Artigos Originais

A visão da mulher sobre a paternidade e as atividades de cuidado desempenhadas pelo homem

Women’s opinion on fatherhood and on men's activities of care

La visión de la mujer sobre la paternidad y las actividades de cuidado desempeñadas por el hombre

Aline Costa de Sousa Kawamura 1
Sem filiação, Brasil
Maria José Gugelmin de Camargo 2
Universidade Federal do Paraná, Brasil

A visão da mulher sobre a paternidade e as atividades de cuidado desempenhadas pelo homem

Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 4, núm. 3, 2016

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Resumo: Este estudo objetiva analisar a concepção feminina a respeito da paternidade e o compartilhamento de responsabilidades relacionadas ao cuidado com os filhos. Trata-se de uma pesquisa descritiva de caráter quantitativo que contou com a participação de cem (100) mulheres internadas no Alojamento Conjunto de um Hospital Universitário de Curitiba. Os resultados encontrados apontam que as mulheres solteiras possuem pouco auxílio do pai nas atividades de cuidado com a criança e que elas tendem a assimilar o papel masculino. As mulheres em relações estáveis ou casadas alegam reconhecer a importância do pai, embora, na maioria dos casos, restrinjam o repertório de atividades desempenhadas. Aponta-se a necessidade dos profissionais de saúde fomentarem junto às mulheres o compartilhamento do cuidado com o pai de modo igualitário, não apenas complementar à maternidade.

Palavras-chave: Paternidade, Cuidado da criança, Desempenho de papéis.

Abstract: This study aims at analyzing women's conception of shared parenthood and child-raising responsibilities. This is a quantitative and descriptive research that included the participation of one hundred (100) women hospitalized at a University Hospital in the city of Curitiba, PR, Brazil. The results show that single women have little support of the father in child-care activities and that they tend to assimilate the man's role. Women in a common-law marriage or married claim to recognize the importance of a father’s care, although in most cases they restrict the number of activities they can perform. It is important to emphasize that health professionals should encourage for parental responsibility to be equally shared, so the father’s participation is not merely complementary to the mother’s.

Keywords: Paternity, Child care, Role playing.

Resumen: Este estudio objetiva analizar la concepción femenina sobre la paternidad y el intercambio de responsabilidades relacionadas al cuidado de los hijos. Se trata de una investigación de carácter cuantitativo que contó con la participación de cien (100) mujeres internadas en el Alojamiento Conjunto de un Hospital Universitario de Curitiba, PR, Brasil. Los resultados encontrados apuntan que las mujeres solteras poseen poco apoyo del padre en las actividades de cuidado de los niños y que ellas tienden a asimilar el papel masculino. Las mujeres en relaciones estables o casadas alegan reconocer la importancia del padre, aunque, en la mayoría de los casos, restrinjan el repertorio de las actividades desempeñadas. Se apunta a la necesidad de que los profesionales de salud deban fomentar la responsabilidad parental compartida de modo igualitario y no solamente como complemento a la maternidad.

Palabras clave: Paternidad, Cuidado del niño, Desempeño de papel.

INTRODUÇÃO

O conceito de família, assim como sua organização, possui relação direta com o momento histórico e a cultura dominante, tendo este sofrido diversas transformações ao longo da evolução das sociedades1. No Século XIX o núcleo familiar caracterizava-se pela posição de autoridade exercida pelo pai, habitualmente chefe da família, enquanto os cuidados domiciliares e dos filhos recaia exclusivamente à mulher1. O poder exercido pelo homem acentuava-se devido à dependência econômica que sua mulher e seus filhos tinham em relação à ele2.

A partir da década de 1960, a luta pela igualdade de direitos das mulheres, a expansão dos movimentos feministas e a inserção feminina no mercado de trabalho repercutem na identidade tradicional de provedor vinculada ao homem2,3. A mulher está atualmente num processo de redescobrimento e expansão de seu espaço na sociedade e na vida intrafamiliar4. Esse processo abriu espaço para o auxílio do pai nos cuidados com os filhos e nas atividades domésticas5. A partir da exigência cada vez maior que a mulher colabore no sustento da casa, o homem também volta seu olhar para as necessidades e demandas das crianças5.

A paternidade, embasada no distanciamento afetivo do pai e com foco no suporte financeiro, reflete antigos valores norteados pela “assimetria das relações de gênero, como também em uma visão de mundo em que homens e mulheres desempenham papéis diversos no cuidado das crianças e da casa”5. Entretanto, os pais além de serem importantes para o desenvolvimento dos filhos e para a formação de sua afetividade, são também considerados capazes de providenciarem todos os cuidados habitualmente associados à maternagem5.

Salienta-se que a participação em ocupações pode ocorrer individualmente ou dependente de outros e as ações esperadas pela sociedade podem ser aprimoradas e conceitualizadas pelo cliente6,7. Deste modo, ressalta-se a importância de novos estudos que reflitam sobre os diversos perfis da mulher e conectem essas características com a prática da paternidade8. Isto pois, “aprender a ser pai, no contexto atual, é o grande desafio do século XXI”9. Salienta-se ainda que pesquisas apontam que os pais aceitam passivamente as determinações de suas companheiras em relação aos cuidados com o filhos10.

Observa-se a relevância de estudos que visem à análise do pensamento das mulheres sobre a prática da paternidade já que ela pode tanto se tornar “mediadora da relação entre pai e filho, ou se converter em obstáculo para que esta relação se dê de fato”8. O cuidado paterno, tão necessário para o desenvolvimento da criança, necessita da conscientização da mulher quanto sua importância, além de seu fortalecimento para que ela seda espaço nesse cuidado8. Deste modo, o presente estudo objetiva analisar a concepção feminina a respeito da paternidade e o compartilhamento de responsabilidades relacionadas ao cuidado com os filhos.

MÉTODO

Este estudo foi realizado no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O Alojamento Conjunto (AC) é um sistema de atenção implantado no Brasil a partir da década de 1990 caracterizado pela permanência de mãe e neonato, 24 horas por dia até a alta hospitalar de ambos. Entre seus objetivos primordiais estão o desenvolvimento do cuidado da mulher com seu filho e o incentivo à participação paterna11.

Submetida e aprovada pelo Comitê de Ética do Hospital de Clínicas (CEP/HC) (CAAE: 40364615.3.0000.0096), esta pesquisa fundamenta-se como uma pesquisa quantitativa. Tipicamente esta categoria de estudo produz resultados numéricos que podem ser analisados estatisticamente12.

Com o intuito de alcançar os objetivos propostos foi realizado um estudo de natureza descritiva. É importante salientar que este tipo de pesquisa tem como objetivo principal descrever os fenômenos de determinada realidade a partir da identificação de opiniões manifestadas pela população-alvo participante13.

A população alvo desta pesquisa foi constituída pelas mães, puérperas, internadas no Alojamento Conjunto. Entre os critérios de inclusão destacaram-se: ser do gênero feminino; ter mais de 18 e menos de 40 anos de idade; saber ler e escrever; ser capaz de responder aos questionamentos realizados pela pesquisadora.

Constituiu-se como instrumento de coleta de dados um questionário estruturado ministrado diretamente à população-alvo do estudo. Este questionário, elaborado pela pesquisadora principal, é composto de 8 perguntas de múltipla escolha e foi aplicado a cem (100) puérperas internadas no AC durante o período de Março à Junho de 2015. A presente técnica de investigação caracteriza-se pela aplicação de questões apresentadas por escrito para os participantes da pesquisa, e possui como objetivo conhecer as opiniões, crenças e situações vividas sobre um determinado tema14.

Posteriormente ao levantamento dos dados, estes foram tabulados e analisados a partir do apartamento estatístico e identificação das opiniões expressas pelos participantes, seguida da análise conforme os dados internacionais e nacionais presentes na literatura já publicada.

RESULTADOS

A tabela 1 mostra o perfil das participantes deste estudo em relação à situação conjugal, quantidade de filhos e ocupação (atividade laboral). Ressalta-se que do total de 100 entrevistadas, 56% eram amasiadas, 25% casadas e, 19% solteiras. Em relação a quantidade de filhos 35% tinham apenas um filho e constatou-se que 24% de mulheres que possuíam 4 filhos ou mais. Em relação à categoria ocupação, identificou-se que 65% das entrevistadas exerciam atividade remunerada.

Perfil das
mulheres internadas no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.
Tabela 1
Perfil das mulheres internadas no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.

O posicionamento das mães em relação à participação paterna está na tabela 2. Ressalta-se que 88% reconhecem que o pai é igualmente importante que a mulher para o desenvolvimento de seus filhos. Elas também tendem a incentivar a sua participação em atividades de cuidado (82%). Em relação a categoria solteiras destaca-se que 37% acreditam que as mulheres são mais importantes que o pai e 31% não incentivam a participação paterna.

Posicionamento das mulheres em
relação à participação paterna no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas
da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.
Tabela 2
Posicionamento das mulheres em relação à participação paterna no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.

A identificação das atividades incentivadas pela mulher e praticadas pelo homem em relação ao cuidado com o filho se apresenta na tabela 3. Os índices de incentivo variaram de 45% na atividade de sustento financeiro a 63% nas atividades de participação escolar e de carinho e atenção. Em relação às atividades de cuidado exercidas pelo homem, destaca-se que a mesma apresentou índice mínimo de 62% na atividade de alimentação e índice máximo na atividade de sustento financeiro com 75%.

Atividades incentivadas pelas
mulheres e praticadas pelo homem segundo mulheres internadas no Alojamento
Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba,
Paraná. 2015.
Tabela 3
Atividades incentivadas pelas mulheres e praticadas pelo homem segundo mulheres internadas no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.

A tabela 4 mostra o resultado do apoio social requerido pelas mulheres em relação às atividades de cuidado com as crianças. Observa-se que o auxilio do companheiro ou marido configura-se como a principal fonte de apoio para as mulheres amasiadas e casadas de 58% a 64%. Em relação a categoria solteiras a avó materna configura-se como a principal fonte de apoio em 63%.

Suporte social requerido pela mulher no
cuidado com as crianças segundo mulheres internadas no Alojamento Conjunto do Hospital de
Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.
Tabela 4
Suporte social requerido pela mulher no cuidado com as crianças segundo mulheres internadas no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.

O papel dos profissionais de Saúde na facilitação do processo de compartilhamento do cuidado pai-mãe se apresenta na tabela 5.

Das entrevistadas 68% afirmaram que não foram incentivadas a compartilharem o cuidado com o pai da criança.

Papel dos profissionais de
Saúde no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do
Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.
Tabela 5
Papel dos profissionais de Saúde no Alojamento Conjunto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. 2015.

DISCUSSÃO

A incidência de relações de coabitação (amasiadas) e monoparentais (solteiras) somadas foram de 75% das entrevistadas. Destaca-se, portanto, a diversificação das novas formas de organizações familiares resultantes do processo de evolução demográfica relacionada à atual dinâmica de vida dos adultos15. A adesão as relações informais de coabitação, que são muitas vezes temporárias, se expressa em altas taxas de nascimento entre mulheres solteiras e casais morando juntos, que apresentam maiores chances de se separarem. Este fator alia-se ainda as altas taxas de divórcio atuais entre casais que possuem relacionamentos formais15.

Das entrevistadas 15% eram solteiras. Nas últimas quatro décadas percebe-se o aumento da porcentagem de crianças que vivem sem a presença de seu pai biológico15. O conceito de "ausência paterna" ocorre quando o pai biológico ou adotivo não vive na mesma casa que seus filhos. Todavia, os pais podem ser totalmente ou parcialmente ausentes da vida familiar de seus filhos, dependendo do grau de contato e compartilhamento de cuidados com a criança15.

É importante destacar que crianças oriundas de núcleos familiares sem pais possuem maiores chances de não desenvolverem plenamente o vínculo em pauta, apresentando, como consequência, relacionamentos frágeis com seus pais, raiva ou ressentimentos15. Destaca-se também que fatores exemplificados como: baixo rendimento escolar, problemas de comportamento, e índices maiores de separação conjugal na vida adulta estão associados15.

Em relação à ocupação das entrevistadas foi possível observar altos índices de engajamento em atividades laborais das mulheres chefes de família. O mercado de trabalho ainda remunera diferencialmente homens e mulheres e considera o rendimento gerado pelo trabalho feminino como suplementar ao orçamento doméstico4. Todavia, muitas vezes, essa renda é indispensável para a manutenção da casa. Além disso, na presente pesquisa constatou-se que 26% das mulheres solteiras têm quatro ou mais filhos, o que aumenta a sobrecarga financeira e de cuidados para a mãe. A ausência do pai no núcleo familiar é um fator que contribui para o estabelecimento de baixas condições econômicas familiares15.

A presente pesquisa mostrou que mulheres casadas e amasiadas tendem a exercer atividade laboral, todavia em índices mais baixos que as mulheres solteiras. Percebe-se, portanto, que atualmente a tendência é que as mulheres trabalhem fora e desempenhem novos papéis, deste modo abre-se espaço para o cuidado paterno16. A participação do pai nos cuidados com a criança contribui positivamente para toda a extensão do núcleo familiar. Além dos benefícios para o desenvolvimento da criança, a sobrecarga de cuidados, que anteriormente ficava totalmente ao encargo da mulher, é compartilhada. Salienta-se também que vem aumentando a relação direta entre maior engajamento masculino nos cuidados com a criança e menor envolvimento com violência e substâncias psicoativas16.

A partir da análise do posicionamento das entrevistadas em relação à participação paterna observou-se que as mães em união estável e as casadas alegam que reconhecem e incentivam o envolvimento paterno no cuidado com as crianças. Todavia, a integridade do cuidado dirigido à criança por parte do homem não chega a ser compartilhado com a mulher, com responsabilização igualitária, principalmente em atividades práticas como cuidados de higiene e alimentação. Os resultados encontrados na presente pesquisa foram deste modo, congruentes com a literatura nacional; embora pesquisas apontem a importância da presença do pai no cotidiano familiar, este cuidado ainda sofre diversos empecilhos17. As mulheres reivindicam a participação masculina nas atividades domésticas e nos cuidados com os filhos, todavia não o aceitam plenamente. Este fato justifica-se pelo possível temor da categoria feminina de perder seu papel no cuidado com a criança instituído há milênios e conhecido como maternagem17.

Em relação às atividades de cuidado desenvolvidas pelo homem foi possível perceber maior envolvimento no auxílio financeiro e demonstração de afeto em detrimento de atividades cotidianas exemplificadas por: banho, escovação de dente, preparo de refeição e alimentação. O homem tende a priorizar o sustento familiar e gastar grande parte do seu dia engajado em atividades laborais, não sobrando muito tempo para conviver com sua família5. Este estereótipo é ainda incentivado pelas leis brasileiras, já que, a exemplo da licença-paternidade, percebe-se que esta não corresponde às reais necessidades da participação do pai na vida do filho, promovendo sua dispensabilidade a partir de estereótipos de gênero5.

Em relação à categoria solteiras, observou-se que as mulheres pouco estimulam a participação masculina e, ao mesmo tempo, o percentual de engajamento em atividades de cuidado pelo homem é baixo. A partir da separação afetiva do casal as responsabilidades atribuídas ao homem tornam-se pouco claras. Esse fator é agravado quando há distanciamento e perda de comunicação entre os progenitores, fato diretamente vinculado a perda de espaço do pai na vida do filho8.

Com relação às famílias que passam por uma separação conjugal alega-se que vários aspectos têm sido evidenciados. Dentre os quais, se destaca à redução do convívio dos pais, que não detém a guarda dos filhos e, nesse contexto, frequentemente o pai é acusado de estar ausente e de não cumprir seu papel18. As mulheres chefes de família tendem a assimilar o papel masculino e a admitir sua importância apenas em algumas tarefas culturalmente atribuídas ao homem pela sociedade19. Deste modo, os homens são impedidos pelas mulheres de desenvolverem habilidades de cuidado com os filhos16.

Observa-se, portanto, que apesar do homem estar mais envolvido e próximo à criança e ao cotidiano familiar, em comparação com as gerações anteriores, esse envolvimento é muito menor que o ideal e, a mulher continua sendo a responsável pelo cuidado com as crianças, cabendo ao homem papel auxiliar em atividades específicas. O papel do homem na vida do filho configura-se como de auxiliar ou de ajudante materno, numa posição indicativa de menos importância na vida do filho. O homem tem dificuldade de tomar iniciativa para se engajar na vida do filho, deste modo, é importante que a mulher e outros familiares facilitem o desenvolvimento de habilidades de cuidado20.

Este processo muitas vezes não sendo consciente, é compartilhado e até mesmo incentivado pelas próprias mulheres e pela família, já que as características estereotipadamente atribuídas ao homem apresentam relação com sua masculinidade e autoridade. Além disso, parte considerável da população masculina acredita que a mãe possui maior relevância na vida dos filhos e que são mais aptas a exercerem as atividades de cuidados21. Além disso, as ações de cuidado exercidas pelo homem são frequentemente supervisionadas por outros membros da família, geralmente figuras femininas, o que prejudica a experimentação da paternagem5.

Um dos maiores desafios dos serviços de saúde é a inserção do pai no processo de acompanhamento das gestantes e das crianças, já que as rotinas de saúde são voltadas para as mulheres. Para que isso ocorra é importante que a equipe esteja consciente da importância da presença do pai e seu impacto na saúde das crianças e, compreendam questões referentes às transformações sociais e estereótipos de gênero16.

O estimulo a participação do pai durante as consultas pré-natais do bebê é imprescindível para gerar confiança, autoestima, combatendo dúvidas e inseguranças que acabam por impedir o desenvolvimento da ligação afetiva com o neonato e com a esposa durante o período de gravidez22. E, se o homem não participa nessa etapa, isso poderá refletir no compartilhamento do cuidado posterior com a criança10. Daí a importância dos serviços de saúde adotarem ações humanizadas que permitam que o pai desenvolva habilidades de cuidado com o filho e torne-se mais seguro e autônomo para desempenhar estas práticas20.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo apontam que as mulheres reconhecem a importância do pai, contudo, tendem a restringir sua participação e vincular a paternagem ao mero auxílio prestado à mulher.

Os pais, além de serem importantes para o desenvolvimento infantil e para a formação de sua afetividade são também considerados capazes de providenciarem os cuidados habitualmente associados à maternagem. Advém daí a importância dos profissionais de saúde trabalharem com o público feminino a superação das características culturalmente atribuídas ao papel do homem, para que este possa desenvolver habilidades diversificadas e que atendam integralmente as demandas de uma criança.

É importante que a paternidade seja vivenciada de forma equânime com as tarefas femininas, não apenas de modo participativo, mas a permitir o repensar e a habituação de tarefas. Em relação às mulheres solteiras, observa-se que estas compõem um grupo de risco à vulnerabilidade social devido a sobrecarga de tarefas, risco financeiro e papéis desempenhados, o que compromete diretamente a qualidade de vida de seu núcleo familiar. Deste modo, observa-se a necessidade de um olhar voltado a esta população com o intuito de fomentar sua independência e construção de uma rede social de apoio à mulher.

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Autor notes

1 Terapeuta Ocupacional. Especialista em Saúde da Mulher na modalidade Residência Multiprofissional em Atenção Hospitalar. alininha_ne@hotmail.com. Brasil.
2 Terapeuta Ocupacional. Bióloga. Especialista em Terapia Ocupacional para Crianças com Disgrafia Motriz. Especialista em Tanatologia. Mestre em Educação. Professora do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná. marias-segundas@hotmail.com. Brasil.
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