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Turismo Termal em Vidalgo, Portugal (1908-1968): Boa Infraestrutura Atrai Turistas e Visitantes-Dia
Thermal Tourism in Vidalgo, Portugal (1908-1968): Good Infrastructure Attracts Tourists and Visitors-Day
Rosa dos Ventos, vol. 9, núm. 2, pp. 245-262, 2017
Universidade de Caxias do Sul

Artigos



Recepção: 04 Setembro 2016

Aprovação: 22 Fevereiro 2017

DOI: https://doi.org/10.18226/21789061.v9i2p245

Financiamento

Fonte: Fundos Europeus Estruturais e de Investimento

Resumo: Este artigo apresenta um estudo de caso[4] sobre o turismo termal em Vidago, Portugal, no período de 1908 a 1968, privilegiando uma abordagem qualitativa. Consultaram-se fontes documentais, orais e iconográficas, para relatar o crescimento da infraestrutura hoteleira, ou seja, de um conjunto variado de hotéis e pensões, também responsáveis por disponibilizar atividades de lazer, ambos essenciais para o sucesso de uma estância termal. No período estudado, a localidade também investiu em vias de acesso, internas e externas à mesma. Retratam-se cotidianos de um frequentador assim como preocupações dos turistas para indicar quais os efeitos deste processo de transformação física do local. Conclui-se que Vidago é um exemplo excelente para ilustrar que, graças a uma aposta consequente e coerente nos diversos componentes do desenvolvimento turístico, um local ‘insignificante’ pode se transformar em destino de renome.

Palavras-chave: Turismo termal, Infraestrutura, Hotelaria, Lazer, Vidago, Portugal.

Abstract: This paper presents a case study on thermal tourism in Vidago, Portugal, from 1908 to 1968, prioritizing a qualitative approach. Documentary, oral and iconographic sources were consulted to report the growth of hotel infrastructure - a diverse set of hotels and pensions -, also responsible for providing leisure activities, both essential to the success of a spa. In studied period, locality also invested in internal and external access routes. The article also presents the everyday life of a visitor as well as concerns of tourists to indicate effects of this process of physical transformation of the place. It is concluded that Vidago is an excellent example to illustrate how consistent and coherent investments in the various components of tourism development can transform a place into a destination of renown.

Keywords: Thermal tourism, Infrastructure, Hospitality, Recreation, Vidago, Portugal.

INTRODUÇÃO

Em pesquisa realizada por Pereira (2014), o mesmo partiu da seguinte pergunta: que elementos contribuíram, entre 1908 e 1968, para que a aldeia rural Vidago, em Portugal, se transformasse em estância termal, prestadora de serviços? Como resultado, constatou que todos os componentes que, conforme Inskeep (1991, p. 38-39), devem ser trabalhados para responder às necessidades dos visitantes, foram considerados: o ponto de partida foi uma clara aposta nos recursos naturais endógenos, as águas minerais naturais e a natureza. Houve um investimento consistente na criação de unidades de alojamento e na oferta de outras facilidades e serviços turísticos, como recreação e desporto. Em nível de transportes, a inauguração da linha ferroviária em 1910 foi a mais importante. Investimentos noutras infraestruturas, como abastecimento de água, eletricidade, telefone e artérias rodoviárias, foram tão pouco negligenciados. Em termos institucionais, os devidos esforços foram feitos: funcionou uma Comissão de Iniciativa de Vidago, desde 1924, substituída por uma Junta de Turismo de Vidago, em 1937, até ser obsorbida pela Região de Turismo de Chaves, em 1961 (Joukes, 2010). Foi graças a um trabalho constante, de longo prazo e em várias direções, que a transformação de Vidago em estância termal se realizou.

Optou-se por reagrupar neste artigo pormenores acerca dos aspetos infraestruturais que estavam na base do desenvolvimento turístico de Vidago; daí que os itens 4 e 5 apresentem as infraestruturas hoteleiras e de lazer, e que o 6 e 7 retratem algo das rotinas dos visitantes-do-dia e dos turistas neste destino, inclusive uma descrição da chegada dos aquistas, outra faceta da vida na estância que melhorou graças a investimentos infraestruturais. Este estudo de caso permitirá descrever como Vidago - apesar de estar relativamente isolada e em plena natureza - conseguiu atrair grandes números de visitantes porque, nos arredores das nascentes hidrominerais, infraestruturas recreativas e muita animação completavam a oferta de alojamento. Uma constelação de sucesso que ainda hoje é defendida nos livros sobre planeamento turístico (Gunn & Var, 2002; Hall, 2008; Ritchie & Crouch, 2003).

METODOLOGIA

Dentro da metodologia qualitativa, privilegiou-se a técnica do estudo de caso para descrever alguns aspetos do turismo termal na então renomada estância de Vidago. Já que o período escolhido é o de 1908 a 1968, trata-se igualmente de um estudo histórico[5]. Fontes escritas, orais e iconográficas foram consultadas. Quanto às fontes escritas, houve fontes primárias como registos manuscritos, jornais locais e nacionais, tal como fontes secundárias (Pereira, 1965; Cruz, 1970; Salvador, 2004) e Junta de Freguesia de Vidago (2004). Relativamente às fontes orais, referimos os contributos de onze pessoas que vivenciaram o período em análise de forma ativa, sendo que a maioria dos entrevistados desempenhou alguma atividade profissional em Vidago no período em estudo. No verão de 2013, solicito-se aos mesmos que apontassem o seu testemunho por escrito, a três questões abertas; um exercício que resultou em relatos que referem facetas da vida diária dos vidaguenses e hóspedes na época termal. As respostas foram submetidas a uma análise de conteúdo. O trabalho de campo implicou igualmente conversas informais com muitos habitantes e antigos trabalhadores da Empresa Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas [VM&PS] para completar a informação disponível, tal como visitou-se algumas unidades hoteleiras no local que poucas restruturações sofreram desde a sua abertura, para perceber quais as condições que disponibilizavam aos hóspedes. Outro tipo de fonte com informações riquíssimas foram fotografias e postais da época.

Coordenadas Espácio-Temporais - Vidago é uma freguesia no sul de Chaves, que faz fronteira com a Galiza [Espanha]. As nascentes no vale da Ribeira de Oura, um território muito ruralizado no norte de Portugal, na região de Trás-os-Montes, e no distrito de Vila Real. Situa-se a 336m de altitude e a 150 km de distância do Porto e a 470 km de Lisboa. Será a zona em redor das nascentes e, em particular, toda a atividade turística na dita estância termal de Vidago que estará no foco de atenção (Castro, n.d.) (Figura 1).

Inicia-se a análise em 1908, ano em que começou a construção do Palace Hotel, empreendimento arquitetónico único, de condições excecionais para a época. Vidago conhecerá desde a sua exploração um notável desenvolvimento. Repare-se que foi em 1909 que a Empresa das Águas de Vidago consegue o alvará de concessão da exploração das nascentes Vidago 1 e 2, e a compra dos terrenos da fonte Vidago 2 a Manuel de Sousa (Joukes, 2009). O período em consideração termina em 1968 com a abertura da Pensão Primavera, o último espaço hoteleiro tradicional da estância termal a ser construído.


Figura 1
Localização de Vidago
Ribeiro, 2010

Outra razão para estudar-se o desenvolvimento socioeconómico de Vidago no arco cronológico 1908-1968 é que este conflui com o período de maturação do turismo termal em Portugal, implementando-se aqui um modelo de desenvolvimento de centros termais onde não só o culto pela água está central, mas também o culto pelo ócio e pelo desporto que já se tinha provado eficiente durante por toda a Europa (Mangorrinha & Pinto, 2009). O enfoque deste artigo, porém, será nos investimentos feitos ao longo do período estudado em infraestruturas hoteleiras, recreativas e para ampliação de acessibilidade, como apresentado a seguir.

UNIDADES DE ALOJAMENTO PARA TURISTAS

Em finais do século XIX e até ao ano de 1910, a aldeia de Vidago era uma estância termal muito pouco desenvolvida e francamente pobre nos serviços que apresentava aos seus hóspedes e aquistas. Aliás, a capacidade hoteleira não ia muito além do Grande e do Pequeno Hotel, propriedades da empresa das Águas de Vidago, construídos em 1874, e que tinham a capacidade de hospedar respetivamente cerca de 100 hóspedes distribuídos por 54 quartos e outros 30, distribuídos por 16 quartos. Foi no Grande Hotel que o rei D. Luís I e a rainha D. Amélia ficaram alojados nos anos de 1875, 1876 e 1877. O Pequeno Hotel oferecia condições mais modestas, proporcionando que aquistas menos endinheirados pudessem usufruir das curas e das atividades de lazer que normalmente apenas as elites podiam custear.

Para além destes dois havia o Hotel das Aurélias, bem como o Hotel do Simão. Ambos funcionavam em casas amplas que foram pelos seus proprietários transformados em pensões de pequena dimensão. Existia também uma ou outra casa de pasto (Salvador, 2004). A maioria dos hotéis apareceu no início do século XX. Os maiores são o Palace Hotel, aberto ao público em 1910; o Hotel Avenida, em 1911; e o Hotel Salus, em 1918 (Pereira, 1965). Existiam, ainda, pensões com quartos mais simples. O Quadro 1 ilustra o aumento da capacidade hoteleira em Vidago no início do século XX.


Quadro 1
Capacidade hoteleira de Vidago 1910-1930 (n.º de quartos)
Salvador, 2004; dados tratados por Sérgio Pereira

Enquanto os hotéis mencionados no Quadro 1 se mantiveram em funcionamento, apareceu a partir de 1935 um conjunto de pensões de caris familiar em que o investimento financeiro era de baixo risco. A Pensão Termas, a velha e nova Pensão Santos, a nova Pensão da Avenida, o Hotel do Parque e a Pensão Primavera apresentavam condições mais modestas: uma construção simples sem grande estilo arquitetónico. Algumas delas eram, em primeiro lugar, residências dos seus proprietários que as foram adaptando com aumentos e sucessivas restruturações de acordo com as suas possibilidades financeiras, para dar resposta à crescente procura por parte dos aquistas de classes menos abastadas. A mudança na qualidade da oferta turística, do início do século XX até 1968, evidencia que, inicialmente, as classes sociais abastadas procuravam a estância termal de Vidago e só mais tarde, nas décadas de 1920 e 1930, classes com um menor poder de compra começam a frequentar o local.

Sem dúvida nenhuma, o Vidago Palace é aquele que mais impressiona. Foi com a abertura deste hotel de luxo, em 1910, e a criação do parque junto das nascentes com alamedas ladeadas de árvores, jardins cuidados, lagos artificiais e estruturas arquitetónicas monumentais que protegiam as fontes. Pretendia-se implantar em Vidago algo da vida luxuosa da corte portuguesa, tal como se pretendia seguir o modelo das estâncias internacionais, mudando para sempre a imagem do turismo termal na região. Os acontecimentos revolucionários e a implantação do novo regime republicano fizeram cair por terra todo esse ideal romântico e principesco que se queria dar ao novo hotel (Vidago, 1910).

Embora a monarquia portuguesa não tenha tido o privilégio de usufruir do majestoso e elegante hotel, este foi frequentado ao longo do século XX pelas mais altas personalidades da nação e dos mais variados campos: Amélia Rey Colaço (1898-1990), empresária do teatro; Sequeira Costa (1930), músico e compositor; Marcello Caetano (1906-1980), último Presidente do Conselho do Estado Novo; Duarte Pacheco (1900-1943), ministro das Obras Públicas; Sá Carneiro (1934-1980), fundador do Partido Social Democrata; e os presidentes da República Marechal Carmona (1869-1951) e Américo Thomaz (1894-1987) (Castro & Ducout, 2011, p.130, 131 e 133). Pode-se considerar que, no período em consideração, a vila cresceu em termos urbanísticos, por dar resposta a um aumento na procura. Todas estas unidades de alojamento promovem a criação de emprego e alimentam a visão que o turismo termal pode trazer riqueza para a região, que irá perdurar no futuro.

Infraestruturas de Lazer e Vias de Acesso - Pretendendo ser um dos melhores hotéis e realmente ter sido apreciado como tal desde a sua inauguração ('Vidago, 20-6-10', 1910), considera-se de toda justiça uma caracterização detalhada das comodidades que o Vidago Palace apresentava aos seus clientes. Recorremos para o efeito a uma descrição exaustiva anónima do edifício da segunda década do século XX:

[…] obra sumptuosa, com todo luxo e todas as comodidades, reputado pelas pessoas viajadas como um dos mais notáveis hotéis do mundo. Certamente os há maiores, mas não os há nem mais confortáveis nem mais ricos em decorações, no mobiliário. Pela fachada que é grande artística e imponente, ninguém pode fazer ideia do que é o interior esse palácio magnífico […]. Da avenida, cortando o parque, sobe-se para o vestíbulo do hotel, por uma escadaria majestosa, em granito alvo de neve. Em volta do edifício há um terraço largo donde a vista abrange todo o vale da Ribeira de Oura e os contrafortes das serras que lhe limitam o horizonte, revestidos de vinhedos, soutos e pinheirais. O vestíbulo, vasto e elegante, separado da monumental caixa de escada por fortes colunas, dá acesso, a um lado, à sala de espera para jantar. A caixa da escada e a escada nobre são soberbas, dum aspeto que surpreende – ramificando-se a escada em dois lanços simétricos até ao primeiro patamar, e unindo-se ali para seguir até aos andares superiores. A escada ou o ascensor que sobe junto dela dão, em todos os andares, para galarias largas, para outros tantos salões, sempre decorados, com mobiliário adequado e pomposo. A direita do primeiro piso é ocupada pelo salão de jantar, que vai em altura até ao segundo pavimento, circundado por uma galeria luxuosa; os candelabros de luz elétrica, fornecendo uma iluminação profusa e estonteante; a galeria, donde o sexteto enche o ambiente da doçura inefável de notas musicais, torna esses salões de um efeito indiscritível [Ver Figura 2]. À esquerda do primeiro piso ficam os gabinetes do médico, da administração, do correio, dos telefones, do barbeiro, e cabeleireiro, da toilete das senhoras, da escrita para senhoras, o salão de leituras, o salão de jogos, com o salão de conversação, ricamente mobilado, lá ao fundo. E, ainda neste primeiro piso, na parte posterior do edifício, se admira o salão de música ou o salão de festas. Ligado ao vestíbulo é, contudo independente – impressionando pela sumptuosidade nobre e severa, oferecendo aos que não desejam envolver-se no borborinho das festas a galeria que o circunda. À parte central pertencem os quartos de luxo, e pela esquerda estendem-se ainda outros quartos, todos com portas e janelas sobre o parque. Os quartos de luxo compreendem, cada um deles, uma saleta, camara para dormir, banhos e water-closet (Pereira, 1965, p. 39 e 42; itálico nosso).


Figura 2
Salão de jantar e galeria circundante
Vidago Palace Hotel. Restaurante [Postal], n.d.

Para além do Vidago Palace, a Empresa das Águas de Vidago construiu, numa primeira fase que vai de 1908 a 1911, um conjunto de edifícios, nomeadamente os pavilhões que albergam as fontes ‘Vidago’, ‘Vidago 1’, ‘Vidago 2’, ‘Vidago 2A’ e ‘Oura’, a sueste; ‘Vila Verde’, a noroeste; e ‘Sabroso’, a sul, tal como uma casa para o administrador e um armazém. Todos em estilos arabizantes e neoclássicos, de pendor monumental, para criar na estância um ambiente romântico que, enquadrado com o esplendor do Vidago Palace Hotel, levaram à crescente afluência de aquistas das classes mais altas da sociedade. Estes pontos serviam não só para embelezar o parque, tornar a toma das águas mais agradável e facilitar as vendas, mas também para criar pontos de encontro para os aquistas socializarem (Mangorrinha & Pinto, 2009: 296; Mariz, 2015: 108).

Em 1916 a Empresa inaugura o novo balneário termal, que proporcionou - completamente separado do hotel - aos aquistas e turistas um vasto edifício com cariz artístico e monumental. Este novo balneário punha ao dispor dos aquistas todos os modernos requisitos hidrológicos e clínicos existentes na altura. Estava ainda concebido para futura ampliação. O edifico estava disposto da forma mais convencional em que dois corpos laterais se uniam por um corpo central; à esquerda estava instalada a farmácia, à direita o consultório médico e ao centro a parte mais nobre do edifício, um átrio com colunas em quadratura na parte central, que apresentava um elemento interessente da arquitetura de interiores; a parte anterior estava destinada a salas de repouso, tratamento de luz e mecanoterapia. As alas eram divididas por sexos: do lado direito, senhoras, do lado esquerdo, homens; os corredores centrais dividiam os quartos com as banheiras em ferro esmaltado e, ao fundo dos corredores ocupando o centro do espaço, as salas de duches e as instalações sanitárias. Estava dotado de gabinetes para massagem subaquática, sendo todos os aparelhos e leitos de massagem dos mais modernos modelos de uma importante casa francesa (Mangorrinha & Pinto, 2009).


Figura 3
Campo de golfe de Vidago
Silva, 1951.

Para além de disponibilizar tratamentos hidrotermais, a Empresa das Águas de Vidago tinha a incumbência de promover momentos de diversão e lazer aos hóspedes. Os hotéis, e nomeadamente os da VM&PS, proporcionavam em primeiro lugar a oportunidade de passear pelo parque pelas alamedas que criaram. Realçamos que o acesso ao parque era livre, ou seja, qualquer hóspede alojado em Vidago e até visitantes-do-dia podiam aproveitar este espaço verde e majestoso. A VM&PS implementou ainda para os seus próprios clientes outras infraestruturas recreativas dentro do parque, como um campo de ténis, um ringue de patinagem, um campo de tiro e um lago artificial que permitia agradáveis passeios de barco, bem como a organização de regatas. Garantiam assim a possibilidade de efetuar curas termais em plena natureza que podiam ser complementadas por atividades físicas, de lazer e de convívio.

É com a aquisição da Companhia das Águas Salus, em 1934, que a VM&PS expandiu o seu negócio da venda de águas minerais naturais e que ficou proprietária dos terrenos da Quinta das Bolas, que iriam servir para a construção do campo de golfe, projetado pelo arquiteto escocês Mackenzie Ross [Fig.3]. Foi inaugurado juntamente com o pavilhão de apoio que resguardava a nascente Vidago 3 em 1936, pelo então presidente da República, Marechal Carmona (Junta, 2004, p. 81-93). Um investimento que trazia uma enorme valia à estância de Vidago. Pois, com o campo de golfe consolidava a VM&PS uma oferta a um público com elevado poder de compra, procurando diversificar os serviços turísticos, por forma a aumentar o número de pernoitas no Vidago Palace Hotel. Esta inovadora valência turística marcará até aos dias de hoje o desporto na região, contribuindo para a identificação de Vidago como destino de golfe, para além ou em combinação com o turismo de saúde e bem-estar.


Figura 4
Praia fluvial de Vidago
'Praia de Vidago. Tâmega' [Postal], n.d.

Em 1937, a VM&PS adquiriu os terrenos da margem direita do rio Tâmega, na designada praia fluvial de Vidago, a cerca de três quilómetros da povoação, para aí construir um requintado salão de chá que servia de apoio para hóspedes e veraneantes. Estes podiam, ainda, realizar passeios de barco a remos, uma vez que foi construída uma represa que proporcionava a calmaria das águas do rio (Salvador, 2004, p. 28) [Fig.4]. Um jornalista contemporâneo aproveita estes acontecimentos para elogiar a VM&PS que “cada vez mais se esforça por modernisar as suas estâncias, tornando-as rivais das congeneres estrangeiras.” ('Praia Fluvial', 1937)

Dos outros hotéis podemos dizer que se inspiravam no Vidago Palace para darem forma às suas infraestruturas de lazer. Tinham a vantagem que os seus clientes podiam, ainda, aproveitar as instalações e a oferta de animação que este hotel exemplar tinha. E por fim referimos a importância da linha de caminho-de-ferro para Vidago e a criação de algumas artérias de comunicação. A linha do Corgo (entre Régua e Chaves) não só trazia milhares de aquistas, como também visitantes-do-dia, tal como permitia a realização de mini excursões para quem já estava no local. Os gerentes da Empresa das Águas de Vidago tinham plena consciência que o comboio era um elemento estratégico para o negócio das águas. A chegada do caminho-de-ferro, em 1910, no ano da abertura do Vidago Palace, veio permitir que os aquistas se pudessem deslocar mais rápida e comodamente até à estância (Joukes, 2009). Uma vez que a grande maioria chegava de comboio, ve-se aqui um fator de vital importância para o sucesso do empreendimento turístico termal que se queria levar a cabo em Vidago.

Foi graças ao seu poder político que o então gerente António Teixeira de Sousa fez com que a estação de Vidago ficasse localizada em linha reta e a escaços 300 m da entrada monumental do Palace, no fim de uma alameda que recebeu o seu nome [Avenida Teixeira de Sousa], e não no centro da povoação, como estava inicialmente previsto (Joukes, 2009; ‘Vidago', 1910). Proporcionou uma rápida deslocação de pessoas e bens da estação até ao parque termal. A partir do portão principal do parque foi construída, em 1917, outra avenida larga, a Alameda António Viana que obteve o nome de um dos sócios e investidores quando da decisão da construção do Vidago Palace Hotel e que assegurava uma ligação confortável até ao hotel Salus e a sua fonte. Saindo também do portão do parque, mas em sentido oposto, a Alameda Conde de Caria, concluída no início da década de 1930, permitiu a ligação do centro da povoação e do Grande Hotel ao parque e às nascentes (Pereira, 196; Salvador, 2004).

A linha de comboio facilitou a chegada de um número crescente de aquistas. Para lhes agradar, os hotéis e pensões foram ao longo do período 1908-1968 providas de infraestruturas de lazer, que garantiram um variado leque de opções para preencher o tempo após banhos. A construção e abertura das amplas avenidas, ladeadas por árvores, foi importante para a estância porque facilitou as deslocações entre os principais hotéis da vila, o centro da povoação, a estação de comboio e o parque termal.

A INVASÃO DE VISITANTES-DO-DIA AOS FINS-DE-SEMANA

A estância termal de Vidago foi durante o século XX um local de férias para várias gerações de famílias, que por motivos de ócio e repouso ou até de estatuto social, se hospedavam nos seus hotéis. Outros procuravam a estância por motivos de saúde, na expectativa de que as águas minerais naturais contribuíssem para curar as suas enfermidades. Todos estes ‘veraneantes’ vinham com o intuito de se hospedarem nos diversos espaços hoteleiros por vários dias ou semanas, proporcionando mais-valias económicas para a vila de Vidago e, em particular, para a sua gente que de uma forma ou de outra estava ligada ao setor. Mas ao longo do nosso estudo fomos constatando que a estância de Vidago atraia não só quem pernoitasse, mas também pessoas que vinham de passeio durante o fim de semana e que não costumavam pernoitar. Hoje seriam classificados como visitantes-do-dia. Encontramos informações que comprovam que desde a década de 1920 a estância de Vidago era tradicionalmente visitada aos fins de semana por uma grande quantidade de pessoas, oriundas das mais disparas geografias do norte de Portugal. Principalmente no verão, o comboio da linha do Corgo trazia ao parque termal de Vidago centenas de pessoas que vinham passear e beber as águas das suas nascentes. Os horários dos comboios no verão e durante o fim de semana eram organizados pelos Caminhos-de-ferro de Portugal de forma a responder à procura dos veraneantes que enchiam as carruagens ‘do Texas’ (Povo do Norte, 11 de agosto de 1927). No jornal A Região Flaviense ('Comboio de recreio', 1926) este comboio é chamado de ‘comboio de recreio’. Aos domingos:

[...] é constituído pelos comboios n.º 1371 (ascendente) e 1378 (descendente) cuja marcha foi para esse fim modificada somente nesses dias. O ascendente parte da Régua às 7 horas e 5 minutos, chega à Pedras Salgadas às 10 horas, a Vidago às 10:37 e a Chaves às 11:26. O descendente parte de Chaves às 21:42, de Vidago às 22:32 e das Pedras às 23:15, chegando à Régua à 1:40. Assim os forasteiros que quizerem aproveitar estes comboios para visitar a nossa terra, podem aqui demorar-se 10 horas e tomar as duas refeições, almoço e jantar, nos hotéis da vila.

O que é muito revelador são as opiniões críticas do jornalista flaviense que seguem: “Pena é que não haja em Chaves quem organise festas e diversões nos domingos que chamem a concorrência de visitantes. […] A indústria do turismo é uma fonte de riqueza que só as terras pouco civilisadas não sabem fomentar” ('Comboio de recreio', 1926).

Vidago figurava também nos roteiros das excursões em grupo e de autocarro. Estes excursionistas chegavam ao parque termal com o objetivo de visitar um local mágico e de rara beleza. Pois, ainda antes do meio do século XX havia empresas de turismo que organizavam visitas de autocarro, proporcionando aos excursionistas a possibilidade de conhecer a estância termal de Vidago. Num folheto publicitário datado do ano de 1937, confirma-se que a Sociedade de Propaganda de Portugal recomendava aos forasteiros a visita à estância de Vidago (SPP, 1937). Segundo a obra de Pereira (1965), as fontes estiveram sempre abertas a todos os turistas ou excursionistas que visitaram Vidago que podiam gratuitamente beber a água. Foi dessa forma que adquiriu enorme fama no mercado, causando grande aborrecimento a si e aos vidaguenses quando isso na década de 60 acabou de ser hábito. Pois, começou-se a proibir os excursionistas de beberem águas nas fontes encaminhando-os para as oficinas e vendendo-lhes água engarrafada. A este propósito transcrevemos a seguinte passagem:

Por que motivo, agora, não dão água nas fontes ao turista que, de passagem, levaria na boca o sabor da boa água e a palavra merecida e justa? Chegaria o dia em que, disso estamos certos, em que esse passante, que outrora não deixava lucro à companha, viria fazer uma cura de águas a esta estância termal. Serão prejudiciais para a companhia os escassos minutos que o pessoal da fonte pode perder? (Pereira, 1965, p. 51).

A chegada dos aquistas a Vidago e a rotina das suas curas - Como já referimos, a maioria dos aquistas que se hospedava na estância termal de Vidago entre as décadas de 1910 e 1960, viajava de comboio. A linha do Corgo representava, assim, a parte final de uma viagem que poderia demorar mais que um dia, dependendo da origem do turista termal. A última parte deste trajeto iniciava em Peso da Régua e passava por Vila Real e Pedras Salgadas em velocidade muito lenta, o que permitia observar as paisagens, serpenteando as montanhas, vencendo a altitude. Por fim o olhar dos turistas fixava-se sobre o magnífico e luxuriante arvoredo do vale da Ribeira de Oura e consequentemente do parque termal de Vidago. No cais de chegada da estação de comboio de Vidago [Fig.5] aguardavam rigorosamente fardados os corretores e grumos, funcionários dos diversos espaços hoteleiros que tinham por missão angariar hóspedes e carregar as bagagens, apregoando o nome do respetivo hotel ou pensão.


Figura 5
Estação de comboio de Vidago
'Estação de comboio de Vidago' [Postal],n.d.

Muitos hóspedes já traziam a marcação da estadia feita da época anterior, contudo os que chegavam pela primeira vez à estância de Vidago, assistiam ao frenesim da estação, à carga e descarga das encomendas, do peixe fresco, das batatas, dos adubos, bem como das suas próprias bagagens. Admiravam-se com a azáfama dos carregadores, fatores, aspirantes, capatazes, agulheiros, guardas de cais, com a movimentação dos grumos e com os pregões [no bom sentido; porque serviam para convencer os recém-chegados a os acompanhar para o hotel que representavam] dos corretores, à entrada e saída de pessoas e bens do comboio. Quem chegasse, escolhia em função do seu poder de compra o seu local de estadia. E enquanto os corretores e respetivos grumos carregavam as bagagens, de quem tinha direito a este serviço, os hóspedes seguiam a pé ou de carro; só o Grande Hotel e Hotel Palace tinham serviço de automóvel.

Quando os hotéis previam a chegada de uma grande quantidade de hóspedes faziam deslocar os seus corretores até uma estação anterior, a de Vila Pouca de Aguiar, para anteciparem a captação de clientes para as suas unidades hoteleiras, sobretudo com o intuito de desviar clientes que poderiam ficar na estância de Pedras Salgadas, mas também para antecipar a concorrência Vidaguense (Entrevista a Horácio Ferreira, em 12 de setembro 2013). Depois do aparecimento do automóvel alguns hotéis tinham ao dispor viaturas que transportavam os hóspedes entre a estação e o hotel. Na década de 1930 e 1940, António Alípio Alves Teixeira Fraga e Ambrosina de Oliveira Cruz, gerentes do Grande Hotel, utilizavam o seu próprio carro, um Benz e mais tarde um Buick [Fig. 6] e um Plymouth (Salvador, 2004). O Vidago Palace tinha um miniautocarro de dez lugares, do ano de 1930 e de fabrico Inglês. Ainda hoje esta preciosidade se mantém em funcionamento, podendo ser apreciado - às vezes - em frente da escadaria do hotel.


Figura 6
Mini autocarro da VM&PS em frente ao Palace Hotel, no ano 1930
Fotografia de S. Pereira.

Algumas das malas que os hóspedes repetentes traziam, tinham uma etiqueta com o nome do hotel que voltariam a visitar. Pois, entre o final do século XIX e o terceiro quartel do século XX os grandes hotéis produziam etiquetas para colar nas malas dos seus hóspedes, que se designavam de ‘rótulos de hotel’. Os rótulos teriam que mencionar o nome e a localização do hotel, para além de uma imagem atraente e sedutora. Funcionava como publicidade gratuita e prestigiava os hóspedes que os mostravam como forma de enaltecer o seu estatuto social. A Figura 7 mostra um rótulo do Vidago Palace Hotel.


Figura 7
Rótulo do Vidago Palace Hotel
Silva, 2010

O dia-a-dia do aquista na estância termal de Vidago era rotineiro, marcado pelo horário dos tratamentos hidrológicos. Quando chegava à estância fazia a inscrição no consultório do Palace Hotel, caso fosse hóspede do mesmo, ou no balneário para os restantes frequentadores da estância. O estabelecimento balneoterápico, como era designado nas primeiras décadas do século XX, era dirigido por médicos conceituados, uma vez que eram profissionais profundamente conhecedores da ciência hidrológica e da balneoterapia, com diversos estudos publicados e consagrados entre os seus pares. A estância estava aberta para os tratamentos hidroterápicos entre as 7 horas da manhã e às 13 horas da tarde. Durante as primeiras décadas do século XX, a primeira consulta dos aquistas na estância era efetuada pelos médicos da estância no Palace Hotel, das 11 horas da manhã até às 13 horas, pelo diretor clínico Dr. Tenreiro Sarzedas, ou no estabelecimento balneoterápico de manhã das 9 às 11 horas pelo mesmo médico e, à tarde das 15 às 17 horas, pelo médico adjunto Dr. Artur Fernandes. As fontes encontravam-se em funcionamento para tratamento individual das 7 horas às 22 horas (Empresa das Águas de Vidago, 1916).

Com o passar dos anos e o aumento da afluência à estância, foram-se mudando os procedimentos da inscrição. Ajustaram-se os horários de funcionamento do balneário, que passava a estar aberto da parte de tarde para os tratamentos hidrológicos, com exceção do domingo, em que encerrava para folga dos funcionários. Passou a ser usado um impresso próprio para registar cada aquista que se inscrevia, no qual constavam dados pessoais como nome, idade, morada e atividade. Por norma, o aquista pagava a inscrição que lhe daria direito, entre outros, a tomar as águas nas fontes. Seguia-se a consulta médica, durante a qual o médico analisava o aquista, procurando encontrar a terapêutica mais adequada à sua situação clínica, ou exigindo a realização de exames complementares, que poderiam eventualmente ser executados no próprio balneário. Ao longo do tratamento era preenchido o boletim médico pessoal, no qual eram registados todos os progressos médicos do aquista. Este boletim ficava arquivado no balneário e iria acompanhar o aquista sempre que regressasse à estância para novos tratamentos (Entrevista a Fausto Aguiar, a 10 de setembro de 2013).

Segundo conversa com o Sr. Fausto Aguiar, rececionista do balneário durante muitos anos, pode-se apurar que os processos clínicos ficaram arquivados durante décadas. Assim, era possível recuperar um boletim médico em pouco tempo, mesmo se o aquista não tivesse estado na estância durante anos, como nos mostra o exemplo seguinte. Quando a certa altura, uma senhora com mais de 50 anos pretendeu inscrever-se no balneário para tratamentos hidrológicos, informou o rececionista do balneário que tinha estado na estância termal de Vidago em tratamentos quando criança, com os pais. O rececionista efetuou a inscrição, dando autorização à senhora para que esta pudesse ir até ao consultório do médico. Passados alguns minutos pediu licença para entrar no consultório médico, e ao espanto da senhora, o médico já tinha acima da sua mesa o boletim médico que tinha sido aberto no seu nome há mais de 40 anos. Ficou este tempo todo guardado nos arquivos do sótão do balneário.

Este rico arquivo permitia que o médico tivesse sempre a possibilidade de tomar conhecimento de todos os atos terapêuticos pelos quais tinha passado cada aquista. Pois, era norma os aquistas serem consultados pelo médico termal pelo menos no início e no fim de cada cura. Todos os desenvolvimentos do tratamento terapêutico ficaram registados no referido boletim. Conservava-se assim o historial clínico de todos os aquistas que passavam pela estância termal. Pena é que se tenha perdido toda essa documentação, porque poderia prestar um sem número de conhecimentos essenciais para melhor interpretarmos e avaliarmos o poder terapêutico destas águas [Entrevista a Fausto Aguiar, a 10 de setembro de 2013]. De certeza quando sabemos que hoje um objetivo explícito de investigação de muitas equipas é precisamente comprovar cientificamente o poder das águas minerais naturais como o comprovam, por exemplo, os programas e atas dos congressos internacionais da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e Climatologia ou da International Society of Medical Hydrology and Climatology.

CONCLUSÕES

Quem visita Vidago hoje, encontra uma vila pacata recheada com memórias do seu passado termal. Identificar este património e reconstruir parte da vida diária na época termal foi este o objetivo deste artigo. Concentrámo-nos em primeiro lugar numa descrição das unidades de alojamento, mas também das vias de acesso à vila e das grandes vias de comunicação dentro da mesma e por último das infraestruturas de lazer. A seguir descrevemos alguns aspetos da vida diária na época termal, como a chegada dos aquistas por comboio e o decorrer de um dia típico de cura. Para quem quiser saber mais sobre esta abordagem histórica da vida termal em Vidago, referimos que traçámos a ocupação dos tempos livres nesta mesma estância e no mesmo período, noutra comunicação apresentada na conferência Turismo & História, que decorreu em Faro [Portugal] e em Caxias do Sul [Brasil], em simultaneo, nos dias 10 e 11 de março de 2016, com o título “Aspects of spa goers’ daily life during the spa season in Vidago (1908-1968)”.

Concluímos que então, tal como hoje, boas infraestruturas e vias de acesso são essenciais para atrair turistas e, neste caso especial, também milhares de visitantes-do-dia. De certeza na primeira metade do período investigado - 1908-1968 – constatou-se em Vidago um incessante investimento num upgrading do quadro básico da oferta, ou seja, do património construído. E assim, ilustra-se através do exemplo de Vidago que com um espírito empreendedor, apoiado por investimentos pesados se consegue transformar um local em si ‘insignificante’, numa estância de turismo de renome, explorando um recurso endógeno único, as águas minerais naturais, de forma inteligente; ou seja, existe uma relação íntima entre a presença de uma forte componente infraestrutural e um grande número de turistas e visitantes-do-dia.

Serviu assim um exemplo descritivo da estância termal de Vidago com mais de um século de história para demonstrar, igualmente, uma teoria turística bem mais recente, nomeadamente aquela que afirma que todos os componentes da oferta turística devem ser trabalhados para poder satisfazer os visitantes (Inskeep, 1991). Ou seja, sem conhecer modelos teóricos, os empresários locais intuitivamente conseguiram o sucesso.

PÓSFÁCIO

Em 2010, o Vidago Palace Hotel foi reaberto pela Unicer após profundas remodelações e, desde então, se distingue como hotel de cinco estrelas inserido num fabuloso parque verdejante e ladeado por um campo de golfe com 18 buracos. Antes, o antigo balneário já tinha sido reconvertido em centro de congressos (Palácio, 2017). A pensão Primavera foi também profundamente reestruturada para abrir em 2011 como Primavera Perfume Hotel, de três estrelas (Primavera, 2017). A Câmara Municipal de Chaves em estreita colaboração com a Junta de Freguesia de Vidago e vários stakeholders locais já tinham criado, em 2008, a Vidagustermas, uma Associação para a Promoção e Desenvolvimento Termal e Turístico de Vidago, com o objetivo de dar um novo rumo à vila termal de Vidago que passa igualmente por um investimento em infraestruturas recreativas.

Uma primeira realização conjunta foi a transformação da antiga estação de comboio no Balneário Pedagógico de Investigação e Desenvolvimento de Práticas Termais de Vidago, aberto ao público em 2016. Outras metas em vias de realização são a criação de um Ecomuseu, uma quinta pedagógica, uma Casa Museu João-Vieira, tal como um posto de informação turística e uma loja de produtos regionais (Vidagustermas, 2017). Acrescenta-se que o canal de televisão público RTP1 apostou num projeto televisivo de época com seis episódios de 50 minutos cada, que decorre em Vidago dos anos 1930 do século XX. A minissérie ‘Vidago Palace’ foi lançada na primavera de 2017 (Silveira, 2016). Por outras palavras, hoje há de novo uma aposta em infraestruturas complementares e exatamente porque estão a ser dinamizados, mais facilmente atrairão visitantes que, por sua vez, deverão trazer um novo ciclo de vida para a estância termal de Vidago.

Agradecimentos

Este trabalho é financiado por: Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, na sua componente FEDER, através do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização [COMPETE 2020] [Projeto nº 006971 (UID/SOC/04011)]; e por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito do projeto UID/SOC/04011/2013.

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Notas

[1] Veronika Joukes - Doutora. Professor no Departamento de Economia, Sociologia e Gestão, na área de Turismo, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal, e no Centro de Estudos para Transdisciplinares e Desenvolvimento. Orcid: http://orcid.org/0000-0002-0518-8511. E-mail: veronika@utad.pt
[2] Sérgio Pereira – Historiador. Investigador independente. Portugal
[3] Versão atualizada de artigo submetido II Conferencia Turismo & História, em 2016.


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