Editorial

A FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Lislei Jorge Patrizzi 1
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Brasil

A FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 3, núm. 3, p. 181, 2015

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

A FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Ciência tão antiga quanto o homem, a Fisioterapia surgiu com as primeiras tentativas de se diminuir uma dor esfregando o local dolorido e evoluiu ao longo do tempo com recursos eletrotermoterapêuticos e técnicas específicas envolvendo exercícios terapêuticos.

A Fisioterapia como profissão nasceu em meados do século XX, quando as duas guerras mundiais causaram um grande número de lesões e graves ferimentos exigindo uma abordagem de reabilitação. No Brasil, a Fisioterapia iniciou-se em 1929 dentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, mas foi só em 1951 que foi criado o primeiro curso para formação de fisioterapeutas. Em 1959 foi criada a Associação Brasileira de Fisioterapeutas (ABF), que se filiou a WCPT (World Confederation for Physical Therapy), buscando o amparo sócio-cultural e técnico-científico para o desenvolvimento da profissão. No dia 13 de outubro de 1969, a profissão adquiriu seus direitos, por meio do Decreto-lei nº 938/69, no qual a Fisioterapia foi reconhecida como um curso de nível superior e definitivamente regulamentada1.

Pensando na trajetória histórica desta profissão é fácil entender o porquê, até nos dias atuais, estes profissionais são ainda conhecidos e lembrados como profissionais da reabilitação. No entanto, segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) o processo de formação do Fisiote­rapeuta está direcionado a desenvolver competências e habilidades gerais para atenção à saúde, como ações de prevenção, promoção e proteção da saúde, além da reabilitação individual e coletiva. O termo prevenir habilita o fisioterapeuta a atuar na atenção primária à saúde (APS), na qual a prevenção das doenças é o maior enfoque. Segundo o mesmo Conselho, é função do Fisioterapeuta proporcionar educação, prevenção e assistência coletiva na APS, bem como integrar equipes multiprofissio­nais destinadas a planejar, programar, controlar e execu­tar projetos e programas.

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) configuram uma organização territorial, do Sistema Único de Saúde (SUS) para a prevenção e promoção da saúde. No Brasil, as UBS trabalham por meio de demanda espontânea ou programada, ou através da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Nas UBS, a atuação do Fisioterapeuta envolve ações de educação em saúde, atendimentos individuais, ativida­des em grupos, atividades domiciliares e acolhimento2. Dentro das ESF, o Minis­tério da Saúde criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Fa­mília (NASF). O profissional da fisioterapia compõe essa equipe e está apto a planejar, implementar, controlar e executar políticas, pro­gramas, cursos, pesquisas ou eventos em saúde coletiva; tem liberdade de participar de câmaras téc­nicas de padronização de procedimentos em APS, avaliar qualidade, eficácia e riscos à saúde decorrentes de equipamentos de uso fisioterapêutico. Além disso, pode promover assistência organizada em acolhimento, atendi­mento individual, domiciliar, grupos operativos e ativida­des educativas em equipe3.

Os grupos assistidos, que contam com políti­cas de atenção primária envolvem a saúde nas áreas: da criança e adolescente, da mulher, do homem, do trabalhador e do idoso4. É válido reafirmar que a atuação da Fisioterapia envolve os três níveis de atenção à saúde favorecendo o bem estar e melhor qualidade de vida nas diferentes condições de saúde da população.

Boa leitura!

REFERÊNCIAS

Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Br). Saúde da Família: uma nova opção para o trabalho do fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Revista trimestral do COFFITO. 2005; 7(24):6-8.

Formiga NFB, Ribeiro KSQS. Inserção do fisioterapeuta na Atenção Básica: uma analogia entre experiências acadêmicas e a proposta dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Revista Brasileira de Ciências da Saúde 2012; 16(2):113-22.

Barbosa EG, Ferreira DLS, Furbino SAR. Experiência da fisioterapia no Núcleo de Apoio à Saúde da Família em Governador Valadares, MG. Fisioterapia em movimento 2010; 23(2): 323- 30.

David MLO, Ribeiro MAGO, Zanolli ML, Mendes RT, Assumpção MS, Schivinski CIS. Proposta de atuação da fisioterapia na saúde da criança e do adolescente: uma necessidade na atenção básica. Saúde em Debate 2013; 37(96):120-9.

Autor notes

1 Membro do Comitê Diretor da REFACS
HMTL gerado a partir de XML JATS4R por