Propostas atuais de intervenção em violência escolar: Uma revisão da produção científica
Current approaches to school-violence interventions: a review of the scientific production
Propuestas actuales de intervención en violencia escolar: una revisión de la producción científica
Propostas atuais de intervenção em violência escolar: Uma revisão da produção científica
Perspectivas en Psicología: Revista de Psicología y Ciencias Afines, vol. 15, núm. 1, pp. 42-56, 2018
Universidad Nacional de Mar del Plata
Recepção: 09 Fevereiro 2017
Aprovação: 21 Março 2018
Resumen: La violencia escolar es un fenómeno que preocupa y afecta negativamente a todos los involucrados. El objetivo del presente estudio fue realizar una revisión de la literatura sobre el tema para detectar las estrategias e intervenciones empleadas en las escuelas. Se consultaron siete bases de datos y se seleccionaron 60 artículos en inglés, español y portugués. Se constató que en varios países se realizan investigaciones sobre la temática y se verificó que las habilidades sociales, con énfasis en la empatía, y en la resolución de problemas, así como el manejo de la conducta agresiva, son los principales tópicos abordados. También se evidenció una diversidad de estrategias de abordaje del público objetivo (alumnos, padres, profesores o comunidad). La actual revisión bibliográfica intenta demostrar la frecuencia de los estudios junto a las intervenciones que tratan la temática de la violencia escolar y, en última instancia, ser una línea directriz para futuros estudios.
Palabras clave: Violencia Escolar, Intervención, Revisión Bibliográfica.
Resumo: A violência escolar é um fenômeno preocupante que causa sérios danos a todos os envolvidos. O objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão de literatura em busca das intervenções que veem sendo realizadas assim como conhecer como elas são desenvolvidas e o que abordam. Foram realizadas buscas em sete bases de dados e selecionados 60 artigos em inglês, espanhol ou português. Foi possível constatar que os estudos sobre a temática ocorrem por todo o mundo, sendo que as habilidades sociais, com ênfase na empatia e habilidade de resolução de problemas, assim como o controle da raiva, são os principais conteúdos abordados nas intervenções. Também foi encontrada grande diversidade na forma com que o conteúdo é abordado e no público alvo (alunos, pais, professores ou comunidade). A atual revisão sistemática de literatura tem sua relevância, pois permite demonstrar a frequência dos estudos e algumas de las intervenções que procuram lidar com a violência escolar,assim como possibilita um direcionamento, um norte inicial para os futuros trabalhos que esta temática ainda carece.
Palavras-chave: Violência Escolar, Intervenção, Revisão de Literatura.
Abstract: School violence is a phenomenon which concerns and affects negatively everyone involved in it. The goal of this work was to review the literature on the matter so as to know the applied strategies and interventions. Seven databases and 60 English-Spanish and Portuguese articles were selected. Researches in many different countries aiming at the social skills and focusing on empathy, solving problems and aggressive behavior management have been the main issues. Also, a variety of strategies to address the target group-students, parents-teachers-community-, was analyzed. The current literature review is meant to show the undertaken studies together with some of the interventions when dealing with school-violence, and eventually become a guideline to future studies.
Keywords: School-Violence, Intervention, Literature Review.
Introdução
A violência preocupa toda a sociedade contemporânea principalmente quando a violência ocorre na escola, pois a escola deixa de ser um espaço seguro, harmonioso, voltado para a promoção de conhecimento e cidadania e passa a ser o palco de diversas violências que causam medo e espanto na sociedade, principalmente pelas formas como elas acontecem e também por envolver crianças e adolescentes cada vez mais novos, seja como vítimas, agressores ou expectadores (Santos 2011). A violência escolar pode ocorrer de diversas maneiras, quanto a sua tipologia temos: violência física, violência sexual, violência psicológica, violência verbal, violência por negligência, violência autodirigida, vandalismo e bullying (Machado & Machado, 2012). Debarbieux (2002), já destacava as críticas apontadas à híperampliação das definições do fenômeno da violência nas escolas no que tange o exagero quantitativo nas formas que esta é manifestada. Dentre as críticas, como por exemplo, o fato do conceito ter várias formas de manifestações o deixa difícil de ser pensado/trabalhado, mas o autor ainda defende que apenas uma definição ampla pode de fato avaliar a violência nas escolas e estabelecer a real necessidade de ações preventivas (Debarbieux, 2002).
Também, Charlot (2002) entendia a definição conceitual da violência escolar como algo necessário, entretanto difícil de ser realizada. Neste sentido o autor apontou inicialmente três distinções de termos, estes são: A) A violência na escola é aquela que se produz dentro do espaço escolar, mas não está relacionada à natureza ou atividades da instituição escolar, neste caso a escola é apenas o lugar onde ocorre uma violência que poderia ter ocorrido em qualquer outro local; B) A violência à escola seria aquela relacionada à natureza e atividades da instituição escolar, ou seja, essa violência visa diretamente a instituição ou aqueles que a representam; e, por fim, C) A violência da escola, por sua vez, seria a violência institucional, simbólica, que os próprios alunos passam através da maneira como a instituição e seus representantes os tratam (Charlot, 2002). Sendo assim, Charlot (2002) defende a distinção exposta anteriormente destacando que se por um lado a escola é muito (mas não totalmente) impotente diante da violência na escola, ela tem grandes possibilidades de ações diante da violência à escola e da violência da escola.
Em relação aos fatores que estão relacionados com a violência escolar, Fernández (2005), faz uma divisão que se aproxima a de Charlot (2002), tendo em vista que tal divisão consiste em fatores exógenos e endógenos. Os fatores exógenos, apesar de serem relevantes, são compostos por elementos fora da escola e que estão longe da ação direta e controlada dos mecanismos internos da instituição escolar. Tais fatores são: contexto social, características familiares e meios de comunicação. Por sua vez, os fatores endógenos, que podem e devem ser considerados ao prevenir e responder à atos violentos ou de conflitos dentro da escola são: clima escolar, relações interpessoais e características pessoais dos alunos (Fernández, 2005).
A definição de violência escolar não é uma tarefa fácil, pois como apontado por Abramovay (2005) e Stelko-Pereira e Williams (2010), esta é um fenômeno social mutável, portanto o que se entende por violência depende de aspectos culturais, históricos e individuais, o que ocasiona a existência de diversas nuance na interpretação. Destaca-se que a violência escolar pode ser entendida como:
a expressão de múltiplas formas da violência que implicam diferentes níveis (individual, familiar, institucional e social), os quais se articulam potencializando ou moderando suas manifestações, nas formas de agressão física, verbal e emocional, bem como em atos criminais que envolvam alunos, familiares, docentes e a própria instituição, comprometendo o desenvolvimento da aprendizagem, da sociabilidade e do clima escolar como um todo (Senra, Lourenço & Baptista, 2015, pp. 168).
Sendo assim, considera-se que a violência escolar não comtempla ações somente entre alunos, mas envolve todos os participantes do processo educacional, ou seja, os professores, gestores e demais funcionários da escola, assim como os pais/responsáveis dos alunos. Como salientado por Stelko-Pereira & Williams (2010), não se deve restringir o conceito de violência escolar apenas à situações dentro do local físico da escola, pois a mesma pode ocorrer também no trajeto casa-escola, nas imediações da escola ou até mesmo em um ambiente virtual/eletrônico.
A violência nas escolas do mundo ocidental moderno não é um fenômeno recente, entretanto, além de constituir um importante objeto de reflexão, tornou-se um grave problema social (Abramovay & Rua, 2002). A violência em contexto escolar é entendida como fator de risco para a saúde dos envolvidos, considerada responsável por contribuir com o déficit acadêmico dos alunos e de interferir no clima escolar, afetando o desenvolvimento saudável e impedindo a escola de cumprir com o objetivo de socialização (Salgado, 2012). Neste sentido, cabe destacar que Senra (2012) indica que os programas de intervenção e de prevenção de violência tanto na família quanto na escola devem ser acentuados e planejados de maneira estratégica para o enfrentamento dos prejuízos para a saúde e para a convivência interpessoal e social. Depois de muitos estudos visando a compreensãodo "como" e o "por que" da violência nas escolas, iniciou-se uma busca por soluções e alternativas para esse problema, sendo assim, pesquisadores e estudiosos começam a se debruçar sobre o fenômeno na tentativa de encontrar estratégias que sejam eficazes no sentido de melhorar o relacionamento entre os atores da comunidade escolar (Ortega & del Rey, 2002).
O objetivo do presente trabalho foi o desenvolvimento de uma revisão sistemática de literatura com o intuito de conhecer o status da produção acadêmica e as propostas atuais sobre a temática de intervenção e prevenção da violência escolar. Assim como observar dados como os autores que mais publicaram na temática, o número de artigos encontrados por base de dados, periódico e ano, além de observar a metodologia utilizada nos estudos, o conteúdo contemplado nas intervenções e a forma como os mesmos são abordados. De acordo com Senra e Lourenço (2016) é importante também que se quantifiquem os processos de comunicação escrita para que se possa mensurar a produção científica, sendo que a principal justificativa para tal se dá na possibilidadeda análise e avaliação das fontes difusoras de trabalhos; a evolução da produção cientifica no decorrer dos anos; a produtividade de autores ou instituições; e o crescimento de qualquer campo da ciência.
De forma geral, entende-se que a revisão de literatura permite com que se apresente e avalie o “conhecimento produzido em pesquisas prévias, destacando conceitos, procedimentos, resultados, discussões e conclusões relevantes” (Cristante & Kfuri, 2010, p.78). Entende-se que a revisão de literatura com o levantamento de tais dados proporciona uma visão geral da temática a ser estudada, permitindo assim com que se verifique o atual estado das publicações sobre a temática em voga, assim como suas características e peculiaridades, permitindo assim que se desenvolvamideias norteadores para futuros projetos e pesquisas. Neste sentido cabe destacar o modelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) como sendo um importante referencial que apresenta recomendações para o planejamento e a execução de trabalhos de revisão de literatura (Moher, Liberati, Tetzlaff, Altman& The PRISMA Group, 2009).
Método
Foram realizadas buscas em sete bases de dados, estas bases são: Dialnet, Eric, Pepsic, Psycinfo, Redalyc, Scielo e Web of Science. A busca limitou-se a artigos publicados nos últimos cinco anos, ou seja, artigos publicados no período desde 2011 até agosto de 2016. As palavras chaves utilizadas nas buscas foram: intervenção; prevenção; protocolo; modelo; todas estas combinadas com violência escolar. As buscas foram feitas com tais termos em português, inglês e espanhol.
A procura por artigos foi realizada por tópico em todas as bases, entretanto devido a diferenças nos sistemas de busca houve algumas diferenças na forma como foi realizada. A base Web of Science, por exemplo, possui um sistema de busca avançado e repleto de ferramentas, sendo assim, encontrou-se 505 resultados (já excluindo os repetidos), entretanto, apenas 134 eram artigos em inglês, espanhol ou português. Nas buscas iniciais cabe evidenciar o elevado número de artigos em coreano que foi encontrado nesta base (N=295) o que demostra grande interesse e publicações desta cultura em relação à temática e que pode ser considerado como um importante nicho acadêmico a ser explorado por outros estudos futuros. Nas outras bases os resultados iniciais aqui apresentados não excluem os artigos repetidos: Redalyc: 1676; Psycinfo: 414; Dialnet: 190; Eric: 118; Scielo: 86; e, por fim, Pepsic: 18.
A partir dos resultados iniciais obtidos foi realizada leitura flutuante no título e resumo dos artigos para a separação dos artigos pertinentes para a proposta em questão. Os critérios de exclusão retiraram da lista final artigos que: A) não são específicos de violência escolar (tratam, por exemplo, de violência no geral, violência contra crianças e adolescentes ou violência familiar); B) artigos que apesar de serem de violência escolar não tratam de intervenção ou prevenção da mesma (vários artigos tratam da temática da violência escolar, mas não são específicos sobre intervenção na mesma, como por exemplo, artigos que fazem um estudo correlacional sobre o uso de álcool pelos alunos e situações de violência escolar e os autores concluem rapidamente que a intervenção em violência escolar deve focar em questões sobre álcool e drogas); C) artigos nos quais não foi possível obter acesso completo. Em relação ao critério C, cabe destacar a política da base Redalyc que disponibiliza todos os artigos de sua base na íntegra.
A partir desta etapa de exclusão e retirada dos artigos repetidos, restaram 60 artigos que foram lidos na íntegra e um arquivo do software Excel foi preenchido com suas respectivas informações. A planilha do Excel continha colunas com as seguintes informações: Título; Autor; Ano; Periódico; Local onde o estudo foi realizado; Base onde foi encontrado; Idioma de publicação; Tipo de estudo (metodologia); Violência escolar no geral, somente bullying ou outro tipo de violência escolar específico; Características da intervenção (o que aborda e como aborda); Público alvo; Duração; e principais resultados.
Resultados
Cabe destacar que nesta sessão de resultados serão apontados dados mais gerais em relação aos artigos encontrados e, posteriormente são apontados dados mais específicos sobre a temática da intervenção em violência escolar. O número de autores por artigo pode ser visto na Tabela 1, ela apresenta a frequência absoluta de quantos artigos possuem determinado número de autores e também a frequência relativa (razão entre a frequência absoluta e o número total de artigos) apresentada com seu respectivo percentual. Destaca-se que 38 artigos (63,33%) tiveram apenas um ou dois autores eapenas quatro artigos com mais de cinco autores. Estes dados podem servir como indicativos de que as produções geralmente decorrem do trabalho de poucos autores e, por outro lado, as poucas publicações com mais autores podem indicar uma baixa existência e produção de grupos de pesquisa sobre a temática.

Quanto aos autores que mais publicaram, independentemente se como primeiro autor ou não, obteve-se um total de 146 autores participantes destes artigos e 13 autores foram os que mais publicaram aparecendo em 2 artigos cada,como pode ser visto na Tabela 2. Desta forma, pode-se considerar que nenhum autor se despontou dos demais com muitas publicações e, ao mesmo tempo, apontar a existência de vários autores que trabalham e publicam diante da temática.

Os 60 artigos foram publicados em 49 periódicos sendo que 2 periódicos tiveram o maior número de publicações, 3 no caso, estes periódicos foram: “Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação” e o “International Journal of Behavioral Development”. Em seguida tivemos sete periódicos que apresentaram duas publicações cada, estes são: Anales de Psicología; Children and Youth Services Review; Psicologia Escolar e Educacional; Psicoperspectivas: Individuo y Sociedad; Psychology, Society, & Education; Ra Ximhai e, por fim, Revista de Psicodidáctica. Os periódicos que tiveram pelo menos duas publicações podem ser vistos na Tabela 3. Neste caso pode-se destacar que muitos periódicos, 49, foram responsáveis por publicar estes artigos e nenhum periódico se destacou por ter muitas publicações. Isso reflete que a temática da violência escolar não está concentrada em um pequeno número de periódicos e, encontra grande espaço para publicação no meio acadêmico.

Em relação às bases de dados, 3 artigos foram oriundos da Eric, 3 da PEPSIC, 7 da Web of Science, 8 do Scielo, 9 da Dialnet, 12 da PsycNet e 18 da Redalyc. O ano com mais publicações foi o ano de 2013 e que os outros anos apresentaram números de publicações próximos. (Ver Figura 1) As buscas foram realizadas até agosto de 2016, portanto este ano provavelmente teria seu N um pouco maior se as buscas o comtemplassem por inteiro. Dos 60 artigos selecionados, temos diante do idioma de publicação que 10 artigos são em português, 24 em espanhol e 26 em inglês.

Quanto ao local de realização dos estudos considerou-se o local onde estava localizada a população do estudo nos casos derealização de intervenção ou então o local de trabalho do primeiro autor no caso de estudos teóricos. A Espanha foi o país mais recorrente sendo o local do estudo em14 artigos, seguida pelo Brasil com 10, México com 8, Estados Unidos com 6, Chile com 3 e, por fim, Áustria, Costa Rica, Portugal e Reino Unido com 2 artigos cada. Cada uma das outras 11 publicações apresenta um país diferente de realização do estudo. No total tem-se que 20 países estão envolvidos nos estudos, o que demonstra que a tentativa de intervenção diante da violência escolar tem recebido atenção em diversas partes do mundo.
Entretanto, dos 60 artigos analisados, apenas 23 realmente realizam algum procedimento de intervenção ou prevenção na temática de violência escolar. Os outros 37 artigos tratam em sua maioria de artigos teóricos que discutem o tema da intervenção em violência escolar, fornecem direcionamentos para as mesmas e/ou discutem as leis existentes sobre a temática. Também foram encontrados estudos exploratórios, que buscam conhecer esses processos de intervenção ou o posicionamento de professores e demais funcionários escolares sobre as mesmas, e artigos de revisões de literatura.
Dando ênfase aos 23 artigos que realizam algum tipo de intervenção propriamente dita, temos que dentre estes, 6 artigos são específicos de bullying, 2 debullying e cyberbullying e 15 artigos voltados para violência escolar de forma mais ampla sendo que 1 com ênfase no uso de drogas. Desses 23 artigos ainda pode-se dizer, em relação aos métodos empregados nos mesmos, que 2 possuem uma proposta de ação participativa na intervenção realizada, 6 investigação-ação que utilizaram os métodos de entrevistas e observações, 7 que utilizaram pré-teste e pós-teste, 4 são quase experimentos (apresentaram grupo controle, mas sem randomização) e, por fim, 4 são experimentais.
No intuito de explorar o conteúdo abordado pelos trabalhos, permitindo com que se tenha uma visão geral da temática, destaca-se que foi encontrada uma ampla variedade de conteúdo contemplado nas intervenções em violência escolar. Sendo assim, os conteúdos foram divididos em grupos de “A” à “H” e são apresentadas algumas das referências que utilizaram pelo menos um conteúdo destes grupos. Cabe apontar que vários artigos utilizaram com frequência conteúdos de mais de um grupo.
Entre estes conteúdos, os que mais se destacaram foram: A) Informações gerais, de identificação e prevenção, de como lidar, conceituação, fatores de proteção e de risco e as consequências da violência escolar, bullying e cyberbullying (Diaz, Castro & Arguedas, 2013; Garaigordobil &Martínez-Valderrey, 2014; Schultes, Stefanek, van de Schoot, Strohmeier & Spie, 2014). B) Promoção das habilidades sociais como um todo, mas com destaque maior para a empatia, assertividade, habilidade de resolução de problemas interpessoais, autocontrole e expressividade emocional (Baquedano & Echeverría, 2013; Brown, Jimerson, Dowdy, Gonzalez & Stewart, 2012; Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014; Jiménez-Barbero, Ruiz-Hernández, Llor-Esteban, Llor-Zaragoza, & García, 2013; Mendes, 2011; Palladino, Nocentini & Menesini, 2012; Schultes et al., 2014).C) Ensinamentos promovendo a resolução de conflitos (Baquedano & Echeverría, 2013; Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014; Jiménez-Barberoet al., 2013).D) Valorização da comunicação como alternativa à respostas violentas (Carpio de los Pinos & González, 2012; Gómez & Gaymard, 2014). E) Desenvolvimento de estratégias de coping (Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014; Palladinoet al. 2012). F) Estratégias para controlar a raiva e a impulsividade (Brown et al., 2012; Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014).G) Combate a intolerância e promoção da tolerância das diferenças (Baquedano & Echeverría, 2013; Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014).H) Promoção da autoestima, autoconhecimento, respeito, responsabilidade, solidariedade, cooperação e valores éticos dos alunos (Baquedano & Echeverría, 2013; Gómez & Gaymard, 2014; Jiménez-Barbero et al., 2013; Sánchez, 2013).
Ainda a respeito do conteúdo abordado, foram menos presentes nos artigos encontrados, mas também receberam atenção: A) Descoberta e utilização do vocabulário dos alunos para facilitar a aproximação e contato com os mesmos (Neto, Silva, Aquino, Lima & Monteiro, 2015). B) Promover uma melhor comunicação e relacionamento entre alunos e/ou funcionários da escola (Pérez, Astudillo, Varela & Lecannelier, 2013; Ramírez & Lacasa, 2013). C) Desenvolver estratégias para que os professores escutem e estejam atentos aos sinais dos alunos (Stelko-Pereira & Williams, 2016). D) Formação e capacitação dos professores para que consigam identificar, prevenir ou lidar com situações de violência escolar (Ramírez & Lacasa, 2013; Schultes et al., 2014). E) Criação de regras claras e justas da escola assim como uma melhor supervisão do espaço físico da mesma (Stelko-Pereira & Williams, 2016). F) Uso de novas tecnologias buscando reestruturação cognitiva e a aquisição de valores que favoreçam a coexistência e contra a violência (Jiménez-Barbero et al., 2013; Palladino et al., 2012). G) Lições que falam sobre fazer parte de uma equipe e ensinam a trabalhar em grupo desenvolvendo um trabalho cooperativo (Carrasco, Alarcón & Trianes, 2015; Hutchings & Clarkson, 2015). H) Promover a mediação de conflitos para que se possam resolver situações de formas mais saudáveis (Carpio de los Pinos & González, 2012; Gómez & Gaymard, 2014). I) Caracterização de crianças violentas ou de vítimas para permitir a identificação das mesmas (Diazet al., 2013). E, por fim, J) Promoção da conscientização e capacidade crítica para denunciar as situações de violência escolar (Garaigordobil & Martínez-Valderrey, 2014).
Na forma em que o conteúdo é trabalhado, assim como no conteúdo, também é possível perceber uma ampla gama de formatos que vão desde dinâmicas de grupo participativas com caráter mais lúdico até atendimentos individuais ou técnicas mais expositivas como as apresentações e palestras. Sendo assim, são apontados aqui alguns formatos de intervenção, estes foram divididos em grupos de “A” a “G” e são apresentadas também algumas referências que utilizaram pelo menos um formato presente no subgrupo. Também cabe destacar que a maioria dos artigos não se limita à utilização de um único formato, ou seja, a maioria combina a utilização de várias técnicas na realização da intervenção.
Os formatos mais encontrados foram: A) Técnicas expositivas e informativas como, por exemplo, apresentações com caráter mais teórico sobre violência escolar (Brown et al., 2012; Diaz et al., 2013; Mendes, 2011; Stelko-Pereira & Williams, 2016). B) Dinâmicas de grupo, técnicas de discussão em grupo, formação de grupos heterogêneos, debates, aprendizagem cooperativa e elaboração coletiva de respostas ou soluções (Baquedano & Echeverría, 2013; Carpio de los Pinos & González, 2012; Jiménez-Barbero et al., 2013; Neto et al., 2015; Carrasco et al., 2015). C) Uso de tecnologias (facebook e outros recursos online, por exemplo) e utilização de recursos como vídeos, fotos, histórias em quadrinhos e folhetos com jogos ou informações (Brown et al., 2012; Jiménez-Barbero et al., 2013; Palladino et al. 2012). D) Espaços voltados para a utilização da reflexão crítica pessoal ou grupal (Baquedano & Echeverría, 2013; Carpio de los Pinos & González, 2012; Netoet AL, 2015). E) Produção de cartazes, murais ou concursos para fomentar maior participação dos alunos (Baquedano & Echeverría, 2013; Pérez et al., 2013; Ramírez & Lacasa, 2013). F) Utilização de técnicas mais lúdicas e participativas como, por exemplo, role-playing (Baquedano & Echeverría, 2013; Brown et al., 2012). E, por fim, G) A nível individual foram encontradas intervenções intensivas e individualizadas para alunos vítimas ou perpetradores ou com problemas de conduta mais complexos (Mendes, 2011; Pérez et al., 2013; Ramírez & Lacasa, 2013).
Na literatura é possível encontrar direcionamentos que entendem que fenômeno da violência escolar deve ser abordado com uma visão mais ampla, global, com múltiplas facetas e que envolva os estudantes, pais, comunidade escolar, professores e funcionários da escola (Khaled, 2014; Fernández, 2005; Machado & Machado, 2012). Entretanto, na presente revisão, mantendo o foco ainda nos 23 artigos que realizaram alguma proposta de intervenção ou prevenção da violência escolar, encontrou-se um dado interessante em relação ao publico alvo das intervenções, pois 14 artigos realizaram suas ações somente com alunos, 4 somente com professores, 2 com alunos e professores; e, por fim, apenas 3 quem contemplavam alunos, escola, familiares dos alunos e comunidade. Não é o caso de pensar que os estudos que focam suas ações somente em um público não são importantes, muito pelo contrário, eles contribuem muito com o desenvolvimento da temática e apresentam resultados interessantes. Realizar um estudo multifacetado, como deveria ser o ideal de acordo com os autores supracitados, é algo extremamente difícil de planejar e implementar devido a questões financeiras, de cronograma e de envolvimento necessário por parte de todos participantes e, por vezes, trabalhar com algum recorte pode ser uma possibilidade viável que apresente bons resultados.
Deve-se destacar que também houve uma grande diversidade na duração das intervenções, mas isto já seria esperado tendo em vista a grande diversidade encontrada tanto no conteúdo e forma das intervenções quanto no público alvo das mesmas. Foram encontrados 8 artigos que não especificaram nada quanto a duração da intervenção, 5que apresentaram apenas uma duração geral do estudo (seis meses ou um ano, por exemplo);3 que falavam da duração em termos da quantidade de sessões ou encontros (10 sessões ou 15 sessões, por exemplo), mas não especificavam a duração da sessão e nem a frequência da mesma; 6 que falam a quantidade de sessões e a duração das sessões, mas não falam da frequência das mesmas (como, por exemplo, seis sessões com duração de uma hora cada ou vinte sessões com duração de 90 minutos cada); e, por fim, apenas 1 que especificou tanto a quantidade de sessões, quanto a duração das mesmas e a frequência em que elas ocorriam (como por exemplo, 10 sessões sendo cada uma por semana com cerca de uma a duas horas cada sessão). De forma complementar pode-se salientar que os artigos que faziam intervenções com professores e pais, por exemplo, apresentavam uma menor quantidade de sessões do que os que tinham os alunos como foco das intervenções.
Neste ponto do atual artigo são destacadas algumas propostas de intervenção e prevenção da violência escolar encontradas nesta revisão de literatura e que merecem destaque por suas propostas, programas e relevâncias na temática. De antemão, antes de adentrarmos aos programas, é plausível destacar,como apontam Freire e Aires (2012), o entendimento de que para prevenir e enfrentar o bullying ou qualquer outro tipo de violência escolar não se deve partir de receitas prontas e fechadas, pois cada escola possui sua realidade específica, portanto, o fenômeno, a avaliação do mesmo e a ação não podem ocorrer de forma descontextualizada.
O Second Step é um currículo de prevenção à violência para estudantes da pré-escola que objetiva o ensino das habilidades sociais e a redução da impulsividade e comportamentos agressivos (Fitzgerald & Edstrom, 2011; Brown et al., 2012). O programa é focado em três unidades (treino de empatia, controle de impulsividade e resolução de problemas e, por fim, controle da raiva) e conta com aproximadamente de cinco a nove lições por cada unidade que são ensinadas uma ou duas vezes por semana. As unidades tratam de habilidades como identificar sentimentos, técnicas de redução da raiva e estratégias para resolução de problemas. Cada sessão normalmente começa com a introdução de um tema (por exemplo, como manter-se calmo) e apresenta uma história através de vídeos, cartões, ou questões para discussão (Committee for Children, 2011).
Brownet al. (2012) realizaram um estudo nos Estados Unidos com o propósito de examinar os efeitos da implementação do Second Step em 403 estudantes predominantemente latinos da pré-escola, que ainda estavam aprendendo a língua inglesa e oriundos de famílias com baixo status socioeconômico. Os autores apontamna conclusão que apesar das limitações do estudo este pode contribuir para a existência de evidências que dizem respeito a efetividade do Second Step, principalmente no que diz respeito a populações predominantemente latinas, com baixo status socioeconômico e que tem o inglês como sua segunda língua.
KIVA é um programa de prevenção de bullying desenvolvido na Finlândia que já demonstrou seus significativos benefícios através de ensaios clínicos randomizados em larga escala e sua posterior implementação no sistema escolar finlandês. Em linhas gerais o programa KIVA fornece treinamento, recursos, lições de classe, atividades on-line e aconselhamento parental e apoio com o objetivo de atingir as normas e habilidades, comportamentos, atitudes e o clima da sala de aula e da escola. O conteúdo inclui lições de como fazer parte de uma equipe/grupo, aprendizados sobre emoções, interação de grupo, explicações sobre os tipos de bullying, suas consequências e como o grupo pode reduzir o bullying (Hutchings & Clarkson, 2015).
Além disso, o programa KIVA também promove habilidades sociais como, por exemplo, fazer amizades possibilitandoo apoio e a proteção de uma criança vítima de bullying. Em relação à forma que o programa é desenvolvido, ele ocorre através de discussões, role-play, vídeos, trabalhos em grupo ou com toda a classe, jogos online relacionados com os temas e distribuição de cartazes pela escola. O envolvimento e apoio dos pais também são incentivados, o programa fornece um site de acesso público para os pais e outros interessados onde divulga informações não somente sobre o programa em questão, mas também sobre o fenômeno dobullying (Hutchings & Clarkson, 2015).
Hutchings e Clarkson (2015) descreveram a implementação de parte do programa KIVA no Reino Unido e o programa piloto que envolvia 17 escolas participantes. Como resultados os autores destacam que os professores relataram altos níveis de aceitação e envolvimento dos alunos e reduções significativas foram relatadas em relação aobullying e a vitimização. Cabe destacar que os autores ainda salientam que apesar das limitações do estudo, como por exemplo, a ausência de uma condição de controle que impede a confirmação da relação de causa e efeito, não há razões fundamentais para se esperar que os níveis de bullyingtivessem reduzido neste período, portanto a intervenção deve ter contribuído para a redução encontrada.
O programa VISC é um programa de desenvolvimento da escola para a prevenção da violência e do bullying. O programa usa um modelo interessante de implementação, pois utiliza um modelo em “cascata”, ou seja, os desenvolvedores do programa treinam os formadores VISC e estes, por sua vez, treinam os professores que então trabalham com os seus alunos (Schultes et al., 2014).O programa para os professores conta com 15 unidades, cada uma com 45 minutos de duração, e os professores são treinados para: 1) Reconhecer casos de bullying; 2) Como reagir a casos de bullying; e, por fim, 3) Como implementar medidas preventivas na escola.Além disso, uma formação voluntária VISC para professores é oferecida, ela é composta por 15 unidades com duração de 45 minutos cada. Nesta formação os professores são treinados em como transmitir as maneiras de lidar com situações de bullying e como promover a empatia e responsabilidade dos alunos em relação à violência na escola. Em seguida, os professores aplicam esses conteúdos através da execução de um projeto de prevenção do bullying de 13 semanas em suas classes. (Schultes et al., 2014; Strohmeier, Hoffmann, Schiller, Stefanek& Spiel, 2012).
O estudo realizado no México também trás um exemplo de intervenção em violência escolar no qual, Baquedano e Echeverría (2013), apresentam uma intervenção com foco nas competências psicossociais objetivando proporcionar a melhora da convivência escolar e, portanto, diminuir a presença de ações violentas tanto dentro quanto fora da escola. Participaram da intervenção 111 alunos/as e também professores e diretores da escola. A intervenção com os alunos foi realizada em três meses, em um total de 36 sessões com duração de uma hora por sessão e buscava desenvolver o autoconhecimento, autoestima, empatia, respeito, tolerância, cooperação e resolução de conflitos. Em linha gerais, os autores destacam que ao fim da intervenção pode-se observar o favorecimento dos processos de interação de equipes, a diminuição das brigas entre as crianças e uma maior aceitação das crianças que antes viviam experiências de exclusão (Baquedano & Echeverría, R., 2013).
Já na Espanha destaca-se aqui o artigo de Díaz-Aguado, Martínez-Arias e Ordóñez (2013) onde objetivaram avaliar a viabilidade e eficácia do programa Prevenir em Madri. Tal programa se orienta em torno de uma série de objetivos relacionados com a prevenção do uso de drogas e da violência, assim como a melhora da convivência. Para atingir tais objetivos o programa utiliza conteúdos voltados para o desenvolvimento das habilidades sociais e para as influencias sociais (como resistir à pressão, tomar decisões e lidar com o estresse). O programa é executado através de procedimentos participativos com base na interação com os pares através de debates e aprendizagem cooperativa. Sucintamente, os autores apontam que, o programa foi eficaz para melhorar a convivência (cooperação entre parceiros e confiança nos professores como autoridade), para prevenir a violência (diminuindo a violência como forma de resolver conflitos) e evitar o uso de drogas (reduzindo o consumo de tabaco) (Díaz-Aguadoet al., 2013).
Pérezet al. (2013) em uma pesquisa conduzida no Chile, buscaram avaliar a efetividade de um programa de prevenção e intervenção de bullying e cyberbullying em uma amostra de 320 alunas em umestabelecimento educacional feminino. O programa em questão, chamado “Vínculos”, realiza ações em diversos níveis do sistema escolar: individual, familiar, sala de aula e escola como um todo. Os resultados apresentados apontam que o programa de intervenção foi eficaz em reduzir significativamente a percepção dos estudantes que relataram testemunhar bullying (principalmente em ações como colocar apelidos para ridicularizar e insultar os outros alunos). Em relação ao cyberbullying os resultados demonstraram uma redução significativa na percepção das alunas a serem vítimas de cyberbullying através da Internet (Pérez et al., 2013).
Adentrando o território nacional, entende-se que, no Brasil, a implementação e avaliação de programas de intervenção em violência escolar ainda carecem de maior desenvolvimento (Stelko-Pereira, 2012). Entretanto, pode apontar o programa “Violência nota zero” por Stelko-Pereira e Willians (2016). O programa tem como público alvo os professores/gestores e consiste em 12 encontros com duração de 90 minutos cada, além de atividades extras para fixação do conteúdo e aplicação de estratégias com os alunos. O objetivo geral do programa propõecapacitar os professores/gestores para que estes identifiquem situações de violência naescola, assim como possam planejar e executar estratégias para diminuir tais situações. Como objetivos proximais os participantessão incentivados a: 1) proporcionar atividades interessantes aos alunos (conversar comos alunos sobre a situação de vida, fazer atividades para que eles exponham suasopiniões e criar condições para os alunos opinarem sobre a aula); 2) Valorizarcomportamentos adequados (elogiar, valorizar, premiar comportamentos dos alunos eencaminhar avisos aos pais sobre comportamentos adequados); 3) Diminuir a punição acomportamentos inadequados (não retirar aluno da sala de aula, não encaminhar aluno à direção e não enviar bilhete aos pais por conta decomportamentos inadequados). Ao se realizar tais ações, os objetivos distais daproposta são exatamente a redução da violência escolar, além de aumentar a saúde geral dos participantes do sistema escolar e aumentar o engajamento escolar (Stelko-Pereira, 2012; Stelko-Pereira & Willians, 2013; Stelko-Pereira & Willians, 2016).
Conclusões
De acordo com Pacheco (2005) a produção científica tem o papel fundamental decontribuir com o conhecimento proporcionando a evolução do saber científico e da Ciência. Portanto, a revisão sistemática proposta teve como objetivo principal verificar o panorama de publicações sobre a temática de intervenção em violência escolar. A atual revisão sistemática de literatura tem sua relevância, pois permite demonstrar a frequência dos estudos e algumas de suas características permitindo com que se tenha uma visão geral, limitada é claro, do andamento de estudos que procuram lidar com o fenômeno da violência escolar. Essa visão geral, por sua vez, possibilita um direcionamento, um norte inicial para os futuros trabalhos que esta temática ainda carece. Cabe apontar, como limitação do presente estudo, a dificuldade de acesso a alguns artigos sobre a temática, uma vez que os mesmos se encontravam sem acesso livre, diminuindo o número de publicações analisadas.
Sobre os dados encontrados sintetiza-se que dos 60 artigos selecionados, 38 artigos (63,33%) tiveram apenas um ou dois autores, a existência de vários autores que trabalham e publicam diante da temática (149 autores envolvidos nos 60 artigos selecionados) e 49 periódicos responsáveis pela publicação de tais trabalhos. Entende-se que tais dados podem ser compreendidos demonstrando que tais publicações ocorrem, de forma geral, a partir de trabalhos individuais ou em pequenos grupos de pesquisadores e que a temática encontra espaço para publicação em diferentes periódicos, não se concentrando majoritariamente em alguns. Além disso, encontrou-se também que o ano de 2013 foi o ano que mais apresentou artigos que abordam a temática, 20 no total.
Como destacado anteriormente o fenômeno da violência escolar tem recebido grande atenção não somente no Brasil, mas em vários países do mundo efoi possível observar que os estudos estão sendo realizados em diversas partes do mundo, o que comprova que a situação da violência escolar, apesar de peculiaridades específicas de cada contexto, é um problema que ocorre em diversas culturas e tem mobilizado diversos pesquisadores que buscam uma melhora no ambiente educacional. Como ponto negativo, destaca-se que, dos 60 artigos analisados apenas 23 realmente executam algum procedimento de intervenção ou prevenção na temática de violência escolar. Acredita-se que ainda existe a necessidade de mais estudos empíricos e que possam colocar em prática e avaliar as ações e estratégias de intervenção em violência escolar.
As diversidades de conteúdo, forma e público alvo das intervenções encontradas nos artigos também demonstram que, apesar da temática estar sendo explorada há um tempo, ainda existem pesquisadores que buscam novas maneiras que seriam efetivas para lidar com a situação. Os trabalhos de intervenção encontrados demonstraram que podem existir não somente uma, mas várias formas de se trabalhar e produzir bons resultados tornando a escola um ambiente mais propício para cumprir suas atividades. De forma complementar, foram encontrados poucos estudos experimentais e sabe-se das dificuldades inerentes a estudos experimentais e longitudinais com intervenções para a temática da violência escolar, mas cabe destacar que estas pesquisasdevem ser motivadas por permitirem que se discuta claramente sobre as possíveis efetividades das intervenções a partir da exploração da reação de causa e efeito.
Acredita-se que muitos estudos ainda são necessários à temática e, portanto, estes devem ser incentivados para que assim se consiga atingir a redução do fenômeno da violência escolar atingindo a promoção da saúde e bem-estar, possibilitando que a escola cumpra sua tarefa na educação dos alunos em um ambiente mais saudável para todos.
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Notas