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Feira Nacional do Cavalo: Dinâmica Identitária e Turística em Golegã, Portugal
ANA CRISTINA PEREIRA JOAQUIM
ANA CRISTINA PEREIRA JOAQUIM
Feira Nacional do Cavalo: Dinâmica Identitária e Turística em Golegã, Portugal
National Horse Fair: Identity and Touristic Dynamics in Golegã, Portugal
Rosa dos Ventos, vol. 10, núm. 2, pp. 230-249, 2018
Universidade de Caxias do Sul
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Resumo: O presente artigo pretende refletir sobre a importância da Feira de S. Marinho / Feira Nacional do Cavalo / Feira Internacional do Cavalo Lusitano no contexto do reforço identitário e turístico da região do Ribatejo. Em consequência, apresenta a evolução histórica da Feira, apoiada em termos metodológicos numa análise de conteúdo de notícias e artigos de jornais entre 2004 e 2015, nomeadamente O Mirante e Público online, e na programação anual da Feira, publicada no período em análise. Paralelamente, o artigo em questão faz, ainda, uma abordagem entre a Feira e o turismo, designadamente o turismo equestre.

Palavras-chave:Turismo EquestreTurismo Equestre,Feira Nacional do CavaloFeira Nacional do Cavalo, Feira de S Martinho Feira de S Martinho,Cavalo LusitanoCavalo Lusitano,Golegã, Ribatejo, PortugalGolegã, Ribatejo, Portugal.

Abstract: The intention of the following article is to highlight the importance of the S.Martinho Fair / National Horse Fair / International Lusitano Horse Fair in its identity and touristic region of the Ribatejo. Furthermore, it shows the fair’s historical growth based on methodological terms in an analysis content of newspaper articles from two thousand and four to two thousand and fifteen mainly on line, in O Mirante and Publico, and in the fair’s annual programme, published in the above period of time. The article in question also mentions the fair and its tourism, especially the equestrian tourism.

Keywords: Equestrian Tourism, National Horse Fair, S Martinho Fair, Lusitano House, Golegã, Ribatejo, Portugal.

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Artigos

Feira Nacional do Cavalo: Dinâmica Identitária e Turística em Golegã, Portugal

National Horse Fair: Identity and Touristic Dynamics in Golegã, Portugal

ANA CRISTINA PEREIRA JOAQUIM
Agrupamento de escolas Marcelino Mesquita do Cartaxo, Portugal
Rosa dos Ventos, vol. 10, núm. 2, pp. 230-249, 2018
Universidade de Caxias do Sul

Recepção: 13 Fevereiro 2017

Aprovação: 06 Outubro 2017

INTRODUÇÃO

O artigo tem o propósito de estudar o contributo da Feira de S. Martinho / Feira Nacional do Cavalo / Feira Internacional do Cavalo Lusitano no fortalecimento da identidade ribatejana e como motor promocional do turismo, nomeadamente, do turismo equestre a nível local, contribuindo para o desenvolvimento economico, social e cultural da região e de Portugal. O artigo divide-se em duas partes. A primeira parte engloba uma abordagem teórica sobre a concetualização do turismo equestre e as linhas de orientação para desenvolvê-lo no Ribatejo, seguindo-se uma breve explanação sobre as origens da Feira, no sentido de compreender a ligação entre turismo equestre, feira, identidade ribatejana. A segunda parte trata do estudo de caso sobre a Feira de Golegã. Em termos metodológicos foram realizadas análise de conteúdos a noticias e artigos do jornal regional, O Mirante, e do jornal nacional, Público, entre 2004-2015, com o objetivo de averiguar a preservação da memória de uma Feira rural, franca e centenária e como esta pode potenciar uma forma de turismo ainda por desbravar em Portugal, o turismo equestre.

QUADRO TEÓRICO-CONCEPTUAL

Turismo Equestre - O Turismo Equestre traduz-se na “atividade turística oferecida comercialmente, em que o equino ou muar representa o meio de transporte e um dos principais atrativos” (Turihab, 2012, p. 8). A Fédération Internationale de Tourisme Equestre [FITE, n.d] apresenta o conceito de turismo equestre com um significado alargado, na medida em que inclui, não só, a equitação e os percursos a cavalo, mas também todas as atividades equestres realizadas pelos turistas fora do seu local de residência habitual, abrangendo cursos de formação, estágios e todo o tipo de férias que envolva a participação do cavalo. Györffy (2001 cit. in Magalhães, 2015) considera o turismo equestre como parte do turismo ativo, praticado por indivíduos que procuram experiências diversificadas e de contacto com a natureza, a tradição do mundo rural, a cultura popular, o artesanato e a gastronomia. Segundo Deloitte (2015b), “o Turismo Equestre resulta do produto composto por subprodutos do segmento de Touring Cultural e Paisagístico, de Turismo de Natureza e da valorização do Turismo no Espaço Rural” (p. 34). No entanto, para vários autores (Gil, 2006; Figueira, 2007; Patrão, 2008; Turihab, 2012; Deloitte, 2015b) a concetualização do turismo equestre assenta na sua divisão em dois segmentos: o Turismo do Cavalo [engloba as atividades ligadas ao mundo equestre, sem que se desenvolva, pelo turista a atividade da equitação] e o Turismo a Cavalo [quando se desenvolve, pelo turista, a prática de equitação ou as deslocações implicam o transporte a cavalo].


Figura 1
Organização do Turismo Equestre
Adaptado de TURIHAB (2012, p.8)

O turismo equestre é principalmente um turismo de lazer, que se inclui dentro do turismo ativo e que surge em ligação com a natureza, a cultura rural e popular, o artesanato e a gastronomia local (Gyôrffi-Villám, 2001 cit. in Könyves & Suta, 2009). No entanto, as especificidades do turismo equestre vão além da tradição e da competição, dado que, atualmente, se verifica um progresso nas atividades relacionadas com a equitação terapêutica o que contribui para melhorar as condições de saúde, assegurando um estilo de vida mais saudável (Könyves & Suta, 2009). O turismo equestre pode ser um vetor muito importante para o desenvolvimento sustentável. Farrrell (1999 cit. in Pickel-Chevalier 2015) apresenta esse desenvolvimento enquadrando-o na denominada trindade da sustentabilidade, que implica a integração das vertentes económica, social e ambiental, contribuindo para a viabilidade económica da atividade turística, para a coesão social e para uma melhor educação ambiental e gestão do meio ambiente. Assim, o turismo sustentável para o desenvolvimento traduz-se num turismo que contribui, segundo Pickel-Chevalier (2015), para:

· melhorar o bem-estar e os meios de subsistência das comunidades locais, apoiando as suas economias;

· envolver as populações de acolhimento e manter ou reforçar a sua coesão social;

· compreender a diversidade cultural e permitir encontros interculturais;

· proporcionar experiências positivas para a população local, empresas de turismo e turistas;

· promover a consciência ambiental junto das populações locais e dos turistas, conservando e protegendo o meio ambiente, respeitando a vida selvagem, a flora, a biodiversidade, os ecossistemas e a diversidade cultural.

Esta ideia vai ao encontro dos desígnios das Nações Unidas que declararam o ano de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável [AITSD] para o Desenvolvimento. No contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o AITSD visa promover mudanças nas políticas, práticas comerciais e comportamento do consumidor, com o objetivo de tornar a setor sustentável contribuindo para alcançar os objetivos defendidos pela referida Agenda. Assim, irá desenvolver-se o papel do turismo em cinco áreas-chave: crescimento econômico inclusivo e sustentável; inclusão social, emprego e redução da pobreza; uso eficiente dos recursos, proteção ambiental e luta contra as mudanças climáticas; valores culturais, diversidade e património; e, compreensão mútua, paz e segurança (UNWTO, 2016).

O turismo equestre surgiu nos anos 1950, na Europa, numa altura em que as máquinas substituíam os veículos de tração animal. Nesta altura, a França assumiu um papel relevante no turismo equestre, mantendo-o na atualidade (FITE, n.d.). Deloitte (2015a) aponta três países europeus com relevância, para o turismo equestre: Áustria, Espanha, e França. Refere, ainda, os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina como países que desenvolveram o setor equestre com enorme sucesso. A atratividade da prática do turismo equestre passa pelos seguintes fatores: pode ser praticado durante todo o ano, em espaços e ou ambientes diversificados, combinando o desporto com o desfrute da paisagem e do ambiente natural; a duração do percurso a cavalo pode ser curta, não sendo necessário ter capacidades físicas especiais para ser um cavaleiro ocasional [basta seguir as instruções do guia]; apresenta um número bastante elevado de potenciais clientes; permite responder a novas necessidades exigidas pelos turistas, como a aproximação ao património ecológico de um território, o desejo de aventura e a descoberta de valores etnográficos e pode, ainda, fazer parte de diversos pacotes turísticos (Gil, 2006).

Pla (2015) refere que, para desenvolver o turismo equestre na Europa, é necessário continuar a apostar em espaços comuns de promoção onde é possível localizar a maioria da oferta de produtos equestres. É, também, importante continuar a desenvolver a homogeneização de percursos equestres, de níveis de dificuldade das rotas, de imagens, de sinalética e de qualidade dos serviços. O contexto internacional do turismo equestre caracteriza-se pela existência de 20 milhões de praticantes, sendo 6,4 milhões de praticantes, europeus. O Reino Unido possui cerca de 2,4 milhões de praticantes, a Alemanha 800.000 e Portugal 4.000 praticantes (Oliveira, 2010). Em 2012, na França, havia mais de 1.700 clubes equestres, cujo o número de membros quintuplicou entre 1984 [com 145.071 membros] e 2012 [com 706.449 membros de clubes] (FFE, 2012 cit. in Pickel-Chevalier, 2015).

Em nível mundial há a salientar algumas das tendências evidenciadas no setor, como: o aumento do número de participantes em atividades equestres; o crescimento a nível da mobilidade de cavalos no espaço europeu; uma maior diversificação dentro da indústria equestre; a estabilidade da indústria equestre e uma maior consciência ambiental (Deloitte, 2015a). Também em Portugal, as atividades relacionadas com o cavalo são cada vez mais populares, devido ao aumento do número de provas e do número praticantes das várias modalidades equestres como Obstáculos, Ensino e Equitação Adaptada, Atrelagem, Equitação de Trabalho, Horseball, etc. A criação de cavalos encontra-se mais concentrada nas regiões do centro e sul de Portugal, no entanto, o uso do cavalo encontra-se em crescimento, existindo um número muito significativo de equipamentos e instalações equestres [centros hípicos, clubes equestres, coudelarias, centros de ensino] acessíveis ao público, em geral. Assim, Portugal apresenta condições muito profícuas para a utilização do cavalo como meio de lazer que aliadas ao clima temperado, à riqueza paisagística e ao excelente serviço de acolhimento, constituem um enorme atrativo para quem gosta de associar o cavalo às atividades lúdicas e de lazer (2003, ANTE cit. in Magalhães, 2015).

Do Ginete Ibérico ao Cavalo Lusitano - A forte ligação de Portugal ao mundo equestre, ao longo dos tempos, conduziu ao apuramento de três raças autóctones: o Lusitano, o Sorraia e o Garrano (Turihab, 2012). O Cavalo Lusitano, de origem portuguesa, em virtude do enorme prestígio que apresenta, pela sua pureza, beleza e pujança, constitui um caso único de atratividade a nível mundial (Patrão, 2008). O cavalo tipo Ginete Hispânico, presente na Península Ibérica, é o cavalo que originou a arte gineta [combate, caça, toureio, maneio de gado] e que contribuiu para as vitórias dos Espartanos sobre os Atenienses, que retirou forças a Cartagineses e Romanos quando invadiram a Península Ibérica (Andrade, 1984 cit. in Faria, 2002). Os Mouros, quando entraram na Península Ibérica, constataram a superioridade deste ginete relativamente aos equídeos que usavam (Câmara Municipal da Golegã, 2002). Este cavalo originou a formação de todas as raças cavalares, ou de sela europeias, estando na base da formação do puro-sangue de corrido inglês (Andrade, 1984 cit. in Faria, 2002). Assim, também, o Cavalo Puro-sangue Lusitano é uma raça portuguesa que deriva do ‘velho’ Ginete Ibérico (CMG, 2000)

Em Portugal, o cavalo desempenhou um importante papel na consolidação da independência nacional. As características Cavalo Lusitano e a agilidade dos cavaleiros portugueses muito contribuíram para a conquista do território nacional e para o sucesso nas batalhas contra os povos invasores. O cavalo e a equitação tiveram desde muito cedo um lugar de destaque no país, sendo de 1430, a publicação do primeiro tratado do mundo de equitação, o Livro da Ensinança de Bem Cavalgar, do Rei D. Duarte. Em 1790, surge o tratado de equitação, Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavalaria, de Manuel Carlos de Andrade, importantíssimo documento técnico e histórico que representa o valor dado pela nobreza ao cavalo nacional e à equitação (ANTE, 2003 cit. in Magalhães, 2015). A qualidade do Cavalo Puro-sangue Lusitano confere-lhe um entendimento com o cavaleiro superior a qualquer outra raça moderna. Selecionado como cavalo de caça e de combate apresenta-se, atualmente, como um cavalo versátil, dócil, ágil e corajoso, o que lhe permite competir, com sucesso, na maioria das modalidades do desporto equestre. No mercado equestre, é procurado como reprodutor e como montada de desporto e de lazer, em virtude dos atributos peculiares e da antiguidade genética que possuí (Associação Portuguesa de Criadores do Puro-Sangue Lusitano [APSL], 2011). A institucionalização oficial do Stud-Book da Raça Lusitana, constituiu um passo decisivo na preservação da raça, ao condicionar a admissão de reprodutores aos requisitos mínimos do respetivo padrão, dando origem a um criterioso trabalho de seleção e contribuindo para o conhecimento aprofundado da genealogia (Turihb, 2012).

O Potencial do Turismo Equestre para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal - No que concerne ao desenvolvimento do turismo equestre em Portugal, Patrão (2008) identifica alguns aspetos relevantes a considerar:

• A pertinência do turismo equestre para atrair fluxos turísticos de relevância, nas vertentes do Turismo a cavalo e do Turismo do cavalo;

• A importância do nicho de mercado das viagens no Reino Unido, Espanha, França, Irlanda, Roménia e Estados Unidos;

• O número elevado de cavaleiros existentes nos principais mercados emissores para Portugal revela um importante mercado a explorar;

• As especificidades do turismo equestre estão de acordo com o desenvolvimento turístico preconizado para Portugal podendo ser um complemento muito importante na oferta.

Patrão (2008) refere que existem, em Portugal, fatores favoráveis ao desenvolvimento do turismo equestre e que potenciam a viabilidade de várias oportunidades empreendedoras que abranjam o mercado interno e externo e que, consequentemente, contribuirão para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país. As vantagens são: a herança da cultura do cavalo, o Puro-sangue Lusitano, o bom acolhimento o clima favorável, os recursos naturais e construídos e os produtos regionais (Deloitte, 2015b; Patrão, 2008). O elemento segurança é outro fator que pode potencializar o crescimento deste setor (Constantino, 2008 cit. in Valente, 2008).

Na Europa registaram-se cerca de 4,3 milhões de cavalos, que geraram receitas diretas entre € 9,6 e € 12,3 mil milhões e criaram cerca de 860 mil postos de trabalho. Em Portugal, o turismo equestre poderá originar receitas que rondem os € 350 milhões e criar mais de 20 mil postos de trabalho. Estes valores poderão ser viáveis se forem desenvolvidos projetos nesse sentido, o que passará pela integração das vertentes do Turismo a Cavalo e do Turismo do Cavalo. Neste contexto é imprescindível a procura de novos produtos e segmentos de mercado onde a inovação deve ter um lugar de relevo (Constantino, 2008, cit. in LUSA, 2008). Constantino (2008 cit. in Valente, 2008) apresenta algumas sugestões como a criação de pacotes turísticos que integrem passeios a cavalo, alojamento, visitas a academias, participação em eventos equestres, jornadas a cavalo de vários dias, programas para pessoas com deficiências motoras e em recuperação, oferta de produtos diferenciados tendo em atenção os grupos etários e sociais dos tagets a atingir, havendo ainda a possibilidade de apostar nas educational holidays para proprietários, com ações de formação e na atração de eventos específicos. Segundo Ferreira, (2008 cit. in Valente, 2008) é ainda necessário haver organização e promoção de programas com animações complementares de acordo com as caracteristicas das diversas regiões, criar infraestruturas diferenciadas adequadas às necessidades da procura e aumentar a notoriedade de Portugal como destino turístico equestre, equacionando grandes eventos de projeção internacional.

O TURISMO EQUESTRE NA REGIÃO DO RIBATEJO – O CASO DA GOLEGÃ

No estudo realizado pelo Deloite (2015a) sobre o Plano de Intervenção para o Turismo Equestre no Alentejo e Ribatejo verifica-se que, no global, a oferta é escassa nos elementos centros equestres, itinerários equestres e unidades de alojamento; sendo na vertente das coudelarias, serviços complementares equestres e serviços complementares, de nível moderado. No entanto, a região da Lezíria do Tejo apresenta a melhor posição, sendo apenas muito escassa no elemento centros equestres, e moderada no elemento alojamentos (Figura 2). Segundo a Deloitte (2015a), a procura nacional e internacional apresentam perfis diferenciados: (a) a procura nacional caracteriza-se por famílias com filhos menores; estadia de curta duração, maior nas férias escolares; com rendimento médio/médio-alto; sem grandes conhecimentos sobre o cavalo ou atividades equestres; (b) a procura internacional caracteriza-se por mulheres entre os 25-50 anos, estadia com duração de 4 a 6 dias; procura anual regular; rendimento médio-alto/alto; a prática de atividades equestres é a motivação principal, têm conhecimentos sobre o cavalo e sabem montar.


Figura 2
Caracterização da oferta de turismo equestre no Alentejo e Ribatejo
Deloitte (2015ª, p. 11).

Deloitte (2015b) apresenta as linhas de orientação estratégica para a região do Alentejo e Ribatejo que englobam cinco programas. Assim, dão-se a conhecer estas linhas orientadoras, indicando algumas das formuladas para a Golegã:

· Programa 1 - Promoção do Produto: Engloba as seguintes ações: criação de um Selo de Qualidade [óptica de certificação para o setor que assegure padrões de qualidade a nível nacional e internacional]; promoção da Marca Turismo Equestre no Alentejo e Ribatejo; conceção da Plataforma Online/Grupo de Trabalho [rede constituída por entidades públicas e privadas, responsável pela consolidação da oferta do setor]; criação do Guia de Turístico Equestre [para conhecer infraestruturas, rotas, eventos e diversas valências do setor].

· Programa 2 - Rotas Equestres: Com a definição e organização de rotas na região de diferentes modelos e níveis de dificuldade, apresentando as atividades como produto turístico ou complementar a produtos turísticos alternativos. Passará pela promoção de atividades de Turismo Equestre como complemento do turismo de Touring Cultural e Paisagístico englobando passeios equestres com visitas a pontos históricos e rotas do Ribatejo entre a Golegã e a Companhia das Lezírias [Benavente].

· Programa 3 - Apoio à Consolidação do Produto, abrangendo: Estágios - criação de estágios para praticantes de equitação nas vertentes profissional e amador, em diversas faixas etárias. Os estágios devem ser contemplados nos Pacotes de Turismo em Espaço Rural [TER]. Aqui terá importância o Centro de Alto Rendimento para os Desportos Equestres, Hippos-Golegã, infraestrutura única em Portugal, permite a prática de todas as disciplinas equestres, sendo apropriada aos treinos de atletas que participem em competições internacionais. Criação de pacotes turísticos de estadia nas unidades de alojamento rural com a possibilidade de prática de atividades equestres.

· Programa 4 - Feiras e Eventos: Promovendo de forma mais organizada e exaustiva as feiras equestres existentes e desenvolvimento de novos eventos que intensifiquem a afluência de turistas e profissionais do setor. Na Golegã, os eventos: Feira de São Martinho/Feira Nacional do Cavalo/Feira Internacional do Cavalo Lusitano e Expoégua[2] [certame que enaltece a égua como mãe e seu sucesso em atividades que antes eram apenas destinadas aos cavalos]. Deverão ser organizados concursos e jogos equestres projetando a Golegã como Capital Europeia do Cavalo.

· Programa 5: Sensibilização e Formação: Com a criação de programas de sensibilização para a população residente e de formação para agentes do setor turístico e profissionais do setor equestre na temática do turismo equestre e das suas vantagens para a região. A Golegã poderá ser palco destas iniciativas.

Nesta estratégia, preconiza-se o funcionamento coordenado de três entidades públicas, relevantes em termos de dimensão, reconhecimento e infraestruturas: a Companhia das Lezírias, a Coudelaria de Alter e o Hippos-Golegã.

Feira de S. Martinho – A fundação da Golegã remonta ao tempo de D. Afonso Henriques ou de D. Sancho I. Segundo Oliveira (2005), a origem e a prosperidade da Golegã resultam de dois fatores primordiais: a localização privilegiada no mapa de estradas nacional e a fertilidade dos seus campos. As terras férteis advêm da situação ribeirinha do Almonda e Tejo, constituídos pelas aluviões dos rios, com os nateiros que vão renovando essa riqueza. O espargal, olival e as searas povoam a Golegã desde cedo, tal como a produção de gado. (Faria, 1939 cit, in Câncio, 1939). A Golegã com uma localização próxima da Estrada Régia e de outras vias de comunicação, fazia parte dos itinerários entre Lisboa, o centro e o norte do país, tendo ao longo do tempo ganho relevância a nível comercial (Oliveira, 2005). A Golegã foi elevada à categoria de vila em 1534, por carta de D. João III (Sousa, 2003). Desde cedo, a produção cavalar assumiu grande relevância pelas diversas utilizações, no trabalho rural, na guerra, no transporte de mercadorias e de pessoas, pelo que, em meados do séc. XVI, a Golegã era um ponto estratégico na produção equestre. De salientar que D. João III, em documento secreto, solicitava ao corregedor da comarca de Santarém que se informasse sobre o número de cavalos existente na região, impondo regras que levassem à qualidade da produção cavalar (Oliveira, 2005).

Nesta altura, foi criada uma feira que se realizava a 4 de outubro, tendo como patrono S. Francisco. A data de realização da feira da Golegã ficou a coincidir com a Feira de S. Miguel de Penela pelo que surgiram queixas pela parte dos promotores desta última. Para resolver a contenda, D. Sebastião, por alvará de 6 de julho de 1531, passou a feira para novembro, dia de S. Martinho. D. Sebastião apostou, ainda, numa política de consolidação da produção equestre, tendo publicado um regimento sobre coudelarias (Oliveira, 2005). A partir de 1580, a Dinastia Filipina viu a forte cavalaria nacional como um perigo para a soberania de Espanha, pelo que as coudelarias nacionais foram abolidas, liberalizou-se o uso de gado muar, havendo uma diminuição significativa da produção cavalar. No reinado de D. João IV, com a restauração, houve urgência na recuperação da produção equina, assim, foram tomadas medidas no sentido de melhorar a criação de cavalos em quantidade e qualidade, devendo-se salientar a reinstituição das coudelarias nacionais e a publicação, em 1645, do Regimento da Criação dos Cavalos (Oliveira, 2005).

No século XVIII, a Golegã era próspera com importantes quintas: Cardiga, Álamos, Paúl, e Labruja (Câncio, 1939), sendo referenciada como tendo uma grande feira, a 11 de novembro, com a duração de três dias e considerada a maior do Reino (Oliveira, 2005). O gosto pelos cavalos levou à realização de concursos hípicos em que concorreram os melhores criadores de cavalos (Câncio, 1939). O retrocesso no desenvolvimento da Golegã, no início do séc. XIX, é marcado por dois fatores: a construção de novas vias, que lhe tiram a importância que detinha, e as invasões francesas, que influenciam negativamente a produção agrícola e a criação de gado. Nesta altura, também a Feira mostrava sinais de declínio, a escassez de gado levava a um aumento acentuado dos preços, e à diminuição das trocas, ficando a feira minada pelo jogo (Oliveira, 2005). Neste contexto de decadência, Rafael José da Cunha adquiriu as quintas dos Álamos e do Almonda/Broa, e tornou-se num grande lavrador e criador de touros e cavalos (Sousa, 2003).

Em 1865, D. Luís revitalizou a Feira da Golegã, ao publicar o Decreto que criou um concurso de gado cavalar, revelando-se muito profícuo para a dinamização das coudelarias e a recuperação da economia local. O documento apelava à produção equina e à produção agrícola, especialmente, no Ribatejo, sendo o concurso a motivação para a competição entre os criadores, umas vez que, foram instituídos prémios no montante de 500.000 réis a distribuir na Feira (Oliveira, 2006). No primeiro ano o grande prémio foi atribuído a Rafael José da Cunha. Em 1871, foram criados dois prémios de honra para os criadores dos quatro melhores cavalos nas modalidades de sela e tiro e dois prémios para os criadores que apresentassem as duas melhores éguas para sela e tiro. Em 1873, a Golegã atinge um dos seus pontos altos, com os concursos de apresentação e as provas realizadas num hipódromo, onde teve relevância Carlos Relvas, também pioneiro da fotografia em Portugal (Oliveira, 2005). Manuel Tavares Veiga, engenheiro agrónomo que viria a herdar a quinta da Broa, aplicou critérios científicos à produção cavalar apurando a raça nacional ao ir buscar caracteristicas muitos especiais à herança do magnífico Ginete Ibérico. Daqui resultou, a estripe “Veiga” dentro da raça do Lusitano, cavalo muito procurado a nível internacional pela sua “fixidez de tipo e homogeneidade de carácter”. (CMG, 2000, p.4).

No século XX, a Feira de S. Martinho passou a ser uma feira especializada no Cavalo, especialmente na raça do Puro-Sangue Lusitano, tendo nos anos 1950 e 1960 surgido duas ações importantes: o concurso de apresentação do cavalo de sela e a criação de uma comissão organizadora da feira. A Feira das Barracas, quando terminava o evento dos cavalos, passava a ocupar o Largo do Arneiro até ao fim do mês de novembro (Oliveira, 2005). O desenvolvimento, o interesse que despertava a nível nacional e internacional e a singularidade da Feira de S. Martinho levou a que, em 1972, o Estado Português a decretasse oficialmente como Feira Nacional do Cavalo [FNC] (Maltez, 2009). Em 1974, com a Revolução de Abril, o desenvolvimento da FNC é interrompido por um período de três anos, por questões de índole ideológica e críticas ao evento, considerado demasiado restrito e elitista. Segundo Maltez (2009), “afundaram-se num logro, que era divorciar o Cavalo da Feira, tornando-a numa festa vulgar do calendário anual. Tentaram virar o povo contra uma Feira, a qual tinha sido por ele mantida e que a ele devia a sua prosperidade” (p.3). Em 1977, reabilita-se a FNC, apresentando um leque diversificado de provas, concursos e eventos: Concurso de Apresentação do Cavalo de Sela, Concurso de Cavalos de Engatados, competições de saltos de obstáculos, corso de amazonas, cavaleiros e equipagens, espetáculos de folclóricos e filmes ligados ao mundo rural.

Na década de 1980, a FNC cimenta as suas ações e amplia o seu programa, reunindo cada vez mais apoios e patrocínios, quer de entidades oficiais quer de particulares. No certame estão presentes cada vez mais coudelarias e as atividades vão alargando o seu âmbito, englobando raid equestre, concursos de ensino, de cavalos montados à portuguesa e de apresentação de carruagens. Os locais onde decorre a Feira alargam-se às quintas circundantes. No final dos anos 1990, a Feira potencia a sua dimensão e dinamismo (Oliveira, 2005). A Golegã é elevada a Capital do Cavalo de Portugal e em 1999 passa a ser Feira Internacional do Cavalo Lusitano[FICL], dada a contribuição da Golegã no apuramento e promoção da raça (Maltez, 2009).

ESTUDO DE CASO: A FEIRA DE S. MARTINHO, TURISMO E ECONOMIA LOCAL

Metodologia - O objetivo geral do estudo assenta numa investigação que pretende refletir sobre a importância da Feira de S. Martinho/FNC/FICL no contexto do reforço identitário e turístico da região do Ribatejo. Neste contexto, os objetivos específicos do estudo são: (a) determinar em que medida as tradições centenárias da Feira são preservadas; (b) avaliar as potencialidades da Feira no contexto do turismo e do turismo equestre para a região. Estes objetivos baseiam-se na suposição de que a Feira pode promover e divulgar as tradições e a cultura da região, o turismo, nomeadamente equestre, alargando o âmbito territorial dos seus visitantes, tornando-se num motor de desenvolvimento socioeconómico e cultural.

Em termos metodológicos, o estudo passou por duas fases. A primeira fase correspondeu à recolha de dados a partir de notícias do jornal regional O Mirante e do jornal nacional O Público, Online, edições relativas ao mês de novembro [realiza-se na primeira quinzena, durante 10 dias], no período de 2004 a 2015. Procedeu-se ainda à recolha de dados a partir dos programas da Feira, retirados de publicações da responsabilidade do Município da Golegã. A segunda fase traduziu-se na sistematização da informação de forma a possibilitar a análise dos conteúdos das fontes mencionadas.

Apresentação e Análise de Dados Contextuais - A análise de conteúdo teve como objetivo conhecer alguns elementos considerados importantes na realização da Feira da Golegã: os elementos integradores da feira, os contributos da feira para a economia local/regional, os elementos culturais e artísticos e os aspetos ligados à segurança de pessoas e bens num local de dimensão limitada, mas que reúne todos os anos centenas de milhar de visitantes. Com base no Quadro I, podemos observar que os elementos tradicionais de uma feira centenária tem sido preservados ao longo tempo, como por exemplo, as atividades/iniciativas equestres, o Cavalo Lusitano, as coudelarias, os trajes de equitação à portuguesa, as atitudes boémia e marialva, a reconstituição de episódios de outros tempos e o magusto.

A Feira dinamiza a economia local/regional na medida em que permite: aos criadores mostrarem e divulgarem os seus cavalos a potenciais clientes nacionais e estrangeiros, havendo especial interesse por parte de ingleses, espanhóis, franceses e brasileiros; as transações do Cavalo Lusitano; os negócios que giram em torno do cavalo como os correeiros e os vendedores de todo o tipo de adereços e vestuário equestre; dinamizar a restauração e a hotelaria local; comercializar produtos tradicionais de várias regiões; o arrendamento de espaços com fins comerciais e potenciar o turismo local. Na vertente da cultura, há sempre lugar para exposições, palestras e lançamento de livros, com temática equestre. Relativamente à segurança, as entidades organizadoras têm tomado medidas no sentido de aumentar a segurança rodoviária e segurança de pessoas e bens durante o evento.

Verifica-se, no período em análise, a introdução de novos elementos:

No ano de 2005, a Golegã recebeu as delegações de Jerez de La Frontera, Waregem e Pardubice, tendo aderido à Rede Europeia de Cidades Ligadas ao Cavalo. A Euro-equus corresponde a uma rede europeia de cidades, com representantes de Portugal, Espanha, República Checa e Bélgica, que pretende aproveitar as tradições equestres para dinamizar o turismo equestre, tornando-o numa fonte de receita. A rede possibilita aos seus membros a troca de experiências, o intercâmbio de conhecimentos, a preparação conjunta de projetos de formação, organização de exposições, corridas e outros eventos.

Em 2006, inaugura-se o Hotel Lusitano, importante unidade hoteleira que alia modernidade e tradição e em 2008 inaugura-se SportHotel, que serve igualmente como centro de estágios. Em 2010, a Golegã recebeu os seus parceiros da rede Euro-equus, da Bélgica e da República Checa. Procedeu-se à homologação do protocolo celebrado entre a Fundação Alter Real, a APSL e a Associação Brasileira de Criadores do Puro-Sangue Lusitano, em que as partes se comprometem a difundir o Cavalo Lusitano no Mundo, contribuindo para a valorização da atividade económica dos criadores dos dois países. Ocorre, ainda, a assinatura do contrato de financiamento para construção, na Golegã do HIPPOS.

Em 2012, inaugura-se a escultura Bem-vindo à Feira, do Mestre Rui Fernandes. A escultura constituiu uma forma de homenagear os goleganenses e todos os visitantes da feira. Apesar de não estar inaugurado, regista-se a primeira utilização do recinto HIPPOS. No ano de 2013, realiza-se a 1.ªedição do Campeonato Nacional de Corridas de Cavalos a Galope e a Trote. O ambiente foi outra preocupação nesta altura, tendo sido criada a caneca reutilizável, no sentido de minimizar a acumulação de resíduos de copos de plástico.

Em 2014, realiza-se o 1ºCampeonato Interescolar de Hipismo, o que demostra preocupação com a formação em nível do desporto equestre. É ainda assinado o Acordo de Parceria para a Constituição da Comissão de Gestão Local do Centro de Alto Rendimento entre a CMG, o Instituto Português da Juventude e Desporto e a Federação Equestre Portuguesa. Decorreu ainda a receção oficial à Delegação do Município de Boane [Moçambique] que se destinou a lançar as bases para uma futura geminação, muito virada para a vertente económica e empresarial no sector agrícola e agroalimentar, podendo englobar outras áreas de intervenção, como turismo, cultura e educação. O ano de 2015 foi marcado pela realização do Campeonato da Europa de Juniores de Equitação de Trabalho, 1ªedição. Estiveram presentes equipes de Espanha, França, Itália, Holanda e Portugal. A equipa portuguesa foi Campeã da Europa de Equitação de Trabalho.


Quadro 1
Resultados da Análise dos Jornais Mirante e Público (2004-2015)
elaboração própria com base nos jornais O Mirante e Público, Online (2004-2015)

A análise dos programas desde 2004 a 2015, deu origem ao Quadro II, podendo verificar-se a existência de um leque muito diversificado de atividades equestres em que o Cavalo assume um papel central quer de forma direta quer de forma indireta. Em termos espaciais é privilegiado o Largo do Arneiro, pois é aí que se realiza um número significativo de iniciativas com a presença do Cavalo Lusitano. Outros espaços muito utilizados são as herdades ligadas tradicionalmente à criação de cavalos, quintas da Labruja e de Santo António.

A partir de 2012 ganha relevo a utilização do HIPPOS a nível da realização de concursos e desportos equestres. O Equuspolis[3] e Casa-Estúdio Carlos Relvas são os espaços mais utilizados para as iniciativas culturais e artísticas como exposições, palestras e apresentações de livros. A análise aos programas da Feira permitiu a sua categorização em Concursos, Campeonatos, Taças/Troféus, Prémios, Provas Equestres, Desfiles, Espetáculos Equestres, Outras Iniciativas Equestres, Iniciativas Culturais, e Outras iniciativas. Relativamente à categoria de Concursos, verifica-se a existência desde 2004 das modalidades de Dressage, Resistência Equestre, Saltos de Obstáculos, Atrelagem e Concurso Nacional Oficial de Apresentação do Cavalo de Sela. O Concurso Completo de Atrelagem e o Concurso Nacional de Derby estão presentes na feira desde 2005 e 2006, respetivamente. O concurso Elegância de Atrelagem não se realiza desde 2009.

Na categoria Campeonatos é de referir que a Final do Campeonato de Equitação do Trabalho teve lugar na Golegã até 2006, passando este evento a realizar-se na Companhia das Lezírias. A partir de 2008, a Taça de Portugal desta modalidade passa a realizar-se na Golegã. Salienta-se, também, o Campeonato Nacional de Derby e Campeonato de Maneabilidade dos Centros Hípicos, desde 2006 e 2010, respetivamente. Em 2014, retoma-se o Campeonato Nacional de TREC (técnicas de randonnée equestre de competição) e se aposta em campeonatos equestres para jovens. Na categoria Taças / Troféus tem grande relevo a Taça de Portugal de Horseball e a Taça de Portugal de Equitação de Trabalho. As Corridas de Galope e Trote realizam-se desde 2013. É de lamentar o fim do Troféu Nacional de Ferradores desde 2008.

A nível de Prémios é de salientar a Cerimónia Oficial da Distribuição de Prémios da Feira de S. Martinho, FNC, na 40ª edição, e FICL, 17ª edição, sendo distribuídas várias medalhas a campeões de raça, nas categorias cavalos de raça Lusitana e de raças seletas. Destacam-se, ainda, dois prémios importantes: o Prémio Marialva, atribuído desde 2008 e destinado a provas de Dressage Especial e o Prémio Golegã destinado a distinguir a Excelência Equestre, instituído desde 2011. Na categoria de Provas têm realização constante a Cavalhada-Prova de Perícia e Destreza, a Prova de Equitação à Portuguesa e a Prova Livre com Música. A prova de Cross por Equipas realiza-se desde 2011.

Existem dois Cortejos relevantes: o Desfile de Amazonas e Cavaleiros, no Largo do Arneiro e, desde 2011, o Cortejo dos Romeiros de S. Martinho, que, segundo Clara (2008) tem como objetivo preservar e divulgar as tradições equestres e defender o ‘bem-estar’ do Cavalo conforme as indicações da Federação Equestre Internacional. Os Espetáculos Equestres fazem sempre parte do programa, sendo os mais importantes apresentados pela Escola Equestre da Arte Portuguesa e pelo Centro Equestre da Lezíria Grande. Também a Escola Profissional de Alter do Chão dinamizou, com alguma regularidade, alguns espetáculos equestres. Nos dois últimos anos foi instituída a Gala Equestre. Os eventos culturais e artísticos de temática equestre apresentam grande relevância desde 2004, sendo organizadas exposições muito diversificadas, as mais frequentes de pintura, escultura e fotografia, de autores nacionais e estrangeiros. Nesta vertente é de destacar as exposições do pintor Serrão de Faria[4] e do escultor Rui Fernandes. O lançamento de livros temáticos é frequente, por vezes, com várias obras por ano, em 2015, foram apresentados quatro livros[5].

Os estudos temáticos sob a forma de conferências, colóquios, seminários ou workshops, são uma constante desde 2005, podendo-se exemplificar com o Ciclo de Conferências: “Cavalos e Cavaleiros desde o Paleolítico até à Idade Média” e “A Origem e Evolução do Cavalo” e ainda as IV Jornadas do Grupo de Trabalho de Investigação em Equídeos, eventos de 2015. As Homenagens realizadas com regularidade e destinadas a louvar entidades/individualidades que se destacaram no mundo equestre, já distinguiu entre outros: Maria do Carmo Infante da Câmara (2005); Presidente de Honra do Concurso de Sela 2013, Dr. José Veiga Maltez; Comissão de Honra do LV Concurso Nacional de Apresentação do Cavalo de Sela (2015). Na categoria Outras Iniciativas é de destacar a realização anual do Open de Ténis e o Baile da Jaqueta que se efetua desde 2013. No programa, deixaram de constar o Concurso da Água-pé e a Apresentação Oficial da Castanha Assada, desde 2008 e 2007, respetivamente.


Quadro II
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015
Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015

Quadro II (Cont.)
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015

Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015

Quadro II (Cont.)
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015

Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015

CONCLUSÃO

O turismo equestre assente no Turismo a Cavalo e no Turismo do Cavalo, caracterizado por uma procura constituída por indivíduos que apreciem a natureza e o mundo rural, com um gosto especial pelo cavalo e detenham algum poder económico, constituirá sempre um nicho de mercado que poderá tornar-se muito rentável, se forem equacionados projetos para potenciar o seu desenvolvimento. A Feira da de S. Martinho/FNC/FICL é um certame de caracteristicas únicas, em que o cavalo sempre foi a razão da sua existência. Apresenta um ambiente boémio, marialva, de amazonas e cavaleiros montados a rigor, em traje de equitação português que se passeiam no Largo do Arneiro entre o cheiro das castanhas assadas, proporcionando a memória viva e atuante da cultura ribatejana e da relação secular estabelecida entre o homem e o cavalo.

Anualmente, as coudelarias mais importantes fazem-se representar no evento porque podem mostrar os melhores exemplares do Puro-Sangue Lusitano, realizar os seus negócios, atraindo e fidelizando cada vez mais clientes. Nesta altura, a Golegã transforma-se num mercado de largos milhares de potenciais clientes para vários setores; o comércio de produtos ligados ao cavalo e de produtos tradicionais, a restauração e o alojamento beneficiam de um incremento significativo de receitas. O desporto equestre, com lugar de relevo na Feira, tem vindo a alargar o número de modalidades praticadas, cativando cada vez mais praticantes e simultaneamente mais turistas à vila. De acordo com o relatório de atividade do Município da Golegã, dos anos 2009 e 2014, foram inscritos no certame 1200 e 2500 cavalos, respetivamente, o que evidência o desenvolvimento da Feira e a atração que exerce sobre os aficionados do cavalo.

A construção de infraestruturas relacionadas com o mundo cavalar (Equupolis, Picadeiros, HIPPOS), a introdução de novas iniciativas equestres e modalidades de desporto equestre e a diversidade de atividades culturais e artísticas temáticas aliado ao estabelecimento de novas parcerias nacionais e internacionais no âmbito do mundo cavalar e rural permite captar um publico cada vez mais diversificado, (mas que tem em comum a admiração pelo cavalo) e colocar a Golegã nas rotas mundiais do turismo equestre. Pode-se concluir que a Feira tem preservado a sua dinâmica identitária, assumindo cada vez mais expressão e mediatismo, constituindo o motor para o desenvolvimento do turismo equestre local, porque se atualmente de avistam turistas na vila em diferentes épocas do ano, a ela se deve.

Material suplementar
Referências
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Câncio, F. (1939). Ribatejo histórico e monumental, II. Junta de Província do Ribatejo.
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UNWTO - World Tourism Organization (2016). A roadmap for celebrating together! Link
Notas
Notas
[1] Ana Cristina Pereira Joaquim – Licenciada. Professora no Agrupamento de escolas Marcelino Mesquita do Cartaxo, Portugal. E-mail: ana_joaquimm@hotmail.com
[2] O certame decorre em maio e enaltece a égua como mãe e seu sucesso em atividades que antes eram apenas destinadas aos cavalos (Maltez, 2000 cit in Oliveira, 2005).
[3] Equuspolis, complexo cultural dedicado ao cavalo, englobando auditório, museu Mestre Martins Correia, galeria de arte e ateliê de escultura do mestre Rui Fernandes (Figueira, 2007)
[4] Desenhista, pintor e gravador, nasceu na Azinhaga, em 1937, sendo considerado o ‘pintor do cavalo Lusitano’. Segundo, Xavier (cit. in Serrão, 2002) Serrão de Faria é uma referência na Pintura Portuguesa e no nosso animalismo, uma vez que apresenta um discurso estético impar que alia à arte, o conhecimento e o afeto.
[5] “Edições sobre o Cavalo Lusitano e Tauromaquia”, do Mestre Rui Fernandes; “Manuel dos Santos: O Homem e o Toureiro” de Manuel Diez dos Santos; “Conceitos Equestres – Princípios e Técnicas” do Mestre Miguel Távora; “Alrededor del Arte Ecuestre – Crepusculo de una Filosofia de Vida” de José Maria O’Neill.

Figura 1
Organização do Turismo Equestre
Adaptado de TURIHAB (2012, p.8)

Figura 2
Caracterização da oferta de turismo equestre no Alentejo e Ribatejo
Deloitte (2015ª, p. 11).

Quadro 1
Resultados da Análise dos Jornais Mirante e Público (2004-2015)
elaboração própria com base nos jornais O Mirante e Público, Online (2004-2015)

Quadro II
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015
Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015
Quadro II (Cont.)
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015

Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015
Quadro II (Cont.)
Resultados da Análise dos Programas da Feira de S. Martinho/FNC/FICL entre 2004 e 2015

Elaboração própria, com base nos programas da feira emitidos pelo Município da Golegã, entre 2004 e 2015
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