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Covid-19: Reflexos no Turismo
Covid-19: Reflections on Tourism
Covid-19: Reflexos no Turismo
Rosa dos Ventos, vol. 12, núm. Esp.3, pp. 1-5, 2020
Universidade de Caxias do Sul
Recepção: 02 Julho 2020
Aprovação: 04 Julho 2020
Resumo: O objetivo deste estudo foi o de discorrer sobre os impactos econômicos que o Covid-19 está causando no setor do turismo, na região turística da Serra Gaúcha. O turismo como agente socioeconômico, cultural e ambiental apresenta grande potencial para alavancar diversas formas ganhos econômicos para cidades e destinações (Guizi, 2019). Entretanto, este nicho de mercado, que responde hoje por 3,71% do PIB, empregando mais de 7 milhões de brasileiros, deve ter uma queda de 39% em 2020 e, segundo o IBGE, a probabilidade de o turismo começar a se recuperar acontecerá somente doze meses após o fim do isolamento social, considerando que ainda não há uma data para terminar. Deste modo, a atividade turística fica comprometida porque, por causa dos riscos de contágio, não há a possibilidade de as pessoas se deslocarem para outros lugares, também não podendo frequentar áreas de lazer, já que pontos turísticos são, por sua natureza, lugares de aglomeração de pessoas.
Palavras-chave: Turismo, Economia, Impactos, Covid-19, Bento Gonçalves-RS, Brasil.
Abstract: This study discusses the economic impacts that COVID-19 is causing in the tourism sector, in the tourist region of Serra Gaúcha. Tourism as a socioeconomic, cultural and environmental agent has great potential to stimulate various forms of economic gains for cities and destinations (Guizi, 2019). However, this market niche, which today accounts for 3.71% of GDP, employing more than 7 million Brazilians, is expected to drop 39% in 2020 and, according to IBGE, the likelihood of tourism starting to recover it will happen only twelve months after the end of social isolation, considering that there is still no date to finish. In this way, the tourist activity is compromised because, because of the risks of contagion, there is no possibility for people to move to other places, also not being able to frequent leisure areas, since tourist spots are, by their nature, places of leisure. crowding of people.
Keywords: Tourism, Economy, Impacts, Covid-19, Bento Gonçalves-RS, Brazil.
PEQUENO APORTE AO ECONÔMICO
O Turismo, uma atividade socioeconômica, cultural e ambiental, motivada pela interação entre turistas, comunidade local e o ambiente, demanda organização e estruturação do setor, assim como a articulação entre diversos atores (Beni 2012). O desenvolvimento da atividade turística, segundo Guizi (2019), possui grande potencial para alavancar diversas formas de ganhos econômicos para cidades e destinações. Como visto, ao passo em que o turismo se desenvolve, a atividade leva consigo o desenvolvimento de estruturas, de atratividades econômicas, possibilidades de empreendedorismo e, consequentemente, o desenvolvimento competitivo da cidade no âmbito do mercado turístico.
Santos e Cândido (2015) ressaltam que as atividades desenvolvidas em uma dada localidade devem atender aos princípios da sustentabilidade para manter o equilíbrio e a equidade entre as dimensões ambiental, social e econômica, contando com o engajamento dos diversos atores sociais para o planejamento e a execução de ações que possam contribuir para tal alcance, uma vez que, o turismo, como uma atividade que impacta a localidade que o desenvolve, deve ser gerenciado a partir do equilíbrio e da equidade entre as dimensões mencionadas. Nesse sentido, Silva e Candido (2016) apontam que o turismo é uma das atividades econômicas que tem o potencial de desenvolver regiões de maneira mais sustentável, porém é necessário refletir sobre os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais dessa atividade, no intuito de atender aos princípios da sustentabilidade.
No intuito de estar atento aos princípios de sustentabilidade, Beni (2011) apresenta que o turismo, mais do que qualquer outro setor dentro do segmento de serviços, apresenta grande sensibilidade a toda alteração situacional. É um nicho de mercado retrátil às oscilações da economia e às variações cambiais, flutuações sazonais da demanda, riscos geológicos, crises no transporte rodoviário, aéreo, convulsões sociais, instabilidade política, terrorismo, riscos epidêmicos e pandêmicos que comprometam a saúde pública, a exemplo da pandemia do novo Coronavírus. Por outro lado, a participação do turismo no Pib de vários países vem crescendo de forma acelerada e contribuindo efetivamente na geração de empregos. Nos países em desenvolvimento, a atividade turística poderá representar até 40% do Pib (Beni, 2011).
BRASIL
No caso do Brasil, este crescimento vinha sendo sentido no País, porém de forma mais moderada, apesar dos preços ali praticados serem um atrativo para o receptivo internacional. Beni (2011) destaca que o grande problema do Brasil é a falta de posicionamento no mercado, que o autor atribui a falta de planejamento, logística e redução de riscos. Soma-se a isso, a imagem do Brasil, que suscita muitas dúvidas, decorrentes da falta de políticas públicas adequadas ao turismo e as constantes interferências políticas na economia. Ainda, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo [CNC], o setor estima para 2020 um prejuízo de R$62 bilhões e, acrescenta, em função da imagem do país, a retomada poderá ser mais lenta e causar 300 mil desempregos na área.
O turismo responde hoje por 3,71% do Pib do País e a perspectiva é de que a atividade econômica do setor deva cair 39% em 2020, num segmento que emprega mais de 7 milhões de brasileiros e, segundo o IBGE, a probabilidade de o turismo começar a se recuperar, acontecerá somente doze meses após o fim do isolamento social.
Segundo Barbosa (2020), com a suspensão de viagens e o fechamento de fronteiras ao redor de todo o Planeta, a atividade turística se torna inviável, não havendo possibilidade de que pessoas se desloquem para outros lugares para atividades de consumo em locais diferentes de suas áreas de residência. Em seguida, a cadeia ligada ao setor também é afetada porque mesmo os residentes não podem frequentar áreas de lazer por causa dos riscos de contágio, já que pontos turísticos são, por sua natureza, lugares de aglomeração de pessoas. Por essa razão, atrativos turísticos estiveram entre os primeiros locais a serem fechados pelos governos na tentativa de evitar o avanço da Covid-19, o que provoca, por exemplo, a suspensão de atividades de hotéis e restaurantes, a suspensão de rotas rodoviárias, redução drástica de voos e impossibilidade de venda de pacotes turísticos por parte de operadores.
SERRA GAUCHA
O impacto do Covid-19 no setor turístico pode ser constatado, como exemplo, no município de Bento Gonçalves, na região turística da Serra Gaúcha, que se destaca no cenário nacional pelo desenvolvimento do Enoturismo, levando-o a auto intitular-se como 'Capital Brasileira do Vinho'. Conforme Parisotto (2020), em entrevista à Revista News, em março iniciaram-se os cancelamentos pelos turistas, que já tinham suas viagens confirmadas na Serra Gaúcha, e muitos que estavam em Bento Gonçalves, em meio de seus pacotes turísticos, optaram por voltar para suas cidades. Ainda em março iniciou-se uma grande evasão de turistas e a totalização de cancelamentos de viagens já marcadas.
Para avaliar os resultados, Parisotto faz uma comparação do desempenho de Bento Gonçalves no cenário turístico no mesmo período do ano anterior. Em março de 2019, a Capital do Vinho recebeu 116.415 visitantes e em abril 102.613, em um total acumulado de 219.028 visitantes. Em março de 2020 foram 49.187 visitantes e em abril 3.207, totalizando 52.394. Com base nos dados, no mês de março houve uma queda de 42,25%. O mês de abril foi completamente afetado, registrando queda de 97%.
No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para o Produto Interno Bruto [Pib] foi de -5,12%, afirma a CNC, que ainda não tem os cálculos do efeito total dessa crise, que não tem uma data para terminar, sendo que os últimos dados oficiais divulgados são referentes à março, quando do início da quarentena. A CNC ainda complementa que o segmento de serviços foi um dos mais impactados pela Covid-19, sendo que é, ainda, o de mais difícil adaptação para algumas atividades ao momento, por exemplo, entrando no mundo digital, especialmente o turismo.
Mesmo que as novas tecnologias de comunicação já tenham chegado aos museus, galerias de artes, sightseeings e espaços culturais dos principais destinos turísticos do mundo, para Beni (2011) essa realidade não é totalmente presente no Brasil. Dessa forma, o momento atual pode impactar ainda mais a retomada das atividades do setor. Assim como no comércio, o volume de serviços também teve sua maior queda mensal da série histórica em março, com taxa negativa de 6,9%, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.
Referências
Barbosa, L. G.M. (Coord.) Centro de Estudos em Competitividade da FGV/EBAPE. Link
Beni, M. C. (2011) Globalização do Turismo - megatendências do setor e a realidade brasileira. São Paulo: Aleph
Beni, M. C. (Org). (2012) Turismo: planejamento estratégico e capacidade de gestão. Desenvolvimento regional, rede de produção e cluster. Barueri, SP: Manole.
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC (2020). Sumário Econômico, Abril. Link
Guizi, A. A. (2019). Desenvolvimento do turismo e efeitos sobre o ambiente econômico urbano: análise de estudos indexados na base Scopus. Rosa dos Ventos Turismo e Hospitalidade, 11(4), 956-972. Link
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (s.d.). Indeicadores. Link
Parisotto, R. F. (2020) Bento Gonçalves apresenta dados do impacto da pandemia no segmento do turismo. Revista News. Link
Santos, J. G. & Cândido, G. A. (2015). Geração e manejo dos resíduos sólidos resultantes das atividades turísticas de Porto de Galinhas-PE. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 9(1), 40-48. Link
Silva, N. C. & Candido, G. A. (2016). Sistema de indicadores de sustentabilidade do desenvolvimento do turismo: um estudo de caso do município de Areia-PB. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 10(3), 475-496. Link