a biblioteca atende. É compreensível que a maior parte tinha como objetivo divulgar produtos e serviços, já que estavam em plena pandemia e muitas bibliotecas fechadas ou atendendo somente de forma online. Outro fato a ser observado foi a atenção no combate às fake news.

4.7 Sobre o pós-pandemia

Um dos aspectos da pesquisa foi a identificação das mudanças no que tange a aprendizagem que as organizações tiveram durante a pandemia e que pretendem manter no cenário pós-pandêmico (questão 37). Entre as principais inovações adotadas, destacam-se o treinamento online com 45,3%, seguidos do trabalho em forma de home-office, assim como as lives, ambos com 28,5% de respostas. A mediação de leitura teve adesão de 15% das respostas como as atividades de contação de histórias e clube de livro. O serviço de referência virtual foi citado em 10% das respostas e contempla ações como clippings temáticos, contato via WhatsApp, referência online por videoconferência, atendimento online, o uso da plataforma de reunião para auxílio dos serviços de referência a usuários, assim como a digitalização de pequenos trechos de materiais bibliográficos.

Mudanças de rotinas administrativas (3,3%) também citadas contemplam ações como emissão de “nada consta”, disponibilização do catálogo e bases de dados de forma online para o público. Outras ações citadas em menor número, porém importantes, foram a utilização de mídias sociais (2,2%), o que reforça o tema já discutido anteriormente. Cabe salientar que delivery de livros (1,1%) pode ser, de fato, considerado uma inovação na área, embora seja uma prática comum em outros setores como no comércio de alimentos e remédios.

A pandemia nos fez repensar algumas práticas nas respostas das bibliotecas, contudo o que chama atenção é o fato de que 10% das respostas afirmaram que nada foi implantado durante o período. Ações que antes não eram realizadas, agora se mostram essenciais como a revisão normativa por e-mail e a higienização dos acervos, ambas como 1,1%. Esses procedimentos são fundamentais para garantir a qualidade e a preservação das informações produzidas pelas organizações. Sem um cuidado adequado com os acervos, eles podem se deteriorar e perder seu valor histórico e científico. Além disso, a revisão normativa por e-mail é uma forma que já deveria ser realizada sem a necessidade de uma pandemia para mudar a forma de entrega desse serviço.

O último questionamento durante a pesquisa sintetizou a aprendizagem que as instituições obtiveram com e a partir da pandemia, ao serem perguntadas “No contexto da gestão de bibliotecas, o que aprendemos com o vírus?” (pergunta aberta 38). Para melhor ilustrar as 95 respostas optou-se por representá-las em uma nuvem de palavras por meio do software Wordart. Para tanto as respostas foram analisadas e reunidas em nove categorias e como se trata de uma resposta livre, a análise permitiu enquadrar as respostas em mais delas.


Figura 1 -
Nuvem de palavras.
Fonte: Elaborado pelos autores.

A categoria mais citada (45 respostas) refere-se à mudança de comportamento. Nela são destacadas alterações no modus operandi das práticas biblioteconômicas e da entrega dos produtos e serviços, e fez com que gestores se tornassem mais conscientes da importância das bibliotecas como espaços de informação, educação, cultura e lazer, e também mais exigentes quanto à qualidade e diversidade dos serviços oferecidos.

A segunda mais citada, com 31 respostas, relaciona-se à mudança de percepção social das bibliotecas, a partir de uma nova perspectiva da função e da aplicação dos processos, considerando uma abordagem diferente para os serviços de referência virtual e do processamento técnico. Há um reforço na percepção dos gestores ao reconhecê-las como instituições essenciais para o desenvolvimento social, econômico e cultural das comunidades, especialmente em tempos de crise.

A terceira mais citada diz respeito ao atendimento online, com 26 respostas. A importância do atendimento online permitiu manter o contato com os usuários, oferecer serviços de referência, consulta e empréstimo de forma remota e ampliar o acesso a recursos bibliográficos. De fato, coerente com o momento em que a pesquisa foi aplicada, em que o trabalho dos profissionais e o atendimento dos usuários se dava majoritariamente por meio desta modalidade.

Em seguida, as inovações tecnológicas, com 15 respostas, possibilitaram o uso de ferramentas digitais para facilitar a comunicação, a colaboração, a gestão da informação e o acesso ao conhecimento nas bibliotecas. Observa-se uma adequação ao momento em que foi necessário a adoção de tecnologias para operacionalização das atividades, dada a urgência de um novo paradigma de atuação.

Importante salientar que o planejamento e a gestão das bibliotecas são alvo de 14 respostas. A oportunidade de planejar e gerir melhor os recursos humanos, financeiros e físicos das bibliotecas, buscando otimizar os processos, reduzir custos, melhorar a qualidade dos serviços e aumentar a satisfação dos usuários. Pode nos parecer óbvio, mas houve uma percepção dos gestores sobre a necessidade de planejamento para o alcance de uma gestão mais assertiva e efetiva.

Conservação preventiva e biossegurança são categorias distintas que se revelam com respectivamente 11 e dez citações. Refere-se à relevância da conservação preventiva, que envolve ações de controle ambiental, monitoramento de pragas, limpeza dos espaços, higienização dos documentos e acondicionamento dos materiais, para preservar o patrimônio bibliográfico durante o período de fechamento ou restrição das atividades presenciais. Destaca-se, ainda, a necessidade de adotar medidas de biossegurança, como uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento físico para proteger a saúde dos funcionários e usuários. Ambas categorias se alinham diretamente ao contexto pandêmico analisado.

Treinamento de funcionário e usuário, com quatro respostas, foi essencial para capacitar as equipes para o uso das novas tecnologias, para atualizar os conhecimentos sobre as normas e procedimentos das bibliotecas e para orientar os usuários sobre os serviços disponíveis e as medidas de prevenção ao vírus. É uma categoria que revela a preocupação dos gestores em preparar seu corpo de colaboradores e usuários para se adaptar ao período pandêmico.

Por fim, a última categoria, com duas respostas, salienta a ausência de aprendizado, respostas que vão na contramão do principal destaque da nuvem de palavras relacionado à mudança de comportamento. Neste sentido, cabe anunciar as respostas tal como foram ditadas:

Em questão de gestão de bibliotecas, o vírus nos ensinou a monitorar melhor a questão do ambiente, limpeza das bibliotecas e, a higienização e treinamentos dos próprios funcionários e usuários. Tirando isso, não vejo muito aprendizado da pandemia na questão da gestão das bibliotecas (respondente 6, grifo nosso). Salvo os cuidados com a higiene, nada mais foi adotado (respondente 91).

Tais respostas relacionam-se respectivamente a uma biblioteca pública municipal e a uma biblioteca especializada federal, que se mantiveram fechadas, a primeira na fase inicial da pandemia, e a segunda nas duas fases da pandemia, o que explica as respostas.

Os resultados da pesquisa confirmam que a pandemia de covid-19 causou transformações no modo como as unidades informacionais atuam na sociedade, gerando assim um novo paradigma no campo informacional, durante e no pós-pandemia. Nesse cenário de adaptações foi necessário adotar medidas preventivas quanto ao vírus, dentre elas, o isolamento sanitário. As bibliotecas, como “[...] porta de acesso local ao conhecimento” (International [...], 2020), tiveram que ressignificar as suas atividades neste contexto, tendo em vista minimizar os efeitos danosos da desinformação e do distanciamento social.

A pandemia trouxe desafios e, ao mesmo tempo, oportunidades. Neste sentido, cabe questionar pontos cruciais da relação entre teoria e prática das instituições e suas bibliotecas perante as comunidades as quais servem. Esse período causou a restrição do uso do espaço físico e dos suportes materiais, um desafio e tanto, contudo trouxe a chance de colocar em prática projeto por muitas vezes adiados, como a digitalização e virtualização dos serviços, promovendo uma ressignificação das ações que a biblioteca já exercia no presencial.

Entretanto, percebeu-se um esforço de buscar aproximar-se das comunidades, haja vista que não faltou criatividade para inovar em atividades online.

Em 2021 iniciou-se a vacinação em massa e a partir dos números decrescentes de infectados e mortes, houve a flexibilização e reabertura de muitos espaços públicos. Porém, até abril de 2022, ao finalizar a pesquisa com as organizações, muitas bibliotecas ainda permaneciam fechadas ou atendendo parcialmente seus usuários, exigindo uma adequação no funcionamento e entrega dos serviços.

5 Considerações finais

Os resultados da pesquisa de campo compuseram um diretório de bibliotecas, considerando os recortes conceituais e geográficos, a ser disponibilizado por meio de um repositório de dados de pesquisas, onde se possam hospedá-los.

No que se refere ao microcosmo das bibliotecas fluminenses (de todas as tipologias) compreende-se seu potencial ao estarem abertas e funcionando, por exemplo, para o alcance dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), entre tantas outras agendas urgentes e necessárias. Por outro lado, o fechamento destes equipamentos, ainda que parcialmente, torna vulnerável, tanto as próprias bibliotecas quanto às populações atendidas por elas, agudizando problemas já amplamente conhecidos.

O acompanhamento contínuo e a comparação das diversas ações, no âmbito das bibliotecas pesquisadas, apontaram para melhores práticas e otimização dos recursos empregados no funcionamento e manutenção de suas atividades em contexto de pandemia. Ressalta-se entre elas a garantia do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o treinamento/capacitação para os funcionários; trabalho em home-office; realização de produtos e serviços de forma online; diversidade de estratégias adotadas para a realização de empréstimos e devoluções de livros, como por exemplo, caixa coletora, delivery e drive thru; além de adoção de mídias sociais como um canal de comunicação, divulgação e interação entre as bibliotecas e o público.

As medidas identificadas, analisadas e sugeridas para o contexto nacional e internacional documentadas nos protocolos/diretrizes, assim como os serviços prestados evidenciaram a importância de se estabelecer boas práticas de segurança epidemiológica no contexto da Biblioteconomia, tendo em vista a possibilidade de novas pandemias e riscos ocasionados por diversos agentes patológicos.

Parece que “[...] a pandemia provavelmente continuará conosco por um bom tempo” (Stiglitz, 2020) e suas consequências serão evidenciadas no contexto econômico, político, científico e social, o que se refletirá no cotidiano e nos ambientes de trabalho. Neste entendimento, as bibliotecas e seus gestores tiveram e terão grandes desafios pela frente, assim como pesquisadores e cientistas da informação, ao acompanhar e analisar os efeitos no ambiente. Mudanças de comportamento e de percepção da representatividade das bibliotecas foram evidenciadas pelos gestores como as maiores aprendizagens no período.

Ao finalizar esta pesquisa, com número crescente de brasileiros vacinados contra o covid-19, e a volta paulatina à normalidade, não é exagero afirmar que as bibliotecas, sobretudo aquelas aqui analisadas, nunca mais serão as mesmas. É provável que o “novo normal” faça parte de nossas vidas e se torne padrão por tempo indeterminado, cabendo-nos adaptar e aprender a conviver com a nova realidade.

Supplementary material
Referências
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Notes
Notes
1 No Brasil, a emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) é encerrada pela Portaria n. 9131, de 22 de abril de 2022, em decorrência da infecção humana pelo novo coronavírus (2019-nCoV) e revoga a Portaria GM/MS nº 188, de 3 de fevereiro de 2020 (Brasil, 2022a).
2 CRISTALDO, Heloisa; BRANDÃO, Marcelo. Vacinação contra a covid-19 começa em todo o país: Ministério da Saúde distribuiu 6 milhões de doses do imunizante. Agência Brasil, Brasília, 19 jan. 2021.
3 Documento que comprova a ausência de débitos em bibliotecas (Universidade Federal de Alagoas, [202-?]).
4 GRAGNANI, Juliana. A psicologia por trás da corrida por papel higiênico em meio a ‘medo contagioso’do coronavírus: comportamento de manada, falta de informação e pensamento racional guiam pessoas que fazem compras em excesso. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 mar. 2020.
Author notes

jaqueline.barradas@unirio.brstefanie.freire@unirio.brvinicius.tolentino@unirio.br

Tabela 1-
Produtos e serviços

Fonte: Dados da pesquisa.

Figura 1 -
Nuvem de palavras.
Fonte: Elaborado pelos autores.
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