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Lazer, Trabalho e Memória no Parque do Flamengo, Rio De Janeiro, Brasil
Leisure, Work and Memory in Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, Brazil
Lazer, Trabalho e Memória no Parque do Flamengo, Rio De Janeiro, Brasil
Rosa dos Ventos, vol. 13, núm. 1, pp. 200-218, 2021
Universidade de Caxias do Sul
Recepção: 11 Maio 2020
Aprovação: 22 Dezembro 2020
Resumo: O objetivo desse trabalho é o de compreender os diferentes usos e práticas sociais expressas no Parque do Flamengo, localizado na cidade do Rio de Janeiro-RJ, listado como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 2012. Muito mais do que somente um espaço dedicado ao lazer, disputas e tensões também se manifestam no Aterro do Flamengo. Práticas esportivas, comerciais, educativas, lúdicas, espirituais e medicinais inscrevem nesse espaço diferentes lógicas assim como diferentes memórias e técnicas corporais. Nas práticas de trabalho, esportivas e comemorativas que observamos em 2018, o corpo aparece como lugar de memória. Em nossa análise, lançamos mão de uma abordagem hermenêutico-interpretativa e de um olhar antropológico relacional. A metodologia empregada nesse trabalho, de natureza qualitativa, inclui a pesquisa bibliográfica, o trabalho de campo e o uso de fotografias.
Palavras-chave: Lazer, Trabalho, Memória, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
Abstract: The main goal of this work is to understand the different uses and social practices expressed in Parque do Flamengo [Rio de Janeiro, Brazil], a World Heritage Site since 2012. Much more than just a leisure space, disputes and tensions are also manifested in Aterro do Flamengo. Sports, commercial, educational, recreational, spiritual and medicinal practices inscribe in this site different logics as well as different memories and body techniques. In the practices of work, sporting and commemorative that were observed in 2018, the body appears as a place of memory. In our analysis, we used a hermeneutic-interpretative approach and a relational anthropological look. The methodology used in this work, has a qualitative nature and makes use of bibliographic and fieldwork research and also photography.
Keywords: Leisure, Labour, Memory, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro-RJ, Brazil.
INTRODUÇÃO
A memória social e coletiva não se encontra reduzida apenas aos patrimônios oficialmente reconhecidos pelas agências governamentais (Banducci, 2003; Santos, 2009). Também não se encontra reduzida ao patrimônio dito material. O patrimônio também é incorporado ou também se faz ‘corpo’ (Bourdieu, 2000). O corpo e suas práticas transformam o espaço em lugar praticado, insuflando significados cujo compartilhamento depende de um maior ou menor domínio dos códigos simbólicos (De Certeau, 1993). Ao mesmo tempo, é na cidade, com toda sua complexidade, que os indivíduos fabricam sua individualidade (Simmel, 2007). A partir dessas pistas, nosso objetivo principal é o de compreender a produção de sentido no espaço compreendido entre a Churrascaria Assador e o Monumento à Estácio de Sá, no Parque do Flamengo.
Em nossas observações, feitas a partir de 2018, procuramos dar conta da escala do andar (Le Breton, 2001, 2010, 2002). Em outras palavras, trata-se de acompanhar os usuários do Parque do Flamengo, segundo seus percursos entre a Churrascaria Assador e o Monumento à Estádio de Sá. Nossa pesquisa se caracteriza como descritiva e exploratória (Santos, 1999). Optamos por lançar mão de uma abordagem hermenêutico-interpretativa, cujo fundamento principal implica em não tomar a realidade social como dada, mas como o efeito de estruturas estratificadas significantes (Geertz, 1978). Em outras palavras, implica em considerar também o olhar do pesquisador, seus interesses, medos, preconceitos e hesitações como fundamentais à constituição dos fenômenos que estão sendo observados (Velho, 1978). De natureza qualitativa, nosso recorte metodológico articula a pesquisa bibliográfica, o trabalho de campo e o uso de fotografia.
O Parque do Flamengo, conhecido popularmente como Aterro do Flamengo, é palco privilegiado para observação e reflexão acerca da forma como diferentes atores sociais, pertencentes a diferentes classes e estratos sociais, nele inscrevem distintas lógicas de consumo, mas também de lazer, corporais, culturais, econômicas, espaciais, políticas, etc. Situado entre o denso e movimentado centro econômico do Rio de Janeiro e as praias da Zona Sul da cidade, como Copacabana, Ipanema e Leblon, o Aterro[i] se apresenta como espaço apropriado por diferentes grupos sociais.
Conforme assinala Le Breton (2010), o corpo media nossa experiência com o mundo, não se restringindo apenas a dimensão biológica ou fisiológica. O corpo também é memória e, nesse sentido, permite classificar o tempo e as etapas mais decisivas na vida de uma pessoa ou do grupo social (Le Breton, 2010; Turner, 1974). Nele se inscrevem regras, normas, valores, comportamentos, gestos, movimentos, enfim, sistemas de signos e códigos que servem tanto ao pensamento quanto à ação (Bourdieu, 2000; Le Breton, 2010; Detrez, 2002).
Entretanto, nem sempre o corpo gozou da importância que tem hoje. Menosprezado pelas diferentes abordagens sociológicas [marxianas, durkheimianas ou ainda weberianas], o corpo retorna triunfalmente através da análise totalizante de Marcel Mauss (1995), que busca compreender o homem, no sentido da humanidade, do ponto de sua tríplice perspectiva: biofisiologica, psicológica e sociológica. Com a ideia de técnica corporal, ou seja, ações tradicionais eficazes, Mauss trouxe o corpo para o centro da reflexão sociológica, integrando-o a uma totalidade cuja dimensão comunicativa e simbólica inaugurava uma nova era. Nem mesmo as emoções e os sentimentos ficaram de fora do fato social total aqui entendido como esse todo cujas dimensões, econômica, política, corporal, psicológico, fisiológica, sensível, religiosa, etc., não se encontram autonomizadas ou ainda separadas.
O Aterro encontra no patrimônio cultural um componente central ao conjunto das atividades sociais praticadas em seu interior ou mesmo exterior. Esposamos uma definição de patrimônio que vai além do bem tangível ou intangível oficialmente reconhecido pelas agências estatais encarregadas de sua legitimação (Amirou, 2000; Gonçalves, 2002; Santos, 2009). Compreendemos patrimônio como a sociedade e suas relações vistas do ponto de vista temporal. Entendemos patrimônio, também, como um tipo de operação de seleção de determinados aspectos que um grupo ou uma sociedade consideram fundamentais para sua própria definição e constituição (Siqueira, 2016).
A despeito do processo pelo qual algo se transforma em patrimônio pela ação das agências oficiais, no interior do Aterro encontramos diferentes equipamentos culturais urbanos, muitos deles bens patrimonializados, como o Museu de Arte Moderna; o Aeroporto Santos Dumont; o Museu Carmem Miranda; o Centro de Cultura Japonesa; o Monumento Nacional aos Mortos na Segunda Guerra Mundial; o Monumento a Estácio de Sá, entre outros. O Aterro é ele mesmo um bem patrimonializado, o que reforça o imaginário de um lugar dotado de um valor excepcional, o que não exclui outras representações como lugar atravessado por problemas sociais de diversas ordens [assaltos, população em situação de rua, entre outros...].
De acordo com Nascimento (2014), o Aterro do Flamengo “se caracteriza como uma paisagem urbana de qualidade ambiental totalmente criada” (p. 377). A autora destaca que o Aterro se configura “como um dos parques de maior utilização na cidade e espaço de grande valor cultural em razão de sua paisagem marcada pela natureza da Baía de Guanabara em concomitância com as obras arquitetônicas” (p.380). Nascimento também faz menção ao processo de patrimonialização do local, a fim de proteger o contexto de preservação da paisagem e dos usos sociais proporcionados pelo Aterro. A área passou a ser regida pela Lei de Tombamento Federal [Decreto-Lei 25/1937] e, em janeiro de 1995, foi tombada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro por meio do Projeto de Lei n°. 712, validado pelo Decreto n. 2287.
Dentre as diversas áreas e equipamentos de uso de lazer, destacam-se os jardins, áreas de playground para crianças e outros, como os já citados Monumento a Estácio de Sá e Museu de Arte Moderna... O Aterro também abriga equipamentos esportivos, como a marina, quadras de vôlei e campos de futebol, estas, particularmente, são utilizadas com frequência pelos fãs de futebol e suas torcidas (Menezes, 2017). Além dessas atividades, o Aterro recebe diversos eventos, como os blocos de rua do Carnaval, shows musicais e eventos internacionais, como a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, uma das corridas mais conhecidas na cidade, e a Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável [Rio.20] que ocorreu em 2012[ii], apenas para mencionar alguns.
As dimensões do Parque e a pluralidade de práticas sociais produzidas em seu interior colocam desafios à pesquisa antropológica no contexto urbano. Assim, diante da escala monumental do Parque do Flamengo e de seus inúmeros equipamentos de lazer ou culturais, selecionamos trecho que se situa entre a Churrascaria Assador e o Monumento a Estácio de Sá, para pesquisa. Assim, para organizar e pensar as diferentes práticas e usos sociais do e no Aterro, lançamos mão das noções de pedaço, mancha e trajeto (Magnani, 2012). Assim, a forma como diferentes atores sociais se apropriam do espaço ganha sentido quando refletidos a partir da noção de pedaço. Magnani concebe o pedaço como um conjunto de relações sociais que se situam entre a casa e a rua. A referência à obra de DaMatta é reconhecida por Magnani (2012), mas ele vai além, vendo o pedaço como a apropriação da porção do espaço por pessoas que se conhecem e que partilham conjuntos de signos e seus significados.
O fato de reunir diferentes equipamentos culturais, esportivos, artísticos e mesmo comerciais nos permite pensar o Aterro como uma mancha (Magnani, 1996; 2012). Nas palavras de Magnani (2012), manchas “são áreas contíguas do espaço urbano dotadas de equipamentos que marcam seus limites e viabilizam – cada qual com sua especificidade, competindo ou complementando – uma atividade ou prática predominante” (p. 94). Em uma mancha de lazer, Magnani aponta que “os equipamentos podem ser os bares, restaurantes, parques, cinemas, teatros, o café da esquina, etc., os quais, seja por competição ou complementação, concorrem para o mesmo efeito: constituir pontos de referência para a prática de determinadas atividades” (p. 94). Abordar o Aterro como uma mancha permite pensar os trajetos que diferentes sujeitos estabelecem em seu interior e entre seu interior e exterior. Ainda que a noção de trajeto implique a ideia de deslocamento para além do bairro, Magnani empresta outro sentido ao termo no interior das manchas. É aqui que tomar o Aterro como mancha e pensar os trajetos de seus usuários em seu interior ganha sentido.
Outra aplicação é no interior das manchas. Tendo em vista que elas supõem uma presença mais concentrada de equipamentos, cada qual concorrendo, à sua maneira, para a atividade que lhe dá a marca característica, os trajetos nelas percorridos são de curta extensão, na escala do caminhar: representam escolhas ou recortes no interior daquela mancha, entendida como uma área contígua (Magnani, 2012, p. 96).
Tendo a praia como um dos espaços mais concorridos, no Aterro do Flamengo o corpo aparece como uma dimensão social total expressiva. São os corpos de sujeitos de diferentes classes e grupos sociais que animam esse espaço complexo e plural encravado entre o mar e a cidade. As péssimas condições da água da Baía de Guanabara tornam o banho de mar um risco, entretanto, não é raro observar crianças, jovens e adultos banharem-se em suas águas. Longe de ser um comportamento desprovido de lógica ou sentido, o banho no Aterro do Flamengo pode ser compreendido no interior dos diferentes sistemas de significado de seus frequentadores. Como assinala Pierre Bourdieu (2000), o corpo não se resume a um dado biológico; é também um marcador social, lugar de memória e de aprendizado de hábitos, costumes e comportamentos de classe. Assim, buscamos compreender em que medida os corpos presentes entre a churrascaria Assador e o monumento a Estácio de Sá se traduzem em tríplice perspectiva: lugar de memória, de aprendizado de hábitos de classes sociais e marcador de posição social (Duret & Roussel, 2005).
Se o lazer é fundamental para o conjunto de práticas no Aterro do Flamengo, não devemos nos enganar quanto a sua natureza também disciplinadora. A antropóloga francesa Christine Detrez chama nossa atenção para o fato de que muitas atividades em um primeiro momento descritas como lazer escondem o intrincado e complexo processo de internalização de normas, isso que ela e outros chamam de individuação e de auto restrição. Detrez (2002) sublinha que mesmo no lazer também se busca disciplinar o corpo e o espírito:
Atividades tidas como lúdicas também participam, conforme mostra a autora, do processo de introjeção de normas e regras sociais. Nesse sentido, a internalização de normas de conduta assinalada por Detrez (2002) se aproxima da ideia do corpo como lugar de memória e de aprendizado de hábitos das diferentes classes sociais. Ao mesmo tempo, como também observou Nery (2001) em seu estudo sobre práticas de lazer de grupos populares no parque da Prainha, em Uberlândia, nem sempre as camadas populares rompem com o ambiente doméstico quando saem de casa. Na verdade, em seus momentos de lazer no parque da Prainha, em Uberlândia, Minas Gerais, Nery observou que os membros das camadas populares mantinham uma continuidade entre a casa e a rua, expresso na forma como se comunicavam e usufruíam do espaço.
O trecho que selecionamos para fazer nossas observações no Aterro – da antiga Churrascaria Porcão, hoje a Churrascaria Assador, e suas redondezas até o Monumento a Estácio de Sá – foi arbitrariamente escolhido. Nele buscaremos compreender o jogo de relações que articulam práticas lúdicas e sociais e o corpo como expressão de diferentes memórias articuladas a aprendizados de classe social que marcam as posições sociais dos sujeitos.
A roupa do corpo, a disciplina cotidiana que incorpora à injunção de se manter direito, visa igualmente a controlar o espírito contra o dualismo estoico que supõe o escravo livre em sua prisão. O exercício em particular, o esporte em geral seria, assim, erroneamente interpretado como um ‘lazer’, uma ‘recreação’ visando à repousar o trabalhador ou o estudante, um parêntese destinado a recompor a força de trabalho ou de concentração. Ao contrário, atividades esportivas e horas de ginástica inscritas no emprego do tempo pedagógico participam plenamente do processo de auto restrição e de disciplinarização (p.116).
CIDADE, CORPO, MEMÓRIA E INDIVIDUALISMO
O Parque do Flamengo está na cidade e ao mesmo tempo também é a cidade. É um desses espaços fronteiriços, por isso ambíguo, cuja definição escapa às noções mais rígidas. A ambiguidade o marca, devido a sua natureza liminar (Turner, 1974). O Aterro foi inspirado nos parkways muito em voga nos Estados Unidos nos 1950. O espaço que sugere tranquilidade e distante da confusão da metrópole é circundado por pistas velozes que ligam o Centro à Zona Sul. É um lugar de passagem em grande medida. Refletir sobre o Aterro também requer uma reflexão sobre a cidade e os usos sociais de seus frequentadores.
Parte de nosso imaginário sobre a cidade é o de espaço altamente urbanizado, cujas infraestruturas ganham primazia quando comparadas à dimensão do sujeito. Na cidade tudo é hiper dimensionado, quando comparado ao indivíduo (Simmel, 2007). A cidade, contudo, não é apenas um aglomerado de prédios, casas, fábricas, ruas, avenidas, praças, parques, hospitais, escolas, mercados..., isso que Simmel (2007) chamou do espírito objetivo. Tampouco ela é a soma de todos os indivíduos que a habitam, a atravessam e nela vivem. Ela é, acima de tudo, um conjunto de indivíduos altamente diferenciados (Wirth, 1973). Essa definição de cidade, que não esgota ou inviabiliza outras definições, coloca o acento sobre o papel da cidade como poderosa força social implicada na fabricação do individualismo. A dívida para com Georg Simmel, sociólogo alemão, é explicita.
Quando escreveu A Metrópole e a Vida Mental (2007), Georg Simmel vivia em Berlin, cidade que passava por grandes e profundas transformações urbanas. Simmel procurou refletir sobre o indivíduo que se confrontava com a cidade grande e isso significava ter de lutar para se sobressair ou ainda se impor diante do que chamou de cultura objetiva. Ao contrário dos efeitos negativos da cidade sobre a personalidade, frequentemente ressaltados por muitos intelectuais, Simmel viu aí um tipo de força ou pressão positiva capaz de fazer com que o sujeito lutasse como jamais, para destacar-se em meio a um ambiente avassalador. Na verdade, longe de tomar a antipatia, a indiferença e a atitude blasé como efeitos perversos do individualismo, Simmel (2007) sublinha que eles são uma das formas básicas da vida em sociedade:
A antipatia, isto é, o estádio que precede de forma latente o antagonismo, nos protege desses dois perigos característicos da grande cidade que são a indiferença e a confusão. Ela leva a se afastar, a se desviar, sem isso, esse modo de vida seria absolutamente intolerável. A intensidade e a combinação dessas reações, o ritmo de sua aparição e de sua desaparição, as formas nas quais respondemos, assim que as motivações que as justificam, constituem esse conjunto indissociável que é a forma de vida urbana. Isso que nessa forma de vida aparece primeiro como uma dissociação é em realidade somente uma das formas elementares da vida em sociedade (p.24).
A individualidade é uma das formas elementares da vida em sociedade. Ela aparece aos olhos de Simmel então como uma forma em que o sujeito luta de todas as maneiras para diferenciar-se dos demais e, assim, poder desenvolver seu espírito ou a cultura subjetiva, nos dizeres do sociólogo alemão. O individualismo que enfatiza na metrópole é o qualitativo. Em outras palavras, não se tratava de valorizar e afirmar a liberdade individual como valor universal, mas de valorizar a capacidade do sujeito em ser único e distinto dos demais. A importância dos trabalhos de Simmel sobre o individualismo como forma social reside no fato de que ele não tomou o indivíduo como um dado natural, ao contrário. O indivíduo é uma construção social ou em termos da sociologia formal de Simmel, uma forma social em que a interação social está implicada de forma profunda. No Aterro podemos observar em inúmeras situações sujeitos praticando distintas atividades físicas ou esportivas; passeando com seus animais de estimação; tomando banho de sol; fotografando as paisagens que se oferecem desde a orla e, em nenhum desses casos, isso que aparece como uma dissociação representa a ausência de relações sociais, ao contrário, o afastamento, o isolamento, a indiferença e mesmo a antipatia são forma sociais requeridas nas interações sociais no espaço urbano.
Nos antípodas do pensamento de Simmel, considerado um individualista metodológico, nos deparamos com o pensamento de Pierre Bourdieu, um autor alocado nisso que podemos chamar sem maiores demoras de coletivismo metodológico ou estruturalismo. Ainda que reunir Simmel e Bourdieu possa parecer aos olhos de muitos analistas como uma heresia, contrassenso ou mesmo ignorância, cumpre destacar as contribuições do sociólogo francês para as discussões sobre a objetivação da cultura sob a forma de praças, monumentos, prédios públicos ou privados, espaços religiosos, centros comerciais, ruas, avenidas, infraestruturas de todos os tipos, como um dos aspectos da estrutura ou ainda do campo social (Simmel, 2000). O conjunto de forças e de posições dos detentores de capital acumulado ao longo de sucessivas lutas faz eco sob a forma de campos sociais cujas regras são produzidas em seu próprio interior. Aqui um ponto de contato com Simmel é explícito. Ambos os sociólogos veem os grupos sociais gozando de uma relativa autonomia, sem estar necessariamente submetidos aos regramentos de forças morais externas. Objetificada, a cultura é apenas um conjunto de posições estáticas, o que diz pouco sobre sua dinâmica. Bourdieu (2000) concebe a ideia de campo social articulada à incorporação dessa mesma cultura sob a forma de disposições duráveis e transferíveis. O campo, essa vertente objetificada, somente ganha vida e dinâmica quando incorporada sob a forma de disposições duráveis e transferíveis, os habitus.
No Aterro do Flamengo a cultura objetificada encontra-se presente sob a forma de espaços e equipamentos cuja investigação é reveladora de memórias, posições de classe e habitus. Dito de outra forma, a estrutura, tal como concebe Bourdieu encontra-se objetificada no Aterro do Flamengo assim como os habitus encontram-se incorporados em seus frequentadores. O uso de determinados espaços e equipamentos culturais articula-se com o conjunto de práticas expressas pelos diferentes grupos e sujeitos sociais.
PEDAÇO, MANCHA E PÓRTICO ENTRE A ASSADOR E O MONUMENTO A ESTÁCIO DE SÁ
As categorias pedaço, mancha e trajeto permitem compreender algumas das diferentes apropriações do Aterro. O trecho que elegemos para dirigir nossa reflexão está longe de ser um dos mais frequentados do Aterro. Trata-se de um espaço de múltiplas funções. É um espaço amplo e considerado de passagem entre a Praia do Flamengo e a Praia de Botafogo. Nesse trecho, a Praia do Flamengo termina em um deque de madeira onde deságua o rio Carioca, cuja nascente se situa na Floresta da Tijuca e que atravessa os bairros do Cosme Velho, Laranjeiras e Catete. A ambiguidade predomina no trecho em que investigamos. A faixa litorânea nesse trecho é composta por um paredão de pedras que se estende até o começo da Praia de Botafogo. Há apenas um equipamento esportivo patrocinado por um banco, situado próximo da ‘academia de ginástica’, espaço gerido por iniciativa própria dos praticantes de musculação de diferentes idades e classes sociais.
Os pedaços que investigamos são frequentemente utilizados por diferentes atores sociais para distintos objetivos. Nossa descrição começa logo após o deque de madeira onde deságua o rio Carioca. Ao lado da antiga Churrascaria Porcão, recém-inaugurada sob o nome de Assador, se encontra um espaço onde autoescolas realizam treinos práticos de motocicleta e carro com seus alunos. Em diversas ocasiões em que estivemos presentes nesse trecho foi possível observar a rotina de candidatos em obter a Carteira Nacional de Habilitação. Os alunos reúnem-se todos os dias da semana bem cedo. Contudo, mesmo à noite esse espaço é utilizado pelas autoescolas. Às 19h do dia 15 de março de 2018 era possível observar alunos tendo aulas de direção tanto de motocicletas quanto de automóveis. Esse pedaço se destaca nitidamente dos demais situados nesse trecho. Aqui predomina um tipo de situação social em que o tempo em que se está no Aterro representa um investimento em si. Isso não quer dizer que todos esses alunos ignorem o Aterro como lugar de descanso, lazer e entretenimento. O espaço destinado aos alunos das autoescolas é um ponto de referência para seus participantes, ainda mais porque compartilham signos e códigos próprios a esse universo simbólico. Nesse sentido, a noção de pedaço descreve bem as atividades práticas nesse espaço. Chamamos a atenção para o fato de no pedaço onde as autoescolas funcionam, a performance técnica é posta em destaque, o que mobiliza o corpo em termos de seus aprendizados [Figura 1].

Deixando esse pedaço cujas práticas destacam o universo do trabalho e da educação, afinal, trata-se de aulas de direção, chegamos a uma das extremidades do restaurante Assador. Nesse trecho encontramos frequentadores rotineiramente com seus cães. Durante o tempo em que estivemos presentes em trabalho de campo noturno, em geral não havia nenhum frequentador com animais. Alguns funcionários da churrascaria conversavam do lado de fora enquanto fumavam.

Durante o dia, notadamente, essa parte do espaço é apropriada pelos atores sociais preferencialmente para que seus cães brinquem e interajam enquanto também seus donos estabelecem relações de sociabilidade [Figura 2]. Evidentemente, em outros trechos do Aterro também há interação entre pessoas e seus animais de estimação. Contudo, nesse trecho, pela frequência com que se encontram e pela forma como se situam em um espaço bastante delimitado, configura-se isso uma micropaisagem urbana. Dito de outra forma, os encontros regulares, o número de frequentadores, a forma como se dispõe no espaço constituem parte do que habitualmente é visto por quem passa por esse trecho caminhando, correndo, andando de bicicleta ou mesmo trabalhando (De Certeau, 1993).
Entre a extremidade do restaurante Assador e o Monumento a Estácio de Sá situa-se uma extensa faixa de terra que mescla um descampado, que dá vista para o morro do Pão de Açúcar e parte da vegetação que integra o paisagismo planejado por Burle Marx. A noção de pórtico parece dar conta desse espaço. Conforme assinala Magnani (2012), pórticos caracterizam-se como “espaços, marcos ou vazios na paisagem urbana que configuram paisagens. Lugares que não pertencem à mancha de cá, mas ainda não se situam na de lá” (p. 96). Nesse pórtico vamos encontrar diferentes grupos sociais e seus respectivos pedaços, afinal, o pedaço também se move junto com seus praticantes.
Junto às pedras próximas do mar encontramos alguns pescadores ou então catadores de mariscos. É possível perceber sua presença nesses diferentes pedaços. Esses trabalhadores informais precarizados retiram os mariscos das pedras quando a maré está mais baixa e os cozinham em grandes latas de óleo reaproveitadas. Aqui a sensibilidade joga um papel forte na identificação dessas práticas: o odor de pequenas fogueiras, feitas com madeira para cozinhar os mariscos, pode ser sentido de longe e assinala um tipo bastante específico de atividade social e econômica desenvolvida nesse pedaço. Um pouco mais à frente encontramos um espaço dedicado à prática de exercícios com pesos. Trata-se de uma ‘academia de musculação’ que existe há muitos anos e cujos equipamentos, improvisados, foram confeccionados por alguns de seus praticantes ao longo dos anos, como pode ser visto na Figura 3.

São pesos de diferentes tipos e tamanhos para diferentes finalidades. Aqui a noção de pedaço ganha sentido a partir do momento em que seus frequentadores acionam códigos em comum e encontram no espaço um ponto comum de referência, o que não impede que desconhecidos frequentem ocasionalmente o lugar. A efemeridade marca as relações desse pedaço: os praticantes chegam, conversam, se exercitam e vão embora. A musculação não é o principal e único objetivo da reunião de seus praticantes. Esse grupo é bastante heterogêneo, sendo formado por homens de diferentes idades e classes sociais. Ainda que os homens sejam a maioria é possível observar também mulheres. Ambos se encontram presentes tanto de dia quanto de noite. No trabalho de campo do dia 15 de março de 1918 observamos a presença de frequentadores na academia mesmo diante da escuridão provocada pela falta de iluminação pública. A presença de mulheres nesse lugar no horário da noite é compreendida mediante o fato de que elas se encontram na presença de conhecidos, colegas, enfim, sujeitos com os quais mantêm relações capazes de assegurar alguma segurança.
Um pouco além da academia de ginástica se está o Monumento a Estácio de Sá, situado na extremidade do trecho que selecionamos para a observação. O Monumento a Estácio de Sá [Fig. 4], é mantido por uma instituição privada de ensino superior que leva o mesmo nome do fundador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Trata-se de um marco identificado pela presença de um obelisco de pedra, além de uma placa de sinalização turística. Situado em um ponto estratégico do Aterro, o Monumento permite uma vista privilegiada do Pão de Açúcar e da Praia da Urca. O monumento é marcado pela presença das bandeiras do Estado do Rio de Janeiro e da Cidade do Rio de Janeiro. Não iremos nos deter no Monumento em si, apenas o tomamos como referência a distintas práticas sociais relacionadas ao campo do turismo, do esporte e da educação.

Um primeiro e mais costumeiro uso do Monumento a Estácio de Sá não diz respeito propriamente dito à visitação. Em grande parte, o Monumento é palco para turistas que fazem fotos do Pão de Açúcar, da Urca e da Baía de Guanabara. Em diversas ocasiões observamos a presença de turistas nesse lugar. Em geral, vans levam turistas a esse trecho do Aterro para a tomada de fotografias. Um segundo uso desse lugar é referente a práticas esportivas. Ao lado do Monumento a Estácio de Sá é comum observar a presença de academias de esporte que utilizam esse espaço para instalar suas barracas e equipamentos. Em geral, essas barracas situam-se ao lado direito do Monumento, próximo à ciclovia existente no local. O terceiro uso envolve um número maior de participantes e é voltado a produção de fotos para celebração de formaturas. Em geral, as ‘formaturas’ acontecem nos fins de semana, sábados e domingos no horário da manhã, principalmente. Nos dias em que estivemos presentes no Aterro para nossas observações pudemos acompanhar várias ‘formaturas’, como a registrada na Figura 5 a seguir.

Nessas ocasiões atravessadas de solenidade, mas também muita emoção, afinal, trata-se de um ritual de passagem, de investidura, não é o Monumento que se encontra no centro das ações sociais, mas principalmente a paisagem de fundo e importantes atrativos turísticos da cidade: o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara. Isso não significa que o Monumento não jogue nenhum papel nesse processo. Podemos aproximar simbolicamente o Monumento da formatura. Em ambos os casos, o que se busca fixar é uma data de grande importância, assim como os esforços pessoais envolvidos na realização de uma tarefa ou jornada. Da mesma forma que Estácio de Sá atuou decisivamente para lutar contra os ‘invasores’ franceses e seus aliados Tamoios, sendo ferido e vindo a falecer alguns dias depois, também os formandos lutaram duramente para conquistar o tão sonhado título que os abrirá portas e novas perspectivas na vida. Ainda que a formatura realizada no Aterro tendo como palco o Monumento seja um evento comemorativo efervescente, serão as fotos realizadas nessa ocasião que fornecerão aos sujeitos um marco comemorativo para lembrar. Nessa ocasião também o corpo e suas técnicas corporais aparecem como decisivos das relações sociais que são praticadas no pedaço. Fotógrafos, pais e formandos se esforçam para que as poses para celebrar momento tão emblemático fiquem ‘perfeitas’, o que revela modelos e normas sociais que devem ser obedecidas.
CONSIDERAÇÕES PROVISÓRIAS
Nesse artigo buscamos investigar as relações entre o corpo, a memória e o patrimônio em um pedaço no Aterro do Flamengo. No pedaço que estudamos o corpo se faz presente como lócus de mediação, memória e aprendizado (Le Breton, 2010). Conjuntos de atos e gestos apreendidos ao longo das diferentes fases da vida dos sujeitos são atualizados nas práticas sociais dos sujeitos que visitam o Aterro. Simplesmente pelo fato de estarem se divertindo, trabalhando, celebrando e comemorando ou ainda praticando esportes, a memória é tecida pela trama das interações sociais (Velho, 1994).
Assim como nem todos os que concorrem a esse espaço complexo ou total o fazem para praticar somente esportes ou simplesmente usufruir de seu tempo disponível em atividades genericamente chamadas de lazer, também não são todos os que o fazem investidos de um ethos individualista moderno. Dito de outra forma, não devemos supor que o indivíduo moderno, aqui entendido como um tipo social que se crê autônomo, racional e preexistindo à sociedade, seja uma condição generalizável ao conjunto dos frequentadores do Aterro.
Em grande medida, operam outras lógicas sociais ou habitus (Bourdieu, 2000), se quisermos, do tipo holista em que o indivíduo cede lugar ao grupo, a família, etc., jogando por terra a crença de que o indivíduo seja um dado ou ainda uma condição generalizada. Durante as formaturas de jovens profissionais que observamos, a família ganha centralidade com sua presença nas sessões de fotografias que serão usadas para construir narrativas sobre as ações dos sujeitos. Mas o sujeito também é posto em destaque quando se trata de ser reconhecido por seu empenho e esforço, seja treinando para conseguir sua habilitação de motoristas ou na comemoração de sua formatura.
Não se resumindo a um simples espaço de lazer, o Aterro também é lugar de trabalho, de luta, de sacrifício, conforme pudemos observar em nossas incursões ao longo de diferentes dias da semana. O caso de figura que abordamos, a da autoescola, cujas atividades se desenvolvem no trecho por nós selecionado, atesta esse fato e está longe de esgotar outras práticas econômicas, pois diferentes atividades econômicas, lícitas ou ilícitas, manifestam-se no trecho que estudamos assim como em outros espaços. Esse fato, observável por qualquer sujeito, não é um simples truísmo.
O patrimônio é outro aspecto do Aterro que aparece de forma ambígua em nossas reflexões. O Aeroporto Santos Dumont, os Museus, assim como o Aterro como um todo, apesar de inscritos na lista do patrimônio nacional, estadual ou carioca, enfrenta indiferença, desconhecimento e vandalismo. Longe disso ser um problema em si mesmo, essa situação nos mostra o quanto a informação se mostra distribuída de forma desigual na sociedade. O fato de o Aterro ser considerado um patrimônio e em seu interior haver diferentes patrimônios, também não nos deve supor que estejamos diante de algo evidente. Não é a definição oficial dada ao Aterro pelas autoridades encarregadas de sua administração e gestão que determina a sua natureza. Na verdade, não há um Aterro do Flamengo, mas muitos Aterros. Esses muitos Aterros são configurados em função dos diferentes usos e apropriações de seus frequentadores que variam conforme o lugar, o dia da semana e o horário.
O recurso analítico às categorias pedaço, mancha e pórtico permitiu revelar a relação entre o corpo e o espaço. Essas categorias nos permitiram compreender assim como dissolver a pretensa homogeneidade decorrente de um olhar objetivista acerca de um universo de práticas e memórias mobilizadas no Aterro. Encontrar-se em uma das escadarias da Churrascaria Assador para conversar ou para deixar seus cães de estimação brincarem durante o tempo em que interagem seus donos, transforma esse espaço em pedaço: trata-se de um lugar relativamente ao abrigo de estranhos, de intrometidos, de desconhecidos. Mas o pedaço também se mostra nas comemorações das formaturas e nas aulas de condução. Gestos, posições, movimentos, pausas, etc., demandam do corpo mais do que dispêndio de energia, demandam também a produção de significados.
O pedaço onde se encontram conhecidos, amigos ou colegas cede lugar para uma passagem que dá acesso a outros pedaços, como é o caso da academia de ginástica montada por diferentes sujeitos e que resta à disposição de quem queira dela fazer uso. Nesse pedaço a complexidade é maior, tendo em vista que diferentes sujeitos adentram a esse espaço sem necessariamente integrar o pedaço. Na verdade, a academia não se resume a um pedaço, mas a muitos pedaços, se ousamos dizer. Também aqui a memória é parte importante do que está sendo fabricado e negociado entre seus frequentadores. Trata-se de uma memória objetivada nos equipamentos de ginástica, não se desprezando quem os fabricou e os instalou nesse lugar, assim como um complexo conjunto de gestos, movimentos, exercícios e comportamentos incorporados e que dão o tom de uma tradição que se inscreve nesse lugar e nos corpos.
A memória no Aterro não se esgota no monumento a Estácio de Sá, ao paisagismo de Burle Marx ou ainda ao conjunto paisagístico de seu entorno como o Pão de Açúcar ou o espelho d’água da Baía de Guanabara. Uma complexa e fina rede de relações de sociabilidade é tecida todos os dias no trecho que investigamos com destaque para o corpo e a memória. É nos pedaços, espaço situado entre a casa e a rua, que amigos, colegas e conhecidos fabricam, negociam e se mantêm lembranças, memórias e ideias sobre diferentes temas.
Trabalhando, jogando, divertindo-se, treinando, festejando, como nas festas de formaturas, contemplando a paisagem ou simplesmente caminhando, memórias são constantemente negociadas, mas também mantidas em muitos casos. Nas fotografias e selfies feitas às centenas ao longo de passeios de turistas e visitantes, ou durante as sessões de fotografias de formandos de diferentes áreas de conhecimento, forjam-se outras memórias que serão mais tarde mobilizadas em casa com amigos ou parentes. Nesse sentido, o trecho que investigamos será para muitos um ponto de referência forte o suficiente para lhes ajudar a organizar a experiência nada pacífica ou consensual que é a de viver em uma sociedade que se desdobra em infinitas sociedades e onde o sujeito racional não necessariamente é tão senhor assim de si como preconizam as teorias contratualistas ou utilitaristas.
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Notas