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                <journal-title>Em Questão</journal-title>
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					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>Raízes do epistemicídio negro: análise da produção científica do ENANCIB (1994-2019)</article-title>
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					<trans-title>Roots of black epistemicide: analysis of the scientific production of ENANCIB (1994-2019)</trans-title>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil </institution>
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					<label>Declaração de autoria </label>
					<p><bold>Concepção e elaboração do estudo:</bold> Felipe Arthur Cordeiro Alves, Gisele Rocha Côrtes. <bold>Coleta de dados:</bold> Felipe Arthur Cordeiro Alves, Gisele Rocha Côrtes. <bold>Análise e interpretação de dados:</bold> Felipe Arthur Cordeiro Alves, Gisele Rocha Côrtes. <bold>Redação:</bold> Felipe Arthur Cordeiro Alvez, Gisele Rocha Côrtes. <bold>Revisão crítica do manuscrito:</bold> Felipe Arthur Cordeiro Alves, Gisele Rocha Côrtes.</p>
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			</author-notes>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este estudo objetiva apresentar as raízes do epistemicídio negro no país em interface com as produções do maior evento da Ciência da Informação brasileira, o Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação. Discorremos brevemente sobre dois fenômenos que explicam as origens do epistemicídio negro: o colonialismo e a escravidão, que contribuíram para o desenvolvimento de um racismo estrutural no país que incidiu na exclusão social do povo negro, na sociedade brasileira, em diversos contextos, inclusive na ambiência científica e, por conseguinte, nas produções científicas. No âmbito teórico, dissertamos acerca dos impactos do colonialismo e da escravidão para a tentativa de silenciamento epistêmico imposto à comunidade negra no Brasil e dos conceitos de epistemicídio e seus desdobramentos na construção de conhecimentos do povo negro. Os resultados expostos indicaram uma baixa representatividade de estudos sobre a população negra, no evento abordado, e evidenciaram o reflexo do racismo estrutural e do epistemicídio no principal evento da área. As considerações conclusivas apontaram que a questão do epistemicídio negro, no encontro, começa a ser parcialmente resolvida com a criação do GT 12 do evento, que dará mais abertura a temas voltados para a população negra no evento. Em âmbito geral, foi considerada a necessidade de se dar um salto quantitativo e qualitativo nas discussões acerca do epistemicídio negro e de acompanhar o fenômeno em outras fontes no contexto da Ciência da Informação.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This study aims to present the roots of black epistemicide in the country in interface with the event of this phenomenon in the biggest event of Brazilian Information Science, the National Meeting of Research and Graduate Studies in Information Science. We briefly discuss two phenomena that explain the origins of black epistemicide: colonialism and slavery, which contributed to the development of a structural racism in the country that affected the social exclusion of black people, in Brazilian society, in different contexts, including the environment science and, therefore, in scientific productions. In the theoretical scope, we discuss the impacts of colonialism and slavery for the epistemic silencing imposed on the black community in Brazil and the concepts of epistemicide and its consequences in the construction of knowledge of the black people. The exposed results indicated a low representation of studies on the black population, in the event addressed, and evidenced the reflection of structural racism and epistemicide in the main event in the area. The conclusive considerations pointed out that the issue of black epistemicide, at the meeting, begins to be partially resolved with the creation of GT 12 of the event, which will give more opening to themes aimed at the black population at the event. In general terms, the need for a quantitative and qualitative leap in discussions about black epistemicide was considered, as well as the need to follow the phenomenon in other sources in the context of Information Science.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Racismo estrutural</kwd>
				<kwd>escravidão</kwd>
				<kwd>colonialismo</kwd>
				<kwd>epistemicídio</kwd>
				<kwd>ENANCIB</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Structural racism</kwd>
				<kwd>slavery</kwd>
				<kwd>colonialism</kwd>
				<kwd>epistemicide</kwd>
				<kwd>ENANCIB</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1 Introdução</title>
			<p>Durante o decorrer da história, a população negra foi e continua sendo impelida a conviver com diversos tipos de opressão e de exclusão. A mais flagrante, o racismo, atua como um elemento estrutural e estruturante de diversos tipos de desigualdades sociais. Para <xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida (2019</xref>), o racismo é estrutural, uma vez que é decorrente da própria estrutura social, e não é uma patologia social ou um desarranjo institucional. </p>
			<p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias, Passos e Rodrigues (2020</xref>), o racismo estrutural é como uma massa que “dá liga” e junta-se nos alicerces e nas paredes da sociedade brasileira. Em outras palavras, o país foi e continua sendo construído sob um ideário racista, impregnado nas relações sociais estabelecidas entre sua população.</p>
			<p>Por ser estrutural, o racismo manifesta-se em todos os campos sociais do país, inclusive na ambiência acadêmica, e afeta diretamente a produção de conhecimentos. Uma das expressões mais contumazes do racismo na Academia ocorre em um fenômeno denominado de epistemicídio. Resumidamente, podemos afirmar que o epistemicídio representa a morte do conhecimento, o silenciamento de saberes e o cerceamento na produção de conhecimentos. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Carneiro (2018</xref>), o epistemicídio é um dos instrumentos mais eficazes e longevos de dominação étnico-racial, que ocorre quando se nega a legitimidade de conhecimentos produzidos por grupos excluídos e seus membros como produtores/as de conhecimentos.</p>
			<p>As raízes do racismo e do epistemicídio estão interligadas no Brasil e fincadas em dois eventos historicamente ignominiosos: o colonialismo e a escravidão. Tanto um quanto outro contribuíram significativamente para excluir a população negra e disseminar um ideário racista na sociedade brasileira.</p>
			<p>Consideramos que o colonialismo e a escravidão são duas chagas abertas na história do Brasil e impuseram à comunidade negra a privação do direito de ser, ao passo que suas subjetividades foram cerceadas por meio de imposições de cunho linguístico, cultural e religioso. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lugones (2014</xref>), na modernidade colonial, há uma dicotomia hierárquica entre o ser humano e o considerado não humano, na qual eram considerados/as como civilizados/as homens e mulheres de ascendência europeia, enquanto povos indígenas das américas e africanos/as escravizados/as foram classificados/as como não humanos - como animais selvagens.</p>
			<p>Com base no contexto supracitado, é necessário investigar os impactos do colonialismo e da escravidão para a produção de conhecimentos no contexto científico, de modo geral, especialmente na ambiência da Ciência da Informação. Como campo de estudos, escolhemos o Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB). <xref ref-type="bibr" rid="B31">Silva <italic>et al</italic>. (2019</xref>) referem que o evento é o principal encontro de pesquisa e de pós-graduação do país que visa discutir e refletir acerca da produção científica da área. </p>
			<p>Nesse ensejo, este estudo objetiva apresentar o colonialismo e o regime escravagista como raízes do epistemicídio negro no país, com vistas a verificar a ocorrência do silenciamento epistêmico no contexto do ENANCIB. Para isso, apresentamos, no tópico 2, a seguir, uma revisão de literatura a respeito do epistemicídio, no contexto da escravidão e do colonialismo; no tópico 3, a metodologia; e no tópico 4, as implicações desses dois temas em um cenário de epistemicídio negro nos anais do ENANCIB.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2 Colonialismo e escravidão: silenciamento e exclusão da população negra na sociedade brasileira</title>
			<p>No Brasil, o aviltamento da população negra é um projeto hegemônico ainda em curso, porém não é uma construção recente. Seu início remete ao “descobrimento” do país em virtude do expansionismo colonial europeu, que se agravou, posteriormente, com o regime escravagista e outras formas de exclusão social. </p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lugones (2014</xref>), a missão civilizatória estava presente na concepção ideológica de conquista e colonização. Sob o ponto de vista dessa missão, sentenciar colonizados/as por causa de suas deficiências justificou crueldades atrozes. Entre as incontáveis atrocidades oriundas do colonialismo, destaca-se a escravidão, um dos temas-chave para se compreender a desigualdade social e a exclusão de negros/as na sociedade brasileira. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Gomes (2019</xref>), a escravidão é o assunto mais importante da história brasileira e a principal definidora da construção da identidade do país. Foi uma tragédia humanitária de grandes proporções que teve forte impacto cultural e político.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B29">Schwartzman (2004</xref>) entende que a escravidão, que é a transformação da vida humana em mercadoria, não é uma invenção do capitalismo moderno, pois existe desde a antiguidade, geralmente aplicada a estrangeiros/as. O impacto do comércio de escravizados/as e de monoculturas não foi uniforme no mundo. Na Europa, propiciou a criação de mercados nacionais integrados e o desenvolvimento do capitalismo moderno. Nas Américas, sociedades e civilizações tradicionais foram destruídas ou conduzidas a uma relação de dependência e subordinação aos colonizadores europeus. </p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Gomes (2019</xref>) expõe que o Brasil foi o maior território escravista no Ocidente, ao logo de três séculos, e recebeu quase cinco milhões de africanos/as cativos. Também foi um dos mais resistentes ao fim do tráfico negreiro e o último a abolir o cativeiro na América. </p>
			<p>O regime escravista brasileiro teve algumas particularidades em relação a outros países colonizados na América Latina, porquanto não contribuiu para disseminar somente o racismo, mas também preconceitos de cunho sexista. <xref ref-type="bibr" rid="B34">Souza (2017</xref>) refere que o regime escravista brasileiro foi baseado no modelo escravista dos árabes, dos mouros e dos maometanos e influenciado por ele. Logo, a escravidão brasileira seguiu mais o modelo árabe do que o europeu visto que trouxe, a seu modo, a poligamia, a fim de aumentar a população da colônia brasileira. Esse modelo de escravização era, ao mesmo tempo, semi-industrial, sexual e fruto das relações de poder desiguais de classe e gênero no Brasil.</p>
			<p>A busca do silenciamento de negros/as escravizados/as se deu por meio da imposição colonial em âmbito religioso, linguístico, cultural, entre outros. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Nascimento (2019a</xref>), no Brasil, não foi permitida aos/às africanos/as a prática livre de seus costumes e tradições da mesma forma como ocorreu nos Estados Unidos, na América Central e em outros países da América do Sul. </p>
			<p>Quando se fala em epistemicídio, é comum as pessoas só se deterem na produção de conhecimentos científicos. Porém, o epistemicídio se dá em diversas searas. No Brasil, um dos primeiros exemplos de epistemicídio negro foi a proibição dos batuques em tambores por parte de escravizados/as. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B18">Nascimento (2019a</xref>), com esse impedimento, os/as africanos//as passaram a batucar em lata vazia, caneco ou vasilhame que encontravam, para que sua música, considerada como prática delituosa, não sucumbisse.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">Nascimento (2019b</xref>) destaca, ainda, a imposição linguística e considera que a língua, assim como todo produto da colonialidade, é um espaço em que atua o epistemicídio. As populações negra e indígena foram obrigadas a ter a língua portuguesa como sua primeira língua, o que resultou em epistemicídio e linguicídio. O último significa o epistemicídio mediado pela linguagem ou por políticas linguísticas. Há de se destacar, também, a imposição religiosa, em que as religiões de matrizes africanas foram cerceadas pelo Cristianismo. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lugones (2014</xref>) enuncia que a conversão ao Cristianismo estava presente na visão ideológica de conquista e colonização. Essa imposição se mostrou diametralmente oposta aos valores de liberdade pregados pela religião cristã católica.</p>
			<p>Um símbolo que expressa bem o epistemicídio negro, no contexto do colonialismo e da escravidão, é a máscara facial de metal utilizada impositivamente pelos/as escravizados/as. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Kilomba (2019</xref>, p. 32) afirma que:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] tal máscara foi uma peça muito concreta, um instrumento real que se tornou parte do projeto colonial europeu por mais de 300 anos. Ela era composta por um pedaço de metal colocado no interior da boca do sujeito Negro, instalado entre a língua e a mandíbula e fixado por detrás da cabeça por duas cordas, uma em torno do queixo e a outra em torno do nariz e da testa. Oficialmente, a máscara era usada pelos senhores brancos para evitar que africanos/as escravizados/as comessem cana-de-açúcar, cacau ou café, enquanto trabalhavam nas plantações, mas sua principal função era implementar um senso de mudez e de medo. Nesse sentido, a máscara representa o colonialismo como um todo. Ela simboliza políticas sádicas de conquista e dominação e seus regimes brutais de silenciamento das/dos chamadas/os ‘Outros/as’. </p>
			</disp-quote></p>
			<p>Assim, a autora pergunta: Quem pode falar? O que podemos falar? Por que o/a negro/a tem de ficar calado? O que poderia dizer o sujeito negro se não estivesse com a boca tapada? O que o sujeito branco teria que ouvir? Os/As que não são ouvidos se tornam os/as que não pertencem. A máscara recria o projeto de silenciamento e controla a possibilidade de os/as colonizados/as serem ouvidos/as (<xref ref-type="bibr" rid="B14">KILOMBA, 2019</xref>).</p>
			<p>Vale ponderar que a principal máscara do colonialismo não é a física, exposta acima, mas a máscara ideológica. Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lugones (2014</xref>, p. 938) afirma: “a missão ‘civilizatória’ colonial era a máscara eufemística do acesso brutal aos corpos das pessoas através de uma exploração inimaginável, violência sexual, controle de reprodução e terror sistemático”. Assim, com tantas formas de opressão, restou ao povo negro resistir. Neste cenário de opressão o povo negro sempre resistiu. Essa resistência se mantém até a contemporaneidade, pois, mesmo com o fim formal da escravidão, as violências e os ataques ao povo negro persistiram e parecem estar distantes de um fim. No entanto, é preciso vivenciar o que sugere o provérbio africano (<xref ref-type="bibr" rid="B22">PENSADOR, c2023</xref>) que diz: “Enquanto reza, vá fazendo”. Em outras palavras, enquanto desejamos esse fim, devemos trabalhar em prol dele. </p>
			<p>Mesmo depois de abolido o regime escravocrata, em 1888, os negros e as negras, então “livres”, tiveram de continuar com o movimento de resistência até os dias atuais, “pois, com a extinção do regime escravocrata, impôs-se aos/às escravos/as a necessidade de lutar contra o preconceito racial e pelo reconhecimento de direitos relacionados à cidadania, durante séculos, negados” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">LEITE, 2017</xref>, p. 65).</p>
			<p>Mesmo com o fim da monarquia e o início do período republicano, a população negra não foi integrada satisfatoriamente na sociedade brasileira até os nossos dias. “Um ano após a abolição da escravatura, foi proclamada a República no Brasil, em 1889. O novo sistema político, entretanto, não assegurou profícuos ganhos materiais ou simbólicos para a população negra” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">DOMINGUES, 2007</xref>, p. 102).</p>
			<p>Podemos, então, afirmar que a inclusão da população negra na sociedade brasileira nunca ocorreu de modo pleno, mas parcial e retardatário. Em um cenário de privações e de exclusão social, a construção epistemológica negra tornou-se uma tarefa árdua e desafiadora. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>3 Metodologia</title>
			<p>Conforme já anunciado, esta pesquisa é oriunda de uma dissertação de mestrado. Por conseguinte, a metodologia empregada é alinhada à pesquisa que a embasou. Nesse sentido, evidenciamos seu caráter bibliográfico, porquanto, sob o ponto de vista de <xref ref-type="bibr" rid="B10">Fonseca (2002</xref>), qualquer trabalho científico é iniciado pela pesquisa bibliográfica em diversas fontes.</p>
			<p>No que se refere à abordagem, esta investigação científica é caracterizada como qualitativa e quantitativa. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Minayo e Sanches (1993</xref>), a abordagem quantitativa traz à tona dados, indicadores e tendências. Para a autora e o autor, a abordagem qualitativa foca nas motivações, na subjetividade, nas aspirações dos/as interlocutores/as e do/a pesquisador/a, a partir dos quais as ações, as estruturas e as relações se tornam significativas. </p>
			<p>Quanto aos objetivos, trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória. Em conformidade com <xref ref-type="bibr" rid="B30">Silva e Menezes (2000</xref>, p. 21), “[...] pesquisa descritiva visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou estabelecer relações entre as variáveis”. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gil (2002</xref>) considera que a pesquisa exploratória proporciona mais conhecimento do problema de pesquisa, objetivando explicitá-lo ou favorecer a construção de hipóteses.</p>
			<p>O <italic>corpus</italic> da pesquisa foi extraído dos anais do ENANCIB, desde sua gênese, em 1994, até o ano que antecedeu a pandemia global de covid-19 - 2019. É composto de 40 estudos acerca da população negra, em um universo de 4.139 estudos. Para extrair os resultados desse <italic>corpus</italic>, foram utilizados os estudos métricos da informação, especialmente a cientometria ou cienciomentria. “A cientometria preocupa-se com a dinâmica da ciência, como atividade social, tendo como objetos de análise a produção, a circulação e o consumo da produção científica” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">SANTOS; KOBASHI, 2009</xref>, p. 159). Mais detalhes acerca dos procedimentos metodológicos estão dispostos no tópico posterior, em conjunto com uma breve análise dos dados coletados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4 Nas trilhas do epistemicídio negro no ENANCIB</title>
			<p>O epistemicídio do povo negro é um fenômeno denso e complexo. Neste tópico, respeitando os limites deste estudo, apresentamos brevemente uma revisão de literatura a respeito desse tema, articulando esta revisão com o campo da Ciência da Informação, especificamente com o ENANCIB. </p>
			<p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B25">Ramose (2011</xref>, p. 6), o epistemicídio negro pode ser entendido como “[...] o assassinato das maneiras de conhecer e agir dos povos africanos conquistados”. O autor utiliza a palavra conquistados como uma crítica ao colonialismo. Para ele, foi nesse período em que o Ocidente passou a ter indevidamente o primado para definir conhecimento, verdade e experiência.</p>
			<p>No primeiro olhar, podemos considerar exagerado o termo “assassinato” no conceito supracitado. Todavia, o epistemicídio já foi considerado mais vasto do que o genocídio oriundo do expansionismo colonial europeu. </p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] o genocídio que pontuou tantas vezes a expansão européia foi também um epistemicídio: eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho e eliminaram-se formas de conhecimento estranho porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos. Mas o epistemicídio foi muito mais vasto que o genocídio porque ocorreu sempre que se pretendeu subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que podiam ameaçar a expansão capitalista ou, durante boa parte do nosso século, a expansão comunista (neste domínio tão moderno quanto a capitalista); e também porque ocorreu tanto no espaço periférico, extra-europeu e extra-norte-americano do sistema mundial, como no espaço central europeu e norte-americano, contra os trabalhadores, os índios, os negros, as mulheres e as minorias em geral (étnicas, religiosas, sexuais) (<xref ref-type="bibr" rid="B26">SANTOS, 1995</xref>, p. 328).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>O epistemicídio é enunciado por outros/as pesquisadores/as como uma política de morte epistêmica, promovida pelo grupo hegemônico da raça branca. Sob o ponto de vista de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Pessanha (2019</xref>), o epistemicídio - que é a morte do pensamento - é utilizado como estratégia para proteger o grupo hegemônico pertencente à raça branca, em detrimento dos/as que são deixados/as para morrer - a raça negra.</p>
			<p>O epistemicídio se desenvolve como um fenômeno de desvalorização de outrem. Vários autores/as concordam com esse pensamento. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B23">Pessanha (2018</xref>), o epistemicídio contribui para embrutecer a população negra. E como é embrutecido e levado ao status de ignorância, sua ascensão social é cada vez mais árdua, porque a estrutura em que ele se encontra foi organizada para ser uma mão de obra barata antes mesmo do serviço remunerado.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carneiro (2005</xref>, p. 97) enuncia que:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>[...] o epistemicídio é, para além da anulação e desqualificação do conhecimento dos povos subjugados, um processo persistente de produção da indigência cultural: pela negação ao acesso a educação, sobretudo de qualidade; pela produção da inferiorização intelectual; pelos diferentes mecanismos de deslegitimação do negro como portador e produtor de conhecimento e de rebaixamento da capacidade cognitiva pela carência material e/ou pelo comprometimento da autoestima pelos processos de discriminação correntes no processo educativo.</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Assim, considerando o exposto, sopesamos que o viés epistemicida foi disseminado por meio do pensamento moderno ocidental, atingiu diversos grupos étnicos e nações e afetou diretamente a produção científica em todo o mundo. </p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santos (2007</xref>) caracteriza o pensamento moderno ocidental como um pensamento abissal. Esse pensamento se configura em distinções visíveis e invisíveis. As invisíveis são estabelecidas por linhas que dividem a realidade social em dois universos: o “deste lado da linha” (ocidental) e o do “outro lado da linha”. As distinções visíveis dizem respeito à tensão entre as regulações e as emancipações sociais. Em síntese, o autor considera que o pensamento moderno ocidental tem tratado, de modo abissal, pensamentos não ocidentais. </p>
			<p>Nesse sentido, conhecimentos produzidos fora do âmbito hegemônico europeu e norte-americano são, em linhas gerais, equivocadamente tratados como de segunda grandeza ou subvalorizados.</p>
			<p>No contexto da Ciência da Informação, os estudos têm evidenciado pouca produção atinente as questões raciais, em âmbito geral e específico. Em âmbito geral, destacamos os resultados da pesquisa desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ortolan (2017</xref>), que afirmou que os estudos sobre a população negra são poucos na área. O tema foi pesquisado na <xref ref-type="bibr" rid="B4">BRAPCI (c2023</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, entre 1979 e 2014, por meio do termo “negro”, e só foram encontradas 36 publicações com grandes lapsos temporais entre si. <xref ref-type="bibr" rid="B35">Valério, Bernardino e Silva (2012</xref>) realizaram um estudo anteriormente a este a respeito da produção científica que versa sobre as questões raciais, com foco na população afrodescendente, nos anais do ENANCIB, nos anos de 2005-2010, e constataram que poucas são as pesquisas que abordam as questões raciais com ênfase na população negra. Eles enunciaram que muitos/as pesquisadores/as têm como foco os temas “universais”, o que ocasiona um distanciamento dos temas atinentes à população afrodescendente no país.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) empreendeu um estudo na BRAPCI em busca de pesquisas sobre a população negra, que abrangeu o período de 1972 a 2019, em que utilizou os termos: negro/a, pretos/as, cotas, ações afirmativas, raça, etnia e informação étnico-racial. Os resultados não foram animadores. De um universo de 19.225 estudos, apenas 87 tratavam da população negra. Esse número correspondia apenas a 0,45% dos trabalhos, demonstrando uma quantidade ínfima em relação ao universo abordado.</p>
			<p>Antes de partir para o ENANCIB, destacamos outro aspecto que pode ajudar a explicar a baixa quantidade de pesquisas sobre a população negra na Ciência da Informação. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) constatou que, entre 2018 e 2019, apenas 31,25% dos Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação adotaram políticas de ações afirmativas em seus editais de seleção para se ingressar no Mestrado e no Doutorado. O cenário exposto é completamente desfavorável a uma boa representatividade negra na área, porque essa é uma área de pós-graduação. Cabe salientar que uma pesquisa mais aprofundada é necessária, com vistas a verificar como são delineados os editais e as resoluções gerais das universidades.</p>
			<p>Em se tratando do ENANCIB, apresentamos resultados de uma dissertação de Mestrado acerca do tema desenvolvido pelo autor deste estudo. Os dados evidenciaram uma baixa representatividade dos estudos sobre a população negra nos anais do ENANCIB. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) fez um levantamento de estudos sobre a população negra, entre 1994 e 2019, e só contabilizou 40 estudos em um universo de 4.139 trabalhos. O <xref ref-type="fig" rid="f1">gráfico abaixo </xref>detalha esses dados.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Gráfico 1 - </label>
					<caption>
						<title>Publicações sobre a população negra nos ENANCIBs</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1808-5245-emquestao-29-e-124693-gf1.jpg"> </graphic>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Esse é um número tímido de trabalhos, se considerarmos a importância do tema, haja vista que a população negra é maioria no Brasil. Para aumentar a revocação de estudos, o levantamento feito por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) contemplou todas as modalidades de trabalho disponíveis. Para isso, buscou, nos títulos, nos resumos e nas palavras-chave, os seguintes termos: negro(a), afrodescendentes, pretos(as), população negra, cotas, ações afirmativas, raça, etnia, preconceito racial, discriminação racial, racismo, movimento negro e informação étnico-racial. No <xref ref-type="table" rid="t1">quadro abaixo</xref>, apresentamos os títulos dos trabalhos, os anos em que foram publicados e os grupos de trabalho em que foram inseridos. </p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1-</label>
					<caption>
						<title>Trabalhos acerca da população negra no ENANCIB (1994-2019)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">TÍTULO DOS TRABALHOS</th>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">ANO</th>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">GT</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Para além dos discursos: imagens de inclusão social/racial na sociedade do conhecimento</italic></td>
								<td align="center">2005</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A organização do etnoconhecimento: a representação do conhecimento afrodescendente em religião na CDD</italic></td>
								<td align="center">2007</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>As redes de informação no cenário da imigração caboverdiana no Rio de Janeiro no século XX</italic></td>
								<td align="center">2007</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A inclusão de afrodescendentes nas políticas de informação: por uma compreensão da diversidade cultural</italic></td>
								<td align="center">2008</td>
								<td align="center">05</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Tecnologia e inovações no trabalho e no uso da informação: análise de bibliotecas universitárias na África do Sul, Brasil e Moçambique</italic></td>
								<td align="center">2010</td>
								<td align="center">06</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Informação, imagem e memória: uma análise de discurso em jornais da imprensa negra da Biblioteca da Universidade Federal do Ceará - Campus Cariri</italic></td>
								<td align="center">2010</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Memória, informação e identidade negra na biblioteca pública</italic></td>
								<td align="center">2010</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A organização e a representação do conhecimento em religiões de matrizes africanas: um estudo comparativo dos diferentes sistemas de organização do conhecimento (CDD, CDU e lCSH)</italic></td>
								<td align="center">2011</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Mitos da Cultura Africana: elementos de informação e preservação da memória na Comunidade Quilombola Alcantarense de Itamatatiua</italic></td>
								<td align="center">2011</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>O Processo de Organização da Informação Etnicorracial para Preservação da Memória Afrodescendente em Bibliotecas Universitárias: um olhar nos catálogos on line</italic></td>
								<td align="center">2011</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A biblioteca pública na (Re) construção da Identidade Negra</italic></td>
								<td align="center">2011</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A informação étnico-racial na perspectiva da Organização de Mulheres Negras da Paraíba - Bamidelê</italic></td>
								<td align="center">2012</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A representação de negros na memória iconográfica de universidades públicas da Paraíba</italic></td>
								<td align="center">2012</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A valorização da cultura afrodescendente nas políticas de preservação do patrimônio: o exemplo do CRAV</italic></td>
								<td align="center">2012</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Informação Étnico-Racial em Blogs: Preservando a Memória e Construindo a Identidade</italic></td>
								<td align="center">2013</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Tesauro Afro-Brasileiro: Uso estratégico para Organização e Recuperação de Informação</italic></td>
								<td align="center">2014</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Memória da População Negra e Informação Étnico-Racial: Percebendo Limites</italic></td>
								<td align="center">2014</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Memória, Informação e Patrimônio Afro-Brasileiro em Minas Gerais</italic></td>
								<td align="center">2014</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Informação Étnico-Racial: Proposta de Glossário sob a égide da Semântica Discursiva</italic></td>
								<td align="center">2015</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>O negro e a mediação: a Ciência da Informação como campo de discussão étnico-racial</italic></td>
								<td align="center">2015</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Lei 10.639/03 no diretório dos grupos de pesquisa registrados no CNPQ</italic></td>
								<td align="center">2015</td>
								<td align="center">07</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Bamidelê: Preservando a Informação Étnico-Racial para o fortalecimento da Memória Cultural das Mulheres Negras Da Paraíba</italic></td>
								<td align="center">2016</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Apropriação, Disseminação e Democratização da Informação Étnico-racial na Organização de Mulheres Negras da Paraíba - Bamidelê</italic></td>
								<td align="center">2017</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>As Temáticas Africanas e Afro-Brasileiras em Biblioteconomia e Ciência da Informação</italic></td>
								<td align="center">2017</td>
								<td align="center">06</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Biblioteca Pública e a Promoção da Cultura e Identidade de Remanescentes Quilombolas: o projeto Pontos de Leitura Ancestralidade Africana no Brasil</italic></td>
								<td align="center">2018</td>
								<td align="center">05</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>As Bibliotecas Públicas e a Importância da Formação e Desenvolvimento dos Acervos de Literatura Afro-Brasileira</italic></td>
								<td align="center">2018</td>
								<td align="center">06</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Branquitude nas Práticas Docentes em Biblioteconomia e Ciência da Informação: Notas Teórico-Críticas sobre um Ensino no Âmbito do Preconceito Racial</italic></td>
								<td align="center">2018</td>
								<td align="center">06</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Objetos, Coisas e Memória Popular sobre o Negro Escravo na Paraíba nos Inéditos de Ademar Vidal</italic></td>
								<td align="center">2018</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Memória Afro-Brasileira e Indígena: Pesquisa da Produção Científica em Ciência da Informação</italic></td>
								<td align="center">2018</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>O Feminismo Negro no contexto da Representação do Conhecimento: Abordagens da Representatividade Social</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Abordagens Socioculturais na Organização do Conhecimento: Subsídios Teóricos para Representação da Cultura Afro-Brasileira</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Organização do Conhecimento e a Filosofia do Pluralismo Religioso no Contexto das Religiões de Matrizes Africanas</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Em busca do Protagonismo Negro na Ciência da Informação</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Circulação de Informação Étnico-Racial no Conselho de Políticas Públicas</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Projeto Observatório do Racismo e da Informação</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">05</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Biblioteconomia Negra Brasileira: Caminhos, Lutas e Transformação</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">06</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Coleção Mocquerys de Armas Africanas: Vida e Sobrevida no Museu Nacional</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Epistemologias Comunitárias: Arquivo e Performatividades na Arte Contemporânea de Autoria Negra</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">10</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>A Saúde da Mulher Negra em Foco: Análise da Produção Científica na BDTD</italic></td>
								<td align="center">2019</td>
								<td align="center">11</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p>Fonte: Adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>).</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Podemos perceber uma diversidade temática nos trabalhos recuperados, com várias possibilidades de se desenvolverem pesquisas acerca da população negra no contexto da Ciência da Informação. Outro ponto destacado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) diz respeito ao corpo autoral dos estudos recuperados. Foram 29 primeiros/as autores/as diferentes, porém apenas sete foram coautores/as em outros estudos. O corpo autoral das pesquisas acerca da população negra no ENANCIB tem um protagonismo feminino - 17 autoras e 12 autores. O <xref ref-type="table" rid="t2">quadro abaixo</xref> detalha esse cenário.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2-</label>
					<caption>
						<title>Destrinchando o corpo autoral nos anais do ENANCIB (1994-2019)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">AUTORES/AUTORAS</th>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">PUBLICAÇÕES AUTOR/A</th>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">PUBLICAÇÕES CO- AUTOR/A</th>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">INSTITUIÇÃO</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">Doutora. Mirian de Albuquerque Aquino</td>
								<td align="center">02</td>
								<td align="center">07</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutoranda Franciéle Carneiro Garcês da Silva</td>
								<td align="center">04</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Federal de Minas Gerais</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutoranda Leyde Klebia Rodrigues da Silva</td>
								<td align="center">03</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba e Universidade Federal do Rio de Janeiro</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutor Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda</td>
								<td align="center">03</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutoranda Graziela dos Santos Lima</td>
								<td align="center">02</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Estadual Paulista</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Francilene do Carmo Cardoso</td>
								<td align="center">02</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal Fluminense</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutor Rubens Alves da Silva</td>
								<td align="center">02</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal de Minas Gerais </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Vanessa Alves Santana</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutora Izabel França de Lima</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestrando Jobson Francisco da Silva Júnior</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutorando Artur Monteiro Bento</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutor Manuel Valente Mangue</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestra Ariluci Goes Elliott</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Ceará</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestra Cleyciane Cássia Pereira</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Ana Roberta Sousa Mota</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutoranda Aline Pinheiro Brettas</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal de Minas Gerais </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Maria Antonia de Sousa</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestrando Fernando Cruz Lopes</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Estadual de Londrina</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Nicácia Lina do Carmo</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal de Pernambuco</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutorando Marcio Ferreira da Silva</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Estadual Paulista</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Especialista Graciele dos Santos Ferreira</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutorando Gustavo Tanus</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal do Rio Grande do Norte</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutorando Fabiano Cesar de Mendonça Vidal</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestrando Francisco Sávio da Silva</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestranda Vanessa Jamile Santana dos Reis</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Bahia</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Mestrando Felipe Arthur Cordeiro Alves</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal da Paraíba</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutor Erinaldo Dias Valério</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal de Goiás</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Especialista Rachel Correa Lima</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Museu Nacional</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Doutora Janaina Barros Silva Viana</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">Universidade Federal de Minas Gerais</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN2">
							<p>Fonte: Adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>).</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Antes de analisar os dados, precisamos fazer algumas ponderações. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) focou sua análise do corpo autoral considerando o número de participações em pesquisas como primeiro/a autor/a e coautor/a. A Dra. Mirian Aquino foi a pesquisadora que mais contribui com os estudos sobre a população negra no ENANCIB no recorte da pesquisa. No tocante à filiação institucional, levou-se em consideração a instituição a que a pessoa pesquisadora estava vinculada, no ano da publicação, com base em dados dos respectivos currículos <italic>lattes.</italic> No que concerne à titulação, foi considerado o status do/a pesquisador/a no momento da publicação. </p>
			<p>O grande destaque no corpo autoral é o protagonismo negro. Nesse sentido, a mediação exercida por esse conjunto de autores(as) é disposta como epicentro do protagonismo social negro no ENANCIB, o que favorece e fomenta novas discussões a respeito da população negra na Ciência da Informação.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) deu ênfase aos/às dez primeiros/as autores/as do quadro, porque foram os/as que mais contribuíram com estudos que abordam a população negra no ENANCIB no período em questão. Na ocasião, discorreu-se brevemente sobre a pessoa pesquisadora, sua trajetória acadêmica e as contribuições científicas para a área, no que concerne ao combate ao racismo e outras pautas da comunidade negra. A título de exemplificação, em virtude dos limites deste estudo, discorreremos brevemente sobre algumas contribuições das três pesquisadoras que mais contribuíram com o tema no ENANCIB: Mirian de Albuquerque Aquino, Franciéle Carneiro Garcês da Silva e Leyde Klebia Rodrigues da Silva. </p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>), a professora Mirian de Albuquerque Aquino foi a percussora dos estudos acerca da população negra na Ciência da Informação, abrindo caminhos e inspirando pesquisas sobre a temática. No ENANCIB, apresentou nove pesquisas. O autor constatou que grande parte de suas pesquisas eram desenvolvidas com seus/as orientandos/as, que continuaram a desenvolver estudos sobre esse tema. Além disso, a professora atuou como coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Informação, Educação e Relações Etnico-raciais (NEPIERE), que agrega o Grupo de Estudos “Integrando Competências, Construindo Saberes, Formando Cientistas” (GEINCOS). No primeiro estudo acerca da população negra no ENANCIB, em parceria com sua orientada, Vanessa Alves Santana, a autora asseverou:</p>
			<p><disp-quote>
				<p>A emergência de contradiscursos nos fóruns sociais, nas conferências, na produção acadêmica, na pluralidade de vozes de intelectuais afrodescendentes, nos movimentos sociais e nas pressões ao governo pouco tem reduzido a desigualdade nas relações entre brancos e negros. As resistências às políticas de ações afirmativas implementadas nesses últimos anos, em nível nacional, ainda se encaminham na perspectiva de silenciar a população negra na sua qualidade de cidadãos/cidadãs (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AQUINO; SANTANA, 2005</xref>, p. 2).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>A pesquisadora Franciéle Carneiro Garcês da Silva participou de cinco pesquisas sobre a população negra no ENANCIB no recorte da pesquisa. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) afirma que a autora se interessa pelas questões étnico-raciais, desde a graduação, e destaca sua atuação na coordenação do selo <italic>NYOTA</italic>, que objetiva disseminar pesquisas produzidas por mulheres, negros/as, indígenas e outros grupos que desejem divulgar suas descobertas científicas e experiências para a comunidade em geral. Destacam-se os seguintes livros publicados pelo selo: <italic>Bibliotecários negros</italic>, todas as edições; <italic>O protagonismo da mulher na Biblioteconomia</italic>; <italic>Epistemologias Negras: relações raciais na Biblioteconomia</italic>; <italic>Mulheres negras na Biblioteconomia</italic>, entre outros. <xref ref-type="bibr" rid="B32">Silva e Saldanha (2019</xref>) consideram necessário introduzir temas africanos e afro-brasileiros na desafiadora formação do/a profissional da informação. Para a autora, o/a profissional da informação precisa ser mais sensível e respeitoso à diversidade étnico-racial dos/as frequentadores/as das unidades de informação.</p>
			<p>A pesquisadora Leyde Klebia Rodrigues da Silva participou quatro vezes de pesquisas sobre a população negra no ENANCIB, conforme recorte da pesquisa. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) refere que a autora possui significativo engajamento na luta antirracista e na militância em favor dos direitos da comunidade negra. Foi orientanda da professora Mirian de Albuquerque Aquino, na Graduação em Biblioteconomia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e no Mestrado em Ciência da Informação na mesma universidade. Desenvolve trabalhos que tratam das questões étnico-raciais, como docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), nos três âmbitos universitários, e defende a democratização do acesso à informação como ferramenta de redução das desigualdades sociais. <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva <italic>et al</italic>. (2016</xref>) asseveram que a informação não deve ser restrita a determinado grupo, logo, diversos setores sociais devem oferecer condições para que todos os grupos sociais possam acessá-la. No Brasil, grande parte da população negra não tem acesso à informação, no que diz respeito à sua contribuição para a formação histórica e cultural do Brasil.</p>
			<p>Outro ponto destacado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>) concerne à filiação institucional do corpo autoral no momento das publicações no ENANCIB, em que a UFPB se sobressaiu, pois, onze autores/as estavam vinculados/as a ela nessas ocasiões. Outras instituições também se destacaram: a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) com, respectivamente, quatro, três, três e dois/duas autores/as. </p>
			<p>Embora os resultados expostos demonstrem uma baixa representatividade da população negra nas pesquisas do ENANCIB, corroboramos as ponderações apresentadas por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>). Na última década, houve um crescimento tímido das pesquisas que tratam desse tema e uma valorização desses estudos. O autor destaca que seis trabalhos acerca da população negra foram premiados em seus respectivos grupos de trabalho (GTs) desde 2010, demonstrando uma abertura e valorização do tema por parte do evento. O <xref ref-type="fig" rid="f2">gráfico abaixo</xref> expõe a evolução dos estudos ao longo da realização do ENANCIB.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Gráfico 2 -</label>
					<caption>
						<title>Publicações sobre a população negra no ENANCIB por ano</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1808-5245-emquestao-29-e-124693-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>É possível observar, mediante os dados apresentados, que o tema ainda não é central na área, pois, durante as cinco primeiras edições do evento, houve um silenciamento epistêmico, seguido de uma alternância entre poucas publicações por edição, nenhuma publicação por evento e um crescimento tímido nos últimos anos. Essa falta de constância do tema no evento é um sinal de silenciamento epistêmico negro no evento. A última edição do ENANCIB analisada 2019 foi a que mais reuniu estudos sobre a população negra. Não foi possível verificar se a tendência de crescimento e de valorização do tema seria mantida nas próximas edições, porque, em virtude da pandemia global do coronavírus, o evento não foi realizado até então. </p>
			<p>Destaca-se, no movimento de reconhecimento e de visibilidade do tema, um movimento de pesquisadores/as da área que culminou na criação de um GT específico para se discutir sobre as questões étnico-raciais. O GT 12 - “Informação, Estudos Étnico-raciais, Gênero e Diversidades” - que foi aprovado com louvor e por unanimidade na Assembleia Geral da ANCIB, que ocorreu na XXIª edição do ENANCIB, mais precisamente, no dia 27 de outubro de 2021. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>), os/as pesquisadores/as enfrentavam algumas dificuldades para inserir pesquisas acerca da população negra no evento. No período anterior à criação do GT 12, pesquisadores/as que desenvolvem estudos sobre a comunidade negra precisavam adequar suas pesquisas para que fossem inseridas em um dos onze grupos de trabalho do evento. O segundo ponto diz respeito ao alto custo financeiro para participar do evento - inscrição, transporte, alimentação e estadia nos dias do encontro.</p>
			<p>No <xref ref-type="table" rid="t3">gráfico abaixo</xref>, apresentamos, com base nos dados de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves (2021</xref>), os trabalhos referidos divididos por GT.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Gráfico 3 -</label>
					<caption>
						<title>Trabalhos por GT no ENANCIB</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1808-5245-emquestao-29-e-124693-gf3.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>De acordo com o gráfico, os GTs com a maior concentração de estudos sobre a população negra são o GT 10, o GT 02 e o GT 03 com, respectivamente, 14, 08 e 06 trabalhos cada. Convém ressaltar o número pequeno de estudos nesse contexto nos demais GTs e, até a inexistência de trabalhos em alguns deles. </p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">Martins (2014</xref>) afirma que outros eventos assumem suas temáticas de forma mais restrita, mas o ENANCIB é o principal evento da Ciência da Informação que reúne e divulga as produções científicas da área. Em consonância com a autora, detalhamos os grupos de trabalho expostos no <xref ref-type="fig" rid="f3">gráfico 3</xref>, a saber:</p>
			<p>
				<list list-type="simple">
					<list-item>
						<p>GT 01 - Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 02 - Organização e Representação do Conhecimento; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 03 - Mediação, Circulação e Apropriação da Informação; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 04 - Gestão da Informação e do Conhecimento; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 05 - Política e Economia da Informação; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 06 - Informação, Educação e Trabalho; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 07 - Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia &amp; Inovação; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 08 - Informação e Tecnologia; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 09 - Museu, Patrimônio e Informação; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 10 - Informação e Memória; </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>GT 11 - Informação e Saúde.</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>O GT 12, mencionado anteriormente, teve como primeira coordenadora a Professora Dra. Izabel França de Lima - PPGCI/UFPB - e como coordenadora adjunta, a Professora Dra. Maria Aparecida Moura - PPGCI/UFMG. Ambas são conhecidas por seu engajamento e pela luta pelas questões sociais de raça, gênero e diversidades.</p>
			<p>No quadro abaixo, apresentamos a ementa do GT 12, que discorre sobre os principais temas contemplados no grupo de trabalho.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Quadro 3-</label>
					<caption>
						<title>Ementa<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> do GT 12 do <xref ref-type="bibr" rid="B9">ENANCIB (2022</xref>)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" style="background-color:rgb(192,80,77)">Grupo de Trabalho - Informação, Estudos Étnico-raciais, Gênero e Diversidades </th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">Estudos teóricos e aplicados em informação sobre raça, classe, gênero, sexualidades e interseccionalidades. Teorias Críticas, Culturais, Racial, Feministas e Queer. Correntes teóricas, escolas de pensamento, bases metodológicas-conceituais e aplicações técnico- científicas dos estudos étnico-raciais, de gênero e de diversidade. Teorias, discursos, saberes, atividades científicas e profissionais em ambientes informacionais comunitários, populares e organizacionais. Relações sociais, de poder e resistências. Epistemicídio, violências e insurgências. Estudos Pós-Coloniais, Decoloniais e Anticoloniais. Estudos Críticos da Branquitude. Justiça Social, Informacional, Racial e de Gênero.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN3">
							<p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>A desarticulação do epistemicídio negro perpassa também a valorização e o reconhecimento da importância desses estudos que, de certo modo, já começou com as premiações de alguns trabalhos em seus GTs. Outro ponto importante é a discussão acerca das ações afirmativas nos editais de ingresso nos Mestrados e nos Doutorados dos Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCIs) do país. Por qual motivo alguns programas adotam e outros não? É importante refletir sobre isso.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gomes (2018</xref>) assevera que a presença de corpos negros em lugares de conhecimento muda radicalmente o ambiente escolar e o universitário, não apenas por causa da participação quantitativa, da corporeidade e dos diferentes níveis econômicos, mas também, principalmente, dos valores, das cosmovisões e das representações que passam a fazer parte do campo do conhecimento. </p>
			<p>O caminho para desconstruir o epistemicídio negro no ENANCIB ou em qualquer ambiência não é fácil. Logo, não é possível resolver esse problema com truísmos ou receitas prontas. A desarticulação do epistemicídio negro, em qualquer seara, não cabe em respostas simples, porquanto se trata de um fenômeno denso e complexo. Neste estudo, primeiramente, mostramos sucintamente como surgiu o epistemicídio e seus pontos de partida e, posteriormente, as evidências de epistemicídio negro nas poucas produções no ENANCIB. Evidenciou-se também os avanços verificados com a aumento paulatino de produções nas últimas edições, o reconhecimento do tema nas premiações nos GTs e a criação do GT12. Em respeito aos limites do estudo, não o consideramos como compreensão máxima do problema, mas como uma contribuição parcial do ponto de partida desse fenômeno e sua configuração no maior evento da área no Brasil, o ENANCIB.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5 Algumas considerações</title>
			<p>Respeitando os limites da pesquisa, que está longe de ser um ponto final na questão do epistemicídio negro na área, os resultados indicaram que é preciso um número maior de estudos sobre a população negra no contexto do ENANCIB, para desconstruir os reflexos do epistemicídio negro no evento. Nesse sentido, é necessário ponderar que não é uma questão meramente quantitativa que resolve a questão do epistemicídio negro no evento, mas uma questão de vigilância epistêmica, em que o fenômeno é avaliado permanente e continuamente. </p>
			<p>Um significativo avanço no enfrentamento ao epistemicídio negro no ENANCIB foi a criação do GT12. Uma das primeiras questões que um GT específico para discussões étnico-raciais no ENANCIB pode resolver é a eliminação de lapsos temporais entre eventos com publicações e sem publicações a respeito desse tema. De acordo com os dados apresentados no gráfico 2, o tema não figurou no evento em oito das vinte edições realizadas, ou seja, 40%. Isso implica dizer que, em média, a cada dez eventos, em quatro edições não houve publicações sobre a população negra. Isso denota um cenário flagrante de epistemicídio negro que pode e precisa ser desconstruído.</p>
			<p>É importante salientar que, no ENANCIB, o epistemicídio negro não é apenas uma questão quantitativa ou bibliométrica, mas também da representatividade da maioria da população brasileira no contexto do maior evento da Ciência da Informação no Brasil. A quantidade pequena de trabalhos descritos na pesquisa é um sinal de que é preciso dar um salto qualitativo e quantitativo na discussão a respeito do epistemicídio negro na Ciência da Informação. Convém enfatizar que o aumento do número de pesquisas a respeito da população negra, na Ciência da Informação, deve ser acompanhado do fomento ao debate acerca do racismo e do epistemicídio na área. </p>
			<p>Consideramos importante, ainda, que as questões étnico-raciais estejam presentes nos Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação e nos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia, a fim de que os/as cientistas da informação e os/as futuros/as profissionais da informação tenham subsídios teóricos e práticos para desnaturalizar e enfrentar o racismo. </p>
			<p>Embora o ENANCIB seja um evento bastante representativo da área, é necessário investigar o epistemicídio negro em outras fontes no contexto da Ciência da Informação, bem como as ações de resistência existentes e delineadas na área. Assim, tendo em vista os limites deste estudo, o autor ea autora desse estudo, o coloca como uma perspectiva para o desenvolvimento de pesquisas futuras. Nessa perspectiva, enfrenta o epistemicídio negro, no contexto da Ciência da Informação, é mais do que uma questão epistemológica. É, na verdade, uma questão ético-moral, que em que se visa fazer justiça ao silenciamento imposto à comunidade afrodescendente brasileira.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Sílvio Luiz de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Racismo estrutural</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Pólen</publisher-name>
					<year>2019</year>
				</element-citation>
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					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Felipe Arthur Cordeiro</given-names>
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					</person-group>
					<source>A mediação da informação como epicentro do protagonismo social negro: do epistemicídio à [des]colonialidade</source>
					<year>2021</year>
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							<surname>AQUINO</surname>
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							<surname>SANTANA</surname>
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					<source>Para além dos discursos: imagens de inclusão social/racial na sociedade do conhecimento</source>
					<conf-name>ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 6</conf-name>
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					<source>A construção do outro como não-ser como fundamento do ser</source>
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					<year>2012</year>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>A BRAPCI é a Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação. É uma das principais bases de dados da área do país.</p>
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			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Quadro feito com base em informações da vigésima segunda edição do ENANCIB. </p>
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				<label>Financiamento</label>
				<p> O primeiro autor do estudo é financiado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB).</p>
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