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Santuário Nossa Senhora de Caravaggio [Brasil]: História e Devoção

Shrine of Our Lady of Caravaggio [Brazil]: History and Devotion

ROSALINA CASSOL SCHVARSTZHAUPT
Universidade de Caxias do Sul, Brasil
VÂNIA MERLOTTI HERÉDIA
Universidade de Caxias do Sul, Brasil

Santuário Nossa Senhora de Caravaggio [Brasil]: História e Devoção

Rosa dos Ventos, vol. 13, núm. 2, pp. 325-347, 2021

Universidade de Caxias do Sul

Recepción: 18 Agosto 2020

Aprobación: 14 Septiembre 2020

Resumo: A história do Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, no Rio Grande do Sul, Brasil, está ligada a imigrantes italianos que se estabeleceram na região nas últimas décadas do século XIX. A grande maioria eram agricultores, que vieram em busca de melhores condições de vida, e trouxeram consigo um profundo sentido de fé, devoção e amor pátrio. Tais famílias se organizaram e construíram uma capela com o intuito de rezar e buscar fortalecimento na religião para superar as adversidades encontradas. Essa capela cresceu, adquiriu expressão e começou atrair número considerável de peregrinos, o que a tornou o maior santuário em fluxo de visitantes do Sul do Brasil, bem como inspirou a propagação da devoção a outras localidades. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é apresentar a história do Santuário e discutir acerca da crescente visitação e a prática de solidariedade da comunidade local em proporcionar ao peregrino uma experiência religiosa, a partir da hospitalidade. As famílias locais empenham-se em preservar o espírito de acolhimento aos peregrinos de forma generosa, reproduzindo iniciativas que, ao longo do tempo, têm marcado a vida de diversas gerações e tornado o lugar um atrativo de turismo religioso.

Palavras-chave: Hospitalidade, Turismo Religioso, Devoção, Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, Farroupilha, Rio Grande do Sul, Brasil.

Abstract: The history of the Shrine of Our Lady of Caravaggio, in Farroupilha, Rio Grande do Sul, Brazil, is linked to the Italian immigrants who settled in the region in the last decades of the XIX Century. They were mostly peasants who came in search of better living conditions, bringing with them a deep foundation of faith, devotion and love for their homeland. These families built a chapel for them to pray and thus find strength to overcome the harsh difficulties they had encountered here. Over time, the now shrine has become not only very well known, attracting a vast number of pilgrims and becoming the largest Shrine in Southern Brazil in number of visitors, but also spreading the devotion to other locations. In this sense, the aim of this study is to trace the history of the Shrine and think through the increasing visitation and practice of solidarity, by the local community, in providing pilgrims a religious experience from the hospitality point-of-view. Local families strive to preserve, generously, the spirit of hospitality to pilgrims, developing initiatives that, over time, have marked the life of many generations and made of that place an attractive location for religious tourism.

Keywords: Hospitality, Religious Tourism, Devotion, Shrine of Our Lady of Caravaggio, Farroupilha, Rio Grande do Sul, Brazil.

CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS

O Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, no sul do Brasil, é um espaço religioso que, além da sua história de devoção, traz em si a história de muitas pessoas que ao longo do tempo dedicaram parte de suas vidas na expressão da fé, tornando o local em um espaço sagrado e de gratidão pelos benefícios espirituais alcançados e, também, no encaminhamento de desejos, aspirações, angústias, sofrimentos e busca de alento no intuito de serem agraciadas pela intercessão da Santa.

O anseio por melhores condições de vida foi motivo de mobilizações ao longo da história humana. Assim também ocorreu com migrações históricas, principalmente as europeias, que buscavam construir uma possível realidade e garantir um futuro favorável aos seus descendentes. Alimentados por esse espírito, um número considerável de italianos migrou para o Sul do Brasil nas últimas décadas do século XIX. E desses, um grande número povoou a região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Na história das migrações, o município de Farroupilha é considerado o berço da imigração italiana na região, uma vez que foi a porta de entrada e local de chegada e de destinação para as terras a serem colonizadas, conforme a designação das políticas de imigração do governo imperial. A localidade de Linha Palmeiro, atualmente denominada Caravaggio, pertencente à Farroupilha, foi um dos primeiros lugares em que ocorreu assentamento de imigrantes que chegaram ao município, na época denominado Colônia Caxias. Era o ano de 1876, quando 22 famílias se estabeleceram no local mediante a compra de terras adquiridas do governo imperial (Bertuol, 1950). As dificuldades encontradas pelos imigrantes, diante da falta de recursos econômicos e pelo não cumprimento de algumas medidas básicas prometidas no acordo migratório, provocaram desafios para a sobrevivência desses no novo destino. Bertuol (1950) relata que a fé, a devoção e o espírito cívico que trouxeram da pátria de origem foram decisivos para a superação de obstáculos e norte para a condução de suas vidas e das gerações que se seguiram.

Entre as primeiras providências desses imigrantes ao chegarem em suas localidades de assentamento estava em designar um espaço para construir uma capela, para exercerem suas práticas religiosas. Em seguida, entre suas devoções, escolher um padroeiro, ao qual delegavam o poder de proteção para suas necessidades espirituais. A capela era o local de reunião para rezar em comum e também se tornou um lugar de encontro social (Azevedo, 1975). Dessa forma, os imigrantes italianos encontraram força espiritual para seguirem suas vidas. Assim também ocorreu no interior da Colônia Caxias, uma pequena capela denominada de Caravaggio foi erguida e as famílias dessa comunidade rural escolheram Nossa Senhora de Caravaggio como padroeira.

A fé e a devoção à Santa se fortaleceu na população, atestadas pelos benefícios que acreditavam receber por meio de preces a ela encaminhadas. Os relatos a respeito se tornaram atrativos às populações próximas, que passaram a frequentar o local, trazendo suas manifestações de fé. O fluxo crescente fez com que o local fosse elevado ao status de Santuário. Visitantes de dezenas de países já deixaram seus registros no livro de visitas do Santuário (Schvarstzhaupt, 2018, p. 14), o que envolveu, entre os anos de 2007 a 2017, um número aproximado de 15 milhões e meio de visitas, perfazendo uma média anual de um milhão e quatrocentas mil visitas.

Nesse contexto, o objetivo deste estudo é apresentar a história do Santuário, discutir acerca da crescente visitação e a prática de solidariedade da comunidade local em proporcionar ao peregrino uma experiência religiosa, a partir da hospitalidade. O estudo constitui-se de pesquisa exploratória, de natureza qualitativa, cujo método de análise textual discursiva oportuniza a análise do corpus, constituído de entrevistas realizadas com representantes da Igreja local, integrado por sujeitos que exerceram atividades nesse Santuário.

A HOSPITALIDADE E A ORGANIZAÇÃO COLETIVA

A hospitalidade vem ocupando um lugar de evidência no campo da discussão filosófica e científica, originado pelos reveses decorrentes da globalização e que provocam ocorrências de migrações humanas, violência de tribos e vizinhos mais fortes resultantes de caos econômico e situações de miséria nos países mais fragilizados economicamente (Boff, 2005). A hospitalidade é considerada por Boff (2012) como uma virtude, tendo no cuidado uma de suas expressões. O cuidado abrange mais que um momento de atenção e de zelo, representa uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo com o outro. Boff explicita que cuidar, mais do que um ato, é uma atitude. A atitude é uma fonte que gera muitos atos que, por sua vez, expressam o proceder de fundo. Na atitude do cuidado está inserido um amplo envolvimento nos aspectos material, pessoal, social, ecológico e espiritual.

Considerada de muitos modos, a hospitalidade possui uma virtude fundamental que faz dela algo maior do que uma simples troca de boas maneiras. Habitualmente, agrupada em torno de lugares de acolhimento especializados, a hospitalidade se manifesta primeiramente como uma prática caridosa cujo principal propósito é oferecer uma liberalidade. Milon (2011) faz aproximações do sentido de hospitalidade ao uso dos termos caridade, generosidade, magnificência, largueza, prodigalidade, profusão, os quais contribuem para delimitar o que se esconde por trás de seu gesto. Nesse sentido, o autor considera que, mais que uma conduta, a hospitalidade é uma prática sociável detentora de uma virtude primeira: reconhecer e confirmar o outro em seu status de ser. Essa virtude torna-se uma qualidade humana essencial e fundadora de sua humanidade. No gesto da acolhida, ocorre a atualização de regras de sociabilidade e de civilidade, frequentemente expressas como qualidade de escuta do outro. Entretanto, para que a acolhida seja hospitaleira, é preciso que expresse a virtude da atenção.

Avançando na ideia de troca relacional, Binet-Montandon (2011) analisa acolhida e hospitalidade como sinônimas. Entretanto, esse autor também considera que, numa perspectiva antropológica, a acolhida pode distinguir-se da hospitalidade não somente do ponto de vista do tempo, mas dos códigos e dos sistemas de normas que a regem, tendo, por um lado, o instante da acolhida e, por outro, as leis da hospitalidade. Ao considerar a hospitalidade como relação, Baptista (2002) a define como “um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro” (p. 157). Através da relação de proximidade se torna possível abraçar verdadeiramente a aventura da descoberta, da realização e de superação de nós mesmos. Baptista (2008) aborda a dimensão ética da hospitalidade e evidencia a necessidade de criar e alimentar lugares de hospitalidade. Nesses, podem surgir a consciência de um destino comum e o sentido de responsabilidade capazes de motivar a ação solidária. A autora salienta que sem a capacidade de sermos tocados, física e espiritualmente, pelos acontecimentos que expõem a vulnerabilidade do outro, qualquer esforço racional torna-se inútil.

Lugares de hospitalidade são definidos por Baptista (2008) como lugares abertos ao outro, que envolvem o lugar de residência, a paisagem envolvente, as cores, os sons e os cheiros da rua ou do bairro, as tradições e os hábitos de juma coletividade. Entende que esses ingredientes funcionam como caldo de humanidade que fecunda a singularidade subjetiva e faz a identidade dos lugares. A humanização do espaço o transforma em lugar e pressupõe o respeito pela hospitalidade do próprio mundo natural e se constitui em solo de enraizamento temporal, de proficuidade. Por essas características, não deve ser visto como um recurso inesgotável. Baptista (2008) afirma que “a verdadeira riqueza ou identidade dos lugares não está em suas potencialidades materiais, mas sim na forma como são apropriados, percebidos, desfrutados, amados e, sobretudo, partilhados” (p. 6). A hospitalidade implica uma ligação afetuosa com o mundo habitado. Nesse sentido, “a identidade pessoal alimenta-se de laços de enraizamento temporal e estes carecem da vinculação a um ambiente natural, cultural e relacional, e, portanto, a um território de referência” (Baptista, 2008, p. 8). Nesta perspectiva, Baptista ainda aprofunda a ideia de que as formas de organização territorial influenciam os estilos de pertença comunitária com a força de condicionar decisivamente as trajetórias de vida e interação social. A autora compreende que, no sutil excesso de hospitalidade, emergem atos que exprimem a sociabilidade humana, em que a bondade favorece um sopro de bem que faz transbordar a devoção familiar, a amizade, a obrigação profissional e a responsabilidade cívica.

Nouwen (1999) situa a escuta numa forma de hospitalidade espiritual através da qual se convida estranhos a se tornarem amigos, a conhecerem seu interior mais plenamente e mesmo a ousar permanecerem em silêncio mediante sua presença. Mais que uma estratégia psicológica, a escuta na vida espiritual proporciona ajuda aos outros a se descobrirem. Para o autor, “na vida espiritual, o ouvinte não é o ego que gostaria de falar mas é treinado a se conter, e sim o espírito de Deus dentro de nós” (p. 100). Nessa direção ainda, Vanier (1995) refere que o gesto de escutar requer espírito de generosidade. Para poder escutar é preciso inspirar segurança. Esse autor compreende que uma pessoa se torna propícia a se abrir a alguém quando tem a certeza de que esse alguém irá respeitar seu segredo. Nesse sentido, a confidência constitui-se um dos aspectos essenciais da escuta, em que o escutar é saber respeitar as fraquezas, os sofrimentos do outro, sem divulgá-los a ninguém.

Esse autor destaca que acolher é símbolo de verdadeira maturidade humana e cristã. Tal gesto significa não apenas abrir a porta e a casa para alguém, mas dar-lhe espaço para que possa existir e crescer. O acolher implica criar um ambiente em que esse alguém possa sentir-se aceito do jeito que é, com suas feridas e dons. Para isso, é preciso que exista, no coração de quem acolhe, um lugar silencioso e tranquilo em que os outros possam repousar. E o requisito para ocorrer esse acolhimento é que o coração esteja em paz. Essa condição, pode tornar-se possível numa comunidade que expresse amorosidade, virtude que a torna atraente e, consequentemente, acolhedora.

No sentido de organização coletiva e senso de comunidade, a ideia de hospitalidade aparece como base estruturante de laços sociais, que contribui para melhor convivência e desenvolvimento. Putnam (1993) e colaboradores empreenderam uma pesquisa na Itália, entre 1970 e 1989, através da qual mapearam e estudaram as características que distinguiam as diversas regiões daquele país. Observaram que regiões situadas mais ao Norte tiveram um desenvolvimento superior às do Sul, embora as condições básicas e o governo eram os mesmos para todo o país. Segundo os estudos de Putman, os melhoramentos ocorreram graças a um contexto social que forjou laços horizontais e ligações sólidas com vistas à solidariedade que, por sua vez, gerou fundamentos cívicos nessas comunidades. Além disso, esses pesquisadores notaram que o regime de gestão comunal medieval do Norte vem se manifestando, até hoje, sob a forma de empenho civil, responsabilidade social e mútua assistência. Entre as localidades que compõem a Região Norte daquele país, está a região do Vêneto, a qual observaram ser caracterizada por expressiva presença de católicos, enquanto não ocorria o mesmo nas regiões mais ao Sul. É importante ressaltar que daquela região vieram grande parte dos imigrantes italianos que se estabeleceram em Farroupilha, nas últimas três décadas do século XIX.

O entendimento do porquê de as instituições funcionarem de forma desigual, em termos de rendimento nas várias regiões, teve como uma das explicações a existência, em grau variável, de comunidades cívicas, com indiscutível empenho transformador e fortes laços de solidariedade. Os dados empíricos decorrentes das pesquisas realizadas pelo grupo apontaram que o bem-estar, a acumulação de capital e a renda gerada não poderiam ser vistos como únicos fatores determinantes do bom funcionamento das instituições e o bom governo, mas sim que o sucesso dependia mais que tudo do caráter dos cidadãos ou da sua virtude civil (Putnam, 1993). Na visão desse autor, o significado de comunidade cívica estaria na aquisição do direito de cidadania pela via da vida comunal e pelo crescente interesse por questões referentes à vida pública. Alguns elementos a caracterizam tais como: o empenho cívico que denotava participação ativa na vida comum, o censo de igualdade política medido pela propensão a estabelecer relações horizontais de reciprocidade e cooperação; solidariedade, confiança e tolerância, estabelecidos através do respeito e da estima pelos concidadãos; e, o impulso associativista como compromisso em construir estruturas cujo escopo implica na cooperação.

Verifica-se que a hospitalidade se alimenta de uma união entre diversos elementos. A hospitalidade primeiramente emerge de uma condição espiritual antes que material, embora se alimentem e complementem. A hospitalidade traz suas raízes de comportamentos originados na própria sociedade, e sua prática pode constituir-se caminho para a construção de uma condição social, em que ocorra mais sinais de justiça e solidariedade. Compreendida como uma das maiores virtudes, a hospitalidade projeta base para um futuro de esperança, um novo paradigma de comportamento que envolve relação interpessoal e espaços de convivialidade que motivem e gerem espírito altruísta.

O TURISMO RELIGIOSO

O turismo como objeto de estudo tem sido abordado em diferentes áreas do conhecimento. Sua relação com diferentes elementos da dimensão econômica, tais como social, política e ambiental, entre outras, ressalta a complexidade de sua análise e a necessidade de usar uma abordagem multidisciplinar para uma apropriada compreensão desse fenômeno. Alguns autores sustentam que o estudo do turismo é um campo de pesquisa que apresenta aspectos pertinentes a uma série de disciplinas. Como fenômeno globalizado de deslocamento, o turismo necessita de um território com elementos físicos e sociais que lhe proporcione condições de existência e sustentação. Entre esses elementos, destaca-se a vinculação do turismo à hospitalidade.

Na perspectiva de Urry (2001), o turismo está relacionado às práticas de afastamento, nas quais ocorre uma ruptura limitada com rotinas e ações bem-estabelecidas da vida diária. Essa ruptura permite abertura dos sentidos para um conjunto de estímulos que contrastam com o cotidiano e o mundano. Tais períodos de permanência em outros lugares caracterizam-se por serem breves e de natureza temporária, com a clara intenção de voltar para casa, dentro de um período relativamente curto. Os lugares escolhidos se prendem a motivações e expectativas, por meio de abstrações e da fantasia em relação a satisfações intensas, que envolvem sentidos diferentes dos vivenciados habitualmente. O autor argumenta que, embora tenha ocorrido uma variação histórica e sociológica a respeito do turismo, existem características mínimas das práticas sociais que, por questões de conveniência, são descritas como turismo.

De acordo com os objetivos de viagem, pode-se distinguir diferentes tipos de turismo cujas variedades resultam de distintos desejos, motivações ou intenções que o próprio turista tem de encontrar nos lugares almejados. Um desses propósitos que originam deslocamentos de pessoas para destinos turísticos é a motivação religiosa. Cárdenas (2012) sustenta que as viagens por razões religiosas buscam rememorar uma tradição milenar de viajar do local de residência para outro lugar considerado sobrenatural, misterioso, que representa ao viajante um elo com o sagrado na Terra. Esse fenômeno, comum às várias religiões, deu origem ao turismo religioso, que pode ser entendido como finalidade específica de conhecer lugares diferentes, porém com uma atitude e disposição especial para ir a lugares de reunião de culto, locais de propósito de fé, não apenas como alguém que vai como espectador, mas que participa com a necessidade de viver uma experiência de encontro com Deus e uma experiência de fé.

No tocante ao fenômeno das peregrinações, Cárdenas avalia que, apesar de ser uma das mais antigas razões para viagens e, portanto, para o turismo, o tema do turismo religioso tem sido pouco abordado por estudiosos do assunto. O autor considera que a maioria das pesquisas existentes foi realizada a partir da antropologia e sociologia, porém raramente do olhar do turismo. Os estudiosos que abordaram tal fenômeno são principalmente geógrafos e economistas, através de alguns estudos de economia aplicada e planejamento urbano. Por outro lado, Prazeres e Carvalho (2015), abordam que o turismo religioso tem motivado atenção crescente de investigadores de diferentes áreas disciplinares com existência de relevante literatura o que dá vitalidade e expressão ao tema. Entretanto, consideram que tal reflexão multidisciplinar tem evoluído num contexto de falta de unanimidade dos autores sobre algumas questões teóricas como o próprio conceito de turismo religioso. Entre alguns referenciais, valem-se da abordagem de Silveira (2007), que argumenta ser religião e turismo dimensões opostas e com fronteiras bem definidas teoricamente, e citam que alguns autores seguem a proposta de Smith (1992), que considera ligeiras variantes de turismo religioso que abrange uma dimensão intermediária de um continuum cujos limites são a peregrinação e o turismo cultural.

O setor da Igreja católica que trata da mobilidade humana aborda o turismo religioso na perspectiva da restauração humana, tendo presente também a experiência religiosa. Entendido dessa forma, o turismo religioso tem potencial de reintegrar o corpo e a psique afetados pelo desgaste do trabalho e ritmo cotidiano da vida. Essa instituição tem em vista que o ser humano, em sua natureza, tem anseio por liberdade e movimento. Nesse sentido, tal experiência cria relações interpessoais num contexto de maior serenidade, confiança e disponibilidade ao encontro e ao diálogo. O Diretório Geral para a Pastoral do Turismo [DGPT], através do documento Peregrinans in terra (Congregação para o Clero, 1969, n. 11), aborda que o turismo pode traduzir-se em autoeducação e em complemento pessoal com potencialidade de promover o senso de autonomia e respeito, se vivido inteligentemente. Por esse entendimento, os relacionamentos turísticos surgem de um movimento de pessoas para várias destinações, e sua permanência nelas envolve deslocamento através do espaço e um período de estada, em um lugar ou lugares novos.

Atenta às mobilidades humanas, e prezando pela hospitalidade em bem acolher, no ano de 1969, por meio do DGPT, a Igreja católica propôs orientações e ações de caráter normativo acerca do turismo, destinadas aos líderes religiosos, para o acolhimento aos turistas em seus espaços religiosos. Naquele momento, o turismo surgia como plataforma de muitas possibilidades para o progresso das pessoas e dos povos (Congregação para o Clero, 1969). Essa Igreja, em seus documentos relativos à pastoral do turismo, demonstra-se apreensiva diante da vastidão e complexidade desta nova forma de emprego do tempo livre, caracterizada pelo deslocamento da residência habitual, dentro ou fora do próprio país, sem o fim exclusivo de lucro ou trabalho. O DGPT aborda que o turismo, bem-aproveitado, concorre para o recíproco conhecimento dos seres humanos e para o desenvolvimento do espírito de hospitalidade; tem a potencialidade de reduzir a distância entre as classes sociais e as raças humanas; vencer o isolamento dos povos; favorecer novas fontes de trabalho; reduzir o fenômeno da migração em algumas regiões e promover o processo de unificação dos seres humanos no conceito de Povo de Deus (Congregação para o Clero, 1969).

Para a Igreja Católica, o turismo constitui-se princípio de unidade e fator de transformação e de elevação social, de solidariedade do ser humano com o universo e de restauração da pessoa humana. Desta forma, o turismo pode tornar-se um instrumento de paz e de confraternização entre os povos, bem como facilitar contatos concretos e válidos entre os fiéis das diversas religiões e entre os não crentes, constituindo um instrumento de encontro ecumênico e de diálogo, com espírito de caridade e esperança. Nesse sentido, manifesta-se a hospitalidade, a qual primeiramente emerge de uma condição espiritual antes que material, embora essas se alimentem e se complementem. A hospitalidade traz suas raízes de comportamentos originados na própria sociedade, e sua prática pode constituir-se caminho para a construção de uma condição social onde ocorram mais sinais de justiça e solidariedade. Compreendida como uma das maiores virtudes, a hospitalidade constitui-se base para um futuro de confiança, um novo paradigma de comportamento, que envolve relação interpessoal e espaços de convivialidade (Baptista, 2002).

Rodríguez (2012) refere que as peregrinações não são exclusivas de tempo, espaço, cultura ou religião, embora cada elemento lhes proporcione características próprias. Fora do cristianismo, uma das peregrinações mais importantes é a de visita Meca. A peregrinação se constitui um dos cinco pilares doislamismo. Os demais compreendem fé, oração, esmola e jejum, preceitos esses a que está obrigado todo o muçulmano adulto que disponha meios de realizá-los. Rodríguez constata que os lugares de peregrinação cresceram em importância nas últimas décadas e destaca que os mais importantes da Europa na Idade Média foram Roma, São Tiago de Compostela e Jerusalém, bem como outros lugares da Terra Santa que estavam diretamente associados à vida de Jesus. Esse autor refere que “a primeira rota religiosa mais significativa e a que é atribuído o primeiro grand tour de que se tem notícias é o caminho de Santiago com destino a Compostella no norte da Espanha” (Rodríguez, 2012, p. 96).

O SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO

O Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, está localizado a seis quilômetros do centro urbano, em área predominantemente rural. Em torno de 180 famílias residem nas suas imediações. Essas, integram a sede e mais sete capelas que estão diretamente ligadas a gestão e ao serviço no Santuário, o maior do sul do Brasil pelo fluxo de peregrinos. Padroeira do Município e da região colonial italiana, o dia 26 de maio, data em que é celebrada a aparição de Nossa Senhora de Caravaggio, é feriado municipal. Nos dias da romaria, em torno de 26 de maio, ocorre um grande fluxo de peregrinos de localidades vizinhas, principalmente a pé, provindos principalmente da cidade de Caxias do Sul, localizada a 18 quilômetros. Em 2016, essa romaria foi declarada bem cultural de natureza imaterial de Caxias do Sul, por seu Conselho do Patrimônio Histórico e Cultura.

Ao abordar a questão das migrações (Herédia, 2015), descreve que “os movimentos migratórios internacionais, do final do século XIX, foram decisivos na conformação da estrutura econômica e social do Brasil, principalmente nas características das regiões do Sudeste e do Sul” (p. 95). Em sua fase inicial, a imigração foi impulsionada pela política de colonização da época, promovida pelo Governo Imperial, cujos objetivos eram “ocupar o espaço de terras devolutas por imigrantes europeus, exercer o trabalho livre, garantir a propriedade privada e usufruir da mão de obra familiar” (Herédia, 2012, p. 122).

Bertuol (1950) descreve acerca da imigração que deu origem ao povoado de Caravaggio a partir de relatos de diversos imigrantes, e sobretudo, a partir da constatação de um número considerável de documentos guardados pelos herdeiros dos imigrantes. Esses imigrantes, provindos de Fonzaso, região do Vêneto, partiram do porto francês do Havre, para o Brasil, em 14 de novembro de 1876. A localidade, hoje designada Caravaggio, fazia parte da área de terras, conhecida na época como Linha Palmeiro, que abrangia as zonas compreendidas desde o Barracão, perto de Bento Gonçalves, até perto de Caxias do Sul. Bertuol descreve que esses imigrantes eram de origem simples, ordeira e devotada exclusivamente ao trabalho rural. Traziam consigo uma fé incontestável, destituídos de preconceitos materialistas e prezavam por valores morais e cristãos e com a crença da vida eterna.

O local em que se estabeleceram era mata fechada que desbravaram para construir suas rústicas moradias, improvisadas e de madeiras extraídas da própria mata. Naqueles primeiros anos, não havia sacerdotes à disposição das levas migratórias na região. Sem igrejas e sem sacerdotes (Merlotti, 1978), e em condições precárias de moradia, privados da missa, recitavam o rosário e outras devoções, entre as quais a de Nossa Senhora de Caravaggio. As primeiras missas realizadas no local foram celebradas nas casas dos moradores, pelo sacerdote que atendia aos colonizadores de Bento Gonçalves, Garibaldi e Farroupilha, na época, servidos pelo transporte animal.

Uma capela foi construída pela iniciativa de dois moradores com auxílio da comunidade, e inaugurada em 1879. Essa data foi considerada como o ano da fundação do Santuário de Caravaggio. Os relatos apontam que foi nesta capela que se manifestaram os primeiros sinais da intercessão da Santa em suas necessidades. Após dez anos, essa edificação foi substituída por uma de alvenaria, tendo sido inaugurada em 1890, e passando a constituir o que atualmente é o Santuário Antigo. Em 21 de junho de 1900, a então capela é elevada à “categoria de paróquia por decreto do bispo Dom Claúdio José Gonçalves Ponce de Leão, da Diocese de Porto Alegre” (Zorzi, 1986, p. 43), a que essa estava vinculada. Com o fluxo crescente de peregrinos, em 1945 tem início a construção do novo e atual Santuário. Sob a liderança do padre Theodoro Portolan[i], a comunidade de Caravaggio se mobiliza para realizar a obra e a inaugura em 3 de fevereiro de 1963. No intuito de proporcionar trabalho aos moradores, de implementar o desenvolvimento do lugar e de trazer melhorias para a Igreja ali estabelecida, esse líder religioso empreende cooperativas, olarias, pedreiras, britador, engenho e serraria, entre outros. Relatos de pessoas da comunidade que testemunharam sua atuação descrevem que o religioso não media esforços para ajudar pessoalmente em muitas atividades. Durante sua gestão, foram construídos no local a Casa do Peregrino, a Casa de Retiros, o Carmelo e o novo Santuário (Zorzi, 1986).

Pasa (2013), apresenta relato de familiares descendentes de um colonizador, que dirigia uma das olarias. Esses, descrevem ter presenciado a constante presença do religioso para ajudar e incentivar os demais nos trabalhos. Pasa descreve ter estado em tal olaria no ano de 2012 e ter encontrado um cenário preservado. Os descendentes “mantém intacta a velha fábrica de tijolos, o velho carretão de transportar argila, tendo inclusive um galpão com tijolos queimados da última fornada, empilhados, e o pó do tempo depositado sobre as fileiras dessa derradeira produção” (p. 101). Em 1945, Portolan implementou uma cooperativa agrícola para dar incentivo às famílias locais que enfrentavam dificuldades pela falta de estradas de boa qualidade e a inexistência de comércio. Em decorrência dessas demandas, a produção, essencialmente agrícola era desvalorizada e as famílias passavam necessidades e dificuldades financeiras de toda ordem (Pasa, 2013).

A iniciativa de criar cooperativas teve importante influência dos padres jesuítas, em cujo seminário, Centro de Espiritualidade Cristo Rei [CECREI], em São Leopoldo-RS, eram formados os sacerdotes da Diocese de Caxias do Sul, naquela época. O padre Portolan fez sua formação naquele seminário, bem como outras lideranças como o próprio Pasa (Pasa, 2013). Os padres jesuítas também prestaram importante contribuição ao Santuário de Caravaggio em atendimentos espirituais nas romarias, na escuta a peregrinos de língua alemã que aí buscavam atendimento (Bertuol, 1950). Para acolher a demanda de visitantes/peregrinos foi construído um hotel no ano de 1953. Pasa (2013) refere que o padre Portolan “sentiu a necessidade da construção de um hotel que proporcionasse algum conforto aos visitantes, pois muitos vinham a pé, cansados da viagem, doentes e pobres” (p. 106). De hotel passou a restaurante e atualmente é referência tradicional por sua culinária e pratos regionais. Outra importante iniciativa relatada por Pasa, foi a criação do Instituto Santa Maria Goretti, que englobava diversas entidades de caráter tipicamente agropecuário, destinadas a fornecer alimentos e, no sector industrial, a produzir material para a construção civil, bem como outros produtos para o comércio, como balas e malhas. Também o integravam uma granja de gado leiteiro, um aviário, uma serraria e uma carpintaria.

Nesse período de mais de 140 anos da colonização, na localidade de Caravaggio, dezenas de sacerdotes se empenharam em implementar formação humana e ações em benefício do Santuário, atentos à comunidade local e às demandas espirituais de milhões de peregrinos. Conforme demonstram os registros nos livros tombo do Santuário, e também pelos relatos históricos e de representantes locais, esses líderes religiosos empenharam-se, cada um em seu tempo, a empreenderem as iniciativas que tornaram o lugar aquilo que o constitui atualmente.

A HISTÓRIA DA DEVOÇÃO

O ato de entrega devocional, segundo Mattai (1993), é expresso em práticas piedosas exercidas, privada ou publicamente, como regra, aprovadas pela Igreja. A espiritualidade que envolve as devoções pode ser expressa em muitas fórmulas de orações e em outras manifestações tais como: peregrinações a lugares sagrados; medalhas, relíquias, estátuas e imagens sagradas e bentas; em procissões, ou ainda em outros costumes populares. Mattai (1993) observa que, no decurso da experiência espiritual, sempre sob assistência divina, as devoções podem ser acompanhadas de consolações, como em geral acontece nos principiantes generosos, mas também essa espiritualidade pode ser purificada e aprofundada.

A devoção à Nossa Senhora de Caravaggio foi trazida ao local pelos primeiros imigrantes italianos que aí se estabeleceram em 1876, vindos da região do Vêneto, Norte da Itália. Bertuol (1950) descreve que a aparição de Nossa Senhora de Caravaggio aconteceu no dia 26 de maio de 1432, às 17 horas, a uma camponesa chamada Joaneta, num lugarejo conhecido como Prado de Mazzolengo, localizado a aproximadamente 1.800 metros de Caravaggio, no Norte da Itália, nos limites dos Estados de Milão e Veneza e na divisa de três dioceses: Cremona, Milão e Bérgamo, em um momento de grandes conflitos. Joaneta era uma jovem senhora de 32 anos, tida como piedosa e sofredora. A causa era o marido, Francisco Varoli, um ex-soldado conhecido por bater na esposa. Maltratada e humilhada, na tarde daquele dia, colhia pasto naquele prado. Bertuol contextualiza a época, no ano de 1432, marcada por divisões políticas e religiosas, ódio, heresias, agredida por bandidos e agitada por facções, traições e crimes, naquela região da Itália. Além disso era cenário da Segunda Guerra Mundial, entre a República de Veneza e o Ducado de Milão, tendo passado para o poder dos venezianos em 1431, um ano antes do evento de Caravaggio.

A cena que precede a aparição, na narrativa de Bertuol, descreve que, entre lágrimas e orações, Joaneta avistou uma senhora que se assemelhava a uma rainha, mas que se mostrava cheia de bondade. A senhora anuncia-se como Nossa Senhora e lhe diz: “Tenho conseguido afastar do povo cristão os merecidos e iminentes castigos da Divina Justiça, e venho anunciar a paz” (Bertuol, 1950, p. 29). À Joaneta é confiada a missão de levar a mensagem aos governantes e ao povo, com o pedido de voltarem às práticas cristãs católicas, à oração e agradeçam a Deus pelos castigos afastados. Além disso, pede que, naquele local em que se encontra, seja erguida uma capela. Como sinal da aparição, ao lado de onde estavam os pés da Santa, brota uma fonte de água límpida e abundante, existente até os dias atuais e onde nela muitos doentes tiveram benefícios de recuperação da saúde (Bertuol, 1950). A devoção à Nossa Senhora de Caravaggio foi levada pelos imigrantes italianos a diversos lugares e a diversos estados brasileiros. Nas migrações internas, os filhos desses também levaram a devoção para as novas terras que foram povoar. Além do Santuário em Farroupilha, deram origem aos santuários em Azambuja, Santa Catarina, em Nova Veneza, SC, em Canela e Paim Filho, os dois no Rio Grande do Sul, e a dezenas de capelas nas Regiões Sul e Oeste do Brasil (Zorzi, 1986).

O primeiro oratório foi construído no local por dois moradores que abateram um pinheiro e dele extraíram a madeira. Media de 3 a 4 metros quadrados e o construíram em segredo dos demais moradores. Bertuol (1950) relata que, quando os demais o souberam interviram para ampliar o espaço pois desejavam que todas as famílias locais pudessem se beneficiar para nele rezar. A capela então, pela iniciativa das 22 famílias locais, foi refeita para abrigar em torno de cem pessoas e foi inaugurada em 1879, data considerada a da fundação do Santuário. Com a capela, era necessário escolher um padroeiro. Após refletirem sobre algumas opções, a decisão recaiu à figura de Nossa Senhora de Caravaggio, porque um dos moradores locais possuía um pequeno quadrinho trazido de sua terra de origem. Bertuol descreve que em Fonzaso, na Província de Belluno, Norte da Itália, na época da imigração italiana ao Brasil, vivia uma família patriarcal muito devota de Nossa Senhora de Caravaggio, que era ascendente da família Fáoro. No frontispício de sua residência, existia um painel, em pintura, com a representação da cena da Aparição de Nossa Senhora à camponesa. Como o prédio estava envelhecido e seria demolido para construção de uma nova habitação, com a intenção de preservar a memória e a devoção, extraíram uma cópia reproduzida em litografia, acrescentando a legenda: “Miraculosa Imagine della B. V. Di Caravaggio” (Bertuol, 1950, p. 112). Quando da emigração ao Rio Grande do Sul, a herdeira do quadro era a mãe de Natal Fáoro, que já havia muitos anos o venerava na moradia nova da família. Ao incorporar-se aos que vieram para o Brasil em 1876, Natal, sua mãe e a família trouxeram o referido quadro que já era objeto de veneração familiar.

O quadrinho seria cedido à capela em forma de empréstimo até providenciarem sua substituição. Além da devoção familiar, o quadro era também objeto de veneração coletiva no lugarejo da família, na pátria de origem. Nesse lugar, as famílias das colônias próximas se reuniam, traziam enfermos e rezavam em torno dele e pediam graças à Nossa Senhora e atendidos em muitas ocasiões. Esse quadro foi doado definitivamente ao Santuário e permanece exposto na base do altar que sustenta o conjunto estatuário da Santa. O mesmo foi o referencial para o artista Pietro Stangherlini, de Caxias do Sul, esculpir em madeira de cedro o conjunto estatuário, em 1898, venerado no local (Bertuol, 1950).

Bertuol relata o fluxo de peregrinos nas primeiras décadas das romarias, em que se evidencia crescimento ano a ano. Em 1925, estimou-se entre 2 e 3 mil devotos. Em 1935, teria sido em torno de 5 mil. Em 1948, 25 mil e, em 1949, de 30 a 35 mil. No ano 1950, foram em torno de 40 mil, tendo ocorrido a festa numa sexta-feira (Bertuol, 1950). O relato histórico descrito por Bertuol demonstra que a lugarejo de Caravaggio foi um lugar acolhedor desde sua origem. Já nas primeiras romarias os moradores do local acolhiam os peregrinos oferecendo a própria casa para lhes dar conforto. “Nas décadas de 1930 a 1950, os moradores de Caravaggio improvisavam em suas moradias galpões e paióis, leitos com feno, folhas e palhas, a fim de alojar os visitantes à noite” (p. 137).

Acerca do povoado de Caravaggio, Bertuol descreve que durante decênios foi bem maior que em 1950. Com a abertura da rodovia estadual Júlio de Castilhos, que contemplou um traçado distante seis quilômetros do Santuário, Caravaggio ficou sem os benefícios do fluxo e do regresso de visitantes. A isso somou-se a construção da rede ferroviária que ligava Monte Negro a Caxias do Sul e a Bento Gonçalves e afetou o povoado, pois inicialmente era passagem de quem transitava naquela região. Dois importantes momentos marcam a história da devoção no Santuário. O primeiro e mais significativo é a romaria dedicada à Santa, no dia da celebração de sua aparição, em 26 de maio. Em torno desse dia milhares de peregrinos se deslocam para o Santuário procedentes de muitos municípios do Rio Grande do Sul, de outros estados e países vizinhos, como mostram os registros de presenças no livro de visitas. O segundo momento, diz respeito à romaria denominada Votiva, que ocorre no dia 2 de fevereiro e que celebra um evento considerado milagroso em que ocorreu uma grande chuva, em condição inexplicável, após longa estiagem em 1889. A romaria Votiva tem como característica reunir os moradores locais para uma celebração litúrgica, em que, além dos produtos hortifrutigranjeiros por eles produzidos, trazem seus maquinários agrícolas para serem abençoados. Após a celebração, confraternizam com um almoço comunitário no restaurante do Santuário.

As expressões da devoção à Santa acompanharam traços de modernização. Entre os novos elementos, destacam-se as pré-romarias. Essas ocorrem aos sábados das últimas semanas que antecedem a romaria principal, e reúnem motociclistas, caminhoneiros, ciclistas, motorhomes, carros antigos, jipeiros, crianças e adolescentes, jovens, cavalarianos e caminhada da fé. Em 2019, dez desses grupos realizaram o percurso (Santuário de Caravaggio, 2019). As pré-romarias têm origem em grupos que se organizam e solicitam permissão e agendamento no Santuário para realizarem o percurso. Dessa forma, os gestores providenciam a infraestrutura necessária para acolher os participantes/peregrinos em suas demandas. Cada grupo expressa sua motivação para a visita devocional, mas um aspecto parece comum, o de agradecer e pedir proteção por intercessão da Santa.

O Santuário constitui-se o lugar que acolhe a todos em suas especificidades, seja em grupos que se auto organizam alicerçados na fé católica, como também outros, que simplesmente buscam a paz, como ocorreu com um grupo de senegaleses muçulmanos que participaram da romaria em maio de 2015. O objetivo da caminhada era demonstrar publicamente a intenção pela paz, independente da crença religiosa. Desta forma, percebe-se que o Santuário é um lugar aberto àquele que chega para fazer sua experiência religiosa. A santa, Nossa Senhora de Caravaggio, constitui-se símbolo que acolhe a cada um e a todos como mãe atenta a cada um de seus filhos, em suas necessidades próprias, como demonstram narrativas de romeiros, bem como nos discursos homiléticos proferidos pelos sacerdotes no Santuário.

METODOLOGIA

Neste estudo, utilizou-se como suporte a abordagem teórico-metodológica de Moraes e Galiazzi (2007), que consideram a Análise Textual Discursiva uma opção de análise para pesquisas de natureza qualitativa e de caráter hermenêutico. O corpus da pesquisa foi constituído de 24 entrevistas com perguntas abertas, gravadas e transcritas, realizadas com representantes da Igreja, com idade de 23 a 98 anos, da localidade, integrado por bispos, sacerdotes e agentes de pastoral moradores locais que exerceram atividades no Santuário. A seleção dos sujeitos entrevistados compreendeu que esses: (1) conhecessem a história da romaria; e, (2) tivessem algum vínculo e/ou participação com esse ritual religioso, que ocorre no município de Farroupilha, RS. A escolha desses sujeitos foi baseada nos seguintes critérios: (a) ter tido alguma experiência na romaria ao Santuário Nossa Senhora de Caravaggio; (b) ter vinculação com a Igreja, ter atuado ou estar atuando na igreja local; (c) ter participado de forma efetiva em alguma das romarias que ocorreram no Santuário, mediante contribuição de serviços em prol do Santuário e da romaria; (d) estar disponível para participar da pesquisa e aceitar a publicação de seus depoimentos, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O estudo fez uso de aparato conceitual que aborda a hospitalidade e o turismo religioso, para conhecer a percepção dos representantes da Igreja Católica e buscou responder às questões norteadoras: O que a Igreja católica entende por hospitalidade? Como se dá o acolhimento pela Igreja Católica aos peregrinos que participam da romaria? Como a romaria contribui para o fortalecimento do gesto de acolhimento por parte da comunidade local, e qual é a contribuição da romaria para o turismo religioso? Realizou-se apenas uma entrevista com cada entrevistado, com duração aproximada de uma hora, em que buscou-se conhecer fatos que marcaram a história de Caravaggio, na percepção dos entrevistados. As entrevistas foram realizadas em 2017, como parte da pesquisa da dissertação de mestrado que visava estudar a hospitalidade oferecida aos peregrinos por parte da Igreja Católica, representada pelos agentes que atuavam no Santuário Nossa Senhora de Caravaggio (Schvarstzhaupt, 2018).

RESULTADOS

Com vistas a responder as questões norteadoras da pesquisa acerca da hospitalidade oferecida pela Igreja no Santuário Nossa Senhora de Caravaggio e acrescente visitação de peregrinos ao local, das narrativas emergiram três categorias analíticas: hospitalidade como acolhimento; o Santuário como lugar de devoção; e, o Santuário e a ação comunitária.

Hospitalidade como acolhimento - Os sujeitos entrevistados manifestaram que a hospitalidade da Igreja implica no acolhimento. Esses, interpretam que a hospitalidade, em seu sentido literal, é mais compreendida como gestos relacionados ao aspecto material, enquanto que, na Igreja, consideram mais apropriado utilizar o termo acolhimento. A vinculação deste significado vincula-se mais à dimensão espiritual religiosa, visto entenderem que o peregrino que chega ao local vem por essa motivação. O termo acolhimento remete a uma relação interpessoal entre acolhedor e acolhido, em que ocorre o recebimento, o atendimento, a atenção, a aceitação, a consideração, o respeito ao outro por aquele que acolhe, como interpretam Boff (2005), Baptista (2008) e Milon (2011).

O acolhimento na dimensão corporal acontece através da disponibilização das estruturas materiais, que visam suprir as necessidades básicas para o bem-estar dos peregrinos, a fim de que se sintam amparados no conforto físico e vivam a experiência religiosa a que se propuseram buscar no campo espiritual. Esse gesto de receber, implica no cuidado, atenção, benevolência e generosidade, o que aproxima os conceitos de acolhida e hospitalidade como refere Binet-Montandom (2011) ao considerar esses dois termos como sinônimos.

Um sacerdote entrevistado expõe sua compreensão de que o acolhimento ao peregrino deve ocorrer em todos os aspectos básicos, embora sua busca tenha sido a espiritual. Em seu entendimento afirma que “quando se fala da Igreja, a gente vê logo a questão espiritual. O foco principal é esse, mas hospitalidade é a pessoa ser acolhida noutras necessidades. Hospitalidade é a pessoa se sentir acolhida no todo, naquilo que necessita. A pessoa que vai ao Santuário, naquele dia, de fato, deve ser atendida nas condições mínimas dentro de todos os aspectos”.

A ideia de acolher integralmente a pessoa que chega no Santuário se faz presente explicitamente na maioria das falas dos entrevistados. Esses, fazem referência às ações empreendidas para o acolhimento que dizem respeito às necessidades físicas e espirituais, seja nos eventos de romarias, seja na rotina diária do Santuário. Percebe-se o empenho da comunidade local, expressa por esses representantes, que há uma dedicação efetiva para que esse espaço sagrado seja lugar de hospitalidade, aberto a todos que chegam, e que esses sejam marcados por gestos de amorosidade. Essa atitude de benevolência e generosidade reforçam a abordagem de Baptista (2008) que discorre acerca de gestos que promovem lugares de hospitalidade. Nesse sentido ainda, Vanier (1995) e Nouwen (1999), tratam da escuta e do respeito às diferenças, elementos essenciais no cuidado humano, preocupação relatada também por moradores entrevistados que vivenciam a necessidade dos peregrinos que chegam ao local e se compadecem com realidades que expressam.

O Santuário como lugar de devoção - Outra categoria que nasce das narrativas é o Santuário como lugar de devoção. Nas estruturas materiais oferecidas pelo Santuário, estão os espaços e serviços que, além do templo em si, incluem o templo antigo, utilizado para momentos de oração e símbolo da história devocional, o memorial dos devotos, a capela para acender velas, o espaço para contemplação dos mistérios do terço, os restaurantes, a loja de artigos religiosos, a capela para atendimento de confissões e escuta, espaços de contemplação da paisagem, estacionamentos e mídias eletrônicas além da rádio que oferecem ampla divulgação das ações do Santuário.

Outras estruturas que integram o atendimento incluem o planejamento do trânsito e as demandas de transporte na romaria, o atendimento em saúde e à segurança pública, em pontos estratégicos do percurso e na esplanada do Santuário, além de vários pontos de apoio com distribuição de água, lixeiras, banheiros ecológicos e ambulâncias, na extensão dos 20 quilômetros da Estrada dos Romeiros, trajeto de Caxias do Sul ao Santuário. No acesso secundário, lado sul, dispõem também de uma pista de caminhada e ciclismo, que está sendo implementada. A presença intensa de peregrinos e suas manifestações de fé expressas pelos sinais de favores recebidos através de pedidos à Santa demonstram a importância da devoção daqueles que se aproximam desse mistério religioso. São milhares de sinais de práticas piedosas, como refere Mattai (1993) que estão expostos no memorial dos devotos, além dos relatos transmitidos e que contribuem para a propagação da devoção.

O Santuário e a ação comunitária - Como terceira categoria, tem-se o Santuário e a ação comunitária. No suporte ao atendimento aos milhares de peregrinos que se dirigem ao local, anualmente, o Santuário conta com a colaboração de centenas de voluntários, moradores das sete capelas locais, além da sede, que contribuem nos serviços, de forma gratuita. Essa atitude, percebe-se reproduzir-se historicamente desde os tempos da imigração. A organização coletiva expressa a solidariedade histórica entre os moradores e com os peregrinos. O espírito de solidariedade em resolver os desafios locais, valendo-se da cooperação mútua, reforça a constatação de Putnam (1993) o qual faz referência às características dos habitantes do Norte da Itália, que possuíam formação fundada em princípios de relações humanas horizontais, o que lhes proporcionou melhor desempenho econômico e social em relação às demais regiões da Itália.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, localizado em Farroupilha, no sul do Brasil, traz a marca do empenho de centenas de pessoas que no período de diversas gerações, desde os primeiros imigrantes, em 1876, contribuíram decisivamente para o local ser o que é atualmente. O grande fluxo de peregrinos que o visitam anualmente caracteriza-o como atrativo de turismo religioso e fenômeno de mobilidade humana. A prática de solidariedade manifestada aos peregrinos pela comunidade local através da hospitalidade material e espiritual, tornaram o local um lugar de hospitalidade, aberto a todos os que a ele chegam. A comunidade local demonstra através de suas ações que há uma intenção de todos atender bem os peregrinos para que se sintam bem acolhidos, realizem sua experiência religiosa e regressem novamente.

Por sua vez, a Igreja católica, através de seus documentos que orientam a pastoral do turismo, manifesta relevante atenção no atendimento à expressiva multidão de pessoas que se desloca anualmente, em todo o mundo, para os espaços considerados sagrados pela religião. O turismo, como meio de solidariedade do ser humano tem a potencialidade de proporcionar experiências de liberdade, de criar relações interpessoais com diferentes pessoas e povos, bem como ser instrumento de paz e de confraternização. Os documentos recentes dessa Igreja, incentivam a promover, valorizar e a cuidar dos espaços de expressão de religiosidade e piedade popular, entre os quais encontram-se os santuários e outros espaços sagrados. Entre as orientações recomendadas a seus administradores, através da pastoral do turismo, está a de que proporcionem aos visitantes/peregrinos nesses espaços a atenção pessoal e litúrgica adequada, inclusive em idiomas que atendam as demandas.

O Santuário de Caravaggio constitui-se em um espaço de hospitalidade, de liberdade de expressão da fé e acolhimento, da Igreja institucionalizada, ao fiel que espontaneamente vai expressar sua devoção. O sentido de organização coletiva e senso de comunidade repercute no empenho de tantas pessoas que compartilham a mesma fé, fortalecem e alimentam a devoção, através de laços horizontais e ligações sólidas entre seus membros. Percebe-se, através dos referenciais teóricos pesquisados e falas dos sujeitos entrevistados, que os traços de relações sociais, expressão de religiosidade e de hospitalidade, têm se reproduzido de geração em geração ao longo dos 140 anos de história local e contribuído para constituir o Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, como lugar de devoção e de acolhimento.

A riqueza das entrevistas possibilita entender como aqueles que atuam junto às peregrinações e demais atividades do Santuário utilizam a hospitalidade como uma ferramenta de acolhimento que promove o retorno dos peregrinos por diversas décadas, caracterizando-o como um peregrino de retorno. Outro resultado que a pesquisa evidencia é o preparo dos membros da Igreja no acolhimento. As ações de hospitalidade aos peregrinos por parte dos sacerdotes e da própria comunidade revelam o envolvimento que os mesmos têm com a romaria e de como atuam frente às demandas que nascem dessas peregrinações. A resposta que o peregrino tem por parte da Igreja faz com que haja um fortalecimento das práticas devocionais que alimentam a busca religiosa.

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Notas

[i] O padre Theodoro Portolan, foi importante líder religioso na história do Santuário Nossa Senhora de Caravaggio. Exerceu a função de pároco da então paróquia de Caravaggio no período de 20 de dezembro de 1942 a 26 de maio de 1968 (Zorzi, 1986, Pasa, 2013).
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