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Os Distritos Criativos e os Geoparques como estratégia de sensibilização e articulação dos atores para o desenvolvimento territorial sustentável*
Flavi Ferreira Lisbôa-Filho; Elisa Lübeck; Luciomar de Carvalho
Flavi Ferreira Lisbôa-Filho; Elisa Lübeck; Luciomar de Carvalho
Os Distritos Criativos e os Geoparques como estratégia de sensibilização e articulação dos atores para o desenvolvimento territorial sustentável*
Distritos Creativos y Geoparques como estrategias de sensibilización y articulación de actores para el desarrollo territorial sostenible
Creative Districts and Geoparks as strategies for raising awareness and articulating actors for sustainable territorial development
Revista CS, no. 45, a06, 2025
Universidad Icesi
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Resumo: A presente proposta tem como objetivo refletir sobre a relação entre comunicação e desenvolvimento, além de compreender como os movimentos culturais se vinculam às políticas de desenvolvimento por meio da comunicação, com base nas experiências da região central do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil: o Distrito Criativo Centro-Gare em Santa Maria (RS) e os Geoparques Mundiais da UNESCO em Caçapava do Sul e Quarta Colônia (RS). As três experiências apontam que é fundamental refletirmos sobre um modelo de comunicação mais participativa, baseado nas propostas de desenvolvimento local, humano e sustentável, que respeite as culturas, reconheça os antagonismos e coloque a comunicação a serviço do desenvolvimento e da ampliação da cidadania. Nesse sentido, a comunicação apresenta-se como uma das dimensões do desenvolvimento territorial sustentável, visto que o conhecimento e a informação se tornaram fatores para a redução das desigualdades, agregação de valor e promoção do bem-estar.

Palavras-chave: Comunicação, desenvolvimento, distritos criativos, estudos culturais, geoparques.

Resumen: Esta propuesta pretende reflexionar sobre la relación entre comunicación y desarrollo, además de comprender cómo los movimientos culturales se vinculan a las políticas de desarrollo a través de la comunicación, basada en las experiencias de la región central del estado de Rio Grande do Sul, en Brasil: el Distrito Creativo Centro-Gare en Santa María (RS) y los Geoparques Mundiales de la UNESCO en Caçapava do Sul y Quarta Colônia (RS). Las tres experiencias indican que es fundamental reflexionar sobre un modelo de comunicación más participativo, basado en propuestas de desarrollo local, humano y sostenible, que respete las culturas, reconozca antagonismos y ponga la comunicación al servicio del desarrollo y la ampliación de la ciudadanía. En este sentido, la comunicación se presenta como una de las dimensiones del desarrollo territorial sostenible, ya que el conocimiento y la información se han convertido en factores para reducir las desigualdades, agregar valor y difundir bienestar.

Palabras clave: Comunicación, desarrollo, distritos creativos, estudios culturales, geoparques.

Abstract: This proposal aims to reflect on the relationship between communication and development, as well as to understand how cultural movements are linked to development policies through communication, based on the experiences of the central region of the state of Rio Grande do Sul, Brazil: the Center-Gare Creative District in Santa Maria (RS) and UNESCO World Geoparks in Caçapava do Sul and Quarta Colônia (RS). These three experiences highlight that it is essential to reflect on a more participatory communication model, one that is grounded in proposals for local, human and sustainable development, which respect cultures, recognize antagonisms and place communication at the service of development and expansion of citizenship. In this sense, communication presents itself as one of the dimensions of sustainable territorial development, since knowledge and information have become factors for reducing inequalities, adding value and promoting well-being.

Keywords: Communication, Development, Creative Districts, Cultural Studies, Geopark.

Carátula del artículo

Artículos

Os Distritos Criativos e os Geoparques como estratégia de sensibilização e articulação dos atores para o desenvolvimento territorial sustentável*

Distritos Creativos y Geoparques como estrategias de sensibilización y articulación de actores para el desarrollo territorial sostenible

Creative Districts and Geoparks as strategies for raising awareness and articulating actors for sustainable territorial development

Flavi Ferreira Lisbôa-Filho
Universidade Federal de Santa Maria, Brazil
Elisa Lübeck
Universidade Federal do Pampa, Brazil
Luciomar de Carvalho
Universidade Federal de Santa Maria, Brazil
Revista CS, no. 45, a06, 2025
Universidad Icesi

Received: 25 November 2023

Accepted: 25 March 2025

Introdução

A comunicação é reconhecida por sua capacidade de promoção do desenvolvimento local e regional através do incentivo à participação da comunidade em todas as esferas da sociedade. Nesse sentido, o desenvolvimento é responsabilidade de todos os cidadãos e deve preocupar-se com a participação popular e o desenvolvimento sustentável, humanista e solidário. Ou seja, o desenvolvimento é resultado de um processo contínuo de criação do homem em relação aos desafios que enfrenta e deve estar apoiado na emancipação social, no fortalecimento de uma nova forma de conhecimento e em novas formas de organização da produção, por meio de vias diferentes das hegemônicas, como uma alternativa para o futuro (Santos, 2007).

Nesse contexto, emerge um tipo de comunicação relacionada "a toda movimentação em torno das mudanças de mentalidade e de práticas, da mobilização necessária, nos relacionamentos com as instituições, na externalidade necessária às práticas e à busca de visibilidade pública e aceitação social" (Peruzzo, 2014: 172). Um modelo de comunicação participativa, que leve em consideração as propostas de desenvolvimento local, sustentável e humano, respeite as culturas e se coloque a serviço da ampliação da cidadania através do estímulo do sentimento de pertencimento dos atores nos seus territórios (Lubeck, 2023).

Sendo assim, a investigação da presente pesquisa está debruçada na relação entre comunicação e desenvolvimento de políticas culturais - na região abarcada pelo Distrito Criativo de Santa Maria, pelo Caçapava Geoparque Mundial da UNESCO e pelo Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO, localizados no estado do Rio Grande do Sul, Brasil -, e busca compreender quais estratégias de comunicação e interação são utilizadas para o fortalecimento, desenvolvimento e valorização dos recursos culturais locais.

O estudo se ancora nos Estudos Culturais e traz à baila autores do desenvolvimento, cotejando a comunicação e a cultura, por meio de um trabalho investigativo de campo nos territórios mencionados. Conforme Lisbôa-Filho (2021), a pesquisa organiza um protocolo próprio para guiar seu percurso metodológico, nessa etapa, marcada pelo caráter exploratório, com elementos da cultura vivida, e descritivo, com informações relativas à cultura registrada, ambos conceitos propostos por Williams (2003) para uma análise crítica da cultura.

Comunicação e cultura como dimensões do desenvolvimento

A comunicação, enquanto fenômeno social, está associada ao modelo de desenvolvimento da sociedade. Inicialmente, centrada na modernização, estava ligada à difusão de inovações e à mudança de hábitos (modelo difusionista). Atualmente, está ligada ao modelo de desenvolvimento participativo, baseado em fatores como participação, sustentabilidade, igualdade e integração, estimulando a participação ativa e proporcionando a interação entre as pessoas (Lubeck, 2023).

Porém, para pensar a comunicação é fundamental considerarmos a concepção multidimensional do desenvolvimento, caracterizando-o como "o conjunto de transformações socioeconômicas, políticas e culturais que possibilitam o bem-estar social, a sua expressão em diferentes modos de vida e formas participativas de organização política" (Barbosa-da-Silva, 2010: 9). Jara (2001) também apresentou como fundamentais as questões intangíveis relativas ao desenvolvimento, com destaque para o desenvolvimento das pessoas e não das coisas.

Dessa forma, o desenvolvimento deve viabilizar os valores culturais e enriquecer a vida humana com a expansão das capacidades individuais e coletivas orientadas para a satisfação das necessidades essenciais de todas as culturas, tais como: proteção, afeto, participação, entendimento, lazer, subsistência, identidade e liberdade. Ainda, "sem trabalhar a cultura e os sentimentos coletivos, não há como se chegar às mudanças sustentáveis" (Jara, 2001: 54). Além disso, devem ser integrados à análise do desenvolvimento parâmetros relativos ao emocional, ao coletivo, ao imaginário e à memória social.

Os Estudos Culturais, característicos pela natureza interdisciplinar, são responsáveis por teorizar conceitos sobre as diversidades culturais nas interações sociais. A partir de questionamentos sobre os significados culturais dentro das sociedades, entende-se que há relações de poder e dominação que marcam a soberania de poucos na produção cultural disseminada ao massivo social. Como campo de investigação, os Estudos Culturais dedicam-se a examinar, portanto, a multiplicidade cultural, as relações interculturais e os vínculos de autoridade assumidos dentro do processo sociocultural (Lisbôa-Filho; Carvalho, 2023).

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2003), a cultura enriquece a vida e ajuda a construir comunidades inclusivas e inovadoras. Proteger o patrimônio cultural e natural, apoiar a criatividade e os setores culturais é fundamental para o enfrentamento dos problemas da contemporaneidade. Portanto, nenhum desenvolvimento pode se sustentar sem um forte componente cultural, centrado no ser humano e baseado no respeito mútuo e no diálogo aberto entre as diferentes culturas. Nesse sentido, entendemos que a comunicação é o caminho para estimular o diálogo e a participação das pessoas no processo de desenvolvimento.

O desenvolvimento territorial sustentável como resultado da ação dos atores

Em primeiro lugar, para compreendermos o conceito de desenvolvimento é fundamental diferenciarmos crescimento de desenvolvimento econômico. O crescimento econômico é um índice quantitativo que pode ser exemplificado por meio de um indicador como o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país, estado ou cidade. Já o desenvolvimento econômico está ligado à qualidade de vida da população e deve ser mensurado através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que está relacionado ao crescimento econômico que foi revertido em qualidade de vida para as pessoas. Para Sachs (2008), o desenvolvimento deve estar alicerçado nos pilares sociais, ambientais, territoriais, econômicos e políticos.

O conceito de desenvolvimento, baseado na concepção multidimensional de Perroux (1981), pode ser caracterizado como "o conjunto de transformações socioeconômicas, políticas e culturais que possibilitam o bem-estar social, a sua expressão em diferentes modos de vida e formas participativas de organização política" (Barbosa-da-Silva, 2010: 9).

A noção de território enquanto construção social também adquire importância no processo de desenvolvimento, uma vez que atribui a centralidade para os atores e reconhece o seu protagonismo. Portanto, o território, como construção social, passa a ser resultado da ação coletiva dos atores. Para Pecqueur (2001), o espaço geográfico do território é chamado de território-dado e o espaço construído pela ação dos atores é chamado de território construído. Território este compreendido nas dimensões física, política/organizacional, econômica, simbólica e cultural, cuja dinâmica territorial resulta das interações entre essas várias dimensões. Já territorialidade se refere às relações entre um grupo social e seu meio de referência, expressando um sentimento de pertencimento e um modo de agir no âmbito de um determinado espaço geográfico. A territorialidade é considerada uma relação triangular entre os atores mediada pelo espaço, que reflete "o vivido territorial em toda sua abrangência e em suas múltiplas dimensões - cultural, política, econômica e social" (Albagli, 2004: 29).

Já o conceito de desenvolvimento territorial sustentável busca unir as questões referentes ao território e à sustentabilidade, conectar as demandas locais através de redes que destaquem os recursos do próprio território e unir as dimensões cultural-identitária, política e territorial no que se refere ao desenvolvimento (Pecqueur, 2009; Carrière; Cazella, 2006).

O Distrito Criativo Centro-Gare: espaço de vivência da memória e de desenvolvimento territorial sustentável

O Distrito Criativo Centro-Gare está localizado na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. O município de Santa Maria é reconhecido por seus atrativos histórico-culturais, patrimônio paleontológico e belezas naturais, além de se destacar pela sua diversidade de povos e culturas e por ser um polo educacional na região central do estado (Assis, 2022).

Para Testoni (2018), os Distritos Criativos são territórios urbanos delimitados que concentram diversos negócios, atrações culturais e atividades criativas transformados colaborativamente por pessoas. Dessa forma, os Distritos Criativos se destacam por se tornarem ambientes propícios à inovação, formando uma atmosfera viva, com o surgimento de negócios criativos que dinamizam a cultura local (Teixeira; Piqué; Ferreira, 2022).

A criação do Distrito Criativo Centro-Gare é uma forma de estimular o desenvolvimento, englobando a região do centro histórico e cultural de Santa Maria, aproveitando o rico patrimônio cultural disponível. De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento - UNCTAD o patrimônio cultural é a alma das indústrias cultural e criativa: "é o patrimônio que une os aspectos culturais dos pontos de vista histórico, antropológico, étnico, estético e social, influencia a criatividade e se caracteriza como a origem de uma gama de produtos e serviços patrimoniais, além de atividades culturais" (Relatório, 2010: 8).

O Distrito Criativo de Santa Maria iniciou o seu período de discussões e formulações em janeiro de 2021, fruto de um movimento, denominado de "jornada colaborativa", que envolveu várias forças da comunidade mobilizadas a partir do Executivo Municipal e que contou com a orientação da Via Estação Conhecimento1. Porém, merece destaque que, desde 2018, já constava na Política de Desenvolvimento Sustentável e no Plano Diretor de Desenvolvimento Territorial do Município a criação de um território cultural que ligasse a Praça Saldanha Marinho à Gare da Estação2 (Prefeitura Municipal de Santa Maria, 2018). Porém, somente em 2021 é que esse movimento avançou, através da realização de workshops3 com moradores e comerciantes da Avenida Rio Branco e da Vila Belga, para reconhecimento e identificação dos desafios para a revitalização dessas áreas da cidade. Nesse movimento, em seis meses, foram ouvidas mais de 550 pessoas por meio de formulários online e urnas disponibilizadas na região do Centro Histórico. A partir disso foram realizadas reuniões de alinhamento, organizou-se um grupo de trabalho, foi realizado o levantamento do território e o mapeamento dos atores para estruturar a proposta de criação de um Distrito Criativo4.

No dia 18 de agosto de 2021, o projeto do Distrito Criativo foi lançado, a partir disso foram levantados os desafios e as principais ideias (agosto a novembro de 2021). Em dezembro de 2021 foi formada a governança do Distrito Criativo. De janeiro a março de 2022, o grupo de trabalho analisou os problemas elencados, validou o plano de ação e definiu, através de reuniões, a marca e a identidade visual do Distrito Criativo, essenciais para a divulgação do projeto e mobilização das pessoas. Em abril de 2022, o Distrito Criativo foi oficializado com a presença de 20 instituições e da Prefeitura Municipal de Santa Maria5.

O projeto buscou aproximar e fomentar diversos atores para desenvolverem atividades de forma conjunta para valorizar o território situado no centro histórico de Santa Maria e formar um polo de criatividade e inovação (veja Figura 1).

A governança é composta pelo poder público, universidades, entidades, sindicatos e sociedade civil, totalizando mais de 15 entidades em colaboração. O modelo de governança do Distrito Criativo Centro-Gare foi organizado em três níveis: a instância máxima (Assembleia Colegiada composta por um representante de cada organização partícipe da iniciativa, todos com direito a voto); o nível estratégico (Comitê Gestor e Coordenação Executiva); o nível executivo (Comitê Executivo dividido em um comitê por dimensão) (veja Figura 2). Ainda, a partir dos 1758 problemas apontados (nos workshops, questionários virtuais e urnas), foram elencadas quatro dimensões (Ambiente Natural e Construído; Governança e Políticas Públicas; Economia Criativa; Identidade e Recursos Culturais), 41 objetivos estratégicos e 237 ações.


Figura • 1
Delimitação do território do Distrito Criativo Centro-Gare


Figura • 2
Governança do Distrito Criativo Centro-Gare

O Comitê de Ambiente Natural e Construído engloba os espaços naturais e sua preservação, espaços multifuncionais, boemia e ambiente favorável à criatividade, patrimônio histórico e fomento. Conta com 16 objetivos estratégicos desdobrados em 91 ações que preveem a manutenção das vias urbanas, a revitalização do patrimônio, a criação de espaços verdes, a iluminação de qualidade, entre outros.

O Comitê de Governança e Políticas Públicas tem 11 objetivos e 48 ações que preveem a participação pública em diferentes setores, o compartilhamento de conhecimento, um ambiente democrático e participativo, o acesso à informação e a alocação de recursos para ideias inovadoras e criativas. O Comitê de Economia Criativa busca estimular o empreendedorismo, a empregabilidade e o desenvolvimento econômico e sustentável através de nove objetivos estratégicos desdobrados em 65 ações. Entre os objetivos estão previstos o aumento da movimentação cultural criativa, que visa formar e reter talentos empreendedores e alavancar o turismo no território. O Comitê de Identidade e Recursos Culturais preocupa-se com a inclusão social e a diversidade, com a manutenção e criação de espaços artísticos e culturais, com a valorização da memória e da cultura locais. Conta com cinco objetivos estratégicos e 33 ações que buscam destacar a história da região, preservar a identidade cultural, ampliar o sentimento de pertencimento, criar uma mentalidade aberta ao novo e conscientizar sobre o papel do indivíduo na coletividade.

Ao analisar os objetivos dos diferentes comitês, em todos encontramos ações de divulgação e comunicação, criação de campanhas, sinalização, depoimentos dos sujeitos que vivem na região, criação de conteúdo, criação de plataformas de divulgação, entre outros. Dessa forma, o Distrito utiliza o site (http://www.distritocentrogare.com.br), o Instagram (http://@distritocentrogare), o Facebook http://(@distritocentrogare) e o podcast "PodCriá - Economia Criativa em Santa Maria" para divulgação das ações. A conta do Instagram foi criada em março de 2022 e possui 306 publicações e 2166 seguidores. A conta do Facebook foi criada em abril de 2022 e possui 322 seguidores e 278 curtidas. O podcast "PodCriá - Economia Criativa em Santa Maria" foi criado em agosto de 2023 e já conta com 20 episódios6 que abordam: a cultura de Santa Maria e as migrações; espaço urbano e sociabilidade; a importância da ferrovia; artesanato e cultura; projetos culturais em Santa Maria; gastronomia e empreendedorismo; e a economia criativa no município, entre outros (Lisbôa-Filho; Lubeck, 2023).

Enfim, o Distrito Criativo é um ambiente propício ao desenvolvimento do potencial criativo e inovador das pessoas para geração de valor para o território, transformando-se em um ambiente de convivência, de vivência da memória da cidade e de desenvolvimento econômico e sustentável (Lisbôa-Filho; Lubeck, 2023).

Ainda, conforme Lisbôa-Filho e Lubeck (2023), o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11) da Agenda 2030, que trata sobre as Cidades e Comunidades Sustentáveis, requer um esforço de todas as esferas da sociedade para transformar as cidades, incluindo a proteção e salvaguarda do patrimônio cultural, essenciais ao desenvolvimento. Dessa forma, podemos dizer que o Distrito Criativo é uma alternativa de planejamento urbano mais participativo e integrado, que busca proteger o patrimônio cultural local e viabiliza o acesso aos espaços públicos de forma segura, inclusiva e acessível, revitalizando os locais que marcam a identidade cultural de Santa Maria. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR, 2023) para atingir as metas e objetivos da Agenda 2030 nos 5.570 municípios brasileiros, Santa Maria (RS) apresenta um nível geral de desenvolvimento médio (de 50 a 59,99), ocupando a posição 1.435 de 5.570 na classificação geral. E, em relação ao ODS 11, apresenta um índice de desenvolvimento alto (de 60 a 79,99). Sendo assim, consideramos o projeto do Distrito Criativo Centro-Gare como uma alternativa que pode e deve ser aproveitada de forma mais efetiva por todos os setores para impulsionar o desenvolvimento territorial sustentável da cidade e a comunicação tem papel central nisso (Lisbôa-Filho; Lubeck, 2023).

Geoparques e seu papel no desenvolvimento territorial sustentável

Os geoparques são áreas geológicas de importância desmesurada para a preservação do meio ambiente e da cultura. A gestão de territórios proporciona o amparo dos patrimônios natural e cultural quando sensibiliza e conscientiza as sociedades inseridas nesses espaços e proporciona a sustentabilidade das dinâmicas sociais, políticas e econômicas, geralmente de cunho turístico e educacional, sob a mediação comunicacional. Ao acionar questões histórico-culturais na área onde se localiza, um geoparque torna-se instrumento de conscientização e desenvolvimento social porque, uma vez entendido como patrimônio, gera nas pessoas o sentimento de pertencimento àquele território e aflora nelas a noção de identidade (Lisbôa-Filho; Carvalho, 2023).

Geoparques Mundiais transformam o complexo social de suas imediações territoriais ao empoderar as sociedades, além de oportunizar o desenvolvimento sustentável e o pertencimento dos indivíduos à cultura a qual vivenciam. Através de tomadas de decisões estratégicas - que importam no comprometimento de uma rede de atores sociais e políticos -, é possível abranger os interesses tanto das comunidades quanto da UNESCO e a comunicação é um dos suportes decisivos nesse sentido (Lisbôa-Filho; Carvalho, 2023).

Atualmente o Brasil possui cinco geoparques nomeados internacionalmente pela UNESCO, são eles: a) Geoparque Araripe, localizado na Bacia do Araripe e vinculado ao Governo do Estado do Ceará; b) Geoparque Seridó, localizado no semiárido nordestino, no estado do Rio Grande do Norte; c) Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, localizado no sul do país, nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina; d) Geoparque Quarta Colônia, localizado no centro do estado do Rio Grande do Sul; e e) Geoparque Caçapava, localizado na região do pampa, no sul do Brasil (Lisbôa-Filho; Carvalho, 2023). Contudo, nosso estudo se concentra em dois geoparques, ambos localizados no Rio Grande do Sul, Brasil.

O Geoparque Quarta Colônia7 está situado no centro do estado do Rio Grande do Sul, e é formado por nove municípios: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins. Os atributos naturais, culturais e econômicos dessa região levaram a Universidade Federal de Santa Maria a desenvolver o Projeto Estratégico Geoparque Quarta Colônia em parceria com o Consórcio para o Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (CONDESUS) para postular a certificação do território junto à UNESCO. As características desses municípios podem permitir um legado às próximas gerações, no qual a qualidade de vida esteja em sintonia com a defesa da sua cultura e com o seu legado geopatrimonial (Rebellato, 2023).

A Pró-Reitoria de Extensão da UFSM implementa e coordena uma proposta com novas alternativas para a economia regional, de maneira sustentável, por meio da conservação do patrimônio natural e cultural, da educação para o meio ambiente, do incentivo à geração de renda através de iniciativas privadas, bem como ao turismo de base local (Rebellato, 2023). Por isso, desde 2018 são desenvolvidas ações nessa região que buscam efetivar esse projeto, cujos objetivos perpassam a questão do desenvolvimento sustentável, a promoção de um sentimento coletivo de pertencimento, o vínculo identitário e o reconhecimento social e econômico.

O tipo de uso e a gestão dos recursos naturais passam pela percepção que determinada sociedade tem sobre esses recursos, e a conduta do ser humano diante da natureza mediada pela sua percepção passa por diversos julgamentos, que, por sua vez, dependem do contexto histórico-cultural e de experiências vividas pelo ser humano (Rebellato, 2023). No caso específico desse território, pode-se falar que há uma identidade própria da região da Quarta Colônia. Lisbôa-Filho e Nunes (2022) vão além e destacam que os integrantes desse território "compartilham um passado em comum, como a imigração italiana e alemã e a expressiva presença de seus descendentes na região".

"Essa origem comum estabelece um sentimento de vinculação e identificação a uma coletividade imaginária" (Lisbôa-Filho; Nunes, 2022: 167). Por esse motivo, quando pensamos em estratégias de gestão territorial e de desenvolvimento, existe a necessidade de considerar os aspectos relacionados à percepção e à subjetividade das comunidades envolvidas (Rebellato, 2023). A cultura se faz presente e é transmitida através da comunicação e, junto com ela, mobiliza significados e sentidos sobre aquilo que somos e o que vivenciamos. Razão pela qual se faz importante atrelar a comunicação estratégias de reconhecimento identitário e de valorização patrimonial.

Em um território, como o da Quarta Colônia, a construção da identidade está ligada a diversos fatores, como os capitais (econômico, social, cultural e simbólico) e, ainda, às instituições, pelas quais perpassam as mediações. Essas condições são definidas através de propriedades que pertencem à posição no sistema das condições que é, para Bourdieu (2007), "um sistema de diferenças, de posições diferenciais, ou seja, por tudo que a distingue de tudo o que ela não é, em particular, de tudo o que lhe é oposto: a identidade social define-se e afirma-se na diferença" (Bourdieu, 2007: 164).

Ainda, no caso da Quarta Colônia, a vinculação étnica dos municípios da região com a cultura italiana e alemã precisa ser considerada na formação da identidade regional, mas não de maneira exclusiva. No século XIX, os municípios que compõem o território receberam imigrantes italianos e alemães, e essa imigração reforça o sentimento de pertencimento ao território até a atualidade. Por outro lado, essa vinculação pode criar distanciamentos identitários com outros povos que formam o território.

A relação com o meio rural também é muito forte, visto que, de acordo com o Dossiê do Geoparque Quarta Colônia, em média, 30% da população desses municípios mora em áreas rurais. A religiosidade, principalmente através das religiões católica, evangélica e luterana, também é um fator que une essa população nas suas comunidades, motivando festas comunitárias, religiosas, grupos de danças, étnicos etc. Para Woodward (2014), a identidade pode ser legitimada com referência em um "[...] passado glorioso, mas, de qualquer forma, um passado que parece 'real' - que poderia validar a identidade que reivindicamos" (Woodward, 2014: 28).

No que se refere ao Geoparque Caçapava8, está localizado no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, no sudeste da América do Sul, no chamado "Cone Sul Latino-americano". Sua área geográfica é de 3.047 km2, em zona subtropical, e dista apenas 200 km da fronteira com a República Oriental do Uruguai.

Essa região, há cerca de 2.000 anos, era habitada por diversos povos indígenas pampeanos (pertencentes à grande etnia Charrua), adaptados a paisagens abertas e dominadas por pastagens. Ao chegar das florestas do norte da Amazônia e Guairá, o povo guarani, adaptado às paisagens dominadas pela selva, ocupou e conquistou muitos territórios vizinhos ao Pampa (Borba; Ferreira; Guadagnin; Matté; Gregory, 2021).

O geossítio das Guaritas, seu grande diferencial geológico, é um planalto profundamente dissecado composto por uma série de colinas pouco vegetadas, em forma de ruínas, desenvolvidas sobre arenitos continentais, de origem flúvio-eólica, e sequências de conglomerados do Paleozóico inferior. Para uma sociedade rural, militarizada e guerreira, forjada durante as batalhas fronteiriças em que se opunham Portugal e Espanha, aqueles cerros se assemelhavam às guaritas (do francês antigo, "guérites") ou casamatas, postos de observação comuns em fortificações militares medievais e modernas. Hoje, esses cerros também são sinônimo de beleza cênica, de uso tradicional e sustentável da paisagem, bem como de atividades de turismo, lazer e aventura na natureza (Borba; Ferreira; Guadagnin; Matté; Gregory, 2021).

Em relação à geodiversidade, o território faz parte do escudo sul-rio-grandense, área que compreende os materiais geológicos mais antigos e a evolução geológica mais complexa do Rio Grande do Sul. Gnaisses, mármores, xistos diversos, anfibolitos, granitoides, riolitos, andesitos, basaltos, arenitos e conglomerados são algumas das rochas que registram eventos cratônicos, colisionais e pós-colisionais. As idades para essas rochas (ou minerais individuais dentro delas) variam de 3.633 a 470 milhões de anos. O território também apresenta importantes características tectônicas e magnéticas, desde simples fraturas e falhas, até lineamentos ou suturas de escala crustal, e ainda minérios de relevância mundial. Depósitos fluviais da idade quaternária, incluindo fósseis da megafauna, também podem ser encontrados. Essas características foram importantes para que fosse concedido a Caçapava do Sul o título (atribuído pela Lei Estadual 14.708/2015) de "capital gaúcha da geodiversidade" (Borba; Ferreira; Guadagnin; Matté; Gregory, 2021).

Em termos de geomorfologia, a região faz parte do planalto sul-rio-grandense, também chamado Serras do Sudeste, uma área de altitudes relativamente elevadas em relação aos terrenos baixos, mais jovens e de origem sedimentar das planícies central e costeira. Dentro do território, serras alongadas N-S e NE-SW, desenvolvidas sobre granitos, riolitos e conglomerados muito resistentes ao intemperismo, determinam as características dominantes na porção norte (o Alto de Caçapava, a Serra de Santa Bárbara e a cuesta dissecada da Serra do Segredo). Enquanto a porção sul do território é marcada pela presença do já citado planalto dissecado das Guaritas, desenvolvido sobre arenitos e conglomerados. Na porção central do Geoparque Caçapava, há um importante divisor de águas: ao norte, correndo para o norte, os rios Irapuá, Santa Bárbara e São Rafael, afluentes da bacia hidrográfica do rio Jacuí (o maior rio inteiramente localizado dentro do Rio Grande do Sul); ao sul, correndo para o sul, os cursos d'água da bacia hidrográfica do rio Camaquã, que desaguará na Laguna dos Patos (Borba; Ferreira; Guadagnin; Matté; Gregory, 2021).

Identifica-se em relação a esses territórios que poucos estudos se atêm ao viés dos conhecimentos das pessoas sobre os geoparques, ainda que possuam representatividade cultural com potencial para colaborar com o desenvolvimento sustentável do território, por meio de saberes ligados às tradições, às manifestações histórico-culturais e aos outros contributos que agregam nas dinâmicas sociais, políticas e econômicas (Lisbôa-Filho; Carvalho, 2023). Assim, entendemos que a comunicação pode auxiliar nesses ambientes a partir de suas lógicas e estratégias para uma construção mais colaborativa e participativa a fim de que as pessoas se identifiquem e se dediquem ao processo de desenvolvimento territorial.

Considerações finais

O presente texto apresenta uma etapa das pesquisas desenvolvidas junto ao grupo de pesquisa "Estudos Culturais e Audiovisualidades", do programa de pós-graduação em Comunicação e do programa de pós-graduação profissional em Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria. Representa um ponto de partida na compreensão e no aprofundamento desse fenômeno que cada vez mais se torna um traço configurador da comunicação voltada ao desenvolvimento das sociedades contemporâneas. Nesse sentido, a certificação da UNESCO concedida aos geoparques Caçapava e Quarta Colônia e a criação do Distrito Criativo Centro-Gare em Santa Maria (RS) representam uma possibilidade de desenvolvimento territorial sustentável, pois buscam potencializar diferentes atores para atuarem coletivamente na geração de valor para o território. Os referidos projetos estão alinhados com a Nova Agenda Urbana proposta pela Organização das Nações Unidas, pois buscam reavaliar como os territórios são desenvolvidos e encontrar alternativas para reduzir a desigualdade e promover o crescimento inclusivo e sustentável. Também são processos que sinalizam o surgimento de novos atores que atuam com base em novas territorialidades, diferentes formas de governança e organização do território. E, para que isso aconteça, a comunicação e a informação são fundamentais.

É importante ressaltar ainda, o papel da comunicação no contexto da preservação desses territórios, que além de gerar vínculos, deve socializar o conhecimento para despertar o interesse dos atores. Entender os Geoparques e o Distrito Criativo como locais relevantes para o reconhecimento e a preservação da identidade e aliá-los à comunicação, torna possível a identificação das raízes das comunidades, unindo os indivíduos através de um passado comum e da recuperação de um repertório cultural.

Destacamos ainda que a comunicação como uma dimensão do desenvolvimento está relacionada ao processo de construção de consciência e ao estímulo à participação dos atores. Nesse contexto, cabe um olhar coletivo em relação aos setores que se relacionam e como essa comunicação pode direcionar a mobilização dos indivíduos para o bem coletivo dentro dos territórios dos Geoparques pesquisados e do Distrito Criativo Centro-Gare. Além disso, as mudanças na estrutura social e a evolução da participação pública dão um novo sentido ao significado de comunicação voltada ao desenvolvimento, que estimula a conscientização e a participação dos cidadãos, colaborando assim, para a transformação e a gestão dos espaços urbanos (Lisbôa-Filho; Lubeck, 2023). Ressaltamos ainda a importância do diálogo, da inserção e da representatividade dos atores em meio às ações comunicacionais dos espaços, para que estimule e fortaleça o sentimento de pertencimento. Entendemos a representatividade pelo seu viés político, pois quando se percebe que o lugar social que determinados grupos/atores ocupam restringe suas oportunidades, identificamos o enlevo que a comunicação carrega. Ela pode visibilizar pautas e identidades rotineiramente ocultadas e até silenciadas na sociedade contemporânea. Ainda, a comunicação deve ser utilizada para valorizar o potencial endógeno de territórios como os Geoparques e o Distrito Criativo, para fomentar a diversidade, reduzir as desigualdades sociais e dar visibilidade aos diferentes grupos sociais dos territórios.

Supplementary material
Referências
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Notes
Notes
* O presente artigo encontra guarida no projeto de pesquisa "Comunicação, identidades e patrimônio cultural: desenvolvimento sustentável e democracia pelos Estudos Culturais" (2023-2025), financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil e dialoga com as atividades de pós-doutoramento dos autores.
1 Grupo de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), encabeçado pelas pesquisadoras Mônica Renneberg da Silva Carlesso e Clarissa Stefani Teixeira.
2 Lei complementar n° 118, de 26 de julho de 2018, que dispõe sobre a Política de Desenvolvimento Sustentável e sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Territorial do Município de Santa Maria.
3 Os workshops foram planejados e conduzidos por Clarissa Stefani Teixeira, Mônica Renneberg da Silva Carlesso, Aline Camargo Barros e Ana Claudia Tedeschi Balsamo.
4 Virtualmente, a população pôde dar sugestões sobre a implementação do Distrito Criativo. Recuperado de http://www.santamaria.rs.gov.br/noticias/23649-de-forma-online-populacao-pode-dar-su-gestoes-sobre-a-implementacao-do-distrito-criativo
6 Dados coletados em 17 de março de 2025.
7 Ver (link para o site do Geoparque Quarta Colônia) https://www.geoparquequartacolonia.com.br/home
8 Ver (link para o site Geoparque Caçapava do Sul) https://geoparquecacapava.com.br/
Cómo citar: Lisbôa-Filho, Flavi Ferreira; Lübeck, Elisa; de Carvalho, Luciomar (2025). Os Distritos Criativos e os Geoparques como estratégia de sensibilização e articulação dos atores para o desenvolvimento territorial sustentável. Revista CS, 45, a06. https://doi.org/10.18046/recs.i45.06
Flavi Ferreira Lisbôa-Filho Professor do programa de pós-graduação em Comunicação, do programa de pós-graduação profissional em Patrimônio Cultural e do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pró-reitor de extensão da UFSM. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Coordenação local da Cátedra UNESCO de Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis. E-mail: flavi@ufsm.br
Elisa Lübeck Professora do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Pós-doutoranda do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Relações Públicas (UFSM) e em Sistemas de Informação (UFN); mestre em Extensão Rural (UFSM); doutora em Educação nas Ciências (UNIJUÍ). E-mail: elisaterra@unipampa.edu.br
Luciomar de Carvalho Pós-doutorando e professor voluntário no programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); doutor em Comunicação (UFSM); mestre em Desenvolvimento (UNIJUÍ) e graduado em Design Gráfico (UNIJUÍ). E-mail: dgluciomarc@gmail.com

Figura • 1
Delimitação do território do Distrito Criativo Centro-Gare

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Governança do Distrito Criativo Centro-Gare
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