Artigo original
Recepção: 28 Novembro 2016
Aprovação: 30 Junho 2017
DOI: https://doi.org/10.5380/ce.v22i3.49475
RESUMO: Este estudo teve como objetivo resgatar e analisar a produção de conhecimento publicada sobre a saúde do trabalhador de enfermagem e de saúde gerada pelos integrantes do Grupo de Estudos Sobre a Saúde do Trabalhador de Enfermagem e Saúde. Trata-se de um estudo documental, descritivo e exploratório, com análise quantitativa dos dados referentes à produção entre 1997 e 2016. Em 20 anos, foram geradas 343 publicações. A análise mostrou o predomínio de publicações de pesquisadores doutores (146; 42,57%), seguidos dos mestres (105; 30,61%) e graduandos (62; 18,08%), sendo a maioria “resumos e resumos expandidos publicados em anais” (172; 50,15%), seguidos de artigos publicados em periódicos científicos (74; 21,57%). A temática “Exposições a cargas de trabalho e/ou Processo de desgaste no Trabalho” foi a predominante, evidenciando os riscos à saúde do trabalhador. Conclui-se que o grupo de pesquisa apresentou produção científica expressiva no período estudado, contribuindo com o avanço do conhecimento científico sobre o tema em foco.
Palavras chave: Enfermagem, Grupos de pesquisa, Saúde do trabalhador, Pesquisa, Pessoal de saúde, Desenvolvimento de pessoal.
RESUMEN: Estudio cuyo objetivo fue rescatar y analizar la producción de conocimiento publicada acerca del tema salud del trabajador de enfermería y salud generada por los integrantes del Grupo de Estudios Sobre Salud del Trabajador de Enfermería y Salud. Es un estudio documental, descriptivo y exploratorio, con análisis cuantitativo de los datos referentes a la producción entre 1997 y 2016. En 20 años, fueron producidas 343 publicaciones. El análisis ha apuntado predominio de publicaciones de doctores (146; 42,57%), maestros (105; 30,61%) y graduandos (62; 18,08%), siendo la mayoría “resúmenes y resúmenes expandidos publicados en anales” (172; 50,15%), además de artículos publicados en periódicos científicos (74; 21,57%). La temática “Exposiciones a cargas de trabajo y/o Proceso de desgaste en el Trabajo” fue la predominante, evidenciándose los riesgos a la salud del trabajador. Se concluye que el grupo de investigación ha presentado producción científica expresiva en el dicho periodo, contribuyendo con el desarrollo del conocimiento científico acerca del tema en cuestión.
Palabras clave: Enfermería, Grupos de investigación, Salud del trabajador, Investigación, Equipo de salud, Desarrollo de personal.
INTRODUÇÃO
O desenvolvimento de pesquisas em Enfermagem constitui importante estratégia para seu fortalecimento na ciência e profissão, com uma prática profissional sustentada por uma contínua busca de novos conhecimentos(1). A produção científica em enfermagem no Brasil, assim como o número de periódicos científicos relacionados à área, intensificou-se a partir da década de 70, fruto da Reforma Universitária de 1968(2).
Durante a década de 1980, estudos relacionados à Saúde do Trabalhador de Enfermagem apresentaram um aumento significativo, como resultado de uma série de mudanças que ocorreram no macro e microssistemas sociais envolvendo duas grandes áreas: saúde e educação. Esse aumento decorreu também de uma maior aproximação das práticas e saberes relacionados à saúde do trabalhador de enfermagem, tendo contribuído para este fato a estruturação e expansão dos cursos de mestrado e doutorado no país(3).
Ainda nesta área, a pesquisa de enfermagem vem ganhando destaque internacionalmente, avançando na compreensão do trabalho destes profissionais na prevenção de agravos, proporcionando acesso a cuidados de qualidade, e gerenciando ambientes e o retorno ao trabalho(4).
A pesquisa vai além dos resultados propriamente ditos, constituindo um instrumento que proporciona aos acadêmicos a possibilidade de tornarem-se profissionais autônomos, críticos e criativos. O desenvolvimento de trabalhos científicos, desde os primeiros anos de formação, pode aproximar os alunos dos problemas reais da sociedade, aos quais apliquem os conhecimentos e habilidades adquiridas, de modo a formar uma atitude científica extensível à atividade profissional(5).
A necessidade de envolver enfermeiros nas atividades de pesquisa e extensão é reconhecida, além de estimular os alunos a integrar os grupos de pesquisa com um objetivo comum, de atender às demandas da sociedade. Além disso, a divulgação dos resultados das pesquisas consiste em uma das etapas do processo da produção do conhecimento; outras estratégias devem também ser implementadas para a formação de recursos humanos e melhoria da assistência de enfermagem(6-7).
O Grupo de Estudos Sobre a Saúde do Trabalhador de Enfermagem e Saúde (GESTES), vinculado ao Departamento de Orientação Profissional (ENO) da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), certificado pelo Diretório de Grupos de Pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), iniciou suas atividades científicas em 1997 e vem produzindo conhecimento sobre este tema, por meio de atividades direcionadas por seus líderes e de alunos de diferentes níveis, ou seja, graduação e pós-graduação (lato e estrito senso). Ainda, suas líderes integram a Rede de Pesquisa de Gerenciamento de Enfermagem (REPEGENF).
Os encontros do Grupo acontecem com interação entre líderes, pesquisadores e alunos, em reuniões mensais, em que, obedecendo todos os preceitos éticos, são desenvolvidas pesquisas de interesse do grupo, métodos de abordagem, participação em eventos, publicações - uma série de atividades que promovem o desenvolvimento de investigações e a formação de recursos humanos para a pesquisa e a pós-graduação. As reuniões do Grupo acontecem no Departamento de Orientação Profissional da EEUSP, loccus de trabalho das líderes.
Os projetos de pesquisa desenvolvidos no Grupo, além de sua produção científica, têm incrementado os intercâmbios com outros grupos de pesquisa, nacionais e internacionais, com desenvolvimento de projetos locais e multicêntricos. Um exemplo é o projeto multicêntrico “Sistema de Monitoramento da Saúde do Trabalhador de Enfermagem” (SIMOSTE), desenvolvido pelos pesquisadores do grupo, realizando estudos que abordam a saúde dos trabalhadores de enfermagem e de saúde, com o objetivo de monitorá-los com vistas à vigilância à saúde(8).
Após 20 anos de existência e trabalho desenvolvido pelos seus membros, o GESTES apresenta produção científica significativa e em fase de consolidação que, no entanto, ainda não está suficientemente incorporada pelas diferentes realidades de trabalho de enfermagem. Portanto, nos motivamos a resgatar essa produção para dar maior visibilidade, assim como detectar lacunas de conhecimento que possam direcionar outros estudos.
Assim, o objetivo desse estudo foi resgatar e analisar a produção de conhecimento publicada sobre a saúde do trabalhador de enfermagem e de saúde gerada pelos integrantes do Grupo de Estudos Sobre a Saúde do Trabalhador de Enfermagem e Saúde.
MÉTODO
Trata-se de um estudo documental, descritivo e exploratório, com análise quantitativa dos dados referentes à produção do Grupo de Estudos Sobre Saúde do Trabalhador de Enfermagem e Saúde de 1997 a 2016. É definido como estudo descritivo e exploratório, uma vez que tem a característica de observar, classificar e descrever o fenômeno(9).
Para alcançar o objetivo proposto, este estudo foi desenvolvido em três etapas. A primeira consistiu-se da identificação de toda a produção científica publicada, conduzida sob a orientação dos professores líderes, entre 1997 e 2016, por meio da listagem dos pesquisadores envolvidos no grupo, realizada pelos líderes, consulta aos currículos dos membros atuais e egressos do Grupo, também disponíveis na Plataforma Lattes do CNPq; busca nas plataformas DEDALUS da Universidade de São Paulo e no Research Gate. Nessa etapa, foram identificadas 343 produções científicas publicadas, que constituíram a população do estudo. Constituiu critérios de inclusão, toda a produção publicada dos membros do grupo, durante o período de coleta. Os critérios de exclusão foram publicações que não disponibilizaram acesso ao resumo ou ao texto na íntegra, e publicações de membros do grupo com temática diferente da estabelecida como eixo norteador.
A segunda etapa foi composta pela construção de um banco de dados, com apoio do software Microsoft Excel®. Esse banco permitiu verificar duplicidade de produções, uma vez que poderia ser captada em diferentes fontes de dados. As informações contidas no banco referiram-se a: nome do pesquisador; formação; título da produção, tipo de produção, autores, vertente teórico-metodológica, ano e referência.
A terceira etapa consistiu na análise dos tipos de publicações e temáticas abordadas durantes o período, nas publicações científicas relacionadas, com análise quantitativa dos dados encontrados e qualitativa dos temas.
RESULTADOS
Nos 20 anos de existência, o GESTES contou com 61 integrantes, entre alunos e pesquisadores. Estes geraram 343 publicações, resultantes de estudos na área da saúde do trabalhador em enfermagem e de saúde, distribuídas entre diversos níveis de formação/titulação, conforme apresentado na Figura 1.

Observa-se que houve predomínio de publicações de pesquisadores doutores (146; 42,57%), seguidos por mestres (105; 30,61%) e graduandos (62; 18,08%).
Devido à heterogênea composição do grupo, que conta com alunos e pesquisadores com diferentes titulações, há uma diversidade de tipos de publicações produzidas pelos membros do grupo no período estudado, de acordo com a Figura 2.

Foi verificada a prevalência de “resumos e resumos expandidos publicados em anais”, com total de 172 trabalhos publicados (50,15%), e de artigos publicados em periódicos científicos, com 74 manuscritos (21,57%).
Assim como observado na literatura apresentada anteriormente, a produção do grupo vem crescendo ao longo dos anos estudados, como demonstrado na Figura 3.

A maior parte das publicações apresentam crescimento expressivo, os Resumos e Resumos Expandidos apresentam um crescimento de 10 publicações entre os anos de 1997-1999 para 34 entre os anos de 2015-2016. Neste mesmo período, houve o crescimento de 03 para 19 artigos científicos publicados e de 01 para 23 capítulos de livro publicados. As outras publicações, embora apresentem oscilações mais constantes, apresentaram leve crescimento em sua produção bibliográfica.
As temáticas das publicações do grupo no período foram descritas e são apresentadas na Figura 4.

Observa-se que a temática “Exposições a cargas de trabalho e/ou Processo de desgaste no Trabalho” foi a mais predominante, seguida de uma variação das demais temáticas. Entretanto, nos últimos anos avaliados, destacam-se as temáticas “Implicações para o trabalhador e para o trabalho”, “Modelos gerenciais e propostas de intervenção para a saúde do trabalhador” e “Vigilância a Saúde do Trabalhador”.
A internacionalização das produções científicas do grupo é evidenciada na Figura 5, onde é mostrada a distribuição das publicações por países.

O país com a maior quantidade de publicações é o Brasil (253), seguido de Portugal (27), Itália (13), Estados Unidos (11) e Espanha (10). É possível evidenciar a internacionalização dada a presença de publicações em vários países, em quase todos os continentes (África, América, Ásia e Europa).
DISCUSSÃO
O resgate e a análise da produção de conhecimento publicada sobre a saúde do trabalhador de enfermagem e de saúde gerada pelos integrantes do GESTES permitiu a identificação do perfil acadêmico de seus participantes, que inclui graduandos, pós-graduandos e pesquisadores, além da compreensão dos problemas e temáticas estudados.
O grupo de pesquisa está locado na EEUSP, Universidade Pública estadual, onde foi implantado o primeiro curso de graduação em enfermagem do estado de São Paulo, e que detém 51 grupos de pesquisa em enfermagem, sendo destaque no cenário nacional pela produção de conhecimento proveniente de cursos de graduação, pós-graduação e extensão(10). Ressalta-se ainda o fato dos líderes integrarem a REPEGENF, o GESTES promove a articulação e a parceria como outros grupos e pesquisadores da temática, no cenário nacional(11).
Considerando que o grupo acolhe alunos de graduação em enfermagem, promove a formação em pesquisa desses estudantes, assim o consumo dessa como importante instrumento para a prática de enfermagem. A pesquisa incrementa a prática baseada em evidências, a educação permanente e, consequentemente, a visibilidade da Enfermagem(12). Essa valorização tem incentivado a participação dos alunos de graduação(13).
Desde a década de 1990, identifica-se o aumento dos cursos de doutorado nas Américas e Caribe, com maior esforço de internacionalização dos programas, um aumento no número de pesquisadores e de centros produtores de conhecimento de enfermagem(14). A formação de doutores na enfermagem contribui significativamente para construção de um conhecimento social na área da saúde. Observa-se também um considerável crescimento do número de doutores na área, assim como a produção científica. O maior desafio ainda está na necessidade de as enfermeiras desenvolverem pesquisas experimentais que contenham propostas de mudanças para as práticas de saúde(15).
Ao observar a maior parte das publicações compostas por resumos e resumos expandidos, verifica-se a intencionalidade do grupo de divulgar os resultados de seus estudos em locais de disseminação científica coletiva, mantendo a valorização da publicação em periódicos científicos.
A produção científica crescente tem buscado e conquistado um significativo número de publicações internacionais, além das apresentações dos trabalhos científicos tanto por docentes, como discentes em eventos fora do país. A internacionalização é um caminho a ser trilhado pela enfermagem enquanto ciência. Porém, ao produzir resultados de pesquisa, o melhor meio de divulgação deve ser escolhido, a fim de suscitar novas pesquisas e informar aqueles envolvidos nos processos de tomada de decisões(16-17).
O número de trabalhos científicos publicados na área de enfermagem tem aumentado consideravelmente. Atualmente, o aumento da produção do conhecimento é concomitante ao aumento da produção científica. Ao comparar a produção científica da área de Enfermagem entre os triênios de 2004 a 2006 e de 2007 a 2009, verificou-se um crescimento de 3.563 artigos, publicados em 373 periódicos, para 5.194 artigos publicados em 595 periódicos(18).
Com o desenvolvimento de estudos na temática abordada pelo grupo, resultando em diversas publicações, fica evidente a importância deste grupo para a enfermagem e para saúde do trabalhador, visto que a partir dessas evidências científicas é possível a viabilização de melhorias para o trabalho em enfermagem, assim como melhor alocação de recursos humanos e materiais no desenvolvimento das atividades laborais realizadas pela equipe de enfermagem.
O crescimento de publicações no grupo segue a tendência histórica de aumento de estudos na área de saúde do trabalhador, que iniciou nas décadas de 1970 e 1980, com foco em ergonomia, e ampliou-se, posteriormente, com a incorporação de outras abordagens teórico-metodológicas, no final da década de 1980, com o uso da metodologia qualitativa, que passou a possibilitar análises e reflexões relacionadas à subjetividade e trabalho(3).
Em um levantamento das linhas de pesquisa dos grupos cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil Lattes, encontramos 15 que possuem a saúde do trabalhador como temática central. O fenômeno de crescimento de publicações na área pode ser observado na constituição destes grupos, onde se observa que 27% dos grupos de pesquisa na área possuem de 0 a 5 anos de atuação, 34% de 5 a 9 anos, 18% de 9 a 14 anos, 16% de 14 a 19 anos e 5% de 19 a 24 anos, com pico de aumento no período de 2006 a 2011 que coincide com a alimentação online da base de dados sobre os grupos de pesquisa no país.
Considerando-se a temática “Exposições a cargas de trabalho e/ou Processo de desgaste no Trabalho”, estudos evidenciam as questões de carga de trabalho em enfermagem, relacionando-as ao desequilíbrio entre, de um lado, os recursos e competências e, de outro, as tarefas e expectativas, com a necessidade evidente de atuação dos gestores, em ações de alocação de recursos e atividades de educação(19). Além da sobrecarga de trabalho já ter sido apresentada como relacionada diretamente com a segurança do paciente, com a ocorrência de eventos adversos a esta relacionados, há também relações bem estabelecidas com a saúde do trabalhador em enfermagem, sendo que a sobrecarga pode resultar em absenteísmo, rotatividade profissional e doenças ocupacionais(20-21).
O trabalho, que é considerado elemento que compõe a identidade de um indivíduo, gerando significados presentes na relação com sua organização, e compondo vivências de prazer e sofrimento, é elemento determinante com implicações na saúde mental dos trabalhadores(22). Estes são alguns dos importantes elementos que justificam a relevância da temática “Implicações para o trabalhador e para o trabalho”.
A relevância das temáticas “Modelos gerenciais e propostas de intervenção para a saúde do trabalhador” e “Processo de trabalho” é evidenciada por estudos que reforçam a necessidade da verificação das lacunas entre o trabalho prescrito e o realizado, de reflexões sobre a relação entre o adoecimento e os níveis de demanda psicológica e de controle do trabalhador sobre o trabalho, da gestão participativa com a criação de espaços de discussão sobre as condições de trabalho, e do modelo de gestão do trabalho segundo lógica não maquínica ou burocrática(23-26).
Ainda em relação à pesquisa em enfermagem, pesquisadores têm se debruçado na reflexão sobre o que e porque pesquisar, sendo foco de discussão no contexto nacional os Seminários Nacionais de Pesquisa em Enfermagem (SENPE)(27). Este evento vem sendo realizado desde 1979, capitaneado pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN) que tem como desafio, entre outros, colaborar com o processo de construção do conhecimento por meio da organização social da classe, por meio de profícuos debates acerca de seu devir. A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS) e a Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde (ANPPS) são também apontados como mecanismos para aumentar a seletividade, indução e fomento à pesquisa no país, respeitando as características regionais(28). Ambos resultaram na indicação de 11 temas diretamente ligados à enfermagem, sendo eles:
“... Saúde, Ambiente, Trabalho e Biossegurança em Enfermagem; Avaliação de Tecnologias de Enfermagem e Economia da Saúde; Investigação Clínica em Enfermagem; Gestão do Trabalho e Educação em Saúde; Sistemas e Políticas de Saúde; Cuidado de Enfermagem à Saúde do Adulto e do Idoso; Cuidado de Enfermagem à Saúde da Mulher; Cuidado de Enfermagem à Saúde da Criança e do Adolescente; Cuidado de Enfermagem à Saúde Mental; Cuidado de Enfermagem às Doenças Transmissíveis; Cuidado de Enfermagem às Doenças Não transmissíveis”(28).
Tais prioridades são possibilidades para nortear a criação de linhas de pesquisa, considerando-se o escopo da enfermagem, seu cenário nacional e seus paradigmas enquanto ciência, para bem delimitar seu campo de saber.
Ressalta-se ainda que as produções do GESTES tem seguido, ao longo desses 20 anos, perfil semelhante ao discutido no 18º SENPE de 2015, que trouxe, em suas discussões, recomendações para que as pesquisas em enfermagem sejam mais próximas dos determinantes sociais do processo saúde-doença, assim como da investigação epidemiológica e de necessidades de saúde das populações(29).
CONCLUSÃO
Após 20 anos de existência e trabalho desenvolvido pelos seus membros, o Grupo de Estudos Sobre a Saúde do Trabalhador de Enfermagem e Saúde tem apresentado produção científica significativa, possibilitando publicações científicas e participação dos alunos e pesquisadores participantes em eventos nacionais e internacionais, dando assim a oportunidade de divulgação do conhecimento gerado.
Destaca-se que esses resultados representam significativas contribuições para o campo da enfermagem, por meio de fortalecimento da categoria a partir de pesquisas científicas, produções e intervenções que propõem melhorias nas condições de trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores de enfermagem.
A fim de construir-se uma linguagem única e possibilitar um intercâmbio de informações, sem ruídos e/ou disparidades, compreende-se que há um desafio lançado ao processo de organização dos grupos de pesquisa no Brasil, especialmente no que tange à construção de redes que possibilitem debater a criação de uma “trama” comum entre as linhas de pesquisa e incremente a troca de informações e complementaridade mútua.
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Autor notes
Autor Correspondente: Vinicius Gomes Barros. Universidade de São Paulo. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - 05403-000 - São Paulo, SP, Brasil. E-mail: viniciusvgb@usp.br