Artigos Originais

Identidade de gênero entre adolescentes escolares: abordagens sociais e psicanalíticas

Gender identity among adolescents in school: social and psychoanalytical approaches

Identidad de género entre adolescentes en edad escolar: abordajes sociales y psicoanalíticos

Rodrigo Eurípedes da Silveira 1
Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Brasil
Álvaro da Silva Santos 2
Universidade Federal do Triângulo Mineiro. , Brasil
Araceli Albino 3
Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas-NPP, Brasil

Identidade de gênero entre adolescentes escolares: abordagens sociais e psicanalíticas

Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 4, núm. 3, 2016

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Resumo: Esta pesquisa teve como objetivo identificar as normas e expectativas sociais que permeiam o imaginário do(a) adolescente no tocante à construção de sua identidade de gênero. É um estudo qualitativo realizada com adolescentes de uma escola pública municipal de uma cidade do interior mineiro, que usou como técnica de coleta o grupo focal, e para organização dos dados, a análise de conteúdo temática. Verificou-se 11 categorias entre os (as) adolescentes, das quais sete relativas à identidade positiva e quatro ligadas à identidade negativa. Verificou-se a existência de traços identificatórios constitutivos na formação da sexualidade masculina e feminina, o que indica que estão inseridos dentro de um padrão normativo sexual e social. Uma visão de machismo, possivelmente perpetuado pela família e escola também foi verificado. O papel de cuidadora, de reprodução humana e da busca da beleza a todo custo, se mostrou na fala das meninas. Tais resultados mostram a necessidade de melhor formação aos professores para lidarem com estes conceitos, bem como, a inclusão de ações de educativas com as famílias para a possibilidade de melhores relações entre os gêneros, num grupo em processo de desenvolvimento psicossocial.

Palavras-chave: Identidade de gênero, Adolescente, Saúde escolar.

Abstract: This research aimed to identify the standards and social expectations that permeate the imagination of adolescents as regards the construction of your gender identity. This is a qualitative study conducted with teenagers from a public school hall of an inner city Miner of Brazil, who used it as a data collection technique the focal group, and organization of data, the analysis of thematic content. It was found 11 categories among the teenagers, seven of which concerning the identity positive and four negative identity related. It was verified the existence of trace constituent in the formation of the identificatory male and female sexuality, which indicates that they are inserted in a sexual and social normative standard. A vision of male chauvinism, possibly perpetuated by the family and school was also verified. The role of caregiver, human reproduction and the pursuit of beauty at all costs, turned in the speech. Such results show the need for better training for teachers to deal with these contents, as well as the inclusion of educational actions with families for the possibility of better relations between genders, with a group on psychosocial development process.

Keywords: Gender identity, Adolescent, School health.

Resumen: Esta investigación tuvo como objetivo identificar los estándares y las expectativas sociales que permean la imaginación del adolescente en cuanto a la construcción de su identidad de género. Se trata de un estudio cualitativo realizado con adolescentes de una escuela pública municipal de una ciudad del estado de Minas Gerais, Brasil, y, que utilizó como técnica de colecta de datos el grupo focal y para la organización de los mismos, el análisis de contenido temático. Se encontraron 11 categorías entre los adolescentes, siete con respecto a la identidad positiva y cuatro con la identidad negativa. Se verificó la existencia de trazos identificativos constituyentes en la formación de la sexualidad masculina y femenina, que indica que están insertados en un estándar normativo social y sexual. También se verificó una visión propia del machismo, posiblemente perpetuado por la familia y la escuela. El papel de cuidador, reproducción humana y la búsqueda de la belleza a toda costa, es verificado en los discursos. Estos resultados muestran la necesidad de una mejor capacitación para los profesores hacer frente a estos contenidos, así como la inclusión de acciones educativas con las familias, buscando la posibilidad de mejorar las relaciones entre los géneros, con un grupo en proceso de desarrollo psicosocial.

Palabras clave: Identidad de género, Adolescente, Salud escolar .

INTRODUÇÃO

Estudar a sexualidade entre a população adolescente nos últimos anos se tornou um dos principais enfoques das ciências médicas em nível mundial, que ao abordarem a perspectiva de gênero, abarcam um importante objeto de estudo engendrado no âmbito das ciências sociais. Algumas das razões que transformaram a sexualidade em um dos fenômenos mais estudados nas últimas décadas se referem ao aumento significativo dos índices de gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) na população jovem1.

As características que configuram a transição da infância para a idade adulta, expressa por marcantes transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, condicionam a adolescência como um dos estágios mais especiais e marcantes na condição de desenvolvimento do ser humano2.

É neste percurso que o interesse sexual se desperta, enquanto o indivíduo através de seus desejos busca uma identidade de gênero. Entretanto, a cultura social imprime nas pessoas, desde a tenra idade, as diferenças marcantes entre o masculino e o feminino3. Neste aspecto, se podem citar os inúmeros embates que levantaram o estandarte do “Movimento Feminista”, na luta das mulheres contra o contexto de subordinação e submissão ao qual estavam historicamente inseridas. Apesar de inúmeras derrotas e massacres, as mulheres conquistaram a garantia dos direitos políticos de votar e de serem eleitas; direitos sociais e econômicos, como trabalho remunerado; estudo; propriedade e herança; até conquistas que não se imaginariam em algumas décadas atrás, como o direito ao corpo, ao prazer e à sexualidade4.

A aquisição da identidade de gênero e o processo global da socialização do masculino ou do feminino estão intimamente ligados às primeiras vivências do indivíduo. Logo após o nascimento, a primeira identificação da criança com seu corpo se dá através dos seus órgãos sexuais, e a partir desse momento o ser começa a receber mensagens sobre o que a sociedade espera desta menina ou menino3.

Estes elementos constitutivos terão efeito mais tarde na construção da identidade do adolescente, na qual é importante considerar os processos sociais e culturais que ele experimentou, como a inserção na escola, religião, e outros. De acordo com Bretas et al. (2011)2: “A identidade constitui-se talvez, o fator central do gênero e da sexualidade, tendo em vista a identificação desta enquanto processo constante de mudança, como também nas suas implicações para a experiência da vida sexual”.

Há que se considerar ainda que a iniciação sexual pode ser estimulada, entre outros fatores pela difusão dos próprios pares, num comportamento sexual culturalmente instituído, em que existe uma pressão em torno do homem para que este inicie sua vida sexual o mais cedo possível; e, para as mulheres que haja um controle maior de seus impulsos e desejos sexuais, valorizando um sentimento de “entrega” em relação ao ato sexual; o que reafirma as relações de gênero, presentes no cenário da iniciação sexual5.

Os adolescentes estão envolvidos numa rede de vínculos de amizade inerente ao ambiente escolar que constitui um espaço fundamental de socialização e de definição do caráter. Os seus pares estão inseridos e sujeitos aos padrões normativos de comportamento sexual, e ao mesmo tempo, reforçando suas relações com o grupo5.

Como premissa para este estudo, se considera a escola enquanto o ambiente em que o adolescente experimenta a maioria de suas interações sociais; recebe instruções acerca de valores e padrões afirmados pela sociedade, bem como têm a possibilidade de manifestar sua sexualidade; e ainda, a construção da identidade de gênero, que mais tarde definirão a inserção deste indivíduo em suas relações sociais.

Desta forma, o objetivo deste estudo foi identificar as normas e expectativas sociais que permeiam o imaginário do (a) adolescente no tocante à construção de sua identidade de gênero, em especial sobre a aceitação ou não deste indivíduo acerca do gênero ao qual pertence.

MÉTODO

Este estudo é parte do Projeto de Extensão com interface à Pesquisa: “O Protagonismo Juvenil como Estratégia de Intervenção Familiar e Comunitária no Residencial 2000”; cujas atividades envolviam alunos de 7ª e 8ª série do ensino fundamental de uma escola de ensino público de Uberaba, Minas Gerais, Brasil.

Trata-se de uma investigação exploratória, de abordagem qualitativa, realizada pela técnica de grupo focal, que possibilita analisar, de forma eficiente e em curto tempo, os problemas apontados por determinada população, examinando suas percepções, opiniões, expectativas, representações socioculturais e outras6.

Para tanto, foram constituídos dois grupos, um feminino e outro masculino, que se justifica pela necessidade de fazer com que os participantes se sentissem à vontade para expor seus pontos de vista, sem qualquer tipo de intimidação que poderia ocorrer na presença de membros do sexo oposto. Cada grupo tinha 9 participantes com idade entre 14 e 17 anos, seguindo o objetivo central e constituindo uma amostra intencional.

A dinâmica das sessões de grupo focal incluía a apresentação dos participantes; a dinamização do grupo, através de técnicas específicas para tal e a produção de conhecimento propriamente dita, através de um roteiro previamente elaborado. Desta maneira, foram realizados dois encontros de aproximadamente duas horas cada, no mês de fevereiro de 2011 - para cada grupo (masculino e feminino), das quais além da participação dos pesquisadores, se contou com o envolvimento dos profissionais de saúde da Unidade de Saúde da Família da região adscrita à escola em questão.

As questões norteadoras deste trabalho foram: Por que eu gosto de ser Homem? E por que não gosto de ser homem? (para os garotos); e, Por que eu gosto de ser Mulher? E por quê não gosto de ser Mulher? (para as garotas).

Para a interpretação dos dados se utilizou a análise de conteúdo, sob a ótica do referencial de Bardin (2011)7, que entende esta técnica como:

(...) um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos a descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção / recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Pelo pressuposto da análise de conteúdo, tal técnica permite explicitar e sistematizar o conteúdo das mensagens e a expressão do conteúdo do relato dos sujeitos, para que se construam deduções lógicas e justificadas, referentes à origem das mensagens do estudo, respeitando as questões políticas, psicológicas e sociológicas das expressões dos adolescentes aqui estudados. Desta forma, procedeu-se a identificação das variáveis temáticas para a criação das categorias, observando-se a saturação dos dados, sem que houvesse julgamentos de valor por parte dos pesquisadores.

Os relatos foram gravados e posteriormente transcritos. Por sua vez, um pesquisador conduzia o grupo, os demais observavam outros aspectos por vezes subjetivos visibilizados e de importância ao estudo. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro através do protocolo nº1764/2010, em consonância com a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. A participação dos estudantes foi condicionada à assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido por seu responsável, uma vez que a pesquisa foi desenvolvida com menores de 18 anos.

RESULTADOS

Após a transcrição dos relatos colhidos, procedeu-se à análise de conteúdo dos mesmos, através da qual foram verificadas três categorias envolvendo a identificação positiva com o gênero entre os homens e quatro para as mulheres. Com relação à identificação negativa se obtiveram duas categorias nos meninos e duas relativas às meninas, totalizando 11 categorias.

A) Identificação Positiva

- Meninos

Nas categorias extraídas das representações sobre o porquê os garotos gostam de ser homem, verificaram-se as seguintes categorias: A liberdade masculina em âmbito social; O homem se relaciona melhor por suas qualidades; e, O homem não precisa assumir o trabalho doméstico.

A liberdade masculina em âmbito social

As falas apresentadas dão a ideia de que a liberdade masculina é socialmente dada.

“Tenho mais liberdade por ser homem, porque sou visto de um modo diferente pela sociedade...” (M5)

“Tenho mais liberdade e o fato de ser homem impõe respeito”(M6)

“Sendo homem somos mais respeitados, podemos criar leis e diversões para nós mesmos...”(M8)

O homem se relaciona melhor por suas qualidades

As descrições apresentadas se direcionam a características verificadas pelos pesquisados na condição “de ser homem”

“Gosto de ser homem porque encontro maior facilidade de relacionar com as pessoas na sociedade em que vivo”(M1)

“Acho que o homem é mais carinhoso, atencioso, simpático” (M3)

O homem não precisa assumir o trabalho doméstico

A determinação dos afazeres domésticos como não sendo ligados ao “ser homem” se mostra e parece condicionar uma melhor satisfação pela identidade ao gênero.

“O homem não precisa de arrumar a casa, lavar a louça, etc.”(M4)

“O homem sofre menos que as mulheres .. não tenho tantos deveres a cumprir em casa, e tenho prioridade nas coisas que faço” (M5)

“Quando chego em casa não preciso arrumar nada” (M6)

- Meninas

No que se refere às representações sobre o porquê gosta de ser mulher pelas garotas pesquisadas verificou-se as seguintes categorias: A mulher é aceita por sua vaidade; A mulher é mais segura e sensível; A mulher é responsável pela geração de um novo ser e o cuidado da família; e, Ser mulher tem algumas vantagens.

A mulher é aceita por sua vaidade

A questão de chamar a atenção demonstrada em geral pela aparência, roupa, adornos e outros, evidenciam nas pesquisadas parte de sua identidade de gênero.

“Gosto de chamar a atenção por onde passo, de receber cantadas.”(F3)

“A mulher pode arrumar o cabelo, as unhas, usar brincos grandes, salto alto, roupas curtas.” (F8)

“É bom mudar os estilos de cabelo, das roupas, usar piercings, sandálias e conquistar só com o olhar.” (F9).

A mulher é mais segura e sensível

Ser segura de si e maior sensibilidade são referencias apresentadas pelas meninas pesquisadas, nas falas apresentadas.

“A mulher recebe mais elogios, é mais confiante de si, seu alto astral anima qualquer lugar.” (F2)

“(...) somos independentes, seguras de si (...)”(F4)

“Ela é mais sensível e ama mais.”(F8)

A mulher é responsável pela geração de um novo ser e o cuidado da família

A questão de gerar um novo ser, do cuidado da família são valoradas pelas meninas que forma pesquisadas.

“ A mulher pode (...) gerar uma criança, tem instinto materno (...). (F1)

“Tem uma importância fundamental em relação a um filho e é a dona da casa.” (F2)

“Se preocupa com sua saúde e de seu parceiro.”(F9)

Ser mulher tem algumas vantagens

O pagamento de contas e maior expectativa de vida é colocada pelas pesquisadas como vantagens em ser mulher.

“(...) aonde vou sempre o homem que paga.”(F5)

“Mulher vive mais que os homens.” (F9).

B) Identificação Negativa

- Meninos

Nos garotos pesquisados evidenciaram-se as seguintes categorias: Há uma cobrança social sobre o homem; e, Ser homem é mais sofrido, pois sofre e pratica preconceito.

Há uma cobrança social sobre o homem

O outro lado da moeda em ser forte, provedor, responsável e outros adjetivos de viés social são apontados pelos meninos pesquisados.

“Porque o homem é muito nervoso e se envolve em encrenca fácil...”(M1)

“Porque tudo que acontece é culpa do homem...”(M4)

“Porque o homem tem que tomar sempre a iniciativa...”(M6)

“Porque o homem tem que arcar com tudo dentro de casa, fazer as compras...”(M7)

Ser homem é mais sofrido, pois sofre e pratica preconceito

É reconhecível nas falas que o homem pratica e sofre preconceito e por isto sofre mais, no suposto lado de ter que ser socialmente visto como “forte”.

“O homem pratica e sofre mais preconceito.” (M3)

“O Homem sofre mais...” (M8)

“Por causa do preconceito que criamos (...) e por causa do exame de próstata”(M9)

- Meninas

Nas garotas pesquisadas verificaram-se duas categorias, a saber: A mulher tem mais sofrimento físico e psíquico; e, A mulher tem mais obrigações familiares e menos liberdade.

A mulher tem mais sofrimento físico e psíquico

Aspectos ligados a questão biológica e de desenvolvimento da mulher são apontados como ponto negativo em ser mulher, bem como a questão da maior sensibilidade, inclusive nas relações amorosas.

“Mulher menstrua e sente cólica, sofre bem mais com o fim de um relacionamento.” (F1)

“A mulher sempre sofre, ao dar a luz, na TPM, no serviço com o preconceito, pra se arrumar, na relação sexual.” (F3)

A mulher tem mais obrigações familiares e menos liberdade

As exigências socioculturais determinadas às mulheres desde a pressão dos pais, o trabalho doméstico e a própria vida amorosa são apontadas como dificuldades de ser mulher.

“(...) não da conta de fazer o que o homem faz.” (F1)

“ (...)tem que trabalhar em casa (...)” (F5)

“Os homens podem mais que as mulheres, temos de ficar presa em casa, os pais estipulam idade para namorar, tem de ter relação sexual.” (F9)

DISCUSSÃO

O presente artigo faz uma abordagem da sexualidade de gênero masculino e feminino apontando aspectos de comportamentos emoldurados por crenças e valores advindos da cultura.

A pesquisa de campo com adolescentes de ambos os sexos deu base para a investigação das diferentes posições dos adolescentes do sexo masculino e do sexo feminino quanto à abordagem de ser homem ou ser mulher, tanto no aspecto positivo ou negativo.

Desde as épocas mais remotas se verifica maior liberdade de ações por parte do sexo masculino, seja na vida pública, social e familiar; no assumir responsabilidades e postos de maior prestígio. Apesar disto, nos últimos tempos por vários motivos se tem alcançado melhores condições às mulheres. Num recorte histórico da contemporaneidade acerca de algumas conquistas da condição da mulher, se verifica aspectos a partir da Constituição de 1988, mas ao mesmo tempo se verifica o quanto ainda é necessário mudanças neste cenário8.

É possível que o machismo ainda impregnado na sociedade (hoje menos explicito, mas não menos danoso, tenha sido assimilado, que mesmo inconsciente, tanto homens como mulheres o praticam e o aceitam. A possibilidade de melhores relacionamentos sociais e até afetivos é menos pelo gênero e mais por qualidade da personalidade construída ao longo da vida de uma pessoa. A heteronormatividade9 traz em si através do suposto cavalheirismo aspectos de um machismo velado.

Como parte da divisão sexual do trabalho e da liberdade, que mantém as distâncias no gênero e as desigualdades ás mulheres, é importante destacar como possivelmente as próprias mães destes são responsáveis pela perpetuação do machismo. Isto, pois, ou não direciona trabalhos aos meninos, assumindo-os ou direcionando as meninas se houverem. Não assumir parte do trabalho doméstico na adolescência pode fazer com que isto seja assimilado como normal e até gerar neste futuro homem dificuldades de se autocuidar, se por acaso estiver só em momentos de sua vida, de apoiar a esposa no trabalho e na divisão de tarefas, dentre outros. Um estudo português mostra que há uma tendência de que comunidades mais jovens passem a assumir mais o trabalho doméstico, mas ao mesmo tempo, é verificado em todos outras faixas etárias a predominância da mulher assumindo tais atividades10.

É como se houvesse a "naturalização coletiva e social" do trabalho doméstico ser direcionado a mulher e, desde cedo ela o assume. As meninas se veem como mais vaidosas e isto as fazem se perceberem mais aceitas na sociedade, família e por elas mesmas, mesmo a um possível custo alto (em várias esferas – econômica, social, de sofrimento corporal e outras), o que precisa ser revisto na atualidade, pois a questão da vaidade é hoje também um padrão de exigência masculina, que recentemente passa a ser aceito. O fato de a pesquisa ser feita numa comunidade carente pode justificar um olhar rígido ao sexo masculino em garotas, em processo de desenvolvimento biológico, social, cognitivo, cultural.

Ser sociável e sensível, não parece ser um atributo necessário, mas esperado da mulher. Quanto ao homem, se imagina alguém egoísta, pouco confiável e insensível, que não pode chorar e expor seus sentimentos. Os papéis de gênero vão além das determinações biológicas, é antes de tudo uma construção cultural11. Mesmo que em comunidades carentes isto possa ser verdade, é possível que seja uma realidade que deva ser revista e mudada, a bem de melhores relações familiares e sociais das mulheres e dos próprios homens, que não necessitam carregar um estereotipo de durões, insensíveis e outros.

A geração de um novo ser como apontado, não depende só da mulher, a gestação e o parto sim. Excluir o homem desta referencia pode hipervalorizar a sua importância apenas no encontro de órgãos reprodutores e na manutenção possível de sua irresponsabilidade pelo cuidado dos filhos, mesmo que isto tenha se visto ao longo da história. Da mesma forma, pensar no homem apenas com a responsabilidade econômica é de um lado minimizar demais a capacidade de humano do gênero masculino, e, de outro mantê-lo no cômodo espaço de responsabilidade de cuidado por parte da mulher, e, além disto, sobrecarregar as responsabilidades desta. Esta mudança (parece salutar) começar pela própria mulher - destaque aqui deve ser dado às mães destes meninos e meninas. Um estudo paulista mostra que a desigualdade de gênero de fato começa na infância e deve ser revista a começar pelas mães, que devem apresentar aos meninos a necessidade do apoio doméstico, bem como oferecer as meninas maiores possibilidades de lazer12.

O suposto lado positivo de se ser mulher (quando do homem assumir as contas), ou até mesmo porque vive mais não parece condizer com os rumos futuros da humanidade, que busca na tecnologia uma possibilidade mais justa de relação entre os gêneros, uma melhor qualidade de vida para ambos. Ao mesmo tempo, ter certas cobranças sociais pode tornar o fardo masculino um pouco pesado. Quando isto é reconhecido pelo próprio gênero, pode ser sinal de que não parece algo que se queira perpetuar quando se busca a felicidade e melhora das relações entre os gêneros.

Não parece ideal também, admitir que o homem tenha que ser duro, insensível, sempre responsável por tudo. Talvez isto esconda as causas de um homem mais estressado, explosivo, e que possa desenvolver agravos crônicos que possam além de desqualificar sua vida (complicações de agravos crônicos, por exemplo) ainda ter menor expectativa de vida. Um estudo aponta que há aspectos biológicos, sociais e mais do que isto psíquicos que vão alteraram a expectativa de vida de homens e mulheres13. Notadamente os papeis sociais determinados aos gêneros tem importante influência psíquica e devem ser compreendidos para que a questão de ser mulher ou homem nesta sociedade alcancem condições mais equânimes.

Parece não ser demais afirmar que os próprios homens desde cedo são treinados a serem cruéis uns com os outros, que estão em constante disputa desleal (modos estimulados pela própria família, às vezes reforçado pela sociedade). Esta rigidez de comportamentos não é saudável a uma vida com qualidade. Chorar, viver um fracasso, perder algo parecem situações que não são compatíveis com o ser homem no contexto mostrado nas representações dos meninos e meninas pesquisados. Reconhecer tal atitude preconceituosa pode ser uma abertura para mudar essa realidade numa sociedade que deve ser plural e inclusiva. A possível completude histórica do homem, que é uma determinação social do grupo e da cultura traz em si desigualdades e ao mesmo tempo, o peso do gênero, ora a mulher e ora ao homem, que precisa ser refletida, historicizada, compreendida e amadurecida, para uma possível mudança14.

Enfatizou-se no grupo de garotas pesquisadas a questão de eventos biológicos comuns ao gênero, mostrando o desconhecimento e a naturalização de certos "sofrimentos" em detrimento do uso da tecnologia biomédica no controle de tais eventos, talvez porque suas ancestrais lhe passam a ideia de que estes desconfortos são esperados a toda mulher, pois que foi comum em suas vidas.

Acrescenta-se a isto, um olhar sexista/machista da própria garota sobre alguns eventos socialmente também naturalizados, como maior satisfação sexual por parte do homem, preconceitos contra a mulher, assumir a carga do trabalho doméstico e ficar em casa.

As obrigações familiares e a menor liberdade é algo naturalizado já em garotas, o que precisa ser mudado nas famílias, nos novos arranjos familiares, e até nas políticas públicas voltadas as mulheres. Obrigações familiares precisam ser negociadas, divididas, ou até assumidas por uma terceira pessoa, se a opção de um casal, por exemplo, for o trabalho, assim como o próprio cuidado dos filhos que pode ser num tempo de um dos cônjuges, ou ainda, estar numa instituição cuidadora e educadora (creche, por exemplo). Aponta-se como importante a releitura das organizações familiares e o luto necessário (e as vezes difícil) que se tem de arranjos familiares tradicionais; outrossim, esta "nova família" tem significantes conscientes e inconscientes que engendram a ordem social15. Rever as várias possibilidades e outras realidades da qual o mundo vem passando, e isto, até em debates, pode melhorar a percepção de garotas e garotos sobre o mundo atual.

Segundo a teoria de gêneros, há traços identificatórios constitutivos na formação da sexualidade masculina e feminina, o que indica que estão inseridos dentro de um padrão normativo sexual e social. A visão teórica de Sigmund Freud16, não considera a questão do gênero como sexual, mesmo sendo um processo da cultura, como um elemento constituinte da sexualidade.

A sexualidade para Freud é o resultado de representações inconscientes vivenciadas na primeira infância (0 a 8 anos). É um sistema organizador do psiquismo e não só refere-se à questão do sexo, mas também, a constituição de uma identidade pessoal e singular. O processo de sexuação, especificamente, é um caminho complexo e enigmático, que segundo a teoria psicanalítica independe dos genitais e dos aspectos sociais, mas sim, das representações subjetivas do inconsciente16.

A teoria da sexualidade freudiana é bissexual. Freud fala que os seres humanos possuem “características ao mesmo tempo masculinas e femininas”16, há por isto, vestígios anatômicos e psíquicos. Os órgãos genitais e os aspectos sociais não garantem a masculinidade e nem a feminilidade. Ambos os sexos são constituídos a partir de uma organização fálica, a partir de um único órgão, o pênis17.

O pênis adquire o status de diferença que direciona a libido para a identificação do Eu e da sexualidade. Este processo é denominado por Freud como Complexo de Édipo. O complexo de Édipo é um período da primeira infância (4 a 6 anos) onde a criança busca uma identidade pessoal e sexual. O menino vai identificar-se com a figura paterna, tendo como objeto de desejo o sexo oposto (mãe); já a menina identifica-se com a mãe e vai ter o objeto de desejo o seu sexo oposto (pai). É uma forma de organização complexa que direcionará a libido para uma constituição heterossexual, homossexual e bissexual, dependendo de como a criança se arranja psiquicamente para lidar com o Complexo de Castração. Desta forma, Freud demonstra teoricamente que a sexualidade é singular e depende dos processos identificatórios inconscientes advindos das relações de dependência da criança com as figuras parentais. Para ele, a diferença entre os sexos está fundamentada na articulação entre o Complexo de Édipo e o Complexo de Castração16,17.

Por outro lado, Jacques Lacan, psicanalista contemporâneo de Freud lança a pergunta: O que é ser uma mulher? O que é ser um homem? Para ele, a sexuação vai além da lógica fálica, o real do sexo é inacessível, o que importa é que a identidade sexual seja simbolicamente reconhecida pela palavra do Outro, este que ampara, acolhe e cuida da criança no mundo18.

Afirmar que os homens e as mulheres possuem características que lhes permitem responder a questão o que é do masculino ou do feminino é limitado; é ignorar a singularidade psíquica. Pode-se inferir que as respostas da investigação dada pelos adolescentes de ambos os sexos foram manifestadas de acordo com as representações psíquicas, adquiridas nas relações com as figuras parentais nos quais são submetidos, inconscientemente ao jugo filogenético; é deste lugar que somos falados19.

Em estudo realizado nos Estados Unidos, observou-se substancial incongruência entre as dimensões comportamentais e de identidade, de orientação sexual, que variou entre sexo e raça/etnia. Considerando que as meninas eram mais propensas a se identificarem como bissexuais, os rapazes mostraram uma forte associação entre comportamento homossexual e uma identidade bissexual, além de considerarem distintos os significados do ser masculino e feminino, mediante sua identidade e comportamento, variando conforme sua orientação sexual20.

Além das reflexões aqui apresentadas, é importante que se tenha o cuidado de fazer com que o conhecimento, seja ele teórico ou prático, seja da ótica da psicanálise, da teoria dos gêneros ou de outras visões apoiadas na teologia, filosofia, antropologia, psicologia, não sirvam para incitar, sustentar e fomentar a diferença como desigualdade. Que o conhecimento não seja um dispositivo para a criação de preconceitos e pseudas práticas em nome da ciência. A diferença dos sexos, os atributos de gêneros só podem ser pensados dentro de uma historicidade e de uma constituição psíquica; assim, é perigoso encaixotar o sujeito dentro de um pensamento rígido e único, esquecendo de que há uma singularidade.

CONCLUSÃO

Este estudo teve como proposta identificar as normas e expectativas sociais que permeiam o imaginário do (a) adolescente no tocante à construção de sua identidade de gênero.

A adolescência por si só pressupõe uma série de contextos que perpassa por questões sociais, culturais, biológicas, e tão importante quanto estas, os aspectos emocionais e construção das suas identidades (entre elas a de gênero).

A construção da vida psíquica em momentos anteriores - infância, sobretudo na dinâmica da sexualidade (pressuposto básico na ótica psicanalítica) pode iniciar já ai a sua identidade, com as referências paternas ou maternas.

Associado a isto, a inserção na escola, o modo como a família esteja estruturada, a religião professada pela família e grupo social, a presença ou não de vulnerabilidades sociais e tantos outros aspectos, vão dar a tônica de como a sexualidade, na estrutura psíquica e a identidade de gênero se colocam.

Na dinâmica sociocultural existem definições de como se espera, se imagina ser homem ou mulher. Contrariar estas regras pode significar a criação de conflitos que com certeza vão interferir na vida do adolescente, que ainda não tem a sua maturidade física e emocional dada.

A questão do machismo nos (as) adolescentes está mostrada nas falas, e isto por vezes aponta contextos favorecedores ao homem (não fazer trabalhos domésticos, por exemplo), mas também desfavoráveis (como ter que assumir finanças), e outras questões como sofrer e criar os próprios preconceitos sofridos.

No caso das adolescentes a beleza física, o assumir responsabilidades domésticas, e ainda, ter por tudo isto menor liberdade e mesmo as questões biológicas são ressaltadas.

Parece que o aspecto da primazia humana deveria ser a busca de se ter uma vida mais digna e com menos cobranças sociais e culturais e, até emocionais da própria pessoa.

A busca de uma maior interação entre os gêneros é uma necessidade e a escola tem papel importante nesta construção, em pessoas que ainda estão consolidando suas vidas.

Por outro lado, embora perpassando os limites deste estudo, é possível que trabalhar com os professores aspectos ligados ao reconhecimento de que diferença não deva ser elemento que faça um gênero mais sofredor que outro. Ver na diferença a completude é talvez a busca de um viver mais humano. Além da escola, as famílias, se mostram como espaço de intervenção psicossocial, num recriar de relações mais amigáveis e saudáveis entre os gêneros.

Não assumir as diferenças de gênero é talvez negar tal diferença. Mas ao mesmo tempo não se é tão diferente assim (em sendo mulher ou sendo homem), é possível se viver na comunidade, nas famílias com o respeito às diferenças, na busca de uma vida melhor. Considerar isto em uma pessoa ainda em processo de formação como o adolescente (sobretudo em ambiente escolar) é rever as necessidades de apoio às famílias e, aos docentes, para uma maior atenção aos adolescentes.

Aspecto também importante é que os serviços de saúde precisam deixar o espaço confortável "de que relações de gênero não seja sua responsabilidade" e assumir que as definições de papel de gênero podem ser aspectos que levem a desqualificação da vida, a somatização de doenças, e, até mesmo a vinda de agravos. Parece que incluir um trabalho conjunto do setor educação com a saúde seja o mais coerente.

REFERÊNCIAS

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Autor notes

1 Enfermeiro. Pós graduando em Psicanálise pelo Núcleo de Pesquisas Psicanalíticas (NPP) - São Paulo, SP/Brasil. Mestre em Ciências da Saúde. Doutorando em Ciências pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. rodrigo_euripedes@hotmail.com. Brasil.
2 Enfermeiro. Especialista em Saúde Pública. Pós graduando em Psicanálise pelo NPP. Mestre em Administração em Serviços de Saúde. Doutor em Ciências Sociais (Antropologia). Pós Doutor em Serviço Social. Professor Adjunto IV do Departamento de Educação e Enfermagem em Saúde Comunitária e Pós Graduação em Atenção em Saúde e Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. alvaroenf@hotmail.com. Brasil.
3 Psicóloga. Psicanalista. Especialista em Psicanálise e Linguagem. Especialista em Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea. Especialista em Psicoterapia e Psicodinâmica de Adultos. Doutora em Psicologia. Coordenadora do Curso de Formação em Psicanálise e Diretora do NPP. araceli.albino@uol.com.br. Brasil.
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