Artigo

O debate sobre os conceitos na organização do conhecimento: uma leitura a partir da ISKO Brasil

The debate on Concepts in Knowledge Organization: a reading from ISKO Brasil

Carlos Eduardo da Silva Carvalho
Universidade Estadual de Londrina, Brasil
Ana Cristina de Albuquerque
Universidade Estadual de Londrina, Brasil
Marcos Antonio de Moraes
Universidade Estadual de Londrina, Brasil
Brígida Maria Nogueira Cervantes
Universidade Estadual de Londrina, Brasil

O debate sobre os conceitos na organização do conhecimento: uma leitura a partir da ISKO Brasil

Em Questão, vol. 30, e-138566, 2024

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Received: 13 February 2024

Accepted: 02 July 2024

Resumo: O objetivo do presente artigo é compreender como é construído o debate em torno do conceito nas publicações vinculadas à International Society for Knowledge Organization Brasil. Foi realizado levantamento de literatura na série “Estudos Avançados em Organização do Conhecimento”, publicada em seis volumes pelo capítulo brasileiro da organização, da qual foram selecionados 23 trabalhos sobre os quais se realizou uma Revisão Bibliográfica de Literatura de caráter não exaustivo. Identificou-se a presença de importantes debates em relação ao conceito na literatura, tanto em sentido mais estritamente teórico, quanto numa dimensão bastante ligada à prática, com diversos trabalhos apresentando objetos relacionados, como a modelagem conceitual e mapas conceituais. Além disso, pode-se notar a grande influência exercida pela Teoria do Conceito de Dahlberg na produção consultada. Tal amplitude temática e teórica demonstra o caráter incontornável da discussão a respeito dos fundamentos teóricos do conceito para pensar os processos de Organização e Representação, tanto do Conhecimento quanto da Informação.

Palavras-chave: Organização do conhecimento, teoria do conceito, ISKO Brasil, Dahlberg, Hjørland.

Abstract: The objective of this article is to understand how the debate around the idea of concept is being constructed in publications linked to the International Society for Knowledge Organization Brazil. To this end, we carried out a literature survey in the series “Advanced Studies in Knowledge Organization”, published in six volumes by the Brazilian chapter of the organization, from which 23 works were selected on which a non-exhaustive Bibliographic Literature Review was carried out. The presence of important debates regarding the concept in the literature was identified, both in a more strictly theoretical sense and in a dimension closely linked to practice, with several works presenting related objects, such as conceptual modeling and conceptual maps, for example. Furthermore, the great influence exerted by Dahlberg's Concept Theory on the consulted production can be noted. Such thematic and theoretical breadth demonstrates the unavoidable nature of the discussion regarding the theoretical foundations of the concept for thinking about the processes of Organization and Representation, both of Knowledge and Information.

Keywords: Knowledge organization, concept theory, ISKO Brasil, Dahlberg, Hjørland.

1 Introdução

A relação entre conceitos e a Organização do Conhecimento (OC) se estabelece em vários níveis, com a exitência de longas trajetórias de estudos em relação a esses objetos, tanto uma tradição filosófica milenar que procura compreender o ato de conhecer, até a tradição moderna de reflexão e organização de registros impressos que leva à institucionalização da OC em entidades e instituições de pesquisa. Conceitos estão relacionados com a OC em diversas dimensões: desde as mais abstratas através da vida humana, até as mais racionalizadas e ligadas ao universo da cientificidade.

Frente à densidade dessas relações e à complexidade dos objetos envolvidos (o conceito enquanto uma instância fundamental do conhecimento e a OC enquanto domínio de pesquisa e atividade humana), uma gama de intelectuais e pesquisadores vêm desenvolvendo trabalhos que procuram debater as relações entre os conceitos e as práticas e ferramentas da OC. Apenas a título de exemplo, cita-se os clássicos trabalhos de Dahlberg (1978) e Hjørland (2009), bem como os textos de Bräscher e Café (2008), Francelin (2010), Kobashi e Francelin (2011), Francelin e Pinho (2011) e Melo e Bräscher (2014), que demonstram que as discussões em relação ao conceito são pertinentes à reflexão em torno da problemática do como estão se estabelecendo essas formulações na literatura da área.

Nesse sentido, a questão proposta para o presente artigo é: como se apresentam as discussões sobre o conceito em relação à organização do conhecimento nos debates contemporâneos em OC no contexto do capítulo brasileiro da ISKO?

O objetivo é analisar o percurso das relações propostas para a discussão acerca do conceito em trabalhos publicados na International Society for Knowledge Organization (ISKO) Brasil, que se caracteriza como um espaço de compartilhamento e demonstração das pesquisas brasileiras neste âmbito.

Para tanto, parte-se de algumas definições de OC para, na sequência, apresentar os termos das teorias do conceito de Dahlberg e Hjørland - com suas aproximações e diferenças. Destaca-se a incorporação de trabalhos que discutem Organização e Representação tanto do Conhecimento quanto da Informação, haja vista as diferentes relações concebidas por autores em relação aos objetos Informação e Conhecimento - a exemplo de Hjørland (2008) e Bräscher e Café (2008) -, bem como a defesa de parte da literatura da relação do problema conceitual com a Organização da Informação (OI) e Representação da Informação (RI).

O trabalho se constitui por abordagem qualitativa, em sentido exploratório. Trata-se de uma Revisão Bibliográfica de Literatura, de caráter não exaustivo. A análise metodológica foi elaborada com base em duas categorias de Kant (2008): a Abordagem Teórica e a Abordagem Prática. Em texto publicado originalmente em 1793, o autor define teoria como “[...] um conjunto de regras práticas quando estas regras são pensadas como princípios numa certa universalidade [...]” e prática como “[...] não toda a operação, mas apenas a efectuação de um fim conseguida como adesão a certos princípios de conduta representados na sua generalidade” (Kant, 2008, p. 59), atribuindo à teoria um grau maior de generalidade na reflexão de regras práticas, sem necessariamente influir em seu exercício, enquanto atribui à noção de prática a ação baseada em princípios outrora apresentados em caráter mais generalizante. Kant (2008) constrói seu debate a partir da discordância com a ideia de que teoria e prática não se correspondem, no sentido de que a primeira expressa uma série de proposições ideais que operam de maneira satisfatória dentro de determinado sistema argumentativo, mas que, quando confrontados os problemas “reais” da vida prática, torna-se inútil.

Ao contrário dessa perspectiva, Kant (2008) defende que o que é correto para a teoria, também o é para a prática. Nesse sentido, as incompletudes da teoria e suas possíveis lacunas precisam da experiência e da atuação da prática, bem como para esta a teoria é absolutamente indispensável. Se pensarmos em paralelos com nosso campo de reflexão e atuação, devemos compreender que nem sempre as formulações teóricas comportam todos os elementos e dificuldades da prática profissional e que esta nem sempre dialoga diretamente com a produção teórica. Contudo, seguindo o argumento desenvolvido por Kant (2008), a teoria pode incorporar e se sofisticar a partir das experiências concretas, bem como aqueles que possuem expertise em atuação profissional podem beneficiar-se do universo teórico.

Dessa forma, os trabalhos analisados foram selecionados a partir dos seis volumes da série “Estudos Avançados em Organização do Conhecimento” disponibilizados no website do capítulo brasileiro da ISKO (Guimarães; Dodebei, 2012, 2015; Dodebei; Guimarães, 2013; Pinho; Guimarães, 2017; Barros; Tognoli, 2019; Tognoli; Albuquerque; Cervantes, 2023). O uso dos anais de capítulos da ISKO como objeto de pesquisa legitima-se na literatura ao exemplo de produções como as de Mata, Moraes e Gonçalez (2023), Lessa, Santana, Lima, Aganette e Araújo (2023), Santos, Grácio e Oliveira (2023) e Lied, Rocha, Barros e Moura (2023). Em um primeiro momento, foram feitas as leituras dos títulos, resumos e introduções dos trabalhos, considerando que nos volumes publicados nos anos de 2012, 2013 e 2015 os textos não apresentam resumos. Foram percebidas discussões voltadas à Teoria do Conceito em seus diferentes aspectos que direcionaram para a leitura completa, em que se pôde identificar em distintas abordagens a presença ou não da centralidade da discussão sobre o conceito nos trabalhos. Nesse sentido, aqueles que incorporavam e realizavam debates significativos ligados aos conceitos e seu papel para as atividades em OC foram selecionados para o corpus desta pesquisa, totalizando 23 textos. Por critério de exclusão, não foram incluídos os trabalhos lidos em que a presença do termo conceito não implicava a reflexão em torno das dimensões conceituais da OC, não colocando o debate a respeito do conceito como um problema central.

Os textos foram explorados com a finalidade de compreender de que maneira, a partir de que vinculações e problemas, os autores e autoras que se ocupam de temas de OC têm estabelecido e construído o debate em torno das discussões sobre o conceito. Procurou-se observar as caracterizações realizadas pelos autores sobre o conceito e as relações com outras dimensões da OC (construção de tesauros, ontologias ou classificações, reflexões sobre processos de representação, otimização de processos de aprendizagem e eficiência em descrições, por exemplo). Importa destacar que, nos trabalhos analisados, nenhuma teoria é pensada em desvinculação ao universo da prática, tampouco os de maior dimensão prática são desenvolvidos sem substrato teórico. Ao contrário: as produções de fundamento teórico e prático demonstram influenciar-se mutuamente, em continuidade e reflexão.

Os resultados apontam para uma perspectiva ampla dos trabalhos que operam a problemática dos conceitos de maneira explícita em relação ao campo, pois é possível encontrar trabalhos que debatem a relação dos conceitos com a OC num sentido epistemológico, textos que procuram apoiar-se em teorias do conceito para refletir sobre Sistemas de Organização do Conhecimento (SOC) ou para construí-los, abordagens que descrevem o desenvolvimento de processos de descrição e representação ou que estabelecem relações entre as áreas disciplinares de Arquivologia e Biblioteconomia com questões conceituais. Além disso, há diversidade de referenciais teóricos que embasam as discussões, com destaque para a presença significativa de inspiração teórica encontrada em Dahlberg e Hjørland .

Assim, espera-se contribuir com os debates teóricos a respeito da centralidade de questões relativas ao conceito, assim como refletir sobre os diferentes elementos do campo da OC e da Teoria do Conceito, no âmbito da Ciência da Informação.

2 Organização do Conhecimento e Teoria do Conceito

Historicamente ligada ao trabalho de filósofos, a exemplo de Aristóteles, ao longo do tempo, a atividade de OC associa-se a monges e cientistas numa longeva expectativa humana de conhecer tudo o que se escrevia pelo mundo (Francelin; Pinho, 2011), para mais tarde tornar-se objeto de dedicação de bibliotecários e classificacionistas, justificado pela necessidade de intercâmbio, comunicação, debate e difusão do conhecimento, devendo haver para isso algum consenso em relação às matérias em questão (Barité, 2001; Pinho, 2009). Destaca-se dentre algumas premissas firmadas por Barité (2001), as noções de que são muitas as possíveis formas de organizar o conhecimento, com inúmeros princípios e relações sempre à disposição, constituindo produtos sempre erigidos sobre pressupostos particulares, constituindo-se como produtos históricos - aporte importante para pensar a construção e estabilização de conceitos.

A OC é apresentada por Barité et al. (2015) como dedicada ao estudo de leis, princípios e procedimentos relacionados ao conhecimento especializado, pensando no processo de recuperação de informações de documentos, frisando como objeto de estudo o conhecimento socializado por meio de registros (Barité, 2001). Agrega-se à delimitação da OC o argumento de Hjørland (2008), que defende ser possível pensá-la em dois âmbitos: amplo e estrito. Em sentido amplo, a OC consistiria na observação da divisão do trabalho mental, em universidades e instituições de pesquisa, por exemplo. Em sentido estrito, a OC trata de atividades e sistemas desenvolvidos por profissionais da informação envolvendo processos de descrição, indexação e classificação.

É importante destacar que outras perspectivas abordam a questão de maneira distinta, como é o caso de Bräscher e Café (2008), que discordam da posição de Hjørland ao conceituar os processos de descrição, indexação e classificação em um aspecto restrito da OC, compreendendo-os por sua relação com objetos físicos (e, portanto, informacionais) como vinculados à OI, deslocando para a OC os processos ligados mais diretamente ao plano conceitual e à construção de conhecimento. É interessante observar essas diferenças nas definições e delimitações do campo, pois, na análise dos trabalhos a partir dos materiais da ISKO Brasil, aparecem relações nem sempre similares entre os processos de OC e OI e, por consequência, Representação do Conhecimento (RC) e Representação da Informação (RI).

Gomes (2009) destaca a associação da OC com as áreas da Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, principalmente, por meio de tabelas de classificação, tesauros, catalogação, vocabulários controlados, processamento de linguagens naturais e ontologias - atividades e procedimentos que envolvem diretamente o trabalho com conceitos e termos que, conforme Kobashi e Francelin (2011) e Bräscher e Café (2008), são incontornáveis. Nesse sentido, é importante recordar que parte indissociável da OC é a RC, constituição prática que configura estruturas conceituais que compõem modelos de mundo para explicar fenômenos observados (Bräscher; Café, 2008; Pinho, 2009), sentido similar ao proposto por Martins e Côrtes (2019) que ligam muito fortemente os procedimentos de representação na OI e OC à representação social, ligada à vivência histórica dos sujeitos imbuídos nesses processos - ao tratar da teoria do conceito a partir de Hjørland nas perspectivas historicista e pragmática, encontra-se importantes aportes para esta perspectiva.

A International Society for Knowledge Organization (ISKO) foi fundada no ano de 1989 na Alemanha, consistindo na principal organização internacional preocupada com a OC, sedimentada no objetivo de avançar em todos os sentidos possíveis os trabalhos de organização do conhecimento e com importante referência em Ingetraut Dahlberg (Pinho, 2009). A ISKO possui um capítulo brasileiro que promove encontros bianualmente e publica coletâneas de trabalhos desde o ano de 2012.

Conforme tratado acima, uma dimensão fundamental dos processos de OC - e, por associação, OI, RC e RI - é a do conceito. Tanto tratando-se da construção e definição de conceitos, em sua operacionalização, ou da construção de relações e estabelecimento de hierarquias entre eles, é impossível pensar as práticas de OC, OI, RC e RI sem o trabalho conceitual.

O trabalho conceitual pode ser compreendido como uma das etapas fundamentais de organização e representação da informação e do conhecimento, de maneira direta ou secundária (Francelin; Pinho, 2011; Melo; Bräscher, 2014). Os Sistemas de Organização do Conhecimento (SOC) são atravessados por processos de organização e representação mediados por conceitos que possibilitam a orientação de sujeitos e recuperação da informação, dependendo da padronização de termos na representação de conceitos, delimitando e fixando o sentido expresso (Francelin; Pinho, 2011; Melo; Bräscher, 2014). O conceito é, nesse sentido, um “[...] componente essencial do conhecimento [...]” (Melo; Bräscher, 2014, p. 69). Se é certo que os debates a respeito dos conceitos são construídos e adensados há séculos pela humanidade (Francelin, 2010), pode-se identificar como grandes contribuintes dessas discussões no âmbito da OC autores como Dahlberg e Hjørland , estabelecedores de fundamentos e bases de construção teórica.

Dahlberg (1978) parte da constatação de que a linguagem permitiu ao longo do desenvolvimento da humanidade a fixação de conhecimentos, consumando-se na linguagem e desenvolvendo-se por meio da linguagem. A autora estabelece, então, a diferenciação entre linguagens naturais e linguagens artificiais, de sentido especializado, desenvolvidas em torno de especialidades específicas, em contraste com o aporte direcionado à vida cotidiana das primeiras (Dahlberg, 1978). A partir das linguagens naturais, Dahlberg (1978, p. 102) argumenta ser possível construir conceitos individuais e conceitos gerais, tomando para isso “A soma total dos enunciados verdadeiros sobre [...]” o objeto em questão. A necessidade de definir com maior precisão um conceito é um vetor importante das linguagens especializadas, menos sensíveis a imprecisões (Dahlberg, 1978). A partir desses pressupostos, Dahlberg (1978, p. 102) oferece uma definição de conceito:

Podemos agora definir a formação dos conceitos como a reunião e compilação de enunciados verdadeiros a respeito de determinado objeto. Para fixar o resultado dessa compilação, necessitamos de um instrumento. Este é constituído pela palavra ou por qualquer signo que possa traduzir e fixar essa compilação. É possível definir, então, o conceito como a compilação de enunciados verdadeiros sobre determinado objeto, fixada por um símbolo linguístico.

A condição de construção de um conceito depende para Dahlberg (1978) de um processo analítico-sintético de obtenção de enunciados verdadeiros compositores de características do objeto observado, escalonando enunciados ao ponto de estabelecer características com extensões amplas que configuram uma categoria - a mais ampla extensão possível do conceito. A constituição das características pode se dar com atributos simples ou complexos, essenciais (incontornáveis) ou acidentais (variáveis), estando dentre as essenciais as que são constitutivas da essência e as que dela são consecutivas, e dentre as acidentais as que são gerais e as que são individualizantes (Dahlberg, 1978).

Além da constituição dos conceitos, Dahlberg (1978) trata das possíveis relações entre eles. Entre as relações lógicas, a autora enumera as possibilidades de relações de identidade, implicação, intersecção, disjunção e negação - é a partir das possibilidades oferecidas por esses tipos de relação que Dahlberg (1978) argumenta ser possível organizar conceitos em sistemas de classificação e em tesauros, possibilitando as relações semânticas de hierarquia, partição, oposição e funcionalidade. Dentre as relações hierárquicas, relacionam-se conceitos de caráter mais ou menos genéricos com conceitos de caráter mais ou menos específicos, concatenando-se dos mais amplos para os mais restritos, podendo também estabelecer relações coordenadas entre conceitos de mesmo grau de especificidade. Somando essas características às possibilidades de relações partitivas e de oposição, além das relações funcionais, pode-se observar na teoria do conceito apresentada por Dahlberg (1978), ou nos próprios enunciados e características contidas no conceito de conceito, uma espécie de estrutura ordenadora de sua natureza.

Ainda, importa considerar que os conceitos em Dahlberg (1978) são dotados de intensão (soma de características) e extensão (soma de conceitos específicos), podendo ser constituídos em torno de objetivos, fenômenos, processos, propriedades, relações e dimensões distintas. Dahlberg (1978) é peremptória ao destacar a necessidade de estabelecer definições corretas dos conceitos, com vistas no desenvolvimento do conhecimento; a autora afirma que por meio do “[...] domínio perfeito das estruturas dos conceitos que será possível obter também perfeita equivalência verbal” (Dahlberg, 1978, p. 106).

É importante mencionar aqui argumentos trazidos por Francelin (2010) e Francelin e Pinho (2011), que ressaltam a necessidade de mais explicações por parte de Dahlberg em relação aos aspectos necessários para se considerar um enunciado como verdadeiro e suas consequências no plano dos conceitos, haja vista que uma proposição pode parecer “[...] adequada em determinados contextos e situações, mas isso não significa que seja verdadeira” (Francelin, 2010, p. 105). Para introduzir a abordagem que Hjørland desempenha em relação aos conceitos, é importante destacar que este autor entende como conveniente integrar diferentes perspectivas teóricas e filosóficas ao trata-los, importando ainda apontar a questão localizada na finalidade de seu emprego, sendo fundamental para Hjørland “[...] esclarecer por quais motivos um conceito será usado, identificando o tipo de trabalho a ser realizado, qual o conceito de conceito será adotado e como ele influenciará o desenvolvimento da tarefa” (Francelin; Pinho, 2011, p. 46).

Hjørland (2009) apresenta em seu trabalho a relevância dos conceitos enquanto mecanismos fundamentais para a OC, além de destacar a importância de se compreender as diferentes maneiras de conceber os conceitos com implicações específicas nas práticas ligadas à OC. O autor sustenta que os SOC - entendidos como sistemas ao exemplo de tesauros e ontologias - devem ser considerados como coleções de conceitos organizados (Hjørland, 2009). Apontando, portanto, a relevância dos conceitos para a estruturação da OC e de seus mecanismos de trabalho, além da reflexão a respeito da própria concepção de conceito para a consumação desta relação, Hjørland (2009) inicia indicando a dificuldade de estabelecer pacificamente alguns conceitos em relação ao seu contexto, demonstrando a diferença entre o conceito de “massa” para a mecânica newtoniana frente ao conceito de “democracia” em uma dinâmica multifatorial, diferença assentada pela particularidade do papel desempenhado por determinado conceito em um plano teórico específico.

Em Hjørland (2009), aparece como fundamental, portanto, compreender em relação ao conceito sua dimensão histórica, desenvolvida no plano de um substrato teórico sempre específico, e sua dimensão pragmática, observando o “papel” desempenhado pelo conceito em questão. Ainda, o autor (Hjørland, 2009, p. 1522) reforça o papel “estabilizador” exercido pelos conceitos, possibilitando a fixação de determinado objeto para que seja possível pensar e falar sobre ele - nesse sentido, por meio de um conceito nunca nos referimos à completude de algo, mas a um momento estabilizado do objeto em questão. Em síntese, o autor define:

Conceitos são significados construídos de maneira dinâmica e negociados coletivamente que classificam o mundo de acordo com interesses e teorias. Os conceitos e o seu desenvolvimento não podem ser entendidos de maneira separada dos interesses e teorias que motivaram a sua construção e, em geral, devemos esperar que concepções e conceitos concorrentes estejam sempre em jogo em todos os domínios (Hjørland , 2009, p. 1522-1523, tradução nossa).

Para Hjørland (2009), existem quatro tendências epistemológicas a partir das quais os conceitos são trabalhados: empirismo, racionalismo, historicismo e pragmatismo - os dois primeiros grupos formando um par de tendência positivista, e os dois últimos compondo uma tendência histórico-cultural com perspectiva social. Hjørland (2009) apresenta o empirismo como uma tendência à observação “livre de teorias” e o racionalismo como uma perspectiva que trabalha com deduções que partem de princípios que se compreendem como “dados” para, na sequência, demonstrar as possibilidades de uso das perspectivas historicista e pragmática.

A abordagem historicista envolve o trabalho a partir de uma interface hermenêutica e genealógica, observando a posição do uso de palavras no emprego do discurso e seu desenvolvimento ao longo do tempo, situando cada abordagem em específico em seu plano teórico, dotado de influências culturais e, portanto, não neutro ou absolutamente objetivo (Hjørland , 2009).

O pragmatismo não possui em seu núcleo a busca por uma verdade. Aqui, parte-se da compreensão de que o conhecimento não pode ser neutro e assume-se a necessidade de compreender e direcionar os propósitos e sentidos do conhecimento - por consequência, dos conceitos. Entendendo que conceitos fixam partes da realidade em um ambiente simbólico, não se assume por meio do pragmatismo que os mecanismos sejam simplesmente similaridade, lógica e genealogia, mas também a funcionalidade do conceito e das relações estabelecidas. No exemplo mencionado pelo autor (Hjørland , 2009), “comida” pode ser um conceito que se refere a muitas coisas diferentes, a partir da função desempenhada por esses itens assim referidos. Nesse sentido, “[…] diferentes propósitos demandam diferentes conceitos” (Hjørland, 2009, p. 1526, tradução nossa). O autor (Hjørland, 2009, p. 1526) é incisivo ao argumentar que a defesa de que uma classificação corresponde à natureza é, na verdade, a tomada de uma opção que nega quaisquer outras possibilidades de perspectiva.

O autor termina por recomendar que, ao pensar a OC e os SOC, não pode-se compreender conceitos como universais, mas como elementos vinculados a discursos e interesses, sendo inclusive necessário explicitar essas relações sempre que possível, entendendo os conceitos como sentidos socialmente negociados (Hjørland, 2009).

Melo e Bräscher (2014) apontam como uma das consequências da abordagem alinhada ao positivismo teórico a ideia de que é possível desenvolver uma organização do conhecimento objetiva a partir de uma espécie de essência de um termo, distanciando o sujeito aplicado nas tarefas de organização da informação e do conhecimento do campo do discurso e aproximando-o da técnica num sentido de neutralidade, almejando uma representação baseada em “[...] princípios lógicos, fatos verdadeiros sobre o conhecimento” (Melo; Bräscher, 2014, p. 71). Nesse sentido, Machado, Martínez-Ávila e Simões (2019) destacam a relação de Dahlberg com a tradição racionalista, demarcando sua proximidade ao pensamento aristotélico.

No pragmatismo, a informação assume um sentido mais “contextual” e menos perene em relação à proposta positivista, numa espécie de reaproximação entre sujeito e objeto nos estudos de Ciência da Informação (Melo; Bräscher, 2014). Uma das decorrências da abordagem pragmática é a proposta de Análise de Domínio de Hjørland e Albrechtsen, que situa a necessidade de estudar domínios específicos em suas características discursivas para abordar a informação, distanciando os estudos das abordagens individuais ou baseadas em princípios a priori (Melo; Bräscher, 2014). Para Machado, Martínez-Ávila e Simões (2019), uma mudança de abordagem em relação à teoria do conceito pode ser observada principalmente após a publicação de Hjørland (2009), com a passagem de uma prevalência da perspectiva racionalista para aproximações vinculadas ao pragmatismo, possibilitando refletir a respeito da inclusão de grupos sociais e inclusive a melhora de procedimentos de recuperação da informação.

3 Os conceitos na ISKO-Brasil à luz da abordagem de Kant sobre Teoria e Prática

Nesta seção, apresentam-se os trabalhos alocados nos grupos que congregam reflexões de caráter demarcadamente teórico e prático.

3.1 A Abordagem teórica

Quanto à Abordagem Teórica, envolve operações entre a constituição e papel dos conceitos e temas ou processos ligados à OC, compreendendo teoria como um “[...] um conjunto de regras práticas quando estas regras são pensadas como princípios numa certa universalidade [...]” (Kant, 2008, p. 59). No Quadro 1 a seguir foram elencados os trabalhos analisados na abordagem supracitada.

Quadro 1 -
Trabalhos de dimensão teórica
Trabalhos de dimensão teórica
Fonte: Elaborado pelos autores.

Considerando-se a análise de um grupo de trabalhos dedicado a debates teóricos, com a abstração envolvida no processo de compreender o funcionamento e os vetores do campo da OC, infere-se que Guimarães, Santos, Sales e Matos (2015) observam o capítulo norte-americano da ISKO em sua dimensão conceitual. Partindo de Dahlberg, argumentam que a OC possui caráter científico e trabalha com a sistematização de conceitos com vistas à transferência de conteúdo, vinculando-se às atividades de classificação, indexação e representação do conhecimento por meio de registros, objetivando suprir necessidades informacionais (Guimarães; Santos; Sales; Matos, 2015). Na análise realizada, os autores percebem uma predominância no tratamento da OC a partir de uma noção instrumental, compreendendo-a como um sistema ou estrutura de conhecimento; contudo, identificam a presença de abordagens que a observam sob perspectivas diversas, enquanto processo ou comunidade, por exemplo, apresentando uma tendência de pluralização (Guimarães; Santos; Sales; Matos, 2015).

É interessante observar o trabalho dos autores em razão do destaque à grande quantidade de autores citando intelectuais como Hjørland, Smiraglia, Olson, Lópes-Huertas e Navarro, podendo-se inferir a relevância desses nomes na formação conceitual da comunidade, transitando para preocupações epistemológicas cada vez mais acentuadas, favorecendo a compreensão da OC enquanto “[...] campo, domínio ou comunidade científica” (Guimarães; Santos; Sales; Matos, 2015, p. 65). É bastante importante perceber a composição da produção em OC, com sua orientação prática fundamentada em reflexão teórica, com a produção no universo da North American Symposium on Knowledge Organization (NASKO) fornecendo alguns elementos para pensar a produção sobre o OC em geral.

Lied, Rocha, Barros e Moura (2023) observam as tendências de literatura em relação aos SOC (estruturadores de conceitos) no universo da ISKO, representada pelos capítulos brasileiro e norte-americano. As autorias ressaltam em sua proposta de análise que conceitos precisam ser observados para além de seu desenvolvimento terminológico, mas também em suas articulações sociais e epistemológicas. Ainda quanto à prevalência dos conceitos para a área, uma das questões identificadas como produto da pesquisa realizada é o consenso a respeito da teoria do conceito como um fundamento do campo (Lied; Rocha; Barros; Moura, 2023).

Compreende-se a diferenciação estabelecida entre informação e conhecimento por Bräscher e Café (2008), com as consequências disso para pensar os processos de OC (baseados em conceitos) e OI (baseada em atributos de objetos informacionais), mas entende-se ser importante a inclusão de trabalhos que, em alguma medida, se reportam a processos não apenas de OC e RC neste corpus, mas que tratam de OI e RI em relação ao debate conceitual e compartilham de questões fundamentais à OC, como no caso do trabalho de Ortega (2023). A autora discute a dimensão conceitual do processo de OI a partir da apresentação de um problema na atribuição desproporcional de atenção à normatividade e tecnologia em detrimento dos aspectos conceituais, metodológicos e pragmáticos (Ortega, 2023).

Com a compreensão da OI como o conjunto de processos voltados a oferta de documentos a públicos específicos a partir de suas necessidades informacionais, a autora entende que, nesses processos, estão imbuídos diversos níveis, do abstrato ao concreto, a saber: os níveis conceitual, metodológico, pragmático, normativo e tecnológico. Dentro desta proposta, o nível conceitual da OI é definido como o “[...] mais abrangente e verticalizado [...]” (Ortega, 2023, p. 23), não funcionando de maneira estanque em relação aos demais níveis do plano abstrato ou do plano concreto, mas com características particulares em relação a eles, sendo os conceitos “[...] realizados por métodos, balizados por aspectos pragmáticos, e regulados em cada sistema por normas próprias [...]” (Ortega, 2023, p. 23), que permitem a apreensão de processos ligados à OI. Nesse sentido, é importante conceber os conceitos como elementos estruturalmente ligados aos processos da OI, haja vista seu papel nuclear na expressão do registro, observando o caráter perene e estável que eles possuem em relação a componentes mais transitórios, como as tecnologias de cada tempo (Ortega, 2023).

Oliveira e Castro (2023) estabelecem relações entre Modelagem Conceitual, OC e OI a partir do conceito enquanto um denominador comum. Para os autores, a Modelagem Conceitual é um importante objeto de pesquisa para a OC e para a OI, no sentido de que permite oferecer modelos de representação do conhecimento que possibilitem melhorias em representação da informação. Os próprios modelos conceituais são aqui entendidos como operadores de representações mentais de conceitos e suas relações, com relações próximas a problemas epistemológicos da OC (Oliveira; Castro, 2023). Apoiando-se na teoria do conceito elaborada por Dahlberg (1978), os autores asseveram que as maiores contribuições da modelagem conceitual para a OC vinculam-se à construção de SOC, possuindo no centro de sua atividade - assim como a própria OC -, a “unidade elementar” marcada pelo conceito (Oliveira; Castro, 2023). No trabalho de Oliveira e Castro (2023), a exemplo também de Martines, Oliveira e Sabbag (2019), Albuquerque (2017) e Andrade, Berti Junior, Cervantes e Rodrigues (2012), a Teoria do Conceito de Dahlberg aparece como um pressuposto fundamental para pensar a respeito do conceito e seus possíveis desdobramentos.

O trabalho de Martines, Oliveira e Sabbag (2019) apresenta o conceito como uma atividade não apenas de nomeação, mas de atribuição de significado, explicando-o a partir de um contexto e permitindo a identificação de objetos nele inseridos. Esse processo estaria, então, no centro do processo de organização da informação e do conhecimento, utilizando-se da linguagem para a construção de conceitos - aqui, é o conceito que sustenta o trabalho de representação temática da informação (Martines; Oliveira; Sabbag, 2019). Destacam, ainda, a expressão de elementos da subjetividade na atribuição de modelos de mundo e concepções no trabalho durante os quais, na expressão técnica do trabalho de representação por meio de conceitos, se expressa a subjetividade (Martines; Oliveira; Sabbag, 2019). Caracterizado por ser um trabalho que discute o próprio processo de construção conceitual pelo indivíduo em seu processo de conhecimento, os autores operam uma aproximação entre pressupostos da Teoria do Conceito de Dahlberg e o conceito de subjetividade no pensamento de Michel Foucault.

Albuquerque (2017) parte do apontamento da necessidade de maiores relações entre a Classificação Arquivística com as teorias da Classificação e do Conceito, definindo-o num sentido aristotélico a partir de Dahlberg como uma representação intelectual de um objeto, uma unidade de conhecimento que reúne enunciados verdadeiros sobre determinada questão e sua substância. Para a autora, é a partir dos conceitos que se pode realizar processos como a descrição e a classificação, apontamento importante para o estabelecimento das relações com a Classificação Arquivística. Argumentando em relação à importância das categorias e suas definições a partir de Dahlberg, Albuquerque (2017) explica a possibilidade de estabelecimento de características simples e complexas em relação às categorias. A partir da Teoria do Conceito, torna-se possível pensar as classificações, dividindo e aproximando elementos por semelhança e diferença, dispondo-os de maneira que facilite a recuperação e que sejam bem compreendidos dentro de um esquema, podendo realizar-se uma união de documentos a partir de um ponto de vista intelectual (Albuquerque, 2017):

Assim, a classificação não se resume a atribuir números, códigos e subdivisões a atividades e documentos, e sim é um processo de organização intelectual em que as características, as informações e o contexto de cada documento tratado refletem, com maior ou menor grau de complexidade, as funções e atividades desenvolvidas por uma instituição, a vida de uma pessoa ou os fatos de uma cidade ou país, pois a principal função de um documento de arquivo é a informação a respeito de determinado procedimento administrativo ou judicial (Albuquerque, 2017, p. 131).

Infere-se que seja interessante aproximar o texto de Albuquerque (2017) da abordagem desenvolvida por Tognoli e Barros (2015), que realizam uma aproximação entre a arquivística e a Organização do Conhecimento a partir do desenvolvimento histórico-conceitual dos processos de tratamento em arquivos, apresentados como profundamente ligados à classificação e à descrição. Nesse sentido, o desenvolvimento conceitual dessas áreas permite observar a configuração da representação arquivística como uma espécie de OC, além da operação da representação do conhecimento do arquivo por meio do processo de descrição.

Andrade, Berti Junior, Cervantes e Rodrigues (2012) apresentam uma proposta com bastante ressonância no corpus arrolado na presente pesquisa, já que Previdello e Kobashi (2015), Medeiros e Pinho (2017) e Rodrigues e Cervantes (2023) também desenvolvem trabalhos associados aos Mapas Conceituais. Por meio de uma discussão teórica ligada à fundamentação dos mapas, os autores propõem seu uso nas atividades de organização e representação do conhecimento, apresentando-os como ferramenta, técnica, recurso e estratégia (Andrade; Berti Junior; Cervantes; Rodrigues, 2012). Possibilitando a representação de conceitos apoiados por proposições, os mapas conceituais permitem estabelecer relações entre os conceitos de maneiras diversas, por hierarquia ou equivalência, por exemplo.

Para desenvolver o trabalho no tocante ao conceito, os autores apoiam-se em Dahlberg para sustentá-lo como uma compilação de enunciados verdadeiros expressos por meio de um símbolo verbal ou não, aproximando da proposta de Nowak e Gowin que entendem o conceito como “[...] regularidades ou formas percebidas em eventos ou objetos, ou registros de eventos ou objetos, designados por uma etiqueta” (Andrade; Berti Junior; Cervantes; Rodrigues, 2012, p. 84). A partir do estabelecimento dos conceitos, eles podem ser trabalhados como auxílio ao aprendizado ou dar suporte à organização do conhecimento e à representação do conhecimento, permitindo apreender significados e perceber relações.

Rodrigues e Cervantes (2023) - autoras presentes no trabalho referido acima - investigam a epistemologia do mapa conceitual na OC em vinculação aos SOC, apresentando-o por intermédio do papel dos conceitos como um SOC. Compreendendo o mapa conceitual como uma ferramenta para a organização e representação do conhecimento, atribuindo significados e relações a conceitos em dado domínio, as autoras demarcam as possibilidades de, num mapa conceitual, estabelecer relações de genericidade e especificidade, de maneira descritiva ou explicativa (Rodrigues; Cervantes, 2023). Rodrigues e Cervantes (2023) apresentam a definição conceitual de Mário Barité, com o termo expressando uma construção conceitual que o ultrapassa, padronizando enunciados e sintetizando características de um objeto. O conceito pode ser operado, de acordo com as autoras, num sentido interpretativo e representativo, construídos por historicidade, sustentando a expressão de conhecimento em mapas. O mapa conceitual seria, nesse sentido, uma estrutura lógica que permite a visualidade do conhecimento em um formato de SOC (Rodrigues; Cervantes, 2023). Conforme referido anteriormente acima, a discussão a respeito dos mapas conceituais na OC encontra ressonância em quatro trabalhos selecionados para esta pesquisa, demonstrando a relevância da fundamentação epistemológica proposta por Rodrigues e Cervantes (2023) que por meio da historicidade dos conceitos estabelecem relações com as filosofias de Aristóteles, Kant, Heidegger e Peirce.

Na sequência, apresentamos uma figura que sintetiza as principais questões presentes neste grupo de trabalhos (Figura 1):

Elementos das discussões de teor teórico
Figura 1 -
Elementos das discussões de teor teórico
Fonte: Elaborada pelos autores.

Considerando a análise e as relações inferidas na Abordagem Teórica, foi elaborada uma nuvem de tags com palavras-chave que emergiram da leitura e das discussões elencadas. Percebe-se que Organização do Conhecimento é central com ligação com conceitos que fazem parte dos processos e estruturas que congregam o uso e estudo dos conceitos no domínio.

Ao pensar em conjunto com Melo e Bräscher (2014) e Machado, Martínez-Ávila e Simões (2019), percebe-se que há na literatura que debate a temática a presença de diversas configurações epistemológicas e fundamentações a respeito do conceito, com destaque para as abordagens fundamentadas principalmente em Dahlberg e Hjørland, representando mormente tendências racionalistas e pragmáticas. Observando as temáticas apresentadas pelas autorias arroladas nesta seção, ganha corpo a noção de Kant (2008) que sustenta o não apartamento dos estudos teóricos do mundo prático, haja vista a presença de associações com temáticas como a descrição arquivística, a modelagem conceitual, a forma dos mapas conceituais e relações entre conceitos, métodos e tecnologia.

3.2 A Abordagem prática

Quanto à Abordagem Prática, elenca-se o grupo de trabalhos que dialogam mais diretamente com a dimensão concreta de trabalho com o conceito no universo da OC, seja na atividade de modelagem conceitual, representação, construção de SOC, ou mesmo na utilização destes ferramentais no mundo do trabalho. Vale recordar a definição de prática como “[...] não toda a operação, mas apenas a efectuação de um fim conseguida como adesão a certos princípios de conduta representados na sua generalidade” (Kant, 2008, p. 59).

A seguir, apresenta-se o quadro com os trabalhos (Quadro 2) para, na sequência, prosseguir-se à análise.

Quadro 2 -
Trabalhos de dimensão prática
Trabalhos de dimensão prática
Fonte: Elaborado pelos autores.

Ligado à dimensão mais aplicada no trabalho em OC, Guizzard (2012) sustenta a necessidade de construir modelos conceituais de referência, capazes de observar aspectos universais de conceitos compartilhados por domínios, utilizando-se de técnicas de engenharia, linguagens e ferramentas computacionais. Em trabalho apresentado na modalidade de resumo, Soares e Dodebei (2015) relatam a criação de um tesauro metaconceitual (SOC) para atividades de avaliação de conformidade, normalização e metrologia, utilizando-se, além dos aportes de Ranganathan e Wüster, a Teoria do Conceito de Dahlberg.

No esteio da reflexão a respeito dos conceitos especificamente em sua relação com os SOC, uma temática recorrente é a modelagem conceitual, a exemplo do trabalho já referido de Oliveira e Castro (2023). Vital e Bräscher (2017) explicam que modelos conceituais na descrição arquivística objetivam responder exigências do contexto tecnológico da presente sociedade, definindo entidades e estabelecendo relações semânticas entre atributos com o objetivo da recuperação da informação com a preservação da proveniência. Desta maneira, a “[...] função mais importante do modelo conceitual é reconhecer e descrever as entidades-chave do contexto na descrição arquivística, bem como as relações entre as entidades de contexto no alto nível de abstração” (Vital; Bräscher, 2017, p. 203).

Na análise realizada, as autoras constatam que o Conceptual Model for Archival Description (CMAD) define assunto como um conceito ou objeto, enquanto os modelos Comisión de Normas Españolas de Descripción Archivística (CNEDA) e Records in context: a conceptual model for archival description (RiC-CM) não tratam a entidade por assunto, além de identificar a mesma fundamentação conceitual para a representação temática do documento nos três modelos, dividindo-a em elementos abstratos e concretos (Vital; Bräscher, 2017). As autoras ainda demarcam a separação entre as noções de ideia principal e assunto, com a primeira se relacionando às intenções do autor do documento, enquanto o assunto se refere à resposta do leitor sobre o que se trata o documento, consistindo numa intervenção. Em modelos conceituais, os elementos agente, função, data, atividade e lugar auxiliam no estabelecimento do contexto, possibilitando o estabelecimento da temática com precisão, potencializando a recuperação e preservando relações orgânicas e estruturais (Vital; Bräscher, 2017).

Alvarenga (2013) demonstra a evolução no desenvolvimento da concepção e aplicação de modelos conceituais associadas ao enriquecimento a partir de tecnologias ofertadas no presente, com o direcionamento para a construção de SOC, que são requerentes de conhecimentos acerca de modelagem conceitual. Estes SOC são, segundo a autora: “[...] ontologias, esquemas de metadados, taxonomias, classificações, terminologias, estruturas de diretório da web, tesauros, folksonomias, e outros”, oferecendo um conjunto amplo de ferramentas compreendidas com estas potencialidades (Alvarenga, 2013, p. 142). Os SOC estruturados por conceitos modelados oferecem suportes para pensamentos, decisões, integração e identificação de problemas no conhecimento individual, auxiliar decisões ou realizar planejamentos, por exemplo. Além de manuais de construção para estas ferramentas, a autora referencia Ranganathan e Dahlberg como importantes bases teóricas para o desenvolvimento desses sistemas no trabalho dos profissionais da área (Alvarenga, 2013).

Arakaki, Arakaki e Gonçalez (2023) analisam o conceito de linked data em periódicos da Ciência da Informação, para tal lançando mão da Teoria do Conceito a partir de Hjørland. Nesse sentido, referem-se à abordagem pragmática para o estudo de conceitos imbricados na comunicação científica, propondo uma análise da dimensão social do conhecimento, pensando o caráter interacional dos conceitos entre indivíduos e a sociedade, embebidos no contextos social e histórico. Reforçam ainda a necessidade de abordagens críticas e reflexivas na análise conceitual, de maneira atenta aos planos teóricos e epistemológicos de enquadramento, rejeitando a ideia de pressupostos universais (Arakaki; Arakaki; Gonçalez, 2023). Pret e Cordeiro (2019) analisam a produção de Dahlberg na revisão realizada em seu trabalho, aproximando-a de um prisma platônico-aristotélico que pensa uma relação entre eficácia e fidelidade descritiva, orientado para a possibilidade decifragem do mundo para sua descrição.

Trabalhos como os de Teixeira e Valentim (2015) e Souza e Costa (2015) demonstram as possibilidades do uso de conceitos estruturados por meio de modelos para trabalhar com, respectivamente, inteligência competitiva e estruturação descritiva para a busca e recuperação da informação. A modelagem conceitual permite, nas abordagens referenciadas nos trabalhos observados, trabalhar com unidades de conhecimento de diversas maneiras lógicas, além dos vários suportes tecnológicos possíveis - é interessante, nesse sentido, perceber as distintas possibilidades de aplicação de seu desenvolvimento. Remetendo ao exposto na categoria de Abordagens Teóricas, Lara, Previdello e Kobashi (2015) reportam o bem sucedido uso de mapas conceituais para apoiar o ensino de disciplinas de graduação afeitas à OC, por meio da categorização de conceitos e sistematização do campo nos mapas - explicitando, dessa maneira, uma possível aplicação deste ferramental como um SOC.

Também neste filão reflexivo, Medeiros e Pinho (2017) associam o processo de Representação da Informação aos estudos relacionados à memória, apresentando o mapa conceitual como um mecanismo que auxilia também nos estudos memorialísticos de produções artístico-pictóricas. Os autores referenciam o trabalho publicado por Rodrigues e Cervantes no ano de 2016 para fundamentar a concepção de mapa conceitual, caracterizados enquanto possibilitadores de representação da informação de maneira peculiar, por trabalharem a partir de abordagem conceitual ligada aos conteúdos, permitindo representar tematicamente com a visualização de conteúdos organizados em concatenações lógicas (Medeiros; Pinho, 2017). Explicam que os mapas conceituais caracterizarem-se como estruturadores de conhecimento, oferecendo a organização cognitiva do conhecimento de seu autor em profundidade e extensão.

Medeiros e Pinho (2017) argumentam que a estruturação em etapas da construção dos mapas proposta por Rodrigues e Cervantes constitui um método de representação da informação, possibilitando identificação temática, arranjo de conceitos e conexões entre eles. Por meio do trabalho com as obras de Joaz Silva, combinando a análise artístico-pictórica a partir de Panofsky com a representação da informação nos mapas conceituais, conforme propostos por Rodrigues e Cervantes, os autores entenderam a possibilidade rica de sistematização de conteúdo temático, com a extração de assuntos no trabalho com obras de arte enquanto documentos (Medeiros; Pinho, 2017). Aqui, assim como no trabalho de Ortega (2023), observa-se a construção de relações entre os processos de OI e RI com os conceitos, estabelecendo associações com as práticas de OC, estruturando o processo de organização da informação.

Souza, Martins, Almeida e Silva (2023) pensam a extração de conceitos para o enriquecimento semântico de imagens biomédicas, utilizando-se da teoria de Dahlberg para fundamentar a noção de conceito, reportando-se à formulação da estabilização por meio de símbolos de enunciados verdadeiros a respeito de determinada questão. Lima, Costa e Guimarães (2017) utilizam-se da Teoria do Conceito de Dahlberg para operacionalizar o trabalho terminológico para o Vocabulário Controlado de Artes, também reforçando a ideia do conceito como uma unidade de enunciados verdadeiros sobre determinado objeto. Ao discutir ontologias e o uso de conceitos em ambientes científicos digitais, Moura (2012) as aborda como dispositivos informacionais com perspectivas e propósitos específicos, com o objetivo de orientar atores sociais, além de auxiliar nas atividades de organização e recuperação da informação. Nesse sentido, argumenta a favor de sistemas conceituais híbridos, com aportes sofisticados de organização da informação com suas dimensões tecnológicas e participação de determinada atribuição livre. Entendendo conceitos como utilizados socialmente e com possibilidades de relações múltiplas, a autora realizou levantamento em ambientes digitais de trabalho científico e observou diferentes estratégias empregadas por pesquisadores na construção de conceitos, identificando principalmente a presença de neologismos, com grande presença de retrônimos e acrônimos (Moura, 2012).

Por fim, encontramos no trabalho de Martins e Azevedo Netto (2012) mais uma interessante abordagem relacionada ao processo de RI, apresentada em conjunto a referenciais teóricos do campo da memória para discutir questões ligadas ao patrimônio. Martins e Azevedo Netto (2012) abordam o processo de representação no interior da CI e, por consequência, a teoria do conceito. Para os autores, o processo de representação da informação é desencadeado com vistas à sua recuperação posterior, passando pela análise e pela atribuição de conceitos em relação ao documento (Martins; Azevedo Netto, 2012). A fundamentação desenvolvida por Martins e Azevedo Netto (2012) aporta-se em Dahlberg, compreendendo o conceito como um conjunto de enunciados verdadeiros sobre determinado objeto, dotado de características e relacionáveis a outros conceitos. Ainda, Martins e Azevedo Netto (2012) apresentam a modelagem conceitual como fundamental, consistindo em representações simplificadas inteligíveis do entorno. Nesse trabalho, pode-se perceber mais uma vez a Teoria do Conceito apresentada num sentido estruturante do processo de construção das representações ligadas aos processos de organização como um fundamento básico.

Apresenta-se a figura, elaborada a partir das inferências quanto à Abordagem Prática, que sintetiza as principais questões presentes neste grupo de trabalhos (Figura 2):

Elementos das discussões de teor prático
Figura 2 -
Elementos das discussões de teor prático
Fonte: Elaborado pelos autores.

Percebe-se que as relações se dão em torno do Conceito de Organziaçao da Informação, que aparece no aspecto central das discussões. Importante destacar que, além dos processos, a presença dos autores demonstram uma forte relação que sintetizam, em alguma medida, os fatores teóricos e aplicados com afinidade às discussões conceituais que se destacam neste grupo de trabalhos. Ainda, a presença significativa de Dahlberg neste corpo literário que remonta aos últimos 12 anos (ora como fundamento de trabalho, ora como referência incontornável) demonstra a permanência do respaldo conferido pela área da OC às elaborações da autora mesmo após transformações epistemológicas sob influência pragmática apontadas por Machado, Martínez-Ávila e Simões (2019) a partir de 2010.

4 Considerações finais

Uma questão interessante a se observar, é a relação de correspondência entre as categorias empreendidas no desenvolvimento das análises do presente artigo (dimensões teórica e prática) com a divisão estabelecida nos volumes de trabalhos analisados como corpus. A divisão da apresentação dos trabalhos nos anais da ISKO Brasil apresentou em suas três primeiras edições as seções “A dimensão epistemológica da Organização e Representação do Conhecimento”, “A dimensão aplicada da Organização e Representação do Conhecimento” e “A dimensão social, cultural e política da Organização e Representação do Conhecimento”, enquanto apresentou “Dimensão Epistemológica da Organização do Conhecimento”, “Dimensão Aplicada da Organização do Conhecimento” e “Dimensão Política e Social da Organização do Conhecimento” em suas últimas três edições. Considerando estas pequenas alterações, entendemos haver segura identificação entre os trabalhos aqui agrupados em torno da noção de prática com os textos publicados nas seções nomeadas com “dimensão aplicada”, e dos trabalhos agrupados em torno da noção de teoria com a “dimensão epistemológica”. É necessário mencionar as pontuais diferenças de categorização, como nos casos de Albuquerque (2017) que alocamos no grupo de trabalhos teóricos por conta de suas reflexões envolvendo a teoria do conceito e a classificação arquivística, bem como de Andrade, Berti Junior, Cervantes e Rodrigues (2012) e Rodrigues e Cervantes (2023) que apresentam importantes contribuições epistemológicas sobre os mapas conceituais. O único trabalho alocado no grupo prático não constante em seção de dimensão aplicada dos anais, é o de Martins e Azevedo Netto (2012), que ali dispusemos em razão de sua operacionalização orientada à preservação da memória.

Conforme argumento do presente estudo, a categorização dos trabalhos entre abordagens teóricas e abordagens práticas tem um objetivo esquemático, com vistas ao tratamento da literatura analisada por aproximações e diferenciação. Fica claro na análise dos textos a constante preocupação com aspectos práticos e técnicos ligados à recuperação da informação ou à representação da informação e do conhecimento, subjacente aos trabalhos de cariz teórico. Também é denotativa a profundidade teórica dos trabalhos que situam-se em maior medida em preocupações ligadas ao universo da prática - mesmo os textos preocupados em estabelecer modelos para fins específicos e aplicações localizadas apresentam reflexão teórica em relação ao conceito.

Além da presença da reflexão teórica nos trabalhos ligados a problemas eminentemente práticos e da relação com os problemas da prática nas reflexões teóricas - e, nesse sentido, em consonância com o argumento de Kant (2008) ao sustentar que ambas as dimensões possuem validade comum -, é importante perceber a convergência de objeto em vários dos trabalhos analisados: a preocupação com a estruturação conceitual em Guimarães, Santos, Sales e Matos (2015), Martines, Oliveira e Sabbag (2019) e em Ortega (2023); a discussão sobre modelagem conceitual presente em Alvarenga (2013), Soares e Dodebei (2015), Oliveira e Castro (2023), Teixeira e Valentim (2015) e Souza e Costa (2015); as possíveis relações com o âmbito da Arquivologia em Albuquerque (2017), Tognoli e Barros (2015) e Vital e Bräscher (2017); além da investigação em diferentes níveis sobre os mapas conceituais por Andrade, Berti Junior, Cervantes e Rodrigues (2012), Lara, Previdello e Kobashi (2015), Medeiros e Pinho (2017) e Rodrigues e Cervantes (2023). Essa característica demonstra a proficuidade dos debates que vêm sendo estabelecidos pelos referidos autores, bem como a centralidade da discussão sobre o conceito ̶ que é transformado em necessário objeto de estudo a partir das propostas por eles colocadas.

Outro ponto importante a se destacar é a solidez da Teoria do Conceito de Dahlberg (1978) na fundamentação das discussões sobre o conceito em OC, configurando-se como principal referência em parcela significativa dos trabalhos ora analisados. Seja apresentada como único referencial, seja combinada com outros pensadores na definição do conceito de conceito, Dahlberg aparece como referência incontornável para a literatura. Pode-se observar que mesmo com a ocorrência de determinada pluralização epistemológica no que toca a teoria do conceito a partir dos anos de 2010, conforme demonstraram Machado, Martínez-Ávila e Simões (2019), ainda há grande presença da perspectiva racionalista na produção estudada. Ademais, os próprios trabalhos arrolados na análise demonstram por seu alto grau de contribuição ao realizar estes procedimentos, a premência de reflexões de caráter epistemológico no estudo das relações entre teorias do conceito e o desempenho concreto do trabalho com conceitos, conforme sugere Hjørland (2009). Considera-se que fundamentar e teorizar sobre os conceitos para os processos de Organização e Representação do Conhecimento é uma forma de priorizar a compreensão para elaborar e pensar Sistemas de Organização do Conhecimento coerentes e contextuais de acordo com seu domínio.

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