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Cariri Paraibano: Turismo em Cabaceiras, Pernambuco

Cariri Paraibano: Tourism in Cabaceiras, Pernambuco

JOAB JORGE LEITE DE MATOS JÚNIOR
Universidade Federal de Campina Grande, Brasil
AMANDA THAISA DOS SANTOS
Universidade Federal de Campina Grande, Brasil
RENATA TOMAZ VIEIRA DIAS
Universidade Federal de Campina Grande, Brasil
ARIADNE SOARES MEIRA
Universidade Federal de Campina Grande, Brasil
JOSÉ WALLACE BARBOSA NASCIMENTO
Universidade Federal de Campina Grande, Brasil

Cariri Paraibano: Turismo em Cabaceiras, Pernambuco

Rosa dos Ventos, vol. 9, núm. 1, pp. 120-132, 2017

Universidade de Caxias do Sul

Recepção: 27 Outubro 2016

Aprovação: 27 Dezembro 2016

Resumo: A caprinocultura é um dos principais da economia do Nordeste brasileiro, tendo em vista seu potencial de aproveitamento, do leite ao couro, tendo patas e chifres como subprodutos. Tendo em vista esta potencialidade, a presente pesquisa buscou contextualizar a atividade no município de Cabaceiras, PB, no seu aspecto social e modificações causadas ao ambiente, sugerindo intervenções estruturais arquitetônicas e paisagísticas, para ampliação da atividade coureira e inserção da atividade turística, na região.

Palavras-chave: Turismo, Paisagem , Artesanato, Roteirização, Cabaceiras, Pernambuco, Brasil.

Abstract: The goats production is one of the main elements that drive the economy of northeastern Brazil, in view of their full utilization that goes from the extracted milk to leatherback, legs and horns taken as by-products. In view of this leather production potential, this research brings up and shows the activity of goat raising in the municipality of Cabaceiras, Pernambuco, its social aspect and the changes caused by this activity on the environment, suggesting architectural and landscape structural interventions to expand leather production activity and inclusion of tourism in the region.

Keywords: Tourism, Landscape, Crafts, Cabaceiras, Pernambuco, Brazil.

INTRODUÇÃO

A caprinocultura é uma das práticas pecuárias mais antigas do Brasil, cuja origem remonta aos primeiros tempos da ocupação portuguesa, no século XVI. Ela ocorre em todas as cinco grandes regiões do país, porém é mais presente no Nordeste, o que não se dá por pura preferência (IBGE, 2016). Entre alguns dos fatores favoráveis à caprinocultura no Nordeste estão: a baixa necessidade de capital inicial, a capacidade de acumulação de renda em pequena escala, o elevado potencial de geração de ocupações produtivas, a fácil apropriação sociocultural, e a oferta de produtos com grande apelo em novos mercados (Batista, 2015). Dados do IBGE afirmam que no Brasil, até meados do ano de 2015, existiam 8,8 milhões de cabeças de caprinos; deste montante, 93% criadas e manejadas no Nordeste brasileiro, muito embora o maior consumidor de carne caprina seja a região Sudeste do Brasil, onde esta é apreciada como iguaria.

Teles (2014) concorda que no manejo de caprinos para corte, o couro é tido como subproduto, mas largamente aproveitado na confecção artefatos, principalmente para vaqueiros que atuam no semiárido nordestino. A pele, ainda que considerada um subproduto da exploração pecuária, tem valor muito representativo quando comparado com o valor de venda da carcaça do animal, que pode ser contabilizada como lucro se for de boa qualidade extrínseca e intrínseca (Jacinto, 2006). Os preços dos produtos derivados dos couros oriundos dos caprinos e ovinos têm atingido valores mais significativos, sendo um incremento de até 14% no lucro final do animal abatido, razão porque novos empresários estão aderindo à atividade. Com nova mentalidade incorporada aos sistemas produtivos, certamente o mercado das peles e couros sofrerá um incremento exponencial, uma vez que matéria-prima de qualidade e em maiores quantidades será colocada à disposição das indústrias (Jacinto et al, 2005).

Situado a 14 km do centro do município de Cabaceiras, o distrito de Ribeira tem o couro como principal fonte de renda, pois a venda dos diversos artefatos confeccionados manualmente por artesãos locais se destaca em toda a região. Na localidade, estes profissionais, se mobilizam através da Arteza [Cooperativa dos Curtidores e Artesãos em Couro] para comercialização dos produtos e contato com entidades gestoras, como o Sebrae. Tendo em vista esta potencialidade coureira, o presente trabalho traça o ‘caminho do couro’ como potencialidade de roteirização turística no distrito de Ribeira, PB, propondo melhorias no que diz respeito modificações na paisagem rural local, onde há desde a produção e manejo dos caprinos, passando pelo curtimento do couro, confecção dos artefatos e culminando na Festa do Bode, onde o animal é evidenciado e reverenciado por quem tira dele o seu sustento.

CAPRINOCULTURA, PAISAGEM E TURISMO

A criação de caprinos, seja para abate, puro sangue [P.O.] ou produção de leite, destaca-se pela sua produtividade e por sua capacidade de adaptação, sendo uma das atividades mais comuns no Nordeste brasileiro, principalmente no Cariri. Apesar de ser um animal exótico, o caprino encontrou na região Nordeste condições satisfatórias para desempenhar seu desenvolvimento, ou seja, condições favoráveis a sua condição de vida e sua procriação (Jesus Junior et al, 2008).

Existe uma ampla oportunidade de negócio a ser conquistada pelos caprinocultores brasileiros, principalmente com relação às peles, em face de um mercado consolidado com grande aceitação no mercado interno como também no exterior, apesar dos problemas enfrentados pela indústria devido à qualidade das peles. O Brasil tem um proeminente mercado em potencial para produtos derivados das peles de pequenos ruminantes, uma vez que estas apresentam características favoráveis para a produção de calçados, acessórios e vestuário em quantidades suficientes para suprir a demanda interna e gerar excedentes exportáveis (Leite, 2003).

As instalações construídas para dar suporte à caprinocultura no que tange a lida com os animais são denominadas de apriscos. Estas, por sua vez, para cumprir essa finalidade necessitam que, na sua construção, alguns pontos sejam levados em consideração. De acordo com Medeiros et al. (1994), seu tamanho deve atender ao número de animais e ao objetivo da exploração. Um bom aprisco deve possuir no mínimo divisórias para cabras em estado adiantado de gestação, cabras recém-paridas, animais em reprodução e desmamados, de maneira que o produtor tenha maior controle sobre o rebanho (Figura 1). Alves e Pinheiro (2002) comentaram que em uma instalação, a localização, sua orientação e os cuidados higiênicos rotineiros, podem minimizar ou predispor os animais às doenças, dessa forma, nos projetos de instalações, devem ser observados, no mínimo, a ventilação, temperatura e umidade relativa do ar da região, além da capacidade de lotação.

Dessa forma essas construções irão causar certo impacto na paisagem dos locais onde forem construídas, seja pelo material utilizado, orientação, medições, enfim por qualquer que seja a especificidade desta. Lucena et al (2006), em estudo para determinar a tipologia dos apriscos do cariri paraibano, encontraram dados relevantes quanto a essas construções. Independentemente do grau de adoção de tecnologia da propriedade, ou do material a ser utilizado para edificar essa construção, existirão modificações na paisagem natural da região, e por esta razão é interessante que se observe esses detalhes e que se planeje bem para que se possam coexistir a paisagem natural e o desenvolvimento dessa atividade, sem que uma fade a outra ao fracasso.

Aprisco para criação de
pequenos ruminantes
Figura 1
Aprisco para criação de pequenos ruminantes
Google

Por ter a vegetação nativa árvores de porte médio, com folhas pequenas e a ausência de gramíneas, a paisagem no entorno é um tanto acinzentada, sendo esse tom característico trazido pela seca que acomete atualmente a localidade, quebrado pelo verde das juremas e juazeiros e do solo classificado como Podizol Lico vermelho amarelo, que segundo a AESA (2016) é ideal para plantio de lavouras, porém, a baixa pluviosidade não auxilia na floração de diversos cultivares (Figura 2).

Vegetação paisagística no caminho do Distrito da Ribeira
Figura 2
Vegetação paisagística no caminho do Distrito da Ribeira
Os autores

A vegetação da Caatinga apresenta alta resistência à seca, devido a diferentes mecanismos e sua anatomia e fisiologia. Dentre estes se destacam os xilopódios [tubérculos], raízes pivotantes ou superficiais; caules suculentos clorofilados, folhas modificadas [feito espinho], folhas cerificadas, folhas pequenas e caducas, mecanismos especiais de abertura e fechamento de estômatos, dentre outros [Figura3 e 4]. No geral, a vegetação da Caatinga tem porte arbóreo baixo ou arbóreo arbustivo, apresentando, em alguns trechos de serras, uma densidade alta, porém na maior parte das áreas a vegetação já foi devastada pelo homem, sendo a paisagem caracterizada pelos solos expostos e erodidos. A vegetação natural é explorada na produção de pastagens para pecuária extensiva, na produção de lenha, no fabrico de carvão vegetal e na exploração de madeira para construção civil (Sousa, 2007).

O distrito de Ribeira (Figura 5), localizado a oeste do município de Cabaceiras, começou o seu povoamento no fim do século XVIII, com a instalação de fazendas de gado e algodão às margens do rio Taperoá, onde, ao longo dos anos, cresceu formando outras comunidades em suas vizinhanças. No início do século XX, duas atividades se destacaram e, na atualidade, marcam a economia da região: a cultura do alho e o artesanato em couro. A primeira iniciou-se no Sítio Barro Branco pela família Pereira, em 1910, enquanto a segunda, pela artesã Antônia Maria de Jesus, Totonha Marçal, matriarca da família Marçal de Farias.

Vegetação nativa no
Distrito da Ribeira
Figura 3 e 4
Vegetação nativa no Distrito da Ribeira
Os autores

O distrito de Ribeira (Figura 5), localizado a oeste do município de Cabaceiras, começou o seu povoamento no fim do século XVIII, com a instalação de fazendas de gado e algodão às margens do rio Taperoá, onde, ao longo dos anos, cresceu formando outras comunidades em suas vizinhanças. No início do século XX, duas atividades se destacaram e, na atualidade, marcam a economia da região: a cultura do alho e o artesanato em couro. A primeira iniciou-se no Sítio Barro Branco pela família Pereira, em 1910, enquanto a segunda, pela artesã Antônia Maria de Jesus, Totonha Marçal, matriarca da família Marçal de Farias.

A arquitetura encontrada neste distrito foi formulada com a influência da chegada dos portugueses a região, trazendo a cultura religiosa, as festas e também a arquitetura. A urbanística portuguesa – através da sua teoria, mas fundamentalmente através da sua prática – teve uma influência determinante no desenvolvimento de formas, de estruturas e de princípios urbanísticos que passaram a fazer parte da tradição urbana de outras culturas noutras partes do mundo, nas Américas, em África e no Oriente (Teixeira, 2006 ). Com a grave crise econômica causada pela falência dos produtores de alho do Distrito de Ribeira de Cabeceiras, na década de 1980, estes passaram a investir em outros segmentos econômicos, mais competitivos, a exemplo da caprinocultura no mercado nacional (Meira, 2011). O Distrito começa, assim, a ganhar destaque pela produção de produtos de couro, uma vez que esta atividade econômica ganhou dimensão na economia local, contribuindo para melhoria dos índices sociais, pela criação de empregos diretos e indiretos (Meira, 2011).

Coreto e igreja matriz do
Distrito da Ribeira/PB
Figura 5
Coreto e igreja matriz do Distrito da Ribeira/PB
Os autores

A arquitetura encontrada neste distrito foi formulada com a influência da chegada dos portugueses a região, trazendo a cultura religiosa, as festas e também a arquitetura. A urbanística portuguesa – através da sua teoria, mas fundamentalmente através da sua prática – teve uma influência determinante no desenvolvimento de formas, de estruturas e de princípios urbanísticos que passaram a fazer parte da tradição urbana de outras culturas noutras partes do mundo, nas Américas, em África e no Oriente (Teixeira, 2006 ). Com a grave crise econômica causada pela falência dos produtores de alho do Distrito de Ribeira de Cabeceiras, na década de 1980, estes passaram a investir em outros segmentos econômicos, mais competitivos, a exemplo da caprinocultura no mercado nacional (Meira, 2011). O Distrito começa, assim, a ganhar destaque pela produção de produtos de couro, uma vez que esta atividade econômica ganhou dimensão na economia local, contribuindo para melhoria dos índices sociais, pela criação de empregos diretos e indiretos (Meira, 2011).

Há, em pleno funcionamento, com várias famílias trabalhando, o artesanato em couro, na confecção de carteiras, cintos, bolsas, botas, chapéus, arreios, selas, mantas, ternos de couro, sandálias, etc. (Figura 6). Para o curtimento, existem oito curtumes localizados no distrito de Ribeira, onde está instalada a Artesa, que usa processo de curtimento bio leather, através de produtos de origem natural, com baixíssimo nível de tratamento químico. Ao todo são 42 sócios-artesãos membros da Artesa, cuja sede central está localizada na Ribeira, a 14 km do centro de Cabaceiras. São 11 fabriquetas especializadas em couro de bode, que geram ocupação para aproximadamente 140 pessoas (Alves et al., 2008).

Artefatos de couro encontrados
na loja Artesanato do Zé, Ribeira, PB
Figura 6
Artefatos de couro encontrados na loja Artesanato do Zé, Ribeira, PB
Os autores

A Arteza (Figura 7 e 8) foi criada no final da década de 1990, com o objetivo de organizar toda cadeia produtiva entre artesãos e curtumeiros. Além disso, oferecer assistência técnica para intensificar o movimento comercial e, consequentemente, expandir a produção, como também inovar as velhas práticas do passado. Esta cooperativa atraiu para a Ribeira parceiros importantes, como o grupo gestor formados pelo Sebrae, Senai e a GTZ, órgão de cooperação técnica e científica do governo alemão. Além dos gestores, outras entidades parceiras se aproximaram do empreendimento curtumeiro da Arteza, a exemplo do Centro de Tecnologia do Couro e do Calçado [CTCC – Senai], referência tecnológica do setor calçadista de Campina Grande; A Secretaria da Indústria, Comércio, Turismo, Ciência e Tecnologia do Governo da Paraíba e a Prefeitura Municipal de Cabaceiras. Essas parcerias proporcionaram capacitação gerencial, comercial e produtiva. Permitiram, também, que os produtores participassem das principais feiras de artesanato nacional, eventos turísticos, agropecuários e chegassem às lojas do gênero em todo o país (Sebrae, 2005).

Vista externa e interna da Arteza
Figura 7 e 8
Vista externa e interna da Arteza
Os autores

O couro é a pele curtida de origem animal (Figura 9), em que o curtimento é feito através de processo físico-químico, que transforma uma matéria prima perecível, sem uso específico, em um material nobre, estável, com diferentes características e que permitem diversas possibilidades de uso (Jacinto, Costa & Leite, 2005).

Couro dessalgado no curtume do Distrito da Ribeira
Figura 9
Couro dessalgado no curtume do Distrito da Ribeira
Os autores

O curtimento é a etapa de transformação da pele em couro, tornando o material estável e imputrescível através da ação do curtente. Os curtentes podem ser inorgânicos de origem mineral, ou orgânicos de origem vegetal, sintético e aldeídos (Jacinto, Costa e Leite, 2005). Após o curtimento, os couros são rebaixados em espessura e classificados quanto à ocorrência de defeitos e seguem para a etapa de neutralização, quando são preparados para a etapa de recurtimento (Figura 10). O recurtimento é executado após a etapa de neutralização, ou mesmo antecedendo-a, e visa definir parte das características físico-mecânicas, tais como maciez, elasticidade, enchimento e algumas características de toque e tamanho de poro – abertura do folículo piloso (Jacinto, Silva Sobrinho & Costa, 2005).

Fases do curtimento do couro
no Distrito da Ribeira
Figura 10
Fases do curtimento do couro no Distrito da Ribeira
Os autores

Um dos problemas encontrados no curtume de couro via crômio é a toxicidade desse metal. A reformulação desse processo buscando a redução do impacto ao meio ambiente levou ao desenvolvimento do uso de extratos vegetais para o curtume de couro. Os extratos aquosos de Angico preto permite o tratamento do couro de uma maneira que as propriedades mecânicas do produto acabado atinjam as devidas necessidades. A cooperativa de curtume no município de Cabaceiras, Paraíba, utiliza 200 toneladas ano de cascas de angico, confirmando que o uso deste extrato leva a produtos de couro com boa qualidade (Pereira Júnior et al., 2007).

Os produtos confeccionados no distrito de Ribeira ganham maior visibilidade nos períodos festivos, ocorridos no próprio distrito através da festa do Padroeiro São Paulo e, principalmente, na Festa do Bode Rei, realizada no município de Cabaceiras, que se localiza a uma distância de 14 Km. A Festa de São Paulo atrai turistas ao local no mês de janeiro, quando acontecem as comemorações religiosas, ressaltando a fé local e atraindo fieis de outras localidades, e servindo como vitrine dos produtos derivados do couro, confeccionados pelos artesões da região. Cabaceiras é um dos principais destinos turísticos no interior da Paraíba, com destaque para o fluxo de turistas estrangeiros, baseado no turismo rural e ecológico, caso do Lajedo de Pai Matheus; e no turismo cultural, em especial aquele voltado para a Festa do Bode Rei (Figura 11). O evento está em sua décima terceira edição, atraindo mais de 50 mil visitantes à festividade, de acordo com o Departamento Municipal de Turismo. Trata-se de um festival que recria o cenário de antigos castelos, com muradas, praça e a residência de Sua Majestade, o Bode. Durante o evento também acontece o desfile pelas principais ruas da cidade da ‘comitiva real’, composta pelo Bode Rei, a Cabra Rainha, o príncipe e a princesa (Silva & Silva, 2009). O festival também envolve comercialização de animais, produtos e serviços, além da cultura ligada ao mundo dos caprinos e ovinos (Alves et al, 2008).

Festa do Bode Rei
Figura 11
Festa do Bode Rei
Portal Araçagi, 2016

A importância do turismo do evento como alternativa de desenvolvimento para o semiárido tem sido confirmada em seus resultados concretos. Uma cidade com menos de cinco mil habitantes, recebe hoje quarenta mil visitantes em apenas uma semana. Além disso, as festas se tornam uma espécie de vitrine cultural das cidades. É o momento em que a localidade apresentar suas manifestações culturais, além de sua gastronomia, manifestações religiosas e mesmo seu artesanato, atividade que tem se tornado, cada vez mais, um cartão de apresentação daquilo que as cidades têm de mais original. Outro ponto atrativo que pode ser ressaltado é a arquitetura local, encontrada no Município de Cabaceiras, advinda da influência portuguesa e com características neoclássicas.

CAPRINOCULTURA E ROTEIRIZAÇÃO TURÍSTICA

A região do Semiárido apresenta diversos pontos de formações rochosas para apreciação turística e, dentre eles, está o Lajedo de Pai Mateus, situado a 25 km do centro da cidade de Cabaceiras, que já atrai diversos olhares para o lugar. A Rota dos Lajedos, como será conhecida, deverá ter quatro pontos de observação das formações rochosas e, antes de encerrar-se, será inserida à Rota do Couro, no distrito da Ribeira, objetivando ampliar o potencial do couro na microrregião. O roteiro levará o turista do aprisco, onde são manejados os caprinos, até as fabriquetas de artefatos de couro e à loja da Arteza, onde esses artefatos podem sem adquiridos.

A rota inicia-se na saída da cidade de Campina Grande, situada a 120 km da capital, João Pessoa. Campina Grande é tida como cidade universitária, tendo ainda um dos maiores polos calçadistas da região, onde muitos dos calçados são confeccionados com couro advindo do distrito da Ribeira, em Pernambuco. De Campina Grande, em cerca de 16 km através da BR 104, chega-se ao município de Queimadas, onde está um importante sitio arqueológico, na serra do Bodopitá. Ali estão pedras esculpidas pela natureza, sendo a Pedra do Touro a mais conhecida entre elas; em seu entorno existe um complexo com diversos outras formações rochosas.

Partindo de Queimadas, pela PB148, em pouco mais de 20 km chega-se ao município de Caturité; a aproximadamente 5 km do centro da cidade, está situada a Serra de Caturité, onde existem formações rochosas com grande potencial de exploração turística. A próxima a ser visitada é Boqueirão, cidade com pouco mais de 16 mil habitantes, que tem atrativo turísticos o Lajedo do Marinho, situado a 15 km do centro. O Lajedo do Marinho é um dos belos locais para apreciar o poente e o nascer do Sol, no Semiárido.

Antes de chegar à cidade de Cabaceiras, a 14 km adentro, por uma estrada não pavimentada, chega-se ao distrito da Ribeira, o polo do couro da região. Os artesãos de Ribeira impõem características próprias em suas peças, mesmo com traços semelhantes a outras, cada peça tem sua particularidade. A difícil tarefa de domar o couro e fazer maravilhas utilitárias e artísticas foi repassada como legado vivo de geração em geração. O novo ciclo do couro, em versão pós-moderna, reinventa mocassins e mochilas em versão sertaneja, para os que tiverem sensibilidade para compreender que a tradição e a contemporaneidade são as duas faces de uma mesma moeda.

Rota turística de Campina Grande a Cabaceiras
Figura 12
Rota turística de Campina Grande a Cabaceiras
Google Maps

Antes de chegar à cidade de Cabaceiras, a 14 km adentro, por uma estrada não pavimentada, chega-se ao distrito da Ribeira, o polo do couro da região. Os artesãos de Ribeira impõem características próprias em suas peças, mesmo com traços semelhantes a outras, cada peça tem sua particularidade. A difícil tarefa de domar o couro e fazer maravilhas utilitárias e artísticas foi repassada como legado vivo de geração em geração. O novo ciclo do couro, em versão pós-moderna, reinventa mocassins e mochilas em versão sertaneja, para os que tiverem sensibilidade para compreender que a tradição e a contemporaneidade são as duas faces de uma mesma moeda.

Com intuito de inserir a rota do couro na rota estabelecida, que leva os visitantes ao Lajedo de Pai Mateus, o perfil do turista tende a ser o de aventureiro e destemido. O Semiárido paraibano, passando por adversidades constantes no clima, oferece desafios aos que o encaram. O aventureiro deve estar a par de que o Sol será muitas vezes um bom companheiro, porém em outras, o grande vilão. A rota terá duração de dois dias inteiros onde o primeiro pernoite será no município de Boqueirão onde se pode contar com hotéis e pousadas para repouso dos viajantes e renovação das forças para o dia seguinte.

CONCLUSÕES

A utilização do couro na confecção de uma grande variedade de peças da indumentária local e artefatos artesanais engrandecem a economia e a importância da atividade courista. O caprino, ou bode, como é vulgarmente conhecido, é ‘venerado’ em uma festa de interior, cujo objetivo é o de apresentar à sociedade, toda potencialidade deste animal, do consumo da carne, leite ou derivados, a peças elaboradas utilizando os chifres e principalmente o couro. Como um incremento turístico à Ribeira, a Rota do Couro inserida na Rota do Lajedo, tende a fazer com que o distrito seja amplamente visto, tornando-se um forte atrativo turístico, alavancando assim a economia local e propiciando o desenvolvimento de outras atividades.

Referências

AESA – Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba.

Alves, J.J.A.; Souza, E.N. de, & Araújo, M.A.de. (2008). Estudo descritivo da tipologia turística do município de Cabaceiras – Paraíba. Caderno Virtual de Turismo, 8, 86-103,.

Batista, N. L. & Souza, B. B. de. (2015). Caprinovinocultura no semiárido brasileiro - fatores limitantes e ações de mitigação. Agropecuária Científica do Semiárido, 11, 1-9.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2016) Índice de Produção Pecuária: produção da pecuária municipal. Dados de 2002 a 2011.

Jacinto, M.A.C.; Leite, E.R. & Reis, F.A. (2005). Peles e couros ovinos e caprinos – indústria e mercado. Anais... I Simpósio Sul Brasileiro de Ovinos E Caprinos/ XIII Simpósio Paranaense de Ovinocultura/ I simpósio paranaense de caprinocultura.

Jesus Junior, C. de; Rodrigues, L.S. & Moraes, V.E.G. de. (2008). Ovinocaprinocultura de corte – a conveniência dos extremos. BNDES Setorial Agroindústria.

Meira, G.G. (2011) A produção e exportação do artesanato de couro no Distrito da Ribeira de Cabaceiras – PB: como sustentabilidade sócio-econômica. Trabalho de Conclusão de Curso. UEPB

Pereira Júnior, R.J.T. & Schwartz, M.O.E. (2007). Contribuição para um desenvolvimento sustentável do curtume de couro através da análise de taninos em devidas plantas. Departamento de Química Fundamental, UFPE.

Silva, R.H. & Silva, M.G.C. (2009). Turismo Cultural e desenvolvimento em Cabaceiras, PB. Revista Eletrônica de Turismo Cultural, 3(2).

Sousa, R. F. (2007). Terras agrícolas e o processo de desertificação em municípios do semi-árido paraibano. Tese de Doutorado, UFCG.

Teixeira, M.C. (2006) A influência dos modelos urbanos portugueses na origem da cidade brasileira. Anais... IV Seminário História da Cidade e do Urbanismo. Rio de Janeiro: Ed. PROURB-FAU-UFRJ.

Teles, M. (2014). Vaqueiro, roupa de couro e pele curtida. Revista Conversando com a sua História, 3, 23-29.

Notas

[1] Joab Jorge Leite de Matos Júnior – Mestre. Doutorando Engenharia Agrícola na Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Currículo: http://lattes.cnpq.br/0680372627401288 E-mail: marinhense_97@hotmail.com
[2] Amanda Thaisa dos Santos – Mestranda em Engenharia Agrícola na Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Currículo: http://lattes.cnpq.br/8907976002205111 E-mail: amanda_thaisa@hotmail.com
[3] Renata Tomaz Vieira Dias - Mestranda em Engenharia Agrícola na Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Curriculo: http://lattes.cnpq.br/9505866414116804 E-mail: renatatomazdias@outlook.com
[4] Ariadne Soares Meira – Mestra. Doutorando Engenharia Agrícola na Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Currículo: http://lattes.cnpq.br/1908555809918259 E-mail: ariadnesm_eng@hotmail.com
[5] José Wallace Barbosa Nascimento – Doutor. Professor na Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Currículo: http://lattes.cnpq.br/9274991135144621 E-mail: wallacebosa@hotmail.com
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