Artigos Originais
Eficácia do peróxido de hidrogênio na remoção de pigmentações em compósito bulk fill
Effectiveness of hydrogen peroxide in removing bulk-fill composite pigmentations
Eficacia del peróxido de hidrógeno en la remoción de pigmentaciones en composite bulk fill
Eficácia do peróxido de hidrogênio na remoção de pigmentações em compósito bulk fill
Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 7, núm. 2, pp. 135-144, 2019
Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Recepción: 01 Octubre 2018
Aprobación: 09 Enero 2019
Resumo: O estudo teve como objetivo avaliar in vitro a eficácia do agente clareador Whiteness HP Blue Calcium 35% (FGM) na remoção de pigmentos em resina composta bulk fill. Utilizou-se uma abordagem indutiva em laboratório no período de agosto de 2017 a outubro de 2017. A amostra foi composta por 30 espécimos confeccionados a partir da resina Filtek Bulk Fill (3M ESPE), separados em 3 grupos, contendo água destilada (controle), e os agentes pigmentantes: café e vinho. Realizou-se avaliação inicial da cor (baseline). Em seguida, foram feitas três sessões de aplicação do gel clareador. Os dados foram submetidos aos testes estatísticos Friedma, Kruskal-Wallis, Mann-Whitney e Wilcoxon (p<0,05). Houve diferença significativa na cor em cada etapa analisada (p=0,00; p=0,00; p=0,00; p=0,001 respectivamente). Os grupos imersos no café e no vinho alteraram suas cores após o clareamento (<0,001). Concluiu-se que o gel clareador Whiteness HP Blue Calcium 35% foi capaz de clarear as manchas provenientes dos agentes pigmentantes.
Palavras-chave: Clareamento dental, Peróxido de hidrogênio, Pigmentação.
Abstract: The study aimed to assess in vitro the effectiveness of the bleaching agent Whiteness HP Blue Calcium 35% (FGM) in removing pigments in bulk-fill resin composite. It was used an inductive approach in the laboratory, from August to October 2017. The sample comprised 30 specimens made from Filtek Bulk Fill (3M ESPE) resin, divided into 3 groups, containing distilled water (control) and the stain agents: coffee and wine. Initial assessment of color (baseline) was performed. Then, three sessions were done applying the bleaching gel. Data were subjected to statistical tests Friedma, Kruskal-Wallis, Mann-Whitney and Wilcoxon (p<0.05). There was significant differences in color in each stage analyzed (p=0.00, p=0.00, p=0.00, p=0.001, respectively).The groups immersed in coffee and wine changed their colors after bleaching (<0.001). It was concluded that the bleaching gel Whiteness HP Blue Calcium 35% was able to lighten the pigments from the stains agents.
Keywords: Tooth bleaching, Hydrogen peroxide, Pigmentation.
Resumen: El estudio tuvo como objetivo evaluar in vitro la eficacia del agente blanqueador Whiteness HP Blue Calcium 35% (FGM) en la remoción de pigmentos en resina compuesta bulk fill. Se utilizó un abordaje inductivo en laboratorio en el periodo de agosto de 2017 a octubre de 2017. La amuestra fue compuesta por 30 espécimen confeccionados a partir de la resina Filtek Bulk Fill (3M ESPE), separados en 3 grupos, conteniendo agua destilada (control), y los agentes pigmentarios: café y vino. Se realizó evaluación inicial del color (baseline). En seguida, fueron hechas tres secciones de aplicación del gel blanqueador. Los datos fueron sometidos a los tests estadísticos Friedma, Kruskal-Wallis, Mann-Whitney y Wilcoxon (p<0,05). Hubo diferencia significativa en el color en cada etapa analizada (p=0,00; p=0,00; p=0,00; p=0,001 respectivamente). Los grupos inmersos en el café y en el vino alteraron sus colores después del blanqueamiento (<0,001). Se concluyó que el gel blanqueador Whiteness HP Blue Calcium 35% fue capaz de blanquear las manchas provenientes de los agentes pigmentarios.
Palabras clave: Blanqueamiento de dientes, Peróxido de hidrógeno, Pigmentación.
INTRODUÇÃO
tualmente, devido à padronização de um novo conceito de beleza, a busca por tratamentos odontológicos estéticos atinge níveis cada vez maiores. Os pacientes anseiam por dentes alinhados, com contornos ideais e cada vez mais brancos1,2.
A cor e a forma do dente são fatores importantes para os pacientes que desejam melhorar a estética do seu sorriso2. Resinas compostas são amplamente utilizadas na Odontologia, sendo um dos mais populares materiais estéticos, devido à sua coloração semelhante à estrutura dentária e a sua capacidade de se ligar à dentina e ao esmalte3.
Entretanto, a estabilidade da cor durante toda a vida funcional das restaurações é de grande importância para a longevidade do tratamento4. Falha na estética, principalmente mudança na coloração, é um dos motivos mais comuns de substituição de restaurações5. Enzimas salivares, mudanças de pH, solventes orgânicos, composição iônica da alimentação, bebidas e saliva podem influenciar na qualidade da superfície das resinas compostas3.
Verificou-se que fatores intrínsecos e extrínsecos colaboram para as alterações de cor em materiais restauradores5. Fatores intrínsecos que influenciam nessa mudança de coloração envolvem alterações químicas dos materiais, devido à oxidação dos monômeros ou catalisadores, exposição à diversas fontes de energia e à imersão em água por um grande período de tempo. Já os fatores extrínsecos incluem coloração por adsorção ou absorção de corantes, provenientes de fontes exógenas, presentes na alimentação ou em bebidas, tais como café, chá e refrigerantes6,7.
Um estudo analisou8 o efeito de agentes clareadores a alteração na cor da resina composta quando imersas em diversos alimentos com corantes e verificou que a susceptibilidade do material à alteração de cor, de natureza extrínseca, é proporcional à capacidade de absorção de água do material, que por sua vez é determinada pela natureza e composição do material.
A estrutura de uma resina composta e as características das partículas têm impacto direto sobre a lisura de superfície e a suscetibilidade à mancha extrínseca. Além do material de composição, o acabamento e o polimento são procedimentos que também podem influenciar a qualidade da superfície e vinculam-se, portanto, para a descoloração precoce de resina5,8.
Mudanças de cor nas resinas compostas também podem estar relacionadas com a estrutura da sua matriz orgânica. As resinas que possuem tritilenoglicol (TEGDMA) em sua composição, que é um monômero de alta flexibilidade e diluente, apresentam níveis elevados de descoloração, devido ao seu caráter hidrófilo9. De forma contrária, o Bis-EMA, monômero hidrófobo, também pode apresentar descoloração evidente em contato com soluções1.
Uma nova classe de compósitos resinosos vem sendo introduzida no mercado, são os compósitos do tipo Bulk Fill. São indicados para realizar incrementos únicos de 4-5 mm, com uma melhor adaptação marginal nas paredes da cavidade10. Os fabricantes afirmam que ocorre uma fotopolimerização completa, diminuindo a incorporação de bolhas e contaminação entre os incrementos.
Tais vantagens são possíveis porque são compostos por monômeros especiais que permitem a modulação da reação de polimerização. Sendo assim, os compósitos apresentam-se mais translúcidos, permitindo a maior transmissão da luz11,12. Outrossim, esse material possui menor acúmulo de tensões e da deflexão de cúspide12.
Além da resina composta, outra opção de tratamento estético que foi amplamente desenvolvida nos últimos anos foi o clareamento dental. Estudos têm mostrado que o peróxido de hidrogênio é capaz de modificar a cor dos compósitos resinosos microhíbridos, nanoparticulados e microparticulados,14. A incorporação de pigmentos através de fatores extrínsecos pode repercutir no sucesso clínico e na estética dentária, pois a cor da estrutura dentária e material restaurador podem apresentar-se diferentes.
A grande maioria das pesquisas publicadas sobre o assunto concorda que a mudança de cor de restaurações após o clareamento ocorre devido a uma limpeza da superfície da resina, promovida pelo agente clareador1,13. Em contrapartida, não foi observado na literatura nenhuma revisão sistemática sobre o assunto, sendo de extrema importância para a comunidade científica e cirurgiões-dentistas um trabalho que objetivasse avaliar o potencial clareador do peróxido de hidrogênio em compósitos bulk fill. (Error 1: La referencia 13. debe estar ligada) (Error 2: El tipo de referencia 13. es un elemento obligatorio) (Error 3: No existe una url relacionada)
Em virtude do constante lançamento de novos compósitos restauradores e clareadores dentários, torna-se necessária a realização de pesquisas independentes para verificar a eficácia desses materiais. Dessa forma, o estudo teve como objetivo avaliar in vitro a eficácia do agente clareador Whiteness HP Blue Calcium 35% (FGM) na remoção de pigmentos em resina composta bulk fill.
METODO
Trata-se de um estudo com abordagem indutiva, com procedimento comparativo-estatístico e técnica de documentação direta em laboratório. As amostras foram confeccionadas com Filtek Bulk Fill (3M ESPE/ St. Paul, MN, EUA) na cor A3, totalizando 30 espécimes a partir de um molde de canudo (medindo 4 mm de altura e 4mm de diâmetro).
Com auxílio de uma espátula dupla para resina, realizou-se a inserção em único incremento, conforme indicado pelo fabricante, sobreposta a uma tira de poliéster e uma placa de vidro, para se obter uma superfície plana e sem bolhas. Em seguida os corpos de prova foram fotoativados com o aparelho Emitter C (SCHUSTER, Santa Maria, RS, Brasil), cuja intensidade da luz foi aferida acima de 800 mw/cm2, conforme leitura do radiômetro RD - 7 (ECEL) e o tempo de polimerização foi de 20 segundos, conforme as recomendações do fabricante do compósito, posicionando no centro do corpo-de-prova.
Após a fotopolimerização, com o auxílio da lâmina de bisturi, eliminou-se a matriz e os excessos do compósito, e com caneta de marcação permanente, marcou-se o lado contrário ao da leitura do espectrofotômetro digital. O quadro 1 apresenta a descrição do compósito utilizado.

Os corpos-de-prova foram armazenados em recipientes, divididos em três grupos de dez amostras. O grupo G1 (controle) permaneceu imerso em água destilada, a uma temperatura de 37°C durante 24 horas. Os grupos G2 (n=10) e G3 (n=10) permaneceram imersos em café solúvel e vinho por 72 horas, respectivamente, sendo feita trocas das substâncias a cada 24 horas. Ao término das 72 horas, foi realizada uma nova avaliação da cor com o espectrofotômetro digital.
Posteriormente, foram feitas três sessões de aplicação do gel clareador Whiteness HP Blue Calcium 35% (FGM, Joinville, SC, Brasil.), com um intervalo de 1 semana entre elas. Aplicou-se o clareador sobre a superfície da amostra, durante 40 minutos, sem a necessidade de luz fotopolimerizável, utilizando o microbrush a cada 10 minutos para aumentar a área de contato do agente clareador e evitar a formação de bolha. A cor foi aferida em cada semana correspondente.
Terminado o clareamento, foi feita uma nova aferição da cor, com os mesmos parâmetros. As amostras foram armazenadas em água destilada, a uma temperatura de 37º durante uma semana. Ao término desse período, outra sessão do clareamento foi realizada em todas as amostras, seguindo o padrão estabelecido pelo fabricante. Outra avaliação da cor foi feita e as amostras voltaram à água destilada durante uma semana. Por sua vez, a última sessão de clareamento foi feita, assim como a última avaliação da cor dos corpos-de-prova.
Aferição da cor e imersão nas substâncias
Após o período de armazenamento pós-restauração, foi feita a avaliação inicial da cor (baseline) de todas as amostras com o auxílio do aparelho espectrofotômetro digital Vita Easyshade (Vita Zahnfabrik, Bad Säckingen, Alemanha).
Para cada amostra, foram feitas três mensurações e posteriormente foi obtida uma média entre esses valores. Foram utilizados os parâmetros do sistema de espaço de cor CIEL*a*b*, que se dá através de três coordenadas: L*, a*, e b*. A coordenada L* indica luminosidade, a* é a medida do matiz no eixo vermelho-verde e a b* é a medida do matiz no eixo amarelo-azul. A fórmula usada para calcular a diferença de cor (ΔE) foi ΔE = [(ΔL)2 + (Δa)2 + (Δb)2]1/2. A leitura foi realizada sobre uma cartolina branca, sempre no mesmo local, horário e iluminação.
Os dados foram tabulados e submetidos aos testes estatísticos de Kruskal-Wallis e Friedman (p<0,05). Para verificar quais grupos diferiram de fato, foi necessária a realização dos testes Mann Whitney e Wilcoxon, com as devidas penalizações.
RESULTADOS
Após a aplicação dos testes estatísticos, constatou-se que houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos em cada momento avaliado (tabela 1). Vale salientar que as variáveis utilizadas apresentam significância para o evento ocorrer. Essas diferenças dois a dois são representadas nas colunas por letras maiúsculas. Quando as alterações de cor no decorrer do tempo foram comparadas em cada meio de imersão, verifica-se que apenas o compósito imerso em água destilada permaneceu estável. Os demais foram também avaliados dois a dois e estão representados nas linhas por letras minúsculas. (Error 4: La referencia: (tabela 1 está ligada a un elemento que ya no existe)

*Letras maiúsculas diferentes representam diferença estatisticamente significativa na coluna.
*Letras minúsculas diferentes representam diferença estatisticamente significativa na linha.
DISCUSSÃO
Recentemente, um novo compósito foi desenvolvido para reduzir o tempo da técnica de restauração incremental, o que favorece o tempo de trabalho e conforto ao paciente. Por ser novo no mercado, é necessário que maiores estudos sejam feitos em torno dele em relação à estabilidade de cor, visto que a estética hoje é um dos fatores primordiais para o bem estar e satisfação do paciente.
O estudo avaliou a capacidade de substâncias (café solúvel e vinho tinto) de ocasionar manchamento em resina do tipo Bulk Fill. Além disso, foi possível estabelecer qual bebida teve o maior poder de pigmentação e, ainda, se o Peróxido de Hidrogênio a 35% foi eficaz na remoção de tais manchas ocasionadas por bebidas comuns na dieta.
Foi comprovado que o compósito resinoso é capaz de absorver água e também outros líquidos2 Justificando, dessa forma, a mudança de cor da restauração e também a redução das propriedades mecânicas através da degradação da matriz polimérica, pois a absorção de fluido acontece diretamente através da absorção na matriz resinosa8
A matriz orgânica da resina, o tamanho das partículas, a profundidade de polimerização e os agentes com poder de manchamento são fatores relacionados à estabilidade de cor de uma resina composta1-12,15. A fotoativação deve ser bem realizada, para que o compósito obtenha propriedades mecânicas ideais. Uma polimerização deficiente pode produzir efeitos indesejáveis, devido à formação de produtos de degradação coloriméticos através dos monômeros residuais, que facilitam a penetração de solventes e corantes na matriz polimérica, a absorção de água e a solubilidade dos monômeros não reagidos, que tornam o material mais vulnerável a manchas15.
No estudo, verificou-se que os dois líquidos utilizados foram capazes de pigmentar a resina Filtek Bulk Fill, sendo o vinho tinto a substância de maior poder de pigmentação. Estudo mostra que a alteração de cor na resina é explicada através de sua composição orgânica16 Aquelas que possuem TEGDMA, monômero de alta flexibilidade e diluente, apresentam níveis elevados de descoloração, devido ao seu caráter hidrofílico. Dessa forma, quanto maior a quantidade monômeros TEGDMA, mais elevados são os níveis de descoloração1-16 .Além disso, sugere-se, ainda que a presença do silano junto às partículas de carga influencia negativamente na estabilidade de cor, tendo em visto que o silano é um material que possui alto nível de absorção de água16
A influência do café na mudança de cor de três tipos de compósitos Bulk Fill (Filtek Bulk Fill- 3M, X-Trafil- Voco, and SonicFill Bulk Fill- Kerr) que ficaram imersos durante 1 mês na substância foi avaliado previamente17. O resultado encontrado foi uma mudança significativa na cor dos três compósitos, que aumentou proporcionalmente ao tempo que as amostras ficaram imersas no café. Este estudo corrobora com o resultado encontrado no presente estudo, onde o café foi capaz de colorir resinas do tipo Bulk Fill. Uma pesquisa18 sugere que o manchamento pelo café acontece devido à adsorção e a absorção dos corantes amarelos presentes na substância, que ocorre devido à compatibilidade da matriz resinosa do compósito com os corantes do café.
Os resultados apontaram que ambas as bebidas foram capazes de ocasionar pigmentações. O vinho tinto foi a substância capaz de ocasionar pigmentação com maior intensidade, com o ΔE = 9,78 após a imersão das amostras nas substâncias, enquanto o café teve um ΔE = 8,14. Isso pode ser explicado pela presença do álcool na composição do vinho tinto, que tende a degradar as propriedades de superfícies da resina, ocasionando aspereza ao material, que proporciona uma maior área de superfície para a adsorção dos pigmentos presentes nas substâncias que provoca maior coloração19.
Apesar dos resultados obtidos no estudo apresentarem alteração de cor nos espécimes, a resina Filtek Bulk Fill apresenta menor potencial de pigmentação quando compara à Filtek Z350 conforme comprovado18. De acordo com a literatura, a presença do monômero AUDMA e UDMA, e ainda a ausência de Bis-GMA e TEGMA. Segundo alguns autores, o UDMA é um monômero que possui maior resistência ao manchamento, se comparado aos monômeros Bis-GMA e TEGDMA, presentes na Filtek Z35018.
Os valores de ΔE entre 1 e 3 são visivelmente perceptíveis e valores de ΔE acima de 3,3 são considerados clinicamente inaceitáveis18-20.
Uma pesquisa apontou que bebidas com pH baixo podem afetar diretamente a integridade da superfície resinosa, contribuindo também para uma maior suscetibilidade à pigmentação21No caso desta pesquisa, o café e o vinho tinto são substâncias de baixo pH, o que pode ter contribuído ainda mais para o escurecimento das amostras.
Recentemente foi avaliada a estabilidade de cor em compósitos nanohíbridos, imergindo-os durante 24 horas em soluções de água, café, chá, refrigerante à base de cola e vinho tinto.
O estudo encontrou como um dos principais resultados que o café foi o causador do maior escurecimento (ΔE=4.37-7.41), seguido do vinho (ΔE=3.97-7.01). A diferença entre os resultados aqui apresentados pode ser justificada pelo tipo de resina que foi utilizada no citado estudo (Brilliant NG e Filtek Z350 XT) 22.Além disso, não houve utilização do peróxido de hidrogênio a 35%, sendo assim, sugere-se que o peróxido tem maior poder de clareamento sobre o café quando comparado ao vinho. Recomenda-se que outros estudos sejam realizados com o objetivo de responder a essas mudanças quando comparado os diferentes tipos de resina.
Na tabela 1 é possível verificar a resposta dos espécimes após submetidos ao agente clareador peróxido de hidrogênio a 35% obtidos. Foi possível comprovar que houve alteração de cor estatisticamente significante para o grupo 2 e 3 (café e vinho, respectivamente). Esse resultado sugere a eficácia do agente clareador nos compósitos que sofreram pigmentação. De acordo com um estudo prévio22 a matriz orgânica da resina composta tende a sofrer alterações químicas induzidas pelo componente ácido do agente clareador.
O Peróxido de Hidrogênio é um agente oxidante de grande atuação e intensidade, altamente instável, possui a capacidade de degradar a matriz polimérica da resina. Quando acontece a interação direta do agente clareador com a superfície do material restaurador, o peróxido degrada-se em radicais livres de oxigênio e água instáveis, que combinam entre si e quando acontece uma oxidação ou redução desses radicais, quebram-se as moléculas pigmentadas1-23.
Uma hipótese para a grande eficiência do agente clareador utilizado nesta pesquisa está na concentração do mesmo, pois tem grande quantidade de princípio ativo que se difunde mais rapidamente. Um estudo prévio24 utilizou Peróxido de Hidrogênio e Peróxido de Carbamida e comprovou a maior eficácia na remoção de manchas com o peróxido de hidrogênio a 40% quando comparados aos outros clareadores à base de carbamida e em menor concentração. Esses possuem menor quantidade de peróxido de hidrogênio em sua composição, apenas um terço se decompõe em peróxido de hidrogênio e o restante em uréia.
Enfatiza-se a alteração de cor pode estar relacionada com o tipo de resina utilizada. Alguns estudos descrevem que a resina Filtek Z250 XT e Filtek Z350 XT não apresenta resposta estatisticamente favorável a mudança de cor após a aplicação do peróxido de hidrogênio 35% e peróxido de carbamida 16%18-24. O agente clareador é capaz de remover as manchas mais superficiais encontradas na resina pigmentada pelas bebidas, porém, as manchas que penetraram na matriz resinosa do compósito, não podem ser removidas através do agente clareador25. O presente estudo está de acordo com os achados encontrados nesta pesquisa, visto que nenhum grupo teste teve à cor igual ao grupo da água destilada que se manteve estável.
Baseado neste estudo e em todos os outros analisados verificou-se que o Peróxido de Hidrogênio foi eficaz na remoção de pigmentações em resina composta do tipo Bulk Fill, porém esse clareamento não foi total.
CONCLUSÃO
A partir da realização deste estudo foi possível concluir que as bebidas utilizadas nesta pesquisa foram capazes de provocar manchamento na resina Filtek Bulk Fill (3M ESPE). Dentre elas, o vinho tinto obteve maior poder de pigmentação quando comparado ao café solúvel.
O Peróxido de Hidrogênio a 35% (Whiteness HP Blue Calcium 35%/FGM) foi capaz de remover as manchas superficiais dos corpos-de- prova. Enfatiza-se a necessidade de realizar outros estudos que comparem a capacidade do Peróxido de Hidrogênio a 35% (Whiteness HP Blue Calcium 35%/FGM) na remoção de pigmentos em diferentes tipos de resina devem ser realizados.
Aponta-se como limitação o fato do estudo ser realizado a nível laboratorial e, para se obter resultados conclusivos se faz necessário ensaios clínicos controlados e randomizados.
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Notas de autor