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A Evolução do Alojamento nos Primórdios do Turismo em Portugal: Discursos e Realizações (1800-1906)

Evolution of Lodging in Early Portuguese Tourism: Discourses and Achievements (1800-1906)

MIGUEL DIAS SANTOS
Instituto Superior da Maia, Portugal

A Evolução do Alojamento nos Primórdios do Turismo em Portugal: Discursos e Realizações (1800-1906)

Rosa dos Ventos, vol. 9, núm. 4, pp. 506-520, 2017

Universidade de Caxias do Sul

Recepção: 13 Julho 2017

Aprovação: 06 Agosto 2017

Resumo: Este artigo analisa a evolução do alojamento em Portugal ao longo do século XIX e início do século XX. Tem como objetivo confirmar o diagnóstico produzido pelos atores do turismo sobre o profundo atraso da hotelaria em Portugal, no início do século XX, quando comparada com a Europa. Dada a escassez de fontes, utilizámos preferencialmente guias e literatura de viagens, através das quais procurámos reconstruir imagens e discursos e a realidade do setor hoteleiro. Foi possível concluir que apesar das condições naturais para o desenvolvimento do turismo, não se promoveu uma hotelaria dentro dos padrões europeus que servisse de motor desta atividade económica.

Palavras-chave: Turismo, Hotelaria, História, Portugal.

Abstract: This article analyzes the evolution of lodging in Portugal throughout the nineteenth century and early twentieth century. It aims to confirm the diagnostic produced by the tourism stakeholders on the deep delay of hotel industry in Portugal, in the early twentieth century, compared to Europe. Being difficult to find the appropriate sources, mainly we used guides, travel and memories literature to rebuild both the discourse and the reality of lodging. In conclusion, despite the natural conditions for the development of tourism, hotel industry didn’t fit European standards and it wasn’t properly promoted to be fully achieved.

Keywords: Tourism, Hotel Industry, History, Portugal.

INTRODUÇÃO

Em 1911, no discurso que proferiu perante os congressistas do IV Congresso Internacional do Turismo, que se realizou em Lisboa, Manuel Emídio da Silva, secretário-geral do Congresso e presidente da Secção de Hotelaria da Sociedade de Propaganda de Portugal [SPP], proclamava que a hotelaria tinha nas mãos o futuro do turismo, convicção que reforçou com o aforismo: “C’est l’hotel qui fait la vilegiature” (Silva, 1911, p. 14). A fala está em consonância com o pensamento dominante e hoje confirmado pelos especialistas, a de que a afirmação do turismo exigia a verificação de três factores: transporte, alojamento e lazer. A preocupação da SPP reflectia a retórica dominante, de que Portugal não dispunha de condições de alojamento para acompanhar o aumento da procura por turistas e viajantes, evidência aparentemente comprovada pelos guias de viagem. O guia Baedeker escrevia na edição de 1908 que “o número de hotéis mesmo bons na Península está muito abaixo das exigências do aumento do número de visitantes” (p. 470). Mais tarde, José de Ataíde, secretário da Repartição de Turismo, fazia a síntese do problema:

É o hotel, sem dúvida, um dos factores mais importantes no desenvolvimento da indústria do turismo. Sem bons hotéis não há turismo possível e por melhores e mais recomendáveis que sejam as condições dum país, por mais adaptável que ele seja à franca exploração dessa indústria, o certo é que se nele não existirem, não dizemos já as grandes e majestosas construções, à semelhança de certos colossos que se erguem em algumas cidades lá de fora, a atestarem o arrojo e o empreendimento dos homens, mas pelo menos edificações apropriadas, asseadas e aprazíveis cottages, típicos bungalows onde à solicitude e boa vontade do pessoal, se aliem a higiene, limpeza, o bom gosto e a ordem, os viajantes nunca aí poderão acorrer em quantidades apreciáveis, porque, está hoje mais do que provado, constituindo uma lei em matéria de turismo, que os viajantes só acodem em massas às regiões povoadas de bons hotéis (Ataíde, 1912, p. 103-104).

É objetivo deste artigo, no contexto de uma investigação historiográfica sobre a evolução da hotelaria, apresentar os primeiros resultados sobre as condições de alojamento em Portugal na sua pré-história. Tomamos a SPP como referência cronológica porque, a partir da primeira década do século XX, a questão hoteleira, como o turismo em geral, adquiriu centralidade na retórica política e social. Enquanto objeto historiográfico, o hotel tem interessado sobretudo a outras áreas do saber, como a Arquitetura e a História da Arte, em investigações académicas centradas na arquitectura de veraneio e no turismo balnear (Lobo, 2012), nos Estoris (Briz, 2004), na Foz do Douro (Carvalho, 1997). Individualmente, é justo relembrar o interesse pelo Hotel Avenida Palace, o primeiro construído de raiz, em 1892, no campo da hotelaria de luxo (Ferreira, 1994; Pires, 2000). Aqui interessa-nos, sobretudo, dar inteligibilidade ao hotel, enquanto sistema complexo, integrado nas estruturas económica, social e cultural do século XIX português, tendo como horizonte metodológico a comparação com outros contextos. Dada a escassez de fontes institucionais para o período, recorremos sobretudo aos guias de viagens, gerais e especializados, literatura de viagens e memórias, reconstruindo imagens e discursos sobre o hotel mas igualmente sobre o significado da experiência de hospedagem.

HOTÉIS, CAPITALISMO E MODERNIDADE

A história do alojamento temporário perde-se na poeira do tempo. Mas o hotel cujas origens perscrutamos é uma construção da vida moderna e contemporânea, da sociedade da fruição e dos lazeres. É ao mesmo tempo produto e construtor de modernidade. Símbolo do capitalismo e da sociedade burguesa, o hotel acompanha as alterações nas estruturas políticas, económicas, sociais e culturais das sociedades contemporâneas. Começa por servir a elite aristocrática e burguesa, para depois se alargar às classes médias e à democratização. Acomoda os turistas, mas igualmente toda a casta de viajantes, organiza-se para o ócio e para o negócio, para a cura e para o prazer, apropriando-se do capitalismo em expansão. Palco central da nova ″indústria de estrangeiros", na expressão dos coevos, o hotel participa na definição de novas formas de cultura e sociabilidade, na ocupação de novos espaços e na acomodação dos velhos, ao mesmo tempo em que absorve novos experimentos tecnológicos. A história da hotelaria é por tudo isto também a história da modernidade em construção. Este argumento serve igualmente para consolidar a ideia, defendida, entre outros, por Marc Boyle, de que o turismo não existiu sempre, é uma revolução do mundo moderno (2002, p. 13-14).

Nos Estados Unidos, por exemplo, o hotel colaborou no processo institucionalização do Estado-Nação e contribuiu largamente para os progressos do capitalismo industrial e comercial. Os primeiros hotéis, substitutos das taverns, equivalente anglo-saxónico das vendas e tabernas, serviram essencialmente os comerciantes num quadro de forte mobilidade e de crescente urbanização, contribuindo para a definição de valores e comportamentos e de estratificação social (Sandoval-Strausz, 2007, p. 20-43). O turismo chegou por volta de 1820, com a crescente procura de águas minerais e de spas, para os quais se construíram hotéis dentro dos padrões existentes nas grandes cidades americanas e europeias (Gassan, 2014). Seguiu-se a revolução dos transportes, com o caminho-de-ferro, e a expansão turística que deu origem aos grandes hotéis americanos que suscitaram grande admiração na Europa do fim de século, como o Denver’s Brown Palace (1892) ou o Waldorf-Astoria (1893) (Lefrevre, 2014, p. 209-214).

Na Europa, a pacificação política posterior a 1815, a revolução dos transportes e nas comunicações, com o barco a vapor, o caminho-de-ferro e mais tarde o telégrafo abriram caminho ao turismo romântico. Em França, destino habitual do Tour, os aubergs vão dando lugar a novos e luxuosos hotéis, instalados primeiro em palácios da antiga nobreza – a origem da palavra hotel – e depois em novos edifícios arquitetónicos, nas principais cidades e portos marítimos, e junto às gares de comboio (Starke, 1820). Por esta altura, os viajantes encontravam guias com informação muito detalhada sobre os hotéis dos principais portos e cidades de França, especialmente Paris, que contaria, segundo alguns, mais de 300 hotéis (Planta, 1831). Na antecâmara da exposição universal de Paris, em 1860, a abertura do Grande Hotel do Louvre (1855) e mais tarde do Grande Hotel (1862) e do Continental (1876) protagonizaram uma revolução de escala, fornecendo alojamento de grande luxo e conforto a uma nova elite emergente durante o Segundo Império. Os guias de viagens descreviam-nos com a objetividade dos números a toldar o fascínio dos 700 quartos do Hotel do Louvre, dos 500 do Grande Hotel e dos jantares diários de 300 pessoas (Baedeker). Nas décadas seguintes, os grandes hotéis foram palco de inovação e experimentação tecnológica, como aconteceu com os ascensores [hidráulico e depois vapor], implantados em Nova York (1857) e em Londres (1860). As inovações tecnológicas da segunda revolução industrial, que incluem a iluminação eléctrica, aquecimento central, quartos com toilette e banhos transformaram os hotéis em símbolos da vida moderna, que Eça de Queirós descreveu na Cidade e as Serras.

Na Suíça, pelo contrário, a história da hotelaria não se forjou em torno de grandes hotéis. Mas o hotel foi o motor principal na transformação económica em regiões onde predominava a tradição agrícola (Humair, Gigase, Guigoz & Sulmoni, 2014). O interesse dos ingleses pelas montanhas do lago Lémanique foi aproveitado por empreendedores locais para a exploração turística em larga escala, tornando esta região numa das mais populares na Europa de meados do século XIX. Mais uma vez, a rede de caminhos-de-ferro aproximou as montanhas suíças do resto da Europa e estimulou a procura da elite burguesa, mas também de uma classe média emergente, que preferia os pequenos ″aubergs″ locais (Joanne, 1853). O turismo de montanha e os health resort ensaiaram aqui, entre 1850 e 1914, a organização capitalista do hotel, cumprindo crescentes exigências de comodidade e conforto. Neste período, a região do oeste suíço viu o número de unidades hoteleiras passar de 73 para 294 (Humair et al., 2014, p. 24).

Aqui, como na Europa, as necessidades de permanente inovação forçaram a introdução do capitalismo financeiro, que aos pouco foi substituindo o negócio familiar através de sociedades anónimas e da banca. Para além da inovação tecnológica, a indústria hoteleira diversificou a sua atividade. Os hotéis especializaram-se em atividades de lazer e diversão, respondendo ao pathos romântico e às novas sensibilidades do fim do século: contemplação da natureza e do património, atividades culturais, desporto, saúde e espetáculos. O sucesso do caso suíço não pode desligar-se da sua capacidade de organização e das dinâmicas associativas, que resultaram na criação, em 1879, da Sociedade da Indústria Hoteleira, e do guia The Hotels of Switzerland. A traveller’s Guide, publicado em 1898 pela Association of Swiss Hotel Proprietors and Managers. O guia, distribuído gratuitamente, tinha 240 páginas com a lista de hotéis, pensões e health resorts e provia ao turista toda a informação necessária, como categoria, preços, serviço de restaurante, moeda, higiene e admissão de animais. Incluía um mapa com as principais vias de comunicação [estradas e caminhos-de-ferro] e os principais destinos turísticos.

A publicação de guias especializados, tanto de hotéis como de restaurantes, refletia a expansão do turismo e a qualidade da organização capitalista deste setor económico em crescimento, na Europa e Estados Unidos. Foram precursors, o The travellers' hand-book: guide to the principal hotels and commercial inns in England and Wales, editado em 1859, e o United States Hotel Guide and Railway Companion, publicado em 1867. Ao nível global, registe-se a publicação, nos Estados Unidos, do guia Where to stop. A guide to the best hotels of the world [1894]. Este era já o período em que reinavam os palace e as cadeias de grandes hotéis de luxo, como o Ritz [1898], mas era igualmente o período do automóvel e da segunda revolução industrial, acompanhando as preocupações higienistas e uma política de saúde pública. Uma nova geração de hotéis acrescentava ao luxo e ao conforto de antanho a limpeza, a higiene e a segurança. Símbolo do capitalismo, o hotel era igualmente fator de progresso e de modernização social e tecnológica.

O ALOJAMENTO EM PORTUGAL: IMAGENS E DISCURSOS

Em Portugal, ao contrário da Europa, os problemas da conjuntura política estenderam-se até meados do século XIX. A fraca penetração do capitalismo, por outro lado, deve-se ao predomínio das estruturas económicas e sociais do antigo regime, que atrasaram os progressos tecnológicos e o desenvolvimento urbano. A lenta desagregação destas estruturas arcaicas, marcas tardias do absolutismo, só na segunda metade do século favoreceu a ascensão da burguesia e a consequente política de fomento. Mas seria necessário esperar cerca de cinquenta anos para que o turismo entrasse no léxico da retórica política.

Portugal era, desde o período dos descobrimentos, destino habitual de toda uma casta de viajantes, especialmente mercadores e intermediários entre o comércio colonial e os mercados do norte da Europa. O seu interesse como destino de lazer aparece comprovado nas rotas do Grand Tour (Nugent, 1749) e confirmado por abundante literatura de viagens com destino a Portugal (Murphy, 1795). É certo que nessa literatura descortinamos poucos motivos de interesse, confrontados com edifícios arruinados, ruas sujas e hábitos que feriam a sensibilidade dos viajantes, como o arremesso de lixo para as ruas a partir das janelas (Nugent, 1749, p. 251).

A mesma repulsa higienista ressurge em diversos textos do início do século XIX: ″The stink of the streets of Lisbon are strong antidote to curiosity; but in fact, after tour in Italy and Spain, there is very little in this city to afford gratification, and excite interest" (Phillips, 1806, p. 77). Neste período, que corresponde aos primórdios da arquitetura de lazer, iniciada em Bath, na Inglaterra, a partir de 1790 (Sandoval-Strausz, 2007, p.7), o alojamento constituía uma herança de séculos, de vincado cunho religioso, desde a hospedaria monástica às albergarias. Entre a tipologia predominante, as fontes referem habitualmente os albergues (em português antigo, albergaria), pousadas e estalagens, oferecendo acomodação aos viajantes em edifícios indiferenciados. Importa não misturar nesta categoria as vendas, ″very small and miserable house, in wretched country" (Link, 1801, p. 145), equivalente das ventas espanholas e das taverns anglo-saxónicas que se destinavam sobretudo aos animais e ao consumo de bebidas. Ainda assim, em guias de viagens de língua inglesa a utilização da palavra inn parece sugerir a sua utilização como acomodação de viajantes: ″These Ventas are inns, established by order of government, at the distance of four or five Portuguese miles from each other. Government likewise regulates the charges at these inns, by a tariff, which is always exposed to public view" (Starke, 1820, p. 214).

Nos discursos de viajantes e roteiros ressumbra a repulsa pelo alojamento, considerando a conspurcação dos espaços por bichos e insetos, como moscas, percevejos, pulgas e mesmo ratos. O Conde Giuseppe Pecchio, político liberal italiano que visitou Portugal, descrevia assim um alojamento: ″Pour vous donner une idée des auberges du Portugal, je vous dirai que la nuit dernière, à Moite, les rats ont dévoré une grosse poule d'Inde que j'avais fait porter dans ma chambre, et qu'ils n'ont pas même fait grâce aux os. Nos loups sont moins voraces que les rats des auberges de ce pays" (Pecchio, 1822, p. 14). Este duro retrato, que incluía colchões duros, roupa e quartos sujos, reflete afinal as condições de vida do povo, a sua miséria e falta de higiene (Baretti, 1770). Henry Link, que acompanhou o naturalista conde de Hoffmansegg numa viagem ao país, escreveu: ″From this charming subject I am obliged to pass to the uncleanliness of the portugueze. On leaving England and entering France every species of uncleanliness becomes greater and greater in proportion as we travel southward. The apartments grow constantly more dirty, the privies are more horrible, or totally disappear, and host of vermin of all kinds swarm round the traveler in his sleep" (Link, 1801, p. 212-213). Mas comparando as estalagens portuguesas com as espanholas, Link mostrou preferência pelas lusitanas, pela qualidade do serviço e pela simpatia dos hospedeiros.

Aos poucos, as fontes foram substituindo os termos antigos e introduzindo a palavra hotel, que se foi vulgarizando nas primeiras décadas do século XIX. Nas fontes sobre Portugal, a palavra hotel foi atribuída a alojamentos de Lisboa e Sintra. No caso de Lisboa, um guia famoso na Europa da época listava cinco hotéis, cujos nomes revelam o predomínio das comunidades estrangeiras, em especial ingleses: ″Barnwellk English Hotel, Owens's Hotel, O’Ketf's Hotel, L’Hotel Piemontaise, and La Calçada de Estrella"(Starke, 1820, p. 213). Um guia francês escrevia que "Les auberges sont toutes très-mauvaises, les lits détestables″. E indicava os Anglais, Piémontaise e Calçada da Estrela como os ″trois auberges passent pour les meilleures" em Lisboa. Elogiava Sintra, ″où on trouve d'excellents hôtels" (Audin, 1828-29, p. 42). Sintra tornou-se um símbolo do romantismo europeu, popularizado por Lord Byron, e atraiu muitos viajantes que lhe perseguiam as delícias paisagísticas.

Neste início de século encontram-se referências a dois hotéis, o Hotel Costa e o Victor Sassetti’s Hotel, que ofereciam conforto e limpeza que contrastava ″with the dirt and closeness of most continental sleeping rooms" (Baillie, 1824, p. 55). A afirmação é de Marianne Baillie, poetisa inglesa que viajou pela Europa em 1818 e de que publicou First Impressions on a Tour upon the Continent in the Summer of 1818, through Parts of France, Italy, Switzerland, the Borders of Germany, and a Part of French Flanders. Marianne residiu em Portugal cerca de dois anos e meio e descreveu esse período no livro Lisbon in the years 1821, 1822, and 1823, em forma de cartas dirigidas à mãe. São dela as reflexões sobre a qualidade dos hotéis de Sintra. A sua descrição do Victor Sassetti’s Hotel é relevante sobre o predomínio dos pequenos negócios de família e sobre a importância dos estrangeiros nas dinâmicas de alojamento. Sobre este pequeno hotel, gerido pelo italiano Victor Sassetti e pela sua mulher, portuguesa, escreveu Marianne: ″and here we find still superior comfort and accommodation, together with frank and attentive civility" (Baillie, 1824, p. 129).

Quatro décadas depois, o Handbook for travelers, de John Murray, ainda recomendava o Victor como ″the oldest and best" em Sintra (1864, p. 77). O Victor viria a tornar-se uma sucursal do Hotel Bragança, sob a gestão do seu filho Victor Carlos Sassetti. Em geral, as condições para receber os viajantes foram mudando, como aconteceu com Lisboa, na década de quarenta: ″Lisbon has greatly improved both in appearance and cleanliness of late years. The streets are beginning to be generally sewered, and many are now Macadamized. The Rocio Square, with its new Theatre, is magnificent. Two fine new hotels have been recently opened, the Braganza Hotel and the Peninsular Hotel. There is nothing so good as either at Madrid. Very different was it ten years since. The streets were then impassable, covered with filth, and dead rats, cats, dogs, and all other abominations" (Hughs, 1847, p. 373).

A segunda metade do século XIX assistirá ao aumento gradual dos viajantes em Portugal. Sob o critério romântico do belo e do interessante, que incluía o pitoresco, o íntimo ou melancólico das paisagens (Boyer, 2005, p. 196), ingleses e franceses procuravam em Portugal o paraíso exótico, a antítese da industrialização moderna: ″Les motifs pour lesquels on néglige le Portugal sont précisémen ceux qui me le font aimer. Il ne possède ni chemins de fer, ni canaux navigables, ni réseau de routes faciles; il n'a point de caravansérails, presque point d'hôtelleries importantes″ (Bégin, 1852, p. 535). Para os amantes da ″natureza bruta", os ″selváticos" que Lady Jackson vituperava na sua Formosa Lusitânia (1875) pelo intrépido fervor com que afrontavam os perigos de serranias e penhascos, Portugal oferecia uma natureza intocada e costumes ancestrais que o guia Joanne Itinéraire Descriptif recomendava: ″Le Portugal est peu connu; il appartient au domaine des touristes qui aiment rencontrer l'imprévu soit sous le rapport de la nature, soit sous le rapport des costumes et des mœurs. L'ancienne Lusitanie n'a pas encore perdu sa couleur nationale et primitive, son originalité propre; elle garde ses allures pittoresques peut-être plus que l'Espagne, sa voisine, et les voyageurs la visiteront avec cet intérêt de la nouveauté qui charme tant, et qu'il est si rare de trouver aujourd'hui" (1866, p. 769).

O turista romântico não tinha vida fácil em Portugal. Tanto a literatura de viagens como os guias referem, desde meados do século, a falta de alojamento, em especial na província e em zonas balneares e termais. Um viajante francês explica o fenómeno, escrevendo que os portugueses ″Ceux-ci n'étant pas encore corrompus par l'amour du lucre, parce que les touristes sont rares et peu nombreux, offrent aux voyageurs une hospitalité vraiment touchante″, a sua residência familiar (Rouffeyroux, 1880, p. 33). Neste período predominavam, sobretudo, as estalagens, que as fontes descrevem quase sempre como estábulos infestados de piolhos, ratos, pulgas e percevejos. As camas duras pareciam confirmar que o alojamento português, como o espanhol, permanecia na sua ″barbaridade primitiva" (Murray, 1864, p.77). As críticas às estalagens e pousadas do interior do país repetiam-se a propósito da maioria das hospedarias e hotéis, incluindo Lisboa e Porto.

A esse propósito, os textos de Lady Jackson, Formosa Lusitânia (1875, trad. de 1877), e especialmente o polémico Portugal de Relance [1879, trad. de 1882], de Maria Ratazzi, são especialmente corrosivos com a qualidade dos hotéis e hospedarias, descrevendo o mobiliário tosco e antigo, a falta de higiene e limpeza, a ausência de qualidade e de maneiras dos criados de servir, as camas duras povoadas de percevejos, as moscas na comida e toda a falta de condições mínimas de conforto. Um viajante francês que ficou hospedado no hotel Europa, em Lisboa, descreveu assim o despertar: "Le lendemain matin, la figure fatiguée et les yeux bouffis, j'entrai chez mon compagnon; il me montra ses draps de lit qui ressemblaient à un champ de carnage; les nombreux cadavres des petits animaux qu'on sait étaient étalés çà et là, et mon ami me raconta qu'il avait passé une partie de la nuit à transpercer ses ennemis avec la pointe de sa dague de Tolède; malgré cela il avait pu dormir un peu, lui″ (Vigneron, 1883, p. 170).

As mesmas fontes também registam a generalização da palavra hospedaria, cuja utilização se confunde com hotel. O guia John Murray, na edição de 1887, ajuda-nos a compreender algumas alterações de terminologia, mas, igualmente a fixar as características arquitetónicas das estalagens rurais: "At Lisbon and Oporto, the hotels are clean and comfortable as in a large towns of Europe, with charges relatively high. Estalagem is the proper name for an inn in a town or village. […] The former word is, however, fast going out of use, the humblest inn being usually styled hotel. In the wildest parts of the country the inn often consists of a picturesque, trumble-down verandah gallery; a lower story partly occupied by the stables, partly by wine-casks; an upper story containing a kitchen without a chimney, the smoke finding its way through the window or door; a kind of general sitting-room, and a bedroom".

Muitos proprietários alteravam o nome dos estabelecimentos na expectativa de que o uso de um estrangeirismo atraísse mais clientela. Mas as mudanças resumiam-se a isso mesmo, sem qualquer investimento nas condições de conforto e higiene que a moda europeia não mais dispensava, facto registado por Oswald Crawfurd, cônsul inglês no Porto: ″Inns in Portugal are not much after the fashion of inns in England, France, or Germany—not such inns as tourists are used to find on any of the roads they haunt. Comfort, after the ideal of it which we have come to form in England, is not to be found in these inns—the comfort, that is, which consists in neatness, warmth, bright hearths, plenty of carpets and arm chairs, soft beds, bustling waiters, attentive porters, and smart chambermaids" (1880: 312-313). Apesar da imagem negativa que atravessa a maioria dos textos compulsados, é possível encontrar referências positivas a hotéis e hospedarias, tanto em textos de viajantes ingleses, como franceses e especialmente espanhóis, que apreciavam os baixos preços e a qualidade da gastronomia (Ríos, 1888).

Mas se a ausência de conforto e higiene dominava os discursos sobre a hospedagem, em Lisboa faltava um grande hotel de luxo dentro dos cânones que Ricardo Guimarães fixou nas suas Impressões de viagem a Paris [1869] em que: ″É tal o aplomb dos móveis e criados, que até as cadeiras nos parece estarem de gravata branca e as paredes de casaca". Na ausência desses ‘colossos’, Lisboa recebia aristocracia e diplomatas no vetusto Bragança, que em 1871 hospedou o imperador do Brasil, D. Pedro II, com ″todas as condições para receber hóspedes reais". No Porto, o Hotel do Louvre foi ″expressamente modificado em algumas das suas disposições para este fim extraordinário", e talvez isso explique as mil libras pedidas pela acomodação que o imperador recusou pagar. Em Coimbra, o monarca ficou hospedado no hotel Mondego (Real, 1872). As referências ao Mondego refletem a subjetividade da experiência de alojamento: Lady Jackson, apesar da arquitetura ″decrépita", elogiou-lhe o serviço, ″o mais delicado e asseado que eu ainda encontrara: lustrosa prata, louça da índia, alvíssimos guardanapos, ótima comida, criados atenciosos" (p. 391). Madame Ratazzi, pelo contrário, escreveu que ″O hotel Mondego que aloja, segundo reza a fama, as testas coroadas e as excelências que passam por Coimbra, é simplesmente insuportável!″ (p.118) e ″que nunca fui tão mal servida nem tão barbaramente envenenada" (p. 119).

A partir da década de 1880, a generalidade dos guias reconhece a qualidade do alojamento nas principais cidades, como Lisboa e Porto. Em Lisboa imperava o Bragança, afamado pelas divagações queirosianas e recomendado por todos os guias de viagem, ao lado dos hotéis Central, Durand, Universal, Frankfurt e Aliança, entre outros. Mas só em 1892, com a inauguração do hotel Avenida Palace, a capital portuguesa passou a contar com um hotel de nível internacional, com o luxo, o conforto e a higiene que habituara a elite europeia. A sua arquitetura moderna, com três andares e 200 quartos, casas de banho e elevador hidráulico e decoração luxuosa colocavam-no ao nível dos melhores hotéis de primeira categoria da Europa (Koebel, 1908). No Porto, o Grande Hotel de Paris (1877) e o Grande Hotel do Porto (1880) trilhavam igualmente esse percurso de modernidade tecnológica e de conforto.

A introdução do caminho-de-ferro, inaugurado em 1863, aproximou Portugal da Europa e facilitou a mobilidade interna, incluindo o acesso às principais praias e termas do país. Muitos acreditavam que as condições naturais permitiam criar em Portugal estações de turismo balnear e termal que concorressem com Biarritz, Vichy e com o norte de Espanha, rico em praias e águas termais, onde o turismo teve grande desenvolvimento no final do século XIX (Larrinaga, 2005). O turismo de montanha e os health resort suíços tornaram-se então modelos para o desenvolvimento turístico em Portugal. Emídio Navarro, que conheceu a região montanhosa de Righi, procurada para a cura de diferentes maleitas, descreve os "prodígios realizados pelos suíços quanto ao asseio, ao conforto, à ordem e à barateza dos seus hotéis" e o papel da indústria hoteleira na transformação da economia deste país (Navarro, 1884, p. 24-26).

O mesmo ‘prodígio’ observou o escritor Antero de Figueiredo, com hoteleiros industriosos que sabiam que o turista ″ama o rude pelo pitoresco e as paisagens agrestes vistas da […] varanda do seu quarto, no conforto de uma amável poltrona" (Figueiredo, 1921, p. 221). Ambos acreditavam que a Serra da Estrela tinha condições para desenvolver o turismo de montanha e um health resort com qualidade superior à Suíça, mas a verdade é que isso nunca aconteceu e a região só conheceu um sanatório-hotel em 1945. “C’est l’hotel qui fait la vilegiature”, afirmava Manuel Emídio da Silva, enquanto lembrava aos congressistas de 1911 que a Suíça tinha 65 estações desportivas – onde se praticava luge, patinagem, ski, hockey, curling, bobsleigh, icerung - e 311 hotéis ″installés á la moderne e pourvus d’un total de 16.257 chambres!" (Silva, 1911, p. 12).

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS

Em Portugal, apesar das condições naturais e da expansão dos transportes, estas não favoreceram o desenvolvimento do turismo antes de meados do século XX, o que pode ser explicado pela falta de condições de alojamento e de investimento. No caso das águas termais, as suas qualidades terapêuticas eram conhecidas no exterior através de guias, como o Villes d’Eaux de L’étranger [1892] ou o livro De Sevilha á batalha excursión arqueológica e histórica [1895]. Ambos identificavam os lugares e as fontes com exploração de águas e estações termais e as doenças associadas. O guia francês refere a existência de três hotéis em Caldas da Rainha, frequentada por três mil pessoas por ano, e ainda hotéis em Moledo, Caldas da Taipas e Vidago, cujas águas compara a Vichy. O guia espanhol, da autoria de José Cascales Munoz, indica apenas os hotéis que conhece e que classifica com o termo espanhol fondas, referindo Caldas de Vizela, Caldas de Felgueiras, Vidago, Pedras Salgadas, Caldas das Taipas e Caldas da Rainha.

A situação do turismo balnear, apesar da emergência precoce da vilegiatura de praia, em meados do século XIX, não foi muito diferente. Ramalho Ortigão identificou as principais praias frequentadas no final da década de 70 e indicou 24 hotéis e duas hospedarias, na Foz (Ortigão, 1877). A aceitar como válidos os juízos das fontes, muitos dos hotéis indicados seriam afinal modestas hospedarias (Ríos, 1888). A exceção a este retrato de modéstia encontra-se nos Estoris (Briz, 1997), com três hotéis muito frequentados, e especialmente, Figueira da Foz, considerada a principal praia portuguesa neste período, e que em 1913 contava com sete hotéis. A Madeira, por outro lado, ia perdendo a sua velha feição de health resort e dava lugar ao turismo de lazer. As quintas de cura, por outro lado, eram substituídas por hotéis modernos e confortáveis, como o Monte Palace Hotel [1900] e o Reid’s Palace Hotel [1904].

Quando surgiu a Sociedade de Propaganda de Portugal, em 1906, o desenvolvimento do turismo estava naturalmente refém da ausência de progressos nas práticas de vilegiatura. Para os seus responsáveis, a ausência de turistas devia-se à falta de hotéis em condições de os receber. Apesar da dificuldade do exercício, é possível estabelecer uma abordagem quantitativa ao setor. Para efeitos fiscais, a estatística oficial classificava o alojamento em hotéis, hospedarias e estalagens. De acordo com os dados apresentados no parlamento pelo ministro do fomento, Manuel Afonso Espregueira, em 1905, havia em Portugal 1337 hotéis, sendo 1208 permanentes e 129 temporários. Lisboa e Porto, com 330 hotéis, contabilizavam perto de 25% do total.

Na comparação com outras fontes, nomeadamente com dados estatísticos das finanças, percebemos que a expressão hotéis tem o significado lato habitual, na medida em que Manuel Espregueira não distingue o hotel de outras tipologias. Mas, para efeitos fiscais, as finanças identificavam, em 1911, um total de 1485 proprietários registados, correspondendo 533 a "donos de hotéis e hospedarias″, 410 a "donos de casas de hóspedes″ e 442 a "donos de estalagens″ (INE, 1911). As informações contidas no relatório do ministro do fomento de Luciano de Castro ajudam, por outro lado, a lançar alguma luz sobre a realidade do setor no início do século XX: ″Em todos os 1:337 hotéis do continente o número de quartos utilizáveis é de 11:873, sendo a população média mensal de hóspedes de 173:181, e o pessoal empregado em todas essas casas de 3:263 indivíduos. Em média há 8,8 quartos utilizáveis por hotel, e a população média mensal de hóspedes no conjunto não chega a 130 indivíduos. O número de serviçais é pouco superior a 2 por hotel. Em relação ao número de andares vê-se que para 1:337 casas há somente 2:116 andares destinados ao serviço dos hóspedes" (DCD, sessão de 16.8.1905, p. 49).

Apesar da escassez de fontes, é possível fazer uma distribuição espacial dos hotéis, considerando as proclamadas ″condições naturais". Comparámos por isso os hotéis referidos no guia Karl Baedeker, edição de 1908, um dos mais utilizados por diferentes públicos da Europa, e o Guia dos Caminhos-de-ferro, português, edição de 1913:

Distribuição dos hotéis por dois guias de viagens
Quadro 1
Distribuição dos hotéis por dois guias de viagens
Elaboração própria

Os números devem ser tomados com cuidado, até porque não consideram a realidade da Madeira e dos Açores. Ainda assim, parece evidente que, dadas as ″condições naturais" para o desenvolvimento turístico, o número de hotéis estaria longe do potencial de desenvolvimento dos diferentes destinos e territórios. Apesar da extensão da sua costa com condições para a promoção do turismo balnear, os números referentes a hotelaria balnear revelam com clareza os evidentes atrasos do setor em Portugal. O país encontrava-se distante das dinâmicas capitalistas que povoavam as regiões da Europa, casos da Suíça, França, Itália e até Espanha (Gigase, Humair & Tissot, 2014). O guia Baedeker sintetizava assim, em 1908, a situação da hotelaria: ″Lisbon, Sintra, Bussaco, and Oporto possess excellent Hotels, but luxurious establishments, in the modern sense, are to be found only among the best (and expensive) hotels of the capital. The houses are not usually very substantially built and heating-arrangements are seldom met with in the bedrooms. The fare, however, is usually very good and the standard of cleanness satisfactory. In some of the smaller houses the beds are very hard" (p. 470).

A referência a hotéis de luxo fora da capital pode ser vista como uma referência crítica ao modelo de desenvolvimento hoteleiro predominante nos discursos de políticos e privados. A discussão, no parlamento, entre 1905 e 1908, da chamada lei hoteleira, concedendo benefícios fiscais para a construção de hotéis, é elucidativa da visão dos políticos e dos promotores do turismo. Tanto Espregueira como Ernesto Schröeter, os dois ministros responsáveis pelas propostas, tinham em vista a construção de grandes unidades hoteleiras com capacidade para atrair a elite europeia e rentabilizar o elevado investimento. Num ofício enviado ao parlamento, em 1908, José Fernando de Sousa, presidente da SPP, referia-se à ″clientela rica e exigente, que dá o tom da moda e atrás da qual vem o grosso dos excursionistas" (DCD, sessão de 27.8.1908, p. 16-18). A lei não foi aprovada, mas a política hoteleira continuou refém desta visão dourada dominada por hotéis de luxo, género Palace, como o Avenida (1892), Bussaco (1888-1907), Vidago (1910) e Curia (1926). A mesma política seria seguida em Espanha, que no início do século XX conseguia, ainda assim, edificar com sucesso uma rede de hotéis de luxo que servia a aristocracia espanhola e a burguesia europeia (Garrido, 2007, p. 51-55).

Quanto ao resto, a Sociedade de Propaganda de Portugal procurou contribuir para melhorar a qualidade do alojamento. Não é aqui o lugar para analisar essa intervenção, mas recordamos que logo em 1906 publicou o Guia dos Proprietários de Hotéis, que fazia recomendações essenciais para que os novos hotéis respondessem às necessidades de higiene e conforto do viajante moderno. Por outro lado, promoveu concursos com que procurou que as unidades hoteleiras da província procedessem a obras de remodelação para receber o turista dentro dos padrões europeus de qualidade. A fraca adesão aos concursos realizados revela a falta de visão estratégica dos atores e o estado de pré-capitalismo do turismo em Portugal. Era um problema político e cultural (Silva, 1958, p. 318-322).

CONCLUSÃO

As propostas interpretativas da historiografia europeia e americana definem o hotel como parte essencial da modernidade económica, social e tecnológica. Como símbolo do capitalismo, o hotel participou no processo de organização da indústria do turismo e em alguns casos, como no Oeste da Suíça, afirmou-se como o principal motor de desenvolvimento económico e de expansão do capitalismo industrial e financeiro. A análise da evolução do alojamento em Portugal, quando comparada com a Europa e os EUA, parece comprovar uma relação de causalidade inversa, isto é, a lenta penetração do capitalismo e as dificuldades de financiamento de uma economia periférica impediram a criação de uma rede de hotéis que potenciasse as chamadas ″qualidades naturais" da natureza, das águas e do seu património histórico. As fontes, nomeadamente guias e literatura de viagens, comprovam as dificuldades de adaptação do alojamento no sentido de se ajustar às necessidades de procura dos turistas e viajantes e comprovam o disgnósticos negativo realizado pela Sociedade de Propaganda de Portugal, desde 1906. Apesar do modelo de referência suíço, Portugal não teve a pressão da procura que este país sofreu, nem a capacidade dinâmica do seu setor privado. O Estado recusou, numa primeira fase, aprovar legislação que facilitasse o investimento hoteleiro. Mais do que grandes hotéis, a falta de conforto e higiene das estalagens e hospedarias traçou esta imagem de um país sem preparação para receber viajantes de lazer que procuravam as ‘delícias’ naturais que a retórica apresentava como superiores, em beleza e ‘pitoresco’, às melhores da Europa.

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Notas

[1] Miguel Dias Santos – Doutor. Investigador do Instituto Superior da Maia, Castelo da Maia, Portugal. Currículo: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=2391565246320655. E-mail: migueldiassantos2@gmail.com
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