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Olavo de Carvalho e a ascensão da extrema-direita
Olavo de Carvalho and the rise of the far rithg
Olavo de Carvalho e a ascensão da extrema-direita
Argumentum, vol. 13, núm. 2, pp. 64-81, 2021
Universidade Federal do Espírito Santo

Recepción: 30 Enero 2021
Aprobación: 21 Junio 2021
Resumo: O artigo propõe analisar a trajetória de Olavo de Carvalho e refletir sobre seu papel no avanço da extrema-direita no Brasil. Para isto, aborda sua trajetória e as estratégias que utilizou para projetar publicamente suas posições, com destaque para o sítio eletrônico Mídia sem Máscaras (MSM). A proposição de uma “guerra cultural” e a denúncia da suposta influência “gramscista” são elementos centrais deste processo. Finalmente, o artigo aborda a relação entre Olavo de Carvalho e a família Bolsonaro, assim como sua influência no atual governo brasileiro.
Palavras-chave: Olavo de Carvalho, Extrema-Direita, Mídia sem Máscaras, Bolsonarismo, Guerra Cultural.
Abstract: This article proposes to analyze the Olavo de Carvalho’s trajectory and to reflect on his function in advancing the extreme right in Brazil. To this end, it discusses his trajectory and his strategies to spread these positions, with emphasis in the website Mídia sem Máscaras (MSM). The proposition of a “cultural war” and the denunciation of the supposed “gramscist" influence are central elements of this process. Finally, the article approaches the relationship between Olavo de Carvalho and the Bolsonaro family, even as their influence within the current Brazilian government.
Keywords: Olavo de Carvalho, Extreme-Right, Mídia sem Máscaras, Bolsonarism, Cultural War.
Introdução
Olavo de Carvalho é nacionalmente conhecido desde o final dos anos 1990, tendo se projetado como colunista de diversos jornais e revistas de grande circulação. Até a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, no entanto, eram relativamente raros os estudos acadêmicos sobre a influência política, ideológica e cultural de Carvalho e os impactos de sua obra, que já então tinha uma circulação bastante expressiva.[1] A partir da eleição e posse de Jair Bolsonaro, tornou-se muito mais visível sua projeção e influência, o que ensejou um volume considerável de reportagens tratando de sua influência no governo federal e de seu amplo círculo de seguidores. Neste contexto, é imperativo compreender o papel desempenhado por este personagem e a forma como se projetou como intelectual com expressiva influência sobre políticos e movimentos de extrema-direita.
É compreensível que poucos pesquisadores tenham se interessado em investigar a obra de Carvalho. Trata-se de um autodeclarado filósofo que afirma que abandonou a faculdade por não ter nada a aprender, que usa sistematicamente ofensas e palavrões como recurso argumentativo, que tem por hábito processar criminalmente seus críticos,[2] que tem uma trajetória controversa como místico e astrólogo, que chegou a ser internado em clínica psiquiátrica, que rompeu com a maior parte de seus ex-seguidores, que tem como distração caçar ursos e que se notabilizou por posições como a recusa em admitir a influência humana na mudança climática, para não mencionar afirmação absurdas como a de que “[...] a Pepsi Cola está usando células de fetos abortados como adoçante nos refrigerantes” (CARVALHO, 2018a). De fato, seria inútil e infrutífero estruturar uma pesquisa que tivesse como objeto a investigação de sua contribuição intelectual ao pensamento social brasileiro, dado o evidente primarismo de suas manifestações. Ainda assim, sua grande influência justifica que se busque entender como Carvalho projetou-se publicamente como intelectual e de que forma construiu os instrumentos que sustentaram esta projeção.
Seu destacado papel na disseminação de uma visão reacionária e sua relação com a família Bolsonaro tem levado à ampliação de investigações críticas sobre sua trajetória, a partir do reconhecimento de que “[...] suas ideias devem ser levadas a sério e isto significa que as pessoas interessadas em compreender o avanço das direitas radicais devem ler seus livros [...]” (BIANCHI, 2018, não paginado), ainda que não no sentido de refutar suas ideias bizarras, mas de “[...] estudar e interpretar os mecanismos de difusão dessas ideias [...]” (BIANCHI, 2018, não paginado), ou seja, “[...] entender por que essa montanha de erros parece consistente para seu público” (BIANCHI, 2018, não paginado). A ressonância de suas ideias se deve ao fato de que dá respostas simples aos temores de uma pequena burguesia em crise. Como indica Bianchi, para esta pequena burguesia “Olavo de Carvalho apresenta uma explicação simples para a queda: marxistas, feministas e gays teriam provocado a crise da civilização cristã e empurrado a sociedade para o abismo” (BIANCHI, 2018, não paginado, grifo nosso). Como indicou há um século Antonio Gramsci, “[...] existe em todos os países um estrato da população - a pequena e média burguesia - que considera ser possível resolver estes gigantescos problemas com metralhadoras e pistolas. É este estrato que alimenta o fascismo, que fornece seus efetivos” (GRAMSCI, 2004, p. 46-47). Para atingir este público, Carvalho utilizou-se de inúmeros instrumentos, ocupando espaço em veículos de grande circulação e, principalmente, construindo seus próprios aparelhos privados de hegemonia.
A reflexão gramsciana é fundamental em nossa análise, em especial no que se refere às categorias de intelectual, hegemonia e aparelho privado de hegemonia. É justamente a compreensão de Gramsci do intelectual como organizador que permite identificar Carvalho como um relevante intelectual, a despeito da “montanha de erros” presentes em suas obras, como bem identificou Bianchi (2018, não paginado). Gramsci distingue os intelectuais em dois grupos: os intelectuais tradicionais, que reproduzem de forma acrítica, fragmentos desconexos oriundos de ideologias do passada, e intelectuais orgânicos, que são conscientes de seu papel e atuam organicamente vinculados a uma das classes fundamentais e colocando-se a seu serviço. Para um intelectual orgânico vinculado à classe dominante, o relevante não é a originalidade de suas formulações teóricas, mas sua capacidade de incidir concretamente para o processo de dominação, atuando como: “[...] ‘prepostos’ do grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do governo político” (GRAMSCI, 2001b, p. 21). A historiadora Virgínia Fontes ressalta o papel dos intelectuais orgânicos vinculados à classe dominante como organizadores da dominação, através da “[...] organização (produção coletiva) de visões de mundo, da consciência social, de ‘formas de ser’ adequadas aos interesses do mundo burguês (a hegemonia)” (FONTES, 2006, p. 211).
Isto nos remete à categoria central da análise de Gramsci, que é a hegemonia, por ele entendida como “[...] combinação da força e do consenso, que se equilibram de modo variado, sem que a força suplante em muito o consenso, mas, ao contrário, tentando fazer com que a força pareça apoiada no consenso da maioria, expresso pelos chamados órgãos da opinião pública – jornais e associações” (GRAMSCI, 2001b, p. 95). A hegemonia seria produzida pelo grupo dominante no âmbito da sociedade civil, “[...] isto é, o conjunto de organismos designados vulgarmente como ‘privados’ (GRAMSCI, 2001a, p. 20). Estes organizamos seriam precisamente os Aparelhos Privados de Hegemonia, instrumentos construídos pelas diversas classes para sistematizarem sua visão de mundo e torná-la socialmente majoritária, ou seja, hegemônica. Nesta perspectiva, o processo de desenvolvimento ocorrido nos estados ocidentais tornou a sociedade civil “[...] uma estrutura muito complexa e resistente às irrupções catastróficas” (GRAMSCI, 2001b, p. 73), pois para além da função repressiva desempenhada especialmente no âmbito da sociedade política, tem-se a constituição de uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas – justamente os aparelhos privados de hegemonia. Jornais, associações e formas organizativas das mais diversas constituídas por intelectuais orgânicos vinculados à classe dominante cumpririam este papel de reforço na dominação, da mesma forma que aparelhos construídos por intelectuais vinculados à classe trabalhadora incidiriam para contestar a dominação. Como discutiremos a seguir, Carvalho constituiu distintas formas organizativa – do blog Mídia Sem Máscaras ao Curso de Filosofia – que claramente podem ser considerados aparelhos privados de hegemonia.
De astrólogo a intelectual orgânico: a trajetória de Olavo de Carvalho
Nascido em 1947, Carvalho afirma que teve uma breve passagem pelo Partido Comunista Brasileiro nos anos 1960 e que abandonou o curso de filosofia devido a sua má qualidade (CARVALHO, 2016, não paginado). Passou a escrever para grandes jornais em 1967 e a se dedicar à astrologia, escrevendo livros e fundando a Escola Júpiter. Heloísa de Carvalho, a mais velha dos oito filhos de Olavo de Carvalho, publicamente rompida com o pai desde 2017, registra que “[...] em 1980, a escola de astrologia já contava com 140 alunos e Olavo tinha uma rotina agitada de aulas e conferências” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 29). Anos depois, Carvalho ainda sustentava que “[...] a Astrologia é um elemento obrigatório, por isto quem não a estudou, não estudou nada, é um analfabeto, um estúpido” (CARVALHO, 2000 não paginado).
A década de 1980 é marcada por polêmicas e passagens obscuras. Conforme sua filha, “[...] por volta de 1982, integrou a seita Tradição, que derivava das práticas do líder espiritual Idris Shah [...]”, e “[...] em 1984, Olavo de Carvalho se converteu ao Islã, mais precisamente, passou a integrar uma tarika, que é uma seita esotérica sufi [...]” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 40). Desde então, segundo sua filha, passou a ser chamado de Sidi Mohammad Ibrahim e “[...] manteve uma relação poligâmica com suas três esposas” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 46). Em 1985, decidiu abrir sua própria tariqa e manteve correspondência com Martin Lings, líder sufi em Londres, recebendo do mesmo orientações sobre valor da contribuição financeira, sobre o canto da shahada, o testemunho de fé muçulmano, e sobre a forma de iniciação das mulheres na tarika, cuja resposta teria sido que “A mulher é iniciada pelo homem durante o ato sexual – sem interferência de dispositivos contraceptivos” (TEITELBAUM, 2020, p. 129). No entanto, segundo o relato de Heloísa de Carvalho, poucos meses depois, “[...] a seita já teria se desintegrado” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 46). Teria sido nesta época que Carvalho começou a enfrentar problemas com a justiça: “Por causa de suas atividades obscuras, Olavo se envolveu com questões judiciais e policiais, uma delas relacionada à seita Tradição e outra com a tariqa” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 62).
Ao longo dos anos 1980 e 1990, ministrou cursos e palestras sobre astrologia, felicidade e filosofia e publicou mais de uma dezena de livros, que “[...] atingem certa expressão e o ajudam a consolidar-se como colunista político ‘de direita’” (PATSCHIKI, 2012, p. 32). Neste período, publicou algumas obras que o projetaram como intelectual conservador, em especial A nova era e a Revolução Cultural: Fritjof Capra e Antonio Gramsci (CARVALHO, 1994), O Jardim das Aflições: de Epicuro à ressurreição de César: ensaio sobre o materialismo e a religião civil (1995) e O imbecil coletivo: atualidades intelectuais brasileiras (1996), lançado pela editora da UniverCidade e que teve uma ampla circulação, com seis edições em apenas oito meses (O IMBECIL..., 2021). Estas três obras assentam as bases da posição que seria assumida e mantida por Carvalho desde então, com destaque para a teoria conspiratória que desenvolve sobre o gramscismo, como discutiremos na próxima seção.
Costa e Ghirotto indicam que a grande repercussão do lançamento de O imbecil coletivo abriu espaços na grande imprensa para Carvalho:
Quando O imbecil coletivo foi lançado, Olavo já havia publicado dez livros (de Aristóteles à astrologia), mas todos passaram em branco. Com o imbecil coletivo, ganhou certa fama de polemista e passou a integrar o panteão de escritores ‘de direita’. Colaborou com as revistas Bravo!, República, Primeira Leitura e Época, e teve uma coluna no jornal O Globo, do qual foi demitido em 2005, ano em que se mudou para os Estados Unidos como correspondente do Jornal do Comércio (COSTA; GHIROTTO, 2018, p. 51).
Neste processo de projeção pública de Carvalho, coube um papel destacado à UniverCidade. De propriedade de Ronald Levinsohn, protagonista de um dos maiores escândalos da ditadura brasileira[3], este centro universitário do Rio de Janeiro ofereceu sua editora para publicação de O imbecil coletivo e cedeu espaço para realização dos cursos de filosofia ministrados por Salgado entre 1997 e 2001. Entre 1999 e 2001, Carvalho chegou a ocupar o cargo de diretor da Editora da UniverCidade. A UniverCidade foi descredenciada em 2014, depois de inúmeras denúncias de gestão fraudulenta.
Em 1998, Carvalho lançou seu sítio eletrônico pessoal, e logo depois, para captar doações destinadas a sua manutenção, criou Instituto Brasileiro de Humanidades. Foi neste contexto, que tornou-se colunista de alguns dos jornais de maior circulação do país, como O Globo, Zero Hora, Folha de São Paulo e Jornal da Tarde, e diversas revistas. Esta projeção pública estimulou-o a uma iniciativa mais arrojada, que seria decisiva para se impor como referência intelectual da extrema-direita: a criação do sítio Mídia sem Máscara (MSM).
Combate ao gramscismo e guerra cultural
Como indicam Bianchi e Mussi (2020), a década de 1980 marcou a avanço de um movimento de condenação do pensamento gramsciano em diferentes partes do mundo, como França (com destaque para a obra de Alain de Benoist, fundador da Nova Direita francesa), Estados Unidos e América Latina. Este movimento assumia características distintas, do catolicismo tradicionalista (Argentina) à proposição de que a direita deveria passar a se organizar de uma forma análoga a que Gramsci propôs aos comunistas (França). Embora Bianchi e Mussi mencionem que Carvalho sustenta que falava no gramscismo petista desde 1987, foi com a publicação de A nova era e a Revolução Cultural (CARVALHO, 2014 [1994]) que passou a definir “Gramsci como a imaginação diabólica que interpretava e dava sentido ao mal” (BIANCHI; MUSSI, 2020, não paginado). Para José Luciano Queiroz, “[...] o livro é bastante frágil e superficial na pretensa análise da teoria gramsciana” (QUEIROZ, 2020, p. 231), que dispensa citações diretas e reduz-se “[...] a apenas 41 páginas para Carvalho dissecar a respeito da teoria da ‘revolução cultural’” (QUEIROZ, 2020, p. 231). Ainda para Bianchi e Mussi:
Na versão peculiar de Carvalho, a hegemonia é a aparente negação da política: “nada de política, nada de pregação revolucionária”. A hegemonia atuaria em um nível pré-político, com o propósito de “operar um giro de 180 graus na cosmovisão do senso comum, mudar os sentimentos morais, as reações de base e o senso das proporções”. Isso é o que seria imperdoável em Gramsci e o tornaria o inimigo número um da direita conservadora: estabelecer as concepções de mundo como um campo em disputa, colocando em risco os valores da civilização cristã-ocidental (BIANCHI; MUSSI, 2020, não paginado).
Desde então, a denúncia contra a suposta estratégia gramscista ocupa grande parte dos escritos de Carvalho, a ponto de o nome de Gramsci aparecer “[...] 318 vezes se somarmos as quatro obras mais influentes publicadas pelo autor” (PUGLIA, 2018, p. 42). O gramscismo era apresentado como um vírus altamente contagioso, com “[...] caráter sorrateiro e manipulador, destinado a fazer outras classes aceitarem o domínio comunista sem ter consciência do processo” (PUGLIA, 2018, p. 48).
A despeito da fragilidade da análise de Carvalho e de seus inúmeros equívocos factuais, é perceptível que ele incorporou a reflexão de Gramsci sobre a importância da organização (que se articula aos conceitos de hegemonia, aparelho privado de hegemonia e intelectual orgânico), o que se comprova pela forma meticulosa que Carvalho construiu suas próprias posições (ou aparelhos privados de hegemonia) desde a constituição do MSM. Isto não implica, no entanto, que o olavismo tenha se constituído uma espécie de gramscismo com sinais invertidos, como propõe a crítica liberal de Henry Bugalho (2020), para quem “[...] o que Olavo faz é uma espécie de gramscismo olavista. Ele se mune das mesmas táticas e os mesmos princípios que atribui a seus opositores, calcado em factoides e deturpações conceituais com o fito de convencer seus discípulos, mas usando táticas e princípios elaborados por Lênin, Gramsci ou Trotsky” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 11-12). Nesta crítica, Bugalho (2020) não demonstra, nem o poderia fazer, que Gramsci propusesse uma ação política calcada em factoides e deturpações, e portanto sua proposição de que o olavismo seria um gramscismo com sinais invertidos é insustentável e arbitrária.
Para Carvalho, a estratégia gramsciana consistiria na pretensão de impor “[...]domínio psicológico sobre a multidão [...]” (PATSCHIKI, 2012, p. 46) através de “[...] analgésicos da consciência” (PATSCHIKI, 2012, p. 47). A construção de um comunismo sorrateiro e ardiloso é recorrente na história brasileira. Na década de 1930, o comunismo era associado a conspiração e infiltração estrangeira em grandes campanhas jornalísticas (SILVA, 2001). No contexto da Guerra Fria, distintas vertentes políticas disputavam a primazia do anticomunismo, com destaque para os integralistas, que extremavam as teorias conspiratórias e as denúncias de infiltração comunista (CALIL, 2005; FLACH, 2003). Carvalho atualiza esta mesma linha discursiva em um contexto pós-Guerra Fria, com destaque para a caricaturização de Gramsci como estrategista de uma revolução que seria disfarçada por técnicas dissimulatórias e portanto sequer seria percebida por muitos: “Se Lenin foi o teórico do golpe de estado, ele [Gramsci] foi o estrategista da revolução psicológica que deve preceder e aplainar o caminho do Golpe de Estado. [...] A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro” (CARVALHO, 2014 [1994]). Gramsci é apresentado, através de vocabulário notadamente agressivo, como “[...] profeta da imbecilidade, o guia de hordas de imbecis para quem a verdade é a mentira e a mentira a verdade” (CARVALHO, 2014 [1994]). O gramscismo seria inspiração de uma disseminação imperceptível, capaz de corroer as bases cristãs e morais da sociedade e com isto abrir caminho para a revolução comunista. Para isto, promoveria uma “guerra cultural”[4], marcada pela promoção do aborto, do homossexualismo e da liberdade sexual.
O Mídia sem Máscara (MSM)
Lançado em 2002, por mais de uma década, o MSM foi o principal instrumento de difusão das ideias de Carvalho, funcionando como “[...] instrumento poderoso para unificar organizativamente e ideologicamente a direita fascistizante” (PATSCHIKI, 2012, p. 146). A pesquisa de Patschiki indica que o sítio criado por Carvalho era “[...] bancado pela publicidade da Livraria Cultura, por doações através da ONG Instituto Brasileiro de Humanidades, e alegadamente pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP)” (PATSCHIKI, 2012, p. 146). Carvalho rebateu a pesquisa de Patschiki, qualificando-a, curiosamente, como “[...] uma teoria da conspiração [...]” (CARVALHO, 2013, não paginado) e sustentando que o sítio eletrônico seria uma modesta iniciativa pessoal: “Era produto doméstico, criado inteiramente por mim, por minha esposa Roxane e por minha filha Maria Inês, com orçamento nulo” (CARVALHO, 2013, não paginado).
Apesar de alegar orçamento nulo, Carvalho reiteradamente reclamava da insuficiência do apoio, suplicando por um financiamento mais expressivo, chegando a afirmar em tons dramáticos que a burguesia “[...] é a classe mais indefesa que existe [...]” (CARVALHO, 2009, não paginado) e que “[...] o famoso ‘aparato ideológico da burguesia’ de que falam os marxistas jamais existiu” (CARVALHO, 2009, não paginado). Assim, candidatava-se a protetor das classes dominantes frente aos ataques do marxismo, apresentando-se de forma quixotesca: “No Brasil, só eu e mais dois ou três amigos, isolados e sem dinheiro, temos tentado enfrentar o monstro” (CARVALHO, 2010 apud PATSCHIKI, 2012, p. 178). Esta construção narrativa é muito semelhante a que foi desenvolvida pelo líder do fascismo histórico brasileiro, o Chefe Nacional integralista Plínio Salgado, que reiteradamente reclamava a ausência de ajuda por parte da burguesia, como quando afirmou, em 1964, que “[...] a burguesia não nos ajuda, enquanto os comunistas têm mais de dez semanários... Essa indiferença daqueles que deveriam ser os primeiros a nos ajudar, muito me amargura” (SALGADO, 1964 apud CALIL, 2005, p. 301).
O MSM apresentava-se como espécie de observatório da imprensa, voltado à propagação da peculiar tese de que os principais veículos de imprensa brasileiros seriam comunistas ou infiltrados por comunistas. Entre 2002 e 2005, Carvalho conciliava contraditoriamente esta crítica com a condição de articulista destes mesmos veículos, o que lhe permitiu tornar-se nacionalmente conhecido. Ao ser demitido dos jornais vinculados às Organizações Globo, em 2005, Carvalho mudou-se para os EUA (Richmond, Virgínia), obtendo um visto EB-1, concedido “[...] para estrangeiros com habilidades extraordinárias” (PATSCHIKI, 2012, p. 151). De acordo com sua filha, os problemas na Justiça levaram Carvalho ao auto-exílio: “Ele estava disposto a viver xingando as pessoas, como faz, sem a preocupação de ser processado” (A FILHA..., 2020).
No transcurso de sua mudança para os Estados Unidos, Carvalho reforçou seus laços com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP):
Carvalho já possuía articulações suficientes para a manutenção de sua militância, garantida principalmente pela Associação Comercial de São Paulo. Com a fundação do MSM, ele radicaliza sua prática política anterior, passando a agregar e refinar projetos de cunho chauvinistas e fascistizantes, militando abertamente por partidos e organizações de novo tipo, que não se colocassem somente contra uma possível ascensão da esquerda, mas contra qualquer abertura democratizante permitida pela burguesia (PATSCHIKI, 2012, p. 169).
A ACESP, que congrega pequenas e médias empresas do setor do comércio e serviços, passou a amparar as atividades de Carvalho, inclusive concedendo-lhe coluna regular no jornal Diário do Comércio, que se manteve até 2016: “Excluído do círculo das pessoas decentes, só encontrei um último abrigo neste Diário do Comércio” (CARVALHO, 2010). A ACESP também viabilizou a publicação de diversos livros reunido os artigos inicialmente publicados no jornal, sob o título geral Cartas de um terráqueo ao Planeta Terra. Na introdução do primeiro destes livros, o presidente da ACESP, Guilherme Afif Domingos[5] expressava um posicionamento político alinhado à perspectiva olavista, afirmando que “[...] o que se assiste no Brasil é a predominância quase esmagadora, tanto na mídia como nos ambientes universitários, de uma única corrente de pensamento” (AFIF DOMINGOS, 2007, p. 3).
O MSM permitiu a Carvalho se afirmar como intelectual de referência da extrema-direita. Embora o sítio reunisse muitos colunistas, “[...] a uniformidade ideológica dá força ao site e reitera um posicionamento político” (BARJA, 2009, p. 157). Um dos temas mais recorrentes é a crítica ao Foro de São Paulo (organização criada em 1990 reunindo partidos da esquerda reformista latino-americana). Omitindo o caráter moderado da organização, Carvalho sempre a apresentou como sendo a “[...] coordenação estratégica do movimento comunista na América Latina” (CARVALHO, 2008, não paginado). Para combatê-lo, impulsionou a fundação do Foro do Brasil, que reunia 28 entidades para propagar o anticomunismo, a defesa da propriedade, a moral judaico-cristã e a educação clássica, com destaque para entidades era vinculada a grupos militares de extrema-direita (Cf: PATSCHIKI, 2012, p. 294).
Já neste momento, Carvalho se caracterizou por um estilo agressivo e uma linguagem permeada por palavrões. A violência de seus ataques aos adversários geralmente apresenta-se imersa em um pretenso aspecto humorístico. Esta extrema agressividade é parte da construção de um personagem supostamente autêntico, em uma atuação que é muito similar à encenada por Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018 e em seu governo. Carvalho afirma que “[...] os palavrões expressam apenas a recusa humilde de toda solenidade fingida [...]” (CARVALHO, 2015, não paginado) e se justificariam nas “[...] situações em que uma resposta delicada seria cumplicidade com o intolerável” (CARVALHO, 2015, não paginado). A utilização deste recurso permite a Carvalho bloquear o debate político. Usando apelidos de conotação sexual ou escatológica para ridicularizar seus adversários ou afirmando que o pessoal da esquerda é essencialmente genocida, ele sustenta que: “[...] se você lhe responder educadamente, você estará conferindo dignidade a essas ideias. [...] Educação o caralho! Vai tomar no cu, seu filho de uma puta!” (CARVALHO, 2010 apud PATSCHIKI, 2012, p. 331). Esta agressividade é exacerbada pelos seus seguidores, impulsionando grupos e páginas com nomes como Oba! Morreu um comuna!; e Comunistas caricatos.
Apesar de sua grande projeção, o MSM foi tirado do ar em 2017 por um ex-colaborador que cobrava de Carvalho valores supostamente devidos por serviços realizados, com apoio de alguns dos principais ativistas do MSM. Carvalho trata o episódio como chantagem, afirmando que lhe foi cobrada “[...] uma conta absurda de 42 mil reais, sem motivo plausível e sem um só comprovante de despesas” (CARVALHO, 2018b, não paginado). Na sequência, seus seguidores desenvolveram campanha pública para que o sítio fosse devolvido (ABDO, 2018). Os valores envolvidos e serviços mencionados estão em contradição com a afirmação de que o sítio teria sido um modesto empreendimento familiar.
A constituição de outros APHs
Vivendo nos Estados Unidos, Carvalho criou outros instrumentos para a reforçar a propagação de sua ideologia. Em 2006, deu início ao programa radiofônico semanal True Outspeak; em 2010 criou o The Inter-American Institute for philosophy, government and social thought, para traduzir seus textos para o inglês e o espanhol e estreitar laços com lideranças de extrema direita estadunidense (como Justice Tom Parker e Paul Gottfried), e latino-americana (Roberto Micheletti, Alejandro Peña-Exclusa).
Em 2009, seus discípulos fundaram em Curitiba o Instituto Olavo de Carvalho, que desde então mantém o Curso On Line de Filosofia (COF) por ele ministrado, um “[...] programa de orientação de estudos filosóficos com aulas semanais ao custo de R$ 60,00 ao mês, além de outros 22 cursos avulsos, ao custo de R$ 400 dada, em temáticas relacionadas a filosofia, sociologia, psicologia, literatura, história, esoterismo e ‘guerra cultural’ (SEMINÁRIO..., 2021). Conforme Heloísa de Carvalho e Bugalho,
[...] o COF possui algumas funções: a primeira delas é a de consolidar Olavo como um intelectual conservador, abrindo assim as portas para ideias que foram suprimidas durante décadas de domínio cultural esquerdista, depois é uma válvula de escape do Olavo pela qual ele pode insultar qualquer filósofo, professor, artista ou intelectual de quem ele resolva discordar no curso (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 78).
É curioso que mesmo em uma obra abertamente crítica, Heloísa reitera a hipótese de seu pai acerca das supostas décadas de domínio cultural esquerdista. O COF foi inegavelmente um instrumento importante para sua projeção intelectual, mas sua importância não se restringe a este aspecto, por também se constituiu em espaço de formação intelectual de seguidores que compartilhavam e difundiam a perspectiva política de Carvalho.
O jornalista Denis Bergierman, que frequentou os cursos, indica que a despeito da pretensão de legitimação de Carvalho como intelectual, a perspectiva geral é de negação da complexidade do mundo, em prol de explicações simplistas e tranquilizadoras:
Quase toda a obra de Olavo é uma tentativa de negar a complexidade do mundo. Por trás de seus textos estruturalmente sofisticados, há ideias bem simples. Ele quer voltar no tempo, para um mundo que ele fosse capaz de entender: onde só há dois sexos (e não me venha com gênero), Newton basta (sem as incertezas e as heresias da relatividade e da física quântica), preocupar-se com o clima é assunto para São Pedro e todo mundo que não é bom é mau, e vice-versa. Um mundo cristão, de cultura clássica, sob o comando de quem parece estar no comando — melhor se for alguém bem autoritário (BERGIERMAN, 2019, não paginado).
A rede de apoio a Carvalho também incluiu as editoras É Realizações e Vide. A primeira foi constituída a partir de um espaço cultural no qual aconteciam desde 1995 cursos de Olavo de Carvalho, constituindo-se como editora em 2000, para dar suporte editorial a seus cursos à distância, passando a publicar essencialmente obras de Carvalho e autores de direita, o que foi interrompido em virtude do desentendimento entre seu proprietário e Carvalho (Cf: PATSCHIKI, 2012, p. 160). Por sua vez, a Vide Editora foi constituída pelo movimento conservador Vigilância Democrática (VIDE), “[...] com propósito claro de entrar na guerra cultural, explicitamente do lado ‘direito’ do combate, visando dar subsídio à militância de direita, tanto liberal quanto conservadora" (ESCORSIM, 2018, não paginado). O VIDE realizou diversos eventos em parceria com a Fundação Liberdade e Democracia (do partido Democratas), das quais participava Ricardo Vélez Rodriguez (Cf: PATSCHIKI, 2012, p. 164), posteriormente indicado por Carvalho para o Ministério da Educação.
Anticomunismo e perspectiva fascistizante
O anticomunismo é o eixo articulador geral da construção intelectual de Carvalho, e se fundamenta em um extraordinário alargamento conceitual do campo da esquerda e do comunismo. Em seu esforço para recolocar o anticomunismo no centro do debate político em um contexto pós-Guerra Fria, Carvalho denuncia que os comunistas teriam criado o politicamente correto para criar conflitos, como os conflitos étnicos supostamente fomentados pelas cotas raciais, visando “[...] fazer hoje a opinião pública aceitar as teses marxistas da luta de classes e da supressão completa da oposição conservadora como sinais de moderação e tolerância democrática” (CARVALHO, 2002a, não paginado).
O alargamento do conceito de esquerda é imprescindível para que a ameaça comunista pareça iminente, e chega a incorporar até mesmo o PSDB: “A mídia nacional já levou longe demais essa farsa de rotular o tucanato de ‘direita’, um truque inventado pela esquerda”. (CARVALHO, 2002b, não paginado), acrescentando que “FHC fez mais elo avanço da revolução comunista no Brasil do que o próprio João Goulart” (CARVALHO, 2002b, não paginado). Com essa linha de argumentação, deslegitimava a maior parte de seus oponentes integrantes do próprio campo conservador, em especial aqueles vinculados ao liberalismo conservador. Com isto, reforçava a primazia de suas posições extremistas no interior da direita. Nesta lógica, também seria um mero disfarce gramscista a transformação do PT em um partido moderado e reformista, que governou em aliança com partidos conservadores e implantou programa econômico liberal.
Por mais irrealistas e arbitrárias que sejam estas proposições, elas oferecem uma explicação simplória - e pretensamente intelectualizada - para justificar o mais extremado anticomunismo. Seu livro O mínimo que você precisa saber para não ser idiota, publicado em 2013, vendeu mais de 200 mil exemplares, comprovando o crescimento da influência e projeção de Carvalho, o que se confirmaria de forma ainda mais intensa entre 2015 e 2016, no contexto das manifestações de rua em defesa do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, “[...] quando o slogan ‘Olavo tem razão’ foi erguido nas manifestações do impeachment da ex-presidente Dilma” (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 90).
Isto foi possível porque oferecia uma explicação adequada aos propósitos de vastos grupos sociais e porque Carvalho sustentava-se em uma vasta cadeia de aparelhos privados de hegemonia, construídos desde que criou MSM até a atualidade. No início de junho de 2021, Carvalho detinha 574.364 seguidores no facebook e 1,03 milhão de inscritos em sua conta no YouTube, além de contar com um sítio eletrônico, um blog e a estrutura física e digital que mantém seus cursos.[6]
Mas, afinal, o olavismo constitui um fascismo? Benjamin R. Teitelbaum nem considera esta possibilidade e qualifica Olavo de Carvalho, ao lado de Steve Bannon e Alexander Dugin como tradicionalistas, mencionando seu interesse na obra de René Guenon e a sua passagem pelo sufismo, e concluindo que “A crítica de Olavo à sociedade brasileira é essencialmente uma crítica a seu materialismo” (TEITELBAUM, 2020, p. 231), em uma busca obstinada pelo Brasil profundo. A crítica ao materialismo e o discurso em defesa do Brasil profundo foram também marcas discursivas constante da obra de Plínio Salgado, líder do mais importante movimento fascista histórico no Brasil, o que nos alerta que não nenhuma incompatibilidade entre a evocação de um passado tradicional e a perspectiva fascista. Em nosso entendimento, a despeito da relevante análise que faz, Teitelbaum (2020) qualifica os autores a partir da autorrepresentação que difundem e isto o conduz à aceitar a qualificação de Carvalho como tradicionalista, que nos parece insuficiente.
O que qualifica um movimento como fascista? São inúmeras as definições e debates, mas entendemos que se deve evitar tanto o uso indiscriminado do conceito quanto a excessiva restrição ao contexto histórico de sua emergência original. Assim, entendemos que um movimento fascista se caracteriza pela articulação de três aspectos: um conjunto de proposições ideológicas reacionárias, uma base social pequeno burguesa, e a perspectiva de arregimentação militante destes adeptos no sentido de constituição de uma tropa de choque. Como o olavismo não constitui propriamente um movimento, mas fornece bases ideológicas para o movimento bolsonarista, torna-se especialmente importante avaliar sua ideologia, sem deixar de considerar que, como já mencionamos, o público principal para o qual se destina seu discurso é a pequena burguesia. Dentre os inúmeros componentes ideológicos do fascismo, pode-se indicar o anticomunismo, o antiliberalismo político, o chauvinismo, o discurso antissistema e antipartido, a criação de inimigos sociais, uma visão elitista, o anti-intelectualismo, militarismo, armamentismo e veneração ao líder (Cf. proposto em CALIL, 2005, 147). Considerando-se estes aspectos, claramente há uma grande identidade entre a ideologia olavista e estes elementos ideológicos, pelo que, como já indicava Patschiki, o olavismo situa-se no interior do universo ideológico do fascismo.
Olavo de Carvalho e a família Bolsonaro
A relação pessoal de Carvalho com os integrantes da família Bolsonaro iniciou seis anos antes da eleição de Bolsonaro, “[...] quando Flávio, entusiasta da produção literária do professor Olavo, foi até a Virgínia entregar-lhe a Medalha Tiradentes, honraria do governo do Rio de Janeiro a personalidades que prestaram serviços ao estado” (COSTA; GHIROTTO, 2018, p. 46). Segundo Teitelbaum (2020), Carvalho e Jair Bolsonaro “[...] comungavam o mesmo desprezo pela mídia e pelas universidades [...]” (TEITELBAUM, 2020, p. 119) e identificaram-se imediatamente, mantendo contato frequente desde 2014, através de “[...] bate-papos on-line, nos quais fofocavam sobre política e cultura” (TEITELBAUM, 2020, p. 119). A afirmação de Eduardo Bolsonaro em programa do SBT – “Olavo é o pai de todos nós” (BOLSONARO apud CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 25) sintetiza sua relevância, e deve-se concordar que “[...] talvez Olavo nem seja exatamente o guru do Bolsonaro, mas é certamente o guru do bolsonarismo (CARVALHO; BUGALHO, 2020, p. 116).
Marcelo Badaró Mattos indica que o recurso a Olavo de Carvalho permitiu “[...] dotar o bolsonarismo de uma ‘filosofia’, no sentido de uma visão mais articulada e totalizante, que confere sentido a sua ação política” (MATTOS, 2020, p. 172). Mais do que isto, foi a ideologia olavista que permitiu ao bolsonarismo intervir nas manifestações contra o governo de Dilma Rousseff em 2015 e 2016, disputando com setores liberal-conservadores seus rumos e seu significado e constituindo-se como alternativa eleitoral. Neste sentido, Bianchi sintetiza bem a contribuição de Carvalho para a unificação dos distintos grupos de direita: “O discurso fortemente anticomunista, a criminalização de movimentos sociais, o negacionismo climático, o questionamento aos direitos humanos e o ataque às mulheres, à população negra e LGBT são um denominador comum dessa visão de mundo” (BIANCHI, 2018, não paginado).
Foi um dos alunos de Olavo de Carvalho – Filipe Martins – que colocou o clã Bolsonaro em contato com Steve Bannon, o chamado mago das fake news, mentor de uma articulação internacional que reúne diversos movimentos de extrema-direita. Durante a campanha eleitoral de 2018, “[...] uma de suas atribuições era colocar a campanha em contato com Steve Bannon” (COSTA; GHIROTTO, 2018, p. 47). Teitelbaum (2020, p. 150) relata que em um jantar oferecido por Bannon, Carvalho expressou sua estratégia de alinhamento do Ocidente judaico-cristão contra a ameaça chinesa e também suas preocupações com o fracionamento do governo Bolsonaro em distintos grupos, nem todos inteiramente alinhados com esta estratégia. Meses depois, em julho de 2019, Olavo de Carvalho foi convidado e esteve presente em um jantar oferecido na residência do embaixador brasileiro Sérgio Amaral e que contou com a presença de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Steve Bannon.
Com Bolsonaro no governo, travaram-se inúmeras disputas entre diversos grupos, com destaque para os olavistas, ultraliberais e militares. No vocabulário propagado pelos principais meios de comunicação, os olavistas constituiriam a chamada ala ideológica no governo – uma designação absolutamente inadequada, que permite ocultar as bases ideológicas das demais correntes. Na constituição original do governo, Carvalho teria indicado diretamente dois ministros. O primeiro deles foi Ernesto Araújo, nomeado Ministro de Relações Exteriores, e que teve uma atuação centrada na defesa de uma política externa de incondicional subordinação aos Estados Unidos e em especial a Donald Trump, de denúncia do globalismo, entendido como estratégia de dominação comunista, e de uma obsessão por críticas e provocações contra a China, em especial no contexto da Pandemia, tendo chegado a designar o Covid-19 como comunavírus, uma suposta criação dos comunistas para a dominação mundial (ZARUR, 2021). Araújo foi demitido em 29 de março de 2021, em um contexto de crescente beligerância com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário. As posições de Araújo eram reforçadas pela atuação de Filipe Martins, Assessor Adjunto para Assuntos Internacionais até junho de 2020 e Assessor Chefe para Assuntos Internacionais de junho de 2020 a maio de 2021. Martins, que na condição de integrante do governo também difundia as críticas ao globalismo, foi demitido em abril de 2021, no contexto da repercussão negativa de gestos racistas feitos no Congresso Nacional.
O segundo ministério ocupado por um indicado de Carvalho foi o Ministério da Educação, o que se explica pela ênfase na Guerra Cultural pelo seu profundo ódio à universidade: “A universidade brasileira é inteirinha composta de gente assim. Eles só pensam em hegemonia, verbas e droping names. A universidade matou a vida cultural no Brasil” (CARVALHO, 2019, não paginado). Seus ataques às universidades se davam em nome da valorização do Brasil Profundo. Teitelbaum, relata que Carvalho teria enunciado uma oposição entre as pessoas simples e os intelectuais: “O povo do Brasil – o povo pobre, o povo simples... Eles entendem as coisas muito melhor que os intelectuais. O povo brasileiro tem uma espécie de instinto de realidade” (CARVALHO, 2019[7] apud TEITELBAUM, 2020, p. 227). O Ministro indicado por Carvalho, Ricardo Vélez Rodriguez, teve uma gestão tumultuada, que se tornou inoperante alegadamente em decorrência de conflitos entre militares e olavistas. Sua demissão deu-se na sequência de crítica públicas de Carvalho. Seu substituto, Abraham Weintraub, outro olavista indicado por seu mentor, comandou uma agressiva política de inviabilização das universidades federais, cortando verbas de custeio e bolsas na pós-graduação e passando a aplicar uma política sistemática de intervenção nas universidades, nomeando candidatos menos votados para as reitorias. Foi demitido em junho de 2020, depois de atacar abertamente o STF.
Além dos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, Carvalho teve alguns outros seguidores nomeados para o governo, como Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica; e Ricardo Alvim, Secretário Especial de Cultura até janeiro de 2021, quando foi demitido depois de ter pronunciado um discurso parafraseando o ministro da propaganda nazista Josep Goebbels. Neste episódio, o próprio Carvalho buscou demarcar-se de sua afirmação, tendo postado que “[...] o Ricardo Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça” (‘RICARDO..., 2020). No Congresso Nacional, sua mais destacada seguidora é Bia Kicis (PSL/DF), atual presidenta da Comissão de Constituição e Justiça. A bancada olavista conta ainda com os deputados Paulo Martins (PSL/PR), Marcel von Hatten (NOVO/RS) e Carla Zambeli (PSL/SP) (FELLET, 2019).
Ao longo dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Carvalho defendeu uma maior radicalização, apoiando a subversão das instituições democráticas, com ataques explícitos aos demais poderes e críticas aos grupos supostamente moderados, em especial os militares. Esta posição encontra eco nos pronunciamentos dos filhos do presidente, e na maior parte das vezes também do próprio presidente, em seus recorrentes ataques às demais instituições e ameaças de imposição de uma ruptura institucional. No contexto de vigência da Pandemia, a posição radicalmente negacionista assumida pelo governo Bolsonaro (CALIL, 2021) é incisivamente defendida por Carvalho, reforçando sua identificação ideológica com o clã Bolsonaro.
Esta identidade ideológica não impediu Carvalho de proferir diversas críticas ao governo, em sua maioria atacando a ala militar do governo e demandando uma maior radicalização. Estas críticas são cíclicas e não significam que Carvalho estivesse efetivamente rompendo com o governo. Ao contrário, expressam a defesa do fortalecimento de uma perspectiva extremista, ao mesmo tempo que permitiam a Carvalho reafirmar sua auto-imagem de autonomia. A mais notória destas críticas ocorreu em junho de 2020, quando, no contexto de uma condenação judicial em decorrência de ação impetrada por Caetano Veloso, Carvalho acusou Bolsonaro de omisso, afirmou que o presidente não era seu amigo e concluiu com uma ameaça: “Continue inativo, continue covarde e eu derrubo essa merda desse seu governo, governo aconselhado por generais covardes ou vendidos” (FERRARO, 2020, não paginado). Em maio de 2021, depois de nova condenação judicial relativa à mesma ação, Carvalho “[...] defendeu que o presidente Jair Bolsonaro renuncie ao cargo caso não seja capaz de ‘defender a liberdade dos seus mais fiéis amigos’” (OLAVO..., 2021, não paginado). A reclamação por uma intervenção direta do presidente em seu auxílio e a crítica à ação dos supostos inimigos que teria no interior do governo podem produzir surpresa, mas não expressam efetivamente um rompimento, e isto é perceptível quando se observa que nos dias seguintes retornam manifestações de apoio. Além disto, as críticas de Carvalho explicam-se no contexto de disputa por espaço no governo. Um exemplo claro é o que ocorreu em junho de 2020, quando um dia depois das críticas à “inoperância e covardia” (APÓS..., 2020) do governo Bolsonaro, este ampliou os poderes do olavista Filipe Martins, passando o para o cargo de Assessor Chefe para Assuntos Internacionais, com mais poderes e autonomia.
Mesmo com recomposições governamentais, o olavismo segue decisivo na definição dos rumos do governo Bolsonaro. O cientista político Vinícius do Valle indica a orientação política do governo e a configuração do bolsonarismo como movimento de caráter fascista assentam-se na apropriação de
[...] duas teorias conspiratórias, constitutivas da visão de difundida pelo escritor Olavo de Carvalho e que lhe servem de referência: A primeira é a teoria da hegemonia esquerdista no mundo, que postula que os valores da esquerda teriam se espalhado pela sociedade e pelas instituições e dominariam o planeta. [...] A segunda teoria é a do globalismo, que denuncia uma elite global que controlaria o mundo com base em seus valores (VALLE, 2021, p. 6).
Como se percebe, ambas remetem diretamente às áreas privilegiadas de preocupação de Carvalho e que o levaram à indicação de dois ministros da educação e um ministro de relações exteriores. Mesmo não contando mais com estes ministérios, a ressonância destas teorias conspiratórias segue onipresente nas ações e declarações bolsonaristas.
O governo Bolsonaro é a resultante de um conjunto de processos, e a construção política e ideológica estruturada em torno de Carvalho é parte indissociável deste processo. Antonio Gramsci demonstrou que a direita constantemente se reinventa e se reorganiza à luz das transformações do capitalismo. Ainda que Olavo de Carvalho tenha sistematicamente desqualificado o comunista italiano, apreendeu um dos elementos centrais de sua reflexão: a grande importância da constituição de uma rede de organizações (ou aparelhos privados de hegemonia) que funcionem como casamatas na guerra de posições. Foi operando esta rede que Carvalho atuou ao longo dos últimos anos e com base nela incidiu efetivamente reforçando o avanço ideológico e político da extrema-direita.
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Gilberto Calil
Graduado em História (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1994). Graduado em História (Bacharelado) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998). Doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2005). Professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, atuando no Curso de História e no Programa de Pós-Graduação em História. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil República.
Notas
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