Artigos Originais

Acolhimento dos acompanhantes de mulheres em processo de parto numa maternidade de alto risco

Reception of companions of women in labor in a high risk maternity ward

Acogida de los acompañantes de mujeres en trabajo de parto en una maternidad de alto riesgo

Dayeny Fernandes Farago 1
Universidade Federal do Paraná (UFPR), Brasil
Tatiana Brusamarello 2
UFRP, Brasil
Silvana Regina Rossi Kissula Souza 3
UFPR, Brasil

Acolhimento dos acompanhantes de mulheres em processo de parto numa maternidade de alto risco

Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 8, núm. 4, pp. 827-836, 2020

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Recepção: 19 Fevereiro 2020

Aprovação: 21 Julho 2020

Resumo: O objetivo deste estudo é descrever o acolhimento do acompanhante de mulheres em processo de parto e nascimento numa maternidade de alto risco. Trata-se de uma pesquisa qualitativa descritiva realizada de junho a outubro de 2019, por meio de entrevista semiestruturada com 12 acompanhantes (dos quais nove homens) de puérperas internadas no centro obstétrico de um hospital universitário do Sul do Brasil. Para organização e análise dos dados utilizou-se o software WebQda e análise de conteúdo proposta por Bardin. Emergiram quatro categorias: Ambiência e confortabilidade na visão dos acompanhantes; Inclusão do acompanhante no processo de cuidar; Protagonismo do acompanhante no processo de parto e nascimento; e, Importância da participação do acompanhante no pré-natal. Mesmo diante do cenário crítico e de alta complexidade, que permeia uma maternidade de alto risco, a fala dos participantes desta pesquisa evidenciou que os mesmos se sentiram confortáveis e bem acolhidos. De modo que, o cuidado pôde ser compartilhado entre os mesmos e a equipe de saúde.

Palavras-chave: Acolhimento, Humanização da Assistência, Parto Humanizado, Enfermagem.

Abstract: The aim of this study is to describe the reception of companions of women in the process of childbirth and birth in a high-risk maternity. This is a descriptive qualitative research carried out between June and October of 2019, through a semi-structured interview with 12 companions (including nine men) of puerperal women admitted to the obstetric center of a university hospital in southern Brazil. For data organization and analysis, the WebQda software and content analysis proposed by Bardin were used. Four categories emerged: Ambience and comfort in the companions' view; Inclusion of the companion in the care process; Appreciation of the role of the companion in the delivery and birth process; and Importance of the companion's participation in prenatal care. Even with the critical and highly complex scenario, which permeates a high-risk maternity, the speech of participants in this research showed that they felt comfortable and welcomed. So, care could be shared between them and the health team.

Keywords: User Embracement, Humanization of Assistance, Humanizing Delivery, Nursing.

Resumen: El objetivo de este estudio es describir la acogida del acompañante de las mujeres en el proceso de parto y nacimiento en una maternidad de alto riesgo. Se trata de una encuesta cualitativa descriptiva realizada entre junio y octubre de 2019, mediante una entrevista semiestructurada con 12 acompañantes (nueve de ellos hombres) de mujeres puérperas ingresadas en el centro obstétrico de un hospital universitario del sur de Brasil. El software WebQda y el análisis de contenido propuesto por Bardin se utilizaron para organizar y analizar los datos. Surgieron cuatro categorías: Ambiente y comodidad en la visión de los acompañantes; Inclusión del acompañante en el proceso de atención; Protagonismo del acompañante en el proceso de parto y nacimiento; e, Importancia de la participación del acompañante en el prenatal. Incluso ante el crítico y altamente complejo escenario que impregna una maternidad de alto riesgo, el discurso de los participantes en esta investigación demostró que se sentían cómodos y recibidos. De esta manera, el cuidado pudo ser compartido entre ellos y el equipo de salud.

Palabras clave: Acogimiento, Humanización de la Atención, Parto Humanizado, Enfermería.

INTRODUÇÃO

O acolhimento é uma das diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) divulgada pelo Ministério da Saúde (MS), que preconiza que este deve ser realizado por todos os profissionais de saúde e a qualquer tempo, e que este cuidado deve ser direcionado não somente aos pacientes, mas também aos seus acompanhantes1.

O acolhimento nos serviços de saúde contribui para o desenvolvimento de relações humanizadas, promove a construção de vínculo entre a família, paciente e a equipe de saúde. Porém, muitas vezes, o acolhimento é mal compreendido pelos profissionais que atuam nos serviços de saúde restringindo este cuidado a uma das etapas do atendimento que ocorre na entrada dos serviços, por meio de recepções e triagens2.

A presença de acompanhantes sempre fez parte da história do processo de parto e nascimento, porém a institucionalização destes eventos a partir das práticas médicas obstétricas do século XX culminou no afastamento de familiares ou pessoa de convívio social das mulheres no momento do parto, e o que antes era um acontecimento domiciliar e familiar, tornou-se um processo médico, cercado de intervenções. Contudo nas últimas décadas estes modelos têm sido repensados por meio de recomendações das boas práticas na atenção ao parto e nascimento, e assim os familiares ou pessoas do convívio social das mulheres estão sendo reinseridos nestes cenários3.

Desde 1996 a Organização Mundial de Saúde recomenda as boas práticas de atenção ao parto e nascimento, e dentre essas estimula que as instituições respeitem a escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante o processo de parto e nascimento. No Brasil, porém, esse direito passou a ser respeitado apenas mais tardiamente, no ano de 2005 quando estabelecida a Lei nº 11.108, que determina que os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante indicado pela mesma durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato4,5.

A PNH ressalta que não basta que as instituições garantam o direito a acompanhante, mas que este seja promovido por meio de espaços para acolhê-los de forma que possam manter momentos de encontros, diálogos, relaxamento e entretenimento, independentemente do tipo de unidade, o que inclui pronto socorros, enfermarias, salas de espera dos centros cirúrgicos, centros obstétricos, dentre outras1.

A partir do momento que os acompanhantes adentram os serviços de saúde, podem se tornar parte do cuidado dos profissionais. Além disso, os estudos demonstram que o acolhimento e o conforto dos familiares no ambiente hospitalar se trata de objeto complexo e que requer abordagem multidisciplinar2,6.

Entende-se assim, que conhecer como é o acolhimento oferecido aos acompanhantes de mulheres em maternidades durante o processo de parto e nascimento poderá contribuir para confirmação da efetividade das ações já realizadas e/ou para desenvolvimento de melhorias, de forma a aperfeiçoar a assistência prestada aos acompanhantes e seus familiares. Diante do exposto, este estudo tem como objetivo descrever o acolhimento do acompanhante de mulheres em processo de parto e nascimento de uma maternidade de alto risco.

MÉTODO

Estudo de abordagem qualitativa, do tipo descritivo, realizado numa maternidade de alto risco de um hospital universitário do Sul do Brasil no período de junho a outubro de 2019.

O cenário da pesquisa é um complexo hospitalar de alta complexidade, assim conta com suporte para atender a maior parte das necessidades das “gestantes de risco”. O perfil das gestantes atendidas nesta maternidade é de mulheres com doenças crônicas, doenças agudas exclusivas da gestação, com situações de vulnerabilidade social, gemelaridade, e outras. Sobre a estrutura da unidade de Centro Cirúrgico Obstétrico e Ginecológico (CCOG), este contém suítes privativas de pré-parto, parto e pós-parto, salas cirúrgicas, sala de reanimação neonatal, salas de tratamento clínico e recuperação anestésica7,8.

Participaram da pesquisa os acompanhantes de mulheres internadas no CCOG, convidados pela pesquisadora durante o puerpério de suas companheiras, após explicação da pesquisa e mediante assinatura do Termo de consentimento livre esclarecido. Os critérios de inclusão para o estudo foram: ser maior de 18 anos de idade e ter permanência mínima de 6 horas como acompanhante. Como critérios de exclusão: não compreender a língua portuguesa e não estar em condições emocionais para responder aos questionamentos da pesquisa.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada, em salas privativas na maternidade, com a seguinte solicitação inicial: “Conte-me como você foi acolhido nesta maternidade durante o internamento de sua companheira.” Para garantir o sigilo os participantes receberam uma identificação alfanumérica com a letra A (A1, A2, A3, sequencial conforme ordem das entrevistas).

Para a análise dos dados utilizou-se a Análise de Conteúdo proposta por Bardin9, composta por três etapas: pré-análise; exploração do material, tratamento e interpretação dos resultados. Essa análise permite a identificação de categorias temáticas, que neste estudo foram elaboradas e organizadas com o auxílio do software webQDA, de apoio para pesquisa qualitativa, que tem como base para desenvolvimento a análise de conteúdo10,11.

A utilização do software webQDA é via internet, sem necessidade de instalação do programa no computador, e possibilita editar, visualizar, interligar e organizar os dados coletados. O software oferece três ferramentas principais: Fonte, espaço na qual são carregados os documentos do pesquisador (entrevistas transcritas em documentos de texto, vídeos ou imagens); Codificação, na qual se pode criar dimensões, indicadores ou categorias; e Questionamento, recurso que permite ao pesquisador questionar os dados com elaboração de matrizes ou contagem de palavras9.

Neste estudo as entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas, posteriormente os arquivos de texto foram carregados no software e utilizou-se a ferramenta Fonte para caracterização dos participantes e a Codificação livre para definição de categorias. O software ainda possibilita identificar valores de “Referência” nas falas dos participantes, que representa o quanto do total da entrevista os mesmos se referiram a determinada temática..

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer nº 3.320.550. Foram respeitados os aspectos éticos da Resolução nº 466/12, sendo que todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Dos 12 participantes do estudo, nove se identificaram como gênero masculino e três femininos com faixa etária prevalente entre 25 a 29 anos. Em relação a cidade de origem, 11 são procedentes de Curitiba-PR e apenas um é do município de Araucária-PR, cidade metropolitana de Curitiba. Com relação à raça/cor autodeclarada, seis se identificaram como brancos, cinco como pardos e um como preto. A escolaridade com maior prevalência foi ensino médio completo, com sete participantes, seguida de dois com ensino fundamental incompleto, dois com ensino superior completo, e um com ensino médio incompleto (Tabela 1).

Em relação à ocupação, utilizou-se a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego, que organiza as ocupações em grandes grupos. O grande grupo 7 (Trabalhadores da produção de bens e serviços industriais), foi o que apresentou maior número de casos, com 4 acompanhantes. Ao abrir o leque de ocupações dos grandes grupos da CBO, é possível ver que a ocupações que aparecem entre os acompanhantes são, por exemplo: pintor, auxiliar de motorista, cozinheira, e outros. As ocupações que não são classificadas na CBO estão distribuídas neste estudo dentro da divisão “Outros”, que incluem aposentados e desempregados12 (Tabela 1).

Sobre o vínculo social com as pacientes internadas, cinco disseram que vivem em união estável, quatro são casados, duas mães e uma cunhada. Quando questionados em relação ao tempo de permanência como acompanhantes a maioria declarou estar há mais de 24 horas na maternidade (Tabela 1).

Tabela 1
Acompanhantes de mulheres em processo de parto e nascimento numa maternidade de alto risco, conforme classificação de fontes do software webQDA. Curitiba/PR, 2019.
VariáveisNúmero
Idade
20 - 24 anos2
25 - 29 anos4
30 - 34 anos2
35 - 39 anos2
60 - 64 anos1
75 - 79 anos1
Sexo
Homem9
Mulher3
Procedência
Curitiba – PR11
Araucária – PR1
Nível de instrução
Fundamental Incompleto2
Médio Incompleto1
Médio Completo7
Superior Completo2
Ocupação
Grande grupo 2 CBO - Profissionais das ciências e das artes1
Grande grupo 4 CBO - Trabalhadores de serviços administrativos1
Grande grupo 5 CBO - Trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados3
Grande grupo 7 CBO - Trabalhadores da produção de bens e serviços industriais4
Outros – Desempregados1
Outros – Aposentados2
Tipo de vínculo com a paciente
Vivem em união5
Cunhada1
Casado4
Mãe2
Tempo aproximado de permanência na maternidade
6 - 12 horas1
13 - 18 horas2
19 - 24 horas1
Maior que 24 horas8
Raça / Cor autodeclarada
Parda5
Branca6
Preta1

Após análise das entrevistas emergiram quatro categorias: Ambiência e confortabilidade na visão dos acompanhantes; Inclusão do acompanhante no processo de cuidar; Protagonismo do acompanhante no processo de parto e nascimento; e, Importância da participação do acompanhante no pré-natal, representadas na Figura 1.

Figura 1
Categorias temáticas que emergiram a partir do discurso dos participantes, conforme mapa de códigos livres gerados pelo software webQDA. Curitiba/PR, 2019.
Categorias temáticas que emergiram a partir do discurso dos participantes, conforme mapa de códigos livres gerados pelo software webQDA. Curitiba/PR, 2019.

Ambiência e confortabilidade na visão do acompanhante

Nesta categoria destacou-se o acolhimento oferecido por parte dos profissionais. Os participantes relataram como foram bem acolhidos pelos profissionais da instituição, uma vez que estes sempre se colocaram à disposição para sanar suas dúvidas e questionamentos. Referiram ainda, que a equipe foi afetuosa, respeitosa e ágil no atendimento de suas companheiras:

Todos os profissionais atenderam a gente bem, tanto ela enquanto paciente e eu como acompanhante, as meninas são bem atenciosas [...] vinham, falavam se estava perto do bebê nascer, se não estava. [...] A agilidade no atendimento e a calma, principalmente quando a pessoa vem ganhar um bebê precisa de um ambiente calmo, os profissionais da maternidade são muito calmos, muito tranquilos. (A3 – Referência - 32,72 %).

O parto foi feito no mesmo quarto também, com as induções, as médicas vinham toda hora perguntar se nós estávamos bem, não só minha esposa, a mim também. [...] em nenhum momento fui maltratado, sempre tratado com educação, com carinho mesmo, dava para ver no rosto delas a vontade de trabalhar, e sem falar que o maior retorno para mim é cuidar da minha esposa, cuidaram muito bem dela, para mim está sendo ótimo. (A7 - Referência - 15,43%).

Também foram valorizadas pelos participantes a estrutura física e a alimentação ofertada aos acompanhantes, permitido dormir e se alimentar com conforto dentro da instituição. Os aspectos relacionados à higiene, privacidade, organização do ambiente e segurança também foram colocados de forma positiva pelos entrevistados, chegando a ser entendido, pelo participante A5, como uma extensão da sua casa:

É muito bom, eu não esperava, que até então a nossa maternidade de referência [cita o nome da outra maternidade], eu nunca tinha vindo aqui neste hospital. Quando eu cheguei eu falei nossa é aqui, estava impressionado com os quartos. Às vezes a gente vai no particular e não é assim. A estrutura aqui é fantástica. (A2 - Referência - 16,51 %).

Segurança é o acolhimento da gente, eu achei bem legal aqui, o espaço tudo, ficou bem legal as reformas que foram feitas. Me senti bem, me senti normal, como se tivesse em casa, não foi assim uma coisa diferente, foi como se tivesse em casa. (A5 - Referência - 7,83 %).

Muito bom, o hospital é muito organizado, é muito lindo [...], tudo esterilizado, ela acabou de sair [da suíte de parto] e a menina [equipe de higiene] já limpou. [...] almocei, estava muito boa a comida. Gostei muito daqui sabe, quando eu entrei aqui [suíte de parto] tinha cama [poltrona reclinável], dormi a noite inteira. Tinha televisão, assisti novela, tinha banheiro, muito bem, dormi à vontade. (A6 - Referência - 15,81 %).

Inclusão do acompanhante no processo de cuidar

Essa categoria é representada por falas significativas relacionadas ao estímulo recebido pelos acompanhantes por parte dos profissionais de saúde, para que estes participassem dos cuidados com as parturientes. Em alguns relatos também foi evidenciado que o acompanhante estava confortável a ponto de sentir-se parte do processo e sozinho tomar a iniciativa de encorajar a parturiente a utilizar os métodos não farmacológicos de alívio da dor:

Foi muito bom, porque, eu acho que é o trabalho dos profissionais estar ajudando e mostrando as coisas, como que tem que ser feito, como faz. Ela [paciente] não queria andar, e aí me falaram ‘pai pega ela, e puxa ela para andar, porque tem que dar dilatação e tudo’, levar ela para caminhar porque ela só queria ficar deitada, e deitada não ajuda no parto. (A9 - Referência - 17,03 %).

Eu fiquei acompanhando [...] ajudava, levava para o banho, acompanhei todas as dores dela, todo o processo ali eu estava junto, [...] eu chamei os enfermeiros, eles entraram no quarto e foi ali mesmo o parto. Eu fiquei do lado, olhando, perguntando, ajudando ela fazer força. (A10 - Referência - 13,19 %).

Eu fiquei junto em todos os momentos, foi tudo bem. Consegui acompanhar o parto, ficar junto com ela, ajudar com as bolinhas [bolas suíças], ficar ajudando ela, colocar no chuveiro, na água quente. (A12 - Referência - 17,28%).

Valorização do acompanhante no processo de parto e nascimento

Foi possível identificar que alguns participantes se sentiram valorizados pela equipe de saúde, referiram ter sidos incluídos nas etapas do processo de parto e nascimento o que lhes promoveu uma sensação de pertencimento àquele momento. Relataram ainda, que estar participando do processo contribuiu positivamente para o sucesso do parto, uma vez que a parturiente se sentiu segura com a presença de alguém de sua confiança durante os momentos de dor:

Eu estava junto com a ela [parturiente], o médico falou é uma decisão sua, daí ele se corrigiu e falou não, é uma decisão de vocês [...] eu participei do processo todo. (A2 - Referência - 4,93 %).

Eu fui muito bem atendido, sem palavras, cuidado, zelo, não só com ela, assim comigo que estou de acompanhante [...], eles [profissionais] deixam o que estão fazendo de lado e vem te orientar [...] isso para mim é um belo tratamento, na verdade me deixou importante, não me achando, mas me deixou importante. (A7 - Referência - 7,07%).

Minha presença acho que ajudou bastante, porque o pai acaba acalmando, [...]ou alguém da família. Eu não ia querer sentir uma dor assim e não ter ninguém da família, no meio de um monte de gente estranha. [...] geralmente quando tem o parto, eles perguntam se a mãe está bem, mas eles conversam, perguntam se você está bem, você vai assistir o parto, entendeu, eles passam aquela impressão que você também está fazendo parte. (A10 - Referência - 20,93 %).

Importância da participação do acompanhante no pré-natal

Nesta categoria foi evidenciada a importância do familiar ou pessoa de convívio social da mulher gestante participar das consultas de pré-natal, momento em que se tem a oportunidade conhecer a legislação e seus direitos. De acordo com os relatos dos participantes, participar do pré-natal possibilitou conhecer as etapas do processo de parto e nascimento, saber dos seus direitos enquanto acompanhantes e estar mais confiantes durante sua permanência no centro obstétrico:

A gente fez o acompanhamento e desde a enfermeira de lá [durante o pré-natal na atenção básica], até as médicas, sempre tivemos acesso a informações [sobre o direito ao acompanhante] [...] e na entrada também tinha uma placa enorme assim na entrada [durante o pré-natal nesta maternidade]. (A2 - Referência - 9,69 %).

Tem os informativos aqui na parede [sobre o direito à acompanhante]desde o começo que minha esposa começou a fazer o pré-natal aqui [durante o pré-natal nesta maternidade] [...] fizemos uma visita aqui também e a enfermeira foi bem clara que acompanhante não é qualquer um, que marido é sim acompanhante. (A7 - Referência - 7,79%).

Eu vi que tinha escrito ali na porta, quando você entra no pronto atendimento [durante o pré-natal nesta maternidade] tem que pai não é visita. (A10 - Referência - 10,53 %).

DISCUSSÃO

Para o Ministério da Saúde (MS), a Ambiência nos serviços de saúde abrange o espaço físico, social, profissional e relações interpessoais, e estes devem estar em harmonia para estabelecer uma proposta de ações de saúde voltadas para a atenção acolhedora, resolutiva e humanizada. A ambiência é um dispositivo que contribui positivamente nas relações de trabalho, e por consequência nas relações interpessoais, e isso inclui a relação profissionais/profissionais e profissionais/usuários, pois é uma ferramenta que visa promover espaços saudáveis, acolhedores, confortáveis, com privacidade e de encontro entre as pessoas1.

Na categoria Ambiência e confortabilidade na visão do acompanhante, a ambiência foi evidenciada nas falas dos participantes quando estes se referiram ao bom acolhimento recebido por parte dos profissionais, quando foram tratados com palavras de afeto e gentileza. Na entrevista de A3, por exemplo, o software apontou um valor de “Referência de 32,72 %”, isto demonstra o quanto este tema foi significativo para este participante, pois mais de 30% de toda sua entrevista foi direcionada ao quão bem foram atendidos pelos profissionais de saúde da instituição.

Já a questão do conforto, nesta primeira categoria, teve relevância significativa quando os participantes falaram sobre a estrutura física e alimentação oferecida pela instituição para os acompanhantes. Os apontamentos demonstraram que a instituição oferece meios de promover conforto e acolhimento aos seus usuários.

Esse fenômeno pode estar relacionado ao fato de que no ano de 2019 o CCOG da instituição foi reformado. O projeto foi planejado para aumentar o conforto de pacientes, acompanhantes e profissionais da unidade. Dentre as melhorias realizadas destaca-se salas com equipamentos de parto humanizado, como uma com banheira e outra completamente adequada para deficientes físicas, salas cirúrgicas amplas, ambiente climatizado e com cores claras, além de uma nova copa e sala de descanso para a equipe multiprofissional8.

A palavra conforto é definida como estado de bem-estar, pela qual, a experiência subjetiva excede à dimensão física, e inclui necessidades básicas no aspecto físico, psicológico, social, espiritual e ambiental; logo, o desconforto surge da não-satisfação de suprir essas necessidades13. A hospitalização de um familiar pode gerar diversas situações de desconforto para os acompanhantes, pois estes precisarão se adaptar às normas e rotinas da instituição, e para muitas pessoas o hospital é um cenário hostil, onde vivenciam situações de angústia e medos, o que altera totalmente sua rotina, costumes e hábitos diários13.

A confortabilidade segundo o MS é importante estratégia de humanização nos serviços de saúde, sendo importante oferecer ambiências confortáveis e acolhedoras, de modo a propiciar privacidade e individualidade dos usuários e trabalhadores de um determinado serviço de saúde. Destaca-se ainda, que o conforto ambiental, por meio da arquitetura, é uma das principais ferramentas para humanização hospitalar, em que se deve valorizar espaços de convivência dos usuários, através da cor, luz, texturas, sons, e até odores1,14.

Todos esses componentes abordados na categoria Ambiência e confortabilidade na visão do acompanhante atuam como qualificadores, promovendo acolhimento, que por consequência contribui para o processo de produção de saúde e de espaços saudáveis, tanto para usuários quanto para profissionais das instituições de saúde15.

Sobre a Inclusão do acompanhante no processo de cuidar, os resultados demonstraram que os acompanhantes nesta maternidade foram incluídos no processo de parto e nascimento de suas companheiras. Para a mulher a presença do acompanhante propícia, do ponto de vista fisiológico, estimulação da produção hormonal, diminuindo o seu estado de alerta e a ansiedade frente ao desconhecido, proporcionando mais serenidade e confiança, influenciando em desfechos mais favoráveis nos tratamentos recebidos16.

Em muitas falas surgiram palavras como “bola”, “cavalinho”, “banho”, “caminhar”, “chuveiro”, “água quente”, que demonstram que a instituição estudada adota as medidas não farmacológicas de alívio da dor no trabalho de parto, e que além de realizar tais práticas, inclui os acompanhantes nesses cuidados, promovendo então a humanização no atendimento à mulher no processo de parto e nascimento. O que vai ao encontro dos resultados de um estudo15 realizado na região sul do país que evidenciou que a presença do acompanhante é estatisticamente associada à maior oferta de métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto17.

Destarte, as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal do MS recomendam que a equipe de saúde auxilie e oriente o acompanhante a se integrar no momento do processo de parto e nascimento, incentivando-o a dar apoio físico e emocional à parturiente16.

Para além do ponto de vista fisiológico, a presença do acompanhante favorece o fortalecimento do vínculo familiar, fato que fica evidenciado na categoria Valorização do Acompanhante no processo de parto e nascimento, falas em que os participantes reconhecem a importância da sua presença física para suas companheiras. Esses achados valorizam as recomendações estabelecidas na proposta HumanizaSUS sobre visita aberta e direito a acompanhante18,19.

Muitas instituições hospitalares, no decorrer da história, foram construídas com base em relações hierarquizadas e normatizadas, com modelos de assistência tecnicistas e excludentes. Assim diante da hospitalização de um familiar, o acompanhante se vê em um cenário desconhecido, onde precisa se adaptar aos protocolos, horários e rotinas institucionais, passíveis de serem manipulados por pessoas que podem omitir informações sobre o que deve, pode ou não fazer20.

As políticas de humanização e direitos estabelecidos para os acompanhantes e pessoas hospitalizadas fomentam mudanças nestes cenários:

A presença do acompanhante, do visitante, de familiar ou de representante da rede social do paciente no ambiente hospitalar é, indiscutivelmente, uma marca fundamental que pode mudar as relações de poder nas instituições de saúde, aumentando o grau de protagonismo dos usuários18.

Para o acompanhante um bom acolhimento por parte dos profissionais de saúde os faz perceber o espaço hospitalar como um lugar seguro, e para os profissionais também proporciona um ambiente de trabalho mais confortável e harmonioso, pois o acompanhante pode ser um grande aliado do cuidado no encorajamento à mulher no momento do parto16,18.

Na categoria Importância da participação do acompanhante no pré-natal, ficou claro que é neste momento que os acompanhantes passam a conhecer o direito da mulher em ter sua presença, garantido pela Lei 11.108, de 7 de abril de 2005, que dispõe sobre o direito de todas as mulheres atendidas nos serviços do SUS de serem acompanhadas por pessoa de sua escolha durante o trabalho de parto, parto e pós parto.

Os resultados dessa pesquisa divergem dos achados de outra pesquisa que demonstrou que as mulheres tiveram dificuldades em ter a presença de seus acompanhantes durante o parto e nascimento, devido a profissionais que ou desconheciam os direitos da parturiente ou simplesmente ignoravam a legislação21.

CONCLUSÃO

Os resultados alcançados neste estudo evidenciam que o processo de cuidado das mulheres hospitalizadas durante o parto e nascimento pode ser partilhado entre equipe de saúde e seus acompanhantes, para isso é importante que estes sejam bem acolhidos e orientados, e assim sintam-se confortáveis e incluídos no processo de cuidar de suas companheiras.

Identificou-se também que a presença do acompanhante fortalece o vínculo familiar entre os indivíduos, fato importante já que a família está prestes a receber um novo membro, o bebê, que levanta a necessidade de readequação da estrutura familiar e reorganização da rotina.

O local de condução de algumas entrevistas para a coleta de dados pode ter impactado na atenção e concentração dos participantes, pois foram realizadas no CCOG. Sendo este aspecto, portanto, uma limitação a ser considerada no presente estudo.

Por sua vez, diante do cenário crítico e de atendimento de alta complexidade, que permeia uma maternidade de alto risco, a instituição estudada e os profissionais que nela atuam, fazem mais do que cumprir a obrigatoriedade de permitir a entrada de acompanhantes de mulheres internadas para o processo de parto e nascimento, eles buscam respeitar as Políticas públicas das boas práticas de atenção ao parto nascimento e a PNH.

REFERÊNCIAS

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Autor notes

1 Enfermeira. Especializanda na modalidade Residência Multiprofissional em Atenção Hospitalar (RMAH), com área de concentração em saúde da mulher, do Complexo Hospital de Clínicas (CHC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
2 Enfermeira. Especialista em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente. Mestre e Doutora em Enfermagem. Coordenadora do eixo profissional da RMAH do CHC da UFRP
3 Enfermeira. Especialista em Enfermagem Obstétrica. Mestre em Engenharia de Produção. Doutora em Ciências. Professora e Vice Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da UFPR
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